The Green Slime (The Green Slime) Kinji Fukasaku (1968) Japão

Posted in 60´s Sci-fi, Cinema Oriental, Exploração Espacial, Filmes de Invasão, Space Opera, aventura with tags , , on 19 Junho, 2008 by alcaminhante

Este é mais um daqueles filmes que futuramente também irei colocar no meu outro blog “Cinema ao Sol Nascente” sobre cinema oriental.
Eu sei que pelas imagens do filme não se nota, mas a verdade é que ["The Green Slime"] é uma produção Japonesa do final dos anos 60, apesar de não irem encontrar um único japonês no ecrã. Provavelmente estão todos dentro dos fatos de borracha que simulam as criaturas invasoras.

Este é não só um daqueles filmes do piorio, como também um verdadeiro antepassado de “Aliens” e “Armageddon“. Começa quando uma equipa de astronautas é enviada para destruir um asteroide em rota de colisão e acaba em cenas de porrada genialmente rídiculas em que uma estação espacial é invadida por uma quantidade enorme de alienígenas que se reproduzem de cada vez que são atingidos.
Os monstros são na realidade uma forma de vida indígena do asteroide destruído e entraram na estação porque um dos astronautas encontrou uma espécie de baba verde nojenta na superficie do rochedo e a trouxe para bordo quando regressaram da missão.
Naturalmente aquele green slime como seria de esperar, evolui até se transformar numas criaturas ameaçadoras que são uma espécie de polvo com muito olhos e não ficariam nada deslocadas num episódio do “Espaço 1999“.

Na verdade, pensando bem ["The Green Slime"], parece uma espécie de Espaço 1999 cheio de porrada mas em estilo Austin Powers e é talvez isso que hoje em dia ainda lhe dá mais encanto. E não falta sequer uma personagem semelhante á Dra Helena Russel mas em versão Bond-Girl.
É muito dificil descrever este filme a quem nunca o viu, pois ["The Green Slime"] é um daqueles produtos que se nota á distância que foi feito no final dos anos 60 devido ao seu estilo completamente psicadélico e muito groovy baby.  Garanto-vos no entanto que é muito divertido.

Estéticamente parece um episódio de Thunderbirds mas com actores de carne e osso em vez de marionetes com fios.
Embora na verdade não se note grande diferença.
É que os actores deste filme são verdadeiramente canastrões. E quando não são eles os canastros os figurantes tratam de os substituir ao andarem á deriva pelos cenários sem saber bem o que estão ali a fazer durante as cenas de acção. O que cria situações paralelas muito engraçadas, pois se repararem bem em alguns momentos de tensão, os personagens principais estão a dar tudo para parecer estar realmente em perigo, mas depois olhamos para os figurantes e nota-se perfeitamente o contraste pois a metade deles deve estar mais a pensar o que raio estão ali a fazer com aqueles capacetes de zundap na cabeça em vez de estar no quartel militar onde os foram buscar para brincar aos soldados espaciais.

Mas a coisa mais assustadora e realmente incrível deste ["The Green Slime"] nem sequer são os temíveis invasores alienígenas ou as estonteantes cenas de acção.
A coisa que mete mais medo, é o cabelo do heroi !
É que meus amigos, nem uma marionete dos Thunderbirds consegue ter um cabelo tão bem penteado durante o tempo todo.

E por falar em heroi, acho que nunca vi um gajo tão detestável e estúpido num filme espacial. Além de ser um autêntico porco chauvinista (mas elas gostam), é um verdadeiro fascista arrogante que toma as decisões mais hilariantes e contraditórias ao longo de toda a história sem se preocupar com o que acontece aos seus homens desde que o seu cabelo não perca o efeito de laca constante.
O tipo parece-se ligeiramente com uma mistura entre Charlton HestonRonald Reagan o que de certa forma até tem a ver com a personalidade do personagem.
Embora o gajo seja verdadeiramente detestável, não deixa de ser engraçado ver que nos anos 60 aquela composição de personagem seria o equivalente ao heroi do filme. E não é que o gajo se safa no fim e fica com a miuda ?

Tudo o que é mau em ["The Green Slime"] é aquilo que o torna num clássico absoluto e num verdadeiro representante daquilo que normalmente associamos aos clichés dos filmes de ficção científica clássica, monstros de borracha e miudas a gritarem.
E curiosamente mais uma vez, tudo aquilo que associamos a clichés do género acaba por estar, não num filme americano mas outra vez numa produção de fora dos Estados Unidos, tal como já tinha acontecido em “Planeta Bur“.
No entanto, isto é um filme absolutamente imperdível, pois momentos geniais não faltam e é um daqueles que merecem verdadeiramente o titulo de grande clássico do lixo. Ainda por cima é lixo bem produzido.

Os cenários são muito diversificados e óbviamente cheiram a cartão pintado por todo o lado, os efeitos especiais têm fios quanto baste e os monstros de borracha não poderiam estar melhor.
Agora, alguém me explica porque razão é que os soldados precisam de andar de carrinho de golfe nos corredores da estação espacial quando as distâncias são incrivelmente curtas e toda a gente passa por eles muito mais rápido seguindo a pé ? E porque é que os carrinhos de golfe têm um tubo de escape ?
Já lhes disse que o cabelo do heroi nunca se move ?

Ah e não percam também as cenas em que os herois com fatos espaciais atendem o telefone e comunicam encostando o auscultador ao capacete. Este futuro é só técnologia.
["The Green Slime"] foi uma produção que saiu no mesmo ano que “2001 Odisseia no Espaço” e é absolutamente notável constatarmos as diferenças estéticas entre ambos.

No meio de tudo isto não conseguimos deixar de nos espantar como o conceito de “Aliens” já estava presente neste ["The Green Slime"], pois todas as cenas de porrada nos corredores da estação remetem imediatamente para o filme de James Cameron o que dão actualmente uma nova vida a esta aventura espacial com espírito de Austin Powers.
E claro, as cenas no asteroide parecem uma versão antiga do filme “Armageddon” o que misturadas com o estilo “Aliens” dá origem a um produto muito engraçado.

No entanto nem tudo é bom porque é mau.
Há partes más que são realmente más e como tal contribuem para que ["The Green Slime"], não seja tão bom quanto deveria ser, sendo mau.
Faz sentido ?
O filme nem tem 90 minutos mas mesmo com tanta porrada ás vezes parece bem mais longo, talvez por esta não ter qualquer suspanse devido á sua ingenuídade e isso tornar redundantes algumas cenas que se calhar antigamente funcionavam, mas actualmente já estão extremamente datadas até mesmo para o espectador que como eu gosta deste tipo de filmes e normalmente se diverte com eles.

O facto de ser um filme japonês também lhe dá uma identidade um pouco indefinida, pois segue toda aquela estética de Godzilla mas tem um ritmo narrativo algo errático o que torna o facto dos actores serem todos estrangeiros, nomeadamente americanos, franceses e italianos num pormenor ainda mais curioso pois muitos parecem um bocado á deriva em todo o argumento e nenhum é usado plenamente, chegando alguns a ter menos tempo de ecran do que o próprio cabelo do heroi facho-chauvinísta.

Mas não deixem que isto os impeça de espreitar este ["The Green Slime"], pois é um verdadeiro filme de culto com quase tudo no lugar e onde nem faltam as estações espaciais penduradas por fios, as cenas de tiroteio no espaço ou os incendios no vácuo com as chamas a deslocarem-se para cima.
E claro, os diálogos atrozes e situações completamente ilógicas, que quase que tornam imprevisível aquilo que já se espera que vamos ver.

Uma nota curiosa também para o facto de já nesta altura terem arriscado um bocadinho de gore, com algumas cenas óbviamente contidas, mas que não deixam de criar um ambiente ainda mais campy que só fica bem a um filme que mete monstros horríveis a matarem pessoas em grandes quantidades.

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CLASSIFICAÇÃO:
 
Um verdadeiro filme de culto dentro da ficção científica clássica e tão ridiculo que se torna hipnótico.
Uma nota especial para a banda sonora verdadeiramente Austin Powers que lhes vai ficar na cabeça para sempre de tão má que é.
Apesar de muitas fragilidades merece quatro Planetas Saturno, pois é realmente uma peça única dentro deste género de cinema. Ainda por cima é outro produto oriental completamente desmiolado e só isso vale um planeta Saturno adicional, portanto leva quatro e não trés.

    

A favor: tudo é absolutamente mau e como tal tudo é bom, os cenários de cartão, os polvos de borracha, o conceito do green slime enquanto cena nojenta, as cenas de tiroteio no espaço com muitos fios e astronautas, as cenas ao estilo “Armageddon” na superficie do asteroide, é um antepassado do “Aliens” e nota-se, a música é do piorio, parece um episódio do “Espaço 1999” mas com porrada a duzentos á hora, os efeitos especiais são absolutamente maus e portanto isso é muito bom pois este filme não resultaria com efeitos a sério.
Contra:
os actores são uns canastrões, o heroi é um machista facho da pior espécie e sem um pingo de empatia com o espectador, o ritmo narrativo do filme nem sempre resulta plenamente e muitas das vezes o filme arrasta-se um pouco até nas cenas de acção, a mistura entre o estilo japonês de fazer cinema e a tentativa de criar algo ao género de Hollywood não resulta plenamente.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=g79_ljVC5Wk

Videoclip
http://www.youtube.com/watch?v=vKESo2ofEcw

Actualmente este é um daqueles filmes muito dificeis de encontrar em dvd e até mesmo em torrents só se arranja a versão ripada do canal Turner Classic Movies num formato pan&scan.
Por isso boa sorte e se conseguirem encontrar uma edição em dvd á venda digam qualquer coisa.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0064393/

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Sayônara, Jûpetâ (Bye bye Júpiter) Koji Hashimoto (1984) Japão

Posted in Exploração Espacial on 19 Junho, 2008 by alcaminhante

Embora tenha acabado de recomendar este filme no meu outro blog, “Cinema ao Sol Nascente” não podia deixar de o fazer também aqui, visto que este será um daqueles de que muito pouca gente em Portugal alguma vez terá ouvido falar ou ter oportunidade de ver.
Até porque não se conhecem propriamente bons exemplos dentro da ficção científica mais séria no Japão pois o país sempre esteve mais virado para dezenas de Godzillas e variações de Power Rangers e como tal quando aparece um filme como este merece ser divulgado, porque até é um produto surpreendente em muitos aspectos.
Tirando algumas excepções como por exemplo o muito bom “Virus” e os excelentes “Natural City“, “2009 – Lost Memories” ou “Returner“, raramente se encontram produções asiáticas de ficção científica que tratem os ambientes e os temas da mesma forma séria que o cinema ocidental até costuma abordar bem.

No entanto na época em que surgiram os primeiros Star Wars no final dos anos 70, inicios de 80, parece que os Japoneses tentaram produzir alguns titulos que inclusivamente tiveram sucesso internacional suficiente para chegarem até a ser exibidos no cinema em Portugal, como por exemplo “Message from Space” ou o esquecido “War in Space” intitulado em Portugal – “Guerra no Espaço”.
O filme de que vos vou falar a seguir é precisamente dos mesmos produtores do segundo título e tem o estranho titulo de ["Sayonara Júpiter"], conhecido em inglés como “Bye Bye Júpiter“.
O que diga-se de passagem não será propriamente um título muito entusiasmante e como tal deve ter sido responsável por este filme não ser propriamente um dos exemplos mais populares no género.
Embora merecesse, pois é realmente um filme com características muito especiais.

Este deve ser um dos mais estranhos e originais filmes de ficção científica que me passaram pelas mãos nos últimos anos. E dos mais divertidos também.
É surpreendente a mistura entre coisas absolutamente extraordinárias com outras completamente inacreditáveis de tão más que são. Não há meio termo neste filme.
Ou nos maravilhamos com o que vemos no ecrã ou apetece-nos partir a cara a quem fez este incrível filme.
Como tal, ["Sayonara Júpiter"] é um daqueles filmes que não conseguimos deixar de odiar e adorar ao mesmo tempo. Não pode haver dois campos opostos, pois os seus aspectos positivos são tão fascinantes quanto detestável é o que tem de negativo e por isso estaria a mentir se disesse aqui que adorei ou detestei este filme, pois realmente neste caso, aconteceu-me sentir as duas coisas ao mesmo tempo. Só vocês vendo mesmo.
E vale a pena ser visto.

Para começar os efeitos especiais são mágnificos, especialmente tendo em conta que o filme foi produzido em 1983 e ainda não havia cá CGIs.
Para todos aqueles que ainda preferem uma boa maqueta bem filmada a uma nave animada em computador, vão encontrar em ["Sayonara Júpiter"] um verdadeiro tesouro perdido.
As cenas espaciais são absolutamente extraordinárias com uma atmosfera verdadeiramente espacial como não encontrava há muito muito tempo num filme. É dificil de explicar isto, mas sente-se não só a existência de uma técnologia como principalmente a vastidão do espaço ganha um contorno quase romântico na forma como é constantemente filmada.
Tal como em “2001 Odisseia no Espaço“, ["Sayonara Júpiter"] conta com dezenas de sequências que são verdadeiros bailados espaciais com naves deslizando em gravidade zero e onde quase por vezes parece que vão roçar o plágio estético do filme de Kubrick mas no entanto conseguem não só ter uma identidade muito própria como ainda por cima técnicamente em efeitos visuais este é um daqueles grandes filmes que não envergonha ninguém, muito pelo contrário.

Nota-se claramente que tanto estéticamente no design das naves como em termos de realização das cenas do espaço tudo foi muito inspirado em “2001 Odisseia no Espaço” mas ainda bem que o foi, pois tudo funciona tão bem que assistir a este filme nessas sequências é um verdadeiro prazer para quem como eu, já há muito procurava um filme que respirasse de uma realistica atmosfera astronautica depois de ver tanto gráfico feito em computador nos ultimos quinze anos.
A primeira cena de acostagem na estação espacial é simplesmente perfeita e para isso contribui também muito uma banda sonora que não poderia ter sido melhor, pois com o seu ambiente quase náutico é uma das coisas que mais contribui para neste filme se sinta verdadeiramente que o universo é não só muito vasto, como também pode ser misterioso e romântico.
No entanto, tal como o próprio filme, a banda sonora apesar de mágnifica nas cenas espaciais de repente espalha-se ao comprido noutras partes de que já falarei mais adiante e que que quase arruinam tudo o que é muito bom em ["Sayonara Júpiter"].

Portanto, resumindo esta parte; técnicamente o filme não poderia ter sido melhor e na minha opinião, em efeitos especiais é um dos melhores trabalhos que vi num produto do início dos anos 80. Tudo muito bem feito e atmosférico, onde além das naves também podemos contemplar algumas mas mais inspiradas paisagens espaciais do nosso sistema solar que me lembro de ter encontrado criadas através de efeitos tradicionais e onde podemos até fazer uma imaginativa viagem ao interior das núvens do planeta Júpiter.

Também uma nota extremamente positiva para os efeitos de gravidade zero com personagens humanos. Ainda muita gente que discute o filme na net, está a tentar perceber como conseguiram os autores de ["Sayonara Júpiter"] criar um par de breves sequências flutuantes muito bem sucedidas numa altura em que ainda não existiam computadores para removerem digitalmente os cabos que seguravam adereços e actores mas a verdade é que chegam realmente a impressionar pela sua naturalidade.

Mas como nem tudo é positivo e já que falamos de actores…
Mais uma vez estamos perante uma estranha mega produção japonesa cheia de actores internacionais.
E cada um pior que o outro.
Os americanos então é de um gajo ficar parvo a olhar para o ecran de cada vez que abrem a boca.
E os restantes também não vão muito longe, excepto, os japoneses que soam naturalmente (acho eu) e salvam a situação.
Em ["Sayonara Júpiter"], durante este filme fala-se não só japonês, como inglés, francês, alemão e mais qualquer outra coisa que agora nem me recordo, talvez espanhol … ou se calhar seria português. E depois há cenas em que os diálogos são em linguas diferentes. Eu explico…
Temos sequências em que um personagem está a falar com outro em japonês, só que o segundo depois responde-lhe em Alemão e subitamente entra mais um na conversa a falar em Francês e assim por diante, o que cria um tipo de filme que não estamos propriamente habituados a ver. Isto para não dizer também que os americanos depois também falam japonês e os japoneses falam inglés, etc, etc, etc.
E não são dobragens, pois são actores que realmente viviam e trabalhavam no Japão da altura e portanto conheciam a lingua do país.
Não que isto resulte mal, mas é muito estranho.
Ainda mais estranho que as camisas do heroi.

Agora, mau, mas mesmo mau…
Mesmo, mesmo, mesmo muito mau…são as cenas com os Hippies internacionais.
Confusos ? You will be, you will be…
Se calhar é melhor contar um pouco da história disto.
Em ["Sayonara Júpiter"], entre uma outra quantidade enorme de histórias paralelas com sub-plots e sub-sub-plots, conta-se também a história de um grupo de cientístas que basicamente querem explodir com o planeta Júpiter de modo a criar um segundo sol no sistema solar para servir as luas interiores que entretanto foram colonizadas pela humanidade e precisam da luz e calor que não podem obter naturalmente pela distância a que estão do centro do sistema solar.
Ora isto não agrada nada a uma seita religiosa chamada “Church of Júpiter” que basicamente é composta por uma cambada de Hippies do mundo inteiro (que aparentemente vivem todos no mesmo lugar no Japão) mas não fazem mais nada na vida a não ser passar o dia na praia num ambiente estilo Baywatch enquanto idolatram um gajo que é uma mistura entre Jesus Cristo, Elvis Presley (na sua fase Havaiana), John Lennon e Bin Ladden.
A sério !
De ver para crer.

Ora mesmo parecendo que estes gajos não fazem mais nada a não ser ouvir o seu messias a cantar as mais atrozes canções hippies que vocês possam imaginar, têm no entanto dinheiro para pagar uma viagem até Júpiter e protestar contrar a destruição do planeta colocando bombas e sabotando toda a experiência sempre que podem.
Não perguntem que eu também não sei responder… deixem-se levar pela história, pois garanto-vos que a coisa tem toda a lógica dentro do conceito do filme.
Bom, no entanto são precisamente estas partes com os hippies que quase (quase?), arruinam ["Sayonara Júpiter"], pois vocês nem fazem ideia de como este sub-plot é mau.
Não só é mau e ridículo como perfeitamente desnecessário pois o filme já tem histórias de outro estilo por todo o lado e não precisava disto para o tornar ainda mais desconjuntado.

