“UNDERWATER” (“UNDERWATER”) William Eubank (2020) EUA

[“UNDERWATER“] filmado em 2017 mas lançado apenas em 2020 surpreendeu-me pela positiva quando eu esperava mesmo algo muito mau; talvez por ter partido para isto sem qualquer expectactiva apesar de eu adorar aventuras submarinas e já ir preparado para ver o tipo de filme que acabei naturalmente por encontrar.
E até ontem eu nem sabia que este filme existia, o que hoje já é coisa rara de acontecer no que toca a cinema pipoca blockbástico como este.
Curti.

UNDERWATER 18

Não deixa de ser fascinante constantar a carga de porrada que [“UNDERWATER“] está a levar em todas as reviews por ser apenas mais um Alien, quando em 1987 aquele que é para mim um dos melhores sci-fi de todos os tempos “THE ABYSS” foi atacado pela crítica e público ao ter decepcionado “toda a gente” porque afinal, o filme de James Cameron não era um “Aliens” debaixo de água como toda a gente pensava que ia ser.

UNDERWATER 01 UNDERWATER 28

Depreendo portanto que se [“UNDERWATER“] tivesse saído em 1987 teria sido um clássico de terror subaquático instantaneo pois este filme agora dá ao espectador exactamente o tipo de filme que as pessoas queriam ter visto em “THE ABYSS” ( e já agora em “SPHERE” também ) trinta e tal anos atrás.
Ora pois, bem trinta anos depois [“UNDERWATER“] é tudo aquilo que o povo e crítica queriam ter visto em “THE ABYSS” mas agora parece que é por isso mesmo que está a ser atacado por todo o lado como se este tipo de cinema existisse para ser comparado com o “Lawrence da Arábia” em termos de qualidade cinéfila ou algo assim.
[“UNDERWATER“] é um monster movie.
Nada mais, nada menos.
E resulta mesmo muito bem meus amigos, precisamente porque nem tenta disfarçar o facto de ser essencialmente Alien no fundo do oceano e não se preocupar nada com isso.

UNDERWATER 03 UNDERWATER 21

Não irá ficar na vossa memória, daqui a um mês já nem se lembram do que viram, mas há que dizer que enquanto dura é absolutamente eficaz, divertido, consegue fazer-nos importar com alguns dos personagens, até a moçoila do Twilight está óptima.
O design é mesmo muito bom com um concept art muito envolvente, cheio de referências a montes de coisas e os efeitos especiais são tão bons que as pessoas nem notam que o filme foi filmado totalmente a seco e tudo o que nos parece ser água nas sequências subaquáticas são animações de particulas CGI colocadas em pós-produção.

UNDERWATER 24 UNDERWATER 15

Há muito trabalho técnico invisivel de qualidade em [“UNDERWATER“] e portanto se há um aspecto onde o filme brilha por não notarmos nada do que está constantemente a fazer é precisamente naquilo que nos consegue mostrar sem parecer que estamos a ver efeitos especiais ao criar um universo subaquático Lovecraftiano de terror absolutamente perfeito e fiel às suas origens literárias originais.

UNDERWATER 31 UNDERWATER 16

Cthulhu

É que por falar em Lovecraft, o realizador já confirmou que o “Alien” é precisamente o mesmo Cthulhu da obra do autor , o que torna logo também [“UNDERWATER“] num dos melhores épicos genuínamente Lovecraftianos que apareceram nos últimos anos.
Agora só espero que depois disto alguém se lembre finalmente de levar ao cinema o livro “Nas Montanhas da Loucura” sobre os horrores lovecraftianos que uma expedição ao Pólo Sul encontra nas ruínas de uma civilização perdida.

19 UNDERWATER 12

A julgar pela representação Lovecraftiana pura em termos de ambiente conseguida em [“UNDERWATER“] já nada impedirá que alguém algures finalmente leve também aquela obra de Lovecraft ao grande ecran. E se calhar este realizador não seria também uma má escolha pois está mais que claro neste simples e básico thriller de terror que o homem percebe bem as suas referências e sabe como transpôr o tipo de horror épico do escritor para o grande ecran.

