“O ENIGMA DO HORIZONTE” (“EVENT HORIZON”) Paul W.S. Anderson (INGLATERRA / EUA ) 1997

Aconteceu a [“EVENT HORIZON”] precisamente o mesmo que depois se passou em relação a dois outros extraordinários filmes de ficção-científica;  “SKY CAPTAIN & THE WORLD OF TOMORROW” e “JOHN CARTER”.
Nem as audiências nem a crítica tiveram a memória cinéfila necessária para apreciar este filme pela quantidade de referências fantásticas que contêm e como tal [“EVENT HORIZON”] apesar de não ter sido propriamente trucidado acabou por ser desprezado ou posto de lado porque ninguém sabia bem o que pensar sobre esta aventura espacial.

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O filme surgiu numa altura em que o cinema pipoca estava a começar a entrar na sua pior fase comercial que culminou na banalização braindead em que este se encontra actualmente e como tal já começava a não existir espaço para filmes verdadeiramente únicos; no sentido em que não serviriam para gerar sequelas our franchisings.
[EVENT HORIZON] propunha uma aventura espacial isolada, um filme assente no mistério e na exploração do desconhecido nos melhores moldes de um romance de ficção científica para adultos ( com um elenco adulto ) quando o mercado de Hollywood já se preparava para começar a produzir e comercializar essencialmente comics para adolescentes em estética video game.

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[“EVENT HORIZON”] apareceu a remar contra a maré numa altura em que a corrente estava a mudar para pior e como resultado disso nem o próprio estúdio americano que bancou este projecto inglês soube muito bem como o publicitar nem as novas audiências estavam preparadas para voltar atrás no tempo e apreciar um filme de ficção científica pelas ideias que apresentou.
Ainda por cima o que Paul W. Anderson lhes entregou não foi de todo a aventura no espaço que o estudio pensava ter encomendado; isto porque apesar de [“EVENT HORIZON”] parecer um produto moderno já assente na quantidade de efeitos especiais que o mercado do milho começava a exigir, por debaixo da pirotécnia continuou essencialmente a ser cinema de terror realizado à moda antiga.

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[“EVENT HORIZON”] é aquele tipo de filme que ganha imenso com a cultura pop que o espectador possa ter sobre toda o histórial do próprio género; é um conto de ficção científica adulto para um público de cinema de terror que conhece o que gosta de ver e dá valor ao seu historial.
Por causa disso, por ser essencialmente ainda aquele tipo de cinema pensado para um certo nicho temático, [“EVENT HORIZON”] viu-se da perspectiva do estúdio que o bancou, numa espécie de limbo comercial.

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Como refere o realizador, isto porque também [“EVENT HORIZON”] nunca se preocupou muito em agradar às massas genéricas de espectadores de multiplex e por isso á semelhança de ” SKY CAPTAIN & THE WORLD OF TOMORROW” também [“EVENT HORIZON”] acabou por não se encaixar comercialmente em lado nenhum.
[“EVENT HORIZON”] enquanto conceito é uma homenagem não só a tudo o que de bom foi criado dentro do cinema de terror pelo menos trinta anos para trás, como principalmente pretende ser um filme sobre casas assombradas; se calhar até uma história como não se via desde “THE CHANGELING”.
Apenas é passado no espaço.
Numa nave fantasma.

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THE HAUNTING

Uma nave assombrada mergulhada numa permanente neblina; que não só foi uma homenagem àquele tipo de atmosfera clássica para histórias de casas de fantasmas como principalmente é uma referência directa a um dos melhores filmes de todos os tempos dentro do género;  “THE HAUNTING” realizado por Robert Wise em 1963 que essencialmente definiu e modernizou todos os clichés deste tipo de horror que conhecemos actualmente, sendo inclusivamente ainda hoje uma das melhores histórias de fantasmas de todos os tempos.
E das mais assustadoras também.

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[“EVENT HORIZON”] foi muito comparado pelas novas gerações de críticos a “HELLRAISER” apenas porque o filme de Clive Barker tinha aparecido anos antes tendo inovado graficamente o cinema de terror gore e tornado-se bastante popular em termos de estética de horror, mas como diz Paul Anderson no making of e no comentário audio, o que [“EVENT HORIZON”] pretende ser na sua essência é realmente um “THE HAUNTING” moderno e quem conhece o filme original irá reconhecer a pilha de referências ao filme de Robert Wise que aparecem nesta versão espacial ao longo do filme inteiro; do ínicio ao fim.