Na verdade, se isto quase que torna ["Sayonara Júpiter"], intragável por momentos, por outro lado este filme não seria o mesmo sem estas cenas.
O que torna esta produção em algo único, pois é uma verdadeira mistura entre a excelência técnica de “2001 Odisseia no Espaço“, o divertimento campy de “Star Wars” e o puro lixo de um “Plan 9 from Outer Space” se este no entanto tivesse sido um filme musical com banda sonora de Joan Baez na sua fase flower power contestatária.
E como se ainda não bastasse, a narrativa interessante do filme, é interrompida pelo menos durante quatro vezes para levarmos com um videoclip de peace & love que fará vomitar até o maior fã de “Woodstock“. Sim, porque o chefe do bando de Hippies terroristas, espalha a sua palavra a cantar.
Mal !
E como uma desgraça nunca vem só, o tipo ainda consegue tocar guitarra sem fazer qualquer acorde.
Tudo isto seria muito divertido se não fossemos obrigados a assistir a vários teledíscos do mais piroso que interrompem algumas das partes mais interessantes do filme para levarmos com o Bin Laden entoando canções do peace ao pior estilo – salvem as baleias, a natureza e matem os infieis.
Ainda tenho que confirmar se estas músicas atrozes, foram compostas pela mesma pessoa que criou a excelente e ambiental banda sonora deste filme, pois recuso-me a acreditar que tenha sido capaz do melhor e do pior.
É nesta altura que irão poder ver uma das cenas mais gamadas de sempre ao filme do “Tubarão”.
Nem digo mais para que vocês vejam a sequência, pois é genial na forma como até vai roubar os enquadramentos de Spielberg.
O que me leva a outra coisa curiosa neste filme.

Mesmo sendo uma obra extremamente levezinha e divertida, de vez em quando entra por momentos gore totalmente inesperados. Não será propriamente um filme com baldes de sangue, nem com cenas nojentas, mas ainda contém alguns bocados de corpos ocasionais que parecem deslocados do tom geral do filme. O que lhe dá ainda uma identidade ainda mais estranha mas apelativa, pois nunca sabemos bem o que poderá acontecer a seguir na história ou que caminho o argumento irá seguir pois a partir de certa altura tudo é possível.
E já lhes falei nas gajas nuas ?
Pois, bem me parecia.
Este filme também mete miudas sem roupa o que ainda é mais estranho, pois na realidade não tem motivo algum para incluir as cenas de nú que inclui. Não que me esteja a queixar, até porque são supreendentemente reveladoras e até funcionam bem dentro da sequência de efeitos especiais que ilustram.

Na verdade ["Sayonara Júpiter"], merece ser visto nem que seja uma vez.
Se conseguirem não vomitar durante as partes hippies completamente imbecis e gostarem de boas cenas espaciais vão gostar certamente do filme apesar das suas inúmeras falhas.
Afinal este não só é um grande filme em termos técnicos, como acima de tudo é um filme grande, pois tem 140 minutos onde irão encontrar certamente muita coisa para apreciar. Por mim tirava-se a meia hora com o freaks cantantes e o filme ficaria bem mais afinado, mas não se pode ter tudo.
Mas se gostam de filmes espaciais pouco conhecidos, têm aqui uma boa opção que merece ser descoberta. Afinal no meio de tudo ainda têm as partes de pura space-opera ao melhor estilo “Star Wars” com batalhas laser em corredores de estações espaciais e embora aqui não entrem R2-D2 ou Chewbaccas as cenas de acção deste estílo são sempre divertidas. E neste caso algo inesperadas, pois faz com que ["Sayonara Júpiter"], de repente pareça uma espécie de “2001 Odisseia no Espaço“, se este tivesse sido um filme de porrada. Embora também não tenha muita e se calhar devia ter pois esforça-se demasiado para tentar ser ficção-científica séria quando todo esse esforço acaba deitado por terra mal o Bin Ladden dos Hippies saca da guitarra e começa a cantar o amor pelo seu golfinho favorito chamado precisamente, Júpiter.

Outra coisa muito negativa em ["Sayonara Júpiter"], é o facto de por momentos parece que vamos ter uma história cheia de mistério envolvendo uma enigmática raça extra terrestre que deixou artefactos em Marte e foi responsável também pelas linhas de Nazca na Terra mas depois todo esse angulo nem sequer é explorado ao longo do filme. Parece que tal descoberta causou menos impacto na humanidade do que o impacto nos neurónios do espectador de cada vez que temos que ver outro teledísco hippie por razão absolutamente nenhuma a meio do filme.
Este angulo extra-terrestre tinha tudo para ser um dos pontos fortes do filme, e a criatura/nave-espacial que habita a alta atmosfera de Júpiter é uma criação perfeita tanto em conceito como no que toca a efeitos especiais. E no entanto, os produtores do filme parece que não se importaram e deitaram por terra todas as mágnifcas possibilidades que este caminho da história poderia ter seguido e nunca segue sabe-se lá porquê.
A temática só volta a entrar em cena, nas sequências finais quando estão a tentar explodir Júpiter e mesmo assim nem se percebe bem para quê ou o que a ideia com o contacto extra-terrestre está a fazer neste filme pois não serve absolutamente para nada nem tem qualquer interferência na história central á volta das sabotagens dos Hippies espaciais.

Tivessem esquecido os Hippies do espaço e desenvolvido o fantástico conceito da ligação Terra-Júpiter-Marte e a sua relação com a critatura que habita nas núvens jupiterianas e ["Sayonara Júpiter"], teria sido um filme de ficção científica fantástico, pois técnicamente tinha tudo para ser um marco dentro do cinema de aventuras espacias com uma base muito ao estilo do filme de Kubrick e uma pitada de leveza ao estilo “2010” de Peter Hyams com o qual este filme tem inúmeras semelhanças (apesar de ter sido produzido ao mesmo tempo no outro lado do mundo).

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CLASSIFICAÇÃO:

Um excelente filme espacial que resulta num cruzamento estranho entre “Starwars” e “2001 Odisseia no Espaço“. Mas tudo o que tem de muito bom, é quase destruído por um par de cenas absolutamente ridiculas envolvendo Hippies espaciais que não contribuiem em absoluto para o filme e impede-o de ser a verdadeira obra prima que merecia ter sido.
No entanto, é mesmo muito divertido e as cenas espaciais são absolutamente fantásticas.
Quatro planetas Saturno e embora se calhar até mereça mais, aqueles hippies do espaço são verdadeiramente enervantes por isso…

   

A favor: é um excelente clone original do estilo “Starwars” com um estilo visual fabuloso retirado directamente do melhor de “2001 Odisseia no Espaço“, os efeitos especiais são incriveis com cenas espaciais muito atmosféricas e excelentes sequências em gravidade zero, o design de produção é mesmo muito bom e tem grande imaginação no conceito das naves e cenários de mundos do sistema solar, usa muito bem os cenários naturais e consegue integra-los bastante bem dentro do estilo gráfico do próprio filme, as maquetas das naves são fascinantes, os actores americanos são do piorio o que dá uma aura kitsh muito divertida á obra, tem uma identidade completamente japonesa, as cenas de porrada espacial em corredores são divertidas, tenta ser ficção científica séria em alguns momentos e quase que o consegue, a banda sonora ambiental para as cenas do espaço é absolutamente perfeita.

Contra: tem pelo menos meia hora de sequências inacreditávelmente más e absolutamente ridiculas envolvendo hippies espaciais, o chefe dos Hippies que é uma espécie de Bin Ladden saído do Woodstock canta algumas das mais atrozes canções ao estilo flower power que jamais ouviram num filme de ficção científica e só comparáveis á horrorosa e deslocada musica de Joan Baez no clássico americano Silent Running“, tem um puto génio que é a cara do Harry Potter e que nos dá cabo dos nervos de tão mau actor que é, e já agora vocês nunca viram uma colecção tão grande de maus actores reunidos num só filme espacial, como resultado os personagens não têm um pingo de interesse pois os que não são ridículos também nem têm muito tempo de vida no ecran.
E se pensam que os actores originais são absolutamente maus, vocês não podem perder também a versão semi-dobrada que vem incluida no dvd e do qual fica aqui um extracto de segundos (o actor japonês está dobrado, o outro não).

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=9WVJb349t3g

Comprar
Esta edição R1 é excelente. E não estou apenas a falar da qualidade geral do som e imagem, mas sim porque além de uma boa transcrição do filme, contém óptimos extras embora curtos.
http://www.amazon.com/Sayonara-Jupiter-Tomokazu-Miura/dp/B000KHX7KI/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=dvd&qid=1213787206&sr=1-1
Essencialmente tem um pequeno documentário de menos de meia hora sobre o making of que é absolutamente indispensável para quem quer ver como se faziam os efeitos especiais antes de existirem animações de CGI.
Além desse excelente documentário sobre as filmagens, tem uma secção de texto que é uma verdadeira enciclopédia sobre a produção do filme. Contém artigos, biografias e páginas e páginas de informação sempre muito interessantes sobre o processo de criação desta obra. Inclusive na parte final ainda tem uma espécie de catálogo de designs de naves espaciais. E isto para não falar das habituais galerias de fotos e design de produção que aqui também estão bem representadas.
O único senão desta area de texto é a péssima navegação para o utilizador, pois se nos enganmos no botão por exemplo na página 30, voltamos ao inicio e temos de voltar a “desfolhar” tudo outra vez para chegarmos onde estavamos antes. Mas, se tiverem cuidado, vale a pena ler todos os textos depois de verem o filme pois são realmente muito informativos e pelo menos uma vez na vida vale a pena ler uma area de texto contida nos extras de um filme ! Perfeito, teria sido se em vez disto, tivessem editado um pequeno livro para vir com o dvd, mas não se pode ter tudo.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0086247/

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*Não tenho ainda nenhum filme semelhante que possa recomendar*

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Starchaser – The Legend of Orin (Starchaser – A Lenda de Orin) Steven Hahn (1985) Eua

Posted in Acção, Cinema de animação, Space Opera, aventura with tags , , , , , , , , on 14 Junho, 2008 by alcaminhante

["Starchaser - The Legend of Orin"], na minha opinião é não só umas das melhores aventuras espaciais de sempre como possivelmente será o mais interessante de todos os clones de “Star Wars“.

Além de ser uma das space-operas mais genuínas que poderão encontrar no mercado dvd e um verdadeiro antepassado de obras como “Titan A.E.”, “Firefly” e “Serenity“ é também um digno herdeiro da tradição clássica do género literário cridado no final dos anos 20 do século passado.
Peço desde já desculpa pelo tamanho do texto a seguir, mas há muito para dizer e contextualizar sobre este filme aparentemente tão obscuro que vou aproveitar esta review para apresentar aqui algumas informações em jeito de artigo, pois acho-as absolutamente necessárias para que todos aqueles que desconhecem o que vou dizer a seguir possam olhar para esta mágnifica e desconhecida aventura no espaço um pouco com os meus olhos.
Comecemos então.

Prova-se com este ["Starchaser - The Legend of Orin"] que um filme não se torna necessáriamente numa má obra só porque tenta ser um clone de um outro filme conhecido.
O grande valor deste desenho animado está precisamente na forma como os seus criadores pegaram em tudo o que gostaram em “Star Wars” (mas não só) e souberam misturar muito bem todas essas referências de uma forma que lhes deu não só uma nova vida, como acima de tudo dotou o filme de uma identidade muito própria que fez com que toda a gente que o viu anos atrás ainda hoje se lembre dele, mesmo que já não se recorde do seu título.

A verdade é que ["Starchaser - The Legend of Orin"], tem tudo para agradar ao fã da mais clássica space-opera apesar do seu visual aparentemente muito básico a um primeiro olhar.
Tem identidade, personalidade e acima de tudo tem muita atitude e personagens com carisma.
É que este filme, apesar de se colar á imagem de “Star Wars“, na verdade acabou por reproduzir no ecrã as mesmas fórmulas clássicas que já George Lucas tinha recuperado e que foram a base do seu filme.
Hoje em dia “Star Wars” já está tão integrado na cultura popular mundial, que muita gente está convencida que o estilo foi inventado por Lucas.
Na realidade, se os criadores de ["Starchaser - The Legend of Orin"], foram beber inspiração a esse filme, também já ”Star Wars” tinha ido buscar as mesmas referências á ficção-ciêntifica dos anos 30.
Mais própriamente ás origens do género literário que veio a ficar conhecido por space-opera e que já existia naquela fórmula pelo menos trés décadas antes de Lucas ter alcançado o éxito.

Por isso, acusar ["Starchaser - The Legend of Orin"], de tentativa de plágio temático não terá muita força como argumento pois seria o mesmo que acusar “Star Wars” do mesmo visto que ambos bebem em última análise da mesma fonte original.
Afinal, se este filme de animação tem na sua história um jovem “camponês” ingénuo, uma princesa lutadora, um mercenário espacial, dois robots, um vilão cibernético, uma “Força”, cavaleiros espaciais caídos em desgraça, mentores mistícos, duelos com espadas de luz, batalhas laser em corredores e combates espaciais, também já “Star Wars” foi buscar esses “mesmos” personagens-tipo e situações á ficção-científica clássica, por isso não pensem que o Darth Vader, Obi-Wan, Luke Skywalker, Han Solo  ou até mesmo R2-D2 só passaram a existir quando apareceram com essa identidade no excelente argumento de Star Wars, porque esse tipo de personagens há muito que estavam delineados nas velhas pulp-magazines dos anos 30,40 e 50 tão populares entre os adolescentes que os devoravam na altura ao ponto do próprio Lucas considera-los parte essencial na formação da sua imaginação como já devem ter lido e visto nas suas entrevistas.
E isto nem sequer é um grande segredo.
“In his biography, George Lucas reveals that the Lensmen novels [(Doc Smith)], were a major influence on his youth, completing the tie from the books to modern popular culture through Star Wars”

Estas influências nunca são muito detalhadamente explicadas nos documentários que todos conhecemos. São sempre referidas de uma forma génerica juntamente com outras adicionais mais evidentes, até porque seria certamente muito complicado explicarem tudo sobre as origens de cada uma delas e como tal as novas gerações que nunca ouviram falar do começo da space-opera estão plenamente convencidas que antes de “Star Wars” não havia nada do género.
Muito menos fazem ideia de que este tipo de aventura espacial já tinha sido delineada há mais de cinquenta anos pelo génio do escritor E.E.Doc Smith (entre outros), que básicamente é actualmente considerado o pai da moderna space-opera, pois sem o seu trabalho (mas principalmente sem os seus personagens-tipo) certamente hoje “Star Wars“ se existisse seria algo completamente diferente e ["Starchaser - The Legend of Orin"], nunca teria sido produzido. É que este filme animado não se limita apenas a tentar clonar o êxito de Lucas como vai mais além no que toca á reprodução das fórmulas de aventura espacial ainda mais antigas o que só lhe fica bem.

Se Tolkien com ”O Senhor dos Aneis“ definiu a estrutura do moderno romance de Fantasia, criando os personagens-tipo do género que hoje são a base de inúmeras variações que vão desde o “Dungeons & Dragons” até ao “Eragon” (embora este último tenha uma outra origem ainda mais evidente), o escritor E.E.Doc Smith embora muito menos conhecido a nível do grande público moderno, fez o mesmo no que toca ao género da aventura espacial, criando com imaginação a sub-variação conhecida como space-opera que acabou por influenciar tudo o que a partir desse momento veio a ser criado desde “Flash Gordon“ a “Firefly” que, se não contarmos com os novosStar Wars“, foi a última reencarnação deste estilo que antigamente apenas tinha vida nas páginas de revistas que hoje já nem existem.
Infelizmente para E.E.Doc Smith, o cinema do seu tempo, técnicamente ainda não permitia que se reproduzisse fielmente o seu universo no grande ecran e como tal, durante décadas os seus conceitos e histórias estiveram confinados ao semi-obscuro e muito desprezado mundo das pulp-magazines de ficção-científica sempre desconsideradas pela auto-proclamada crítica literária iluminada, que do alto do seu púlpito nunca tinha olhado sériamente para o género da space-opera até George Lucas ter feito muito dinheiro ao renová-lo e de repente este ter ficado na moda e ser de bom tom dizer-se que afinal já se gostava de aventuras no espaço.

Durante décadas, a space-opera andou pelas revistas de ler e deitar fora e essas narrativas não eram consideradas mais do que divertimento inconsequente para crianças, tendo inclusivamente muitas histórias desaparecido por completo perdendo-se para sempre quando os últimos exemplares de muitas dessas revistas acabaram por desaparecer.
Com o sucesso do filme de Lucas, houve um interesse renovado e de repente os editores procuravam desenterrar tudo o que pudesse ser publicado na tentativa de saciar a vontade do público por mais aventuras espaciais e com isso ganhar também bom dinheiro trilhando o caminho que George Lucas abriu com o seu merecido sucesso.

Por isso o final dos anos 70 conheceu um ressurgimento do género da aventura espacial e foi a altura em que no cinema, não só se produziram space-operas italianas como “StarCrash“, japonesas com “Message from Space” e americanas na forma de ”Battle Beyond the Stars“, como o mercado de livros e revistas se viu inundado de todo o tipo de aventuras no espaço com espadas laser, mercenários e claro, gajos maus vestidos de preto com máscaras respiratórias e problemas de asma agravados.
["Starchaser - The Legend of Orin"] só poderia ser um produto desta época.
Um pequeno filme animado, que no entanto é um excelente exemplo de um produto da altura em que a redescoberta da space-opera estava no auge.
Algo curiosamente que hoje em dia não voltou a acontecer mesmo com o sucesso dos novos “Star Wars“. Como se o público moderno nem se interesse mais pelo que vê e apenas come o próximo filme que estiver na moda nesse fim de semana sem querer saber mais sobre ele, ao contrário do que acontecia dantes com as anteriores gerações de consumidores que descobriam o género no início dos anos 80.

