“Cosmos” (“Cosmos”) Elliot Weaver, Zander Weaver (2019) Inglaterra

Este filme custou, $8000.
O que quer dizer que custou pouco mais que 7500 €uros…
Dá que pensar. Especialmente porque visualmente embora não seja um filme de efeitos especiais na verdade aparenta ter uns valores de produção muito superiores.
Depois de “ANIARA” está aqui está outro bom exemplo extraordinário de que se calhar para se criarem excelentes títulos de ficção científica actualmente só é preciso boas ideias e criativos competentes.
E a ajuda da mãe como assistente de realização também como foi o caso neste filme realizado por dois irmãos.

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Não há muito que se possa dizer sobre [“COSMOS“] pois a ideia é por demais simples e essencialmente estamos na presença de uma história que se passa essencialmente dentro de um carro durante mais de duas horas com apenas três personagens no ecran e no entanto a coisa resulta de forma fascinante.
É um verdadeiro milagre alguém ter não só conseguido manter o interesse do espectador mostrando apenas trés tipos fechados num carro noite fora algures num bosque como ainda por cima [“COSMOS“] sabe dar-nos uma boa história. Simples é um facto e podia ser na boa um episódio de Twilight Zone ou da série Black Mirror na Netflix que provavelmente não se notaria diferença mas é verdade que também resulta particularmente bem como filme de longa metragem.

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Nem sempre estes conceitos “de curta metragem” são felizes na forma como habitualmente são convertidos para uma duração maior, mas [“COSMOS“] soube como fazê-lo e ainda nos dá um segmento final cheio de adrenalina e suspense que encerra muito bem toda a história e justifica por completo termos acompanhado aqueles tres personagens durante a duração restante do filme até ao culminar “da aventura”.
Enquanto ideia para uma história de “First Contact” , [“COSMOS“] é particularmente original. É quase um filme de nicho, apontado a todos aqueles “nerds” da Astronomia amadora que passam noites no meio do nada , apenas observando as estrelas embrulhados em cobertores e fotografando o céu através dos seus telescópios.

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E é isto. [“COSMOS“] é sobre três tipos que uma noite ao prescutar o céu se deparam com aquilo que poderá ser o primeiro contacto com uma espécie extra-terrestre.
Mais não digo.
O trailer revela bastante e por isso se calhar eu não recomendo que o vejam pois o filme é mesmo simples e não há muito com que se surpreenderem depois disso, mas se partirem para [“COSMOS“] de forma fresca como eu parti e especialmente gostarem de Astronomia ou serem mesmo astrónomos amadores que se reveêm nos personagens então este é o filme de ficção-científica pelo qual sempre esperaram.

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Cativante, divertido, fascinante, cheio de suspense, bons personagens, excelentes actores, óptima fotografia e uma estética que até faz parecer que o filme custou milhões de dólares como de costume, quando na realidade custou…. $8000 … mil… Não custou 8 milhões.
E não é que com pouco dinheiro se fez um grande scifi caseiro ?
Tomara muitos filmes com milhões de dólares conseguir uma atmosfera desta e ser tão genuínamente ficção-científica quanto [“COSMOS“]. O novo “Terminator” bem que podia ter tirado notas.

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Não esperem um filme de acção, não é um filme de efeitos especiais e preparem-se até para um arranque bem calminho pois a história leva o seu tempo a apresentar-nos os personagens e precisa mesmo de o fazer. Isto porque a segunda metade do filme depende mesmo de já estarmos investidos em continuar a seguir aquelas pessoas até ao desenlace final e portanto se são daqueles que acham que o Star Wars é que é ficção-científica e nunca viram “CONTACTO” ( ou apanharam uma ganda seca com esse ), então passem à frente.

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Para os restantes, para quem procura boa ficção científica mais uma vez têm aqui outra excelente proposta Europeia bem longe de Hollywood e que mostra como se faz.

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CLASSIFICAÇÃO

Não há muito que possa dizer mais sem estragar o prazer da descoberta.
Se gostam de histórias sobre contacto extraterrestre, coisas tipo Close Encounters, ou até mesmo ET, este [“COSMOS“] é um pequeno grande filme. Curiosamente até tem uma certa atmosfera 80s que está agora muito na moda por causa de Stranger Things e se isto tivesse sido produzido anos atrás mas com um elenco de crianças bem que poderia ter sido outro “EXPLORERS” ou um “STAND BY ME” espacial pela forma como os personagens nos cativam e a história nos envolve e maravilha.

Cinco Planetas Saturno

    

Só não leva um Gold Award… porque … na verdade nem sei… e se calhar um dia destes ainda revejo a classificação.

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É um excelente filme , super positivo para estes dias negros de COVID-19 e recomenda-se vivamente para esquecerem o tema por um par de horas e sairem disto a acreditar que ainda poderá haver um futuro fascinante.

