“SILVERADO” ( “SILVERADO” ) Lawrence Kasdan (1985) EUA

Pode parecer estranho eu estar a falar de um titulo como este num blog sobre Fantasia ou Ficção-Científica mas o contexto de excepção é o habitual. Também [“SILVERADO” ] criou um universo único; não se deixem iludir pelo facto de isto se parecer com um Western pois esta aventura poderia ter-se passado a long time ago…

Aliás, se nunca viram [“SILVERADO” ] antes e este agora lhes parecer com qualquer coisa mas não sabem bem de onde vem o vosso Dejà-Vu é porque já viram “este filme” anteriormente e até bem recentemente; apenas [“SILVERADO” ] se chamava “STAR WARS – THE EMPIRE STRIKES BACK” tendo voltado a reencarnar há pouco tempo como “STAR WARS – THE FORCE AWAKENS”.
E não [“SILVERADO” ] não é um filme do J.J.Abrahams; o contexto é outro.

SILVERADO_02

[“SILVERADO” ] não só foi realizado por Lawrence Kasdan como foi escrito por Lawrence Kasdan que caso não saibam foi o argumentista de ambos os Star Wars; tanto da sua sequela original de 1980, como do seu reboot mais recente. E nota-se !

SILVERADO_18 SILVERADO_24

O ESTILO KASDAM

Uma das razões porque gostei bastante do reboot moderno de Star Wars foi precisamente porque me transportou de volta aos anos 80 e ao melhor daquilo que havia na forma intricada como em muito cinema da altura as relações dos personagens fluíam entre elas; ao mesmo tempo que sem o espectador notar, transportavam as aventuras individuais de cada uma por entre as várias fases da história.
E ninguém melhor que Kasdan nesta tarefa até porque foi ele que inventou – “o estilo”; que, já agora, também pode ser encontrado no original “RAIDERS OF THE LOST ARK” como os mais atentos também já devem ter percebido; e claro, igualmente escrito por Lawrence Kasdan.

SILVERADO_10 SILVERADO_47

Lawrence Kasdan é um pouco o Jim Steinman dos argumentistas. Se Jim Steinman essencialmente inventou um género musical ( nunca repetido ou igualado ) quando fez nascer Meat Loaf ( e Bonnie Tyler ) ao som das suas melodias e estruturas musicais imediatamente reconheciveis em canções que por regra tinham sempre entre 6 a 10 minutos e das quais nenhuma será mais famosa do que a banda sonora para o filme “STREETS OF FIRE” : “NOWHERE FAST”; ( uma reciclágem de vários outros temas mais antigos do próprio compositor gravados por Meat Loaf ) , também Lawrence Kasdan fez o mesmo com a sua escrita, pois o seu estilo é imediatamente identificável à distância.

SILVERADO_38 SILVERADO_63

A forma orgânica com que mistura situações e torna os diálogos indissociáveis do próprio trabalho do realizador com que estiver a trabalhar na altura faz com que muito do seu trabalho pareça sempre mais do mesmo mas desta vez no melhor dos sentidos, porque ainda bem que é assim.
A escrita de Lawrence Kasdan no cinema de aventuras é a garantia de que pelo menos os personagens e a forma como estes intervêm nas situações irá ser absolutamente dinâmica e parte essencial para que o filme ainda pareça melhor do que se calhar é.
Contrariamente ao que acontece especialmente hoje em dia com os típicos argumentos saídos de Hollywood onde as frases estão apenas lá para pontuar momentos entre festivais de CGI ou a próxima cena de acção que precisa acontecer ao segundo de X em X tempo, no caso dos argumentos de Lawrence Kasdan, as suas palavras na boca dos personagens torna-os parte integrante da história e genuínamente fazem com que estes não se assemelhem apenas a um bando de marionetas que apenas andem pelo écran para servirem de enquadramento aos efeitos especiais e pouco mais.

SILVERADO_65 SILVERADO_48

Lawrence Kasdan num argumento garante imediatamente uma estrutura associada a personagens com substância e como se tem dito ao longo das décadas foi também graças a ele que “THE EMPIRE STRIKES BACK” se tornou tão memorável e digno de tanta reverência pela qualidade que apresentou.
Muito se deveu ao argumento de Kasdan que se manteve discreto em pano de fundo quando tudo pareceu funcionar depois tão bem. Se funcionou é porque teve uma base sólida. Tanto em conceito, como em estrutura e principalmente em personagens que tinham realmente coisas tão importantes para dizer que até eram determinantes para a acção se tornar interessante porque nos preocupavamos com as pessoas e tudo !
O que me leva então até [“SILVERADO” ].

SILVERADO_52 SILVERADO_25

Tudo o que viram em termos de dinâmica de personagens em “THE FORCE AWAKENS” recentemente foram ecos de [“SILVERADO” ] através das décadas. A forma como os personagens se conhecem, interagem, se separam e se volta a reencontrar é puramente Kasdan , especialmente o ritmo dos diálogos quase em estilo stand-up-comedy na forma como o humor serve para introduzir personalidades e situações de acção. Se nunca viram [“SILVERADO” ] , quando o virem irão perceber claramente o que quero agora dizer com todo este paleio.

SILVERADO_30 SILVERADO_39

ODEIO WESTERNS

Westerns… ou – filmes de cábois – nunca foram a minha coisa. Já desde puto que quando tinha que levar com mais outro filme do velho Oeste ( ou com a série Bonanza que eu abominava ) percebia que tinha a tarde ou a noite de cinema televisiva perdida.
Desde criança que até bem antes de eu ter descoberto que existia um género conhecido como – Fantasia – ou até mesmo – Ficção-Científica – o que eu queria em vez de Cowboys eram aventuras como as de Tarzan ( Johnny Weissmuller ) pois nessas havia sempre a hipótese de aparecer por ali algures uma cidade perdida. 
E cidades perdidas sempre me interessaram muito mais do que desertos americanos, ou Saloons do velho Oeste.

SILVERADO_66 SILVERADO_74

Como tal o – Western – sempre foi algo que me desinteressava por completo e quando [“SILVERADO” ] surgiu, e miraculosamente até passou no meu cinema de província e tudo quando eu tinha 15 anos em 1985, foi a muito custo que gastei dinheiro no bilhete para ver esta coisa na sala.
Lembro-me que um amigo meu insistiu porque tinha lido algures que parece que [“SILVERADO” ] não seria bem um filme de cábois; tinha uma certa aura de “OS SALTEADORES DA ARCA PERDIDA” ( se calhar precisamente por estar associado a Kasdan e o artigo de jornal ter falado sobre isso na época ) e lá fui eu para o cinema porque nesse sábado à tarde não havia mais escolha possível.

