– 2001 : ODISSEIA NO ESPAÇO– 1968 – Banda Desenhada Vintage

E para hoje a adaptação em Bd de “2001 : ODISSEIA NO ESPAÇO” desenhada pelo clássico Jack Kirby que depois inclusivamente trabalhou “nas sequelas” que a Marvel foi inventando a seguir e que a determinado ponto transformou o filme cerebral de Kubrik numa sucessão de histórias de porrada com super-vilões e super-herois tendo sido a revista cancelada algum tempo depois.

BD VINTAGE - 2001

Esta adaptação no entanto ainda segue o argumento do filme original e é bem curiosa. O que veio a seguir é que refletiu aquilo que há de pior e mais braindead nos comics de super-herois até hoje pois a Marvel pegou numa história de ficção-científica e tentou transformá-la na mais estereotipada saga de superpoderes possível.

Vou tentar encontrar os fasciculos restantes -“com a continuação“- embora seja material bastante raro. No entanto o que a Marvel fez com “2001” a seguir a esta adaptação do filme inicial é de ver para não querer crer.

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Mais, BANDAs DESENHADAs VINTAGE ou simplesmente Esquecidas

Missão nas Estrelas
Mundos Gémeos -BD
Os Ladrões de Luas – BD
Sky Masters: Os Fantasmas do Éter – BD
Space Action – Prisioners of the incredible plants
A Porta do Espaço / O Império das Estrelas (A.C.)
Regresso ao Lar (A.C.)
Espaço 1999 – Revista TV Junior nº1
The Black Hole – O Abismo Negro
2010 : O Ano do Contacto – “Jornal da BD”
Rumo ao Desconhecido – Tonkari 1 (A.C)
The Face on Mars – Jack Kirby
Capitão Condor – O Demónio Chamejante
O Feiticeiro de OZ
Strange Planets 1 – Space Detective
Strange Planets 2 – Rocket to the Moon
Battlestar Galactica 1
Flash Gordon : The Movie
Os Atlantes – Tonkari 2 (A.C.)
Blade Runner : The Movie
Flash Gordon – Editora Abril

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“MOSKVA-KASSIOPEYA” / “OTROKI VO VSELENNOJ” ( “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE” ) Richard Viktorov (1974/75) RUSSIA

A coisa mais interessante que [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] começa logo por conter é o facto de em 1974 ter apresentado várias coisas que vimos depois em STAR TREK TNG só no final dos anos 80.

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HOLO-DECKS, BORGS E NÃO SÓ

[ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] não só apresenta o conceito do holo-deck que funciona precisamente da mesma forma que aquele que mais tarde vimos na Enterprise , como introduz os “Borg” quando os heróis desta saga espacial adolescente Russa se deparam com um planeta de robots que assimilaram toda a população numa única consciência cibernética e se preparam para fazer o mesmo aos protagonistas desta aventura para “os tornar felizes”.

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E há mais ! Lembram-se de “Q” em STAR TREK TNG ?… Também aqui está e curiosamente representado por um actor bastante parecido a John De Lancie que mais tarde encarnaria o mesmo tipo de entidade na série de tv Trek TNG.
Isto por entre mais um par de pormenores que deixo para descobrirem por vocês próprios pois dentro de um certo contexto percebe-se porque [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] é reconhecidamente um daqueles filmes de referência no cinema de ficção-científica Russo dos anos 70 actualmente depois de ter passado décadas na obscuridade; ( com direito a comics moderno e tudo ).

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Portanto para completar esta minha primeira breve ronda pelo cinema de ficção científica da Europa do Leste, hoje a proposta vai ser em jeito de 2 em 1 na verdade; isto porque vou falar de dois filmes ao mesmo tempo que bem vistas as coisas são apenas uma única história filmada ou lançada em dois anos diferentes.
O primeiro filme chama-se [“MOSCOW-CASSIOPEA”] e aborda não só a base da ideia para esta aventura como nos mostra como foi escolhida a tripulação de crianças que depois no segundo filme irá alcançar a constelação de Cassiopeia.

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O segundo filme [“TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] mostra essencialmente toda a aventura que ocorre quando as crianças alcançam o destino final, 27 anos após terem deixado o planeta Terra e se deparam com uma civilização cibernética totalmente desprovida de humanidade que procura assimilar ( ao melhor estilo “Borg” ) os poucos sobreviventes da civilização humana original que terá perdido o controlo da sua criação artificial séculos atrás.

