“EARTHSEA” (“EARTHSEA”) Robert Lieberman (2004) EUA / CANADA

Um dia, um jovem pré-adolescente essencialmente sem família vê-se o centro das atenções de um dos membros de uma comunidade de magos quando é identificado como tendo potencial para vir a ser o maior feiticeiro de todos os tempos.
Após alguns precalços envolvendo a sua inexperiênca com o seu talento mágico recém-descoberto, o jovem é enviado para estudar no colégio da magia gerida pelo próprio arquimago que supervisiona a formação de todos os jovens feiticeiros e coordena todas as disciplinas mágicas que a escola lecciona.
Nesse velho Colégio de Magia, as aulas são dadas por professores específicos para cada uma das artes da magia, cada um com a sua personalidade e sendo o melhor na sua Arte.
Ao chegar à Escola da Magia, o jovem cruza-se com outro da mesma idade completamente arrogante que o desdenha por vir de familias humildes e faz tudo para o humilhar continuamente, até ao dia em que os dois numa aposta de Magia por entre um duelo de feitiçaria que corre mal libertam um mal antigo “Sem Nome” que será a base do resto da aventura.
Bem-vindos ao mundo de  [“O Feiticeiro de Terramar“].

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Se calhar pensavam que eu ia dizer Harry Potter não ?

ROKE – THE SCHOOL FOR WIZARDS

A verdade é que “Harry Potter” pura e simplesmente gerou tanto dinheiro que a sua máquina publicitária fez esquecer que todos os mesmos conceitos base já existiam antes na clássica obra de Fantasia conhecida pela trilogia de Terramar da autora Ursula K.Le Guin .

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Escrito nos anos 60, o primeiro livro da série já contêm tudo o que depois se tornou popular na obra de J.K.Rowling, desde a escola de magia, aos professores feiticeiros, ás aulas de feitiços, a “Dumbledorn”, a “Harry Potter” e rivalidade com “Malfoy“, a “Valdemort“, a Sombra, etc, etc, etc.
No entanto quantos fãs de Harry Potter conhecem esse facto ?…

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Uma das coisas mais divertidas que pela altura da estreia desta série encontrei na internet foram os comentários indignados dos teensHarrypotianos” que por inúmeros fóruns exemplificavam – ponto por ponto  – o quanto [“EARTHSEA”] seria um enorme e evidente plágio de Harry Potter !
Pois bem meus amigos, se nunca leram “THE WIZARD OF EARTHSEA” escrito em 1968 por Usula K. Le Guin e ficaram maravilhados pela fantasia ou imaginação dos conceitos “de J.K.Rowling” preparem-se para para o choque das vossas vidas.
É certo que [“EARTHSEA”] a mini-série nunca teria visto a luz do dia não fosse o sucesso dos primeiros filmes  e livros Harry Potter, mas por outro lado a sua existência veio demonstrar de forma muito clara qual a verdadeira origem do conceito inicial.
E não surgiu com Harry Potter.
 Tomara os livros todos de Potter terem metade da imaginação que a simples trilogia Terramar encerra.

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Anos atrás haviam fóruns inteiros dedicados a esmiuçar ponto por ponto o quanto a escola de Roke no mundo de Terramar não passava de uma pálida imitação da maravilha imaginativa que seria o universo Potter e o mais hilariante acontecia quando alguém com conhecimento dos livros Terramar tentava fazer notar que Roke/“Hogwarts”; a Sombra, “Malfoy” e todo os conceitos que os jovens leitores encontraram pela primeira vez no livro inicial ou no primeiro filme sobre Potter, já estavam descritos em pormenor nas páginas de um romance com mais de trinta anos.
Referir a existência de “O FEITICEIRO DE TERRAMAR” num fórum “Pottiano” era logo causa para o herege que o tentasse fazer fosse imediatamente banido como sendo um perigoso Teórico da Conspiração.

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Até muitos dos críticos omitiam em absoluto toda e qualquer referência ás influências de “O Feiticeiro de Terramar” na criação de J.K.Rowling, chegando inclusivamente a elogiar a autora pela extraordinária originalidade do conceito, ignorando por completo a existência da série clássica [“EARTHSEA”] .
Coisa que magoou a verdadeira autora do conceito da Escola de Magia de Hogwarts – Ursula K.Le Guin  pois nunca ninguém ligado ao franchising de Potter alguma vez emitiu uma nota de agradecimento pela “inspiração” e importância que a série de Terramar certamente teve na criação do mundo do feiticeiro inglés por muito que tentem ignorar públicamente todas as coincidências entre as duas obras de fantasia.

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Todas as histórias são essencialmente baseadas em arquétipos semelhantes, é certo; coincidências existem, mas tanta coincidência também já é demais especialmente quando tal como aconteceu com os fans dos livros Potter, nos fóruns identificamos imediatamente tudo o que já vimos antes numa estrutura que não só é parecida como essencialmente igual.
Não só em termos de dinâmica de personagens como na imaginação ao redor de todo o background da escola de magia. Até no que toca ao desenvolvimento drámatico posterior envolvendo a libertação da Sombra (“sem nome”).
Essencialmente como afirmou e bem Ursula K.Le Guin há por aqui um Dejá-vu que merecia pelo menos um reconhecimento enquanto fonte inspiradora. Um simples agradecimento e pelo menos uma referência cordial seria bem vinda para com quem realmente criou o conceito original daquele universo e no entanto ficou totalmente posta de parte perante o poder do dólar.

