“UNDERWATER” (“UNDERWATER”) William Eubank (2020) EUA

[“UNDERWATER“] filmado em 2017 mas lançado apenas em 2020 surpreendeu-me pela positiva quando eu esperava mesmo algo muito mau; talvez por ter partido para isto sem qualquer expectactiva apesar de eu adorar aventuras submarinas e já ir preparado para ver o tipo de filme que acabei naturalmente por encontrar.
E até ontem eu nem sabia que este filme existia, o que hoje já é coisa rara de acontecer no que toca a cinema pipoca blockbástico como este.
Curti.

UNDERWATER 18

Não deixa de ser fascinante constantar a carga de porrada que [“UNDERWATER“] está a levar em todas as reviews por ser apenas mais um Alien, quando em 1987 aquele que é para mim um dos melhores sci-fi de todos os tempos “THE ABYSS” foi atacado pela crítica e público ao ter decepcionado “toda a gente” porque afinal, o filme de James Cameron não era um “Aliens” debaixo de água como toda a gente pensava que ia ser.

UNDERWATER 01 UNDERWATER 28

Depreendo portanto que se [“UNDERWATER“] tivesse saído em 1987 teria sido um clássico de terror subaquático instantaneo pois este filme agora dá ao espectador exactamente o tipo de filme que as pessoas queriam ter visto em “THE ABYSS” ( e já agora em “SPHERE” também ) trinta e tal anos atrás.
Ora pois, bem trinta anos depois [“UNDERWATER“] é tudo aquilo que o povo e crítica queriam ter visto em “THE ABYSS” mas agora parece que é por isso mesmo que está a ser atacado por todo o lado como se este tipo de cinema existisse para ser comparado com o “Lawrence da Arábia” em termos de qualidade cinéfila ou algo assim.
[“UNDERWATER“] é um monster movie.
Nada mais, nada menos.
E resulta mesmo muito bem meus amigos, precisamente porque nem tenta disfarçar o facto de ser essencialmente Alien no fundo do oceano e não se preocupar nada com isso.

UNDERWATER 03 UNDERWATER 21

Não irá ficar na vossa memória, daqui a um mês já nem se lembram do que viram, mas há que dizer que enquanto dura é absolutamente eficaz, divertido, consegue fazer-nos importar com alguns dos personagens, até a moçoila do Twilight está óptima.
O design é mesmo muito bom com um concept art muito envolvente, cheio de referências a montes de coisas e os efeitos especiais são tão bons que as pessoas nem notam que o filme foi filmado totalmente a seco e tudo o que nos parece ser água nas sequências subaquáticas são animações de particulas CGI colocadas em pós-produção.

UNDERWATER 24 UNDERWATER 15

Há muito trabalho técnico invisivel de qualidade em [“UNDERWATER“] e portanto se há um aspecto onde o filme brilha por não notarmos nada do que está constantemente a fazer é precisamente naquilo que nos consegue mostrar sem parecer que estamos a ver efeitos especiais ao criar um universo subaquático Lovecraftiano de terror absolutamente perfeito e fiel às suas origens literárias originais.

UNDERWATER 31 UNDERWATER 16

Cthulhu

É que por falar em Lovecraft, o realizador já confirmou que o “Alien” é precisamente o mesmo Cthulhu da obra do autor , o que torna logo também [“UNDERWATER“] num dos melhores épicos genuínamente Lovecraftianos que apareceram nos últimos anos.
Agora só espero que depois disto alguém se lembre finalmente de levar ao cinema o livro “Nas Montanhas da Loucura” sobre os horrores lovecraftianos que uma expedição ao Pólo Sul encontra nas ruínas de uma civilização perdida.

19 UNDERWATER 12

A julgar pela representação Lovecraftiana pura em termos de ambiente conseguida em [“UNDERWATER“] já nada impedirá que alguém algures finalmente leve também aquela obra de Lovecraft ao grande ecran. E se calhar este realizador não seria também uma má escolha pois está mais que claro neste simples e básico thriller de terror que o homem percebe bem as suas referências e sabe como transpôr o tipo de horror épico do escritor para o grande ecran.