UNDERWATER 05 UNDERWATER 06

Por ser tão simples [“UNDERWATER“] não perde tempo. Arranca com acção e suspanse, continua com tensão claustrofóbica e vai aos poucos tornando-se cada vez mais épico em termos visuais até culminar no final do costume mas nem por isso menos divertido desta vez. Na verdade se ultrapassarem a ideia de que isto já foi feito mil vezes antes , não há muito para atacar no filme. Técnicamente é muito bom, visualmente acerta em cheio onde deve acertar e mesmo as cenas de acção quase em escuridão total funcionam bem porque a própria montagem dá sempre tempo para que o espectador nunca se perca por muito tempo quando há confusão e pânico que precisa ser mostrado.

UNDERWATER 02 UNDERWATER 30

Algumas mortes são muito clautrofóbicas e todo o clima de terror é bem gerido para nos proporcionar exactamente aquilo que esperamos. Não irá surpreender ninguém mas é um daqueles produtos do género bem executados e que irá agarrar ao ecrã quem sabe ao que vai e gosta do género de thriller sci-fi subaquático. Está para “ALIEN” como “LEVIATHAN” ou “DEEP STAR SIX” estiveram para “THE ABYSS” trinta e tal anos antes no que toca a cinema com monstros e personagens que vão morrendo um a um.
Esquecível mas divertido enquanto dura.

——————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Ia apenas dar-lhe três Planetas Saturno porque é um bom divertimento e nada mais, mas leva mais um ponto porque como filme de inspiração Lovecraftiana acerta em cheio no que mostra e como mostra sendo uma genuína aventura terror orgânico ao melhor estilo clássico no que toca a histórias com criaturas que se escondem nas profundezas.
O conceito está fixe, a execução também e tudo funciona.
Vão esquecer-se dele num instante mas isso não anula que seja um filme bem divertido para quem sabe ao que vai.

Quatro Planetas Saturno

  

A favor: excelente ambiente e bom concept art apesar de assentar na estética habitual neste tipo de filmes onde a influência Alien é por demais evidente, consegue criar um bom clima claustrofóbico e alguns bons momentos de suspense mesmo pelo meio de tanto estereotipo, os personagens têm uma boa empatia entre eles o que faz com que nos importemos com eles, a personagem da miúda frágil resulta bem e quase que a torna na protagonista da aventura, excelentes efeitos especiais pois parece mesmo que filmaram isto debaixo de água quando tal não aconteceu e tudo foi filmado em seco tendo os efeitos de água sido acrescentados em CGI na pós-produção e não se nota nada.
Não perde tempo a fingir que é um filme complexto ou a disfarçar as sua origens narrativas.

É acima de tudo um verdadeiro filme com espírito Lovecraft ao ponto do realizador ter confirmado que o monstro do filme é de facto Cthulhu e não apenas outro “Alien” qualquer o que dá logo outro ponto ao filme quando eu apenas lhe ia atribuir três planetas saturno originalmente.

Director William Eubank has confirmed in an interview that the sea monster seen in the movie is, in fact, Cthulhu of H.P. Lovecraft ‘s Mythos. Strangely, the mining company is called Tian Industries: in literature, the adjective “Lovecraftian” is used to indicate this type of cosmic horror.

Contra: já viram Alien ? Já sabem ao que vão.

——————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


——————————————————————————————————

IMDb
https://www.imdb.com/title/tt5774060

——————————————————————————————————————

Se gostou deste, poderá gostar de :

capinha_MOON 44.jpg capinha_last_days_on_mars capinha_pandorum capinha_moontrap capinha_Event_Horizon.jpg capinha_creature capinha_SPHERE

——————————————————————————————————

 

“THE LIGHT BETWEEN OCEANS” (“THE LIGHT BETWEEN OCEANS”/”A LUZ ENTRE OCEANOS”) Derek Cianfrance (2016) NOVA ZELÂNDIA/AUSTRALIA

Já por mais de uma vez apresentei por aqui filmes que apesar de serem interessantes não podemos verdadeiramente dizer que são especiais, mesmo apesar de nos apetecer gostar muito de alguns deles…
Desta vez, vou falar-lhes de um título que ando há tempos para recomendar mas ainda não o tinha feito porque me apetecia gostar muito menos dele; [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“].

