“ALBION : THE ENCHANTED STALLION” (“Albion: The Enchanted Stallion”) Castille Landon (2016) EUA / BULGÁRIA

[“ALBION : THE ENCHANTED STALLION“] tinha tudo à partida para ser mais uma daquelas histórias infantis sobre príncipes e princesas produzidas a metro para o público feminino pré-adolescente tão ao jeito do canal Disney. Pelo menos é o que aparenta pelo trailer onde nem faltam as “típicas fonts” estilo “Barbie” por entre frases fofinhas inspiradoras de meter vómito.
No entanto havia por ali qualquer coisa que me dizia que isto não iria ser tão mau quanto parecia à primeira impressão.
Não me enganei.

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Apesar do título [“ALBION : THE ENCHANTED STALLION“] surpreendentemente também não é mais uma daquelas histórias à volta de uma criancinha com o seu cavalinho e onde surgem os típicos clichés associados a este género de argumento.
Nesta pequena aventura de Fantasia não há cá bichinhos a sofrerem muito, pessoas más que querem mandar abater o cavalinho, madrastas com filhas crueis e futeis ou criancinha que sofre imenso para salvar o cavalo. Também ninguém aqui quer ganhar um primeiro prémio numa competição de equitação só para meninas ricas ; ( apesar de no inicio o filme parecer apontar para algo assim por momentos ).

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Não, a ser parecido com qualquer coisa … e não é que [“ALBION : THE ENCHANTED STALLION“] é um verdadeiro herdeiro em tom femininamente-infantil de histórias de fantasia como … “THE PRINCESS BRIDE” ?!!
Não estava nada à espera disto.
Apesar do sempre divertido e genial John Cleese entrar nisto quando o vi no trailer pensei que ele estaria por aqui mais para mudar de carro ou pagar outra prestação do divórcio com s sua ex-mulher e portanto nem se iria esforçar particularmente. Também me enganei. O Cleese nisto está o máximo e claramente a divertir-se à brava.

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O título [“ALBION : THE ENCHANTED STALLION“] no que toca a este filme é particularmente enganador no melhor dos sentidos. Nem o cavalo é o centro dramático do que quer que seja naquele tom que seria de esperar, nem John Cleese está em piloto automático ( pelo contrário ), nem esta história de fantasia que aparentemente só agradaria a meninas com menos de 12 anos é tão desprovida de interesse para o público adulto assim.

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[“ALBION : THE ENCHANTED STALLION“] apesar de ser uma produção independente modesta, é verdadeiramente um “THE PRINCESS BRIDE” tanto em espírito como na forma como está realizado.
Um “THE PRINCESS BRIDE” com toques “maléficos” de Monty Python onde parece que John Cleese teve rédea solta para ser o mais repulsivamente divertido possível numa espécie de recriação em versão nojenta do tipo de vilão que já tinha interpretado décadas atrás em “ERIK THE VIKING” do qual também este filme tem alguns ecos embora distantes.

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Estamos na presença portanto de uma pequena boa surpresa dentro do cinema de Fantasia. É certo que o público alvo é mesmo o infantil dentro daquela àrea feminina mais ou menos até 12 anos mas [“ALBION : THE ENCHANTED STALLION“] contrariamente ao que costuma acontecer neste tipo de cinema (ou telefilme) normalmente pirosamente insuportável, consegue apresentar um sem número de atractivos (e de referências)  que irá agradar imenso ao público mais velho que goste de – Fantasia – se calhar até mais literária do que cinematográfica.
Apesar de também por aqui haver um certo sabor a “LEGEND : A LENDA DA FLORESTA” ; “WILLOW” ; “KRULL” ; “THE NEVERENDING STORY” ; “LADY HAWKE” ( pelo ecxcelente uso dos cenários naturais ) ; “LABYRINTH” e tantas referências cinematográficas mais que fazem parte da cultura popular no género.

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Mas não há dúvida que, tenha sido de propósito ou não a verdade é que o template para [“ALBION : THE ENCHANTED STALLION“] é claramente o filme “THE PRINCESS BRIDE” e a escolha de estilo embora limitada e arriscada não poderia ter resultado melhor.
Não que este filme seja absolutamente comparável com o clássico de Rob Reiner a todo o instante; ( também tem muito de D&D americano típico como não podia deixar de ser ) mas o facto é que [“ALBION : THE ENCHANTED STALLION“] quando entra pelo registo “THE PRICESS BRIDE” em termos de humor e na forma como certos personagens estão caracterizados acerta em cheio !

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E não é fácil para uma Fantasia humorística correr o risco de ser comparada depreciativamente com um – template original – tão adorado por quem aprecia Fantasia, ( tanto o filme como o livro “The Princess Bride” são clássicos absolutos no género ) mas não há dúvida que [“ALBION : THE ENCHANTED STALLION“] passa o teste.
É certo que o seu humor é mais contido mas esta pequena aventura de fantasia filmada na Bulgária contém por ali certos diálogos e certas sequências humorísticas em termos de desenvolvimento de personagens que não ficariam deslocadas numa sequela de “THE PRINCESS BRIDE” ou até mesmo no original.

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Não só está carregada de personagens por vezes verdadeiramente hilariantes como é um daqueles filmes em que ficamos a gostar daquelas pessoas no final; com destaque em particular para a guerreira Eriu de olhar expressivamente divertido e para o seu (não) namorado narcisista Lir sempre preocupado com o cabelo.
Estes dois personagens roubam o filme inteiro de cada vez que aparecem no ecrã e inclusivamente superam até o humor de Cleese em muitos momentos.
Mas de forma geral todo o elenco é excelente tanto na comédia como em tudo o resto que é necessário para também garantir que este tipo de cinema continue no entanto a focar-se no público infantil. Bom vilão também em Eremon.

