“LOVE” (“LOVE : ANGELS & AIRWAVES) William Eubank (2011) EUA

O ano de 2017 não podia ter acabado melhor em termos de cinema independente de ficção-científica do que com [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] que me deixou completamente baralhado e impressionado ao mesmo tempo.
[“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] que também poderia ser conhecido na boa como [“WTF : THE MOVIE“].

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Um filme que tenho que admitir, comecei por detestar porque quando o tentei ver pela primeira vez há alguns anos nem consegui passar da primeira meia hora mas que tenho agora que admitir que foi realmente um daqueles filmes que me ficou na memória ao ponto de este Natal ter incluído o próprio Bluray disto na minha lista de compras pois queria dar-lhe uma segunda oportunidade para lá da cópia rasca em dvd-rip que eu tinha sacado há alguns anos.
E ainda bem que o fiz.

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LOVE

[“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] é um filme difícil. Na verdade nem sei bem se isto se poderá sequer considerar um filme mas mais uma verdadeira instalação artística video-musical que anda algures por entre uma obra-de-arte, um videoclip para uma banda alternativa (Angels & Airwaves) e uma história de ficção científica cosmológica e totalmente existencialista na linha de um 2001 Odisseia no Espaço.
[“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] consegue ser ao mesmo tempo incrivelmente pretencioso, absolutamente irritante, extremamente secante e vazio, incrivelmente intrigante, extraordinariamente hipnótico, visualmente fascinante e filosoficamente tocante até.

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Imaginem a cena final de “INTERSTELLAR” em que o heroi está preso entre dimensões. Agora estendam essa sequência enigmática por 90 minutos, coloquem-na ao som de uma banda rock alternativa num (bom) score que alterna algures entre o semi-grunge e a música new-age mais arsty e terão [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“].
Tudo isto integrando pelo meio um monte de clips que à partida parecem não ter absolutamente nada a ver com o filme e que se intrometem pelo meio da narrativa (?) a todo o instante deixando-nos ainda mais baralhados.

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[“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] é um daqueles tipos de filme que raramente me aparecem pela frente no sentido em que isto acabou e eu só me perguntei o que raio foi que eu tinha acabado de ver… (?!?!)… … … (?!?) … … … !!
Como não percebi a ponta de um corno do que tinha visto nos últimos minutos… Ou percebi… mas não tinha bem a certeza… Ou tinha a certeza ( até porque adivinhei logo “o mistério” da história desde o início ) mas precisava de perceber se eu tinha percebido… eis que me atirei para o IMDb, esperando encontrar [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] no máximo com uma classificação de 1 ou 2 valores. Para minha grande surpresa até nem está mal com uns confortáveis quase 6 valores actualmente o que não deixa de ser extraordinário, tendo em conta que afinal estamos a falar do IMDb…

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HATE

No entanto alguma vez tinha que acontecer e desta vez tenho que recomendar vivamente que espreitem a discussão que existe no IMDb ao redor deste filme na secção de reviews dos utilizadores ; ( mas esqueçam os imbecis “científicos” do costume que odeiam o filme só porque este “falha” num monte de coisas “científicas” ).
Pode parecer contraditório mas desta vez ( no resto ) tanto quem adorou o filme como quem o detestou em absoluto está carregado de razão o que por si só é logo motivo para que [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] seja uma experiência visual totalmente recomendável dentro do cinema de ficção científica pois este é mesmo um daqueles que irá dizer coisas totalmente diferentes a cada tipo de espectador.
Ou como referem muitas reviews que lhe atribuem 1 valor no IMDb , também poderá não dizer nada a ninguém pois [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] é realmente tão vazio como o acusam de ser.
Ou pode ser.
Ou se calhar não é…

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Quem odeia este filme ( de um ponto de vista cinéfilo ) tem toda a razão nos seus argumentos. Quem adora este filme tem toda a razão nos seus argumentos. Quem ficou a meio termo tem toda a razão nos seus argumentos, ( os “cinéfilos científicos” deviam era estar calados ).
Eu odiei e adorei; o que quer dizer que na verdade nem sei bem quais serão os meus argumentos para poder classificar isto. No momento em que escrevo estas linhas não faço ainda a mínima ideia de que classificação irei atribuir ao filme.
Só sei que já não lhe irei atribuir apenas os “dois planetas saturno (talvez mesmo um)” que tinha pensado inicialmente fazê-lo pois o facto de ter conseguido rever este título com a qualidade Bluray, mais uma vez tal como já tinha acontecido com outro filme aparentemente “artsty”EDEN LOG“, fez a diferença.
Além disso agora que também conheci o historial desta produção essencialmente caseira, para lá de tudo o que eu possa ter achado do resultado final uma coisa é certa, [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] conseguiu um feito notável no que toca a produzir os resultados visuais extraordinários que coloca no ecran essencialmente sem dinheiro nenhum.

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UMA ESTAÇÃO ESPACIAL NO QUINTAL DOS PAIS

Agora que revi o filme, agora que já percebi que a minha percepção sobre ele até nem estava particularmente errada, há uma coisa que eu tenho que referir sobre [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“].
Não o vejam sem verem primeiro este pequeno documentário de making-of.
Se eu já estava a começar a olhar para este título de ficção-científica com outros olhos após ter visto o que vocês poderão encontrar abaixo [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] ganhou definitivamente um contexto novo e que todos vocês deverão começar por perceber antes de tentarem ver o filme.
Além disso um jovem realizador estreante que consegue construir no quintal dos pais possivelmente um dos melhores ( e mais realisticos (?) ) cenários de todos os tempos representando a Estação Espacial Internacional usando essencialmente rampas de parques de skate para mim é um génio criativo e vocês têm mesmo que ver isto antes de se arriscarem a tentar ver o filme.

