“LUA 44” (“MOON 44”) Roland Emmerich (1990) ALEMANHA

Se alguma vez imaginaram como seria o universo de “Alien/Aliens” mas com uma estranha conotação homo-erótica, bem vindos a  [“LUA 44”], um filme de Roland Emmerich.
Esse mesmo.
Que tal isto para início de review ?

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Só tenho uma pergunta…
Por onde anda o Roland Emmerich de [“LUA 44”] ?!
Como pode ser este o mesmo tipo que se dedicou posteriormente a fazer todos os filmes pipoca-catástrofe e FC mais vazios e mal aproveitados dos últimos vinte anos em Hollywood  ?
Sim [“LUA 44”] é um filme do realizador de “Independence Day”, “Godzilla”, “Stargate”, 10.000 BC”, “2012” e tudo o mais que certamente viram quando estreou com grande pompa nas últimas décadas e que essencialmente definiu o “cinema-de-centro-comercial” para pior; o mesmo que se vê, mastiga-se e dez minutos depois já ninguém se lembra de nada.

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[“LUA 44”] é o segundo filme de Roland Emmerich; uma produção de muito baixo orçamento, financiada, produzida, escrita e realizada na Alemanha em 1990 com actores ingleses e americanos. O primeiro tinha sido “THE NOAH´S ARK PRINCIPLE” sobre uma estação espacial que em órbita da Terra era usada militarmente num argumento típicamente saído da época anterior à queda do muro de Berlin. E claro como filme espacial também eu o vi no cinema quando era puto, embora hoje não me recorde absolutamente nada dele. Nem saiu em VHS sequer, contrariamente a [“LUA 44”] e só o vi uma vez mesmo.

VHS

[“LUA 44”]  tal como o primeiro trabalho de Emmerich, é ainda um filme de ficção-científica totalmente germânico e que óbviamente passou completamente despercebido excepto quando foi lançado em VHS para aluguer nos clubes de video com algum sucesso pois muita gente se recorda dele dessa altura.
Chegou inclusivamente a ser um dos primeiros títulos editados para venda directa em Portugal quando os clubes de video tentaram impedir que se começassem a vender cinema ao público e a discussão até chegou ao parlamento e tudo.

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[“LUA 44”] , “THE NEVERENDING STORY”, “ET THE EXTRATERRESTRIAL” e “LIFEFORCE” foram dos primeiros a aparecer em cassete fora do circuito de aluguer.
Na época chamou-me a atenção, não só pela capa/cartaz, mas também porque foi editado numa caixa de plástico branca quando todas as caixas de filmes eram de cor preta.
E claro, se um filme espacial estava à venda, eu tinha que o ter.
[“LUA 44”] foi um daqueles que nunca esqueci mesmo muito depois da minha cassete ter ido à vida, pois já na altura fiquei muito surpreendido quando notei que não tinha sido feito em Hollywood mas sim completamente criado na Europa.

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O que para mim foi quase uma revelação esotérica pois para lá de “THE NEVERENDING STORY” nunca mais tinha visto um filme europeu com um estilo visual Hollywoodesco ( no bom sentido técnico da coisa ). Ainda por cima um titulo com um visual destes; que não ficava envergonhado perante o melhor que saia em acção, aventura e efeitos especiais dos estados unidos na altura.
Nem eu me apercebi que [“LUA 44”] era na verdade cinema de muito baixo orçamento. Aliás, ainda hoje não se nota.

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Não via [“LUA 44”] há practicamente 26 anos.
Cruzei-me algumas vezes com o filme em VHS antes do formato se tornar extinto e ter atirado [“LUA 44”] também para a lista de filmes raros mas até há dois dias quando o pude rever em bluray nunca mais o tinha visto embora me tivesse ficado sempre na memória pelo seu visual extraordinário e extraordináriamente plagiado…ou melhor… inspirado…

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Rever [“LUA 44”] agora em bluray foi uma verdadeira supresa.
Pensei que este seria um daqueles filmes que estaria irremediavelmente datado mas não podia ter estado mais enganado; [“LUA 44”] mais do que nunca manteve-se , ou se calhar tornou-se verdadeiramente extraordinário por muitos motivos.
Para começar nunca tinha visto este filme em widescreen ( muito menos com uma boa resolução claro está ) pois a edição VHS como não podia deixar de ser continha apenas uma cópia em 4:3 Pan & Scan para caber no écran.

