“KING SOLOMON´S MINES” (“KING SOLOMON´S MINES” / “AS MINAS DE SALOMÃO”) J.Lee Thompson (1985) USA/ISRAEL

[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é bem capaz de ser o filme de aventuras mais divertido de todos os tempos.
Sim, mais divertido que qualquer Indiana Jones.

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É que Indiana Jones apesar de tudo ainda é um filme que se leva a sério, enquanto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] sabe que é mau e diverte-se tanto com isso que acaba por nos divertir a nós do princípio ao fim.

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[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] só existiu para que os infames produtores Isrealitas da Cannon ganhassem guito à pála do sucesso do cinema de Spielberg no auge da sua popularidade.
Como tal, tudo nesta aventura parece decalcado de um qualquer Indiana Jones que ficou pelo caminho e onde nem falta a presença de John Rhys Davies, aqui no papel de um vilão, quem sabe primo do bom amigo de Indiana Jones talvez numa parceria com o clássico Herbert Lom em modo nazi histérico numa parelha de vilões perfeita.

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INDIANA QUARTERMAIN

[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] mais de que um clone de Raiders of the Lost Ark parece um primo primo afastado de Indiana Jones, algo que lhe custou uma chuva de más reviews na altura mas que com o passar do tempo o colocou com todo o mérito entre os melhores e mais divertidos filmes de culto em que vocês poderão colocar os olhos.
[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é como um daqueles vinhos ignorados que ganham qualidades com o passar do anos pois o tempo tem sido muito favorável a esta aventura totalmente despretenciosa. De cada vez que o revemos, apetece não deixar passar muito tempo até voltarmos a ele, naquilo que já se tornou num dos melhores guitly-pleasures do cinema do género.

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Nos extras do Bluray, Richard Chamberlain diz que foi um prazer fazer este primeiro filme e que a boa onda percorria todos os dias de filmagens ( até mesmo quando ele ia sendo comido por um crocodilo durante um fim de semana nas margens daquilo que parecia um calmo e bonito lago em Africa, localizado perto do set ).
A verdade é que se nota plenamente que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é um filme feliz pois toda essa alegria passou para o ecrã sem a menor sombra de dúvida e portanto se vocês nunca viram isto porque é tão “mau” quanto parece no trailer, nem sabem o que perdem.

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Não só o Alan Quartermain do romance original foi uma das inspirações para Indiana Jones como a verdade é que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] também resulta tão bem porque está muito bem escrito e não parece.
Tem um ritmo diabólico com diálogos hilariantes que não dão descanso ao espectador desde os créditos iniciais até aos momentos finais; onde não de desperdiça uma palavra e cada frase parece afinada como um relógio Suíço, a um nível que só costumamos encontrar no melhor stand up comedy actual.

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ESTE FILME OFENDE-ME !

Os argumentistas pegaram no melhor do cinismo de Harrison Ford em Indiana Jones e entrando em modo que se foda, introduziram em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] um sentido de humor tão incrivel e sem regras que este filme é bem capaz de ser um dos últimos de uma Era em que o politicamente correcto ainda não minava toda e cada produção para as massas.
É que meus amigos, esta aventura tem gags racistas, machistas, históricos e antropológicos tão inacreditáveis que hoje em dia haveriam de haver um monte de florzinhas de estufa nos Eua ( certamente ) que haveriam de clamar por boicote ao filme nas redes sociais com toda a certeza. É que acho que esta aventura não deixa ninguém por insultar divertidamente.

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Felizmente que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] existe, pois esta é uma comédia de aventuras como nenhuma outra e jamais poderia ser produzida hoje em dia sem ser toda retalhada pela censura.
A forma como representa uma África profunda só é comparável àquilo que vimos por exemplo em Tintin no Congo no que toca a banda desenhada. Para os argumentistas desta aventura os nativos Africanos são todos pretos estúpidos, primitivos, canibais ou repulsivos como o raio e só os brancos representarão alguma coisa parecida com civilização.

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E o estereótipo colonialista cartoon é tal, que nem falta uma sequência em que os Sharon Stone e Richard Chamberlain são cozinhados vivos num enorme caldeirão localizado no meio de uma aldeia de canibais, numa das sequências mais engraçadas e WTF de sempre onde não faltam tomates e condimentos em geral de plástico a boiar na água para dar mais sabor à carne.

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Mas se pensam que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] só tem tiques racistas porque goza sem parar com os “pretos primitivos” desenganem-se meus amigos. O filme também não perdoa aos Alemães.
Reparando bem, são eles e a cultura alemã o alvo principal das piadas neste filme e não os nativos Africanos, ora não estivessemos a falar de uma produção Isrealista que se calhar por esta altura ainda teria uma conta ou duas a ajustar e não perdoa às críticas no que toca ao exército Alemão e às suas guerras.
Claro que os Àrabes não podiam ficar de fora e portanto ou são todos uns violentos animais e burros como a porta , ou então gananciosos e sem escrúpulos.