Making A Low Budget Space Oddity from Angels And Airwaves on Vimeo.

Já o fizeram ?
Óptimo.
Agora se calhar já conseguirão entrar em [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] com a preparação psicológica necessária para aguentar toda a sua imagética surrealista (?), estilo art-house-pretencioso(?), história (?) secante (?) e atmosfera genuínamente scifi quanto baste apesar de ir beber a tudo o que foram “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO“, “SOLARIS“, “2010“, “INTERSTELLAR“, “MOON” de forma claramente evidente como muitos utilizadores que odiaram este título acusam o filme de ser.

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Agora percebo melhor a ausência de estrutura (?) neste filme… Como é referido no documentário acima as sequências de videoclips externos que inicialmente nem tinham sido filmados para isto realmente parecem ao mesmo tempo encaixar e não encaixar no que [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] tem para contar em termos de narrativa principal.
Talvez o único grande problema do filme nem seja mesmo o seu estilo art-house ao pior nível do cinema de autor pretencioso. Isto mais parece ter sido o resultado inevitável de um tipo de filme que não poderia ter saído diferente do que ter sido uma intenção inicial do realizador em armar-se em artista e portanto pela minha parte está desculpado.

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ISS CASTAWAY

Por outro lado, [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] tem duração excessiva. Esta história não tem argumento para mais de 20 minutos e é o facto de haver uma necessidade de a esticarem para um filme de 90 minutos que acabou por fazer com que o filme acabasse por ser arrastado para o limbo do pior cinema de autor armado em inteligente como acusam muitos utilizadores no IMDb com toda a razão a um primeiro ou único olhar.
Não havendo nada para filmar, não havendo nada para fazer acontecer na história a única solução foi mesmo a de atirar com toda a imagética possível à cara do espectador na esperança de que ninguém notasse que não há mesmo nada a acontecer nesta aventura para lá da premisa inicial e da revelação final nos últimos 20 minutos.

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Todo o meio do filme durante mais de 1 hora joga essencialmente com a ideia do protagonista estar a enlouquecer lentamente até porque novamente estamos em território “NÁUFRAGO ( CASTAWAY )”; apenas em vez disto se passar numa ilha deserta tem lugar na ISS em órbita quando um astronauta perde totalmente o contacto com a Terra e vê-se obrigado a viver sózinho a bordo durante seis anos, ( e sem Wilson nem nada ).
Temática esta que veio mesmo a calhar para encher o filme de sequências alucinatórias, pensamentos filosóficos visualmente traduzidos em imagens maradas, música new age em modo misterioso e tudo o mais que vocês certamente imaginam que irá aparecer neste título. Isto enquanto o filme se arrasta como uma tartaruga ( muito bela mas nem por isso deixa de ser uma tartaruga ) até ao segmento final.

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Segmento final que embora revelador, não deixa de continuar em registo permanente em total modo WTF mesmo até quando o filme simplesmente acaba e nos deixa na merda com cérebro totalmente queimado tentando juntar as peças do puzzle enquanto os créditos rolam.
Depois do choque passar e quando pensamos mais claramente sobre o que acabamos de ver realmente tudo se torna tão óbvio que é quase estúpido não termos absorvido logo todos os acontecimentos quando estavamos a ver o filme. Mas a culpa também é de [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] quando o seu final cosmológico alterna entre o belo, o profundo, o filosófico e uma estética abstracta e metafórica sacada a “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” se este tivesse sido filmado por Steven Soderbergh e não por Stanley Kubrik.
WFT é algo que o incauto espectador que se depara com este filme sem qualquer preparação irá gritar muitas vezes. Se estiver acordado passados 30 minutos depois do filme começar.

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OBRA PRIMA VISUAL

[“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] curiosamente tem sido um daqueles filmes que a crítica iluminada óbviamente adora. Mas não só. Por acaso o que me convenceu mesmo agora a comprar o Bluray foram um par de críticas normais que referiam como este título visualmente independentemente de tudo o resto era realmente extraordinário. E têm razão.
A haver um motivo para qualquer fã de ficção-científica adulta não deixar de ver este filme está realmente no que este realizador conseguiu colocar no ecran pois [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] tem momentos visuais absolutamente incríveis ao longo de toda a sua duração.

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As cenas na Guerra Cívil Americana são verdadeiros quadros e pinturas clássicas em movimento e com uma cinematografia de cortar a respiração, as sequências a bordo da ISS são do mais convincente que já vi; ( apesar da tal óbvia “falha” que toda os nerds no IMDb referem quando dizem que deveria haver falta de gravidade na estação ) e o final cosmológico da história também não fica atrás. Mais do que “COSMOS” de Carl Sagan no qual parece ter sido inspirado, o final também faz lembrar o melhor da mini-série “CHILDHOODS END” baseada no romance de A.C.Clarke.
[“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] está tão bem filmado que até as sequências de entrevistas a meio do filme são visualmente muito fortes.

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Para um primeiro filme de um jovem realizador não está nada mal. Muito menos para alguém que consegue construir uma estação espacial por 30.000 dólares no quintal dos pais e constroi um filme com um visual destes por pouco mais, financiado por uma banda rock totalmente independente do circuito mafioso e plástico de Hollywood.
Precisamos é de mais cinema original assim dentro da ficção-científica a ver se trazemos o género de volta para o público adulto. Mesmo que não seja para todos.