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Para quem não sabe o que é o Pan & Scan; tem a ver com aquela mania atroz que havia no tempo do VHS em que, porque o público analfabeto pensava que os filmes estavam cortados em cima e em baixo se lhes aparecesse algo com barras pela frente, as editoras lançavam todo o cinema de forma a caber totalmente no ecran de um antigo televisor de formato 4:3 quadrado.
O que quer dizer que para isso acontecer as editoras cortavam sim, todos os filmes de lado. Ou seja, do típico filme em widescreen no cinema o consumidor de video VHS apenas via aquilo que estava no centro do ecran ( ou deslocavam artificialmente o enquadramento animando a imagem para o lado ).

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Claro que o povão ficava todo contente porque pensava que dessa maneira é que o filme estria intacto porque não viam barras “a cortar” a imagem.
Portanto eu nunca tinha tido oportunidade de ver [“LUA 44”] em todo o seu esplendor com os equadramentos filmados originais até há dois dias atrás e agora foi como se o tivesse descoberto pela primeira vez.

BLURAY

Se há uma boa justificação para a existência do formato bluray a nova edição alemão de [“LUA 44”] é o exemplo perfeito do que este pode fazer pela memória do cinema e para garantir que em casa podemos ter a experiência sensorial que o realizador inicialmente tinha em mente quando rodou o filme para o grande ecran.
Especialmente quando o restauro nos aparece pela frente com esta qualidade como aconteceu agora com [“LUA 44”] que tecnicamente está um assombro.
Não só a cópia tem uma qualidade de imagem incrível na forma como até o mínimo contraste e detalhe estão presentes no ecran a todo o instante como a nível de som se ouvirem este filme com headphones e volume no máximo é impossível não serem imediatamente transportados para o mundo de [“LUA 44”].

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Aliás, se o cinema se define pela capacidade de transportar o espectador para dentro de um mundo que nunca conseguiria visitar, então essa é precisamente a grande mais valia de [“LUA 44”] enquanto filme.
Pode ser um plágio visual de tudo e mais alguma coisa que conhecemos da FC dos anos 70 e 80, em particular do estilo Riddley Scott e James Cameron; mas … agora que é um filme que nos consegue ainda hoje puxar imediatamente para dentro do seu universo, isso é sem qualquer sombra de dúvida.
E olhem que não haverá por aí tantos filmes até bem mais originais do que este com a capacidade de provocarem um efeito assim no espectador de sofá.
Nem com 3D.

MOON 44

[“LUA 44”] não só continua a ter aquele visual excelente de que eu me recordava como na verdade tem um design ainda mais incrível do que alguma vez pensei que tivesse.
Uma pessoa olha para este filme e nem quer acreditar que isto é um filme de tão baixo orçamento que o seu custo total não chegava para pagar o salário de uma das mais recentes estrelas de Hollywood que entram actualmente nos filmes americanos de Emmerich.

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Nunca me passou pela cabeça que tivesse um nível de detalhe assim e foi extraordinário redescobri-lo em bluray. Para começar só o facto de finalmente conseguir apreciá-lo em widescreen com os enquandramentos originais intactos dá logo a este mundo uma sensação de realidade como nunca pensei que tivesse. O facto de estar em alta resolução moderna também ajuda, pois se há uma coisa que [“LUA 44”] tem é textura.

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E quando digo textura, digo textura mesmo. Todos os cenários não estão apenas incrivelmente detalhados na sua concepção visual enquanto representações físicas de concept-art ilustrada como depois ainda levam uma camada de texturas extraordinariamente variadas por todo o lado.
E estão por todo o lado mesmo, conseguindo criar imediatamente a ilusão de que o cenário até é bem mais elaborado do que na realidade precisou de ser.

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[“LUA 44”] não só está muito bem fotografado como acima de tudo está mesmo, mesmo muito bem filmado. Roland Emmerich não há dúvida que soube como tirar partido de todos os cenários que construiu e não deve ter havido ângulo que ele não tivesse colocado no écran de forma a maximizar ao máximo cada detalhe do que foi construído.
Neste filme até o corredor mais banal tem uma dimensão e um sentido de realismo como raramente se viu dentro do cinema de FC de baixo orçamento.
Provavelmente terá mesmo os cenários mais criativos e bem construídos dentro da ficção-científica produzida sem guito nenhum.


