“Fahrenheit 451” (“Fahrenheit 451”) Ramin Bahrani (2018) USA

Isto sou só eu, ou esta merda da “inclusão” já começa a tornar-se rídicula ?!
É que esta –moda politicamente correcta– inventada pelos americanos, é levada actualmente tão ao extremo que acaba por ser distractiva retirando-nos por completo de dentro de um universo de um filme por ser tão ÓBVIA !

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Mais rídiculo ainda é quando precisamente um filme como [“Fahrenheit 451“] que pretende criticar a manipulação do povo pelos media é o primeiro a ser produzido com base numa pressão social americana inventada e tornada importante pelos mesmos media que esta história pretende apontar como manipuladores. Isto há cada uma…

FLORZINHAS DE ESTUFA

Esta treta da – inclusão/inclusividade(?)– norte americana é tão estúpida e forçada que agora todas as produções de Hollywood mais parecem um catálogo de ADN mundial onde não se pode deixar nenhuma raça ou grupo étnico de fora, correndo o risco de depois algum grupo de imbecis online vir acusar o filme de racista ou descriminatório clamando por boicote.
É que já não bastava os Star Wars modernos parecerem uma assembleia das Nações Unidas em tom forçado absolutamente rídiculo onde é preciso representar todas as raças para não ofender as florzinhas de estufa da internet; como até Doctor Sleep ( a sequela de Shinning ) está absolutamente infestada por diversidade tão diversa que simplesmente se torna insuportável a um ponto tal que quase arruinou o filme.
E facto desta treta da -inclusividade- ser tão obvia aqui que faz com que fiquemos logo à partida de pé atrás em relação a [“Fahrenheit 451“].

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Eu não sei se terá sido por isto que agora esta versão de [“Fahrenheit 451“] conta com um protagonista negro de propósito porque não conheço o contexto do casting, mas… a julgar pela coleção de etnias visivel por toda a parte nesta versão também eu tenho a certeza que num contexto livre destas pressões rídiculas por parte de grupos sociais gringos este filme teria sido muito diferente.
Não me admirava nada que alguém algures se tivesse pelo menos sentido pressionado a evitar colocar mais um actor caucasiano neste excelente filme de ficção-científica ( mesmo que fosse a escolha certa não duvido ).
Muito menos depois do sucesso de Black Panther nas bilheteiras e por isso aposto que este protagonista estará aqui por puro design e aconselhamento de uma qualquer agencia de marketing.

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Se o contexto social moderno, fosse diferente eu ainda acreditaria que um actor aqui teria sido escolhido apenas pela sua qualidade ( e nada contra este actor pois é excelente ) mas no ambiente inclusivo esquizofrénico em Hollywood duvido que a sua escolha não tenha sido por questões de puro marketing politicamente correcto também para cavalgar a onda do Black Panther.

PHILIP K.DICK ON FIRE

E sim, eu disse excelente filme de ficção científica.
[“Fahrenheit 451“] é “Fahrenheit 451” se ele tivesse sido escrito por Philip K. Dick em vez de ter sido escrito por Ray Bradbury.
E é fascinante por isso mesmo. Uma modernização deste livro para cinema precisava de um estilo intemporal e por isso nada melhor do que um toque Philip K.Dick para o trazer para o nosso tempo.
Antes de ver isto e a julgar pelas reviews espalhadas por todo o lado eu estava plenamente convencido que ia ver algo verdadeiramente atroz. Até porque eu adoro o livro original e o filme de Truffaut marcou-me quando o vi pela primeira vez em puto.
Desta vez, eu sinceramente não entendo os ataques a este título pelos puristas do romance.
Até reli o livro ontem depois de ver o filme e simplesmente não entendo porque tanta gente insiste em que esta modernização de [“Fahrenheit 451“] é um insulto à obra.

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É diferente ? É sim senhor ? Deixa coisas de fora, muda coisas, simplifica coisas, mete porrada quando devia ser político e filosófico ou até mesmo contemplativo ? Concordo com tudo.
Mas sinceramente, deixem-se de merdas.
Para minha grande surpresa, [“Fahrenheit 451“] é acima de tudo um bom filme de ficção científica mainstream saído de Hollywood e só por esse facto este título devia ser elogiado.