UNDERWATER 05 UNDERWATER 06

Por ser tão simples [“UNDERWATER“] não perde tempo. Arranca com acção e suspanse, continua com tensão claustrofóbica e vai aos poucos tornando-se cada vez mais épico em termos visuais até culminar no final do costume mas nem por isso menos divertido desta vez. Na verdade se ultrapassarem a ideia de que isto já foi feito mil vezes antes , não há muito para atacar no filme. Técnicamente é muito bom, visualmente acerta em cheio onde deve acertar e mesmo as cenas de acção quase em escuridão total funcionam bem porque a própria montagem dá sempre tempo para que o espectador nunca se perca por muito tempo quando há confusão e pânico que precisa ser mostrado.

UNDERWATER 02 UNDERWATER 30

Algumas mortes são muito clautrofóbicas e todo o clima de terror é bem gerido para nos proporcionar exactamente aquilo que esperamos. Não irá surpreender ninguém mas é um daqueles produtos do género bem executados e que irá agarrar ao ecrã quem sabe ao que vai e gosta do género de thriller sci-fi subaquático. Está para “ALIEN” como “LEVIATHAN” ou “DEEP STAR SIX” estiveram para “THE ABYSS” trinta e tal anos antes no que toca a cinema com monstros e personagens que vão morrendo um a um.
Esquecível mas divertido enquanto dura.

——————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Ia apenas dar-lhe três Planetas Saturno porque é um bom divertimento e nada mais, mas leva mais um ponto porque como filme de inspiração Lovecraftiana acerta em cheio no que mostra e como mostra sendo uma genuína aventura terror orgânico ao melhor estilo clássico no que toca a histórias com criaturas que se escondem nas profundezas.
O conceito está fixe, a execução também e tudo funciona.
Vão esquecer-se dele num instante mas isso não anula que seja um filme bem divertido para quem sabe ao que vai.

Quatro Planetas Saturno

  

A favor: excelente ambiente e bom concept art apesar de assentar na estética habitual neste tipo de filmes onde a influência Alien é por demais evidente, consegue criar um bom clima claustrofóbico e alguns bons momentos de suspense mesmo pelo meio de tanto estereotipo, os personagens têm uma boa empatia entre eles o que faz com que nos importemos com eles, a personagem da miúda frágil resulta bem e quase que a torna na protagonista da aventura, excelentes efeitos especiais pois parece mesmo que filmaram isto debaixo de água quando tal não aconteceu e tudo foi filmado em seco tendo os efeitos de água sido acrescentados em CGI na pós-produção e não se nota nada.
Não perde tempo a fingir que é um filme complexto ou a disfarçar as sua origens narrativas.

É acima de tudo um verdadeiro filme com espírito Lovecraft ao ponto do realizador ter confirmado que o monstro do filme é de facto Cthulhu e não apenas outro “Alien” qualquer o que dá logo outro ponto ao filme quando eu apenas lhe ia atribuir três planetas saturno originalmente.

Director William Eubank has confirmed in an interview that the sea monster seen in the movie is, in fact, Cthulhu of H.P. Lovecraft ‘s Mythos. Strangely, the mining company is called Tian Industries: in literature, the adjective “Lovecraftian” is used to indicate this type of cosmic horror.

Contra: já viram Alien ? Já sabem ao que vão.

——————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


——————————————————————————————————

IMDb
https://www.imdb.com/title/tt5774060

——————————————————————————————————————

Se gostou deste, poderá gostar de :

capinha_MOON 44.jpg capinha_last_days_on_mars capinha_pandorum capinha_moontrap capinha_Event_Horizon.jpg capinha_creature capinha_SPHERE

——————————————————————————————————

 

“KING SOLOMON´S MINES” (“KING SOLOMON´S MINES” / “AS MINAS DE SALOMÃO”) J.Lee Thompson (1985) USA/ISRAEL

[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é bem capaz de ser o filme de aventuras mais divertido de todos os tempos.
Sim, mais divertido que qualquer Indiana Jones.

