“BABYLON 5” (“BABYLON 5”) J. Michael Straczynski ( 1994-1998 ) CANADA

THIS IS THE STORY OF THE LAST OF THE BABYLON STATIONS,
THE YEAR IS 2017,

THE NAME OF THE PLACE IS BABYLON-5 !

Arrisco-me a dizer que [“BABYLON 5”] será provavelmente a melhor space-opera alguma vez colocada no écran. Melhor que Battlestar Galactica, melhor que DUNE, melhor que Star Wars.

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Embora vá buscar elementos a todos eles [“BABYLON 5”] foi mais longe do que uma space opera cinematográfica costuma ir. Tanto nos detalhes como na forma como saltou por cima de todos os  títulos imediatamente populares e reconhecíveis do grande público para ir beber inspiração às próprias origens literárias do género desde que este foi inventado no início do Sec XX por escritores como E.E.DOC.SMITH ou EDGAR RICE BURROUGHS ( JOHN CARTER OF MARS ).
Escritores originais esses que essencialmente definiram todas as regras de um género que a seguir ficou esquecido durante décadas e por isso muita gente ainda pensa ter sido inventado por George Lucas quando na realidade ele apenas o modernizou com Star Wars.

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Eu sei que [“BABYLON 5”] é uma série televisiva, não foi por isso feita para cinema mas na sua concepção e forma é no entanto uma saga cinematográfica em todos os sentidos.
Aliás, [“BABYLON 5”] é acima de tudo uma saga literária, apenas aconteceu que “um romance” foi escrito ao longo de cinco anos e ia sendo adaptado ao ecran aos poucos e poucos ao mesmo tempo que ganhava forma.

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O que faz de [“BABYLON 5”] um projecto único é precisamente aquela sensação de que não estamos apenas a ver uma história episódica dividida por uma série televisiva mas sim a ler um livro, ou melhor a ouvir um audiobook como se este tivesse sido baseado num romance; mas em vez de precisarmos de imaginar tudo na nossa mente como acontece quando ouvimos uma radio-novela ao melhor estilo “BBC-THE LORD OF THE RINGS” quem criou esta saga colocou logo toda a sua representação visual no ecran.

ALL ALONE IN THE NIGHT

[“BABYLON 5”] é uma história muito bem escrita e isso nota-se pelo facto de que se fecharmos os olhos e deixarmo-nos levar pelo ambiente sonoro e qualidade dos diálogos quase que a história dispensava ser uma produção televisiva pois funciona na mesma como audiobook e pode perfeitamente estar a correr em pano de fundo que terá quase o mesmo efeito.
Talvez seja também por isso que mais do que uma série, tornou-se numa história de culto com todo o mérito dentro da ficção-científica.

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Pessoalmente em termos de storytelling nos últimos anos só encontrei duas séries televisivas que se equipararam.
Uma foi o reboot moderno de “Battlestar Galactica” que essencialmente levou para o lado mais cru e negro muitas das questões que [“BABYLON 5”] já tinha colocado de forma mais ligeira uma década antes.
A outra supreendentemente ( principalmente para mim que pensava que odiava séries de época ), foi a série “DOWNTON ABBEY” que em termos de construção de personagens e interligação de sub-plots culminando num final absolutamente perfeito só encontrou rival no próprio final que esta história de [“BABYLON 5”] teve décadas antes.
Sim “Downton Abbeyaquela série com mordomos e condessas. Essa mesmo. Não estou a brincar. Quem nunca viu não sabe o que perde. Tão boa quanto qualquer série de FC.
Tão viciante quanto [“BABYLON 5”].

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[“BABYLON 5”] foi uma série lançada em 1994 numa altura em que a televisão estava a mudar e como tal foi também determinante para modernizar o formato.
Até [“BABYLON 5”] ter aparecido ( e X-Files logo a seguir meses depois ), as séries televisivas tinham todas aquele formato episódico fechado, eram aventuras com conclusão e histórias simples que em cinquenta minutos resolviam o drama da semana e nunca deixavam nada pendurado.  Os personagens eram de cartão, as situações reciclagens de tudo o que já tinha resultado anteriormente e o estilo de realização era puramente tarefeiro seguindo toda a cartilha de como se fotograva e montava um produto televisivo funcional mas sem chama; ( “Knight Rider”;”McGuiver”;”Murder She Wrote”, etc ).

