“THE WAR OF THE WORLDS – BBC MINI-SERIES” (“THE WAR OF THE WORLDS”) Craig Viveiros (2019) INGLATERRA

Quando eu descobri que a BBC ia adaptar – A Guerra dos Mundos – num ambiente totalmente fiel ao do romance e situado precisamente na época em que a história original decorre, eu achei que [“THE WAR OF THE WORLDS“] não podia falhar. Finalmente uma versão fiel à Guerra dos Mundos de H.G.Wells !
Nope !…

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[“THE WAR OF THE WORLDS“] não é tão mau como muita gente acusa esta mini-série de o ser no IMDb, mas eu desta vez percebo a frustração das pessoas.
Toda a gente queria mesmo que isto tivesse sido fabuloso e fabulosamente fiel ao livro original, depois de tantas versões -modernizadas- desde a clássica versão 50s scifi norte americana até ao moderno War of the Worlds com Tom Cruise.
Bem, nem foi uma coisa nem outra.

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Em vez de aproveitarem os fabulosos valores de produção com que a série pode contar tudo em [“THE WAR OF THE WORLDS“] nesta versão BBC 2019 parece estar continuadamente a acertar ao lado do que deveria ter sido. O pior disto tudo é sentirmos constantemente que o potencial desta adaptação foi completamente desperdiçado por culpa de um script que à força de tentar criar realmente uma abordagem original acabou por dar um verdadeiro tiro no pé.

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O conceito não é mau. Parte de todas as ideias presentes no romance de Wells e tenta ir mais além. A ideia de mostrar o que aconteceu ao planeta Terra depois da guerra ter terminado é mesmo muito boa e até está bem executada visualmente e em termos de ambiente apocaliptico mas… como raio é que depois tudo falha ao redor ?…
O problema de [“THE WAR OF THE WORLDS“] …são vários.
Primeiro dispersa-se por demasiados mini-conceitos e sub-plots que não vão a lado nenhum. Tem personagens que lá estão apenas para servir quase de figurantes e para irem morrendo porque sim e todos os restantes parece que andam por esta história perdidos nas suas deambulações pessoais.

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Salvo raras excepções nunca sentimos grande empatia entre os protagonistas. E para um argumento que gira também à volta da relação do casal central, como raio é que é possível que este par não tenha a mínima química romântica no ecran ?! Quem é que fez este casting ?!
É que ter alguém como Eleanor Tomlinson no ecran e depois não conseguir tirar qualquer química romântica dela em relação ao seu par numa história é obra ! Algo que eu nunca pensei ser possível; especialmente depois de a ter visto na extraordinária série de época, POLDARK onde está fabulosa com Aidan Quinn; também precisamente porque todo o elenco funciona com a precisão de um relógio Suíço.

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No mínimo era o que se esperava também em  [“THE WAR OF THE WORLDS“] mas tal nunca acontece, mesmo quando o elenco conta com actores como Robert Carlyle  que desaparece também a meio da história para justificar um twist para lá de óbvio mais tarde também mas que depois não leva a lado nenhum pois o seu personagem não serve para muito.
É dificil descrever isto , porque [“THE WAR OF THE WORLDS“] é uma daquelas produções de que apetece gostar mesmo muito.

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Estamos sempre a tentar procurar encontrar qualquer coisa boa e por vezes o que tem de muito bom até consegue enganar os nossos sentidos. Mas dura pouco. Mal a história insiste em tentar focar-se nos personagens e no seu percurso pessoal, toda a estrutura narrativa perde o fôlego e levamos com cenas absolutamente redundantes que só frustram o espectador. Por vezes só apetece gritar para que a série se deixe de cenas que não servem para nada e nos mostrem algo digno da própria herança de H.G.Wells.

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Até o final, que dura longos minutos, sabe a pouco. Levamos com um monólogo que parece interminável mas que nunca se foca naquilo que nós enquanto espectadores queriamos mesmo saber sobre o destino do mundo em geral e dos personagens em particular.
O problema de [“THE WAR OF THE WORLDS“] é que nunca sabe se quer ser uma adaptação do romance original, uma série scifi de aventuras ou terror, um panfleto político e de crítica social ou um estudo pseudo intimista sobre relações humanas protagonizado por personagens que na verdade depois não têm grande coisa para fazer ou sequer grande empatia entre eles.
A mini-série tenta ser tudo ao mesmo tempo ou alternadamente e acaba por não conseguir ser nada pois não há um fio narrativo condutor coerente.

