“U.F.O ABDUCTION” – “ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY” Dean Alioto (1989/1998) EUA

THE BLAIR WITCH PROJECT pode ter ficado na história como tendo sido o filme que inaugurou a moda do estilo – “Found Footage” – mas não foi de todo o primeiro filme do género. Aliás, tendo em conta o efeito choque que [“U.F.O ABDUCTION”] despoletou nas audiências da altura não seria de admirar que os criadores de “The Blair Witch Project” tivessem tido a ideia de o produzir precisamente por causa de terem visto este extraordinário filme pouco mais de um ano antes (1989) quando enganou meio mundo nos estados unidos e quase provocou uma verdadeira guerra civil na comunidade ovniológica da época.

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O facto de [“U.F.O ABDUCTION”] nunca ter ficado conhecido fora dos EUA demonstra bem o quanto o resto do mundo está dependente do que os grandes estúdios de Hollywood distribuem e resolvem tornar popular além-fronteiras.
Não foi distribuído por Hollywood, não existe.
Apesar de todo o caos , surpresa e elogios que [“U.F.O ABDUCTION”] conseguiu reunir de uma só vez, quem ficou para a história foi “Blair Witch” de uma forma completamente injusta, pois nem inventou o género, nem o inovou e muito menos é um filme com a eficácia que ainda hoje [“U.F.O ABDUCTION”] consegue demonstrar a quem apanhar com este título de surpresa algures madrugada dentro num qualquer canal obscuro sem saber nada sobre o que está a ver.

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O que “Blair Witch” teve foi aquilo que faltou a [“U.F.O ABDUCTION”]. Uma boa e original campanha de marketing.
Por outro lado [“U.F.O ABDUCTION”] passou directamente na TV, pois nunca tinha sido pensado para cinema; o género do – Found Footage- não tinha ainda sido inventado nos moldes modernos , ( se descontarmos os filmes de canibais italianos dos 70s que estavam já perfeitamente datados e desmascarados ) e de certeza que nunca passou pela cabeça de um executivo de um grande estúdio de cinema que este tipo de produção amadora alguma vez viria a ter qualquer poder no box-office nas grandes salas; especialmente quando se parecia mais com um produto televisivo do que com cinema no sentido clássico.
Rezam as crónicas que quando [“U.F.O ABDUCTION”] passou pela primeira vez na televisão americana o efeito foi quase o mesmo a um nível de nicho de mercado que Orson Wells teve quando colocou a américa em pânico com a sua transmissão radiofónica de THE WAR OF THE WORLDS.

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Desta vez a América não saiu para as ruas, mas os telefonemas para a estação de televisão, ( e para as autoridades locais ); as cartas e os faxes consta que foram épicos; (e isto numa Era pré-internet, recordem-se).
[“U.F.O ABDUCTION”] pareceu tão real que praticamente toda a gente pensou tratar-se da transmissão de um verdadeiro caso de abdução humana por extra-terrestres. Melhor ainda, [“U.F.O ABDUCTION”] assustou tanto os espectadores que no final já ninguém conseguia sequer pensar; a América levantou-se dos sofás e correu a pedir explicações ás entidades policiais sobre o porquê do desaparecimento “daquelas pessoas” que viram naquelas imagem da cassete nunca ter sido alvo de uma investigação intensa para encontrar o seu paradeiro.

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Para complicar mais as coisas, parece que – a cassete – tinha sido transmitida com os créditos cortados no final e por isso nem por um instante alguma vez alguém pensou que [“U.F.O ABDUCTION”] seria apenas uma dramatização.
Na verdade o seu realismo é tal que ainda hoje, muita gente está absolutamente convencida de que estas imagens são totalmente reais e o próprio realizador já deixou de tentar explicar que tudo não passou apenas de uma ideia para um filme.
Em alguns fóruns obscuros daqueles mesmo conspirativos, podemos ainda encontrar hoje em dia gente a defender que [“U.F.O ABDUCTION”] é uma gravação real, colocada pela CIA no ar e sendo apresentada como fictícia para que a população não entre em pânico, por causa do que as imagens mostram.

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Nem o facto de Dean Alioto, ter onze anos depois, realizado em 1998 um remake do próprio filme original, convenceu os teóricos da conspiração mais fundamentalistas de que [“U.F.O ABDUCTION”] não era real.
Pior ainda, o efeito repetiu-se em 1998 e outra metade está desde essa altura também convencida de que “ALIEN ABDUCTION – INCIDENTE IN LAKE COUNTY” será igualmente real; o que é algo que me ultrapassa de todo.
E eu não sou um – debunker – do tema. Pelo contrário; isto levar-nos-ia agora por outros caminhos, mas não queiram vir discutir a validade do fenómeno -ovni- comigo sem estarem bem preparados para argumentar com conhecimento sólido sobre o assunto. Por isso, o tema não só me interessa, como conheço muito bem os prós e os contras de qualquer discussão e não tenho qualquer dúvida de que o lado dos cépticos está completamente errado.
O que não quer dizer que eu ache que [“U.F.O ABDUCTION”] seja real.
Separemos as coisas.

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[“U.F.O ABDUCTION”] é brilhante; só tem 1 hora e 5 minutos de duração mas é tudo o que “Blair Witch” gostaria de ter sido e não conseguiu ser.
[“U.F.O ABDUCTION”] e “ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY” muito provavelmente serão os dois melhores filmes – Found Footage- algumas vez realizados na minha opinião. E também, por serem tão eficazes em tudo o que se propõem fazer, são por isso, do mais assustador, pelo seu efeito duradouro. São dois filmes que podemos ver várias vezes e mesmo assim a sua atmosfera continua a perturbar por demais. Quem diz que não se assustou com isto , é porque viu os filmes de dia, num écran de computador e se calhar com amigos á volta.
Isto são filmes para se ver sozinho , á noite e de preferência em noites de tempestade. Não são filmes para curtir com os amigos. Conheço muita gente que diz não ter medos de filmes de terror que nunca viu um filme de terror sozinho e muito menos sozinho, em casa, de noite.
[“U.F.O ABDUCTION”] é para ser visto sózinho e bem longe do interruptor da luz.

