“MIRAI SHÔNEN KONAN” ( “CONAN FUTURE BOY” / “CONAN THE BOY IN THE FUTURE” / “FUTURE BOY CONAN” / “CONAN O RAPAZ DO FUTURO” ) Hayao Miyazaki (1978) JAPÃO

Cônaaaaaaaaaaaaaaaaaaan !

Lanaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa !

Jimshiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii !

Desculpem, não resisti.
E quem conhece bem esta já quase mítica série do inicio dos anos 80 sabe bem porquê, pois quem viu e gostou desta série de aventuras nunca mais esqueceu estes clássicos gritos dos personagens principais que se tornaram mesmo numa imagem de marca da série.
Bem-vindos a [“MIRAI SHÔNEN KONAN” / “CONAN FUTURE BOY“ / “FUTURE BOY CONAN“], mais conhecido em Portugal como [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] e claro que depois de eu já ter recomendado “ERA UMA VEZ NO ESPAÇO” e “X-BOMBER: O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS” a trilogia da melhor ficção-científica para crianças emitida em Portugal no início dos anos 80 não poderia ficar incompleta neste blog.

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Logo aqui á partida para mim [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] , não só é uma das melhores series Anime, como acima de tudo é um dos melhores “filmes” de ficção cientifica de sempre.
Na minha opinião, será perfeitamente comparável a qualquer um dos grandes clássicos do género e portanto não fica nada a dever a um “Blade Runner” e até mesmo a “2001 Odisseia no Espaço” por muito blasfemo que isto pareça a alguns puristas fundamentalistas da ficção-ciêntifica.
Em termos de história poderia muito bem ter sido escrita por um Robert Silverberg ou por um David Brin por exemplo pois tem uma narrativa particularmente literária onde para lá das tresloucadas cenas de acção se dá imensa importância à história enquanto base para tornar tudo o que vemos naquele mundo animado credível.

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SCI-FI PARA TODAS AS IDADES

Não tentemos menosprezar esta obra prima de Miyazaki só porque é um produto televisivo de baixo orçamento; [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] , não é só um triunfo da realização como ainda consegue ser muito mais ficção-cientifica a sério do que muita teledisco MTV que hoje passa por sê-lo nos cinemas para as gerações do short-attention-span. 
Por tudo isto, na minha opinião este trabalho merece um lugar de destaque dentro de qualquer lista de referência com boas obras do género.

[“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“],  tem não só uma história original muito bem concebida como também, apesar dos seus momentos de acção não tem pressa em meter estilo só para apresentar sequências anime com pinta como depois se tornou infelizmente tão comum dentro do género nos produtos criados especificamente para televisão.
Enquanto ficção-ciêntifica na minha opinião é uma obra prima e mesmo não sendo uma adaptação fiel do romance, transformou o seu conceito em algo que transcendeu a escrita original.
Sim, [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] é baseado num romance de ficção-científica.

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Curiosamente num livro que nem se tornou particularmente conhecido, até mesmo depois do sucesso da série o que só demonstra que estamos mesmo a falar de outros tempos; pré-internet e onde o conceito de redes sociais nem sequer tinha sido imaginado na própria FC.
[“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] conseguiu pegar num romance sem grandes características juvenis da autoria de ALEXANDER KEY (escritor que desconheço por completo) e transformá-lo num produto televisivo que deve ser o expoente máximo do equílibrio perfeito entre o filme de aventuras infanto-juvenil e uma história para apreciadores de boa ficção ciêntifica adulta nos moldes mais clássicos.

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PEÇA DE ARTESANATO

Técnicamente, apesar das suas enormes limitações de orçamento  [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] , quase que se pode considerar um milagre, isto porque durante a sua produção esteve para não ser completado por várias vezes pois o projecto estava sempre à beira de ser cancelado por falta de investidores. 
Ia sendo produzido à medida que havia dinheiro.
[“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] deve a sua existência ao esforço do seu criador Hayao Miyazaki e do seu sócio que chegaram ao ponto de serem eles a desenhar e pintar á mão não só grande parte dos cenários da série, como ainda por cima tiveram de lidar com milhares de frames, colorindo cada uma das imagens , individualmente durante meses a fio !!
O que quase torna esta série no maior filme semi-amador jamais produzido.
Sim porque isto não havia cá digital ou Photoshops.
Tinham desenhado à mão, 20.000 frames, pintavam tudo à unha e é se queriam.

 

A partir de certa altura não havia verba para continuar a manter a equipa de produção inicial e mesmo apesar de ambos os artistas já terem algum nome no mercado graças ao enorme sucesso das séries Heidi e Marco o género da animação não era propriamente algo que atraísse investidores, até mesmo no Japão por incrível que pareça hoje em dia.
Isto porque estamos ainda a falar de uma época pré-anime moderno que só foi realmente inaugurada com AKIRA e GHOST IN THE SHELL anos mais tarde.
HEIDI e MARCO foram no entanto dos primeiros Anime a serem exportados em massa para o ocidente com enorme sucesso durante os anos 70 mas nem isso chegou para evitar que a produção de [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] estivesse sempre à beira de ser cancelada.

Mas o sacríficio e as noites em claro acabaram por valer a pena porque o sucesso de  [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] , foi tão grande em todo o mundo que permitiu que os seus criadores acabassem por fundar no inicio dos anos 80, o agora famoso e muito reconhecido Estúdio Ghibli onde se produziram “A Viagem de Chihiro” e “O Castelo Andante” que tantos prémios ganharam.
E lembrem-se [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] foi criado muito antes da era dos computadores pessoais pois tudo nesta série foi construído por processos tradicionais o que lhe dá ainda mais valor.

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ÁGUA NO DESERTO

Curiosamente, rezam as crónicas que [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] , foi uma das séries mais populares de sempre na televisão Iraquiana (?!) e um sucesso absoluto nos países árabes por onde passou (?!), tendo sido um verdadeiro embaixador da ficção-cientifica junto daquelas culturas na época.
Nunca passou no entanto na televisão de Inglaterra e teve grande dificuldade em conquistar o mercado americano na altura o que não deixa de ser peculiar.
Em Portugal, como toda a gente com pelo menos quarenta e poucos anos sabe, foi talvez o maior sucesso de animação de sempre no início dos anos 80; e o único programa de ficção-cientifica que se pode ainda hoje em dia comparar em popularidade e estatuto de culto com o Espaço 1999 visto por cá em 1977 ou com a Galactica acabada de estrear em 1983.

THE END OF THE WORLD

[“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] , passa-se num futuro próximo e onde todos os continentes do planeta Terra estão submersos debaixo dos oceanos.
Devido a um conflito nuclear em 2008, os polos derreteram e os mares subiram para um nível que transformou practicamente toda a superficie terrestre num conjunto de ilhas isoladas onde os sobreviventes perderam muito do contacto com o mundo exterior que ainda restou.
O sistema político que conhecemos foi substituído por uma ditadura das grandes coorporações que souberam aproveitar-se da tragédia mundial para dominarem pela força e pela tecnologia todas as populações da Terra, pois neste futuro apenas eles detêm o poder.

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Neste mundo devastado, numa pequena ilha isolada Conan vive com o seu avô desde que nasceu e nunca viu nenhum ser humano além dele durante os seus poucos anos de vida. Quando a história começa, Conan encontra-se no seu passatempo favorito mergulhando no oceano e explorando as ruínas submersas de cidades que ele nunca conheceu.
Este conceito simples, serve para nos minutos iniciais do primeiro episódio, o espectador ficar a conhecer o ambiente geral da história e para levar logo com a primeira sequência de acção exagerada ao melhor estilo Anime.
A primeira entre muitas que contribuiram para tornar inesquecivel toda esta série.
Neste caso, Conan captura com as próprias mãos um tubarão gigante que depois transporta alegremente á cabeça quando sai da água numa das cenas mais memoráveis de toda a série.

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É durante esta sequência que Conan conhece Lana, uma miúda da idade dele e o primeiro ser humano que ele encontra na sua vida para além do seu avô.
Lana encontra-se desmaiada numa das praias da ilha e Conan mesmo sem saber de onde ela veio, imediatamente a transporta para a sua pequena casa mal sabendo ele que a sua vida iria mudar para sempre a partir daquele momento.
Depois de algumas peripécias Lana é raptada por representantes de -Indústria-, a poderosa coorporação que domina o que ainda resta do mundo e o avô de Conan também morre deixando-o sozinho na pequena ilha.
Como tal o rapaz resolve partir para tentar salvar Lana, encontrando pelo caminho os mais diversos e divertidos personagens que contribuiram para tornar esta série inesquecível na mente de toda a gente que a viu quando passou pela primeira vez em Portugal no verão de 1984. Sempre ao sábado por volta das 11 da manhã, coisa que me impedia de estar na praia logo a partir do nascer do sol, pois só saía de casa quando Conan acabasse.