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CLASSIFICAÇÃO

E agora ?…
Estão por vossa conta.
Espreitem as opiniões no IMDb pois (quase) todas estão carregadas de razão e façam a vossa escolha. Se nunca ouviram falar de [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] eu não o veria antes de verem o documentário de making of.
Acho no entanto que este é o tipo de cinema scifi independente que todos os apreciadores de ficção-cientifica não deverão de deixar ver pelo menos uma vez; especialmente se gostarem de “2001” ou de “SOLARIS” ( original ) / “SOLARIS” (moderno)” embora inevitávelmente agora [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] possa parecer imediatamente um título muito mais pretencioso a um primeiro olhar; por outro lado tem qualquer coisa também de “THE WHISPERING STAR“… o que pode ser bom ou mau dependendo da vossa opinião sobre esse filme também…
Na forma como aborda o isolamento e a solidão no espaço também é semelhante a “ASTRONAUT – THE LAST PUSH” outro scifi totalmente independente e de muito baixo orçamento.
Visualmente não há dúvida que contém momentos extraordinários e o toque final em modo “INTERSTELLAR” também lhe fica muito bem.

Quatro Planetas Saturno

  

Apesar de ter sido um título pelo qual tive que literalmente me arrastar e conter-me por mais do que uma vez para não clicar em fast-forward a verdade é que depois do filme acabar não me saiu mais da cabeça. E agora depois de conhecer tudo o que está nos bastidores desta incrivelmente pequena produção, comparar o que foi gasto neste filme , a maneira como foi filmado com o resultado visual que aparece no ecran não à dúvida que temos que apreciar [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] pelo que é.

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A favor: visualmente é fabuloso, cosmologicamente há por aqui uma mensagem realmente potente e significativa, os 20 minutos finais têm o seu quê de mistério e maravilhoso resultando bastante bem, o protagonista é excelente, a ideia da história.

Contra: não tem material para um filme de 90 minutos e nota-se porque por causa disso o filme de repente é obrigado a entrar por um estilo – artsy – de que não teria tido necessidade de enveredar se houvesse algo mais para acontecer na história do que o inicio e o final, muita gente não irá aguentar mais de 30 minutos a ver isto, quem fizer fast-forward perde por completo tudo o que o filme tem de bom para mostrar visualmente.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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COMPRAR O BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO UK
Sem legendas.

bluray

https://www.amazon.co.uk/Love-Blu-ray-Gunner-Wright/dp/B009R29L66/ref=pd_rhf_pe_p_img_2?_encoding=UTF8&psc=1&refRID=PG3PA4RG18P0VQYTVTBA

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IMDb

LOVE-theatrical-poster1

http://www.imdb.com/title/tt1541874

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MAKING OF

https://vimeo.com/87905891

http://www.carstenburmeister.com/making-of-love.aspx

 

 

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capinha_whispering star.jpg capinha_solaris capinha_SOLARIS-1972.jpg capinha_2010.jpg capinha_SOMNUS.jpg capinha_CHILDHOODS-END.jpg capinha_Astronaut_The_Last_Push

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“BATTLE PLANET” (“BATTLE PLANET”) Greg Aronowitz (2008) EUA

Se alguma vez imaginaram como seria um filme de ficção-científica em que todo o ambiente high-tech se parecesse com um monte de brinquedos coloridos, então [“BATTLE PLANET”] responde a essa questão existencial e por isso começa de forma tão divertida.

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Há qualquer coisa de mágico no estilo visual deste filme logo desde o início. Nota-se que houve por aqui uma grande tentativa de dar ao espectador a maior quantidade de ambientes e cenários possíveis dispondo de muito pouco dinheiro para diversificar o que quer que fosse e dentro de um certo contexto a coisa até resultou muito bem.
[“BATTLE PLANET”] tem visualmente imensa piada mal começa pois graficamente é muito diferente do que costumamos ver até em títulos baratos.

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TOY STORY

Mas é muito estranho sentirmos desde logo que tudo neste universo foi criado a partir de brinquedos. Pode não ter sido essa a intenção mas é o que parece.
Até o próprio CGI muito pobrezinho mas cheio de identidade reflete essa estética e as próprias naves digitais parecem ter sido modeladas para dar aquela sensação de maqueta criada com Lego, ou montada em cartolina pintada.
As armas coloridas parecem notoriamente feitas de plástico, os distintivos dos militares são ridiculamente enormes parecendo brindes ganhos numa qualquer caixa de corn-flakes e até os matte-paintings que estendem os cenários parecem querer dar a impressão de que toda a aventura decorre algures pelo meio de uma miniatura onde alguém jogou uns actores e colocou por lá uma micro-câmera.

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O guarda roupa já está mais contido e o design de todo o visual da heroína alienígena é mesmo muito bom, mas nem o próprio fato espacial (armadura de combate) inteligente se livra de parecer ter sido construído com rolos de plástico e cartão ligados por papel e celofane ou algo assim, ( embora tenha resultado muito bem mesmo ).
As máscaras alienígenas embora incrivelmente limitadas em expressividade estão muito bem pensadas e mais uma vez também aqui brilha o design da heroína. Não só tem um visual simples mas com muita pinta como a própria actriz por detrás da máscara faz um verdadeiro milagre em dotar de vida aquele rosto feito de borracha que por vezes parece ser mesmo muito complicado de movimentar.

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BREAKING GOOD

Zack Ward, o actor que interpreta o protagonista desta pequena aventura espacial também está excelente. Pelo menos ficamos com a ideia de que se divertiu bastante a fazer isto; ( por vezes faz lembrar imenso o Conan O´Brien ) e a sua interpretação é um dos pontos altos desta produção.
Especialmente quando as suas cenas são ou com a co-protagonista alienígena ou então com o seu fato inteligente de personalidade feminina quando este insiste em controlar todos os movimentos que o coitado tem que dar quando se despenha no planeta durante uma missão.
Se vocês reconhecerem a cara do heroi é porque já o viram em dezenas de séries e titulos ao longo dos anos onde geralmente fazia de puto universitário estúpido, menino beto do papá, agressor em cenas de violência doméstica, passador de droga chique, bófia corrupto e em tudo o que foram papeis de pilantra sem escrúpulos ao longo da sua carreira. Foi por isso muito bom e bem surpreendente tê-lo visto agora num papel tão divertido, simpático e carismático quanto este.