SILVERADO_71 SILVERADO_43

Isto na época em que a gente saia de casa porque queríamos ir ao cinema mas não fazíamos a mínima ideia de qual o filme que estaria em exibição nesse dia ( os filmes eram exibidos dia a dia e nunca ficavam em cartaz por mais de 24 horas; especialmente na província onde todos os dias era um filme novo ).
Como tal só quando chegávamos à sala de cinema é que podiamos ver quais eram os cartazes que lá estavam e qual o filme que estaria em exibição nessa tarde ou noite.
Não havia cá Internet ou sessões de cinema continuas com filmes a ficar semanas inteiras nas salas.
Nem haviam salas…com sorte era um cinema de província e pronto.
Como tal, nessa tarde eu tinha decidido que ia mesmo ao cinema; já estava lá na porta de entrada e sendo assim, como [“SILVERADO” ] era mesmo o único filme que por lá estava nesse dia as escolhas não eram muitas.
Voltar para casa, ou ver um filme de ( blargh ) cábois.
Lá teve que ser esta coisa do [“SILVERADO” ] …

SILVERADO_59 SILVERADO_32

ADORO WESTERNS … DA ARCA PERDIDA

Quando acabou, comprei o bilhete para a sessão da noite e voltei outra vez para o rever.
Não fazia ideia de que existiam filmes de -“Cábois” – assim !!
Quem tinha comparado [“SILVERADO” ] a “OS SALTEADORES DA ARCA PERDIDA” tinha toda a razão !
[“SILVERADO” ] é “RAIDERS OF THE LOST ARK” só que com Cowboys e cidades do velho Oeste mas sem tesouros, templos perdidos ou perseguições.
Na altura eu próprio não percebi bem porquê mas [“SILVERADO” ] logo a partir desse momento tornou-se num dos meus filmes de aventura favoritos de todos os tempos e permanece ainda hoje como sendo um dos filmes da minha vida.
 Só de ouvir a banda sonora fico com vontade de o ver novamente.

SILVERADO_26 SILVERADO_61

É claro que hoje ainda gosto mais dele, pois reconheço a pilha de referências que ele contém a muitas outras coisas e que o tornam numa verdadeira tapeçaria do género; apenas esteve desta vez embrulhada numa capa de cinema de aventura quando a maioria dos Western eram essencialmente dramas com pistolas e xerifes.
A partir do momento em que no início Scott Glenn despacha a tiro todos os inimigos ocultos de dentro de uma cabana escura e depois se levanta abrindo aquela porta que revela uma das grandes paisagens épicas do Western clássico ao som daquela banda sonora incrível ( e ainda hoje totalmente reconhecível pois já foi usada para um monte de coisas diferentes ), eu tinha esquecido por completo que detestava cinema com cowboys e temas Western.

SILVERADO_60 SILVERADO_54

BEYOND SPAGHETTI

Aliás, foi graças a [“SILVERADO” ] que também descobri pela mesma altura ( na era do VHS ) os Western Spaghettis ( os meus favoritos ainda hoje).
Isto porque li logo depois um artigo da altura sobre [“SILVERADO” ] onde se mencionava que o filme estava a ser criticado pelos puristas do Western nos Estados Unidos por mostrar Cowboys com gabardinas “de chuva” daquelas que só foram inventadas por Sergio Leone em Itália para os seus Western filmados em Espanha ( por exemplo “Por um Punhado de Dólares” que tornou Clint Eastwood numa estrela ).

SILVERADO_45 SILVERADO_51

Parece que de acordo com a história oficial segundo muitos especialistas, os verdadeiros Cowboys norte americanos nunca teriam usado aquele tipo de roupa e como tal [“SILVERADO” ] foi bastante criticado pela sua falta de autenticidade até mesmo na altura; não tendo sido naturalmente sequer um grande êxito nos EUA. Foi mais outro daqueles títulos; neste caso em jeito de “semi-flop” americano que com as décadas se tornaram exemplo de sucesso e de culto quando foram re-descobertos em home-video.

SILVERADO_80 SILVERADO_79

Na altura apenas as reviews europeias pareciam ter percebido o espirito por detrás deste filme de Lawrence Kasdan ,argumentista e realizador de [“SILVERADO” ] , pois lembro-me de ter lido elogios ao filme enquanto cinema de aventura ligeira que não pretendendo ser um Western puro seria uma enorme colecção de referências clássicas orquestradas num estilo a que não estavamos habituados a ver. Precisamente como é referido no excelente comentário audio que vem com o filme em Bluray.
A ideia terá mesmo sido a de pegar numa estética Western e homenagear todo o género e sub-géneros utilizando uma capa de cinema de aventuras; até porque nos anos 80 o género – Western – estava morto e enterrado ao contrário do “género Indiana Jones”. Sendo assim o conceito de Kasdan foi mesmo o de apresentar às novas gerações o que poderia ter sido um épico clássico mas disfarçado com a sua estrutura de Blockbuster contemporâneo que tanto tinha resultado em “THE EMPIRE STRIKES BACK”.

SILVERADO_72 SILVERADO_46

Por isso é que para lá das cenas de tiroteio por entre suspense e piadas estilo Indiana Jones [“SILVERADO” ] está cheio de enquadramentos clássicos. Não só na forma épica como filma a paisagem do velho oeste norte americano à boa e velha maneira JOHN FORD como se pode ver logo mal Scott Glenn abre a porta da cabana ao som daquela música contagiante nos minutos iniciais, como também na maneira como Kasdan encenou alguns dos momentos mais cliché de todo o género.
A colocação de câmeras em certos sítios, a orquestração da acção e a montagem final, tudo oscila entre o moderno estilo Spielberg e o melhor de John Ford num estranho cruzamento que funciona na perfeição e onde Sergio Leone com o seu “ONCE UPON A TIME IN THE WEST” também não é esquecido para desprezo dos puristas do Western americano ( que parecem abominar Leone e os Western Spaghettis ).

SILVERADO_33 SILVERADO_20

Puristas EUA que também criticaram Kasdan por [“SILVERADO” ] não meter índios em parte alguma e ter introduzido vilões que não eram –a preto & branco- mas sim quase anti-heróis com tanto carisma e profundidade como os protagonistas da aventura principal. Brian Dennehy ( outro dos meus favoritos ) tem aqui um dos melhores e mais ambíguos xerifes dentro do género e é um daqueles actores que roubam qualquer cena em que aparecem não sendo aqui excepção pois ele continua a ser um daqueles que adoramos odiar sempre que faz papeis menos simpáticos.

SILVERADO_42 SILVERADO_44

KEVIN E OS TRÊS MOSQUETEIROS

Aliás, outra das grandes mais valias de [“SILVERADO” ] ainda hoje é precisamente o elenco. Não só reúne o melhor da altura com Kevin Kline, Scott Glenn, Danny Glover , Jeff Golblum, Linda Hunt, Brion James, Jeff Fahey e Rosanna Arquette como ainda podemos contar com John Cleese aqui bem longe dos Monty Phyton no papel de um Xerife inglês que preza muito a sua pele e não dispensa o seu chá. Cleese entra pouco nisto mas todas as suas cenas são do melhor também por o vermos num registo longe da comédia a que estamos habituados sempre que o vemos em qualquer coisa.
[“SILVERADO” ] ficou também conhecido como o filme que transformou Kevin Costner numa estrela instantânea em Hollywood. Na verdade revelou o actor ao mundo e tudo por causa de uma promessa do realizador.

SILVERADO_23 SILVERADO_17

Até então Kevin Costner parecia condenado a ser aquele actor que era contratado para filmes em que depois não aparecia, pois o seu papel acabava junto com outros sempre no chão da mesa de montagem. Apesar de Costner já trabalhar por Hollywood na época nunca tinha tido uma oportunidade digna desse nome no grande ecrã.
O último revés tinha sido inclusivamente como o filme anterior de Lawrence Kasdan “THE BIG CHILL / OS AMIGOS DE ALEX”… onde Kevin Costner tinha interpretado precisamente “Alex”… que como muita gente se recordará no filme era … – o morto –  ao redor do qual se reúne um grupo de amigos para o seu funeral.
Costner tinha cenas gravadas enquanto “vivo” para esse filme, mas mais uma vez tudo tinha ficado fora da montagem final.
Como Kasdan tinha gostado muito de trabalhar com ele, prometeu-lhe que no próximo filme haveria de escrever um bom papel apenas para Costner e foi assim que surgiu “Jake” o energético irmão de “Paden/Kevin Kline” em [“SILVERADO” ] e o resto foi História a partir do momento em que “Jake” se tornou um dos quatro “mosqueteiros” que protagonizam esta aventura.

