The Green Slime (The Green Slime) Kinji Fukasaku (1968) Japão

Eu sei que pelas imagens do filme não se irá notar mas a verdade é que [“THE GREEN SLIME“] é uma produção Japonesa do final dos anos 60 apesar de não irem encontrar um único japonês no ecrã, pois estão todos dentro dos fatos de borracha que simulam as criaturas invasoras.

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[“THE GREEN SLIME“] é um daqueles filmes de culto que ganhou fama não apenas por ser um daqueles títulos do piorio em termos de ingenuídade ao melhor estilo 50s, como principalmente por ter sido um verdadeiro antepassado de “Aliens” e “Armageddon” pois é essencialmente um cruzamento entre os dois.

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Começa quando uma equipa de astronautas é enviada para destruir um asteroide em rota de colisão com a Terra e acaba em cenas de porrada genialmente rídiculas em que uma estação espacial é invadida por uma quantidade enorme de alienígenas que se reproduzem de cada vez que são atingidos.
Os monstros são na realidade uma forma de vida indígena do asteroide destruído e entraram na estação porque um dos astronautas encontrou uma espécie de baba verde nojenta na superficie do rochedo , daí a – green slime – e a trouxe para bordo quando regressam da missão.
Naturalmente o green slime como seria de esperar, evolui até se transformar numas criaturas ameaçadoras que são uma espécie de polvo com muito olhos e não ficariam nada deslocadas num episódio do “Espaço 1999“.

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Na verdade, pensando bem [“THE GREEN SLIME“] , parece uma espécie de Espaço 1999 cheio de porrada mas em estilo Austin Powers e é talvez isso que hoje em dia ainda lhe dá mais encanto. E não falta sequer uma personagem semelhante á Dra Helena Russel mas em versão Bond-Girl.
É muito dificil descrever este filme a quem nunca o viu, pois [“THE GREEN SLIME“] é um daqueles produtos que se nota á distância que foi feito no final dos anos 60 devido ao seu estilo completamente psicadélico muito groovy baby, e portanto tal como também podem ver em “MOON ZERO TWO” de que já falei neste blog também aqui estamos na presença de um verdadeiro filme FC da era dos swinging-sixties. Os gajos são todos estéticamente muito cool e as gajas são todas Bond-Girls em potência.
Garanto-vos no entanto que tudo resulta e [“THE GREEN SLIME“] é muito divertido, tal como “MOON ZERO TWOsofrendo do mesmo mal, também o é.

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Estéticamente parece um episódio de Thunderbirds mas com actores de carne e osso em vez de marionetes com fios.
Embora na verdade não se note grande diferença porque os actores deste filme são verdadeiramente canastrões.
E quando não são eles os canastros, os figurantes tratam de os substituir ao andarem á deriva pelos cenários sem saber bem o que estão ali a fazer durante as cenas de acção.
O que cria situações paralelas muito engraçadas, pois se repararem bem em alguns momentos de tensão, os personagens principais estão a dar tudo para parecer estar realmente em perigo, mas depois olhamos para os figurantes e nota-se perfeitamente o contraste pois a metade deles deve estar mais a pensar o que raio estão ali a fazer com aqueles capacetes de famelzundap na cabeça em vez de estar no quartel militar onde os foram buscar para participar neste filme e brincar aos soldados espaciais.

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Mas a coisa mais assustadora e realmente incrível deste [“THE GREEN SLIME“] nem sequer são os temíveis invasores alienígenas ou as estonteantes cenas de acção.
A coisa que mete mais medo, é o cabelo do heroi !
É que meus amigos, nem uma marionete dos Thunderbirds consegue ter um cabelo tão bem penteado durante o tempo todo.

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E por falar em heroi, acho que nunca vi um gajo tão detestável e estúpido num filme espacial.
Além de ser um autêntico porco chauvinista (mas elas gostam), é um verdadeiro fascista arrogante que toma as decisões mais hilariantes e contraditórias ao longo de toda a história sem se preocupar com o que acontece aos seus homens desde que o seu cabelo não perca o efeito de laca constante.
O tipo parece-se ligeiramente com uma mistura entre Charlton HestonRonald Reagan o que de certa forma até tem a ver com a personalidade do personagem.
Embora o gajo seja verdadeiramente detestável, não deixa de ser engraçado ver que nos anos 60 aquela composição de personagem seria o equivalente ao heroi do filme.
E não é que o gajo se safa no fim e fica com a miuda ?

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Tudo o que é mau em [“THE GREEN SLIME“] é aquilo que o torna num clássico absoluto e num verdadeiro representante daquilo que normalmente associamos aos clichés dos filmes de ficção científica clássica, monstros de borracha e miudas a gritarem.
E curiosamente mais uma vez, tudo aquilo que associamos a clichés do género acaba por estar, não num filme americano mas outra vez numa produção de fora dos Estados Unidos, tal como já tinha acontecido em “PLANETA BUR” ou “MOON ZERO TWO“.
No entanto, isto é um filme absolutamente imperdível, pois momentos geniais não faltam e é um daqueles que merecem verdadeiramente o titulo de grande clássico do lixo.
Ainda por cima é lixo bem produzido.

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Os cenários são muito diversificados e óbviamente cheiram a cartão pintado por todo o lado, os efeitos especiais têm fios quanto baste e os monstros de borracha não poderiam estar melhor.
Agora, alguém me explica porque razão é que os soldados precisam de andar de carrinho de golfe nos corredores da estação espacial quando as distâncias são incrivelmente curtas e toda a gente passa por eles muito mais rápido seguindo a pé ?!
E porque é que os carrinhos de golfe têm um tubo de escape ?! Dentro da estação espacial !
E já lhes disse que o cabelo do heroi nunca se move ?

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Ah e não percam também as cenas em que os herois com fatos espaciais atendem o telefone e comunicam encostando o auscultador ao capacete.
Este futuro é só técnologia.
A começar pelos efeitos especiais.
É que parece mentira, mas [“THE GREEN SLIME“] tal como “MOON ZERO TWO” inacreditávelmente saiu também no mesmo ano que “2001 Odisseia no Espaço” estreou e é absolutamente notável constatarmos as diferenças estéticas entre os títulos.

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No meio de tudo isto não conseguimos deixar de nos espantar como o conceito de “Aliens” já estava presente neste [“THE GREEN SLIME“], pois todas as cenas de porrada nos corredores da estação remetem imediatamente para o filme de James Cameron o que dão actualmente uma nova vida a esta aventura espacial com espírito de Austin Powers.
E claro, as cenas no asteroide parecem uma versão antiga do filme “Armageddon” o que misturadas com o estilo “Aliens” dá origem a um produto muito engraçado.

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No entanto nem tudo é bom porque é mau.
Há partes más que são realmente más e como tal contribuem para que [“THE GREEN SLIME“], não seja tão bom quanto deveria ser, sendo mau.
Faz sentido ?
O filme nem tem 90 minutos mas mesmo com tanta porrada ás vezes parece bem mais longo, talvez por esta não ter qualquer suspanse devido á sua ingenuídade e isso tornar redundantes algumas cenas que se calhar antigamente funcionavam, mas actualmente já estão extremamente datadas até mesmo para o espectador que como eu gosta deste tipo de filmes e normalmente se diverte com eles.