Muita coisa acontece ao longo dos 26 episódios que compõem [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] , mas esta história sempre conseguiu manter um extraordinário equilíbrio entre a aventura juvenil e uma narrativa de ficção-cientifica que pode ser apreciada por pessoas de todas as idades sendo essa a sua grande magia pois contém várias camadas de profundidade por debaixo de uma capa aparentemente infanto-juvenil como era comum naquela época onde a animação para crianças ainda era produzida para pessoas inteligentes e não girava unicamente ao redor de product placement ou de: – “o meu pião é mais poderoso que o teu”.
Para isto contribuiu uma excelente construcão de personagens tornando-os muito mais do que apenas desenhos que se movimentam no ecran e já aqui Miyazaki mostrava o seu talento para dotar os seus filmes de personalidade e humanismo.

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Não há verdadeiramente personagens maus nem bons nesta história mas sim pessoas com defeitos e virtudes. Tirando os heroís todos aqueles que passam no seu caminho, são caracterizados de uma forma indefinida e se num momento fazem parte dos “maus”, no decorrer da história se calhar poderão não ser tão vilões assim.
Isto contribuiu para que nesta história nunca haja muita previsibilidade, até mesmo na forma como a narrativa progride, pois raramente o espectador consegue adivinhar o que poderá acontecer a seguir.

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Tudo isto é por demais conhecido de todos aqueles que eram crianças ou adolescentes no inicio dos anos 80, mas o que importa aqui é mesmo apresentar esta série ás novas gerações.
[“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] , não só é obrigatório e totalmente recomendável para todos aqueles que gostaram da série quando crianças, como principalmente ainda hje para quem nunca ouviu falar dela.
Especialmente se gostarem de ficção-cientifica ao melhor estilo clássico.
Para quem se lembra dela, apesar das suas inúmeras e evidentes limitações técnicas que identificarão imediatamente hoje em dia pelo seu estilo retro; esta é mesmo assim uma das poucas séries que num certo contexto não envelheceram pois a sua história continua poderosamente cativante e como tal garanto-vos que não será uma decepção nostálgica. 
Até porque agora revendo-a em quando adultos, vocês irão olhar para esta obra de uma nova forma.
Para quem nunca a viu, poderá ser uma descoberta absolutamente fascinante, se estiverem interessados em ver um história muito bem escrita e acima de tudo muito bem realizada.

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WATERWORLD

Para quem nunca ouviu falar de  [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] , mas no entanto conhece a carreira de Kevin Costner, deve estar a pensar que esta série é estranhamente semelhante ao famoso fracasso “WATERWORLD”…
Curiosamente, o filme de Costner pode não ser um desenho animado, mas no entanto é um produto mil vezes mais infantil do que este Anime clássico, o que torna  [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] ,  num excelente exemplo de como estas coisas dos bonecos animados serem filmes infantis se calhar tem muito que se lhe diga, ao contrário do que se pensa em Portugal onde tudo o que for desenhado é logo publicitado como filme para crianças.

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Graças ao sucesso de [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] , Myiazaki pôde abrir o seu agora famoso Estúdio Ghibli e não deixa de ser sintomático que a sua primeira grande produção para cinema tenha sido uma espécie de remake não oficial de  [“MIRAI SHÔNEN KONAN” / “CONAN FUTURE BOY“] na forma do fabuloso “LAPUTA CASTLE IN THE SKY” onde Myiazaki recuperou os personagens de “Conan” e “Lana”, agora com nomes diferentes e numa nova história de contexto renovado em total modo steampunk mas que resultou de forma fantástica também e do qual eu irei falar por aqui em breve como não podia deixar de ser.
Tudo teve origem nesta fabulosa série de ficção-científica [“CONAN O RAPAZ DO FUTURO“] que ainda hoje enquanto história é do melhor que poderão procurar ver se gostam de boa ficção-científica e já agora porque não, continua a ser o antídoto perfeito para a infantilização do próprio conceito que foi depois “Waterworld” produzido anos mais tarde por Hollywood e que não deixa de ter estranhos pontos de contacto com o trabalho de Myiazaki ou o livro de Alexander Rey…

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CLASSIFICAÇÃO

Um dos melhores filmes de ficção-cientifica de sempre pois contém uma profundidade que vai muito para além da banal aventura para crianças, o que torna esta série não só num excelente Anime, como acima de tudo é uma obra essencial tanto para quem gosta de animação e de bons contos de ficção-científica com um sabor clássico onde a história é bem mais importante que as cenas de acção.
A prova de que o facto de ser Anime não implica de modo nenhum que seja um objecto menor de Cinema só porque é um desenho animado para televisão.
É neste caso, precisamente a prova de que até um produto televisivo pode ter uma qualidade mais cinemática do que muito filme feito para o grande ecrã.
Na minha opinião é uma obra prima da animação e ( a par com “LAPUTA CASTLE IN THE SKY” ) é definitivamente o meu “filme” favorito deste realizador.


Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

A favor: Os personagens são excelentes e muito pouco unidimensionais, as sequências de acção são geniais e muito divertidas e imaginativas, a história é absolutamente perfeita e aproveita ao máximo o conceito do planeta Terra estar submerso como ainda explora muito bem a questão do excesso de poder político das grandes coorporações e o seu papel na destruição do mundo natural em busca de poder, o humanismo presente em todos os personagens, é possivelmente a melhor das piores adaptações de um livro alguma vez passada ao ecrã pois acerta em cheio naquilo que vai buscar ao romance original e adapta o ambiente de forma perfeita, tecnicamente é um verdadeiro milagre tendo em conta a origem conturbada deste trabalho, sabe criar uma excelente atmosfera gráfica usando um estilo invitavelmente minimalista para uma obra que não tinha orçamento para mais, Cônaaaaaaaan ! 🙂

Contra: Absolutamente népia !
Embora se calhar para muitos putos de hoje que não conseguem prestar atenção a um filme que não tenha pelo menos duzentas imagens por segundo na montagem esta série possa parecer um bocado lenta além disso nem mete estilo nem nada. Secaaa…
 até tem história e tudo !

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NOTAS ADICIONAIS

GENÉRICO / TRAILER

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WEBSITE


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http://www.highharbor.net/en/

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COMPRAR
Sei que houve por cá em Portugal uma edição DVD por isso ainda a devem encontrar algures pois não faço ideia. A edição que eu tenho, comprei-a há mais de dez anos na China e é uma caixa bootleg com muita pinta e a pior legendagem em “ingrés” de que há memória por isso não recomendo aos menos corajosos.

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Actualmente há uma edição em Bluray que consta ser excelente mas o preço é simplesmente ridículo.

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https://www.amazon.co.uk/Animation-Future-Conan-Blu-Ray-BCXA-744/dp/B00BP1097C/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1504187983&sr=8-1&keywords=conan+future+boy

http://www.yesasia.com/global/conan-the-boy-in-future-blu-ray-box-blu-ray-japan-version/1032462461-0-0-0-en/info.html

http://www.play-asia.com/future-boy-conan-blu-ray-box/13/706on1

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EDIÇÕES CENSURADAS nos EUA e distribuídas no ocidente.

Nota Importante: Provavelmente não será bem o caso com as edições Europeias de Conan, mas normalmente recomendo que tentem comprar qualquer edição Japonesa (ou oriental), porque no que toca aos trabalhos do Estúdio Ghibli, muitas edições ocidentais são regra geral baseadas nos “cuts” americanos da Disney e que ao longo dos anos se entreteu a “remover” alguns (largos) segundos das versões originais por estas aparentemente conterem coisas politicamente incorrectas que não seriam adequadas ás sensibilidades americanas.