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A única diferença entre a escola de Potter e a escola de Ged, é que uma se situa num mundo medieval de fantasia e a outra em inglaterra. O professor “Dumbledorn” é o mesmo personagem practicamente nas duas obras, as cenas das aulas de magia com os seus professores específicos para cada arte mágica são decalcadas do trabalho de Le Guin, o puto rival de Ged em “O Feiticeiro de Terramar” tem não só o seu equivalente em Draco Malfoy presente em Harry Potter como básicamente são o mesmo personagem até na maneira como o confronto entre os dois se desenrola inicialmente.
Até Ged ganha uma cicatriz quando liberta a Sombra sem nome como aconteceu depois em Harry Potter.
 E isto entre muitos outros detalhes que poderão comparar se começarem por ler “O Feiticeiro de Terramar”.

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Embora J.K.Rowling depois tenha sabido habilmente contornar a situação nas sequelas do seus livros já mais personalizadas, as “coincidências” são tantas relativamente ao conceito inicial de Ursula K Le Guin que os próprios fãs de Potter deram um tiro no pé quando bradavam aos céus nos foruns contra [“EARTHSEA”]  porque, só podia ser “óbviamente” um descarado plágio de Harry Potter.
Por outro lado, se virmos as coisas apenas pelo prisma de fazer dinheiro á custa do produto da moda foi certamente a única razão porque a mini-série americana foi produzida sim senhor.

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No entanto segundo muitos fãs, [“EARTHSEA”]  nem merecia ter sido colocado no ar por ter roubado tantas ideias, situações, conceitos e acima de tudo, personagens que seria um desrespeito á original obra de J.K.Rowling.
O que não deixa de ser hilariante, pois no momento em que estes se indignam ao ponto de acusar [“EARTHSEA”] de plágio, essa própria acusação acaba por fazer o “feitiço virar-se contra o feiticeiro” (haha) e mostrar que afinal quem criou mesmo todo o conceito da velha escola de magia foi na realidade Ursula K Le Guin e não terá sido J.K.Rowling de todo.

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Mas o marketing é uma coisa fascinante. É impressionante como consegue criar modas na cabeça do público de uma forma tão negativa que apaga por completo a existência dos trabalhos originais no que toca às novas gerações actualmente.
E conseguem fazê-lo até mesmo com obras tão consagradas como a série de Terramar o que só demonstra o poder da publicidade numa época em que os livros quase que se tornaram produtos de fast-food onde ninguém se interessa de onde vieram os ingredientes de que são compostos, mas toda a gente come porque o anúncio diz que é bom e os amigos também comem e gostam muito.
Como resultado desta cultura do imediato, onde se consome o que os media impingem nesta semana e ninguém se recorda mais do que leu ou viu anos atrás como se as coisas simplesmente deixassem de existir é que depois levamos com produtos inacreditávelmente rascas como esta mini-série [“EARTHSEA”].

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HARRY CÓPIA

[“EARTHSEA”] é mau.
Muito mau.
Há tanta coisa errada com [“EARTHSEA”] que nem vale a pena tentar enumerar ponto por ponto, pois já houve pelo IMDb quem tivesse tentado fazê-lo e acabasse por ficar pelo caminho, pois sinceramente a lista de coisas erradas  nisto é quase interminável ao ponto da própria autora se ter insurgido públicamente contra a produção televisiva quando estreou.

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[“EARTHSEA”] não é “A WIZARD OF EARTHSEA”.
Não é “O FEITICEIRO DE TERRAMAR”. Tem parecenças, pontos em comum, mas como já muita gente perguntou não se entende de todo como raio é que alguém se dá ao trabalho de gastar guito para licenciar uma obra de fantasia como esta de forma a adaptá-la ao cinema ou televisão e depois pega no que comprou, joga tudo fora e só fica essencialmente com o nome dos personagens, com um par de localizações geográficas e com uma escola de magia … igual à de…  Harry Potter… ahhhhhh !….
´Touteacompreender !

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[“EARTHSEA”] foi essencialmente comprado porque alguém em Hollywood queria desesperadamente imitar Harry Potter pois parece que aquilo dava dinheiro e tal…
Como queriam imitar Harry Potter mas se calhar não convinha enfrentarem legalmente acusações de plágio por parte da Warner a solução foi comprarem os direitos de “A WIZARD OF EARTHSEA” !
Era a solução perfeita.
Comprava-se uma coisa que continha elementos exactamente iguais aos que aparecem em Harry Potter mas nem J.K.Rowling nem a Warner poderiam acusar a produção “EARTHSEA” de copiar Potter porque essencialmente são o mundo de Terramar com a escola para feiticeiros de Roke que são os conceitos originais e não –  Inglaterra com a escola de magia Hogwarts.

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Além disso o pior (ou melhor) que podia acontecer seria as novas gerações desconhecendo por completo os romances de Ursula K.Le Guin começarem a falar de [“EARTHSEA”] mesmo que fosse para acusar-lo de imitação.
Como não existe má publicidade, mesmo o facto das novas gerações pensarem que a escola de feiticeiros de Roke é que seria a cópia e não o original, isso daria visibilidade à mini-série.
Sendo assim, os produtores simplesmente usaram os bocados que estão exactamente iguais em Harry Potter e descartaram tudo o resto dos romances de Ursula K.Le Guin. Inclusivamente a mini-série começa logo com um Ged teen como não podia deixar de ser e mantém o mesmo personagem durante a história toda quando os romances abarcam um período que vai dos 8 aos 80 e tal anos na vida do personagem.