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Não só [“EVENT HORIZON”] sabe criar um clima de terror inicial não pelo que nos mostra mas por aquilo que nos faz imaginar que irá mostrar, como também reproduz literalmente alguns dos enquadramentos ( e a própria montagem ) de “THE HAUNTING” que tinham sido inovados por Robert Wise em 1963.
Até muitos dos sustos iniciais que [“EVENT HORIZON”] nos prega são encenados sem qualquer som ALTO ao contrário do que se tornou habitual em Hollywood junto do cinema moderno de pseudo-terror para teens.

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Paul Anderson encenou-os criando um clima de medo prévio baseado no enigma que centraliza a história e que depois culmina numa montagem inesperadamente simples fazendo-nos saltar da cadeira na mesma sem precisar de muletas artificiais para ser arrepiantemente eficaz.
Anderson não insere qualquer música “assustadora” nessas alturas e como tal não avisa as audiências de que algo muito creepy estará para acontecer; ao contrário do cliché moderno onde a música avisa logo que vem aí o susto com som ALTO do costume para as teenagers  darem gritinhos nas salas de cinema de centro comercial.
Aqui o medo permanece quando o susto termina e é também por isso que este filme é tão bom.

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Como se isso não bastasse, nem sequer falta em [“EVENT HORIZON”] a famosa sequência em que a entidade que assombra a casa bate assustadoramente na porta de forma sucessiva como a pretender entrar à força no quarto onde os protagonistas se encontram aterrorizados e que tão eficaz foi  no clássico de casa assombrada de Robert Wise.
[“EVENT HORIZON”] vai inclusivamente ao ponto de utilizar o mesmo som usado tantos anos atrás em “THE HAUNTING”; referência que terá passado ao lado de muita gente mas que no entanto contribui para a enorme camada de texturas que este filme apresenta para quem conhece o género.

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THE BLACK HOLE

A segunda grande inspiração para [“EVENT HORIZON”] também parece ter passado despercebida na altura mas foi desde o início aquilo que logo me atraiu para este filme mal tinha começado.
[“EVENT HORIZON”] é essencialmente um remake não assumido de “THE BLACK HOLE”.
Durante anos eu sempre tive essa impressão mas na verdade não passava apenas isso, até que recentemente no comentário audio de Paul Anderson apareceu a confirmação.
O facto de [“EVENT HORIZON”] fazer lembrar “THE BLACK HOLE” não é uma coincidência e como ele diz para todos os efeitos este filme (não) é um remake do filme da Disney.

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Até porque para efeitos de copyright não pode ser classificado como tal; mas como refere o realizador, esta história foi essencialmente uma reacção à decepção que também ele próprio sentiu em puto no cinema, quando “THE BLACK HOLE” começou daquela forma fabulosamente misteriosa prometendo um filme de casa assombrada no espaço mas depois se transformou num plágio de “20.000 LÉGUAS SUBMARINAS” tentando cruzar-se com “STAR WARS” à força, de forma infantil.

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[“EVENT HORIZON”] é por isso aquele “THE BLACK HOLE” que todos nós gostaríamos de ter visto desde o primeiro minuto, quando o filme da Disney em 1979 surgiu no grande ecran ao som daquela banda sonora assombrosamente assustadora e desconfortável, mas  depois se tornou essencialmente numa aventura para crianças passada no espaço em tom de ficção cientifica ingénua.
Uma aventura para a família ao pior estilo da época mas mais apropriada para um público nos anos 50 do que para aparecer num produto que a Disney tentava na altura cozinhar para competir com “STAR WARS”.

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Não só [“EVENT HORIZON”] começa da mesma maneira, como continua o aspecto misterioso da história onde “THE BLACK HOLE” parou.
Científicamente, assenta essencialmente numa modernização de tudo o que se pensa saber sobre os buracos negros e a física que estará na sua base.
Como tal em termos de história procura o mesmo tom que por vezes se vislumbrou “no  The Black Hole original” mas que rapidamente foi substituído pelos piores clichés Disney.
[“EVENT HORIZON”] foi precisamente na direcção oposta.