KING SOLOMON´S MINES 41

É que Indiana Jones apesar de tudo ainda é um filme que se leva a sério, enquanto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] sabe que é mau e diverte-se tanto com isso que acaba por nos divertir a nós do princípio ao fim.

KING SOLOMON´S MINES 32 MCDALQU EC002

[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] só existiu para que os infames produtores Isrealitas da Cannon ganhassem guito à pála do sucesso do cinema de Spielberg no auge da sua popularidade.
Como tal, tudo nesta aventura parece decalcado de um qualquer Indiana Jones que ficou pelo caminho e onde nem falta a presença de John Rhys Davies, aqui no papel de um vilão, quem sabe primo do bom amigo de Indiana Jones talvez numa parceria com o clássico Herbert Lom em modo nazi histérico numa parelha de vilões perfeita.

KING SOLOMON´S MINES 14 KING SOLOMON´S MINES 10

INDIANA QUARTERMAIN

[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] mais de que um clone de Raiders of the Lost Ark parece um primo primo afastado de Indiana Jones, algo que lhe custou uma chuva de más reviews na altura mas que com o passar do tempo o colocou com todo o mérito entre os melhores e mais divertidos filmes de culto em que vocês poderão colocar os olhos.
[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é como um daqueles vinhos ignorados que ganham qualidades com o passar do anos pois o tempo tem sido muito favorável a esta aventura totalmente despretenciosa. De cada vez que o revemos, apetece não deixar passar muito tempo até voltarmos a ele, naquilo que já se tornou num dos melhores guitly-pleasures do cinema do género.

KING SOLOMON´S MINES 31 KING SOLOMON´S MINES 21

Nos extras do Bluray, Richard Chamberlain diz que foi um prazer fazer este primeiro filme e que a boa onda percorria todos os dias de filmagens ( até mesmo quando ele ia sendo comido por um crocodilo durante um fim de semana nas margens daquilo que parecia um calmo e bonito lago em Africa, localizado perto do set ).
A verdade é que se nota plenamente que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é um filme feliz pois toda essa alegria passou para o ecrã sem a menor sombra de dúvida e portanto se vocês nunca viram isto porque é tão “mau” quanto parece no trailer, nem sabem o que perdem.

KING SOLOMON´S MINES 02 KING SOLOMON´S MINES 30

Não só o Alan Quartermain do romance original foi uma das inspirações para Indiana Jones como a verdade é que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] também resulta tão bem porque está muito bem escrito e não parece.
Tem um ritmo diabólico com diálogos hilariantes que não dão descanso ao espectador desde os créditos iniciais até aos momentos finais; onde não de desperdiça uma palavra e cada frase parece afinada como um relógio Suíço, a um nível que só costumamos encontrar no melhor stand up comedy actual.

KING SOLOMON´S MINES 26 KING SOLOMON´S MINES 24

ESTE FILME OFENDE-ME !

Os argumentistas pegaram no melhor do cinismo de Harrison Ford em Indiana Jones e entrando em modo que se foda, introduziram em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] um sentido de humor tão incrivel e sem regras que este filme é bem capaz de ser um dos últimos de uma Era em que o politicamente correcto ainda não minava toda e cada produção para as massas.
É que meus amigos, esta aventura tem gags racistas, machistas, históricos e antropológicos tão inacreditáveis que hoje em dia haveriam de haver um monte de florzinhas de estufa nos Eua ( certamente ) que haveriam de clamar por boicote ao filme nas redes sociais com toda a certeza. É que acho que esta aventura não deixa ninguém por insultar divertidamente.