KING SOLOMON'S MINES, John Rhys-Davies, 1985, (c)Cannon Films KING SOLOMON´S MINES 09

Por outro lado, não desesperem, se gostam de piadas machistas em que as mulheres são tratadas como objectos sexuais ou louras burras, também irão ficar bem servidos com a lista de estereotipos no que toca à loura que grita como o raio e está sempre em perigo.
A verdade é que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] não deixa ninguém de fora no que toca a gags politicamente incorrectos e é por isso que actualmente ainda se torna mais divertido do que foi inicialmente.
Tudo resulta em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] no que toca a gags, pois são tão constantes e a um ritmo tal que não deixam o espectador descansar por um segundo.
Nem sequer para admirar as mágnificas paisagens naturais com que esta aventura pode contar.

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2 EM 1

É que tanto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] como a sua sequela ( filmada ao mesmo tempo num dos primeiros 2 em 1 em termos de produção ), foram rodados mesmo no meio de África, em locais reais com figurantes contratados por entre as povoações das aldeias e não há aqui um CGI para simular o que quer que seja.
Como narra Chamberlain no Bluray estes filmes de aventura são até hoje os únicos deste género genuínamente rodados nos locais onde supostamente a aventura deveria estar mesmo a decorrer; o que parece que na altura foi uma das ideias mais estúpidas dos manos Golan & Globus pois a rodagem apesar de divertida logisticamente foi um pesadelo, ( em Hollywood ninguém queria acreditar que estes gajos estavam mesmo todos em Africa perdidos no meio do mato a fazer um filme, parece ) ; mas se calhar é por isso que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] especialmente agora em bluray restaurado tem uma atmosfera tão épica, genuína e fabulosamente real.

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Foi também um dos primeiros filmes de Sharon Stone e segundo Richard Chamberlain, apesar dos dois se terem dado tão bem que gerou aquela química absolutamente fantástica entre ambos incendiando humorísticamente o ecran em todas as cenas que estão juntos, parece no entanto que a Stone deu alguns problemas à produção quando resolveu tentar implicar com a – outra miúda boa – que entrava na sequela porque segundo diz Chamberlain na entrevista, ela era demasido bonita e fazia alguma sombra à Stone em termos de atenção.
Situação que parece ter dado algum trabalho a controlar nos bastidores como recorda muito divertido Richard Chamberlain na fabulosa entrevista que está nos extras de edição Alemã em bluray e que recomendo vivamente.

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CINEMA DE AVENTURA TOTAL

No fim tudo contribuiu para que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] resultasse. Mesmo na altura em que saiu e apesar de ter sido trucidado pela crítica mais iluminada, a verdade é que o filme foi um sucesso, porque o boca-a-boca resultou e não só o público estava sedento por mais aventuras arqueológicas vintage como no fundo a prestação de Richard Chamberlain foi determinante para que as pessoas também não se tenham importado muito por esta aventura existir na sombra do cinema de Spielberg.

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Os personagens são carismáticos, divertidos ou inacreditáveis, as cenas de acção são o máximo até mesmo quando os efeitos green screen são do pior e de ver para crer e o realizador J.Lee Thompson atribuiu a toda esta caça ao tesouro um ritmo imparável e mesmo tentando emular o estilo Spielberg porque deveria estar no contrato certamente, consegue no entanto tornar o estilo do filme em algo pessoal e distinto.

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E para complementar em grande tudo isto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] conta com uma das bandas sonoras mais reconhecíveis e épicas em estilo John Williams que John Williams nunca compôs tendo o sempre excelente Jerry Goldsmith assinado aqui um trabalho mágnifico que anda sempre ali a roçar algo que já ouvimos antes mas nem por isso deixa de ser absolutamente perfeito para ilustrar todos os momentos que vemos no ecrã a todo o instante; sendo esta uma das grandes bandas sonoras dos anos 80 também sem a menor sombra de dúvida.

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Hoje é comum encontrarmos reviews modernas finalmente a dar o mérito que esta simples e carismática aventura merece ( bem mais divertida que Romancing the Stone da mesma altura por exemplo ) e onde muitos comparam Richard Chamberlain a Harrison Ford no mesmo tipo de papel; arriscando alguns até a dizer que preferem Alan Quartermain a Indiana Jones.
E só quem não viu ainda [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é que poderá não entender a razão.
Por isso, estão à espera do quê?

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CLASSIFICAÇÃO

Ia “só” ficar-me pelos Cinco Planetas Saturno, porque se [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] tiver um problema este estará no facto de ter tantos gags a todo o segundo que lá mais para o final da aventura o impacto começa a perder-se um bocado e toda a sequência final parece já não ter a mesma energia que o resto do filme, o que contrasta um bocado com o tom inicial.
No entanto…
É impossível não adorar esta aventura. Só pelo facto de ser um dos filmes mais felizes e positivos que vocês poderão encontrar pela frente vale mesmo a pena espreitarem e é o antídoto perfeito para estes dias de quarentena Covid-19 que todos vivemos no momento em que escrevo isto.
Richard Chamberlain é o primo do Indiana Jones perfeito numa prestação à prova de bala, Sharon Stone nunca esteve tão luminosa, os gags politicamente incorrectos são o máximo, as sequências de acção não dão descanso e aquela banda sonora mantém-nos de sorriso na alma durante quase duas horas. O que é que vocês querem mais ?