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Curiosamente, apesar de ambos os filmes [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] terem sido pensados como cinema de aventuras juvenil à altura não deixa de ser surpreendente acabarem por ter tido no entanto o melhor argumento adulto dentro do cinema de ficção-científica Russo do início dos anos 70 se ignorarmos por momentos “SOLARIS” obviamente.
Pelo menos em termos de narrativa clássica [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] surpreende pela positiva, pela forma como através de uma história aparentemente muito simples e directa na verdade insere pelo meio um monte de tópicos e ideias mais complexas que normalmente nem teriam grande destaque se pensássemos neste tipo de cinema produzido aqui pelo ocidente.

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Apesar de ser claramente um filme juvenil ou até infantil tendo em conta o tom da segunda parte da aventura [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] abre no entanto com ideias bastante complexas o que mostra claramente que iremos ver cinema para crianças que não trata as crianças como burrinhas.
O segundo filme começa inclusivamente 27 anos depois das crianças terem partido numa nave espacial para Cassiopeia quando os seus familiares mais uma vez celebram um aniversário de um dos tripulantes sem a sua presença e onde se introduzem logo conceitos científicos que normalmente não vemos apresentados tão de imediato.

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“Q”

Eis que de repente uma entidade extraterrestre (?) aparece na celebração e ao melhor estilo “Q” de STAR TREK TNG, relembra a a todos os presentes que apesar de se terem já passado décadas na Terra, na verdade para os tripulantes da nave espacial que se desloca à velocidade da luz só terá passado apenas 1 ano desde que sairam do nosso planeta e como tal todas as celebrações anuais familiares estarão erradas pois deveriam estar a celebrar meses e não anos desde que as crianças deixaram o nosso mundo.
E isto é apenas um exemplo do tipo de conceitos que é permanentemente introduzido nesta aventura supostamente infantil; que , até mesmo nas partes mais ridículas esteticamente não deixa de apresentar tópicos adultos a todo o instante.

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[ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] começa o primeiro filme também tornando imediatamente claro que a história não é para brincadeiras no que toca a ficção-científica quando um dos putos génios protagonistas introduz a sua teoria que permitirá à humanidade alcançar as estrelas e nomeadamente ir em auxílio de um misterioso sinal, porventura um pedido de socorro que os Russos receberam a partir da constelação de Cassiopeia.

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A partir daí é decidido que a expedição humana às estrelas terá que ser constituída por adolescentes pois devido à viagem levar 27 anos para chegar ao destino é preciso que estes cheguem a Cassiopeia já adultos mas não envelhecidos.
Grande parte da primeira metade do primeiro filme é usada para nos apresentar o grupo de miúdos e acompanharmos todos os seus esforços para serem escolhidos para a missão, por entre paixonetas e primeiros amores que inclusivamente introduzem também um elemento de mistério que será depois usado como twist no fim da primeira parte e lhe dá até muita piada, pois mais uma vez faz notar ao espectador que apesar de [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] ser essencialmente cinema juvenil ou infantil, não é cinema para putos estúpidos com toda a certeza.
Por outro lado não se compreende o tom escolhido para a história quando os jovens astronautas alcançam o destino.

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TELETUBIES NO ESPAÇO

Subitamente apesar de tudo em termos de argumento continuar cada vez mais complexo de repente [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] entra por um inesperado tom absolutamente infantil que só podemos comparar hoje em dia a um episódio dos “Teletubies” pois é ainda mais infantil.
Por um lado [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] continua a introduzir temáticas cada vez mais adultas e científicas, por outro toda a execução dessas cenas em termos de cinema é simplesmente absurda e incompreensivelmente infantil a um nível que aposto muito espectador crescido não irá concseguir suportar a partir de determinada altura ao tentar acompanhar esta história.

