LIVRO(S) em DESTAQUE : “OUTLANDER” – Diana Gabaldon

NOTA: Esta nova secção serve para que eu recomende livros que considero indispensáveis ou simplesmente muito bons, imaginativos ou divertidos na área do Fantástico / Ficção-Científica / Fantasia / Sobrenatural ; porque isto do cinema é muito giro mas até agora não deve ter aparecido um filme que em termos de história se compare a um bom livro. Como há imenso por onde escolher vamos a isto.

LIVRODESTAQUE

400 PÁGINAS

Quando cada um dos oito livros que compõem esta história única têm em média entre 900 e 1300 páginas por volume e eu continuo a ler um pouco mais de 400 páginas de seguida por dia de cada um dos volumes…se calhar deve querer dizer que isto é de longe uma das melhores histórias de aventura que alguma vez li.
E ainda só li 4000 páginas.

LIVRODESTAQUE4

Faltam-me neste momento umas 4000 restantes para completar toda a história mas não tenho já dúvida alguma de que *OUTLANDER* é definitivamente o épico mais imaginativo, viciante e surpreendente que encontrei em livro desde que há vinte anos devorei num fim de semana os 4 volumes da série “RAMA” de Arthur C.Clarke ( e Gentry Lee ) que nem de perto alcançam no entanto as 4000 páginas que já liagora desta incrível aventura Escocesa e das quais ainda me faltam mais de metade até ficar a saber como termina.

LIVROS “PARA GAJAS” (?) …

*OUTLANDER* à primeira vista não parece, mas tem mais em comum com o épico de ficção-científica de Arthur Clarke do que o leitor casual ( que não goste de ficção-científica ) poderá sequer imaginar.
Por detrás do óbvio estigma de literatura feminina que imediatamente atira depreciativamente os romances para aquela categoria de “livro para gajas” segundo muito macho de barba rija; ou pior, os lança para aquela outra de “pseudo-romance histórico” segundo certos fundamentalistas “historiadores de sofá” veneradores de Umberto Eco ( que depois nunca leram um livro do homem ) , a verdade é que não apenas em escala épica como principalmente no que toca a construção de personagens inesquecíveis, *OUTLANDER* de Diana Gabaldon é tão bom quanto a saga “RAMA” de Clarke o foi e é definitivamente uma das melhores aventuras dos últimos anos, literáriamente falando.

LIVRODESTAQUE2

Claire Fraser em *OUTLANDER* é de longe a melhor personagem feminina que encontrei em muitos anos na literatura de aventura e a única que se pode comparar em pé de igualdade com Nicole Des Jardins nos livros de Arthur Clarke na forma como deixa saudades por parecer uma mulher tão real e com tanta textura.

SOMEWHERE IN TIME

*OUTLANDER* para minha grande surpresa é também muito possivelmente a melhor história sobre viagens no tempo que alguma vez li e não estava nada à espera disto.
Não sendo assumidamente um livro de ficção-científica joga muito bem com os paradoxos clássicos da literatura do género e vai ainda mais longe; essencialmente porque em 8000 páginas de história há muito mais espaço para que nada fique esquecido e para desenvolver tudo aquilo que não costuma ser detalhado nos romances sobre viagens no tempo normalmente mais interessados nessa vertente do que nos personagens.
Quem gostou do filme “SOMEWHERE  IN TIME” e principalmente gostou do livro que lhe deu origem, então tem em *OUTLANDER* uma história obrigatória. Diria mesmo absolutamente imperdível pois tem exactamente o mesmo espírito principalmente na forma com usa as viagens no tempo sem as destacar e principalmente como nos dá um par romântico absolutamente clássico e com imenso carísma.
Imaginem “SOMEWHERE IN TIME” com toda aquela aura nostálgica e românticamente clássica mas com muita aventura pelo meio, violência crua quanto baste, sexo e muita atmosfera que não os deixará largar cada página só para ver o que irá acontecer na próxima.

LIVRODESTAQUE3

MÁQUINA DO TEMPO

O facto de *OUTLANDER* utilizar o conceito de viagens no tempo praticamente em pano de fundo sem nunca evidenciar por aí além que estamos na presença de uma história de ficção científica óbvia ou de Fantasia mais clássica também permitiu a que a escritora Diana Gabaldon tivesse conseguido partir sempre para ramificações cada vez mais surpreendentes e que agarram o leitor do princípio ao fim pois tudo pode acontecer no capítulo seguinte.
*OUTLANDER* para lá de ser uma verdadeira máquina do tempo é precisamente aquele tipo de história em que pensamos mesmo que conhecemos todos os clichés possíveis. Convencemo-nos de que sabemos mesmo o que irá acontecer a seguir, quando de repente toda a narrativa muda por completo de direcção obrigando-nos a continuar a ler só para saber o que raio se irá afinal passar na realidade. E se isto não é uma definição de uma história bem contada não sei o que será.