A favor: o conceito, o argumento, os personagens, os actores, a ideia da história, o suspense do fim, o final.

Contra: mais de duas horas para algo que se contaria em meia hora se calhar pode ser esticar demais a corda para algumas pessoas.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt4477292/

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Se gostou deste poderá gostar de:

capinha_alien-trespasscapinha_THE LAST STARFIGHTER.jpg capinha_EXPLORERS

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“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE” – A versão original Alemã – Wolfgang Petersen (1984) ALEMANHA

Mas quem é que terá sido a besta…
Quem é que terá sido a besta que em Hollywood achou, que para se transformar [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] em “THE NEVERENDING STORY” seria mesmo necessário cortarem-se 6 minutos de filme (?!) …

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Depois dos produtores Alemães baterem a muitas portas nos EUA obtendo sempre a mesma rejeição , finalmente a Warner acedeu a lançar aquele filme esquisito produzido na Europa que metia bichos estranhos e mundos de contos de fadas.
Mas para isso acontecer, numa altura em que qualquer coisa que cheirasse a fantasia era garantia de desastre nas bilheteiras norte americanas, foi exigido que houvesse uma remoção de 6 minutos da montagem teatral europeia. Isto porque no seu original exibido nos cinema da Alemanha, [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] poderia ser um bocado secante para os americanos…parece que seis minutos a mais o tornariam chato ou algo assim…
E foi assim que o filme passou a ser distribuído mundialmente pela poderosa máquina de marketing de Hollywood tornando-se tão popular que até hoje muita gente ainda pensa que A HISTÓRIA INTERMINÁVEL será um filme americano.

6 MINUTOS !?

E perguntam vocês… Seis minutos ?!
O que raio 6 minutos podem fazer de melhor ou pior num filme como este ?!
Precisamente.
Durante anos eu ouvi falar sobre os seis minutos que só os Alemães viram e também eu nunca lhes dei muita importância, até porque como eu já detalhei na minha review para “THE NEVERENDING STORY“, este é um filme que marcou a minha vida e foi definitivamente responsável por eu hoje trabalhar com ilustração de fantasia também.
Como já referi mais em detalhe no meu texto sobre “THE NEVERENDING STORY“, é hoje sabido que o editor anónimo não creditado na “versão Hollywood” que todos nós conhecemos foi Steven Spielberg. Foi a ele que coube escolher o que remover da montagem original para tornar o filme mais ligeiro e dar-lhe um toque mais Disney como o distribuidor em Hollywood exigiu.

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E agora após eu ter finalmente visto a versão original do filme com mais 6 minutos (10 na verdade se adicionarmos os créditos diferentes também) só me pergunto se Spielberg fez o melhor possível ou se realmente, foi ele o primeiro nos EUA a dar início à total destruição do romance de Michael Ende no que toca à sua miseravel adaptação cinematográfica se tivermos em conta o que aconteceu nas sequelas produzidas por Hollywood após este começo particularmente bom de origem Alemã.
Isto porque, aquilo que as sequelas já produzidas com dinheiro e dominio americano  fizeram para destruir aquele que é para mim o melhor romance de fantasia de sempre continua a ser simplesmente inenarrável a todos os níveis possíveis e imaginários.

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No entanto, até eu que sempre pensei que “THE NEVERENDING STORY” ainda era a única parte que mantinha alguma dignidade e seria minimamente fiel ao espírito do romance original naquilo que tentou adaptar, agora… depois de finalmente ter conseguido colocar os olhos ( e principalmente os ouvidos ) em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] dúvido mesmo muito que volte a rever esta história de fantasia na sua versão “THE NEVERENDING STORY” que durante 36 anos foi tão importante para mim.

Meus amigos, [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”], na sua versão “longa” original, não só é um filme que parece completamente diferente mas acima de tudo restaura aquele toque especial que sempre me tinha parecido um bocado apagado quando comparado com o espírito do romance de Michael Ende.

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E estou a falar da atmosfera de [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] enquanto filme de fantasia.

IT´S THE WORLD OF HUMAN IMAGINATION…

Dei por mim a ver [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] como se nunca tivesse visto “THE NEVERENDING STORY” , principalmente porque parecia que tinha voltado à cadeira do banco de cinema aos 14 anos em 1984 e absorvi agora cada sequência como se a estivesse a ver pela primeira vez. O que para um filme que eu conheço de trás para a frente e principalmente sei todos os diálogos de cor é obra !
Ter voltado a ficar totalmente colado ao ecran sem saber o que iria ver a seguir num certo contexto foi uma verdadeira experiência que eu nunca tinha tido em todas estas décadas a ver cinema.

