“IRON SKY – DICTATOR´S CUT” (“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”) Timo Vuorensola (2012) FINLANDIA / ALEMANHA / AUSTRALIA

[“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] é um blockbuster único por vários motivos.
Provavelmente será o blockbuster perfeito para quem como eu pensava que o cinema ultra comercial não poderia ter mais qualquer originalidade para lá de todos os enlatados habituais saídos de Hollywood.
Talvez porque ( surpreendentemente ) seja cinema Finlandês.

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[“IRON SKY”] tem capital Alemão e Australiano mas essencialmente é um filme Finlandês.
E mais ainda, não só é um blockbuster Finlandês como quase com toda a certeza será o primeiro blockbuster de orçamento confortável alguma vez realizado por um grupo de cineastas amadores sem qualquer experiência profissional naqueles moldes em que se entenderia o conceito se estivessemos a falar de cinema Americano.

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É certo que todo o making of envolve gente com imenso talento técnico e de elevada qualidade a todos os níveis comparável com o melhor que há de profissional em Hollywood mas isso ainda torna [“IRON SKY”] uma produção mais fascinante.
Isto porque essencialmente não só foi parcialmente financiada por donativos online numa muito bem sucedida campanha Kickstarter de crowd-funding ao longo de três anos, como depois foi realizada por uma pequena equipa de jovens amadores cujo a única coisa no currículo tinha sido o web-filmeStar Wreck – In The Pirkinnin”.
Filme esse que eles tinham realizado um par de anos atrás filmando cenas com ecran verde dentro de um apartamento mas que quando foi colocado na net foi uma das primeiras “grandes produções” amadoras a tornar-se viral e a inspirar muita gente para também tentar fazer o mesmo dentro de casa.

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A tal ponto que hoje “Star Wreck – In The Pirkinnin”está já oficialmente lançado em DVD, ganhou um par de festivais de cinema de culto e abriu as portas ao mundo “profissional” do cinema a um pequeno grupo de jovens universitários que até então tinham feito umas animações primitivas em computador e mais nada.
Um desses jovens, Timo Vuorensola viu-se de um momento para o outro na pele de realizador de um projecto como [“IRON SKY”] dirigindo actores europeus consagrados, como se fosse já um grande realizador em Hollywood ainda hoje ele não sabe bem como.
É caso para dizer que o verdadeiro “American Dream” ocorreu há um par de anos na Finlândia com o jovem Timo Vuorensola quando catapultado da noite para o dia do interior do seu apartamento para um estúdio a sério numa produção que pretendia rivalizar com qualquer blockbuster profissional saído de Hollywood.
E não é que o resultado foi extraordinário ?!

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[“IRON SKY”] será por isso o filme amador mais bem produzido de todos os tempos pois “Star Wreck – In The Pirkinnin” chamou a atenção de um par de investidores que tudo fizeram para que Timo Vuorensola  conseguisse colocar no ecran esta aventura Nazi absolutamente original. Uma aventura com um toque politicamente incorrecto que se calhar, será até demais para certo tipo de público americano digerir.
Não deixa de ser extraordinário como tanto os investidores Alemães e os Australianos nem por um segundo duvidaram que esta pequena equipa de jovens “inexperientes” seriam capazes de levar a bom porto uma produção tão técnicamente complicada como esta, mas ainda bem que lhes deram essa confiança.

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Não costumo recomendar muitos documentários de making of, mas se tiverem oportunidade de ver o que vem no bluray para [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] recomendo vivamente, pois demonstra claramente que se calhar para se fazer cinema capaz de competir com qualquer blockbuster americano não é de centenas de milhões de dólares que se precisa mas sim de gente com imaginação, talento e capacidade organizativa para gerir o orçamento que tiver á disposição; um pouco á semelhança dos “MYTHICA A QUEST FOR HEROES” ( outra produção amadora fabulosa ) ou de “CARGO” um filme Suíço de baixo orçamento que parece mais caro do que muita mega produção de centenas de milhões de dólares saída de Hollywood.

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Como toda a gente sabe, quando os Nazis perderam a guerra, em 1945 estes partiram para o lado escuro da Lua e habitam por lá desde então preparando-se para daqui a um par de anos voltarem á Terra e invadirem o planeta nos seus discos voadores.
Com o que os Nazis não contam é que por volta do ano 2018, Sarah Palin será a nova presidente dos Estados Unidos com toda a certeza ( provavelmente depois de alguém (esperemos) ter dado um tiro no Trump); e como tal Sarah Palin como boa gringa militarista estúpida como uma porta estará plenamente preparada para enfrentar essa ameaça Nazi e comandar as tropas mundiais.
Tropas essas que surgirão do interior das Nações Unidas, esse grupo plenamente dominado pelos americanos ( visto que na ONU são todos idiotas ), para depois irem dar uma lição aos Nazis lunares bombardeando a sua casa na Lua.O que foi ? Não é um argumento realístico ?
Então os discos voadores vêm de onde ?!

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[“IRON SKY”] são actualmente dois filmes e podem encontrar ambas as versões editadas em bluray á venda na internet. 
A primeira versão, que saiu inicialmente, passou nos festivais e inclusivamente teve estreia nos Estados Unidos é a versão curta.
Segundo o realizador não é  a versão que ele queria ter lançado mas foi obrigado a cumprir prazos e teve que criar uma montagem “final” em tempo recorde quando ainda algumas das cenas que ele queria incluir não estariam prontas em termos de composição e efeitos especiais.
Sendo assim, não só essas cenas ficaram de fora na primeira versão como inclusivamente houve cenas encurtadas.

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A primeira versão para cinema de [“IRON SKY”] já era fascinante quanto baste, funcionou perfeitamente nos cinemas, ganhou prémios e elogios por todo o lado mas agora Timo Vuorensola não satisfeito conseguiu finalmente lançar a versão que originalmente tinha na ideia e que neste momento é conhecida como: [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”].