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No fundo está claro que nunca foi intenção do Sci-Fi Channel adaptar qualquer romance de Terramar pois o que eles quiseram foi adquirir uma propriedade que lhes permitisse embarcar no sucesso de Harry Potter sem serem acusados de plágio.
Até porque J.K.Rowling jamais abriria a boca sobre as estranhas semelhanças entre as duas obras tal como nunca o fez até hoje nem respondeu ao desafio de Le Guin para pelo menos reconhecer as influências do trabalho original.

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É que ainda por cima, a trilogia de Terramar, contrariamente ao que as novas gerações de fans de Potter possam pensar, nem sequer são propriamente uns romances obscuros que ninguém conhece; visto que “EARTHSEA” é pura e simplesmente uma das melhores obras literárias de fantasia, só comparada em originalidade ao trabalho de Tolkien e mais tarde a “A História Interminável” na forma como cada romance criou um universo único com conceitos verdadeiramente originais. Coisa que não se pode dizer propriamente de Harry Potter apesar das novas gerações nem suspeitarem tal com nem notaram quando o péssimo e infantilmente mau “ERAGON” de Christopher Paollini foi a próxima obra a estar na moda a seguir mesmo tendo plagiado o triplo; inclusivamente mais uma vez – Terramar – sem nenhum puto fazer a mínima ideia.
Típico resultado da cultura de massas de hoje em dia.

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WARRIORS IN THE MYST

A adaptação de [“EARTHSEA”] começou logo de forma nebulosa segundo Le Guin quando o Sci-Fi Channel a manteve afastada de tudo o que se passava ao redor da produção tendo substituído todos os personagens de pele castanha, escura, cor de barro, preta ou negro azulada por um elenco essencialmente americanamente branco.

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Terramar era agora essencialmente habitada por brancos.
No universo original apenas Tenar que vive nos Tumulos de Atuan será caucasiana, sendo a generalidade do restante mundo de Terramar composto por inúmeras raças de pele escura com vários tons diferentes. 
Era essa inclusivamente uma das originalidades do universo Terramar ; até porque foi intenção da escritora criar um universo de Fantasia consistente que não precisasse de assentar essencialmente em heróis caucasianos contrariamente ao estereotipo habitual.
A ideia de situar tudo num mundo composto por ilhas e numa atmosfera algo Marroquina serviu precisamente para alicerçar o conceito.
Obviamente que para o Sci-Fi Chanel essa foi logo a primeira coisa a ser imediatamente jogada fora; afinal não iriam produzir um Harry Potter televisivo só com “pretos”.

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Vá lá, safou-se o mago Ogion interpretado por Danny Glover que está mais ou menos como no livro.
A partir dali foi o descalabro total. Essencialmente ficaram com as partes que são iguais a Harry Potter mas tudo o resto foi substituído restando muito pouco da estrutura e ideia original.
Misturaram situações dos dois primeiros romances da trilogia, “O FEITICEIRO DE TERRAMAR” e “OS TÚMULOS DE ATUAN”, arranjaram uma namorada para Ged, estereotiparam o personagem do seu melhor amigo caracterizando-o como o habitual gordo simpático em modo sideckick qual Batman precisa do seu Robin, meteram umas cenas de sexo porque sim e infantilizaram todo o mundo de Terramar a tal ponto que agora até parece que já há por lá um vilão e tudo ! Um “mau” !
Como se a Sombra sem nome já não tivesse sido suficiente na história original.

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Aliás, uma das piores coisas em [“EARTHSEA”] é precisamente o novo vilão.
Um rei maluco com a mania que quer ser conquistador do universo e que não podia ser mais cartoon. Um personagem que não podia estar mais longe do universo criado por Ursula Le Guin e mais parece saído de um mau livro americano do Dungeons & Dragons se este tivesse sido escrito por alguém com menos de 10 anos.
Até porque depois tudo o que se passa ao seu redor parece ir descambar em comédia a qualquer momento. As suas tropas ameaçadoras são uma espécie de grupo de soldados ineptos saídos de um qualquer desenho animado e todo aquele ambiente medieval essencialmente Europeu é simplesmente uma nódoa que não quer desaparecer retirando por completo toda a diversidade que existe nos romances.

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E por falar em algo absolutamente incompreensível quem é que raio teve a ideia de trocar toda a lógica do nome do personagem principal ?!
No universo de Terramar , cada coisa tem um nome secreto verdadeiro e só quem conhece o nome verdadeiro de cada coisa detêm verdadeiro poder mágico sobre ela sendo isso uma das características dos feiticeiros.

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Ora acontece que no romance o nome comum do nosso heroi, é – Sparrowhawke (Gavião) – o nome que o seu pai lhe deu, o nome pelo qual é conhecido por toda a aldeia. Só mais tarde ele conhece o seu verdadeiro nome, – GED.
Nesta mini-série está ao contrário; aqui o seu nome regular é Ged e o nome secreto é Sparrowhawke, o que é completamente imbecil até porque no romance isto tem uma razão de ser e a partir do momento em que trocam tudo na mini-série (sabe-se lá porquê) era logo sinal de que não tinham qualquer intenção de adaptar o que quer que fosse da obra de Le Guin para lá de usarem o conceito copiado em Harry Potter, claro está.
E já agora se estão a pensar que já viram isto em qualquer parte, se leram aquela coisa chamada “ERAGON” foi precisamente esta a ideia que Christopher Paollini copiou do mundo de Terramar; isto para não falar do que depois foi buscar decalcando directamente de “O Planeta dos Dragões” de Anne McFrey também; entre muitas outras coisas inacreditáveis… mas isto fica para outra ocasião…