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Onde isto está por exemplo muito evidente é no que a Disney fez com a série “Conan Future Boy” quando passou na televisão, onde decidiram remover todas as cenas onde Conan e Jimsy formam uma amizade fumando juntos alguns cigarros e que pura e simplesmente foram cenas que os americanos nunca viram.
Segundo o que tenho lido, practicamente todos os filmes do Estúdio Ghibli distribuídos pela Disney contêm ligeiras alterações, pequenos cortes e até segundo consta, alguns diálogos alterados para não ferir susceptibilidades das ciancinhas e dos paizinhos ocidentais, (leia-se “americanos”).
O exemplo mais recente disto, foram também os cortes na versão americana de “Princessa Mononoke”.

Não faço ideia se as edições PT em Dvd serão censuradas mas se forem distribuídas pelos Estados Unidos serão com toda a certeza. Procurem a cena em que as crianças fumam nos primeiros episódios. Se não estiver lá, compraram um DVD cortado e censurado.

Mas em principio no que toca a esta série as edições europeias não devem conter cortes, por isso quem quiser uma lista das edições legítimas clique aqui.

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LIVRO ORIGINAL “THE INCREDIBLE TIDE” por ALEXANDER REY


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Quem quiser conhecer o romance original, actualmente só tem uma hipótese de o ler se descarregar o pdf aqui neste website, pois este livro já deixou de estar disponível há décadas e como tal só por milagre encontrarão uma cópia em inglés.
http://www.highharbor.net/doc/tide.pdf

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0077013

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Se gostou deste, poderá gostar de:

capinha_starchaser capinha_era uma vez o espaco.jpg capinha_X-BOMBER

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“X – BOMBER” ( “EKKUSU BONB” / ( “ X-BOMBER “ / “STARFLEET” / “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS” ) Michio Mikami – Noriyasu Ogami (1980) Japão

Ora muito bem, já que ontem falei de “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” lembrei-me agora de que ando há meses para também escrever sobre “X-BOMBER”, mais propriamente [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] como era conhecido em Portugal quando passou por cá bem no inicio dos anos 80 também.

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Aviso já que este texto lhes poderá parecer particularmente esquizofrénico por um simples motivo; há neste momento duas maneiras de se escrever sobre a série “X-BOMBER”, talvez até … duas e … meia se contarmos com a versão que vimos em Portugal num certo sentido…

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Até há bem poucos anos esta série era tão rara quanto “ERA UMA VEZ O ESPAÇO”, pois nem em VHS foi editada por cá e como tal durante anos foi uma aventura espacial que teve apenas de permanecer nas nossas memórias de infância mais recônditas; isto porque [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] parece ser aquela tal série de que muita gente se recorda de ter visto mas de que muito poucas pessoas já têm uma ideia clara sobre o que viram.
Talvez porque passava durante as tardes a horários algo erráticos semanalmente e portanto muitos de nós nem a devem ter conseguido ver por ordem do principio ao fim quando passou na RTP1 quase quatro décadas atrás…ainda eu não tinha sequer televisão a cores e portanto todas as minhas memórias disto eram até recentemente a preto e branco !!
Boy I´m old !!

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STARFLEET DVD

Há uns quatro ou cinco anos, surgiu no mercado uma edição inglesa de uma coisa intitulada “STARFLEET” e que para alegria de muitos fãs trouxe de novo [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] até junto de nós.
Ou quase…
Já lá vamos…
Não há duvida que “STARFLEET” na sua edição DVD UK foi realmente produzida para agradar ao fãs apesar dos episódios parecerem ter sido gravados num mau VHS.
Na verdade, mais parecem cópias pirata de segunda geração do que uma moderna e supostamente remasterizada edição para DVD.

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A caixa que os Ingleses produziram no entanto é excelente no que toca a material adicional criado especialmente para a edição e apontado para os fãs.
Os dvds contêm alguns extras interessantes que valem a pena ser vistos especialmente por quem gostava da série em criança e nota-se que isto é uma edição particularmente cuidada daquelas que ficam bem na prateleira também em qualuer colecção de ficção-científica.

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Inclusivamente conta com um pequeno documentário informativo sobre a versão Inglesa que explica muita coisa no que toca às variações entre versões e também porque é quase impossível existir actualmente uma edição que não pareça apenas uma má cópia VHS.
Detalhes adiante.
[ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] na sua versão/edição “STARFLEET” UK em DVD tentou realmente oferecer o máximo pelo dinheiro que custava.
Para além dos inevitáveis e inúteis postais que costumam acompanhar estas coisas para enfeitar, temos desta vez também direito a um (inútil) poster todo cool ou ainda a um pequeno livro com montes de informação sobre a série e resumos de todos os episódios.

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Mas o melhor de tudo foi o inesperado extra (que oficialmente nem estava previsto) e  que consiste num livro de banda desenhada com 56 páginas a cores com uma aventura inédita que vai fazer as delícias dos fãs que não a conheçam.
Esta história de Banda Desenhada foi editada em Portugal em 1983 em album (que eu já tinha também); por isso se vocês a tiverem comprado nessa altura o livro é o mesmo só que agora foi lançado num formato pequeno estilo formato dvd.
Apesar de eu ainda possuir a edição portuguesa desta banda desenhada comprada na época, fiquei muito satisfeito por encontrar agora a sua reedição em inglês incluída neste pack de dvds porque está impressa em papel de alta qualidade. Sendo este ainda o principal motivo pelo qual até recomendo a compra desta fascinante edição de colecionador a todos os fãs…
Mas “STARFLEET” tem um problema…
STARFLEETNÃO É [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”].
Ou pelo menos não é o [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] que nós vimos.

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STARFLEET” é a montagem Inglesa produzida de raiz a partir de vários episódios Japoneses originais. Não só contêm algumas diferenças em termos de estrutura como a própria história foi ligeiramente simplificada na altura em Inglaterra para conseguirem editar a série por completo com o material que tinham disponível para o fazer.
Além disso, todo o arquivo de som usado na versão UK “STARFLEET” não tem nada a ver com o que podemos ouvir na versão original.
Se auditivamente “STARFLEET” lhes soar a deja-vu, é porque todos os seus sons são os mesmos que foram usados em “ESPAÇO 1999” !
Mesmo. A remontagem inglesa não só é estruturalmente inédita como soa completamente diferente em relação à série original Japonesa em todos os sentidos. Sendo o pior deles a inacreditavelmente dobragem em lingua inglesa que foi produzida na Inglaterra; a um nível que só ouvindo mesmo.
Mas novamente…já lá vamos…

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PERDIDOS NO ESPAÇO

Se virem o documentário que acompanha a edição UK, é o próprio criador Japonês a referir que versão de “X-BOMBER” que conhecemos no ocidente ( e por “ocidente” ele refere-se especificamente apenas a -Inglaterra- pois é esse o contexto geográfico do documentário ) foi apenas uma montagem alternativa com uma história ligeiramente diferente da original tendo sido totalmente imaginada, estruturada e produzida em Inglaterra por uma equipa inglesa; com base nos episódios originais que puderam ser adquiridos.
Os ingleses recuperaram as imagens originais, mas tiveram que reescrever todo o guião porque inclusivamente as traduções para inglés dos scripts para os episódios originais enviadas do Japão eram tão más e ineptas que se optou por recriar todo o áudio da série de raiz a partir de um argumento puramente britânico; tentando adaptar os conceitos originais e respeitando mais ou menos o produto e a história.
Isto porque porque na altura em que “X-BOMBER” foi vendida para Inglaterra ( segundo o criador ) toda a série original ( juntamente com todos os bonecos e cenários ) perderam-se num incêndio no Japão quando o estúdio ardeu por completo; muito antes desta alguma vez ter sido exportada para Inglaterra na sua forma completa.
Foi também por esta razão que nunca houve uma segunda temporada de “X-BOMBER“.
Há quem argumente por aí em foruns que aquilo que ardeu foram apenas os cenários no entanto as entrevistas com os autores desta aventura costumam apontar o facto de que também as cópias originais dos episódios ficaram no fogo.
O que baralha um bocado as coisas…especialmente porque o que vimos em Portugal foi realmente a versão original.

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X-BOMBER, PORTUGAL E FALSAS MEMÓRIAS…falsas…

Durante anos andou pela internet a polêmica à volta das versões que vimos ou não vimos no ocidente. Por causa do que está dito no documentário criou-se o mito urbano de que a série original nunca terá sido exibida fora do Japão; isto porque na altura o próprio criador da série pelas entrevistas existentes parecia estar convencido disso.
A versão que vimos em Portugal foi a versão Japonesa original e devemos mesmo ter sido o único país a fazê-lo na altura.
Por causa da insistência de muita gente, outros tantos fãs decidiram escavar mais fundo e tentar perceber o que se passava em toda esta embrulhada, pois a coisa chegou ao ponto de muita gente pensar inclusivamente que a versão original em Japonês tinha sido uma falsa memória.
Graças a Portugal, não foi.

