“Fahrenheit 451” (“Fahrenheit 451”) Ramin Bahrani (2018) USA

Isto sou só eu, ou esta merda da “inclusão” já começa a tornar-se rídicula ?!
É que esta –moda politicamente correcta– inventada pelos americanos, é levada actualmente tão ao extremo que acaba por ser distractiva retirando-nos por completo de dentro de um universo de um filme por ser tão ÓBVIA !

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Mais rídiculo ainda é quando precisamente um filme como [“Fahrenheit 451“] que pretende criticar a manipulação do povo pelos media é o primeiro a ser produzido com base numa pressão social americana inventada e tornada importante pelos mesmos media que esta história pretende apontar como manipuladores. Isto há cada uma…

FLORZINHAS DE ESTUFA

Esta treta da – inclusão/inclusividade(?)– norte americana é tão estúpida e forçada que agora todas as produções de Hollywood mais parecem um catálogo de ADN mundial onde não se pode deixar nenhuma raça ou grupo étnico de fora, correndo o risco de depois algum grupo de imbecis online vir acusar o filme de racista ou descriminatório clamando por boicote.
É que já não bastava os Star Wars modernos parecerem uma assembleia das Nações Unidas em tom forçado absolutamente rídiculo onde é preciso representar todas as raças para não ofender as florzinhas de estufa da internet; como até Doctor Sleep ( a sequela de Shinning ) está absolutamente infestada por diversidade tão diversa que simplesmente se torna insuportável a um ponto tal que quase arruinou o filme.
E facto desta treta da -inclusividade- ser tão obvia aqui que faz com que fiquemos logo à partida de pé atrás em relação a [“Fahrenheit 451“].

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Eu não sei se terá sido por isto que agora esta versão de [“Fahrenheit 451“] conta com um protagonista negro de propósito porque não conheço o contexto do casting, mas… a julgar pela coleção de etnias visivel por toda a parte nesta versão também eu tenho a certeza que num contexto livre destas pressões rídiculas por parte de grupos sociais gringos este filme teria sido muito diferente.
Não me admirava nada que alguém algures se tivesse pelo menos sentido pressionado a evitar colocar mais um actor caucasiano neste excelente filme de ficção-científica ( mesmo que fosse a escolha certa não duvido ).
Muito menos depois do sucesso de Black Panther nas bilheteiras e por isso aposto que este protagonista estará aqui por puro design e aconselhamento de uma qualquer agencia de marketing.

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Se o contexto social moderno, fosse diferente eu ainda acreditaria que um actor aqui teria sido escolhido apenas pela sua qualidade ( e nada contra este actor pois é excelente ) mas no ambiente inclusivo esquizofrénico em Hollywood duvido que a sua escolha não tenha sido por questões de puro marketing politicamente correcto também para cavalgar a onda do Black Panther.

PHILIP K.DICK ON FIRE

E sim, eu disse excelente filme de ficção científica.
[“Fahrenheit 451“] é “Fahrenheit 451” se ele tivesse sido escrito por Philip K. Dick em vez de ter sido escrito por Ray Bradbury.
E é fascinante por isso mesmo. Uma modernização deste livro para cinema precisava de um estilo intemporal e por isso nada melhor do que um toque Philip K.Dick para o trazer para o nosso tempo.
Antes de ver isto e a julgar pelas reviews espalhadas por todo o lado eu estava plenamente convencido que ia ver algo verdadeiramente atroz. Até porque eu adoro o livro original e o filme de Truffaut marcou-me quando o vi pela primeira vez em puto.
Desta vez, eu sinceramente não entendo os ataques a este título pelos puristas do romance.
Até reli o livro ontem depois de ver o filme e simplesmente não entendo porque tanta gente insiste em que esta modernização de [“Fahrenheit 451“] é um insulto à obra.

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É diferente ? É sim senhor ? Deixa coisas de fora, muda coisas, simplifica coisas, mete porrada quando devia ser político e filosófico ou até mesmo contemplativo ? Concordo com tudo.
Mas sinceramente, deixem-se de merdas.
Para minha grande surpresa, [“Fahrenheit 451“] é acima de tudo um bom filme de ficção científica mainstream saído de Hollywood e só por esse facto este título devia ser elogiado.

BIG BROTHER IS WATCHING YOU – Façam LIKE !

[“Fahrenheit 451“] não parece um blockbuster, é particularmente contido até e mesmo nos momentos em que poderia ter enveredado por um estilo Michael Bay com resultados semelhantes aquela atrocidade conhecido como “THE ISLAND” nunca entra por esse caminho. Também não parece um videoclip o que é quase inacreditável pois esta história prestava-se mesmo a uma montagem toda estilosa se o realizador tivesse querido entrar por esse mercado.

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Eu não estava mesmo nada à espera de gostar tanto disto. Não fosse a idiotice da – inclusão – nos entrar pelos olhos a cada cinco minutos e [“Fahrenheit 451“] teria sido quase único.
A forma como moderniza todo o contexto adaptando-o à era dos “likes” e das redes sociais, a justificação pelo qual o estado Fascista existe e ninguém se dá conta de que vive num, a forma como crítica e aponta muito daquilo que já é a nossa sociedade em que toda a gente parece só ter vida quando online e onde os rumores são noticias factuais quando devidamente repetidas sem cessar é um dos pontos fortes deste argumento.