LIVRODESTAQUE5

ADRENALINA ROMÂNTICA

Além disso, sendo apontado ( por quem não leu ) apenas como “uma história para gajas” , não é que *OUTLANDER* é ainda surpreendentemente violento ?! Eu não me recordo de ter encontrado situações tão arrepiantes descritas numa história assim desde talvez “A CATEDRAL DO MAR” de Idelfonso Falcones que é bastante potente nas suas descrições e torturas que inflige aos personagens. *OUTLANDER* não fica atrás em momentos extraordinariamente violentos. Qualquer macho latino mais desprevenido que se apanhe a ler este livro ( “para gajas” ) ás escondidas para que os amigos não o vejam com –“romances do amor”- irá concerteza surpreender-se quando perceber que isto afinal é muito mais do que apenas uma grande história de amor também.

LIVRODESTAQUE6

*OUTLANDER* pode ser uma das melhores histórias de amor “femininas” que haverá no mercado ( apontado pelo marketing a esse público alvo sem sombra de dúvida )  mas ao mesmo tempo consegue ser um extraordinário romance de aventuras com um tom verdadeiramente épico e uma visão particularmente masculina quando necessária para a adrenalina da história. A um nível que irá deixar muito gajo com preconceitos literários não apenas verdadeiramente surpreendido como aposto, absolutamente rendido a este grande romance de amor e high-adventure que percorre não apenas as montanhas da Escócia como grande parte do mundo ( e em vários épocas diferentes ) durante décadas.
Em certas alturas faz lembrar também “CLOUD ATLAS” ( o filme principalmente ) precisamente pela forma como “a ficção científica” está usada essencialmente para situar personagens e acontecimentos inesquecíveis ao longo de gerações.

b6f54c3c1b81cea56957b4f1889c774d

TEXTURAS

Outra das grandes mais valias destes romances é a quantidade incrível de detalhe que acompanha cada capítulo. Se num momento ficamos a conhecer mais sobre a História da Escócia, no outro temos uma verdadeira introdução às propriedades medicinais de várias ervas, ficamos a conhecer algo sobre os costumes da população ou simplesmente aprendemos algo sobre medicina da altura em que nunca tínhamos pensado antes. E tudo isto integrado na narrativa da história central.
O livro nunca “pára” para nos explicar coisas em tom de aula de história, de física, de saúde ou do que quer que seja contrariamente a certos títulos onde os personagens ficam sentados a discutir sobre aquilo que o escritor fez copy-paste de um qualquer manual didático. Aqueles onde o livro em vez de ser sobre a história que deveria contar será mais um manual escolar disfarçado em tom educacional paternalista.

diana-gabaldon-credit-douglas-watkins-lst187106

Em *OUTLANDER* nada disso acontece e se há mérito na escrita de Diana Gabaldon é a forma como esta conseguiu incluir a quantidade incrível de factos interessantes sobre tudo e mais alguma coisa sem nunca fazer com que a informação pareça ter sido inserida a martelo só para fingir ser um “romance histórico” ou algo assim.
O que para um primeiro livro que foi escrito há 25 anos por uma pessoa que nunca tinha escrito um romance e quis experimentar para ver como se sairia não está nada mal não senhor.

BATTLESTAR OUTLANDER

*OUTLANDER* actualmente é também um série de TV de sucesso. E supreendentemente será talvez uma das mais politicamente incorrectas que alguma vez vi. Não apenas numa conotação sexual, como reproduz fielmente todas as incríveis e realísticas cenas de violência descritas nos romances de uma forma que nem sei como é que isto consegue passar actualmente pelos censores do politicamente correcto lá pelos lados do Tio Trump.

outlander 02

Talvez porque é uma produção Canadiana de Ronald D.Moore e da mesma equipa que criou o reboot de BATLLESTAR GALACTICA há uns anos atrás. Como tal imaginem a crueza de GALACTICA multiplicada ao cubo e com sequências muito mais explícitas.
*OUTLANDER* enquanto série de TV é não apenas fabulosa visualmente como acima de tudo é também uma das melhores adaptações de um livro que alguma vez me passaram pela frente. É bastante fiel aos romances e mesmo quando muda algo normalmente ainda melhora o material original como se isso fosse possível de imaginar depois de lermos os livros.

Outlander-01-1

Em Portugal ainda só estão editados os primeiros 5 livros à data em que escrevo isto, mas de qualquer forma agora que estou quase a completar o quarto volume já não tenho dúvidas de que a qualidade da história irá continuar nos próximos. E as surpresas na história também.
Há muito que não lia algo tão épico quanto criativo a um nível destes e a última coisa que eu esperaria era ter encontrado uma história assim em livros que à partida parecem apenas apontar a um público feminino e não precisavam mais do que ser pulp-fictions estereotipados para sopeiras ou fãs do Twillight.
Meus amigos, *OUTLANDER* não é as 50 Sombras de Grey com Escoceses lindos. Vão por mim.
Numa palavra; extraordinário !