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WHAT BATTLE ?

Se [“BATTLE PLANET”] ao inicio parece um título tão divertido e com imensa atmosfera série-B no melhor dos sentido muito deve ao trio de protagonistas e aos três actores que fazem um excelente trabalho a convencer-nos que por detrás de toda aquela tecnologia de brinquedo está mesmo algo de importante a acontecer na aventura.
A propósito… [“BATTLE PLANET”] deve ser o título mais estúpido e enganador de todos os tempos e só por causa disso muita gente ficou particularmente irritada pois na verdade promete um filme de acção que nunca ocorre.
Melhor título para isto teria sido “BATTLESUIT”.
Não há uma única coisa que se possa designar por batalha no planeta deste filme.
E ainda bem.

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Ainda bem, porque para haver uma batalha seriam precisos montes de personagens, para haver personagens com alguma identidade seriam precisos actores e se há uma coisa que [“BATTLE PLANET”] não tem são actores nos papeis secundários.
É absolutamente incrível mas para lá do trio protagonista ( e do contrabandista anão ) que se nota são verdadeiros actores profissionais, tudo o resto é simplesmente mau.
Mas mau demais para ser real.
[“BATTLE PLANET”] tem imensos personagens, criaturas, soldados, generais, etc, mas de cada vez que alguém abre a boca neste filme lá se vai toda a excelente atmosfera que [“BATTLE PLANET”] consegue quando apenas se foca no trio de protagonistas.

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DESCALABRO PLANETÁRIO

Os actores secundários neste pequeno série-B são realmente atrozes e nem parecem actores profissionais de todo.
Parece mais que estamos a ver um grupo de pessoas que resolveu fazer um filme num fim de semana qualquer com os amigos, colocou-se em frente à câmera e leu umas linhas num teleponto.
O nível de representação neste filme roça o mais clássico de Ed Wood num Plan 9 From Outer Space com a diferença que nos filmes de Ed Wood a representação era melhor.

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E pior ainda… para um filme que supostamente se chama [“BATTLE PLANET”] , as poucas cenas de acção…se é que se podem chamar assim parecem ter sido inventadas na hora minutos antes de as filmarem.
Não só os figurantes são ainda piores do que os “actores” de background que tiverem coisas para dizer, como todas as coreografias de luta e sequências de combate se é que se podem classificar assim são inacreditavelmente ingénuas a um nível amador que é de ver para crer.
Se alguém se queixa das limitações das cenas de acção em produções “amadoras” como “MYTHICA” ou “RISE OF THE SHADOW WARRIOR” então é porque ainda não teve oportunidade de ver [“BATTLE PLANET”] e comparar.

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MENAGE À TROIS

Mais uma vez quem salva o filme são os protagonistas. Não bastava já levarem os seus papeis a sério com um resultado digno e bastante bom como também quando a coisa precisa de envolver algumas sequências “de acção” são estes que parecem estar mesmo bem ensaiados. Em particular a heroína alienígena que no pouco que tem para fazer em termos de luta consegue convencer.
Portanto há por aqui um enorme problema com [“BATTLE PLANET”].
O ambiente sci-fi de brinquedo nem sequer é um problema pois se nos deixarmos levar por isso o filme acaba por ter imenso charme pela inventividade visual que contém.
O problema de [“BATTLE PLANET”] são na verdade dois.
Ou três…


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É que já não bastava os actores de fim-de-semana que quase estragam o excelente trabalho dos protagonistas como ainda por cima quem criou [“BATTLE PLANET”] parece não ter sabido muito bem o que estava a fazer quanto à escolha do tom do filme no que toca ao seu desenvolvimento dramático.
[“BATTLE PLANET”] são na verdade dois tipos de filme. 
Na primeira metade temos algo que se parece com uma divertida e assumida aventura scifi de série-B que nem se leva muito a sério e por vezes quase entra por um registo de comédia espacial assumida. O que só lhe fica bem.

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No entanto na segunda metade da história não percebo o que raio se passou com esta aventura que estava a correr tão bem quando tinha aquele tom ligeiro.
Parece que de repente alguém ordenou que se mudasse de registo e subitamente o filme passa de ser uma aventura ligeira com protagonistas divertidos de que estamos mesmo a gostar, para algo que parece querer ser intensamente dramático e muito, muito sério em termos de temática anti-guerra; isto em registo nada subtil, totalmente in your face.
Até os personagens mudam de personalidade e de brincalhões passam a criaturas intensamente trágicas dramáticas só porque a história assim o pedia quando chega ao acto final. Um final ilógico sem qualquer preparção ou contexto e que de certa forma aparece do nada não fazendo qualquer sentido neste argumento.

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WHAT ?!

Aliás se há algo que estraga por completo [“BATTLE PLANET”] é precisamente o seu final. Não pela escolha sobre o que acontece na história, mas porque tudo acontece sem qualquer contexto.
Parece que a determinado momento a história tinha que terminar “com um twist” e como tal vai daí ignora-se tudo o que ficou para trás.
A sensação com que o espectador fica ao ver que de repente o filme vai acabar daquela maneira é uma total sensação de inutilidade; tempo perdido.
Não apenas por termos perdido tempo a acompanhar a aventura mas tempo perdido dentro da própria lógica narrativa deste argumento como se a estrutura da história não importasse para nada e depois de [“BATTLE PLANET”] nos dar um trio de protagonistas com um determinado tipo de personalidade subitamente descarta todo o universo e as próprias regras que construiu apenas porque o filme tinha que se tornar dramático e passar “a mensagem”…


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Neste aspecto, [“BATTLE PLANET”] consegue ser ainda pior do que o excelente “GARM WARS : THE LAST DRUID” que também faz tudo bem durante o filme todo mas depois só para ter “uma surpresa” no final deita fora por completo todas as regras que construiu durante a história. Não se importando que tenha sido aquele universo em particular e não outro com as suas regras próprias definidas que o espectador tinha estado a acompanhar até então.
[“BATTLE PLANET”] faz o mesmo e consegue ser ainda pior com o final mais inútil e descartável que me lembro de ter visto numa aventura espacial deste género.
E aqui não é um problema de baixo orçamento mas sim conceptual a nível de escrita.