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Apesar dos bons efeitos especiais e do design de produção que por vezes tornam [“THE WAR OF THE WORLDS“] tão espectacular e interessante por segundos, a verdade é que quem partir para isto à espera de algo em concreto vai ficar tão desapontado como toda a gente frustrada que anda pelo IMDb a publicar comentários tão desorientados sobre o o que viu.
Isto é um scifi televisivo muito estranho.

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Na verdade não se pode dizer que seja mau, mas o problema é que não se percebe bem o que poderá ser.
O design dos Tripods está fantástico , as cenas de pânico na praia estão do melhor, o ambiente de suspanse e terror por vezes está mesmo bem conseguido, mas depois tudo o que tenta adicionar de novidade como por exemplo as cenas passadas depois da guerra, acaba por ser um enorme desperdício, até porque essa parte da aventura não vai a lado nenhum e torna-se ainda mais frustrante quando a série termina e ficamos com a sensação de que vimos uma espécie de episódio-piloto incompleto para qualquer coisa que nem sequer começou.

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CLASSIFICAÇÃO

Tinha tudo para ser uma das melhores versões do romance de H.G.WELLS.
Um design fantástico, uma protagonista carismática e com uma grande presença de ecran e um par de ideias originais muito boas à partida.
Infelizmente fica tudo pelo caminho por culpa de um argumento que pretende ser mais inteligente e interventivo politica e socialmente do que [“THE WAR OF THE WORLDS“] precisava de o ser.

Três Planetas Saturno

  

A favor: o ambiente steampunk e design de produção em geral, Eleanor Tomlinson e Robert Carlyle iluminam o ecran quando estão em cena, algumas ideias novas são boas, o design dos marcianos, o ambiente de terror e suspanse.

Contra: os personagens não têm química nenhuma, o par romântico não funciona de todo , o argumento pretende ser demasiado inteligente e não era necessário, a mini-serie parece um episódio piloto incompleto para qualquer coisa que não foi para a frente, o monólogo final parece ser interminável e nunca mencionar ou concluir nada sobre aquilo que queremos mesmo realmente ver, perde tempo com históricas e caracterizações que não levam a nada.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt8001226/

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capinha_extraterrestrial capinha_4th-kind capinha_LIFEFORCE capinha_Day-of-the-TriffidsBBC

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“ARES” (“ARES”) Jean-Patrick Benes (2016) FRANÇA

[“ARES“] é um dos melhores filmes independentes de ficção-científica Europeia que eu vi no ano passado e outro bom exemplo de um filme que, até final do ano eu nem fazia a mínima ideia de que existia.
O que só demonstra que pelo visto boa ficção científica Europeia é coisa que não falta, apesar de nem nós próprios na Europa ficamos a saber que é produzida; afinal isto é cinema Francês de baixo orçamento e não um blockbuster de Hollywood.
Depois ainda há quem critique a existência da pirataria online (?!). Não fosse a pirataria e eu nem teria depois comprado [“ARES“] em Bluray. E olhem que eu gostei tanto disto que comprei o filme sem legendas de espécie alguma. O que também ajudou a praticar o meu Francês. E sim, o filme é do caraças !

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Num futuro, (quer me parecer) muito próximo, a velha ordem mundial já era, o planeta está poluído até ao limite e com população a mais, o mundo está num caos económico, doenças por todo o lado e a França conta com mais de 15 milhões de pobres e/ou desempregados sem qualquer perspectiva de futuro.
Todos os desportos foram banidos, excepto um extremamente violento ( controlado pelo Estado ) que é transmitido a toda a nação e que serve como escape à população para que esta possa descarregar toda a sua frustração no visionamento desses combates e não contra um governo que nada faz para melhorar as suas vidas.

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Um Estado também totalmente dominado pelas farmacéuticas.
São elas que controlam os jogos de gladiadores na TV, o que na práctica significa que a segurança do país está nas suas mãos também manipulando tudo ao sabor dos seus jogos de poder. Essas mesmas empresas fazem agora milhões com o dopping que agora é legal num mundo onde os desportistas são usados como cobaias para testarem a melhor droga do mercado que irá tornar o representante de cada uma das facções no melhor lutador de França e gerar muitos milhões em patrocinios de qualquer uma das empresas corruptas que gravitam nos estratos milionários acima da população comum.
Bem vindos ao mundo de [“ARES“].

