“KING SOLOMON´S MINES” (“KING SOLOMON´S MINES” / “AS MINAS DE SALOMÃO”) J.Lee Thompson (1985) USA/ISRAEL

[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é bem capaz de ser o filme de aventuras mais divertido de todos os tempos.
Sim, mais divertido que qualquer Indiana Jones.

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É que Indiana Jones apesar de tudo ainda é um filme que se leva a sério, enquanto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] sabe que é mau e diverte-se tanto com isso que acaba por nos divertir a nós do princípio ao fim.

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[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] só existiu para que os infames produtores Isrealitas da Cannon ganhassem guito à pála do sucesso do cinema de Spielberg no auge da sua popularidade.
Como tal, tudo nesta aventura parece decalcado de um qualquer Indiana Jones que ficou pelo caminho e onde nem falta a presença de John Rhys Davies, aqui no papel de um vilão, quem sabe primo do bom amigo de Indiana Jones talvez numa parceria com o clássico Herbert Lom em modo nazi histérico numa parelha de vilões perfeita.

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INDIANA QUARTERMAIN

[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] mais de que um clone de Raiders of the Lost Ark parece um primo primo afastado de Indiana Jones, algo que lhe custou uma chuva de más reviews na altura mas que com o passar do tempo o colocou com todo o mérito entre os melhores e mais divertidos filmes de culto em que vocês poderão colocar os olhos.
[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é como um daqueles vinhos ignorados que ganham qualidades com o passar do anos pois o tempo tem sido muito favorável a esta aventura totalmente despretenciosa. De cada vez que o revemos, apetece não deixar passar muito tempo até voltarmos a ele, naquilo que já se tornou num dos melhores guitly-pleasures do cinema do género.

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Nos extras do Bluray, Richard Chamberlain diz que foi um prazer fazer este primeiro filme e que a boa onda percorria todos os dias de filmagens ( até mesmo quando ele ia sendo comido por um crocodilo durante um fim de semana nas margens daquilo que parecia um calmo e bonito lago em Africa, localizado perto do set ).
A verdade é que se nota plenamente que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é um filme feliz pois toda essa alegria passou para o ecrã sem a menor sombra de dúvida e portanto se vocês nunca viram isto porque é tão “mau” quanto parece no trailer, nem sabem o que perdem.

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Não só o Alan Quartermain do romance original foi uma das inspirações para Indiana Jones como a verdade é que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] também resulta tão bem porque está muito bem escrito e não parece.
Tem um ritmo diabólico com diálogos hilariantes que não dão descanso ao espectador desde os créditos iniciais até aos momentos finais; onde não de desperdiça uma palavra e cada frase parece afinada como um relógio Suíço, a um nível que só costumamos encontrar no melhor stand up comedy actual.

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ESTE FILME OFENDE-ME !

Os argumentistas pegaram no melhor do cinismo de Harrison Ford em Indiana Jones e entrando em modo que se foda, introduziram em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] um sentido de humor tão incrivel e sem regras que este filme é bem capaz de ser um dos últimos de uma Era em que o politicamente correcto ainda não minava toda e cada produção para as massas.
É que meus amigos, esta aventura tem gags racistas, machistas, históricos e antropológicos tão inacreditáveis que hoje em dia haveriam de haver um monte de florzinhas de estufa nos Eua ( certamente ) que haveriam de clamar por boicote ao filme nas redes sociais com toda a certeza. É que acho que esta aventura não deixa ninguém por insultar divertidamente.

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Felizmente que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] existe, pois esta é uma comédia de aventuras como nenhuma outra e jamais poderia ser produzida hoje em dia sem ser toda retalhada pela censura.
A forma como representa uma África profunda só é comparável àquilo que vimos por exemplo em Tintin no Congo no que toca a banda desenhada. Para os argumentistas desta aventura os nativos Africanos são todos pretos estúpidos, primitivos, canibais ou repulsivos como o raio e só os brancos representarão alguma coisa parecida com civilização.

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E o estereótipo colonialista cartoon é tal, que nem falta uma sequência em que os Sharon Stone e Richard Chamberlain são cozinhados vivos num enorme caldeirão localizado no meio de uma aldeia de canibais, numa das sequências mais engraçadas e WTF de sempre onde não faltam tomates e condimentos em geral de plástico a boiar na água para dar mais sabor à carne.

