“Der Schatz im Silbersee” (“The Treasure of Silver Lake”) Harald Reinl (1962) ALEMANHA

Ok, eu sei que adoro teorias da conspiração mas algo me diz que [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] estará entre os filmes favoritos de Spielberg pois se não estiver há por aqui uma coincidência fascinante.
Sem querer estragar-lhes o final desta aventura, comparem o fim deste filme com “Indiana Jones and the Last Crusade” e depois falamos.

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E por falar em Indiana Jones uma das características fascinantes não só deste título que vou aconselhar agora como practicamente de todos os outros filmes baseados nas mentir…obras, de Karl May é terem um sabor verdadeiramente Raiders of the Lost Ark, até mesmo quando são Western puros.

RAIDERS OF THE LOST LAKE

[“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] é um filme fascinante em muitos sentidos e um deles é precisamente o de parecer um Western clássico mas na verdade desenrolar-se quase como um Indiana Jones em muitos aspectos na sua própria estrutura.

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Filmes como “O Tesouro de Sierra Madre” ( e o personagem de Boggart ) costumam ser muito citados como tendo sido parte da origem de Indiana Jones, mas meus amigos… se isso assim foi então [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] contribuiu adicionando o que faltava.
Deu-lhe o tipo de sensação de high-adventure que depois Spielberg tão bem modernizou mais tarde; proporcionado por um sentido épico, grandes localizações reais, um sentido de humor muito divertido com a introdução de alguns personagens comic-relief e uma banda sonora larger-than-life, que uma vez entranhada nunca mais nos larga tal como acontece com a música de John Williams.

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Estou para recomendar este filme e todos os outros baseados na obra do mentiros… escritor, Karl May há algum tempo, mas a verdade é que há tanto para dizer que tinha medo que este se tornasse noutro dos meus textos gigantes. Por se vocês acham que este post hoje é longo, nem queiram saber o que eu tinha para contar antes !
Felizmente que hoje encontrei um pequeno video de youtube onde ser resume muito bem logo metade do que eu tinha para dizer e por isso remeto detalhes adicionais para o que podem encontrar nas notas adicionais deste post.

WESTERN ALEMÃO

Há muito a ideia de que os Western Spaghetti foram os primeiros Western produzidos na Europa e na verdade não foi assim. Há quem diga que se não fossem os filmes – “de Karl May” – o próprio Western Spaghetti não teria tido a projecção que depois veio a ter, embora em estilo os dois géneros sejam particularmente diferentes.

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Filmes como [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] e tudo o resto baseado nos romances de Karl May, são luminosos, positivos, poéticos e absolutamente visualmente épicos enquanto que o Western Spaghetti sempre foi mais negro, desencantado, e minimalista até nos seus meios de produção; mas o segundo não teria certamente existido enquanto produto comercial não fora o sucesso dos filmes Karl May produzidos anos antes na Alemanha e filmados nas incriveis paisagens naturais da Croácia e Jugoslávia.

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O meu primeiro contacto com um par destes filmes foi há muitos anos atrás por volta de 1980/81 quando passaram no cinema da minha terra na sua versão dobrada em “americano” mas foram títulos que nunca me sairam da memória desde os meus 11 anos apesar do Western nunca ter sido o meu género de eleição pois a ficção-científica sempre foi a minha area desde que vi Espaço 1999 aos 7 anos.
Mas a verdade é que Wanitou e o seu amigo branco nunca me sairam da memória e durante décadas eu procurei rever estes títulos. Muito especialmente quando recentemente me apercebi de que isto era cinema Alemão o que foi uma verdadeira surpresa para mim, pois em criança nunca suspeitei.
Aliás, eu durante anos a fio quando era puto, pensava que um dos protagonistas teria sido William Shatner pois quando vi isto no cinema o heroi parecia-se por completo aos meu olhos com o capitão Kirk da série de TV Star Trek.

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Só recentemente é que Internet me permitiu descobrir mais sobre tudo isto e o que descobri é fascinante.

INDIOS E INDIAS

A razão porque todos nós desde crianças temos na imaginação aquela imagem “do indio” e “das indias” com aquelas roupinhas castanhas (com fitas) que encontramos sempre à venda em disfarces de Carnaval ( sem esquecer a típica pena no cabelo ) é totalmente culpa do sucesso não só dos livros de Karl May como também dos filmes dos anos 60 que os adaptaram a todos.

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Em [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] a coisa ainda nem é muito evidente pois como já disse o filme parece-se mais com uma aventura de Indiana Jones do que com um Western, mas se vocês virem os próximos títulos a seguir a este, irão ficar fascinados com toda aquela estética. Para desagrado dos verdadeiros nativos americanos que ainda hoje protestam e detestam toda a falsa imagem ( e design “indio” ) que temos metidos na nossa imaginação desde crianças por culpa do impacto cultural dos livros e filmes de Karl May.
É que Karl May inventou tudo aquilo em que nós hoje não conseguimos deixar de pensar sempre que pensamos em “indios e cowboys” e para sempre marcou aquele estereotipo de design na imaginação popular; muito em particular na europa; ( e já agora, na imaginação das crianças também ).
Tudo por culpa de Karl May. Um dos maiores mentirosos do mundo.