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O jogo está dividido entre lutadores “do Estado” normalmente representados por membros da polícia e representantes da população em combates por vezes até à morte, o que é do melhor que pode acontecer para aumentar as audiências televisivas.
[“ARES“] conta a história de um desses lutadores.

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Um representante da polícia que entre reprimir violentamente manisfestações nas ruas durante o dia e lutar nos combates durante a noite lá vai sobrevivendo numa Paris que mais parece um esgoto a céu aberto e não passa na verdade de um enorme bairro de lata.
Com duas filhas para manter seguras, entre os quais uma muito pequena, um dia o agente recebe de uma das mais importantes farmacéuticas uma oferta que não pode recusar e claro a partir daqui a história segue para algo que óbviamente não irei contar, até porque já falei demais.

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BLOODSPORT

Tenho que confessar que só comprei [“ARES“] porque o vi mesmo primeiro numa cópia pirata. Isto porque o trailer não me tinha convencido muito e é pena que não passe a melhor ideia do filme na minha opinião, pois muita gente ao vê-lo irá certamente pensar que [“ARES“] será uma espécie de filme de porrada do Van-Damme naquela onda 80s que inundava os clubes de video do antigamente.
Não é.

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Acreditem-me, [“ARES“] não é um “BLOODSPORT”. Parece, mas não é.
[“ARES“] tem muito mais a ver com “BLADE RUNNER” e até mesmo “BLADE RUNNER 2049” do que pode parecer à primeira vista.
Por ser cinema Francês tem também aquele sabor a banda desenhada de Enki Bilal e visualmente até por vezes remete para “IMMORTEL” realizado pelo autor de BD Europeu há anos atrás.
Mas [“ARES“] é também bem mais do que isso.

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Não apenas é um bom título de ficção-científica distópica numa onda “WHAT HAPPENED TO MONDAY” como também tem certas semelhanças com aquele outro filme no estilo -Blader Runner- que saiu há um par de anos também, ( curiosamente igualmente do cinema de baixo orçamento Francês ); o mesmo, muito, muito interessante “VIRTUAL REVOLUTION” que tem uma base semelhante embora mais virada para o mundo dos video-jogos MMORPG.
[“ARES“] é mais cru e talvez por isso mais realístico (?); [“ARES“] é também muito violento e não tem problemas em ser politicamente incorrecto quando o que mostra serve para construir aquele futuro que se calhar não está tão distante assim.

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[“ARES“] apesar de não parecer, é bem mais do que um filme de Van Damme em onda futurista, mas isso não quer dizer que as cenas de combate não vão agradar a quem só procura um filme de porrada também. São muito bem filmadas, bem coreografadas e nem sei como ninguém morreu a filmar isto. Toda a ilusão de extrema violência está muito bem apresentada e portanto isto não é um daqueles filmes fofinhos ou com aquelas montagens politicamente correctas em estilo video clip que se vê nos filmes de Hollywood para agradar à família inteira. Querem ver porrada “realística” com baldes de sangue e muitos narizes e ossos partidos , também a irão encontrar aqui.

UM FILME FAMILIAR

A violência é excelente, a atmosfera repressiva é do melhor e até os efeitos e matte-paintings são impecáveis ( melhores do que aparentam no trailer ).
Visualmente o filme está muito bem produzido, desde o set-design até às panorâmicas do mundo exterior onde a Torre Eifel foi transformada no centro dos bairros da lata tudo em [“ARES“] resulta em pleno.

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Mas a grande força de [“ARES“] nem sequer está aí mas sim nos personagens. O conceito é óptimo, a história é muito boa mas o centro de tudo são os personagens.
Não quero revelar muito mas o que humaniza toda esta aventura sci-fi bem negra é o núcleo “familiar” que centraliza toda os motivos da acção.
O filme pode ser pequeno e não ter mais que 80 minutos mas não precisava de ser maior pois este é outro daqueles que nos parece muito mais longo pelos melhores motivos.