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LIBERATE TUTAME EX INFERIS

Segundo Anderson uma das razões porque [“EVENT HORIZON”] também foi um bocado deixado à sua sorte pelo próprio estúdio que o bancou, teve a ver com o facto de que este afinal era um filme que não só metia medo (e portanto estaria limitado comercialmente ao público adulto), mas que ainda por cima mesmo dentro desse nicho de público iria sofrer nova divisão; especialmente no mercado americano mais sensível.
Isto porque para lá de ser um filme de terror clássico [“EVENT HORIZON”] ao mesmo tempo apresentou-se como um filme de terror gore; uma espécie de “EVIL DEAD” no espaço com uma estética algo “HELLRAISER” e que ainda por cima esticou esse tipo de horror visceral a limites que os próprios executivos do estúdio nem queriam acreditar !

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Actualmente com a quantidade de filmes gore sobre tortura e violência gratuita que anda por todo o lado se calhar [“EVENT HORIZON”] até parece inocente mas na altura nunca se tinha visto nada assim.
Nunca se tinha visto e nós não vimos !

Porque o que nós os espectadores vimos foi essencialmente a versão censurada e muito, muito atenuada do que Paul W Anderson filmou.
Durante estas duas décadas houve inúmeros rumores sobre o verdadeiro cut do filme. Imensas lendas urbanas referiam a existência de uma montagem inicial que envolvia um bom número de cenas de tortura absolutamente repulsivas que tinham enojado tanto quem as viu em Hollywood que Anderson teria sido obrigado a cortar tudo aquilo da versão para as salas.

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Coisa que se confirma na edição especial que já existe em Dvd.
[“EVENT HORIZON”] na sua montagem comercial que conhecemos, contém inúmeros fragmentos de todas as cenas de tortura passadas no inferno que foram realmente filmadas mas estes aparecem tão rapidamente no ecran como sendo visões relâmpago que a menos que se faça pausa no dvd Frame a Frame nunca iremos perceber bem a extensão dos horrores que a equipa de produção encenou para essas sequências e que acabaram por ficar de fora, ou encurtadas ao extremo para a versão que hoje conhecemos.
Estéticamente e conceptualmente foram baseadas na pintura clássica de Hieronymus Bosh quando o pintor tentou representar precisamente o Inferno com cada uma das suas torturas, no seu quadro famoso.
As imagens que se seguem, são exemplos do pouco que se conhece daquilo que estaria no filme se pudéssemos ter visto a sequência do Inferno intacta.
E segundo consta, o que ainda está guardado é muito mais extremo.

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Algumas das imagens acima apenas aparecem no filme por décimos de segundo como frames estáticos e pouco mais.
Pessoalmente penso que [“EVENT HORIZON”] funciona bem na mesma da forma como está pois não precisa dessas cenas para continuar a ter um ambiente realmente assustador; mas por outro lado percebo o ponto de vista dos criadores do filme quando dizem que o próprio conceito religioso desta aventura no espaço pedia que as cenas passadas no Inferno tivessem sido realmente incluídas de forma mais explícita.
Até para dar ainda mais impacto quando a história passa de ser um conto de casa assombrada no espaço para um crescente de terror físico visceral mal a nave espacial assume o papel de porta inter-dimensional para aquilo que nós interpretamos religiosamente como sendo o nosso Inferno.

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Portanto se [“EVENT HORIZON”] já funciona bem como cinema sobrenatural no primeiro acto, se calhar também teria a ganhar se na segunda metade pudesse ter enveredado pelo conceito original. Nunca o saberemos, a não ser que Paul W Anderson um dia destes consiga restaurar as sequências num Directors Cut que muita gente pede à vários anos; até porque consta que há por ali muito horror visceral demasiado nojento para ser mostrado guardado num cofre da produtora.

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GAME OVER MAN !

Assim como está [“EVENT HORIZON”] continua no entanto a ser um espectáculo.
Não só o filme está extremamente bem realizado no que toca à forma como usa as inúmeras referências que muitas vezes são apenas uma breve homenagem estética que passará despercebida num segundo se não estiverem atentos, como ainda por cima tem um dos melhores grupos de personagens reunidos para este tipo de história desde “ALIEN” ou “ALIENS“.

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Aliás, inicialmente desprezado por se assemelhar demasiado ao tipo de universo que vimos no filme de Ridley Scott, [“EVENT HORIZON”] actualmente já tem sido mencionado de forma extremamente positiva pela maneira como conseguiu também construir os seus personagens sem que estes parecessem cópias do que quer que seja.