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A verdade é que [“ALBION : THE ENCHANTED STALLION“] tem a magia de conseguir ser cinema infantil que nos faz esquecer disso num instante graças aos momentos humorísticos bem colocados, a personagens simples mas cativantes e a um ambiente extraordinário. Acho que desde o original “THE NEVERENDING STORY” e claro “THE PRINCESS BRIDE” que não tinha visto um filme ifantil tão cativante para todas as idades. Visualmente é impecável também.
Não que o filme dependa de efeitos especiais pois são quase inexistentes mas não há dúvida que a ideia de irem filmar isto para a Bulgária não poderia ter sido mais acertada. Ninguém precisa de efeitos especiais quando tem uma direcção de fotografia como esta que transforma qualquer paisagem natural num verdadeiro reino encantado; in-camera.

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Apesar do filme por vezes correr grandes riscos em termos de (filtros) cor a verdade é que funciona de forma perfeita para transportar o espectador para o mundo mágico de ALBION, para as suas florestas, rios, vales e montanhas.
A ter algum defeito, tem o defeito habitual deste tipo de cinema essencialmente filmado em locais verdadeiros e não em estúdio… estranhamente perdem um pouco daquela “naturalidade” cinematográfica que só pode ser conseguida através do controlo das condições de filmagem em estúdio pois tudo é demasiado – real – e próximo do nosso quotidiano por vezes; o que retira um bocado da magia ao conjunto mas era inevitável numa produção assim.

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De resto [“ALBION : THE ENCHANTED STALLION“] foi realmente uma boa surpresa.
A aventura infantil, muito simples e sem novidades de maior está muito bem conduzida; o filme nunca se torna aborrecido (nem) para o público adulto sequer.
Tal como em “THE PRINCESS BRIDE” o humor neste argumento tem vários níveis de maturidade muito bem doseados e tudo resulta para produzir um espectáculo divertido que se recomenda vivamente a quem quiser passar quase duas horas num mundo mágico de tom Europeu.

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A miúda protagonista faz um bom trabalho, Stephen Dorf tem um pequeno papel que importa e cria uma base sólida para o mundo pessoal da mini-heroína, o filme nem sequer se baseia no cavalo do título e não há dúvida que o sentido de humor disto é mesmo muito cativante; onde nem sequer se evitam um par de piadas –gore– particularmente “sangrentas” e “repulsivas” a fazer lembrar os bons velhos tempos do terror politicamente incorrecto de Peter Jackson; outra boa surpresa nesta história.

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E por falar em surpresa… não é que a realizadora desta pequena e simples aventura infantil é precisamente a rapariga que faz de Eriu ?! Desta não estava nada à espera e vou estar de olho nos próximos trabalhos desta actriz/argumentista/realizadora Castille Landon pois alguém que conseguiu um bom resultado assim ao mesmo tempo que compõe um dos personagens mais divertidos da história e de ter em conta merece que estejamos atentos.

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CLASSIFICAÇÃO

Na minha opinião é um bom candidato a clássico-de-culto moderno dentro deste nicho de cinema de Fantasia () aparentemente mais infantil e quanto a mim espero que Castille Landon faça um segundo pois não me arrependo nada de ter comprado este filme em bluray só mesmo na base da confiança pois havia por ali algo no trailer que me disse que isto iria ser uma boa aposta. E foi.
Se gostam de Fantasia para mim este é definitivamente um filme a espreitarem pois não se irão arrepender do tempo gasto.

Quatro Planetas Saturno

   

Só não lhe dou cinco valores porque apesar de todas as suas qualidades não consegue evitar ser algo genérico dentro de um estilo televisivo e ficar um bocado a meio caminho de todo o potencial que demonstrou nos seus melhores momentos, mas isso talvez seja também consequência directa de ser algo que nem é bem uma super-produção nem é um verdadeiro série-B mas sim uma co-produção independente entre os EUA e estúdios na BULGÁRIA o que coloca este título num patamar diferente. Talvez seja esta mistura que se reflecte depois no resultado final de forma algo subjectiva.
No entanto [“ALBION : THE ENCHANTED STALLION“] não deixa por isso de ser um espectáculo na mesma dentro do seu próprio contexto. Altamente recomendável para descontrairem de thrillers adultos ou coisas semelhantes.
Dêem uma volta pelo mundo de ALBION.

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A favor: Tudo o que é paisagem natural e a forma como estão filmadas, consegue mesmo criar um mundo de fantasia sem recorrer a efeitos especiais ou matte-paintings particularmente elaborados, bons actores, excelentes personagens, um sentido de humor do melhor a fazer lembrar o estilo “The Princess Bride”, contrariamente ao que parece não é um filme centrado numa menina e num cavalo em tom Disney pindérico, supreendentemente é um excelente filme de fantasia para crianças que não irá aborrecer os adultos de morte; se gostarem de fantasia este é um título para todas as idades e um excelente filme para a família que não trata nem as crianças por debiloides nem os adultos como dispensáveis, banda sonora adequada também. Excelente.

Contra:  Mais ou menos no início há um momento de exposição na história em estilo desenho animado completamente deslocado e que faz a narrativa encalhar por demasiados minutos enquanto explica toda a história que ficou para trás na mitologia do mundo de Albion, o facto de tudo ter sido filmado em cenários e localizações reais por vezes quebra um bocado a magia de estarmos a ver o que será supostamente um mundo de Fantasia e isto nota-se bastante no interior de edificios. Nota-se que isto será uma produção para televisão (?) e por isso o estilo telefilme é sempre algo que se intromete um bocado pelo meio…

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
O trailer dá uma ideia errada do filme pois este é muito mais do que apenas uma história infantil visto que os toques de humor ao estilo “THE PRINCESS BRIDE” com uma pitada de “Monty Python / Erik The Viking” , dão-lhe um sabor muito especial e uma textura bem mais complexa do que aparenta ter nesta apresentação.