SILVERADO_05 SILVERADO_41

[“SILVERADO” ] continua um espectáculo em todos os sentidos.
É mais um daqueles poucos e raros filmes dos anos 1980 que não envelheceram de todo. [“SILVERADO” ] poderia ter sido filmado hoje e estrear amanhã que continuaria tão fresco, cativante e divertido. Só o “estilo Indiana Jones” o poderia datar ligeiramente mas depois de “THE FORCE AWAKENS” ter estreado recentemente e trazido de novo à ribalta a dinâmica-Kasdan na forma como uma aventura é estruturada isto ainda torna [“SILVERADO” ] mais actual hoje em dia.

SILVERADO_75 SILVERADO_15

A história é um emaranhado de clichés e referências do género ; é como uma enciclopédia sobre Western abrangendo referências culturais de várias partes do mundo onde ao longo dos anos foram produzidos filmes de cowboys e misturando tudo deu origem a [“SILVERADO” ].
Talvez a sua única “falha” continue a ser o pouco tempo de ecrã que o personagem de Rosanna Arquette teve, pois sente-se por ali que falta qualquer coisa no desenvolvimento daquele personagem que nem por isso deixa de ser absolutamente icónico enquanto mulher que desbrava sózinha uma nova fronteira. A parte romântica com Kevin Kline perde um pouco com essa “falha” prontamente admitida por Kasdan, mas a verdade é que se [“SILVERADO” ] tivesse ramificado por demais esse detalhe corria o risco de deixar de ser uma aventura e entraria pelo registo mais tradicional enquando Western-Drama que o realizador não queria seguir de todo.

SILVERADO_37 SILVERADO_34

A verdade é que como cinema de aventura [“SILVERADO” ] ainda hoje resulta de forma perfeita sendo aquele tipo de recomendação que nenhum aventureiro de sofá deverá deixar passar ao lado se nunca viu este título.
Mesmo que não goste de westerns.
Ou especialmente se acha que não gosta de Westerns.

——————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Se nunca viram [“SILVERADO” ] ; arranjem o maior televisor que puderem, comprem o bluray excelente editado em Inglaterra e complementem tudo com o melhor som 5.1 ou não que conseguirem.
Depois é só deixarem-se levar por esta aventura onde há de tudo excepto índios mas nem vão notar a sua ausência.

SILVERADO_12 SILVERADO_19

Um filme que não envelheceu e que continua ainda hoje a ser uma das grandes aventuras que poderão ver produzidas para cinema; apenas se parece estéticamente com um Western clássico mas não se deixem enganar pela aparência pois [“SILVERADO” ] é muito, muito mais que isso.
As – “iludências aparudem…” – meus amigos…

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

Transporta-nos para um úniverso único e de formato particularmente híbrida e original que ainda hoje resulta em pleno. Conta com um dos melhores elencos dos 80s; visuais fantásticos em termos de paisagens naturais, muito humor e aventura e um estilo clássico a jeito de homenagem do melhor.
Se tal como eu, vocês não morrem de amores pelo género Western, então [“SILVERADO” ] é um filme a não perder principalmente por essa razão.

A favor: a banda sonora épica que não nos sai da memória, os cenários naturais, os cenários “artificiais”, os personagens, os actores, o humor, o sentido de aventura, a homenagem a um monte de outros filmes clássicos, a fotografia e tudo o resto.

Contra: só houve um [“SILVERADO” ] na história do cinema.
No entanto apesar de não ter sido um grande sucesso originou coisas para teens como “Young Guns” ( e sequelas/imitações ainda mais banais ) anos mais tarde quando Hollywood tentou revitalizar o género com produtos “modernos” inferiores que nem por um instante alcançaram a qualidade do filme de Kasdan. Isto já depois deste se ter tornado mais um clássico do VHS e tal como aconteceu com Blade Runner ter ganho uma segunda vida após ter passado despercebido na estreia em cinema.

——————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


——————————————————————————————————

COMPRAR BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO UK

bluray

https://www.amazon.co.uk/gp/product/B002CN2NCG/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B002CN2NCG&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21&linkId=71e21614e41a42f50e2ccca892356b5d
——————————————————————————————————

IMDb

SILVERADO_01

http://www.imdb.com/title/tt0090022

————————————————————————————————————

Se gostou deste vai gostar de:

capinha_alien-trespass capinha_VALERIAN.jpg capinha_WATERWORLD.jpg capinha-skycaptain capinha_LOCKOUT.jpg capinha_sky-pirates capinha_spacehunter

——————————————————————————————————

 

 

“O NOME DA ROSA” ( “THE NAME OF THE ROSE”) Jean Jacques Annaud (1986) FRANÇA/ITÁLIA/ALEMANHA

Conta o realizador Jean Jacques Annaud no fantástico ( e politicamente incorrecto ) comentário audio que está no dvd/bluray [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] que este terá sido o filme mais trucidado de sempre pela crítica especializada norte americana das produções Europeias que tentaram vingar nos Estados Unidos.
Segundo o realizador nunca na sua vida tinha lido textos tão devastadores sobre um qualquer filme até se deparar com o que escreveram sobre esta sua adaptação do genial romance de Umberto Eco com o mesmo nome.

The-name-of-the-rose_01

ERA UMA VEZ NA AMÉRICA…


Segundo Annaud parece que os americanos acusaram o filme de tudo; desde ser completamente ridículo, não se perceber nada da história ( porque tinha cenas “chatas” que não interessavam naquilo que eles esperavam ser uma história linear que vai do ponto A ao Z sem interrupções pelo caminho ) , de não ser o thriller de acção ( e comédia ) que pelo visto eles esperavam (?!) e também de ser um filme depravado ao ponto do próprio realizador ter sido comparado ao pedófilo mais rançoso em certos textos.
Isto porque [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] para além de adaptar de forma extraordinária um grande romance que pode ser lido a vários níveis, também contém uma das melhores e mais naturais cenas de sexo que já apareceram num filme mainstream; e que , diga-se de passagem também aqui ( contrariamente ao que as mentes debochadas dos gringos atiraram para o ar ) precisava de ter sido filmada como foi para ser verdadeiramente fiel à descrição erótica da novela original.
Ou seja, [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] está tão bem adaptado e Jean Jacques Annaud teve tal atenção ao detalhe que até a cena de sexo parece-se quase passo a passo com o mesmo momento descrito no livro.

The-name-of-the-rose_72 The-name-of-the-rose_23b

Ora portanto no que toca aos EUA nada de novo. Tendo em conta o que também se tem escrito actualmente por lá ( e pelos media americanizados a soldo de Hollywood pelo mundo fora ) sobre “VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”, por exemplo parece que a percepção dos americanos para assimilarem histórias variadas e mais complexas que não se encaixem nas infantilidades formuláticas entre “maus” e “bons” que Hollywood tem por costume reciclar até à exaustão, continua ao nível da capacidade cognitiva de uma criança de seis anos; o que explica que Donald Trump esteja neste momento a reinar lá por aquelas bandas neste Setembro de 2017.