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É sobre esta versão [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] que o meu texto agora incide.
Se eu tivesse no entanto que dar uma pontuação apenas –à versão original– eu diria que levava uns Quatro Planetas Saturno de classificação aqui no meu blog.
Sempre adorei este filme, mas também sempre achei que faltava algo que eu não conseguia bem identificar.
 Agora que vi [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] percebo perfeitamente o que senti, pois esta segunda versão com os seus 20 minutos extra de duração é quase um filme novo.

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Além de ter muitas das cenas originais extendidas , contém ainda versões diferentes de tantas outras e inclui um monte de cenas adicionais totalmente novas, que finalmente tornam todo este universo alucinado bem mais coerente, tanto em termos de história, como principalmente no humor negro.
Coisa que faltava na versão “curta” lançada oficialmente há um par de anos atrás onde havia sempre algo que sabia a pouco. Especialmente na batalha final que pareceu sempre muito curta.
Portanto [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] é definitivamente a versão a ver a partir de agora, tal como as extended editions do The Lord of the Rings serão sempre as definitivas e ninguém pensará em ir rever as versões de cinema quando tem as versões integrais disponíveis.

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Se não encontrarem [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] e só tiverem o [“IRON SKY”] original não ficam mal servidos pois este filme é muito criativo seja em que versão for. Agora se puderem optar, [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] é a versão que vocês querem ver, pois até novas cenas de efeitos especiais com batalhas no espaço isto inclui e como tal é bastante mais divertida do que a primeira versão.

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É verdade, [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] contém inclusivamente um gag que irá passar completamente ao lado de quem nunca viu as centenas de variações com dobragens e legendagens malucas envolvendo Adolf Hitler em que Bruno Ganz já foi mais aproveitado para piadas do que alguma vez esperou vir a ser quando teve uma prestação dramática tão potente no filme original sobre as ultimas horas de Hitler.
Quem sabe do que eu falo, vai encontrar em [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] uma coisa conhecida. Um gag onde a realização faz a própria piada e só quem conhece bem o bocadinho de filme original irá perceber a referência que não podia estar melhor.
(Prestem atenção á montagem da cena…)

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De resto [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] é um espectáculo visual. Contém muitos mais detalhes do que o primeiro cut e continua absolutamente notável em termos de design conceptual.
Todo o mundo Nazi Lunar onde em 2018 ainda vivem com a tecnologia de 1945 é absolutamente genial e verdadeiramente hilariante. As melhores piadas neste filme são normalmente até aqueles onde ninguém precisa de falar, basta olharmos para as imagens e para todo o ambiente visual das bases lunares Nazis na Lua.

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[“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] contém uma estética steampunk absolutamente fantástica, tudo no mundo Nazi parece arcaico e antiquando mas ao mesmo tempo é verdadeiramente épico !
Quem planeou este filme fez um trabalho merecedor de todos os prémios e mais alguns. Tivesse isto sido um filme americano e teria pelo menos ganho um prémio qualquer pelo design de produção, pois é simplesmente notável na forma como usa o digital para extender muitas vezes até ao infinito pequenos sets que na realidade foram apenas filmados num espaço bem limitado contra um fundo verde e pouco mais.
Todo o mundo de [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] parece incrivelmente sólido e real e isso é o melhor que se pode dizer de cinema puramente digital naquele estilo que muito depreciativamente há alguns anos atrás era apelidado de – cinema photoshop.

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[“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] é por isso, também um verdadeiro sucessor de “SKY CAPTAIN & THE WORLD OF TOMORROW”, filme que passou despercebido nas bilheteiras mas que foi sem sombra de dúvida um marco neste tipo de tecnologia onde com apenas um ecran verde e um grupo de gente com imaginação se consegue praticamente em casa gerar filmes de FC tão épicos como qualquer coisa saída de Hollywood.
Dentro do cinema puramente digital, [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] será provavelmente o melhor exemplo de como se usam as novas tecnologias caseiras ao alcance de toda a gente para criar algo extraordinário.

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[“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] como seria de esperar é também muito politicamente incorrecto. E só não parece mais agressivo, porque como diz o realizador no documentário de making of, se calhar o seu humor é até demasiado seco para as audiências fora dos países nórdicos.
Coisa com que eu concordo plenamente. Sempre achei que certas piadas poderiam ter ido mais longe ou ter outro tom mais agressivo mas depois de ver os bastidores desta produção percebo perfeitamente que muito daquele humor lá pelo norte da europa será de morrer a rir.

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Na verdade se há uma coisa que “falha” em [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] será precisamente o humor. Não que o filme não tenha piada porque tem, mas nunca se torna verdadeiramente hilariante apesar de tudo o que mostra no ecran.
E isto mais por culpa do próprio – pacing – com que as piadas são montadas do que propriamente por causa do conteúdo das mesmas; porque muitos dos gags têm um potencial verdadeiramente hilariante… apenas parecem sempre algo … frios… em muitos momentos para talvez poderem funcionar com todo o seu potencial fora dos países escandinavos; como refere o realizador no documentário de making of .

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[“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] tem realmente uma atmosfera muito estranha enquanto filme. Talvez por ser tão diferente, original e ter tanta coisa para mostrar, muitas vezes não sabe bem se quer ser uma comédia alucinada, um thriller sério, um blockbuster de Hollywood ou uma sátira verdadeiramente negra e politicamente incorrecta que não perdoa ninguém a começar pela burrice dos americanos em geral.
Até mesmo nesta versão bem mais coerente sente-se que há por aqui qualquer coisa que ainda falta funcionar para que isto seja verdadeiramente uma obra-prima dentro deste género de cinema.
Talvez seja até porque não se percebe bem que género de cinema [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] quer ser.

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O elenco é quase todo nórdico e alemão o que dá uma enorme autenticidade a toda esta produção, especialmente porque os Nazis na Lua falam realmente alemão e o Inglês só é usado nas partes necessárias de aventura e comédia que envolvem o herói do filme, um negro americano que tem o azar de ser apanhado pelos Nazis no meio da lua e estes transformam-no num “branco Ariano” de forma a “purifica-lo” da sua cor tal como pretendem fazer ao planeta inteiro quando o conquistarem.