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[“BABYLON 5”] veio mudar tudo isso, pois foi a primeira série de FC em que o seu criador não só tinha uma história planeada para encaixar em cinco temporadas mesmo sem saber se passaria da primeira como ainda por cima praticamente 90% de todos os cento e setenta episódios foram escritos pela pessoa que imaginou toda a saga.
Coisa rara em televisão ( e que só voltou a acontecer em “Downton Abbey” tendo o seu criador escrito todos os episódios também );  mas comum na época pré-Babylon 5 onde normalmente as séries iam contratando argumentistas para encaixar no que fosse preciso, o que dava habitualmente origem a produtos menores dentro da FC.

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Por exemplo a série original de “BATTLESTAR GALACTICA” de 1978 foi essencialmente destruída dessa forma, quando os produtores para encher começaram a contratar argumentistas que nem sequer gostavam de ficção-científica ( e muito menos percebiam do género ) para tentarem clonar histórias de outras séries de forma a que estas encaixassem no enlatado que seria necessário filmar na semana seguinte para que Galactica continuasse a estar no ar.
Ora [“BABYLON 5”] afastou-se por completo dessa fórmula e o primeiro a fazê-lo.
[“BABYLON 5”] foi desde o início um projecto, escrito, produzido e controlado pelo seu criador Michael J.Straczynski o que veio demonstrar a muita gente que se calhar o rigor e a qualidade compensavam e que afinal uma série de TV não tinha necessariamente que ser um produto menor ou a ficção-científica seriam apenas aventuras para crianças ou pré-adolescentes.

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[“BABYLON 5”] foi por isso a primeira série a arriscar um formato com episódios em continuação, quando pela mesma altura séries como “Xena-A Princesa Guerreira” ainda insistiam não só no formato episódico como davam uma imagem campy e infanto-juvenil do género da Fantasia.
Por isso “Xena” foi a última série de grande sucesso produzida num formato televisivo antigo quando [“BABYLON 5”] teve honras de inaugurar o formato épico dentro da FC pensado exclusivamente para o pequeno ecran.

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Antes disso apenas David Lynch tinha tentado algo semelhante com o seu clássico “TWIN PEAKS” no final dos anos 80; grande sucesso no primeiro ano mas que perdeu completamente o fôlego na segunda temporada por se ter tornado demasiado críptico e artístico para as audiências televisivas da altura. O que acabou por congelar este tipo de formato durante mais uma década até [“BABYLON 5”] ter aparecido com a mesma estrutura mas desta vez associada a uma história de Ficção-científica.
E que história !

IT WAS THE DAWN OF THE THIRD AGE OF MANKIND

[“BABYLON 5”] conta a saga da última das estações espaciais BABYLON.
Anteriormente símbolo da expansão humana pela galáxia, após uma guerra estelar com uma raça conhecida como Minbari, apenas restou um único mundo artificial, a BABYLON 5.

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Mundo esse que depois da guerra e após inúmeros tratados políticos não só com os Minbari mas também com muitas outras espécies alienígenas encontradas no universo conhecido, serve agora como uma espécie de edifício das Nações Unidas onde de forma a prevenir futuras guerras tudo o que for discussão política sobre as aspirações de cada raça passará pela estação espacial.
Para isso a estação BABYLON-5 conta com vários embaixadores residentes enviados por cada raça o que torna o local numa espécie de Casablanca espacial onde ser cruzam culturas de toda a parte do universo conhecido e não só.

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Mas não pensem que isto será um qualquer drama político sem chama, [“BABYLON 5”], ao contrário de por exemplo STAR TREK the Next Generation esta saga espacial não se centraliza em constantes metáforas políticas óbvias mas usa apenas um pano de fundo com ambiente semelhante para nos apresentar uma história épica que se eu pudesse agora dar mais detalhes sobre ela estaria a estragar-lhes por completo o prazer da descoberta.

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[“BABYLON 5”], está carregado de mistério, envolvendo universos paralelos, viagens no tempo, raças antigas, alienígenas enigmáticos, piratas espaciais, traições, confrontos, humor, drama, tragédia, humor negro e muita batalha no espaço pelo meio ao mesmo tempo que nos conta a história do nosso universo desde que ele ainda nem existia até ao momento em que eventualmente irá deixar de existir.

