“UNDERWATER” (“UNDERWATER”) William Eubank (2020) EUA

[“UNDERWATER“] filmado em 2017 mas lançado apenas em 2020 surpreendeu-me pela positiva quando eu esperava mesmo algo muito mau; talvez por ter partido para isto sem qualquer expectactiva apesar de eu adorar aventuras submarinas e já ir preparado para ver o tipo de filme que acabei naturalmente por encontrar.
E até ontem eu nem sabia que este filme existia, o que hoje já é coisa rara de acontecer no que toca a cinema pipoca blockbástico como este.
Curti.

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Não deixa de ser fascinante constantar a carga de porrada que [“UNDERWATER“] está a levar em todas as reviews por ser apenas mais um Alien, quando em 1987 aquele que é para mim um dos melhores sci-fi de todos os tempos “THE ABYSS” foi atacado pela crítica e público ao ter decepcionado “toda a gente” porque afinal, o filme de James Cameron não era um “Aliens” debaixo de água como toda a gente pensava que ia ser.

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Depreendo portanto que se [“UNDERWATER“] tivesse saído em 1987 teria sido um clássico de terror subaquático instantaneo pois este filme agora dá ao espectador exactamente o tipo de filme que as pessoas queriam ter visto em “THE ABYSS” ( e já agora em “SPHERE” também ) trinta e tal anos atrás.
Ora pois, bem trinta anos depois [“UNDERWATER“] é tudo aquilo que o povo e crítica queriam ter visto em “THE ABYSS” mas agora parece que é por isso mesmo que está a ser atacado por todo o lado como se este tipo de cinema existisse para ser comparado com o “Lawrence da Arábia” em termos de qualidade cinéfila ou algo assim.
[“UNDERWATER“] é um monster movie.
Nada mais, nada menos.
E resulta mesmo muito bem meus amigos, precisamente porque nem tenta disfarçar o facto de ser essencialmente Alien no fundo do oceano e não se preocupar nada com isso.

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Não irá ficar na vossa memória, daqui a um mês já nem se lembram do que viram, mas há que dizer que enquanto dura é absolutamente eficaz, divertido, consegue fazer-nos importar com alguns dos personagens, até a moçoila do Twilight está óptima.
O design é mesmo muito bom com um concept art muito envolvente, cheio de referências a montes de coisas e os efeitos especiais são tão bons que as pessoas nem notam que o filme foi filmado totalmente a seco e tudo o que nos parece ser água nas sequências subaquáticas são animações de particulas CGI colocadas em pós-produção.

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Há muito trabalho técnico invisivel de qualidade em [“UNDERWATER“] e portanto se há um aspecto onde o filme brilha por não notarmos nada do que está constantemente a fazer é precisamente naquilo que nos consegue mostrar sem parecer que estamos a ver efeitos especiais ao criar um universo subaquático Lovecraftiano de terror absolutamente perfeito e fiel às suas origens literárias originais.

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Cthulhu

É que por falar em Lovecraft, o realizador já confirmou que o “Alien” é precisamente o mesmo Cthulhu da obra do autor , o que torna logo também [“UNDERWATER“] num dos melhores épicos genuínamente Lovecraftianos que apareceram nos últimos anos.
Agora só espero que depois disto alguém se lembre finalmente de levar ao cinema o livro “Nas Montanhas da Loucura” sobre os horrores lovecraftianos que uma expedição ao Pólo Sul encontra nas ruínas de uma civilização perdida.

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A julgar pela representação Lovecraftiana pura em termos de ambiente conseguida em [“UNDERWATER“] já nada impedirá que alguém algures finalmente leve também aquela obra de Lovecraft ao grande ecran. E se calhar este realizador não seria também uma má escolha pois está mais que claro neste simples e básico thriller de terror que o homem percebe bem as suas referências e sabe como transpôr o tipo de horror épico do escritor para o grande ecran.

