Le Grande Bleu (The Big Blue – Vertigem Azul) Luc Besson (1988) França-Itália

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Estou para comentar este filme por aqui há anos mas na verdade nunca soube bem como falar sobre ele pois é uma obra única. Vocês podem até já ter visto milhares de filmes, mas nunca viram, nem verão nada igual a isto tão cedo.
["The Big Blue - Le Grand Bleu"] é simplesmente o meu filme favorito de todos os tempos mas por ser também uma obra bastante dificil de inserir num género específico torna-se sempre muito complicado falar desta história realizada por Luc Besson.
De qualquer forma é uma das minhas grandes fontes de inspiração para o meu trabalho de ilustração e como tal está mesmo na hora de lhes apresentar:

Se nunca ouviram falar de ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] mas adoram o mar, são totalmente fascinados pelo oceano e até acham que os golfinhos são uma verdadeira inteligência extraterrestre co-habitando o nosso planeta debaixo do mesmo céu azul, então não se preocupem em continuar a ler este texto e vão comprar o filme já.
Então se estiverem ligados de alguma forma á práctica do mergulho nem pensem em mais nada a partir deste momento a não ser em comprar isto em dvd ou em blu-ray.
A sério, não percam tempo; se vocês tiverem alguma ligação com o mar mas nem sabiam que este filme existia  já querem comprar este filme. Querem, querem. Apenas não o sabem ainda. Vão por mim, porque este nem vale a pena piratear, porque ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] é para comprar mesmo.

Muitos de vocês poderão estar a perguntar o que faz um filme como  ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] aqui num blog sobre filmes de fantasia e ficção científica.
Pois bem, se há um filme que merece todo o destaque num blog assim é este. Luc Besson não só criou um universo totalmente rico, hipnotizante, unico e fascinante como o dotou de uma atmosfera que muitos filmes de ficção-científica desejariam alguma vez ter conseguido. Por causa disso este é também um verdadeiro título de culto.
Pode não parecer mas ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] na sua essência podia muito bem ser uma grande novela dentro da melhor ficção-científica, daquelas que há primeira vista nem dão muito a ideia que pertencerão ao género, mas que na verdade têm por base um conceito do mais hardcore que podemos encontrar nas melhores novelas do estilo. Embora não seja esse o coração do filme é de certa forma a sua base e como tal ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] pertence de pleno direito a um blog como este, até porque além de ser uma história única , contém mesmo um universo totalmente esquecido hoje em dia que vale a pena dar a descobrir a quem se calhar ainda nem era nascido quando o filme estreou nas salas e apareceu ainda em VHS nos videoclubes no final dos anos 80.

["The Big Blue - Le Grand Bleu"] é um filme único não só em estilo, argumento e atmosfera como também é algo á parte dentro da própria filmografia de Luc Besson. Talvez por ser essencialmente um filme também muito pessoal para o realizador a sua alma consiga depois transparecer tão bem para o espectador, isto porque ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] é aquele filme de Luc Besson que sempre agradou até aos seus críticos mais cerrados ao longo dos anos.
Por outro lado se calhar é um filme que também lhe deu cabo da carreira em termos artísticos.
Actualmente parece não haver filme de Besson que depois não leve a crítica a perguntar-se por onde anda o Luc Besson dos tempos de ["The Big Blue - Le Grand Bleu"].
Ainda por cima isto não envelheceu um só dia e é daqueles que practicamente ninguém se lembra que já foi filmado há mais de vinte anos.

Já agora uma pequena nota de aviso sobre o horrível trailer do lançamento americano. Se esperam encontrar nesta produção o thriller de espionagem em tom de ficção-científica blockbuster que ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] aparenta ser no trailer produzido pelos americanos quando distribuiram o filme, esqueçam e é melhor vocês irem ver os Transformers do Michael Bay.
O trailer internacional deste filme montado em Hollywood deve ser um dos mais atrozes e enganadores trailers que alguma vez foram criados para publicitar um filme .

A julgar pelo trailer americano de ["The Big Blue - Le Grand Bleu"], uma pessoa até pensa que este será uma espécie de thriller high-tech cheio de estilo e aventura misteriosa; uma espécie de ”Leon” mas com golfinhos e um toque de James Cameron passado em ambientes estilo James Bond.
Lamento pessoal, mas este filme não é nada disso.
Os locais podem rivalizar na boa com qualquer 007 mas thriller de espionagem e mistério high-tech é que o poético filme sobre o oceano ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] não é, nem nunca poderia ser.
E ao contrário do que o conhecido narrador de trailers gringos diz na apresentação não há qualquer mistério para ser resolvido na história e o único mistério nisto tudo está em saber como raio é que alguém produziu um trailer tão enganador.