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

Como eu referi, a sequela para [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] foi filmada no mesmo período e o segundo filme veio a chamar-se “ALAIN QUARTERMAIN AND THE LOST CITY OF GOLD“.
Como refere Richard Chamberlain, se vocês acham que o primeiro filme era mau então esqueçam a segunda aventura.
Eu próprio agora não recomendo mesmo que vejam a sequela pois é uma verdadeira decepção. Toda a energia do primeiro desapareceu e se os actores parecem estar por ali em piloto automático e a fazer um frete é porque na sua maioria estavam visto que só entraram naquela coisa porque os espertos dos manos Globus os enredaram num contrato do qual não puderam escapar. Não só a sequela foi rodada com uma fração do orçamento do primeiro filme como tudo, desde o humor , à própria aventura parece verdadeiramente pobrezinho e claramente um donwgrade em relação ao filme inicial pois os manos Isrealitas queriam, segundo Chamberlain literalmente enganar o povo e não investir nada na continuação esperando que o facto de terem obrigado os actores a continuar bastasse.

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Podem espreitar o segundo filme por curiosidade mas preparem-se porque as aventuras de Alain Quartermain já não têm a mesma vida, piada ou energia que alcançaram em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] .

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0089421/

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“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE” – A versão original Alemã – Wolfgang Petersen (1984) ALEMANHA

Mas quem é que terá sido a besta…
Quem é que terá sido a besta que em Hollywood achou, que para se transformar [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] em “THE NEVERENDING STORY” seria mesmo necessário cortarem-se 6 minutos de filme (?!) …

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Depois dos produtores Alemães baterem a muitas portas nos EUA obtendo sempre a mesma rejeição , finalmente a Warner acedeu a lançar aquele filme esquisito produzido na Europa que metia bichos estranhos e mundos de contos de fadas.
Mas para isso acontecer, numa altura em que qualquer coisa que cheirasse a fantasia era garantia de desastre nas bilheteiras norte americanas, foi exigido que houvesse uma remoção de 6 minutos da montagem teatral europeia. Isto porque no seu original exibido nos cinema da Alemanha, [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] poderia ser um bocado secante para os americanos…parece que seis minutos a mais o tornariam chato ou algo assim…
E foi assim que o filme passou a ser distribuído mundialmente pela poderosa máquina de marketing de Hollywood tornando-se tão popular que até hoje muita gente ainda pensa que A HISTÓRIA INTERMINÁVEL será um filme americano.

6 MINUTOS !?

E perguntam vocês… Seis minutos ?!
O que raio 6 minutos podem fazer de melhor ou pior num filme como este ?!
Precisamente.
Durante anos eu ouvi falar sobre os seis minutos que só os Alemães viram e também eu nunca lhes dei muita importância, até porque como eu já detalhei na minha review para “THE NEVERENDING STORY“, este é um filme que marcou a minha vida e foi definitivamente responsável por eu hoje trabalhar com ilustração de fantasia também.
Como já referi mais em detalhe no meu texto sobre “THE NEVERENDING STORY“, é hoje sabido que o editor anónimo não creditado na “versão Hollywood” que todos nós conhecemos foi Steven Spielberg. Foi a ele que coube escolher o que remover da montagem original para tornar o filme mais ligeiro e dar-lhe um toque mais Disney como o distribuidor em Hollywood exigiu.

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E agora após eu ter finalmente visto a versão original do filme com mais 6 minutos (10 na verdade se adicionarmos os créditos diferentes também) só me pergunto se Spielberg fez o melhor possível ou se realmente, foi ele o primeiro nos EUA a dar início à total destruição do romance de Michael Ende no que toca à sua miseravel adaptação cinematográfica se tivermos em conta o que aconteceu nas sequelas produzidas por Hollywood após este começo particularmente bom de origem Alemã.
Isto porque, aquilo que as sequelas já produzidas com dinheiro e dominio americano  fizeram para destruir aquele que é para mim o melhor romance de fantasia de sempre continua a ser simplesmente inenarrável a todos os níveis possíveis e imaginários.

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No entanto, até eu que sempre pensei que “THE NEVERENDING STORY” ainda era a única parte que mantinha alguma dignidade e seria minimamente fiel ao espírito do romance original naquilo que tentou adaptar, agora… depois de finalmente ter conseguido colocar os olhos ( e principalmente os ouvidos ) em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] dúvido mesmo muito que volte a rever esta história de fantasia na sua versão “THE NEVERENDING STORY” que durante 36 anos foi tão importante para mim.

Meus amigos, [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”], na sua versão “longa” original, não só é um filme que parece completamente diferente mas acima de tudo restaura aquele toque especial que sempre me tinha parecido um bocado apagado quando comparado com o espírito do romance de Michael Ende.

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E estou a falar da atmosfera de [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] enquanto filme de fantasia.

IT´S THE WORLD OF HUMAN IMAGINATION…

Dei por mim a ver [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] como se nunca tivesse visto “THE NEVERENDING STORY” , principalmente porque parecia que tinha voltado à cadeira do banco de cinema aos 14 anos em 1984 e absorvi agora cada sequência como se a estivesse a ver pela primeira vez. O que para um filme que eu conheço de trás para a frente e principalmente sei todos os diálogos de cor é obra !
Ter voltado a ficar totalmente colado ao ecran sem saber o que iria ver a seguir num certo contexto foi uma verdadeira experiência que eu nunca tinha tido em todas estas décadas a ver cinema.