The-name-of-the-rose_65 The-name-of-the-rose_62

LIVROS PARA INTELECTUAIS

Outro pormenor muito curioso que Annaud refere no comentário tem precisamente a ver com o próprio romance. Quando ele adquiriu os direitos, este ainda não se tinha tornado no sucesso de vendas que se tornou na altura e ele pensava que iria fazer o seu filminho descansado sem pressões de maior só porque adorou o livro e queria colocá-lo numa tela. Enganou-se.
O NOME DA ROSA” o livro, foi o primeiro grande fenómeno de vendas mundial da nossa era “moderna” dentro daquele contexto em que hoje quase todas as semanas aparecem nas livrarias titulos com fama de campeões de vendas algures.
O NOME DA ROSA” foi no entanto um campeão de vendas real !
O seu estatuto nunca derivou de campanhas de marketing e aliás foi por causa do seu sucesso entre 1985/86 que se re-escreveram e modernizaram as campanhas de marketing ao redor da forma como hoje se vendem, se impingem livros ou se fabricam modas literárias ( ou cinematográficas ) artificiais.

The-name-of-the-rose_51 The-name-of-the-rose_24

Curiosamente segundo o que Annaud refere “O NOME DA ROSA” continua também ainda hoje a ser um dos livros que mais vendeu mas que no entanto menos gente terá na realidade lido.
Isto porque de um dia para o outro passou a estar na moda e como tal era de compra obrigatória para quem quisesse passar por pessoa inteligente na altura junto dos amigos. De certeza que a conta bancária do autor não se importou.
Mas muita gente não o leu precisamente por causa da fama que lhe foi também associada por certa imprensa ensaísta. Ou seja, “O NOME DA ROSA” livro ; graças a um par de críticas iluminadas daquela malta que adora escrever ensaios herméticos apesar de ter sido destacado das restantes obras literárias da altura nas livrarias, também o foi pelas razões erradas.

The-name-of-the-rose_55 The-name-of-the-rose_36

Graças a uma certa franja intelectualO NOME DA ROSA” foi logo desde o início conotado com literatura –séria-, um livro pesado supostamente incrivelmente denso, chato como o caraças, erudito como o raio e uma obra que nem o pseudo-intelectual de café iria conseguir absorver na sua totalidade pois só especialistas medievais iriam conseguir compreendê-lo, tal seria a sua complexidade intelectualoide.
A ideia que passava na altura segundo Annaud, era precisamente a de que jamais o leitor comum conseguiria retirar do livro o contexto, o brilhantismo e a intelectualidade de génio que os tais críticos literários essencialmente se arrogavam de conseguir interpretar em cada palavra desta história nas suas reviews.
Ou seja, mais uma vez tal como aconteceu com o filme “Solaris” de Tarkovsky anos antes, também aqui a crítica iluminada quase que ia lixando tudo com as suas interpretações “evidentes” a propósito de uma obra.

The-name-of-the-rose_14 The-name-of-the-rose_10

Portanto, diz Annaud que o livro vendeu como o raio, mas o facto de muita gente até à bem pouco tempo ainda se dirigir a Umberto Eco elogiando o seu trabalho, apontando que tinham gostado muito do livro mas descrevendo e citando ao autor passagens que nunca existiram na obra porque tinham sido apenas cenas interpretadas e acrescentadas para o filme demonstram claramente que o que grande parte das pessoas “leu” foi apenas o filme.
O que por um lado, até já nem é mau tendo em conta o que se passou nos States do Tio Trump na altura da estreia.
O que faz de “O NOME DA ROSA” aquele livro que toda a gente comprou e toda a gente pensa que o outro leu porque – o outro – até consegue citar cenas que supostamente lá estão; sem – o outro – também fazer a mais pequena ideia de que estas só existem no filme e não estão em parte alguma do romance original. O que muito pareceu divertir Umberto Eco segundo Annaud.
Eco que nunca se descoseu quando as pesssoas lhe dava os parabéns por cenas “do seu” livro que ele nunca tinha colocado na obra pois segundo Annaud sempre foi cortês -“com os fãs do livro”- apesar de saber perfeitamente que as pessoas só tinham visto mesmo o filme e nem devem ter tirado o romance da estante.

The-name-of-the-rose_67 The-name-of-the-rose_49

COVER TO COVER

Ora ainda bem, que eu na altura com 16 anos não fazia a mínima ideia de que “O NOME DA ROSA” era suposto ser um livro – para intelectuais – denso como o raio, chato como o caraças e uma seca que só iluminados iriam compreender.
Isto porque foi o primeiro romance “sério e adulto (?)” que eu li na minha vida de uma só assentada.
A minha mãe comprou-mo pelo Natal de 1986 e na noite do dia 25 para 26 eu li as mais de 500 páginas de seguida, capa a capa.
Alguém me podia ter avisado que o livro era uma seca do caraças, pá !!

The-name-of-the-rose_53 The-name-of-the-rose_27

Não consegui parar, ( este livro chato ) desde a primeira página até à última foi e continua a ser um dos livros que mais gostei de ler ( e reler ) na minha vida e um dos poucos que li capa-a-capa noite fora só parando na última linha do último parágrafo muitas horas depois já de manhã.
Portanto… isto é um pouco como aconteceu em Portugal em relação a muitos dos livros do Saramago… As bestas dos críticos literários doutos e iluminados que insistem em colocar obras da literatura num pedestal e transformar nos media simples escritores em  -Deuses do Olimpo & das Letras- quando estes acima de tudo são contadores de histórias, deviam era estar calados. Por causa deste tipo de eminências críticas é que depois muita gente evita livros fascinantes e divertidissimos como “O NOME DA ROSA” apenas porque o nome de Umberto Eco acontece estar associado também a um académico conceituado; prontamente adulado por um monte de lambe-botas provenientes de certa pseudo-intelectualidade que ainda hoje infesta os nossos media e como tal está visto que essa raça custa a desaparecer. Eu próprio andei durante décadas convencido que os livros de Saramago seriam uma seca descomunal pretenciosa quando afinal nada podia estar mais longe da realidade e apesar a prosa densa aquilo voa na leitura e muitas das suas histórias são também do melhor; precisamente como acontece com “O NOME DA ROSA”.

The-name-of-the-rose_43 The-name-of-the-rose_52

O livro pode ser tão ligeiro, atmosférico, misterioso, divertido, erótico e dramático quanto [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] o filme depois o foi.
Leiam-no como outro qualquer. É tão simples quanto isso.
Ignorem a intelectualhada que se baba só de ouvir o nome Eco.
É certo que por detrás de toda aquela parte policial de aventura e mistério o romance tem outra camada mais profunda para quem se interessa por história, filosofia, religião etc. Todo esse material está lá e ainda bem; mas não empata.
O brilhantismo de Umberto Eco foi precisamente o de ter conseguido escrever um livro que tanto a malta densa ( verdadeiramente erudita com todo o mérito ( não os criticos intelectualoides )) como o mais comum dos fãs de coisas telegráficas e imaginativas no estilo Dan Brown irá gostar e poderá ler com imenso prazer.
Não que o livro de Umberto Eco possa ser comparado propriamente com O Código da Vinci em termos de escrita ou conteúdo, porque…não; mas a verdade é que se lê com imenso prazer contrariamente à imagem intelectual e fama de livro chato que pelo visto sempre teve para minha grande surpresa pois li-o pela primeira vez aos 16 anos sem fazer a miníma ideia – de que não o devia ter feito.
Sorry about that intelectualhada da crítica iluminada.
O livro é uma aventura do caraças !
Se eu aos 16 anos o li de seguida numa noite e vibrei com cada página ( aprendendo uma coisa ou duas pelo meio ) então este é um romance tão acessível quanto o filme o foi quando lançado em 1986. Para toda a gente.

The-name-of-the-rose_47 The-name-of-the-rose_41

Se o brilhantismo de Eco foi pegar num tema detalhado genuinamente erudito e transforma-lo numa emocionante história de mistério ( a roçar o próprio género da – Fantasia – ) , Annaud não fica atrás na forma como filmou essa vertente emocionante da história a jeito de thriller policial sem no entanto esquecer a importância da própria reprodução histórica procurando ser fiel visualmente à época em que tudo se passa.