Entre os finais dos anos 70 e o meio dos anos 80, a maior parte das histórias literárias publicadas eram criações contemporâneas, óbviamente inspiradas por “Star Wars“.
Foi nessa altura que também se descobriram em colecções privadas e baús perdidos um par de obras á muito esquecidas e algumas até incompletas de E.E.Doc Smith que foram posteriormente terminadas por escritores contemporaneos, tanto com base nos contos inicialmente obscuramente publicados como em notas detalhadas que o escritor deixou antes de morrer em 1965.
Foi quando a febre da space-opera finalmente permitiu que Doc Smith se desse a conhecer ás pessoas e muita gente ficou absolutamente espantada por ter descoberto que este senhor já falava em batalhas no espaço com raios laser ainda o próprio laser não tinha sido inventado ou sequer nome, com Doc Smith em romances como “Os Caçadores do Espaço” ou “Os Senhores do Vórtice” a descrever raios de luz concentrada que podiam penetrar nas couraças das naves, combates no espaço e muitas outras coisas que as pessoas vieram a conhecer associadas ás aventuras espaciais modernas.
Como imaginam, muitos daqueles fãs de Star Wars fundamentalistas religiosos quase que aderem ao Lado Negro da Força de cada vez que ouvem sequer a hipótese de George Lucas não ter criado de raíz absolutamente tudo o que viram no ecrã, como tal este é o tipo de coisa que gera sempre grandes discussões e ódios de estimação contra quem conhece mais do universo space opera.

Tudo isto para dizer o quê ?
Não para retirar o mais que merecido mérito a “Star Wars” mas para contextualizar muito daquilo que de certa forma erradamente as pessoas classificaram automáticamente como imitações desse filme.
["Starchaser - The Legend of Orin"],  teve tanto direito a existir quanto “Star Wars”.
Ambos são bons exemplos de uma boa homenagem á época clássica da ficção-científica e ambos são excelentes filmes de pleno direito.
Apesar de até hoje muito pouca gente estar a par desse facto que passou simplesmente ao lado pois e muita gente viu o filme de Lucas, muito pouca viu ["Starchaser - The Legend of Orin"], que ainda por cima foi feito em desenho animado e produzido numa época onde o cinema de animação ainda era essencialmente não esgotava bilheteiras pois a Pixar ainda estava a muitos anos de distância.
Este filme animado acabou assim abafado não de propósito claro, mas porque o sucesso de “Star Wars” foi tal e o dinheiro que gerou foi tanto, que a partir desse momento nada mais ganharia qualquer destaque.

Foi o momento em que os Media começaram a definir os gostos do público e com isso desviando inevitávelmente as atenções de tudo o que pudesse fazer com que os filmes da moda perdessem dinheiro (ou prestígio), porque antes já existiria um produto semelhante.
Um pouco como acontece actualmente com “Harry Potter” que pura e simplesmente devido ao sucesso obtido (e principalmente pelo dinheiro que gerou), até fez esquecer que todos os seus conceitos base já existiam antes plenamente detalhados na clássica obra de Fantasia conhecida por trilogia de Terramar da autoria da veterana Ursula K.Le Guin .
No entanto graças ao poder do marketing, quem nunca leu nada de Fantasia está plenamente convencido que J.K.Rowling criou um conceito extraodináriamente original com ambientes e personagens únicos quando nada poderia estar mais longe da verdade.
Se no caso de George Lucas com “Star Wars” se nota perfeitamente a intenção de homenagear um género extinto, no que toca a Harry Potter o assunto só não avançou para uma acusação de plágio em tribunal apenas porque a autora de Terramar já se encontra demasiado idosa para ter que enfrentar qualquer processso burocrático e o mediatísmo que isso provocaria, segundo declarações da própria.

Toda a mediatização do que é suposto ser popular e fazer dinheiro actualmente no mundo moderno é o que dita as regras e oficializa aquilo que deve ser o que realmente deverá interessar ao público, qual tendência da moda de qualquer passerelle.
E foi precisamente isto que acabou por abafar a divulgação de ["Starchaser - The Legend of Orin"], pois afinal trata-se aqui de um pequeno filme animado de baixo orçamento.
Como resultado de tudo isto e voltando novamente ao filme em questão, (sim, porque isto ainda é suposto ser uma review de ["Starchaser - The Legend of Orin"] apesar de não parecer), quem não conhece o historial da space-opera e principalmente desconhecer os seus personagens clássicos muito pré-StarWars, poderá olhar para  apenas um clone do filme de Lucas.
Mas fiquem comigo por mais um bocadinho e verão que nem tudo é mau ou tão mediano quanto parece nesta obra.

Afinal depois de todo este paleio, não será boa ideia começar a comentar mesmo o filme ?
Pois, vamos a isso, mas certamente que compreenderão que para o poder comentar como merece realmente, toda a informação acima ajudará agora a contextualizar a obra e principalmente evitará certamente que muita gente olhe para ele apenas como sendo apenas mais um clone banal do universo “Star Wars”.
Á primeira vista, ["Starchaser - The Legend of Orin"], parece um produto relativamente banal por vários motivos e como tal a primeira impressão negativa poderá iludir muita gente e impedir que continuem a acompanhar o filme após as primeiras sequências.

É que visualmente, assemelha-se mais a um banal produto de animação televisiva de sábado de manhã do que própriamente a uma obra cinematográfica digna ser projectada nas salas de cinema.
["Starchaser - The Legend of Orin"], técnicamente parece ser uma versão pobre de “Titan A.E.”, outra fabulosa space-opera animada que contou óbviamente não só com mais dinheiro mas principalmente com a evolução da própria técnologia. 
Um luxo que Starchaser não pôde ter, embora actualmente seja recordado essencialmente por uma coisa que já na altura fez mesmo muito bem.
["Starchaser - The Legend of Orin"], foi um dos primeiros filmes a combinar animação tradicional com sequências criadas em computador usando a agora popular técnica de cell-shading.
Não só conseguiu fazê-lo com computadores da época, como ainda por cima fê-lo muito extraordináriamente bem.
Todas as sequências de combate espacial foram criadas nesse estilo e o resultado é absolutamente perfeito.

Até no próprio trabalho de realização, pois o director sobe tirar partido dessa técnologia tão limitada na altura, criando cenas de acção com as naves espaciais absolutamente emocionantes pois tornaram-se sem sombra nenhuma nos melhores momentos do filme e na minha opinião são já momentos clássicos da space-opera.
E cenas destas não faltam para nos fazer vibrar ao mesmo tempo que a fantástica banda sonora nos envolve tão bem quanto o clássico tema de John Williams o fez no filme de Lucas.
Tudo isto a meio dos anos 80 quando a coisa mais emocionante que havia em computador tinham sido os 15 minutos de sequências animadas digitalmente para Tron. E mesmo essas practicamente ninguém viu pois na altura o filme da Disney foi um fracasso.
["Starchaser - The Legend of Orin"], também não teve grande público mas marcou a diferença pois além de ter conseguido uma animação fluída absolutamente fantástica, ainda o conseguiu fazer de uma forma que visualmente integrou tão bem as cenas digitais que o espectador nem se lembra que está a ver um bom exemplo das primeiras animações de computador.
Acreditem, vão adorar as cenas de combate com naves neste filme. É que ainda por cima a nave é um dos personagens mais divertidos do filme pois é dotada de uma personalidade muito própria que vos vai deixar completamente fascinados e divertidos durante as suas cenas se gostam de um bom filme de aventuras espaciais.

E já que falo em personagens, vão adorar o mercenário espacial. Apesar de óbviamente se inspirar em Han Solo, no entanto acabou por se parecer mais com o carismático capitão da nave Serenity de “Firefly” do que própriamente com o personagem de Harisson Ford.
Como já referi uma das coisas que actualmente gosto muito é precisamente deste pormenor, porque ["Starchaser - The Legend of Orin"], muitas das vezes parece mais um antepassado de “Firefly” do que uma simples imitação de “Star Wars”. Acaba por ter uma atmosfera semelhante, muito fruto da caracterização de personagens que compõem a  tripulação da nave e pelo sentido de humor que percorre todos os diálogos.
Além deste, o filme conta óbviamente com o jovem heroi da história que basicamente faz o papel de Luke Skywalker e com um par de robots neste caso uma divertida “roboa” e o computador da  nave do mercenário que passam o filme a discutir e originam alguns dos momentos mais divertidos do filme.
Também não falta uma princesa espacial e óbviamente o inevitável mau cibernético que tem muito a esconder por detrás da sua máscara.
Tudo isto parece muito básico e evidente, mas acreditem que tudo está muito bem misturado e nem se vão importar com isso pois tudo resulta num argumento divertido que vão gostar de seguir.

Inicialmente o filme vai parecer-vos algo primário, pois o seu baixo orçamento nota-se bastante nos momentos iniciais. Além disso a história nem parece particularmente interessante nos primeiros 15 minutos. Mas não desistam porque a partir do momento em que as naves espaciais entram em acção vocês já não vão conseguir descolar de frente do ecrã até ["Starchaser - The Legend of Orin"], terminar com a habitual vitória do bem sobre o mal.
No entanto apesar do baixo orçamento, tudo foi realmente muito bem equilibrado. A realização é excelente e o filme mantém um ritmo narrativo absolutamente perfeito sem dar descanso ao espectador, ora com cenas de acção ao melhor estilo space-opera ou então com momentos de humor negro súbtil e muito divertido.
Acima de tudo ["Starchaser - The Legend of Orin"], apesar de ser um desenho animado, vai muito para além da simples história de aventura para crianças, pois tem um equílibrio temático excelente e consegue agradar tanto aos putos como ao adulto que goste de boa space-opera e não tenha medo de encontrar uma dentro de um filme de animação.

Apesar de algo limitados, os cenários ao longo do filme são muito imaginativos e conseguem transmitir uma escala épica á história que nos faz esquecer que estamos a ver um pequeno trabalho independente. A variação de cenários é constante e todos os ambientes são plenamente aproveitados para contar partes importantes da história.
Mas afinal qual é a história disto ?
Bem, como habitualmente não vou contar muito, mas basicamente começa numa mina secreta algures no interior de um planeta de mineração onde gerações inteiras de seres humanos ao longo de milhares de anos foram obrigadas a trabalhar forçadamente sem nunca saberem que existe um mundo para lá das suas cavernas escuras e muito menos fazem ideia que o universo existe.
Todos os seres humanos são escravizados por um personagem ao melhor estilo Darth Vader que se faz passar por um Deus junto da população.
Um dia um jovem mineiro desenterra um punho de uma espada antiga e desse objecto sai um velho espírito que lhe revela existir um universo fora do seu mundo, pedindo ao jovem que procure a lâmina que se adaptará então ao punho pois este dotá-lo-á de um grande poder mágico que libertará povo mineiro da opressão do falso Deus do mundo das minas.

Pela primeira vez na vida o jovem resolve escavar para cima mesmo tendo medo, pois sempre lhe foi dito pelo seu Deus que para cima estava o Inferno e passados muitos dias torna-se no único membro da sua comunidade a atingir a superfície planetária e a ver as estrelas pela primeira vez em milhares de anos.
Eis que então encontra o mercenário espacial e a aventura começa, levando-o a ele e ao espectador através de um universo fascinante muito bem imaginado que vai deixar muitos admiradores da boa space-opera plenamente satisfeitos e a gostar tanto deste filme quanto eu gosto, pois ["Starchaser - The Legend of Orin"] nas suas limitações consegue ser um espectáculo verdadeiramente divertido, atmosférico e vibrante que não irá desiludir que aprecia histórias do género.

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CLASSIFICAÇÃO:
 
Uma das melhores space operas cinematográficas de sempre, apesar de bastante inspirada em Star Wars e de muitas limitações técnicas devido ao seu pequeno orçamento, consegue ser uma aventura muito divertida e entusiasmante que irá agradar a todos aqueles que gostam de uma boa space opera á moda antiga ao melhor estilo Doc Smith/George Lucas.
Cinco planetas Saturno e um Golden Award como selo de qualidade.

     

A favor: o clima de aventura espacial, o sentido de humor, os personagens humanos, a nave dos herois, as mágnificas sequências de combate com as naves criadas em computador, excelente ritmo narrativo a partir dos primeiros vinte minutos algo desinteressantes, os momentos com ambiente Blade Runner, a variedade de paisagens e cenários, as sequências de acção no canyon na perseguição de naves, a banda sonora que fica no ouvido para sempre, um argumento inteligente que não será propriamente para crianças mas sim para quem gosta de boa space opera clássica, tem um par de cenas politicamente incorrectas que só lhe fica bem, parece um antepassado do “Firefly” muito mais do que se assemelha a Star Wars apesar de tudo.
Contra:
é um filme de baixo orçamento de uma época em que a animação não estava na moda e por isso técnicamente pode desapontar imenso a um primeiro olhar pois parece um desenho animado televisivo daquelas séries rascas de sábado de manhã para entreter os putos, os primeiros vinte minutos não impressionam muito,

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Excerto do filme
Já que o trailer parece ter sido banido do youtube, cá fica um excerto do filme bem representativo do ambiente que poderão encontrar no resto da obra.
http://www.youtube.com/watch?v=bOBZpJNeuOw

Comprar
http://www.play.com/DVD/Region_1/4-/615460/Starchaser-The-Legend-of-Orin/Product.html

Bibiografia de E.E.Doc Smith
http://www.catch22.com/SF/ARB/SFS/Smith,E.E.Doc.php3

Opiniões adicionais:
http://animated-views.com/2005/starchaser-the-legend-of-orin/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

*em breve*

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Stranded (Náufragos) Maria Lidon (2002) Espanha

Posted in Cinema Europeu, Drama, Exploração Espacial, High-Tech, Mundos Perdidos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 5 Junho, 2008 by alcaminhante

Ora então cá vamos nós…as aventuras do Jaquim e da Maria em Marte.
Sim, porque os Portugueses também já chegaram ao planeta vermelho.
Não. Infelizmente este não é um filme Português.
Mas anda lá perto, pois vamos agora falar de uma excelente obra de ficção científica Espanhola.
Tenham paciência com o tamanho do texto pois há muito para dizer, especialmente face á má reputação que o filme parece ter junto de algum público mais adepto das pipocas.
E como aposto que poucos de vocês conhecem o filme, acho que gostarão de saber um pouco mais sobre ele, sem spoilers de maior.
Despenhemo-nos então em Marte e bem-vindos a ["Stranded"].

Por onde começar…bem se fizerem uma busca pelo Imdb,  vão reparar que não é de forma alguma um filme consensual. É um autêntico saco de pancada no que respeita a criticas de alguns utilizadores enquanto outros lhe dão nota máxima.
Eu incluo-me no segundo grupo e passo a explicar porquê.
Depois de acabar de ver o dvd, pergunto-me se terei algum grave problema psicológico alucinatório, pois das duas uma, ou sou eu que estou maluco ou então quem classificou isto com nota negativa não viu definitivamente o mesmo filme que eu vi.
Por outro lado, se lerem a maioria dessas criticas do Imdb, vão perceber que muitos ficaram um bocado chateados, porque o filme não tinha tiros, perseguições ou maus e por isso resolveram atacar tudo o resto e daí as apreciações negativas.
Nada podia ser mais injusto.

Na minha opinião para começar o filme teve logo uma coisa excelente pois é tudo o que o “Mission to Mars” e o “Red Planet” não conseguiram ser mesmo tendo quilos de efeitos especiais modernaços em cima.
Tudo o que eu gostaria de ter visto nesses dois filmes encontrei agora nesta pequena produção Espanhola.
Em ["Stranded"], a emoção não está nos efeitos especiais e muito menos nas cenas de accção, mas sim na simplicidade de meios. Principalmente da maneira como esses poucos meios foram usados para recriar o melhor ambiente de Marte que vi até hoje em cinema.
Mas acima de tudo o que este filme tem de bom é que apesar das suas fragilidades, (já lá vamos), consegue uma coisa que para mim é fundamental existir neste tipo de filmes e raramente se encontra.
Consegue transportar o espectador para o seu interior e transmitir o fascínio daquilo que será explorar pela primeira vez um planeta desconhecido caminhando passo a passo sem sabermos o que poderá estar por detrás da próxima rocha.

O que este filme não têm de pirotécnia, tem de emoção na maneira como faz o espectador explorar o desconhecido junto com os astronautas.
Nada é explicado de antemão, não existem forças ocultas que espreitam os herois nem pontos de vista de Ets e a gente explora o planeta quase em tempo-real, descobrindo os mistérios um a um e desejando saber mais a cada minuto que passa á medida que as coisas vão acontecendo.
Uma coisa que contribui imenso para a atmosfera de ["Stranded"], é o facto de grande parte das cenas de exploração serem filmadas na primeira pessoa como se estivessemos dentro do capacete do astronauta ou a visionar uma cassete com filmagens difusas e misteriosas.
Esta pequena solução técnica ou artistica consegue criar mais ambiente e suspanse do que mil efeitos especiais.

Cada passo de um personagem neste filme transmite mais a sensação de fascinio do que todas as cenas de design dos grandes filmes de Hollywood presentes naqueles bem conhecidos blockbusters que mais parecem videogames do que cinema.
Em ["Stranded"], o design é o suficiente para nos fazer imaginar muito mais do que aquilo que vemos e isso faz com que acompanhemos o filme sempre a querer saber mais apesar do seu ritmo narrativo que nos transporta pela história sem pressa.

Em ["Stranded"], aconteceu-me estar sempre a olhar para o relógio do leitor de dvd, a contar os minutos que restavam, não por desejar que o filme acabasse depressa mas esperando que aquilo ainda durasse algum tempo e me mostrassem um bocadinho mais de exploração para ver o que acontecia a seguir.
Exactamente o tipo de sensação pela qual eu sempre gostei de ficção-cientifica e que anda actualmente tão ausente dos filmes do género nos tempos que correm.
Adorei voltar a encontrar um filme de ficção científica assim onde a magia está no desconhecido e não no que se vê a todo o instante no ecran.
Até porque, não se iludam. Filme de pequeno orçamento aqui, não é de maneira nenhuma sinónimo para cenários de cartão.
Aqui é definitivamente sinónimo de ambiente, até porque visualmente o filme está fantástico.
Nota menos boa para os CGI iniciais apenas, mas nem isso é algo trágico, pois essas sequências fazem parte do genérico inicial que na sua simplicidade para mim é das melhores aberturas de um filme de FC dos ultimos tempos, pelo seu ambiente e eficácia na maneira como faz logo avançar a história ao mesmo tempo que apresenta os personagens sem precisar sequer de diálogos.
Tudo com um ambiente que promete desde inicio aquele tom de mistério que depois felizmente encontramos ao longo do filme e portanto não desilude.
Aliás o ambiente do filme é tão bom que nem o facto da capa do dvd estragar por completo a “surpresa da história”, significa que ["Stranded"], deixe de ter interesse.
Na realidade faz-nos querer saber mais e mais e mais. O que é péssimo quando o filme acaba, apesar de acabar com uma imagem fascinante.