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É verdadeiramente fascinante que algo como [“U.F.O ABDUCTION”] não tenha tido o impacto de um “Blair Witch” pois limpa o chão com “Blair Witch”. Além disso em termos de estrutura tem uma dinâmica que nem se compara. Está sempre algo realmente a acontecer ao nível das emoções humanas que nos coloca os nervos á flor-da-pele; não temos que esperar pelos últimos dez minutos para que o filme comece a meter medo. [“U.F.O ABDUCTION”] é absolutamente perturbante quase desde logo o início.
Isto porque não é um filme sobre invasões extra-terrestres ou sobre aliens que tentam invadir á parva pequenas cidades dos EUA ou entram pelas casas das pessoas a dentro porque sim.
Este filme tem a genialidade de ser sobre o medo do desconhecido e sobre o terror que poderá ser enfrentarmos uma situação de que não sabemos se podemos controlar quando esse desconhecido deixa de pertencer ao campo da fantasia e entra pelas vida quotidiana de uma familia comum a dentro.
Tanto este, como o remake de 1997 apostam forte no clima de medo, na tensão provocada por não sabermos o que poderá aparecer na janela da quinta ou pelo terror que é ter que penetrar num quarto ou num corredor escuro.
[“U.F.O ABDUCTION”]
e a sua sequela apelam aos instintos mais primários do espectador e tocam em tudo aquilo que é o arquétipo do medo para o ser humano mais comum. Nomeadamente o receio sobre aquilo que poderá estar á nossa espera no escuro.
Mais ainda [“U.F.O ABDUCTION”] vai para além disso e foca-se no terror que será quando aquilo que está no escuro decidir entrar pela nossa casa adentro com ou sem luz.

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Portanto…
Eu era para ter dito no início que esta review e recomendação para hoje é na verdade um – 2 em 1 – por isso cá vai.

ESTA RECOMENDAÇÃO PARA HOJE É NA VERDADE UM – 2 EM 1.

Não se pode falar sobre [“U.F.O ABDUCTION”] sem falar de [“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”], porque embora tenha pormenores diferentes são os dois eficazes e excelentes propostas para quem ainda não estiver farto do estilo – Found Footage – e quiser espreitar o produto não só original, como genuinamente original. Ainda hoje.
Especialmente se gostam de ficção-cientifica e ainda mais se o tema das – alien abductions – lhes interessa.

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Acho absolutamente extraordinário que tanto [“U.F.O ABDUCTION”] e [“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”] sejam dois títulos que passaram ao lado de quem gosta de FC; até mesmo porque são extremamente populares nos EUA e inclusivamente o primeiro manteve-se como sendo um filme extremamente raro até há bem pouco tempo, quando alguém colocou finalmente uma cópia mais ou menos restaurada no Youtube.
O segundo, parece que teve uma edição em dvd algo manhosamente semi-bootleg também e é essa cópia que está igualmente disponível no youtube neste momento a 30-10-2016, pelo menos.
Li algures num artigo sobre FC que talvez a explicação para [“U.F.O ABDUCTION”] e [“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”] praticamente andarem sempre esquecidos das listas dos melhores titulos do sub-género UFO/Abduction , até mesmo dentro da própria ficção-científica, seja precisamente porque muita gente permanece convencida até hoje que tanto o primeiro, como o segundo; ou até ambos os títulos não serão realmente filmes mas sim documentos reais gravados em video.
É que além de nunca terem tido distribuição cinematográfica, ainda por cima sempre que passaram ( e passam ainda na TV ) são apresentados como documentos reais.

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Para complicar mais as coisas, pela altura da estreia do remake nos EUA em 1997 a exibição do filme, foi acompanhada com um – mockumentary (falso documentário) – sobre “o caso (do segundo filme)” que mais uma vez ajudou a solidificar a ideia de que tudo o que passou na televisão foram imagens reais.
Isto porque esse documentário contava inclusive com depoimentos de um par de bons ( e sérios ) investigadores/jornalistas-de-investigação no que toca a estas temáticas, o que deu ainda mais credibilidade á suposta veracidade dos casos perante muitos telespectadores apanhados desprevenidos. Soube-se depois que as pessoas que contribuíram com declarações sobre casos genéricos para ilustrar o – mockumentary – não faziam ideia de que as imagens tinham sido licenciadas para estarem ligadas a uma produção de FC, pois as entrevistas tinham sido apenas dadas ao canal televisivo como parte de peças de informação que supostamente seriam sérias e legítimas e no entanto essas pessoas viram-se de repente usadas para enganar o público.

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Portanto como podem ver, coisas par contar sobre [“U.F.O ABDUCTION”] e [“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”] não faltam.
Mas agora está na altura de separarmos os dois filmes e deixem-me recomendar cada um deles em detalhe, pois ambos têm coisas boas e coisas menos boas.
2 em 1.

Comecemos pelo primeiro filme de 1989 [“U.F.O ABDUCTION”] realizado por Dean Alioto.

U.F.O ABDUCTION (1989) – O primeiro – Found Footage Film.

Como eu disse esta cópia andou perdida durante décadas e portanto curiosamente só ontem a vi pela primeira vez. Já contava falar aqui do remake , – ALIEN ABDUCTION – e por isso eu estava no youtube à procura do trailer desse filme quando me deparo com o filme original disponível na totalidade !
Foi filmado em VHS e nota-se, portanto não esperem qualidade de uma camcorder digital moderna nem sequer a qualidade e uma câmera de cassete do final dos anos 90 sequer.
Isto é video caseiro nocturno do pior e por ser do pior é perfeito. Pelo menos em 70% das vezes não vemos absolutamente nada pela frente o que pode parecer péssimo mas neste caso, contribui por completo para o ambiente de medo perante o desconhecido.
É como se estivéssemos constantemente a espreitar por um armário escuro como breu à espera de ver algo verdadeiramente perturbante. Esse efeito psicológico é algo que já este primeiro filme faz muito bem.

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Uma coisa que notei logo foi a diferença entre os personagens deste primeiro filme para com o que depois foi apresentado no segundo. Já falarei da sequela a seguir, mas se [“U.F.O ABDUCTION”] tem uma coisa extraordinária são os … “actores ?!”…
Percebo perfeitamente porque muita gente ainda hoje se recusa a acreditar que esta primeira “cassete” não é real.
Não faço ideia onde foram buscar estes – actores – mas se isto são amadores, são o grupo de interpretes mais incrível que alguma vez vi num filme a fazerem-se passar por membros de uma qualquer e vulgar família.
Se são profissionais então mereciam ter tido um reconhecimento público depois disto porque a sua naturalidade e empatia no ecran é notável.
Nem por um segundo eu suspeitaria que isto são actores e muito menos pensaria que estas pessoas não estariam mesmo relacionadas umas com as outras a nível familiar.
Não sei como raio se planeia uma dinâmica destas, mas não só esta família parece absolutamente real como os próprios diálogos nem por um instante passam a ideia de que haverá por aqui qualquer coisa de fictício.
Se os diálogos são planeados e decorados a prestação desta gente é incrível. Se são improvisados então eu nem sei como se coordena uma coisa destas com tantos actores em cena ao mesmo tempo.
[“U.F.O ABDUCTION”] é absolutamente brilhante neste aspecto e por mais que se saiba que nada nisto é real, uma pessoa acaba por se envolver por completo no medo genuinamente representado e na ligação pessoal de cada uma destas pessoas. Absolutamente notável.

