CARTAZES de Cinema PT

O meu agradecimento ao leitor deste blog João Carlos Mestre de Beja que entre muitas outras coisas me enviou esta colecção de cartazes típicos daquela época.

Uma época em que ninguém falava durante os filmes nas salas e se falasse era logo convidado a sair pelo lanterninha que controlava a sessão; daquela época em que comer numa sala de cinema era proibido e pipocas era só aquela pimbalhice que via por vezes nos filmes americanos; daquela época em que ir ao cinema era quase como ir a uma Igreja e só lá entrava quem estava mesmo interessado em ver o filme não porque o cinema era moda mas porque as pessoas até pagavam bilhete para assistir mesmo ás histórias sem falar durante a projecção e tudo.

A época em que tinhamos sete filmes por semana, cada filme ficava apenas uma tarde e uma noite ( caso não houvesse filme porno à noite ) e onde os títulos voltavam a ser exibidos passados alguns meses ou um par de anos até as cópias arderem durante a projecção ao melhor estilo Cinema Paradiso mesmo.

E por falar em porno, a época em que filmes porno da Ginger Lynn e Tracy Lords passavam ao ar livre nos cinemas-esplanada ás claras, toda a gente trepava para cima de candeeiros da rua em redor ou subia ilegalmente às varandas da vizinhança para aprender coisas sobre sexo e tal. E nunca nenhuma alminha moralista alguma vez se queixou de tal degradação; mesmo quando Tracy Lords gemia alto e a bom som a partir da sessão da meia noite para toda a cidade ouvir, mesmo que o nosso prédio ou candeeiro urbano não estivesse muito bem posicionado para conseguirmos ver os detalhes.

A época em que só Lisboa e Porto tinham direito às estreias e onde a malta da provincia tinha que se contentar com toda a filmografia do Bud Spencer e Terence Hill, comédias de Louis de Funées , filmes de Karaté duvidos ( que enchiam sempre a sala de cinema com ciganos até rebentar pelas costuras e que depois da fita acabar vinham para a rua ensair os pontapés do Bruce Lee.

A época em que este tipo de lobby cards eram aquilo que estava sempre afixado á entrada do cinema para cada dia e onde podiamos comprar amendoins com mel enrolados em papel de jornal à porta do cinema sem que a ASAE andasse por aí a fazer merda “zelando” pela nossa saúde. Não me lembro alguma vez de ter morrido com uma bactéria cabeluda por comer dezenas de amendoins nessa altura.

A época em que não existiam sequer VHS e a ideia de alguma vez conseguirmos ver um filme daqueles do cinema em casa nem em ficção cientifica tinha tomado forma quanto mais na realidade.

Espero que gostem dos cartazes e que isto faça muita gente recuar no tempo aquela altura em que o cinema ainda era algo que as pessoas viam porque gostavam mesmo da 7ª Arte e não era ainda uma moda quase obrigatoria de ser seguida por toda a gente gira deste nosso Portugal que confunde as salas de cinema com a sua sala de estar.