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E depois é um filme sem um herói definido. Coisa que muito baralhou o estúdio em Hollywood e que resultou num falhanço total junto das audiências de teste americanas ( esse conceito horroroso gringo ) que na altura detestaram [“EVENT HORIZON”] porque não se percebia quem era o mau ou o bom.
Ora este pormenor é precisamente outra das melhores coisas nesta história de terror.
A forma como pega nos personagens e os inverte ao ponto de a partir de certa altura já não termos bem a certeza de quem morre o quem ficará vivo é algo muito bem conseguido; o que para um filme que parecia totalmente formulático à partida e teria sido 100% assim por vontade do estúdio, afinal não estará mal de todo não senhor…

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Por causa disto, [“EVENT HORIZON”] é actualmente considerado por muita gente como sendo um título tão bom quanto o primeiro “ALIEN”; não só pela realização, como pela dinâmica entre personagens, pela forma como nos consegue transportar para um universo semelhante com uma atmosfera totalmente credível e onde nem sequer foi preciso recorrer a monstros espaciais no estilo “Alien” com baba viscosa para que a aventura funcionasse plenamente.

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[“EVENT HORIZON”] não faz muito daquilo que esperamos ( mesmo quando parece fazê-lo ) e por causa disso é que tem ganho cada vez mais reputação ao longo destes anos todos como sendo uma das propostas mais sólidas e únicas dentro da ficção científica. Precisamente porque aquilo que o fez fracassar na altura em termos de bilheteira foi aquilo que lhe deu depois imensa popularidade e o tornou no grande filme de culto que é hoje em dia e que apesar de já contar com 20 anos em cima não envelheceu um segundo.
E quem acha que o filme não é assustador é porque nunca o viu sozinho ás escuras com headphones e som no máximo. Ou então não o viu no cinema num ecran realmente gigante. E este filme é outro daqueles que só deveria mesmo ser experienciado numa sala escura monumentalmente clássica para melhor efeito pois é verdadeiramente um filme de Cinema.

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THE HOUSE THAT DRIPPED BLOOD

Para a fama de filme que mete medo, também muito tem ajudado o facto de que finalmente [“EVENT HORIZON”] começa a ser apreciado precisamente pela forma como utiliza e homenageia as sua referências.
O facto de se ter continuado a falar sobre este título durante estes anos todos, muito em parte graças também à lenda urbana a propósito das eventuais cenas repulsivas que foram censuradas, acabou por fazer com que aos poucos e poucos [“EVENT HORIZON”] começasse também a ser visto como uma espécie de caça ao tesouro cinéfila e muita gente ficou depois inclusivamente com vontade de ver ou rever “os originais” precisamente porque conseguiu recordá-los em certos momentos nesta “versão moderna” que é essencialmente um best-of muito bem executado do melhor que houve no cinema de terror.

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Como já referi, as homenagens a filmes de terror antigos são por demais para puderem ser todas agora aqui mencionadas e por isso estão por vossa conta; mas certamente irão reparar na referência ao “THE SHINNING” de Kubrick como não podia deixar de ser.
No entanto talvez não reparem nos detalhes relacionados com “A CASA QUE DERRAMAVA SANGUE”; ou “THE LADY IN BLACK” por exemplo, mas eles estão lá; juntamente com um monte de outros filmes ( e livros ) conhecidos ( ou não ) dentro do género sobrenatural e como tal têm a partir de agora mais um motivo para continuar a rever [“EVENT HORIZON”] com um bloco de notas na mão, pois haverá sempre qualquer coisa em que nunca tinham reparado antes com toda a certeza.

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NOTRE DAME

A ter alguma coisa menos boa, quanto a mim está no facto do design do interior da “EVENT HORIZON” não ter grande lógica. Nunca ninguém enviaria uma expedição espacial obrigando as pessoas a viver numa nave com um ambiente gótico daqueles.
Visualmente o interior da nave é fabuloso mas aquela estética de câmera de tortura não faz qualquer sentido.

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Por outro lado, outra das grandes mais valias em [“EVENT HORIZON”] é precisamente o seu design.
Over the top em muitas alturas é certo mas simplesmente único e completamente memorável.
Não só os interiores da “LEWIS & CLARKE” são um espectáculo na forma como tudo está incrivelmente detalhado e parece totalmente real, como para além do interior da “EVENT HORIZON” o seu exterior também é extraordinariamente bem conceptualizado.

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Continuando na temática “THE BLACK HOLE” a nave EVENT HORIZON também segue precisamente o mesmo tipo de conceito estético na forma como nos apresenta uma nave que quase poderá ser uma espécie de templo. Neste caso uma catedral.
Notre Dame.

