Sky Captain & The World of Tomorrow (Sky Captain & o Mundo do Amanhã) Kerry Conran (2004) Eua

Já devem ter notado, adoro ficção-cientifica dos anos 30, 40 e 50.
Como tal sempre desejei que alguém fizesse um filme que conseguisse captar todo o espirito de ingenuìdade daquela época em que o cinema do género estava a dar os primeiros passos e por isso fiquei não só deslumbrado com [“Sky Captain & The World of Tomorrow“] como também bastante surpreendido, pois este filme conseguiu uma fidelidade que nunca pensei ser possível hoje em dia.
Talvez por isso tenha tido uma recepção tão fraca nas bilheteiras quando estreou pois o público já não tem qualquer referência que lhe permita apreciar uma obra como esta.
 
Este filme foi a melhor adaptação que eu vi até de hoje de uma bd que nunca exisitiu.
Ou melhor, a mais perfeita adaptação de um estilo que já não existe e que quando existia nunca poderia ter sido levado ao ecran como merecia por não estarem disponíveis os efeitos especiais para o tornarem real.
Se Fritz Lang fosse um realizador de blockbusters em Hollywood, tivesse feito um filme de uma banda desenhada do Blake & Mortimer, mas situada no universo ao estilo de Rocketeer e adaptado tudo de uma pulp-magazine dos anos 40/50 (“Amazing-Stories“, ou “Astounding Science Fiction“) o filme chamar-se-ia [“Sky Captain & The World of Tomorrow“] sem a menor sombra de dúvida.

Este filme não captou as audiências de hoje em dia, porque teve a coragem de apresentar ao público moderno, um produto que para ser devidamente apreciado necessitaria que esse mesmo público reconhecesse as inúmeras referências que compõem a essência de uma obra como esta.
Referências essas que neste mundo actual para as modernas audiências simplesmente não existem.
Já não se fazem filmes para o publico de ficção-científica mas sim filmes de ficção-científica para o público de massas.
Os filmes hoje têm de ser acima de tudo vendedores de pipocas e têm de obrigatóriamente servir para serem apreciados por toda a familia, especialmente por familias que nem sequer gostem de ficção-científica.
Quantos espectadores do público que foi ver este filme podem dizer que encontraram algo mais nele do que a história que o filme conta ?
Quantos espectadores admiram, ou sequer conhecem realmente o género de ficção-científica que este filme tenta apresentar ?

Ninguém mais do que eu reclama contra blockbusters de treta por serem normalmente uma casca vazia sem qualquer substância e costumo criticar muitos dos mais recentes êxitos de publico precisamente por causa disso, mas em relação a este [“Sky Captain & The World of Tomorrow“] só posso dizer exactamente o contrário.
Se há um filme de aventuras moderno cheio de conteúdo e substância, é precisamente este.
Um filme que pisca constantemente o olho ao espectador com pormenores perfeitamente colocados nos lugares certos de modo a transportar quem o vê para a época da ficção-científica que tenta retratar e dar a conhecer.
O problema é que 99.99% do público que vai assistir a isto não faz a minima ideia do que está a ver e este é um caso típico dum filme que tem demasiado conteúdo para as audiências modernas.
Pior ainda, conteúdo que jamais poderá vir a ser apreciado como tal, pois as pessoas simplesmente não fazem ideia do que estão a ver no ecran.

Acima de tudo este filme é uma verdadeira homenagem (para não lhe chamar até enciclopédia), aos primórdios da ficção-científica e é natural que neste mundo de referências pop modernas as pessoas não tenham a necessária informação para reconhecer a genialidade de um produto que mistura de uma forma simplesmente perfeita todos os clichés de um género que está bom de se ver, chega tarde demais perante um público que confunde desconhecimento com com vazio de ideias.

O filme está cheio de momentos clássicos. Alguém parece ter pegado em trés décadas de ficção-científica (anos 30,40 e 50) e colocado tudo a servir de pano de fundo para uma história que poderia ter muito bem sido publicada numa das revistas da época.
Infelizmente são esses pormenores que deveriam aproximar o público da profundidade nostálgica do filme que precisamente afastam as audiências modernas, que de tal forma estão presas aquilo que apenas lhes é dado a conhecer todas as semanas no blockbuster seguinte que jamais se interessaram pelo material que há muito tempo atrás realmente originou tudo o que se conhece como cultura de massas dentro da ficção-científica hoje em dia.

Apenas alguns pormenores que adorei ver no filme perfeitamente (e discretamente) apresentados:

– O facto do barulho dos lasers, ser retirado daqueles que os discos voadores disparavam em filmes como o “Earth vs the Flying Saucers”.
– A indumentária da vilã do filme, ser uma homenagem decalcada ao clássico filme inglés, “Devil Girl from Mars”
– A pistola de raios pertencer á série original do Buck Rogers, serial dos anos 30.
– Os robots de tentáculos piscarem o olho aos verdadeiros invasores da Guerra dos Mundos, tal como está no romance de H.G.Wells e não como apareceu na versão cinematográfica americana dos anos 50.
– A sequência do dirigìvel a estacionar no Empire State Building tal como nos conceitos futuristas criados pelos ilustradores de há mais de 70 anos atrás que a partir dessa altura deu origem a todo o aspecto gráfico presente na época de ouro da ficção-científica.

Algumas imagens reproduzem inclusive fielmente muitas das ilustrações mais emblemáticas do género.
– O piscar de olho pelo cenário (e inclusive pelo enquadramento) a filmes como “Lost Horizon” ou “Things to come”, dois dos melhores filmes de FC de sempre, precisamente filmados nos anos 30.
– A colagem ao estilo de histórias hoje apenas encontradas nos únicos albuns de bd que ainda existem á disposição do grande publico, os fabulosos livros do Blake & Mortimer.
– Montes de adereços encontrados ao longo do filme, saidos directamente de filmes como Frankenstein, Fu-Manchu e do próprio serial estilo Rocketeer, entre muitos, muitos outros.
– A estética da primeira parte do fime, aparentemente a puxar para o Fritz Lang, mas que na realidade é apenas uma homenagem a muitas cenas clássicas de coisas que na época, essas sim tentavam usar o estilo do cinema alemão expressionista naquilo que depois se tornou a FC dos anos 50 e deu tambem origem ao film-noir. E aqui as referências são tantas que precisava de meter outra lista neste texto.
Por isso fiquemos pois já têm uma ideia do que quero dizer.