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Os cenários de [“LUA 44”] estão completamente ao nível do melhor que se viu em “Alien”, “Aliens”, “Outland” ou “The Abyss”.
E custaram muito menos com toda a certeza.
É verdade que vai roubar toda da sua estética a todos esses filmes, mas poderia roubar e ficar mal. Tal não acontece de todo.
Este filme tem uma das melhores bases espaciais que me lembro de ver em muito tempo na FC. Acho que recentemente melhor que isto nem sequer vi no cinema, mas sim no fabuloso jogo para a Playstation 4, “ALIEN ISOLATION” que contém uma das mais incrivelmente detalhadas bases espaciais para explorar que alguma encontrei.
[“LUA 44”] para além de visualmente querer muito ser “Alien” e “Aliens” também gostaria muito de ser “Blade Runner” e portanto se encontrarem pelos cenários coisas reconhecíeis que nunca mais acabam, não se admirem.

TOP GUN e HOMO EROTICA

Por outro lado, além de querer ser todos esses filmes, ainda está claramente inspirado no grande sucesso dos 80s “TOP GUN”. E se o filme de Tom Cruise ao longo dos anos tem sido gozado e satirizado à parva pela sua subjectiva carga-homo-erotica que alguns artigos insistem em referir como efeito secundário da fama do próprio filme, então [“LUA 44”] nem perde tempo com subjectividades.

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Não que isto seja propriamente um filme gay, mas há por ali um enorme fetiche masculino politicamente incorrecto; [“LUA 44”] está carregado de prisioneiros estilo body-builders muito oleados, muito chuveiro apertado com respectivas consequências e muita nádega masculina perfeitamente enquadrada num set permanentemetne cheio de homens grandes suados e  – twinks – aos montes; ( googlem “twinks” mas cuidado com o resultado ).

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[“LUA 44”] ainda por cima assenta toda a carga dramática na tensão entre os adolescentezinhos fresquinhos que são os navegadores/controladores dos pilotos espaciais  e os prisioneiros culturistas permanentemente fotografados como se tivessem saído de um qualquer comercial sobre saunas masculinas.
Como já muita gente referiu em várias reviews espalhadas pela net, por vezes ficamos com a sensação de que Roland Emmerich  usou mais o filme como desculpa para filmar tipos suados e rapazinhos imberbes do que alguma vez teve a intenção de contar uma história de FC. Ou pelo menos foi um bonús.
É que às vezes até nos esquecemos que Michael Pare é que deveria ser o protagonísta do filme e tudo !

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A isto não deixa de ser alheio o facto de Emmerich ser homossexual e portanto também não se pode atacar o homem por pretender atirar para [“LUA 44”] a maior quantidade de – eye candy – possível dentro daquilo que lhe interessa.
Até porque se o cinema mainstream está cheio de mulheres a serem exploradas sexualmente em termos de imagem dentro de contextos hetero, porque razão é que haveriamos de culpar um realizador assumidamente gay por também lhe apetecer fazer o mesmo dentro a sua própria identidade ?

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Por mim, esteja à vontade, agora é verdade que há por aqui qualquer coisa que torna [“LUA 44”] num filme diferente por mais do que um motivo apenas e não será própriamente um título recomendado a quem tiver algum problema com esta abordagem. Subjectiva é certo, mas muito menos subjectiva do que seria de subjectivar noutros filmes… mais subjectivos, se é que me entendem.
De qualquer forma isto não retira qualquer qualidade a [“LUA 44”] que independentemente das intenções de Emmerich em relação ao seu elenco masculino e da sua fixação estética fetichista mantém-se realmente como sendo uma excelente proposta de ficção-científica tendo passado estes anos todos.

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Talvez mesmo dos melhores filmes do género high-tech do início dos anos 90 e um grande pequeno filme esquecido totalmente digno de ser recomendado neste blog.
O que não deixa de ser notável tendo em conta que [“LUA 44”] não tem um pingo de originalidade.
Em nada !
Por outro lado também nem tenta disfarçar, o que só lhe ficou bem.

ANOTHER TIME, ANOTHER PLACE

[“LUA 44”] …
Pensem neste filme como um cruzamento entre tudo o que de melhor aconteceu entre os finais dos anos 70 e o final dos ano 80 dentro da FC da altura e andarão perto do que poderão esperar ver aqui.
Cruzem  a estética de “Alien/Aliens” com o conceito de “Outland” adicionem-lhe a atmosfera de “Blade Runner” em ambiente “Top Gun” com uma pitada de “Blue Thunder” ( um popular filme péssimo dos 80s sobre um helicóptero futurista da policia ) e têm aqui [“LUA 44”] no seu todo.