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E perguntam vocês …. Mas tudo isto por causa de 6 minutos repostos ?!…
Sim.
E não.
Contrariamente ao que foi divulgado desde que se soube que Spielberg tinha sido responsável pelos cortes para a versão “Disneyficada” que todos nós conhecemos, a verdade é que existe muito mais para nos surpreender em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] na sua versão original do que apenas os seis minutos perdidos.
Visualmente a montagem pode “apenas” ter reposto os 6 minutos originais mas… surpresa das surpresas… o som !…

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Meus amigos… o som !!!
Se alguma vez quiserem ver um grande exemplo sobre a importância do som ( efeitos e música ) e quiserem perceber o quanto podem afectar um filme sem nós nos apercebermos, é compararem [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] com “THE NEVERENDING STORY”.
Não há palavras para descrever o quanto “os dois filmes” são diferentes; especialmente no que toca à atmosfera final de cada uma das versões !

HÁ AQUI QUALQUER COISA ESTRANHA…

Logo nos primeiros segundos percebemos que algo está “errado” aqui nesta versão original…
O facto de [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] não contar com a música de Georgio Moroder e principalmente não abrir com a popular canção de Limahl logo no título ( encomendada por Spielberg para a versão “americana” mais tarde para aproveitar o surgimento da MTV na altura nos Eua ) cria logo uma sensação estranha no espectador.
De repente o genérico do nosso “THE NEVERENDING STORY” já não tem aquele ambiente a puxar para a fantasia-Disney e agora mais parece a abertura de um thriller sobrenatural para crescidos. Os créditos de [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] não ficariam destoados de uma sequela de O Exorcista. Ou num filme de terror dos anos 70 ao estilo “The Omen”. Acreditem-me.
Principalmente se vocês tal como eu conhecem bem toda a partitura da versão americana do filme com que a maioria de nós, que tem hoje a minha idade cresceu.

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E já agora, quem conhece bem o livro de Michael Ende subitamente dá por si a finalmente conseguir vislumbrar o tom assombrado das páginas do romance original bem representado logo no início do filme o que é absolutamente fascinante.
Isto porque se “THE NEVERENDING STORY” sempre pareceu algo “fofinho” imediatamente a partir do genérico, por causa disso também logo destoou do tom mais sério e sombrio do texto do escritor. No entanto basta vocês agora verem [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] para perceberem que de repente temos a noção de que Wolfgang Petersen afinal se calhar tinha acertado em cheio no tom sério e assombrado da sua adaptação ao contrário do que parece se virmos a remontagem de Spielberg.
O filme original tem uma atmosfera de suspense sombrio absolutamente fiel ao que se passa no livro.
Uma atmosfera que foi completamente eliminada “com sucesso” na remontagem para distribuição americana que todos nós conhecemos, não só pela ausência dos 6 minutos como acima de tudo pela forma como o som e a música foram misturados nas duas versões do filme.

MUITO MAIS QUE 6 MINUTOS

É que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] não parece apenas diferente por causa dos 6 minutos perdidos.
A versão original não tem apenas 6 minutos de diferença mas ao longo de toda a sua duração, conta pelo menos com uns 75 minutos “de novos pormenores” onde estão sempre a surgir coisas que subitamente nos parecem totalmente estranhas quando comparadas com aquilo a que estavamos habituados… a ouvir.

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Em termos de som pelo menos uns 85% da totalidade da duração da história em “DIE UNENDLICHE GESCHICHTE” contém um sem número de detalhes totalmente novos que vocês nunca… ouviram. (!)
Para lá dos 6 minutos extra, que … meus amigos, fazem toda a diferença por incrível que pareça, experenciar “de novo” esta fascinante aventura de fantasia quando somos constantemente enganados pelos nossos ouvidos é algo que faz com que pareça a todo o instante que estamos a ver um filme novo.

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Não só a música do compositor original Klaus Doldinger está colocada no meio de sequências a que não estamos habituados como [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”]” está carregado de diálogos novos ou totalmente alternativos quando comparados com o que estavamos habituados a ouvir em “THE NEVERENDING STORY” !
Isto muda logo por completo a atmosfera da história; faz com que a aventura pareça muito mais séria e sombria por vezes e acima de tudo mostra-nos um [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] que desta vez nos conta uma história mais complexa do que aquela aventura ligeira a que estavamos habituados. A inclusão de alguns pormenores mais sombrios e detalhados ( em diálogos com o Gmork por exemplo ) fazem com que esta HISTÓRIA INTERMINÁVEL de repente ainda nos pareça uma adaptação mais fiel da primeira parte do romance do que costumava parecer.