Quem teve a lata de fazer este filme, foi alguêm que obviamente conhece o género que tentou recriar.
Um filme com tanto detalhe a suportar a típica historia “ingénua” da ficção-científica dos anos 50 que é uma pena que ninguém se dê conta da verdadeira profundidade de uma obra assim.
Sinceramente não sei se este é um filme experimental demasiado avançado para o seu tempo ou atrasado pelo menos 60 anos.
Eu vi o trailler disto e estava preparado para ir ver mais outro blockbuster de treta estilo “Resident Evil 2” ou “AVP”. Fui para o cinema preparado para escrever a opinião mais arrasadora a este filme. Preparei-me para dizer que mais uma vez tinhamos um filme que não sabia aproveitar as referências que tentava usar na estética.
Enganei-me redondamente.

A partir da quantidade de adereços, cenas, enquadramentos e reproduções de ilustrações clássicas, imediatamente reconheciveis nos primeiros 15 minutos de filme percebi que este filme iria ser verdadeiramente especial. E quanto a mim [“Sky Captain & The World of Tomorrow“] veio a revelar-se um marco dentro do cinema de aventuras moderno. Sinceramente estou-me borrifando para o que possam apelidar de negativo neste trabalho, pois eu por mais que tente não encontro absolutamente nada de que não tenha gostado ou não tenha achado perto da perfeição.

O que me leva aos tão discutidos maus efeitos especiais.
Se há uma coisa que abomino é precisamente o uso abusivo sem qualquer propósito de efeitos de CGI.
Aquilo de que este filme foi acusado por muita gente, a meu ver muito injustamente.
Nada, mas nada que fosse feito para tornar todo a apresentação visual desta história, teria resultado de uma forma tão estéticamente perfeita do que o que se vê actualmente no ecran em [“Sky Captain & The World of Tomorrow“].
Acima de tudo isto é um filme que pega no moderno e fascinante conceito do cinema de ficção-científica amador filmado no quarto de um gajo qualquer contra uma parede azul e o transporta de uma forma experimental para o estilo das grandes produções.

Aliás, isto nem é uma grande produção, apenas o foi publicitado como tal pois é essa a regra para um filme de sucesso hoje em dia. Mas sobre isto nem vale a pena falar, pois quem quiser procurar sobre as origens deste projecto se calhar até se vai surpreender com a sua génese.
Enquanto “filme amador”, [“Sky Captain & The World of Tomorrow“] é um marco por mostrar a direcção que muita gente poderá seguir no futuro. Se calhar daqui a 20 anos, o actual sistema de produção dos grandes estudios estará tão datado quanto o velho estilo dos musicais Metro Goldwin Mayer nos parece hoje em dia.

[“Sky Captain & The World of Tomorrow“]  abre novamente as portas para as grandes produções que na realidade não passam de serie B e o mundo da informática irá cada vez mais permitir que qualquer pessoa possa um dia vir a produzir se calhar filmes tão impressionantes como aqueles buracos negros de criatividade em que os grandes estudios gastam grandes fortunas hoje em dia.
[“Sky Captain & The World of Tomorrow“]  é uma estrela cintilante neste universo actual da falta de criatividade. E em muitos sentidos.
Detestar-se um filme por se achar que tem maus efeitos especiais é quase o exemplo típico dos critérios a que infelizmente se chegou hoje em dia para que alguém goste dum filme.
Será que uma obra não pode ser um grande filme mesmo contendo efeitos especiais do piorio ?! O que faz um grande filme, a qualidade da pirotécnia ou tudo o que deveria suportá-la ?

Se existe um estilo de filme perfeito para se usar este género de efeitos especiais, claramente ilustrativos, é definitivamente [“Sky Captain & The World of Tomorrow“].
O visual deste filme é um impressionante decalque do género de ilustração de ficção-científica da época que pretende retratar. E não estou a falar do género film-noir, mas sim do próprio traço e da maneira de se ilustrar uma cena, onde nem falta a apresentação “esfumada” ou “suavizada” do traço do desenhador.
[“Sky Captain & The World of Tomorrow“] em termos gráficos é uma enorme capa de revista clássica de ficção-científica, como se fosse uma versão em constante movimento de uma “Amazing Stories”.
Este filme sem toda aquela artificialidade á sua volta perderia por completo metade do seu propósito enquanto ficção-científica dentro do estilo que se propõe ilustrar.
Aqueles CGIs, substituidos por mate-paintings normais ou maquetes, desta vez puxariam demasiado para a realidade algo que jamais poderia ter sido adaptado da forma que esta história precisava de ser adaptada.

Não ha qualquer abuso de CGI quando o filme tão honestamente se afirma como uma experiência dentro do género e não tenta enganar ninguém.
Não é propriamente o mesmo que de repente no “AVP” aparecer uma sequência com aliens em CGI a saltarem estilo Matrix por razão absolutamente nenhuma a não ser meter estilo e fazer os putos ficarem todos contentes porque reconhecem uma treta do Matrix noutro filme.
O CGI em [“Sky Captain & The World of Tomorrow“] é a tinta indispensavel para que esta banda-desenhada pudesse ganhar vida. Da mesma forma que não se pode criticar um autor de BD por usar tinta acrilíca em vez de óleo ou tinta da china em vez de lápis para obter um estilo gráfico adequado á sua história, aqui neste filme criticar o uso “abusivo” do CGI é não reconhecer esse mesmo CGI enquanto material essencial para se reproduzir esta “banda desenhada” no grande ecran.