KING SOLOMON´S MINES 11 KING SOLOMON´S MINES 28

Felizmente que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] existe, pois esta é uma comédia de aventuras como nenhuma outra e jamais poderia ser produzida hoje em dia sem ser toda retalhada pela censura.
A forma como representa uma África profunda só é comparável àquilo que vimos por exemplo em Tintin no Congo no que toca a banda desenhada. Para os argumentistas desta aventura os nativos Africanos são todos pretos estúpidos, primitivos, canibais ou repulsivos como o raio e só os brancos representarão alguma coisa parecida com civilização.

KING SOLOMON´S MINES 36 King Solomon's Mines (1985)

E o estereótipo colonialista cartoon é tal, que nem falta uma sequência em que os Sharon Stone e Richard Chamberlain são cozinhados vivos num enorme caldeirão localizado no meio de uma aldeia de canibais, numa das sequências mais engraçadas e WTF de sempre onde não faltam tomates e condimentos em geral de plástico a boiar na água para dar mais sabor à carne.

KING SOLOMON´S MINES 15 KING SOLOMON´S MINES 16

Mas se pensam que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] só tem tiques racistas porque goza sem parar com os “pretos primitivos” desenganem-se meus amigos. O filme também não perdoa aos Alemães.
Reparando bem, são eles e a cultura alemã o alvo principal das piadas neste filme e não os nativos Africanos, ora não estivessemos a falar de uma produção Isrealista que se calhar por esta altura ainda teria uma conta ou duas a ajustar e não perdoa às críticas no que toca ao exército Alemão e às suas guerras.
Claro que os Àrabes não podiam ficar de fora e portanto ou são todos uns violentos animais e burros como a porta , ou então gananciosos e sem escrúpulos.

KING SOLOMON'S MINES, John Rhys-Davies, 1985, (c)Cannon Films KING SOLOMON´S MINES 09

Por outro lado, não desesperem, se gostam de piadas machistas em que as mulheres são tratadas como objectos sexuais ou louras burras, também irão ficar bem servidos com a lista de estereotipos no que toca à loura que grita como o raio e está sempre em perigo.
A verdade é que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] não deixa ninguém de fora no que toca a gags politicamente incorrectos e é por isso que actualmente ainda se torna mais divertido do que foi inicialmente.
Tudo resulta em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] no que toca a gags, pois são tão constantes e a um ritmo tal que não deixam o espectador descansar por um segundo.
Nem sequer para admirar as mágnificas paisagens naturais com que esta aventura pode contar.

KING SOLOMON´S MINES 29 KING SOLOMON´S MINES 18

2 EM 1

É que tanto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] como a sua sequela ( filmada ao mesmo tempo num dos primeiros 2 em 1 em termos de produção ), foram rodados mesmo no meio de África, em locais reais com figurantes contratados por entre as povoações das aldeias e não há aqui um CGI para simular o que quer que seja.
Como narra Chamberlain no Bluray estes filmes de aventura são até hoje os únicos deste género genuínamente rodados nos locais onde supostamente a aventura deveria estar mesmo a decorrer; o que parece que na altura foi uma das ideias mais estúpidas dos manos Golan & Globus pois a rodagem apesar de divertida logisticamente foi um pesadelo, ( em Hollywood ninguém queria acreditar que estes gajos estavam mesmo todos em Africa perdidos no meio do mato a fazer um filme, parece ) ; mas se calhar é por isso que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] especialmente agora em bluray restaurado tem uma atmosfera tão épica, genuína e fabulosamente real.

KING SOLOMON´S MINES 33 KING SOLOMON´S MINES 37

Foi também um dos primeiros filmes de Sharon Stone e segundo Richard Chamberlain, apesar dos dois se terem dado tão bem que gerou aquela química absolutamente fantástica entre ambos incendiando humorísticamente o ecran em todas as cenas que estão juntos, parece no entanto que a Stone deu alguns problemas à produção quando resolveu tentar implicar com a – outra miúda boa – que entrava na sequela porque segundo diz Chamberlain na entrevista, ela era demasido bonita e fazia alguma sombra à Stone em termos de atenção.
Situação que parece ter dado algum trabalho a controlar nos bastidores como recorda muito divertido Richard Chamberlain na fabulosa entrevista que está nos extras de edição Alemã em bluray e que recomendo vivamente.