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Mas se pensam que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] só tem tiques racistas porque goza sem parar com os “pretos primitivos” desenganem-se meus amigos. O filme também não perdoa aos Alemães.
Reparando bem, são eles e a cultura alemã o alvo principal das piadas neste filme e não os nativos Africanos, ora não estivessemos a falar de uma produção Isrealista que se calhar por esta altura ainda teria uma conta ou duas a ajustar e não perdoa às críticas no que toca ao exército Alemão e às suas guerras.
Claro que os Àrabes não podiam ficar de fora e portanto ou são todos uns violentos animais e burros como a porta , ou então gananciosos e sem escrúpulos.

KING SOLOMON'S MINES, John Rhys-Davies, 1985, (c)Cannon Films KING SOLOMON´S MINES 09

Por outro lado, não desesperem, se gostam de piadas machistas em que as mulheres são tratadas como objectos sexuais ou louras burras, também irão ficar bem servidos com a lista de estereotipos no que toca à loura que grita como o raio e está sempre em perigo.
A verdade é que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] não deixa ninguém de fora no que toca a gags politicamente incorrectos e é por isso que actualmente ainda se torna mais divertido do que foi inicialmente.
Tudo resulta em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] no que toca a gags, pois são tão constantes e a um ritmo tal que não deixam o espectador descansar por um segundo.
Nem sequer para admirar as mágnificas paisagens naturais com que esta aventura pode contar.

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2 EM 1

É que tanto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] como a sua sequela ( filmada ao mesmo tempo num dos primeiros 2 em 1 em termos de produção ), foram rodados mesmo no meio de África, em locais reais com figurantes contratados por entre as povoações das aldeias e não há aqui um CGI para simular o que quer que seja.
Como narra Chamberlain no Bluray estes filmes de aventura são até hoje os únicos deste género genuínamente rodados nos locais onde supostamente a aventura deveria estar mesmo a decorrer; o que parece que na altura foi uma das ideias mais estúpidas dos manos Golan & Globus pois a rodagem apesar de divertida logisticamente foi um pesadelo, ( em Hollywood ninguém queria acreditar que estes gajos estavam mesmo todos em Africa perdidos no meio do mato a fazer um filme, parece ) ; mas se calhar é por isso que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] especialmente agora em bluray restaurado tem uma atmosfera tão épica, genuína e fabulosamente real.

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Foi também um dos primeiros filmes de Sharon Stone e segundo Richard Chamberlain, apesar dos dois se terem dado tão bem que gerou aquela química absolutamente fantástica entre ambos incendiando humorísticamente o ecran em todas as cenas que estão juntos, parece no entanto que a Stone deu alguns problemas à produção quando resolveu tentar implicar com a – outra miúda boa – que entrava na sequela porque segundo diz Chamberlain na entrevista, ela era demasido bonita e fazia alguma sombra à Stone em termos de atenção.
Situação que parece ter dado algum trabalho a controlar nos bastidores como recorda muito divertido Richard Chamberlain na fabulosa entrevista que está nos extras de edição Alemã em bluray e que recomendo vivamente.

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CINEMA DE AVENTURA TOTAL

No fim tudo contribuiu para que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] resultasse. Mesmo na altura em que saiu e apesar de ter sido trucidado pela crítica mais iluminada, a verdade é que o filme foi um sucesso, porque o boca-a-boca resultou e não só o público estava sedento por mais aventuras arqueológicas vintage como no fundo a prestação de Richard Chamberlain foi determinante para que as pessoas também não se tenham importado muito por esta aventura existir na sombra do cinema de Spielberg.

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Os personagens são carismáticos, divertidos ou inacreditáveis, as cenas de acção são o máximo até mesmo quando os efeitos green screen são do pior e de ver para crer e o realizador J.Lee Thompson atribuiu a toda esta caça ao tesouro um ritmo imparável e mesmo tentando emular o estilo Spielberg porque deveria estar no contrato certamente, consegue no entanto tornar o estilo do filme em algo pessoal e distinto.