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_41

Não se trata de um filme sci-fi é verdade, mas de um drama romântico; daqueles que muito macho de barba rija que só lê romances com forças especiais, bombas e granadas ou títulos do Jornal da Bola costumam apelidar depreciativamente de  “histórias para gajas”.
E que história – “para gajas” – meus amigos !
Cá está outro título já de 2016 de que eu nunca tinha ouvido falar sequer até ao final do ano passado. Agora depois de o rever é também outro daqueles que simplesmente não entendo porque não ganhou uma carrada de Óscares.
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] é a adaptação de um romance com o mesmo título que eu também desconhecia por completo até ao ano passado, apesar de saber agora que foi um best-seller lá fora. Merecidamente, na minha opinião.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_25 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_39

A LUZ ENTRE OCEANOS” foi um livro que eu encontrei numa loja de artigos em segunda mão no ano passado; curiosamente um título editado em Portugal ( que podem ainda encontrar aqui na FNAC ).
Como eu não resisto a histórias passadas em farois, lá tive de comprar o romance só para espreitar mas nada me preparava para que “A LUZ ENTRE OCEANOS” acabasse por se tornar no meu livro favorito do ano passado.
Por entre as dezenas de títulos que li em 2019 nada teve maior impacto na minha imaginação do que este romance e por esta eu não esperava.
A partir do momento em que o livro acaba e eu volto atrás três e quatro vezes, para reler o último capítulo só porque não me apetece nada deixar aquele universo e aqueles personagens, está tudo selado no meu top-livro para esse determinado momento.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_33 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_37

E porque eu queria reler esta história na sua lingua original,  foi indo à procura da edição em Inglês do livro na amazon que subitamente no final do ano passado eu descobri que “A LUZ ENTRE OCEANOS” não só, já era na verdade um filme, como ainda por cima já estava à venda em bluray e tudo !
O que quer dizer que dois dias depois eu era o feliz proprietário de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] na sua versão em alta definição.
E esqueci-me de comprar o livro em inglés…

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_04 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_36

[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] foi uma decepção.
Talvez porque tinha acabado de ler o livro dias antes, a verdade é que a uma primeira visão não gostei nada da adaptação para cinema.
Achei que o filme era muito bom, mas as escolhas do tom narrativo, o estilo documentário de câmera ao ombro da realização e o facto de alguém ter pegado naquela atmosfera “quente” do romance original e o ter colocado num universo particularmente cru, realístico e frio fez com que eu tivesse acabado a primeira visão de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] com sentimentos contraditórios sobre o que tinha acabado de ver.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_20 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_10

A adaptação para cinema pareceu-me uma coisa à parte. Tinha a ver com o livro , mas depois deixam de fora pequenos detalhes que mesmo até agora eu não entendo porque não foram incluídos.
Isto porque no romance esses pequenos toques constroiem a alma da história em muitos momentos e no filme esses detalhes foram pura e simplesmente ignorados em função de um tom intensamente frio, desencantado e muito triste.
O filme parece querer que o espectador se sinta completamente míseravel durante duas horas e meia, dando-nos aqui e ali pequenos vislumbres de luminosidade, coisa que o romance original aborda de forma diferente. Talvez por serem meios diferentes também mas a verdade é que há escolhas no filme que não ligam bem com o tom do romance.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_12 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_22

Por outro lado, agora que revi o filme e reli o livro… se calhar o facto de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] ter uma abordagem mais desencantada foi uma boa escolha.
Tanto o filme como o romance acabam por ter o seu espaço e partilhar aqui e ali pontos em comum ao mesmo tempo que ambos deixam espaço para as duas interpretações.
Ou seja, este é um daqueles títulos cinematográficos em que podemos ver o filme e depois ler o livro pois uma coisa não anula a outra, muito pelo contrário… curiosamente um bocado como acontece com outro romance cinematográfico fabuloso, o filme japonês “BE WITH YOU” de que já falei aqui.
Ambos adaptam um romance original de forma particular mas ambos fazem com que valha mesmo a pena ler o livro depois de vermos os filmes.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_15 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_16

Na minha opinião, no caso de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“], eu até recomendo que leiam primeiro o livro. Mesmo.
Ou se calhar não…
Uma coisa é certa, comecem por onde começarem a descobrir esta história, esta é uma daquelas a que vocês quererão voltar muitas vezes, só para acompanhar de novo as vidas destes personagens e assisterem aos momento finais da história… que no livro são bem melhores e mais detalhados, mas que por acaso no filme quase que acertam em cheio até no visual do ambiente em que tudo se passa no romance; e aposto que não foi por acaso também.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_01 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_28