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É realmente fascinante e um bocado deprimente também, perceber agor aque toda a intenção original de Wolfgang Petersen em tentar ser realmente fiel ao tom do romance de Michael Ende foi apagada da montagem americana e só agora todos estes anos depois ao compararmos os dois filmes é que nos podemos aperceber da magnitude das diferenças. O poder da montagem é fascinante e este filme é um verdadeiro case-study.

A HISTÓRIA MAIS COMPLEXA

Não só algumas partes da história agora estão mais detalhadas ; como [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] está carregado de diálogos alternativos que nunca tinhamos ouvido antes.
Desde a clássica cena da clareira onde os viajantes se encontram no início da história em que ouvimos finalmente a verdadeira voz do homenzinho que cavalga o caracol veloz, até a um monte de pequenas mudanças nos diálogos com Morla, Falkor, Engivuk e Gmork, [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] é um nunca mais acabar de surpresas audio do princípio ao fim.

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Uma das sequências que eu sempre achei desnecessária na versão americana que conhecemos é o “clássico” diálogo entre Atreyu e o Rockbiter quando o jovem o encontra na cidade em ruínas sózinho : “They look like big strong hands… don´t they ?”
Bastou-me no entanto agora ouvir a verdadeira pista de som que tinha sido gravada para esta sequência e a cena ganhou imediatamente um contexto dramático totalmente correcto.
Subitamente esta pequena cena “inútil” tem toda a razão de ser para percebermos o desespero dos personagens sem nos tentarem atirar à cara momentos emocionais forçados como sempre me pareceu ser na versão remontada. Nesta versão original este até se tornou agora um dos melhores momentos pois faz a ponte perfeita para o acto final da história.

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Não fazia mesmo ideia de que os americanos tinham dobrado tantos actores e substituido ( simplificando ) tantos diálogos para remontar a versão comercial que tão bem conhecemos.
O que mais me surpreendeu nesta versão original foi conter tantos pequenos – inserts – audio que fazem a diferença a nível do tom emocional da história.
Estava à espera que os seis minutos adicionais incluissem algumas coisas novas mas em não estava nada à espera de encontrar tantas diferenças a nível de som !
E todas absolutamente fascinantes. Isto claro, se vocês pertencerem àquele grupo de pessoas que tal como eu conhece o filme “normal” de trás para a frente.
Estas pequena mudanças que encontramos agora na versão original trazem esta aventura para um tom mais adulto do que aquele a que estavamos habituados e o aproximam do romance original. Um livro que que nunca tentou ser politicamente correcto, ou menos triste ou assustador só porque seria à partida um livro para crianças; e é esse o pormenor mais importante que está reflectido em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”].

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É por isso que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] é de longe a versão mais próxima do romance de Michael Ende. Tem uma atmosfera de aventura mais séria, mais dramática, muito , muito assombrada por vezes ( sente-se bem o estilo de cinema europeu ) e contém inclusivamente algum “gore” inesperado no que toca à forma como mostra sangue a escorrer quando Gmork é morto ( algo óbviamente eliminado da versão americana ).
Torna-se quase impossível… Uma verdadeira tarefa … interminável, tentar agora detalhar as dezenas e dezenas de pormenores diferentes neste filme; modificados essencialmente pela reposição do som original em vez daqueles linhas “clássicas” nos diálogos ( americanos ) a que estavamos habituados.

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A forma como a música ( e a ausência dela ) cria agora um ambiente angustiante e assombrado nas sequências passadas no Pântano da Tristeza faz com que pareça estarmos a ver uma sequência mais modificada do que na realidade está.
Os pequenos novos inserts no monólogo de Atreyu quando Artax se afoga e os breves segundos a mais na montagem dessa sequência por exemplo, fazem agora com que essa parte em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] se aproxime verdadeiramente do ambiente dramático em tom sério presente no livro quando na versão americana eu até tinha ficado com a ideia de que teria havido por ali um overacting quando Atreyu berra para salvar o seu cavalo. Sensação errada que foi agora totalmente corrigida.
A versão alemã repõe não só o suspense original como de certa forma restaura a qualidade do trabalho de Noah Hataway que tinha sido algo trucidada pelos cortes da montagem americana.

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E por falar em qualidade de representação. Se a Princesa Criança já era fabulosa na versão americana, os pequenos inserts novos na parte em que ela está cada vez mais angustiada nos momentos de suspense finais vão arrepiá-los até à medula com a honestidade e sensibilidade daquele momento de representação. Outro bom exemplo onde cinco ou seis segundos fazem a diferença e elevam o trabalho dos actores.

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Como raio é que Spielberg cortou estes breves segundos na versão americana é algo que me ultrapassa… se calhar foi para não torturar muito emocionalmente os jovens espectadores americanos na altura que não aguentariam momentos emocionais tensos e excessivamente adultos… aposto.