Não usar o CGI desta maneira em [“Sky Captain & The World of Tomorrow“] seria o mesmo que fazer uma banda desenhada a tinta da china e depois nem sequer pintar os cenários a aguarela porque se calhar o público está mais habituado a ver os guaches que são usados nos Comics de super-herois e comercialmente não seria boa ideia porque o consumidor reclamava. Não da técnica, mas do facto de ter achado o resultado diferente e portanto estranho, não sabendo como lidar com a inovação.
Para se ilustrar em cinema uma banda-desenhada como [“Sky Captain & The World of Tomorrow“], quanto a mim não encontro melhor solução do que a forma como o CGI foi usado neste filme.
Destaco especialmente o estilo artificial de pura ilustração que não tenta ser mais real do que aquilo que precisava ser.
Ou seja, não há nada de errado com o CGI neste filme, o filme é 100% realistico. Agora é realistico dentro da estética que pretendia reproduzir e neste momento não estou mesmo a ver que outro método poderia ser usado para reproduzir isto com os resultados perfeitos que se obtiveram neste filme.
Puxando estes efeitos mais para o “real”, acabariamos com um produto totalmente descaracterizado num estilo se calhar próximo daquela coisa chamada “Dick Tracy” , que é um bom exemplo de como se pode fracassar totalmente na adaptação estética de uma bd quando se tenta reproduzir em efeitos fisicos uma coisa que acima de tudo é caracteristica de um desenhador.

Se for para manter um estilo de banda desenhada, acima de tudo há que manter a referênca ao traço original mas ao mesmo tempo saber como se coloca esse “traço” em pano de fundo e não atirar constantemente com esse estilo á cara do espectador.
[“Sky Captain & The World of Tomorrow“] conseguiu com os seus desenhos animados em CGI alcançar de forma perfeita. Não tem nem mais nem menos do que deveria ter tido.
É pura ilustração dos anos 40 e 50 em constante movimento, apoiada por dezenas de referências perfeitamente colocadas ao longo de todo o filme para deliciar toda a gente que conhece o género original ao mesmo tempo que apoia uma historia simplesmente perfeita onde nem falta a tipica ingenuidade dos trabalhos onde foi buscar inspiração.

Se não se reconhece isso, é óbvio que a realização só pode parecer um vazio. Pois para mim não o é.
Isto é um trabalho perfeito no que toca ao ritmo narrativo e quanto a mim tem uma montagem excelente também, mantendo sempre a aventura em constante movimento e mais uma vez fazendo tudo isto não no estilo do cinema actual mas sim no ritmo da banda desenhada clássica.
Foi a primeira vez que vi alguem conseguir transpor para o cinema todos os códigos e regras da banda desenhada (não Comics) clássica e conseguir que imagens que supostamente só ficariam bem estáticas , de repente resultassem com uma perfeição extraordinária quando estão em movimento.
Houve alturas do filme até que me recordaram das cenas da banda desenhada do Raio-U, de Edgar P. Jacobs especialmente nas cenas da selva.

[“Sky Captain & The World of Tomorrow“] foi o melhor, mais equílibrado e mais inovador filme de aventuras que vi desde os Indianas Jones.
Nunca pensei ver sair de Hollywood um projecto como o [“Sky Captain & The World of Tomorrow“]. Especialmente um projecto onde tenho a certeza que os produtores sabiam, poderia ser muito arriscado e condenado á partida. Especialmente fora dos Estados Unidos.
É que na américa ainda existem gerações que têm as referências para poder apreciar devidamente [“Sky Captain & The World of Tomorrow“] por aquilo em que se inspira.
Na Europa é que já acho que é um bocado mais dificil.
Aqui a não ser o público mais velho que sempre se interessou por ficção-científica, não estou a ver mais ninguém a conseguir realmente apreciar este filme.

O que o publico mais novo vai ver são os efeitos de desenho animado e nem vai conseguir notar que existe uma razão para toda aquela estética.
Numa era onde o CGI tenta cada vez mais reproduzir fotográficamente o real, de repente aparece alguém a usa-lo como se fossem tintas para uma ilustração.
O que é isto ?!!!!
O publico confunde imediatamente um uso alternativo do CGI com um voltar atrás na técnica quando deveria ser exactamente o contrário.
[“Sky Captain & The World of Tomorrow“] abre uma porta , ou melhor, consolida a abertura de uma nova porta para o uso do CGI no que toca a criar-se um estilo gráfico tão legitimo como o foto-realistico.
E não ha nada de errado nisso, especialmente quando o “abuso” de CGI serve um propósito e no caso de [“Sky Captain & The World of Tomorrow“], não poderia ter sido melhor empregue.

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CLASSIFICAÇÃO:
Um dos melhores filmes pipoca de aventura que vi até hoje embora não seja um filme que possa recomendar a toda a gente.
Recomendo-o totalmente ao pessoal que adora ficção-científica clássica, especialmente a quem a conhecer bem.
Quem adorar Doc Smith, Blake & Mortimer, e gastar dinheiro em dvds com serials dos anos 30 estilo Flash Gordon com o Buster Crabe por exemplo vai encontrar-se em casa com este filme.
Se tiverem a sorte de terem herdado algures uma colecção de revistas da “Amazing Stories” de um tio qualquer que viveu na américa nos anos 50, e adorarem o conteudo dessas revistas, então não percam este filme.
Quem estiver interessadp nesta area de ficção-científica clássica, ignore totalmente as criticas negativas relativas a este filme do publico generalista, ou vão perder umas das mais originais experiências cinematográficas do cinema moderno de aventura.
Acreditem. Tudo o que vocês sempre quiseram ver num filme que retratasse a época de ouro da ficção-cientifica está em [“Sky Captain & The World of Tomorrow“].
Por isso leva cinco planetas Saturno e um Golden Award como selo de qualidade.