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[“ARES“] tem muita textura, muito detalhe, muita vida e cria uma excelente empatia com o espectador pois ficamos a gostar muito dos “herois” da história e ficamos agarrados ao seu destino e àquela “família” até ao último minuto.
E olhem que eu vi tudo isto em Francês sem legendas absolutamente nenhumas.
Agora também o meu Bluray de edição Alemã ( excelente som e imagem ) , não as tem.
Havia mais para contar, mas como habitualmente terão de procurar pelo filme pois este é outro daqueles títulos de ficção-científica made-in-Europe que valem mesmo a pena.
Mais um para juntarem a “ANIARA” , “CARGO“, etc.
Não percam.

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CLASSIFICAÇÃO

[“ARES“] é outra daquelas surpresas dentro da scifi mais recente que me apareceram pela frente nos últimos tempos. O facto de ser mais um título Europeu só demonstra que pelo menos por cá a ficção-cinentífica adulta está de boa saúde e recomenda-se.
E este recomenda-se mesmo muito.

Cinco Planetas Saturno

   

Só não ganha um Gold Award… porque por vezes parece demasiado concentrado com tanta coisa a precisar de acontecer para caber em 80 minutos. Mas tirando isso, é um excelente filme mesmo.

A favor: o ambiente do futuro distópico está do melhor, os personagens e interpretações são impecáveis, a história é muito interessante embora não muito complexa, é ultra violento nos combates, excelente set-design, bons efeitos, é mais um óptimo filme Europeu scifi.

Contra: este é o tipo de filme que se tivesse tido um orçamento à Hollywood se calhar poderia ter expandido bem melhor todo este universo. Embora neste caso isto nem seja negativo porque o que faz está mesmo fantástico.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt4216902/

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“Der Schatz im Silbersee” (“The Treasure of Silver Lake”) Harald Reinl (1962) ALEMANHA

Ok, eu sei que adoro teorias da conspiração mas algo me diz que [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] estará entre os filmes favoritos de Spielberg pois se não estiver há por aqui uma coincidência fascinante.
Sem querer estragar-lhes o final desta aventura, comparem o fim deste filme com “Indiana Jones and the Last Crusade” e depois falamos.

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E por falar em Indiana Jones uma das características fascinantes não só deste título que vou aconselhar agora como practicamente de todos os outros filmes baseados nas mentir…obras, de Karl May é terem um sabor verdadeiramente Raiders of the Lost Ark, até mesmo quando são Western puros.

RAIDERS OF THE LOST LAKE

[“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] é um filme fascinante em muitos sentidos e um deles é precisamente o de parecer um Western clássico mas na verdade desenrolar-se quase como um Indiana Jones em muitos aspectos na sua própria estrutura.

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Filmes como “O Tesouro de Sierra Madre” ( e o personagem de Boggart ) costumam ser muito citados como tendo sido parte da origem de Indiana Jones, mas meus amigos… se isso assim foi então [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] contribuiu adicionando o que faltava.
Deu-lhe o tipo de sensação de high-adventure que depois Spielberg tão bem modernizou mais tarde; proporcionado por um sentido épico, grandes localizações reais, um sentido de humor muito divertido com a introdução de alguns personagens comic-relief e uma banda sonora larger-than-life, que uma vez entranhada nunca mais nos larga tal como acontece com a música de John Williams.

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Estou para recomendar este filme e todos os outros baseados na obra do mentiros… escritor, Karl May há algum tempo, mas a verdade é que há tanto para dizer que tinha medo que este se tornasse noutro dos meus textos gigantes. Por se vocês acham que este post hoje é longo, nem queiram saber o que eu tinha para contar antes !
Felizmente que hoje encontrei um pequeno video de youtube onde ser resume muito bem logo metade do que eu tinha para dizer e por isso remeto detalhes adicionais para o que podem encontrar nas notas adicionais deste post.

WESTERN ALEMÃO

Há muito a ideia de que os Western Spaghetti foram os primeiros Western produzidos na Europa e na verdade não foi assim. Há quem diga que se não fossem os filmes – “de Karl May” – o próprio Western Spaghetti não teria tido a projecção que depois veio a ter, embora em estilo os dois géneros sejam particularmente diferentes.

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Filmes como [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] e tudo o resto baseado nos romances de Karl May, são luminosos, positivos, poéticos e absolutamente visualmente épicos enquanto que o Western Spaghetti sempre foi mais negro, desencantado, e minimalista até nos seus meios de produção; mas o segundo não teria certamente existido enquanto produto comercial não fora o sucesso dos filmes Karl May produzidos anos antes na Alemanha e filmados nas incriveis paisagens naturais da Croácia e Jugoslávia.