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Tudo centralizado num grupo de personagens que acompanhamos ao longo de várias décadas das suas vidas e de que ficamos a gostar muito ao ponto de deixarem saudades no último episódio.
A propósito, os segundos finais da série são um verdadeiro achado, pois o técnico da estação que fecha a porta, é precisamente Michael J.Stravinsky que num acto simbólico encerra a sua saga ao desligar a última lâmpada daquele mundo artificial e a série corta para os créditos finais deixando-nos sem respiração no último segundo.

THE BABYLON PROJECT WAS OUR LAST BEST HOPE FOR PEACE.
IT FAILED.

[“BABYLON 5”] é tão intrincadamente complexo que se torna verdadeiramente impossível de descrever sem que tenhamos a vontade de revelar todos os seus melhores twists e segredos.

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Foi uma das primeiras histórias do género onde não haviam heróis nem vilões e toda a gente tinha duas facetas que se revelavam nos episódios mais oportunos dando por completo a volta ao espectador e obrigando-o a querer voltar para continuar a acompanhar o episódio seguinte só para ver quem é que ainda estaria vivo ou o que raio iria o argumentista fazer depois de aparentemente destruir toda a lógica da história no episódio que tínhamos acabado de ver.
Muito antes de “GAME OF THRONES” ter inventado as revelações choque e a incerteza absoluta sobre o destino de personagens, já [“BABYLON 5”] pegava no espectador todas as semanas e o atirava contra a parede, mastigando a nossa surpresa e divertindo-se com a nossa estupefactação.

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E tudo isto sem a série precisar de ter um ambiente sério, opressivo ou intensamente dark como parece ser uma obsessão das produções modernas que hoje confundem por demais uma ausência de humor com suspense e drama.
[“BABYLON 5”] tem um tom ligeiro, um humor negro do pior no melhor dos sentidos e não precisou de ser deprimente ou visualmente dark para chocar o espectador todas as semanas e ser incrivelmente dramático na forma como conclui toda a história; especialmente a partir da série 3 que é simplesmente fabulosa em twists e revelações inesperadas.
O que não quer dizer que as primeiras duas séries sejam más; muito pelo contrário.

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[“BABYLON 5”] é verdadeiramente uma space-opera clássica em todos os sentidos; inclusivamente naquela ideia de que acima de tudo o espectador ( ou o leitor ) tem que ser totalmente transportado para o universo que foi imaginado e só depois é que a história tem importância.
Para isso esta saga mantém um registo aparentemente divertido e descontraído o que faz com que cada episódio tenha um inocente sentido de aventura para que à medida que a série avança o argumentista Michael J.Straczynski vá aos poucos começando a tirar-nos o tapete debaixo dos pés e de um dia para o outro notamos que afinal aquele personagem tão cómico ao início sem nós nos apercebermos transformou-se de repente no coração dramático de toda a história.
É nisto que [“BABYLON 5”] brilha e muito.

WHY ARE YOU HERE ?

Os personagens nesta história são verdadeiramente inesquecíveis por muitos e variados motivos mas se calhar [“BABYLON 5”] não seria o mesmo se não existissem dois extraterrestres em particular; os embaixadores “Londo” e “Jackar” que serão porventura dois dos melhores personagens jamais criados em qualquer romance de ficção-científica.
A química entre os actores é absolutamente fantástica, os seus diálogos começam gradualmente a tornar-se cada vez mais acutilantes e à medida que a série avança estes dois incríveis personagens conseguem passar da comédia mais hilariante ao drama mais negro numa questão de segundos para mais tarde nos voltarem a baralhar por completo no que toca aos seus destinos dentro da história principal.

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É impossível mencionar toda a gente nesta série pois não há um personagem que não tenha um segredo ou que não nos fique na memória. Antes de “Dowton Abbey“, [“BABYLON 5”] terá mesmo sido a primeira série sem personagens secundárias. Inclusivamente  teve inclusivamente a genialidade de criar um episódio sem qualquer personagem recorrente da série quando nos mostrou o dia-a-dia de dois técnicos de manutenção e empregados de limpeza da estação BABYLON numa das histórias mais originais e divertidas de sempre dentro da FC. Afinal, alguém tem que despejar o lixo e limpar o pó nestas naves, não ?…
Episódio que ganhou um Hugo Award na época.