     

A favor: é possívelmente o blockbuster moderno com mais conteúdo de sempre, a quantidae gigantesca de referências a obras de culto escondidas até nos mais pequenos pormenores dos cenários, excelente recriação da época clássica da ficção-científica, reprodução perfeita do estilo de ilustração da época conseguido desta vez por meios digitais, o “excesso” de CGI aqui justifica a sua presença por ser uma excelente ferramenta para se reproduzir um estilo visual que não depende só de efeitos especias mas principalmente de qualidade na ilustração, o espírito de aventura, a colagem visual ao estilo expressionista de realizadores como Fritz Lang, os personagens poderiam ter sido criados nos anos 40 que não se notava diferença, as sequências de acção, o sentido de humor, Laurence Olivier entra no filme mesmo décadas depois de ter morrido e têm um desempenho exelente tudo isto graças á magia das imagens de arquivo e á edição digital que resultam plenamente no filme e lhe dão um ambiente perfeito.
Contra: … o filme tem demasiado conteúdo irreconhecÍvel para as audiências modernas que não conhecem practicamente nada do que o argumento homenageia e isso faz com estas se percam por completo.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=11Mide2KXow
http://www.youtube.com/watch?v=4pChGZtAwY4&feature=related

Comprar
A esta altura poderão encontrar a edição portuguesa deste filme nos cestos de promoções em hipermercados, principalmente na sua edição de um disco, mas quem não conseguir comprá-lo cá sempre pode comprar qualquer uma das edições inglesas.
http://www.play.com/DVD/DVD/4-/556432/Sky-Captain-And-The-World-Of-Tomorrow-The-Collectors-Edition/Product.html
ou
http://www.play.com/DVD/DVD/4-/556437/Sky-Captain-And-The-World-Of-Tomorrow-Standard-Edition/Product.html

Revistas da Época, (Amazing Stories, etc), onde poderão encontrar exemplos de algumas ilustrações que defeniram um estilo. Se alguém tiver revistas destas, eu compro.
http://perso.wanadoo.es/jelaleon/3H/3H.htm
http://perso.wanadoo.es/jelaleon/3H/3H-19304.htm

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0346156/

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The Black Hole (O Abismo Negro) Gary Nelson (1979) Usa

Quem estava vivo por volta de 1979 e já tinha pelo menos uns dez ou doze anos, deverá recordar-se da enorme quantidade de merchandising sobre [“O ABISMO NEGRO“] que subitamente parecia ter invadido Portugal. Num certo verão, ele eram livros de passatempos, livros para pintar, posters, bandas desenhadas, bonecos de pvc, jogos de tabuleiro, jogos de cartas e tudo o mais que apareceu à venda muitos meses antes do filme sequer estrear por cá mas que imediatamente fez com que todos os putos dessa altura que gostassem de aventuras no espaço estivessem desejando de ver o filme.

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[“O ABISMO NEGRO“] quando chegou a Portugal já tinha no entanto fracassado nas bilheteiras americanas e procurava agora além-fronteiras recuperar o dinheiro investido pela Disney.
Como não existia internet ninguém fazia a mínima ideia do que se passava e de qualquer forma o que nos interessava com dez ou doze anos era que um novo filme no estilo “A GUERRA DAS ESTRELAS” parecia estar para chegar.
E isso era altamente !

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TIME OUT OF TIME

Já estavamos practicamente em 1980 e no entanto a Disney continuava a produzir cinema como se o mundo tivesse parado nos anos 50.
O filme de culto infantil, “Pete´s Dragon“, bem conhecido em Portugal como “O Meu Amigo Dragão” é talvez o mais inacreditável exemplo do quanto os estúdios do Rato Mickey estavam fora do seu tempo mesmo no final dos anos 70.

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O que justifica plenamente as dificuldades que a empresa atravessava numa época em que o público já se começava a habituar não só a aventuras mais adultas, com filmes como “Jaws” ou “Close Encounters of the third kind“, mas principalmente conhecia agora um novo estilo narrativo de fazer cinema comercial protagonizado por Spielberg, Coppola, Scorcesse e amigos e que nada tinha a ver com a maneira como se filmava no período clássico em que a Disney ainda insistia continuar a seguir.

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E as coisas estavam tão mal por lá que quem vir hoje em dia, a versão original de “O Meu Amigo Dragão” rodado em finais de 70s se não reparar na sua  data, pensará tratar-se de um filme infantil feito por volta de 1955.
Para tentar combater estes sintomas e evitar o declínio do estúdio, a Disney  resolveu tentar dar a volta e modernizar-se criando um filme futurista de modo a mostrar que também podia ser inovadora e foi assim que [“The Black Hole“] entrou em produção; curiosamente até antes de “Star Wars” embora só tenha sido completado posteriormente.

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O FACTOR GUERRA DAS ESTRELAS

Inicialmente, a ideia seria criar uma obra de ficção científica séria e o mais realística possível nos moldes da melhor literatura do género.
Mas então “Star Wars” estreou, fez uma pipa de massa e basicamente mudou o cinema para sempre, até para surpresa do seu criador George Lucas.
No entanto se Lucas ficou surpreendido com o inesperado sucesso do seu pequeno série B pelo qual ninguém dava nada á partida, muito mais surpreendidos ficaram os estúdios Disney que súbitamente viram na fórmula da space-opera uma tábua de salvação para a empresa.

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Ainda por cima a Disney já estava inclusivamente a meio da produção de um filme espacial, e por isso [“The Black Hole“] não poderia falhar !
Certamente não seria muito difícil mudar uma coisa aqui e outra ali e apanhar o barco do público que esgotava cinemas com “Star Wars” pedindo por mais filmes do mesmo estilo que na época pura e simplesmente não existiam.

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Apesar de [“The Black Hole“] ter entrado em produção muito antes de “Star Wars” sequer estar completado, acabou por estrear um par de anos depois. E isto porque, sofreu tantas alterações ao longo do seu processo criativo que acabou por ter uma estreia mais tardia do que a prevista.
Incialmente uma história de ficção-científica em tom adulto num estilo mais high-tech, [“The Black Hole“] viu-se a pouco e pouco transformado através de inúmeros re-shoots e alterações de argumento num filme de aventuras espaciais que tentava emular o estilo de cenas presentes no filme de George Lucas e reproduzir o mesmo tipo de aventura no espaço.