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O facto de ser um filme japonês também lhe dá uma identidade um pouco indefinida, pois segue toda aquela estética de Godzilla mas tem um ritmo narrativo algo errático o que torna o facto dos actores serem todos estrangeiros, nomeadamente americanos, franceses e italianos num pormenor ainda mais curioso pois muitos parecem um bocado á deriva em todo o argumento e nenhum é usado plenamente, chegando alguns a ter menos tempo de ecran do que o próprio cabelo do heroi facho-chauvinísta.

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Uma nota curiosa também para o facto de já nesta altura terem arriscado um bocadinho de gore, com algumas cenas óbviamente contidas, mas que não deixam de criar um ambiente ainda mais campy que só fica bem a um filme que mete monstros horríveis a matarem pessoas em grandes quantidades.

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[“THE GREEN SLIME“], é um verdadeiro filme de culto com quase tudo no lugar e onde nem faltam as estações espaciais penduradas por fios, as cenas de tiroteio no espaço ou os incendios no vácuo com as chamas a deslocarem-se para cima.
Embora seja uma aventura com bastante variedade de cenários o que demosntra que se calhar até houve algum dinheiro investido nisto. O facto de ser um filme produzido no Japão também lhe dá logo uma aura estranha, especialmente quando só vemos actores ocidentais no ecran e que me lembre isso é caso único…

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Mas [“THE GREEN SLIME“] vale mesmo a pena pelos diálogos atrozes e situações completamente ilógicas que quase que tornam imprevisível aquilo que já se espera que vamos ver e por momentos conseguem baralhar as nossas espectactivas.
Curiosamente este é mais um daqueles títulos que eu só descobri há alguns anos, quando passava muito no canal Hollywood durante um certo período. Nunca o vi passar na RTP por exemplo, nem mesmo quando antigamente transmitiam imenso os clássicos como “A Guerra dos Mundos” ou “A Máquina do Tempo” por exemplo.
Portanto, se também nunca ouviram falar disto e querem ver um verdadeiro antepassado de “Aliens” então estão no filme certo.

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CLASSIFICAÇÃO

Um verdadeiro filme de culto dentro da ficção científica clássica e tão ridiculo que se torna hipnótico. As maquetes são lindas, os cenários são altamente, tem montes de atmosfera e meninas estilo Bond Girl a condizer.
O que mais querem ?
Até tem monstros de borracha !

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Uma nota especial para a banda sonora verdadeiramente Austin Powers que lhes vai ficar na cabeça para sempre de tão má que é.

Quatro Planetas Saturno

   

Apesar das fragilidades merece destaque, pois é realmente uma peça única dentro deste género de cinema. Ainda por cima é outro produto oriental completamente desmiolado e só isso vale um planeta Saturno adicional, portanto leva quatro e não três.
E sim, isto é um filme Japonês.
Mesmo !

A favor: tudo é absolutamente mau e como tal tudo é bom, os cenários de cartão, os polvos de borracha, o conceito do green slime enquanto cena nojenta, as cenas de tiroteio no espaço com muitos fios e astronautas, as cenas ao estilo “Armageddon” na superficie do asteroide, é um antepassado do “Aliens” e nota-se, a música é do piorio, parece um episódio do “Espaço 1999” mas com porrada a duzentos á hora, os efeitos especiais são absolutamente maus e portanto isso é muito bom pois este filme não resultaria com efeitos a sério.

Contra: os actores são uns canastrões, o heroi é um machista facho da pior espécie e sem um pingo de empatia com o espectador, o ritmo narrativo do filme nem sempre resulta plenamente e muitas das vezes o filme arrasta-se um pouco até nas cenas de acção, a mistura entre o estilo japonês de fazer cinema e a tentativa de criar algo ao género de Hollywood não resulta plenamente.

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TRAILER

TRAILER COMENTADO por John Landis
Que se ainda não estiverem convencidos , os irá convencer a ir já procurar este filme.

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VIDEOCLIP COM A MELHOR CANÇÃO DO UNIVERSO !

Coloquem as colunas no máximo porque isto é groovy como o raio !
Vão ficar a cantar isto pelo resto do dia.

Actualmente este é um daqueles filmes muito dificeis de encontrar em dvd e até mesmo em torrents só se arranja a versão ripada do canal Turner Classic Movies num formato pan&scan.

IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0064393/

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“Bye bye Júpiter” (“Sayônara, Jûpetâ”) Koji Hashimoto (1984) Japão

Embora tenha já recomendado [“Sayonara Júpiter“] no meu outro blog, “Cinema ao Sol Nascente” não podia deixar de o fazer também aqui, visto que este será o exemplo perfeito de um daqueles filmes que muito pouca gente em Portugal alguma vez terá ouvido falar ou ter tido oportunidade de ver.
E é pena, pois de certa forma não só se assemelha imenso a “2010 : O ANO DO CONTACTO” nos seus melhores momentos como tem mais do que apenas um ponto ou dois em comum.
Além de ter sido também produzido em 1984 entre muitas outras coincidências que ligam realmente os dois filmes de forma curiosa.

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É mais um título que vale a pena recomendar por aqui , até porque não se conhecem propriamente bons exemplos dentro da ficção científica mais séria produzidos no Japão pois aquele país sempre esteve mais virado para dezenas de Godzillas e variações de Power Rangers do que para viagens no espaço e como tal, quando aparece do nada um filme como este merece ser divulgado; até porque é um produto surpreendente em muitos aspectos tendo em conta a sua origem geográfica.

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JAPONESES NO ESPAÇO

Tirando algumas excepções como por exemplo o muito bom “Virus” e os excelentes “NATURAL CITY“, “2009 – Lost Memories” ou “Returner“, raramente se encontram produções asiáticas de ficção científica que tratem os ambientes e os temas da forma séria que o cinema ocidental até os costuma abordar. Não se conhece um “2001 Odisseia no Espaço” Japonês por exemplo e muito provavelmente nunca existirá um “INTERSTELLAR” Sul Coreano ou algo assim e portanto que eu me recorde [“Sayonara Júpiter“] é bem capaz de ser a tentativa mais séria saída do oriente para produzirem ficção-científica por aquelas paragens, se não contarmos claro com “NATURAL CITY“.

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Isto porque na época em que surgiram os primeiros Star Wars no final dos anos 70, inicios de 80, parece que os Japoneses produziram alguns titulos que inclusivamente tiveram sucesso um internacional suficiente para chegarem a ser exibidos no cinema em Portugal, como por exemplo “Message from Space” ou o esquecido “War in Space” intitulado em Portugal – “Guerra no Espaço“.
[“Sayonara Júpiter“] de que vos vou falar a seguir é precisamente dos mesmos produtores de “Guerra no Espaço” e tem o estranho titulo de [“Sayonara Júpiter“], conhecido em inglés como “Bye Bye Júpiter“. Título que ainda soa mais estúpido e como tal, aposto que deve ter sido responsável por este filme não ser propriamente um dos exemplos mais populares no género.