6 MINUTOS INTERMINÁVEIS

E isto acontece em muitas outras cenas. Podemos estar a falar de 6 minutos de diferença mas não são seis minutos de cenas novas. São sim, 6 minutos de pequenos inserts , ás vezes com não mais que dois segundos mas que volto a dizer; fazem toda a diferença no que toca à representação e tom dramático do filme !

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Dividam estes 6 minutos por centenas de pequenos – inserts – que nos permitem finalmente ver um monte de sequências originais na sua forma completa e vocês acabarão de ver [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] com a verdadeira sensação de ter visto um filme compleamente novo.
Um filme que lhes irá até parecer ter muito mais cenas extra do que na realidade teve.

I NEVER KNEW IT WAS THAT BEAUTIFUL !…

O que não quer dizer que aqui e ali não tenha umas sequências que nunca tinhamos visto.
Por exemplo eu que fiquei tão marcado em criança com a cena da paisagem da Torre de Marfim, para mim só o facto de descobrir que agora nesta versão “longa” existem pelo menos mais uns dez segundos de panorâmicas ao redor do cenário épico fez logo com que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] se tornasse desde longe a minha nova versão favorita deste filme.

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Nota alta para a música em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] também. Pode não conter os toques adicionais electrónicos que conhecemos introduzidos por Georgio Moroder mais tarde, mas a partitura original de Klaus Doldinger continua a ser totalmente mágica. Especialmente porque no original está a ser usada em locais que não estamos nada à espera para criar um tom emocional totalmente diferente.
Menos Disney e mais Lord of the Rings.
O tema original para a revelação da Ivory Tower que na versão americana tinha sido usado para outra coisa está simplesmente mágico nessa sequência mais longa agora na versão original do filme, por exemplo. Não fazia mesmo ideia de que esta música era o verdadeiro tema escrito para o Torre de Marfim !
E resulta pois a primeira revelação visual desta paisagem na versão original ganhou ainda um tom mais épico e encantado.

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Aliás a partir de agora, por muita falta que a música do Limahl me faça, ao início e no fim do filme não há dúvida nenhuma que o filme original a partir de agora é a versão que daqui para a frente irei sempre rever com toda a certeza.
Não há comparação.
A ausência da música de Moroder não faz qualquer diferença. Ou sequer falta.
[“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] pode continuar a não ser a versão perfeita da primeira metade do livro de Michael Ende, mas é de longe a que mais se aproxima do tom assombrado presente no romance; ( que, já agora se assemelha mais ao que podem encontrar no filme dos Nightwish “IMAGINAREUM” ( principalmente a atmosfera da parte final do romance) do que se parece com o que conhecemos da versão americana ).

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O que não quer dizer que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] seja mais deprimente, ou parado , ou não mantenha aquele tom imaginário original.
[“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] contrariamente a “THE NEVERENDING STORY” apenas o consegue fazer sem precisar de apagar , tornar politicamente correcto, ou aligeirar simplificando para americano entender,  tudo aquilo que tenta adaptar fielmente do livro.

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CLASSIFICAÇÃO

Bem, o que dizer quando de repente um dos filmes que mais marcou a minha vida, súbitamente me aparece como sendo practicamente um filme novo ?!!

Não há dúvida, de agora em diante [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] é o filme que irei rever mais vezes, esperemos, pelos próximos 36 anos também.
É de longe a melhor versão, a mais complexa e a mais atmosférica se o contexto for o da adaptação mais fiel possível do livro.

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Quem não conhece bem a fundo a versão americana a que todos estamos habituados, muito certamente olhará para esta versão original e não irá perceber nada do que eu estou para aqui a dizer pois dúvido que note sequer alguma diferença.
Se não vêem o filme há muitos anos, se só o viram em crianças , se não conseguem suportar a ideia de ver A HISTÓRIA INTERMINÁVEL sem a canção The Neverending Story do Limahl então ignorem tudo isto e fiquem-se pela versão americana remontada pelo Spielberg.

Agora se conhecem bem o livro, se conhecem bem o filme que viram no cinema e acima de tudo se são daqueles que sabem de cor cada linha de diálogo e onde cada momento musical da fabulosa banda sonora entra, preparem-se para a experiência audio-visual mais desconcertante das vossas vidas.

Simplesmente fabuloso e como tal se dei a classificação máxima à versão mais popular que conhecemos, vou ter de voltar a rebentar a escala aqui e atribuir:

Cinco Planetas Saturno e DOIS Gold Award porque é impossível resistir a [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] depois ter passado tantas décadas absolutamente fascinado com uma “versão menor” remontada e mutilada em Hollywood.