BIG BROTHER IS WATCHING YOU – Façam LIKE !

[“Fahrenheit 451“] não parece um blockbuster, é particularmente contido até e mesmo nos momentos em que poderia ter enveredado por um estilo Michael Bay com resultados semelhantes aquela atrocidade conhecido como “THE ISLAND” nunca entra por esse caminho. Também não parece um videoclip o que é quase inacreditável pois esta história prestava-se mesmo a uma montagem toda estilosa se o realizador tivesse querido entrar por esse mercado.

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Eu não estava mesmo nada à espera de gostar tanto disto. Não fosse a idiotice da – inclusão – nos entrar pelos olhos a cada cinco minutos e [“Fahrenheit 451“] teria sido quase único.
A forma como moderniza todo o contexto adaptando-o à era dos “likes” e das redes sociais, a justificação pelo qual o estado Fascista existe e ninguém se dá conta de que vive num, a forma como crítica e aponta muito daquilo que já é a nossa sociedade em que toda a gente parece só ter vida quando online e onde os rumores são noticias factuais quando devidamente repetidas sem cessar é um dos pontos fortes deste argumento.

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Aliás, acho que o último filme com um argumento destes foi o igualmente excelente “THE CIRCLE” de que ainda tenho que falar aqui e que … curiosamente foi atacado por toda a gente ( em particular pelos millenials indignados ) precisamente com muitos dos mesmos argumentos pelos quais se ataca agora [“Fahrenheit 451“] nesta sua nova versão. Parece que a malta não gosta muito de se ver ao espelho e como tal prefere gritar a plenos pulmões que este não deveria sequer existir. O que mais uma vez não deixa de ser irónico tendo em conta que estamos a falar de uma história em que as ideias próprias são o maior perigo para o sistema e o que vigora é a mentalidade de grupo.

QUEIMEM ESTE FILME ! (?)

[“Fahrenheit 451“] é uma má versão do livro original ?
Bem… o mundo está diferente e teria sido absolutamente redundante que o livro tivesse sido agora adaptado no contexto do mundo para o qual foi escrito originalmente, por isso sim e não.

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A prova de que foi a escolha certa na adaptação está precisamente no facto de tanta gente atacar o filme por causa daquilo que apresenta como espelho do nosso mundo actual e como previsão daquilo em que já nos estamos todos a tornar. Basta olhar para o puritanismo americano e para o politicamente correcto que se espalha através de Hollywood como um virus actualmente e não estaremos muito longe de começarmos também a decidir quais os livros que são os — certos — e os — errados — , até porque isto já acontece em muitos sitios e claro em particular nos EUA, não fossem estas idiotices sociais parecerem todas ser originadas lá actualmente; ( tal como uma cliente minha já me disse que aquilo a que eu acho piada ( nomeadamente memes sobre o Trump ) não é para rir porque isso é um – tipo de humor errado – que devia ser auto-suprimido por todas as pessoas que têm bom senso e sabem a diferença entre o – certo – e o – errado).
E com isto fecho este parágrafo. Por isso não me venham dizer que a modernização total do romance não foi a escolha acertada por que foi. O livro, está mal adaptado? Está. Foi a adaptação certa ? Completamente !

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Portanto, se forem tão puristas quanto os especialistas de literatura que insistem em trucidar esta nova versão então é melhor não verem [“Fahrenheit 451“] . Leiam o livro e continuem mergulhados em contextos culturais que já nem existem. E de qualquer forma o livro ainda não foi queimado por isso em vez de perderem tempo a atacar este novo filme sempre o podem ler novamente, tal como eu acabei de o fazer para agora recomendar esta nova versão sem problemas e de consciência tranquila.

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Amigos que gostem de ficção-científica passada em futuros distópicos, ignorem as más reviews sobre [“Fahrenheit 451“].
Eu fiquei agarrado a esta história do primeiro ao último minuto e já há pouca scifi saída dos EUA capaz de fazer com que eu nem me apeteça sair de frente do ecran para ir beber agua sequer.
Além disso , [“Fahrenheit 451“] é scifi para adultos, o que tendo em conta costuma sair de Hollywood actualmente é mais outro ponto positivo.