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Já agora grande destaque para a “Sarah Palin” do filme. Curiosamente nunca é referida pelo nome , mas as semelhanças são óbvias principalmente na estupidez e no militarismo militante. São dela algumas das melhores cenas do filme e não podiam ter escolhido melhor “presidenta” dos Estados Unidos, pois esta bimba acho que ainda consegue ser mais assustadoramente estúpida e inepta que o próprio Donald Trump actualmente.

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Resumindo, [“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] é melhor e mais completo que o [“IRON SKY”] inicial e por isso leva mais um ponto do que eu teria dado á primeira versão.
No entanto continua a faltar ali qualquer coisa para o tornar verdadeiramente genial; e a culpa talvez seja da forma como o sentido de humor por vezes impede que o filme se defina claramente ou como comédia ou como aventura pois fica sempre a meio de qualquer coisa que não conseguimos identificar bem.

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CLASSIFICAÇÃO

[“IRON SKY – DICTATOR´S CUT”] é definitivamente um filme muito diferente e muito divertido. Se calhar tem ideias boas a mais e muitas perdem-se a uma primeira visão.
Está carregado de gags bem pensados, é suficientemente politicamente incorrecto para chatear e ofender muita gente o que é óptimo e em termos criativos visualmente é do outro mundo.

Cinco Planetas Saturno ( para esta versão “Dictator´s Cut” )

    

É o filme ideal para quem ainda pensa que só em Hollywood se produzem blockbusters impressionantes visualmente. É também um excelente exemplo de que para se fazer FC realmente imaginativa nem sequer é preciso um orçamento megalómano.

A favor: o design é do outro mundo, todo o conceito Nazi Lunar está incrivelmente bem reproduzido e não faltam cenas na Lua, os personagens são divertidos, tem montes de humor negro e bem politicamente incorrecto, poderá ofender muita gente o que é fantástico, excelente uso de CGI, é um conceito original muito bem executado.

Contra: nunca se define bem se quer ser uma aventura, um thriller de FC, uma sátira, uma comédia ou qualquer outra coisa que não se percebe bem. Por vezes tem um certo ambiente frio que entra em choque com qualquer coisa que deveria ter sido realmente hilariante mas parece ficar a meio caminho por causa do humor nórdico ser por vezes tão seco e “sem graça (?)”…

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER – DICTATOR´S CUT

COMPRAR DVD – VERSÃO DICTATOR´S CUT – REGIÃO 2 – EDIÇÃO UK

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https://www.amazon.co.uk/gp/product/B00GMFL95M/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B00GMFL95M&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

COMPRAR BLURAY – VERSÃO DICTATOR´S CUT – REGIÃO ZERO (ALL) – EDIÇÃO UK

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https://www.amazon.co.uk/gp/product/B00GMFL8YY/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B00GMFL8YY&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

COMPARAÇÃO ENTRE A VERSÃO DE CINEMA E O DICTATOR´S CUT
http://www.movie-censorship.com/report.php?ID=153584

SITE OFICIAL COM CENAS DO IRON SKY 2
… que ainda anda em campanha de crowdfunding para recolher financiamento.
http://www.ironsky.net/

IMDb
http://www.imdb.com/title/tt1034314/

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“THE 4TH KIND” (“THE FOURTH KIND”) Olatunde Osunsanmi (2009) INGLATERRA / USA

Apesar do meu interesse pelo tema, [“THE 4TH KIND”] curiosamente foi um filme que me passou  continuadamente ao lado durante estes anos todos ainda não percebi bem porquê.
Talvez porque quando saiu, as reviews que eu espreitei não foram nada favoráveis e os comentários do público ainda menos e portanto eu acabei por ir na onda deixando este filme para trás até quase me esquecer dele.
Nota mental: começar a ver todos os filmes de que a crítica profissional fala mal; especialmente quando o público no IMDb concorda com os críticos !!!
[“THE 4TH KIND”] é fabuloso !
E totalmente creepy também !!!

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Comprei-o agora pelo Natal pois a Amazon Uk, estava carregada de Blurays a menos de duas libras e achei que seria a altura certa para o ver em condições.
Para começar vamos já abordar uma coisa que me irrita por demais; e que é aquela ideia de que não há actores de grande qualidade no cinema de terror, ou pior ainda, não pode haver actrizes, boas, sexys e bonitas que sejam realmente excelentes actrizes.
Se alguém acha que a Milla Jovovich é uma actriz menor ou apenas uma gaja boa que só serve para andar aos tiros em filmes de porrada com zombies, então é porque não viu [“THE 4TH KIND”].

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Milla Jovovich é a principal razão porque este filme resulta tão bem.
Se [“THE 4TH KIND”] mete medo como o raio, muita da tensão que a história cria parte precisamente da interpretação desta actriz tão desprezada habitualmente mas que aqui mostra plenamente que ainda poderá vir a surpreender quando for mais velha e deixar de fazer os filmes de porrada divertidos que lhe dão agora uma injusta má fama.
[“THE 4TH KIND”] faz ainda duas coisas que não são muito comuns. Ou melhor… três coisas que não são muito comuns.

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Primeiro centra toda a carga dramática do argumento na prestação de uma actriz que não será própriamente conhecida por desempenhos num género sério. No entanto é com base na  sua excelente interpretação que depois o filme assusta de morte o espectador desprevenido.
[“THE 4TH KIND”] é bastante conhecido por ter um par de sustos absolutamente de arrepiar; mas se formos ver bem não são nada para lá do que até costuma acontecer neste tipo de cinema de terror.
Os sustos resultam de forma inesquecível neste caso, porque toda a tensão até chegar a esses momentos está extraordinariamente bem construída.
De tal forma que a partir de certa altura até um cartoon da Hello Kitty nos daria um AVC quanto mais o que depois [“THE 4TH KIND”] atira á cara do espectador nas alturas mais tensas embora mais inesperadas.