     

A favor: 6 minutos de novas sequências divididos por mais de 70 em novos inserts que extendem muitas das cenas que conhecemos dando-lhes um contexto muito mais lógico, um par de novas cenas que dão um tom mais sério à história, os diálogos originais repostos são tantos que perdemos a conta, alguns diálogos acrescenta pormenores mais complexos à história do que aquilo a que estavamos habituados, tem pelo menos mais 10 segundos na sequência inicial da Torre de Marfim, o filme ganha um ambiente mais sério mas nem por isso menos divertido, algum sangue inesperado ou momentos creepy que poderiam pertencer a um filme sobrenatural, a maneira como a banda sonora é usada nesta versão original é fabulosa, a montagem já não parece fragmentada e o filme flui muito melhor do princípio ao fim.

Mantém a fotografia em tom sépia original ao contrário das remasterizações modernas da versão americana em Bluray onde tudo é puxado para tons verdes e azuis para parecer mais moderno. O ambiente sépia do filme original é fabuloso.
Ignorem as fotos puxadas para o azul ou de cor saturada que ilustram este texto agora pois pertencem à versão remasterizada da edição americana. A versão original tem um tom muito mais em estilo de pergaminho no que toca à cor e já não parece um videogame colorido a todo o instante.

Contra: O final “Disney” que sempre esteve incluído continua uma estupidez ( mas percebe-se que seria dificil de acabar o filme de outra forma por causa do que faltava adaptar do livro ainda. Isto porque o final do filme com a sequência da Princesa, no livro é na verdade o início da aventura principal de toda a história com Bastian como protagonista a partir dali ( ignorem a desgraça que fizeram com as sequelas do filme…pois essas destruiram por completo o que restava do romance original ).

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NOTAS ADICIONAIS

Apesar de ser uma produção Alemã os diálogos originais sempre foram em inglés embora o filme na sua versão original tenha passado dobrado em Alemão no país de origem.

TRAILER ALEMÃO

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O ELENCO ANTES e AGORA

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Existem neste momento duas edições com capa diferente desta versão do filme editadas na Alemanha.
O conteúdo é o mesmo, apenas muda a capa e a escolha é vossa.

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Contém um livro com muitos detalhes para quem entender Alemão e o pack vem com o bluray e o dvd incluídos.
Não tem muitos extras, por isso se quiserem saber tudo sobre como se fez o filme recomendo que comprem também o bluray dos 30 anos da versão americana que menciono por todo o lado.

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COMPRAR LIVRO EDIÇAO PT
Por qualquer motivo estúpido não só em Portugal como lá fora também nos últimos anos este romance tem sido lançado sem a inclusão das ilustrações originais e que são absolutamente fundamentais para criar aquela sensação de ligação do leitor com o que acontece no livro.
A Editorial Presença tinha no início dos anos 80 uma edição perfeita que apareceu de novo em 1988 e essa contém ainda os desenhos que introduzem cada capítulo que não se percebe de todo porque já não constam nas edições recentes.
A mesma editora lançou há pouco tempo uma nova edição do livro mas mais uma vez já não traz as ilustrações. Apenas tem o livro impresso a duas cores ( como é necessário para a história funcionar ) mas ignoraram por completo a importância dos desenhos. Não percebo porque não se limitaram a re-editar a edição excelente que já tinham…
De qualquer forma não deixem de ler o romance. MESMO.
http://www.fnac.pt/A-Historia-Interminavel-Michael-Ende/a57691

IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0088323

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

capinha_neverending1 capinha_neverending2

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“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” (“YOR : O CAÇADOR DO FUTURO” / “IL MONDO DI YOR”) Antonio Margheriti, aka: Anthony M. Dawson (1983) Italia / França / Turquia

[“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] foi um dos poucos títulos populares do princípio dos anos 80 que eu nunca cheguei a ver em criança. Nem o vi no cinema, nem sequer o apanhei em VHS quando a moda dos videoclubes surgiu em Portugal. Lembro-me de ver a cassete nas prateleiras com a sua capa icónica que me ficou na memória mas por qualquer motivo nunca cheguei a espreitar o filme. Como tal permaneceu durante décadas sendo um daqueles sobre o qual sempre tive imensa curiosidade, até pelo estatuto de culto que foi ganhando ao longo dos anos mas até há bem pouco tempo nunca tinha encontrado uma boa cópia.

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SPACE OPERA SPAGHETTI

Numa altura em que o cinema de baixo orçamento Italiano produzia clones sem fim de tudo o que era género popular com destaque para os Western Spaghetti, a partir do momento em que Star Wars surgiu no final dos 70s o panorama mudou ligeiramente e agora a ficção-científica era também um género particularmente apetecível a todos aqueles produtores que estivessem interessados em apanhar a popularidade das aventuras espaciais despoletada pelas aventuras de Skywalker.
E ninguém estava mais interessado em enriquecer de um dia para ou outro à custa de filmes com raios laser do que os Italianos.