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O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Se alguém ainda precisar de saber sobre o que isto é, [“Fahrenheit 451“] mostra-nos um futuro fascista repressivo ( embora toda a gente pense que é livre ) onde os bombeiros são herois nacionais, não porque apagam fogos mas porque queimam livros em nome do Estado pois os livros são considerados instrumentos perigosos visto que estimulam o pensamento individual contrariando a mentalidade colectiva implementada pelo governo de forma a controlar o rebanho em geral e onde as pessoas também denunciam os amigos para ganharem “likes” e fama nas redes sociais; “Stay Vivid”.

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O design do filme é absolutamente fabuloso na forma como tudo parece ser tão simples e óbvio. Aquela vibe Blade Runner 2049 mas num tom bem mais cru tendo em conta o que conhecemos do nosso próprio tempo é notável na forma como faz parecer o mundo de [“Fahrenheit 451“] assustadoramente próximo e real.
Desde a obsessão pelos reality shows, pelos “likes”, pela comunicação através de “emojis”, até ao pormenor de coisas como a já popular ( e perturbante ) Yuxie ( as nossas “Siri” e “Alexas” caseiras ) instalada nos nossos computadores ( que não tarda muito irá começar a ser usada como no universo desta história ) , tudo contribui para tornar [“Fahrenheit 451“] num dos scifi com ambiente mais real dos últimos tempos ao mesmo que nos mostra um futuro tecnológico fascinante. Até porque já estamos a entrar nele e por isso é tão fácil mergulharmos no universo do filme.

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Os personagens centrais são excelentes, não são unidimensionais, têm um bom arco narrativo e tudo evolui de forma tão orgânica como é descrito inclusivamente no livro.
O vilão é impecável, a miúda parece uma pessoa real e o heroi poderia ser qualquer pessoa.

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CLASSIFICAÇÃO

Meus amigos, [“Fahrenheit 451“] não é o filme merdoso que todos no IMDb apontam ser. Pode não adaptar o livro na perfeição mas a verdade é que todos os seu pontos fortes em termos de arco de história estão lá e não foram alterados, por isso deixem-se de tretas intelectualoides e apreciem o filme pelo que ele dá , pelo seu comentário profundamente actual e por nos mostrar aquilo que vai ser o nosso futuro se o politicamente correcto infantil emanado dos EUA continuar a contaminar a sociedade ao ponto de um dia nem eu poder escrever textos como este sem ter um YUXIE (“Siri”/”Alexa”) também a censurar todos os meus parágrafos.
Portanto, até pela minha grande surpresa pois não esperava ter gostado tanto dele:

Cinco Planetas Saturno

   

Não leva um Gold Award porque, ok não é uma adaptação directa do livro ( não precisa de ser ) e por causa deste feeling de inclusivity que é simplesmente nojento onde quer que esteja sempre plantado à força agora em tudo o que é Hollywood.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0360556

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“THE BEYOND” (“THE BEYOND”) Hasraf Dulull (2017) Inglaterra

Mais um dia, mais um filme de ficção-científica extraordinário, daqueles com classificação miserável no IMDb.
[“THE BEYOND“] é fantástico.

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Curiosamente eu quando o vi pela primeira vez numa das inúmeras cópias pirata que circulam pela internet, também não lhe achei piada nenhuma. E sinceramente ainda hoje me estou a perguntar sobre o porquê daquela minha primeira reacção.
É que [“THE BEYOND“] é mesmo muito bom, muito bem feito, muito bem filmado , com uma atmosfera a puxar para o “INTERSTELLAR” em versão low budget e ainda por cima parte de vários conceitos que por si só podiam dar origem a vários filmes diferentes mas no entanto consegue levar a bom porto todas as ramificações para nos dar um daqueles finais em que ficamos com vontade de continuar a ver mais.