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Quando os jovens astronautas encontram pela frente a civilização “BORG” parece que a faixa etária desta história passa de 15, 16, 18 anos para espectadores de 3 ou 4 anos !!
É simplesmente incrível o que acontece em termos de tom a [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] a partir do meio do segundo filme.
Assim que a expedição entra em contacto com “os Borg” e com o que resta da civilização humana que criou as inteligências artificiais a aventura entra por um estilo tão piroso, pindérico, foleiro e incrivelmente infantil que não nos surpreenderia ver por ali também um Pink Teletubie a fazer ruídos fofinhos e palhaçadas de bébé para a câmera (!!!)…
 Enquanto se discute a teoria da relatividade de Einstein…

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E se pensam que os “Borg” são maus, esperem só para ver como [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] caracteriza a civilização humana sobrevivente… É de jogar as mãos à cabeça de tão estúpidos que estes seres supostamente evoluídos aparentam ser logo desde o início.

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MORONS IN THE UNIVERSE

Mais uma vez não se entende de todo porque raio é que [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] depois de passar grande parte da sua história por entre filme e meio tentanto dar uma imagem juvenil mas séria dentro do próprio género da ficção-científica depois chega àquela que seria uma das melhores partes quando a expedição aterra no novo planeta e destrói por completo todo o tom da aventura quando caracteriza os “Borg” e os “Humanos” daquela maneira. Alienígenas são tão imbecis que não admira terem sido conquistados pelas máquinas que criaram. Nem em “IDIOCRACY” há personagens tão rídiculos quanto os que aparecem na forma como esta civilização extraterrestre de Cassiopeia é cacterizada.

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Imaginem o pior episódio possível que alguma vez tenham visto de um DR.WHO do início dos anos 70. Nada de rídiculo que alguma vez possam ter visto lá , os irá preparar para a forma como toda a civilização do planeta em Cassiopeia nos é apresentada no ecran. Vão-se preparando para o choque cultural…
O que é absolutamente incompreensível pois em termos de conceitos de ficção-científica sérios e bem colocados toda esta parte da aventura tinha tudo para resultar em pleno. Não fossem os “Borg” e os “Humanos” tão incompreensivelmente rídiculos e [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] teria sido sem sombra de dúvida uma das melhores produções de ficção-científica do início dos anos 70 vindas da Rússia.

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UNIVERSOS CRIATIVOS

Visualmente se não pensarmos nos robot-“Borg” e nos “Extraterrestres” de Cassiopeia, [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] é outro daqueles filmes Russos da época com um excelente design de produção. Não só o interior da nave espacial das crianças tem muita pinta e é bastante detalhado como depois até em termos de matte-paintings no próprio planeta alienígena estão com montes de atmosfera.
Além disso o aproveitamento das paisagens naturais está um espectáculo pois ficamos mesmo com a ideia que estamos a ver um mundo fora da Terra. Até os uniformes das crianças tem pinta e como tal quando pensamos depois nos Robots e em tudo o resto que é ao mesmo tempo tão incrivelmente rídiculo não se percebe de todo o que raio correu tão mal em certos aspectos quando tudo é tão bom em todos os restantes.

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A realização também é boa ao longo dos dois filmes, mantém um ritmo ligeiro, nunca se tenta armar em filme inteligente apesar da complexidade de todos os conceitos que temos na história e até mesmo as cenas claramente propagandísticas e patrióticas Comunistas dão ao filme um tom vintage fascinante.
Isto para lá da escolha de cor, do estilo Technicolor retro muito cativante e de tudo o resto que ocorre nestes dois filmes até a aventura chegar a Cassiopeia. A partir daí até por uma estética alucinogénea isto entra o que ainda serve para tornar mais ridículo um dos principais personagens alienígena, o careca filho do rebelde cientista que acompanha as crianças na missão final e que além de imbecil só pode estar pedrado.

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OS COGUMELOS DO UNIVERSO

É nestas alturas que [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] tem os seus piores momentos visuais e se torna por vezes quase insuportável de seguir. Toda aquela mistura entre estética LSD e aventura Teletubie para crianças de 4 anos que no entanto percebem perfeitamente todos os conceitos a propósito da dilatação do tempo no que toca a paradoxos provocados pela velocidade da luz, pode ser demais para os sentidos do espectador comum; até para aquele que como eu adora conhecer estes clássicos esquecidos da scifi.
Ah… e banda sonora … ehm… “electrónica” … my god… agh !