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[“U.F.O ABDUCTION”] funciona na forma como cria um clima de medo porque o espectador por instantes esquece-se por completo de que isto é encenado e portanto todo o suspense vem não apenas do que os extra-terrestres poderão fazer a seguir mas daquilo que irá acontecer a cada uma das pessoas que vemos.
Pior ainda… quando irá acontecer…
A incerteza aqui é a chave do terror e neste aspecto o filme acerta em cheio.
De resto não há muito mais a dizer. Se gostam de filmes sobre OVNIS este é sem sombra de dúvida um título a ver. Ás escuras… e sozinhos ! DE NOITE !

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Sendo assim…
CLASSIFICAÇÃO PARA: [“U.F.O ABDUCTION”]

Deixem-se de merdas, este filme é assustador como o raio e não precisou de efeitos especiais, nem sequer de monstros ou cenas de invasão. Apenas precisou de uma sala de estar, um quintal e um grupo de actores mergulhados na escuridão interpretando personagens em pânico absoluto.
Como filme de – Found Footage – é o pai de tudo o que veio a seguir, mesmo que os espectadores desconheçam esse facto e continua a ser melhor que muito do que foi feito depois usando o estilo até à exaustão.

Cinco Planetas Saturno. Não leva um Gold Award , mas não sei bem porquê…

    

… talvez porque o  -Found Footage- não se preste bem a grandes exercícios de – Cinema – em termos de imagem ou estilo. De qualquer forma é um produto notável que ainda convence meio mundo que se recusa a acreditar que isto não é real.

A favor: originalidade, atmosfera de medo, actores, tem uma estrutura bem planeada e está sempre a acontecer alguma coisa, não é um filme de terror com monstros invasores mas sim um filme sobre terror puro e muito bem representado, só tem 1 hora e chega.

Contra: a imagem VHS por vezes cansa, o – Found Footage – e todos aqueles abanões de câmera do costume, as máscaras de Grays são fraquinhas…quando paramos para pensar…

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NOTAS ADICIONAIS PARA: [“U.F.O ABDUCTION”]

iMDB
http://www.imdb.com/title/tt0169005

TRAILER *SPOILERS*

FILME COMPLETO no YOUTUBE mas não recomendo que o vejam num écran de computador. E espero que vocês não sejam daqueles que costumam espreitar bocados do filme antes de o ver do inicio ao fim.


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E posto isto , passemos a [“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”].

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ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY (1998)

[“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”] foi o primeiro destes filmes que eu vi; na TVI uma vez, noite dentro.
E para grande pena minha não me enganou…

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Foi antes de “Blair Witch” ter saído, o estilo – Found Footage – era algo com que eu ainda não estava familiarizado e só não me enganou por completo também porque logo nos primeiros minutos reconheci o actor principal, que faz de irmão mais velho, pois na semana anterior a própria TVI tinha passado outro filme com ele e portanto reconheci-o de imediato, o que me fez logo olhar para [“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”] de uma outra forma completamente diferente.

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Outra coisa que na altura me chamou também imediatamente a atenção foi o facto de meter por ali um sub-plot que me pareceu totalmente – “encomendado” … não sei porquê, mas o facto de numa família totalmente branca do sul dos estados unidos com um chefe de família tradicionalmente … hm… preconceituoso, de repente aparecer a irmã que se mudou para Nova York trazendo de surpresa um namorado preto para apresentá-lo a todos precisamente  no Thanks Giving Day , sempre achei que havia qualquer coisa ali neste filme que cheirava á típica concessão perante as audiências gringas; onde tem que haver sempre alguém que representa “as minorias”, e portanto também neste caso o tipo tem tanto direito a ser raptado por extra-terrestres como qualquer branco que se preze…

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Além disso, ainda não tinha tido oportunidade de comparar este filme com o primeiro, mas notei que havia por ali uma actriz que destoava por completo. A senhora que faz de mãe de família com tendência para o alcoolismo evidenciou logo de inicio que seria de facto uma actriz. Há qualquer coisa na prestação dela que indica que está a representar… não sei bem o quê e por isso achei que havia qualquer coisa em [“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”] que não parecia tão real quanto queriam fazer crer.

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Agora posso dizer com surpresa que ainda acho o primeiro filme mais fascinante a nível de actores, pois como já disse nem por um instante me passaria pela cabeça que não fossem de facto pessoas comuns.
Em [“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”] a primeira coisa que se nota apesar de se calhar contar apenas com actores profissionais é que realmente estamos a ver actores profissionais…
Não que as interpretações sejam más, pelo contrário; exceptuando a senhora que faz de matriarca , todo o resto do elenco safa-se bastante bem.

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[“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”] tal como o primeiro filme continua a lidar muito bem com o clima de medo. A atmosfera do filme continua tão eficaz que a partir de certa altura já estamos tão hipnotizados e tensos sem conseguir desviar os olhos do que está a acontecer que nos esquecemos por completo que se calhar a actriz que faz de avó deveria ser a primeira a ser comida pelos ETs se fosse eu a mandar.

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[“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”] é tenso. É também ligeiramente diferente do primeiro filme. Começa da mesma maneira mas depois desenvolve para um par de cenas de suspense que variam um bocado do que já tinha sido feito anteriormente mas que não irei revelar agora aqui. Mas resultam e uma delas pelo menos é absolutamente assustadora .
GANHEM CORAGEM. VEJAM O FILME SÓZINHOS E AS ESCURAS !
Ah e tal, o filme não mete medo nenhum…yeah right…

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[“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”] também já se consegue ver melhor. Quer dizer, já não parece um VHS e agora é suposto ser uma daquelas gravações em – Mini-Tape – do final dos anos 90. A qualidade de imagem é superior embora o cuidado com a fotografia se mantenha e portanto todos os ambientes são filmados para parecerem o mais naturais possíveis. Os abanos de câmera em estilo – Found Footage – também se mantêm obviamente.