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Até porque a própria RTP numa retrospectiva sobre programação antiga na RTP Memória mostrou sequências de “O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS” retiradas dos seus arquivos e estas corresponderam realmente àquilo que muitos de nós sempre soubemos. A versão que vimos em Portugal foi mesmo a versão original integral falada em Japonês.
Não foi a versão UK.
E contrariamente ao que o próprio criador da série pareceu acreditar ser verdade quando gravou a entrevista para o documentário da remontagem UK, afinal a versão original de “EKKUSU BONB” ainda andava por aí.
Aliás a confusão é tanta sobre o destino desta série que a Internet continua cheia de sites com imensa informação errada contraditória; também muito por culpa do que vem nos extras dos DVDs UK e do facto de lá fora ninguém fazer ideia de que em Portugal vimos mesmo a versão falada em Japonês.

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Aliás, [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] foi uma das primeiras séries do género a não passar dobrada quando a sonoridade da lingua Japonesa ainda era por aqui uma enorme novidade e também por isso este universo pareceu desde logo tão alienígena a todos nós.
Portugal viu realmente a versão Japonesa.
Na internet onde tudo é para sempre e tudo se recupera, a verdade é que até há bem pouco tempo ainda havia maneira de se obter a versão japonesa integral por download.
Pessoalmente nem consigo imaginar onde alguém foi buscar a versão original para a postar na internet num único torrent, mas a verdade é que até há uns três ou quatro anos atrás conseguiamos ainda encontrar a versão que vimos por cá.
Sem legendas.
De espécie alguma.

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Eu tenho-a e foi um amigo meu Brasileiro que me a localizou naquilo que na época me pareceu também um servidor brasileiro pois o torrent estava num site bem manhoso…
E sim a versão Japonesa contém o episódio final de que eu tão bem me lembrava ( pois um amigo tinha-o gravado em BETAMAX na altura ) contrariamente à versão remontada ligeiramente diferente que irão encontrar na montagem UK que Inglaterra viu e que está nos DVDs “STARFLEET”.
Ainda pensei que a versão original tivesse sido colocada no ar por alguém de Portugal mas não faço a mínima ideia, pois o facto é que nem em Português existem legendas para [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”].
 Ou pelo menos até há um par de anos não existiam.
Em inglês também parecem não existir pois pelo menos no ano passado ainda eram inúmeros os fóruns onde se pediam legendas em Inglês para “EKKUSU BONB”.
Tenho que investigar se já existem pois nunca mais as procurei, visto que estou sem poder aceder ao meu disco onde tinha guardado a série original há meses pois este precisa de reparação devido a um pico de corrente que me ia lixando os meus backups de trabalho todos também.

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MÚLTIPLA PERSONALIDADE

Portanto falar agora de [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] vai ser complicado para mim… isto porque tudo aquilo que tenho para referir de bom e de mau é retirado tanto da versão UK “STARFLEET” como da versão original “EKKUSU BONB”.
Sendo assim, a coisa irá dividir-se mais ou menos desta forma… o que for mencionado de mau regra geral deriva do meu visionamento de “STARFLEET” ( penoso por vezes…com aquela dobragem e som de “ESPAÇO 1999” ); o que eu apontar de bom será essencialmente o reconhecimento daquilo que a própria série no seu conceito e versão original tiveram de extraordinário e continuam a ter.
Por isso estão por vossa conta para tentar perceber sobre o que estarei eu a falar.
Eu avisei que isto ia ser esquizofrénico…

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Vai ser dificil para mim ser verdadeiramente imparcial por isso ficam desde já sobre aviso que tudo isto poderá ser algo subjectivo para quem não viu esta série quando passou por cá (em Portugal) por volta de 1983.
Sendo assim meus amigos, se estiverem nesta altura pelos vossos (avançados)  40´s e tais, gostarem de ficção cientifica e tiverem adorado [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] quando eram crianças, podem estar descansados que num certo sentido esta série não envelheceu e é realmente tão boa quanto vocês se lembram de um ponto de vista artesanal.

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É quase uma obra prima nas suas limitações técnicas, apesar de apenas podermos apreciar a série actualmente através de cópias muito más a nível de som e imagem. Embora a “versão pirata” com a série original sacada em Torrent seja inclusivamente superior à versão legal com a remontagem UK disponível em DVD o que não deixa de ser curioso.
Como tal se já eram fãs disto em crianças, muito provavelmente irão gostar de rever a aventura na sua versão original ; ( esqueçam a versão UK se a puderem evitar ).
Especialmente se ainda hoje gostarem de Anime e tiverem memórias de quando a série passou em Portugal, ou tal como eu tiverem um amigo com uma cópia BETAMAX por aí perdida no sotão.

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SPACE OPERA JAPONESA PRE-ANIME

Podem não ter essa impressão de qualidade se agora forem ver alguns segmentos no Youtube mas acreditem-me que por detrás daquelas imagens bastante envelhecidas ( e da atroz dobrarem Inglesa / qualidade de imagem VHS do pior ) continua uma das melhores séries não só Anime de  ficção-científica como também dentro do género da space-opera que poderão ter o prazer de ver ainda hoje em dia partindo do principio que conseguem apanhar a versão Japonesa em torrents.
Mesmo se tal como eu ( até mesmo em crianças ), nunca gostaram de séries com marionetas e fios como os clássicos Thunderbirds de Gerry Anderson ( que eu abomino desde sempre ) podem ter a certeza que o velhinho [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] continua ( pelo menos na minha opinião ) a ser realmente bem superior, não só tecnicamente como principalmente a nível de argumento e desenvolvimento de história.
Isto porque está série tal como “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” também foi pioneira no formato story-arc em que todos os episódios contam essencialmente uma única história.
Se no entanto até gostam de Thunderbirds mas nunca viram  [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] meus amigos eu nem pensava duas vezes em procurar por isto também; mesmo que não o tenham visto em crianças.

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[ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] continua a ser por muitas razões uma das melhores e talvez mais esquecidas space-operas dos anos 80. Independentemente de ser um produto de “animação” é acima de tudo um grande filme de aventuras espaciais com quase 12 horas combinando o estilo de história e desenvolvimento de personagens Anime ( do qual foi pioneiro ) com o que mais divertido havia em StarWars na altura.
Juntamente com “STARCRASH” e “STARCHASER”, [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] será sempre para mim das melhores aventuras espaciais em espirito de space-opera clássica que surgiram dentro da FC graças ao sucesso de StarWars numa época em que este último ainda era conhecido em Portugal como “A Guerra das Estrelas” e muitos estúdios tentavam imitá-lo de várias formas, não sendo os Japoneses excepção.

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[ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] é portanto uma dessas “imitações” que surgiram nos nossos ecrans no inicio dos anos 80.
Mesmo tendo ido buscar muito do entusiasmo das batalhas espaciais a StarWars foi uma série que soube manter (e criar) uma identidade muito própria, tendo conseguido seguir um padrão ocidental sem perder as suas características orientais.
Ao mesmo tempo que contava com todos os clichés da space-opera ocidentais onde não faltavam inúmeras batalhas espaciais com raios laser por todo o lado, também soube trabalhar aquele estilo de personagens que depois se tornaram habituais na estrutura Anime moderna. Antes de “Robotech“, foi inclusivamente a primeira série a focar-se numa história de amor entre os protagonistas com um final dramático quanto baste.

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Não há muito que eu possa dizer sobre a história pois na verdade não foge muito daquilo que vocês certamente esperarão se conhecem as características da space-opera; invasões extraterrestres, batalhas espaciais e vilões estilo Darth Vader quanto baste tudo regado com muitas batalhas no espaço, sequências de aventura com muitos tiros e neste caso também o inevitável robot gigante estilo Transformers, afinal estamos a falar de uma produção japonesa.

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LOVE STORY

Esta série porventura terá sido das primeiras a criar o tipo de empatia com o espectador que hoje reconhecemos nas séries de animação orientais através da humanização dos personagens. A relação romântica entre os personagens principais de [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] foi um marco que surpreendeu toda a gente na altura pois manteve até ao último episódio o suspense sobre o seu desfecho e *Spoiler* terá sido a primeira história sem final feliz em que o par romântico não acabou junto; *fim do spoiler* o que surpreendeu meio mundo habituado a desfechos hollywoodescos já nessa altura e um choque para todas as criancinhas.