Todos-Outlander

E épico também.
E imaginativo.
E intenso.
E viciante.
E…
E…
E…

——————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

CAPA ( e grafismo ): 
(
Tanto as capas Portuguesas como as da maioria das edições internacionais são geralmente muito boas. )

ORIGINALIDADE: 
(
Por detrás da aparência feminina em termos de literatura romântica está uma história onde as surpresas abundam e nunca sabemos mesmo o que irá acontecer a seguir. Notável em todos os sentidos. )

IMAGINAÇÃO: 
(
Não apenas a vertente de viagens no tempo é simplesmente incrível na forma com está explorada na história como a variedade de ambientes, situações e detalhes é tão grande que quase custa a crer que isto foi tudo imaginado apenas por uma única pessoa. Um trabalho extraordinário a nível de personagens e situações que pega no leitor e o transporta numa verdadeira sucessão inesperada de viagens no tempo. )

CAPA OUTLANDER SÉRIE


NARRATIVA:   

( É uma aventura muito mais masculina do que pode aparentar à primeira vista por isso gajos podem ler à vontade. Contém ainda pilhas de detalhes sobre tudo e mais alguma coisa que nunca parecem forçados ou colocados a martelo e que dão textura a uma das maiores aventuras de grande escala que já me passaram pela frente, tanto nos livros como na série de TV. Grandes momentos de aventura e acção, sequências surpreendentemente violentas e cheias de adrenalina, reviravoltas e twists de fazer cair o queixo do leitor, tudo é usado por Diana Gabaldon para nos agarrar e nunca mais largar. )

RAV (“Read again value”):
( A escala épica dos ambientes, os personagens inesquecíveis, as diferenças entre os livros e a adaptação para TV, junto com a própria atmosfera de viagem no tempo que consegue criar faz com que estes sejam daqueles livros que apetecerá reler muitas vezes ao longo dos anos sem qualquer sombra de dúvida só para reencontrar este universo e estes personagens. Há por aqui qualquer coisa de Rama de Clarke e isso dá um sabor ainda mais especial a todo o universo *OUTLANDER*. )

——————————————————————————————————

Mais recomendações literárias neste blog:

The Martian War - Gabriel Mesta Last_and_First_Men.jpg DarkSpace-capa.jpg

————————————————————————————————————

NOTA 3: Infelizmente bons livros dentro do género da ficção-científica / fantasia escasseiam actualmente em Portugal. Nunca deve ter havido tantas edições traduzidas nas livrarias mas essencialmente o género está morto e enterrado neste país pois o que cá se publica salvo raras excepções não passam de livros que o marketing estrangeiro definiu como o livro da moda.

584c984a1f591a0c7cef3d55.png
Aventuras adolescentes onde raparigas rebeldes em futuros distópicos se apaixonam por lindos líderes da resistência, plágios descarados sem um pingo de imaginação de clássicos da Fantasia que em Portugal não vêem a luz do dia desde que a velha colecção Argonauta se extinguiu ou vampiros lindos de morrer aos quilos são o que infesta actualmente as prateleiras daquilo que supostamente seria a secção de fantasia/ficção científica que antigamente comportava escritores como Heinlein, Ursula Le Guin, Anne McFfrey, Assimov, K.Dick, e todos os restantes que tornavam tão unica e variada cada opção à escolha; hoje tudo substituído pelo mais estereotipado conceito reciclado que estiver na berra ou pura prosa-videogame no estilo mais vazio possível.
Por essa razão muitos dos livros que irei continuar a recomendar por aqui estarão em inglês pois felizmente porque lá fora ainda se encontra uma boa variedade de opções para todos aqueles que conseguem evitar ler em Português. Além disso uma edição inglesa custa às vezes 75% menos do que o mesmo livro em Portugal quando este existe. Em Portugal dividem-se livros como “DUNE” ou “Game of Thrones” em dois volumes de vinte euros cada um ( sendo originalmente um único livro ) , quando o mesmo livro em Inglês na integra se compra actualmente por 8€ por exemplo.

————————————————————————————————————

Se gostarem deste livro vão gostar destes filmes:

capinha_BABYLON 5.jpg capinha_FH_CHILDRENDUNE.jpg capinha_FHDUNE.jpg capinha_CLOUD ATLAS.jpg capinha_SOMEWHEREINTIME.jpg

—————————————————————————————————

 

A morte de ART BELL (1945-2018)

Art Bell morreu.
E como não poderia ter deixado de ser, fê-lo numa Sexta-Feira 13.
O que só pode significar que – “lá do Outro Lado” – haverá um Universo com um enorme sentido de humor negro que agradaria ao próprio Art se este tivesse vindo agora anunciar a notícia da sua morte no seu programa.