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Por tudo isto [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] é talvez um dos filmes para jovens mais estranhos que alguma vez poderão ver. Em termos de história é particularmente interessante por ser complexo. Aliás tomara “SIGNALE” ter um décimo das ideias e da história que estes dois filmes carregam. Por outro lado, aquele estilo “ZARDOZ” do final da segunda metade do segundo filme é simplesmente de vomitar em todos os sentidos e muito pouca gente irá conseguir aguentar ver um segundo mais desta aventura a partir do momento em que os primeiros “Borg” aparecem no ecran.

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CLASSIFICAÇÃO

Um dos filmes mais difíceis de classificar que alguma vez vi. Por um lado em termos de ficção científica e até como filmes juvenis no contexto da época em que foi feito [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] são realmente bons. Tanto o primeiro como o segundo filme.
Visualmente têm momentos excelentes, óptimo design e tudo o mais.

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Por outro lado… com uma história, personagens tão bons e um tom científico para todas as idades muito bem equilibrado o que raio é aquela parte final da aventura no planeta dos “Borg” ?!!! O que é aquilo ?!!

Três Planetas Saturno

Este é um daqueles que merecia uma classificação mais alta mas espalhou-se ao comprido com o segmento de aventura infantil final. Se conseguirmos olhar para isto, já sabendo o tom de filme que nos espera no culminar da aventura e conseguirmos aguentar sem partir o televisor aos bocados [ “MOSCOW-CASSIOPEA” / “TEENAGERS IN THE UNIVERSE”] é no entanto um produto fascinante.

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Tudo o que faz de bem faz muito bem, tudo o que faz de mal… é simplesmente incrivelmente mau !
Estão por vossa conta, mas vale a pena espreitarem até porque os filmes estão legendas em inglês no youtube à borla e por isso nem que seja como curiosidade merecem ser vistos por todos os fãs do género scifi e em particular quem curte descobrir estes títulos Russos obscuros.

A favor: a complexidade dos temas, os personagens, o design do interior da nave, a ideia do holo-deck, “Q”, até certa altura é cinema juvenil particularmente cativante.

Contra: os robots “Borg” são simplesmente de ver para não crer. Os alienígenas humanos idem pois são burros como o raio e tudo na segunda metade da aventura final parece um mau programa infantil para bebés de 4 anos que curtem tomar LSD.

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NOTAS ADICIONAIS

FILME 1 – MOSCOW-CASSIOPEA” – VERSÃO INTEGRAL NO YOUTUBE
(Legendado em Inglês)


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FILME 2 – TEENAGERS IN THE UNIVERSE – VERSÃO INTEGRAL NO YOUTUBE

(Legendado em Inglês)


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IMDb


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Moscow-Cassipea” :
http://www.imdb.com/title/tt0070413

“Teenagers in The Universe” :
http://www.imdb.com/title/tt00

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“SIGNALE – EIN WELTRAUMABENTEUER” ( “SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE” ) Gottfried Kolditz (1970) ALEMANHA DO LESTE / POLÓNIA

Há filmes que nem sequer têm história porque na sua maioria de tanto se armarem em inteligentes ou em obras pseudo-surrealistas acabam por abdicar de qualquer narrativa coerente como se isso os tornasse imediatamente em verdadeiras instalações artísticas cinematográficas dignas de se elevarem acima de tudo o resto. 
Há também aqueles como [“SIGNALE” / “SIGNALS : A SPACE ADVENTURE”] que não sendo nada disso, não têm no entanto qualquer história, vá-se lá saber porquê.

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Ou pelo menos não têm uma história que dramaticamente se possa considerar como tal, isto porque no caso de [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] passarmos hora e meia a acompanharmos as vidas totalmente desinteressantes de um grupo de astronautas enquanto andam de um lado para o outro em treinos ou têm discussões sobre objectivos de missões não será propriamente a coisa mais entusiasmante.
E o excessivo paleio “técnico/científico” ao pior estilo Trek : – “carrega aí no capacitador positrónico multi coiso“, também não ajuda.
O que ainda torna mais ridículo o sub-titulo em inglês para SINGNALE: “A space Adventure”, isto porque de aventura [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] não tem nada quando esperamos no mínimo um contexto dinâmico.