IN SPACE…

A nave espacial Palomino percorre o universo numa missão de exploração em busca de novos mundos e novas civilizações embora até então nada tenha sido descoberto.
Ao passar perto de um buraco negro, descobre uma gigantesca nave que parece ser imune á sua enorme força gravitacional e que inexplicavelmente se encontra estática no seu event horizon aparentando no entanto estar completamente abandonada qual navio fantasma.

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Quando a Palomino se aproxima, subitamente todas as luzes da nave misteriosa se iluminam e os astronautas são obrigados a uma aterragem de emergência no seu interior porque entretanto devido á grande força gravitacional do buraco negro a Palomino sofre alguns danos que precisam de ser reparados.

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Deparam-se com uma gigantesca nave-mundo completamente vazia que mais tarde se revelará como sendo uma antiga nave de exploração terrestre que um dia desapareceu sem deixar rasto após ter partido numa missão em tudo semelhante á da Palomino décadas atrás.
O único ser humano a bordo é o antigo comandante Dr. Hans Reinhardt sempre observado pelo seu robot guarda-costas, o tenebroso e clássico Maximillian.

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Reinhardt vive rodeado por centenas de robots mas nenhum ser humano habita agora a assombradamente vazia nave Cygnus , pois toda a tripulação terá abandonado a gigantesca nave deixando-o com os seus robots para enfrentar sózinho o desafio de viajar através do buraco negro.
Sendo um cientista brilhante Dr. Hans Reinhardt sonha, em atravessar o buraco negro e ao encontrar de novo seres humanos, insiste com os tripulantes da Palomino para que fiquem e o ajudem fazendo parte da sua missão de exploração quando este partir para cruzar o event horizon na busca do seu sonho por imortalidade.

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E se isto até vos parece um argumento minimamente sério dentro da ficção-cientifica, esqueçam, pois quando primeiro produtor do filme faleceu ainda antes de “Star Wars” estrear, o executivo que o substítuiu pegou no conceito e encheu-o com cenas de tiroteio em corredores, robots ao estilo R2-D2 e sequências de efeitos especiais  suficientes para tentar clonar o mais possível as sequências de aventura do filme de Lucas sem levar com um processo em cima.

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NOT STAR WARS

O resultado, segundo muita gente foi um fracasso absoluto quando [“The Black Hole“], contrariamente a todas as intenções do novo produtor, não conseguiu afinal agarrar o público do “Star Wars” como era suposto acontecer.
Este foi o filme que eu mais queria ver por volta de 1981 quando estreou em Portugal. E por milagre chegou até ao cinema de Portimão numa época em que era muito raro aparecer na província um filme que estreasse em Lisboa.

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Lembro-me perfeitamente da tarde em que fui ao cinema e também me lembro de ter ficado muito baralhado com [“The Black Hole“], especialmente com o seu final que diga-se de passagem até foi ligeiramente assustador para os meus 11 anos na altura.
Sei que gostei o suficiente, para ter voltado no dia seguinte ao cinema e pagar os meus 35 escudos para o ver de novo (17.50 cêntimos por bilhete) , mas também me lembro que mesmo á segunda vez ainda estava um bocado confuso com o final da história e até me perguntei se o filme estaria completo ou se haveria uma continuação no ano a seguir.

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Deve ter sido um pouco esta a sensação que muito do público por esse mundo fora teve ao ver [“The Black Hole“] pensado que iria ver um novo “Star Wars” mas em vez disso apanhou com um filme extremamente ambiguo que nunca se conseguiu definir enquanto género ao longo das suas quase duas horas.
Claro que para as crianças da altura o filme foi divertido…até chegar ao final…mas agora que já tenho 47 anos e posso revê-lo com outros olhos percebo perfeitamente a razão de ter recebido críticas tão duras na altura e ter-se afundado nas bilheteiras.

Apesar disso, actualmente este é um filme que se tornou muito especial, pois tudo o que na altura da sua estreia foi visto como uma colecção de aspectos negativos que afundou o filme na bilheteira, é precisamente aquilo que agora o tornam agora numa peça única dentro do cinema de ficção-cientifica e um filme a não perder.

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JÚLIO VERNE NO ESPAÇO

Se ao verem [“The Black Hole“] tiverem uma sensação de déja-vu , então certamente é porque já viram esta história antes.
Só que dantes, chamava-se “20.000 Léguas Submarinas“, passava-se debaixo de água e era interpretado por James Mason e Kirk Douglas.

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É que [“The Black Hole“] tem practicamente o mesmo argumento que o clássico subaquático de Richard Fleisher e como toda a gente conhece tanto a história do livro de Júlio Verne como a do filme nem vale a pena dizer mais nada, pois se ainda não viram [“The Black Hole“], vão divertir-se a encontrar as semelhanças entre as duas obras, onde nem sequer falta o Capitão Nemo.

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E as semelhanças não são apenas a nível de argumento, pois estão acima de tudo no tipo de realização. Na maneira como está filmado e até na própria montagem.
É que por mais que tentasse, sabe-se lá porquê a Disney parecia continuar incapaz de produzir um filme com um estilo moderno.
Mais uma vez, apesar de todo o dinheiro gasto nesta produção que era suposto modernizar o cinema da empresa, [“The Black Hole“], continuou a parecer-se em todos os sentidos com um filme feito nos anos 50.

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Ao tentarem dotar a história de um espírito de aventura que justificasse inúmeras sequências de tiroteio em corredores ao estilo “Star Wars“, os produtores deste clone de “20.000 Léguas Submarinas“, caíram em todos os erros que deveriam ter evitado se queriam mesmo renovar a imagem da Disney.
Começaram logo por colocar não apenas um, mas dois robots com olhos de Mickey Mouse; os geniais e já clássicos, V.I.N.C.E.N.T e o seu desgraçado amigo B.O.B. que apesar de tudo são muito mais do que apenas clones sem personalidade do R2-D2 e acabam por ser das melhores coisas neste filme também.