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De volta a Terramar, outra coisa que mina constantemente o resultado final desta péssima adaptação é o que fizeram com os Túmulos de Atuan  ( e com o romance do mesmo título ). Se esperam encontrar a atmosfera do labirinto presente no romance, esqueçam.
Isto por aqui nesta mini-série é uma espécie de mesquita com umas sacerdotisas algo burrinhas e que supostamente guardam um segredo que poderá destruir o mundo. 
Atuan em [“EARTHSEA”] é mau demais para ser verdade.
 Até o labirinto não passa de um par de corredores sem qualquer magia ou atmosfera como se tudo tivesse sido filmado numa cave de um armazém qualquer.
Salva-se no entanto a presença de Isabella Rosselini que estranhamente foi contratada para isto mas que é definitivamente (juntamente com Dany Glover) a melhor coisa que existe nesta desgraçada mini-série.

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Isabella bem tenta dar alguma dignidade aquelas cenas com o seu personagem da Madre Superiora de Atuan, mas coitada; com um argumento destes é quase um milagre que a sua prestação seja uma das poucas coisas que realmente ilumina o écran.
Na verdade tirando um ou dois actores muito maus que andam por ali, o restante elenco até tenta dar o seu melhor, mas sinceramente também acho que por mais que tentassem com uma adaptação destas a coisa estava desde logo condenada à partida.

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THE OPEN SEA

Este texto nunca mais acaba se eu me ponho aqui a detalhar o que está errado nesta produção, mas não posso deixar de referir outra coisa que não funciona de todo. Este mundo de Terramar não parece minimamente vasto. Todas as ilhas parecem as mesmas e não há praticamente distinção nenhuma entre as culturas.
Os cenários naturais filmados no Canadá são muito bonitos, mas parecem todos iguais. Seja em que ilha estivermos parece que tudo foi filmado no mesmo lote de terreno. E provavelmente foi.

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Apesar disto se situar num mundo essencialmente oceânico, nunca se tem a sensação de estarmos a ver uma história passada num universo aberto. Onde a própria imensidão natural era quase uma personagem dos romances aqui em [“EARTHSEA”] a ideia de que tudo se passa em várias ilhas resume-se a algumas cenas num cenário com um par de barcos que estão óbviamente ancorados numa margem qualquer e uns matte-paintings em CGI do pior que mais parecem uma colagem amadora de quem ainda está a aprender a trabalhar com Photoshop.

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THE DRAGON OF PENDOR

E por falar nisso, os efeitos (nada) especiais digitais são igualmente maus. Isto até nem importaria se a história fosse uma boa adaptação de Terramar mas o facto de serem simplesmente atrozes ainda afunda mais esta série.
Se a ideia era fazer uma mistura entre Harry Potter mas com porrada em estilo Dungeons & Dragons para os americanos engolirem então ao menos podiam ter gasto algum dinheiro a tentar animar uns dragões de forma profissional ! Era o mínimo ! Especialmente tendo em conta que isto é suposto ser uma grande produção televisiva.

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Estranhamente por detrás disto notei agora que esteve o mesmo realizador que fez um trabalho tão bom em “FIRE IN THE SKY” e agora ainda fiquei mais surpreendido pois não consigo compreender de todo como raio é que alguém com material de fantasia desta qualidade como são os romances da trilogia original de Terramar, deita cá para fora um produto tão inclassificável quanto este, ao ponto da escritora Ursula K.Le Guin não se ter calado sobre tão decepcionante resultado !

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CLASSIFICAÇÃO

Posto isto , o que se poderá dizer de  [“EARTHSEA”] …
Havia muito ainda para dizer sobre  [“EARTHSEA”]…
Mas como não dá mesmo para continuar a enumerar tudo o que está errado nesta adaptação, resta-me só dizer que é definitivamente uma das piores versões “cinematográficas” de um livro que os americanos já produziram.
E como destruiram por completo uma das minhas histórias de fantasia favoritas de todos os tempos…



Dois Planetas Saturno


 

Mas se calhar não vale mesmo mais de 1 Planeta Saturno mesmo. E mesmo assim é ser generoso.
A primeira metade da série ainda tem alguma atmosfera e semelhança com o primeiro livro, mas a partir do meio, é absolutamente incrível ver o que fizeram com este conceito transformando-o numa das piores D&D infantis que me lembro de ver em muito tempo. E o final disto… nem há palavras…
Pior que isto no que toca à destruição de um grande romance de aventuras, só mesmo “The Neverending Story III” !

Por outro lado… se esquecermos que  [“EARTHSEA”] pretende ter alguma coisa a ver com “A WIZARD OF EARTHSEA” ou com a trilogia de TERRAMAR… se conseguirmos esquecer que isto tem qualquer ligação aos romances de Ursula K.Le Guin, se fizermos um esforço, deixarmos o cérebro á porta e entrarmos em total modo Dungeons & Dragons versão infantil escrita por uma criança, isto até é uma mini-série… ehm… não diria agradável mas … suportável.