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SCIFI CLÁSSICA

No entanto este filme é absolutamente cativante num outro sentido.
Visualmente é fabuloso e um verdadeiro representante de uma estranha fase transitória no cinema da Europa do Leste daquela época dentro da ficção-científica pois [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] está claramente entre aquele tipo de sci-fi clássica intensamente romântica, idealista, aventureira e positiva que pudemos ver em filmes como “A DREAM COME TRUE”, “ROAD TO THE STARS”, “PLANETA BUR” ou “THE SILENT STAR” ( este último também da Alemanha do Leste ) e aquilo que depois veio a dominar o género nos anos 70 em termos de conteúdo essencialmente vazio ( e deprimente ) nas longas metragens daquela parte do mundo.

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[“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] termos visuais pertence ainda àquela altura em que tudo nos futuros cinematográficos imaginados pelos países comunistas era luminoso, épico e extraordináriamente positivo; não existindo ainda uma ponta de cinzento ou tom deprimente em lado nenhum.
Note-se também aqui a ideia de que no futuro todos os países, todas as raças e todas as cores trabalham juntas na exploração espacial e mais uma vez temos naves e bases tripuladas por actores de todas as raças e etnias como já tinha acontecido também anteriormente no futuro utópico apresentado em “THE SILENT STAR” do mesmo estúdio.

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2001 UMA ODISSEIA COMUNISTA

No que toca à história, [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] no entanto já é um vazio absoluto; rezam as crónicas que os produtores na Alemanha do Leste, à força de quererem “homenagear” o – “estilo vazio” – que apareceu em “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” acharam que a melhor forma de também criar um filme espacial inteligente seria fazê-lo com uma história essencialmente inexistente e vai daí…

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[“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] é ainda hoje conhecido como um dos clones gerados por “2001”; portanto se pensam que esta coisa de “homenagear” títulos importantes na FC só terá começado com as versões baratas Italianas de “STAR WARS” a partir de 1977, desenganem-se; [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] quer ser “2001” numa versão mais ligeira de Kubrik e isso é mais que evidente; não só na estética de muitos cenários “modernizados” no que toca a bases e interiores de naves espaciais, como acima de tudo nas inúmeras sequências espaciais que mostra.
Para o efeito ser completo , esqueceram-se apenas de adicionar uma banda sonora majestosa a condizer pois infelizmente a música aqui não será particularmente eficaz sendo até por vezes inexistente. Até quando uma sequência pedia algo a acompanhar o que vemos no ecran mas levamos com silêncio ou blips electrónicos apenas.

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TO (not) BOLDLY GO…

A “aventura” começa quando nos primeiros minutos acompanhamos uma nave de exploração que parece receber um misterioso sinal de origem extraterrestre; o que seria excelente para iniciar a história não fosse logo a seguir a expedição levar com uns asteróides em cima porque sim e naufragar em vários bocados perdendo contacto com a Terra.
E logo aqui começou o desperdício de cenários, pois a ponte de comando desta nave prometia muita imaginação pela sua estética quase moderna a fazer lembrar o que iriamos ver décadas depois até em STAR TREK TNG e no entanto apenas tem uns minutos de tempo de ecran antes de ser destruída em pedaços.

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A partir daqui [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] muda para a Terra e para estações espaciais na nossa órbita, não se passando mais nada quase até ao fim.
A história supostamente será sobre a decisão de se enviar ou não uma expedição de socorro para verificar o que aconteceu com a primeira missão e para isso passamos os próximos 80 minutos ou a assistir a diálogos sem qualquer interesse sobre esse mesmo assunto, a seguir o dia-a-dia ( por vezes muito groovy babe ) dos astronautas ou contemplando o treino de alguns deles que eventualmente poderão vir ou não a fazer parte da missão se esta for para frente.

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UMA QUESTÃO DE GRAVIDADE

Ao longo de toda a duração do filme no entanto podemos acompanhar imensas sequências que noutro contexto poderiam ter dado origem a um dos melhores scifi do início dos anos 70.
[“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] está carregado de cenas no espaço, miniaturas excelentes, muito detalhe por todo o lado e sequências em gravidade zero que nunca mais acabam.
O que me lembra… se vocês tiverem por aí um saco de vómito é melhor deixarem-no à mão pois [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] usa e abusa das câmeras rotativas, câmeras invertidas, sequências rodopiantes quanto baste e tudo o mais que possam imaginar para simular a ideia de ausência de gravidade.