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O resto é a típica história do policia infiltrado num grupo de prisioneiros que é enviado para um local onde há suspeita de desvio de fundos e corrupção de forma a investigar quem estará por detrás dos crimes… o que tendo em conta que Malcom McDowell entra nisto provavelmente nunca houve qualquer intenção por detrás dos argumentistas em manter qualquer suspense sobre a parte policial da coisa… digo eu.
O que é um bocado estúpido mas pronto…

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Adicionem a isso uns piratas espaciais que na verdade até são o único grande ponto fraco do filme para justitificar as cenas de acção em total estilo “Top Gun” com helicópteros planetários e pronto está feito em termos de história.
O mais surpreendente é que [“LUA 44”] apesar do plágio estético totalmente assumido e apesar de ter provavelmente uma das histórias mais previsíveis de que há memória dentro deste género consegue ir muito para lá das suas limitações e mesmo assim construir um produto de FC que é verdadeiramente um espectáculo dentro de um determinado contexto.

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Não só consegue mesmo transportar-nos para dentro daquele universo sem sairmos do nosso sofá por todos os detalhes que já mencionei, como tem uma coisa que o torna completamente diferente de todos os filmes que Emmerich veio depois a realizar em Hollywood.
[“LUA 44”] tem personagens cativantes com um par de interpretações muito boas e até excelentes tendo em conta as limitações do argumento.

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Malcom Macdowell está em piloto automático a fazer o vilão do costume e desta vez praticamente não tem nada para fazer no filme, a única actriz de monta na história Lisa Heichhorn tem um personagem que não serve para nada e não tem qualquer interesse pois para esta ter sido minimamente memorável [“LUA 44”] precisaria de uma Sigourney Weaver que não tem.
Felizmente que depois o filme acerta em tudo o resto.

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Michel Pare, o actor de “STREETS OF FIRE” e provávelmente um daqueles que costuma ser sempre atacado só por ser quem é ( tal como Keanu Reaves ) compõe aqui um herói com carisma quanto baste para que nos interessemos pelo seu percurso e está mesmo muito bem no filme.
Curiosamente eu tinha visto no mesmo dia “Streets of Fire” filmado seis anos antes e só comparando mesmo os dois é que se pode notar o quanto Michael Pare evoluiu como actor entre os dois títulos e na minha opinião sempre foi o tipo certo para este género de heróis. Em [“LUA 44”] resulta plenamente.

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Por entre os prisioneiros “body-builders” há uma cara conhecida que vocês já viram em montes de sítios , inclusivamente em “X-Files” onde encarnou o “bounty-hunter” em estilo Terminator que apareceu em montes de episódios e que marcou a série.
Chama-se Brian Thompson e é um daqueles tipos que aparecia em imensas coisas há alguns anos atrás. Apesar do seu porte em estilo Shwarzenneger já o vi em papeis dramáticos muito interessantes e por detrás dos músculos sempre esteve por ali um bom actor.
Em [“LUA 44”] é uma das boas presenças, com um bom personagem, carismático e mais uma vez só não faz mais porque o argumento é básico como o raio e não lhe permite ir mais longe. Mesmo assim fica na memória o que já não é mau de todo.

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Agora quem rouba o filme por completo é um jovem Dean Devlin, que muita gente associa mais ao nome por detrás da produção e argumento de practicamente todos os filmes que Emmerich depois fez em Hollywood.
Aqui ainda nos tempos em que era actor, Devlin compõe o chefe dos nerds e hackers que formam a equipa de navegadores com que os pilotos de helicóptero têm que lidar e é um daqueles personagens que dão imensa vida a um filme graças apenas ao trabalho do actor.

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Mesmo com um argumento tão básico Devlin consegue projectar uma humanidade e uma sensação de realismo que se calhar também tem servido bastante para que [“LUA 44”] não tenha sido esquecido ao longo dos anos. Até porque não há por aí review que não mencione a boa prestação de Devlin neste filme e com todo o mérito.
O facto dele também fazer lembrar imenso o tipo de personagem que Mathew Broderick encarnou em “Wargames” outro grande sucesso da FC dos anos 80 certamente não será coincidência inocente.

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Não costumo dedicar muito tempo aos actores nestes textos mas não quero deixar de mencionar outra daquelas caras que eram bastante populares no cinema-B dos anos 80 e que ultimamente tem andado bastante apagado; falo do actor Leon Rippy, um nome que pode não lhes dizer muito mas se estavam vivos e a ver cinema em VHS nos anos 80, certamente recordam-se de muitos dos seus vilões também.
Aqui em [“LUA 44”] compõe um dos personagens que poderia ter ido mais longe melhorando muito esta história mas acabou por não ser bem utilizado, o que é pena.