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Que eu saiba não chegou a Portugal sequer. Nem em cinema nem em VHS embora tenha sido lançado no Brasil em cassete de video pelo que descobri hoje.
Este deve ser um dos mais estranhos e originais filmes de ficção científica que me passaram pelas mãos nos últimos anos. E num certo contexto, dos mais divertidos também.
É uma surpreendente a mistura de coisas absolutamente extraordinárias com outras inacreditávelmente más !
Não há meio termo neste filme.
Ou nos maravilhamos com o que vemos no ecrã ou apetece-nos partir a cara a quem produziu esta coisa.

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[“Sayonara Júpiter“] é um daqueles filmes que não conseguimos deixar de odiar e adorar ao mesmo tempo. Não pode haver dois campos opostos, pois os seus aspectos positivos são tão fascinantes quanto detestável é o que tem de negativo e por isso estaria a mentir se disesse aqui que adorei ou que detestei este filme, pois realmente neste caso, aconteceu-me sentir as duas coisas ao mesmo tempo. Só vocês vendo mesmo.
E vale a pena ser visto.

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1983 ODISSEIA NO JAPÃO

Para começar os efeitos especiais são mágnificos, especialmente tendo em conta que o filme foi produzido em 1983 e ainda não havia cá CGIs.
Para todos aqueles que ainda preferem uma boa maqueta bem filmada a uma nave animada em computador, vão encontrar em [“Sayonara Júpiter“] um verdadeiro tesouro perdido.
As cenas espaciais são absolutamente extraordinárias com uma atmosfera verdadeiramente espacial como não encontrava há muito muito tempo num filme.

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É dificil de explicar isto, mas sente-se não só a existência de uma técnologia como principalmente a vastidão do espaço ganha um contorno quase romântico na forma como é constantemente filmada.
Tal como em “2001 Odisseia no Espaço“, [“Sayonara Júpiter“] conta com dezenas de sequências que são verdadeiros bailados espaciais com naves deslizando em gravidade zero e onde quase por vezes parece que vão roçar o plágio estético do filme de Kubrick mas no entanto, conseguem não só ter uma identidade muito própria como ainda por cima técnicamente em efeitos visuais este é um daqueles grandes filmes que não envergonha ninguém, muito pelo contrário.

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Em 1983/84 [“Sayonara Júpiter“] estava em produção precisamente na mesma altura em que “2010 : O ANO DO CONTACTO” também estava a ser filmado no ocidente e foi realmente uma enorme coincidência que tanto este filme japonês como a continuação de “2001 Odisseia no Espaço” não só tivessem a sua acção situada na órbita de Júpiter como visualmente ambos os filmes acabaram por ser extremamente parecidos.

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Não só muitas das sequências no sistema Joviano em [“Sayonara Júpiter“] se parecem extraordinárimente com o que depois também vimos em “2010 : O ANO DO CONTACTO” como surpreendentemente os efeitos especiais Japoneses no que toca às sequências no espaço são tão bons ou até melhores do que o que Peter Hyams estava a produzir para o seu filme.
Até o design das naves contam com imensas semelhanças; a tal ponto que há por aqui um estranho toque a “Leonov” em alguns dos veículos espaciais presentes em [“Sayonara Júpiter“].

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Segundo o que tenho lido, tudo não passou mesmo de uma extraordinária coincidência visual pois em termos de realização nas cenas do espaço tudo em [“Sayonara Júpiter“] foi principalmente muito inspirado em “2001 Odisseia no Espaço“. E ainda bem que o foi, pois tudo funciona tão bem que assistir a [“Sayonara Júpiter“] quando entra por essas sequências é um verdadeiro prazer para quem como eu, já há muito procurava um filme que respirasse uma realistica atmosfera astronautica depois de ver tanto gráfico feito em computador por todo o lado nos últimos vinte anos.
As maquetas de naves e bases espaciais neste filme são do melhor que já vi em qualquer produção espacial. Especialmente se pensarmos que isto foi tudo criado no Japão, o que não é propriamente muito comum. Ainda por cima há uma variedade imensa.

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A primeira cena de acostagem na estação espacial é simplesmente perfeita e para isso contribui também muito uma banda sonora que não poderia ter sido melhor. Com o seu ambiente quase náutico é uma das coisas que mais contribui para que neste filme se sinta verdadeiramente que o universo é não só muito vasto, como também pode ser misterioso e romântico.
No entanto, tal como o próprio filme, a banda sonora apesar de mágnifica nas cenas espaciais de repente espalha-se ao comprido noutras partes de que já falarei mais adiante e que que quase arruinam tudo o que é muito bom em [“Sayonara Júpiter“].

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Portanto, resumindo esta parte; técnicamente o filme não poderia ter sido melhor e na minha opinião, em efeitos especiais é um dos melhores trabalhos que vi num produto do início dos anos 80.
Tudo muito bem feito e atmosférico, onde além das naves também podemos contemplar algumas mas mais inspiradas paisagens espaciais do nosso sistema solar que me lembro de ter encontrado criadas através de efeitos tradicionais e onde podemos até fazer uma imaginativa viagem ao interior das núvens do planeta Júpiter.

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Também uma nota extremamente positiva para os efeitos de gravidade zero com personagens humanos. Ainda muita gente que discute o filme na net, está a tentar perceber como conseguiram os autores de [“Sayonara Júpiter“] criar um par de breves sequências flutuantes muito bem sucedidas numa altura em que ainda não existiam computadores para removerem digitalmente os cabos que seguravam adereços e actores mas a verdade é que chegam realmente a impressionar pela sua naturalidade.
O mesmo não se pode dizer da falta de subtileza no hilariante – product placement...

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Mas como nem tudo é positivo e já que falamos de actores…

WE ARE THE WORLD

Mais uma vez estamos perante uma estranha mega produção japonesa cheia de actores internacionais.
E cada um pior que o outro.
Os americanos então é de um gajo ficar parvo a olhar para o ecran de cada vez que abrem a boca.
E os restantes também não vão muito longe, excepto, os japoneses que até soam naturalmente (acho eu) e salvam a situação.

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Em [“Sayonara Júpiter“], durante este filme fala-se não só japonês, como inglés, francês, alemão e mais qualquer outra coisa que agora nem me recordo, talvez espanhol … ou se calhar seria português.
E depois há cenas em que os diálogos são em linguas diferentes. Eu explico…
Temos sequências em que um personagem está a falar com outro em japonês, só que o segundo depois responde-lhe em Alemão e subitamente entra mais um na conversa a falar em Francês e assim por diante, o que cria um tipo de filme que não estamos propriamente habituados a ver.
Isto para não dizer também que os americanos depois também falam japonês e os japoneses falam inglés, etc, etc, etc.
E se pensam que os actores originais são absolutamente maus, vocês não podem perder também a versão semi-dobrada que vem incluida no dvd e do qual fica aqui um extracto de segundos (o actor japonês está dobrado, o outro não). Topem-me só isto !