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COMPRAR BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO ALEMANHA
Sem legendas, mas com pista de som 5.1 original em Inglês.

bluray

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IMDb

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http://www.imdb.com/title/tt4518260

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

capinha_RISESHADOWARRIOR.jpg john_carter_28 capinha_mythica capinha_ladyhawke capinha_KRULL.jpg capinha_neverending1 capinha_DARK CRYSTAL.jpg capinha_LABYRINTH.jpg

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“STARSHIP RISING” + “STARSHIP APOCALYPSE” (“STARSHIP RISING” + “STARSHIP APOCALYPSE”) Neil Johnson (2014) EUA / AUSTRALIA

Apesar de tanto [“STARSHIP RISING“] como [“STARSHIP APOCALYPSE“] a um primeiro olhar simbolizarem um pouco aquilo que às vezes não resulta bem em algumas aventuras de Neil Johnson por outro lado também aqui ambos os filmes também demonstram perfeitamente o excelente potencial que há no cinema deste realizador. Cinema que muitas vezes só não vai mais longe por causa das tão costumeiras restrições de orçamento que são sempre o grande problema de quem trabalha longe dos blockbusters de milhões em Hollywood e Neil Johnson não é excepção.

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Tenho por hábito coleccionar o seu trabalho desde que me deparei com “HUMANITY´S END” alguns anos atrás e que continua a ser de longe a minha space-opera low budget favorita da era moderna.
Um cineasta verdadeiramente independente, que há mais de uma década continua a produzir, a realizar e a comercializar os seus filmes no circuito de cinema independente com bastante sucesso (até a nível de Festivais de Cinema Fantástico) e pelo caminho apanha de surpresa gente como eu que adora ficção científica da que costuma passar despercebida pois não pode contar com grandes campanhas de marketing.

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Apesar da média dos seus títulos no IMDb rondar os 2.5 valores, apesar de essencialmente o seu cinema ser unanimemente desancado por aqueles espectadores que insistem em comparar filmes de baixo orçamento com blockbusters de milhões como se os primeiros fossem obrigados a reproduzir sem dinheiro o último sucesso da Marvel,  Neil Johnson continua a seguir em frente.
Continua a filmar o que quer e da maneira que quer independentemente do que digam sobre o seu trabalho; ( e não deve ser nada fácil ).
Normalmente este tipo de atitude é aquilo que costumamos encontrar naqueles realizadores de cinema-de-autor mais denso e irritantemente insuportável que se estão pouco borrifando para que o público valorize “as suas instalações artísticas” ou não; mas na verdade também se aplica como uma luva a Neil Johnson porque o seu estilo é tão pessoal que se poderá considerar verdadeiramente – um autor – embora numa área mainstream. Ou sub-mainstream.
O que nos leva a [“STARSHIP RISING“] e à sua sequela [“STARSHIP APOCALYPSE“].

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A STARSHIP SAGA : 2 EM 1

Para facilitar e visto que na verdade isto é mesmo um único filme apenas tendo sido lançado em duas metades vamos considerar para efeitos de review que quando menciono o título [“STARSHIP RISING“] estou na verdade a falar dos dois títulos pois este texto de hoje é na verdade um 2 em 1 em modo épico intergaláctico.

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Se por um lado eu consigo compreender as opiniões que no IMDb atacam o que é imperfeito ou por vezes não resulta no seu estilo de space-opera, por outro lado é também verdadeiramente injusto quando se conhece o que está por detrás de cada produção sua e se percebe o verdadeiro esforço e amor genuíno pelo cinema que há em cada frame dos seus filmes até mesmo quando não resultam como deveriam resultar.
Recomendo vivamente que espreitem este documentário sobre o making of de um dos filmes antigos de Neil Johnson e irão começar a olhar para este realizador com outros olhos; ( parte 1; parte 2; parte 3 ).

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A primeira reacção de um espectador desprevenido que estiver à espera do típico blockbuster de Hollywood de multi-milhões será sempre tão forte e tão visceral perante o estilo visual que em alternativa lhe cai em cima que raramente terá paciência para se deixar levar pelos universos Johnson e começar a prestar atenção a tudo o que por lá também há de muito bom para lá das limitações que o cinema de baixo orçamento impõe.
E não há melhor saga para falar sobre isto do que precisamente [“STARSHIP RISING“].

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EPIC STUFF À VELOCIDADE DA LUZ !

Começando pelo que o filme tem de menos bom.
Estamos na presença de uma história tão épica, tão complexa, com tantos personagens, com tantas situações, com tanto ambiente, com tanto drama, com tanta acção, com tanto efeito especial, que para que algo assim coubesse em dois filmes de pouco mais de 80 minutos, este material que daria para encher duas trilogias de três horas cada filme teve que sofrer uma compressão

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O que significa que neste caso, uma narrativa que precisava mesmo tempo para respirar , em muitos momentos é obrigada a ser uma sucessão de breves cenas onde têm que obrigatoriamente – “acontecer coisas” o que faz com que muitas vezes não exista nem tempo nem espaço para os personagens conseguirem respirar , o que limita imenso qualquer empatia com o espectador.
Sente-se que há aqui algo muito épico que não teve tempo para ser desenvolvido e será talvez este o grande senão destas duas produções.

