Starcrash (Starcrash – O Choque das Estrelas) Luigi Cozzi (1978) Itália
A Long Time Ago In a Galaxy Far Far Away…
Mais precisamente, em Itália.
Imaginem que alguém tenta aproveitar o sucesso de Star Wars e decide produzir um clone italiano do mesmo, mas por qualquer motivo resolve levar demasiado á letra as influências dos serials de space-opera dos anos 30 e por isso o resultado é uma coisa que tenta parecer-se a todo o custo com o filme de George Lucas só que com uma estética e um estilo narrativo digno de um Flash Gordon com Buster Crabe filmado nos anos 30. E com efeitos a condizer diga-se de passagem…
Mas com gajas boas em bikini de cabedal.
E com o cabelo inimitável do David Hasselhoff.
Bem-vindos á melhor space-opera de todos os tempos. Qual Star Wars, qual quê !
Bem-vindos ao inacreditável ["Starcrash"].

Ehm…o subtítulo ´tá em Francês, mas o filme é Italiano falado/dobrado em inglés e a tentar fingir que é americano, por isso já estão a ver que isto é um titulo internacional de qualidade. Parem de rir.
O universo está em perigo, pois o temível Conde Zartan + o seu carismático ajudante Elric controlam practicamente… um bocadinho da galáxia. Mas querem ir mais longe, embora talvez devessem antes ir procurar um bom estilista.

Ao explorar a zona fantasma, o filho do imperador galáctico mais conhecido por David Hasselhoff, vê a sua nave atacada pela assustadora arma secreta das forças do mal e despenha-se algures, o que obriga o seu pai a recrutar os serviços de uma mercenária espacial, a mágnifica Stella Star para tentar encontrar o paradeiro do filho mais o seu cabelo com muita laca e pelo caminho limpar o sebo ao gajo mau porque este tem o péssimo hábito de querer ser Califa no lugar do Califa isto em termos de metáfora galáctica, está claro.
Mas Stella Star não está sózinha na sua missão. Conta com o apoio do robot Hal (sim, pois), de Thor que não tem martelo mas é da bófia e anda literalmente verde de inveja durante o filme todo e ainda do seu fiel amigo Akton, o gajo que parece um clone mais feio do Hasselhoff e debita as melhores linhas de diálogo que vocês alguma vez poderão ouvir num filme espacial.

E a aventura começa, levando os nosso herois por entre dezenas de peripécias por minuto, até ao espectacular e emocionante final onde vocês poderão assistir ao choque de duas estrelas de batalha em pleno espaço; afinal o filme não se chama ["Starcrash"] só porque é um nome com pinta. Isto é cinema europeu a sério meus amigos.
Por acaso as naves espaciais até parecem maquetas feitas de antigas peças de rádio com valvulas e transistores pintados ás cores com airbrush, mas isto deve ter sido para não destoarem dos balões de feira iluminados com lâmpadas cor de rosa, azuis e vermelhas que tentam passar por planetas.
E não, não estou a gozar, os planetas em ["Starcrash"], foram mesmo criados assim.
Juro !

Não me acreditam ? Então também já não lhes digo que o espaço profundo neste filme é capaz de ter as estrelas mais coloridas de sempre porque foi criado com um painel pintado de preto e com luzes de árvore de natal a iluminar os buraquinhos perfurados com tesoura.
O que foi ? Mas vocês pensam que existiram sempre computadores ?!
Seus peneirentos ! Já não há respeito pelo filho do assistente de produção. Queria ver vocês com 16 anos a serem contratados por um estúdio de cinema para fazerem os efeitos especiais de um filme que pretendia concorrer com o Star Wars ! Isto porque os gajos que era suposto estarem a trabalhar na coisa não davam conta do recado.
Mas lá porque os efeitos do filme foram também encomendados a um puto, não fiquem a pensar que isto não é cinema de qualidade.
Meus amigos, a prova do que digo é que a banda sonora de ["Starcrash"], foi composta nada mais, nada menos por John Barry. O mesmo que compôs por exemplo a música para “Danças com Lobos” e ganhou um Óscar com “África Minha”.

