“Солярис ;(1968)” (“SOLARIS / Солярис”) Lidiya Ishimbaeva / Boris Nirenburg (1968) RUSSIA

Para meu espanto descobri há dias que um dos meus livros de ficção-científica favoritos, “SOLARIS” de Stanislaw Lem, afinal não teve apenas duas adaptações para filme mas sim três.
Existe um “SOLARIS” de 1968 !!

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Quando eu procurava material visual para a minha outra review a propósito de [“Solaris / Солярис”] realizado em 1972 por Andrei Tarkovsky eis que de repente no Youtube descubro não só a existência desta adaptação anterior como ainda por cima o filme está todo no site legendado em inglês !
[“Солярис”] antes de ter sido um dos filmes mais reverenciados por tanta gente a quando da sua adaptação ao cinema por Tarkovsky começou por ser um filme para televisão e segundo o que me parece pela cópia existente no Youtube terá sido uma espécie de mini-série divida em três episódios.

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Foi produzida para um canal de TV Russo em 1968 e curiosamente tendo praticamente a mesma duração da versão seguinte em 1972 ( quase três horas ) e sendo essencialmente pouco mais do que uma peça de teatro filmada ( em directo (?) ), acaba no entanto por ser um filme muito menos secante ( dentro de um certo contexto ) do que a reverenciada adaptação de Tarkovsky precisou de ser por motivos que detalhei já bem na minha outra review para [“Solaris / Солярис” ;(1972)].

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Isto porque essencialmente [“Солярис ;(1968)”] é no seu formato o típico produto televisivo dos primórdios da televisão e embora tendo sido já produzido quase em 1970, ainda se parece por completo com aquele tipo de séries de ficção-científica “primitivas” norte americanas do meio dos anos 50 que eram na sua maioria, ensaiadas e filmadas em directo como se fossem uma peça de teatro onde não poderia haver falhas nem hipótese para repetição de takes.

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Se conhecem coisas como “Tom Corbet Space Cadet” sabem do que estou a falar.
[“Солярис ;(1968)”] parece por isso um produto bem mais antigo do que na realidade é. Especialmente quando nos lembramos do que Kubrik estava a fazer no mesmo ano com “2001”; embora nada se possa comparar até porque esta primeira adaptação do romance de Stanislaw Lem para o pequeno écran é claramente um título praticamente sem orçamento para o que quer que seja.
Muito menos para adaptar a quantidade de coisas que estão no livro e que ninguém até hoje mostrou seja em que adaptação for.

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Daí todo o seu ambiente teatral também.
[“Солярис ;(1968)”] não tem efeitos especiais de espécie alguma, não tem naves, não tem cenas no espaço, nem sequer nos mostra o Oceano inteligente do planeta Solaris ao contrário da versão posterior de Tarkovsky que mal ou bem ainda introduziu um design espacial ou dois que até ficaram famosos e se tornaram ícones da ficção científica.
[“Солярис ;(1968)”] não tem nada disso, mas é precisamente por se parecer com um teatro filmado que acaba por resultar bastante bem.
Se vocês meterem na cabeça que o que vão ver é uma história representada por quatro actores e pouco mais irão gostar de acompanhar [“Солярис ;(1968)”] pois é realmente muito agradável de seguir; ( e noite dentro quando visto na escuridão tem uma atmosfera muito cativante ).

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Especialmente para quem for fã do livro ou conhecer bem os fimes posteriores, tanto a adaptação de Tarkovsky em 1972 como o remake de Soderbergh em 2001.
Para o público em geral também poderá ser uma proposta curiosa, especialmente para quem gostar muito de teatro e de ver textos bem representados.

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Visualmente [“Солярис ;(1968)”] apesar de muito limitado a uns três ou quatro cenários simples é como já referi muito atmosférico também.
O visual da estação Solaris tem pilhas de ambiente. Apesar do seu design muito singelo, resumido a um corredor juntamente com mais um par de salas  [“Солярис ;(1968)”] nesta versão “teatral” parece estar perfeitamente adequada ao que o texto pede.
O facto de ser –um filme- a preto e branco com uma boa fotografia e uma estética claramente inspirada no cinema Expressionista Alemão  clássico, onde as imagens em estilo “noir” cheias de contrastes claro-escuro abundam, faz com que esta história mesmo dependendo tanto dos diálogos e dos actores acabe por funcionar bem, até mesmo durante as suas mais de duas horas de duração.

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E por falar em história, o pobre do Stanislaw Lem deve ter-se arrependido amargamente de ter colocado nesta novela de ficção científica uma personagem feminina com uma ligação emocional ao protagonista.
Isto porque também aqui neste original [“Солярис ;(1968)”] o que os argumentistas desenvolveram foi essencialmente toda a parte da história de amor que serviu depois de base a Tarkovsky e foi mantida no remake de 2001 também como centro de tudo.

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[“Солярис ;(1968)”] é quase um rascunho para os outros dois filmes seguintes no que toca à vertente romântica da coisa, o que mais uma vez dá uma ideia completamente errada do livro.
Isto porque a novela original conta realmente uma história de ficção científica clássica bem mais detalhada e muito mais próxima de um “THE FORBIDDEN PLANET” do que propriamente de uma espécie de Romeu e Julieta espacial que serviu um bocado de pano de fundo para todas as versões filmadas desde que [“Солярис ;(1968)”] apareceu na TV Russa.

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CLASSIFICAÇÃO

Como curiosidade [“ ;(1968)”] é realmente um achado e não deixa de ser mais outro bom exemplo do tipo de ficção-científica adulta que já existia na Russia enquanto os americanos ainda andavam a ser invadidos por monstros de borracha, “comunistas” espaciais e discos voadores em Hollywood.

Três Planetas Saturno


  

Resulta bem como teatro filmado, surpreendentemente não é um produto aborrecido ( pelo menos para quem for fã do romance original ), não é deprimente como o raio ao contrário da versão seguinte e tem muita atmosfera mesmo pelo meio das suas limitações técnicas.
Se calhar dentro de um certo contexto até mereceria mesmo quatro Planetas Saturno e não apenas três.

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Como adaptação do livro é mais outra que jogou fora praticamente tudo o que lá está e centrou-se apenas na história da relação entre Kris Kelvin e a esposa falecida que regressa para junto dele quando o Oceano inteligente que habita Solaris tenta comunicar com os habitantes da estação de pesquisa terrestre que flutua na sua superfície materializando as memórias de cada pessoa.

A favor: é uma versão muito curiosa e por isso hipnótica que nenhum fã do livro deve deixar de ver, tem um visual “noir” fantástico por vezes embora muito limitado, como teatro filmado resulta bem, os actores são carismáticos quanto baste e a história mantém-se constantemente fluída sem pontos mortos.

Contra: se calhar para quem não for fã do livro ou dos filmes seguintes isto não terá grande interesse, quase três horas ainda é um bocadinho demais para o conteúdo que tem.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER – (com uma interessante comparação entre todas as versões)

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VER FILME COMPLETO NO YOUTUBE

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt1808482

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