Portanto…
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] mais do que uma simples história de amor romântica é também um drama sobre escolhas pessoais. É muito mais complexo do que a trailer dá a entender e de certa forma até menos comercial em termos de cinema do que as pessoas possam esperar; no sentido em que [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] não é uma daquelas história “românticas” plásticas enlatadas em estilo Hollywood e só por isso merece logo mais uns pontos adicionais.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_32 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_07

Se gostarem de boas histórias de amor que são muito mais do que isso, se quiserem uma que lhes irá colocar questões que irão debater com os amigos por algum tempo depois da história acabar e se quiserem ver um drama com interpretações absolutamente extraordinárias, então [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] é o filme que têm que ir ver mal acabem de ler o que estou a escrever.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_27 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_19

A química romântica entre Michael Fassbinder e Alicia Vikander é tão genuína que eles depois do filme se tornaram num casal na vida real e o filme ganhou com isso pois as suas prestações nesta história representam a 100% o conteúdo romântico do livro sem qualquer sombra de dúvida.
Rachel Weisz noutro papel feito à sua medida rouba todas as cenas em que entra. Não sei como esta rapariga consegue mas quando alguém precisa de sofrer genuínamente numa história ela é sempre a escolha perfeita. Aliás tanto ela como Alicia Vikander aqui complementam-se perfeitamente e nem consigo imaginar mais ninguém nestes dois papeis. Era darem o Óscar às miúdas e irem todos para casa.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_35 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_31

O resto do elenco é fabuloso também, desde as crianças que são perfeitas, aos secundários onde se inclui um Bryan Brown que não via há muito, todos nesta produção Neo-Zelandeza/Australiana foram mesmo escolhidos a dedo pois os actores dão mesmo vida aos personagens do livro.
Alguns têm mais vida aqui do que no romance até.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_30 THE LIGHT BETWEEN OCEANS_11

Visualmente apesar do estilo “found-footage” ou semi-documental por vezes nos parecer intrusivo ao início a verdade é que depois se torna tão orgânico que logo esquecemos que isto tem por detrás um realizador.
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] em termos de ambientes naturais é fabuloso, desde os momentos ao nascer do sol, ás praias remotas desoladas e ao próprio farol em si tudo nos transporta para o universo desta história; onde um casal isolado numa ilha encontra um bébé a bordo de um pequeno bote que dá à costa e decide ficar com a criança sem dizer nada a ninguém.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS_24 copy THE LIGHT BETWEEN OCEANS_17

Agora que revi o filme já sabendo com o que ia contar, consegui olhar para [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] com outros olhos. Tanto o filme como o romance são realmente grandes representações desta história, ambas funcionam dentro do seu contexto e ambas têm momentos melhores ou piores que se cruzam na nossa mente entre versões depois de lermos o livro.
Portanto, como eu gosto mesmo do livro, o meu primeiro instinto é dizer aqui que o filme é inferior… mas na verdade seria injusto. É um pouco diferente em alguns aspectos mas se calhar está aqui também a sua força.
Não vale a pena eu tentar arranjar desculpas…
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] é fabuloso.

——————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Na verdade acho que em termos de ambiente dramático assente numa história romântica particularmente dura mas com um final perfeito, melhor só mesmo o livro original que é simplesmente fabuloso e que na minha opinião deverão ler antes de verem [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] nesta sua versão de cinema.
Por mais que eu tente não gostar tanto deste filme ( porque o livro é melhor ) é impossível não lhe atribuir também a minha classificação máxima porque são duas horas e meia que nos transportam para um outro mundo e nos fazem esquecer que estamos a ver um filme por completo.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

É fabuloso e com um elenco absolutamente extraordinário com prestações que ainda estou a tentar perceber porque não foram todas nomeadas para Óscares.
É um daqueles filmes a que se regressa só para depois arranjar desculpa para voltar a reler o livro e vice-versa e quer me parecer que daqui a muitos anos ainda estarei a fazê-lo pois esta já entrou para a lista das minhas histórias românticas dramáticas favoritas de todos os tempos, a par de coisas como Cinema Paradiso ou até do recente “SAFE HAVEN/UM REFÚGIO PARA A VIDA” bem mais comercial mas nem por isso menos atmosférico, intenso e divertido.