A propósito de “África Minha”…
Lembram-se do tema principal desse filme protagonizado por Merryl Streep e Robert Redford ?…
Estão a ver as mágnificas paisagens africanas que a melodia invoca, os grandes espaços abertos e a poesia da imensidão do céu ilustrada pela partitura composta por John Barry ?
Pois…quando virem ["Starcrash"], se reconhecerem a música não estão a ter um dejá-vu, não senhor.
A banda sonora de ["Starcrash"], é a mesma do “África Minha”.
Ainda está alguém aí ?…

Se há uma coisa que ficou na memória de toda a gente que viu e gostou de ["Starcrash"], quando estreou no cinema foi precisamente a sua lindíssima e atmosférica banda sonora que contribuiu imenso para o ambiente épico do filme pois evoca automáticamente imensos espaços abertos e imensidões infinitas como de resto não poderia ser mais perfeito para uma space-opera que tentava seguir as mesmas pisadas de Star Wars.
A banda-sonora de John Barry não fica nada atrás da música composta por John Williams para o filme de Lucas, como se veio a comprovar quase dez anos mais tarde quando Barry ganhou o Óscar com a mesma partitura que tinha sido incialmente destinada a ["Starcrash"] e o próprio autor depois “remendou” aqui e ali, acelerou um bocadinho o tempo de algumas melodias, misturou tudo, voltou a dar transformando-a na música de “África Minha”.

Mas para mim, esta banda sonora estará para sempre associada a ["Starcrash"] e se virem o filme verão que é parte essencial do seu espírito de aventura.
Este é para mim um dos filmes mais divertidos que existem e recomendo totalmente a toda a gente que gostar de space-operas e adorar filmes ao melhor estilo série B onde nada é levado a sério e tudo é motivo para cenas de acção, miudas em bikini e feitos (pouco) especiais.
É óbvio que ["Starcrash"], é um daqueles filmes que apelará por nostálgia, muito mais a quem tal como eu o viu no cinema em criança por volta de 1980 quando estreou em Portugal, mas aposto que ainda terá muitos motivos para conquistar muita gente, pois este justifica plenamente o culto que tem ao seu redor.

Vejam Stella Star mais as suas fatiotas sensuais, inclusive o famoso bikini de cabedal.
Vejam o fato espacial com o capacete feito de um garrafão de qualquer coisa.
Divirtam-se com as aventuras do Robot Hal que aparentemente a julgar pelo sotaque vem do Texas.
Vejam David Hasselhoff a fazer de David Hasselhoff mas com espada laser.
Tremam perante o olhar penetrante do Conde Zartan + o seu fiel assistente Elric. Este segundo apesar de entrar menos de 30 segundos durante o filme todo, ganhou mais estatuto de culto que o próprio vilão.
Conheçam o planeta das amazonas com o seu guardião robot, provavelmente o pior efeito especial da história da space-opera.

Assistam a combates espaciais em universos multi-coloridos e onde a mesma sequência é repetida vezes sem fim.
Espantem-se com a fabulosa sequência onde a estação de batalha do Conde Zartan é invadida pelas cápsulas de ataque das forças do bem e estas penetram nave dentro partindo as suas vidraças. Eu disse vidraças. Vidros. Que se partem e o ar não se escapa do interior da sala nem há descompressão nem nada. Mas há um combate espacial genial.
A propósito…
Vejam os fabulosos raios laser que saiem para o lado quando as armas estão apontadas em frente, ou para cima quando são apontadas para o lado, ou para baixo quando apontadas para cima…já estão a ver a ideia.
Vejam Christopher Plummer interpretando o imperador do universo, sem perceber bem porque raio aceitou fazer este filme.
Acima de tudo vejam ["Starcrash"], porque é uma obra prima não só da space-opera cinematográfica como acima de tudo do bom mau-cinema pois garanto-vos que nunca viram nada assim.

Muita gente já não se lembra, mas este filme italiano quando foi distribuido internacionalmente por Roger Corman, teve tanto sucesso e fez tanto dinheiro que levou inclusivamente o próprio Corman a cometer uma loucura e a produzir ele próprio a sua própria space-opera, o que deu origem ao também genial, “Battle Beyond the Stars” que teve imenso sucesso em Portugal quando foi por cá lançado em cinema por duas vezes e do qual irei colocar em breve também uma review neste blog.
Não deixa de ser curioso, ter havido tão poucas imitações do Star Wars na época, afinal, cópias de Westerns havia-as de toda a parte do mundo durante décadas, mas o estilo space-opera nunca foi muito produzido ou imitado, apesar da garantia de retorno nas receitas.