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Isto é outra das grandes inovações de [“BABYLON 5”]; a sua  escala imensa até na forma como detalha aquilo que noutras séries seria apenas pano de fundo e por isso [“BABYLON 5”] é verdadeiramente uma história épica na mais clássica tradição daqueles calhamaços de ficção-cientifica de que todos nós gostamos de ler.
Coisa comum em romances clássicos como por exemplo a saga “FOUNDATION” de Asimov mas totalmente ausente de qualquer aventura espacial colocada no ecran até ter aparecido com a mesma estrutura nesta história desenvolvida por Straczynski não para um livro mas para o pequeno écran.

IN THE YEAR OF THE SHADOW WAR IT BECAME SOMETHING GREATER.

Peguem no melhor e no mais épico de romances como “DUNE” de Frank Herbert, adicionem-lhe a escala tecnológica e a variedade conceptual em termos de raças extraterrestres da saga “RENDEZ-VOUZ WITH RAMA” de Arthur C.Clarke , juntem umas pitadas de acção e aventura ligeira ao melhor estilo das space-operas dos anos 30 e 40 escritas por E.E.DOC.SMITH modernizadas por George Lucas em STAR WARS e depois agitem tudo misturando o resultado com a atmosfera de CASABLANCA e estarão bem perto daquilo que poderá ser [“BABYLON 5”].
O facto de ter sido descrito por muita gente como “Casablanca” do espaço não é nenhuma gralha tipográfica.

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[“BABYLON 5”] para lá de conter a maior quantidade de batalhas no espaço totalmente variadas jamais colocadas num ecran seja de que tamanho for, tem ainda a originalidade de nos apresentar raças extraterrestres verdadeiramente diferentes.
Contrariamente a tudo o que são sagas conhecidas onde todas as diversas raças apenas parecem ser variações umas das outras em termos de design mas mantendo todas um nível tecnológico praticamente idêntico, em [“BABYLON 5”] as inúmeras espécies que poderão conhecer têm mesmo níveis tecnológicos totalmente distintos uns dos outros.

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Desde uma raça tão antiga que precede a criação do nosso próprio universo e portanto teve biliões de anos para evoluir tecnologicamente até ao exemplo mais simples da evolução humana, todos os personagens deste drama verdadeiramente cósmico têm pormenores que tornam [“BABYLON 5”] numa série absolutamente fascinante do príncipio ao fim, mesmo que o final da série 4 esteja um bocadinho apressado e o início da série 5 pareça ter perdido o fôlego, não se preocupem. A série 3 é fabulosa e a segunda metade da quinta é uma verdadeira montanha russa de reviravoltas e acontecimentos dramáticos que culminará num dos melhores episódios finais de todos os tempos no que toca à conclusão de uma saga galáctica.

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[“BABYLON 5”] é tudo isso e muito mais e mesmo com um orçamento ridiculamente baixo ao nível dos piores e mais baratinhos séries-B que possam imaginar, conseguiu colocar no ecran uma escala épica imensa nunca vista.
Talvez o facto de ser uma série totalmente Canadiana, apesar de actualmente aparecer como sendo Americana ( porque foi distribuída pelos Eua ), tenha contribuído para uma certa liberdade e um certo experimentalismo que nunca seria tolerado se isto fosse um genuíno produto saído de Hollywood como já por muitas vezes comentou o criador de toda a saga.
E o experimentalismo começa logo pela forma como também foi pioneiro nos efeitos especiais.

IT WAS THE YEAR EVERYTHING CHANGED.

Por volta de 1993 não havia revista sobre FC que não mencionasse o facto de algures no Canada existirem uns malucos que estavam a tentar usar computadores para fazer todos os efeitos especiais de uma série televisiva sem usarem uma única maqueta tradicional.