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E perguntam vocês …. Mas tudo isto por causa de 6 minutos repostos ?!…
Sim.
E não.
Contrariamente ao que foi divulgado desde que se soube que Spielberg tinha sido responsável pelos cortes para a versão “Disneyficada” que todos nós conhecemos, a verdade é que existe muito mais para nos surpreender em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] na sua versão original do que apenas os seis minutos perdidos.
Visualmente a montagem pode “apenas” ter reposto os 6 minutos originais mas… surpresa das surpresas… o som !…

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Meus amigos… o som !!!
Se alguma vez quiserem ver um grande exemplo sobre a importância do som ( efeitos e música ) e quiserem perceber o quanto podem afectar um filme sem nós nos apercebermos, é compararem [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] com “THE NEVERENDING STORY”.
Não há palavras para descrever o quanto “os dois filmes” são diferentes; especialmente no que toca à atmosfera final de cada uma das versões !

HÁ AQUI QUALQUER COISA ESTRANHA…

Logo nos primeiros segundos percebemos que algo está “errado” aqui nesta versão original…
O facto de [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] não contar com a música de Georgio Moroder e principalmente não abrir com a popular canção de Limahl logo no título ( encomendada por Spielberg para a versão “americana” mais tarde para aproveitar o surgimento da MTV na altura nos Eua ) cria logo uma sensação estranha no espectador.
De repente o genérico do nosso “THE NEVERENDING STORY” já não tem aquele ambiente a puxar para a fantasia-Disney e agora mais parece a abertura de um thriller sobrenatural para crescidos. Os créditos de [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] não ficariam destoados de uma sequela de O Exorcista. Ou num filme de terror dos anos 70 ao estilo “The Omen”. Acreditem-me.
Principalmente se vocês tal como eu conhecem bem toda a partitura da versão americana do filme com que a maioria de nós, que tem hoje a minha idade cresceu.

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E já agora, quem conhece bem o livro de Michael Ende subitamente dá por si a finalmente conseguir vislumbrar o tom assombrado das páginas do romance original bem representado logo no início do filme o que é absolutamente fascinante.
Isto porque se “THE NEVERENDING STORY” sempre pareceu algo “fofinho” imediatamente a partir do genérico, por causa disso também logo destoou do tom mais sério e sombrio do texto do escritor. No entanto basta vocês agora verem [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] para perceberem que de repente temos a noção de que Wolfgang Petersen afinal se calhar tinha acertado em cheio no tom sério e assombrado da sua adaptação ao contrário do que parece se virmos a remontagem de Spielberg.
O filme original tem uma atmosfera de suspense sombrio absolutamente fiel ao que se passa no livro.
Uma atmosfera que foi completamente eliminada “com sucesso” na remontagem para distribuição americana que todos nós conhecemos, não só pela ausência dos 6 minutos como acima de tudo pela forma como o som e a música foram misturados nas duas versões do filme.

MUITO MAIS QUE 6 MINUTOS

É que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] não parece apenas diferente por causa dos 6 minutos perdidos.
A versão original não tem apenas 6 minutos de diferença mas ao longo de toda a sua duração, conta pelo menos com uns 75 minutos “de novos pormenores” onde estão sempre a surgir coisas que subitamente nos parecem totalmente estranhas quando comparadas com aquilo a que estavamos habituados… a ouvir.

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Em termos de som pelo menos uns 85% da totalidade da duração da história em “DIE UNENDLICHE GESCHICHTE” contém um sem número de detalhes totalmente novos que vocês nunca… ouviram. (!)
Para lá dos 6 minutos extra, que … meus amigos, fazem toda a diferença por incrível que pareça, experenciar “de novo” esta fascinante aventura de fantasia quando somos constantemente enganados pelos nossos ouvidos é algo que faz com que pareça a todo o instante que estamos a ver um filme novo.

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Não só a música do compositor original Klaus Doldinger está colocada no meio de sequências a que não estamos habituados como [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”]” está carregado de diálogos novos ou totalmente alternativos quando comparados com o que estavamos habituados a ouvir em “THE NEVERENDING STORY” !
Isto muda logo por completo a atmosfera da história; faz com que a aventura pareça muito mais séria e sombria por vezes e acima de tudo mostra-nos um [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] que desta vez nos conta uma história mais complexa do que aquela aventura ligeira a que estavamos habituados. A inclusão de alguns pormenores mais sombrios e detalhados ( em diálogos com o Gmork por exemplo ) fazem com que esta HISTÓRIA INTERMINÁVEL de repente ainda nos pareça uma adaptação mais fiel da primeira parte do romance do que costumava parecer.

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É realmente fascinante e um bocado deprimente também, perceber agor aque toda a intenção original de Wolfgang Petersen em tentar ser realmente fiel ao tom do romance de Michael Ende foi apagada da montagem americana e só agora todos estes anos depois ao compararmos os dois filmes é que nos podemos aperceber da magnitude das diferenças. O poder da montagem é fascinante e este filme é um verdadeiro case-study.