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E para complementar em grande tudo isto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] conta com uma das bandas sonoras mais reconhecíveis e épicas em estilo John Williams que John Williams nunca compôs tendo o sempre excelente Jerry Goldsmith assinado aqui um trabalho mágnifico que anda sempre ali a roçar algo que já ouvimos antes mas nem por isso deixa de ser absolutamente perfeito para ilustrar todos os momentos que vemos no ecrã a todo o instante; sendo esta uma das grandes bandas sonoras dos anos 80 também sem a menor sombra de dúvida.

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Hoje é comum encontrarmos reviews modernas finalmente a dar o mérito que esta simples e carismática aventura merece ( bem mais divertida que Romancing the Stone da mesma altura por exemplo ) e onde muitos comparam Richard Chamberlain a Harrison Ford no mesmo tipo de papel; arriscando alguns até a dizer que preferem Alan Quartermain a Indiana Jones.
E só quem não viu ainda [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é que poderá não entender a razão.
Por isso, estão à espera do quê?

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CLASSIFICAÇÃO

Ia “só” ficar-me pelos Cinco Planetas Saturno, porque se [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] tiver um problema este estará no facto de ter tantos gags a todo o segundo que lá mais para o final da aventura o impacto começa a perder-se um bocado e toda a sequência final parece já não ter a mesma energia que o resto do filme, o que contrasta um bocado com o tom inicial.
No entanto…
É impossível não adorar esta aventura. Só pelo facto de ser um dos filmes mais felizes e positivos que vocês poderão encontrar pela frente vale mesmo a pena espreitarem e é o antídoto perfeito para estes dias de quarentena Covid-19 que todos vivemos no momento em que escrevo isto.
Richard Chamberlain é o primo do Indiana Jones perfeito numa prestação à prova de bala, Sharon Stone nunca esteve tão luminosa, os gags politicamente incorrectos são o máximo, as sequências de acção não dão descanso e aquela banda sonora mantém-nos de sorriso na alma durante quase duas horas. O que é que vocês querem mais ?

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

Como eu referi, a sequela para [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] foi filmada no mesmo período e o segundo filme veio a chamar-se “ALAIN QUARTERMAIN AND THE LOST CITY OF GOLD“.
Como refere Richard Chamberlain, se vocês acham que o primeiro filme era mau então esqueçam a segunda aventura.
Eu próprio agora não recomendo mesmo que vejam a sequela pois é uma verdadeira decepção. Toda a energia do primeiro desapareceu e se os actores parecem estar por ali em piloto automático e a fazer um frete é porque na sua maioria estavam visto que só entraram naquela coisa porque os espertos dos manos Globus os enredaram num contrato do qual não puderam escapar. Não só a sequela foi rodada com uma fração do orçamento do primeiro filme como tudo, desde o humor , à própria aventura parece verdadeiramente pobrezinho e claramente um donwgrade em relação ao filme inicial pois os manos Isrealitas queriam, segundo Chamberlain literalmente enganar o povo e não investir nada na continuação esperando que o facto de terem obrigado os actores a continuar bastasse.

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Podem espreitar o segundo filme por curiosidade mas preparem-se porque as aventuras de Alain Quartermain já não têm a mesma vida, piada ou energia que alcançaram em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] .

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0089421/

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“THE LIGHT BETWEEN OCEANS” (“THE LIGHT BETWEEN OCEANS”/”A LUZ ENTRE OCEANOS”) Derek Cianfrance (2016) NOVA ZELÂNDIA/AUSTRALIA

Já por mais de uma vez apresentei por aqui filmes que apesar de serem interessantes não podemos verdadeiramente dizer que são especiais, mesmo apesar de nos apetecer gostar muito de alguns deles…
Desta vez, vou falar-lhes de um título que ando há tempos para recomendar mas ainda não o tinha feito porque me apetecia gostar muito menos dele; [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“].

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Não se trata de um filme sci-fi é verdade, mas de um drama romântico; daqueles que muito macho de barba rija que só lê romances com forças especiais, bombas e granadas ou títulos do Jornal da Bola costumam apelidar depreciativamente de  “histórias para gajas”.
E que história – “para gajas” – meus amigos !
Cá está outro título já de 2016 de que eu nunca tinha ouvido falar sequer até ao final do ano passado. Agora depois de o rever é também outro daqueles que simplesmente não entendo porque não ganhou uma carrada de Óscares.
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] é a adaptação de um romance com o mesmo título que eu também desconhecia por completo até ao ano passado, apesar de saber agora que foi um best-seller lá fora. Merecidamente, na minha opinião.

