“MAGELLAN” (“MAGELLAN”) Rob York (2017) USA/AUSTRALIA

Há filmes que até em pirataria são incrivelmente dificeis de encontrar e durante dois anos eu procurei por uma cópia de [“MAGELLAN“] sem nunca me deparar com mais nada a não ser rips dobrados em Russo. Felizmente que o filme foi editado no ano passado na Europa em Bluray , (como não podia deixar de ser, por uma editora Alemã)  e como sempre tive intenções de o comprar, finalmente consegui colocar os meus olhos, neste que era um dos filmes scifi de baixo orçamento que eu mais procurei nos últimos anos.

Magellan

O fascinio de um título como [“MAGELLAN“] para mim está no facto de não querer ser menos do que um “INTERSTELLAR“; mas feito com muito pouco dinheiro.
Baixo orçamento mas enorme ambição e como tal desde que eu tinha visto o trailer produzido para a sua campanha Kickstarter que eu tinha ficado com enorme curiosidade sobre este filme espacial.

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Mais uma vez, estamos na presença de outro daqueles títulos scifi que essencialmente são trucidados pelos utilizadores do IMDb pelas razões mais imbecis.
Eu sinceramente não percebo como é que há gente que não consegue simplesmente entender o que são as limitações do cinema de baixo orçamento. E os piores são aqueles “científicos” que cascam nos titulos scifi porque os gajos descobriram que uma órbita que aparece demonstrada no filme está mal calculada na realidade e por isso o filme não presta porque é estúpido e não é científico.
[“MAGELLAN“] não é estúpido, mas sim muito limitado.
[“MAGELLAN“] é na verdade extraordinário.

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INTERSTELLAR NO-BUDGET

A minha produtora de cinema independente favorita nos EUA é de longe a ARROWSTORM ENTERTAINMENT pois simbolizam para mim ( bem longe de Hollywood refundidos no estado do Utah ) aquilo que é o gostar de se fazer cinema sem pretenções e sem dinheiro também; mas com muita imaginação, engenho e determinação do qual [“MAGELLAN“] é também um óptimo exemplo dentro da Scifi.
A série de cinco filmes de Fantasia, “MYTHICA” ( 12345 ) , juntamente com as produções ( de teste (?) )  iniciais, “DAWN OF THE DRAGON SLAYER” , “THE CROWN AND THE DRAGON” ou “RISE OF THE SHADOW WARRIOR” que eles criaram “caseiramente” há alguns anos atrás tiveram um sucesso tão grande no circuito alternativo e de festivais Fantásticos/Scifi dentro do cinema independente que estes cineastas voluntários de-fim-de-semana a partir de certo momento se –“viram obrigados”– a criar uma empresa ( Arrowstorm ) para distribuir as suas produções para o mercado exterior ( e controlar os copyrights ) quando os pedidos ultrapassaram as fronteiras do estado do UTAH onde tudo se originou.
O catálogo da Arrowstorm é fascinante e felizmente que está quase todo editado em bluray ora em Inglaterra ora na Alemanha, país este que tem sempre as melhores edições de cinema low-budget fantasia/scifi.

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Com o surpreedente sucesso de mega produções de Hollywood como o fabuloso “INTERSTELLAR” de repente também isso parece ter vindo demonstrar que para lá dos filmes pipoca sem cérebro disfarçados de scifi afinal ainda havia algures um público sedento por ficção-científica cinematográfica madura à espera de ver o género renascer por entre as cinzas de tanto lixo pré-fabricado nas últimas duas décadas pelos grandes estúdios; ( tentando passar por ficção-científica ).
O que veio dar um novo fôlego a histórias como as de [“MAGELLAN“] e em última análise ter feito com que boa ficção-científica clássica tenha começado a reaparecer. Mais até mais na Europa com “ANIARA“, “COSMOS“, “CARGO“, “ARES“, “VIRTUAL REVOLUTION“, “THE BEYOND” etc do que nos EUA; sempre restringidos ao cinema braindead para consumo de massas estupidificadas mas nem por isso menos capazes de criar boas histórias scifi realmente atmosféricas como se demonstra cada vez mais pelo cinema independente norte americano.