A HISTÓRIA MAIS COMPLEXA

Não só algumas partes da história agora estão mais detalhadas ; como [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] está carregado de diálogos alternativos que nunca tinhamos ouvido antes.
Desde a clássica cena da clareira onde os viajantes se encontram no início da história em que ouvimos finalmente a verdadeira voz do homenzinho que cavalga o caracol veloz, até a um monte de pequenas mudanças nos diálogos com Morla, Falkor, Engivuk e Gmork, [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] é um nunca mais acabar de surpresas audio do princípio ao fim.

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Uma das sequências que eu sempre achei desnecessária na versão americana que conhecemos é o “clássico” diálogo entre Atreyu e o Rockbiter quando o jovem o encontra na cidade em ruínas sózinho : “They look like big strong hands… don´t they ?”
Bastou-me no entanto agora ouvir a verdadeira pista de som que tinha sido gravada para esta sequência e a cena ganhou imediatamente um contexto dramático totalmente correcto.
Subitamente esta pequena cena “inútil” tem toda a razão de ser para percebermos o desespero dos personagens sem nos tentarem atirar à cara momentos emocionais forçados como sempre me pareceu ser na versão remontada. Nesta versão original este até se tornou agora um dos melhores momentos pois faz a ponte perfeita para o acto final da história.

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Não fazia mesmo ideia de que os americanos tinham dobrado tantos actores e substituido ( simplificando ) tantos diálogos para remontar a versão comercial que tão bem conhecemos.
O que mais me surpreendeu nesta versão original foi conter tantos pequenos – inserts – audio que fazem a diferença a nível do tom emocional da história.
Estava à espera que os seis minutos adicionais incluissem algumas coisas novas mas em não estava nada à espera de encontrar tantas diferenças a nível de som !
E todas absolutamente fascinantes. Isto claro, se vocês pertencerem àquele grupo de pessoas que tal como eu conhece o filme “normal” de trás para a frente.
Estas pequena mudanças que encontramos agora na versão original trazem esta aventura para um tom mais adulto do que aquele a que estavamos habituados e o aproximam do romance original. Um livro que que nunca tentou ser politicamente correcto, ou menos triste ou assustador só porque seria à partida um livro para crianças; e é esse o pormenor mais importante que está reflectido em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”].

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É por isso que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] é de longe a versão mais próxima do romance de Michael Ende. Tem uma atmosfera de aventura mais séria, mais dramática, muito , muito assombrada por vezes ( sente-se bem o estilo de cinema europeu ) e contém inclusivamente algum “gore” inesperado no que toca à forma como mostra sangue a escorrer quando Gmork é morto ( algo óbviamente eliminado da versão americana ).
Torna-se quase impossível… Uma verdadeira tarefa … interminável, tentar agora detalhar as dezenas e dezenas de pormenores diferentes neste filme; modificados essencialmente pela reposição do som original em vez daqueles linhas “clássicas” nos diálogos ( americanos ) a que estavamos habituados.

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A forma como a música ( e a ausência dela ) cria agora um ambiente angustiante e assombrado nas sequências passadas no Pântano da Tristeza faz com que pareça estarmos a ver uma sequência mais modificada do que na realidade está.
Os pequenos novos inserts no monólogo de Atreyu quando Artax se afoga e os breves segundos a mais na montagem dessa sequência por exemplo, fazem agora com que essa parte em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] se aproxime verdadeiramente do ambiente dramático em tom sério presente no livro quando na versão americana eu até tinha ficado com a ideia de que teria havido por ali um overacting quando Atreyu berra para salvar o seu cavalo. Sensação errada que foi agora totalmente corrigida.
A versão alemã repõe não só o suspense original como de certa forma restaura a qualidade do trabalho de Noah Hataway que tinha sido algo trucidada pelos cortes da montagem americana.

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E por falar em qualidade de representação. Se a Princesa Criança já era fabulosa na versão americana, os pequenos inserts novos na parte em que ela está cada vez mais angustiada nos momentos de suspense finais vão arrepiá-los até à medula com a honestidade e sensibilidade daquele momento de representação. Outro bom exemplo onde cinco ou seis segundos fazem a diferença e elevam o trabalho dos actores.

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Como raio é que Spielberg cortou estes breves segundos na versão americana é algo que me ultrapassa… se calhar foi para não torturar muito emocionalmente os jovens espectadores americanos na altura que não aguentariam momentos emocionais tensos e excessivamente adultos… aposto.

6 MINUTOS INTERMINÁVEIS

E isto acontece em muitas outras cenas. Podemos estar a falar de 6 minutos de diferença mas não são seis minutos de cenas novas. São sim, 6 minutos de pequenos inserts , ás vezes com não mais que dois segundos mas que volto a dizer; fazem toda a diferença no que toca à representação e tom dramático do filme !

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Dividam estes 6 minutos por centenas de pequenos – inserts – que nos permitem finalmente ver um monte de sequências originais na sua forma completa e vocês acabarão de ver [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] com a verdadeira sensação de ter visto um filme compleamente novo.
Um filme que lhes irá até parecer ter muito mais cenas extra do que na realidade teve.