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Por qualquer motivo, os Italianos pareciam no entanto achar que se conseguiria produzir space-opera semelhante a “A GUERRA DAS ESTRELAS” sem gastar dinheiro algum. Talvez habituados à facilidade com que rodavam filmes de Cowboys no Sul de Espanha sem precisar de pensar sequer em orçamentos dignos desse nome, certos produtores Italianos entre o final dos anos 70 e o início dos 80s atiraram-se a produzir clones de “STAR WARS” com tudo o que tinham à mão e [“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] foi um dos resultados.

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O filme “Conan the Barbarian” estava ainda a ser um sucesso por essas alturas ( numa época em que os filmes levavam anos em exibição viajando entre cinemas de província ) ; além disso em termos de sucesso literário era também a época em que romances como “O CLÃ DO URSO DAS CAVERNAS”  ( que mais tarde passou também a filme ) despontavam para o sucesso de público e como tal alguém em Itália pensou certamente que a melhor receita para enriquecer depressa com um filme que metesse naves e robots seria certamente se a história fosse uma mistura entre aventura pré-histórica ( com dinossauros, homens das cavernas e tudo ) com uma aventura futurista que metesse raios laser, “stormtroopers” e explosões quanto baste.

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E ainda se poupavam uns cobres se em mais de metade do filme os protagonistas só precisassem de estar vestidos com peles, se tudo fosse filmado em cenários naturais e se a parte futurista só surgisse lá mais para o final. Raios, a parte futurista até podia ser a surpresa da história e tudo !
O facto é que resultou.

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ANOTHER TIME, ANOTHER PLACE… IN THE AGE OF WONDER…

Lembrem-se que estamos a falar de uma época em que era praticamente impossível o cidadão comum se deparar com qualquer *spoiler*. A internet não existia, revistas de cinema eram limitadas, raramente abordavam o cinema de baixo orçamento chunga e além disso a única coisa que o espectador comum conseguia ver sobre cada filme antes de pagar para o ver dentro da sala ( sem pipocas pois era proíbido comer durante a projecção ), seria o cartaz principal exposto do lado de fora do cinema, com um par de –lobby cards– adicionais se estes sequer existissem.
Como estavamos também numa altura em que se pintavam inúmeras versões de posters para cada filme havia sempre a hipótese de nos depararmos com uma das versões em que os “discos voadores” não estavam presentes, até porque muitos desenhos eram feitos nos países onde o filme era distribuído.

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Trailers só seriam vistos também por quem andasse permanentemente a ir ao cinema todos os dias ( um filme diferente por dia em exibição ) e assim muito pouca coisa podia estragar as surpresas dos filmes nessa época.

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Como tal, uma das razões porque [“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] também resistiu ao tempo enquanto filme de culto foi porque na altura a história surpreendeu quem o viu pela primeira vez no cinema se o viu sem saber nada sobre o que ia encontrar pela frente.
Nada no início do filme indica que este seria mais do que apenas um estranho híbrido entre filme das cavernas no estilo exploitation clássico de um “ONE MILLION YEARS BC” ( mas sem Raquel Welch ) cruzado com o estilo de um “CONAN THE BARBARIAN” de John Milius mas com um protagonista mais lingrinhas em total modo de loiro-burro.

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O facto da última metade da história na época ter entrado por um estilo mais Star Wars foi algo inesperado que acabou por gerar uma boa publicidade de boca-em-boca. Na verdade até que a ideia para a época não foi nada má de todo. Apesar do objectivo ter sido apenas o de reduzir custos, no fundo acabou por potenciar a popularidade do filme o que certamente terá agradado aos investidores na altura.

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O CAÇADOR DA TURQUIA

[“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] é foi uma produção Italiana, com algum capital Francês e rodada na Turquia para tirar proveito do ambiente alienígena de algumas das suas formações geológicas naturais. Foi uma boa ideia, pois se o filme ainda hoje se distingue da típica chungaria “Madmaxiana” EUA sem imaginação produzida na época também pode agradecer ao facto do realizador ter conseguido criar realmente um mundo particularmente interessante e variado para: Yor, o loiro-burro do Futuro.

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Apesar de terem construído alguns dos piores pseudo-clones de Star Wars na altura, em certos títulos os Italianos souberam mesmo muito bem contornar a total ausência de recursos para conseguir dar às audiências da época aquilo que toda a gente pedia para ver no cinema e pura e simplesmente não existia; mais “STAR WARS” !
Ok, é certo que mesmo o filme de George Lucas tendo sido um Série-B e o cinema “semelhante” Italiano se esforçasse para conseguir passar inclusivamente do Série-Z, a verdade é que em Itália se produziram mesmo assim alguns dos melhores e mais memoráveis filmes de aventura espacial dessa altura. Filmes que na época conseguiram maravilhar suficientemente o público sedento por histórias com muitos raios lazer para terem gerado bastante dinheiro.