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E histórias que se calhar nem precisam de orçamentos milionários de Hollywood para resultar em pleno como [“MAGELLAN“] vem agora também muito bem demonstrar. Mesmo até quando em muitos momentos esta produção nos parece mesmo um filme caseiro;  especialmente ao notarmos que por exemplo, o cenário do interior da nave de cartão, madeira e esferovite poderá cair a qualquer momento se o actor tocar nas paredes, pois ( como se nota bem principalmente na cópia bluray ) tudo está claramente equilibrado por um fio com a ajuda de cola, fita cola, pregos, parafusos à vista, carpetes mal coladas por todo o lado e acabamentos de cenário tão pobrezinhos que por vezes é mesmo surpreendente como este filme foi para a frente com tão óbvias limitações de orçamento.

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E isso importa ?
NÃO !

EMPATIA

[“MAGELLAN“] pode ter muitos problemas de produção no que toca à credibilidade dos cenários e ambientes que procurou construir sem dinheiro nenhum e portanto meus amigos podem esquecer aquelas opiniões que atacam o filme – porque está mal feito e prontos ! – com base no óbvio.
É óbvio que [“MAGELLAN“] quer ser “INTERSTELLAR”, é óbvio que nunca conseguiria ser em termos técnicos mas o que consegue fazer é também merecedor de um enorme elogio. Quanto mais não fosse , porque à força de tentar parecer-se com “INTERSTELLAR” acaba no entanto por contar uma história absolutamente cativante do principio ao fim.
E não precisou mais do que um par de actores com uma química fantástica.

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O par protagonista de [“MAGELLAN“] é a alma do filme. Se estas duas pessoas não são um casal na vida real não sei onde foram buscar uma química romântica como esta. E digo isto no melhor dos sentidos. Tanto o personagem do astronauta como o da sua mulher nos parecem mesmo pessoas reais e se [“MAGELLAN“] faz alguma coisa muito bem está precisamente na forma como nos consegue fazer esquecer por vezes que estamos a ver um filme , tal é a empatia que os dois protagonistas conseguem criar com o espectador que torce até ao último segundo para que o seu destino seja feliz.

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Não só os dois actores são absolutamente convicentes mesmo quando passam practicamente toda a história separados ( ela fica na Terra, ele parte para o espaço ) , como também os próprios diálogos em [“MAGELLAN“] estão particularmente bem construídos. Nada fica por dizer e não se desperdiçam palavras ao acaso só para ir queimando tempo ou ir enchendo o filme para disfarçar as suas fraquezas de produção.
[“MAGELLAN“] não precisa sequer preocupar-se em disfarçar as suas fraquezas a partir do momento em que tem personagens centrais como estes dois.

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E nota alta para os secundários também. As vozes das A.I. a bordo da nave pois são o complemento perfeito para não só colar todas as pontas soltas em termos de exposição da história como ainda proporcionam alguns momentos de humor muito divertidos que humanizam ainda mais esta verdadeira aventura de exploração do espaço.
Na verdade o elenco em geral não está mal tendo em conta que alguns nem são actores profissionais e portanto esqueçam aquelas opiniões de utilizadores no IMDb que cascam em [“MAGELLAN“] também por isso.  Esse tipo de … “cinéfilos” … não se encontram claramente entre o tipo de público para o qual esta excelente história interestelar foi feita.
[“MAGELLAN“] pensado para quem cresceu com Arthur Clarke, Asimov, Robert Heinlein e todos os autores clássicos da ficção científica. Se não têm qualquer uma destas referências e apenas cresceram com a cultura popular “Comicon” dos últimos vinte anos, muito provavelmente este filme não é para vocês.

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ESPAÇO SEM FIM

Com boa produção da Arrowstorm que se preze, filmada no Utah, é óbvio que [“MAGELLAN“] irá provocar a tão costumeira sensação de – Deja Vu – a todos aqueles que tal como eu forem fãs deste grupo de film-makers amadores tornados profissionais por força das circunstâncias. É que toda esta aventura espacial foi precisamente filmada nos locais habituais onde todos os filmes da produtora são filmados. Ou seja , no “quintal” habitual, onde os mesmos locais já serviram anteriormente , para mundos de fantasia, dimensões paralelas, terra de zombies, etc…
O que nem por isso quer dizer que seja uma coisa má, especialmente quando nos mostram paisagens que nem sequer tinhamos noção de que existiam no estado do Utah.
Não é por falta de boas localizações que [“MAGELLAN“] possa ser atacado, embora neste caso até nem use muitos exteriores “imaginários”.