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Acredito plenamente que quem não conhece os livros e procurar apenas um divertimento ligeiro de fantasia é bem capaz de o encontrar por aqui algures. A história que os produtores inventaram para isto usando os ingredientes originais dos romances num certo sentido ingénuo é algo que se acompanha subjectivamente bem se não formos muito exigentes e como tal….
…
Se vocês nem sabem o que é “O FEITICEIRO DE TERRAMAR”, livro e não se importam de ver uma história de fantasia que não passa apenas de uma pálida sombra do original , quem sabe, se depois de verem  [“EARTHSEA”] até não ficarão com vontade de ler os romances e se isso acontecer já justifica a própria existência da série, para o mal e para o bem.

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A favor: Isabella Rosellini e Danny Glover dão o seu melhor, a banda sonora por vezes enquandra-se bem no universo Terramar, mal ou bem cria na televisão um mundo de Fantasia ( não será bem Terramar mas é o que se pode arranjar ).

Contra: Tudo o resto. O que está mal em  [“EARTHSEA”] enquanto adaptação televisiva de um dos romances de fantasia mais clássicos e reconhecidos da história da literatura do género é por demais numeroso para que eu possa agora aqui continuar a detalhar cada uma das desgraças em que a produção desta série transformou os conceitos originais dos livros.
Acima de tudo é quase uma versão infantil de qualquer coisa que pretende ser uma mistura entre Harry Potter, Lord of the Rings e Dungeons & Dragons se tudo tivesse sido imaginado por uma criança e escrito por um teenager daqueles que escreveu “Eragon”.
Até “um mau” esta coisa teve que meter !! Incrível !

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NOTAS ADICIONAIS

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OS LIVROS EM PORTUGAL

Em portugal, os trés primeiros livros foram há muito editados na excelente e clássica colecção de ficção-científica “Argonauta”, mas a editorial Presença lançou-os na sua excelente colecção de romances juvenis onde já se contam editados alguns dos melhores romances de Fantasia actuais.
Não deixa no entanto de ser interessante como em Portugal se continua a associar o género da Fantasia apenas a livros para crianças e nem a um clássico como Terramar foi dado o devido destaque que merecia pela editora, tendo enterrado esta obra numa secção infantil das livrarias onde muito pouco adulto interessado em Fantasia alguma vez irá espreitar.

De qualquer maneira aqui ficam os links para a actual edição portuguesa da Trilogia de Terramar:

PT-LIVRO1 PT-LIVRO2 PT-LIVRO3 PT-LIVRO4

LIVRO 1  –O Feiticeiro de Terramar” – (agora renomeado como “O Feiticeiro e a Sombra“, sabe-se lá porquê).
LIVRO 2 –Os Túmulos de Atuan
LIVRO 3 –O Outro Lado do Mundo” – (agora renomeado como “A Praia mais Longinqua“).

Anos depois da Trilogia original a autora voltou a este universo com um para de novos títulos que na minha opinião são muito fraquinhos e desnecessários mas que de certa forma são ao mesmo tempo obrigatórios para quem gostou da trilogia.

LIVRO 4 – “Tehanu – O Nome da Estrela

LIVRO (5) ADICIONAL – Curiosamente há alguns anos atrás um novo romance, “The Other Wind“ teve uma edição isolada numa colecção de aspecto “já mais adulto” e intitulou-se como “Num Vento Diferente“. Actualmente pelo que posso constatar já não faz parte do catálogo que está no site da editora…
Todas estas misturas de colecções e edições isoladas em Portugal é mesmo bom para confundir as pessoas e levá-las a começar a ler esta história pelo quinto volume em vez de terem começado pelo “O Feiticeiro de Terramar“. Ás vezes pergunto-me quem terá estas ideias.
Pela descrição que a Presença tinha no site, também não consigo perceber se misturaram ou não, este livro com o “Tales of Earthsea” (que a editora chamava “Tales of Earth and Sea” (?!)
Será que ninguém lê os próprios livros que editam ?! Será que não repararam que a expressão “Earthsea” é a alma e a base do romance ?!… Estou baralhado. Terão juntado os últimos dois livros e lançado tudo num único volume aqui em Portugal ?
Não sei, nem me interessa até porque este 5º livro parece já não estar à venda e de qualquer forma o que importa é mesmo a trilogia original.

Estão por vossa conta meus amigos, mas se gostam de Fantasia recomendo a leitura dos romances.

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0407384/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

capinha_DARK CRYSTAL.jpg capinha_neverending1 capinha_KRULL.jpg capinha_RISESHADOWARRIOR.jpg capinha_ladyhawke john_carter_28 capinha_mythica

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“IL MARE” ( “Siworae”) Hyun-seung Lee ( 2000 ) Coreia do Sul

Mais de metade das pessoas que visitam o meu blog sobre cinema oriental, fazem-no pesquisando nos motores de busca pela expressão – “filme romântico japonês“, ou através de frases semelhantes.
Como o cinema romântico oriental não tem qualquer divulgação no nosso país será lógico assumir que este interesse das pessoas é essencialmente fruto de um “passa-a-palavra” por entre aqueles que o descobriram e agora procuram mais da mesma poesia e originalidade que genéricamente já não existe no cinema romântico de Hollywood mas que os asiáticos parecem produzir cada vez melhor e do qual [“IL MARE“”] é um exemplo perfeito.

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Isto porque um bom filme romântico oriental é por regra muito mais do que a banal telenovela, pirosa, formulática e cheia de nomes sonantes Holywoodescos que passa habitualmente por romance aos olhos do público ocidental. Audiências habituadas a consumirem apenas o que os americanos lhe impingem porque essencialmente não conhecem mais nada.
Sendo assim, porque bons filmes orientais não faltam e porque muita gente parece estar interessada em cinema romântico saído daquelas paragens, irei também aqui neste blog continuar a recomendar aqueles que na minha opinião são filmes obrigatórios dentro do género, estando [“IL MARE“”] no topo de entre os melhores.