O MAIOR MENTIROSO DO OESTE

É que Karl May, inventou tudo.
Karl May está para os Indios e Cowboys como o “Lobsang Rampa” está para os relatos esotéricos “Tibetanos“. Tal como se descobriu anos atrás que o pseudo monge Tibetano afinal não tinha passado de um escriturário americano que publicou todas aquelas narrativas como se pertencessem realmente a um verdadeiro monge mas nunca tinha saído da sua casa em Nova York, também Karl May inventou a partir da Alemanha tudo sobre Indios e Cowboys.
Só no final da sua vida é que colocou os pés nos EUA e como turista apenas. Tudo ao contrário do que afirmou durante a sua vida, pois sempre apresentou os seus livros como relatos auto-biográficos das suas viagens pelo mundo.

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Karl May não só jurou a pés juntos que tudo o que escreveu nos seus romances eram relatos reais das suas aventuras até morrer, como inclusivamente era tido na Europa em finais do Sec.XIX como sendo um verdadeiro especialista sobre o Oeste Americano e em particular sobre a cultura dos nativos norte americanos.
A tal ponto que semanas antes de morrer ainda dava palestras nas faculdades de História Europeias da altura sobre o tema da cultura India e sobre as suas vivências enquanto “amigo e parceiro de aventuras de Winnetou“.
Por isso é que – “esta imagem” – que temos dos “indios e cowboys” ficou tão enraízada na cultura popular.

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Depois o facto dos filmes terem adaptado em detalhe tudo o que estava contido nos romances também não ajudou a esclarecer a verdade.
Mas quem é que precisa da verdade quando temos os romances de Karl May ?
É porque sem eles não existiriam os filmes e são todos absolutamente fascinantes.
E quando digo todos, digo, mais as de 15 longas metragens. Não só narrando as suas aventuras com Winnetou enquanto Old Shatterhand como também outras “suas” odisseias pelo mundo salvando tribos e repondo a justiça por onde passava.

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E isto é apenas a ponta do iceberg no que toca a Karl May enquanto um dos maiores mentirosos da literatura popular de sucesso.
Desde um historial de respeito como vigarista profissional onde dava os golpes mais hilariantes, até ter passado 8 anos de cana pelas burlas mais inacreditáveis, há tanto para contar que vocês precisam explorar o tema e a vida deste grande e fascinante mentiroso por vocês mesmo se quiserem saber mais. E podem começar pelo video que posto mais adiante.

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Eu avisei que este texto iria ser grande…
Voltando aos filmes e em particular a [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“], meus amigos, neste tempo de quarentena por causa do virus que devasta o nosso planeta se vocês quiserem passar duas horas com algo verdadeiramente divertido e relaxante, para nem dizer verdadeiramente épico e positivo , procurem este filme na Internet.

SILVERADO

Se procuram cinema de aventuras, que bem vistas as coisas estava até à frente do seu tempo, não percam [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] ; ( ignorem o trailer da versão americana ).
Eu nunca fui grande fã de Westerns mas em 1985 houve um que me fez começar a prestar mais atenção ao género quando eu tinha 15 anos e mesmo até hoje continua único. Falo de “SILVERADO” que já na época tinha sido considerado um título algo atípico precisamente por se parecer com um Western mas na verdade ter um espírito muito mais Indiana Jones na sua estrutura.
Ora olhando agora para trás, “SILVERADO” é tão diferente mas ao mesmo tempo tão familiar e não é por causa de Indiana Jones não senhor. É por causa dos Westerns de Karl May.
É que “SILVERADO” poderia ter sido na boa um romance de Karl May e muito provavelmente se tivesse sido filmado nos anos 60 também não haveria igualmente grande diferença na sua estrutura. Inclusivamente no tipo de herois, na forma como se cruzam, nas aventuras que vivem, etc.
Portanto se vocês adoram “SILVERADO” e curtem os “INDIANA JONES” mas nunca ouviram falar dos Westerns Alemães, nem dos livros de Karl May então não há melhor filme para começarem a mergulhar neste verdadeiro universo de pura fantasia do que [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“].

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O SENHOR DA CROÁCIA

E digo – Fantasia – porque só as próprias paisagens da Croácia e Jugoslávia que passam por ser os EUA nestes filmes são suficientes para fazer com que às vezes também nos pareça estarmos a ver um filme de fantasia como THE LORD OF THE RINGS.
Só que aqui o realizador nem sequer precisou de usar – matte paintings – para estender os cenários. Acreditem-me, vejam [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] no maior televisor que conseguirem e vão cair para o lado com os ambientes naturais em que toda esta aventura – “de fantasia” – decorre.
Apenas é um mundo de fantasia onde em vez de Hobbits e Elfs temos indios e cowboys.

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Aliás em termos de design todos estes filmes são absolutamente extraordinários na forma como constroem todo aquele mundo Western imaginário em pleno coração da Europa. Não só as cidades de Cowboys têm muita pinta, como todos os sets são genuínamente estereotipados no melhor dos sentidos. Desde a “clássica” aldeia dos Indios ( tal como a sempre imaginamos com os seus “típis” por culpa da cultura popular originada pelas mentiras de Karl May ) , até ao típico saloon onde toda a gente anda à porrada ou aos tiros, tudo em [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] é absolutamente “genuíno” enquanto Western puro.

TANTA GENTE !!!

E por falar em porrada, para mim no meio disto tudo não há caracteristica mais divertida também nos Westerns Karl May do que o fascinante facto de eu nunca ter visto tanta gente à porrada num só filme. Acho que filmes Karl May como [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] devem estar no Guiness Book pelo maior número de figurantes aos tiros ou ao murro alguma vez colocados no grande écran ao mesmo tempo. Meus amigos há sequências com dezenas e dezenas… e dezenas (!!!) de figurantes aos tiros em tudo o que são sequências de porrada entre indios e cowboys.
É hilariante e fascinante. Lembrem-se que isto foi filmado com gente real em camera pois não havia cá CGI para duplicar exércitos ao monte.
Façam pausa no filme e comecem a contar. Nem vão acreditar. Ele são cowboys, indios, cavalos às dezenas. E a piada é que isto não é coisa isolada.