HARRY ?!

E se pensam que a coisa não podia ficar pior, fiquem a saber que [“Sayonara Júpiter“] conta ainda com um puto génio que é a cara do Harry Potter e que nos dá cabo dos nervos de tão mau actor que é!

Acreditem-me vocês nunca viram uma colecção tão grande de maus actores reunidos num só filme espacial, como resultado os personagens não têm um pingo de interesse pois os que não são ridículos também nem têm muito tempo de vida no ecran.
E não são dobragens, são “actores” ocidentais que realmente viviam e trabalhavam no Japão nessa altura e portanto conheciam a lingua do país. O facto de serem uns canastros a representar na sua própria lingua é que não tem desculpa; especialmente tratando-se isto de uma grande produção para cinema.
Por outro lado as regras de casting lá pelo Japão deviam ser muito diferentes no que toca a “actores” ocidentais…digo eu…
Tudo isto é muito estranho.
Ainda mais estranho do que as camisas do heroi.

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Agora, mau, mas mesmo mau…
Mesmo, mesmo, mesmo muito mau…são as cenas com os Hippies internacionais.
Confusos ? You will be, you will be…

FRICALHADA DO C@#$%&!

Se calhar é melhor contar um pouco da história disto.
Em [“Sayonara Júpiter“], entre uma outra quantidade enorme de histórias paralelas com sub-plots e sub-sub-plots, conta-se também a história de um grupo de cientístas que basicamente querem explodir com o planeta Júpiter de modo a criar um segundo sol no sistema solar para servir as luas interiores que entretanto foram colonizadas pela humanidade e precisam da luz e calor que não podem obter naturalmente pela distância a que estão do centro do sistema solar.

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Ora isto não agrada nada a uma seita religiosa chamada “Church of Júpiter” que basicamente é composta por uma cambada de Hippies do mundo inteiro (que aparentemente vivem todos no mesmo lugar no Japão) mas não fazem mais nada na vida a não ser passar o dia na praia num ambiente estilo Baywatch enquanto idolatram um gajo que é uma mistura entre Jesus Cristo, Elvis Presley (na sua fase Havaiana), John Lennon e Bin Ladden.
A sério !
De ver para crer.

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Ora mesmo parecendo que estes gajos não fazem mais nada a não ser ouvir o seu messias a cantar as mais atrozes canções hippies que vocês possam imaginar, têm no entanto dinheiro para pagar uma viagem até Júpiter e protestar contrar a destruição do planeta colocando bombas e sabotando toda a experiência sempre que podem.
Não perguntem que eu também não sei responder… deixem-se levar pela história, pois garanto-vos que a coisa tem toda a lógica dentro do conceito do filme.
Bom, no entanto são precisamente estas partes com os hippies que quase (quase?), arruinam [“Sayonara Júpiter“], pois vocês nem fazem ideia de como este sub-plot é mau.
Não só é mau e ridículo como perfeitamente desnecessário pois o filme já tem histórias de outro estilo por todo o lado e não precisava disto para o tornar ainda mais desconjuntado.

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Na verdade, se isto quase que torna [“Sayonara Júpiter“], intragável por momentos, por outro lado este filme não seria o mesmo sem estas cenas.
O que torna esta produção em algo único, pois é uma verdadeira mistura entre a excelência técnica de “2001 Odisseia no Espaço“, o divertimento campy de “Star Wars” e o puro lixo de um “Plan 9 from Outer Space” se este no entanto tivesse sido um filme musical com banda sonora de Joan Baez na sua fase flower power contestatária.
E como se ainda não bastasse, a narrativa interessante do filme é interrompida pelo menos quatro vezes para levarmos com um videoclip de peace & love que fará vomitar até o maior fã de “Woodstock“. Sim, porque o chefe do bando de Hippies terroristas, espalha a sua palavra a cantar.
Mal !

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E como uma desgraça nunca vem só, o tipo ainda consegue tocar guitarra sem fazer qualquer acorde.
Tudo isto seria muito divertido se não fossemos obrigados a assistir a vários teledíscos do mais piroso que interrompem algumas das partes mais interessantes do filme para levarmos com o Bin Laden entoando canções do peace ao pior estilo – salvem as baleias, a natureza e matem os infieis.
Ainda tenho que confirmar se estas músicas atrozes, foram compostas pela mesma pessoa que criou a excelente e ambiental banda sonora deste filme, pois recuso-me a acreditar que tenha sido capaz do melhor e do pior.
É nesta altura que irão poder ver uma das cenas mais gamadas de sempre ao filme do “Tubarão”.
Nem digo mais para que vocês vejam a sequência, pois é genial na forma como até vai roubar os enquadramentos de Spielberg.
O que me leva a outra coisa curiosa neste filme.

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GORE , GAJAS E TIROS

Mesmo sendo uma obra extremamente levezinha e divertida, de vez em quando entra por momentos gore totalmente inesperados. Não será propriamente um filme com baldes de sangue, nem com cenas nojentas, mas ainda contém alguns bocados de corpos ocasionais que parecem deslocados do tom geral do filme. O que lhe dá ainda uma identidade ainda mais estranha mas apelativa, pois nunca sabemos bem o que poderá acontecer a seguir na história ou que caminho o argumento irá seguir pois a partir de certa altura tudo é possível.
E já lhes falei nas gajas nuas ?
Pois, bem me parecia.
Este filme também mete miudas sem roupa o que ainda é mais estranho, pois na realidade não tem motivo algum para incluir as cenas de nú que inclui. Não que me esteja a queixar, até porque são supreendentemente reveladoras e até funcionam bem dentro da sequência de efeitos especiais que ilustram.

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Na verdade [“Sayonara Júpiter“], merece ser visto nem que seja uma vez.
Se conseguirem não vomitar durante as partes hippies completamente imbecis e gostarem de boas cenas espaciais vão gostar certamente do filme apesar das suas inúmeras falhas.
Afinal este não só é um grande filme em termos técnicos, como acima de tudo é um filme grande, pois tem 140 minutos onde irão encontrar certamente muita coisa para apreciar. Por mim tirava-se a meia hora com o freaks cantantes e o filme ficaria bem mais afinado, mas não se pode ter tudo.

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Mas se gostam de filmes espaciais pouco conhecidos, têm aqui uma boa opção que merece ser descoberta. Afinal no meio de tudo ainda têm as partes de pura space-opera ao melhor estilo “Star Wars” com batalhas laser em corredores de estações espaciais e embora aqui não entrem R2-D2 ou Chewbaccas as cenas de acção deste estílo são sempre divertidas. E neste caso algo inesperadas, pois faz com que [“Sayonara Júpiter“], de repente pareça uma espécie de “2001 Odisseia no Espaço” ou “2010 : O ANO DO CONTACTO” se estes tivessem sido filmes de porrada.
Embora também não tenha muita e se calhar devia ter pois esforça-se demasiado para tentar ser ficção-científica séria quando todo esse esforço acaba deitado por terra mal o Bin Ladden dos Hippies saca da guitarra e começa a cantar o amor pelo seu golfinho favorito chamado precisamente, Júpiter.