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[“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”] desta vez, intercalando com -“as imagens reais”- do que -“aconteceu”- aquela família integra também bocados do – mockumentary – com vários testemunhos e comentários de especialistas reais sobre a temática das abductions mas para complicar a coisa mistura tudo com um par de outros actores que fazem de “xerife, psicóloga, etc.
De resto não há muito mais para dizer do que já disse. É um bom complemento para quem já viu e gostou do primeiro.
Na verdade não sei se deverão ver o original primeiro, se devem ver o remake e depois compararem com o original… estão por vossa conta…

alien-abduction-1997-05 ALIEN ABDUCTION © WORLD INT. NETWORK, LLC. FOR SKY MOVIEMAX PUBLICITY  ONLY.
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CLASSIFICAÇÃO PARA: [“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”]

Pode parecer mais artificial se virem o original antes, mas nem por isso deixa de ter um suspense enorme e uma tensão de cortar á faca. O ambiente de pânico continua alto e muito natural e o facto de terem alterado, removido e adicionado algumas coisas relativamente ao que já tinham apresentado no primeiro é uma novidade bem-vinda pois significa que se já viram o primeiro aqui vão encontrar um par de coisas novas e pelo menos um momento de medo creepy como o raio que não estava na versão de 1989.

Quatro Planetas Saturno. Não leva cinco, por causa de se notar uma certa artificialidade logo de inicio e percebermos que pelo menos a “avó” é claramente uma – actriz… Felizmente que a meio do filme já nem nos lembramos disso, pois a nível de clima de medo continua muito bom mesmo.

   

A favor: contêm um par de cenas novas com bons momentos de medo adicionais, o escuro continua aterrorizador, a imagem é melhor, de uma forma geral consegue-nos fazer esquecer os actores por detrás dos personagens a partir de certa altura, sabe ir criando tensão a cada minuto que joga com o nosso medo primário do desconhecido.
Encenado ou não continua a parecer um evento real. Os Grays já estão bem mais assustadores.

Contra: nota-se logo que a “avó” é uma actriz, o sub-slot sobre o racismo parece um detalhe politicamente correcto encomendado pelo canal de televisão para atrair as audiências negras ou das minorias ou lá o que é.

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NOTAS ADICIONAIS PARA :  [“ALIEN ABDUCTION – INCIDENT IN LAKE COUNTY”]

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http://www.imdb.com/title/tt0142074

TRAILER

FILME COMPLETO no YOUTUBE

WIKIPEDIA
https://en.wikipedia.org/wiki/Alien_Abduction:_Incident_in_Lake_County

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

*não há nada ainda neste blog.*

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KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE – Stephen Chiodo (1988) USA

Agora que a moda dos Palhaços Assassinos está em alta, lembrei-me em ir rever esta pequena obra-prima falhada.
Só uma coisa impediu que [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] viesse a ser tão genial quanto “ALIEN TRESPASS” consegue ser procurando fazer mais ou menos o mesmo.
Os Anos 80.

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[“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] tem à partida a mesma intenção; a de apresentar um filme de invasão nos moldes do antigo cinema-paranóia dos 50 mas cometeram logo o erro de o situar em plenos anos 80 para ser contemporâneo da época em que foi feito e logo aí houve qualquer coisa que não resultou.

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Desde que vi este título há muitos anos pela primeira vez, que achei que havia ali qualquer coisa que não colava e cada vez me convenço mais de que é uma total incompatibilidade em termos de atmosfera entre um filme de invasão dos 50 e o pior dos anos 80; a música pop de categoria duvidosa, os néons ás cores vermelho e azul e os penteados da população em geral; mullets para os gajos, cabelos de laca em modo histérico para as gajas.

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E acho que este problema se agravou com o passar dos anos, porque devido a ser um produto tão genuíno dos anos 80 ficou automaticamente datado e hoje quando olhamos para [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] a primeira coisa que é evidente é a de que estamos a ver um filme dos 80s; o que anula por completo o ambiente do propósito original do filme que seria o de brincar com os ambientes dos anos 50.
Por exemplo ALIEN TRESPASS não vai nunca ficar datado, pois já foi feito precisamente como sendo um filme criado há 50 anos atrás e nada nele poderá indicar à partida que foi filmado em 2009. Já [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] tresanda a tudo o que é piroseira dos anos 80 e enquanto espectadores o conflito entre a atmosfera de um filme de invasão dos 50s e o estilo visual pimba dos 80s contribui muito para que passemos o filme todo com aquela sensação de que falta ali qualquer coisa, porque aquele choque de referências toma por demais a nossa atenção quando se calhar muitas vezes deveriamos estar a prestar atenção no que acontece.

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Este é um daqueles filmes que se calhar até é bem mais popular do que seria de esperar precisamente porque com um título como [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] é impossível não querermos gostar logo muito disto à partida.
Tem o mérito de também em termos de abordagem ao material não ter caído no erro que Tim Burton cometeu depois com Marte Ataca. [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] é um filme de invasão em que toda a gente se leva muito a sério. Do ponto de vista dos herois isto não é uma comédia.
A Terra está mesmo a ser invadida por palhaços !!!

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E se este filme tem uma coisa genial, são mesmo os palhaços !
Posso estar enganado mas não me recordo alguma vez de ter visto aquela estética moderna para o típico – palhaço assassino – em qualquer sitio antes de estes designs terem aparecido neste filme.
É certo que “IT” de Stephen King na sua forma televisiva pela mesma altura também tinha o clássico palhaço sobrenatural, mas com o visual que hoje em dia conhecemos de muitas partidas que podemos encontrar no youtube por exemplo, ou que aparecem constantemente em filmes de terror, que me recorde não me parece que existisse antes dos irmãos Chiado terem concebido aquelas roupas absolutamente geniais para os seus palhaços invasores.

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Se há uma coisa  em que [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] acerta em cheio é mesmo na concepção visual dos palhaços assassinos-extraterrestres-invasores-do-espaço.
Para um filme de muito, muito baixo orçamento, produzido independentemente dos estúdios de Hollywood o resultado visual é por vezes extraordinário.
Os efeitos podem ser simples, agora os palhaços estão absolutamente incríveis.
São engraçados e ao mesmo tempo creepy como o raio.