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O trio de personagens principais ( juntamente com o contrabandista anão ) poderia ser dado origem a uma franchising de série-B tão divertida quanto o que aconteceu com a fabulosa série de filmes “MYTHICA” , algo talvez no tom de “STAR RAIDERS” por exemplo; mas parece que quem criou [“BATTLE PLANET”] nem se apercebeu do potencial dos personagens e do excelente trabalho que os próprios actores principais fizeram durante este filme.
De outra forma como explicar a opção de terminar a história como esta termina ?!
De repente o espectador dá por ele e está a olhar para os créditos finais ( num estilo gráfico tão piroso que ainda nos irrita mais ).
 Tipo, what ?! Quê ?! Uhm ?!!

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CLASSIFICAÇÃO

Há por aqui uma oportunidade muito desperdiçada e é pena. Tal como alguém comenta curiosamente no IMDb, havia em [“BATTLE PLANET”] realmente um bom conceito scifi que embora não sendo inovador poderia ter sido muito bem explorado em títulos futuros até,  pois o próprio argumento ainda consegue colocar uma boa questão ou duas sobre algumas temáticas.
Não precisava de ter sido subitamente transformado num drama espacial forçado pois até então tinha passado muito bem a “sua” mensagem quando o filme seguia num tom humorístico muito divertido e cativante.
Com muita pena minha não posso dizer que este filme é um espectáculo. Como está, é apenas bom e isso graças ao trabalho dos protagonistas, com destaque para um excelente Zack Ward.
De forma geral o filme é muito interessante e vale a pena ser visto pelo menos uma vez por toda a gente que gosta de ficção-científica de baixo orçamento. E o seu visual estilo brinquedo é muito cativante.

Três Planetas Saturno

 

Inicialmente eu pensava que este seria mais um daqueles séries-B divertidos a ganhar cinco planetas saturno por aqui, mas à medida que me apercebi que o filme ia mudando desnecessariamente de tom a coisa deixou de ter a magia que tinha tido até ao meio. Como tal, tanto pelos actores atrozes que distraem, como pelas cenas de acção com figurantes que não sabem bem o que estão a fazer, como pela indesculpável mudança de registo a meio da aventura e principalmente pelo final que torna tudo o que ficou para trás absolutamente redundante e inútil no contexto do próprio universo do filme a minha classificação tem que ficar pelos Três Planetas Saturno mesmo.

INTRO

A favor: o design futurista de todo o hardware que se parece com brinquedos de plástico a todo o instante, ( até o CGI parece reproduzir brinquedos no que toca às naves espaciais ), até os cenários parecem ser de brinquedo, o trio de protagonistas (astronauta/fato inteligente/alienígena), um excelente Zack Ward como protagonista, o divertido e ligeiro sentido de humor que percorre muito da primeira parte da aventura, a utilização dos cenários naturais, a máscara da protagonista embora simples e limitada é muito boa e a actriz dá imensa personalidade ao personagem, a forma como o realizador contorna muitas das evidentes limitações de orçamento, a ideia para a base da história nem está nada mal não senhor…

Contra: tirando os protagonistas ( e o anão contrabandista ) os restantes actores vão do incrivelmente amador no pior dos sentidos até ao incrivelmente mau no mais profissional dos sentidos pois este filme é um verdadeiro desfilar de más interpretações, as lutas e cenas de acção são amadoramente más de mais para podermos crer que isto até é uma produção profissional, o titulo “Battle Planet” não tem qualquer lógica pois não tem nada a ver com o que se passa no filme, a história muda de tom a meio e passa de ser uma aventura scifi divertida para algo que simplesmente não resulta enquanto história intensamente dramática, a morte dos protagonistas no fim não tem qualquer sentido nem serve absolutamente nada para a história tornando inclusivamente tudo o que se passou atrás totalmente redundante.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


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COMPRAR BLURAY
Edição Alemã sem legendas.

bluray

https://www.amazon.de/Battle-Planet-Blu-ray-Jason-Miller/dp/B003YHRWW0/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1514642605&sr=8-1&keywords=battle+planet+bluray

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LAUREL CANYON STAGES


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[“BATTLE PLANET”] tem uma coisa que eu adorei. É mais um série-B filmado nos estúdios privados de aluguer Laurel Canyon Stages. 

Aquele corredor, reconhece-se logo à distância por muito que tentem disfarçar.

http://www.lcstages.com/spaceship.html

https://www.facebook.com/lcstages/

Se vocês encontrarem por esta aventura espacial uns cenários algo familiares é tiverem por hábito curtir cinema independente série-B, então dependendo do número de sci-fi’s de baixo orçamente que já tiverem visto nos últimos dez anos certamente que já terão visto algo entre 10 a mais de 30 filmes rodados neste mesmo cenário que já foi modificado ligeiramente dezenas de vezes; até “Samurai Cop II” teve cenas filmadas aqui. 
Este cenário permanente é mais conhecido por ter sido o interior da nave do herói em “HUMANITY´S END” por exemplo embora tenha servido de cenário a tanta coisa que já me passou pela frente que eu perdi a conta. Até por um submarino o corredor principal deste Set de nave espacial já passou.
 Recentemente também o vimos em “ROGUE WARRIOR : ROBOT FIGHTER” já melhor disfarçado.
Sempre que vejo mais um filme rodado aqui fico contente pois ando a tentar riscar titulos-lixo da minha lista e interessam-me muito em particular todos os que foram rodados neste mesmo local que qualquer um de nós pode alugar para fazer um filme se tiver dez mil dólares por dia. Equipamento e green screen incluído.