A ABADIA DO CRIME

E por falar em reprodução histórica…
Durante décadas eu jurava a pés juntos que [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] tinha sido realmente filmado numa abadia real algures pelo norte de Itália e nem queria acreditar quando já na era do DVD espreito o making of e o comentário audio e descubro que todo o convento foi na realidade construído num lote de terreno abandonado ao pé de Roma ! E construído a sério. Tudo em placas de metal e armações pintadas para se parecerem com pedra real de um lugar perdido algures nas montanhas do norte de Itália. Wow !
Se [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] não tem o melhor cenário de cinema que alguma vez vi na vida não sei !

The-name-of-the-rose_15 The-name-of-the-rose_46

Ou pelo menos o mais realístico conjunto de sets.
Nem por um segundo nos passa pela cabeça de que aquela torre enorme, aquelas muralhas ou aqueles pórticos e calçadas não serão reais quando vemos este filme; e no entanto tudo foi filmado no meio de Roma.
A tal ponto que ficam a saber que todo o filme teve que ser essencialmente dobrado em pós-produção pois do som original pouco se salvou visto que durante algumas das gravações por o mosteiro ter sido construído ao pé de uma auto-estrada foi inclusivamente muito complicado captar bem as cenas envolvendo muitos diálogos.
Até o ceu nebulado é falso. Como aquilo era só dias de sol e céu azul em Roma , Annaud colocou máquinas de fumo em seis jipes que percorriam o perímetro do cenário libertando “névoa” para que se parecesse sempre que estávamos algures no meio de uma abadia fria e invernosa no topo de uma montanha quando nada podia estar mais longe da verdade. A magia do cinema no seu melhor.

The-name-of-the-rose_17 The-name-of-the-rose_40

Tudo foi construído e segundo Annaud, tudo é real.
Nem sequer foram usadas miniaturas ao contrário do que pensaram muitos críticos de cinema nos EUA que inclusivamente acusaram o filme de ter maus efeitos especiais porque se notava que era tudo miniatura nas cenas passadas no labirinto dos livros escondidos.
Ora acontece que o labirinto era também tudo menos uma miniatura !
Foi construído em tamanho real e incendiado inclusivamente como se vê no filme de verdade; a ponto de segundo o realizador ter sido um milagre não ter morto nenhum actor principal porque inclusivamente um deles levou com um barrote de madeira verdadeiro a arder em cima ( e está na montagem ) apesar dos gringos terem usado a desculpa também “dos maus efeitos de maquetas” para cascar ainda mais em [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] segundo o realizador.

The-name-of-the-rose_64 The-name-of-the-rose_63

Algumas cenas extras foram depois filmadas em claustros de igrejas e conventos reais quando não havia verba para construir novos cenários mas 95% do filme está rodado num convento totalmente construído em chapa de metal pintada suportada por armação de aço e madeira. E o resultado é ainda hoje absolutamente incrível no ecran.
Nada mau para um filme Europeu que nem precisou de Hollywood para nada. É que ainda há por aí muita gente que pensa que só nos EUA se fazem filmes e tudo…

QUEM VÊ CARAS

Outra das grandes apostas do filme está no casting internacional onde Annaud foi buscar não só os melhores actores de vários países Europeus como também os escolheu a dedo pelos seus rostos incrivelmente expressivos e naturalmente esculpidos pelo tempo o que ainda deu uma aura de autenticidade maior a toda esta adaptação fantástica do romance de Eco.
Annaud gosta de misturar actores profissionais com amadores sempre que possível e neste caso por incrível que pareça o grande actor amador deste filme foi o idoso Feodor Chaliapin Jr., filho de um famoso cantor clássico italiano, senhor economicamente bem na vida mas que um dia aos 75 anos decidiu ser actor e começar a aparecer nos castings , porque queria deixar uma marca importante em qualquer coisa cultural antes de morrer.
Ora não podia ter deixado melhor marca do que com a sua interpretação do velho patriarca Jorge de Burgos de que toda a gente se lembra certamente, pois é impossível esquecer a sua interpretação do venerável mas severo monge desta abadia do crime. Outro que nem por um segundo vacila mesmo quando contracena com o veterano Connery.

The-name-of-the-rose_34 The-name-of-the-rose_35

E por falar em Connery, ninguém o queria no filme porque ele ainda tinha muito colado a si a imagem de James Bond 007 e só a muito custo conseguiu convencer Annaud a dar-lhe o papel; até porque os investidores americanos lhe disseram que se contratasse Connery não haveria filme pois este era na altura um -actor acabado- segundo os padrões de Hollywood e os americanos não o queriam como protagonista de todo fosse em que filme fosse.
Annaud foi em frente, os investidores vieram entretanto do resto da Europa e apesar de ter sido um fracasso brutal nos EUA [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] relançou a carreira de Sean Connery a tal ponto que no ano seguinte Hollywood foi obrigado a atribuir-lhe o Óscar de melhor actor pelo seu filme seguinte; “OS INTOCÁVEIS” num claro pedido de desculpas por nem sequer o terem nomeado pelo [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] onde realmente tem uma das melhores prestações de qualquer actor na história do cinema. Connery é William of Baskerville por completo e logo esquecemos tudo o que fez para trás mal nos deixamos mergulhar naquela idade Media recriada por Annaud.
E o facto de também ter uma química excelente com Christian Slater também ajudou pois o par forma uma dupla Holmes/Watson medievais fabulosa e totalmente credível.

The-name-of-the-rose_02 The-name-of-the-rose_07

PENITENCIAGITÉ !

No entanto em termos de casting, a minha escolha continua sem sobra de dúvida a ser a de RON PERLMAN ( um dos meus actores favoritos de todos os tempos ) e que neste filme rouba cada cena em que entra com o seu inesquecível SALVATORE, o infeliz corcunda da abadia que consegue ser ao mesmo tempo repugnante, fascinante e extraordinariamente humano a um nível tão real que quase que parece que entramos por uma máquina do tempo e estamos a olhar para uma figura verdadeira.

The-name-of-the-rose_21 The-name-of-the-rose_22

Perlman conta na sua autobiografia ( que recomendo vivamente ) que se divertiu imenso com Sean Connery neste filme que considerou um actor cortês, profissional e sempre pronto a ajudar os novatos dando-lhes conselhos de representação e incentivo sempre que as coisas apertavam mais em termos de dificuldades de rodagem.
A caracterização de Perlman neste filme é extraordinária, aproveitaram por completo toda a sua fisicalidade e aspecto pois foi transformado a 100% no Salvatore do livro onde nem faltou uma corcunda impressionante e um ar absolutamente repulsivo; coisa que depois Annaud usou para situar alguns dos melhores momentos de humor negro que também não estão ausentes deste filme, em particular nos diálogos.
As trocas de palavras entre Connery e Perlman são sempre fantásticas e por vezes muito divertidas em termos de humor se é que tal lhes parece possível num filme sério como este. A cena com o rato no cemitério é clássica.
Aliás , este filme é um verdadeiro Casablanca dos tempos medievais pois está carregado de frases citáveis também.