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O meu primeiro contacto com um par destes filmes foi há muitos anos atrás por volta de 1980/81 quando passaram no cinema da minha terra na sua versão dobrada em “americano” mas foram títulos que nunca me sairam da memória desde os meus 11 anos apesar do Western nunca ter sido o meu género de eleição pois a ficção-científica sempre foi a minha area desde que vi Espaço 1999 aos 7 anos.
Mas a verdade é que Wanitou e o seu amigo branco nunca me sairam da memória e durante décadas eu procurei rever estes títulos. Muito especialmente quando recentemente me apercebi de que isto era cinema Alemão o que foi uma verdadeira surpresa para mim, pois em criança nunca suspeitei.
Aliás, eu durante anos a fio quando era puto, pensava que um dos protagonistas teria sido William Shatner pois quando vi isto no cinema o heroi parecia-se por completo aos meu olhos com o capitão Kirk da série de TV Star Trek.

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Só recentemente é que Internet me permitiu descobrir mais sobre tudo isto e o que descobri é fascinante.

INDIOS E INDIAS

A razão porque todos nós desde crianças temos na imaginação aquela imagem “do indio” e “das indias” com aquelas roupinhas castanhas (com fitas) que encontramos sempre à venda em disfarces de Carnaval ( sem esquecer a típica pena no cabelo ) é totalmente culpa do sucesso não só dos livros de Karl May como também dos filmes dos anos 60 que os adaptaram a todos.

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Em [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] a coisa ainda nem é muito evidente pois como já disse o filme parece-se mais com uma aventura de Indiana Jones do que com um Western, mas se vocês virem os próximos títulos a seguir a este, irão ficar fascinados com toda aquela estética. Para desagrado dos verdadeiros nativos americanos que ainda hoje protestam e detestam toda a falsa imagem ( e design “indio” ) que temos metidos na nossa imaginação desde crianças por culpa do impacto cultural dos livros e filmes de Karl May.
É que Karl May inventou tudo aquilo em que nós hoje não conseguimos deixar de pensar sempre que pensamos em “indios e cowboys” e para sempre marcou aquele estereotipo de design na imaginação popular; muito em particular na europa; ( e já agora, na imaginação das crianças também ).
Tudo por culpa de Karl May. Um dos maiores mentirosos do mundo.

O MAIOR MENTIROSO DO OESTE

É que Karl May, inventou tudo.
Karl May está para os Indios e Cowboys como o “Lobsang Rampa” está para os relatos esotéricos “Tibetanos“. Tal como se descobriu anos atrás que o pseudo monge Tibetano afinal não tinha passado de um escriturário americano que publicou todas aquelas narrativas como se pertencessem realmente a um verdadeiro monge mas nunca tinha saído da sua casa em Nova York, também Karl May inventou a partir da Alemanha tudo sobre Indios e Cowboys.
Só no final da sua vida é que colocou os pés nos EUA e como turista apenas. Tudo ao contrário do que afirmou durante a sua vida, pois sempre apresentou os seus livros como relatos auto-biográficos das suas viagens pelo mundo.

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Karl May não só jurou a pés juntos que tudo o que escreveu nos seus romances eram relatos reais das suas aventuras até morrer, como inclusivamente era tido na Europa em finais do Sec.XIX como sendo um verdadeiro especialista sobre o Oeste Americano e em particular sobre a cultura dos nativos norte americanos.
A tal ponto que semanas antes de morrer ainda dava palestras nas faculdades de História Europeias da altura sobre o tema da cultura India e sobre as suas vivências enquanto “amigo e parceiro de aventuras de Winnetou“.
Por isso é que – “esta imagem” – que temos dos “indios e cowboys” ficou tão enraízada na cultura popular.

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Depois o facto dos filmes terem adaptado em detalhe tudo o que estava contido nos romances também não ajudou a esclarecer a verdade.
Mas quem é que precisa da verdade quando temos os romances de Karl May ?
É porque sem eles não existiriam os filmes e são todos absolutamente fascinantes.
E quando digo todos, digo, mais as de 15 longas metragens. Não só narrando as suas aventuras com Winnetou enquanto Old Shatterhand como também outras “suas” odisseias pelo mundo salvando tribos e repondo a justiça por onde passava.