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O CHOQUE…DAS ESTRELAS

O sucesso das space-operas Italianas, inclusivamente levou a que nos EUA , o mítico Roger Corman se atrevesse a distribuir “STARCRASH” através da sua produtora ( depois de ter dobrado a protagonista do filme ” em americano “ ) e fez com que ele próprio tivesse perdido a cabeça e investido 5 milhões de dólares para criar o seu próprio “Star Wars”; o genial e divertidamente clássico “BATTLE BEYOND THE STARS“.
[“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] é portanto um produto dessa época que já não volta mais, onde os poucos recursos davam origem a imaginação para compensar. Onde o cinema de baixo orçamento nem sequer era notado enquanto tal pelos espectadores e este ainda não era uma moda.
Quem ia ver um filme de ficção científica numa sala era mesmo porque gostava de ficção científica e tudo.

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[“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] estava por isso em boa companhia, “STARCRASH“, ( o meu favorito ) ainda não tinha saído das salas de cinema, “HUMANOID” continuava a plagiar o estilo George Lucas alternadamente e o cinema Italiano dava luta nas salas. Até aos Japoneses que com os seus “MESSAGE FROM SPACE” e “WAR IN SPACE” tentavam sacar algum aqui no ocidente.
Isto enquanto Corman apanhava o barco com “BATTLE BEYOND THE STARS” claro está.
Resumindo o espaço profundo com as suas space-operas baratas foi um universo divertido por aquela época, continuando hoje a ser uma curiosidade fascinante.
E como pude constatar há bem poucas semanas quando vi pela primeira vez este filme, [“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] não foi excepção, merecendo estar também entre os melhores dos piores clones de Star Wars com todo o mérito ainda hoje.

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A ideia da pré-história resulta mesmo bem, os terríveis efeitos especiais com dinossauros mecânicos permanecem supreendentemente cativantes ainda hoje, o mundo de Yor é bastante variado geograficamente e toda a aventura decorre em estilo road-movie pré-histórico a bom ritmo.
Os ambientes estão sempre a mudar, os personagens até têm a sua piada pela ingenuidade permanente que demonstram e há que convir que as moçoilas da idade-da-pedra futurista até são bem roliças.

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A PRÉ-HISTÓRIA DA BD

[“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] é uma adaptação ao cinema de uma banda desenhada Argentina, daquelas que existiam por todo o lado no final dos anos 70 em revistas como “MUNDO DE AVENTURAS” e que na sua maioria eram Italianas ou Sul Americanas muito antes do mundo desinspirado dos comics de super heróis modernos gringos produzidos em modo fast-food terem infestado o planeta e acabado com a imaginação na banda desenhada. Na verdade o filme é uma semi-adaptação, pois a parte de ficção científica em estilo “Star Wars” não existia na banda-desenhada original.

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No entano a parte de ficção-científica é divertida em [“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] e o seu conceito faz até lembrar a civilização futura que há poucos anos vimos no fabuloso “CLOUD ATLAS“.
A versão futurista em YOR foi construída recorrendo ao mesmo guarda roupa que já tinha sido utilizado em “HUMANOID” e portanto se conhecem bem as space-operas desta altura não estão a ter um dejà-vu quando repararem nos uniformes dos “robots”/soldados-dos-maus. São os mesmos.

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Se estivessemos a falar de um filme moderno hoje, alguém diria logo que tanto “HUMANOID” como [“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] se passariam no mesmo universo e tínhamos aqui um franchising.

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CLASSIFICAÇÃO

[“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] dentro deste contexto mais antigo do início dos 80s é ainda hoje um produto divertido e uma aventura que se acompanha muito bem onde não falta um certo toque ao original “Planet of the Apes” também que lhe fica bastante bem.
E em última análise é tão bom ou tão mau dependendo do ponto de vista quando “FLASH GORDON” na mesma época o foi com um orçamento muito maior.
Neste contexto.

Três Planetas Saturno

  

O facto de eu não o ter visto em criança retira-lhe agora alguma da sua magia a nível pessoal mas mesmo assim é um daqueles filmes que se recomenda a quem curtir estas space-operas retro produzidas em Itália.

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A favor: a ingenuidade, tem mais imaginação do que aparenta à primeira vista, o ambiente chunga, as moçoilas roliças, o loiro-burro, a mistura de género, os maus efeitos especiais, tudo é mau e portanto tudo é bom; até a biblioteca de som é aquela que se ouve sempre nos produtos da altura.

Contra: A parte de ficção científica até acaba por ser a menos interessante.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0084935

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