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Pode não parecer mas este é mais um daqueles títulos que essencialmente é perfeito para este blog. Não só estamos perante mais um grande filme totalmente desconhecido em Portugal que importa continuar a recomendar, como ainda por cima conta com uma daquelas histórias onde não faltam uns certos toques de ficção científica ou fantasia, pois estamos na presença de uma história que se situa algo entre universos paralelos; o que juntamente com o também fabuloso BE WITH YOU” que já recomendei por aqui formam um par absolutamente obrigatório para todos aqueles que procuram por grandes histórias de amor onde não falta um certo sabor a Twilight Zone.
Portanto nada melhor do que lhes apresentar aquele que é para mim não só um dos melhores filmes orientais que poderão ver dentro deste estilo, mas acima de tudo uma das grandes obras primas do cinema romântico em qualquer parte do mundo.
Bem-vindos a [“IL MARE“”].

[“IL MARE“”] foi o filme que me fez ficar a gostar mesmo de cinema oriental e é definitivamente um dos meus filmes românticos favoritos de todos os tempos.
Na verdade, para mim existem já um monte de filmes extraordinários absolutamente imprescindíveis no cinema asiático do género; “5 CM PER SECOND“, “CYBORG SHE“, “My Sassy Girl“, “The Classic“, “BE WITH YOU“, “IN THE MOOD FOR LOVE“, “Fly me to Polaris“, “My Blueberry Nights“, “2046” e [“IL MARE“].
Quem quiser ter uma excelente introdução ao bom cinema romântico que se faz do outro lado do mundo, não pode de forma alguma perder qualquer um destes filmes. Nos seus estilos mais diversos resumem bem a versatilidade, criatividade e principalmente a alma e a poesia que pode haver neste género cinematográfico mas que há tantos anos anda muito longe dos produtos fabricados em Hollywood.

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[“IL MARE“], tem logo á partida, outra característica curiosa. Na minha opinião é o perfeito exemplo de que o chamado Cinema de Autor, não tem necessáriamente que significar – filme secante para intelectuais da treta– e pode ser um excelente filme comercial sem no entanto perder a sua identidade muito pessoal e intimista.
Neste caso, estamos perante uma história de amor de contornos não só extremamente poéticos, mas também com uma pitada de ficção-cientifica plenamente baseada na String Theory visto que tudo isto envolve uma certa componente de universos paralelos como já referi mais atrás.

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Mas não se preocupem, aqueles que já estão a torcer o nariz. [“IL MARE“”], não é um filme de ficção-científica pois o facto da sua história contar de certa forma com universos paralelos e viagens através do tempo, essa vertente nunca é o ponto central da narrativa e nem sequer é explicada ao espectador. Apenas nos é pedido para entrarmos no conceito e deixar-mo-nos levar pelo seu resultado poético e emocional e pela forma como os personagens são afectados pelos acontecimentos inexplicáveis que lhes permite desenvolver a sua história de amor.

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Como resumir então [“IL MARE“”], sem estragar a magia da descoberta a quem ainda não o viu…
Basicamente conta a história de duas pessoas que vivem separadas por dois anos. O rapaz vive em 1998 e a rapariga em 2000 mas ambos trocam correspondência através de uma mágica (?) caixa do correio que se situa á entrada de uma casa de praia chamada precisamente “Il Mare“.

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Não há qualquer exlicação para esse acontecimento (nem interessa) e apenas ficamos a saber que os dois protagonistas conseguem comunicar através daquilo que colocam na caixa de correio e que misteriosamente é transportado de um lado para o outro atravessando o tempo ao longo de dois anos até á respectiva data no calendário em que cada um deles vive.
Inicialmente ambos viveram na mesma casa mas em alturas diferentes. O rapaz viveu em “Il Mare” entre 1997 e 1999 e a rapariga entre 99 e o início do ano 2000 quando ele já lá não habitava, altura em que depois se mudou para a cidade para estar perto do seu emprego como actriz de vozes para Anime.

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Ambos têm um passado marcado por mágoas na sua vida, a rapariga continua apaixonada pelo ex-namorado que a deixou por outra pessoa e o mesmo acontece com o rapaz que também perdeu a namorada por um motivo semelhante.

Através da caixa de correio, estabelecem então uma relação de amizade que aos poucos se transforma em amor, até que um dia combinam encontrar-se cara-a-cara numa praia deserta algures numa ilha da Coreia do Sul. Para a rapariga, o dia do encontro será na próxima semana a contar do seu calendário de 2000, mas para o rapaz esse dia no seu calendário de 1998 ainda está a dois anos de distância,  o que cria desde logo uma das situações mais interessantes do filme e que não pretendo agora aqui revelar como se desenvolve pois estaria a estragar a descoberta dos pormenores mais mágicos e emocionais desta original e muito poética história de amor.

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Só posso dizer que vão adorar a maneira como  [“IL MARE“”], usa os paradoxos temporais para criar situações românticas verdadeiramente bonitas e muito atmosféricas que os fará certamente apreciar tanto este filme quanto eu se embarcarem no seu conceito e se identificarem com os personagens.