Não esperem um filme de aventuras, esperem um filme sobre “A” aventura de explorar um mundo novo pela primeira vez.
Não esperem herois á americana e muito menos esperem bons e maus.
Todos os conflitos entre os personagens são baseados no facto deles básicamente estarem á espera de morrer num planeta de onde não vão sair e não têm qualquer hipótese de serem salvos.
Aqui ninguém vai ser resgatado porque tem uma ideia genial. A missão a Marte torna-se num desastre e toda a história se baseia na maneira como cada personagem lida com o facto de que nunca mais voltará á Terra.
Não há cenas de luta, não há pistolas, não há gajos maus, não há traições, não há perseguições, não há Aliens a saltar do escuro, não há gajas nuas, não há explicações detalhadas sobre o que está a acontecer, não há cenas tipo Matrix, não há montagem tipo video-clip, não há musiquinhas para vender cds e o Obi-Wan não entra neste filme.
Quem estiver a espera de alguma coisa do género nem vale a pena se dar ao trabalho de o ver pois não vai gostar.

Agora quem quiser uma história de FC bem clássica, a fazer lembrar um bom episódio da velha série The Outer Limits mas em versão longa-metragem a cores, quem quiser uma experiência diferente do cinema comercial americano e acima de tudo quem estiver á procura daquela historia arqueológica que gostaria de ter visto em Mission to Mars ou Red Planet mas nunca encontrou nesses filmes, então ["Stranded"], é o filme que não deve perder.
Sabe a pouco porque é pequeno, mas enquanto dura é fascinante porque nos faz sentir exploradores.
Encontrei aqui o tipo de ambiente que gostaria de um dia poder ver numa adaptação da saga de Rama do A.Clarke e foi o suficiente para ter adorado imediatamente o filme.
Aliás, se um dia fizessem uma sequela, esta história poderia vir a ser facilmente uma espécie de clone da  fabulosa saga Rendez-vouz-com-Rama, ou pelo menos algo bem dentro do mesmo estilo.
O que até nem seria má ideia, pois potêncial para uma história de exploração espacial fascinante é algo que não falta aqui. E material de inspiração para a criação de uma história arqueológica épica também não falta se procurarem nos locais certos.

Aposto que se calhar alguns de vocês já devem estar a pensar que o filme é alguma seca pretenciosa ao estilo cinema de autor portuga mas desta vez enganam-se. Lá por não seguir qualquer cliché do cinema americano não quer dizer que o filme seja chato, pois quem preferir ideias a efeitos pirotécnicos vai encontrar aqui um filme absolutamente cativante.
Todos os diálogos têm um propósito na história. Ninguém se põe a filosofar para a parede e apesar do filme ser fortemente baseado no diálogo entre personagens nunca é um diálogo aborrecido.
Pelo contrário pois transporta o espectador imediatamente para o meio da história e faz-nos pensar o que fariamos nós naquela situação, tornando-se agradavel ver um filme em que os personagens se portam realmente como seres humanos e não como bonecos de filmes americanos.

O filme divide-se básicamente em duas partes. Os primeiros 45 minutos servem para expor a base da história ao mesmo tempo que nos é apresentada uma verdadeira mini-enciclopédia sobre Marte com todo o tipo de informações sobre o planeta, o que permite ao espectador perceber imediatamente que qualquer cena mais Hollywoodesca na história tornaria o filme uma idiotice, (ignorem os designs alienigenas que estão no site oficial, pois felizmente não aparecem no filme).
Nos restantes 45 minutos da segunda parte ["Stranded"],  muda ligeiramente de registro e torna-se cada vez mais fascinante, misterioso e cheio de suspanse natural até á sua conclusão que nos deixa com agua na boca e a imaginar tudo o que ainda poderiamos ver a seguir.
Quem escreveu isto, fez obviamente um bom “trabalho de casa”. Desde as informações científicas mais interessantes sobre o planeta até á inclusão de alguns dos mistérios mais debatidos e controversos como as anómalias magnéticas, o Valle Marineris e as intrigantes fotos de “estruturas” marcianas, dos quais se destaca a debatida “Inca City“. Algo me diz que Arthur Clarke deveria adorar este filme, ele que esteve também tão envolvido no tema focado nesta história e com isso pagou o preço de ter sido retirado do quadro de honra da Nasa pelas suas convicções da altura.
Portanto, eu pela minha parte estou plenamente satisfeito com o filme e já entrou definitivamente para a minha pequena lista de filmes de FC favoritos apesar de não ser nenhuma obra prima da sétima arte.
É no entanto muito interessante, bem feito, cheio de atmosfera e com o ambiente marciano mais natural que encontrei até hoje em qualquer filme sobre o planeta. Algumas imagens poderiam ser transmissões oficiais da Nasa que nunca notariamos a diferença.
Agora isto não quer dizer que o filme não tenha os seus pontos fracos.

Coisas más e menos boas:
Muitos dos diálogos soam extremamente forçados, pois apesar de serem excelentes no que toca a conteúdo informativo e contribuirem para o ritmo narrativo da história, a verdade é que há momentos que parecem exactamente aquilo que são, – diálogos escritos para um script.
O filme começa logo mal nesse sentido, pois as primeiras imagens de uma suposta emissão televisiva de um telejornal são atrozes.
Devo dizer que quando vi esse inicio, pensei logo que tinha comprado um filme de treta pois vocês nem imaginam como os primeiros instantes de  ["Stranded"], são maus. Até a um nível gráfico.

Felizmente é mesmo só nesses segundos iniciais porque mal começa o génerico as coisas ficam logo com um ambiente muito melhor e as coisas compõem-se até o final.
Mas a verdade é que há algo de errado com os diálogos deste filme, ou pelo menos com a direcção de actores talvez. Ou então é por ser algo realmente diferente do que vemos nos filmes americanos, não sei…
Como resultado disto, há algo um bocado esquisito no trabalho dos actores. Todos variam entre o excelente e completamente credível e o inacreditavelmente mau.  Há momentos do filme que parece que todo o esforço da produção vai ser arruinado quando os actores abrem a boca. Não fosse a simplicidade da história ser tão forte, o filme poderia afundar-se nessas breves partes.
Por outro lado, como já disse , há também alturas excelentes em que os actores conseguem realmente transmitir-nos, a angústia, o fascinio, o medo e tudo o mais que a história pede e contribuiem imenso para atmosfera geral do filme.
E fica aqui o destaque para o Joaquim de Almeida, que tem os melhores momentos do filme quando explora o planeta e leva o espectador consigo fazendo-nos completamente esquecer o actor por detrás do personagem.

No entanto temos o problema dos sotaques. O Joaquim de Almeida tem um personagem humanista impecável e é dos actores que mais contribuiem para o ambiente do filme, só que o próprio tipo de sonorização do filme em algumas partes, torna as suas intervenções em inglés um bocado complicadas porque custa perceber-se o seu sotaque.  No lado oposto temos a Maria de Medeiros, em que se percebe tudo muito bem, mas depois há altura em que soa extremamente deslocada do momento emocional que supostamente deveria retratar. Oiçam o “fuck you” e terão uma ideia do que quero dizer.
E eu gosto imenso da Maria de Medeiros e ela também tem um dos melhores personagens do filme, por isso é pena existirem estes pequenos contrastes que retiram um pouco da naturalidade de tudo o resto.
Num conjunto geral todos os actores variam entre o absolutamente perfeito e o mau mas sinceramente acho que é algo suportável e nem deverá ser culpa dos actores mas mais do script ou algo assim.
Não nos podemos esquecer que o filme é espanhol e com excepção do Vicent Gallo que faz o seu habitual papel de “gajo tipo Jesus Cristo agarrado á heroína”, o resto do cast não fala o inglés como lingua de origem.
A propósito, o filme é espanhol, mas a sua versão original é em inglés.
A versão espanhola é a dobragem.

Tirando este problema com os diálogos sinceramente não encontrei nada neste filme de que não tivesse gostado.
Os efeitos especiais são perfeitos e visualmente o filme tem um ambiente fantástico.
Intimista nas alturas certas e épico nas partes de exploração, não tem acção mas tem um ritmo calmo excelente. 
A  realização está muito boa com soluções muito inteligentes que disfarçam não só, o baixo orçamento do filme como acabam por torná-lo ainda mais imaginativo. 
E acima de tudo é um dos melhores filmes de exploração espacial que poderão ver se gostarem de filmes em que o fascínio está no ambiente e não nos bons ou maus efeitos especiais.
Não esperem ver o “2001 Odisseia no Espaço” nem o “Star Wars” e vão gostar. Pois pelo menos é um filme de ficção científica realmente diferente e acima de tudo, adulto.
A propósito, a realizadora é a rapariga mais nova da tripulação. A que faz de comandante (e a unica que precisou de ser dobrada em inglés ).
Muita gente vai dizer que o filme não tem historia, porque não tem enredo, maus, bons, culpados, traições, objectivos, missão etc. 
O argumento do filme é básicamente sobre alguns personagens que vão do ponto A ao ponto B, pronto acabou a história.
Se são daquele tipo de pessoas que não compreendem por exemplo onde está a história em filmes como The Big blue, então não vejam ["Stranded"].

O interesse deste filme está no ambiente que recria e nas questões que coloca. Não nas respostas que proporciona. Não há respostas nenhumas nem qualquer explicação para o mistério. E não precisa.
A ideia é estimular a imaginação com as hipóteses, não proporcionar respostas e soluções. O grande trunfo do filme é colocar as questões e fazer-nos sonhar com as possiveis respostas.
É um filme que obriga as pessoas a imaginar e estimula o sonho.

Eu só pelo facto de uma obra de ficção científica assim existir já estou contente.
Agora o que eu queria mesmo era ver uma continuação.
Sinto-me como me senti quando há muitos anos li o primeiro livro de “Rama” e depois ainda nem havia continuação para o primeiro volume.
Será que não se arranja por aí um directors cut de ["Stranded"] com pelo menos mais uma hora de continuação ?…

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CLASSIFICAÇÃO:

Ignorem as criticas más no IMDB pois não têm qualquer fundamento no conjunto geral da obra.
Concordo em absoluto com as trés ou quatro criticas positivas que por lá andam. O filme é ficção-científica a sério não são fantasias no espaço para pipoqueiros.
Passou por diversos festivais onde ganhou vários prémios, inclusivamente o prémio do público, o que demonstra que ainda há pessoas que o apreciaram como merece devidamente.
Para quem se interessa por Marte acho-o mesmo obrigatório.
E se conhecem a polémica á volta de supostos artefactos na superfície marciana e isso desperta-lhes alguma curiosidade, então este vai ser o vosso filme favorito a partir de agora pois ["Stranded"]é tudo o que gostariam de ter visto em “Mission to Mars” e não viram.
Mas porque é que em Portugal não se faz cinema assim?…
["Stranded"] poderia perfeitamente ter sido realizado em Portugal, mas como nós só filmamos para festivais que ninguém quer ver, ao menos que sejam os Espanhois a fazer ficção científica com um espírito a sério.
Este é das melhores obras de ficção-científica que vi até hoje e definitivamente o filme de baixo orçamento com melhor criação de ambiente espacial que me passou pela frente no que toca a filmes passados no planeta Marte.
Faz-nos sonhar sem mostrar practicamente nada e consegue deixar-nos com vontade de poder ver o que aconteceria a seguir. Infelizmente não existe sequela.

Cinco planetas Saturno e um Golden Award como selo de qualidade com todas as certezas e mais algumas, embora o filme não seja para toda a gente, pois é essencialmente um filme para quem gosta de ficção-científica e não um filme de “ficção científica” para o público genérico.

     

A favor: o genérico é mesmo atmosférico, a criação de ambiente marciano, a maneira como os cenários naturais foram utilizados para simular o planeta Marte, a banda sonora quase nem se nota mas está lá e é totalmente ambiental criando uma atmosfera excelente, o minimalismo da história, faz com que o espectador explore Marte passo a passo sem nos mostrar mais do que o necessário, Joaquim de Almeida e o seu personagem humanista, Maria de Medeiros e Vicent Gallo onde a tensão parece real, os bocados didáticos que informam sobre Marte, a maneira como a “teoria arqueológica marciana“ foi usada para criar um bom argumento, não é um filme para adolescentes, é boa ficção-científica num estilo quase literário sem ser pretenciosa, óptima realização que gere muito bem as limitações do orçamento.
Contra: os primeiros minutos do filme na cena do telejornal são absolutamente do piorio a um nível inacreditavelmente mau, alguns diálogos são muito forçados o que estraga por vezes as interpretações em alguns momentos, apesar de Vicent Gallo estar muito bem o seu personagem ás vezes parece algo deslocado do próprio filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Neste momento só o poderão encontrar aqui, mas é um trailer muito bom.
Se gostarem dele vão gostar do filme.
http://movies.nytimes.com/movie/285850/Stranded/trailers

Comprar
Aviso: As edições americana e inglesa não estão no formato original e a sua imagem está cortada e remontada em pan&scan.

Esta é a edição a comprar. 
A edição espanhola é a única que contém o filme no seu formato de ecran original e está editado em 16:9

http://www.dvdgo.com/product~catgid~7731~list~18122~prodid~102788~typeproduct~1~dvd~The+Shelter.htm
Em relação ao dvd, tem um menu gráfico agradável e atmosférico e o filme tem uma imagem muito boa (Anamórfica) ajudada por uma fotografia impecável.
O som é apenas 2.0, mas com boa distribuição de canais conseguindo até alguns efeitos bem atmosféricos quando passa pelo meu home-theater e a musica do filme não se impõe mas está lá nos momentos certos.
Fora o trailler não ha mais extras, o que é pena pois tendo em conta a quantidade de desenhos e fotos de produção que estao no site oficial, bem que podiam ter colocado algo no disco. Um making of também seria excelente, pois adoraria ver imagens das filmagens nas ilhas canárias onde simularam Marte. Mas pronto não se pode ter tudo.

Website
http://www.el-mundo.es/navegante/especiales/2001/stranded/reparto/ 

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0283015/

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*em breve*

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Natural City (Natural City) Min Byeong-Cheon (2003) Coreia do Sul

Posted in Acção, Cinema Oriental, Cyberpunk, Drama, High-Tech with tags , , , , , , , , on 4 Junho, 2008 by alcaminhante

Quem conhece o meu outro blog já notou que esta review foi inícialmente publicada no ”Cinema ao Sol Nascente“.
No entanto, como o filme em questão, é na minha opinião um dos bons exemplos de ficção-científica moderna quase esquecida achei que deveria dar-lhe aqui o devido destaque pois é uma obra que merece ser mais divulgada pois tem características para agradar a muita gente.

O filme, ["Natural City"] poderia muito bem chamar-se Blade Runner II pois o universo em que decorre a acção é practicamente idéntico.
Isto não só a nível temático mas principalmente no que toca ao ambiente visual, onde nem sequer faltam os carros voadores flutuando por entre anuncios de néon colocados em grandes edíficios de inspiração retro-futurística numa atmosfera em tudo semelhante ao filme protagonizado por Harrison Ford duas décadas atrás.

natural1_300x.jpg

Apesar de ser obviamente muito inspirado no filme de Riddley Scott e quase um plágio na forma como trata o tema dos “replicants”, na verdade este filme funciona mais como um remake modernizado e não tanto como a sequela directa que na realidade nunca tentou ser. Por outro lado como Blade Runner foi buscar muito do seu estilo visual ao oriente, para mim Natural City quase que completa um ciclo e devolve este universo á sua origem.
Não me espantaria por isso se um destes dias esta obra fosse distribuída a sério no ocidente com um daqueles titulos ao estilo – Riddley Scott apresenta – “Natural City”.
No entanto no que toca á “sensibilidade” ocidental este é um daqueles filmes que não conhece meio termo quando falamos de críticas do público. Neste caso específico a tendência tem sido, ou se gosta ou se detesta, pois este filme tem tudo para ser desvalorizado pelo típico espectador de cinema de centro comercial. Tem um trailer que promete muita acção mas depois o filme contém apenas duas grandes sequências ao longo das suas quase duas horas de duração. Uma no inicio e outra no fim.

O resto do filme é composto por aquelas “coisas chatas” em que “nunca se passa nada” e para desalento de muita gente nem mete tiros nem perseguições nem nada, o que é suficiente para afastar logo metade do público habituado ao estilo blockbuster americano onde de x em x tempo tem de haver uma perseguição qualquer para não aborrecer as plateias. natural1_300x.jpgAinda para mais ["Natural City"] tem um argumento complexo que requer mais atenção do espectador do que apenas saber quem é o bom e o mau da história e só este aspecto faz com que perca muitos espectadores habituados pelo cinema comercial americano a terem tudo explicado de bandeja.

natural3_300x.jpg

Existe ainda outra coisa no filme que afasta logo o publico mais pipoqueiro tal como aconteceu com o Blade Runner quando estreou em 1984. Ou seja, Natural City também não tem herois.
Uma das grandes críticas que lhe fazem é o facto de não conter qualquer personagem simpático. O que, traduzindo quer dizer que não encontrarão nesta história um heroi á americana.
Tem em vez disso, um anti-heroi á primeira vista tão antipático (e estúpido), que qualquer pessoa que espere encontrar aqui o típico “bom” definido pela habitual fórmula de Hollywood irá ficar muito decepcionada com a maneira como o percurso do personagem nos é apresentado neste caso.
Por causa disto muita gente afirma que a história de amor não resulta porque o público não tem qualquer empatia com os protagonistas e aqui eu estou totalmente em desacordo. A love-story embora nada convencional (tal como em Blade Runner), é aquilo que dá alma ao final de ["Natural City"] e o torna num dos filmes mais poéticos dentro da FC desde…bem, desde Blade Runner.

Alguns, criticam o facto da “replicant” pelo qual o heroi está apaixonado ser caracterizada de uma forma demasiado vazia. Mais uma vez eu discordo. O personagem tem 3 dias de vida e perdeu todas as faculdades “humanas” não passando apenas de uma boneca “insuflável” avançada. Um brinquedo tecnológico prestes a ser desligado por falta de bateria e apenas com uma leve memória daquilo que foi.
Neste aspecto a actriz faz um trabalho fantástico e acreditamos mesmo que ela não passa mesmo de uma boneca prestes a ser desligada, tal é o “vazio” que transparece da sua caracterização. E é isto que faz com que a trágica história de amor resulte num final que alterna entre o espectacular em termos de sequências de acção e o intimismo trágico de um amor impossível.
Para mim este filme tem um dos melhores finais em termos de sentimento dentro da FC moderna, a fazer mesmo recordar um pouco a poética morte de Rutger Hauer no Blade Runner. Quem gostou da poesia desse momento no filme de Riddley Scott, vai gostar da forma como é resolvida agora a relação entre o policia sem rumo e a boneca com tempo de vida contado.

naturalcity11.jpg

Uma nota para a banda sonora do filme, que apesar de não se fazer notar muito ao longo da história, tem um par de momentos realmente mágicos. Nomeadamente numa breve sequência subaquática a meio do filme (que irá agradar muito aos fãs de filmes como The Big Blue e do compositor Eric Serra), mas principalmente nos minutos finais da história, acentuando musicalmente a forma poética como o filme termina.