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Imaginem que tanto “FRANK HERBERT´S DUNE” ou “CHILDREN OF DUNE” as duas miniséries quase com dez horas por limitações de orçamento teriam que ser reduzidas a 80 minutos ou no máximo 160 ( se juntarmos [“STARSHIP APOCALYPSE“] para tentar equilibrar ). Ou melhor, imaginem “BABYLON-5” em pouco mais de duas horas.
É este o grande problema de [“STARSHIP RISING“] enquanto proposta para uma aventura épica de baixo orçamento.

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Imaginem explicar tudo sobre os vários mundos, definir culturas extraterrestres, demonstrar o funcionamento tanto tecnológico, económico e religioso de um universo que precisa de ser bem estabelecido, apresentar personagens ( individualmente ) de forma a que sejam algo mais do que bonecos descartáveis, ter que situar tudo isto num ambiente visual coerente com a escala cosmológica do próprio conceito e perceberão porque seria inevitável que uma saga como [“STARSHIP RISING“] na sua pouca duração tivesse que encalhar em qualquer lado. Essencialmente estampou-se por excesso de velocidade. Provavelmente excedeu a velocidade da luz.

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[“STARSHIP RISING“] o primeiro filme segundo o próprio realizador é mesmo o mais difícil de seguir pois serve essencialmente para apresentar personagens. E nota-se !
O argumento tem tanto para estabelecer visualmente que os próprios personagens nem chegam a ter 30 segundos no ecran em algumas das suas cenas chave quando na verdade estas precisariam de durar pelo menos mais um par de minutos para resultarem; ( até pelo conteúdo de exposição que contêm ) e darem espaço para que os actores pudessem extrair mais da sua prestação que por vezes tem que ser particularmente rápida.

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Por exemplo, “HUMANITY´S END” apesar de alguns encalhes narrativos semelhantes também pela sua curta duração, acabou por resultar bem melhor. Talvez por ter menos personagens importantes e Neil Johnson ter verdadeiramente apostado tudo na forma como trabalhou as suas relações. Deu-lhes tempo para criar uma empatia com o espectador e inclusivamente alguns dos melhores momentos daquela space-opera são precisamente os mais simples onde de repente aquelas pessoas até parecem reais e tudo.
Coisa que infelizmente na minha opinião não acontece em [“STARSHIP RISING“] enquanto saga épica que se propôs ser.

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Isto porque esta nova saga em termos de escala é pelo menos umas dez vezes mais complexa do que a já de si detalhada aventura que estava na base de “HUMANITY´S END” e não seria em dois filmes de 80 minutos que um conceito tão ambicioso quanto este poderia resultar. Especialmente quando o primeiro filme tem tanta exposição e a própria pirotecnia visual acaba por atrapalhar quando deveria dar corpo aquele universo.
Apesar de [“STARSHIP RISING“] contar notoriamente com alguns bons actores profissionais como poderia qualquer actor sobressair no meio de sequências “dramáticas” que muitas vezes nem duram vinte segundos na montagem?

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E mais uma vez comparando [“STARSHIP RISING“] com “HUMANITY´S END” a diferença é notória. O ponto mais fraco de [“STARSHIP RISING“] enquanto saga está mesmo aí. Não alcança nunca a empatia que Humanity´s End consegue quando se trata de nos importarmos com os heróis da história.
Culpa dos personagens, dos actores ou da velocidade do próprio argumento, eis a questão. Eu por mim tendo em conta o bom resultado dramático de “HUMANITY´S END” ( onde ficamos a gostar mesmo muito dos personagens ) até estou mais inclinado para a terceira hipótese. Falta tempo neste filme para os personagens ganharem vida.
Por causa disto [“STARSHIP RISING“] em certas alturas é mesmo muito dificil de acompanhar e é pena.  Tem tanta coisa a acontecer tão rapidamente que logo ao início o filme não dá mesmo tempo nenhum para absorvermos tanta acção, tanto efeito, tantas personagens, tanta situação política, tanto… etc.

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MEGA HIPER ÉPICO LOW BUDGET MIRACLE NO GUITO WHATSOEVER

Acreditem-me, nunca houve uma space-opera de baixo orçamento tão épica em escala e com tanta ambição quanto esta. Apenas Neil Johnson sem ninguém para lhe dizer o que fazer conseguiria tentar algo assim com tão poucos meios.
Neste aspecto esta tentativa é algo de louvar.
E num certo sentido o -template- a seguir a partir de agora para quem quiser tentar fazer algo semelhante sem dinheiro para o concretizar nas condições que merecia.
[“STARSHIP RISING“] é ÉPICO !

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A história embora algo genérica dentro deste tipo de sagas cinematográficas tem a sua identidade própria bem vincada e teria sido verdadeiramente especial em termos de low-budget se toda a estrutura dos filmes tivesse sido mais contida e tivesse havido mais tempo para as cenas fluirem naturalmente.
Enquanto space-opera até tinha tudo para resultar, se a saga [“STARSHIP RISING“] tivesse sido filmada em três ou mais filmes como até costuma mencionar o realizador e não se tivesse apenas ficado por dois títulos muito condensados.
É neste sentido que se nota a falta de dinheiro para tentar levar uma história tão épica assim a bom porto.

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COM ALMA

Por outro lado, não há dúvida que Neil Johnson coloca toda a sua alma nos filmes que faz e é isso que acaba também por sobressair de forma positiva especialmente para quem conhecer o esforço que existe por de trás de cada um dos seus títulos.
Há que admirar alguém com esta persistência e determinação e é por isso que eu gosto tanto do seu trabalho.
Não é produzido em piloto automático como muita coisa que sai actualmente de Hollywood “bem feita” mas sem alma.
Visualmente em termos de sci-fi low budget não deve haver melhor do que o que Neil Johnson coloca no ecran.
O seu CGI embora produzido pelo próprio ( desde sempre ) por vezes é verdadeiramente deslumbrante e também agora [“STARSHIP RISING“] está carregado de imagens que não ficam nada a dever ao que Hollywood consegue fazer com milhões de dólares.
O problema está novamente na velocidade a que as duas metades da história mostram as coisas.