I NEVER KNEW IT WAS THAT BEAUTIFUL !…

O que não quer dizer que aqui e ali não tenha umas sequências que nunca tinhamos visto.
Por exemplo eu que fiquei tão marcado em criança com a cena da paisagem da Torre de Marfim, para mim só o facto de descobrir que agora nesta versão “longa” existem pelo menos mais uns dez segundos de panorâmicas ao redor do cenário épico fez logo com que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] se tornasse desde longe a minha nova versão favorita deste filme.

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Nota alta para a música em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] também. Pode não conter os toques adicionais electrónicos que conhecemos introduzidos por Georgio Moroder mais tarde, mas a partitura original de Klaus Doldinger continua a ser totalmente mágica. Especialmente porque no original está a ser usada em locais que não estamos nada à espera para criar um tom emocional totalmente diferente.
Menos Disney e mais Lord of the Rings.
O tema original para a revelação da Ivory Tower que na versão americana tinha sido usado para outra coisa está simplesmente mágico nessa sequência mais longa agora na versão original do filme, por exemplo. Não fazia mesmo ideia de que esta música era o verdadeiro tema escrito para o Torre de Marfim !
E resulta pois a primeira revelação visual desta paisagem na versão original ganhou ainda um tom mais épico e encantado.

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Aliás a partir de agora, por muita falta que a música do Limahl me faça, ao início e no fim do filme não há dúvida nenhuma que o filme original a partir de agora é a versão que daqui para a frente irei sempre rever com toda a certeza.
Não há comparação.
A ausência da música de Moroder não faz qualquer diferença. Ou sequer falta.
[“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] pode continuar a não ser a versão perfeita da primeira metade do livro de Michael Ende, mas é de longe a que mais se aproxima do tom assombrado presente no romance; ( que, já agora se assemelha mais ao que podem encontrar no filme dos Nightwish “IMAGINAREUM” ( principalmente a atmosfera da parte final do romance) do que se parece com o que conhecemos da versão americana ).

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O que não quer dizer que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] seja mais deprimente, ou parado , ou não mantenha aquele tom imaginário original.
[“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] contrariamente a “THE NEVERENDING STORY” apenas o consegue fazer sem precisar de apagar , tornar politicamente correcto, ou aligeirar simplificando para americano entender,  tudo aquilo que tenta adaptar fielmente do livro.

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CLASSIFICAÇÃO

Bem, o que dizer quando de repente um dos filmes que mais marcou a minha vida, súbitamente me aparece como sendo practicamente um filme novo ?!!

Não há dúvida, de agora em diante [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] é o filme que irei rever mais vezes, esperemos, pelos próximos 36 anos também.
É de longe a melhor versão, a mais complexa e a mais atmosférica se o contexto for o da adaptação mais fiel possível do livro.

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Quem não conhece bem a fundo a versão americana a que todos estamos habituados, muito certamente olhará para esta versão original e não irá perceber nada do que eu estou para aqui a dizer pois dúvido que note sequer alguma diferença.
Se não vêem o filme há muitos anos, se só o viram em crianças , se não conseguem suportar a ideia de ver A HISTÓRIA INTERMINÁVEL sem a canção The Neverending Story do Limahl então ignorem tudo isto e fiquem-se pela versão americana remontada pelo Spielberg.

Agora se conhecem bem o livro, se conhecem bem o filme que viram no cinema e acima de tudo se são daqueles que sabem de cor cada linha de diálogo e onde cada momento musical da fabulosa banda sonora entra, preparem-se para a experiência audio-visual mais desconcertante das vossas vidas.

Simplesmente fabuloso e como tal se dei a classificação máxima à versão mais popular que conhecemos, vou ter de voltar a rebentar a escala aqui e atribuir:

Cinco Planetas Saturno e DOIS Gold Award porque é impossível resistir a [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] depois ter passado tantas décadas absolutamente fascinado com uma “versão menor” remontada e mutilada em Hollywood.

     

A favor: 6 minutos de novas sequências divididos por mais de 70 em novos inserts que extendem muitas das cenas que conhecemos dando-lhes um contexto muito mais lógico, um par de novas cenas que dão um tom mais sério à história, os diálogos originais repostos são tantos que perdemos a conta, alguns diálogos acrescenta pormenores mais complexos à história do que aquilo a que estavamos habituados, tem pelo menos mais 10 segundos na sequência inicial da Torre de Marfim, o filme ganha um ambiente mais sério mas nem por isso menos divertido, algum sangue inesperado ou momentos creepy que poderiam pertencer a um filme sobrenatural, a maneira como a banda sonora é usada nesta versão original é fabulosa, a montagem já não parece fragmentada e o filme flui muito melhor do princípio ao fim.

Mantém a fotografia em tom sépia original ao contrário das remasterizações modernas da versão americana em Bluray onde tudo é puxado para tons verdes e azuis para parecer mais moderno. O ambiente sépia do filme original é fabuloso.
Ignorem as fotos puxadas para o azul ou de cor saturada que ilustram este texto agora pois pertencem à versão remasterizada da edição americana. A versão original tem um tom muito mais em estilo de pergaminho no que toca à cor e já não parece um videogame colorido a todo o instante.