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NOT ANCIENT ALIENS

Outra coisa muito negativa em [“Sayonara Júpiter“], é o facto de por momentos parece que vamos ter uma história cheia de mistério envolvendo uma enigmática raça extra terrestre que deixou artefactos em Marte e foi responsável também pelas linhas de Nazca na Terra mas depois todo esse angulo nem sequer é explorado ao longo do filme. Parece que tal descoberta causou menos impacto na humanidade do que o impacto nos neurónios do espectador de cada vez que temos que ver outro teledísco hippie por razão absolutamente nenhuma a meio do filme.

Este angulo extra-terrestre tinha tudo para ser um dos pontos fortes do filme, e a criatura/nave-espacial que habita a alta atmosfera de Júpiter é uma criação perfeita tanto em conceito como no que toca a efeitos especiais. E no entanto, os produtores do filme parece que não se importaram e deitaram por terra todas as màgnifcas possibilidades que este caminho da história poderia ter seguido e nunca segue sabe-se lá porquê.
A temática só volta a entrar em cena, nas sequências finais quando estão a tentar explodir Júpiter e mesmo assim nem se percebe bem para quê ou o que a ideia com o contacto extra-terrestre está a fazer neste filme pois não serve absolutamente para nada nem tem qualquer interferência na história central á volta das sabotagens dos Hippies espaciais.

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Tivessem esquecido os Hippies do espaço e desenvolvido o fantástico conceito da ligação Terra-Júpiter-Marte e a sua relação com a critatura que habita nas núvens jupiterianas e [“Sayonara Júpiter“], teria sido um filme de ficção científica fantástico, pois técnicamente tinha tudo para ser um marco dentro do cinema de aventuras espaciais com uma base muito ao estilo do filme de Kubrick e uma pitada de leveza ao estilo “2010 : O ANO DO CONTACTO” de Peter Hyams com o qual este filme tem inúmeras semelhanças.

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Apesar disto tudo, [“Sayonara Júpiter“] tem um certo charme, pois é verdadeiramente um produto único dentro da ficção científica dos anos 80. Além disso acho que nunca se viu um filme capaz de ser tão bom e tão mau ao mesmo tempo sem qualquer qualidade mediana pelo meio.
Tudo isto é muito japonês…talvez.

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CLASSIFICAÇÃO

Um excelente filme espacial que resulta num cruzamento estranho entre “Starwars” e “2001 Odisseia no Espaço” com imenso sabor visual a “2010 : O ANO DO CONTACTO“.
Mas tudo o que tem de muito bom, é quase destruído por um par de cenas absolutamente ridiculas envolvendo Hippies espaciais que não contribuiem em absoluto para o filme e impede-o de ser a verdadeira obra prima que merecia ter sido.
No entanto, é mesmo muito divertido e as cenas espaciais são absolutamente fantásticas.

Quatro planetas Saturno

   

Embora num certo sentido se calhar até mereça mais, porque visualmente este é um daqueles títulos de que nos apetece gostar muito. Mas… aqueles hippies do espaço são verdadeiramente enervantes e por isso não ganha mais um Saturno.
O que é pena, pois os efeitos especiais em todas as cenas passadas no espaço são do melhor e não ficam nada atrás do que se fazia em Hollywood na mesma altura.

A favor: é um excelente clone original do estilo “Starwars” com um estilo visual fabuloso retirado directamente do melhor de “2001 Odisseia no Espaço” ou “2010 : O ANO DO CONTACTO“, os efeitos especiais são incríveis (no contexto da época) com cenas espaciais muito atmosféricas e excelentes sequências em gravidade zero, o design de produção é mesmo muito bom e tem grande imaginação no conceito das naves e cenários de mundos do sistema solar, usa muito bem os cenários naturais e consegue integra-los bastante bem dentro do estilo gráfico do próprio filme, as maquetas das naves são fascinantes, os actores americanos são do piorio o que dá uma aura kitsh muito divertida á obra, tem uma identidade completamente japonesa, as cenas de porrada espacial em corredores são divertidas, tenta ser ficção científica séria em alguns momentos e quase que o consegue, a banda sonora ambiental para as cenas do espaço é absolutamente perfeita.

Contra: tem pelo menos meia hora de sequências inacreditávelmente más e absolutamente ridiculas envolvendo hippies espaciais, o chefe dos Hippies que é uma espécie de Bin Ladden saído do Woodstock canta algumas das mais atrozes canções ao estilo flower power que jamais ouviram num filme de ficção científica e só comparáveis á horrorosa e deslocada musica de Joan Baez no clássico americano Silent Running“,

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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COMPRAR DVD – REGIÃO 1 – EDIÇÃO EUA

BYE BYE JUPITER_01
Esta edição R1 é excelente. E não estou apenas a falar da qualidade geral do som e imagem, mas sim porque além de uma boa transcrição do filme, contém óptimos extras embora curtos.
http://www.amazon.com/Sayonara-Jupiter-Tomokazu-Miura/dp/B000KHX7KI/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=dvd&qid=1213787206&sr=1-1
Essencialmente tem um pequeno documentário de menos de meia hora sobre o making of que é absolutamente indispensável para quem quer ver como se faziam os efeitos especiais antes de existirem animações de CGI.
Além desse excelente documentário sobre as filmagens, tem uma secção de texto que é uma verdadeira enciclopédia sobre a produção do filme. Contém artigos, biografias e páginas e páginas de informação sempre muito interessantes sobre o processo de criação desta obra. Inclusive na parte final ainda tem uma espécie de catálogo de designs de naves espaciais. E isto para não falar das habituais galerias de fotos e design de produção que aqui também estão bem representadas.
O único senão desta area de texto é a péssima navegação para o utilizador, pois se nos enganmos no botão por exemplo na página 30, voltamos ao inicio e temos de voltar a “desfolhar” tudo outra vez para chegarmos onde estavamos antes. Mas, se tiverem cuidado, vale a pena ler todos os textos depois de verem o filme pois são realmente muito informativos e pelo menos uma vez na vida vale a pena ler uma area de texto contida nos extras de um filme ! Perfeito, teria sido se em vez disto, tivessem editado um pequeno livro para vir com o dvd, mas não se pode ter tudo.

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0086247/

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Starchaser – The Legend of Orin (Starchaser – A Lenda de Orin) Steven Hahn (1985) Eua

[“Starchaser – The Legend of Orin“], na minha opinião é não só umas das melhores aventuras espaciais de sempre como possivelmente será o mais interessante de todos os clones do “Star Wars” original.