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Os tais “cinéfilos-especialistas científicos” apontam logo que os ambientes em [“MAGELLAN“] são rídiculos pois não se parecem mesmo nada com Titan; especialmente quando este é filmado no popular lago seco próximo de Salt Lake City já visto em tudo deste Lethal Weapon a videoclips da MTV; (entre outros). Ignorem.
Chega perfeitamente para os transportar para o universo espacial deste filme na boa.

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Surpreendentemente mesmo com o orçamento limitado que esta produção claramente teve ( foi resultado também de uma campanha Kickstarter como já referi antes ), a verdade é que [“MAGELLAN“] consegue mesmo um fantástico ambiente espacial sim senhor. Arrisco-me até a dizer que nem precisa ficar envergonhado numa comparação com “INTERSTELLAR” na forma como também nos consegue transportar para os confins do sistema solar sem qualquer problema.
[“MAGELLAN“] conta com algumas vistas épicas do nosso sistema solar e consegue criar muito bem aquela sensação de vastidão no universo. O filme está cheio de planos CGI (que apesar de baratinhos) , são absolutamente perfeitos para em muitos momentos conseguirem transportar o espectador para Saturno, Titan, Neptuno, e todas as localizações para onde a aventura nos leva.

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São efeitos limitados e muito pobrezinhos ? São sim senhor. Alguns são atrozes mesmo.
Outros funcionam na perfeição e dão-nos breves segundos de cortar a respiração por vezes pois nunca estamos há espera de encontrarmos pela frente algumas das paisagens espaciais que este filme sabe dosear muito bem para ir continuadamente criando um sentido de maravilhoso que muitas das vezes nem Hollywood consegue criar com orçamentos de milhões de dólares.
Em termos de efeitos [“MAGELLAN“] pode ser pobrezinho mas também aqui se nota o esforço que houve para dar ao espectador algo de grandioso com o que se podia arranjar e não me surpreende de todo se a maior fatia do dinheiro tivesse ido para os efeitos CGI.

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CELESTIAL

Nota alta para a banda sonora também.
Embora se há uma área onde [“MAGELLAN“] possa ser acusado de não querer ser mais do que uma cópia de “INTERSTELLAR” é no que toca à sua música.
Eu não me importo, adorei a banda sonora de “INTERSTELLAR” e curti e muito a banda sonora de [“MAGELLAN“] que consegue aproximar-se bastante do mesmo tipo de música “celestialmente espacial”. Na verdade quase ao ponto de roçar o plágio também… embora desta vez estejam perdoados. [“MAGELLAN“] tem mesmo o tipo de banda sonora que precisava de ter para resultar e é também a música que muito contribui para o abrir o filme para territórios verdadeiramente épicos e misteriosos.

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[“MAGELLAN“] a ter um defeito para mim , está no final. Não que ele seja mau; muito, muito pelo contrário. Na sua escala limitada do que pode mostrar é realmente inspirador e até fabuloso num certo contexto scifi que previligia as ideias em vez dos efeitos, mas peca por ter exactamente o mesmo final que todo este tipo de histórias que já apareceram antes em filmes semelhantes de produção independente. O fim é sempre o mesmo, embora neste caso eu tenha que concordar que é o final perfeito pois em termos de história [“MAGELLAN“] é aquele que melhor vai construindo as situações e o próprio mistério até que tudo culmine para que aconteça aquilo que tem que acontecer. Eu gostei e deixa-nos com muita vontade de saber o que vai acontecer a seguir pois eu espero sinceramente que a Arrowstorm quando “INTERSTELLAR 2” sair, também dê continuidade a [“MAGELLAN“]. Seria um perfeito candidato para uma sequela em estilo “RENDEZ-VOUZ-WITH-RAMA” se é que vocês me acompanham aqui nesta referência. 😉

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CLASSIFICAÇÃO

Se gostaram de INTERSTELLAR e gostariam de ver algo semelhante, se não tiverem preconceitos para com o cinema de muito baixo orçamento este [“MAGELLAN“] é uma excelente proposta; que também serve para quem gosta de coisas como ” 2001 Odisseia no Espaço” , “Arrival” e semelhantes títulos dentro da ficção-científica clássica.
A história deste astronauta que viaja pelo espaço tentando estabelecer contacto com a primeira entidade extra-terrestre que a humanidade localiza nos confins do sistema solar intriga-nos desde o início, o mistério agarra-nos, tem sentido de humor e os personagens centrais são absolutamente cativantes.