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O LP “da série”…


Uma coisa -chocante- na versão Uk, foi o facto do próprio Brian May (esse mesmo, o dos Queen) ter composto uma música para a nova banda sonora e que é aquela que termina cada episódio. Essa canção foi editada em Portugal em disco pois alguém teve a perspicácia de achar que a coisa ligado a um músico dos Queen iria certamente dar lucro quando X-BOMBER estava mesmo a bombar por cá.
Os mais velhinhos devem recordar-se da capa do LP que saiu na altura em Portugal com toda a banda sonora da série apoiando-se na popularidade dos Queen, precisamente na mesma época em que também por cá era bastante popular a banda sonora de Flash Gordon composta pelos mesmos.
O facto de no entanto esta também pertencer essencialmente à versão UK é a explicação para que muitos de nós na altura ao ouvirmos o raio do disco não tivéssemos encontrado musicalmente muita coisa que estivesse realmente ligada com o [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] que estávamos a ver na TV para lá da capa do disco !

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E por falar em banda sonora, pá…o que é aquilo ?!
A música eletrónica composta em Inglaterra para a versão “STARFLEET” é do mais piroso, datado (e descaracterizado) que possam imaginar !
Se a versão UK tem algo realmente foleiro é precisamente levarmos com aquilo durante os episódios. A música cantada pelo Brian May essa então é tão má que eu próprio fiquei surpreendido, pois na altura em que a série passava por cá e o disco até passava na rádio e no final dos créditos associados ao licenciamento português, para aproveitar a onda até me lembro daquilo soar bem aos meus ouvidos de 13 aninhos…

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STARFLEET Vs EKKUSU BONBÂ

Como decidir então o que (re)ver ?
Bem, se não tiverem outra hipótese e quiserem mesmo ter um cheirinho de algo muito especial da vossa infância então só lhes resta espreitar EKKUSU BONBÂ na sua versão STARFLEET.
Meus amigos eu sei que a série parece muito datada, e se virem algumas cenas no Youtube a fraca qualidade da suposta remasterização das imagens para a versão inglesa também não ajuda nada, mas garanto-vos que se conseguirem colocar isso de lado e mergulharem no primeiro disco se calhar até mesmo hoje, quem não conhece esta produção ( mas gosta de sci-fi e cinema de animação ou produções com marionetas ) ao fim do quarto ou quinto episódio poderão dar por vocês completamente agarrados porque sejamos justos, os ingleses conseguiram remontar um produto particularmente bom a partir de cacos que poderá agradar por completo a quem gosta de Anime ou ainda mais, a quem procura uma boa space-opera á moda antiga e não se deixa assustar pelo visual todo em marionetas.

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Não deixa de ser um feito extraordinário, os criadores de [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] terem conseguido extrair mais drama e emoção de um grupo de bonecos de madeira do que muitas vezes se vê em filmes com supostos actores de carne e osso. Esse mérito ninguém lhes tira; até mesmo na versão horrível falada em inglês.
Á medida que a série avança e a história se vai desenrolando damos por nós a importarmo-nos com aqueles bonecos e o facto de terem rostos completamente inexpressivos não é impedimento para que na conclusão não estejamos também já a torcer para que as suas “vidas” tenham um final feliz.

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O grande problema da versão UK quando comparada com as vozes Japonesas no original está no casting mesmo !
Certas escolhas para as vozes dos vilões ou a própria abordagem ao redor do personagem foram mesmo bastante más pois os actores esforçam-se demasiado por fazerem -“vozes de boneco-animado”- e isso retirou logo por completo toda a tensão que o original que vimos em Portugal conseguiu ter na altura.
Felizmente que isto não aconteceu com os protagonistas herois que apesar de tudo se mantiveram num registo natural mas o facto de toda a vertente dramática em termos de caracterização de vilões ser tão ridiculamente “abonecada” acaba por retirar imensos pontos positivos à versão inglesa e pode ser o principal factor para que vocês hoje em dia não consigam ver e ouvir vinte minutos daquilo sem lhes apetecer deitar a série toda fora.
 O facto de STARFLEET também soar a ESPAÇO 1999 não ajuda nada…

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Portanto… ver STARFLEET horrivelmente sonorizado em Inglês com uma banda sonora atroz, uma canção de Brian May de fazer queimar discos na praça publica e o arquivo de som do Espaço 1999 ou ver “EKKUSU BONB” com a estrutura e a aventura original que vimos em Portugal mas agora sem legendas de qualquer espécie ?…
Eu por mim prefiro a versão Japonesa e na verdade legendas neste tipo de produto também são mais um hábito do que uma necessidade pois não há muito que não se perceba nisto em termos visuais visto a estrutura original ser tão bem feita e executada.
A versão tuga [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] com legendas em PT infelizmente não existe mais; a série nunca voltou a passar e segundo o que me apercebi na referência da RTP há anos atrás acho que a televisão portuguesa nem a tem sequer em arquivo completa.

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Por isso estão por vossa conta.
Seja em que versão for, penso no entanto que [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] é algo sempre a espreitar por todos aqueles que viram a série em crianças, pois apesar de envelhecida continua a ter uma certa magia que nunca mais foi repetida o que torna esta aventura ainda hoje num produto único dentro da ficção-científica televisiva.

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EFEITOS ESPECIAIS

Não posso terminar sem deixar de referir que esta série é um excelente exemplo de como com imaginação se conseguem transcender enormes limitações técnicas.
É que especialmente hoje em dia, em certas alturas [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] mais parece um filme de marionetas amador produzido com excelente resultado algures no quintal de alguém, do que um produto profissional; e num certo sentido continua a ser precisamente esse o seu grande trunfo.
Quanto mais não seja, olhar agora depois destes anos todos para esta série de um ponto de vista técnico aumenta mais a minha admiração por este trabalho e ainda estou a tentar perceber como conseguiram sequências tão dinâmicas com fantoches de madeira e maquetas de naves espaciais que poderiam ter sido construídas por qualquer um de nós com habilidade para moldar e esculpir.
Tudo sem computadores para ajudar.
Apenas madeira, fios e imaginação.

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O criador da série referia nos extras da edição UK na altura que gostaria de poder voltar a [“X-Bomber“] e criar uma versão moderna para poder aproveitar os avanços da informática, mas sinceramente por muito espectacular que fosse não creio que voltasse a ter a mesma magia de um produto como este produzido numa época em que ainda nem o ZX-Spectrum existia e o gráfico de computador mais avançado eram as barras e a bolinha do Pong; a preto e branco claro.
[ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] tal como “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” envelheceu muito mal em muitos aspectos, mas continua a ser no entanto uma proposta como poucas dentro do universo da ficção-científica para todas as idades mesmo ainda hoje, pois também ele é produto de uma altura em que a televisão para crianças ainda não era apenas uma enorme comercial de product placement para vender merdas a putos…
Por outro lado… temos aquela música de Brian May…criada a martelo…
My god…

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CLASSIFICAÇÃO

Agora é que a coisa se complica… isto vai ter desta vez não apenas dois tipos de classificação mas três; por razões óbvias e para eu poder ser realmente justo.


1. A VERSÃO ORIGINAL – EKKUSU BONBÂ – ( Que passou em Portugal )

Se vocês viram a série X-BOMBER quando crianças:

Se puderem colocar as vossas mãos na versão Japonesa, vocês querem mesmo rever isto

A versão original é verdadeiramente uma obra prima da space-opera e é absolutamente notável o que conseguiram obter pendurando umas marionetas inexpressivas com fios e fazendo com que isto pareça o filme amador mais profissional de todos os tempos.
Tem pilhas de falhas e vários aspectos foleiros que estão incrivelmente datados hoje em dia mas a sua alma não envelheceu e para mim é uma das poucas séries que se compara a “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” ou “CONAN O RAPAZ DO FUTURO” suas contemporâneas na altura e que com todo o mérito formam uma das melhores trilogias de ficção-cientifica para todas as idades que já existiram na televisão.

Quatro Planetas Saturno

 

Não leva mais apenas pelo mesmo motivo que atribuo três a “ERA UMA VEZ O ESPAÇO”. [ “EKKUSU BONB” /“X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] precisava mesmo de um bom tratamento Bluray de remasterização que nos permitisse apreciar-lo hoje em dia em toda a sua glória.
Infelizmente actualmente só temos acesso a cópias que são verdadeiramente rascas e muita da sua magia acaba inevitavelmente por se perder quando somos obrigados a passar horas contemplando imagens de muito má qualidade.