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt1016024

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humanities_end capinha_spacehunter capinha_ROGUE_WARRIOR.jpg capinha_STAR RAIDERS capinha_EXPLORER.jpg capinha_garm-wars

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“EDEN LOG” (“EDEN LOG : ESCAPE FROM DARKNESS”) Franck Vestiel (2007) FRANÇA

Olha que surpresa [“EDEN LOG”] é mais um excelente título de ficção científica com uma classificação de merda no IMDb atribuída claro, pelos “utilizadores”. O que só demonstra que quem gosta de ficção científica nem se dará ao trabalho de comentar por lá e tentar elevar a reputação de um scifi tão bom quanto este tirando-o da obscuridade. Essencialmente no que toca à apreciação de bom cinema lá pelo IMDb está mais que visto que quem gosta mesmo de Cinema está em menor numero e não há volta a dar.

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Embora no caso de [“EDEN LOG”] há que admitir que ainda houve no IMDb algumas pessoas que postaram excelentes reviews sobre o filme; o que quer dizer que felizmente ainda há por aí quem compreenda realmente o género.
No entanto não há mesmo volta a dar quando se trata de discutir sobre ficção-científica com as audiências pipoca. Especialmente as que nasceram quando o cinema já estava completamente formatado para não passar de um enorme comics-gringo-cinematográfico sem originalidade e onde o fanatismo “fan-boy” inventado pelos departamentos de marketing de Hollywood e “Comicons” têm mais poder do que aquilo que antigamente seria o verdadeiro gosto individual de cada espectador.

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[“EDEN LOG”] pela sua ousadia gráfica é também um título condenado logo à partida. Mesmo tendo uma história que não destoaria do pior lixo com super-herois da DC o facto de não se parecer com o que é comercial impede que seja reconhecido pelas suas qualidades. Está tudo na forma como um título é filmado e [“EDEN LOG”] é realmente muito bom mesmo.
No entanto não podia estar mais longe do estereotipo que o comum dos modernos auto-proclamados “fans de ficção cientifica” que infestam os fóruns net fora consideram como cinema; isto porque não se enquadra de todo no estilo visual do hype do momento. Ainda por cima o filme “é em estrangeiro”; é Francês e não é em gringo. Há filmes em França ?!!

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DRUNNA SEM SEXO

[“EDEN LOG”] tem um visual fantástico mas parece tão estranho e é tão único que a nossa primeira reacção é considerar isto como “um filme artístico” e atirá-lo imediatamente para o saco do cinema-de-autor mais artsy e elitista. O que é injusto.
O facto de também em muitos momentos se parecer com o cinema inicial de Darren Aranowsky também não ajuda a que [“EDEN LOG”] brilhe aos olhos do comum dos espectadores.
Talvez por ser cinema francês, mas a verdade é que [“EDEN LOG”] para além de não pertencer aquele tipo de cinema intelectualoide pretencioso do qual nem Aranowsky se escapa com os seus tiques “de artista“, é também um verdadeiro tributo visual ao melhor do que se fazia na Banda Desenhada Franco Belga no final dos anos 70, embora com uma estética modernizada claro está.

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[“EDEN LOG”] parece-se incrivelmente com o melhor de uma história desenhada por Druillet, por Bilal e principalmente com o trabalho de Serpiere. Isto porque [“EDEN LOG”] é quase uma história passada no universo de Druuna mas sem a vertente sexual; sendo ainda muito , muito mais dark e carregada de mistério embora temáticamente se toquem em muitos momentos. Metia-se por aqui pornografia pelo meio e teriamos tido uma versão bootleg do Druuna embora menos colorida como podem ver pelas imagens.

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BD FRANCO BELGA

[“EDEN LOG”] é um bocado prisioneiro do seu estilo visual. Todo este universo é graficamente tão forte que por ser tão único e tão intenso acaba por remeter o filme quase automaticamente para uma categoria de cinema-de-autor num sentido negativo que não merece, atirando o filme para aquele limbo cinematográfico onde muito pouca gente, que até gosta mesmo de scifi poderá inclusivamente ter vontade de o ir buscar.
É pena.

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[“EDEN LOG”] à primeira vista parece mesmo um filme –  “daqueles esquisitos como o raio” – , ou pior – “a armar-se em inteligente”. Na verdade até é bem simples.
Essa percepção errada também é um bocado culpa dos trailers que não lhe fazem justiça pois pelas apresentações fica-se com a ideia de que isto será um thriller de terror sobrenatural high tech algo intelectual e até intensamente surrealista num modo artístico qualquer, quando na verdade o que isto é , é mas é uma banda desenhada francesa da época dourada da BD franco belga colocada de forma espectacular no ecran. Com uma história e estrutura lineares muito mais simples do que possa parecer a um primeiro olhar.

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Ainda há uns meses eu critiquei “THE DARK LURKING” por não ter qualquer ambição, contentando-se em ser apenas uma cópia tanto do estilo visual de outros realizadores como do tipo de histórias que já existiam antes produzidas por Hollywood e portanto um desperdício de recursos quando estes poderiam ter sido usados para criar algo único independentemente de ser cinema de baixo orçamento ou não.
Ora [“EDEN LOG”] fez precisamente isso. Não imitou ninguém apesar do seu argumento que poderia ter facilmente caído na típica imitação de “Resident Evil” ou “Doom”.
Por ser original pagou por ser diferente. Como também não se parece de todo com um produto fabricado na linha de montagem de Hollywood só esse pormenor faz logo com que perca uns 90% dos tais supostos “apreciadores de ficção-científica” que infestam o mundo online onde Portugal também não escapa.