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Neil Johnson parece ter ( finalmente ) percebido isso pois o seu épico espacial seguinte “ROGUE WARRIOR : ROBOT FIGHTER” ( de 2017 ) embora continue a não ser perfeito já mostrou muito mais contenção e a coisa voltou a funcionar particularmente bem.
Quase ao nível de “HUMANITY´S END” embora não tanto.
Até porque “HUMANITY´S END” continua com a vantagem de ter conseguido contar com uma das bandas-sonoras mais bonitas ( e atmosféricas ) de todos os tempos dentro da ficção-científica, o que ajudou imenso a criar uma emotividade especial no desenvolvimento de personagens nessa aventura espacial.
Música essa que [“STARSHIP RISING“] ou até mesmo “ROGUE WARRIOR : ROBOT FIGHTER” já não tiveram e só por aqui se nota o quanto uma banda sonora especial pode fazer diferença num filme.
Embora nem “ROGUE WARRIOR : ROBOT FIGHTER” nem [“STARSHIP RISING“] tenham um mau Score, ao pé do que “HUMANITY´S END” apresentou não há sequer comparação possível.

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UM UNIVERSO GREENSCREEN AMBICIOSO

[“STARSHIP RISING“] enquanto saga de dois filmes deve ser definitivamente a mais ambiciosa em termos visuais. O CGI nestes dois títulos é verdadeiramente épico e até o concept design é particularmente bom ( sem fugir ao habitual estilo do autor ), com grande destaque para algumas das naves que poderão ver em [“STARSHIP APOCALYPSE“] e que são realmente um espectáculo em termos visuais e criatividade , ( óptimos detalhes e texturas ) .
Os matte-paintings e cenários digitais que mostram os diversos mundos também resultam particularmente bem quando animados e portanto na minha opinião não há nada a dizer de negativo a propósito de efeitos especiais.
Na verdade se pensarmos na forma como foram criados “caseiramente” é absolutamente extraordinário constatarmos as coisas que o realizador conseguiu mostrar com um orçamento tão limitado.

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Em termos de sets, 90% desta saga foi filmada com os actores a representar no vazio de um “green-screen” e depois toneladas de sets virtuais adicionados mais tarde.
Se vocês detestaram aquele look fake dos Star Wars – EP. I,II e III… então preparem-se para o choque visual.
Por outro lado, mais uma vez Johnson faz boa utilização dos cenários desérticos habituais no seu cinema embora isso também acabe por criar aquela inevitável sensação de deja-vu tão recorrente no cinema de baixo orçamento.
Uma coisa que tem mesmo muita pinta é a forma como as consolas de comando nas naves espaciais estão representadas. Excelente design, e uma sensação de hologramas realísticos muito boa fazendo-nos esquecer por completo que estamos a ver efeitos especiais digitais. Nota alta aqui também para os sets do interior das naves; tudo low-budget mas tudo particularmente bom.

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STARSHIP REBOOT 

[“STARSHIP RISING“] enquanto saga espacial, é tão frustrante quanto fascinante.
Para quem não conhece o cinema deste autor, não será o melhor título para tentar ver em primeiro lugar, isto devido à muita exposição a que a história obriga; o que não cria grande empatia com os personagens. Recomendo que vejam Humanity´s End primeiro se não conhecem o trabalho deste realizador ainda.

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Por outro lado, se gostam de séries-B, percebem o espírito por detrás deste tipo de produções então esta devem tentar ver pelo menos uma vez do principio ao fim.
Na verdade como diz o próprio Neil Jonhson a segunda parte depois é mais divertida; embora a nível de personagens tirando o ( excelente ) “A.I.” ( parecido com Jude Law) e o mecânico da nave ( em estilo Firefly ) a coisa não evolua muito. O general também tinha potencial mas ficou preso no argumento.

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Pessoalmente eu gostaria de ter gostado tanto desta saga espacial como gostei de “HUMANITY´S END” ou de “ROGUE WARRIOR : ROBOT FIGHTER” mas penso que este é um projecto que ficou a meio gaz. Um potencial destes pedia um orçamento a condizer ou pelo menos mais um filme para que isto ficasse bem representado numa trilogia.
Espero que Neil Johnson faça um terceiro título para a saga e porque não, até mesmo a jeito de reboot de forma a transformar isto na space-opera que se nota que ele gostaria de ter feito a quando desta primeira tentativa, pois [“STARSHIP RISING“] tem tudo para poder vir a ser uma espécie de “MYTHICA : A QUEST FOR HEROES” da ficção científica independente se parar para respirar um bocado e deixar os personagens realmente ganharem vida.

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CLASSIFICAÇÃO

Neil Johnson já tem uma space-opera low budget excelente; “HUMANITY´S END” ( outra muito divertida em “ROGUE WARRIOR : ROBOT FIGHTER ) e portanto em comparação esta saga STARSHIP RISING/APOCALYPSE perde na comparação; excepto visualmente talvez, onde conta mesmo com imensas imagens e sequências que não estão nada mal não senhor.
O problema é que assenta numa estrutura que obriga a que tudo funcione demasiado rápido o que impede que o espectador crie grande empatia com os personagens.
É pena, pois esta até é uma saga de que apetece gostar muito mesmo.
Como está é um bom filme mas não é o melhor trabalho de Neil Johnson. É simplesmente bom e muito interessante mesmo mas merecia ter sido fantástico.