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Se a tensão está bem construída isso deve-se ao facto de que nos esquecemos por completo que estamos a ver a Milla Jovovich  dos “Resident Evil” ou do “5th Element”.
Cinco minutos depois da história começar e quem está no ecran transportando-nos por completo para aquele mistério é a Dra Abbey Tyler; ou como o filme quer fazer crer, a versão ficcionada da verdadeira Dra Abbey Tyler interpretada por Jovovich e que é sempre mostrada no ecran em paralelo com imagens “reais” da “verdadeira” Abbey Tyler.
Tudo isto em sequências gélidas de cortar á faca e que nos dão completamente cabo dos nervos.

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A terceira coisa absolutamente notável neste filme é que [“THE 4TH KIND”] consegue ser um filme sobre –alien abductions– onde nunca são mostrados os extraterrestres !
Quem espera ver um filme de FC onde a dado momento aparecem os típicos – alien grey – ou qualquer criatura mais assustadora, esqueçam.
[“THE 4TH KIND”] não mostra qualquer representação física de uma criatura extraterrestre e talvez por isso seja tão assustador ( e realístico ).
Coisa que muito utilizador de IMDb parece ter não gostado nada, pois a grande maioria das pessoas que detestam o filme têm essa opinião precisamente porque este não entrou em modo de filme de monstros ( ou de acção ) com cenas “de terror” em que os heróis lutariam ou fugiriam de extraterrestres com designs de videogame.

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Estupidamente também, grande parte do ódio para com este título está no facto de muita gente ter ficado absolutamente irritadada por nada nesta história ser real e no entanto o filme ter sido publicitado como sendo baseado num caso verídico que iria apresentar ao mundo imagens inéditas nunca vistas.
Não consigo entender este argumento, pois o que não faltam por aí são filmes de sucesso completamente ficcionados mas que no entanto afirmam ter sido baseados em casos reais.
No entanto com [“THE 4TH KIND”] o grande ataque da crítica especilizada começou logo por aí, acusando o filme de ser uma fraude por tentar apresentar uma história de ficção como sendo realidade depois do que tinham dito na promoção do mesmo. What ?!…

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Ignorem.
Meus amigos, se o tema das – alien abductions – é algo que os fascina, garanto-vos que não irão encontrar melhor abordagem de terror a este tipo de enigma do que a que poderão ver em [“THE 4TH KIND”]. Verdadeira ou falsa, é uma história completamente cativante e muito bem construída dentro deste género.
Ignorem toda a negatividade que encontrarem no IMDb e acreditem que o resto do pessoal que deu nota máxima ou quase máxima a este filme tem toda a razão quando argumenta em sua defesa, pois [“THE 4TH KIND”] é absolutamente genial principalmente como cinema de puro terror e há muito tempo que não aparecia um bom filme de horror psicológico assim.
Um filme onde o espectador é realmente obrigado a usar a imaginação porque a história não mostra nada.
 Nem precisa de mostrar !

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[“THE 4TH KIND”] usa esse – nada – para nos assustar de morte.
Cria um clima de incerteza e tensão que vai subindo de tom á medida que a história progride e consegue manter-nos sempre colados á cadeira sem precisar de mostrar o que quer que seja.
Mais até do que acontece no excelente “THE DYATLOV PASS INCIDENT”, [“THE 4TH KIND”] é absolutamente genial na forma como nos faz imaginar ( e esperar ) coisas mais arrepiantes do que depois nos mostra.
E o que “nos mostra” depois o espectador não está à espera, pregando-nos sustos de morte ( e arrepios muito para lá do salto na cadeira ).

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[“THE 4TH KIND”] também se distingue noutra coisa…
Se há uma praga no cinema de terror moderno é aquela ideia de que basta usar som ALTO para assustar o espectador. Fazer as pessoas saltarem das cadeiras não é assustar. Assustar é manter as pessoas congeladas depois desse “susto” passar e é nisto que [“THE 4TH KIND”] é realmente muito bom.
Não se esquiva aos sustos de SOM ALTO, mas usa-os apenas para potenciar uma cena que já era arrepiante por si própria.
[“THE 4TH KIND”] não contem nenhum susto com som alto que não esteja executado dentro de um contexto psicológico prévio.
Ou seja, quando recorre a essa fórmula é apenas para culminar o clima de medo e perturbação com que nos cola á cadeira durante o resto do tempo enquanto não acontece “nada”.

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E mais uma vez, também esses momentos resultam tão bem devido á prestação de Milla Jovovich  pois as suas cenas dramáticas humanizam o contexto de – alien abduction como eu nunca vi representado e humanizado em nenhum filme do género até agora.
Se a vertente alienígena funciona na perfeição sem precisar de encher o ecran com efeitos especiais, isso deve-se precisamente ao facto de que a personagem principal cria uma grande empatia com o espectador; em especial nas cenas que envolvem coisas mais mundanas do dia-a-dia, como a relação com os filhos, etc.

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Bastava Milla Jovovich ter falhado como protagonista e o filme afundava-se por completo, pois mais do que nos interessar pelo enigma extraterrestre a partir de certa altura estamos totalmente investidos no destino da própria pessoa que se vê envolvida no caso, especialmente quando a história entra por uma vertente dramática muito bem construída num clima de grande tensão.