Mas ["Natural City"] não é apenas uma história de amor. Ao contrário do Blade Runner, este filme divide-se entre o drama romântico de FC e um filme de acção técnológico. Na verdade se ["Natural City"] tem uma fraqueza , ela está precisamente aqui.
Não pelo facto de ter momentos de acção excelentes, mas porque a meio se perde um bocado, pois parece que o realizador está indeciso entre fazer um drama ou um filme de acção, resultando por isso numa falha de equílibrio entre os dois géneros que nunca se chegam a misturar como deviam e isso torna-se evidente na própria montagem a partir da primeira metade da história.
Mas grande parte da culpa , está no facto deste filme (para mim) só ter um verdadeiro problema. O vilão não é o Rutger Hauer.

Enquanto que Blade Runner tinha um Roy Batty, aqui temos um vilão que mais parece fazer parte de um videogame em vez de pertencer ao universo em que a história decorre.
O vilão de ["Natural City"] é demasiado unidimensional e a sua presença no filme mais parece uma justificação para se conseguir meter acção pelo meio do que outra coisa qualquer. A sua ligação á base romântica do argumento parece um bocado inserida a martelo, precisamente porque o vilão parece estar num outro filme e portanto a sua colagem á parte dramática da história não funciona tão bem como seria desejável. Por causa disso, as cenas de acção, só não são mais espectaculares porque no meio de tudo isto parece que apenas lá estão para contentar quem espera um filme mais hollywoodesco e como espectadores nunca temos uma ligação emocional entre essas cenas de acção e a parte mais humanizada do argumento por muito que o realizador se esforce.
Por outro lado também não prejudicam o resultado final e quem gostou do estilo de acção presente em filmes como o Pacto dos Lobos, vai adorar as sequências de combate presentes nesta obra de ficção-científica coreana.

naturalcity03.jpg

Por tudo isto, este é um filme para ser visto pelo menos duas vezes, pois tenho a certeza que quem nunca o viu, vai ter exactamente a mesma reacção que eu tive (e muita gente teve) ao vê-lo pela primeira vez. Devido a estarmos tão habituados ao estilo americano de contar histórias, quando vemos ["Natural City"] pela primeira vez, este parece-nos um filme demasiado vazio, especialmente porque inicialmente é dificil encontrarmos uma ligação com os persongens.
O anti-heroi é completamente antipático a um primeiro olhar, a heroina nem se mexe pois está quase sem bateria, o vilão parece que não pertence á mesma história, o amigo do heroi ainda é mais antipático que ele, a rapariga humana do filme tem potencial mas parece que fica um bocado á parte em tudo, etc, etc, etc.
Por isso não fiquem desapontados se o filme vos parecer um bocado estranho ao inicio. Primeiro estranha-se , mas podem crer que depois entranha-se e a cada vez que o revemos encontramos novos pormenores que nos fazem valoriza-lo ainda mais. Um pouco tal como no clássico de Ridley Scott também este filme precisa de uma apreciação posterior. Por tudo isto, recomenda-se vivamente a quem gostaria de ter um Blade Runner moderno para ver e nunca o encontrou no cinema made-in America até hoje.

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Isto porque ["Natural City"], apesar de ser um clone…se calhar não imita ninguém. E só vão perceber esta afirmação quando virem este filme pelo menos duas vezes. Um filme que para mim apesar das suas falhas leva uma nota excelente sem qualquer hesitação pois gostei realmente desta obra.
Embora como já disse este seja um daqueles filmes que nunca será apreciado devidamente, numa desprevenida primeira visão. Especialmente se estivermos muito acostumados á moderna formula americana de se fazer cinema.
Vejam-no e revejam-no e irão descobrir um dos mais belos e poéticos filmes de FC dos ultimos anos.
Tomara Hollywood deitar cá para fora filmes de FC como este. Um verdadeiro filme de culto á espera de ser descoberto.

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CLASSIFICAÇÃO:

Quanto a mim merece portanto…quatro planetas Saturno e meio de noodles.
E só não ganha a nota máxima principalmente por causa do vilão de videogame que quase estraga o filme todo.

    

A favor: ambiente, banda sonora, personagens, sequências de acção, efeitos especiais, fotografia e design.
Contra: vilão sem identidade, montagem irregular, falta de ligação coerente entre a história high-tech e a história de amor.

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NOTAS ADICIONAIS:

Para uma review com mais imagens, espreitem aqui http://www.shuqi.org/asiancinema/reviews/naturalcity.shtml
Façam-me apenas um favor e evitem a todo o custo o trailer ocidental/americano se quiserem descobrir o filme por vós próprios. Se encontrarem um trailer de Natural City em inglés com aquele habitual narrador de voz profunda a meter estilo, fujam !
O trailer americano, não só conta a história toda, como ainda explica com todos os detalhes o que acontece com cada personagem, não vá os espectadores das pipocas depois não conseguirem compreender o filme.
O trailer americano é outro atestado de estupidez aos espectadores. Evitem-no a todo o custo, pois este filme merece ser descoberto sem ideias pré-concebidas.
Espreitem antes o trailer Coreano original AQUI, http://www.youtube.com/watch?v=W1cmPr_sdj4 pois transmite não só o ambiente real do filme como também um pouco da sua poesia.

Caso estejam interessados em comprar o filme, como já não devem encontrar a edição Coreana de dois discos que vem numa caixa de lata sugiro a compra desta edição simples aqui http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7k-49-en-15-natural+city-70-1t32.html
A edição de 2 discos coreana é interessante mas infelizmente os extras não vêm legendados em inglés por isso não perderão grande coisa em adquirir a edição simples de um só disco.
De qualquer maneira, Natural City é um filme que não merece andar esquecido seja em que edição for e é mesmo obrigatório na dvdteca de qualquer fã de ficção-científica particularmente se gostar do ambiente Blade Runner.
Natural City também não se enquadra nada mal ao lado junto de uma colecção de dramas românticos orientais, daqueles com alma, poesia e humanismo.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0378428/

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*em breve*

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Doroga k zvezdam (Road to the Stars) Pavel Klushantsev (1958) Rússia

Posted in 50´s Sci-Fi, Cinema Europeu, Exploração Espacial with tags , , , , , , , , , , , on 2 Junho, 2008 by alcaminhante

Este é um filme absolutamente único dentro do universo da ficção científica.
Talvez por ter sido uma (agora) obscura média-metragem criada na Rússia durante os anos 50 com um objectivo didático e propagandístico, continua por isso longe dos olhares do público ocidental até hoje.

 

As pessoas nem fazem ideia do quanto ["Road to the Stars"] é não só bom cinema  semi-documental, como ainda por cima no que toca a efeitos especiais foi uma obra absolutamente pioneira ao ponto de muitas das suas imagens e sequências terem dez anos mais tarde ficado mundialmente famosas mas numa forma inesperada.

 

É practicamente unânime entre a iluminada crítica cinematográfica que a obra prima de Stanley Kubrick, o fabuloso “2001-Odisseia no Espaço”, é o melhor filme de ficção científica de todos os tempos. Mesmo depois de muitos desses mesmos senhores na altura terem trucidado o filme nas suas críticas que ficaram famosas.
O filme de Kubrick agora já é constantemente elogiado pela sua visão futuristica, pela criatividade das sequências espaciais e pelos efeitos especiais. No entanto niguém parece alguma vez ter notado que pelo menos dez anos já existia um filme Russo que dentro da estética da época não só practicamente já tinha ”igualado” esse estilo visual, como parece ter sido estranhamente premonitório no que toca á criação de inúmeras sequências, que dez anos mais tarde aparecem reproduzidas no filme de Stanley Kubrick.

[ 

["Road to the Stars"] será provavelmente o melhor e mais visionário filme de ficção científica de todos os tempos, não por ter tentado prever o futuro, mas por ter acertado em cheio como “2001 Odisseia no Espaço” iria apresentar visualmente esse mesmo futuro quando estreou dez anos depois.
Infelizmente isto não se consegue transmitir bem pelas imagens fixas, mas quando virem o filme garanto-vos que irão ficar bastante intrigados com as incríveis semelhanças visuais entre as duas obras não só em design conceptual mas também nos próprios enquadramentos e montagem das cenas espaciais.
Seguem abaixo mais alguns exemplos de comparações entre os dois filmes para intercalar com o resto desta review. Á esquerda imagens de (“Road to the Stars”] e á direita “2001 Odisseia no Espaço” durante as próximas seis filas de fotografias.

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No entanto, embora a semelhança com “2001 Odisseia no Espaço” seja por vezes extraordinária, ["Road to the Stars"] não tem nem de perto nem de longe a mesma história.
Na verdade este inovador filme Russo de 1958, nem sequer é um projecto de ficção, mas mais um semi-documentário sobre ciência, nomeadamente um documentário onde se recria ficcionalmente alguns segmentos da vida de vários sábios e cientístas soviéticos que contribuiram para o desenvolvimento da exploração espacial no leste europeu.

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["Road to the Stars"] é quase um documentário moderno na forma como está estruturado. Muito semelhante ao estilo que depois duas décadas mais tarde “Cosmos” viria a empregar para entusiasmar e educar os espectadores sobre muitos aspectos da ciência.
Este documentário soviético recria momentos chave da vida de alguns cientistas, explica-nos de forma simples muitos conceitos cientificos como por exemplo – o que é uma órbita, e ilustra com mágnificas imagens de ficção científica aquilo que óbviamente os russos esperavam que viria a ser o futuro e a forma como a exploração espacial iria tornar não só a Rússia grande, mas como os esforços soviéticos iriam contribuir para o futuro bem estar da humanidade.

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Mas embora ["Road to the Stars"] seja essencialmente um documentário, tem no entanto uma extraordinária qualidade cinemática que o torna imediatamente numa obra cinematográfica a não perder por toda a gente que gosta de ficção-científica clássica.
Este pequeno grande filme com menos de uma hora contém mais imagens fabulosas por minuto do que muitos outros de duração regular.
Essencialmente, ["Road to the Stars"], está dividido em trés partes distintas que resultam plenamente num filme cheio de atmosfera ao mesmo tempo que até nos explica uma coisa ou duas sobre astronautica. E tudo isto sem legendas apesar do filme ser falado em russo.

[ 

A parte que recria algumas cenas importantes da vida de alguns sábios Russos é visualmente extraordinária e tenho pena de não ter encontrado nenhuma imagem que pudesse colocar aqui, de modo a lhes dar uma ideia das verdadeiras pinturas em movimento que ["Road to the Stars"] contém.
A fotografia do filme é absolutamente perfeita, resultando em imagens lindíssimas e muito cuidadas  tudo num tom sépia com uma pitada de technicolor da época que dá ao filme uma atmosfera absolutamente fantástica a fazer recordar o estilo que depois quase quatro décadas mais tarde o filme “Sky Captain & the World of Tomorrow” tão bem soube recriar.

[ 

Intercalada com a dramatização ficcionada, a segunda parte do filme surge essencialmente em pequenas sequências didáticas que nos explicam em desenho animado muitos dos princípios cientificos que são a base da astronáutica. Estas animações são bastante simples quando comparadas com os CGI dos modernos documentários, mas resultam plenamente pois conseguimos perceber perfeitamente o que nos é explicado sem precisarmos de entender uma palavra de Russo sequer.

 Comparação entre os fatos espaciais de [ Comparação entre a sequência do astronauta perdido no espaço em [

Mas as melhores partes de ["Road to the Stars"] são sem dúvida as sequências espaciais de que já falei e onde o filme brilha não só em imaginação como principalmente em efeitos especiais.
Já procurei pela net, mas parece que este filme é tão raro que nem o Youtube ainda tem imagens dele por isso não lhes vou poder mostrar algumas sequências como gostaria.
Estas sequências narram essencialmente aquilo que seria a visão de um futuro próximo no espaço para a humanidade e é aqui que ["Road to the Stars"] ganha uma magia especial, particularmente nas cenas que mostram como a Rússia iria ser o primeiro país a alcançar a lua e a colocar o primeiro homem a pisar o solo lunar.

 

É muito difíci escrever sobre este filme pois na verdade há muito pouco para dizer sobre ele a não ser que foi uma obra tão inovadora no seu tempo quanto o filme de Kubrik se tornou dez anos depois usando as mesmas técnicas de efeitos especiais que pela primeira vez foram testadas em ["Road to the Stars"]. Talvez seja por isso que as duas obras têm tantos pontos de contacto, pois provavelmente devem ter sido os dois filmes que mais revolucionaram os efeitos especiais e se “2001 Odisseia no Espaço” foi o pai das técnicas de efeitos desenvolvidas depois em “Star Wars” então ["Road to the Stars"] foi definitivamente o avô.
Por exemplo o trabalho de miniaturas é magnifico e o filme ganha uma escaal épica incrível que merece ser apreciada e admirada ainda hoje.

 

Apesar da sua estética retro, os efeitos especiais neste filme são tão bons que quase nos esquecemos que estamos a ver um filme antigo. Particularmente impressionantes, são as sequências em que os cosmonautas flutuam em gravidade zero e onde inclusivamente nem sequer falta a mesma cena em que uma pessoa caminha ao longo de uma parede redonda até ficar de cabeça para baixo, exactamente como aparece dez anos mais tarde em “2001 Odisseia no Espaço” numa das sequências com a hospedeira da nave onde viajava o Dr Heywood Floyd.

 

Outra cena excelente é a que aparece durante as sequências que envolvem a construção de uma enorme estação espacial em órbita.
Além de ser um excelente exemplo do quanto os Russos já dominavam a filmagem de maquetes e a montagem fotográfica a um nível que os americanos ainda nem conseguiam alcançar, é nesta parte onde aparece outra cena que depois se tornaria emblemática em “2001 Odisseia no Espaço”; a breve sequência em que um astronauta num fato espacial fica perdido á deriva no espaço, tal como aconteceu a Frank Poole no filme de Kubrick é não só muito interessante pelo efeito muito bem conseguido da falta de peso, mas principalmente porque até o próprio enquadramento é similar áquele que depois ficou famoso no filme de Kubrik.

 

Pessoalmente uma das coisas que mais gostei em ["Road to the Stars"], é o ambiente clássico de tudo o que aparece no ecran e que quase que se torna num universo de fantasia á parte, apesar de tentar ser um filme o mais científico possível.
Porque hoje sabemos que afinal o futuro não envolve foguetões ao estilo Tintin, tudo neste filme nos parece algo ingénuo e pertencente a um mundo á parte, mas é esse o grande charme desta obra. Um verdadeiro original daquilo que ”Sky Captain & the World of Tomorrow“ tentou recriar e um filme essencial para todos aqueles interessados em conhecer as referências de uma época única que se perdeu no tempo hoje só pode ser descoberta em obras como esta ou nos romances de E.E.Doc Smith se procurarem uma vertente de aventura dentro deste mesmo ambiente.

 

Se já viram ["Planeta Bur"] (conhecido na sua montagem americana (ligeiramente aldrabada) com o nome de  ["Voyage to the Prehistoric Planet"]), devem estar a achar que estas imagens são estranhamente semelhantes ás desse fabuloso clássico esquecido.
A razão para tal é porque tanto ["Planeta Bur"] quanto ["Road to the Stars"] foram realizadas pela mesma pessoa, Pavel Klushantsev um dos maiores pioneiros dos modernos efeitos especiais cujo o trabalho foi fundamental para que hoje tenhamos filmes como Star Wars nos cinemas.
Tendo inclusivamente sido referido por Stanley Kubrik e George Lucas como sendo não só um mestre mas também um professor dentro da area dos efeitos especiais não deixa de ser interessante como continua a ser um nome completamente desconhecido do público em geral que hoje ainda pensa que foram os americanos que inventaram os efeitos especiais no cinema.

 

Resta só dizer que actualmente só conheço um sitio onde poderão arranjar este filme e para isso terão de instalar o programa Emule. Mesmo que já não tenham grande interesse neste software recomendo que o usem nem que seja pela última vez porque se gostam de ficção científica este é um filme obrigatório para a vossa colecção até porque está a tornar-se cada vez mais difícil de ser encontrado.

 

Sendo assim, passemos ao que interessa.

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CLASSIFICAÇÃO:
 
Possivelmente o filme de ficção-científica mais importante de sempre pois sem ["Road to the Stars"] não haveria “2001 Odisseia no Espaço“, porque todas as trucagens que permitiram a existência do filme de Kubrick foram inventadas para a realização deste filme Russo.
Um filme indispensável para quem gosta de ficção científica e completamente obrigatório para quem colecciona filmes do género que façam parte da sua história.
Cinco Saturnos e um Golden Award como selo de qualidade.

     

A favor: os extraordinários efeitos especiais que fizeram história apesar de ninguém se lembrar deles por causa deste filme, a mágnifica fotografia e a composição de imagens muito bonitas que são autenticos quadros ao longo do filme todo, o estilo retro que agora se tornou completamente nostálgico pela sua ingenuídade mas na altura era tão avançado quanto o foi depois em “2001 Odisseia no Espaço”, o design de produção absolutamente perfeito para a época, a visão do futuro.
Contra: o filme não tem legendas e é falado em Russo no entanto isto não é impedimento para que nós o consigamos perceber pois é extremamente visual e consegue transmitir muita informação apenas através das imagens, tem menos de uma hora e gostariamos que tivesse pelo menos mais outra só para continuar a apreciar aquela atmosfera.

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NOTAS ADICIONAIS

Como vocês vão mesmo querer ver isto, sigam para aqui.
Nesta secção encontrarão links para download deste filme e ainda muito mais sobre a obra do realizador, incluíndo links adicionais para obterem o resto da sua obra, incluíndo ["Planeta Burg"]
http://scifi.dead-donkey.com/viewtopic.php?t=3977
(se obtiverem um link quebrado, insistam pois tem tendência a não funcionar ao primeiro click)

Divirtam-se e surpreendam-se.