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Os mais novos que me lêem agora nem imaginam como foi verdadeiramente inesperado aparecer uma série que mostrava naves e ambientes espaciais todos desenhados e animados em computador quando meio mundo ( de especialistas informáticos ) gritava que algo assim seria impossível de ser levado a bom porto.
Era quase magia apesar de muito crítico na altura estar inclusivamente convencido que aquela ideia nunca iria funcionar; afinal quem é que no seu perfeito juízo ia tentar colocar animações 3D para substituir os tradicionais efeitos para uma série de FC ?!
CGI ? O que é isso ?…

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[“BABYLON 5”] foi a primeira série a usar computadores para criar não apenas um mundo mas logo um universo inteiro; ( para isso contou com a ajuda da Nasa que forneceu inúmeras imagens inéditas do Hubble para serem usadas como fundos espaciais ).
Não só todas as cenas espaciais, com naves e a estação Babylon-5 são apenas renders digitais como ainda por cima foi das primeiras produções a usar também o matte-painting digital para estender cenários usando o computador em pós produção quando ainda toda a gente usava os tradicionais matte-paintings em câmera pintados à moda antiga com tintas e pincéis em superfícies de vidro.

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Hoje em dia podemos rir à parva só de olhar para o resultado pois as animações de [“BABYLON 5”] envelheceram mesmo muito, ( principalmente porque hoje em dia a resolução é atroz quando vemos os episódios num televisor moderno enorme ); mas na altura foi um verdadeiro estrondo e abriu possíbilidades nunca vistas na forma como se filmava até uma produção televisiva.
Isto porque o facto de se usar câmeras virtuais que poderiam ser colocadas em qualquer posição e programadas para fazer qualquer movimento que o realizador tivesse na sua imaginação fez com que de repente os realizadores não estivessem mais presos a uma determinada lista de enquadramentos tradicionais possíveis, principalmente no que tinha a ver com as cenas espaciais.
Agora tudo poderia ser mostrado e filmado.
Até [“BABYLON 5”] ter aparecido a usar esta nova tecnologia nesta escala, isto era algo nunca visto antes.

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Além disso, lembrem-se que ninguém tinha TVs digitais sequer.
Não havia cá, 3K nem 4K.
Nem sequer havia HD quanto mais 4K !
Quando [“BABYLON 5”] estreou ainda se gravavam os episódios em cassetes VHS e as televisões eram todas caixas quadradas tradicionais com écrans onde a palavra resolução era quase uma anedota.
As TVs tinham imagem e até eram cores e tudo. E chegava !
Por isso, nessa época até o render digital a 320×200 em termos de pixeis quando transposto para os nossos pequenos ecrans da altura parecia algo extraordináriamente avançado e que nos deixava estupefactos.

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[“BABYLON 5”] tinha realmente imagens digitais simplesmente fabulosas e de qualidade extraordinária quando estreou em 1994 após um episódio piloto de 1993 que serviu de teste para a tecnologia.
Isto porque exploravam totalmente cada pixel da capacidade máxima dos nossos televisores da altura e neles a série brilhava como nada tinha brilhado antes.
A minha afirmação acima aos olhos de quem tenha nascido por exemplo no ano 2000 irá parecer inacreditável hoje em dia, pois vocês nem imaginam como fica mal um episódio de [“BABYLON 5”] numa televisão gigante moderna actualmente.
A passagem do tempo não foi nada benéfica ao visual e à resolução destas animações.

A SHINNING BEACON IN THE NIGHT

No entanto a história e personagens manteve-se absolutamente inálterada e [“BABYLON 5”] é uma daquelas séries que apetece rever vezes sem conta porque além de ser tão variada que nos esquecemos sempre de qualquer coisa que vimos antes ainda por cima tem realmente uma daquelas histórias que nos fazem realmente sentir que estamos a acompanhar um mundo real.

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Os efeitos podem parecer incrivelmente datados mas nem por isso a série deixa de ter um design extraordinário. Apresentou-nos verdadeiros mundos que nunca tinham sido colocados no ecran, mostrou-nos uma variedade de naves espaciais alienígenas absolutamente fantástica e um sem número de raças e situações que ainda não tinham sido mostradas a não ser nos melhores romances de FC.