E sim, a “EVENT HORIZON” não só foi baseada na catedral de Notre Dame como conta inclusivamente com bocados de imagens da mesma, que foram inseridos em inúmeras partes dos seus detalhes e que fazem com que aqui também o filme se torne em mais um daqueles em que vocês precisam sempre de estar com o botão de pausa preparado. A qualquer momento poderá aparecer um vitral que já viram algures, uma coluna, um pórtico ou qualquer coisa que lhes parecerá familiar; porque é.

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WELL FUCK LAYMAN´S TERMS.
DO YOU SPEAK ENGLISH ?

Outra coisa que [“EVENT HORIZON”] faz muito bem é integrar o humor nas situações mais inesperadas sem parecer minimamente forçado. Para isso conta com um par de personagens característicos que dão imensa vida ao filme e practicamente roubam todas as cenas em que aparecem; o que para um filme de terror tão pesado quanto [“EVENT HORIZON”] é não só surpreendente como é um pormenor muito bem-vindo e que equilibra de forma fantástica a divisão entre os vários tons arrepiantes da história central.

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Porque Paul Anderson teve liberdade para escolher a equipa com que trabalhou, [“EVENT HORIZON”] tem um elenco internacional e não se limita a ser essencialmente um desfile de actores americanos.
Por isso para lá de Laurence Fishburne e de Kathleen Quinlan ou Richard T. Jones americanos,  temos aqui o Neo-Zelandês Sam Neil num papel feito à sua medida, uma Inglesa Joely Richardson que não podia estar mais perfeita, um Jason Isaacs numa espécie de Dr McCoy em modo hipertenso, um Sean Pertwee character actor do melhor noutro personagem carismático e Jack Noseworthy como o mais jovem membro da tripulação. Cada um com o seu momento para brilhar, numa história onde não existem personagens principais.

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Se [“EVENT HORIZON”] funciona tão bem é principalmente porque além do argumento ser realmente muito bom na forma como reproduz o melhor do género, depois conta com um grupo de actores que não poderiam ter encarnado melhor aqueles personagens.
Todo o conjunto aliado a um par de boas sequências de acção, fantasmas quanto baste e momentos nojentos que conseguem escapar aqui e ali contribuem para que passados 20 anos este continue para mim a ser um dos melhores filmes de FC de sempre e a par com “THE 5TH ELEMENT”; “CONTACT”; “DARK CITY” ou “12 MONKEYS” outro dos melhores filmes dos anos 90 nessa área.

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CLASSIFICAÇÃO

Continua a ser um grande filme de terror mesmo vinte anos depois de ter estreado.
Tão bom quanto o melhor do género dentro do cinema clássico; aqui apenas com uma roupagem moderna e plenamente bem conseguida. Tem inclusivamente um certo sabor a “2010 : THE YEAR WE MAKE CONTACT” mas em versão de terror, o que só lhe dá ainda um sabor mais especial.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

É no entanto um daqueles filmes que pedem para ser vistos quando estivermos sozinhos para funcionar como deve de ser. De noite e ás escuras.
Ver isto com os amiguinhos nunca terá o mesmo efeito.

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A favor: o visual, a atmosfera, os actores, os personagens, as cenas assustadoras, os efeitos especiais

Contra: o design gótico da Event Horizon embora seja fabuloso não tem grande lógica.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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COMPRAR BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO UK

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THE MAKING OF

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IMDb


http://www.imdb.com/title/tt0119081

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3 thoughts on ““O ENIGMA DO HORIZONTE” (“EVENT HORIZON”) Paul W.S. Anderson (INGLATERRA / EUA ) 1997

  1. Please can you remove our image from your website? https://universosesquecidos.files.wordpress.com/2017/03/event_horizon_05.jpg?w=595&h=875

    https://universosesquecidos.wordpress.com/2017/03/20/o-enigma-do-horizonte-event-horizon-paul-w-s-anderson-inglaterra-eua-1997/

    We would rather not issue a DMCA notice against you. We do not permit the use of this image and it’s protected by copyright law and are images are tracked online and offline by Digimarc.

    Thank you.

    M Knight.
    Mass Illusion

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    • No problem. It´s done. But I´m sure you´re aware that image sometime ago was all over the internet. A simple google images search displayed this at least ten times in different formats and sizes used in different sites/ blogs/ reviews, fanpages, etc.

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      • Thank you very much. It’s appreciated and yes, we were aware that it was posted on many websites. We had to issue many DMCA takedowns to have the image removed. Google only now lists the pages that we posted it on. It’s hard to track them all down, which is why we use Digimarc for Images.

        Thanks again for your quick response.

        Gostar

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