Três Planetas Saturno

Na verdade este é mesmo um daqueles de que apetece gostar imenso só pelo esforço de quem tentou criar um épico assim com tão pouco orçamento. Apesar de todas as suas falhas eu fico sempre com vontade de o rever quanto mais não seja pelo visual.
Agora que comprei esta saga em bluray/dvd e dei-lhe nova oportunidade com boas condições técnicas é bem verdade que tudo isto ganhou alguns pontos mais do que quanto a vi pela primeira vez numa má cópia pirata.
Aliás…este é mais um daqueles títulos que não deve ser visto numa má cópia pirata, pois em dvd e principalmente em bluray brilha e faz a diferença.

A favor: o filme parece mais caro do que custou, nota-se que cada tostão foi gasto no ecrã, para um low budget a maioria dos efeitos especiais é excelente, óptimo uso do CGI em geral, tem realmente uma escala épica, é space-opera à moda antiga, tem potencial para ir mais longe quem sabe num terceiro, algum set design é muito bom, bom concept-design também, a banda sonora não fica no ouvido mas é adequadamente épica, o mecânico e o A.I. são bons personagens, tem uma imensa variedade de ambientes e cenários espaciais e planetários, Neil Johnson tem um bom sentido visual e o filme conta com alguns momentos visualmente deslumbrantes.

Contra: a velocidade a que a narrativa avança é por demais, o excesso de exposição principalmente no primeiro filme, muitos personagens não criam qualquer empatia com o espectador, sente-se que é um épico limitado por um orçamento que não lhe permitiu ir mais longe e é pena.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER STARSHIP RISING

 

TRAILER STARSHIP APOCALYPSE

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COMPRAR BLURAY STARSHIP RISING – REGIÃO B (2) – Edição ALEMANHA
Sem legendas ( e com 3D simulado ).

bluray

https://www.amazon.co.uk/Starship-Rising-Darren-Jacobs/dp/B00U6SW8SS/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1515179830&sr=8-1&keywords=starship+rising+blu+ray

COMPRAR DVD STARSHIP APOCALYPSE – REGIÃO 2 – Edição UK

Não existe ainda em Bluray o que não tem lógica nenhuma ( embora Johnson explique porquê na entrevista abaixo ) .

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https://www.amazon.co.uk/Starship-Apocalypse-DVD-Darren-Jacobs/dp/B00WGA9WH4/ref=sr_1_1?s=dvd&ie=UTF8&qid=1515179903&sr=1-1&keywords=starship+apocalypse

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ENTREVISTA com Neil Johnson sobre estes dois filmes ( vale a pena verem ) :

 

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IMDb STARSHIP RISING
http://www.imdb.com/title/tt2547942

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IMDb STARSHIP APOCALYPSE
http://www.imdb.com/title/tt2605528

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

capinha_STAR RAIDERS.jpg capinha_the-humanoid capinha_Battle Beyond The Stars.jpg capinha_starcrash capinha_garm-wars humanities_end capinha_ROGUE_WARRIOR.jpg

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“EXTERMINATORS VS ALIENS” (“INVASION ROSWELL” / “THE LAST INVASION”) David Flores (2013) EUA

[“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] pelo que me apercebi é mais outra daquelas produções inenarráveis que nos últimos anos o SYFY CHANNEL tem atirado cá para fora na sua missão de continuar a ridicularizar o mais possível todo o género da ficção-científica. Também poderá ser um plano da CIA para estupidificar as audiências norte americanas e por arrasto os pipoqueiros mundiais, quem sabe.
Mas é lindo !

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Este filme caiu-me em cima do nada. Há filmes marados que eu saco para espreitar, há filmes marados que eu depois compro porque curti mas raramente me aparece pela frente um título como este da forma que este chegou agora até mim.
Aposto que vocês não sabem mas muitas das edições bluray alemãs no que toca a cinema low-budget por vezes num único disco contêm mais do que apenas o filme que está na capa. Está a tornar-se comum encontrarmos mais do que um filme quando compramos um título de série-B lançado na Alemanha e descobrimos que para além desse, o disco contém ainda um outro título grátis sem haver qualquer referência na capa que o bluray traz dois ou mais filmes.

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FILME BRINDE

Quando eu julgava ter comprado apenas mais outro filme desse grande Ed Wood moderno, o realizador Neil Johnson, ao aquirir o bluray de “ALIEN DAWN” descobri que para lá desse título o disco tinha “grátis” este filme.
Na verdade esta review que vocês estão a ler não era para ser um texto sobre [“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] mas sim sobre “ALIEN DAWN” que terá de ficar para depois.
Isto porque [“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] para minha grande surpresa foi precisamente o filme low-budget quase em total modo de cinema-lixo que eu esperava ter encontrado antes em “ALIEN DAWN”.
Na verdade “ALIEN DAWN” ao pé deste divertido filme-brinde [“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] acabou por perder muitos pontos e mais de metade do seu impacto.

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Irei falar sobre “ALIEN DAWN” talvez a seguir mas para já não dá para contornar [“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“].
No que toca a surpresas de cinema low-budget , 2018 não poderia ter começado melhor para mim com esta verdadeira prenda do cinema-lixo que me teria certamente passado ao lado, pois apesar do filme ser já de 2013 eu nunca tinha ouvido falar dele. E se tivesse visto o trailer oficial também não ligaria ao filme de certeza pois o trailer faz mesmo um mau serviço em transmitir o quanto [“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] para lá do aspecto rasca é realmente divertido.
É mesmo um título extremamente agradável de acompanharmos do princípio ao fim se conseguirmos entrar no espírito da coisa logo desde o início.