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A sensação com que se fica é que [“THE BEYOND“] bem que poderia também ser desenvolvido para uma série de TV, pois têm aqui um excelente ponto de partida e daria uma excelente série de ficção-cientítica naqueles moldes mais sérios como “INTERSTELLAR” e “ARRIVAL“.
No entanto é mesmo verdade que eu detestei isto quando o vi pela primeira vez e quase que não consegui chegar ao fim.
Talvez porque na altura estava mesmo completamente farto deste estilo de cinema de baixo-orçamento – Found-Footage – e como tal entrei logo nisto como se estivesse a fazer um enorme frete , o que fez com que não tivesse prestado grande atenção ao que via.

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Na verdade, não sei o que aconteceu e não faço mesmo a mais pequena ideia da razão porque detestei [“THE BEYOND“] inicialmente.
Pelas reviews que estão no IMDb e espalhadas em comentários pelo Youtube se calhar o que aconteceu com muita gente que só deu mesmo uma única oportunidade a isto terá sido o que me aconteceu a mim inicialmente também…
Vi-o agora em Bluray, pois incrivelmente , eu acabei por o comprar no Natal passado.
Tenho por tradição comprar um monte de cinema scifi independente e de baixo orçamento no Natal e [“THE BEYOND“] veio parar ao meu cesto de compras na amazon Alemã porque essencialmente estava em promoção na altura e nem custava 5€uros sequer.
Bendita promoção. Neste momento por acaso, o filme já se encontra esgotado em todas as amazon, excepto na amazon.com ( mas bloqueado à região A norte americana )… Pode ser que o reeditem por cá em breve.

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BEYOND QUALQUER CÓPIA PIRATA

Da segunda fez que vi [“THE BEYOND“] , já em Bluray e não na minha antiga cópia pirata adorei. Não consegui descolar do filme do primeiro ao último minuto e quando acabou ainda fiquei com vontade de ver mais.
Só uma nota para aquele pessoal que acha que não vale a pena comprar os filmes de que gostamos em Bluray para guardar quando podemos sacar cópias de bluray-rip a 1080p…trust me, não é a mesma coisa e eu tive a prova. Ver [“THE BEYOND“] em Bluray dá-lhe uma vida completamente nova, pois digam o que disserem mas aquele bocadinho de definição extra que só se encontra num produto original faz toda a diferença. Especialmente num filme carregado de pormenores visuais que ganham vida nova quando apresentados no melhor da alta definição e não apenas num rip-pirata sacado na internet.

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A qualidade de imagem é excelente, a própria fotografia do filme é mesmo muito boa e o som é do melhor. Vejam-no com headphones como eu o vi agora ; ( se calhar é esse o truque para começar a curtir este título , pois [“THE BEYOND“] é mesmo um daqueles filmes cujo a atmosfera scifi para ficar completa depende mesmo muito da combinação som/imagem e a parte do som foi também o que faltou em qualidade quando o vi na minha cópia sacada de um torrent antes.

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[“THE BEYOND“] é pura ficção-científica. E mais uma vez, volto a dizer se calhar não será coincidência estarmos de novo na presença de mais outro título do cinema Europeu e não de mais outro blockbuster de Hollywood. Algo que parece ter contribuído também para muitos dos comentários do público no IMDb, pois se calhar muita gente esperava uma espécie de Transformers ou algo assim visto que [“THE BEYOND“] também envolve “robots” gigantes – “tripulados” – por seres humanos… mas não da maneira que muita gente se calhar estava à espera.

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THE INTERSTELLAR ARRIVAL

Quando uma estranha anómalia no espaço é detectada, a ciência conclui que estaremos na presença de um primeiro contacto com uma civilização extra-terrestre, isto porque na mesma altura aparecem nos céus de todo o mundo uma verdadeira invasão de objectos que aparentam estar apenas ali; à espera. Quem são ? Porque vieram ?
Com isto entramos em território familiar já explorado em “ARRIVAL“. Se são o tipo de público que gostou desse excelente filme de ficção-científica então irão adorar [“THE BEYOND“].