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Além de ser uma das space-operas mais genuínas que poderão encontrar no mercado dvd e um verdadeiro antepassado de obras como “Titan A.E.”, “Firefly” ou “Serenity” é também um digno herdeiro da tradição clássica do género literário cridado no final dos anos 30 do século passado.
Peço desde já desculpa pelo tamanho do texto a seguir, mas há muito para dizer e contextualizar sobre este filme aparentemente tão obscuro que vou aproveitar esta review para apresentar aqui algumas informações em jeito de artigo, pois acho-as absolutamente necessárias para que todos aqueles que desconhecem o que vou introduzir a seguir possam olhar para esta mágnifica e desconhecida aventura no espaço um pouco com os meus olhos.
Comecemos então.

Prova-se com este [“Starchaser – The Legend of Orin“] que um filme não se torna necessáriamente numa má obra só porque tenta ser um clone de um outro filme conhecido.
O grande valor deste desenho animado está precisamente na forma como os seus criadores pegaram em tudo o que gostaram em “Star Wars” (mas não só) e souberam misturar muito bem todas essas referências de uma forma que lhes deu não só uma nova vida, como acima de tudo dotou o filme de uma identidade muito própria que fez com que toda a gente que o viu anos atrás ainda hoje se lembre dele, mesmo que já não se recorde do seu título.

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[“Starchaser – The Legend of Orin“], tem tudo para agradar ao fã da mais clássica space-opera apesar do seu visual aparentemente muito básico.
Tem identidade, personalidade e acima de tudo tem muita atitude e personagens com carisma.
É que este filme, apesar de se colar á imagem de “Star Wars“, na verdade acabou por reproduzir no ecrã as mesmas fórmulas clássicas que já George Lucas tinha recuperado e que foram por sua vez também a base do seu filme em 1977.
Hoje em dia “Star Wars” já está tão integrado na cultura popular mundial, que muita gente está convencida que o estilo foi inventado por Lucas.

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Na realidade, se os criadores de [“Starchaser – The Legend of Orin“], foram beber inspiração às aventuras de Luke Skywalker também já “Star Wars” tinha ido buscar as mesmas referências á ficção-científica dos anos 30; precisamente indo ás origens do género literário que veio a ficar conhecido por space-opera.
Género que já existia imaginada naquela mesma fórmula pelo menos trés décadas antes de Lucas ter alcançado o éxito que alcançou.
Por isso, acusar [“Starchaser – The Legend of Orin“], de tentativa de plágio temático será o mesmo que acusar “Star Wars” do mesmo visto que ambos bebem da mesma fonte original.

As origens da Space-Opera

Se este filme de animação tem na sua história um jovem “camponês” ingénuo, uma princesa lutadora, um mercenário espacial, dois robots, um vilão cibernético, uma “Força”, cavaleiros espaciais caídos em desgraça, mentores mistícos, duelos com espadas de luz, batalhas laser em corredores e combates espaciais, também já “Star Wars” foi buscar esses “mesmos” personagens-tipo e situações á ficção-científica clássica.

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Por isso não pensem que o Darth Vader, Obi-Wan, Luke Skywalker, Han Solo  ou até mesmo R2-D2 só passaram a existir quando apareceram com essa identidade no excelente argumento de Star Wars, porque esse tipo de personagens há muito que estavam delineados nas velhas pulp-magazines dos anos 30,40 e 50, tão populares entre os adolescentes que os devoravam na altura ao ponto do próprio Lucas considera-los parte essencial na formação da sua imaginação como já devem ter lido e visto nas suas entrevistas.
E isto nem sequer é um grande segredo.
“In his biography, George Lucas reveals that the Lensmen novels [(E.E.Doc Smith)], were a major influence on his youth, completing the tie from the books to modern popular culture through Star Wars”

Estas influências nunca são muito detalhadamente explicadas nos documentários que todos conhecemos. São sempre referidas de uma forma génerica juntamente com outras adicionais mais evidentes, até porque seria certamente muito complicado explicarem tudo sobre as origens de cada uma delas e como tal as novas gerações que nunca ouviram falar do começo da space-opera estão plenamente convencidas que antes de “Star Wars” não havia nada do género.

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Muito menos fazem ideia de que este tipo de aventura espacial já tinha sido delineada há mais de cinquenta anos pelo génio do escritor E.E.Doc Smith (entre outros). Doc Smith que é unânimemente considerado como pai da moderna space-opera, pois sem o seu trabalho (e principalmente sem os seus personagens-tipo) certamente hoje “Star Wars” se ainda existisse seria algo completamente diferente e [“Starchaser – The Legend of Orin“], nunca teria sido produzido.
É que este filme animado não se limita apenas a tentar clonar o êxito de Lucas como vai mais além no que toca á reprodução das fórmulas de aventura espacial ainda mais antigas do que aquelas que Star Wars aproveitou, o que só lhe fica bem.

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Se Tolkien com “O Senhor dos Aneis” definiu a estrutura do moderno romance de Fantasia, criando os personagens-tipo do género que hoje são a base de inúmeras variações que vão desde o “Dungeons & Dragons” até ao “Eragon” (este último com uma outra origem ainda mais evidente); o escritor E.E.Doc Smith embora muito menos conhecido a nível do grande público moderno, fez o mesmo no que toca ao género da aventura espacial que não existia até então nestes moldes.
Doc Smith acabou por influenciar tudo o que a partir desse momento veio a ser criado desde “Flash Gordon” a “Firefly” que, se não contarmos com os novosStar Wars” foi a última reencarnação deste estilo que antigamente apenas tinha vida nas páginas de revistas que hoje já nem existem.

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Infelizmente para E.E.Doc Smith, o cinema do seu tempo, técnicamente ainda não permitia que se reproduzisse fielmente os seus universos no grande ecran e como tal, durante décadas os seus conceitos e histórias estiveram confinados ao semi-obscuro e muito desprezado mundo das pulp-magazines de ficção-científica sempre desconsideradas pela auto-proclamada crítica literária iluminada.  A mesma crítica que do alto do seu púlpito nunca tinha olhado sériamente para o género da space-opera até George Lucas ter feito muito dinheiro ao renová-lo e de repente ter ficado na moda e ser de bom tom dizer-se que afinal já se gostava de aventuras no espaço.

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Durante décadas, a space-opera andou pelas revistas de ler e deitar fora e essas narrativas não eram consideradas mais do que divertimento inconsequente para crianças, tendo inclusivamente muitas histórias desaparecido por completo perdendo-se para sempre quando os últimos exemplares de muitas dessas revistas acabaram por desaparecer.
Com o sucesso do filme de Lucas, houve um interesse renovado e de repente os editores procuravam desenterrar tudo o que pudesse ser publicado na tentativa de saciar a vontade do público por mais aventuras espaciais e com isso ganhar também bom dinheiro trilhando o caminho que George Lucas abriu com o seu merecido sucesso.