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A LUZ ENTRE OCEANOS” foi um livro que eu encontrei numa loja de artigos em segunda mão no ano passado; curiosamente um título editado em Portugal ( que podem ainda encontrar aqui na FNAC ).
Como eu não resisto a histórias passadas em farois, lá tive de comprar o romance só para espreitar mas nada me preparava para que “A LUZ ENTRE OCEANOS” acabasse por se tornar no meu livro favorito do ano passado.
Por entre as dezenas de títulos que li em 2019 nada teve maior impacto na minha imaginação do que este romance e por esta eu não esperava.
A partir do momento em que o livro acaba e eu volto atrás três e quatro vezes, para reler o último capítulo só porque não me apetece nada deixar aquele universo e aqueles personagens, está tudo selado no meu top-livro para esse determinado momento.

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E porque eu queria reler esta história na sua lingua original,  foi indo à procura da edição em Inglês do livro na amazon que subitamente no final do ano passado eu descobri que “A LUZ ENTRE OCEANOS” não só, já era na verdade um filme, como ainda por cima já estava à venda em bluray e tudo !
O que quer dizer que dois dias depois eu era o feliz proprietário de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] na sua versão em alta definição.
E esqueci-me de comprar o livro em inglés…

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[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] foi uma decepção.
Talvez porque tinha acabado de ler o livro dias antes, a verdade é que a uma primeira visão não gostei nada da adaptação para cinema.
Achei que o filme era muito bom, mas as escolhas do tom narrativo, o estilo documentário de câmera ao ombro da realização e o facto de alguém ter pegado naquela atmosfera “quente” do romance original e o ter colocado num universo particularmente cru, realístico e frio fez com que eu tivesse acabado a primeira visão de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] com sentimentos contraditórios sobre o que tinha acabado de ver.

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A adaptação para cinema pareceu-me uma coisa à parte. Tinha a ver com o livro , mas depois deixam de fora pequenos detalhes que mesmo até agora eu não entendo porque não foram incluídos.
Isto porque no romance esses pequenos toques constroiem a alma da história em muitos momentos e no filme esses detalhes foram pura e simplesmente ignorados em função de um tom intensamente frio, desencantado e muito triste.
O filme parece querer que o espectador se sinta completamente míseravel durante duas horas e meia, dando-nos aqui e ali pequenos vislumbres de luminosidade, coisa que o romance original aborda de forma diferente. Talvez por serem meios diferentes também mas a verdade é que há escolhas no filme que não ligam bem com o tom do romance.

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Por outro lado, agora que revi o filme e reli o livro… se calhar o facto de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] ter uma abordagem mais desencantada foi uma boa escolha.
Tanto o filme como o romance acabam por ter o seu espaço e partilhar aqui e ali pontos em comum ao mesmo tempo que ambos deixam espaço para as duas interpretações.
Ou seja, este é um daqueles títulos cinematográficos em que podemos ver o filme e depois ler o livro pois uma coisa não anula a outra, muito pelo contrário… curiosamente um bocado como acontece com outro romance cinematográfico fabuloso, o filme japonês “BE WITH YOU” de que já falei aqui.
Ambos adaptam um romance original de forma particular mas ambos fazem com que valha mesmo a pena ler o livro depois de vermos os filmes.

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Na minha opinião, no caso de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“], eu até recomendo que leiam primeiro o livro. Mesmo.
Ou se calhar não…
Uma coisa é certa, comecem por onde começarem a descobrir esta história, esta é uma daquelas a que vocês quererão voltar muitas vezes, só para acompanhar de novo as vidas destes personagens e assisterem aos momento finais da história… que no livro são bem melhores e mais detalhados, mas que por acaso no filme quase que acertam em cheio até no visual do ambiente em que tudo se passa no romance; e aposto que não foi por acaso também.