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THE EXPENDABLE SPACE COWBOYS

Esqueçam o trailer miserável. Se gostam mesmo de cinema de baixo orçamento em modo totalmente braindead muito engraçado em tudo o que faz de … menos bem…vão adorar este título !
[“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] para começar acerta logo em cheio nos protagonistas. Há muito tempo que não via um grupo de personagens tão simpáticos neste tipo de aventura. Uma aventura que é essencialmente uma saga scifi de contornos geriátricos numa linha de um “SPACE COWBOYS” se este tivesse sido um filme de porrada em modo “THE EXPENDABLES“. E é isso.
[“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] é “THE EXPENDABLES” misturado com “SPACE COWBOYS” quando estes se vêm confrontados com uma invasão alienígena tipicamente “INDEPENDENCE DAY“. Aliás, é basicamente a mesma.

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O grande ponto forte do filme começa logo por nem sequer tentar esconder que é um plágio desses três filmes e ainda goza com isso. Na verdade mais do que um plágio, [“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] é quase um genuíno exemplar de um certo tipo de cinema-homenagem precisamente porque não tenta sequer disfarçar as suas origens e mostra o que se pode fazer dentro do cinema do género mesmo quando não há dinheiro absolutamente nenhum para produzir seja o que for; muito menos competir técnicamente com qualquer blockbuster da moda.

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[“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] é assumidamente “cinema-mau” (não confundir com mau-cinema) e tem orgulho disso.
Quem aceitar todas as regras deste universo e deixar-se ir pelo estilo do filme e carisma dos personagens irá divertir-se à brava com este título.

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Havendo por aqui uma clara noção de que [“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] não iria conseguir impressionar ninguém tecnicamente quem esteve por detrás desta maravilha do cinema-lixo resolveu apostar tudo nos personagens principais e é aqui que o argumento acerta em cheio.
Não sei como conseguiram fazer isto mas esta aventura tem um dos grupos de herois mais simpáticos e cativantes dos últimos tempos. Tomara a moderna sequela de “INDEPENDENCE DAY” ter conseguido dar-nos pessoas assim com que nos importassemos mesmo. [“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] consegue-o.

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INDEPENDENCE DAY 1 e Meio…

Essencialmente isto conta a história de um grupo de veteranos de um certo tipo secreto de forças especiais usadas para controlar alguns eventos que derivaram do caso Roswell em 1947 que de um dia para o outro são despedidos por estarem velhos de mais para o serviço. Como tal vai daí, sete anos depois quando uma verdadeira invasão extraterrestre atinge a Terra o grupo volta a reunir-se para combater as forças alienígenas e salvar o planeta mesmo que o governo não os queira metidos ao barulho.
O que dá direito a um dos grupos de herois mais carismáticos dos últimos tempos neste tipo de cinema.
Podemos inclusivamente contar com uma Denise Crosby agora com mais trinta anos em cima desde Star Trek TNG num papel feito à sua medida.

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Outra coisa que o argumento totalmente biruta deste filme faz muito bem é misturar um monte de referências ovniológicas clássicas. Não quero aqui revelar demais e estragar o prazer da descoberta mas todo o filme está carregado de referências a um monte de coisas conhecidas (e menos conhecidas) do mundo da ufologia nos últimos 50 anos e portanto nota-se que [“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] foi escrito por alguém que tem pelo menos boas bases sobre os temas que está por aqui a satirizar.
E não se enganem, este filme não se leva mesmo a sério e auto-parodia-se do principio ao fim.

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Criticar [“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] por ser um filme mal feito é não ter percebido o filme de todo.
Enquanto comédia de acção que vampiriza tudo e mais alguma coisa da cultura popular e ovniológica dos últimos anos este é um trabalho muito sólido.
E no fundo, no fundo precisa mesmo de ser um título de baixo orçamento para resultar tão bem quanto resulta.

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TOY SOLDIERS

Se isto tivesse sido uma mega produção teria perdido toda a sua alma, pois metade da piada é olharmos para isto e admirar as voltas que a produção deu para conseguir “reproduzir” ou “homenagear” tudo o que é popular neste campo.
E sim os efeitos são do pior.

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Melhor ainda, não apenas os efeitos especiais são absolutamente maus como inclusivamente há coisas que ainda tornam o filme mais rídiculo; o que faz muito sério cinéfilo de IMDb não perdoar nem perceber o espírito por detrás desta obra prima do lixo. Por exemplo logo a partir do primeiro segundo está mais que claro que aquele pessoal que finge ser um grupo de militares dos EUA nunca vestiu uma farda na vida e o único treino que teve para interpretarem soldados neste filme deve ter sido verem um dvd na noite anterior do Black Hawk Down ou uma qualquer peça de noticias sobre militares no Iraque. Até a forma como se movem ao agarrar nas metralhadoras nos faz rir. E isto é apenas um mero exemplo.

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[“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] está carregado de coisas assim no que toca à acção de background ou em relação à qualidade das interpretações dos actores secundários.

TOY STORY 2

Tal como aconteceu em “BATTLE PLANET” mais uma vez estamos perante um estranho estilo de sci-fi baseado num design em que tudo parece ter sido feito com brinquedos.
E [“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] acho que ainda leva esta estética mais ao extremo.
Desde as espingardas laser de plástico que os herois usam até ao inacreditavelmente mau CGI em total estilo estética de cartolina pintada que percorre esta aventura tudo aqui é quase mau demais para ser verdade. Este é bem capaz de ser um dos filmes modernos com os piores efeitos especiais de que há memória.