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Acho que não há Western Karl May que não tenha dezenas de gente ao murro e aos tiros.
E por falar em murros… irei falar disto nas sequelas de [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] mas se por acaso virem um muito, muito jovem actor que se parece por demais com Terence Hill numa diversidade de personagens terciários e secundários em várias das aventuras ( esse mesmo , dos filmes Bud Spencer anos mais tarde ), não é ilusão de óptica. Ele não entrou ainda nesta aventura inicial que em duração é a mais épica de todas, mas teve um sem número de papeis diferentes nas “sequelas” quando ainda não devia contar com mais de 20 anos de idade.
Já agora uma outra caracteristica dos western Karl May, está no facto de usar e voltar a usar os mesmos actores nas sequelas mas em papeis totalmente diferentes. Daí, Terence Hill nos baralhar por completo quando de repente o vemos em histórias diferentes interpretando outras pessoas. O mesmo acontece a grande parte do elenco de [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] que depois foi novamente usado “nas sequelas”.

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Ah, nunca é demais ressalvar com nota alta também para a banda sonora, pois como já disse, esta é daquelas que define um filme e um univeso cinemático por completo. A forma como nos transporta para aquele mundo de fantasia é simplesmente incrível e mesmo quando se torna repetitiva por vezes, mal a música do tema principal começa a tocar ficamos logo imediatamente hipnotizados por completo. Lindíssima, poética e com um sentido de aventura clássicamente épico que só John Williams mais tarde viria a reproduzir.

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[“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] essencialmente é isto, um grande filme de aventuras alemão, falado em alemão com um par de actores americanos como “Herbert Loom” ( o excelente Nemo de “A Ilha Misteriosa ) e que aqui é o vilão de serviço.
Um “Western” que conta uma história de caça ao tesouro e templos perdidos que normalmente não costumamos associar aos filmes de cowboys.
Tem também a particularidade de ser um dos poucos western “clássicos” em que os Indios não são necessáriamente os vilões e até são apresentados como sendo povos sensatos vivendo em comunhão com a natureza e tribos nobres, algo que só me lembro de ver em DANÇAS COM LOBOS que, curiosamente tem imensas semelhanças com isto também na forma quase bucólica como tenta mostrar a vida dos povos nativos da planície Americana.

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Todos os filmes de Karl May foram restaurados para Bluray e a qualidade é absolutamente extraordinária na sua maioria.
E sendo assim…

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CLASSIFICAÇÃO

[“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] é o antídoto perfeito para dias mais sombrios.
Se tal como eu nem sequer gostam de Westerns, dêem uma oportunidade a isto e irão surpreender-se; não só com a modernidade da estrutura da aventura mas também com todo o ambiente natural cénico que é simplesmente épico e real.
E claro, só aquela música vale o filme.

Cinco Planetas Saturno e claro, um GOLD AWARD

     

A favor: Tudo ! As paisagens, a aventura, as cenas de porrada com mil gajos, o espirito Indiana Jones, o templo perdido, os indios fofinhos e bonzinhos, os cowboys, a banda sonora…faz lembrar cinema de Fantasia a todo o instante, etc.

Contra: foi tudo uma grande tanga de Karl May… mas e depois ?…

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TRAILER ORIGINAL ALEMÃO


TRAILER AMERICANO

 

COMPRAR EM BLURAY – EDIÇÃO ALEMÃ – AMAZON.DE

COMPRAR A MELHOR COLECÃO DE KARL MAY FILMS de todos os tempos.
Em breve irei fazer uma review detalhada sobre esta edição mas para já fiquem a saber que alguns filmes estão legendados em inglês, outros não. Alguns dos que não estão legendados em ingles podem ser vistos dobrados em americano ( com um som péssimo ) e uns poucos do fim da colecção nem estão legendados, nem estão dobrados e só os podemos ver em Alemão. Se vocês pensam que isto é algo que os impedirá de curtir os filmes se tal como eu não perceberem puto de Alemão, não se preocupem… é impossível não conseguir seguir ou divertirmo-nos com um filme de Karl May quando tudo nesta colecção está restaurado para bluray com uma qualidade espectacular em termos de imagem e som na pista original alemã.
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Darei mais detalhes em breve mas actualmente não há melhor sítio para comprar isto do que a caixa fantástica com 16 blurays que está à venda na Amazon Alemã.

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KARL MAY UM GRANDE MENTIROSO

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0056452/?ref_=fn_al_tt_1

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Se gostou deste, poderá gostar de:

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O MELHOR DE 2017 : BEST “ON” … “on” porque é o contrário do OFF e todos estes títulos merecem estar On.