 

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Se gostou deste vai gostar de:

 

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Sky Captain & The World of Tomorrow (Sky Captain & o Mundo do Amanhã) Kerry Conran (2004) Eua

Posted in Acção, Filmes de Invasão, Mundos Perdidos, Serials clássicos, Space Opera, Steampunk, aventura with tags , , , , , , , , on 29 Maio, 2008 by alcaminhante
Já devem ter notado, adoro ficção-cientifica dos anos 30, 40 e 50.
Como tal sempre desejei que alguém fizesse um filme que conseguisse captar todo o espirito de ingenuìdade daquela época em que o cinema do género estava a dar os primeiros passos e por isso fiquei não só deslumbrado com ["Sky Captain & The World of Tomorrow"] como também bastante surpreendido, pois este filme conseguiu uma fidelidade que nunca pensei ser possível hoje em dia.
Talvez por isso tenha tido uma recepção tão fraca nas bilheteiras quando estreou pois o público já não tem qualquer referência que lhe permita apreciar uma obra como esta.
 
Este filme foi a melhor adaptação que eu vi até de hoje de uma bd que nunca exisitiu.
Ou melhor, a mais perfeita adaptação de um estilo que já não existe e que quando existia nunca poderia ter sido levado ao ecran como merecia por não estarem disponíveis os efeitos especiais para o tornarem real.
Se Fritz Lang fosse um realizador de blockbusters em Hollywood, tivesse feito um filme de uma banda desenhada do Blake & Mortimer, mas situada no universo ao estilo de Rocketeer e adaptado tudo de uma pulp-magazine dos anos 40/50 (“Amazing-Stories“, ou “Astounding Science Fiction“) o filme chamar-se-ia ["Sky Captain & The World of Tomorrow"] sem a menor sombra de dúvida.

Este filme não captou as audiências de hoje em dia, porque teve a coragem de apresentar ao público moderno, um produto que para ser devidamente apreciado necessitaria que esse mesmo público reconhecesse as inúmeras referências que compõem a essência de uma obra como esta.
Referências essas que neste mundo actual para as modernas audiências simplesmente não existem.
Já não se fazem filmes para o publico de ficção-científica mas sim filmes de ficção-científica para o público de massas.
Os filmes hoje têm de ser acima de tudo vendedores de pipocas e têm de obrigatóriamente servir para serem apreciados por toda a familia, especialmente por familias que nem sequer gostem de ficção-científica.
Quantos espectadores do público que foi ver este filme podem dizer que encontraram algo mais nele do que a história que o filme conta ?
Quantos espectadores admiram, ou sequer conhecem realmente o género de ficção-científica que este filme tenta apresentar ?

Ninguém mais do que eu reclama contra blockbusters de treta por serem normalmente uma casca vazia sem qualquer substância e costumo criticar muitos dos mais recentes êxitos de publico precisamente por causa disso, mas em relação a este ["Sky Captain & The World of Tomorrow"] só posso dizer exactamente o contrário.
Se há um filme de aventuras moderno cheio de conteúdo e substância, é precisamente este.
Um filme que pisca constantemente o olho ao espectador com pormenores perfeitamente colocados nos lugares certos de modo a transportar quem o vê para a época da ficção-científica que tenta retratar e dar a conhecer.
O problema é que 99.99% do público que vai assistir a isto não faz a minima ideia do que está a ver e este é um caso típico dum filme que tem demasiado conteúdo para as audiências modernas.
Pior ainda, conteúdo que jamais poderá vir a ser apreciado como tal, pois as pessoas simplesmente não fazem ideia do que estão a ver no ecran.

Acima de tudo este filme é uma verdadeira homenagem (para não lhe chamar até enciclopédia), aos primórdios da ficção-científica e é natural que neste mundo de referências pop modernas as pessoas não tenham a necessária informação para reconhecer a genialidade de um produto que mistura de uma forma simplesmente perfeita todos os clichés de um género que está bom de se ver, chega tarde demais perante um público que confunde desconhecimento com com vazio de ideias.

O filme está cheio de momentos clássicos. Alguém parece ter pegado em trés décadas de ficção-científica (anos 30,40 e 50) e colocado tudo a servir de pano de fundo para uma história que poderia ter muito bem sido publicada numa das revistas da época.
Infelizmente são esses pormenores que deveriam aproximar o público da profundidade nostálgica do filme que precisamente afastam as audiências modernas, que de tal forma estão presas aquilo que apenas lhes é dado a conhecer todas as semanas no blockbuster seguinte que jamais se interessaram pelo material que há muito tempo atrás realmente originou tudo o que se conhece como cultura de massas dentro da ficção-científica hoje em dia.

Apenas alguns pormenores que adorei ver no filme perfeitamente (e discretamente) apresentados:

- O facto do barulho dos lasers, ser retirado daqueles que os discos voadores disparavam em filmes como o “Earth vs the Flying Saucers”.
- A indumentária da vilã do filme, ser uma homenagem decalcada ao clássico filme inglés, “Devil Girl from Mars”
- A pistola de raios pertencer á série original do Buck Rogers, serial dos anos 30.
- Os robots de tentáculos piscarem o olho aos verdadeiros invasores da Guerra dos Mundos, tal como está no romance de H.G.Wells e não como apareceu na versão cinematográfica americana dos anos 50.
- A sequência do dirigìvel a estacionar no Empire State Building tal como nos conceitos futuristas criados pelos ilustradores de há mais de 70 anos atrás que a partir dessa altura deu origem a todo o aspecto gráfico presente na época de ouro da ficção-científica.

Algumas imagens reproduzem inclusive fielmente muitas das ilustrações mais emblemáticas do género.
- O piscar de olho pelo cenário (e inclusive pelo enquadramento) a filmes como “Lost Horizon” ou “Things to come”, dois dos melhores filmes de FC de sempre, precisamente filmados nos anos 30.
- A colagem ao estilo de histórias hoje apenas encontradas nos únicos albuns de bd que ainda existem á disposição do grande publico, os fabulosos livros do Blake & Mortimer.
- Montes de adereços encontrados ao longo do filme, saidos directamente de filmes como Frankenstein, Fu-Manchu e do próprio serial estilo Rocketeer, entre muitos, muitos outros.
- A estética da primeira parte do fime, aparentemente a puxar para o Fritz Lang, mas que na realidade é apenas uma homenagem a muitas cenas clássicas de coisas que na época, essas sim tentavam usar o estilo do cinema alemão expressionista naquilo que depois se tornou a FC dos anos 50 e deu tambem origem ao film-noir. E aqui as referências são tantas que precisava de meter outra lista neste texto.
Por isso fiquemos pois já têm uma ideia do que quero dizer.

Quem teve a lata de fazer este filme, foi alguêm que obviamente conhece o género que tentou recriar.
Um filme com tanto detalhe a suportar a típica historia “ingénua” da ficção-científica dos anos 50 que é uma pena que ninguém se dê conta da verdadeira profundidade de uma obra assim.
Sinceramente não sei se este é um filme experimental demasiado avançado para o seu tempo ou atrasado pelo menos 60 anos.
Eu vi o trailler disto e estava preparado para ir ver mais outro blockbuster de treta estilo “Resident Evil 2″ ou “AVP”. Fui para o cinema preparado para escrever a opinião mais arrasadora a este filme. Preparei-me para dizer que mais uma vez tinhamos um filme que não sabia aproveitar as referências que tentava usar na estética.
Enganei-me redondamente.

A partir da quantidade de adereços, cenas, enquadramentos e reproduções de ilustrações clássicas, imediatamente reconheciveis nos primeiros 15 minutos de filme percebi que este filme iria ser verdadeiramente especial. E quanto a mim ["Sky Captain & The World of Tomorrow"] veio a revelar-se um marco dentro do cinema de aventuras moderno. Sinceramente estou-me borrifando para o que possam apelidar de negativo neste trabalho, pois eu por mais que tente não encontro absolutamente nada de que não tenha gostado ou não tenha achado perto da perfeição.

O que me leva aos tão discutidos maus efeitos especiais.
Se há uma coisa que abomino é precisamente o uso abusivo sem qualquer propósito de efeitos de CGI.
Aquilo de que este filme foi acusado por muita gente, a meu ver muito injustamente.
Nada, mas nada que fosse feito para tornar todo a apresentação visual desta história, teria resultado de uma forma tão estéticamente perfeita do que o que se vê actualmente no ecran em ["Sky Captain & The World of Tomorrow"].
Acima de tudo isto é um filme que pega no moderno e fascinante conceito do cinema de ficção-científica amador filmado no quarto de um gajo qualquer contra uma parede azul e o transporta de uma forma experimental para o estilo das grandes produções.

Aliás, isto nem é uma grande produção, apenas o foi publicitado como tal pois é essa a regra para um filme de sucesso hoje em dia. Mas sobre isto nem vale a pena falar, pois quem quiser procurar sobre as origens deste projecto se calhar até se vai surpreender com a sua génese.
Enquanto “filme amador”, ["Sky Captain & The World of Tomorrow"] é um marco por mostrar a direcção que muita gente poderá seguir no futuro. Se calhar daqui a 20 anos, o actual sistema de produção dos grandes estudios estará tão datado quanto o velho estilo dos musicais Metro Goldwin Mayer nos parece hoje em dia.

["Sky Captain & The World of Tomorrow"]  abre novamente as portas para as grandes produções que na realidade não passam de serie B e o mundo da informática irá cada vez mais permitir que qualquer pessoa possa um dia vir a produzir se calhar filmes tão impressionantes como aqueles buracos negros de criatividade em que os grandes estudios gastam grandes fortunas hoje em dia.
["Sky Captain & The World of Tomorrow"]  é uma estrela cintilante neste universo actual da falta de criatividade. E em muitos sentidos.
Detestar-se um filme por se achar que tem maus efeitos especiais é quase o exemplo típico dos critérios a que infelizmente se chegou hoje em dia para que alguém goste dum filme.
Será que uma obra não pode ser um grande filme mesmo contendo efeitos especiais do piorio ?! O que faz um grande filme, a qualidade da pirotécnia ou tudo o que deveria suportá-la ?

Se existe um estilo de filme perfeito para se usar este género de efeitos especiais, claramente ilustrativos, é definitivamente ["Sky Captain & The World of Tomorrow"].
O visual deste filme é um impressionante decalque do género de ilustração de ficção-científica da época que pretende retratar. E não estou a falar do género film-noir, mas sim do próprio traço e da maneira de se ilustrar uma cena, onde nem falta a apresentação “esfumada” ou “suavizada” do traço do desenhador.
["Sky Captain & The World of Tomorrow"] em termos gráficos é uma enorme capa de revista clássica de ficção-científica, como se fosse uma versão em constante movimento de uma “Amazing Stories”.
Este filme sem toda aquela artificialidade á sua volta perderia por completo metade do seu propósito enquanto ficção-científica dentro do estilo que se propõe ilustrar.
Aqueles CGIs, substituidos por mate-paintings normais ou maquetes, desta vez puxariam demasiado para a realidade algo que jamais poderia ter sido adaptado da forma que esta história precisava de ser adaptada.

Não ha qualquer abuso de CGI quando o filme tão honestamente se afirma como uma experiência dentro do género e não tenta enganar ninguém.
Não é propriamente o mesmo que de repente no “AVP” aparecer uma sequência com aliens em CGI a saltarem estilo Matrix por razão absolutamente nenhuma a não ser meter estilo e fazer os putos ficarem todos contentes porque reconhecem uma treta do Matrix noutro filme.
O CGI em ["Sky Captain & The World of Tomorrow"] é a tinta indispensavel para que esta banda-desenhada pudesse ganhar vida. Da mesma forma que não se pode criticar um autor de BD por usar tinta acrilíca em vez de óleo ou tinta da china em vez de lápis para obter um estilo gráfico adequado á sua história, aqui neste filme criticar o uso “abusivo” do CGI é não reconhecer esse mesmo CGI enquanto material essencial para se reproduzir esta “banda desenhada” no grande ecran.

Não usar o CGI desta maneira em ["Sky Captain & The World of Tomorrow"] seria o mesmo que fazer uma banda desenhada a tinta da china e depois nem sequer pintar os cenários a aguarela porque se calhar o público está mais habituado a ver os guaches que são usados nos Comics de super-herois e comercialmente não seria boa ideia porque o consumidor reclamava. Não da técnica, mas do facto de ter achado o resultado diferente e portanto estranho, não sabendo como lidar com a inovação.
Para se ilustrar em cinema uma banda-desenhada como ["Sky Captain & The World of Tomorrow"], quanto a mim não encontro melhor solução do que a forma como o CGI foi usado neste filme.
Destaco especialmente o estilo artificial de pura ilustração que não tenta ser mais real do que aquilo que precisava ser.
Ou seja, não há nada de errado com o CGI neste filme, o filme é 100% realistico. Agora é realistico dentro da estética que pretendia reproduzir e neste momento não estou mesmo a ver que outro método poderia ser usado para reproduzir isto com os resultados perfeitos que se obtiveram neste filme.
Puxando estes efeitos mais para o “real”, acabariamos com um produto totalmente descaracterizado num estilo se calhar próximo daquela coisa chamada “Dick Tracy” , que é um bom exemplo de como se pode fracassar totalmente na adaptação estética de uma bd quando se tenta reproduzir em efeitos fisicos uma coisa que acima de tudo é caracteristica de um desenhador.

Se for para manter um estilo de banda desenhada, acima de tudo há que manter a referênca ao traço original mas ao mesmo tempo saber como se coloca esse “traço” em pano de fundo e não atirar constantemente com esse estilo á cara do espectador.
["Sky Captain & The World of Tomorrow"] conseguiu com os seus desenhos animados em CGI alcançar de forma perfeita. Não tem nem mais nem menos do que deveria ter tido.
É pura ilustração dos anos 40 e 50 em constante movimento, apoiada por dezenas de referências perfeitamente colocadas ao longo de todo o filme para deliciar toda a gente que conhece o género original ao mesmo tempo que apoia uma historia simplesmente perfeita onde nem falta a tipica ingenuidade dos trabalhos onde foi buscar inspiração.

Se não se reconhece isso, é óbvio que a realização só pode parecer um vazio. Pois para mim não o é.
Isto é um trabalho perfeito no que toca ao ritmo narrativo e quanto a mim tem uma montagem excelente também, mantendo sempre a aventura em constante movimento e mais uma vez fazendo tudo isto não no estilo do cinema actual mas sim no ritmo da banda desenhada clássica.
Foi a primeira vez que vi alguem conseguir transpor para o cinema todos os códigos e regras da banda desenhada (não Comics) clássica e conseguir que imagens que supostamente só ficariam bem estáticas , de repente resultassem com uma perfeição extraordinária quando estão em movimento.
Houve alturas do filme até que me recordaram das cenas da banda desenhada do Raio-U, de Edgar P. Jacobs especialmente nas cenas da selva.

["Sky Captain & The World of Tomorrow"] foi o melhor, mais equílibrado e mais inovador filme de aventuras que vi desde os Indianas Jones.
Nunca pensei ver sair de Hollywood um projecto como o ["Sky Captain & The World of Tomorrow"]. Especialmente um projecto onde tenho a certeza que os produtores sabiam, poderia ser muito arriscado e condenado á partida. Especialmente fora dos Estados Unidos.
É que na américa ainda existem gerações que têm as referências para poder apreciar devidamente ["Sky Captain & The World of Tomorrow"] por aquilo em que se inspira.
Na Europa é que já acho que é um bocado mais dificil.
Aqui a não ser o público mais velho que sempre se interessou por ficção-científica, não estou a ver mais ninguém a conseguir realmente apreciar este filme.

O que o publico mais novo vai ver são os efeitos de desenho animado e nem vai conseguir notar que existe uma razão para toda aquela estética.
Numa era onde o CGI tenta cada vez mais reproduzir fotográficamente o real, de repente aparece alguém a usa-lo como se fossem tintas para uma ilustração.
O que é isto ?!!!!
O publico confunde imediatamente um uso alternativo do CGI com um voltar atrás na técnica quando deveria ser exactamente o contrário.
["Sky Captain & The World of Tomorrow"] abre uma porta , ou melhor, consolida a abertura de uma nova porta para o uso do CGI no que toca a criar-se um estilo gráfico tão legitimo como o foto-realistico.
E não ha nada de errado nisso, especialmente quando o “abuso” de CGI serve um propósito e no caso de ["Sky Captain & The World of Tomorrow"], não poderia ter sido melhor empregue.

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CLASSIFICAÇÃO:
Um dos melhores filmes pipoca de aventura que vi até hoje embora não seja um filme que possa recomendar a toda a gente.
Recomendo-o totalmente ao pessoal que adora ficção-científica clássica, especialmente a quem a conhecer bem.
Quem adorar Doc Smith, Blake & Mortimer, e gastar dinheiro em dvds com serials dos anos 30 estilo Flash Gordon com o Buster Crabe por exemplo vai encontrar-se em casa com este filme.
Se tiverem a sorte de terem herdado algures uma colecção de revistas da “Amazing Stories” de um tio qualquer que viveu na américa nos anos 50, e adorarem o conteudo dessas revistas, então não percam este filme.
Quem estiver interessadp nesta area de ficção-científica clássica, ignore totalmente as criticas negativas relativas a este filme do publico generalista, ou vão perder umas das mais originais experiências cinematográficas do cinema moderno de aventura.
Acreditem. Tudo o que vocês sempre quiseram ver num filme que retratasse a época de ouro da ficção-cientifica está em ["Sky Captain & The World of Tomorrow"].
Por isso leva cinco planetas Saturno e um Golden Award como selo de qualidade.