Mas então e sobre o que raio é este filme afinal ?
Essa é a pior pergunta que alguém pode fazer sobre ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] e eu não gostaria nada de ter estado na pele do tipo que teve de vender este filme ás audiências pipoca dos Estados Unidos mesmo já naquela altura.
["The Big Blue - Le Grand Bleu"] não será exactamente Cinema-de-Autor naquele sentido depreciativo mais elistista, mas também não agradará muito ás audiências pipoca. Especialmente ás audiências modernas, habituadas a sequências de acção a duzentos frames por segundo, montagem MTV e a terem uma explicação detalhada de tudo e mais alguma coisa no final da história. Além disso ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] também não tem uma cena perseguição de dez em dez minutos para não adormecer as plateias.
Não vão encontrar aqui robots gigantes que se transformam em carros cheios de estilo, não mete adolescentes que usam a última roupinha da moda e também ninguém almoça no McDonalds enquanto passa em background a última música de quem estiver na berra no MTV.
Luc Besson criou um poema visual totalmente contemplativo ; uma história de amor sobre o Oceano e é isso que poderão esperar de ["The Big Blue - Le Grand Bleu"]. Sem mais nem menos.
Sem pretenções a filme artístico ou a obra elitísta no entanto. Apenas leva o seu tempo e não tem pressa de ir a lado nenhum, é um filme com uma atmosfera que os deixará totalmente imersos num mundo á parte, mas para isso temos de nos deixar ir pelo seu ritmo contemplativo sem pressas nem preconceitos.

Que posso eu dizer mais sobre isto ?…
Que é uma das melhores histórias de amizade que poderão encontrar ? Que é a história de dois amigos que competem para decidir quem mergulha mais fundo ? Que é uma história de amor ? Isto vai muito para além da típica história de amor a que estamos habituados. Que é uma aventura ? Se é !! Mas não tem acção, não tem perseguições de automóveis, não tem tiros nem explosões e nem sequer tem vilões. Ou herois, na verdade…
Que é um road-movie ou um filme de viagem…talvez, pois vocês vão adorar a localizações desta história. E são todas reais.

["The Big Blue - Le Grand Bleu"] não é um filme de acção e não há extra-terrestres escondidos no fundo do oceano sequer, (ou melhor…se calhar até há…)
De qualquer forma, não esperem cinema de acção e aventura no sentido em que se calhar poderiam pensar que isto seria. Por outro lado, esperem um ambiente de grande escala quase num sentido épico e uma atmosfera de grandiosidade permanente.
Contém uma grande história de amor, mas também não é própriamente uma comédia romântica para adolescentes, embora seja talvez o melhor date-movie jamais criado. Porquê ? Bem, se a vossa namorada adora golfinhos…este é o filme a ver com ela. Confiem em mim.
O quê ?! Vocês odeiam golfinhos ?!!
Depois de verem isto até vão querer ser um !

Portanto, há uma mulher e dois homens nesta história…por isso o inevitável nestas coisas seria esperarmos o habitual triangulo amoroso com todas as rivalidades entre personagens, certo ?
Errado.
Há um triangulo amoroso, mas não contém quaisquer histórias paralelas á sua volta. Na verdade este triangulo amoroso tem mais do que trés pessoas de facto.
Todos os personagens fazem parte dele. Incluindo os golfinhos e principalmente o Oceano !

Aha, então isto é uma espécie de filme erótico-exótico com muita badalhoquice em ambientes túristicos podres de sexy, certo ? Errado !
Há uma cena de sexo em ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] mas não dessa forma de todo.
Será uma comédia então ? Bem, vão fartar-se de sorrir e até rir bastante em muitos momentos mas também irão chorar.
Um drama ?… Não da forma que esperam, não. De forma alguma.
Uma comédia dramática…nope !

Ok, pelo menos mete ficção-científica !
Bem…se calhar muitos de vocês nem se darão conta desse facto, pois é algo totalmente subliminar ao longo de toda a história e provavelmente muita gente ficará tão envolta na atmosfera e carísma daqueles personagens que nem reparará que na sua base, ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] tem um conceito de ficção-científica fascinantemente bem inserido.
Isto porque se assenta numa base médica que poderia ser real.
Além disso, os golfinhos têm aqui um papel muito importante, pois não parecendo a uma primeira visão, são nos apresentados como criaturas tão inteligentes quanto o Homem. Verdadeiras sereias dos nossos mitos e uma raça de seres á parte que habita o nosso planeta nos oceanos e com o qual nunca poderemos comunicar; pois serão uma verdadeira inteligência alienígena nos nosso próprios mares no sentido mais amplo da expressão.