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Muito orgânicos, muito variados e com personalidades diferentes muito bem vincadas. Há por aqui algures em [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] um template para um filme realmente genial.
Então o que falhou ?
Falhou a própria direcção do filme. Para um filme de invasão que pouco mais tem que 80 minutos, a verdade é que às vezes parece chato como tudo. O que é quase uma contradição, pois estão sempre a acontecer coisas únicas e completamente originais nas cenas que envolvem os palhaços.

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O problema é que muitos desses gags que envolvem os palhaços a andarem pela cidade assassinando toda a gente das formas mais ridículas e sempre em grande ambiente de circo, são cenas algo desconexas. São sequências momentâneas que normalmente não contribuem minimamente para o desenrolar da aventura sequer. Acontecem e pronto.

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Como se os autores de [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] tivessem tantas ideias para colocar no écran que acabaram por ficar com todas por metade e depois nada ligasse muito bem com o conteúdo central da história.
A verdade é que [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] é um filme aborrecido às vezes. É um daqueles filmes de que apetece gostar mesmo muito , pois os palhaços não poderiam estar melhor mas tudo à sua volta cria um ritmo narrativo algo errático e desinteressante mesmo.

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Os personagens humanos são o estereotipo dos teenagers versão americana que conhecemos do típico filme teen dos 80s, os nerds, o galã, a loira bimba, etc, mas mais uma vez há aqui qualquer coisa que falha na empatia para com o espectador e por mais que reveja este título não sei bem dizer o que é.
Para piorar as coisas há por aqui um par “de engraçados” que supostamente serão o – comic relief – e que passam o filme todo a fazer “sketches humorísticos” com uma carrinha de gelados que pura e simplesmente não resulta pois os tipos são absolutamente irritantes e não têm graça absolutamente nenhuma.

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Isto pode parecer pouco para estragar um filme, mas talvez porque tenha apenas 80 minutos a coisa seja mais negativamente intrusiva do que seria num filme maior, não sei. A verdade é que [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] para além dos palhaços ( e do velho xerife veterano do costume ) não tem praticamente mais nada para oferecer ao espectador. Os palhaços são realmente uma obra prima do design e da construção de fatos vestidos por actores, os cenários do interior da nave espacial são um gozo e contêm um par de homenagens visuais divertidas a filmes como “Forbidden Planet” por exemplo e toda a produção nota-se que foi bem pensada; o problema é mesmo na mistura de ingredientes.

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Parece que vai ser uma sequela em 3D lá para 2018 por isso espero que tenham acertado desta vez, pois [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] é acima de tudo o conceito perfeito para um filme de invasões extraterrestres se é que alguma vez existiu algo assim.
Muito original, bem executado tecnicamente em termos de criaturas, cheio de imaginação nas armas, nas armadilhas, nas cenas de mortes mas depois não consegue passar essa imaginação também para o lado dos personagens humanos e se não nos importamos minimamente com o que acontece com os heróis então o filme perde todo o suspense.

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CLASSIFICAÇÃO

Portanto, [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] é mesmo assim apesar da baixa classificação que lhe atribuo , um filme que recomendo vivamente se nunca o viram, especialmente porque se tornou um filme de culto.
Vale a pena ser visto. Acima de tudo pela originalidade do conceito e execução técnica de alguns dos melhores detalhes visuais.

Dois Planetas Saturno (com bastante pena minha, pois com um titulo assim merecia ter sido genial).

 

Porque é realmente um filme extremamente interessante com um conceito único, mas também porque pelo menos eu, continuo a achá-lo chato a partir de certa altura e portanto poderão também ficar com a mesma opinião.
Já o revi uma dezena de vezes ao longo dos anos e sempre que o faço acabo por me perguntar porque voltei a perder o meu tempo com isto novamente. Aliás eu até comprei há anos o dvd-região 1, pois como eu já disse [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] é mesmo um título de que eu gostaria muito de ter adorado e parece que estou sempre a voltar a ele á espera que tenha mudado.

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Se procuram um filme de invasão ao estilo 50s, “ALIEN TRESPASS” é a alternativa óbvia.
Por outro lado vale a pena espreitarem [“KILLER CLOWNS FROM OUTER SPACE”] pelo menos uma vez.

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A favor: o conceito, os palhaços, toda a parafernália e equipamento extraterrestres serem baseados no circo ( inclusivamente a nave espacial ), para uma produção de baixo orçamento há por aqui um bom trabalho em termos técnicos.

Contra: a atmosfera dos 80s não liga e ate anula o conceito de homenagem ao estilo 50s pois é demasiado intrusiva, os palhaços não servem para muito porque muitas das suas cenas estão algo erráticas, a montagem do filme torna-o chato a partir de certa altura quando o efeito de surpresa e novidade termina, os personagens humanos não têm qualquer interesse, os “cómicos” são irritantes como o raio, parece que os criadores disto estavam cheios de ideias que não conseguiram usar ou não puderam.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

BLURAY – REGIÃO B (2) – EUROPA – Edição UK – ( contém DVD também )

bluray

https://www.amazon.co.uk/gp/product/B00KHRI2VK/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B00KHRI2VK&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

DVD – Região 2 – EUROPA – Edição UK
dvd

https://www.amazon.co.uk/gp/product/B001AOHQ0C/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B001AOHQ0C&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0095444

Por outro lado…
Há quem não tenha medo de palhaços…

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

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O AMOR É UMA GRANDE AVENTURA ( SKIN DEEP ) Blake Edwards (1989) EUA

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“I don´t know what to say…”
“How about – the Lord is My Shepherd ?”
Come on Angie drop the gun; you know as well as I do,
you´re not gonna shoot.
You couldn´t kill a fly.”
“ I could, if I caught it fucking my hairdresser.”

 [“SKINDEEP”] é para mim o CASABLANCA da comédia.
Tem tantos diálogos citáveis como o clássico de Bogart e uma atmosfera romântica subjacente que deriva mais do ambiente do que propriamente dos acontecimentos.
É portanto para mim um dos meus grande filmes de culto e se definirmos – Filmes da Nossa Vida – com aquela pergunta do: – Que filmes levaria para uma ilha deserta ?[“SKIN DEEP”] estaria nessa minha lista e numa posição de topo sem qualquer margem para dúvidas.

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É quase uma antítese do cinema romântico americano, pois  [“SKIN DEEP”] faz tudo precisamente ao contrário daquilo a que estamos habituados a ver.
É por isso um daqueles filmes de culto obrigatórios para toda a gente que um dia teve a sorte de o ver no cinema; porque sim , este é um filme que funciona por completo a um outro nível completamente diferente quando visto numa enorme sala escura juntamente com pessoas que desconhecemos.