ArtBell-RIP

UMA FORMA DE ART

Mas quem foi Art Bell ?
O mundo da Talk Radio é um universo radiofónico particularmente desconhecido em Portugal ainda hoje. A última tentativa que me lembro de ter ocorrido por cá para se criar uma emissão do género de forma verdadeiramente profissional e provocatória foi pela mão de Joaquim Letria, que há mais de vinte e cinco anos teve por algum tempo um programa rádio matinal tão popular na altura que acabou cancelado. Corrido do ar  quando os tópicos das conversas e das intervenções do público ouvinte ( que para lá ligava ) começaram a “ofender” alguns senhores do poder vigente e portanto o programa foi extinto. O género Talk Radio nessa sua vertente mais pura em Portugal morreu essencialmente aí.

ONLINE FROM THE KINGDOM OF NIGH

Fora de Portugal, Art Bell durante mais de duas décadas foi o rei da Talk Radio nocturna nos EUA e não só. Graças à internet, chegou a ser o programa de rádio mais ouvido do mundo anos a fio; apesar das suas emissões serem sempre efectuadas noite dentro e madrugada fora como apropriado claro está, tendo em conta os temas que abordava.
Art foi dos primeiros a usar esse novo meio de comunicação quando a internet despontou para o grande público e o seu site pessoal foi um dos primeiros a disponibilizar arquivos audio para download ainda nem o mp3 sequer existia e praticamente nenhuma rádio estava ainda online.

ArtBell-1280x330

O resultado foi uma audiência (“global”) tão significativa que até mesmo já nessa altura, levou à criação do programa “Coast To Coast“, mais tarde coorporatizado e “comercializado” ( contra a vontade de Art ) quando a emissão pelos habituais motivos “legais” associados ao maravilhoso mundo dos negócios, escapou do seu controlo.
Inicialmente fiel ao espírito inicial, gradualmente a emissão de CToC passou a formatar-se de forma contrária à filosofia e à direcção sempre independente que Bell pretendia desde o início.
Resumindo ( e simplificando ), isto fez com que Bell abandonasse o programa quando o próprio Talk Show já era número 1 também nas estações mais comerciais em regime de Sindication que se associavam aos quilos a cada semana que passava.
Coast to Coast passou depois para as mãos e para a voz de George Noory que continua até hoje a dar continuidade ao formato na sua vertente mais comercial, por vezes com óptimo resultado por outras nem por isso ( e que esta semana nos deu um emocional anúncio sobre a morte de Bell ) ; mas a verdade é que ninguém poderá igualar Art Bell e por isso a fasquia de comparação nunca será fácil para todos aqueles que tiverem a coragem de criar programas neste tipo de rádio.

artbelldj-580x360

DIAL UP CONNECTION

Também eu descobri Art Bell graças à internet.
Por volta de 1995/96 quando surgiu em Portugal difundindo-se pelos nossos lares, percebi que não precisava de estar preso ás rádios Portuguesas que já nessa altura começavam a tornar-se extremamente estereotipadas nos seus formatos e uma tarde pus-me a navegar pela versão primitiva da internet tentando encontrar online estações de rádio que me trouxessem até casa algo de diferente.
Isto numa época em que ainda estávamos apenas todos ligados por linha telefónica em dia-up-connection, não havia Google, não havia Youtube, não havia Facebook ( não havia velocidade para stream de videos, as placas gráficas tinham 256 cores ) e nem ninguém fazia ideia do que viria a ser uma coisa conhecida como – social media.
Não haviam telemóveis também.
Existiam uns sites primitivos descendentes directos das antigas BBS e era tudo.

1004356109_nv_pv_artbell_08

TALK RADIO

A meio dos anos 80, ainda em plena época VHS, Oliver Stone realizou um filme que me marcou e que continua a ser um dos meus favoritos embora seja um dos títulos mais esquecidos ainda hoje. Chamou-se precisamente “TALK RADIO” e foi o grande responsável por eu naquela tarde de Internet anos mais tarde me ter colocado à procura de algo nos EUA que pudesse ter precisamente alguma semelhança com o que o filme mostrara anos antes.
O que eu não esperava era ter encontrado algo como o programa de Art Bell !

hqdefault

Transmitindo madrugada fora a partir da sua casa no meio do deserto perto de Las Vegas, não apenas o programa de Art Bell era Talk Radio com um apresentador que superava em realidade tudo o que eu tinha visto de polémico e carismático no filme de Oliver Stone como as suas emissões, “Dreamland/Art Bell/Coast to Coast” ainda por cima abordavam todo o tipo de tópicos inesperados; desde ovnis, a fantasmas, conspirações, ciência, religião, paranormal, arqueologia/forbidden-archeology, reencarnação, vida depois da morte; ou tudo o mais que possam imaginar e que de todo nunca passaria num programa Português.
Art Bell fez com que subitamente a minha imaginação se tivesse expandido de tal forma que deu origem a quase todo o novo conteúdo de Fantasia que imaginei para a minha história de Banda Desenhada / Comics ; “As Aventuras do Princípe Ziph” / “ONCE UPON A TIME ON MARS” e que conta inclusivamente com uma sequência precisamente inspirada em Coast to Coast envolvendo um personagem que é uma mistura propositada de George Noory com Art Bell. Isto para não falar de que mais de metade de todo o meu trabalho e portfólio de ilustração nos últimos 25 anos foi pintado e desenhado ouvindo as emissões de Art.