The-name-of-the-rose_45 The-name-of-the-rose_39

ADSO DE MELK

Em termos de química impecável de actores, o mesmo se pode dizer das cenas entre o “Watson” medieval de [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] , Christian Slater e Connery.
Muitos dos melhores momentos neste filme são pequenas cenas entre os dois quando por exemplo conversam na sua sela à noite sobre questões filosóficas, o amor, a religião ou todos aqueles outros tópicos que estão em força no romance e que Annaud aproveitou para pontuar por todo o filme sempre que podia, até para dar descanso ao mistério principal e manter-se fiel ao espírito erudito da própria obra original; coisa que muito agradou a Eco.

The-name-of-the-rose_32 The-name-of-the-rose_18

Nesta altura com apenas 15 anos e sem qualquer experiência séria de representação Christian Slater viu-se um dia numa superprodução Europeia a contracenar com o seu ídolo Sean Connery; que segundo o realizador logo se tornou no seu protector e no seu mestre de representação durante as filmagens ao ponto de se confundir a relação dos dois entre a ficção e a realidade.
Christian Slater é outro actor que brilha neste filme e é absolutamente incrível como Hollywood nunca soube utilizar as suas capacidades dramáticas posteriormente pois o seu desempenho do jovem Adso nesta história é sólido, tocante e muito humano sendo precisamente Adso a outra pessoa na história de amor que tanto o livro como o filme no fundo acabam por contar tão bem.

The-name-of-the-rose_42 The-name-of-the-rose_26

VALENTINA E O SEXO

E por falar em história de amor, o personagem de Valentina Vargas é a outra metade. É ela “a Rosa” de que nunca saberemos o nome e pela qual Christian Slater se apaixona, ( e de verdade segundo Annaud ).
É dela também o desempenho mais físico. A sua cena de sexo com o jovem Slater é absolutamente icónica e aquela de que toda a gente se lembra quando vem à baila o sexo no cinema mainstream.
Valentina Vargas ( que também entra em “THE BIG BLUE” no papel da namorada de Enzo ) compreendeu mesmo o personagem e teve uma coragem incrível para ir até onde foi naquela cena ( que tanto chocou os americanos ) ao expôr-se daquela forma. Principalmente para surpresa do jovem Christian Slater com 15 anos.
Aposto que os gringos não ficaram tão chocados quanto o próprio Slater no momento da rodagem quando percebeu o que se ia passar mesmo na cena.

The-name-of-the-rose_60 The-name-of-the-rose_57

Annaud tinha feito um ensaio geral simples de colocação de câmeras e com as principais referência coreográficas retiradas da mesma sequência no livro , mas depois de ter mandado sair toda a equipa para não haver espreitas inconfortáveis, ( o padre consultor técnico do filme queria ficar para ver mas Annaud correu com ele ), este chamou Valentina à parte e disse-lhe que a cena era dela; ela compreendia o que estava no livro, o que precisava estar no script para ser fiel ao livro, o que precisava de ser feito e Annaud deu-lhe toda a liberdade para ela avançar até onde quisesse e se sentisse sexualmente confortável.
Coisa que ela fez para terror do jovem Slater que nem fazia ideia do que lhe ia acontecer porque o realizador não lhe deu instruções de propósito pois para lá da coreografia inicial ninguém sabia até onde Valentina iria levar a sequência que acabou por se extender para lá do planeado.

The-name-of-the-rose_23 The-name-of-the-rose_56

Ora para um jovem de 15 anos , a fazer o seu primeiro grande filme, sem qualquer experiência sexual, ter ainda por cima começado a filmar o [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] no dia 1, pela cena de sexo da forma que esta aconteceu foi um verdadeiro choque. Segundo Annaud no comentário audio, a reacção de surpresa de Bale no filme não é representação !
A partir de certa altura ele já nem se lembrava das câmeras sequer.

The-name-of-the-rose_58 The-name-of-the-rose_09

Tal como não foi interpretação toda a direcção que a jovem Valentina resolveu tomar nesta sequência ainda hoje tão memorável que foi muito para lá do storyboard, o que tem tudo a ver, até porque na Idade Média os storyboards ainda não existiam.
Se a preocupação de Annaud era a de recriar autenticidade no filme nunca seria pela cena entre os jovens amantes que este seria criticado por falta de realismo.
A tal ponto que os gringos entraram em estado de choque; o que significa que a cena não poderia ter ficado melhor.
Quando Annaud disse –corta !- , nenhum dos dois actores sequer notou.
E nota-se.

SALIERI PRIMA DONA

Uma das coisas mais fascinantes no comentário audio de Annaud em [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] é também o facto de não ser o típico comentário onde se fala bem de toda a gente , como tudo foi maravilhoso, etc.
Não, o comentário do realizador neste filme é também do melhor que já ouvi porque o gajo está-se pouco borrifando para ser politicamente correcto e fala inclusivamente em detalhe sobre o que houve de merda nos bastidores.
E ninguém fez mais merda do que o Salieri, nomeadamente F Murray Abraham que segundo Annaud foi uma verdadeira besta durante as filmagens ao ponto de Connery ter ficado com vontade de lhe ir à cara e portanto todo o confronto que vemos entre os dois no filme não é representação.

The-name-of-the-rose_20 The-name-of-the-rose_38

Nem sequer a arrogância de Bernardo Gui, pois segundo o realizador tudo decorria bem nas filmagens até à chegada de F.Murray Abraham que por ter acabado de ganhar um Óscar por “Amadeus” uns meses antes exigia ser tratado como realeza e desprezava toda a equipa e colegas actores como se estes fossem uns vermes insignificantes porque não tinham um Óscar.
Por exemplo recusava-se a chegar ao Set antes de Connery e estava constantemente atrasado para as filmagens pois exigia demonstrar a sua superioridade perante todos e em especial sobre Connery. Só resolvia aparecer depois de ter feito Connery esperar por ele durante minutos a fio atrasando tudo e todos.

The-name-of-the-rose_44 The-name-of-the-rose_33

Como refere Annaud, este tipo de atitude a longo prazo não lhe serviu de muito, pois estas coisas espalham-se entre os agentes de casting e por algum motivo como bem aponta o realizador no comentário, hoje um actor “menor” e sem Óscar como Ron Perlman não pára de trabalhar e é bem vindo em tudo o que é produção quando já ninguém se lembra de quem é um F.Murray Abraham.
Segundo ele Perlman ( e Connery ) foram o oposto de Abraham; estavam sempre preparados, eram cordiais com os colegas, trabalhavam em equipa e traziam alegria às filmagens.
Aliás de acordo com Annaud não há sets tristes quando se contrata Ron Perlman.
Quanto ao Salieri, o facto do actor por detrás do personagem ter sido realmente a verdadeira besta que pareceu ser enquanto Bernardo Gui no ecrã , acabou por ajudar à própria tensão do filme; como se aquela aura de perigo, arrogância e desprezo que podemos sentir fossem reais. É que foram mesmo.

The-name-of-the-rose_68 le nom de la rose 1986 real : Jean Jacques Annaud COLLECTION CHRISTOPHEL

AN AMERICAN FLOP

[“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] foi um dos primeiros exemplos daquele tipo de fama ( falsa ) que muitos filmes ainda hoje carregam por parte do que nos chega “de informação” através dos media. O que é o mesmo que dizer – dos Media – que essencialmente agem como paus mandados das equipas de marketing em Hollywood ou daquilo que os estúdios querem de lá impingir ao público interno e não só.
Impingir ou destruir no caso de dar má reputação a coisas que poderão fazer sombra ao monopólio de Hollywood pelo mundo; recentemente tivemos o caso de “JOHN CARTER” ( trucidado por motivos internos de IRS mas que foi um sucesso mundial apesar dos dados oficiais americanos indicarem o contrário ) e temos neste momento o exemplo de “VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS” que por ser uma super-produção Europeia, Francesa e totalmente independente à revelia de Hollywood, precisava inevitavelmente de ser considerado um fracasso por lá quando também na verdade já se fartou de fazer bilheteira em todo o lado menos na terra do tio Trump.
Se lermos por aí ainda hoje em artigos essencialmente de origem americana ficaremos também com a ideia de que [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] foi um fracasso comercial na época, um flop nos Estados Unidos e portanto por arrasto, – um flop seja onde for – na perspectiva de muitos pois é assim que lhes chega ou interpretam a informação até mesmo ainda hoje quando olham para plataformas de marketing online como o “WatchMojo” como fonte de referência. Mesmo quando este como se demonstrou na altura em que ajudou a espalhar um monte de info, digamos…incorrecta… sobre John Carter não seja própriamente a plataforma isenta que aparenta ser se quiserem informar-se sobre os resultados de bilheteira de um filme; especialmente quando este não estiver dependente do controlo de Hollywood.