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Este filme que já é de 2007 por incrível que pareça, ao contrário do que “THE DARK LURKING” e muitos outros séries-B contemporâneos americanos costumam fazer; não se limitou a copiar “RESIDENT EVIL”, “ALIENS” ou “DOOM” mas graças a imensa imaginação visual e excelentes opções no estilo de realização conseguiu navegar precisamente pelo mesmo tipo de temáticas e “universos semelhantes” a todos esses três populares títulos.
No entanto, esta proposta scifi francesa tem realmente uma identidade muito própria ( com uma pitada de “STALKER” de Tarkovsky pelo meio ).
Mesmo quando o tipo de história até tem a mesma base de um simples “Resident Evil” e tudo !

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O que só demonstra o quanto do talento está na forma como se re-utiliza até mesmo conceitos que já foram filmados antes bastando para isso fazê-lo de forma única.
O estilo de filme não tem necessariamente que estar preso ao estilo de história ou ser um filme menor por causa disso e [“EDEN LOG”] é um excelente exemplo de como algo pode resultar mesmo a partir de um tipo de argumento que nas mãos de Hollywood teria sido apenas mais outro scifi de carnificina grunho.

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MUNDOS DE ENTULHO

[“EDEN LOG”] consegue até ser cinema de Comic-book por incrível que não pareça. Apenas é cinema de Comic-book no estilo Franco Belga de final dos 70s e é aqui que está o seu brilhantismo enquanto proposta scifi saída da Europa.
Estamos na presença de um verdadeiro título de Cinema-Banda-Desenhada.
No melhor dos sentidos.
Além disso eu nunca tinha visto um filme de tão baixo orçamento tão bem desenhado em termos conceptuais e construído com tão pouco.

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O que esta gente conseguiu criar com um monte de lixo e entulho no que toca a cenários é absolutamente genial. Desde os níveis mais fundos da estação de pesquisa onde a história se passa até às secções de topo onde a aventura resolverá o seu mistério na totalidade, tudo o que vemos no ecrã é absolutamente notável em termos criativos.
Neste aspecto talvez só a série “MYTHICA” se compare quando se tratou de construir ambientes recorrendo basicamente a lixo e a entulho jogado fora.

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Não só [“EDEN LOG”] tem uma imensa variedade de ambientes que vão ficando cada vez menos abstractos à medida que a história avança como tudo está incrivelmente bem fotografado.
Os jogos de luz e sombra aliados a uma quase completa falta de saturação da cor ( que é apenas muito bem usada em pontos chave ), tudo faz com que este filme transporte tão bem o espectador para o interior daquele mundo apocalíptico e claustrofóbico. Esquecemos por completo que estamos a ver um filme com um realizador por detrás pois este apaga-se por completo e digo isto no melhor dos sentidos.

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Há alturas em que parece que estamos junto com o protagonista descobrindo e explorando metro a metro tudo o que há de misterioso naquela base(?)/nave(?); sempre desejando saber mais e com imensa curiosidade sobre o que se irá passar a seguir.
Neste aspecto enigmático [“EDEN LOG”] irá agradar imenso a todos aqueles que tal como eu adoraram “PANDORUM“.
Pandorum é quase essencialmente aquilo que [“EDEN LOG”] teria sido se tivesse sido realizado num estilo comercial próximo do cinema de Hollywood destinado a agradar às audiências-tipo totalmente standard.

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DOOM A SÉRIO

Pelos trailers ficamos um bocado com a sensação de que [“EDEN LOG”] será uma espécie de thriller de acção scifi mas na verdade apesar de contar com imensas sequências totalmente saídas de um “DOOM”, de um “RESIDENT EVIL” ou até de um “SILENT HILL (jogo)” a verdade é que estas estão lá por uma razão e não apenas para meter estilo.
Até porque estão filmadas com uma violência crua que não pretende tornar o filme num lindo videoclip. Bem pelo contrário.
Tudo o que são cenas intensas neste filme é absolutamente visceral a um ponto que por vezes surpreende e chega até a incomodar. Inclusivamente a “famosa” cena da violação que ocorre a meio do filme e que é bastante mencionada em imensas reviews é particularmente intensa.

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No entanto como muita gente bem aponta, essa cena de violação apesar de inesperadamente brutal, no caso de [“EDEN LOG”] está totalmente dentro do contexto da história; sendo  mesmo necessária para compor melhor o personagem e permitir que este evolua. Ao mesmo tempo que também cimenta a relação com a protagonista por muito estranho ou doentio que possa parecer.
Tem uma lógica, está bem incluída, é impressionante mas percebe-se porque teve de ser representada assim, logo cinco estrelas aqui também.

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Além disso é nessa sequência que o próprio espectador tem verdadeira consciência de como a montagem deste filme é fantástica.
A realização, a fotografia, a montagem aliadas a uma banda sonora assombrada absolutamente perfeita e a uma história que não sendo nada do outro mundo ou particularmente original fazem no entanto com que [“EDEN LOG”] ganhe imensos pontos porque tudo neste filme resulta e nunca é demais nem de menos.
Para um filme à partida tão estranho este título scifi é realmente muito equilibrado em todos os sentidos.