KING SOLOMON´S MINES 03 KING SOLOMON´S MINES 19

CINEMA DE AVENTURA TOTAL

No fim tudo contribuiu para que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] resultasse. Mesmo na altura em que saiu e apesar de ter sido trucidado pela crítica mais iluminada, a verdade é que o filme foi um sucesso, porque o boca-a-boca resultou e não só o público estava sedento por mais aventuras arqueológicas vintage como no fundo a prestação de Richard Chamberlain foi determinante para que as pessoas também não se tenham importado muito por esta aventura existir na sombra do cinema de Spielberg.

KING SOLOMON´S MINES 20 KING SOLOMON´S MINES 08

Os personagens são carismáticos, divertidos ou inacreditáveis, as cenas de acção são o máximo até mesmo quando os efeitos green screen são do pior e de ver para crer e o realizador J.Lee Thompson atribuiu a toda esta caça ao tesouro um ritmo imparável e mesmo tentando emular o estilo Spielberg porque deveria estar no contrato certamente, consegue no entanto tornar o estilo do filme em algo pessoal e distinto.

KING SOLOMON´S MINES 38 KING SOLOMON´S MINES 27

E para complementar em grande tudo isto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] conta com uma das bandas sonoras mais reconhecíveis e épicas em estilo John Williams que John Williams nunca compôs tendo o sempre excelente Jerry Goldsmith assinado aqui um trabalho mágnifico que anda sempre ali a roçar algo que já ouvimos antes mas nem por isso deixa de ser absolutamente perfeito para ilustrar todos os momentos que vemos no ecrã a todo o instante; sendo esta uma das grandes bandas sonoras dos anos 80 também sem a menor sombra de dúvida.

KING SOLOMON´S MINES 35 KING SOLOMON´S MINES 23

Hoje é comum encontrarmos reviews modernas finalmente a dar o mérito que esta simples e carismática aventura merece ( bem mais divertida que Romancing the Stone da mesma altura por exemplo ) e onde muitos comparam Richard Chamberlain a Harrison Ford no mesmo tipo de papel; arriscando alguns até a dizer que preferem Alan Quartermain a Indiana Jones.
E só quem não viu ainda [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é que poderá não entender a razão.
Por isso, estão à espera do quê?

——————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Ia “só” ficar-me pelos Cinco Planetas Saturno, porque se [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] tiver um problema este estará no facto de ter tantos gags a todo o segundo que lá mais para o final da aventura o impacto começa a perder-se um bocado e toda a sequência final parece já não ter a mesma energia que o resto do filme, o que contrasta um bocado com o tom inicial.
No entanto…
É impossível não adorar esta aventura. Só pelo facto de ser um dos filmes mais felizes e positivos que vocês poderão encontrar pela frente vale mesmo a pena espreitarem e é o antídoto perfeito para estes dias de quarentena Covid-19 que todos vivemos no momento em que escrevo isto.
Richard Chamberlain é o primo do Indiana Jones perfeito numa prestação à prova de bala, Sharon Stone nunca esteve tão luminosa, os gags politicamente incorrectos são o máximo, as sequências de acção não dão descanso e aquela banda sonora mantém-nos de sorriso na alma durante quase duas horas. O que é que vocês querem mais ?