Embora com o sucesso do filme de Lucas, toda a gente quisesse ver mais aventuras espaciais, estas não existiam em lado nenhum e o cinema italiano foi talvez o único a arriscar criar algo semelhante a Star Wars mesmo não dispondo muitas vezes de orçamento algum nem sequer para pagar aos actores.
["Starcrash"], foi dos poucos filmes do estilo que surgiram e na altura foi um verdadeiro vencedor, pois além de ter feito muito dinheiro, manteve o género vivo na imaginação de muita gente que o viu na altura e contribuiu para que houvesse mais aventuras no espaço quando existia tão pouca coisa no mercado numa época onde os filmes de efeitos especiais ainda eram coisa rara.
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Uma das melhores space-operas de sempre e um filme obrigatório para quem gosta do género clássico ao melhor estilo de um Buck-Rogers dos anos 30 mas com uma pitada de Star Wars e um cheirinho de estética Barbarella.
Um dos melhores filmes-maus que poderão ver na vida, especialmente se gostarem de aventuras no espaço que não se levam a sério e têm um intenso e ingénuo espírito clássico que já não se encontra hoje em dia no cinema comercial.
Cinco planetas Saturno e um Golden Award como selo de qualidade sem qualquer sombra de dúvida.

A favor: a banda sonora é mágnifica, é uma mistura entre Star-Wars e Barbarella com pitada de serial dos anos 30 que só lhe fica bem, Stella Star é o melhor mercenário espacial de sempre a seguir a Han Solo talvez, Christopher Plummer confere uma dignidade inesperada ao personagem do imperador do universo e o seu discurso final é inesquecível, os maus efeitos especiais são geniais, o design do filme transcende todas as suas limitações e baixo orçamento, tem muita cor, a realização a duzentos á hora é do piorio e por isso genial e perfeitamente adequada, as batalhas no espaço e nas estações espaciais são muito divertidas, o vilão é mesmo mau e o seu ajudante Elric ainda parece mais mau…e pior actor ainda. o David Hasselhof entra no filme e trás o seu cabelo á Knight-Rider consigo.
Contra: não haver mais episódios com as aventuras de Stella Star.
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NOTAS ADICIONAIS
Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=pzfuNSpP0RA
Comprar em DVD
Só existe uma edição deste filme em dvd. A versão francesa e vale mesmo a pena. Especialemente agora que a encontram a partir de 3€ e qualquer coisa em muitos sítios.
Podem comprar a vossa cópia á confiança nestes sites.
http://www.priceminister.com/offer/buy/2306424/Starcrash-Le-Choc-Des-Etoiles-1-Et-2-DVD-Zone-2.html
ou
http://www.alapage.com/-/Fiche/DVDVideo/892497/DVD/starcrash-le-choc-des-etoiles-collector-luigi-cozzi.htm?donnee_appel=GOOGL
Contém a pista de som original em inglés e trás dois discos numa caixa com bom grafismo.
O segundo disco trás bastantes extras, entre os quais um making of de 80 minutos que deve ser o pior documentário jamais feito, mas que vale a pena ser visto pelo menos uma vez.
Contém ainda um outro filme chamado “StarCrash 2″ mas que na realidade não tem, nem nunca teve nada a ver com o Starcrash original, sendo apenas um outro filme série Z feito com restos do StarCrash original para ver se conseguiam sacar umas massas adicionais ao público depois que este se tornou um sucesso internacional na altura.
IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0079946/
Review adicional
http://www.badmovies.org/movies/starcrash/
StarCrash no Youtube em 10 partes
01 http://www.youtube.com/watch?v=MDk6LDGYQs4
02 http://www.youtube.com/watch?v=uavycCTNVAo&feature=related
03 http://www.youtube.com/watch?v=cIjZ5OYz9i8&feature=related
04 http://www.youtube.com/watch?v=CcnX_3KrLwY&feature=related
05 http://www.youtube.com/watch?v=q8j7bPTOTTo&feature=related
06 http://www.youtube.com/watch?v=cm8orMP-jV0&feature=related
07 http://www.youtube.com/watch?v=gias0xbPVQ8&feature=related
08 http://www.youtube.com/watch?v=_27SmXm498I&feature=related
09 http://www.youtube.com/watch?v=kAVvii2w9xk&feature=related
10 http://www.youtube.com/watch?v=SM2_qDeGMf4&feature=related
Para quem quiser fazer o download dos videos Youtube sem instalar um software, pode usar este website aqui que saca os filmes e os grava no formato .flv
http://www.downloadyoutubevideos.com/
Podem seguidamente converter os ficheiros .flv em .avi para depois poderem gravar o vosso próprio dvd, usando o excelente “Free FLV Converter” que encontrarão aqui:
http://www.koyotesoft.com/indexEn.html
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