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BEST ON 2017 – LOW BUDGET/INDEPENDENTE

Como diria o grande Rouchinol Faduncho agora que entramos em 2018 e me preparo para recomendar o primeiro filme do ano; fiquem aqui com um “Best On” dos filmes que mais impressionaram no cinema de baixo orçamento ou de produção independente.
De fora ficam coisas como “Blade Runner 2049”; “Valerian” ; “Passengers” ou “Star Wars The Last Jedi” apesar de eu lhes ter dado também nota máxima e terem sido do melhor que vi dentro da scifi comercial nos últimos anos. Mas, como são na verdade mega-produções mainstream não contam para esta lista pois essencialmente o espírito original do blog é o de divulgar cinema de fantasia/scifi (ou outro) que normalmente seja desconhecido dos leitores que aqui chegam desprevenidos e levam com este “cinema-lixo” em cima.
Inicialmente ainda tentei fazer um TOP 10 mas não foi de todo possível pois há por aqui vários títulos que seriam número 1 sem qualquer sombra de dúvida (Mythica 4 ; La Antena ; Alien Abduction) e por isso segue apenas em formato de lista de recomendações sem grande ordem de classificação pois todos são os melhores de entre as dezenas de outros títulos sobre os quais escrevi por aqui no ano passado e todos dependendo do espírito de cada espectador no momento podem ser na boa o número 1 de qualquer top dentro deste género de cinema menos divulgado.
Esta é apenas uma amostra do que já foi e merece continuar a ser recomendado neste blog.
Um “Best On“. 😉

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MYTHICA 4 : THE IRON CROWN

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O que foi conseguido com menos de 100 mil dólares é absolutamente notável neste quarto título da saga de filme Mythica. Os cinco filmes ao todo não custaram sequer 500.000 dólares e o resultado não podia ter sido melhor, envergonhando muitas produções de milhões saídas de Hollywood numa saga de fantasia com excelentes personagens e muita alma.
Este quarto filme em particular pelo pouco que custou e pelo que os seus produtores conseguiram colocar no ecrã, será provavelmente a melhor, mais eficaz ( e mais barata ) aventura de baixo orçamento jamais filmada.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

https://universosesquecidos.wordpress.com/2017/10/20/mythica-the-iron-crown-mythica-4-the-iron-crown-john-lyde-2016-eua/

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ALIEN ABDUCTION

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Definitivamente um dos mais tensos, realísticos, intensos e assustadores filmes de suspense sobre alien abductions numa espécie de X-Files levado ao extremo impróprio para cardíacos e que só deverá ser visto noite dentro com headphones e som no máximo para melhor efeito. Outro título rodado sem dinheiro nenhum com resultados que envergonham qualquer mega produção de terror saída de Hollywood. É assim que se faz cinema de terror à volta do tema raptos por extra-terrrestres.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

https://universosesquecidos.wordpress.com/2017/01/28/alien-abduction-alien-abduction-matty-beckerman-2014-eua/

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LA ANTENA

Uma grande surpresa saída da Argentina que irá agradar a quem gosta de filmes como Dark City ou universos noir em ficção-científica.
Fascinante, divertido, extremamente original e com um visual único. Possivelmente o melhor filme que vi em 2017 mesmo !
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

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ROGUE WARRIOR ROBOT FIGHTER

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Uma verdadeira aventura Heavy Metal bootleg realizada pelo mesmo realizador do excelente “HUMANITY´S END” que podem encontrar neste website; desta vez numa space opera que poderia muito bem ter sido uma adaptação de qualquer banda desenhada daquela revista.
Uma protagonista perfeita, um estilo comics independente divertido e uma space-opera série B sem cérebro que vale a pena espreitar apesar de conter todos os defeitos inerentes ao cinema de Neil Johnson como seria inevitável.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

https://universosesquecidos.wordpress.com/2017/11/02/rogue-warrior-robot-fighter-rogue-warrior-robot-fighter-neil-johnson-2017-australia-eua/

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EXPLORER

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Uma boa surpresa vinda da Australia, numa aventura espacial que tem tanto de “CASTAWAY” como de “ROBINSON CRUSOE ON MARS” com uma pitada de “SOLARIS” e um toque visual de “RIDDICK” que resulta bastante bem.
Tem também um robot fabuloso e que merece lugar destaque entre os melhores personagens robot jamais criados para histórias de ficção-científica cinematográficas.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

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GRABBERS

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Quando monstros caiem do espaço invadindo uma pequena ilha isolada ao largo da Irlanda devorando toda a população que encontram pelo caminho e os seus poucos habitantes descobrem que os extraterrestres não podem ingerir alcool pois é como veneno para eles, a solução de sobrevivência da população de modo a evitarem serem todos comidos é toda a aldeia se fechar no único pub da ilha e beber até cairem para o lado ao mesmo tempo que combatem os invasores de outro planeta. O que não é fácil quando toda a aldeia está a cair de bêbada.
Uma das mais divertidas comédias scifi desde “PAUL” e uma produção Irlandesa com montes de personalidade, personagens carismáticos e excelentes monstros CGI.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

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VIRTUAL REVOLUTION

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Um genial plágio estético de BLADE RUNNER produzido e realizado em França onde não apenas o heroi parece estar a fazer de Harrison Ford a todo o instante como se copiam inclusivamente muitos dos enquadramentos mais famosos do filme de Ridley Scott.
Para lá disso, é um filme com uma boa ideia sobre universos virtuais que até expande de forma interessante o universo Blade Runner original embora nem sempre bem executados técnicamente devido ao low budget desta produção.
Noutras alturas o ambiente future-noir Francês que o filme consegue criar com um orçamento minusculo é absolutamente notável. Este filme brilha em tudo o que são sequências imitando “Blade Runner” e vale mesmo a pena espreitarem.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

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OPERATION AVALANCHE

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Um filme tão bom sobre a falsificação da Ida à Lua e com uma teoria tão genial que enganou a própria Nasa quando os criativos por detrás deste título conseguiram inclusivamente filmar dentro da própria agência espacial americana , entrevistando técnicos reais sem que ninguém lá dentro tivesse percebido que isto era sobre uma das melhores teorias de conspiração à volta deste tema que alguém já colocou na mesa de discussão. Um verdadeiro what if … movie.
Um found-footage como nenhum outro e momentos absolutamente surpreendentes e que os irá deixar a pensar no assunto mesmo que racionalmente não o queiram fazer.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