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Por ser tão simples [“UNDERWATER“] não perde tempo. Arranca com acção e suspanse, continua com tensão claustrofóbica e vai aos poucos tornando-se cada vez mais épico em termos visuais até culminar no final do costume mas nem por isso menos divertido desta vez. Na verdade se ultrapassarem a ideia de que isto já foi feito mil vezes antes , não há muito para atacar no filme. Técnicamente é muito bom, visualmente acerta em cheio onde deve acertar e mesmo as cenas de acção quase em escuridão total funcionam bem porque a própria montagem dá sempre tempo para que o espectador nunca se perca por muito tempo quando há confusão e pânico que precisa ser mostrado.

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Algumas mortes são muito clautrofóbicas e todo o clima de terror é bem gerido para nos proporcionar exactamente aquilo que esperamos. Não irá surpreender ninguém mas é um daqueles produtos do género bem executados e que irá agarrar ao ecrã quem sabe ao que vai e gosta do género de thriller sci-fi subaquático. Está para “ALIEN” como “LEVIATHAN” ou “DEEP STAR SIX” estiveram para “THE ABYSS” trinta e tal anos antes no que toca a cinema com monstros e personagens que vão morrendo um a um.
Esquecível mas divertido enquanto dura.

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CLASSIFICAÇÃO

Ia apenas dar-lhe três Planetas Saturno porque é um bom divertimento e nada mais, mas leva mais um ponto porque como filme de inspiração Lovecraftiana acerta em cheio no que mostra e como mostra sendo uma genuína aventura terror orgânico ao melhor estilo clássico no que toca a histórias com criaturas que se escondem nas profundezas.
O conceito está fixe, a execução também e tudo funciona.
Vão esquecer-se dele num instante mas isso não anula que seja um filme bem divertido para quem sabe ao que vai.

Quatro Planetas Saturno

  

A favor: excelente ambiente e bom concept art apesar de assentar na estética habitual neste tipo de filmes onde a influência Alien é por demais evidente, consegue criar um bom clima claustrofóbico e alguns bons momentos de suspense mesmo pelo meio de tanto estereotipo, os personagens têm uma boa empatia entre eles o que faz com que nos importemos com eles, a personagem da miúda frágil resulta bem e quase que a torna na protagonista da aventura, excelentes efeitos especiais pois parece mesmo que filmaram isto debaixo de água quando tal não aconteceu e tudo foi filmado em seco tendo os efeitos de água sido acrescentados em CGI na pós-produção e não se nota nada.
Não perde tempo a fingir que é um filme complexto ou a disfarçar as sua origens narrativas.

É acima de tudo um verdadeiro filme com espírito Lovecraft ao ponto do realizador ter confirmado que o monstro do filme é de facto Cthulhu e não apenas outro “Alien” qualquer o que dá logo outro ponto ao filme quando eu apenas lhe ia atribuir três planetas saturno originalmente.

Director William Eubank has confirmed in an interview that the sea monster seen in the movie is, in fact, Cthulhu of H.P. Lovecraft ‘s Mythos. Strangely, the mining company is called Tian Industries: in literature, the adjective “Lovecraftian” is used to indicate this type of cosmic horror.

Contra: já viram Alien ? Já sabem ao que vão.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt5774060

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“SINGULARITY” (“SINGULARITY”) Robert Kouba (2017) EUA(?)/REPÚBLICA CHECA(?)

Começo por dizer que [“SINGULARITY“] vai levar já apenas com um Planeta Saturno na minha classificação e só não o remeto imediatamente para o fundo do “Buraco Negro” no blog, apenas porque ainda há por aqui um par de momentos visuais onde se nota algum esforço em termos de concept art e eu enquando ilustrador gosto sempre de momentos destes onde se evidencia o design de produção.
Mas tirando isso [“SINGULARITY“] é mau.

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Estranhamente não é atroz e até se consegue aguentar bem a uma primeira visão mas é mais naquele espírito… WTF (?!) … do que por ser uma aventura sci-fi que nos dê particular prazer em acompanhar.
É um daqueles filmes de que não podemos deixar de olhar para o ecrã só para ver o que vai aparecer clonado de qualquer outro filme no minuto seguinte.