Imaginem um golfinho que por acaso terá nascido humano. Um humano que sabe que não pertence aqui e toda a sua vida tentou voltar para o mar, até porque o seu corpo tem características que o permitem ambientar-se aquele universo aquático ao contrário do que seria de esperar.
Nada disto é nos explicado no argumento, mas tudo nos é apresentado de forma subliminar. Se calhar só a uma segunda ou terceira visão o espectador começa a aperceber-se dos pequenos detalhes que enriquecem esta que será uma das histórias de ficção-científica mais discretas de todos os tempos. Nunca se assume como tal, mas pertence mais ao género por direito do que 99% de tudo o que tem saido de Hollywood em blockbusters cheios de estilo efeitos especiais nos últimos anos.
Imaginem uma espécie de 2001 Odisseia no Espaço passado nos oceanos mas com muito sentido de humor e humanismo e não andarão longe daquilo que ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] é.

["The Big Blue - Le Grand Bleu"] é sobre tudo aquilo que cada um de vocês queira que seja.
É sobre aquilo que estiverem a sentir.
É um filme totalmente aberto á forma como o absorvem.
Como disse Luc Besson numa entrevista, a certa altura ele estava totalmente encalhado pois não sabia que direcção poderia tomar para conseguir transportar a audiência para o interior daquele universo…mas…

Então o verdadeiro Jaqques Mayol, que trabalhou no filme como consultor de mergulho, levou Besson a mergulhar com ele um dia e fê-lo sentir o mar á sua maneira, do seu ponto de vista.
Foi assim que o realizador percebeu que não tinha que explicar a história em pormenor ao espectador.
Só tinha que conseguir que as audiências sentissem o que seria estar no fundo daquele imenso azul aquático.
E não poderia tê-lo conseguido melhor !!
["The Big Blue - Le Grand Bleu"] tem um ambiente tão mágicamente aquático que se o virem com excelentes condições técnicas, num ecrân grande e com um som a condizer, até vão precisar de uma garrafa de óxigénio e uns óculos de mergulho pois isto mesmo sem óculos 3D tem mais poder de os transportar para o seu interior do que muita coisa moderna que econtram hoje saída de Hollywood nos cinemas todos cheios de gadgets.

A atmosfera deste filme ultrapassa qualquer descrição. Podem já ter visto muitos filmes subaquáticos, mas garanto-vos que nunca viram nada como isto. O seu efeito sensorial ultrapassa qualquer descrição e  tem mesmo que ser sentido pelo espectador. Vejam-no em boas condições técnicas e vão senti-lo, podem ter a certeza.
Isto porque todas as cenas de mergulho são reais, pois foram mesmo filmadas no mar alto. Não há cá efeitos de estúdio nem CGIs modernos. É um filme á moda antiga e técnicamente não poderia ter sido mais notável, especialmente tendo em conta onde foi rodado.

Por isso façam um favor a vocês mesmo. Se nunca ouviram falar deste filme e acharem que vão gostar muito de ["The Big Blue - Le Grand Bleu"], não o vejam pela primeira vez  numa cópia rasca sacada da net ou num ecran pequeno com um som foleiro ou mediano. Comprem o dvd ou especialmente o blu-ray (estão a preço da chuva na amazon uk), liguem as colunas, encontrem o maior televisor que conseguirem, (ou projector como eu), apaguem as luzes e deixem-se entrar num universo que os irá certamente surpreender e maravilhar.
E por falar em som, a música deste filme da autoria de Eric Serra é um personagem á parte e uma peça totalmente essencial na criação da magia desta história. Uma mão invisivel que subliminarmente manipula o tom emocional de todas as cenas de uma forma que vocês não podem perder. Daí a importancia de verem esta obra cinematográfica única com as melhores condições técnicas possíveis.

Para mim ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] é essencialmente um filme sobre o amor, mas com um significado muito para além do banal e estereotipado.
Amor para lá do género, para lá do sexo, para lá da nacionalidade, da raça ou da espécie.
Sobre o amor enquanto emoção e sobre a amizade enquanto forma diferente de amar.
E sobre liberdade.
Especialmente sobre liberdade.