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Por isso, o final dos anos 70 conheceu um ressurgimento do género da aventura espacial e foi a altura em que no cinema, não só se produziram space-operas italianas como “STARCRASH“, japonesas com “Message from Space” ou americanas na forma de “Battle Beyond the Stars” como o mercado de livros e revistas se viu inundado de todo o tipo de aventuras no espaço com espadas laser, mercenários e claro, gajos maus vestidos de preto com máscaras respiratórias e problemas de asma agravados.
[“Starchaser – The Legend of Orin“] só poderia ser um produto desta época.
Um pequeno filme animado, que no entanto é um excelente exemplo de um produto da altura em que a redescoberta da space-opera estava no auge.

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Entre os finais dos anos 70 e o meio dos anos 80, a maior parte das histórias literárias publicadas eram criações contemporâneas, óbviamente inspiradas por “Star Wars“.
Foi nessa altura que também se descobriram em colecções privadas e baús perdidos um par de obras á muito esquecidas e algumas até incompletas de E.E.Doc Smith que foram posteriormente terminadas por escritores contemporaneos, tanto com base nos contos inicialmente obscuramente publicados como em notas detalhadas que o escritor deixou antes de morrer em 1965.
Foi quando a febre da space-opera finalmente permitiu que Doc Smith se desse a conhecer ás pessoas e muita gente ficou absolutamente espantada por ter descoberto que este senhor já falava em batalhas no espaço com raios laser ainda o próprio laser não tinha sido inventado ou sequer tinha um nome nas novelas.

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Romances como “Os Caçadores do Espaço” ou “Os Senhores do Vórtice” já descreviam raios de luz concentrada que podiam penetrar nas couraças das naves, combates no espaço com cruzadores gigantes e muitas outras coisas que as pessoas vieram a conhecer associadas (apenas) ás aventuras espaciais modernas, na época pós-Star Wars.
Como imaginam, muitos daqueles fãs de Star Wars fundamentalistas religiosos quase que aderem ao Lado Negro da Força de cada vez que ouvem sequer a hipótese de George Lucas não ter criado de raíz absolutamente tudo o que eles vêem no ecrã; sendo este o tipo de coisa que gera sempre grandes discussões e ódios de estimação contra quem conhece mais sobre o universo da space opera.

Tudo isto para dizer o quê ?
Não para retirar o mais que merecido mérito a “Star Wars” mas para contextualizar muito daquilo que de certa forma erradamente as pessoas classificaram automáticamente como imitações desse filme.

Uma questão de plágio…

É certo que [“Starchaser – The Legend of Orin“] tal como todas as outras space-operas dos anos 80 nunca teria existido não fosse o sucesso de Star Wars, mas em Hollywood ( e no mundo da pseudo-FC/Fantasia literária para adolescentes ) actualmente abundam títulos muito mais plagiados que no entanto nunca são apontados a dedo.
Curiosamente ou talvez não porque dão milhões a ganhar aos produtores que os licenciam ou fabricam qual produtos de fast-food automáticos num ciclo perpétuo do mistura-e volta-a-dar que eles não notam porque sofrem de short-attention-span.

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Por exemplo “Harry Potter” que pura e simplesmente devido ao sucesso obtido (e principalmente pelo dinheiro que gerou), até fez esquecer que todos os seus conceitos e universo base já existiam antes plenamente detalhados na clássica obra de Fantasia conhecida por trilogia de Terramar da autoria da veterana Ursula K.Le Guin ; ( do qual podem encontrar mais detalhes aqui nesta minha outra review ).

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No entanto graças ao poder do marketing, quem nunca leu nada de Fantasia clássica e apenas leu “a Fantasia” que a publicidade anda há anos a impingir ao publico mais jovem, estará plenamente convencido que J.K.Rowling criou um conceito extraodináriamente original com ambientes e personagens únicos quando nada poderia estar mais longe da verdade. E é melhor nem falarmos daquele vazio que é “Eragon” tanto em filme como nos romances originais
Se no caso de George Lucas com “Star Wars” se nota perfeitamente a intenção de homenagear um género extinto, no que toca a Harry Potter por exemplo o assunto só não avançou para uma acusação de plágio em tribunal apenas porque a autora de Terramar já se encontrava demasiado idosa para ter que enfrentar qualquer processso burocrático e o mediatísmo que isso provocaria, segundo declarações da própria quando já contava quase 90 anos de idade.
Portanto desprezar titulos como [“Starchaser – The Legend of Orin“] por se parecerem com imitações de Star Wars tem muito que se lhe diga e muito de subjectivo.

Classic Space Opera

[“Starchaser – The Legend of Orin“],  teve e continua a ter tanto direito a existir quanto “Star Wars“.
Ambos são bons exemplos de uma boa homenagem à época clássica da ficção-científica,de um regresso á space-opera genuína e ambos são excelentes filmes de pleno direito; embora toda a gente tenha visto o filme de Lucas e muito pouco público teve oportunidade de ver [“Starchaser – The Legend of Orin“]; que ainda por cima foi feito em desenho animado e produzido numa época onde o cinema de animação era essencialmente apontada ao mercado infanto-juvenil apenas e ainda não esgotava bilheteiras pois a Pixar estava a muitos anos de distância.

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Embora filmes como este dentro da própria indústria do cinema de animação tenham até hoje uma importância reconhecidamente histórica. Neste caso também é plenamente justificável ter-se tornado num filme de culto dentro do meio, pois é realmente um produto único criado numa época onde não havia nada assim.
Á primeira vista, [“Starchaser – The Legend of Orin“], parece um produto relativamente banal por vários motivos e como tal a primeira impressão negativa poderá iludir muita gente e impedir que continuem a acompanhar o filme após as primeiras sequências.
É que visualmente, assemelha-se mais a um banal produto de animação televisiva de sábado de manhã do que própriamente a uma obra cinematográfica digna ser projectada nas salas de cinema.

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[“Starchaser – The Legend of Orin“], técnicamente parece ser uma versão pobre de “Titan A.E.“, outra fabulosa space-opera animada que anos mais tarde contou não só com mais dinheiro mas principalmente com a evolução da própria técnologia.
Um luxo que Starchaser não pôde ter, embora actualmente seja recordado essencialmente por uma coisa que já na altura fez mesmo muito bem.
[“Starchaser – The Legend of Orin“], foi um dos primeiros filmes a combinar animação tradicional com sequências criadas em computador usando a agora popular técnica de cell-shading.
Não só conseguiu fazê-lo com computadores da época, como ainda por cima fê-lo muito extraordináriamente bem.
Todas as sequências de combate espacial foram criadas nesse estilo e o resultado é absolutamente perfeito.

Até no próprio trabalho de realização, pois o director soube tirar partido dessa técnologia tão limitada na altura, criando cenas de acção com as naves espaciais absolutamente emocionantes pois são não apenas os melhores momentos do filme como na minha opinião serão já momentos clássicos da space-opera filmada.
E cenas destas não faltam nesta aventura espacial para nos fazer vibrar ao mesmo tempo que a fantástica banda sonora nos envolve tão bem quanto o clássico tema de John Williams o fez no filme de Lucas.