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Portanto…
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] mais do que uma simples história de amor romântica é também um drama sobre escolhas pessoais. É muito mais complexo do que a trailer dá a entender e de certa forma até menos comercial em termos de cinema do que as pessoas possam esperar; no sentido em que [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] não é uma daquelas história “românticas” plásticas enlatadas em estilo Hollywood e só por isso merece logo mais uns pontos adicionais.

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Se gostarem de boas histórias de amor que são muito mais do que isso, se quiserem uma que lhes irá colocar questões que irão debater com os amigos por algum tempo depois da história acabar e se quiserem ver um drama com interpretações absolutamente extraordinárias, então [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] é o filme que têm que ir ver mal acabem de ler o que estou a escrever.

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A química romântica entre Michael Fassbinder e Alicia Vikander é tão genuína que eles depois do filme se tornaram num casal na vida real e o filme ganhou com isso pois as suas prestações nesta história representam a 100% o conteúdo romântico do livro sem qualquer sombra de dúvida.
Rachel Weisz noutro papel feito à sua medida rouba todas as cenas em que entra. Não sei como esta rapariga consegue mas quando alguém precisa de sofrer genuínamente numa história ela é sempre a escolha perfeita. Aliás tanto ela como Alicia Vikander aqui complementam-se perfeitamente e nem consigo imaginar mais ninguém nestes dois papeis. Era darem o Óscar às miúdas e irem todos para casa.

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O resto do elenco é fabuloso também, desde as crianças que são perfeitas, aos secundários onde se inclui um Bryan Brown que não via há muito, todos nesta produção Neo-Zelandeza/Australiana foram mesmo escolhidos a dedo pois os actores dão mesmo vida aos personagens do livro.
Alguns têm mais vida aqui do que no romance até.

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Visualmente apesar do estilo “found-footage” ou semi-documental por vezes nos parecer intrusivo ao início a verdade é que depois se torna tão orgânico que logo esquecemos que isto tem por detrás um realizador.
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] em termos de ambientes naturais é fabuloso, desde os momentos ao nascer do sol, ás praias remotas desoladas e ao próprio farol em si tudo nos transporta para o universo desta história; onde um casal isolado numa ilha encontra um bébé a bordo de um pequeno bote que dá à costa e decide ficar com a criança sem dizer nada a ninguém.

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Agora que revi o filme já sabendo com o que ia contar, consegui olhar para [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] com outros olhos. Tanto o filme como o romance são realmente grandes representações desta história, ambas funcionam dentro do seu contexto e ambas têm momentos melhores ou piores que se cruzam na nossa mente entre versões depois de lermos o livro.
Portanto, como eu gosto mesmo do livro, o meu primeiro instinto é dizer aqui que o filme é inferior… mas na verdade seria injusto. É um pouco diferente em alguns aspectos mas se calhar está aqui também a sua força.
Não vale a pena eu tentar arranjar desculpas…
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] é fabuloso.

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CLASSIFICAÇÃO

Na verdade acho que em termos de ambiente dramático assente numa história romântica particularmente dura mas com um final perfeito, melhor só mesmo o livro original que é simplesmente fabuloso e que na minha opinião deverão ler antes de verem [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] nesta sua versão de cinema.
Por mais que eu tente não gostar tanto deste filme ( porque o livro é melhor ) é impossível não lhe atribuir também a minha classificação máxima porque são duas horas e meia que nos transportam para um outro mundo e nos fazem esquecer que estamos a ver um filme por completo.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

É fabuloso e com um elenco absolutamente extraordinário com prestações que ainda estou a tentar perceber porque não foram todas nomeadas para Óscares.
É um daqueles filmes a que se regressa só para depois arranjar desculpa para voltar a reler o livro e vice-versa e quer me parecer que daqui a muitos anos ainda estarei a fazê-lo pois esta já entrou para a lista das minhas histórias românticas dramáticas favoritas de todos os tempos, a par de coisas como Cinema Paradiso ou até do recente “SAFE HAVEN/UM REFÚGIO PARA A VIDA” bem mais comercial mas nem por isso menos atmosférico, intenso e divertido.