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Por outro lado algo está errado á partida com um um filme, quando os seus melhores personagens são os robots da história e não propriamente os humanos apesar de contar no elenco com nomes como Anthony Perkins, Robert Forster, Ernest Borgnine e até Ivette Mimieux a protagonista do clássico “The Time Machine” que regressou ao ecrã para entrar em [“The Black Hole“], e passar o tempo a dialogar mentalmente com um par de robots.

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MR. ROBOT

Outra grande falha no filme está  nos robots inimigos, pois contráriamente aos stormtroopers de Star Wars, aqui os soldados de Reinhardt são tudo menos ameaçadores pois são verdadeiras torradeiras com pernas e braços; o que retira qualquer carga de suspense que a história poderia ter tido nas cenas de acção.
Estes são representados como pedaços de lata sem cérebro que só servem para dar tiros e cair para o lado, destruindo por completo toda a credibilidade do excelente ambiente assombrado que o filme tinha conseguido construir logo ao início.

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O facto de [“The Black Hole“] ter ainda um clone do Capitão Nemo, também não ajudou muito para afastar a imagem Disney infantil desta produção.
Depois para rematar o descalabro parece que ninguém sabia muito bem como terminar o filme, o que deu origem a um dos mais estranhos e deslocados finais de todos os tempos numa história de ficção-científica apontada não se sabe bem a que tipo de público.

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Não que o final seja mau, muito pelo contrário pois até é surpreendentemente original e atmosférico; só que simplesmente não parece fazer parte do filme familiar estilo clube amigos Disney no espaço que compõe toda a parte central da história.
Certamente foi algo que restou do argumento inicial antes deste ter sido alterado para se parecer com um “Star Wars“. O tom do final subitamente entra por caminhos esotéricos que revelam de certa forma a origem adulta da ideia original e onde não falta a inclusão de um estranho contexto religioso cristão pelo meio, agora nesta versão infantilizada suspeitamente deslocado mas não menos hipnótico.

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No entanto são todas estas fraquezas que actualmente tornam este filme em algo absolutamente imprescindível e hoje em dia transformaram-se em mais valias que só favorecem [“The Black Hole“] enquanto objecto único dentro da ficção científica cinematográfica.
No entanto a mais fascinante de todas as suas características continua a ser o facto do filme já parecer velho mesmo na altura da estreia !

MY NAME IS FRANK, FRANK SINATRA

Aquele estilo retro de ficção-científica ingénua dos anos 50 datou-o imediatamente aos olhos das audiências acabadas de sair de um moderno “Star Wars” e que esperavam mais do que encontrar aqui um bando de herois que pareciam ter saído de um qualquer serial com foguetões espaciais circa 1950.
Os personagens além de serem personagens-tipo de há decadas atrás têm um visual a condizer; isto porque até os herois mais novos ainda têm um penteado à Frank Sinatra e todo o elenco age como se estivesse num daqueles filmes da Marinha dos anos 40 e 50 o que lhe dá logo muitas semelhanças também com o clássico “FORBIDDEN PLANET“.

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Se isto tivesse sido feito de propósito para dotar [“The Black Hole“] de um estilo retro enquanto homenagem vintage semelhante ao que aconteceu com “Sky Captain & the World of Tomorrow“tudo bem e teria sido excelente.
Acontece que [“The Black Hole“], parece um filme antigo, porque foi criado por uma equipa de velhos como já muito tem sido referido em vários artigos. E isto no sentido literal pois esta foi uma produção que tentou ser moderna mas recorrendo apenas ao trabalho de veteranos dos filmes clássicos Disney dos anos 50 que controlaram praticamente todo o aspecto criativo em vez do estúdio ter contratado pessoas com sugestões mais contemporâneas como George Lucas fez .

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Mas se este estilo velho foi um dos aspectos responsáveis por [“The Black Hole“] ter fracassado quando toda a gente queria aventuras no espaço modernas, hoje em dia confere-lhe não só uma identidade única como o define claramente como uma das obras primas do design vintage dentro do cinema de ficção-científica.

EVENT HORIZON

A par de obras como “THINGS TO COME“, “FORBIDDEN PLANET“, “2001- A Space Odissey” e mais tarde “BLADE RUNNER“, [“The Black Hole“], é um dos filmes com não só o melhor design que poderão encontrar dentro do género naquele período como acima de tudo contém visuais únicos que até hoje não foram igualados no que toca à conceptualização do interior de uma verdadeira nave mundo.

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Tudo neste filme tem um look absolutamente magnifico. Desde o fabuloso design das naves espaciais nomeadamente a extraordinária Cygnus, até aos interiores assombradamente góticos que a certa altura pareciam indicar que o filme ia ser bem assustador; não há nada em [“The Black Hole“], que não seja de uma beleza gráfica absolutamente perfeita e só por isso este filme merece ser visto por quem nunca o viu e gosta de ficção-científica com atmosferas originais.

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Por outro lado, é também o facto do design ser tão extraordinário, que ainda faz com que nos decepcionemos mais com a história e com o seu tom juvenil (como se tivesse sido pensado para quem era jovem em 1950) quando o ambiente pedia outro bem mais sério.
Curiosamente, [“The Black Hole“] poderá ser considerado o avô, de “EVENT HORIZON”, pois esse filme de horror moderno assemelha-se bastante á estrutura e atmosfera inicial presente no filme da Disney; (coisa que poderão comprovar se ouvirem o comentário audio de Paul Anderson no seu filme).

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Rezam as crónicas que inicialmente esta seria uma espécie de aventura no espaço em tom de casa assombrada e assente num tipo de história à boa e velha maneira da ficção científica para um público adulto; como se fosse assim uma espécie de “INTERSTELLAR” para a época mas tendo por base um ambiente enigmático e muito tecnológico.
E nota-se, pois as sequências que abrem o filme fazem imediatamente crer que iremos ver uma qualquer história assombrada no espaço.