The-name-of-the-rose_50 The-name-of-the-rose_37

Ora como muito bem aponta Annaud, [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] pode ter falhado redondamente nos EUA mas no resto do mundo foi um sucesso brutal em practicamente todos os países por onde passou ( inclusivamente Portugal ) e continua no top dos 10 filmes mais vistos de sempre no cinema ; ( comprados e alugados ); em Itália, Espanha, Alemanha , França e por tantos outros onde passou; Japão inclusive onde tem um estatuto semelhante ao de “Streets of Fire” em termos de culto e reconhecimento do público ainda hoje.
Em Itália e na Alemanha a visionamento do filme ( e leitura do livro ) fazem parte da cadeira de estudos medievais nas respectivas universidades e pelo menos na Europa o filme não só nunca foi esquecido como continua popular como demonstram as sucessivas edições especiais que têm sido feitas em dvd e agora em bluray.

The-name-of-the-rose_28 The-name-of-the-rose_41

CRIME DISSE ELE

Nos states… logo pelo cartaz oficial americano ( que podem ver já a seguir ) se nota que a malta por lá não percebeu mesmo sobre o que o filme era.
Pelo poster quase que parece que o filme ia ser uma espécie de comédia ligeira, uma espécie de aventura de detectives em estilo Aghata Christie com uns monges e com sorte deveria haver uma cena ou duas de aventura em estilo Indiana Jones pois até o grafismo da ilustração parece querer aludir a esse estilo; tanto no traço como no uso de cor.
E Sean Connery no poster americano mais parece uma versão masculina de Angela Lansbury em estilo medieval da Jessica Fletcher da série “Crime disse Ela / Murder She Wrote” do que o personagem saído de um romance como o de Umberto Eco; chega até a ser rídiculo como um poster como este tão bem desenhado pode ser tão mau.

POSTERGRINGO

O marketing americano deste filme, pode juntar-se ao marketing propositadamente mau que a Disney fez para John Carte e que já é um – case study – a propósito de como não se deve gerir uma campanha de publicidade em Hollywood ( embora no caso de John Carter tenha sido de propósito como podem ficar a saber se lerem “John Carter and the Gods of Hollywood ).
Em termos de passar a verdadeira imagem de um filme para o público só a julgar pelo cartaz gringo acima percebe-se logo que a coisa não terá sido muito bem pensada. E provavelmente terá sido de propósito.
A história de [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] pode girar à volta de uma sucessão de mortes misteriosas num convento medieval mas comédia policial ou aventura ligeira é que isto não é. Muito menos uma “Miss Marple” ou uma “Jessica Fletcher” da Idade Média !

The-name-of-the-rose_59 The-name-of-the-rose_08

[“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”] é um grande trhiller de mistério nos moldes mais clássicos, um grande drama histórico no melhor sentido e ainda por cima tem uma das melhores e mais tocantes histórias de amor do cinema pois afinal estamos a falar do nome… da rosa.

——————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Depois de tudo o que já disse resta muito pouco. Um dos melhores filmes que já vi, uma história que quase chega a entrar pelo género da – Fantasia – mas sem dragões; contém um óptimo mistério, uma grande mas simples história de amor e é uma das melhores adaptações que alguém já fez de um romance que ainda por cima era considerado inadaptável ( certamente por quem não o leu ).
Não envelheceu um dia, contém interpretações fabulosas, bons momentos de aventura até e uma atmosfera medieval inultrapassável ainda hoje.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

É também um filme que recordo por causa de uma discussão online que eu um dia tive com um Espanhol. Dizia ele que só via filmes dobrados porque esses é que tinham vozes com personalidade a sério e a faixas originais pareciam-lhe sempre péssimas.
O cúmulo do seu argumento em relação ao meu desprezo total por dobragens foi quando ele me disse que a propósito do Nome da Rosa ele preferia mil vezes “a voz Espanhola” de Sean Connery do que a original porque a espanhola … “era muito mais Escocesa” do que a do actor original !
E contra um argumento assim a minha argumentação ficou por ali naquela tarde.

The-name-of-the-rose_16 The-name-of-the-rose_19

Voltando ao filme, creditem ou não mas ficou muito ainda por dizer.
Se nunca leram o livro façam-no. Não acreditem nas tretas que dizem por aí sobre ele.
É um romance tudo menos chato, está carregado de pormenores que não entraram no filme e vale mesmo a pena ser lido mesmo que já tenho visto [“O NOME DA ROSA” / “THE NAME OF THE ROSE”].
Por exemplo contém uma explicação fantástica sobre como as pessoas se orientavam no labirinto dos livros que nem sei porque raio não foi usada no filme até porque é dos melhores momentos do livro e tudo. Tudo o que gostaram no filme está no livro e muito mais.
A história de amor continua intacta, o final é do melhor também com uma ligeira diferença que terão de descobrir por vocês próprios e por isso do que estão à espera ?!

A favor: tudo.
Como adaptação do livro é fabulosa.

Contra: deixaram de fora a explicação que está no livro sobre como as pessoas se orientavam no labírinto.

——————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER *SPOILERS*
Mais um trailer gringo onde se mostra o filme todo !!!
Não o vejam antes de verem o filme !!

 

——————————————————————————————————


COMPRAR BLURAY – REGIÃO B – EDIÇÃO UK

BLURAYPT

https://www.amazon.co.uk/gp/product/B005O9FG8S/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B005O9FG8S&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21&linkId=9dd467465a791b26c1ee48c4546a5b6b

Embora , atenção que existe também uma excelente edição PT em bluray e muito mais barata. Na Fnac por exemplo.

——————————————————————————————————

MAKING OF

——————————————————————————————————

IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0091605

——————————————————————————————————————

Se gostou deste irá gostar de:

capinha_ladyhawke capinha_i-paladini

——————————————————————————————————

 

 

– OS ATLANTES – SÉRIE TONKARI (Episódio 2 ?) : António Carichas (A.Carichas) – 1979 – Banda Desenhada Vintage

Dentro do panorama de banda desenhada Português não há desenhador que mais me tenha influenciado do que António Carichas (A.Carichas) que lá pelo final dos anos 70 , príncipios de 80 teve bastantes trabalhos publicados na saudosa revista “Mundo de Aventuras”; uma entre tantas outras à venda em Portugal na época em que ainda se vendia Banda Desenhada no nosso país por toda a parte pois os – Comics – americanos ainda não tinham chegado para acabar de vez com o género por cá.