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Nem por um segundo a protagonista perde qualquer confronto dramático quando está no ecran com actores de reconhecida qualidade com Will Patton que aqui faz de Xerife da cidade. Nem com ele, nem com qualquer outro dos excelentes actores com que este filme pôde contar.
E por falar em actores…

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De uma vez por todas, meus amigos…
Nada neste filme é real.
Nenhuma das cenas com “imagens reais” dos “verdadeiros protagonistas” do caso é real.
É tudo uma excelente encenação que faz parte do conceito fantástico deste filme e o torna tão especial.
A “verdadeira” Dr Abbey Tyler que aparece intercaladamente a ser entrevistada por Olatunde Osunsanmi o ( verdadeiro ) realizador de [“THE 4TH KIND”] também é uma actriz; tal como podem comprovar se espreitarem a página da rapariga no próprio IMDb com a sua filmografia.
Aliás, todos os “verdadeiros” intervenientes do “caso real” neste filme são actores ( com excepção do realizador ) e todas as supostas entrevistas reais, fazem precisamente parte da genialidade do conceito de [“THE 4TH KIND”] enquanto objecto cinematográfico muito original que inclusivamente subverte por completo o estilo do falso documentário.

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Não faço ideia de onde este realizador saiu, mas com [“THE 4TH KIND”] conseguiu não só criar um filme de terror fabuloso como ainda por cima fê-lo de uma forma arriscada. Com uma montagem quase videográfica que recorre a cortes, transições e mistura de imagem “real” com “ficção” a todo o instante sobrepondo muitas vezes várias narrativas ao mesmo tempo de forma que eu nunca tinha visto ser tão bem feita e onde não se perde um fotograma de cada bocado da história.

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Por este estilo ter funcionado tão bem, é que muita gente na internet continua ainda hoje a acreditar que [“THE 4TH KIND”] mostra realmente um caso real com imagens verdadeiras e testemunhos genuínos.
De uma vez por todas, [“THE 4TH KIND”] é apenas um filme meus amigos.
E olhem que eu não tenho nada de céptico ou debunker, pois o tema das –alien abductions– interessa-me por completo e se calhar sei muito mais sobre ele do que muitos de vocês; mas pessoal, há que fazer aqui uma divisão realística, [“THE 4TH KIND”] é apenas um filme.
Nada mais.

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Mas que é um filme absolutamente genial, é.
Foge a todas as convenções narrativas, mistura o género do “found footage film” com uma estrutura cinemática tradicional e faz tudo funcionar graças a uma montagem fabulosa; que  aliada a uma carga dramática muito bem conseguida através do desempenho de actores excelentes remata tudo com um clima de medo e absoluto terror, usando principalmente a nossa imaginação e expectativa.
[“THE 4TH KIND”] é tão bom enquanto filme de terror e FC, que dispensa por completo qualquer extraterrestre.

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O argumento embora não estando assente num caso real como pretende ser, é uma excelente mistura de alguns dos melhores pormenores ligados ao tema das – alien abductions.
Se comete algum erro, será talvez o de entrar por uma abordagem de puro horror mas não nos podemos esquecer que [“THE 4TH KIND”] é acima de tudo, cinema de terror.
Apenas está baseado no fenómeno psicológico das – alien abductions.
Algumas pessoas online criticaram o filme por este apresentar uma imagem excessivamente demoníaca de uma raça extraterrestre porque essa abordagem entraria em contradição com a suposta técnologia avançada de que dispõem para cá chegar, etc, etc, etc…

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Percebo o que querem dizer, mas volto a dizer, [“THE 4TH KIND”] é um filme de terror.
É suposto pegar num conceito simples e estica-lo ao máximo em termos de exagero contextual.
Quem segue o fenómeno das supostas – alien abductions – sabe que os casos verdadeiramente violentos são estatisticamente mínimos e salvo um caso famoso ou dois mais arrepiantes muito do que eventualmente terá acontecido com alguns abductees sempre teve uma vertente bastante subjectiva e até relativamente positiva.
No entanto se estamos agora a falar de cinema de terror, é óbvio que [“THE 4TH KIND”] teria de se basear naquilo que o fenómeno tem de mais inquietante.
E acerta em cheio na abordagem. Brrr !

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[“THE 4TH KIND”] está muito bem feito.
É bastante fiel aos subjectivos casos reais envolvendo o fenómeno e apesar de ser ficção pode quase considerar-se uma amostragem ficcionada de um tipo de casos bastante particulares dentro deste campo.
O argumento é excelente, os diálogos são perfeitos, as interpretações fantásticas e a realização não podia ser melhor.
Tudo somado faz de [“THE 4TH KIND”] um dos melhores e mais assustadores filmes de todos os tempos, independentemente de ser FC, ficcionado, falsificado ou o que lhe queiram chamar.

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Curiosamente apesar de ser uma produção inglesa e história ser passada no Alasca, o filme foi inteiramente rodado na Bulgária.
Visualmente é fabuloso quando recorre a breves exteriores, tem montes de atmosfera , a fotografia é excelente ( tanto no “found footage” como na “recriação ) mas principalmente o – sound designé literalmente do outro mundo e irá gelar-lhes a espinha por completo.
Desafio qualquer corajoso que não tenha medo de filmes de terror a ver isto como eu vi; ás escuras, num ecran enorme, sozinho e com headphones ligados no máximo noite dentro.
Bons sonhos…

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Irei avisar mais abaixo novamente, mas digo-lhes já uma coisa… se nunca viram [“THE 4TH KIND”], afastem-se de tudo o que existe sobre o filme e principalmente NÃO VEJAM O TRAILER !!!
O trailer mostra o filme todo !!!
O filme inteiro está no trailer e depois a única coisa que lhes sobra é verem versões extendidas de todas as cenas que aparecem na apresentação e mais nada; o que torna este num dos trailers mais estúpidos de todos os tempos pois não sobra absolutamente NADA para descobrirem no filme. Inclusivamente mostra todos os melhores sustos e todas as cenas inesperadas que acontecem ao longo da história !!!
MANTENHAM-SE AFASTADOS DO TRAILER !!!

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CLASSIFICAÇÃO

Se o tema das – alien abductions – lhes interessa e querem ver uma abordagem verdadeiramente aterrorizante sobre o assunto que de certa forma cobre o melhor de alguns casos arrepiantes reunidos num único argumento ficcionado, então [“THE 4TH KIND”] é um filme a não perder.
Ignorem as críticas idiotas negativas, [“THE 4TH KIND”] é absolutamente genial.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

Mesmo que não se interessem por ovniologia ou mistérios antigos e gostem apenas de um bom filme de terror onde a vossa imaginação é constantemente usada para os assustar então este é o vosso filme, pois é uma das melhores propostas de cinema de terror psicológico dos últimos anos.