Art Bell & Cat buddy

A lenda de Art Bell; segundo o próprio, começou um dia no final dos 80s, quando este farto de passar anos a fazer programas radiofónicos sobre debate politico,  interrompeu a sua emissão habitual e mudou de tópico sem autorização para tal, tendo pedido para que os ouvintes passassem a partir daquele minuto a ligar apenas para contar histórias sobre ovnis ou algo que tivesse a ver com o paranormal fruto das suas próprias experiências.
Atitude esta que quase o levou ao despedimento da rádio onde trabalhava na altura. Quase.
Uma atitude que mudou o rumo da sua vida.
Isto porque no dia a seguir a ter levado uma bronca descomunal da direcção da estação pela sua mudança de tópico alegadamente ter ridicularizado indirectamente todos os anunciantes que não tinham pago para aparecer no Jornal do Incrível, Art Bell viu-se de repente com uma proposta para seguir com um novo tipo de programa da parte de quem na noite anterior o queria essencialmente matar pelo que este tinha colocado no ar.

art-bell

FROM COAST TO COAST

Para sua surpresa, a emissão que conduzira onde por mais de três horas na noite anterior os telefones nunca tinham parado com relatos de tudo e mais alguma coisa, tinham entupido as linhas e feito com que aquela emissão inesperada tivesse rebentado todos os recordes de audiência que um Talk-Radio-Show alguma vez tinha alcançado até então nos EUA noite dentro. Segundo os números apresentados, parecia que praticamente toda a América tinha estado ligada em Art Bell na noite anterior e tudo o resto era paisagem.
A partir desse momento Art Bell passaria a ser conhecido como o criador daquilo a que se viria depreciativamente apelidar de “Conspiracy Radio/Radio Conspirativa” ou “Paranormal Radio / Radio Paranormal” ; mais até pelos inúmeros programas de imitação que gerou ao longo dos anos ( muitos apresentados por verdadeiros lunáticos como Alex Jones que … enfim… … ), do que propriamente pelo seu próprio conteúdo pois as discussões mediadas por Art sempre foram particularmente inteligentes.
Art Bell é tão popular nos EUA e no mundo da Talk Radio ainda hoje que o próprio filme “2012” de Roland Emmerich tem um personagem baseado em si e a suas influência em coisas como “THE X-Files” serão para sempre por demais óbvias.

studio16

Art Bell foi dos primeiros as falar de – Aquecimento global – quando este tema ainda era considerado uma teoria da conspiração ( e levou muito na cabeça por parte daquela malta que venera “a verdadeira ciência” ). Sim, as pessoas já não se lembram, mas o – Aquecimento Global – já foi um tema tão ridicularizado pelos auto-denominados “cépticos” quanto qualquer outro que ainda hoje continua mais fringe.
Art Bell foi também o primeiro a denunciar o projecto “Echellon”, outra teoria da conspiração, diziam e que durante anos foi ridicularizada pelos Media até que há um par de anos se revelou que não apenas tudo o que tinha sido comentado nas emissões de Talk Radio de Bell afinal era verdade como a verdade ainda era mais estranha do que a “conspiração” proposta quando se afirmava que o governo does EUA tinha mesmo um programa de escutas privadas que recolhia informação sobre tudo e mais alguma coisa quebrando todo o tipo de leis. Na Era do Facebook onde toda a gente acha normalíssimo partilhar info privada, tal revelação nem sequer foi notada. Mas Art foi o primeiro a abordar o tema quando este ainda era ridicularizado pelos Media.

Midnight_in_the_Desert-with_Art_Bell

OVNIS, FANTASMAS, ASTRONOMIA, RELIGIÃO, FÍSICA QUÂNTICA, REENCARNAÇÃO, BIOLOGIA, ECOLOGIA, ARQUEOLOGIA, MARTE e tudo o mais que possam imaginar.

Mas o grande mérito de Bell durante décadas não foi apenas o de dar voz aos temas mais -fringe.
Em Coast to Coast ou em todos os seus subsequentes programas o grande mérito de Art Bell foi sempre a sua capacidade de juntar tanto o lado mais “conspirativo” com a ciência  mainstream. Por vezes no mesmo debate.
Por exemplo, Michio Kaku, foi durante anos convidado de Bell e o youtube está cheio de entrevistas fascinantes que deverão ouvir.

maxresdefault

Art Bell entrevistou e ouviu sem julgar ambos os lados de todas as questões mais polémicas ( ovnis, reencarnação, astronomia, religião, física quântica, fantasmas, paranormal, astronautica ) e foi sempre essa a sua grande força.