A favor: os protagonistas Michael Fassebender  e Alicia Vikander com uma química romântica tão boa que depois deste filme tornaram-se mesmo num casal na vida real, os secundários são escolhidos a dedo com destaque para Rachel Weisz que mais uma vez é absolutamente extraordinária em papeis que necessitam de genuínamente representar sofrimento, excelente realização, a ilha real a quatro horas da civilização onde o farol verdadeiro está localizado é perfeita para esta história, adapta o essencial do romance e o final embora menos emocionante quase que reproduz as páginas finais do livro… quase…

Contra: na minha opinião saltaram pequenos detalhes do livro que eu acho que deviam ter mesmo sido incluidos especialmente no inicio quando o casal se conhece e no epílogo final que no livro é daqueles que apetece reler três vezes seguidas e no filme não está tão bom ou emocional, o ambiente do livro é diferente e mais “caloroso” apesar de toda a carga dramática da história enquanto o filme é particularmente frio em muitos momentos.

——————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


——————————————————————————————————

IMDb
https://www.imdb.com/title/tt2547584/

——————————————————————————————————————

Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

Il Mare Be With You  capinha_SAFE HAVEN.jpg

——————————————————————————————————

 

“THE WAR OF THE WORLDS – BBC MINI-SERIES” (“THE WAR OF THE WORLDS”) Craig Viveiros (2019) INGLATERRA

Quando eu descobri que a BBC ia adaptar – A Guerra dos Mundos – num ambiente totalmente fiel ao do romance e situado precisamente na época em que a história original decorre, eu achei que [“THE WAR OF THE WORLDS“] não podia falhar. Finalmente uma versão fiel à Guerra dos Mundos de H.G.Wells !
Nope !…

THE WAR OF THE WORLDS_01

[“THE WAR OF THE WORLDS“] não é tão mau como muita gente acusa esta mini-série de o ser no IMDb, mas eu desta vez percebo a frustração das pessoas.
Toda a gente queria mesmo que isto tivesse sido fabuloso e fabulosamente fiel ao livro original, depois de tantas versões -modernizadas- desde a clássica versão 50s scifi norte americana até ao moderno War of the Worlds com Tom Cruise.
Bem, nem foi uma coisa nem outra.

THE WAR OF THE WORLDS_30 THE WAR OF THE WORLDS_04

Em vez de aproveitarem os fabulosos valores de produção com que a série pode contar tudo em [“THE WAR OF THE WORLDS“] nesta versão BBC 2019 parece estar continuadamente a acertar ao lado do que deveria ter sido. O pior disto tudo é sentirmos constantemente que o potencial desta adaptação foi completamente desperdiçado por culpa de um script que à força de tentar criar realmente uma abordagem original acabou por dar um verdadeiro tiro no pé.

THE WAR OF THE WORLDS_13 THE WAR OF THE WORLDS_20

O conceito não é mau. Parte de todas as ideias presentes no romance de Wells e tenta ir mais além. A ideia de mostrar o que aconteceu ao planeta Terra depois da guerra ter terminado é mesmo muito boa e até está bem executada visualmente e em termos de ambiente apocaliptico mas… como raio é que depois tudo falha ao redor ?…
O problema de [“THE WAR OF THE WORLDS“] …são vários.
Primeiro dispersa-se por demasiados mini-conceitos e sub-plots que não vão a lado nenhum. Tem personagens que lá estão apenas para servir quase de figurantes e para irem morrendo porque sim e todos os restantes parece que andam por esta história perdidos nas suas deambulações pessoais.

THE WAR OF THE WORLDS_18 THE WAR OF THE WORLDS_10

Salvo raras excepções nunca sentimos grande empatia entre os protagonistas. E para um argumento que gira também à volta da relação do casal central, como raio é que é possível que este par não tenha a mínima química romântica no ecran ?! Quem é que fez este casting ?!
É que ter alguém como Eleanor Tomlinson no ecran e depois não conseguir tirar qualquer química romântica dela em relação ao seu par numa história é obra ! Algo que eu nunca pensei ser possível; especialmente depois de a ter visto na extraordinária série de época, POLDARK onde está fabulosa com Aidan Quinn; também precisamente porque todo o elenco funciona com a precisão de um relógio Suíço.