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Tudo isto a meio dos anos 80 quando a coisa mais emocionante que havia em computador tinham sido os 15 minutos de sequências animadas digitalmente para Tron. E mesmo essas practicamente ninguém viu pois na altura o filme da Disney foi um fracasso.
[“Starchaser – The Legend of Orin“], também não teve grande público mas marcou a diferença pois além de ter conseguido uma animação fluída absolutamente fantástica, ainda o conseguiu fazer de uma forma que visualmente integrou tão bem as cenas digitais que o espectador nem se lembra que está a ver um bom exemplo das primeiras animações de computador.
Acreditem, vão adorar as cenas de combate com naves neste filme.
É que ainda por cima a nave é um dos personagens mais divertidos do filme pois é dotada de uma personalidade muito própria que vos vai deixar completamente fascinados e divertidos durante as suas cenas se gostam de um bom filme de aventuras espaciais.

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E já que falo em personagens, vão adorar o mercenário espacial. Apesar de óbviamente se inspirar em Han Solo, no entanto acabou por se parecer mais com o carismático capitão da nave Serenity de “Firefly” do que própriamente com o personagem de Harisson Ford.
Como já referi uma das coisas que actualmente gosto muito é precisamente deste pormenor, porque [“Starchaser – The Legend of Orin“], muitas das vezes parece mais um antepassado deFirefly” do que uma simples imitação de “Star Wars”.
Acaba por ter uma atmosfera semelhante, muito fruto da caracterização de personagens que compõem a  tripulação da nave e pelo sentido de humor que percorre todos os diálogos.

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Além deste, o filme conta óbviamente com o jovem heroi da história que basicamente faz o papel de Luke Skywalker e com um par de robots neste caso uma divertida “roboa” e o computador da  nave do mercenário que passam o filme a discutir e originam alguns dos momentos mais divertidos do filme.
Também não falta uma princesa espacial e óbviamente o inevitável mau cibernético que tem muito a esconder por detrás da sua máscara.
Tudo isto parece muito básico e evidente, mas acreditem que tudo está muito bem misturado e nem se vão importar com isso pois tudo resulta num argumento divertido que vão gostar de seguir.

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Inicialmente o filme vai parecer-vos algo primário, pois o seu baixo orçamento nota-se bastante nos momentos iniciais. Além disso a história nem parece particularmente interessante nos primeiros 15 minutos. Mas não desistam porque a partir do momento em que as naves espaciais entram em acção vocês já não vão conseguir descolar de frente do ecrã até [“Starchaser – The Legend of Orin“], terminar com a habitual vitória do bem sobre o mal.
No entanto apesar do baixo orçamento, tudo foi realmente muito bem equilibrado.

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A realização é excelente e o filme mantém um ritmo narrativo absolutamente perfeito sem dar descanso ao espectador, ora com cenas de acção ao melhor estilo space-opera ou então com momentos de humor negro súbtil e muito divertido.
Acima de tudo [“Starchaser – The Legend of Orin“], apesar de ser um desenho animado, vai muito para além da simples história de aventura para crianças, pois tem um equílibrio temático excelente e consegue agradar tanto aos putos como ao adulto que goste de boa space-opera e não tenha medo de encontrar uma dentro de um filme de animação.

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Apesar de algo limitados, os cenários ao longo do filme são muito imaginativos e conseguem transmitir uma escala épica á história que nos faz esquecer que estamos a ver um pequeno trabalho independente.
A variação de cenários é constante e todos os ambientes são plenamente aproveitados para contar partes importantes da história.
Como habitualmente não vou contar muito, mas basicamente a aventura começa numa mina secreta algures no interior de um planeta de mineração onde gerações inteiras de seres humanos ao longo de milhares de anos foram obrigadas a trabalhar forçadamente sem nunca saberem que existe um mundo para lá das suas cavernas escuras e muito menos fazem ideia de que o universo existe.

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Todos são escravizados por um personagem ao melhor estilo Darth Vader que se faz passar por um Deus junto da população.
Um dia um jovem mineiro desenterra um punho de uma espada antiga e desse objecto sai um velho espírito que lhe revela existir um universo fora do seu mundo, pedindo ao jovem que procure a lâmina que se adaptará então ao punho pois este dotá-lo-á de um grande poder mágico que libertará povo mineiro da opressão do falso Deus do mundo das minas.

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Pela primeira vez na vida o jovem resolve escavar para cima mesmo tendo medo, pois sempre lhe foi dito pelo seu Deus que para cima estava o Inferno e passados muitos dias torna-se no único membro da sua comunidade a atingir a superfície planetária e a ver as estrelas pela primeira vez em milhares de anos.

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Ao ser salvo por um mercenário espacial de um par de cyborgs psicopatas a aventura começa, levando-nos através de um universo fascinante muito bem imaginado e que deixará muitos admiradores de boa space-opera plenamente satisfeitos e a gostar tanto deste filme quanto eu gosto, pois [“Starchaser – The Legend of Orin“] nas suas limitações consegue ser um espectáculo verdadeiramente divertido, atmosférico e vibrante que não irá desiludir que aprecia histórias do género.

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CLASSIFICAÇÃO
Uma das melhores space operas cinematográficas de sempre, apesar de bastante inspirada em Star Wars e de muitas limitações técnicas devido ao seu pequeno orçamento, consegue ser uma aventura muito divertida e entusiasmante que irá agradar a todos aqueles que gostam de uma boa space opera á moda antiga ao melhor estilo Doc Smith/George Lucas

 

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

Se gostam de Star Wars, gostam de cinema de animação e querem ver um título esquecido que vale realmente a pena não percam isto. É animação de baixo orçamento mas nem por isso deixa de ser um filme de aventuras espaciais muito divertido e um daqueles que não merece ser tão esquecido.

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A favor:
o clima de aventura espacial, o sentido de humor, os personagens humanos, a nave dos herois, as mágnificas sequências de combate com as naves criadas em computador, excelente ritmo narrativo a partir dos primeiros vinte minutos algo desinteressantes, os momentos com ambiente Blade Runner, a variedade de paisagens e cenários, as sequências de acção no canyon na perseguição de naves, a banda sonora que fica no ouvido para sempre, um argumento inteligente que não será propriamente para crianças mas sim para quem gosta de boa space opera clássica, tem um par de cenas politicamente incorrectas que só lhe fica bem, parece um antepassado do “Firefly” muito mais do que se assemelha a Star Wars apesar de tudo.

Contra: é um filme de baixo orçamento de uma época em que a animação não estava na moda e por isso técnicamente pode desapontar imenso a um primeiro olhar pois parece um desenho animado televisivo daquelas séries rascas de sábado de manhã para entreter os putos, os primeiros vinte minutos não impressionam muito,

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TRAILER

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Está esgotado em todo o lado.

Bibiografia de E.E.Doc Smith
http://www.catch22.com/SF/ARB/SFS/Smith,E.E.Doc.php3

Opiniões adicionais:
http://animated-views.com/2005/starchaser-the-legend-of-orin/

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