GHOST TO GHOST

Uma vez por ano no Halloween, Coast to Coast transformava-se em “Ghost to Ghost” naquele que é o seu programa mais clássico de todos e que poderão encontrar aos quilos no youtube onde durante quatro ou cinco horas seguidas durante duas décadas no dia 31 de Outubro a emissão era apenas composta por gente que de todo o mundo ligava para Art Bell para contar as suas histórias de fantasmas e experiências sobrenaturais.

art_bell2

Foi o primeiro a falar detalhadamente sobre a polémica da Face on Mars, entrevistou investigadores dos dois lados da barricada e fez com que eu próprio me começasse a interessar seriamente pelo tema a ponto de criar o meu livro e website “O ENIGMA DE MARTE“.
A melhor entrevista de sempre sobre o caso Travis Walton com os verdadeiros protagonistas da suposta alien-abduction, foi conduzida por Art ( onde se detalham as diferenças entre o caso real e o que o filme “FIRE IN THE SKY” inventou ) é também outra das emissões clássicas que devem procurar ouvir quanto antes se o tema lhes interessa.
Pelo caminho procurem nomes como Stanton Friedman, Linda Moulton Howe, Michio Kaku, Brian Greene, John E.Mack, Graham Hancock, Richard Hoagland, Seth Shostak, The Ghost Society Investigators (EVP Shows) etc, etc, etc.
É impossível descrever o alcance dos temas propostos por Art Bell nas suas emissões, desde as Open Lines até aos confrontos ao vivo com fanáticos Evangélicos ( bible-thumpers ) que para lá costumavam ligar para lhe dizer que ele trabalhava para Satanás tudo valia nos programas de Art ( as emissões com o fanático religioso J.C. são hilariantes e de ouvir para crer ). Num dia poderia estar a entrevistar um sacerdote satânico; no outro o director do SETI, Seth Shostack por exemplo, ouvindo com interesse qualquer um deles.

x240-xyP

ART BELL IS EXPLORING THE UNKNOWN

Art Bell morreu.
Foi-se na última Sexta Feira 13 aos 72 anos deixando uma mulher, uma filha com pouco mais de dez e um novo bebé recentemente nascido.
Deixou-nos também milhares de horas de emissão que o manterão vivo por décadas e décadas , seja no Youtube ou para donwload oficial no site Coast To Coast AM ; seja em torrente espalhados pelo mundo inteiro Art Bell continua à espera de ser descoberto.
Se se interessam por grandes entrevistas sem qualquer julgamento sobre as questões, sobre temáticas que vão desde a ciência mais mainstream à teoria dos Antigos Astronautas e pelo meio um nunca mais acabar de tópicos sobre tudo e mais alguma coisa então ainda estão a tempo.

Art-Bell-feature-image

Comecem hoje a descobrir o prazer de ouvir Talk Radio no seu expoente máximo pois ainda estão a tempo de conhecer a obra de Art Bell.

, etc…

—————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Ps: Art Bell deixou imensos continuadores, mas na minha opinião actualmente ninguém captura melhor o ORIGINAL espírito independente deste género de programa do que o podcast inglês chamado “THE UNEXPLAINED.TV” apresentado de forma excelente há mais de uma década por um jornalista Britânico chamado Howard Hughes e que recomendo vivamente a todos os novos e velhos fãs de Art.

the-unexplained-tv

Na minha opinião este senhor é actualmente o único que se pode comparar a Art nos seus melhores tempos e embora as suas emissões sejam podcasts o arquivo da The Unexplained.TV já conta com uma excelente colecção de entrevistas igualmente sobre todos os temas e com a mesma abertura que caracteriazava o programa de Bell; ( Art chegou a convidar Hughes para produzir uma emissão regular anos atrás que no entanto acabou por não ser compatível com a vida profissional e pessoal de quem ainda hoje continua a produzir The Unexplained.tv ). Vivamente recomendado a todos aqueles que já sentem saudades de uma boa entrevista contemporânea neste tipo de tópicos menos mainstream por vezes.