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E isto é apenas a ponta do iceberg no que toca a Karl May enquanto um dos maiores mentirosos da literatura popular de sucesso.
Desde um historial de respeito como vigarista profissional onde dava os golpes mais hilariantes, até ter passado 8 anos de cana pelas burlas mais inacreditáveis, há tanto para contar que vocês precisam explorar o tema e a vida deste grande e fascinante mentiroso por vocês mesmo se quiserem saber mais. E podem começar pelo video que posto mais adiante.

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Eu avisei que este texto iria ser grande…
Voltando aos filmes e em particular a [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“], meus amigos, neste tempo de quarentena por causa do virus que devasta o nosso planeta se vocês quiserem passar duas horas com algo verdadeiramente divertido e relaxante, para nem dizer verdadeiramente épico e positivo , procurem este filme na Internet.

SILVERADO

Se procuram cinema de aventuras, que bem vistas as coisas estava até à frente do seu tempo, não percam [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] ; ( ignorem o trailer da versão americana ).
Eu nunca fui grande fã de Westerns mas em 1985 houve um que me fez começar a prestar mais atenção ao género quando eu tinha 15 anos e mesmo até hoje continua único. Falo de “SILVERADO” que já na época tinha sido considerado um título algo atípico precisamente por se parecer com um Western mas na verdade ter um espírito muito mais Indiana Jones na sua estrutura.
Ora olhando agora para trás, “SILVERADO” é tão diferente mas ao mesmo tempo tão familiar e não é por causa de Indiana Jones não senhor. É por causa dos Westerns de Karl May.
É que “SILVERADO” poderia ter sido na boa um romance de Karl May e muito provavelmente se tivesse sido filmado nos anos 60 também não haveria igualmente grande diferença na sua estrutura. Inclusivamente no tipo de herois, na forma como se cruzam, nas aventuras que vivem, etc.
Portanto se vocês adoram “SILVERADO” e curtem os “INDIANA JONES” mas nunca ouviram falar dos Westerns Alemães, nem dos livros de Karl May então não há melhor filme para começarem a mergulhar neste verdadeiro universo de pura fantasia do que [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“].

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O SENHOR DA CROÁCIA

E digo – Fantasia – porque só as próprias paisagens da Croácia e Jugoslávia que passam por ser os EUA nestes filmes são suficientes para fazer com que às vezes também nos pareça estarmos a ver um filme de fantasia como THE LORD OF THE RINGS.
Só que aqui o realizador nem sequer precisou de usar – matte paintings – para estender os cenários. Acreditem-me, vejam [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] no maior televisor que conseguirem e vão cair para o lado com os ambientes naturais em que toda esta aventura – “de fantasia” – decorre.
Apenas é um mundo de fantasia onde em vez de Hobbits e Elfs temos indios e cowboys.

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Aliás em termos de design todos estes filmes são absolutamente extraordinários na forma como constroem todo aquele mundo Western imaginário em pleno coração da Europa. Não só as cidades de Cowboys têm muita pinta, como todos os sets são genuínamente estereotipados no melhor dos sentidos. Desde a “clássica” aldeia dos Indios ( tal como a sempre imaginamos com os seus “típis” por culpa da cultura popular originada pelas mentiras de Karl May ) , até ao típico saloon onde toda a gente anda à porrada ou aos tiros, tudo em [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] é absolutamente “genuíno” enquanto Western puro.

TANTA GENTE !!!

E por falar em porrada, para mim no meio disto tudo não há caracteristica mais divertida também nos Westerns Karl May do que o fascinante facto de eu nunca ter visto tanta gente à porrada num só filme. Acho que filmes Karl May como [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] devem estar no Guiness Book pelo maior número de figurantes aos tiros ou ao murro alguma vez colocados no grande écran ao mesmo tempo. Meus amigos há sequências com dezenas e dezenas… e dezenas (!!!) de figurantes aos tiros em tudo o que são sequências de porrada entre indios e cowboys.
É hilariante e fascinante. Lembrem-se que isto foi filmado com gente real em camera pois não havia cá CGI para duplicar exércitos ao monte.
Façam pausa no filme e comecem a contar. Nem vão acreditar. Ele são cowboys, indios, cavalos às dezenas. E a piada é que isto não é coisa isolada.