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Eu até ia atribuir dois Planetas Saturno em vez de um a [“SINGULARITY“] inicialmente; isto porque apesar de tudo eu adoro cinema de baixo orçamento e este título é um daqueles low-budget que até se pode dizer que são … interessantes … mas sinceramente esta história se não o for, mais parece ter sido escrita por um par de millenials cujo a única referência sci-fi a que tiveram acesso na vida passará apenas pela –cultura Comicon– , design videogame estereotipado, Terminator hype ou Hunger Games mania e pouco mais.
Isto porque mais uma vez estamos na presença de um típico sci-fi contemporâneo onde a falta de imaginão é tão gritante que se torna verdadeiramente frustrante enquanto espectador estar a assistir a uma coisa assim.

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COVER BAND CINEMA

[“SINGULARITY“]  é mais outro título daqueles que se estivessemos a falar de música , o que estariamos a ver seria uma cover band e não músicos a tentarem criar algo realmente único e original.
Se há coisa que me deixa estupefacto, particularmente no cinema independente é como raio que pessoas que até conseguem juntar algum dinheiro e arrancar com a produção de um filme sci-fi em vez de tentarem realmente investir em histórias imaginativas ou originais parecem contentar-se a clonar tudo o que já vimos mil vezes nos filmes pipoca de grande orçamento.
Parece não ambicionarem mais do que clonar o design genérico de todos os video games high tech que saiem para a PS4.
Ele, são Terminators com Skynets, ele são Transformers e Mechs militaristas , designs estilo Halo a dar com um pau, coorporações tecnológicas, intriga politica de pacotilha e forças de resistência teenagers onde lindas moçoilas armadas até aos dentes combatem bem maquilhadas, estados fascistas de alta tecnologia sempre secundadas pelo rapazinho fofinho do costume.

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[“SINGULARITY“] é por tudo isto um verdadeiro espelho daquilo que actualmente passa por ficção-científica e é por isso mesmo que é tão mau.
[“SINGULARITY“] é uma verdadeira montra de tudo o que actualmente já se perdeu no género da ficção-científica.
Um título que demonstra por completo o que uma pop-culture massificada e comandada por Hollywood e pelos Estados Unidos com o seu estilo comics estereotipado do recicla e volta a dar, conseguiram fazer num par de décadas para tornar cada vez mais braindead um género como este que hoje tinha tudo em termos tecnológicos para ser aquilo que gerações anteriores apenas poderiam sonhar conseguir reproduzir no ecran e no entanto produz apenas fast-food para crianças alheias a tudo o que já foi feito para trás quando a sci-fi tinha mesmo imaginação e acima de tudo diversidade.

The Hunger Pains SINGULARITY 15

Uma tecnologia cinematográfica que hoje em dia tinha tudo para nos dar mundos e histórias extraordinárias está cada vez mais nas mãos de uma geração que não é já capaz de imaginar nada a não ser reciclar aquilo que o mainstream de Hollywood lhes inpinge como “imaginativo” actualmente e digno de ser consumível.
Basta vermos as reacções dos nerds quando alguém tenta pegar em Star Wars e dar-lhes algo diferente de lutas com espadas laser, Jedis ou qualquer coisa que eles não reconheçam… a tragédia, o horror !
O que a malta quer são enlatados reciclados com tudo aquilo a que estão habituados e esse estado de espírito é um dos grandes responsáveis por desperdicios como [“SINGULARITY“] no que toca a valores de produção disponíveis.

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A era da informação em vez de gerar novos mundos e novas civilizações com tanta referência disponível ao clique de um Mouse, em vez disso gerou um sem fim de clones como [“SINGULARITY“].
Pior ainda , clones de clones, ( Divergente, detergente / Eragons e vazios semelhantes por exemplo ) “imaginados” por uma geração de jovens escritores ( que escrevem todos da mesma maneira pois a isso são também obrigados pelas editoras ) , que cresceram apenas com as referências imediatas ” da era da informação “ e onde nunca ninguém lhes disse para olharem para trás porque o mainstream precisa de ganhar dinheiro com o próximo clone a lançar à frente e colocar os nerds incautos em hype orgásmico total sem distrações.