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

Como eu referi, a sequela para [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] foi filmada no mesmo período e o segundo filme veio a chamar-se “ALAIN QUARTERMAIN AND THE LOST CITY OF GOLD“.
Como refere Richard Chamberlain, se vocês acham que o primeiro filme era mau então esqueçam a segunda aventura.
Eu próprio agora não recomendo mesmo que vejam a sequela pois é uma verdadeira decepção. Toda a energia do primeiro desapareceu e se os actores parecem estar por ali em piloto automático e a fazer um frete é porque na sua maioria estavam visto que só entraram naquela coisa porque os espertos dos manos Globus os enredaram num contrato do qual não puderam escapar. Não só a sequela foi rodada com uma fração do orçamento do primeiro filme como tudo, desde o humor , à própria aventura parece verdadeiramente pobrezinho e claramente um donwgrade em relação ao filme inicial pois os manos Isrealitas queriam, segundo Chamberlain literalmente enganar o povo e não investir nada na continuação esperando que o facto de terem obrigado os actores a continuar bastasse.

Allan_Quatermain_and_the_Lost_City_of_Gold

Podem espreitar o segundo filme por curiosidade mas preparem-se porque as aventuras de Alain Quartermain já não têm a mesma vida, piada ou energia que alcançaram em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] .

——————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

——————————————————————————————————

IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0089421/

——————————————————————————————————————

Se gostou deste poderá gostar de:

capinha_flash-gordon capinha_spacehunter capinha_SKY PIRATES

——————————————————————————————————————

 

 

“THE LIGHT BETWEEN OCEANS” (“THE LIGHT BETWEEN OCEANS”/”A LUZ ENTRE OCEANOS”) Derek Cianfrance (2016) NOVA ZELÂNDIA/AUSTRALIA

Já por mais de uma vez apresentei por aqui filmes que apesar de serem interessantes não podemos verdadeiramente dizer que são especiais, mesmo apesar de nos apetecer gostar muito de alguns deles…
Desta vez, vou falar-lhes de um título que ando há tempos para recomendar mas ainda não o tinha feito porque me apetecia gostar muito menos dele; [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“].

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_41

Não se trata de um filme sci-fi é verdade, mas de um drama romântico; daqueles que muito macho de barba rija que só lê romances com forças especiais, bombas e granadas ou títulos do Jornal da Bola costumam apelidar depreciativamente de  “histórias para gajas”.
E que história – “para gajas” – meus amigos !
Cá está outro título já de 2016 de que eu nunca tinha ouvido falar sequer até ao final do ano passado. Agora depois de o rever é também outro daqueles que simplesmente não entendo porque não ganhou uma carrada de Óscares.
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] é a adaptação de um romance com o mesmo título que eu também desconhecia por completo até ao ano passado, apesar de saber agora que foi um best-seller lá fora. Merecidamente, na minha opinião.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_25 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_39

A LUZ ENTRE OCEANOS” foi um livro que eu encontrei numa loja de artigos em segunda mão no ano passado; curiosamente um título editado em Portugal ( que podem ainda encontrar aqui na FNAC ).
Como eu não resisto a histórias passadas em farois, lá tive de comprar o romance só para espreitar mas nada me preparava para que “A LUZ ENTRE OCEANOS” acabasse por se tornar no meu livro favorito do ano passado.
Por entre as dezenas de títulos que li em 2019 nada teve maior impacto na minha imaginação do que este romance e por esta eu não esperava.
A partir do momento em que o livro acaba e eu volto atrás três e quatro vezes, para reler o último capítulo só porque não me apetece nada deixar aquele universo e aqueles personagens, está tudo selado no meu top-livro para esse determinado momento.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_33 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_37

E porque eu queria reler esta história na sua lingua original,  foi indo à procura da edição em Inglês do livro na amazon que subitamente no final do ano passado eu descobri que “A LUZ ENTRE OCEANOS” não só, já era na verdade um filme, como ainda por cima já estava à venda em bluray e tudo !
O que quer dizer que dois dias depois eu era o feliz proprietário de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] na sua versão em alta definição.
E esqueci-me de comprar o livro em inglés…

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_04 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_36