A favor: os protagonistas Michael Fassebender  e Alicia Vikander com uma química romântica tão boa que depois deste filme tornaram-se mesmo num casal na vida real, os secundários são escolhidos a dedo com destaque para Rachel Weisz que mais uma vez é absolutamente extraordinária em papeis que necessitam de genuínamente representar sofrimento, excelente realização, a ilha real a quatro horas da civilização onde o farol verdadeiro está localizado é perfeita para esta história, adapta o essencial do romance e o final embora menos emocionante quase que reproduz as páginas finais do livro… quase…

Contra: na minha opinião saltaram pequenos detalhes do livro que eu acho que deviam ter mesmo sido incluidos especialmente no inicio quando o casal se conhece e no epílogo final que no livro é daqueles que apetece reler três vezes seguidas e no filme não está tão bom ou emocional, o ambiente do livro é diferente e mais “caloroso” apesar de toda a carga dramática da história enquanto o filme é particularmente frio em muitos momentos.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt2547584/

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

Il Mare Be With You  capinha_SAFE HAVEN.jpg

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“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES” (“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES”) John Cameron Mitchel (2017) INGLATERRA/USA

[“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] é algo que me passou completemente ao lado mesmo tendo sido já produzido em 2017. Só há poucos meses atrás descobri que isto era um livro de banda desenhada baseado num conto de Neil Gaiman mas para mim foi uma verdadeira surpresa também esta história existir já enquanto filme.
Mais surpreendente ainda é [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] ser na verdade um título de ficção-científica.

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Completamente alucinado, é certo mas mesmo assim pelo meio de toda a loucura não deixa por isso de ser também uma excelente história que envolve punks e contacto com civilizações extraterrestres verdadeiramente alienígenas e completamente fora dos nossos padrões de percepção…
O que para um título como [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] , que há partida remetia apenas para uma comédia romântica adolescente é logo algo que coloca este filme num patamar de originalidade diferente.

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Pelo que me apercebi o filme ganha logo pontos sobre a banda desenhada original quando muda a acção para 1977 numa Inglaterra em plena revolução Punk Rock.
E como todos aqueles que conhecem o trabalho e o percurso do realizador John Cameron Mitchel bem sabem… não há ninguém melhor para recriar aqueles dias do que ele.
Cameron Mitchel já tinha realizado antes o grande filme de culto “HEADWIG” que embora passado durante a queda do Muro de Berlin é também considerado o melhor filme punk rock de sempre.  Só a banda sonora de “HEADWIG” ( e a prestação de Cameron Mitchel no papel principal ) valem o filme todo ; embora não seja um título particularmente aconselhado a conservadores visto que toda a filmografia do realizador assenta numa vertente gay e transsexual particularmente óbvia e politicamente incorrecta.

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Por este prisma [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] até é agora um filme bastante contido apesar de aqui ser melhor avisar desde já que este filme também não seja particularmente aconselhado a sensibilidades mais homofóbicas visto que todo aquele imaginário trans está sempre em pano de fundo ; não fosse isto um filme de John Cameron Mitchel.

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Mas é fabuloso. Os personagens são divertidos, a atmosfera Punk Rock atira uma energia constante para fora do ecran como só Cameron Mitchel a sabe filmar e para lá de toda a imaginação que envolve o conceito alienígena criado por Neil Gaiman [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] ainda tem tempo para ser realmente uma das mais cativantes histórias de amor adolescentes dos últimos tempos; mesmo pelo meio de toda a confusão e aventuras mirabolantes.

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A química romântica entre os par protagonista é do melhor e a jovem Elle Fanning não poderia ter sido a escolha mais certa pois acreditamos por completo nela enquanto extraterrestre tentando perceber como funciona a humanidade mesmo quando ela acredita que todo o planeta Terra não passará de um mundo totamente dominado pelo movimento Punk , inglés de 1977.
Imaginem o E.T. mas mais bonito perdido na Inglaterra urbana Punk e andarão lá perto do que poderão acompanhar em [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“].

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Aliás um dos grandes momentos de [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] como não podia deixar de ser são também os apontamentos musicais Punk Rock como por exemplo o dueto entre os dois protagonistas no clube Punk underground que não fica nada atrás do melhor que já tinhamos visto também em “HEADWIG” no que toca a banda sonora Punk Rock.