SINGULARITY 19 That burning sensation

Por isso mesmo, estamos inundados de novos escritores mais interessados em aparecer no próximo Comicon como sendo a nova sensação patrocinada pelo marketing dominante e produzindo histórias pré-fabricadas a metro já prontas para serem transformadas no novo filme sensação, do que estarão interessados em colocar cá fora histórias tão inovadoras como Assimov, Clarke, Heinlein, K.Dick e tantos outros fizeram durante décadas e que são a base do que existe hoje na ficção científica cada vez mais estupidificada antes do mundo se ter tornado apenas num imenso Comicon.
Por isso [“SINGULARITY“] é tão mau.

Damien has a bright idea SINGULARITY 17

Não é pois de admirar que em vez de O Feiticeiro de Terramar o mundo actual nos tenha dado o seu clone Harry Potter e as novas gerações nem fazem ideia de onde veio a ideia original sequer.
Salvo raras excepções parece não existir mais mistério , maravilhoso , exploração ou ideias que nos façam realmente sonhar com um futuro tecnológico.
Tanto no cinema como naquilo que também passa por romance de ficção-científica.
Basta espreitarmos as livrarias para descobrir que aquilo que dantes era uma secção sci-fi com autores realmente diferentes e inovadores agora estão inundadas de escritores teen com dezenas de clones de Hunger Games, Twilights e afins.
Por isso mesmo não admira que John Cusak em [“SINGULARITY“] pareça tão enfastiado.

White out

WTF CUSAK ?!!

“Was John Cusack on quaaludes when he read the script for this movie? Or did the producers have blackmail tapes of him with a Thai lady-boy? Perhaps both?”

O que leram acima foi retirado de um comentário no IMDb e foi exactamente o que eu pensei ao ver e rever agora este filme para escrever aqui sobre ele porque tinha que ser.
Nestes anos todos a ver cinema acho que nunca me recordo de ter visto um actor deste calibre com uma prestação tão merdosa. É simplesmente incrível mas é verdade o John Cusak passa todo este filme com a mesma cara. Esta.

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Acho que nunca vi um actor tão aborrecido por estar a participar num filme como é óbvio que John Cusak esteve ao entrar em [“SINGULARITY“]. É de ver para crer e se quiserem uma razão para espreitarem este filme John Cusak é a razão principal.
É absolutamente hilariante. Mas hilariante a um nível quase inimaginável.
O que me leva a concluir que alguém algures dever ter por ali uma sex-tape qualquer com o Cusak e anões e cavalos pois sinceramente eu não vejo outra explicação para o homem ter entrado nisto e para o ar de absoluto tédio com que percorre todo o filme.

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É que ainda por cima, aposto que o Cusak, chegou ao set e gravou isto tudo numa manhã pois não vejo outra explicação; ( todas as cenas de Cusak foram filmadas num quarto de Hotel na Suiça… o que dá logo ideia do empenho do homem nesta produção ).
Se contarmos as partes em que ele aparece, há por ali umas cinco ou seis com diálogos expositórios que nos explicam como ele foi o inventor do “Skynet” que depois destroi a humanidade e liberta os Terminators-Transformers. E pronto.
O resto do filme está repleto de pequenos inserts de Cusak sem abrir a boca sequer a olhar para monitores acompanhando as aventuras dos herois através de uma câmera sem qualquer lógica e com o maior ar de tédio que vocês alguma vez viram um actor profissional de Hollywood mainstream mostrar num filme.
Até a malta do Star Wars XXX é mais emotiva do que Cusak neste [“SINGULARITY“].
Meus amigos é de ver para crer mesmo.