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Rippy encarna um excelente sargento de instrução, encarregado dos treinos de voo e que é uma verdadeira besta ao melhor estilo “FULL METAL JACKET”; aqui tão bom quanto esse outro emblemático sargento cinematográfico e que só não fica memorável porque Rippy não tem muito tempo de écran.
Em [“LUA 44”] será talvez o melhor personagem deles todos, pois apesar de ser um vilão tem um par de momentos em que para além de servir de comic-relief também mostra a sua humanidade por detrás da dureza. Só é pena que não tenha sido realmente bem aproveitado na história como merecia, até porque a interpretação de Leon Rippy é mesmo outro dos pontos altos do filme.

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Essencialmente [“LUA 44”] apesar de tudo o que o poderia afundar conta logo com estas duas mais valias; o design do filme é fantástico e as interpretações são muito boas, o que num série-B baratucho até costuma ser coisa rara.

OUTER SPACE

Para além do design imensamente variado uma coisa que [“LUA 44”] tinha já na altura em que saiu, eram efeitos especiais de qualidade.
Lembrem-se que isto é cinema Alemão do final dos 80s, não é uma mega-produção de Hollywood nem conta sequer com efeitos digitais em CGI pois estes ainda nem existiam enquanto tal.
Há por ai gente no IMDb que crítica o filme por este ter maus efeitos e eu gostava de perceber que [“LUA 44”] é que eles viram pois este não deve ter sido de certeza.
Ou então viram-no em VHS.
Ou pior, viram-no nos péssimos rips que andam espalhados pela net em pirataria de má qualidade.

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Meus amigos, se há uma coisa que [“LUA 44”] tem de boa é também a qualidade dos seus efeitos especiais.
Se isto é um série-B quase a roçar o Z, não se nota de todo e é um verdadeiro feito terem conseguido colocar no ecran não só um monte de coisas diferentes por todo o lado como ainda por cima o trabalho com maquetas é verdadeiramente excelente e não fica minimamente atrás do que se fazia de bom nos estados unidos pela mesma altura.
É certo que muito é disfarçado com fumo e nevoeiro mas sinceramente [“LUA 44”] tem uma escala quase épica que funciona perfeitamente.
Talvez a única coisa verdadeiramente datada neste filme sejam apenas os gráficos digitais nos écrans das consolas de comando pois nota-se mesmo que são produto de uma era onde ainda nem existiam gráficos de computador dignos desse nome.
De resto…

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[“LUA 44”] poderia ter sido filmado ontem que não se notaria diferença nenhuma. 
Estéticamente apesar de todo o gamanço visual não está minimamente datado e o que consegue colocar no ecran é uma verdadeira surpresa que nos faz querer continuar a acompanhar o filme só para ver o que eles conseguem mostrar a seguir, tanto em efeitos como em cenários.
As sequências de acção são muito boas, já com um estilo plenamente moderno o que só demonstra que também aqui Emmerich estava já à frente do seu tempo e não admira que tenha sido logo recambiado para Hollywood para dirigir o desinspirado “STARGATE” a seguir; ( o que demonstra que escrever argumentos com imaginação nunca será o ponto forte do realizador ).

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[“LUA 44”] a  ter algo mesmo mais fraquinho enquanto thriller ou cinema de aventura, será talvez o final.
Emmerich bem tenta em dar-nos o máximo de suspense e acção espectacular possível mas nota-se que houve por ali uma grande falta de dinheiro para criar a conclusão épica que o filme pedia ter mal os piratas atacam a base na parte final da história.
Não só os piratas são pouco ameaçadores para que mantenham alguma tensão dramática por mais de um segundo como ainda por cima são demasiado abstractos pois são apenas robots estilo Cylons ao controlo de caças de combate o que é um bocado redundante quando aquilo é suposto serem naves controladas por inteligência artificial.
Não é que o final seja mau, apenas podia ter sido melhor e mais emocionante.
Inclusivamente repete um par de sequências de efeitos mais do que uma vez, por isso é óbvio que o que faltou por aqui foi orçamento para completar o filme como ele merecia.