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MOONWALKERS

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Novamente um filme sobre a falsificação da Ida à Lua, desta vez uma produção independente Francesa em jeito de comédia negra totalmente imperdível.
Pessoal que se ofende facilmente abstenha-se, pois isto é uma genial mistura entre o estilo “SNATCH” ultra violento ( com montes de sangue ) e outra coisa qualquer que resulta numa das comédias de acção mais originais de sempre com um trio de protagonistas fabuloso e hilariante. Depois disto nunca mais irão olhar para Stanley Kubrik da mesma maneira.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

https://universosesquecidos.wordpress.com/2017/03/06/moonwalkers-moonwalkers-antoine-bardou-jacquet-2015-franca/

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DARK SKIES

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Um drama sobrenatural que poderia ser perfeitamente um remake de Poltergeist ( mas desta vez bem feito ). Troquem os espíritos por alienígenas-grey , coloquem tudo num suburbio tipicamente Spielberg, misturem com imenso material ovniologico bem investigado e têm aqui outro dos melhores filmes sobre alien-abductions que poderão encontrar no mercado.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

https://universosesquecidos.wordpress.com/2017/04/09/dark-skies-dark-skies-scott-stewart-2013-eua/

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EDEN LOG

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Para quem sempre quis ver uma banda desenhada Europeia Franco Belga do final dos anos 70 adaptada ao cinema embora com uma estética inevitavelmente moderna, este filme é imperdível.
Muito menos artístico ou abstracto do que possa parecer à primeira vista é no entanto boa ficção científica adulta que nos agarra do principio ao fim e nem o final previsível estraga toda a experiência de exploração quase interactiva que o filme consegue recriar. Vejam-no sozinhos e às escuras noite dentro.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

https://universosesquecidos.wordpress.com/2017/12/29/eden-log-eden-log-escape-from-darkness-franck-vestiel-2007-franca/

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COHERENCE

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Um série-B notável com uma estética muito simples, onde uma fantástica e muito bem orquestrada história sobre universos paralelos decorre essencialmente à volta de uma mesa de jantar com um grupo de actores e um texto excelente que os deixará a pensar durante dias, apesar do final poder ter sido mais trabalhado…
Um dos melhores e mais baratos scifi dos últimos anos na linha de “A MAN FROM EARTH” e que não devem perder.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

https://universosesquecidos.wordpress.com/2017/02/05/coherence-coherence-james-ward-byrkit-2013-eua-2/

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TRIANGLE

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Essencialmente um “COHERENCE” em modo de acção e suspense.
Outra grande surpresa vinda da Australia numa produção de baixo orçamento que os irá agarrar do principio ao fim. Montes de atmosfera e um dos melhores filmes sobre o Triângulo das Bermudas que já vi apesar da sua extrema simplicidade.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

https://universosesquecidos.wordpress.com/2017/02/01/triangle-triangle-christopher-smith-2009-australia/

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TROLL HUNTER

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Uma das premisas mais idiotas de sempre resultam num found-footage absolutamente inovador e extraordinariamente realístico com interpretações excelentes e monstros do melhor. Eu por mim estou convencido que a Noruega esconde um enorme segredo sim senhor.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

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THE WHISPERING STAR

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Estranho como o raio, secante a níveis que testarão a vossa paciência mas com uma estética e uma fotografia fantástica numa espécie de universo steampunk retro futurista muito simples e uma história tão suporífera quanto hipnótica ou intímista que se os conseguir agarrar fará com que não deixem de ver este filme do princípio ao fim mesmo que não queiram.
E depois terão ainda por cima, uma boa noite de sono garantida.
Até o realizador se chama “Sono“, o que não poderia ter sido mais indicado neste caso.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

https://universosesquecidos.wordpress.com/2017/10/13/the-whispering-star-hiso-hiso-boshi-sion-sono-2015-japao/

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ALREADY TOMORROW IN HONG KONG

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Uma das melhores histórias de amor saídas do cinema oriental nos últimos dez anos num filme onde na realidade nem se passa nada mas com personagens absolutamente cativantes e uma química romântica perfeita. Tão perfeita que os próprios actores casaram um com o outro depois deste filme ter sido rodado.
Consegue criar uma atmosfera contemporânea que relembra Blade Runner a todo o instante de forma fabulosa. Se gostaram do interlúdio romântico em Blade Runner este é um filme a não perder. É também uma espécie de “In the Mood For Love” contemporâneo mais divertido e menos dramático. Fascinante e imperdível.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

https://universosesquecidos.wordpress.com/2017/06/26/already-tomorrow-in-hong-kong-already-tomorrow-in-hong-kong-emily-ting-2015-hong-kong-china-eua/

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MUTANT CHRONICLES

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Uma produção inglesa em estilo steampunk muito baratinha com um visual do melhor, montes de ambientes; cenários e personagens divertidos e que vale a pena conhecer pois não há muitos filmes como este por aí e é pena.
Um verdadeiro blockbuster low budget com imensa qualidade apesar da história previsivel. Além disso como cinema de aventuras é mesmo do melhor e não merece continuar a passar tão despercebido.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

https://universosesquecidos.wordpress.com/2017/08/21/mutant-chronicles-as-cronicas-mutantes-simon-hunter-2008-inglaterra/

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MOON 44

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Um dos clássicos dos títulos scifi obscuros da altura do VHS numa produção totalmente alemã realizada por Roland Emmerich antes dele ter dado o salto para Hollywood.
Uma mistura de tudo e mais alguma coisa desde Aliens a Top-Gun que resulta graças a bons actores e visuais absolutamente fantásticos conseguidos com um orçamento muito limitado. A recente edição bluray é do melhor.
Leiam tudo sobre este filme clicando no link abaixo ou no poster acima.