THE WAR OF THE WORLDS_16 THE WAR OF THE WORLDS_29

No mínimo era o que se esperava também em  [“THE WAR OF THE WORLDS“] mas tal nunca acontece, mesmo quando o elenco conta com actores como Robert Carlyle  que desaparece também a meio da história para justificar um twist para lá de óbvio mais tarde também mas que depois não leva a lado nenhum pois o seu personagem não serve para muito.
É dificil descrever isto , porque [“THE WAR OF THE WORLDS“] é uma daquelas produções de que apetece gostar mesmo muito.

THE WAR OF THE WORLDS_15 THE WAR OF THE WORLDS_25

Estamos sempre a tentar procurar encontrar qualquer coisa boa e por vezes o que tem de muito bom até consegue enganar os nossos sentidos. Mas dura pouco. Mal a história insiste em tentar focar-se nos personagens e no seu percurso pessoal, toda a estrutura narrativa perde o fôlego e levamos com cenas absolutamente redundantes que só frustram o espectador. Por vezes só apetece gritar para que a série se deixe de cenas que não servem para nada e nos mostrem algo digno da própria herança de H.G.Wells.

THE WAR OF THE WORLDS_14 THE WAR OF THE WORLDS_08

Até o final, que dura longos minutos, sabe a pouco. Levamos com um monólogo que parece interminável mas que nunca se foca naquilo que nós enquanto espectadores queriamos mesmo saber sobre o destino do mundo em geral e dos personagens em particular.
O problema de [“THE WAR OF THE WORLDS“] é que nunca sabe se quer ser uma adaptação do romance original, uma série scifi de aventuras ou terror, um panfleto político e de crítica social ou um estudo pseudo intimista sobre relações humanas protagonizado por personagens que na verdade depois não têm grande coisa para fazer ou sequer grande empatia entre eles.
A mini-série tenta ser tudo ao mesmo tempo ou alternadamente e acaba por não conseguir ser nada pois não há um fio narrativo condutor coerente.

THE WAR OF THE WORLDS_05 THE WAR OF THE WORLDS_02

Apesar dos bons efeitos especiais e do design de produção que por vezes tornam [“THE WAR OF THE WORLDS“] tão espectacular e interessante por segundos, a verdade é que quem partir para isto à espera de algo em concreto vai ficar tão desapontado como toda a gente frustrada que anda pelo IMDb a publicar comentários tão desorientados sobre o o que viu.
Isto é um scifi televisivo muito estranho.

THE WAR OF THE WORLDS_17 THE WAR OF THE WORLDS_25

Na verdade não se pode dizer que seja mau, mas o problema é que não se percebe bem o que poderá ser.
O design dos Tripods está fantástico , as cenas de pânico na praia estão do melhor, o ambiente de suspanse e terror por vezes está mesmo bem conseguido, mas depois tudo o que tenta adicionar de novidade como por exemplo as cenas passadas depois da guerra, acaba por ser um enorme desperdício, até porque essa parte da aventura não vai a lado nenhum e torna-se ainda mais frustrante quando a série termina e ficamos com a sensação de que vimos uma espécie de episódio-piloto incompleto para qualquer coisa que nem sequer começou.

——————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Tinha tudo para ser uma das melhores versões do romance de H.G.WELLS.
Um design fantástico, uma protagonista carismática e com uma grande presença de ecran e um par de ideias originais muito boas à partida.
Infelizmente fica tudo pelo caminho por culpa de um argumento que pretende ser mais inteligente e interventivo politica e socialmente do que [“THE WAR OF THE WORLDS“] precisava de o ser.

Três Planetas Saturno

  

A favor: o ambiente steampunk e design de produção em geral, Eleanor Tomlinson e Robert Carlyle iluminam o ecran quando estão em cena, algumas ideias novas são boas, o design dos marcianos, o ambiente de terror e suspanse.

Contra: os personagens não têm química nenhuma, o par romântico não funciona de todo , o argumento pretende ser demasiado inteligente e não era necessário, a mini-serie parece um episódio piloto incompleto para qualquer coisa que não foi para a frente, o monólogo final parece ser interminável e nunca mencionar ou concluir nada sobre aquilo que queremos mesmo realmente ver, perde tempo com históricas e caracterizações que não levam a nada.

—————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

—————————————————————————————————

IMDb
https://www.imdb.com/title/tt8001226/

——————————————————————————————————

Se gostou deste, vai gostar de:

capinha_extraterrestrial capinha_4th-kind capinha_LIFEFORCE capinha_Day-of-the-TriffidsBBC

—————————————————————————————————