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CONCEPT ART

Como já referi , para mim a única coisa que ainda torna o filme interessante é mesmo o concept art da coisa.
Enquanto série-B filmado algures na Suíça  e aventura filmada na República Checa, [“SINGULARITY“] até faz um esforço por criar um universo visual muito interessante ( foi isso que me fez comprar o Bluray no ano passado ).
É certo que o CGI é fraquinho, mas eu não acho que seja minimamente tão atroz como referem no IMDb. Aliás, é todo o visual do filme com as suas breves sequências de paisagens sci-fi inseridas aqui e ali entre a aventura suporífera com o casal teen e o aborrecido Cusak que ainda consegue fazer brilhar [“SINGULARITY“] aqui e ali enquanto bom esforço de produção no cinema de baixo orçamento.
Mas mais  uma vez, só é pena que o dinheiro disponível tenha sido atirado para uma história destas.

'Aurora' A.K.A. the 3 little pigs' houses Pollution is up in the air

HUNGER TERMINATOR TRANSFORMER GAMES

[“SINGULARITY“] é suposto ser mais uma daquelas aventuras scifi teens de bradar aos céus mas sinceramente era preciso mesmo tentar clonar a protagonista de Hunger Games de uma forma tão óbvia ?!!
E ela nem sequer é o pior do filme. Ao menos a actriz esforça-se e é bem capaz de ser o melhor de toda esta história que já vimos um bilião de vezes. O mesmo não se pode dizer do seu co-protagonista teen… se querem um exemplo de como um actor só consegue ter duas expressões seja em que situação for vocês não podem perder isto.
Pensando bem… o rapaz até tem duas expressões… olhos esbugalhados ou ar de carneiro mal morto… mas tomara ao John Cusak ter conseguido em [“SINGULARITY“] este nível de intensidade dramática !

Think fast! SINGULARITY 18

A história se pudemos falar numa história, vocês já sabem ao que vão.
Um Steve Jobs de trazer por casa cria um sistema operativo mundial que activa a Sknynet do Terminator e limpa o sebo a toda a humanidade com Mechs no estilo Transformers, exceptuando uns quantos.
E é melhor nem começar a apontar a falta de lógica no que se segue…
Pelo meio qualquer coisa que se parece com a resistência tem uma lenda que refere uma espécie de santuário para a humanidade e é para lá que os nossos dois jovens se dirigem depois de se encontrarem no meio de um bosque, 96 anos depois do mundo ter acabado.
Confusos ?
Não se preocupem vejam [“SINGULARITY“] e ainda ficarão mais.

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Como ponto positivo… a ideia final não sendo original está gira e embora deixe o filme pendurado numa continuação que duvido venha a existir é no entanto uma forma fixe de encerrarem aquilo que não é mais do que um dos maiores exemplos do desperdício de meio técnicos que encontrei no cinema independente low budget , talvez desde “THE DARK LURKING“. Previligia-se a clonagem em vez da criatividade e não é assim que a ficção científica irá a qualquer lado tão cedo.
E pela expressão do Cusak durante o filme todo ele concorda comigo.

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CLASSIFICAÇÃO

O facto de [“SINGULARITY“] ser um título de baixo orçamento não é desculpa para um resultado assim. Leva um Planeta Saturno e nem é porque o filme seja chato de se ver, na verdade leva um Planeta Saturno pelo seu tom WTF no pior dos sentidos enquanto produto que se pedia minimamente criativo ou imaginativo mas que se contenta em ser o equivalente de uma cover-band para Terminator/Hunger Games se estes filmes fossem músicas e não entendo porque se desperdiçam meios de produção em coisas como esta.

Um Planeta Saturno

Apesar desta minha classificação, se gostam de sci-fi apocalíptica não deixem de ver [“SINGULARITY“] pelo menos uma vez. Só John Cusak vale o filme todo pois a partir do momento em que os CGI de Peter Cushing ou de Carrie Fisher em Star Wars representam com mais emotividade e empatia do que o Cusak neste filme está tudo dito e no fundo tornam este mau filme tão apetecível e logo imperdível.

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A favor: algum concept art está muito fixe e é bem integrado nas paisagens reais da Republica Checa, gosto das cenas de destruição iniciais apesar das limitações técnicas óbvias, o CGI é em geral interessante seja nas naves ou nos Mechs, a miúda esforça-se por dar alguma credibilidade à aventura, vale a pena ver o filme só para ver o total desinteresse de John Cusak pelo que está a fazer ( aposto que nem decorou as falas e deve ter espetado papeis na parede com os monólogos ).