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É um verdadeiro filme de cinema, para ser visto no cinema. E por ser injustamente também um daqueles títulos verdadeiramente esquecidos que parece ter passado ao lado de muita gente, encaixa perfeitamente neste blog. Pode não ser FC mas contêm definitivamente um universo muito próprio que tem tudo a ver com o meu propósito de recomendar títulos pouco conhecidos.
É um filme desconhecido do grande público por muitas razões (mau marketing foi uma delas); especialmente aqui em Portugal onde recebeu um daqueles títulos que automaticamente faz com percamos logo a vontade de pagar dinheiro para ver isto numa sala.
[“SKIN DEEP”] em Portugal, recebeu o piroso e totalmente desinteressante título de – “O AMOR É UMA GRANDE AVENTURA” , o que imediatamente significa que dever ter estado em exibição pouco mais que um dia na altura em que estreou. Mas felizmente deve ter sido no dia em que eu o vi.

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Curiosamente a sala de cinema estava bem composta de público adulto e eu só lá fui parar porque naquele dia não estava mais nada em exibição, estava longe da minha casa, a duas centenas de km da minha terra e precisava queimar umas horas; porque de outra forma ninguém me apanharia a ver algo com um título tão deslavado assim e com um cartaz que remetia para algo ainda mais desinteressante.
O AMOR É UMA GRANDE AVENTURA”  é um verdadeiro exemplo da atribuição de maus nomes tugas a filmes com títulos originais cativantes; um verdadeiro crime ao conteúdo deste filme enquanto objecto de comédia absolutamente hilariante e extremamente original.

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Ficou marcado na minha vida, pois foi não só a vez que mais ri no cinema como nunca mais esqueci ter visto pessoas caírem da cadeira na sala e ficado sentadas no chão naquele corredor que há no meio dos cinemas completamente destroçadas de tanto rir.
O riso é contagiante, mas nunca na minha vida eu alguma vez voltei a rir (em conjunto) num filme como ri naquele fim de tarde numa sala de cinema (com tanta gente simplesmente descontrolada) e portanto [“SKIN DEEP”] tornou-se imediatamente num titulo muito especial.

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[“SKIN DEEP”] por mais motivos do que um, é um filme que precisava ( e ainda precisa ) de ser visto numa sala escura; de preferência sem sabermos absolutamente nada sobre ele.
Não é á toa que a tagline original era – “The comedy that glows in the dark” – e portanto ver este filme pela primeira vez –“totalmente às escuras”– sem sabermos absolutamente nada sobre que tipo de gags contém, em video ou dvd em casa será sempre muito, muito diferente de o experiênciar na altura de estreia quando isto caiu de repente em cima do pobre espectador que não sabia de todo ao que ia nesse dia;  especialmente numa época onde os filmes ainda conseguiam guardar segredo sobre o conteúdo antes de estrearem.

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Mas o que é [“SKIN DEEP”] ?
É uma comédia sexual, mas não da forma que esperam. Isto não é o American Pie, mas também não é uma daquelas histórias intelectuais ao estilo do Woody Allen. Na verdade fica quase a meio caminho entre o Manhattan e o American Pie… e digo isto no melhor dos sentidos, pois começa logo aí a sua genialidade e originalidade.
Na realidade até nem é uma comédia.
Então afinal é um filme para rir ou não ?…

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É para rir pois, mas [“SKIN DEEP”] funciona tão bem porque está filmado como se fosse um drama muito sério.
A forma como a história está contada não está constantemente a indicar ao espectador quando deve rir; ou a achar piada de si própria que é o pior que pode acontecer a uma comédia.
[“SKIN DEEP”] é uma história verdadeiramente adulta, sobre relações entre casais, o casamento, o adultério e o conceito de monogamia. Apenas tudo gira á volta de um tipo que se mete no meio das situações mais inesperadas onde tudo o que não conseguimos imaginar que lhe poderá acontecer a seguir ACONTECE.

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Zach Hutton é um escritor em crise. Milionário, com uma boa vida e uma boa esposa tem apenas dois problemas. Ou três pois também é alcoólico. Deixou de conseguir escrever e não consegue resistir a uma saia.
O que lhe causa dilemas existenciais que discute com o seu terapeuta em sessões semanais completamente inúteis pois [“SKIN DEEP”] tem um dos melhores personagens psiquiatras de sempre que levam o nosso herói ao desespero por não servir para nada.
Um dia, quando é apanhado pela sua amante na cama com a cabeleireira desta precisamente na altura em que a mulher chega a casa o divórcio acontece e a partir daí seguem-se uma sucessão de tragédias que apanham o espectador completamente de surpresa, pois como já disse [“SKIN DEEP”] é mesmo um drama sobre relações humanas e sobre porque é que alguns casamentos resultam e outros não, qual o papel do sexo, porque não estamos satisfeitos com o que temos e qual o sentido disto tudo.
Apenas mete caniches, sogras do inferno, choques eléctricos, tsunamis , colas super-rápidas, incêndios, faquires das mil-e-uma-noites, funerais, casamentos, encornanços, guitarristas de heavy-metal, namoradas psicopatas e … “pirilampos”…
Afinal, lembrem-se que isto é a comédia que brilha no escuro…

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“Look at it this way Zach, I´ve worked five years, 52 weeks a year, 5 days a week, 3 hours a day, to build this body. And for one night… is all yours ! How do you feel ?”
“Like Missis Arnold Shwarzenegger…”

UM AVISO MUITO SÉRIO À NAVEGAÇÃO…
Se não fazem ideia sobre o que raio é [“SKIN DEEP”]… se nunca ouviram falar de [“SKIN DEEP”]… se depois deste texto ficarem com intenção de espreitar [“SKIN DEEP”] mesmo que seja na cópia sofrível que anda por aí em torrents na net…
NÃO TENTEM SABER ABSOLUTAMENTE NADA SOBRE ESTE FILME ANTES DE O VEREM !!!
Quando muito podem ver o trailer E CHEGA !
Hão de notar que eu nesta review, desta vez nem coloco qualquer link para o iMDB.
É de propósito.
AFASTEM-SE DO iMDB antes de verem o filme, pois praticamente toda a gente que adora o filme fala precisamente sobre o melhor gag de todos e lá se vai o impacto.
Se vocês já não vão conseguir ver isto numa sala de cinema como seria praticamente um requisito obrigatório, se vão ter que ver o filme numa má cópia sacada da internet com som essencialmente em mono e distorcido , então não estraguem tudo ficando a conhecer de mais sobre o que [“SKIN DEEP”] contém em termos de história, estrutura, ou piadas.