4th-kind_17 Film Title: The Fourth Kind

Em termos de cinema de terror com – alien abductions – é tão bom quanto “ALIEN ABDUCTION: INCIDENT IN LAKE COUNTY” por exemplo. Melhor até.

A favor: a interpretação de Milla Jovovich é daquelas para calar mesmo quem apenas a associa a filmes de porrada sem cérebro, todo o restante elenco é igualmente fantástico ( com destaque para a “verdadeira Abby Tyler” que mete mais medo que qualquer extraterrestre que pudessem meter no ecran ), o design de som deste filme é absolutamente arrepiante, contém um par de sustos inesquecíveis, usa a nossa imaginação para assustar e inquietar em vez de mostrar monstros e efeitos, a realização é fabulosa e o filme é bastante arriscado em termos de originalidade também, tem um bom argumento e fala sobre mais coisas do que apenas sobre alien abductions, mete um medo do caraças especialmente se o virem de noite ás escuras e com os headphones no som máximo.

Contra: Sofre um bocado do mesmo mal que este género de filmes costuma sofrer… o final é genericamente insatisfatório pois parece que quem imagina este tipo de histórias nunca sabe bem como acaba-las e infelizmente neste caso também [“THE 4TH KIND”] não é excepção.
Há ainda quem pense na internet que o filme aborda um caso real e que as imagens “verdadeiras” são mesmo genuínas e parte de uma conspiração…

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 NOTAS ADICIONAIS

TRAILER **WARNING – CONTÉM **MUITOS SPOILERS** !!
Aliás, o trailer contém o filme TODO com TODOS os melhores sustos inesperados. 
NÃO VEJAM O TRAILER antes de verem o filme. O filme não tem mais nada a não ser tudo o que podem ver no trailer. Mesmo !

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SOBRE O VERDADEIRO CASO.
[“THE 4TH KIND”] supostamente é baseado num caso real ocorrido no Alasca entre os anos 60 e 2004. A cidade de – Nome – no Alasca parece ter sido continuadamente palco de inúmeros desaparecimentos durante décadas com a particularidade das pessoas terem essencialmente desaparecido sem deixar qualquer rasto. 
Estatisticamente parece ser um dos locais onde mais desaparecimentos terão ocorrido naquela parte do mundo e o facto de também ser um dos – hotspots – em termos de avistamentos de luzes anómalas no céu ao longo dos anos , levou algumas pessoas a juntar as coisas e daí o contexto para o filme na sua associação com o fenómeno das –alien abductions – embora na realidade não tenha alguma vez sido associado com tal coisa pelo menos de forma oficial.
Inclusivamente a produção do filme foi processada em tribunal ( e perderam ) por terem inventado um monte de noticias falsas sobre a região de forma a dar visibilidade á estreia. As famílias dos verdadeiros desaparecidos não acharam piada nenhuma terem alguns nomes associados ao filme sem autorização e processaram toda a gente, tendo recebido uma compensação monetária a quando da estreia.

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[“THE 4TH KIND”] não tendo sido um sucesso extraordinário, fez três vezes o dinheiro que custou , teve um bom fim de semana de estreia e continua a fazer dinheiro nas vendas em dvd e bluray. Apesar da generalidade das críticas espalhadas pela internet continuarem a cascar no filme, acusando-o principalmente de ter falsificado o caso, [“THE 4TH KIND”] é já um dos grandes filmes de culto dentro do género com todo o mérito pois é excelente.

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COMPRAR DVD – REGIÃO 2 – EDIÇÃO UK

dvd
https://www.amazon.co.uk/gp/product/B0030DGHL0/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B0030DGHL0&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

COMPRAR BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO UK

bluray
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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt1220198/

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Dr Roger Leir
Para quem está por fora destas coisas e anda plenamente convencido que os cientistas de verdade não levam estas brincadeiras a sério, isto agora levava-me muito longe e portanto para já fiquem com dois interessantes documentários sobre o trabalho do recentemente falecido Dr Roger Leir pioneiro dentro do mainstream no tópico dos supostos implantes resultantes de casos de alien abduction.

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Se gostou deste, vai gostar de:

capinha_creature capinha_last_days_on_mars capinha_thechangeling.jpg capinha_dyatlov capinha_alien-abduction

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“THE DYATLOV PASS INCIDENT” (“DEVIL´S PASS”) Renny Harlin (2013) USA / RUSSIA / INGLATERRA

Quem se interessa por mistérios inexplicáveis e fenómenos estranhos conhecerá certamente o caso dos hikers Russos que em 1959 foram encontrados pelas equipas de resgate, mutilados de formas particularmente arrepiantes numa das mais remotas montanhas da Russia.
Se sabem do que estou a falar e conhecem bem tudo sobre este enigma fascinante  verdadeiramente arrepiante então irão adorar [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”]; o filme.

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Realizado pelo Finlandês Renny Harlin que andou alguns anos por Hollywood a fazer coisas sem grande interesse e que teve o bom senso de regressar à europa para voltar a fazer cinema com personalidade verdadeiramente independente do mainstream americano.
[“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] é também um dos poucos filmes que pode levar a etiqueta de “Based on true events” sem problemas. Os acontecimentos reais ainda foram mais arrepiantes e o filme em termos de argumento está bem assente no enigmático caso original.
Se não sabem do que estou a falar, recomendo que não avancem mais sem ver o mini-documentário que se segue:


[“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] à primeira vista pode parecer mais outro daqueles – “found footage film” – chatos em total modo “Blair Witch” mas dêem-lhe uma oportunidade pois certamente irão surpreender-se.
Especialmente se não sabem nada sobre o filme.
E se não sabem continuem assim !