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Para que a humanidade consiga viajar através desse – worm hole – ou provável – stargate – e obter respostas àquilo que parece ser um convite, a única forma é se os primeiros voluntários se submeterem a um processo que mistura o corpo humano com tecnologia, sabendo de antemão que nunca mais poderão voltar a ser humanos mas que ao mesmo tempo se tornarão quase super-herois em termos do poder que poderão alcançar. É essa a única forma do ser humano conseguir sobreviver à viagem e como tal logo muitos voluntários começam a surgir com o propósito de se tornarem no primeiro ser humano a entrar em contacto com uma raça extra-terrestre. E aqui passamos à parte que se assemelha a “INTERSTELLAR” mas numa versão cyborg.
Portanto, se gostaram de ARRIVAL e acham que ficaria bem com uma pitada de “INTERSTELLAR” , não hesitem em espreitar este pequeno grande filme que conta com pouco mais de 80 minutos mas também parece muito maior no melhor dos sentidos.

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THE NEWS

Como já referi, [“THE BEYOND“] não é um filme “normal”. Imaginem um documentário e é isto que irão ver neste filme pois não está filmado com uma narrativa clássica tradicional mas sim como se estivessemos mesmo a ver imagens recolhidas no local, clips de arquivo, etc. Talvez tenha sido por isto que não me cativou da primeira vez e tanta gente também ataque o filme online.
[“THE BEYOND“] é essencialmente um falso documentário e é assim que têm que partir para ele. Esqueçam todas as convenções de cinéfilia, deixem-se levar por este falso universo e garanto-vos que ficarão agarrados.

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THE FINAL FRONTIER

[“THE BEYOND“] é sobre isto, a fronteira final. Não apenas no que toca ao que nos espera no universo mas também sobre aquilo em que a humanidade se precisa tornar para que um dia consiga mesmo viajar no espaço, isto porque o facto de vivermos e estarmos biológicamente adaptados apenas a este planeta é no fundo aquilo que impede que exploremos mais longe e torne tão dificil a humanidade abandonar o seu berço neste sistema solar.
O filme explora imensas questões, vocês vão ficando a gostar dos “personagens” e depois ainda que brevemente ainda evolui para um daqueles títulos de ficção científica que são ideais para todos aqueles que procuram histórias sobre exploração e primeiros contactos.

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O design do filme é fantástico a todos os níveis, os sets ou localizções reais são perfeitas e os efeitos especiais são surpreendentemente bons e perfeitamente capazes de so fazer esquecer que estão a ver um filme independente Europeu Inglés e não um blockbuster Norte Americano.
Leva logo também pontos adicionais pelo seu final. Embora muito breve para grande pena minha ( pois queria mesmo saber mais sobre o que poderá acontecer a seguir ) , a verdade é que pelo menos no caso de [“THE BEYOND“] , o espectador pode ficar descansado. [“THE BEYOND“] não é outro daqueles títulos “found-footage” que leva o tempo todo a criar mistério com coisa nenhuma e depois chega ao fim e deixa-nos pendurados com fins inconclusivos.

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[“THE BEYOND“] tem um óptimo final aberto. Responde a tudo o que constroi em termos de suspense e mistério ao longo da sua narrativa de falso documentário e só fica incompleto em termos de história porque como disse, isto seria na boa o início de uma série de televisão scifi com muito boas ideias e com muito para desenvolver a partir daqui. Não me admirava nada que um destes dias ainda aparecesse algo baseado neste filme.

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CLASSIFICAÇÃO

Dêem uma oportunidade a [“THE BEYOND“]. Se calhar… dêem uma segunda oportunidade até. Entrem nisto logo à espera de ver algo num estilo documentário e não esperem “um filme”. Se o fizerem e partirem para [“THE BEYOND“] apenas procurando por uma boa história de ficção-científica sobre exploração espacial e primeiro contacto com extraterrestres não tenho dúvidas de que irão gostar mesmo muito disto tal qual eu gosto deste filme agora. Aliás , este é um daqueles títulos que insiste em não me sair da cabeça. Se calhar porque há actualmente tão pouca ficção-científica saída de Hollywood digna desse nome que o facto desta estar cada vez mais a ser produzida independentemente na Europa ainda torna todos estes títulos mais fascinantes.
[“THE BEYOND“] é certamente um deles.

Cinco Planetas Saturno

   

Não ganha um Gold Award… porque apesar de tudo, cinemáticamente falando, isto é um documentário e não é  própriamente “um filme”. O – found footage – embora bem usado acaba por remeter este scifi para um nicho que o limita um bocado enquanto obra para cinema.