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As sequências estilo Top Gun, Star Wars ou Independence Day quando envolvem acção com naves espaciais é de nos fazer cair o queixo de tão más que são.
Nada que vocês possam pensar encontrar pela frente mesmo vendo o trailer os irá preparar psicologicamente para a má qualidade tanto do design em geral quanto do CGI que colocaram nesta aventura. Trust me.
Tudo parece uma enorme colecção de brinquedos e ainda nem lhes falei dos aliens…
E nem vou falar.
Nem vale a pena…

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THE X-FILES EXPENDABLES-SPACE COWBOYS FIGHT FOR INDEPENDENCE DAY TO DEFEND ROSWELL AND SAVE THE WORLD

E se vocês tiverem algum problema com isto, este título não é para vocês.

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CLASSIFICAÇÃO

[“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] foi uma muito agradável surpresa no que toca a cinema low-budget para começar 2018.
Pelo meio de todos os personagens divertidamente malucos, simpáticos e carismáticos, pelo meio de um dos piores concept design alguma vez pensados para um scifi, pelo meio de efeitos e animações digitais que teriam sido rejeitadas nos primórdios de uma Playstation One, há por aqui uma aventura muito simpática, ( com uma banda sonora interessante ).

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Toda a gente que não tiver preconceitos contra produções assim e não se importar de legitimamente deixar o cérebro à porta durante 90 minutos e divertir-se apenas com isto enquanto dura vai adorar.
Enquanto filme-lixo saído do canal SYFY é dos melhores no sentido em que é também um dos piores que já vi; como tal é verdadeiramente muito bom, mesmo e recomenda-se por completo.

Quatro Planetas Saturno

 

E se calhar estou a ser preconceituoso pois esta aventura é bem capaz de merecer até mais um ponto só pela química entre os protagonistas e o espirito que-se-foda.
Ignorem mais uma vez as opiniões do IMDb pois como de costume foram claramente escritas pela malta que por qualquer motivo insiste em comparar cinema no-budget com produções de Hollywood mostrando que se calhar a falta de inteligência não está do lado de quem insiste em continuar a produzir estas aventuras sci-fi tão ridículas mas sim na total falta de capacidade para certas mentes perceberem a filosofia por detrás do espírito de um pequeno série-B.

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[“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] é muito divertido, tem muito boa onda e inclusivamente o seu inicio quando os personagens se voltam a reunir tem por ali um toque de cinema clássico na forma como algumas cenas estão filmadas à moda antiga sem pressa de ir a lado nenhum e com tempo para ficarmos a gostar muito daqueles malucos todos do pelotão que em certas alturas faz lembrar uma espécie de A-Team espacial, o que só lhe dá ainda mais pontos.

A favor: os personagens principais, os incrivelmente maus efeitos especiais e as incrivelmente mal filmadas sequências de acção quando o filme pede cenas em CGI seja com naves ou com aviões, os aliens ainda são mais ridiculos que os CGI, toda a boa coleção de referências ovniologicas que percorre este argumento, é um filme divertido do principio ao fim por ser tão mau e muito melhor do que aparenta ser no trailer. Tudo é mau , logo tudo é bom ! Muito bom !!

Contra: o trailer não lhe faz justiça, ainda há quem compare titulos destes com produções de Hollywood de milhões, não há uma sequela.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
É impossível encontrar o trailer disto online por isso cá fica o teaser do Syfy Channel.

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COMPRAR BLURAY – REGIÃO 2 (B) – EDIÇÃO ALEMANHA
Há isto editado em bluray numa edição separada aqui ( que aposto deve trazer também outro filme grátis pois é da mesma editora ( se calhar “ALIEN DAWN”) ).

bluray1

https://www.amazon.de/Exterminators-vs-Aliens-3D-Blu-ray/dp/B00KZDI8WY/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1514913914&sr=8-1&keywords=exterminators+vs+aliens+bluray

Mas se também curtirem o série-B “ALIEN DAWN” é boa ideia comprarem precisamente o bluray de “ALIEN DAWN” pois como já disse [“EXTERMINATORS VS ALIENS” / “INVASION ROSWELL“] vem grátis no mesmo disco mesmo sem haver qualquer referência a ele na capa de “ALIEN DAWN” visto que foi com esta compra que o obtive.

bluray2b.jpg

https://www.amazon.de/Alien-Dawn-Blu-ray-Rachelle-Dimaria/dp/B06XD2442F/ref=sr_1_1?s=dvd&ie=UTF8&qid=1514913954&sr=1-1&keywords=alien+dawn+bluray

https://www.amazon.de/Alien-Dawn-Real-Blu-ray-Special/dp/B00KT5ZEHU/ref=sr_1_2?s=dvd&ie=UTF8&qid=1514913954&sr=1-2&keywords=alien+dawn+bluray

Nenhuma das edições desta editora como habitualmente tem legendas em inglês sequer.
Só em Alemão embora possamos ver os filmes em inglês.

FALSO 3D
Outra nota: Ignorem o “3D” referido nas capas dos blurays desta editora, seja em que filme for.
Não é “3D” real. O que o bluray faz é ligar a conversão automática de qualquer televisor 3D quando o filme começa para o modo de simulação-3D que já está disponível no hardware e pode ser usada para qualquer outro título de qualquer maneira.
A simulação 3D dá alguma profundidade ao filme como habitualmente mas não é puro 3D e não esperem ver elementos a saltar para fora da TV ao contrário do que acontece com o 3D real.
É pura publicidade enganosa cobrarem mais por blurays supostamente em 3D nesta editora quando na verdade o que apenas fazem é ligar por vocês a simulação 3D do vosso televisor que de outra forma teriam de ser vocês a iniciar. Mais nada. Os filmes nem sequer estão gravados/remasterizados em 3D.

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt3133114

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