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Ao mesmo tempo que é ligeiro na sua abordagem narrativa, [“IL MARE“”] é no entanto um filme extremamente intímista, carregado de paisagens interiores que são plenamente traduzidas visualmente na associação gráfica que o realizador constroi usando a imagem da mágnifica e original casa de praia denominada precisamente “Il Mare” e que serve de ligação não só entre o romance dos personagens mas principalmente entre as suas emoções.
[“IL MARE“”], é por isso um filme de poucas palavras. Aqui os personagens não precisam passar o enredo todo a dizer que se amam muito como acontece nas banais pseudo-histórias de amor americanas.

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Na verdade [“IL MARE“”] é construído com base nos silêncios e no que não é dito, mas que compreendemos perfeitamente graças ao extraordinário trabalho do realizador que nos transmite visualmente tudo o que não precisa de ser descrito por palavras.
Esta é uma das grandes razões porque este filme funciona tão bem a um nível emocional, pois faz-nos sentir e compreender o que os personagens sentem sem ter que passar o tempo todo em truques melodramáticos de pacotilha telenovelística para conquistar o espectador.

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Mas não esperem encontrar aqui o típico filme de autor secante para intelectuais de café.
[“IL MARE“”], está cheio de metáforas visuais, mas tudo é colocado de uma forma directa ao sabor do argumento e para servir a história da forma menos chata possível, o que não deixa de ser um feito pois o filme tem realmente uma atmosfera calma e muito relaxante ao mesmo tempo que não nos larga até á sua conclusão.

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É também, talvez um dos filmes que melhor aborda o tema do isolamento e da solidão nas grandes cidades sem entrar por caminhos deprimentes ou pretenciosos. Sempre de uma forma subliminarmente séria e muito poética que nos deixa a pensar embalados pelo seu ambiente hipnótico e contemplativo muito suportado também pela extraordinária música presente em todo o filme.
A combinação música/imagem ás vezes faz até lembrar os momentos mais poéticos de Blade Runner no que toca a uma criação de atmosfera de solidão ilustrada de uma forma que chega a ser bonita apesar de nos fazer pensar em muito mais do que esperaríamos quando julgavamos que iamos apenas ver um banal filme romântico, coisa que [“IL MARE“”] não é.

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Um dos grandes trunfos na criação deste ambiente está também na extraordinária banda sonora composta por originais de Jazz made-in-Coreia do Sul e que se adaptam perfeitamente a cada fotograma criando uma atmosfera única que complementa perfeitamente todo a poesia visual e também cada emoção que percorre o filme.
Conseguindo inclusivamente numa questão de segundos passar de um momento dramático a um tom mais ligeiro sem perder identidade, transmitir saudade, melancolia ou alegria como no caso da cena dos noodles que liga os dois personagens na mesma actividade embora separados por dois anos no calendário.

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Como tal o que há a dizer mais sobre este pequeno grande filme ?…
Foi um fracasso de bilheteira monumental na Coreia do Sul quando estreou. Essencialmente devido á sua campanha de marketing atroz que já ficou como um exemplo da maneira de como um filme não deve ser publicitado. Teve um trailer oficial tão mau, mas tão mau que afastou o público todo do filme ainda este não tinha sequer estreado. Graças ao trailer oficial que não tem absolutamente nada a ver com a verdadeira atmosfera do filme, as salas de cinema ficaram ás moscas, porque as pessoas pensaram que [“IL MARE“”] seria um melodrama estilo cinema-de-autor intelectualoide a atirar para o deprimente e não um filme tão romântico e simples como mais tarde toda a gente descobriu que afinal este era.

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Entretanto tornou-se um enorme sucesso de vendas em dvd por aqueles lados do oriente e um verdadeiro filme de culto, pois tal como em Blade Runner as pessoas foram-no descobrindo e recomendando aos amigos que por sua vez o recomendaram a outros amigos e assim por diante, tornando este filme tão popular que até os americanos compraram os direitos para fazer um dos piores remakes de filmes orientais de que há memória, com o nome “The Lake House” (2006); onde destruiram por completo a poesia da obra original e a deixaram sem o mínimo vestígio da magia que tem nesta primeira versão Sul-Coreana.
Está nos meus planos em breve colocar aqui uma review de comparação entre a versão original e a desgraça Americana, assim que preparar o cérebro e a paciência para conseguir rever o remake.

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CLASSIFICAÇÃO

Poético, original e uma obra prima do cinema romântico que ninguém interessado no género pode ficar sem ver.
Completamente imprescindível para quem não tem medo de ver um filme calmo onde a atmosfera faz o filme. Recomendo o uso de um bom sistema surround para tirarem realmente partido do filme, pois a música em [“IL MARE“”] é absolutamente essencial.

Cinco Planetas Saturno e um Golden Award

     

Mais um dos filmes que para mim rebenta a escala pois é dos meus favoritos sendo grande fonte de inspiração também para o meu trabalho de ilustração.
Bom filme também para quem se interessa por univeros paralelos e String Theory, apesar de não ser uma obra de ficção-científica e juntamente com o igualmente imprescindível e fabuloso “BE WITH YOU” é mais um título a não perderem se procuram por histórias de amor com muita alma e uma pitada de Twilight Zone.

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A favor: tudo, poesia, personagens, ambiente, banda sonora, romantismo, fotografia, realização, inteligência de argumento, a maneira como a música é usada, a estética das imagens, o design de produção, o equilíbrio perfeito entre o cinema-de-autor e o cinema comercial, é um filme calmo sem ser chato.