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[“SKIN DEEP”] pode ter passado despercebido ao grande público na altura, mas dentro do mundo da comédia ele atingiu rapidamente o estatuto de culto precisamente porque contém não só uma boa dezena de piadas ( e acima de tudo diálogos ) inesquecíveis ( que como já disse, são totalmente citáveis ); como é conhecido por ter um dos melhores gags visuais de todos os tempos; criativo, politicamente incorrecto e verdadeiramente inesperado na altura.
É também a razão para [“SKIN DEEP”] ser um dos filmes mais cortados de sempre no que toca a versões licenciadas para passar na televisão americana.
Portanto meus amigos se nunca o viram, gostam de comédias [“SKIN DEEP”] é um filme a verem mas sem saberem absolutamente nada sobre ele. MESMO !

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[“SKIN DEEP”] foi realizado pelo veterano BLAKE EDWARDS que na verdade nunca me disse grande coisa pois apesar de ter sido o criador de filmes como a famosa série da PINK PANTHER – A PANTERA COR DE ROSA com Peter Sellers  ( que eu adorava em puto ) e ter feito o famoso “10 – Uma Mulher de Sonho” no início dos anos 80 com Bo Derek, sempre achei o cinema dele demasiado televisivo com obras que ficavam datadas muito rapidamente pois nunca foi propriamente um realizador com um estilo visual impactante.
Curiosamente uma das razões que me faz agora continuar a adorar este filme mesmo anos depois de o ter visto pela primeira vez, está também na própria realização. [“SKIN DEEP”] tem mesmo uma boa identidade visual, imagens muito bonitas e bem compostas, um ritmo fabuloso que alterna entre o drama sério e a comédia tresloucada ás vezes numa questão de segundos e consegue ser uma história de amor ( ou várias ) com uma atmosfera romântica extremamente natural. Anti-Hollywood mesmo, mas sem deixar de construir um universo que é quase mágico.

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Muito ajudado também pela banda sonora que embora torne actualmente o filme algo datado no que toca aquele pop horroroso do final dos 80s, contém para além disso muitas canções clássicas de Cole Porter ou momentos de Jazz intemporais que são uma das coisas mais atmosféricas da história e essenciais não só para o tom romântico de [“SKIN DEEP”] como estão incorporadas nalguns dos melhores gags do filme que envolvem todas as desgraças que acontecem ao protagonista Zach Hutton. Um herói romântico que afinal somos todos nós e por isso o filme cria uma enorme empatia com o espectador masculino.

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“You won’t believe it, but there is a God ! And he´s a gag writer !!”

Não pensem no entanto que [“SKIN DEEP”] é apenas mais um filme com outro macho atrás de miúdas que se metem na cama por dá-cá-aquela-palha. [“SKIN DEEP”] está carregado de personagens femininos fantásticos e bem caracterizados.
Aqui não há a rapariguinha que se deixa seduzir pelo engatatão porque é muito frágil e sexy e coisa e tal. Todas as mulheres deste filme são personagens fortes com personalidade e que sabem muito bem o que querem; especialmente em termos da sua própria sexualidade.
Talvez por isso o filme tenha caído tão mal nos Estados Unidos que se calhar esperavam mais uma daquelas comédias sexuais lerdas com as loiras burras do costume que se deixariam engatar pelo herói mas seriam sempre desculpadas moralmente porque eram parvinhas, all american girls etc…
Não aqui. [“SKIN DEEP”] apresenta personagens femininas que sabem o que querem, para desgraça do nosso herói, que ao mesmo tempo que precisa delas, vive aterrorizado com o que lhe acontece quando se envolve nas aventuras sexuais mais mirabolantes .
Mais ainda,  vive em angustia permanente com a perspectiva de acabar sozinho apesar de tantas mulheres passarem pela sua vida.

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[“SKIN DEEP”] pedia um actor que conseguisse passar da comédia ao drama e vice versa na mesma cena em questão de segundos para que a coisa resultasse.
Para mim a escolha não poderia ter sido outra a não ser JOHN RITTER.
John Ritter, muita gente se lembra dele na série “Three´s Company”, grande sucesso do final dos anos 70 até meio de 80 onde ele encarnava aquele que se tornou um personagem irónico das sitcoms americanas; o popular Jack Tripper.
Jack Tripper que vivia com uma loira e uma morena, num apartamento ao pé da praia em Los Angeles alugado a um senhorio alucinado que pensava que Tripper era homossexual (porque era cozinheiro) ou não o deixaria estar a viver na mesma casa com duas raparigas. Tripper tinha como melhor amigo, Larry, seu parceiro nos engates que metiam semanalmente toda a gente em situações alucinantes do outro mundo que só voltei a ver replicadas com o mesmo efeito hilariante anos mais tarde , precisamente em [“SKIN DEEP”].

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John Ritter antes de falecer inesperadamente alguns anos atrás de ataque cardíaco, parece ter passado ao lado de uma grande carreira após ter sido aclamado pela crítica na altura de [“SKIN DEEP”] como o único actor capaz de rivalizar e até superar Peter Sellers em termos de comédia física. Ritter foi bastante falado, elogiado e por momentos até se falou de uma nomeação a Óscar para melhor actor, coisa que não se concretizou certamente porque na Era da Sida uma comédia que envolvia infidelidade conjugal não seria propriamente do agrado de uma Academia conservadora de maioria Republicana.
No entanto, John Ritter esteve em alta nesse ano. [“SKIN DEEP”] pode não ter sido um grande sucesso, até porque era uma produção independente e teve muito pouca distribuição mas chamou as atenções por causa da incrível prestação de Ritter, tanto a nível de comédia física como de prestação dramática com este personagem Zach Hutton.

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Aliás, uma das coisas que eu gosto bastante em [“SKIN DEEP”] é parecer-se com a sequela não oficial em cinema para o Three´s Company televisivo.
Se imaginar-mos Jack Tripper 15 ou 18 anos, longe da vida que tinha nos anos 70, já casado,  etc, Tripper não anda longe de Hutton. Até porque em termos de loucura sexual o personagem é exactamente o mesmo !
Até o nome Zach, soa familiarmente a Jack… como se Blake Edwards se tivesse inspirado em Three´s Company para criar aquele template mas por questões de copyright nunca o pudesse admitir publicamente.
Por isso meus amigos, se vocês se lembram de Three´s Company e adoravam o estilo caótico do seu tipo de comédia, [“SKIN DEEP”] é exactamente o mesmo, mas mais sofisticado.
Pensem nisto como a sequela não oficial.