[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] foi uma decepção.
Talvez porque tinha acabado de ler o livro dias antes, a verdade é que a uma primeira visão não gostei nada da adaptação para cinema.
Achei que o filme era muito bom, mas as escolhas do tom narrativo, o estilo documentário de câmera ao ombro da realização e o facto de alguém ter pegado naquela atmosfera “quente” do romance original e o ter colocado num universo particularmente cru, realístico e frio fez com que eu tivesse acabado a primeira visão de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] com sentimentos contraditórios sobre o que tinha acabado de ver.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_20 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_10

A adaptação para cinema pareceu-me uma coisa à parte. Tinha a ver com o livro , mas depois deixam de fora pequenos detalhes que mesmo até agora eu não entendo porque não foram incluídos.
Isto porque no romance esses pequenos toques constroiem a alma da história em muitos momentos e no filme esses detalhes foram pura e simplesmente ignorados em função de um tom intensamente frio, desencantado e muito triste.
O filme parece querer que o espectador se sinta completamente míseravel durante duas horas e meia, dando-nos aqui e ali pequenos vislumbres de luminosidade, coisa que o romance original aborda de forma diferente. Talvez por serem meios diferentes também mas a verdade é que há escolhas no filme que não ligam bem com o tom do romance.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_12 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_22

Por outro lado, agora que revi o filme e reli o livro… se calhar o facto de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] ter uma abordagem mais desencantada foi uma boa escolha.
Tanto o filme como o romance acabam por ter o seu espaço e partilhar aqui e ali pontos em comum ao mesmo tempo que ambos deixam espaço para as duas interpretações.
Ou seja, este é um daqueles títulos cinematográficos em que podemos ver o filme e depois ler o livro pois uma coisa não anula a outra, muito pelo contrário… curiosamente um bocado como acontece com outro romance cinematográfico fabuloso, o filme japonês “BE WITH YOU” de que já falei aqui.
Ambos adaptam um romance original de forma particular mas ambos fazem com que valha mesmo a pena ler o livro depois de vermos os filmes.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_15 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_16

Na minha opinião, no caso de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“], eu até recomendo que leiam primeiro o livro. Mesmo.
Ou se calhar não…
Uma coisa é certa, comecem por onde começarem a descobrir esta história, esta é uma daquelas a que vocês quererão voltar muitas vezes, só para acompanhar de novo as vidas destes personagens e assisterem aos momento finais da história… que no livro são bem melhores e mais detalhados, mas que por acaso no filme quase que acertam em cheio até no visual do ambiente em que tudo se passa no romance; e aposto que não foi por acaso também.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_01 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_28

Portanto…
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] mais do que uma simples história de amor romântica é também um drama sobre escolhas pessoais. É muito mais complexo do que a trailer dá a entender e de certa forma até menos comercial em termos de cinema do que as pessoas possam esperar; no sentido em que [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] não é uma daquelas história “românticas” plásticas enlatadas em estilo Hollywood e só por isso merece logo mais uns pontos adicionais.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_32 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_07

Se gostarem de boas histórias de amor que são muito mais do que isso, se quiserem uma que lhes irá colocar questões que irão debater com os amigos por algum tempo depois da história acabar e se quiserem ver um drama com interpretações absolutamente extraordinárias, então [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] é o filme que têm que ir ver mal acabem de ler o que estou a escrever.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_27 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_19

A química romântica entre Michael Fassbinder e Alicia Vikander é tão genuína que eles depois do filme se tornaram num casal na vida real e o filme ganhou com isso pois as suas prestações nesta história representam a 100% o conteúdo romântico do livro sem qualquer sombra de dúvida.
Rachel Weisz noutro papel feito à sua medida rouba todas as cenas em que entra. Não sei como esta rapariga consegue mas quando alguém precisa de sofrer genuínamente numa história ela é sempre a escolha perfeita. Aliás tanto ela como Alicia Vikander aqui complementam-se perfeitamente e nem consigo imaginar mais ninguém nestes dois papeis. Era darem o Óscar às miúdas e irem todos para casa.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_35 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_31