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Inicialmente tem muita pinta e impressiona sim senhor, pois todos os efeitos especiais neste filme são verdadeiramente extraordinários para a época mas depois cedo notamos que temos o cérebro também a andar por demais à roda com tanta gente pendurada por fios “a flutuar” enquanto a câmera é constantemente rodada até mais não a todo o instante.
Parem o filme que eu quero descer !

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VINTAGE SCIFI

Por outro lado, [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] tem mesmo montes de ambiente. O design dos cenários é fantástico e a paleta de cores idem.
Um filme com tanta pinta visual pedia uma história pelo menos nos moldes mais clássicos, ou no mínimo algo que se parecesse com a tal “aventura” que supostamente é referida no título.
Isto porque não há um pingo de drama ou suspense nesta história, nem mesmo para o final quando a tripulação explora os destroços da nave originalmente destruída.
Toda a ideia à volta do suposto sinal de origem extraterrestre é também totalmente desperdiçada e sinceramente nem sei para que está neste argumento sequer.
[“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] deveria antes ter-se chamado “Starfleet Academy” ou algo assim pois não destoaria de um Star Trek particularmente interessante nesse aspecto.

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Por falar nisso, até em termos de cenários por vezes lembra a modernidade que depois iríamos encontrar no novo Set-design do próprio Star Trek a partir dos anos 80, pois muitos dos interiores das bases e naves vistos em [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] parecem extraordináriamente modernos mesmo até por padrões actuais dentro de um certo contexto.
Por exemplo [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] é mil vezes mais moderno do que “MOONZERO TWO” lançado apenas um par de meses antes em Inglaterra e que ainda se parece por demais com uma piroseira visual digna de um Austin Powers em total modo swinging-sixties pindéricos.
[“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] visualmente é uma verdadeira mistura entre o que se viu em “2001” de Kubrik, o que se iria ver em “ESPAÇO 1999”; em termos de hardware nos cockpits de naves espaciais por exemplo e a direcção estética que a partir do meio dos anos 80 começou a surgir em Star Trek tanto na tv como no cinema.

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É inclusivamente superior a “SILENT RUNNING” em termos técnicos que depois também marcou diferença no ocidente; embora o filme Alemão seja muito menos piroso até visualmente; isto porque todo o design envolvente da produção Alemã marca mesmo a diferença.
Por isso pode-se perfeitamente afirmar que visualmente [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] estava mesmo à frente do seu tempo e como tal é ainda um maior desperdício não terem utilizado em pleno tudo o que foi construído para este filme numa história digna desse nome que o tivesse tornado verdadeiramente inesquecível e incontornável.

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We are going on a…SUMMER HOLIDAY!

Em vez disso [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] perde tempo com personagens a mais que não têm nada para dizer nem qualquer papel relevante a representar na “história” e como se isso não bastasse ainda nos mostra mais sequências absolutamente inúteis na Terra também; nomeadamente nas cenas em que os astronautas estão de férias (?) e divertem-se todos juntos numa praia, em piqueniques na areia, a andarem a cavalo ou a confraternizarem nas toalhas em sequências que hoje são particularmente hilariantes pelo tom subjectivamente homo-erótico que carregam inadvertidamente (?).

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Tudo isto retratado com um ambiente luminoso fantástico, com uma fotografia Technicolor (?) a condizer digna de um verdadeiro cartão postal mas que para a suposta aventura no espaço referida no título do filme não contribui absolutamente nada e não se entende mesmo o que tudo aquilo tem a ver com o resto do filme.

ESPAÇO 1970

Portanto [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] merece ser visto sim senhor, se tiverem curiosidade sobre o que a ficção-científica até naquela época podia produzir já em termos visuais. Na verdade embora não se compare à mestria técnica que vemos em “2001” há que referir que [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] estava no entanto muito à frente de toda a gente em termos visuais na altura.
Sempre que nos lembramos que isto é um filme de 1970 (!!) quase que parece inacreditável ter uma atmosfera espacial tão “moderna”; tão boa em termos de maquetas, quanto aquilo que só voltamos a ver no sub-género -“astronáutico“- talvez em “BYE-BYE-JUPITER” saído do Japão e em “2010: O ANO DO CONTACTO” dos EUA por volta de 1984.