Portanto, toca a arranjar uma Tv gigante e o melhor surround que conseguirem.
["The Big Blue - Le Grand Bleu"] é a razão para montarem um home-cinema se ainda não o fizeram.
E já agora…façam-me o favor de apenas ver a versão longa deste filme com 168 minutos, o chamado “Directors Cut”.
Façam o que fizerem, mas evitem a versão curta de pouco mais de duas horas pela vossa saúde !
A versão longa é na verdade a verdadeira versão original do filme como este foi mesmo montado inicialmente em França antes de ter sido totalmente retalhado pelos distribuidores americanos que tentaram transformar aquilo num filme de acção e para isso eliminaram practicamente 40 minutos de cenas importantes para o conceito original da história.
Ver as duas versões é como ver dois filmes diferentes, por isso meus amigos vejam apenas a versão integral.

A versão curta remontada na América até teve a fantástica banda sonora original de Eric Serra apagada e substituida por uns temas mais Pop criados nos States porque os distribuidores americanos acharam que precisavam de uma coisa mais mexida e que atraísse a juventude ao contrário da hipnótica música original. Essencialmente parece que alguém nos States achou que o filme não se percebia muito bem e que era um bocado parado, por isso tentou animar a coisa transformando-o num produto hibrido algures entre o filme de aventuras e uma sonoridade mais americana.
Além disso como também não gostaram do final original pois não explicava tudo em pormenor, resolveram editar também uma espécie de final feliz para agradar ao público americano.
Resultado não lhes serviu de nada e só serviu para que depois durante anos a fio, a versão distribuida internacionalmente  fosse apenas a versão retalhada. A mesma que chegou a portugal em VHS no final dos anos 80.
Por isso meus amigos, evitem a todo o custo a versão curta ! Vejam apenas a versão de 168 minutos ou irão ver um filme totalmente diferente.

Felizmente que actualmente já se encontra disponível em dvd na sua versão integral, mas cuidado para não comprarem a versão curta retalhada que ainda continua á venda. Até porque as capas de ambas as versões nas suas edições de dvd são iguais !
Também não recomendo que comprem o filme em França, pois este apesar de ser uma produção francesa, tem o diálogo original todo em inglés. Acontece que em frança tanto o dvd como o blu-ray apenas contêm as versões dobradas em francês e portanto cuidado se o comprarem por aquelas bandas.
Recomendo a compra na amazon uk em blu-ray ou então na sua edição em dvd.
O novo blu-ray contém inclusivamente um making-of de mais de 90 minutos com tudo o que sempre quiseram saber sobre este filme (dizem, porque eu também ainda não o vi).

Pessoalmente este é o filme da minha vida, pois teve uma enorme influência no meu trabalho de ilustração desde o primeiro momento que o vi. Até porque eu moro numa zona com um ambiente practicamente idêntico áquele encontrado neste filme e também eu desde criança também exploro as encostas e os recônditos secretos junto ao mar tal qual o pequeno Jaqques Mayol o faz nesta história e como imediatamente me identifiquei com todo este universo.

Já agora não podia deixar de falar no trabalho dos actores.
Quando anos atrás descobri que Jean Reno era francês e não Italiano nem queria acreditar ! Desafio qualquer pessoa a ver o personagem do Enzo e a lembrar-se que está a ver um actor francês por detrás daquela composição absolutamente inesquecível.
E se juntarmos o facto de sabermos que o actor antes de fazer este filme nem gostava particularmente de agua e não estava nada confortável no mar (ia morrendo afogado nas filmagens e tudo), todo o sue trabalho ainda nos parece mais surpreendente pois nem por um instante deixamos de acreditar que aquele homem não terá passado toda a sua vida debaixo de água. Jean Reno foi um daqueles castings absolutamente brilhantes e que definem um filme.
E este é um daqueles filmes em que nos esquecemos que estamos a ver actores por completo. Todos os personagens são tão simplesmente complexos que na sua aparente simplicidade nos fazem esquecer que estamos a ver uma história de ficção e mergulhamos por completo no seu universo sem questionar por segundos a existência real daquelas pessoas. Especialmente do italiano Enzo que é de ver para crer e desafia qualquer descrição pois é um dos personagens mais inesquéciveis de todos os tempos. E humanamente hilariante também.

Isto sem desconsideração para Rosana Arquette ou Jena Marc Barr que estão absolutamente brilhantes como Jaqques Mayol e Joanna na forma como dão vida aquelas pessoas que poderiam ser quaisquer umas que encontramos numa praia perto de nós.
Jaqques Mayol é alma do filme e nem precisamos dizer mais nada.
Joanna será provavelmente a melhor personagem feminina romântica dos anos 80 precisamente porque nem se nota; tal a simplicidade da composição da actriz que a humanizou a um ponto que esquecemos também por completo a actriz por detrás do seu trabalho no ecran.