A favor: a história, o conceito, o mistério do que está para lá do portal, o design, o som, a fotografia, as interpretações, a realização, o final da história. Deixa-nos com vontade de saber mais.

Contra: o estilo found-footage limita-o bastante naquilo que poderia ter sido embora se compreenda que este tenha sido o formato certo até para se poupar algum dinheiro na produção certamente. Deixa-nos com vontade de saber mais.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt5723416/

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“ARES” (“ARES”) Jean-Patrick Benes (2016) FRANÇA

[“ARES“] é um dos melhores filmes independentes de ficção-científica Europeia que eu vi no ano passado e outro bom exemplo de um filme que, até final do ano eu nem fazia a mínima ideia de que existia.
O que só demonstra que pelo visto boa ficção científica Europeia é coisa que não falta, apesar de nem nós próprios na Europa ficamos a saber que é produzida; afinal isto é cinema Francês de baixo orçamento e não um blockbuster de Hollywood.
Depois ainda há quem critique a existência da pirataria online (?!). Não fosse a pirataria e eu nem teria depois comprado [“ARES“] em Bluray. E olhem que eu gostei tanto disto que comprei o filme sem legendas de espécie alguma. O que também ajudou a praticar o meu Francês. E sim, o filme é do caraças !

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Num futuro, (quer me parecer) muito próximo, a velha ordem mundial já era, o planeta está poluído até ao limite e com população a mais, o mundo está num caos económico, doenças por todo o lado e a França conta com mais de 15 milhões de pobres e/ou desempregados sem qualquer perspectiva de futuro.
Todos os desportos foram banidos, excepto um extremamente violento ( controlado pelo Estado ) que é transmitido a toda a nação e que serve como escape à população para que esta possa descarregar toda a sua frustração no visionamento desses combates e não contra um governo que nada faz para melhorar as suas vidas.

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Um Estado também totalmente dominado pelas farmacéuticas.
São elas que controlam os jogos de gladiadores na TV, o que na práctica significa que a segurança do país está nas suas mãos também manipulando tudo ao sabor dos seus jogos de poder. Essas mesmas empresas fazem agora milhões com o dopping que agora é legal num mundo onde os desportistas são usados como cobaias para testarem a melhor droga do mercado que irá tornar o representante de cada uma das facções no melhor lutador de França e gerar muitos milhões em patrocinios de qualquer uma das empresas corruptas que gravitam nos estratos milionários acima da população comum.
Bem vindos ao mundo de [“ARES“].

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O jogo está dividido entre lutadores “do Estado” normalmente representados por membros da polícia e representantes da população em combates por vezes até à morte, o que é do melhor que pode acontecer para aumentar as audiências televisivas.
[“ARES“] conta a história de um desses lutadores.

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Um representante da polícia que entre reprimir violentamente manisfestações nas ruas durante o dia e lutar nos combates durante a noite lá vai sobrevivendo numa Paris que mais parece um esgoto a céu aberto e não passa na verdade de um enorme bairro de lata.
Com duas filhas para manter seguras, entre os quais uma muito pequena, um dia o agente recebe de uma das mais importantes farmacéuticas uma oferta que não pode recusar e claro a partir daqui a história segue para algo que óbviamente não irei contar, até porque já falei demais.

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BLOODSPORT

Tenho que confessar que só comprei [“ARES“] porque o vi mesmo primeiro numa cópia pirata. Isto porque o trailer não me tinha convencido muito e é pena que não passe a melhor ideia do filme na minha opinião, pois muita gente ao vê-lo irá certamente pensar que [“ARES“] será uma espécie de filme de porrada do Van-Damme naquela onda 80s que inundava os clubes de video do antigamente.
Não é.

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Acreditem-me, [“ARES“] não é um “BLOODSPORT”. Parece, mas não é.
[“ARES“] tem muito mais a ver com “BLADE RUNNER” e até mesmo “BLADE RUNNER 2049” do que pode parecer à primeira vista.
Por ser cinema Francês tem também aquele sabor a banda desenhada de Enki Bilal e visualmente até por vezes remete para “IMMORTEL” realizado pelo autor de BD Europeu há anos atrás.
Mas [“ARES“] é também bem mais do que isso.