Contra: Cusak é de ver para crer e dá uma aula sobre como não representar de propósito, o protagonista masculino teen só tem duas expressões, a química romântica com a jovem Catniss clonada é zero, o world building do universo do filme tem buracos de lógica absolutamente inacreditáveis, mas quantas histórias de pseudo-scifi teen em estilo Hunger Games é que temos que ver produzidas ainda até esta moda imbecil acabar ?

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt7312940

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“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES” (“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES”) John Cameron Mitchel (2017) INGLATERRA/USA

[“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] é algo que me passou completemente ao lado mesmo tendo sido já produzido em 2017. Só há poucos meses atrás descobri que isto era um livro de banda desenhada baseado num conto de Neil Gaiman mas para mim foi uma verdadeira surpresa também esta história existir já enquanto filme.
Mais surpreendente ainda é [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] ser na verdade um título de ficção-científica.

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Completamente alucinado, é certo mas mesmo assim pelo meio de toda a loucura não deixa por isso de ser também uma excelente história que envolve punks e contacto com civilizações extraterrestres verdadeiramente alienígenas e completamente fora dos nossos padrões de percepção…
O que para um título como [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] , que há partida remetia apenas para uma comédia romântica adolescente é logo algo que coloca este filme num patamar de originalidade diferente.

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Pelo que me apercebi o filme ganha logo pontos sobre a banda desenhada original quando muda a acção para 1977 numa Inglaterra em plena revolução Punk Rock.
E como todos aqueles que conhecem o trabalho e o percurso do realizador John Cameron Mitchel bem sabem… não há ninguém melhor para recriar aqueles dias do que ele.
Cameron Mitchel já tinha realizado antes o grande filme de culto “HEADWIG” que embora passado durante a queda do Muro de Berlin é também considerado o melhor filme punk rock de sempre.  Só a banda sonora de “HEADWIG” ( e a prestação de Cameron Mitchel no papel principal ) valem o filme todo ; embora não seja um título particularmente aconselhado a conservadores visto que toda a filmografia do realizador assenta numa vertente gay e transsexual particularmente óbvia e politicamente incorrecta.

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Por este prisma [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] até é agora um filme bastante contido apesar de aqui ser melhor avisar desde já que este filme também não seja particularmente aconselhado a sensibilidades mais homofóbicas visto que todo aquele imaginário trans está sempre em pano de fundo ; não fosse isto um filme de John Cameron Mitchel.

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Mas é fabuloso. Os personagens são divertidos, a atmosfera Punk Rock atira uma energia constante para fora do ecran como só Cameron Mitchel a sabe filmar e para lá de toda a imaginação que envolve o conceito alienígena criado por Neil Gaiman [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] ainda tem tempo para ser realmente uma das mais cativantes histórias de amor adolescentes dos últimos tempos; mesmo pelo meio de toda a confusão e aventuras mirabolantes.

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A química romântica entre os par protagonista é do melhor e a jovem Elle Fanning não poderia ter sido a escolha mais certa pois acreditamos por completo nela enquanto extraterrestre tentando perceber como funciona a humanidade mesmo quando ela acredita que todo o planeta Terra não passará de um mundo totamente dominado pelo movimento Punk , inglés de 1977.
Imaginem o E.T. mas mais bonito perdido na Inglaterra urbana Punk e andarão lá perto do que poderão acompanhar em [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“].

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Aliás um dos grandes momentos de [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] como não podia deixar de ser são também os apontamentos musicais Punk Rock como por exemplo o dueto entre os dois protagonistas no clube Punk underground que não fica nada atrás do melhor que já tinhamos visto também em “HEADWIG” no que toca a banda sonora Punk Rock.

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Aliás , embora [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] não seja desta vez um filme músical no entanto estes momentos punk rock polvilham todo este universo colorido, completamente cativante que coloca Punks contra alienígenas e nos dá momentos WTF únicos, bastante divertidos e originais.
Onde já agora, podemos encontrar um monte de actores que não parecerão nada estranhos a quem acompanha a série DR Who por exemplo.