     

A favor: é possívelmente o blockbuster moderno com mais conteúdo de sempre, a quantidae gigantesca de referências a obras de culto escondidas até nos mais pequenos pormenores dos cenários, excelente recriação da época clássica da ficção-científica, reprodução perfeita do estilo de ilustração da época conseguido desta vez por meios digitais, o “excesso” de CGI aqui justifica a sua presença por ser uma excelente ferramenta para se reproduzir um estilo visual que não depende só de efeitos especias mas principalmente de qualidade na ilustração, o espírito de aventura, a colagem visual ao estilo expressionista de realizadores como Fritz Lang, os personagens poderiam ter sido criados nos anos 40 que não se notava diferença, as sequências de acção, o sentido de humor, Laurence Olivier entra no filme mesmo décadas depois de ter morrido e têm um desempenho exelente tudo isto graças á magia das imagens de arquivo e á edição digital que resultam plenamente no filme e lhe dão um ambiente perfeito.
Contra: … o filme tem demasiado conteúdo irreconhecÍvel para as audiências modernas que não conhecem practicamente nada do que o argumento homenageia e isso faz com estas se percam por completo.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=11Mide2KXow
http://www.youtube.com/watch?v=4pChGZtAwY4&feature=related

Comprar
A esta altura poderão encontrar a edição portuguesa deste filme nos cestos de promoções em hipermercados, principalmente na sua edição de um disco, mas quem não conseguir comprá-lo cá sempre pode comprar qualquer uma das edições inglesas.
http://www.play.com/DVD/DVD/4-/556432/Sky-Captain-And-The-World-Of-Tomorrow-The-Collectors-Edition/Product.html
ou
http://www.play.com/DVD/DVD/4-/556437/Sky-Captain-And-The-World-Of-Tomorrow-Standard-Edition/Product.html

Revistas da Época, (Amazing Stories, etc), onde poderão encontrar exemplos de algumas ilustrações que defeniram um estilo. Se alguém tiver revistas destas, eu compro.
http://perso.wanadoo.es/jelaleon/3H/3H.htm
http://perso.wanadoo.es/jelaleon/3H/3H-19304.htm

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0346156/

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*em breve novas sugestões*

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The Black Hole (O Abismo Negro) Gary Nelson (1979) Usa

Posted in 70´s Sci-fi, Exploração Espacial, Space Opera with tags , , , , , , , , , on 29 Maio, 2008 by alcaminhante

Já estavamos practicamente em 1980 e no entanto a Disney continuava a produzir cinema como se o mundo ainda estivesse nos anos 50.
O filme de culto infantil, “Pete´s Dragon“, bem conhecido em Portugal como “O Meu Amigo Dragão” é talvez o mais inacreditável exemplo do quanto os estúdios do Rato Mickey estavam fora do seu tempo mesmo no final dos anos 70. O que justifica plenamente as dificuldades que a empresa atravessava numa época em que o público já se começava a habituar não só a aventuras mais adultas, com filmes como ”Jaws” ou “Close Encounters of the third kind“, mas principalmente conhecia agora um novo estilo narrativo de fazer cinema comercial protagonizado por Spielberg, Coppola, Scorcesse e amigos e que nada tinha a ver com a maneira como se filmava no período clássico em que a Disney ainda insistia em seguir.
Quem vir hoje em dia, “O Meu Amigo Dragão” em dvd, se não reparar nasua  data, pensará que se trata de um filme infantil feito por volta de 1955.
Para tentar combater estes sintomas e evitar o declínio do estúdio, a Disney  resolveu criar um filme futurista de modo a mostrar que também podia ser inovadora e foi assim que ["The Black Hole"] entrou em produção. Isto muito antes sequer de se pensar na existência de um ”Star Wars“.

Inicialmente, a ideia seria criar uma obra de ficção científica séria e o mais realística possível nos moldes da melhor literatura do género.
Mas então “Star Wars” estreou e basicamente mudou o cinema para sempre, até para surpresa do seu criador George Lucas.
No entanto se Lucas ficou surpreendido com o inesperado sucesso do seu pequeno série B pelo qual ninguém dava nada á partida, muito mais surpreendidos ficaram os estúdios Disney que súbitamente viram na fórmula da space-ópera uma tábua de salvação para a empresa.
E melhor ainda, a Disney já estava inclusivamente a meio da pós-produção de um filme espacial, por isso ["The Black Hole"] não poderia falhar.
Certamente não seria muito difícil mudar uma coisa aqui e outra ali e apanhar o barco do público que esgotava cinemas com “Star Wars” e pedia mais filmes do mesmo estilo.

Apesar de ["The Black Hole"] ter entrado em produção muito antes de “Star Wars” sequer estar completado, acabou por estrear um par de anos depois. E isto porque, sofreu tantas alterações ao longo do seu processo criativo que acabou por ter uma estreia mais tardia do que o previsto.
Incialmente uma história de ficção-científica no estilo mais high-tech, ["The Black Hole"] viu-se pouco a pouco transformado num filme de aventuras espaciais que tentava emular o estilo de cenas presentes no filme de George Lucas.

A nave espacial Palomino percorre o universo numa missão de exploração em busca de novos mundos e novas civilizações embora até então nada tenha sido descoberto.
Ao passar perto de um buraco negro, descobre uma gigantesca nave que parece ser imune á sua enorme força gravitacional e se encontra estática nas proximidades aparentando estar deserta.
Quando a nave Palomino se aproxima, subitamente todas as luzes da nave misteriosa se iluminam e os austronautas são obrigados a uma aterragem de emergência no seu interior porque entretanto devido á grande força gravitacional do buraco negro a Palomino sofre alguns danos que precisam de ser reparados.

Deparam-se com uma gigantesca nave-mundo completamente vazia que mais tarde se revelará como sendo uma antiga nave de exploração terrestre que um dia desapareceu sem deixar rasto após ter partido numa missão em tudo semelhante á da Palomino.
O único ser humano a bordo é o antigo comandante Dr. Hans Reinhardt sempre observado pelo seu robot guarda-costas, o tenebroso e clássico Maximillian.
Reinhardt vive rodeado por centenas de robots mas nenhum ser humano habita agora a assombradamente vazia nave Cygnus , pois segundo conta toda a tripulação abandonou a gigantesca nave um dia deixando-o com os seus robots para enfrentar sózinho o desafio de viajar sózinho através do buraco negro.
Sendo um cientista brilhante Dr. Hans Reinhardt sonha, em atravessar o buraco negro e ao encontrar de novo seres humanos, insiste com os tripulantes da Palomino para que fiquem e o ajudem fazendo parte da sua missão de exploração quando este partir para atravessar o buraco negro em busca do seu sonho de imortalidade.

E se isto até vos parece um argumento minimamente sério dentro da ficção-cientifica, esqueçam, pois quando primeiro produtor do filme faleceu ainda antes de “Star Wars” estrear, o executivo que o substítuiu pegou no conceito e encheu-o com cenas de tiroteio em corredores, robots ao estilo R2-D2 e sequências de efeitos especiais  suficientes para tentar clonar o mais possível as sequências de aventura do filme de Lucas sem levar um processo em cima.
E o resultado, segundo muita gente foi um filme absolutamente desprezível e um fracasso absoluto quando ["The Black Hole"], contrariamente a todas as intenções do novo produtor, não conseguiu afinal agarra o público do “Star Wars” como era suposto acontecer.

Este foi o filme que eu mais queria ver por volta de 1981 quando estreou em Portugal. E por milagre chegou até ao cinema de Portimão numa época em que era muito raro aparecer na província um filme que estreasse em Lisboa.
Lembro-me perfeitamente da tarde em que fui ao cinema e também me lembro de ter ficado muito baralhado com ["The Black Hole"], especialmente com o seu final que diga-se de passagem até foi ligeiramente assustador para os meus 11 anos na altura.
Sei que gostei o suficiente, para ter voltado no dia seguinte ao cinema e pagar os meus 35 escudos para o ver de novo, mas também me lembro que mesmo á segunda vez ainda estava um bocado confuso com o fim da história e até me perguntei se este estaria completo ou se haveria uma continuação no ano a seguir.

Deve ter sido um pouco esta a sensação que muito do público por esse mundo fora teve ao ver ["The Black Hole"] pensado que iria ver um novo “Star Wars” mas em vez disso apanhou com um filme extremamente ambiguo que nunca se conseguiu definir enquanto género ao longo das suas quase duas horas. Claro que para as crianças da altura o filme foi divertido…até chegar ao final…mas agora que já tenho 38 anos e posso revê-lo com outros olhos percebo perfeitamente a razão de ter rececebido críticas tão duras e catastróficas na altura e ter-se afundado nas bilheteiras.

Mas este é um filme especial, pois tudo o que na altura da sua estreia foi visto como uma colecção de aspectos negativos que afundou o filme na bilheteira, é precisamente aquilo que o tornam agora numa peça única dentro do cinema de ficção-cientifica e um filme a não perder.
Se ao verem ["The Black Hole"] tiverem uma sensação de déja-vu , então certamente é porque já viram esta história antes.
Só que dantes, chamava-se “20.000 Léguas Submarinas“, passava-se debaixo de água e era interpretado por James Mason e Kirk Douglas. É que ["The Black Hole"] tem practicamente o mesmo argumento que o clássico subaquático de Richard Fleisher e como toda a gente conhece tanto a história do livro de Júlio Verne como a do filme, nem vale a pena dizer mais nada, pois se ainda não viram ["The Black Hole"], vão divertir-se a encontrar as semelhanças entre as duas obras, onde nem sequer falta o Capitão Nemo.

E as semelhanças não são apenas a nível de argumento, pois estão acima de tudo no tipo de realização. Na maneira como está filmado e até na própria montagem.
É que por mais que tentasse, sabe-se lá porquê a Disney parecia continuar incapaz de produzir um filme com um estilo moderno.
Mais uma vez, apesar de todo o dinheiro gasto nesta produção que era suposto modernizar o cinema da empresa, ["The Black Hole"], continuou a parecer-se em todos os sentidos com um filme feito nos anos 50.
Ao tentarem dotar a história de um espírito de aventura que justificasse inúmeras sequências de tiroteio em corredores ao estilo “Star Wars“, os produtores deste clone de “20.000 Léguas Submarinas”, cairam em todos os erros que deveriam ter evitado se queriam mesmo renovar a imagem da Disney.
Para começar, colocaram não apenas um, mas dois robots com olhos de Mickey Mouse; os geniais e já clássicos, V.I.N.C.E.N.T e o seu desgraçado amigo B.O.B. que apesar de tudo são muito mais do que apenas clones sem personalidade do R2-D2. Muito pelo contrário.
Aliás, algo está errado á partida com um um filme, quando os seus melhores personagens são os robots da história e não propriamente os humanos apesar de contar no elenco com nomes como Anthony Perkins, Robert Forster, Ernest Borgnine e até Ivette Mimieux a protagonista do clássico “The Time Machine” que regressou ao ecran para entrar em ["The Black Hole"], e passar o tempo a dialogar com um par de robots.

Depois outra falha no filme está  nos robots inimigos, pois são tudo menos ameaçadores o que retira qualquer carga de suspanse que a história poderia ter nas cenas de acção. Estes são representados como pedaços de lata sem cérebro que só servem para dar tiros e cair para o lado, destruindo por completo toda a credibilidade do excelente ambiente assombrado que o filme até conseguiu construir logo ao início.
E o facto de ["The Black Hole"] ter um clone do Capitão Nemo, também não ajudou muito.
Depois para rematar tudo parece que ninguém sabia muito bem como terminar o filme, o que deu origem a um dos finais mais estranhos e deslocados de todos os tempos num filme de ficção-científica.
Não que o final seja mau, muito pelo contrário, só que simplesmente não parece pertencer ao mesmo filme familiar estilo clube amigos Disney no espaço que compõe toda a parte central da história, mais parecendo algo que ficou certamente do argumento inicial antes de este ter sido alterado para se parecer mais com um “Star Wars”.

No entanto todas estas fraquezas tornam este filme em algo absolutamente imprescindível e hoje em dia transformam-se em mais valias que só favorecem ["The Black Hole"].
E talvez mesmo a mais fascinante de todas as suas características é que este filme já parecia velho mesmo na altura da sua estreia.
O facto de ter aquele estilo retro de ficção-científica dos anos 50 datou-o imediatamente aos olhos das audiências acabadas de sair de um “Star Wars“.
Até os personagens além de serem personagens-tipo de há decadas atrás ainda por cima têm um visual a condizer, pois até os herois mais novos ainda têm um penteado á Frank Sinatra e todo o elenco age como se estivesse num daqueles filmes da Marinha dos anos 40.
Se isto tivesse sido feito de propósito para dotar ["The Black Hole"] com um estilo retro enquanto homenagem ao estilo de um “Sky Captain & the World of Tomorrow“, tudo teria uma nova interpretação. Acontece que ["The Black Hole"], parece um filme antigo, porque foi criado por uma equipa de velhos, no sentido em que é um filme que tentou ser moderno mas recorrendo aos veteranos dos filmes clássicos dos anos 50 que controlaram practicamente todo o aspecto criativo da produção em vez do estúdio ter contratado pessoas com novas ideias, ou pelo menos com sugestões mais contemporâneas como George Lucas fez para o seu filme.

Mas se este estilo velho foi um dos aspectos responsáveis por ["The Black Hole"], ter fracassado quando toda a gente queria aventuras no espaço modernas, hoje em dia confere-lhe não só uma identidade única como o define claramente como uma das obras primas do design dentro do cinema de ficção-científica.
A par de obras como “Things to Come”, “Forbidden Planet”, “2001- A Space Odissey” e mais tarde “Blade Runner”, ["The Black Hole"], é um dos filmes com não só o melhor design que poderão encontrar dentro do género como acima de tudo contém visuais únicos que até hoje não foram igualados.

Tudo neste filme tem um visual absolutamente mágnifico. Desde o fabuloso design das naves espaciais nomeadamente a extraordinária Cygnus, até aos interiores assombradamente góticos que a certa altura pareciam indicar que o filme ia ser bem assustador, não há nada em ["The Black Hole"], que não seja de uma beleza gráfica absolutamente perfeita e só por isso este filme merece ser visto por quem nunca o viu e gosta de ficção-científica com atmosferas originais.
Por outro lado, é também o facto do design ser tão extraordinário, que ainda faz com que nos decepcionemos mais com a história e com o seu tom juvenil quando o ambiente pedia outro bem mais sério.
Curiosamente, ["The Black Hole"] poderá ser considerado o avô, de “Event Horizon“, pois esse filme de horror moderno assemelha-se bastante á estrutura e atmosfera inicial presente no filme da Disney. Provavelmente será por isso que gostei agora tanto de “Event Horizon” pois sempre me pareceu o tipo de filme que  ["The Black Hole"] prometia vir a ser nos vinte minutos iniciais mas que depois nunca se concretizaram num desenvolvimento da atmosfera assombrada que o filme tem no início.
A verdade é que ainda hoje de cada vez que revejo ["The Black Hole"] sinto falta do filme que deveria ter sido e aquele estilo juvenil por mais que eu tente nunca deixa de me decepcionar.
Mas como não se pode evitar, sugiro que tentem esquecer esse pormenor e admirem as incriveis atmosferas e cenários criativos que percorrem todo este filme pois compensam todas as suas outras fraquezas.
Não é á toa que ainda detem o recorde do filme com o maior número de matte-paintings de sempre. Acreditem que se nota e não há um único que não mereça que se carregue em pause e o admiremos por uns segundos mais.
O que me leva ao tópico seguinte, embora esta review já esteja longa demais.
Os efeitos especiais.

A cena acima, ficou conhecida como a sequência que inspirou Spielberg a colocar uma esfera gigante atrás de Indiana Jones e é um bom exemplo dos bons efeitos visuais que este filme contém.
Numa época em que ainda não existiam efeitos especiais de computador e tudo tinha que ser construído artesanalmente, ["The Black Hole"], é definitivamente um bom exemplo de como já haviam efeitos extraordinários com um estilo realístico que infelizmente hoje em dia o plástico do CGI veio substituir e estragar em muitos casos.
Este filme está carregado de imagens inesquecíveis. Desde as cenas com as naves espaciais ao próprio (colorido) buraco negro que dá nome ao filme tudo parece ser bom demais para depois ter sido desperdiçado com a história de treta que depois o filme tem.
Não quer dizer que não tenha alguns efeitos bastante datados, por exemplo os fios que fazem os robots flutuar estão constantemente visíveis mas isso na minha opinião actualmente só da ainda mais charme a este filme, pois tanta perfeição também chateia.

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CLASSIFICAÇÃO:
 
Apesar de tudo ["The Black Hole"], tornou-se com o passar dos anos num clássico esquecido.
Quem o viu, não o esqueceu e muitos daqueles que não gostaram dele na altura, hoje em dia tal como eu, revêem-no agora com novos olhos e descobrem tudo o que realmente havia de bom por debaixo de uma história tão juvenil.
Por tudo isto, merece cinco planetas Saturno, apesar das suas inúmeras fraquezas enquanto filme.

          

A favor: o design de produção é absolutamente clássico e único, os efeitos especiais são na sua maioria excelentes, a banda sonora é excelente e toda a gente se lembra dela quando a volta a ouvir, os primeiros vinte minutos de filme têm uma atmosfera assombrada mágnifica, os robots principais são uma criação fantástica em design e personalidade, o look retro-50´s pode ter afundado o filme na altura mas hoje em dia resulta plenamente e marca a difereça, as cenas de tiroteio são muito divertidas, o final do fime é bastante original embora ambiguo.
Contra: a partir dos excelentes vinte minutos iniciais o filme descamba num plágio de 20.000 Léguas Submarinas misturado com cenas de tiros em corredores ao estilo Star Wars, começa com um ambiente adulto mas depois transforma-se num filme juvenil, bons actores mas não fazem nada no filme pois os robots são todos mais interessantes que os humanos, os robots vilões gostam de brincar e ficam amuados se alguem os vence nos videojogos, (a sério).

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=qzUJJKDa558

Tribute
http://www.youtube.com/watch?v=HJ0X46mUfiw&feature=related

Comprar – Edição R2 UK (sem portes)
http://www.play.com/DVD/DVD/4-/116988/The-Black-Hole/Product.html

Comprar – Edição R1 USA (sem portes)
http://www.play.com/DVD/Region_1/4-/104382/The-Black-Hole/Product.html
Esta é a que eu tenho e contém um excelente mini-documentário sobre o making of do filme.

Opiniões adicionais
http://www.ultimatedisney.com/blackhole.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0078869/

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Se gostou deste vai gostar de:

*em breve novas sugestões*

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Voyage to the Planet of Prehistoric Women (Voyage to the Planet of Prehistoric Women) Peter Bogdanovich/Roger Corman (1968) com base num filme Soviético chamado “Planeta Bur”

Posted in 60´s Sci-fi, Cinema Europeu, Exploração Espacial, Mundos Perdidos with tags , , , , , , , on 26 Maio, 2008 by alcaminhante

Se espreitarem as fotos abaixo vão notar que são extremamente semelhantes ás encontradas no último filme de que falei, o excelente ["Planeta Bur"/"Voyage to the Prehistoric Planet"].
Isto explica-se porque na realidade este filme que vos vou agora apresentar é o mesmo. Ou melhor, ["Planeta Bur"] é parte integrante dos dois filmes. Confusos ? Eu explico.
Viajemos então até ao misterioso ["Voyage to the Planet of the Prehistoric Women"].