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Afastem-se dos trailers, afastem-se do IMDb, afastem-se de todas as reviews ( que curiosamente até são genericamente muito boas; com razão ) e afastem-se de tudo o que lhes possa indicar a direção que a história de [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] irá seguir após um começo genérico.
Se entrarem por este título adentro, conhecendo bem o mistério original verídico em todos os seus enigmáticos detalhes, irão adorar o que os argumentistas de [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] fizeram com esta história. Vocês não estarão de todo à espera da explicação que o filme propõe para a resolução do caso.

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Infelizmente não posso detalhar mais pois o que começa como sendo apenas mais um clone de “Blair Witch”, a partir de certa altura irá surpreendê-los, pois [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] transcende a sua fórmula de falso documentário para nos dar uma das melhores ( e mais simples ) histórias deste género que se sairam nos últimos tempos e no entanto passou completamente despercebida por todo o lado.
Alguém no IMDb referiu que o filme é fixe mas tem muito pouco a ver com o incidente original; ponto de vista do qual eu discordo por completo.

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[“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] não é a recriação do caso original de uma perspectiva histórica.
Não tenta reproduzir qualquer teoria do ponto de vista dos protagonistas originais deste mistério nem tenta ser uma amostragem ficcionada do que se terá passado em 1959.
Logo por este pormenor nota-se que [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] irá ser um filme mais especial do que se calhar esperaríamos que fosse à partida.
Pelo menos foi o que me passou pela cabeça quando o vi pela primeira vez sem saber absolutamente nada sobre ele. Aliás eu nem sabia que o filme existia até me deparar com isto um par de meses atrás. O que foi óptimo.

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Como eu conheço de trás para  frente o mistério original, ter encontrado em [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] uma abordagem diferente do que seria de esperar agradou-me logo muito.
Especialmente quando percebi que o estilo “BLAIR WITCH” aqui não faz o filme e é apenas um meio para contar esta história, que na minha opinião resulta bem melhor do que se [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] tivesse sido realizado de forma narrativa tradicional.

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[“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] pega no estilo do falso documentário e usa-o para fazer com que o espectador viva quase na primeira pessoa todos os passos que irão culminar numa parcial explicação do mistério.
Por isso não concordo de todo com quem no IMDb acha que esta versão modernizada não tem muito a ver com o enigma de 1959. Bem pelo contrário !
Tem tudo a ver com o misterioso massacre dos jovens caminhantes. Inclusivamente conta com pormenores fascinantes que não posso revelar aqui mas que quem conhece bem os detalhes do mistério irá adorar ver que os criadores desta aventura moderna não se esqueceram de lá colocar no ecran, mesmo que 99% das pessoas nem repare neles.

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[“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] não sendo a recriação do incidente original, é totalmente um filme sobre o enigma de 1959.
Apenas está apresentado de um ponto de vista diferente e com uma abordagem moderna mesmo muito original quando poderia ter entrado por algo mais óbvio.
Especialmente a partir da segunda metade da história quando o mistério se começa a resolver e entra por caminhos que certamente quem se mantiver TOTALMENTE AFASTADO de tudo o que for informação sobre o filme na internet, não irá esperar de todo !

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E o mais fascinante é que a abordagem resulta. Renny Harlin e os argumentistas conseguiram num só único filme colar vários géneros de histórias disfarçadas de – “found footage film” – e a coisa resultou em pleno.
Mais uma vez …. SE AINDA NÃO VIRAM [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] AFASTEM-SE DE TUDO O QUE FOR INFORMAÇÃO SOBRE ELE !
Mesmo. Partam para isto sem saber nada sobre o filme.

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[“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] é um daqueles títulos que se forem vistos com preparação prévia  irá perder por completo todo o impacto e imaginação ( que tem ) pois a sua criatividade depende por completo do segredo total sobre o que iremos encontrar pela frente quando este filme nos cai em cima pela primeira vez e começa a entrar pela explicação do mistério.

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Quanto a mim é um dos melhores – falsos documentários – feitos para cinema nos últimos tempos. Muito, muito melhor que qualquer “BLAIR WITCH” e ao melhor nível dos originais ALIEN ABDUCTION ( que para quem não sabe, foram os filmes que inventaram o estilo – “found footage” – e não “Blair Witch” ao contrário do que o mundo inteiro parece pensar).
Os personagens são personagens-tipo neste género de histórias mas vão ganhando personalidade ao longo da aventura e conseguem agarrar-nos até ao final pois ficamos mesmo a torcer por eles.
Pessoalmente penso que as interpretações são excelentes também.

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Nunca entendi aquela ideia de que os filmes de terror , especialmente os de baixo orçamento não têm bons actores.
Conto pelos dedos aqueles que vi com gente realmente sem talento, porque de resto sempre me surpreendeu bastante como caras tão desconhecidas conseguem fingir verdadeiro medo e pânico; a maioria das vezes conseguindo ser responsáveis por um filme ser assustador ou perturbante muito para lá dos sustos foleiros que este tipo de filmes costumam ter.
Também aqui penso que mais uma vez os actores são realmente muito bons, pois nunca por um instante questionamos que estejam sozinhos perdidos pelo meio daquela montanha. O seu medo é verdadeiramente genuíno conseguindo passar facilmente aquela aura de pânico para o espectador a partir de certa altura, pois adrenalina é coisa que não falta nesta produção.

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Muitos comentários no IMDb referem que [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] não mete medo. Quer isto dizer que [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] não tem sustos com som ALTO introduzidos à parva de cinco em cinco minutos só para nos fazer saltar da cadeira.
O que [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] faz muito bem é criar uma atmosfera de isolamento e pânico total que acima de tudo joga com a nossa imaginação.
Começa de forma muito suave e vai nos perturbando pelo que ( não ) acontece, mais do que por aquilo que mostra.