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Por isto mesmo [“BABYLON 5”] foi a primeira série de TV a ter ganho o prémio literário equivalente ao Oscar para a literatura de FC.
Não uma mas duass vezes.
Ganhou o prémio Hugo pela excelência da escrita e pela imaginação do universo em questão o que coloca esta saga actualmente a par com gigantes como “Rama”, “Foundation” ou “Dune” no que toca ao topo da FC.
E com todo o mérito pois é uma verdadeira prima da space-opera literária.

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CLASSIFICAÇÃO

Apesar de ser um produto televisivo muito datado em vários aspectos técnicos hoje em dia e que envelheceu mesmo muito, muito mal no que toca áquilo que já foi uma inovação digital do outro mundo ainda apena à pouco mais de vinte anos, [“BABYLON 5”] não deixa de ser uma verdadeira experiência emocional dentro da ficção-científica.

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Não só como space opera clássica é um produto brilhante, como tem uma escala épica só comparável talvez ao que novelas como “RENDEZ-VOUZ COM RAMA” de Arthur C.Clarke conseguiram transmitir na forma como nos fazem olhar para o universo ao mesmo tempo que nunca se esquecem que uma boa história precisa de personagens inesquecíveis.
E acima de tudo [“BABYLON 5”] tem personagens inesquecíveis.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

Totalmente obrigatório a qualquer apreciador de ficção-científica digno desse nome.
Se nunca o viram por causa do seu visual muito velho e incrivelmente datado, recomendo que lhe dêem uma oportunidade pois em termos história no pequeno ecran nunca viram uma space-opera tão épica e bem construída quanto esta.
Acho que deveria criar uma classificação cósmica só para atribuir a esta série agora aqui no blog.

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A favor: os personagens, a história, a escala imensamente épica, as reviravoltas, as batalhas espaciais, o design da série, a variedade de aliens, a variedade de naves, a variedade de ambientes e histórias, a banda sonora tem atmosfera, o sentido de humor, os personagens “Londo” e “Jackar”, a segunda metade da série 5 é devastadora, o final da história é excelente, o episódio final é do melhor que já apareceu numa série televisiva e em termos de conclusão só actualmente o inesperado “Downton Abbey” se pode comparar. Michael J.Stravinsky o criador da série apaga as luzes do set no final e a história acaba.

Contra: não que eu ache problemático mas os efeitos digitais em muitas partes da série envelheceram incrivelmente, visualmente muitas cenas parecem incrivelmente velhas, pois a resolução com que [“BABYLON 5”] foi filmado é mesmo muito fraca e nas nossas televisões modernas enormes tudo parece por demais rasca e pixelizado a níveis que fazem lembrar o pior dos tempos VHS.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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Why BABYLON 5 is awesome !

Isto poderia ter sido postado por mim, pois menciona exactamente um monte de coisas com que eu concordo e que já apontei atrás.

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COMPRAR CAIXA COM TODAS AS SÉRIES + Filmes adicionais para TV + Série spinoff “CRUSADE” – REGIÃO 2 – EDIÇÃO UK
( algumas seasons têm legendas em PT , outra apenas em inglês )

Esta caixa é uma edição fantástica que contêm toda a saga BABYLON 5.
Para além das 5 seasons com a história principal clássica, a caixa vem ainda com vários filmes para TV que foram feitos a seguir focando-se no desenvolvimento de coisas que tinhamos acompanhado resumidamente na série.
Além disso trás ainda um episódio piloto para uma nova série no mesmo universo que não chegou a ir para a frente ( “The legend of the Rangers” ) e primeira season completa da série spinoff que foi para a frente “CRUSADER” e que foi cancelada pois era realmente desnecessária para o universo Babylon-5.
Por este preço a caixa vale mesmo a pena para todos os fãs de Babylon-5 pois tem conteúdo que nunca mais acaba e vão levar séculos para conseguirem ver tudo isto.

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https://www.amazon.co.uk/gp/product/B000WDSRG4/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B000WDSRG4&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

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All intros – Genéricos de todas as seasons nun único video.


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Documentario de 1997


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COMICON – REUNIÃO dos 20 anos

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0105946

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Se gostou deste, poderá gostar de :

humanities_end capinhas_galaxina capinha_the-humanoid capinha_spacehunter capinha_starcrash capinha_battlestar-galactica capinha_dune capinha_Battle Beyond The Stars.jpg

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