Contra: Só se for o trailer original que é absolutamente enigmático e não tem absolutamente nada a ver com o filme. [“IL MARE“”], também pode ser muito calmo para quem estiver demasiado habituado ao cinema americano ou procurar uma telenovela com tudo explicadinho, pois aqui neste filme não há vilões, perseguições, traições ou triangulos amorosos de pacotilha.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER (VIDEO CLIP SUL COREANO)
Na falta de um trailer decente, felizmente existe um videoclip que reproduz fielmente a verdadeira atmosfera do filme e embora contenha uns *spoilers* menores recomendo mesmo que o vejam.


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TRAILER JAPONÊS

Em alternativa, o trailer japonês também capta bem o ambiente e é bem melhor que o trailer original.


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COMPRAR DVD – REGIÃO 3 – EDIÇÃO CHINA
Devido ao sucesso que foi obtendo de forma muito gradual e talvez ao facto de ter sido um fracasso nas salas Sul-Coreanas quando estreou, [“Il Mare“] foi inicialmente lançado em dvd de uma forma não muito profissional, pois pelo visto ninguém dava nada pelo filme.
Por causa disto practicamente todas as cópias que existem no mercado asiático têm problemas, ou de imagem ou de legendagem.
Ao longo do tempo tenho colecionado edições do filme na esperança de que da próxima vez é que alguém resolva lançá-lo nas condições que merece por isso posso dar-vos uma ideia do que poderão encontrar á venda se o quiserem comprar.

Apesar da sua legendagem inacreditávelmente amadora, a minha edição favorita deste filme é a edição simples Chinesa.
A imagem não é anamórfica, contém alguns artefactos, mas é no formato widescreen original o que mantém a beleza dos enquandramentos intactos, tal como foram pensados pelo realizador e se há uma coisa de que este filme não tem falta é de imagens bonitas por isso gosto muito deste dvd chinês apesar de todas as suas falhas.
O som 5.1 é muito bom e o DTS é na minha opinião fantástico pois aproveita plenamente a banda-sonora do filme criando uma experiência tridimensional sonora absolutamente perfeita.
A legendagem em inglés é uma anedota.
O inglés de quem traduziu o filme é no mínimo duvidoso (cómico) e grande parte das frases nas legendas não cabem no ecran o que dá origem a uma quantidade enorme de expressões que terminam subitamente sem deixar rasto. Se isto pode parecer problemático, não se preocupem. O que está escrito dá perfeitamente para compreendermos a intenção e o sentido dos diálogos e não é por isso que vão deixar de disfrutar deste filme.
Penso que já não a encontram com a capa inicial (e caixa de cartão), mas podem adquirir a nova edição do mesmo disco aqui em embalagem normal.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-il+mare-70-ckk.html

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COMPRAR DVD – REGIÃO 0 – EDIÇÃO COREIA DO SUL

Há ainda outra edição especial em 3 discos lançada na Coreia do Sul e tem um bonús imprescindível para quem gostou do filme, pois contém um CD com toda a banda sonora de [“Il Mare“].
O que nos coloca num dilema…pessoalmente recomendo a básica (e má) edição chinesa inicial porque apesar de tudo mantém o formato de ecran original em que o filme foi fotografado, mas por outro lado…vocês querem mesmo ter esta bonita caixinha com os 3 discos, pois o CD é excelente.  E apesar de na caixa dizer que os dvds são região 3, na verdade esta edição está livre de qualquer região, sendo portanto região ZERO e caso não possuam um leitor multi-regiões poderão na mesma ver este filme indispensável.

Como é bem provável que não consigam encontrar este filme há venda de momento, existe no entanto um site onde o podem ir buscar. Recomendo vivamente que se inscrevam neste Avista pois é do melhor para conseguirmos encontrar títulos orientais que de outra forma nunca chegariam até nós no ocidente.



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IMDb:
http://www.imdb.com/title/tt0282599/

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

ditto_capinha_73x My Sassy Girl Love Phobia The Classic Fly me to Polaris Be With You

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– THE BLACK HOLE / O ABISMO NEGRO – 1978 – Banda Desenhada Vintage

A banda desenhada que se segue teve no início dos anos 80 edição Portuguesa e é essencialmente a adaptação em BD da história do filme “THE BLACK HOLE” conhecido em Portugal como “O ABISMO NEGRO” e que chegou cá por alturas de 1981 apesar de ter sido uma produção já de 1978 originalmente.

BD VINTAGE - THE BLACK HOLE 1E2

Muita gente deve recordar-se disto pois as três primeiras revistas sairam por cá. As duas primeiras são a adaptação do filme, a terceira foi uma tentativa de mostrarem o que aconteceu a seguir naquilo que deve ser uma das piores continuações para uma história deste género alguma vez imaginada.
Para já fiquem com a adaptação do filme.

Fascículo 1:

Fascículo 2:

 

Leiam também a minha review para “THE BLACK HOLE“.

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Mais / BANDAs DESENHADAs VINTAGE ou simplesmente Esquecidas

Missão nas Estrelas
Mundos Gémeos -BD
Os Ladrões de Luas – BD
Sky Masters: Os Fantasmas do Éter – BD
Space Action – Prisioners of the incredible plants
A Porta do Espaço / O Império das Estrelas (A.C.)
Regresso ao Lar (A.C.)
Espaço 1999 – Revista TV Junior 1

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Se gostaram desta BD poderão gostar destes filmes:

capinha_first-men-in-the-moon  capinha_greenslime capinha_PLANET OF THE VAMPIRES.jpg capinha_spacehunter  capinha_starcrash capinha_Battle Beyond The Stars.jpg capinha_battlestar-galactica

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