Um planeta fantástico, cheio de perigos geológicos, plantas carnívoras, dinossauros e californianas hippies em trajes menores que passam o filme todo na praia.
Hum ?!
Resumindo tudo porque também nem me interessa perder muito tempo com esta coisa, basicamente o produtor Roger Corman no final dos anos 60, adquiriu um obscuro filme de ficção-científica soviético chamado ["Planeta Bur"] e resolveu rentabilizar o seu investimento.
Lançou o filme nos Estado Unidos então…ehm…não propriamente.
Corman cortou o filme aos bocados e fez trés filmes com esse material, nomeadamente ["Voyage to the Prehistoric Planet"], ["Planet of Blood"] e claro ["Voyage to the Planet of Prehistoric Women"].

Basicamente Roger Corman mandou filmar umas cenas adicionais com actores americanos e criou histórias alternativas para todas as suas versões. Depois intercalou essas novas sequências filmadas na américa com bocados do filme russo original ["Planeta Bur"] e criou um verdadeiro trés em um…ou melhor um em trés.
Mas se no caso de ["Voyage to the Prehistoric Planet"] o resultado foi francamente muito bom mesmo apesar das sequências americanas intrusivas, já ["Voyage to the Planet of Prehistoric Women"] é um verdadeiro descalabro em que nem as fabulosas cenas do filme russo original conseguem fazer esquecer o ridículo e as cenas completamente absurdas que vemos no ecran.

Mais inacreditável ainda foi este ter sido o “primeiro filme” do conceituado realizador Peter Bogdanovich na altura ainda um empregado de Roger Corman. Foi ele o responsável pelas sequências com as loiras burras e sinceramente o homem só pode ter estado debaixo de efeitos de qualquer cogumelo alucinogénio porque de outra forma não se compreende o que raio é que aquelas cenas estão a fazer no filme.
É que ao menos para ["Voyage to the Prehistoric Planet"], Roger Corman ainda encomendou um par de actores a sério embora já na fase descendente das suas carreiras. Mas aqui, para ["Voyage to the Planet of Prehistoric Women"] nem isso. Com o dinheiro que pagou a um dos actores para a outra versão deve ter comprado o bando de loiras burras que entram nesta coisa e ainda deve ter sobrado dinheiro para dar a Bogdanovich que até assinou este “filme” com um pseudónimo e tudo.

Enquanto as outras versões, feitas com actores a sério, ainda tinham alguma história engraçada que até colou bem com o filme russo original, esta versão com o bando de loiras até mete dó.
Basicamente alguém inventou um argumento contando a história de um astronauta que ao explorar o planeta Vénus passa o tempo todo a ouvir cânticos de sereias. Básicamente, as vozes telepáticas das raparigas que se limitam a passear na praia e a adorar uma estátua em forma de dinossauro que depois serve de elo de ligação com o filme original soviético.
Nem vou detalhar mais nada deste maravilhoso argumento pois não quero estragar o desprazer da descoberta quando o virem.
É impressionante como um filme tão absolutamente genial dentro da ficção-científica quanto o original soviético ["Planeta Bur"], foi quase destruído apenas por um par de cenas completamente imbecis filmadas na américa.

Não há expressões depreciativas suficientes para descrever a sensação de rídiculo que as cenas com as loiras burras transmitem ao espectador. Este filme contém partes de completa fricalhada californiana que não desagradarão ao mais saudosista de Woodstock, mas no entanto enfurecerão quem gosta do filme original ["Planeta Bur"] que foi retalhado para criar esta coisa onde a fabulosa atmosfera do filme soviético de 1962 é completamente desgraçada pelos interlúdios com as gajas filmados em 1968.
As raparigas nem abrem a boca durante o filme todo, mas antes abrissem, pois o facto de alguém ter achado que seria giro as moçoilas comunicarem por telepatia ainda tornou aquelas cenas mais estúpidas e incompreensíveis, especialmente para o público de hoje em dia.
Até mesmo para quem gosta de ficção-científica clássica.

É que no meio desta desgraça, só existem dois motivos para recomendar este filme.
O primeiro, é porque se não conseguirem ver ["Planeta Bur"], ou ["Voyage to the Prehistoric Planet"], têm mesmo que ver ["Voyage to the Planet of Prehistoric Women"] para que possam conhecer pelo menos um bom bocado do fabuloso original soviético. Ignorem as loiras e tentem apreciar os bocados da obra russa pois continuam verdadeiramente excelentes visualmente.

O segundo motivo para verem esta coisa, é porque se já tiverem visto ["Planeta Bur"] ou ["Voyage to the Prehistoric Planet"], então mais uma vez…têm também que ver obrigatóriamente ["Voyage to the Planet of Prehistoric Women"], nem que sejam para ver como se consegue pegar num filme genial e destruir uma obra prima da ficção-cientifica apenas com um par de loiras boas, cenas estúpidas filmadas em praias americanas e uma dobragem ridícula tentanto ligar tudo com uma história que deve ter sido certamente inventada por uma das raparigas loiras.

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CLASSIFICAÇÃO:
 
["Voyage to the Planet of Prehistoric Women"], apesar da boa quantidade de sequências que fazem parte do filme original soviético ["Planeta Bur"] não consegue passar da mediania quase a roçar a mediocridade, tudo por culpa das cenas adicionais encomendadas por Roger Corman que conseguem fazer esquecer no pior dos sentidos o material original que o filme contém.
No entanto se não conseguirem ver ["Planeta Bur"], ou ["Voyage to the Prehistoric Planet"] ao menos que vejam esta coisa para poderem apreciar os bocados originais do filme soviético que apesar de tudo ainda anda algures por ali.
Dois saturnos porque apesar de tudo não deixa de ser um filme interessante tanto por motivos negativos quanto pelos seus aspectos positivos.

   

A favor: tudo o que faz parte do filme soviético original é bom, óptima introdução com cenas espaciais, excelente ambiente alienigena em Vénus, bons efeitos especiais e as partes de aventura e exploração sobrevivem apesar da má dobragem e história estúpida.

Contra: tudo o que faz parte das cenas americanas não presta, as loiras burras não fazem absolutamente nada no filme, a história de ligação das cenas é completamente imbecil, está cheio de cenas parvas como esta, a montagem arruina o ritmo do filme e estraga as partes de aventura originais com cenas desnecessárias.

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Ver filme
Caso queiram mesmo ver isto, não recomendo de modo nenhum que o comprem, mas sim que o descarreguem aqui deste torrent de domínio público.
http://www.publicdomaintorrents.com/nshowmovie.html?movieid=42

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*em breve novas sugestões*

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“Planeta Bur”/Voyage to the Pre-Historic Planet (Voyage to the Pre-Historic Planet) Pavel Klushantsev/Curtis Harrington (1962/1965) Russia/Eua

Posted in 60´s Sci-fi, Cinema Europeu, Exploração Espacial, Mundos Perdidos, aventura with tags , , , , , , , , , , on 25 Maio, 2008 by alcaminhante

Esta vai ser uma review complicada de apresentar. Quem já conhece o filme sabe porquê mas quem não o viu ainda pode á partida ficar um bocado desorientado, por isso vou tentar simplificar ao máximo até porque haveria muito mais para dizer.
Na realidade a minha intenção é falar apenas de um excelente filme de ficção-científica soviético relativamente obscuro, chamado
["Planeta Bur"] produzido em 1962, mas como estas coisas dos filmes desconhecidos tem que se lhe diga, isto nunca poderia ser tão fácil assim. 

Como esta obra é practicamente impossível de ser encontrada na sua versão intacta em torrents e não a tenho ainda em dvd, vou ter de falar dela comentando também as cenas adicionais que os americanos filmaram em 1965 para juntar ás sequências originais criadas na Rússia em 1962, de modo a transformarem ["Planeta Bur"] no americanizado ["Voyage to the Pre-Historic Planet"].

De qualquer maneira ["Voyage to the Pre-Historic Planet"] apesar de ter retalhado o filme original tem uma coisa boa que permite continuarmos a apreciar o filme russo practicamente na sua totalidade. Apenas lhe falta a introdução inicial de ["Planeta Bur"] que por acaso foi usada noutro filme “americano” chamado “Voyage to the Planet of Pre-Historic Women“], “filmado” um par de anos mais tarde. Mas por agora, esqueçam que esse outro filme existe ou então estavamos desgraçados pois esta review ficaria completamente confusa.
E já lhes falei de ["Planet of Blood"] ?
Não ?…Então esqueçam que eu perguntei.
Passemos á frente e sejam bem-vindos a ["Voyage to the Pre-Historic Planet"], originalmente conhecido como o excelente ["Planeta Bur"], um dos melhores filmes de ficção-cientifica clássica que poderão encontrar.

Isto se calhar vai ser uma surpresa para alguns, mas muitos dos filmes que vocês pensam ser de ficção-cientifica clássica americana associados normalmente aos anos 50 e 60, como por exemplo, “The First Spaceship on Venus”, são na realidade obras soviéticas dos anos 50  remontados e dobrados em americano.
Estes nunca tiveram uma única das suas sequências originais filmadas em Hollywood, todos os bons efeitos especiais foram feitas na europa e os poucos actores verdadeiramente americanos que parecem fazer parte de algumas cenas, ou são os actores soviéticos originais dobrados em inglés, ou então fazem parte de sequências adicionais filmadas muito mais tarde quando os distribuidores americanos, cortaram e remontaram muitos destes filmes europeus de modo a agradar já naquela altura, ao particular gosto do público americano que sempre preferiu as cenas de porrada a uma história inteligente.

Felizmente que ["Voyage to the Pre-Historic Planet"], é um daqueles casos raros em que o filme original que lhe serviu de base practicamente não foi alterado (exceptuando o corte da introdução) e apenas foram incluidas cenas adicionais com outros actores de modo a americanizar a obra sem no entanto destruir o seu conteúdo original que se manteve intacto. O filme original tinha pouco mais de 70 minutos e com a remontagem americana ronda actualmente os 90 minutos sem grandes danos, por isso do mal o menos.

E vocês vão perceber logo quais são os actores americanos, pois mesmo que nem prestem muita atenção notarão a diferença do casting russo original.
Portanto se ignorarmos as inóquas cenas americanas adicionais, estaremos a apreciar ["Planeta Bur"] o que é uma mais valia, pois este antigo filme de ficção-cientifica soviético é absolutamente extraordinário.

Enquanto nos Estados Unidos, ainda se lutava no grande ecran contra discos voadores, monstros de borracha com zippers e onde inevitávelmente havia sempre uma rapariga que gritava muito, nos países do leste europeu já havia obras como ["Planeta Bur"], que não seguiam qualquer estereotipo dos filmes americanos. Acima de tudo tentavam ser boa ficção-cientifica e o ênfase do argumento estava mesmo no fascínio e no perigo da exploração espacial e não nas cenas que haviam sempre nos filmes do ocidente.

Aqui não encontramos foguetões comandados por militares que debitam diálogos como se estivessem em filmes de Marinha, não entram maus nem bons e não há raparigas giras que gritam muito quando são rapatadas por monstros. Quando muito aparece uma tipa americana com um penteado ligeiramente assustador inserida a martelo por Roger Corman que foi como não podia deixar de ser o distribuidor e produtor da nova montagem.

["Planeta Bur"], ou melhor… ["Voyage to the Pre-Historic Planet"], narra a história de duas expedições ao planeta Venus. Uma delas sofre um acidente á chegada e despenha-se na superfície, o que automáticamente obriga que na segunda nave os cosmonautas além de terem de continuar a explorar o planeta precisem de encontrar os companheiros que sobreviveram ao desastre.
E aqui é que começa a grande piada deste filme.

Esqueçam as sequências adicionais americanas (que neste caso nem ficam mal de todo apesar de não servirem para nada), e terão aqui um dos clássicos mais esquecidos da FC que poderão ter a sorte de ver se gostarem mesmo do género e não tiverem preconceitos contra cinema antigo.
Até porque neste caso, aqui temos outro bom exemplo de como o cinema Soviético estava muito á frente do seu tempo não só em ambientes sérios dentro da FC mas principalmente em design de produção e efeitos especiais.

O ambiente do filme é absolutamente fantástico e completamente alienígena, com uns cenários fantásticos, totalmente credíveis e que se assemelham bastante ao planeta que décadas mais tarde veriamos nos filmes Alien e Aliens, sendo assim uma espécie de versão diurna do ambiente que depois apareceu nos filmes de Riddley Scott e James Cameron.

E não menciono Alien por acaso, pois em ["Planeta Bur"], até o design dos fatos espacias é surpreendentemente moderno com umas linhas e um estilo gráfico muito semelhante aos fatos espaciais usados anos depois pelos tripulantes do cargueiro espacial Nostromo.

E não se esqueçam que ["Planeta Bur"], foi filmado em 1962 quando nos estados unidos os actores ainda andavam com garrafões na cabeça a fingir de capacetes espaciais.
Neste caso ["Planeta Bur"], contém não só excelentes cenas espaciais (dentro das possibilidades téncnicas da época), mas principalmente muita imaginação no design de produção que nos transporta completamente para um mundo extra-terrestre onde mesmo com as plantas carnívoras de borracha e os dinossauros de stop-motion existe sempre uma tensão e um suspanse que raramente encontramos em filmes desta época.

E como aqui não há herois á americana também nunca temos bem a certeza de quem poderá morrer, o que só contribui para o ambiente sério do filme, que, apesar de hoje em dia nos parecer um bocado ingénuo certamente na altura foi uma completa inovação e deve ter surpreendido muita gente quando viu este filme no cinema pensando que seria uma obra americana.

O filme nem tem própriamente grande história, pois é apenas uma colagem de cenas de exploração planetária com uma sucessão de sequências de efeitos especiais que percorrem todo o coração do filme e o transformam em algo único mesmo dentro do cinema de FC da época.

Ninguém vê isto para ver grandes divagações dramáticas e o que interessa aqui é mesmo manter o espectador interessado com a sucessão de cliffhangers de aventura e neste aspecto ["Planeta Bur"], cumpre perfeitamente e ainda tem tempo para um pequeno pormenor no argumento que na altura deve ter parecido algo bastante original.

Mas não há duvida que a grande força deste filme está no seu ambiente e deve ter parecido uma produção impressionante para as plateias que não estavam habituadas a ver filmes de grande orçamento no género, mal sabendo que o filme tinha sido feito precisamente do outro lado da cortina de ferro. Curiosamente também o filme contém uma suave mensagem anti-nuclear o que mostra que não era só do lado americano que a ficção-cientifica reflectia os medos da altura.

Como tal, estou aqui a tentar lembrar-me de algo mesmo mau para dizer sobre o filme, mas não consigo. Nem o facto de lhe faltar a introdução e ter sido retalhado pelo Roger Corman com as sequências americanas perfeitamente inúteis estraga aquile que junto com ["Ikarie XB1"] foi definitivamente um filme á frente do seu tempo dentro da ficção-cientifica o que o torna num filme obrigatório para os amantes do género.

E a boa notícia é que este filme na sua versão americanizada é muito fácil de ser obtido grátis na internet actualmente, pois inclusive já faz parte do estatuto de dominio público e nem precisam de andar em torrents ilegais para o sacarem. Mais detalhes abaixo.
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CLASSIFICAÇÃO:
 
["Planeta Bur"], é um filme excelente e neste caso só não ganha um Golden Award extra, porque  ["Voyage to the Pre-Historic planet"], se intrometeu no caminho.
Apesar de inóquas as cenas extra americanas retalham o filme e não nos deixam aprecia-lo como foi devidamente criado. Mas é um filme obrigatório.
Ainda mais quando esta obra do inicio dos anos 60 se encontrava tão á frente do seu tempo e é um verdadeiro achado para quem nunca ouviu sequer falar de ficção-científica feita na União Soviética ou pensa que na Rússia só se fez cinema de autor como o “Solaris“.
Cinco saturnos porque é um filme único em todos os sentidos e outra obra-prima perdida no espaço que merece ser descoberta.

          

A favor: o design muito á frente do seu tempo, a  maneira como usa os cenários naturais, os efeitos especiais apesar de datados têm muita personalidade e na altura foram certamente algo nunca visto antes, tem um robot parecido ao Robby-the-robot mas com um design já mais moderno, boas cenas de acção que embora curtas e limitadas têm muito estilo, tem um ambiente de aventura clássica perfeito.

Contra: Não precisava de sequências adicionais filmadas na américa para ser um filme excelente.
É muito difícil de se encontrar na sua versão original de pouco mais de 70 minutos e neste caso o facto de ter quase 90 provocados artificialmente nem sequer é própriamente boa coisa.

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NOTAS ADICIONAIS

Download Torrent – Public Domain
http://www.publicdomaintorrents.com/nshowmovie.html?movieid=43

Intro
Intro original pertencente a ["Planeta Bur"], que nao foi usada na montagem de ["Voyage to the Pre-Historic Planet"],  mas foi introduzida no “Voyage to the Planet of Pre-Historic Women” para desgraça de todos nós.
http://www.youtube.com/watch?v=zLAn2LnovBg&feature=related

Comprar ["Planeta Bur"] original.
Para quem quiser comprar o filme original sem americanices á mistura pode encontrá-lo á venda neste link:
http://xploitedcinema.com/catalog/planeta-ntsc-region-p-5746.html

Filme na sua versão ["Voyage to the Pre-Historic Planet"], á borla no Youtube.
1 http://www.youtube.com/watch?v=ZlxijwqUPe8
2 http://www.youtube.com/watch?v=_B1WxdLyf2c&feature=related
3 http://www.youtube.com/watch?v=n7ju2OFRIaU&feature=related
4 http://www.youtube.com/watch?v=ZZZayPO15pk&feature=related
5 http://www.youtube.com/watch?v=KUIGkixZlc0&feature=related
6 http://www.youtube.com/watch?v=iX7Hop9b46w&feature=related
7 http://www.youtube.com/watch?v=KsK6algppPo&feature=related
8 http://www.youtube.com/watch?v=Ktwj7vOpfEw&feature=related

Para quem quiser fazer o download dos videos Youtube sem instalar um software, pode usar este website aqui que saca os filmes e os grava no formato .flv
http://www.downloadyoutubevideos.com/
Podem seguidamente converter os ficheiros .flv em .avi para depois poderem gravar o vosso próprio dvd, usando o excelente “Free FLV Converter” que encontrarão aqui:
http://www.koyotesoft.com/indexEn.html

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IMDB
Planeta Bur
http://www.imdb.com/title/tt0056352/
Voyage to the pre-historic planet
http://www.imdb.com/title/tt0059887/

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