BD VINTAGE -TONKARI2ATLANTES

Se ainda não o fizeram recomendo vivamente que leiam também a primeira introdução que fiz sobre A.Carichas neste meu outro post anterior pois irão perceber ainda melhor ( visualmente ) porque razão é que apesar de eu o considerar um autor fantástico em termos conceptuais/história foi no entanto talvez o maior plagiador de banda desenhada que Portugal já viu em termos gráficos. Isto porque as histórias de banda desenhada que A.Carichas criava estavam cheias de coisas completamente roubadas a tudo o que o autor parecia admirar na altura.

Desde “Valerian” a “Star Wars”, passando inúmeras coisas conhecidas na altura como “Bela Mas Perigosa” de Angus McKine até “O Vagabundo dos Limbos” de Ribera, Luc Orient, Bob Morane e inclusivamente “Battlestar Galactica” nada escapava a Carichas no que toca a roubar desenhos para ilustrar as suas histórias. Por vezes tinha vinhetas que eram uma mistura de duas ou três coisas roubadas como por exemplo uma vinheta em que copiou ao detalhe um hangar da adaptação de BD “The Empire Strikes Back” originalmente por Al Williamson, mas depois substituiu a nave lá estacionada originalmente pela sua ; que curiosamente também já era uma cópia do Millenium Falcon se é que isto lhes faz algum sentido.

Estavamos no final dos 70s, princípio dos 80s e naturalmente no Portugal da liberdade acabado de sair do 25 de Abril essa coisa do copyright era para os imperialistas o que queria dizer que óbviamente haviam publicações que se podiam dar ao luxo de editar histórias com elementos absolutamente plagiados como as que A.Carichas produzia sem qualquer problema. Afinal o país era fechado, não havia própriamente Media e muito menos internet por isso não tenho dúvidas nenhumas de que alguma vez algum autor estrangeiro tenha notado o que se passava por cá nas bandas-desenhadas do nosso autor Português.
Só por isso é que uma públicação como o Mundo de Aventura se podia ao luxo de colocar na sua capa uma das ilustrações originais criadas lá fora onde ( como podem ver nesta história “OS ATLANTES” a seguir ) constava inclusivamente uma das naves-mundo “conceptualmente tomadas de emprestimo” no interior da história Tonkari em questão ! E aposto que nem a ilustração da capa estava licenciada para publicação em PT.
Outros tempos !!


Por outro lado se A.Carichas sempre teve uma coisa a seu favor é o facto de ter conseguido realmente criar um universo de ficção-científica unico, bastante rico em termos de ideias e até de ambientes recorrendo quase essencialmente àquilo que gamava noutros sitios em termos gráficos.
As suas histórias para o personagem TONKARI das quais apresento agora outro episódio, o segundo publicado após a história da sua “origem” que também já postei antes continuam a ser absolutamente mágicas e fascinantes.
Claramente inspirado na ideia dos Antigos Astronautas que encontrou em Galactica de onde roubou inclusivamente a nave principal para outra historia sua onde igualmente plagiou visualmente Axle Mushine,

estrelas_19_950x 

Carichas conseguiu no entanto criar um conceito à volta da ideia particularmente bom e mesmo muito imaginativo na forma como foi desenvolvendo a sua própria versão de como seria uma civilização extraterrestre que um dia terá influenciado a nossa própria cultura.
Para além disso, reconhece-se à distância um trabalho de A.Carichas só de olhar para as personagens femininas em permanente pose erótica tudo mesos natural pois certamente o autor as copiava de Playboys ou revistas semelhantes da altura. Não interessa o que esteja a acontecer numa aventura desenhada por António Carichas; as mulheres estão sempre em pose sensual onde se evidenciam os icónicos seios volumosos que tanto devem ter inspirado o criador de todo este universo particularmente rico em atmosfera e imaginação.

De uma altura em que a banda desenhada ainda podia contar uma história em dez páginas enquanto que num comics americano seriam preciso cinco ou seis fasciculos por entre cenas estilosas de porrada musculada totalmente desnecessária para a história em questão e que felizmente ainda estavam ausentes da banda desenhada verdadeiramente dita pela europa fora nesta época.
Os anos onde reinavam Druillet, Mézieres, E.P.Jacobs e claro Moebius que também não escapou ao plágio de Carichas como podem constatar logo pela segunda vinheta abaixo, cópia exacta de um desenho icónico de Moebius naquela época e que Carichas não teve pejo também aqui de copiar para servir um propósito totalmente diferente na sua história; colocando pelo meio mais umas mamas como não podia deixar de ser.

 

Não só estas suas ideias tiveram um enorme impacto na minha imaginação quando a minha mãe me comprava a “Mundo de Aventuras” todos os verões a caminho da praia lá pelos meus 7-10 anos como o próprio preto-e-branco das vinhetas me inspirou para tentar fazer algo parecido em termos visuais e foi a partir destas tentativas que pintei os meus primeiros desenhos a caneta.

Nota-se ainda hoje que por detrás destas bandas desenhadas , Carichas era certamente um tipo que amava a 9ºa Arte e só terá recorrido a ir buscar emprestado aqui e ali umas coisinhas porque ele próprio tinha limitações técnicas que e tornavam particularmente evidentes no seu trabalho quando o autor tentava desenhar coisas ( particularmente em prespectiva ) por si próprio e que contrastavam por demais em resultado com aquelas outras imagens que ele copiava.
Mas hoje em dia ainda é esse óbvio contraste que lhe dá ainda imenso carisma pois acima de tudo o trabalho de António Carichas é bem o exemplo de que mesmo que se copie ingredientes de todo o lado estes podem funcionar no final aparecendo como um produto unico ! O que não deixa de ser estranho.
De tudo o que já tenho visto gamado ou plagiado por aí ao longo dos anos nada se compara à real qualidade do resultado que Carichas obteve; em particular com a série TONKARI de que infelizmente não possuo muito episódios.

Quando a banda desenhada deixou de ser vendida em Portugal para sempre e todo o mercado foi açabarcado pelos – Comics – americanos a jeito de fast-food mastigável e telenovelistica em perpétua continuação, Tonkari estava a entrar numa fase visual nova mas infelizmente esta coincidiu também com o encerramento da “Mundo de Aventuras”.
Tinham também chegado as leis de copyright ao que se publicava por cá e aposto que isso também foi determinante para que um autor apesar de tudo carregado de imaginação como António Carichas se tenha eclipsado de vez.
Actualmente já nem deve ser vivo.

mundo-de-aventuras-valerian_950x

Irei continuar aqui a divulgar o seu trabalho até esgotar o que tenho por cá pois acho que para lá de todas as suas falhas e fraquezas António Carichas merece um lugar de destaque não só na Banda Desenhada portuguesa como principalmente na boa ficção-científica que se fazia por cá há quase 40 anos.

————————————————————————————————————

Além disso, Carichas foi verdadeiramente o Tony Carreira da BD Portuguesa e com todo o mérito pois ao menos o que ele produzia apesar de conter elementos gamados de todo o lado era mesmo um produto original nunca antes visto; o mesmo não se poderá dizer das alegadas canções do Tony; está mais que visto que Carichas era mas era um tuga à frente do seu tempo ! 😉

————————————————————————————————————

Se gostaram desta BD vão gostar destes filmes:

  capinha_FH_CHILDRENDUNE.jpg capinha_BABYLON 5.jpg john_carter_28 humanities_end capinha_spacehunter capinha_starcrash capinha_Battle Beyond The Stars.jpg capinha_battlestar-galactica

——————————————————————————————————

Mais / BANDAs DESENHADAs VINTAGE Portuguesas de há 35 anos atrás

Missão nas Estrelas
A Porta do Espaço / O Império das Estrelas (A.C.)
Regresso ao Lar (A.C.)
Rumo ao Desconhecido – Tonkari 1 (A.C)

 

—————————————————————————————————