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Acho que não há Western Karl May que não tenha dezenas de gente ao murro e aos tiros.
E por falar em murros… irei falar disto nas sequelas de [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] mas se por acaso virem um muito, muito jovem actor que se parece por demais com Terence Hill numa diversidade de personagens terciários e secundários em várias das aventuras ( esse mesmo , dos filmes Bud Spencer anos mais tarde ), não é ilusão de óptica. Ele não entrou ainda nesta aventura inicial que em duração é a mais épica de todas, mas teve um sem número de papeis diferentes nas “sequelas” quando ainda não devia contar com mais de 20 anos de idade.
Já agora uma outra caracteristica dos western Karl May, está no facto de usar e voltar a usar os mesmos actores nas sequelas mas em papeis totalmente diferentes. Daí, Terence Hill nos baralhar por completo quando de repente o vemos em histórias diferentes interpretando outras pessoas. O mesmo acontece a grande parte do elenco de [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] que depois foi novamente usado “nas sequelas”.

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Ah, nunca é demais ressalvar com nota alta também para a banda sonora, pois como já disse, esta é daquelas que define um filme e um univeso cinemático por completo. A forma como nos transporta para aquele mundo de fantasia é simplesmente incrível e mesmo quando se torna repetitiva por vezes, mal a música do tema principal começa a tocar ficamos logo imediatamente hipnotizados por completo. Lindíssima, poética e com um sentido de aventura clássicamente épico que só John Williams mais tarde viria a reproduzir.

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[“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] essencialmente é isto, um grande filme de aventuras alemão, falado em alemão com um par de actores americanos como “Herbert Loom” ( o excelente Nemo de “A Ilha Misteriosa ) e que aqui é o vilão de serviço.
Um “Western” que conta uma história de caça ao tesouro e templos perdidos que normalmente não costumamos associar aos filmes de cowboys.
Tem também a particularidade de ser um dos poucos western “clássicos” em que os Indios não são necessáriamente os vilões e até são apresentados como sendo povos sensatos vivendo em comunhão com a natureza e tribos nobres, algo que só me lembro de ver em DANÇAS COM LOBOS que, curiosamente tem imensas semelhanças com isto também na forma quase bucólica como tenta mostrar a vida dos povos nativos da planície Americana.

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Todos os filmes de Karl May foram restaurados para Bluray e a qualidade é absolutamente extraordinária na sua maioria.
E sendo assim…

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CLASSIFICAÇÃO

[“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] é o antídoto perfeito para dias mais sombrios.
Se tal como eu nem sequer gostam de Westerns, dêem uma oportunidade a isto e irão surpreender-se; não só com a modernidade da estrutura da aventura mas também com todo o ambiente natural cénico que é simplesmente épico e real.
E claro, só aquela música vale o filme.

Cinco Planetas Saturno e claro, um GOLD AWARD

     

A favor: Tudo ! As paisagens, a aventura, as cenas de porrada com mil gajos, o espirito Indiana Jones, o templo perdido, os indios fofinhos e bonzinhos, os cowboys, a banda sonora…faz lembrar cinema de Fantasia a todo o instante, etc.

Contra: foi tudo uma grande tanga de Karl May… mas e depois ?…

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TRAILER ORIGINAL ALEMÃO


TRAILER AMERICANO

 

COMPRAR EM BLURAY – EDIÇÃO ALEMÃ – AMAZON.DE

COMPRAR A MELHOR COLECÃO DE KARL MAY FILMS de todos os tempos.
Em breve irei fazer uma review detalhada sobre esta edição mas para já fiquem a saber que alguns filmes estão legendados em inglês, outros não. Alguns dos que não estão legendados em ingles podem ser vistos dobrados em americano ( com um som péssimo ) e uns poucos do fim da colecção nem estão legendados, nem estão dobrados e só os podemos ver em Alemão. Se vocês pensam que isto é algo que os impedirá de curtir os filmes se tal como eu não perceberem puto de Alemão, não se preocupem… é impossível não conseguir seguir ou divertirmo-nos com um filme de Karl May quando tudo nesta colecção está restaurado para bluray com uma qualidade espectacular em termos de imagem e som na pista original alemã.
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Darei mais detalhes em breve mas actualmente não há melhor sítio para comprar isto do que a caixa fantástica com 16 blurays que está à venda na Amazon Alemã.

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KARL MAY UM GRANDE MENTIROSO

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0056452/?ref_=fn_al_tt_1

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