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2. A VERSÃO REMONTADA INGLESA – STARFLEET

Se não encontram a versão original.

Apesar de tudo o que a versão inglesa tem de mau, o facto de contar uma história mais simples e com uma estrutura diferente, o facto de ter um péssimo voice acting por vezes aliado a uma banda sonora simplesmente asquerosa por entre desastres de Brian May e um score de sintetizador Casio daqueles que não lembra ao diabo hoje em dia, não lhe retira um certo mérito.
Se vocês espreitarem o documentário que vem nos DVDs até ficarão a admirar a malta que em Inglaterra pegou nisto para criar a sua versão STARFLEET.
Pegar em material completamente fragmentado e ridiculamente traduzido em inglês a um ponto tal que ninguém percebia nada do que lá estava escrito em relação ao script, pegar em dezenas de episódios fragmentados onde faltavam sequências inteiras ( que tinham ardido nas cópias originais segundo o estúdio ) , remontar tudo aquilo de uma forma coerente, sonorizar tudo com a biblioteca de som de Espaço 1999 e tentar criar um produto novo que no entanto respeitasse o mais possível a versão original que todos julgavam perdida num certo contexto é uma tarefa de mestre.
Sendo assim…

Três Planetas Saturno para STARFLEET Versão UK remontada

Apesar de todas as suas falhas, se X-BOMBER é algo que lhes diz alguma coisa e não tiverem acesso à versão original Japonesa, eu não hesitaria em comprar a caixa com a edição especial STARFLEET à venda na amazon.uk; até porque só pela banda desenhada e qualidade do próprio design da caixa com todos os extras possíveis vale mesmo a pena pois foi realmente uma edição criada para fãs e não uma coisa atirada às três pancadas.

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3. X , QUÊ ?!…

Para quem nunca ouviu falar de [“X-BOMBER“]:

Se gostarem de cinema de animação Japonês e quiserem espreitar um produto que definiu muitos dos clichés que hoje conhecem nas histórias modernas do género, então não vão mais longe.
Até por razões históricas devem ver isto.
E não recomendo que saquem episódios da net pois muito do que anda por aí também são rips de velhos Vhs com uma imagem ainda pior do que a nova “remasterização” para o dvd que saiu este mês de Fevereiro de 2009.
Se gostarem de StarWars (o original) e quiserem um bom exemplo de um clone contemporâneo produzido numa época em que não havia nada semelhante em [“X-BOMBER“] ( seja em que versão for ) têm tudo; muitas batalhas espaciais, muitas naves e inúmeros momentos de aventura clássica em 24 episódios que souberam manter uma constante variedade de episódio para episódio.
A imagem continua fraquinha não interessa onde, a dobragem inglesa poderia ser melhor, a série tem uma atmosfera antiquada que pode passar quase por amadora mas o resultado final é bastante bom até na sua versão UK, STARFLEET.
Claro que recomendo a versão original mas não sei se ainda existe algures pela net.

Dois Planetas Saturno

Leva “apenas” dois Planetas Saturno para quem não conhece, apenas porque o seu estilo retro poderá desagradar a quem já cresceu a ver essencialmente efeitos especiais feitos em CGI.
 Também porque não envelheceu bem e a qualidade das cópias que existem por aí também não os irá entusiasmar por aí além

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A favor: o sabor a StarWars original, apesar de retro o resultado técnico é notável e ultrapassa por completo todas as suas limitações, muitas cenas de batalha espaciais entusiasmantes, cenas de acção cheias de charme apesar das suas limitações técnicas, excelente design de cenários e ambientes, os personagens vão ganhando alma e humanidade á medida que a história se desenvolve, mantém muitas incertezas até ao desenlace final, definiu regras para a introdução de drama em séries juvenis, o design das naves foi inovador para a época, apesar de ser um clone StarWars tem uma identidade completamente japonesa, os fãs de Espaço 1999 vão achar piada aos sons da série serem os mesmos na versão Uk, cada episódio tem pouco mais que vinte minutos e a montagem é sempre excelente fazendo brilhar uma realização de mestre. Mesmo quem (tal como eu) detesta as séries de animação de Gerry Anderson estilo Thunderbirds tem muito boas hipóteses de vir a adorar isto por isso não deixem que o facto de ser uma série de marionetas os afaste.

Contra: é uma série infanto-juvenil e como tal nunca chega a ser tão profunda como poderia ter sido, não agarra o espectador imediatamente e apenas nos apercebemos que a história é bem melhor do que parece lá para o quinto ou sexto episódio, algumas das marionetas são horriveis (mesmo), a banda sonora da versão inglesa está mais que datada e não tem sequer um tema memorável, a música cantada pelo Brian May deve ser o equivalente á musica pimba daquela época e é do piorio, as vozes escolhidas para os vilões são ridiculas e estragam o suspense nos momentos dramáticos, a imagem e o som do dvd não são famosos mesmo estando supostamente remasterizados.

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NOTAS ADICIONAIS

VIDEOS de exemplo

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COMPRAR EDIÇÃO UK – VERSÃO UK – STARFLEET
A qualidade de imagem e som são apenas razoáveis apesar da publicitada remasterização mas não há duvida que esta foi uma edição realmente produzida para agradar ao fãs.
A caixa é excelente e os dvds contêm alguns extras interessantes e que valem a pena ser vistos especialmente por quem já conhecia e gostava da série embora o seu contexto abranja apenas o que se passou à volta da versão inglesa.

https://www.amazon.co.uk/gp/product/B00171EE9E?ie=UTF8&tag=cinaosolnas-21&linkCode=as2&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B00171EE9E

É uma edição particularmente cuidada em DVD e que nos tenta oferecer o máximo pelo dinheiro que custa (e vale o preço). Para além dos inevitáveis e inúteis postais que costumam acompanhar estas coisas, temos desta vez também direito a um (inútil) poster todo cool e ainda a um pequeno livro com montes de informação sobre a série e resumos de todos os episódios.
Mas o melhor de tudo é o inesperado extra (que oficialmente nem estava previsto) e  que consiste num livro de banda desenhada com 56 páginas a cores contendo uma aventura inédita que vai fazer as delícias dos fãs.

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0307741/

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Se gostou deste, poderá gostar de:

capinha_Battle Beyond The Stars.jpg capinha_battlestar-galactica capinha_starcrash capinha_spacehunter humanities_end capinha_starchaser capinha_era uma vez o espaco.jpg

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“IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE” (“ERA UMA VEZ O ESPAÇO”) Albert Barillé (1981) FRANÇA

 


A razão porque desta vez o meu post se inicia com este video e não da maneira habitual será imediatamente evidente a todos aqueles que foram crianças quando esta série passou em Portugal entre 1981/82.
Esta banda sonora será porventura ( juntamente com a de ESPAÇO 1999 ) a que mais arrepios na espinha ainda nos provoca mal ouvimos os primeiros acordes e como tal não haveria outra maneira possível de abrir este meu artigo agora sobre aquela que não só terá sido uma das melhores séries infantis de sempre como é ainda de pleno direito um grande título de ficção-científica; com mais características adultas dentro do próprio género do que nos pareceu na altura quando tínhamos 8,10,12 anos e o que queríamos era mesmo ver mais naves no espaço.

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Ó PAULO CANTA LÁ O ERA UMA VEZ NO ESPAÇO !

E já agora para quem ainda não está a par disto… vamos cá destruir um mito urbano que anda por aí há décadas; pela última vez , o PAULO DE CARVALHO NÃO CANTOU A VERSÃO PORTUGUESA DO GENÉRICO PARA ERA UMA VEZ O ESPAÇO !!

Pronto, tenho dito.
 O homem nunca esteve sequer ligado a esta série fosse de que forma fosse embora toda a gente ainda hoje pense que é ele que canta a música.
Ainda há um par de anos vi uma entrevista com o homem em que ele coitado dizia que já tinha perdido a conta do número de pessoas que lhe garantiam que a canção do Paulo de Carvalho que mais as tinha marcado tinha sido o genérico de “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” !Ele até referiu que já tinha medo de contradizer as pessoas desintegrando-lhes o sonho de infância tentando não ficar com créditos alheios; até porque parece que houve pessoal que em algumas ocasiões até reagiu mal à revelação e tudo !
Portanto meus amigos, não é Paulo de Carvalho que interpreta esta música icónica para uma geração, mas sim um cantor chamado Pedro Malagueta que tinha uma voz incrivelmente parecida e que resultou em pleno, pois esta é bem capaz de ser a melhor versão do genérico seja em que lingua for.
Até melhor que original , que é bem semelhante.