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Aliás, acho que o último filme com um argumento destes foi o igualmente excelente “THE CIRCLE” de que ainda tenho que falar aqui e que … curiosamente foi atacado por toda a gente ( em particular pelos millenials indignados ) precisamente com muitos dos mesmos argumentos pelos quais se ataca agora [“Fahrenheit 451“] nesta sua nova versão. Parece que a malta não gosta muito de se ver ao espelho e como tal prefere gritar a plenos pulmões que este não deveria sequer existir. O que mais uma vez não deixa de ser irónico tendo em conta que estamos a falar de uma história em que as ideias próprias são o maior perigo para o sistema e o que vigora é a mentalidade de grupo.

QUEIMEM ESTE FILME ! (?)

[“Fahrenheit 451“] é uma má versão do livro original ?
Bem… o mundo está diferente e teria sido absolutamente redundante que o livro tivesse sido agora adaptado no contexto do mundo para o qual foi escrito originalmente, por isso sim e não.

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A prova de que foi a escolha certa na adaptação está precisamente no facto de tanta gente atacar o filme por causa daquilo que apresenta como espelho do nosso mundo actual e como previsão daquilo em que já nos estamos todos a tornar. Basta olhar para o puritanismo americano e para o politicamente correcto que se espalha através de Hollywood como um virus actualmente e não estaremos muito longe de começarmos também a decidir quais os livros que são os — certos — e os — errados — , até porque isto já acontece em muitos sitios e claro em particular nos EUA, não fossem estas idiotices sociais parecerem todas ser originadas lá actualmente; ( tal como uma cliente minha já me disse que aquilo a que eu acho piada ( nomeadamente memes sobre o Trump ) não é para rir porque isso é um – tipo de humor errado – que devia ser auto-suprimido por todas as pessoas que têm bom senso e sabem a diferença entre o – certo – e o – errado).
E com isto fecho este parágrafo. Por isso não me venham dizer que a modernização total do romance não foi a escolha acertada por que foi. O livro, está mal adaptado? Está. Foi a adaptação certa ? Completamente !

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Portanto, se forem tão puristas quanto os especialistas de literatura que insistem em trucidar esta nova versão então é melhor não verem [“Fahrenheit 451“] . Leiam o livro e continuem mergulhados em contextos culturais que já nem existem. E de qualquer forma o livro ainda não foi queimado por isso em vez de perderem tempo a atacar este novo filme sempre o podem ler novamente, tal como eu acabei de o fazer para agora recomendar esta nova versão sem problemas e de consciência tranquila.

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Amigos que gostem de ficção-científica passada em futuros distópicos, ignorem as más reviews sobre [“Fahrenheit 451“].
Eu fiquei agarrado a esta história do primeiro ao último minuto e já há pouca scifi saída dos EUA capaz de fazer com que eu nem me apeteça sair de frente do ecran para ir beber agua sequer.
Além disso , [“Fahrenheit 451“] é scifi para adultos, o que tendo em conta costuma sair de Hollywood actualmente é mais outro ponto positivo.

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O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Se alguém ainda precisar de saber sobre o que isto é, [“Fahrenheit 451“] mostra-nos um futuro fascista repressivo ( embora toda a gente pense que é livre ) onde os bombeiros são herois nacionais, não porque apagam fogos mas porque queimam livros em nome do Estado pois os livros são considerados instrumentos perigosos visto que estimulam o pensamento individual contrariando a mentalidade colectiva implementada pelo governo de forma a controlar o rebanho em geral e onde as pessoas também denunciam os amigos para ganharem “likes” e fama nas redes sociais; “Stay Vivid”.

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O design do filme é absolutamente fabuloso na forma como tudo parece ser tão simples e óbvio. Aquela vibe Blade Runner 2049 mas num tom bem mais cru tendo em conta o que conhecemos do nosso próprio tempo é notável na forma como faz parecer o mundo de [“Fahrenheit 451“] assustadoramente próximo e real.
Desde a obsessão pelos reality shows, pelos “likes”, pela comunicação através de “emojis”, até ao pormenor de coisas como a já popular ( e perturbante ) Yuxie ( as nossas “Siri” e “Alexas” caseiras ) instalada nos nossos computadores ( que não tarda muito irá começar a ser usada como no universo desta história ) , tudo contribui para tornar [“Fahrenheit 451“] num dos scifi com ambiente mais real dos últimos tempos ao mesmo que nos mostra um futuro tecnológico fascinante. Até porque já estamos a entrar nele e por isso é tão fácil mergulharmos no universo do filme.

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Os personagens centrais são excelentes, não são unidimensionais, têm um bom arco narrativo e tudo evolui de forma tão orgânica como é descrito inclusivamente no livro.
O vilão é impecável, a miúda parece uma pessoa real e o heroi poderia ser qualquer pessoa.

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CLASSIFICAÇÃO

Meus amigos, [“Fahrenheit 451“] não é o filme merdoso que todos no IMDb apontam ser. Pode não adaptar o livro na perfeição mas a verdade é que todos os seu pontos fortes em termos de arco de história estão lá e não foram alterados, por isso deixem-se de tretas intelectualoides e apreciem o filme pelo que ele dá , pelo seu comentário profundamente actual e por nos mostrar aquilo que vai ser o nosso futuro se o politicamente correcto infantil emanado dos EUA continuar a contaminar a sociedade ao ponto de um dia nem eu poder escrever textos como este sem ter um YUXIE (“Siri”/”Alexa”) também a censurar todos os meus parágrafos.
Portanto, até pela minha grande surpresa pois não esperava ter gostado tanto dele:

Cinco Planetas Saturno

   

Não leva um Gold Award porque, ok não é uma adaptação directa do livro ( não precisa de ser ) e por causa deste feeling de inclusivity que é simplesmente nojento onde quer que esteja sempre plantado à força agora em tudo o que é Hollywood.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0360556

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