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SCIFI ? OUÌ CEST MOI…

[“EDEN LOG”] não será exactamente um filme de terror apesar de o parecer visualmente ( nem sequer tem sustos-falsos fora de contexto só para “meter medo” ).
Também não é cinema de acção como poderão constatar por alguns comentários da malta do short-attention-span que parece ter-se sentido enganada pois consideram esta potente aventura scifi como um filme chato e aborrecido ;(?!); onde pelo visto não se passa nada (?!); quando a história até poderia ser essencialmente um remake de “Resident Evil” sem tirar nem pôr.
Não deixa de ser hilariante constatarmos, lendo este tipo de comentários que a malta das pipocas considera: – história=cenas que metem estilo –  e quando isso não acontece no tipo de montagem pop-popular então parece que para muito menino – “o filme não tem história” .

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Eu já tinha visto [“EDEN LOG”] há anos numa muito má cópia de um dvd-rip e na verdade não tinha ficado particularmente impressionado pois tinha-o visto mesmo com muito má resolução e este filme não pode ser visto em condições piratas-rascas de todo; (por isso não o façam fachavor).
Como apesar de tudo nunca esqueci o visual do filme agora que o encontrei por 4€ em Bluray resolvi arriscar e ainda bem que o fiz.
[“EDEN LOG”] é um daqueles filmes para qual o Bluray foi inventado; esta aventura scifi fica pura e simplesmente espectacular especialmente quando vista às escuras, noite dentro com o som em headphones no máximo para melhor efeito de sala de cinema.
Não percam.

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CLASSIFICAÇÃO

[“EDEN LOG”] é ficção-científica europeia francesa com um enorme sabor a BD clássica franco-belga. Para as novas gerações isto não será argumento mas para quem souber do que estou a falar e quiser ver uma aventura scifi num estilo Druillet misturado com uma pitada de Druuna e um toque de Bilal num ambiente apocalíptico muito bem imaginado, culminando num simples mas bastante satisfatório final então não hesite.
[“EDEN LOG”] parece um filme estranho ao início, mas entrem no seu mundo e já não conseguirão tirar os olhos do ecran até ao desenlace.
Vejam-no noite dentro, ás escuras e com o som a bombar nos headphones.

Cinco Planetas Saturno

   

O pouco CGI que usa está algo datado mas também não é muito, a história é a habitual sobre alguém que acorda sem memória no nível mais fundo de um laboratório completamente devastado por onde circulam criaturas mutantes nada amigáveis e como tal não é por aqui se irão surpreender.
Em muitas alturas faz lembrar “THX-1138” de George Lucas como referem muitas reviews, mas numa versão totalmente apocaliptica e não apenas distópica.
Agora onde o filme brilha é na forma como trabalha este material que em outras mãos teria sido tão banal quanto “THE DARK LURKING” o foi.

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[“EDEN LOG”] é boa scifi adulta em qualquer parte do mundo.
Só não leva um Gold Award agora…nem sei bem porquê…talvez por ser algo previsível para todos aqueles que tal como eu já tenham lido muita FC em particular a FC literária dos anos 70 e eu gostei tanto do ambiente disto que esperava mesmo mais imaginação no desenvolvimento.
Por outro lado ainda irei rever em alta a classificação disto também um destes dias pois este filme é realmente poderoso, original na sua execução e muito bem filmado. E tudo isto com um orçamento minúsculo que nem dava para o catering de uma manhã numa produção de Hollywood.
Enquanto scifi europeia de baixo orçamento é tão bom quanto “CARGO“. Por isso não se esqueçam de espreitar esse também já agora.

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A favor: o ambiente, faz recordar o melhor da ficção cientifica francêsa em Banda Desenhada dos anos 70 ao estilo Druillet ou Bilal com montes influencias de Druuna também, a fotografia é fabulosa, é uma história simples mas com tonalidades adultas, ficção científica para quem gosta mesmo de ficção científica, todo o concept design deste filme é fabuloso e a forma como os cenários foram construídos a partir de entulho essencialmente é brilhante, transporta-nos mesmo para um outro universo, esquecemos por completo que há um realizador por detrás da câmera, claustrofóbico misterioso e perturbante por vezes, todo o conceito científico que nos transporta até um final que não sendo brilhante é mesmo muito bom e adequado.

Contra: mais uma vez a idiota classificação no IMDb, muita gente irá confundir isto com um filme “artístico” ao pior estilo cinema de autor pois o próprio estilo gráfico do filme ditou que o seu visual não pudesse ser propriamente comercial no sentido mais pipoqueiro e como tal a malta do design estilo videogame não irá curtir ou compreender o filme, a história como já a vimos várias vezes nem sequer é particularmente impressionante.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
Nenhum dos trailers para este filme são muito bons mas este ainda é o que se pode aproveitar e pelo menos dá uma ideia dos ambientes visuais.

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COMPRAR BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO FRANCESA
Atenção: O menu de navegação desta edição é do pior.
O filme começa automaticamente só com a versão francesa (não dá para alterar através do comando remoto em options sequer) e só descobrimos que existe uma versão inglesa  no disco quando o filme acaba; pois é então ( a seguir aos créditos finais ) que o bluray da finalmente acesso ao menu ( que deveria ter estado no início ) onde podemos escolher as versões que na verdade temos à disposição.
Pelo menos foi o que me aconteceu ao ver este filme na minha PS4.
A versão original francesa só tem legendas em Holandês mas a versão dobrada em inglês tem legendas em Francês.
De qualquer forma actualmente a edição Francesa é a única que vale a pena ter pois a edição Alemã só tem a dobragem Alemã mesmo.
E este filme vale mesmo a compra em Bluray. Especialmente se ainda estiver a 4€ na amazon francesa como eu a comprei (Dezembro 2017).

BLURAY

https://www.amazon.fr/Blu-ray-Vimala-Bajraktaraj-Abdelkader-Cornillac/dp/B00GY4I1R0/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1514559358&sr=8-2&keywords=eden+log

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IMDb


GIF

http://www.imdb.com/title/tt1087842

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