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SOLARIS

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Um clássico do cinema-de-autor dentro da scifi Russa e um daqueles filmes que ou se odeia ou se adora e sobre o qual há muito para contar. É também um dos filmes mais secantes e parados que alguma vez poderão tentar ver se não estiverem preparados para o seu estilo “contemplativo” que tem na realidade uma razão de ser bem mais curiosa do que imaginam. Um dos meus scifi favoritos sabe-se lá como…
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SPACESTATION 76

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Uma espécie de comédia sem graça nenhuma que reproduz fielmente o espírito da scifi dos anos 70. Está aqui porque é um daqueles filmes absolutamente únicos e que ninguém que viveu durante os anos de “ESPAÇO 1999” ou “BUCK ROGERS” poderá deixar de ver pelo menos uma vez. Até porque é verdadeiramente hipnótico apesar de ser um vazio absoluto em termos dramáticos ou de comédia. Um titulo tão estranho quanto cativante por ser esquisito como o raio e ao mesmo tempo tão divertido quando não tem mesmo graça nenhuma.
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SAFE HAVEN

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Mais do que apenas uma love story. Com um final que não posso revelar e que embora não sendo intensamente original irá cair de surpresa em que estiver a curtir esta história de amor cheia de atmosfera e com uma boa componente de thriller.
Um dos filmes que me apetece estar sempre a rever. Simples mas verdadeiramente mágico e com dois protagonistas excelentes.
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DEFIANCE

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Surpreendente produção low budget televisiva Canadiana que inesperadamente foi a melhor série de TV que vi este ano.
Um universo muito divertido, personagens excelentes, um final impecável e montes de surpresas e twists com dois dos melhores vilões de sempre em qualquer história scifi.
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“HORIZONTE PERDIDO” (“LOST HORIZON”) Frank Capra (1937) EUA

O romance “THE LOST HORIZON” foi o primeiro livro editado em paperback no sentido comercial  moderno e foi um sucesso tão grande que ao inventr o mito de Xangri-lá como fê-lo com tal eficácia que até hoje muita gente ainda associa aquele nome mágico a um reino perdido algures nas montanhas do Tibet.

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Isto quando na verdade o nome “Xangri-lá” apenas saiu apenas da imaginação do escritor norte americano James Hilton no início dos anos 30 do século passado e nunca teve qualquer ligação cultural ao país que procurou retratar naquela história de ficção.
Ainda hoje é impossível ouvirmos o nome sem imaginarmos logo uma cidade perdida algures pelo meio das montanhas a norte da India e só por aqui podem ver o quanto o romance “LOST HORIZON” acabou por ser determinante na própria cultura popular ocidental, até mesmo junto de quem nem imagina que tudo isto partiu de uma simples história  de aventuras que já vai a caminho dos 100 anos.

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O que sucedeu com o livro de James Hilton foi um bocado semelhante áquilo que depois ocorreu com os famosos livros de “Lobsang Rampa” imensamente populares em Portugal nos anos 70 através da sua edição Brasileira e que muita gente tomou como sendo um verdadeiro relato escrito na primeira pessoa por alguém que teria vivido realmente tudo o que estava naquelas histórias, mas que na realidade tinham sido afinal igualmente escritas no meio dos Estados Unidos por um canalizador de profissão com imensa imaginação.

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Escritor fantasma esse que só foi descoberto anos mais tarde quando uma investigação privada que envolveu agências de detectives e tudo chegou até ao nome de Cyril Hoskins  após muita gente ter apontado que todas as referências que estariam naqueles livros supostamente escritos por um monge Tibetano não tinham um pingo de veracidade e portanto a obra apresentada como relato real não passaria então de uma fraude.
Foi preciso inclusivamente o próprio Dalai Lama comentar o caso afirmando que nada do que lá estava naquelas narrativas fantasistas tinha qualquer base histórica, cultural ou religiosa fidedigna para que muita gente começasse finalmente a acreditar que se calhar tinha sido enganada durante anos por um simples canalizador com muita imaginação e talento para a escrita.

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Basta lermos um par de livros de “Lobsang Rampa” para percebermos que Cyril Hoskins o seu verdadeiro autor teria certamente lido “THE LOST HORIZON pois nos seus relatos nem faltava sequer um toque de Xangri-lá claramente inspirado no mundo utópico presente no livro de Hilton.
Por volta de 1930 James Hilton foi o primeiro escritor a imaginar e a descrever aquele tipo de universo com o seu romance “THE LOST HORIZON” que neste caso sempre foi apresentado como sendo ficção; embora como eu já referi, muita gente depois tenha pensado que o escritor se teria baseado também numa verdadeira tradição pela forma como o conceito de “Xangri-lá” ganhou raízes na cultura popular ocidental.

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Portanto como bestseller que se preze naturalmente que Hollywood tinha que colocar também este livro no écran mesmo já naquela época e portanto muito antes de Tolkien ter escrito o seu The Lord of the Rings, [“THE LOST HORIZON”] o filme, terá sido a primeira história de Fantasia em moldes modernos apresentada no cinema com meios de produção que hoje seriam comparados aos de um blockbuster.