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LÁ EM CIMA

[“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] é aquele tipo de série que já pedia uma edição a sério em bluray.
Alguém deveria pegar nisto, fazer uma remasterização a sério daquelas em que os alemães são mestres e colocar no mercado finalmente a versão que esta saga merece há décadas; e de preferência claro está com as várias línguas, não esquecendo a nossa com a tal suposta canção “do Paulo de Carvalho”…na voz de Pedro Malagueta.
[“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] continua a ser uma série de ficção científica única. E esqueçamo-nos por instantes de que isto é uma série de desenho animado.

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[“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] é boa ficção científica em qualquer parte do mundo ainda hoje. É um digno exemplo de um certo tipo de produto supostamente para crianças que no entanto não tratava os putos por imbecis mas sim como criaturas inteligentes capazes de compreender conceitos e manterem-se interessados em histórias de 25 minutos. Aventuras em que praticamente nem havia sequer porrada e tudo se baseava essencialmente nos personagens que gostavamos de acompanhar, no universo imaginado e nas histórias de exploração que contava.

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[“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] foi a continuação lógica da popular série original “ERA UMA VEZ O HOMEM” que acompanhou em especial a geração que tinha 5,6 ou 7 anos por volta do meio dos anos 70, particularmente aqui em Portugal.
Enquanto “ERA UMA VEZ O HOMEM” teve uma clara vertente didáctica mais virada para a divulgação da própria história da humanidade numa série onde os factos eram a coisa mais importante para lá das aventuras dos personagens, [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] por não poder ser evidentemente sobre factos reais já era acima de tudo sobre ideias, conceitos morais ( mas nunca moralista ) e sobre a forma como as pessoas se poderia relacionar no futuro; mesmo quando a humanidade ocupasse o seu espaço entre as estrelas e encontrasse naturalmente outras civilizações com quem interagir.

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A PATRULHA ESPACIAL

É também uma space-opera muito tradicional , naquela vertente “Patrulha do Espaço” muito popular lá pelos anos 50 quando Albert Barillé era criança e sente-se por demais aqui um intenso aroma a coisas como “LENSMAN” escrito e imaginado pelo criador da Space Opera moderna, E.E.DOC.SMITH pois o conceito da patrulha espacial é quase idêntico.
E claro, como estavamos em plena era dourada da BD francesa, a influência de “VALERIAN” também aqui é por demais evidente em muitos momentos, tanto na estrutura das aventuras como na ligação entre os dois personagens principais; aqui menos romântica que no filme de Besson que adaptou Valerian mas nem por isso menos óbvia em termos de potencial para um relacionamento.
[“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] não será tão virado para a aventura naquele sentido mais clássico em termos de cliffhangers que inspiraram também Star Wars, mas tem aquela atmosfera totalmente clássica em jeito de patrulha galáctica mesmo ; apenas aqui a porrada e as constantes ameaças alienígenas ficaram para segundo plano tendo Barillé colocado acima de tudo em destaque a exploração e o sentido de descoberta e maravilhoso fazendo disso o mote central em cada episódio.

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Parece quase mentira dizer que houve um dia séries na TV como [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] que foram incrivelmente populares entre as crianças mesmo quando não havia porrada nenhuma e tudo girava à volta de historias onde se exploravam mundos desconhecidos e se fazia amizade com raças extraterrestres.
Estávamos ainda na época em que os produtos televisivos para crianças dentro da animação não eram apenas enormes filmes publicitários para vender brinquedos ou para dizer aos putos como é cool comer hamburgers naquela tal marca que é o máximo enquanto bebem a tal bebida da moda. 
A época em que as séries imaginativas tinham mesmo imaginação e não eram apenas sobre “o meu pião é maior que o teu” ou “vou-te desintegrar com o meu poder do trovão” e nem sequer precisavam de ter vilões; Precisamente o contrário  do que se passa hoje na TV quando os argumentos reciclam mil vezes a mesma ideia que as crianças precisam para serem incentivadas a comprar o objecto de plástico que o herói de cada episódio usa , seja para caçar monstros com nomes japoneses ou disparar raios como fazem os super heróis e claro onde anda tudo sempre em permanente crise existencial teenager claro está.

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[“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] ainda não tem nada a ver com essas tretas. Não é um produto cozinhado por uma equipa de marketing sebosa mas sim um trabalho genuíno de um autor que sabia como produzir material para os mais novos.
Toda a série é sobre um futuro positivo, sobre como este poderá ser fabuloso, uma porta aberta para um sem número de mundos por descobrir ou raças por contactar e sobre como se pode aprender com elas mesmo quando parecem diferentes de nós.
Ninguém disparava raios porque sim nesta série, ninguém caçava Pokemons e em vinte minutos havia tanta história para contar que nem havia espaço no argumento para temáticas adolescentes angustiantes, para cenas de porrada estilizada ou para product placement disfarçado de cenário ou de história da semana.

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HÁ PLANICES SEM FIM, HÁ ESTRELAS

[“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] é o exemplo perfeito de uma altura em que fantasia e a ficção-científica para os mais novos ainda não precisavam de ser sinónimos de burrice; de como um produto para crianças poderia ser tão interessante ao mesmo tempo para os adultos que já gostassem de FC mais séria, daquela para crescidos e tudo !
Se há uma coisa especial em [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] é o facto de sempre se ter parecido com uma história para crescidos também.
Tem a vertente infantil onde se simplifica muito do que acontece para tornar as coisas mais directas mas isso não é sinónimo de facilitismo. Muito pelo contrário.

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Tal como aconteceu com “THE NEVERENDING STORY” em produção na mesma altura, [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] não é apenas um título de fantasia para agradar a crianças mas sim uma história imaginativa para o público que gosta de histórias imaginativas independentemente da idade.
Algo que pais e filhos podiam acompanhar juntos e até aprender uma coisa ou duas sobre o universo.
Terá sido talvez dos últimos produtos televisivos para crianças a ser pensado acima de tudo como uma grande história dentro do género da FC.

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O concept-design é realmente único, aquelas naves espaciais marcaram um imaginário e todo o mundo de [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] está muito bem imaginado.
Apesar de estilizado, parece no entanto um futuro sólido e credível e é talvez isto que ainda faça com que depois a história resulte tão bem, especialmente a partir do meio da série quando esta muda ligeiramente de rumo e de estrutura.
Além disso continua a ser aquele tipo de história onde se exploram realmente novos mundos e isso quanto a mim é algo que lhe dá um enorme sabor ainda hoje.

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STORY ARC

[“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] está esquecido hoje em dia, mas muito antes de alguém considerar a ideia de que cada episódio poderia conter algo que continuasse uma história permanente, esta foi uma das primeiras produções a introduzir esse conceito.
Não se nota ao início porque os episódios parecem ter temáticas isoladas mas com o avançar das histórias começamos a perceber que há por ali um fio condutor muito maior que faz com que todos os espectadores que tenham seguido a série desde o inicio depois consigam apreciar ainda mais os episódios finais quando todos os detalhes se juntam.

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Isto porque [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] a partir do meio quando envolve uma série de situações políticas e militares em redor de várias raças e problemas diplomáticos entre elas, a história parece que se torna cada vez mais séria, adulta e consistente.
E consegue-o fazer sem nunca esquecer que acima de tudo tem que continuar a ser um produto para crianças. Esta série devia ser um case-study sobre como se pode escrever de forma inteligente para crianças e para adultos ao mesmo tempo criando uma verdadeira fórmula familiar que resulta plenamente.
É por isso que a segunda metade de [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] tem uma atmosfera diferente. Subitamente tudo se torna mais épico e misterioso e de repente há por ali uma história que se vem a descobrir ter estado bem mais presente ao inicio do que nos pareceu.
Já em criança uma das coisas que fez com que eu nunca tivesse esquecido esta série foi precisamente a forma como se tornou cada vez mais épica e interligada em termos de pormenores que já tínhamos encontrado nos episódios anteriores. 
Numa altura em que todas as séries de TV tinham episódios fechados, isso captou-me a atenção.