O programa independente -mais recente- de Art continua também actualmente no ar, apresentado por Heather Wade ( óptima entrevistadora que tem vindo a evoluir com os anos ) , pupila directa de Bell e por ele treinada para o substituir oficialmente no Midnight in the Desert quando este se reformou um par de anos atrás, ( dizem agora por já se saber particularmente doente ).

mitd-heather_9to1

De qualquer forma o espírito de Art Bell continua vivo, as suas emissões clássicas continuam actuais e só os Ghost to Ghost ou “EVPS – Electronic Ghost Phenomena” que nos deixou são suficientes para ilustrar ainda muitas décadas de Halloween.
Recomendo vivamente que explorem bem o seu nome no Youtube. 😉

—————————————————————————————————

—————————————————————————————————

 

“THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES” (“A VIDA INTÍMA DE SHERLOCK HOLMES” / “THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES”) Billy Wilder (1970) EUA/Inglaterra

Talvez porque Sherlock Holmes nunca foi algo que me tivesse cativado por completo, até hoje eu não fazia ideia de que este filme, [“THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES“] sequer existia. Deparei-me com ele há dias e o facto de conter um toque steampunk quando envolve um submarino em forma de monstro do Loch Ness ( *spoiler logo no cartaz* ) fez com que eu lhe prestasse imediatamente atenção.
E ainda bem, pois este filme estreado precisamente no ano em que eu nasci, 1970 continua ainda hoje a ser particularmente cativante por vários motivos.

INTRO2

Curiosamente visto hoje em dia, [“THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES“] parece-se com uma espécie de prequela para outro clássico “Holmesiano” esquecido; o SpielberguianoYOUNG SHERLOCK HOLMES & The Pyramid of Fear” realizado por Barry Levinson no final dos 80s e carregado de ideias que depois mais tarde Harry Potter “tomou emprestadas” (tanto em livro como em filme).

The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes27 The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes21

Se a produção de Spielberg nos anos 80 imaginou um começo para as aventuras de Holmes e Watson então [“THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES“] é o epílogo que fecha o período dos mais importantes casos das suas vidas e sem querer retorna o conceito a “Young Sherlock Holmes” pela forma semelhante com que fecha a própria história inclusivamente. É como se todas estas versões estivessem enredadas numa espécie de viagem no tempo sem qualquer relação directa intencional, mas acabassem por se complementar historicamente no que toca ao próprio canon semi-oficial das histórias de Sherlock Holmes tal como imaginadas por Conan Doyle sem este fazer ideia do que as gerações seguintes iriam imaginar para o seu personagem.
E pelo meio todas as histórias que conhecemos dos livros oficiais e adaptações televisivas clássicas.

The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes29 The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes19

[“THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES“] joga não só muito bem com toda a herança clássica oficial do personagem com desconstroi ainda de melhor forma toda a sua lenda. Neste filme escrito e realizado pelo clássico realizador Billy Wilder já em final de carreira e mais conhecido por marcos como “Some Like it Hot” com Marilyn Monroe, a própria imagem clássica dos personagens é desmontada e a história tenta mostrar-nos quem realmente eram para lá da sua própria fama.

The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes01 The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes34

Inclusivamente o próprio Holmes dá na cabeça a Watson porque este se fartou de embelezar pormenores dos casos investigados tendo vendido os seus relatos ao clássico “The Strand” onde pela primeira vez foram publicadas as histórias de Conan Doyle relativas a Holmes há mais de 100 anos.

The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes05 The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes35

[“THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES“] brinca imenso com a ideia que temos de Sherlock Holmes. Um dos seus principais atractivos ainda hoje é a forma como está carregado de pormenores e referências a tudo e mais alguma coisa que conhecemos das histórias oficiais e no entanto faz o melhor possível por nos mostrar que temos a ideia errada sobre tudo o que acontecia verdadeiramente na sua vida privada. E a culpa é do Watson que se fartou de inventar para vender as histórias às revistas ao ponto de atribuir a Holmes uma reputação que este não reconhece como real.
Coisa de que Holmes logo no início se vinga quando espalha o boato de que ele e Watson vivem juntos porque são homossexuais, numa das sequências mais divertidas do prólogo da história que comporta os primeiros trinta minutos de filme mais ou menos.

The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes28 The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes10

[“THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES“] para além disso é também um novo mistério original para Sherlock Holmes resolver e é aqui que está ao mesmo tempo o melhor e o pior do filme; e quem sabe também a razão para que este tenha sido um fracasso de bilheteira na altura.
A história é excelente e teria sido particularmente intrigante de acompanhar do princípio ao fim. O problema é que já não basta o próprio cartaz do filme conter um dos *spoilers* principais quando mostra o submarino em forma de monstro Ness como o próprio trailer original da época é mais outro daqueles em que resume o filme TODO de uma ponta a outra, não deixando absolutamente nada para que o espectador descubra naquilo que deveria ter sido uma história de mistério.

The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes22 The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes14

Quando se revela o mistério do filme por completo tanto no trailer como no cartaz seria inevitável que [“THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES“] não tivesse cativado o público na época. Não resta nada para ver a não ser o sentido de humor, a enorme quantidade de referências e as prestações do elenco que é excelente. O problema é que em termos de mistério o espectador está constantemente à frente do filme e sabe-se perfeitamente o que vai aparecer a seguir quando os próprios personagens continuam totalmente intrigados com o que vivem na história. Não é assim que se apresenta uma aventura de mistério.