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Aliás , embora [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] não seja desta vez um filme músical no entanto estes momentos punk rock polvilham todo este universo colorido, completamente cativante que coloca Punks contra alienígenas e nos dá momentos WTF únicos, bastante divertidos e originais.
Onde já agora, podemos encontrar um monte de actores que não parecerão nada estranhos a quem acompanha a série DR Who por exemplo.

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A propósito de actores… se não sabem nada sobre [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“], continuem assim. Não vejam o trailer antes de verem o filme pois o trailer contém Spoilers por demais e irá arruinar-lhes o prazer da descoberta, até no que toca a caras conhecidas em papeis que não esperavamos nada encontrar…

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Para quem precisa de saber estas coisas, [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] é a história de um trio de amigos Punks que durante as suas deambulações nocturnas entre punk rock, bebedeiras e miúdas deparam-se uma noite com uma casa habitada por um conjunto muito particular de … personalidades…

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[“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] visualmente também é um espectáculo, não só a recriação dos dias Punk Rock em Inglaterra está o máximo como depois toda a estética WTF que envolve as entidades alienígenas dá ao filme uma vida e uma originalidade visual que raramente se encontra em títulos com extraterrestres.
Por causa disso este filme tem também uma vertente psicadélica particularmente divertida e … espacial … que resulta plenamente.

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E o final do filme também é muito fixe.
Se gostam de títulos como o genial “THE ROCKY HORROR PICTURE SHOW” e/ou “HEADWIG” com aquele sabor punk rock sexualmente subversivo e quiserem ver como se pode misturar de forma perfeita com uma história sci-fi muito divertida e intensamente romântica, este é o vosso filme.
Alucinado, divertido, energético e com momentos bastante humanos onde até os personagens secundários são importantes para dar realismo a este universo que recomendo vivamente que não deixem de espreitar.
Irá tornar-se no próximo grande filme de culto com toda a certeza. Se é que já não é.
E como é melhor não dizer mais nada…

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CLASSIFICAÇÃO

[“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] foi até agora a surpresa cinematográfica do ano para mim em 2020. Não fazia ideia de este filme já era de 2017 ou que esta história teria algo a ver com extraterrestres e apanhou-me totalmente desprevenido.
Quando eu estava preparado para ver uma boa história de amor teenager ( embora extravagante afinal estamos a falar de um filme de John Cameron Mitchel ) de repente cai-me em cima não só uma das comédias scifi mais tresloucadas e originais que me lembro de ver em muito tempo, como ainda por cima é também quase um filme de época pela forma como nos transporta por completo para uma Inglaterra de 1977 em pleno movimento PUNK com uma energia contagiante !
Porque já o vi há horas e horas e como o raio do filme não me sai da cabeça só posso atribuír-lhe a minha classificação máxima também.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

A primeira coisa que vou fazer quando passarmos este período de pandemia será comprar este título em bluray com toda a certeza.

A favor: o facto de terem colocado esta versão cinematográfica do comic original de Neil Gaiman situado em pleno movimento Punk numa Inglaterra de 1977, a originalidade da história e da forma como aborda o contacto extraterrestre, a atmosfera punk cheia de energia e contagiante, a química romântica dos protagonistas, todo o visual absolutamente alucinado e psicadélico que envolve todas as cenas com os alienígenas, as sequências punk rock musicais, todos os personagens, alguns gags, é politicamente incorrecto e não tem problema com a sexualidade ( não fosse isto um filme de Cameron Mitchel ) , o final da história, é um dos conceitos sci-fi mais criativos e intensos que vi em muito tempo.

Contra: Isto não é o filme teen fofinho de Hollywood de que muitos podem estar à espera, quem tiver problemas com as orientações sexuais de terceiros ou alguma homofobia latente é melhor passar ao lado também ( não é explicíto mas estamos a falar de um filme de John Cameron Mitchel e quem sabe o que isto quer dizer já sabe com o que pode contar em termos de referências gay e transexuais quanto baste ).

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

Atenção, se ainda não viram o filme EVITEM o trailer pois está cheio de *SPOILERS*!!!

 


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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt3859310/

HOW TO TALK TO GIRLS_41

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BD ORIGINAL

COMIC3 COMIC3B
COMIC1 COMIC2

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