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A propósito, a banda sonora é fantástica na forma como pontua cada cena de acção ou drama.
Já ouvimos tudo aquilo antes em termos de ambiente mas a música deste filme mantêm-nos constantemente entusiasmados pelo que se passa no ecran sem nunca ser intrusiva.
[“LUA 44”] é um daqueles filmes que pede uns bons headphones ou um excelente equipamento de cinema em casa e nem se atrevam a ver isto apenas numa cópia pirata num qualquer ecran de computador; até porque  a nível de sound-design é do melhor.
Grande parte do filme tem um ambiente high-tech fantástico porque o som acerta sempre em cheio, fazendo inclusivamente parte daquela textura extra de que eu já falei no inicio deste texto.

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Essencialmente 27 anos depois mesmo apesar de tudo o que tem de menos bom, não há dúvida que continua a existir por aqui qualquer coisa especial e [“LUA 44”] é sem qualquer sombra de dúvida o melhor filme que Roland Emmerich fez até hoje.
De longe.

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CLASSIFICAÇÃO

[“LUA 44”] recomenda-se vivamente, não só como curiosidade dentro da FC como também por ser um daqueles verdadeiros filmes esquecidos que merece ser descoberto, especialmente agora que foi lançado em bluray ( edição alemã ) numa cópia fabulosa que o trouxe de volta para uma segunda vida com a qualidade sonora e visual que merece.
E incrivelmente é um filme de Rolland Emmerich que até conta com personagens com que nos preocupamos e tudo !!  Só isso merece uma boa classificação pois tal coisa nunca pensei vir a ser algo possível de acontecer.
Afinal já aconteceu há 27 anos atrás e só foi mesmo Hollywood que estragou o homem, ( se calhar dando-lhe orçamentos grandes  demais ) !

Cinco Planetas Saturno

    

Não leva Gold Award só porque a história é banal como o raio, não tem qualquer suspense, desperdiça a potencialidade de excelentes personagens como o Sargento psicótico e é absolutamente prevísivel até ao segundo final onde para rematar tudo o que já tinha gamado de filmes famosos dos 80 em termos de ideias, ainda tem tempo para gamar uma cena de “Robocop” e tudo só para terminar a falta de vergonha na cara em beleza.

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A favor: o design é fabuloso, não parece um série-B, os cenários são um espectáculo e detalhados como eu nunca vi num filme de muito baixo orçamento, é uma produção totalmente europeia que demonstra que afinal já há 27 anos a Europa também poderia fazer bom cinema espectáculo comercial sem precisar de Hollywood para nada, tem um bom grupo de personagens, Michael Pare é uma boa escolha para o herói pois equilibra bem tudo o resto, Brian Thompson compõe um bom duro com coração, Dean Devlin rouba o filme com o seu nerd ( boa química com Michael Pare também) , Leon Rippy tem um excelente sargento alucinado que merecia melhor utilização na história,  o resto do elenco no que toca aos nerds ( e até aos prisioneiros ) é muito bom, a realização de Emmerich é muito boa, surpreendentemente é um filme de Roland Emmerich em que existem até personagens com que nos preocupamos e tudo, boa montagem também, a banda sonora é perfeita e cria imensa adrenalina, o sound-design é perfeito e ajuda a tornar real todo o excelente cenário envolvente, alguns efeitos especiais são muito bons e o trabalho com algumas das maquetas é tão bom quando o melhor de Hollywood nessa mesma altura, o filme não envelheceu absolutamente nada e poderia ter sido filmado ontem que não se notaria diferença em termos estéticos e de set design. O novo bluray tem uma qualidade fantástica e é a única forma de se ver este filme a partir de hoje.

Contra: o argumento não tem um pingo de suspense ou imprevisibilidade, Malcom McDowell está óptimo como de costume mas não serve para nada, a personagem feminina interpretada por Lisa Heichhorn está nisto só para o filme ter uma mulher e não se notar que o que Emmerich se calhar quer mesmo é filmar twinks e homens suados, o ataque final é o ponto fraco do filme pois não tem grande emotividade ou suspense sequer e sente-se até que tudo foi algo limitado por falta de orçamento para conseguirem ir mais longe em termos de espectacularidade. Há de haver gente que vai ver o filme num ecran de computador numa cópia pirata e se calhar em 4:3 Pan & Scan pois a net está cheia de más rips do filme que merecem ser completamente ignorados.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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COMPRAR BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO ALEMANHA
(
sem legendas a não ser em Alemão mas com som 5.1 em inglés )

bluray
https://www.amazon.co.uk/gp/product/B00T0WYU8W/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B00T0WYU8W&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21
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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0097910

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