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John Ritter é para mim o melhor actor de comédia de todos os tempos; pouco me importa a importância de Chaplin ou o talento de Sellers. Somadas as horas de Three´s Company com Skin Deep, Ritter foi o actor que mais me fez rir até hoje e já o admirava como actor de comédia. [“SKIN DEEP”] confirmou-o também como um excelente actor dramático o que parece, surpreendeu meio mundo na crítica especializada da época que lhe atribuiu os melhores elogios na altura onde foi aclamado como o novo Peter Sellers e um mestre da comédia física.
Por isso nunca entendi como Ritter se voltou a apagar em termos de carreira. É que depois de algo assim muita gente apenas o conhece de papeis básicos a fazer de -pai- em séries de TV ou nos filmes do Pestinha , populares nos anos 90 mas que não passavam de rip-offs de Home Alone onde Ritter não tinha qualquer impacto cómico.
Nunca entendi.

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Portanto, resumindo o paleio para hoje…
Não podem perder [“SKIN DEEP”].
Se não sabem nada sobre ele, continuem assim e vejam o filme. ÁS ESCURAS.
Provavelmente por entre o humor anárquico,  irá acabar por os fazer pensar muito mais do que imaginam.

E poderão aprender como ressuscitar um caniche esmagado, o que também pode dar jeito…

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CLASSIFICAÇÃO

Não era minha intenção falar aqui hoje sobre outro filme com classificação máxima mas [“SKIN DEEP”] apareceu numa conversa com um amigo e tive mesmo que rever o filme pois não o via há quase 20 anos e achei que estava na altura de perceber se este seria realmente tão bom quanto eu me lembrava dele.
É.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award com quilos de ouro em cima.

     

Pode não ser FC, mas é um verdadeiro filme de culto ao mesmo tempo que também é um filme esquecido e sendo assim só podia entrar neste blog.

A favor: gags do melhor, excelente equilíbrio entre o drama e a comédia, john ritter, os personagens ( o amigo barman, o psiquiatra, a sogra, o metálico, os advogado amigo e respectiva esposa ), os diálogos são de cortar á faca e totalmente citáveis, é politicamente incorrecto, o ambiente romântico original, os personagens femininos são excelentes, a forma como usa canções de Cole porter para criar piadas e dar atmosfera á história, a realização. Ritter é genial no humor físico. É uma comédia romântica inteligente.
O caniche. O cego. A cena ás escuras.

Contra: a barba de Zach em algumas cenas nota-se que é ridiculamente falsa, pois foram cenas adicionais adicionadas quando Ritter já a tinha tirado. Provavelmente a barba falsa mais óbvia da história da caracterização no cinema. Alguma da música pop é atroz afinal estamos a falar dos anos 80 ( embora eu goste da música do genérico pois acho que determina por completo a atmosfera da história ). Visualmente o filme poderá parecer datado pela moda mas isso pouco importa. Curiosamente… os personagens principais estão no ínicio da casa dos 30 anos mas parecem muito mais velhos… sempre pensei que a mulher de Hutton tivesse uns 40 e tal anos ( por causa do cabelo , ou das roupas , não sei ) mas afinal ainda nem tinha 38.

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NOTAS ADICIONAIS

Eventualmente irão aparecer futuramente por aqui um par de outros filmes que para mim foram importantes e que porventura podem parecer não encaixar no espírito FC/Fantasia do blog mas encaixam; não sou fã de westerns por exemplo mas há pelo menos um que acho fabuloso e portanto…
Também não tenho como filmes da vida muitas comédias mas [“SKIN DEEP”] é um daqueles títulos que eu acho extraordinários. E que só por acaso é uma comédia…

TRAILER (que tem mil vezes melhor som e imagem que as cópias em dvd ou dvd-rip)

CÓPIAS DO PIOR

Ver [“SKIN DEEP”] em condições hoje em dia é bastante difícil, por vários motivos. Primeiro em Portugal só teve uma edição VHS em 1990, depois nunca foi editado em DVD em região 2 e só existe uma edição de região 1 ( que é a que eu tenho ) e que anda actualmente ripada num par de torrents da net. O problema é que essa cópia de região 1 em DVD já era má como o #$%&//% e quando pirateada ficou ainda pior, especialmente a nível de som e [“SKIN DEEP”] tem o azar de depender totalmente do som, pois muitos gags e muito do ambiente romântico têm a ver com música.
Se conseguirem sacar o filme da net, preparem-se para mal o conseguirem ouvir em condições e é pena, pois mesmo depois de toda esta minha recomendação vocês não irão conseguir aprecia-lo com a qualidade com que eu o vi no cinema.

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[“SKIN DEEP”] teve também um sério problema quando passou na televisão. Em Portugal não sei qual é a cópia que compraram se é que passou na tv, mas lá fora a – versão televisiva- ficou como exemplo da estupidez que gere muitas decisões nos estados unidos, especialmente quando envolvem questões de moral.
Por [“SKIN DEEP”] ser essencialmente uma comédia sexual ( esqueçam o American Pie ), a versão televisiva que foi remontada para passar na américa teve todas as piadas do filme REMOVIDAS !!! A versão televisiva é essencialmente um drama, tendo sido retirada a vertente de comédia por completo da história porque esta normalmente envolve temas que giram á volta do sexo. O pior é que consta que foi esta a versão distribuída além fronteiras para o mercado televisivo de alguns países também e portanto não faço ideia se a cópia que passou por cá também foi a mesma. Há gente na net que pensa que este filme é um drama pois só viu a montagem para tv americana.

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CURIOSIDADE

A actriz que faz de sogra de Zach Hutton foi na verdade a professora de Drama de John Ritter na escola de teatro , 25 anos atrás e este estava aterrorizado por ir contracenar com ela nas cenas que tiveram juntos pois não a via há duas décadas. O que contribuiu ainda mais para o nervosismo e desespero do personagem; pois o seu medo de ser julgado pela antiga professora imitou perfeitamente o sentimento de Hutton no filme em relação á sogra e talvez por isso os gags com os dois também sejam das melhores partes de [“SKIN DEEP”].

COMPRAR
Já não existe em formato algum.

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NEM PENSEM NISSO antes de ver [“SKIN DEEP”].

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

*não há nada que se compare a isto.*

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