Uma das melhores caracteristicas de ["The Big Blue - Le Grand Bleu"] é o facto de conter uma galeria de personagens inesquecíveis. Desde o actor Sergio Castellito como Roberto, irmão de Enzo até ao personagem mais terciário, toda a gente tem o seu momento para brilhar no ecran por segundos e todas as participações são memoráveis ou ficam na memória por aparecerem sempre numa cena emblemática da história, o que só demonstra o talento de Besson não só para criar bons personagens como principalmente para humaniza-los.
O que me leva ao personagem da Mama ! Ou se calhar talvez não…

Deixo para vocês descobrirem.
Outro pormenor incontornável neste filme é o elenco infantil.
Só entram nos primeiros dez minutos do filme, mas são absolutamente notáveis. Não só os putos são excelentes actores como ainda por cima este filme deve ter o melhor casting de sempre no que toca a terem encontrado crianças que realmente se parecem com versões infantis dos personagens adultos de uma forma absolutamente incrível.

["The Big Blue - Le Grand Bleu"] é um filme extraordinário, muito bem escrito, realizado, interpretado e fotografado de uma forma incrivel com uma banda sonora totalmente adequada. Não pertencendo a género nenhum, pertence a todos e acima de tudo transporta-nos para um mundo á parte que todo aquele de vós que adora o mar não pode deixar de visitar de maneira nenhuma.

Além disso contém as melhores cenas com golfinhos que vocês alguma vez viram no cinema !
Ainda por cima está cheio de imagens inesquecíveis que quase tornam este universo em qualquer coisa encantada saido de um qualquer filme de fantasia. Entre elas uma quantidade fantástica de paisagens de cortar a respiração que não irão esquecer tão cedo.

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CLASSIFICAÇÃO:
Depois do que escrevi acima há muito pouco que eu possa dizer sem me repetir.
["The Big Blue - Le Grand Bleu"] é o meu filme favorito e aposto que se forem um pouco como eu em breve poderá ser o vosso filme favorito também.
Ah, e vão andar a citar frases deste filme para o resto da vida também, pois este é um daqueles argumentos cheios de frases e diálogos memoráveis…Roberto,mio parmo… ;)
É um obra prima de atmosfera visual com muita poesia, uma história totalmente original, um universo único e personagens totalmente inesquecíveis.
O que podem pedir mais ?
Cinco planetas Saturno e um Golden Award porque melhor e mais original que isto não encontram tão cedo e além disso é passado num verdadeiro universo esquecido aqui mesmo ao pé de nós.

     

A favor: os personagens são inesquecíveis, tem grande sentido de humor, um argumento totalmente original, os diálogos são memoráveis, a realização é perfeita, o tom poético é fantástico, está cheio de imagens fabulosas, não encontram melhores cenas com golfinhos em mais filme nenhum, o equilibrio entre o bom humor e os momentos dramáticos é fantastico, o trabalho dos actores é notável sem excepção, as cenas de mergulho são incrivelmente atmosféricas, a banda sonora é uma personagem á parte, consegue fazer parte de muitos géneros sem pertencer na realidade a nenhum, no entanto é capaz de ser um dos melhores filmes de ficção científica totalmente esquecidos precisamente porque não se nota o género a um primeiro visionamento, o final é perfeito, se gostam do mar este vai ser o filme da vossa vida a partir de agora.
Contra: como não segue qualquer regra narrativa a que o publico está  habituado no cinema americano embora seja um filme comercial muita gente irá detestá-lo pois não tem acção e nada na história nos é explicado de bandeja como acontece nos filmes de hollywood, muita gente irá ficar totalmente baralhada com o final (por isso revejam o filme pois está lá tudo), poderá ser confundido com um filme new-age por muita gente que odeia o estilo embora seja muito mais do que aparenta á primeira vista.

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ADITIONAL NOTES

Trailer horroroso americano mas que merece ser visto por ser tão ridiculo.
http://www.youtube.com/watch?v=NAZaRub0P_U&feature=related

Comprar
Comprar BLU-RAY ou DVD

Em baixo, a introdução do filme com os primeiros minutos. A história começa a preto e branco mas depois muda para cores quando a sequência introdutória com as crianças dá lugar á parte adulta da história.

Saiu agora por altura do relançamento da versão longa em blu-ray um novo trailer e devem espreitá-lo pois além de ser enigmático e não revelar nada do filme, mostra muito bem qual  é a sua atmosfera e chega até a ser bastante mágico.
Cliquem para ver o novo trailer da versão longa.

Também podem sacar o filme daqui mas não recomendo que o vejam num ecran pequenino de computador numa cópia pirata com som foleiro. Se acham que gostarão do filme, não percam tempo, comprem-no.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0095250

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*este filme é único e não existe nada semelhante*

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