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UNIVERSO LIMITADO

Visualmente é certo que [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] sempre foi muito fraquinha em termos de valores de produção e na verdade é uma daquelas séries que envelheceu incrivelmente mal.
Em putos não notávamos mas tudo isto já tinha sido criado com um orçamento bastante limitado.
É certo que os seus criadores bem tentaram apresentar uma enorme variedade nos cenários, ambientes, planetas e naves e talvez seja isso que distraiu muito bem a nossa atenção mas revendo agora a série com olhos de adulto é até deprimente constatarmos como em termos artísticos e técnicos estava realmente incrivelmente limitada.

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[“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] apesar de ser um produto Francês denota claramente influências já da animação japonesa que começava a despontar naquela época da forma moderna que depois se seguiu.
Por exemplo, os vastos cenários de interiores, tanto de naves como de bases espaciais são obviamente inspirados pela estética Japonesa na forma rectilínea “e vazia” como ocupam muitos dos espaços graficamente.
Isto contrasta um bocado com o estilo de animação pois [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] não será propriamente um Anime ( até porque o estilo de montagem moderno não tinha ainda sido inventado ) mas também porque tem uma clara identidade europeia na forma como se fazia desenho animado por aquela época; especialmente nas produções semelhantes de orçamento limitado.

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IL ÉTAIT UNE FOIS … Le DVD

Anos atrás eu andava tão desesperado para reencontrar esta série ( porque ainda tenho a minha caderneta de cromos e tudo ) que muito antes dos episódios estarem todos disponíveis no youtube em várias línguas ( ou editados em DVD em Pt ) eu cometi a loucura de comprar uma caixa com toda a série em França.
SEM LEGENDAS !!!
E durante anos foi essa a edição que eu pude ter nas mãos e aquela que ainda hoje possuo e de continuo a gostar.
Topem-me só o genérico original e comparem com o nosso “Paulo (Pedro Malagueta) de Carvalho”:

Analisando as coisas friamente; apesar de conceptualmente [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] continuar a ser absolutamente brilhante e uma verdadeira obra prima dentro da própria ficção cientifica para todas as idades é algo que está incrivelmente datado em termos de produto e duvido que muita gente o consiga rever mesmo tendo sido algo marcante em criança. Até porque todas as cópias que existem em DVD por todo o lado, são do pior, mais parecendo maus VHS de segunda geração.

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Mas o seu envelhecimento natural é particularmente evidente se tentarmos ver vários episódios de seguida. Cada episódio tem pouco mais de 25 minutos e apesar das histórias continuarem excelentes, os fracos valores de produção e animação extremamente limitada ( ou repetitiva até em termos de realização ) fazem com que por vezes a coisa se arraste um bocado e pareça algo secante.
E isto não tem a ver com a falta de acção das histórias mas sim com a própria pobreza da coisa em termos técnicos; não por ser má animação mas por se notar à distância que muito provavelmente por razões de orçamento também não pôde ter sido melhor.

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Isto aliado também a uma montagem algo errática de episódio para episódio por vezes poderá causar um certo desânimo naqueles que há mais de trinta anos viram isto pela última vez.
[“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] não é o tipo de série que deva ser revista em vários episódios de seguida, pois as suas limitações actuais poderão cansar o espectador adulto.

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GALILEU TEVE UM SONHO ASSIM

Enquanto produto para crianças, no entanto continua vivo e de boa saúde sendo totalmente recomendável ainda hoje sem a mínima sombra de dúvida a todos aqueles que tiverem entre 7 e 12 anos pois não irão importar-se com as limitações técnicas da coisa de certeza e as histórias continuam tão boas quanto eram há trinta anos atrás.

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Para o público adulto saudosista… se experimentarem ver [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] por exemplo um episódio por dia, ou um de dois em dois dias, irão perceber que se calhar o evidente envelhecimento da série também acaba por perder a sua força negativa enquanto motivo dissuassor que os impeça de continuar a ver a história até ao fim e nesse registo irão gostar de recorda-la.
Se calhar é porque [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] é um produto de uma época em que ninguém imaginava que haveria de existir forma de um dia conseguirmos ver em casa e à nossa vontade uma série inteira de seguida num dia ou num fim de semana só e como tal toda a sua estrutura também ainda é do tempo em que as pessoas só viam mesmo um episódio por semana.
E não havia cá maneira de gravar o que quer que fosse para ver depois. Se perdessemos essa emissão nessa hora em que passava o episódio, acabou; tinhamos perdido tudo e não havia maneira de voltar a ver o que tinhamos perdido.
Por isso experimentem agora rever a série como se fosse à moda antiga. Um episódio espaçado de cada vez. Nesse contexto, [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] continua absolutamente imperdível e recomenda-se.

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CLASSIFICAÇÃO

Por vários motivos que já referi acima, desta vez a classificação aqui tem que ser dividida em dois contextos diferentes.
Esta é uma série muito dificil de classificar, porque o primeiro impulso é dar-lhe uma excelente nota visto que como ficção-científica continua a ser uma proposta única independentemente de ser animação ou uma série primitiva.
O problema é que actualmente tem demasiadas fraquezas que lhe retiram alguns pontos mesmo que eu não queira…
Portanto…

Classificação 1 :
 Para quem viu a série em criança e ainda hoje ( muito importante ) gosta mesmo de ficção-científica [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”] continua a ser uma proposta única com uma história que vai ficando cada vez mais interessante á medida que os episódios avançam.
“falha” porque agora em adultos percebemos claramente como isto é um produto que envelheceu mesmo muito , mas muito mal.
Como tal haverá que não vai conseguir passar do primeiro episódio e preferisse ter continuado com esta série apenas nas suas memórias de infância, por isso fica o aviso de cautela nostálgica.
Aqueles que arriscarem revê-la, se conseguirem ultrapassar as limitações que irão identificar e gostarem de boas histórias sci-fi esta continua a ser uma saga espacial excelente ; especialmente quando chega a meio e avança para uma óptima conclusão.

Três Planetas Saturno

 

Não leva mais apenas porque é mesmo muito díficil passarmos por cima do envelhecimento disto enquanto produto televisivo.
Na verdade se calhar até merecia quatro… mas depende do vosso estado de espirito para conseguirem apreciar o que tem de bom. Por outro lado, o facto de só existir neste momento em cópias absolutamente rascas e envelhecidas també não ajuda à sua apreciação pelas audiências modernas. Isto remasterizado ia ter outro sabor certamente.
Tenham no entanto em atenção que esta é uma daquelas séries que devem ver com moderação para continuarem a parecer especiais.
Vejam um episódio por dia ou até mesmo, apenas um episódio por semana como era suposto ser a quando da sua transmissão original na televisão e se calhar irão voltar a adorar [“ERA UMA VEZ O ESPAÇO” / “IL ÉTAIT UNE FOIS … L´ESPACE”].
Se tentarem ver vários episódios de seguida isso não irá funcionar pois esse método só e evidenciará tudo o que a série actualmente tem de envelhecido, especialmente quando todas as cópias que existem no mercado são tão más.

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Classificação 2:Se nunca viram isto em crianças, não gostam particularmente de ficção-científica ou preferem coisas de acção em vez de histórias com narrativas centralizadas mais em exploração do que em combates, se não gostam de animação ou de animação televisiva antiga, se não têm qualquer ligação nostálgica com isto então se calhar não percam tempo e passem à frente.

Dois Planetas Saturno

 

O envelhecimento desta série em termos técnicos é mesmo muito mau e não irá impressionar ninguém habituado a coisas mais contemporâneas e sofisticadas que não tenha visto isto em criança em 1981 embora como ficção-cientifica continue uma proposta sólida dentro do género.

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A favor: todo o conceito do universo em si, os personagens, o design das naves e o próprio estilo do ambiente, as histórias, o arco da história principal, continua a ser excelente ficção-científica para todas as idades, não trata as crianças por imbecis nem é paternalista com os adultos.

Contra: envelheceu mal como o raio.

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NOTAS ADICIONAIS

PAUTA PARA GUITARRA da música do genérico ( PEDRO MALAGUETA )

https://www.cifraclub.com.br/pedro-malagueta/era-uma-vez-o-espaco/

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GENÉRICO

 

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PRIMEIRO EPISÓDIO NO YOUTUBE

 

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PEDRO MALAGUETA AO VIVO
Este é o cantor que interpretou a canção do genérico em Portugal.
Não foi o Paulo de Carvalho. 🙂


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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0282303

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