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E onde não falta uma das melhores e mais “assustadoras” bandas sonoras alguma vez escritas para um filme de terror; pois até o próprio John Barry quando o contrataram para isto estava convencido que estaria a ilustrar musicalmente algo com um tom ligeiramente assombrado e bastante sério. A música de  [“The Black Hole“] já foi ouvida em muitos outros locais e apesar de ser uma daquelas melodias creepy que fica no ouvido muito pouca gente sabe a que filme realmente pertenceu inicialmente.

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Provavelmente será por isso que gostei agora tanto de “EVENT HORIZON” realizado por Paul Anderson há alguns anos pois sempre me pareceu o tipo de filme que  [“The Black Hole“] prometia vir a ser nos vinte minutos iniciais mas que depois nunca se concretizaram num desenvolvimento da atmosfera assombrada que tem no início.

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A verdade é que ainda hoje de cada vez que revejo [“The Black Hole“] sinto falta do filme que deveria ter sido e aquele estilo juvenil por mais que eu tente nunca deixa de me decepcionar.
Mas como não se pode evitar, sugiro que tentem esquecer esse pormenor e admirem as incríveis atmosferas e cenários criativos pois compensam todas as suas outras fraquezas.

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SCI-FI ART

Não é à toa que ainda detêm o recorde do filme com o maior número de matte-paintings de sempre. Acreditem que se nota e não há um único que não mereça que se carregue em pause e o admiremos por uns segundos mais.
O que me leva ao tópico seguinte, os efeitos especiais.
A cena abaixo, ficou conhecida como a sequência que inspirou Spielberg a colocar uma esfera gigante atrás de Indiana Jones e é um bom exemplo dos bons efeitos visuais que este filme contém.

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Numa época em que ainda não existiam efeitos especiais de computador e tudo tinha que ser construído artesanalmente, [“The Black Hole“], é definitivamente um bom exemplo de como já haviam efeitos extraordinários com um estilo realístico que infelizmente hoje em dia o plástico do CGI veio substituir e estragar em muitos casos.
Este filme está carregado de imagens inesquecíveis. Desde as cenas com as naves espaciais ao próprio (colorido) buraco negro que dá nome ao filme tudo parece ser bom demais para depois ter sido desperdiçado com a história de treta que depois o filme tem.

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Não quer dizer que não tenha alguns efeitos bastante datados, por exemplo os fios que fazem os robots flutuar estão constantemente visíveis mas isso na minha opinião actualmente só da ainda mais charme a este filme, pois tanta perfeição também chateia.

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CLASSIFICAÇÃO

Apesar de tudo [“The Black Hole“], tornou-se com o passar dos anos num clássico esquecido.
Quem o viu, não o esqueceu e muitos daqueles que não gostaram dele na altura, hoje em dia tal como eu, revêem-no agora com novos olhos e descobrem tudo o que realmente havia de bom por debaixo de uma história tão juvenil.

Cinco planetas Saturno

    

Apesar das suas inúmeras fraquezas a verdade é que não há muitas aventuras no espaço assim e actualmente tudo o que lhe foi prejudicial quando estreou, é aquilo que também acabou por fazer com que este filme nunca tivesse sido esquecido e tenha ganho um verdadeiro estatuto de culto ao longo dos anos.

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A favor: o design de produção é absolutamente clássico e único, os efeitos especiais são na sua maioria excelentes, a banda sonora é excelente e toda a gente se lembra dela quando a volta a ouvir, os primeiros vinte minutos de filme têm uma atmosfera assombrada magnifica, os robots principais são uma criação fantástica em design e personalidade, o look retro-50´s pode ter afundado o filme na altura mas hoje em dia resulta plenamente e marca a diferença, as cenas de tiroteio são muito divertidas, o final do filme é bastante original embora ambíguo.

Contra: a partir dos excelentes vinte minutos iniciais o filme descamba num plágio de 20.000 Léguas Submarinas misturado com cenas de tiros em corredores ao estilo Star Wars, começa com um ambiente adulto mas depois transforma-se num filme juvenil, bons actores mas não fazem nada no filme pois os robots são todos mais interessantes que os humanos, os robots vilões gostam de brincar e ficam amuados se alguem os vence nos videojogos, (a sério).

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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TRIBUTE

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COMPRAR DVD – REGIÃO 2 – EDIÇÃO UK

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https://www.amazon.co.uk/d/DVD-Blu-ray/Black-Hole-DVD-Maximilian-Schell/B000094P3Q/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1489935811&sr=8-1&keywords=the+black+hole

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Opiniões adicionais
http://www.ultimatedisney.com/blackhole.html

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LIVRO lido

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0078869/

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Voyage to the Planet of Prehistoric Women (Voyage to the Planet of Prehistoric Women) Peter Bogdanovich/Roger Corman (1968) com base num filme Soviético chamado “Planeta Bur”

Se espreitarem as fotos abaixo vão notar que são extremamente semelhantes ás encontradas no último filme de que falei, o excelente [“Planeta Bur”/”Voyage to the Prehistoric Planet“].
Isto explica-se porque na realidade este filme que vos vou agora apresentar é o mesmo. Ou melhor, [“Planeta Bur“] é parte integrante dos dois filmes. Confusos ? Eu explico.
Viajemos então até ao misterioso [“Voyage to the Planet of the Prehistoric Women“].

Um planeta fantástico, cheio de perigos geológicos, plantas carnívoras, dinossauros e californianas hippies em trajes menores que passam o filme todo na praia.
Hum ?!
Resumindo tudo porque também nem me interessa perder muito tempo com esta coisa, basicamente o produtor Roger Corman no final dos anos 60, adquiriu um obscuro filme de ficção-científica soviético chamado [“Planeta Bur“] e resolveu rentabilizar o seu investimento.
Lançou o filme nos Estado Unidos então…ehm…não propriamente.
Corman cortou o filme aos bocados e fez trés filmes com esse material, nomeadamente [“Voyage to the Prehistoric Planet“], [“Planet of Blood“] e claro [“Voyage to the Planet of Prehistoric Women“].