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A propósito de actores… se não sabem nada sobre [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“], continuem assim. Não vejam o trailer antes de verem o filme pois o trailer contém Spoilers por demais e irá arruinar-lhes o prazer da descoberta, até no que toca a caras conhecidas em papeis que não esperavamos nada encontrar…

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Para quem precisa de saber estas coisas, [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] é a história de um trio de amigos Punks que durante as suas deambulações nocturnas entre punk rock, bebedeiras e miúdas deparam-se uma noite com uma casa habitada por um conjunto muito particular de … personalidades…

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[“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] visualmente também é um espectáculo, não só a recriação dos dias Punk Rock em Inglaterra está o máximo como depois toda a estética WTF que envolve as entidades alienígenas dá ao filme uma vida e uma originalidade visual que raramente se encontra em títulos com extraterrestres.
Por causa disso este filme tem também uma vertente psicadélica particularmente divertida e … espacial … que resulta plenamente.

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E o final do filme também é muito fixe.
Se gostam de títulos como o genial “THE ROCKY HORROR PICTURE SHOW” e/ou “HEADWIG” com aquele sabor punk rock sexualmente subversivo e quiserem ver como se pode misturar de forma perfeita com uma história sci-fi muito divertida e intensamente romântica, este é o vosso filme.
Alucinado, divertido, energético e com momentos bastante humanos onde até os personagens secundários são importantes para dar realismo a este universo que recomendo vivamente que não deixem de espreitar.
Irá tornar-se no próximo grande filme de culto com toda a certeza. Se é que já não é.
E como é melhor não dizer mais nada…

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CLASSIFICAÇÃO

[“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] foi até agora a surpresa cinematográfica do ano para mim em 2020. Não fazia ideia de este filme já era de 2017 ou que esta história teria algo a ver com extraterrestres e apanhou-me totalmente desprevenido.
Quando eu estava preparado para ver uma boa história de amor teenager ( embora extravagante afinal estamos a falar de um filme de John Cameron Mitchel ) de repente cai-me em cima não só uma das comédias scifi mais tresloucadas e originais que me lembro de ver em muito tempo, como ainda por cima é também quase um filme de época pela forma como nos transporta por completo para uma Inglaterra de 1977 em pleno movimento PUNK com uma energia contagiante !
Porque já o vi há horas e horas e como o raio do filme não me sai da cabeça só posso atribuír-lhe a minha classificação máxima também.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

A primeira coisa que vou fazer quando passarmos este período de pandemia será comprar este título em bluray com toda a certeza.

A favor: o facto de terem colocado esta versão cinematográfica do comic original de Neil Gaiman situado em pleno movimento Punk numa Inglaterra de 1977, a originalidade da história e da forma como aborda o contacto extraterrestre, a atmosfera punk cheia de energia e contagiante, a química romântica dos protagonistas, todo o visual absolutamente alucinado e psicadélico que envolve todas as cenas com os alienígenas, as sequências punk rock musicais, todos os personagens, alguns gags, é politicamente incorrecto e não tem problema com a sexualidade ( não fosse isto um filme de Cameron Mitchel ) , o final da história, é um dos conceitos sci-fi mais criativos e intensos que vi em muito tempo.

Contra: Isto não é o filme teen fofinho de Hollywood de que muitos podem estar à espera, quem tiver problemas com as orientações sexuais de terceiros ou alguma homofobia latente é melhor passar ao lado também ( não é explicíto mas estamos a falar de um filme de John Cameron Mitchel e quem sabe o que isto quer dizer já sabe com o que pode contar em termos de referências gay e transexuais quanto baste ).

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

Atenção, se ainda não viram o filme EVITEM o trailer pois está cheio de *SPOILERS*!!!

 


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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt3859310/

HOW TO TALK TO GIRLS_41

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BD ORIGINAL

COMIC3 COMIC3B
COMIC1 COMIC2

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