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Foi realizado pelo clássico Frank Capra mas curiosamente este é capaz de ser um dos seus filmes menos conhecidos ou comentados, pois embora tenha sido imensamente popular quando estreou, com a confusão que se seguiu nos anos da Segunda Guerra mundial, [“THE LOST HORIZON”] acabou por se perder irremediavelmente e hoje já não existem cópias integrais apresentando o filme como este terá sido estreado tantas décadas atrás; um pouco como acontece com “METROPOLIS” ou com “THINGS TO COME“, também aqui relativamente a este filme decorre ainda uma verdadeira caça ao tesouro na procura constante por novos segmentos que se sabe estarem em falta, tendo em conta o que está mencionado como tendo sido filmado nas anotações do script original e das pistas de som que sobreviveram.

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[“THE LOST HORIZON”] ao longo dos anos teve por isso uma quantidade enorme de versões diferentes com os mais diversos tamanhos e as mais diversas montagens onde cenas inteiras foram removidas, encurtadas ou mudadas de lugar com o filme a ser recortado e remontado para diversos fins. Nomeadamente foi até usado para propaganda militar para efeitos de recrutamento na Segunda Grande Guerra; (depois de Pearl Harbour ter sido bombardeado) e onde foram inseridos inúmeros segmentos referentes ao “perigo amarelo” em determinadas partes do filme pois este envolve uma boa quantidade de vilões de origem asiática propícios a esse tipo de manipulações.

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Embora no filme esses personagens fossem essencialmente chineses, passariam perfeitamente por Japoneses aos olhos do público americano que já nessa altura não fazia ideia do que estaria para lá das suas fronteiras continentais.
Por causa de tudo isto, chegamos até aos dias de hoje com uma versão que ronda os 126 minutos e onde segundo consta faltam ser recuperados ou descobertos num qualquer cofre de colecionador um par de sequências das quais actualmente só temos o audio e algumas fotografias isoladas tiradas durante a produção.
O que não impede [“THE LOST HORIZON”] de continuar a ser um título muito especial e com uma atmosfera particularmente curiosa.

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E por falar em curiosidades, se algumas sequências no início do filme lhes parecerem familiares em tudo o que envolve aquele espírito de aventura clássico ao redor das cenas com o avião, isto será porque tudo ali cheira a “Indiana Jones e o Templo Perdido” sim senhor. Spielberg nunca escondeu o quanto o cinema de Frank Capra influenciou o seu próprio estilo e [“THE LOST HORIZON”] será um dos exemplos mais perfeitos disso até porque mais ou menos no início da história quase que parece estarmos a acompanhar um filme de Spielberg filmado nos anos 30 ou um rascunho para o segundo filme de Indiana Jones, sendo isto uma das coisas que mais charme dá ainda a este verdadeiro clássico esquecido.

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O que eu mais gosto em [“THE LOST HORIZON”] é precisamente o início e o final da história até mesmo na versão mais actual; embora se saiba que a montagem original era diferente e muitas cenas do final estariam anteriormente no início com um prólogo e um epílogo diferentes entre outras pequenas particularidades.
No entanto como está [“THE LOST HORIZON”] funciona hoje em dia muito bem na primeira meia hora e nos últimos dez minutos. Isto porque é aí que está todo o espírito de aventura que o espectador espera de um título assim e onde somos transportados genuinamente por “horizontes longínquos” até às montanhas do Tibete, na sua versão “Los Angeles” por entre cidades perdidas, tempestades de neve e avalanches corridas a stock-footage.


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A parte do meio quando o grupo de heróis vive em Xangai-lá continua a ser o calcanhar de Aquiles desta produção e hão de reparar que é sempre aquilo que practicamente toda a gente refere como sendo a parte problemática desta aventura.
Até já na época o realizador e argumentistas se viram num dilema sobre como transformar a parte central do romance de James Hilton num filme que mantivesse algum suspense.  Isto porque o romance“THE LOST HORIZON” apesar do seu espírito de aventura num sentido em que nos transporta para um mundo perdido, não é de todo um livro de acção ou um thriller fácil de passar ao cinema. Toda a parte central da história situada em Xangri-lá apaga por completo todo o registo anterior e subitamente a história parece não ter nada para mostrar pois tudo no ecran nunca passa essencialmente de uma sucessão de momentos contemplativos e filosóficos onde nada de emocioante acontece.
Afinal nada de dramático ocorre numa cidade onde a paz é eterna e não existe nem fome, nem conflito nem dor à milhares de anos; apenas felicidade.

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Como consequência disso [“THE LOST HORIZON”] o filme, quando chega a meio parece que muda totalmente de registo. De filme de aventura com um intenso espírito a pré-Indiana Jones passa inevitávelmente a ser a costumeira história de amor pindérica entre o típico clone de “Clark Gable” e a habitual “ingénua” de serviço no “pior” estilo anos 30. E claro óbviamente que a história de amor nem sequer estava no livro e foi totalmente inventada pelos argumentistas de Hollywood.

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No romance não existe sequer a personagem feminina (até porque há por ali um sub-contexto homossexual na própria história original) e o heroi não tenta regressar para se econtrar com o seu amor mas sim porque quer voltar para aquele estilo de vida contemplativo bem longe da sociedade moderna.
Por causa disto o filme arrasta-se por intermináveis sequências que não fazem mais do que mostrar como Xangri-lá é belo e pacifico, onde se conversa muito (sobre aquilo que o ocidente imaginaria na altura serem as exóticas filosofias orientais) mas depois nada acontece durante mais de 45 minutos a meio “da aventura” que seja minimamente entusiasmante.