The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes32 The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes35

E é pena pois como muita gente já escreveu pela net, [“THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES“] é bem capaz de ser o melhor filme para cinema com Sherlock Holmes. Não só Robert Stevens e Colin Blakely surpreendentemente serão capazes de ser os mais cativantes Sherlock e Holmes do próprio conceito como depois o elenco secundário também é do melhor com destaque para Christopher Lee como irmão de Holmes aqui num personagem que não destoaria do novo universo criado para os recentes filmes de John Wick protagonizado por Keanu Reeves.
Excelente Geneviève Page como o equivalente à mulher-fatal da história que é ao mesmo tempo divertida e também o coração emocional do filme.

The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes03 The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes04

[“THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES“] é um filme estranho.
Alterna muito bem entre a comédia e um toque romântico dramático ( que viria a ter ecos em “Young Sherlock Holmes” ) , mas depois o mistério simplesmente não existe e o espírito de aventura acaba sendo vítima de toda esta estranha mistura.
Uma aventura de Sherlock Holmes em que o espectador não tem mistério nenhum para acompanhar porque tem logo as respostas ainda mal não entrou na sala não tem lógica nenhuma.

The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes11 The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes33

Além disso apesar de contar com um submarino com muita pinta ao melhor estilo steampunk este nunca é utilizado para absolutamente nada na aventura, salvo um pequeno momento no Loch Ness. Ora se mostram logo o raio do submarino até no poster concerteza que muito espectador pelo menos esperava que depois este veículo fosse utilizado para algo mais do que apenas fazer parte do cenário como background de um mistério que é logo revelado na publicidade ! Assim não admira a fraca recepção do filme.

The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes23 The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes26

Por outro lado, agora que já se passaram 48 anos depois da sua estreia, [“THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES“] não há dúvida que tem qualquer coisa de especial; (boa cópia bluray).
Além disso é um daqueles filmes que jamais seria filmado hoje em dia pois mostra a relação de Holmes com as drogas duras como algo particularmente banal e sem grande inportância, o que no politicamente correcto actual seria impossível de incluir da forma ligeira e até divertida em que aqui está surpreendentemente representada.

The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes12 The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes02

[“THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES“] tem montes de atmosfera Victoriana, bons personagens, momentos divertidos, excelentes paisagens naturais filmadas na Escócia ( olho atento para o castelo de “Highlander” filmado com o mesmo enquadramento ) e mantém um bom ritmo apesar de se saber que esta montagem é na verdade uma versão curta onde muito que seria importante ficou de fora até hoje.

The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes24 The-Private-Life-of-Sherlock-Holmes30

Se vocês viram e se recordam da –“sua futura” prequela– não oficial em “Young Sherlock Holmes” a meio dos 80s, irão achar imensa piada ainda hoje a este título pela comparação de pormenores no próprio ambiente. O seu estilo retro dá-lhe ainda mais charme actualmente e recomenda-se apesar das suas falhas. Especialmente a quem como eu nem fazia ideia de que isto existia.

—————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

[“THE PRIVATE LIFE OF SHERLOCK HOLMES“] é uma curiosidade cinematográfica do início dos anos 70 com um estranho sabor a produção dos anos 50 e um toque steampunk que lhe fica bem. Dois excelentes protagonistas e uma boa variedade de ambientes e situações ao longo da história fazem com que seja uma excelente proposta para toda a gente que goste de Sherlock Holmes ou do estilo clássico cinematográficamente falando.

Quatro Planetas Saturno

  

Só não leva cinco porque um mistério de Sherlock Holmes sem mistério nenhum para nos deslumbrar ou surpreender será talvez o conceito mais estúpido que alguém já colocou no ecrã envolvendo personagens como estes.

A favor: Holmes e Watson são excelentes, a desconstrução dos mitos à volta do personagem, todo o ambiente visual, o sentido de humor, alguns momentos politicamente incorrectos, excelente utilização das paisagens naturais da Escócia, o toque steampunk, a humanização dos personagens e o toque dramático que subitamente faz com que o filme pareça uma história mais adulta por momentos.

Contra: é um mistério de Sherlock Holmes sem mistério nenhum pois tudo está no poster e no trailer do filme.

—————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER *SPOILERS* !!


—————————————————————————————————

COMPRAR BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO UK

BLURAY

https://www.amazon.co.uk/Private-Sherlock-Holmes-Masters-Blu-ray/dp/B076M9MGCN/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1523547090&sr=8-1&keywords=THE+PRIVATE+LIFE+OF+SHERLOCK+HOLMES

—————————————————————————————————

IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0066249

——————————————————————————————————————

Se gostou deste, poderá gostar de :

capinha_SOMEWHEREINTIME.jpg

——————————————————————————————————