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Não apenas é um bom título de ficção-científica distópica numa onda “WHAT HAPPENED TO MONDAY” como também tem certas semelhanças com aquele outro filme no estilo -Blader Runner- que saiu há um par de anos também, ( curiosamente igualmente do cinema de baixo orçamento Francês ); o mesmo, muito, muito interessante “VIRTUAL REVOLUTION” que tem uma base semelhante embora mais virada para o mundo dos video-jogos MMORPG.
[“ARES“] é mais cru e talvez por isso mais realístico (?); [“ARES“] é também muito violento e não tem problemas em ser politicamente incorrecto quando o que mostra serve para construir aquele futuro que se calhar não está tão distante assim.

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[“ARES“] apesar de não parecer, é bem mais do que um filme de Van Damme em onda futurista, mas isso não quer dizer que as cenas de combate não vão agradar a quem só procura um filme de porrada também. São muito bem filmadas, bem coreografadas e nem sei como ninguém morreu a filmar isto. Toda a ilusão de extrema violência está muito bem apresentada e portanto isto não é um daqueles filmes fofinhos ou com aquelas montagens politicamente correctas em estilo video clip que se vê nos filmes de Hollywood para agradar à família inteira. Querem ver porrada “realística” com baldes de sangue e muitos narizes e ossos partidos , também a irão encontrar aqui.

UM FILME FAMILIAR

A violência é excelente, a atmosfera repressiva é do melhor e até os efeitos e matte-paintings são impecáveis ( melhores do que aparentam no trailer ).
Visualmente o filme está muito bem produzido, desde o set-design até às panorâmicas do mundo exterior onde a Torre Eifel foi transformada no centro dos bairros da lata tudo em [“ARES“] resulta em pleno.

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Mas a grande força de [“ARES“] nem sequer está aí mas sim nos personagens. O conceito é óptimo, a história é muito boa mas o centro de tudo são os personagens.
Não quero revelar muito mas o que humaniza toda esta aventura sci-fi bem negra é o núcleo “familiar” que centraliza toda os motivos da acção.
O filme pode ser pequeno e não ter mais que 80 minutos mas não precisava de ser maior pois este é outro daqueles que nos parece muito mais longo pelos melhores motivos.

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[“ARES“] tem muita textura, muito detalhe, muita vida e cria uma excelente empatia com o espectador pois ficamos a gostar muito dos “herois” da história e ficamos agarrados ao seu destino e àquela “família” até ao último minuto.
E olhem que eu vi tudo isto em Francês sem legendas absolutamente nenhumas.
Agora também o meu Bluray de edição Alemã ( excelente som e imagem ) , não as tem.
Havia mais para contar, mas como habitualmente terão de procurar pelo filme pois este é outro daqueles títulos de ficção-científica made-in-Europe que valem mesmo a pena.
Mais um para juntarem a “ANIARA” , “CARGO“, etc.
Não percam.

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CLASSIFICAÇÃO

[“ARES“] é outra daquelas surpresas dentro da scifi mais recente que me apareceram pela frente nos últimos tempos. O facto de ser mais um título Europeu só demonstra que pelo menos por cá a ficção-cinentífica adulta está de boa saúde e recomenda-se.
E este recomenda-se mesmo muito.

Cinco Planetas Saturno

   

Só não ganha um Gold Award… porque por vezes parece demasiado concentrado com tanta coisa a precisar de acontecer para caber em 80 minutos. Mas tirando isso, é um excelente filme mesmo.

A favor: o ambiente do futuro distópico está do melhor, os personagens e interpretações são impecáveis, a história é muito interessante embora não muito complexa, é ultra violento nos combates, excelente set-design, bons efeitos, é mais um óptimo filme Europeu scifi.

Contra: este é o tipo de filme que se tivesse tido um orçamento à Hollywood se calhar poderia ter expandido bem melhor todo este universo. Embora neste caso isto nem seja negativo porque o que faz está mesmo fantástico.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt4216902/

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