Basicamente Roger Corman mandou filmar umas cenas adicionais com actores americanos e criou histórias alternativas para todas as suas versões. Depois intercalou essas novas sequências filmadas na américa com bocados do filme russo original [“Planeta Bur“] e criou um verdadeiro trés em um…ou melhor um em trés.
Mas se no caso de [“Voyage to the Prehistoric Planet“] o resultado foi francamente muito bom mesmo apesar das sequências americanas intrusivas, já [“Voyage to the Planet of Prehistoric Women“] é um verdadeiro descalabro em que nem as fabulosas cenas do filme russo original conseguem fazer esquecer o ridículo e as cenas completamente absurdas que vemos no ecran.

Mais inacreditável ainda foi este ter sido o “primeiro filme” do conceituado realizador Peter Bogdanovich na altura ainda um empregado de Roger Corman. Foi ele o responsável pelas sequências com as loiras burras e sinceramente o homem só pode ter estado debaixo de efeitos de qualquer cogumelo alucinogénio porque de outra forma não se compreende o que raio é que aquelas cenas estão a fazer no filme.
É que ao menos para [“Voyage to the Prehistoric Planet“], Roger Corman ainda encomendou um par de actores a sério embora já na fase descendente das suas carreiras. Mas aqui, para [“Voyage to the Planet of Prehistoric Women“] nem isso. Com o dinheiro que pagou a um dos actores para a outra versão deve ter comprado o bando de loiras burras que entram nesta coisa e ainda deve ter sobrado dinheiro para dar a Bogdanovich que até assinou este “filme” com um pseudónimo e tudo.

Enquanto as outras versões, feitas com actores a sério, ainda tinham alguma história engraçada que até colou bem com o filme russo original, esta versão com o bando de loiras até mete dó.
Basicamente alguém inventou um argumento contando a história de um astronauta que ao explorar o planeta Vénus passa o tempo todo a ouvir cânticos de sereias. Básicamente, as vozes telepáticas das raparigas que se limitam a passear na praia e a adorar uma estátua em forma de dinossauro que depois serve de elo de ligação com o filme original soviético.
Nem vou detalhar mais nada deste maravilhoso argumento pois não quero estragar o desprazer da descoberta quando o virem.
É impressionante como um filme tão absolutamente genial dentro da ficção-científica quanto o original soviético [“Planeta Bur“], foi quase destruído apenas por um par de cenas completamente imbecis filmadas na américa.

Não há expressões depreciativas suficientes para descrever a sensação de rídiculo que as cenas com as loiras burras transmitem ao espectador. Este filme contém partes de completa fricalhada californiana que não desagradarão ao mais saudosista de Woodstock, mas no entanto enfurecerão quem gosta do filme original [“Planeta Bur“] que foi retalhado para criar esta coisa onde a fabulosa atmosfera do filme soviético de 1962 é completamente desgraçada pelos interlúdios com as gajas filmados em 1968.
As raparigas nem abrem a boca durante o filme todo, mas antes abrissem, pois o facto de alguém ter achado que seria giro as moçoilas comunicarem por telepatia ainda tornou aquelas cenas mais estúpidas e incompreensíveis, especialmente para o público de hoje em dia.
Até mesmo para quem gosta de ficção-científica clássica.

É que no meio desta desgraça, só existem dois motivos para recomendar este filme.
O primeiro, é porque se não conseguirem ver [“Planeta Bur“], ou [“Voyage to the Prehistoric Planet“], têm mesmo que ver [“Voyage to the Planet of Prehistoric Women“] para que possam conhecer pelo menos um bom bocado do fabuloso original soviético. Ignorem as loiras e tentem apreciar os bocados da obra russa pois continuam verdadeiramente excelentes visualmente.

O segundo motivo para verem esta coisa, é porque se já tiverem visto [“Planeta Bur“] ou [“Voyage to the Prehistoric Planet“], então mais uma vez…têm também que ver obrigatóriamente [“Voyage to the Planet of Prehistoric Women“], nem que sejam para ver como se consegue pegar num filme genial e destruir uma obra prima da ficção-cientifica apenas com um par de loiras boas, cenas estúpidas filmadas em praias americanas e uma dobragem ridícula tentanto ligar tudo com uma história que deve ter sido certamente inventada por uma das raparigas loiras.

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CLASSIFICAÇÃO:
 
[“Voyage to the Planet of Prehistoric Women“], apesar da boa quantidade de sequências que fazem parte do filme original soviético [“Planeta Bur“] não consegue passar da mediania quase a roçar a mediocridade, tudo por culpa das cenas adicionais encomendadas por Roger Corman que conseguem fazer esquecer no pior dos sentidos o material original que o filme contém.
No entanto se não conseguirem ver [“Planeta Bur“], ou [“Voyage to the Prehistoric Planet“] ao menos que vejam esta coisa para poderem apreciar os bocados originais do filme soviético que apesar de tudo ainda anda algures por ali.
Dois saturnos porque apesar de tudo não deixa de ser um filme interessante tanto por motivos negativos quanto pelos seus aspectos positivos.

   

A favor: tudo o que faz parte do filme soviético original é bom, óptima introdução com cenas espaciais, excelente ambiente alienigena em Vénus, bons efeitos especiais e as partes de aventura e exploração sobrevivem apesar da má dobragem e história estúpida.

Contra: tudo o que faz parte das cenas americanas não presta, as loiras burras não fazem absolutamente nada no filme, a história de ligação das cenas é completamente imbecil, está cheio de cenas parvas como esta, a montagem arruina o ritmo do filme e estraga as partes de aventura originais com cenas desnecessárias.

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Ver filme
Caso queiram mesmo ver isto, não recomendo de modo nenhum que o comprem, mas sim que o descarreguem aqui deste torrent de domínio público.
http://www.publicdomaintorrents.com/nshowmovie.html?movieid=42

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*em breve novas sugestões*

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