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Aliás, há muito tempo que não via um filme deste género que dependesse tanto da imaginação dos espectadores para assustar. Talvez por isso falhe junto de tanto público moderno pois as audiências hoje em dia já não conseguem imaginar a ponta de um corno se lhes pedirem para fecharem os olhos.
[“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] joga muito bem com o clima de mistério, incerteza e com a possibilidade de que algo está mesmo para acontecer.
Depois troca-nos as voltas quando mostra algo da forma que não esperávamos ver.
E isto sem precisar de pregar SUSTOS a todo o instante.

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[“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] inquieta como o raio.
Perturba como raramente este tipo de cinema consegue fazer e neste aspecto Renny Harlin está absolutamente de parabéns pois a realização disto, aliada ao excelente argumento ( e actores ); são os grandes factores responsávels por este filme resultar tão bem dentro de um certo género que na realidade cruza vários e dos quais obviamente não irei agora aqui falar pois iria estragar-lhes a surpresa que eu tive.

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Tem também outra coisa de que gostei muito.
Já que estamos a falar da realização, finalmente um – “found footage film” – onde conseguimos ver o que se passa no ecran !!!
Se há uma coisa que me irrita neste género é aquela ideia de que para parecer real a câmera tem que andar sempre tão tremida que o espectador deixa de conseguir ver o que se passa.
 Não aqui.
Em [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] todo o “pânico” está absolutamente  contado ao segundo e mesmo quando o filme tem obrigatoriamente que entrar pela – shaking camera – esses segundos são planeados ao detalhe para nos dar apenas um bocadinho –de realidade– e Renny Harlin nunca se esquece que acima de tudo esta história precisa de se parecer com um filme que os espectadores consigam ver.

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Outra crítica idiota no IMDb refere que [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] está mal realizado porque se parece mais com um filme feito por estudantes do que um produto profissional realizado por um tipo conceituado como Renny Harlin com experiência em Hollywood…
O que dizer de um comentário destes…
Se [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] se parece com um filme feito por estudantes é porque é precisamente isso que pretende ser.
Não só um filme feito por estudantes como acima de tudo um filme com imagens captadas por estudantes em pânico total perdidos algures no interior de uma montanha pelo meio da Russia.

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Mais uma vez, é raro encontrarmos um filme assim que no entanto tenha tido um controlo tão minucioso por parte do realizador e  toda a aparente simplicidade de [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] na forma como se parece realmente com um filme amador é precisamente o que o faz funcionar enquanto filme profissional.
A fotografia é excelente, foi filmado realmente em algumas áreas da Russia com actores Russos também e tudo nesta produção destila autenticidade.
Enquanto espectadores a partir de certa altura deixamos de pensar nisto como ficção e entramos verdadeiramente pela resolução do mistério adentro embora lá pelo final já estejamos tão congelados que practicamente podiam atirar-nos com desenhos animados do Mickey Mouse á cara que iríamos ter um ataque cardíaco na mesma.

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Negativamente , só tenho a apontar algum CGI fraquinho lá pelo final, mas percebe-se que não havia grande maneira de dar a volta á coisa sem gastar uma fortuna para fazer uma certa parte do mistério funcionar e [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] é verdadeiramente uma produção independente de orçamento limitado.
De resto, nem o CGI fraquinho, nem uma vertente menos original de certas partes no suspense lá pelo fim conseguem estragar aquilo que é uma das aventuras na neve mais originais, entusiasmantes e totalmente cheias de adrenalina dos últimos anos.

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Se conhecem bem o mistério original, então [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] é absolutamente obrigatório , pois garanto-vos que nunca ouviram falar de uma teoria como a que este filme propõe para a resolução do mistério de 1959.
E sim, tudo o que vêem no filme a propósito do caso real, é verídico.
Por muito incrível que possa parecer a realidade deste acontecimento foi talvez ainda mais estranha do que o que aparece no filme, por isso o enigma está sem resolução até hoje.

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CLASSIFICAÇÃO

Se gostam de cinema de terror em que o medo está mais na vossa imaginação do que no ecran então [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”] é para vocês.
Mesmo que pensem que já não suportam – “found footage films“- , façam uma pausa no desprezo e dêem uma última oportunidade a este.

Cinco Planetas Saturno 



    

E se calhar até merecia mais um Gold Award mas por agora fica assim. De qualquer forma é um daqueles filmes que quanto mais revejo mais gosto dele e continua sempre a inquietar-me bastante. É outro excelente para ser visto de luz bem apagada, sózinhos e bem longe de qualquer lâmpada.

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Já agora, não esperem uma resolução total do mistério em [“THE DYATLOV PASS INCIDENT”], pois o filme consegue ainda deixar em aberto um bocadinho à nossa própria imaginação e especulação; continuando precisamente a cumprir o mesmo tipo de abordagem que teve ao longo de toda a história desde o início até ao segundo final.
Com um final que poderá ( ou não ) ser um twist inesperado para muitos ou para poucos, dependendo do vosso nível de atenção em relação a tudo o que virem durante a história.

A favor: em certas alturas é assustador como o raio, a realização, a fotografia, os actores, a história, o mistério, a atmosfera inquietante que nos vai aumentando o medo gradualmente, a forma como cruza um par de géneros de cinema de forma inesperada, os pormenores relativos ao caso original espalhados por todo o lado em segundo plano, parece ter mesmo sido filmado no Dyatlov Pass original, o final da história é muito bom, usa a nossa imaginação para nos assustar em vez de nos mostrar coisas feias a todo o instante.

Contra: algum CGI fraquinho numa parte algo desinspirada ( mas necessária ) de acção lá pelo fim, apesar de tudo o filme acaba e ficamos com vontade de ter sabido mais…e de ver mais ( mas se calhar isso é bom ), o twist final não é muito inesperado a partir de certa altura se estiverem atentos ( mas é bom na mesma ).

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER – *WARNING CONTÉM **SPOILERS** !!

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(Esta edição vem com uma capa extra em modo sleeve, com um holograma fantástico).
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IMDb

http://www.imdb.com/title/tt1905040/

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Se gostou deste, vai gostar de:

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