Contra: O final “Disney” que sempre esteve incluído continua uma estupidez ( mas percebe-se que seria dificil de acabar o filme de outra forma por causa do que faltava adaptar do livro ainda. Isto porque o final do filme com a sequência da Princesa, no livro é na verdade o início da aventura principal de toda a história com Bastian como protagonista a partir dali ( ignorem a desgraça que fizeram com as sequelas do filme…pois essas destruiram por completo o que restava do romance original ).

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NOTAS ADICIONAIS

Apesar de ser uma produção Alemã os diálogos originais sempre foram em inglés embora o filme na sua versão original tenha passado dobrado em Alemão no país de origem.

TRAILER ALEMÃO

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O ELENCO ANTES e AGORA

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COMPRAR DVD – REGIÃO 2 – EDIÇÃO ALEMÃ na AMAZON.DE

Existem neste momento duas edições com capa diferente desta versão do filme editadas na Alemanha.
O conteúdo é o mesmo, apenas muda a capa e a escolha é vossa.

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VERSÃO 1 : https://www.amazon.de/dp/B07Z74Q2CG/ref=pd_sbs_74_1/257-4634102-4307343?_encoding=UTF8&pd_rd_i=B07Z74Q2CG&pd_rd_r=78e2a261-7e4f-433e-a9a0-555790ee91fc&pd_rd_w=Ms0H4&pd_rd_wg=ck4F0&pf_rd_p=c8718c55-fb13-473f-a41c-592a17ad3468&pf_rd_r=2N0PKQ35ARY8129DQ39Y&psc=1&refRID=2N0PKQ35ARY8129DQ39Y

VERSAO 2 : https://www.amazon.de/dp/B07Z74DH42/ref=pd_sbs_74_1/257-4634102-4307343?_encoding=UTF8&pd_rd_i=B07Z74DH42&pd_rd_r=587aa42b-aef4-4429-914a-a6dccd441a26&pd_rd_w=LzXq3&pd_rd_wg=vDbRp&pf_rd_p=c8718c55-fb13-473f-a41c-592a17ad3468&pf_rd_r=QMBQC3K0DDRNVJWE7CGN&psc=1&refRID=QMBQC3K0DDRNVJWE7CGN

Contém um livro com muitos detalhes para quem entender Alemão e o pack vem com o bluray e o dvd incluídos.
Não tem muitos extras, por isso se quiserem saber tudo sobre como se fez o filme recomendo que comprem também o bluray dos 30 anos da versão americana que menciono por todo o lado.

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COMPRAR LIVRO EDIÇAO PT
Por qualquer motivo estúpido não só em Portugal como lá fora também nos últimos anos este romance tem sido lançado sem a inclusão das ilustrações originais e que são absolutamente fundamentais para criar aquela sensação de ligação do leitor com o que acontece no livro.
A Editorial Presença tinha no início dos anos 80 uma edição perfeita que apareceu de novo em 1988 e essa contém ainda os desenhos que introduzem cada capítulo que não se percebe de todo porque já não constam nas edições recentes.
A mesma editora lançou há pouco tempo uma nova edição do livro mas mais uma vez já não traz as ilustrações. Apenas tem o livro impresso a duas cores ( como é necessário para a história funcionar ) mas ignoraram por completo a importância dos desenhos. Não percebo porque não se limitaram a re-editar a edição excelente que já tinham…
De qualquer forma não deixem de ler o romance. MESMO.
http://www.fnac.pt/A-Historia-Interminavel-Michael-Ende/a57691

IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0088323

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

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“PROSPECT” (“PROSPECT”) Christopher Caldwell, Zeek Earl (2018) EUA

O ano de 2019 está a começar bem para mim no que toca a descobrir novas produções independentes de ficção-científica.
[“PROSPECT“] é mais outro título a não perderem se para vocês a ficção-científica for mais do que espadas de luz ou sequências de acção com efeitos especiais. Então se forem fãs daquele estilo clássico dos anos 80 com um visual retro semi-analógico que recentemente “MOON” de Duncan Jones também recriou muito bem, [“PROSPECT“] torna-se automaticamente num filme obrigatório que devem procurar mal acabem de espreitar esta minha recomendação escrita por aqui.

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[“PROSPECT“] como muita gente tem apontado, tem um sabor retro tão genuíno que poderia ter sido filmado nos anos 80 e ter quem sabe estreado pela altura de “OUTLAND” por exemplo que não se notaria diferença.
Em termos de design [“PROSPECT“] é de uma aparente simplicidade fabulosa. Tanto a nível de detalhes como de texturas. Os sets do interior das naves parecem locais reais onde as pessoas têm que viver por longos periodos de tempo e como tal nada aqui se parece com aqueles ambientes limpinhos que vemos habitualmente nos grandes blockbusters.

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O filme tem um estilo retro tão genuíno que nem notamos o CGI à mistura logo pelo início.  Todas as muito breves mas extraordinariamente atmosféricas cenas no espaço parecem tão naturais e tão bem enquadradas na estética do filme que somos imediatamente transportados para o interior daquele universo em tons de ferrugem e ocre a fazer lembrar também muita daquela estética do cinema Russo clássico de ficção científica de títulos como “PLANETA BUR” ou “A DREAM COME TRUE“.