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Frank Capra reconheceu e tentou solucionar este problema na altura introduzindo algum conflito entre dois dos protagonistas; nomeadamente entre o herói e o seu irmão que têm pontos de vista diferentes sobre a utilidade de um reino onde nunca se passa nada e em certa medida consegue recuperar algum do fôlego inicial.
Depois de uns 45 minutos na parte central onde passeamos por extraordinários cenários em estilo Art-Deco, [“THE LOST HORIZON”] conduz-nos até um final mostrando o resultado desse confronto entre os dois personagens e a história arranca em grande para a sua conclusão. Uma conclusão onde voltamos a encontrar aquele espírito de cinema de aventura no seu melhor estilo ; (e que deveria ter estado sempre presente mas não esteve) concluído a história da melhor maneira.

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[“THE LOST HORIZON”] é por isso um filme estranho. Por um lado adapta bem o espírito do romance original mesmo não sendo uma adaptação literal do livro; por outro é isso que o encalha precisamente a meio, pois quando não se passa nada num reino onde só há felicidade, não há muito que dê continuidade à tensão e ao sentido de aventura com que o filme tinha aberto em grande estilo.
Imaginem que em “Indiana Jones & The Temple of Doom” quando os herois chegam ao palácio dos vilões não se passa nada por lá durante toda a parte central da história e no final eles regressam á cívilização enfrentando umas tempestades pelo caminho e pronto.

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É isso que acontece neste filme de Frank Capra no que toca às sequências que têm lugar em Xangri-lá. Ou seja, o filme supostamente é sobre a descoberta do reino perdido de Xangri-lá mas depois de ser encontrado só lá está para nos mostrar cenários e mais nada, sem possuir qualquer impacto dramático na narrativa que dê continuidade ao mesmo tom com que a aventura se iniciou pois James Hilton parece ter sido incapaz de dar vida ao universo que criou até mesmo já no romance e esse vazio dramático sente-se bastante na transposição para cinema. Apesar de tudo como muita gente refere [“THE LOST HORIZON”] acaba por ser um daqueles casos em que o filme é na verdade um melhoramento do livro o que já não é mau.

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Agora o visual da cidade perdida é que continua a ser bastante estranho. Os cenários de Xangri-lá apesar de serem absolutamente clássicos, com um estilo épico fantástico e uma atmosfera única na verdade parecem até deslocados do resto da aventura; apenas porque não têm absolutamente nada a ver com o que quer que seja saído de um Tibet verdadeiro em termos de estética e parecem tão modernos que teriam ficado melhor como uma cidade futurista no fabuloso “THINGS TO COME” da mesma altura.
Nunca por um momento conseguimos sentir que aquela cidade perdida estará realmente no reino do Tibet, o que para um filme que pretende transportar-nos para um mundo sólido e real não será propriamente uma mais valia.  Actualmente, até mais do que antigamente por vezes retira-nos por completo de dentro daquela fantasia em muitos instantes.

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Por outro lado, o filme está carregado de imagens excelentes onde não faltam alguns matte-paintings do melhor e contém um óptimo trabalho com miniaturas; a fotografia é muito boa, os ambientes são muito variados e com pilhas de atmosfera especialmente antes e depois de sairmos de Xangri-lá e no final tudo acaba por funcionar de uma maneira estranha. [“THE LOST HORIZON”] no fundo, se calhar não deveria ser tão bom quanto continua a ser.
Mas é.

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CLASSIFICAÇÃO

Se vocês gostam de cinema de ficção-científica bem antigo, se adoraram o excelente “THINGS TO COME” por exemplo, têm em [“THE LOST HORIZON”] mais um título a espreitar se nunca o viram.
O início e o final são muito divertidos; carregados de atmosfera por vezes estranhamente “Spielberguiana” como a prever o que iríamos ver em Indiana Jones muitas décadas mais tarde.

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Se Xangri-lá tivesse sido executada de outra maneira se calhar este teria sido um filme de Fantasia antigo absolutamente perfeito.
Assim como está é no entanto uma curiosidade que se recomenda vivamente, até porque não há muitos assim.

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Não será um filme indispensável até mesmo dentro dos clássicos deste género, mas é um daqueles títulos que vale mesmo a pena ser visto pelo menos uma vez.
Além disso este [“THE LOST HORIZON”] de 1937  é um bilião de vezes melhor do que a segunda versão em estilo musical que foi filmada em 1973 e que será possívelmente o “clássico” mais piroso de todos os tempos num estilo que é de ver para crer (com saco de vómito ao lado).

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A favor: o sentido de aventura no início e no fim, tem uma óptima atmosfera em certos momentos, personagens cativantes e bem definidos dentro do estereotipo daquela época, boa fotografia, óptimos matte-paintings e miniaturas.

Contra: Xangri-lá em termos de design é fantástico mas não se encaixa de todo no filme pois parece tudo menos uma cidade perdida algures no Tibet, todas as cenas passadas no reino perdido são absolutamente um desperdício dramático pois não se passa nada de relevante ou emocionante na aventura durante mais de 45 minutos a meio do filme.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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TRAILER 2

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COMPRAR DVD
Actualmente ainda poderão encontrar a excelente edição em DVD que existe em Portugal e que está carregada de extras, cada um melhor que o outro e onde se conta toda a história desta produção.
Se encontrarem esta edição recomendo vivamente.

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Em alternativa podem encontrar o filme aqui neste Torrent ( activo 16-03-2017).

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RADIO NOVELA de 1941


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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0029162

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