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Se procuram conhecer a história dos próprios efeitos especiais dentro da ficção-científica [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] é o título obrigatório a ser visto logo a seguir a “2001” de Kubrick sem sombra de dúvida; é quase o seu primo mais pobre em termos técnicos mas para um filme rodado em 1970 (!) num país Comunista e de meios totalmente independentes obteve um resultado visual extraordinário que nem Hollywood conseguiu igualar na primeira metade dos 70s até Star Wars e Alien terem sido produzidos.

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Não há em [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] aquela aura de cenários de shopping-center que dominou muita da scifi ocidental do inicio dos 70s por exemplo com coisas como “LOGAN´S RUN” que não só parecia filmado num centro comercial como foi mesmo filmado num centro comercial para fingir estar no futuro. Todo o design futurista de [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] tal como em “2001” é único, foi criado mesmo para o filme e resulta por completo dando ao espectador um mundo futurista particularmente cativante e luminoso que vale a pena conhecer, mesmo quando depois em história este filme fique muito aquém do esperado porque na verdade não tem história nenhuma.

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CLASSIFICAÇÃO

[“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] é um filme que não devem perder se forem realmente apreciadores do cinema de ficção-científica e nunca viram isto. Não é um filme intelectualoide e não é cinema chato porque se arma em intelectual. É chato a nível de história porque a que tem nem existe na verdade e o filme é um verdadeiro desperdício de meios técnicos por causa disso; mas nem mesmo assim deixa de ser um título fascinante que se recomenda vivamente e que deverá ser visto pelo menos uma vez, quanto mais não seja por quem viu “ESPAÇO 1999” em criança pois toda a sua atmosfera tem por ali uma aura de moonbase alpha em potencial que só lhe fica bem.

Três Planetas Saturno

É pena que não lhe possa dar mais pois visualmente merecia cinco, mas “aventura no espaço” é que [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] não é.
Se procurarem algo mais próximo de aventura no espaço verdadeiramente dita têm em alternativa o superior “THE SILENT STAR” também produzido na Alemanha do Leste pelo mesmo estúdio um par de anos antes e que apesar de ser bem mais retro em estilo é no entanto mais dinâmico e até enigmático quanto baste em termos de história; sendo essencialmente tudo o que [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] não conseguiu ser.

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De qualquer forma vale a pena espreitarem [“SIGNALE” / “SIGNAL : A SPACE ADVENTURE”] pelo menos uma vez, especialmente se o virem numa cópia decente pois visualmente o filme é mesmo surpreendente até mesmo por padrões modernos dentro de um contexto actual muito próprio.

A favor: todo o ambiente visual, as cores, os modelos, os efeitos, o Set-design, o guarda roupa, o tom positivo da “aventura”, não é pretensioso nem tenta ser cinema inteligente, mantêm ainda o espirito da sci-fi russa clássica e por isso visualmente é fascinante.

Contra: tudo o resto; não tem história absolutamente nenhuma do principio ao fim, as cenas de antigravidade podem deixar os espectadores totalmente tontos e de cabeça virada, aquelas cenas na praia…

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


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Podem ir buscá-lo AQUI:

POSTER2

http://www.myduckisdead.org/2015/10/signals-space-adventure-1970-gottfried.html#more

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Infelizmente ainda não existe uma boa edição em Bluray disto pois visualmente o filme já merecia uma. Há um par de anos a Alemanha lançou um monte de clássicos de ficção-científica da Europa do Leste restaurados em DVD numa colecção/box fantástica não fosse o facto de tudo estar apenas dobrado em Alemão, sem a pista de som original nem qualquer legenda em Inglês.
A edição DVD restaurada para SIGNALE é esta:

DVD

https://www.amazon.de/Signale-Ein-Weltraumabenteuer-Gojko-Mitic/dp/B00JOJGRKA/ref=sr_1_fkmr0_1?ie=UTF8&qid=1510673996&sr=8-1-fkmr0&keywords=SIGNALE+-+EIN+WELTRAUMABENTEUER

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Review interessante com uma opinião muito semelhante à minha até…
https://teleport-city.com/2014/04/04/signale-ein-weltraumabenteuer/

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0066379

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