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E por falar em cinema Russo clássico dentro da scifi, tmabém há em [“PROSPECT“] uma pitada de “SOLARIS” e “STALKER” de Tarkovsky. Em particular nas cenas que decorrem na exploração sem rumo quando os herois se perdem na floresta da lua onde ficam encalhados. O que quer dizer que mais uma vez fica aqui o aviso… se é cinema de acção que procuram isto não é o Star Wars.
[“PROSPECT“] é como uma pequena história saída de uma qualquer colectânea de contos publicada pelo meio dos 70s. Sente-se que esta simples aventura faz parte de um universo muito maior mas que não chegamos a conhecer para lá do que imaginamos que pode ser.

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O filme joga bastante com a imaginação do espectador. Apesar da história ser do mais simples e básico que existe, toda a atmosfera de [“PROSPECT“] faz-nos estar permanentemente a imaginar o que poderá estar a seguir daquela outra colina o que é o melhor que um título de ficção científica podia conseguir fazer pois ao longo de 90 minutos estamos verdadeiramente a explorar aquela grande floresta misteriosa.

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Nota alta para os cenários naturais deste filme também. Aqui de demonstra que não são precisos milhões para se recriar um ambiente alienígena. [“PROSPECT“] salvo um bonito matte-paiting que nunca nos deixa esquecer que isto se passa bem longe da Terra não tem particulares elementos extravagantes de design alienígena mas mesmo assim graças a uma fotografia excelente e a um ou dois toques cenográficos consegue mesmo colocar o espectador num mundo de ficção-científica particularmente sólido e interessante.

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Nota alta para a banda sonora e sound-design que são parte da razão porque [“PROSPECT“] funciona tão bem enquanto pequena aventura passada num planeta distante. Tudo isso combinado com um excelente design de guarda-roupa onde alguém parece ter aproveitado tudo o que encontrou para criar os fatos espaciais diversificados, faz ainda com que o filme se possa encaixar quase num estilo steampunk.
Não apenas toda a sua tecnologia é fascinantemente analógica ; a fazer lembrar a nave de “THE WHISPERING STAR” ou o ambiente de “THE ADVENTURES OF PILOTE PIRX” em muitos momentos, como todo o concept design e até o próprio design gráfico do filme são absolutamente determinantes para que esta aventura resulte tão bem enquanto proposta sólida de scifi para quem não procurar descobrir cinema de acção em modes de blockbuster claro está.

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[“PROSPECT“] conta a história de uma miuda que ao naufragar numa lua distante com o seu pai, tem que lutar para conseguir sobreviver no meio de mercenários e prospectores, não de ouro mas de uma espécie de pedras preciosas alienígenas. Ao tentar voltar para casa vê-se obrigada a aliar-se com um prospector à partida nada confiável mas que poderá ser a sua única saída daquele mundo florestal onde apesar de tudo os humanos não podem respirar pois o ar encontra-se infestado de esporos perigosos.

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Como seria inevitável, lá pelo IMDb poderão encontrar os habituais “especialistas científicos” que desancam o filme não por ser mau cinema mas porque segundo eles é simplesmente estúpido. E estúpido porquê ? Ora porque segundo eles se [“PROSPECT“] se passa no futuro porque raio é que os computadores deles não têm um design todo avançado e ainda têm botões e parafusos e tudo. O que é que se pode dizer mais…

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CLASSIFICAÇÃO

[“PROSPECT“] é uma aventura muito simples com dois protagonistas excelentes, Pedro Pascal e uma fantástica Sophie Tatcher que eu desconhecia por completo.

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Uma jornada de exploração há moda antiga, sem aliens que comem pessoas, sem sequências de acção a duzentos frames por segundo mas com montes de atmosfera clássica scifi que nos deixa com vontade de continuar a ver mais histórias neste universo tão cativante em tons de verde ocre e ferrugem.

Cinco Planetas Saturno

    

E não leva mais , apenas porque já vimos esta história mil vezes antes.

Ignorem as criticas más no IMDB ! Como habitualmente quem por lá dá uma classificação baixa a este tipo de filmes parece esperar que o cinema independente consiga competir com orçamentos de blockbusters ou então para eles a ficção cientifica será apenas sinónimo de blockbuster. Este filme merece todos os prémios que já ganhou em festivais de cinema fantástico sem qualquer problema.

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A favor:  Os actores, os dois protagonistas, o design dos sets, o estilo retro, o ambiente steampunk, a forma como utiliza os ambientes naturais, a sensação de mistério que consegue criar, a banda sonora, o sound design, o guarda roupa, os efeitos especiais, as cenas espaciais. Consegue criar um universo de ficção científica particularmente novo apesar de todas as referencias que vai buscar.

Contra: Não há grande novidade na história pois já vimos esta estrutura mil vezes.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER *SPOILERS*
Conta o filme todo de uma ponta a outra e não sobra nada !!! Nada !
Não vejam o trailer se ainda não conhecem o filme ou vejam só os primeiros segundos para perceberem o ambiente da coisa.

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SITE OFICIAL:
https://www.prospectthefilm.com/

Entrevistas:

https://www.imdb.com/list/ls025849840/videoplayer/vi1710275097?ref_=tt_emy_wiw_3pk_i_1

http://www.mercwithamovieblog.com/2018/10/exclusive-interview-sophie-thatcher.html

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt7946422/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

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