O resto do elenco é fabuloso também, desde as crianças que são perfeitas, aos secundários onde se inclui um Bryan Brown que não via há muito, todos nesta produção Neo-Zelandeza/Australiana foram mesmo escolhidos a dedo pois os actores dão mesmo vida aos personagens do livro.
Alguns têm mais vida aqui do que no romance até.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_30 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_11

Visualmente apesar do estilo “found-footage” ou semi-documental por vezes nos parecer intrusivo ao início a verdade é que depois se torna tão orgânico que logo esquecemos que isto tem por detrás um realizador.
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] em termos de ambientes naturais é fabuloso, desde os momentos ao nascer do sol, ás praias remotas desoladas e ao próprio farol em si tudo nos transporta para o universo desta história; onde um casal isolado numa ilha encontra um bébé a bordo de um pequeno bote que dá à costa e decide ficar com a criança sem dizer nada a ninguém.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_24 copy THE LIGHT BETWEEN OCEANS_17

Agora que revi o filme já sabendo com o que ia contar, consegui olhar para [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] com outros olhos. Tanto o filme como o romance são realmente grandes representações desta história, ambas funcionam dentro do seu contexto e ambas têm momentos melhores ou piores que se cruzam na nossa mente entre versões depois de lermos o livro.
Portanto, como eu gosto mesmo do livro, o meu primeiro instinto é dizer aqui que o filme é inferior… mas na verdade seria injusto. É um pouco diferente em alguns aspectos mas se calhar está aqui também a sua força.
Não vale a pena eu tentar arranjar desculpas…
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] é fabuloso.

——————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Na verdade acho que em termos de ambiente dramático assente numa história romântica particularmente dura mas com um final perfeito, melhor só mesmo o livro original que é simplesmente fabuloso e que na minha opinião deverão ler antes de verem [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] nesta sua versão de cinema.
Por mais que eu tente não gostar tanto deste filme ( porque o livro é melhor ) é impossível não lhe atribuir também a minha classificação máxima porque são duas horas e meia que nos transportam para um outro mundo e nos fazem esquecer que estamos a ver um filme por completo.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

É fabuloso e com um elenco absolutamente extraordinário com prestações que ainda estou a tentar perceber porque não foram todas nomeadas para Óscares.
É um daqueles filmes a que se regressa só para depois arranjar desculpa para voltar a reler o livro e vice-versa e quer me parecer que daqui a muitos anos ainda estarei a fazê-lo pois esta já entrou para a lista das minhas histórias românticas dramáticas favoritas de todos os tempos, a par de coisas como Cinema Paradiso ou até do recente “SAFE HAVEN/UM REFÚGIO PARA A VIDA” bem mais comercial mas nem por isso menos atmosférico, intenso e divertido.

A favor: os protagonistas Michael Fassebender  e Alicia Vikander com uma química romântica tão boa que depois deste filme tornaram-se mesmo num casal na vida real, os secundários são escolhidos a dedo com destaque para Rachel Weisz que mais uma vez é absolutamente extraordinária em papeis que necessitam de genuínamente representar sofrimento, excelente realização, a ilha real a quatro horas da civilização onde o farol verdadeiro está localizado é perfeita para esta história, adapta o essencial do romance e o final embora menos emocionante quase que reproduz as páginas finais do livro… quase…

Contra: na minha opinião saltaram pequenos detalhes do livro que eu acho que deviam ter mesmo sido incluidos especialmente no inicio quando o casal se conhece e no epílogo final que no livro é daqueles que apetece reler três vezes seguidas e no filme não está tão bom ou emocional, o ambiente do livro é diferente e mais “caloroso” apesar de toda a carga dramática da história enquanto o filme é particularmente frio em muitos momentos.

——————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


——————————————————————————————————

IMDb
https://www.imdb.com/title/tt2547584/

——————————————————————————————————————

Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

Il Mare Be With You  capinha_SAFE HAVEN.jpg

——————————————————————————————————