Cinco Planetas Saturno

    

Não leva um Gold Award porque nota-se a todo o instante que isto é um título muito limitado pelo seu orçamento e como tal ficamos sempre com um sabor a pouco quando estamos mesmo com vontade de ver muito e saber mais.

A favor: o par protagonista e a sua história, os dois actores centrais, os dois computadores A.I. são o complemento perfeito, o mistério alienígena é muito cativante, a forma como tenta com pouco dinheiro criar ambientes diversos no sistema solar é muito positiva, algumas vistas espaciais em breves animações CGI são fantásticas, óptima realização, tem um par de bons momentos de suspense, excelente banda sonora apesar de ser relativamente .. ehm… inspirada noutra que já ouvimos antes…

Contra: o final já foi feito muitas vezes antes neste tipo de filmes/histórias, alguns actores secundários e terciários são claramente amadores. Quem não percebe o esforço por detrás do cinema de baixo orçamento não vai perceber de todo onde está a graça.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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COMPRAR em BLURAY na AMAZON ALEMÃ

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“THE BEYOND” (“THE BEYOND”) Hasraf Dulull (2017) Inglaterra

Mais um dia, mais um filme de ficção-científica extraordinário, daqueles com classificação miserável no IMDb.
[“THE BEYOND“] é fantástico.

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Curiosamente eu quando o vi pela primeira vez numa das inúmeras cópias pirata que circulam pela internet, também não lhe achei piada nenhuma. E sinceramente ainda hoje me estou a perguntar sobre o porquê daquela minha primeira reacção.
É que [“THE BEYOND“] é mesmo muito bom, muito bem feito, muito bem filmado , com uma atmosfera a puxar para o “INTERSTELLAR” em versão low budget e ainda por cima parte de vários conceitos que por si só podiam dar origem a vários filmes diferentes mas no entanto consegue levar a bom porto todas as ramificações para nos dar um daqueles finais em que ficamos com vontade de continuar a ver mais.

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A sensação com que se fica é que [“THE BEYOND“] bem que poderia também ser desenvolvido para uma série de TV, pois têm aqui um excelente ponto de partida e daria uma excelente série de ficção-cientítica naqueles moldes mais sérios como “INTERSTELLAR” e “ARRIVAL“.
No entanto é mesmo verdade que eu detestei isto quando o vi pela primeira vez e quase que não consegui chegar ao fim.
Talvez porque na altura estava mesmo completamente farto deste estilo de cinema de baixo-orçamento – Found-Footage – e como tal entrei logo nisto como se estivesse a fazer um enorme frete , o que fez com que não tivesse prestado grande atenção ao que via.

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Na verdade, não sei o que aconteceu e não faço mesmo a mais pequena ideia da razão porque detestei [“THE BEYOND“] inicialmente.
Pelas reviews que estão no IMDb e espalhadas em comentários pelo Youtube se calhar o que aconteceu com muita gente que só deu mesmo uma única oportunidade a isto terá sido o que me aconteceu a mim inicialmente também…
Vi-o agora em Bluray, pois incrivelmente , eu acabei por o comprar no Natal passado.
Tenho por tradição comprar um monte de cinema scifi independente e de baixo orçamento no Natal e [“THE BEYOND“] veio parar ao meu cesto de compras na amazon Alemã porque essencialmente estava em promoção na altura e nem custava 5€uros sequer.
Bendita promoção. Neste momento por acaso, o filme já se encontra esgotado em todas as amazon, excepto na amazon.com ( mas bloqueado à região A norte americana )… Pode ser que o reeditem por cá em breve.

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BEYOND QUALQUER CÓPIA PIRATA

Da segunda fez que vi [“THE BEYOND“] , já em Bluray e não na minha antiga cópia pirata adorei. Não consegui descolar do filme do primeiro ao último minuto e quando acabou ainda fiquei com vontade de ver mais.
Só uma nota para aquele pessoal que acha que não vale a pena comprar os filmes de que gostamos em Bluray para guardar quando podemos sacar cópias de bluray-rip a 1080p…trust me, não é a mesma coisa e eu tive a prova. Ver [“THE BEYOND“] em Bluray dá-lhe uma vida completamente nova, pois digam o que disserem mas aquele bocadinho de definição extra que só se encontra num produto original faz toda a diferença. Especialmente num filme carregado de pormenores visuais que ganham vida nova quando apresentados no melhor da alta definição e não apenas num rip-pirata sacado na internet.

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A qualidade de imagem é excelente, a própria fotografia do filme é mesmo muito boa e o som é do melhor. Vejam-no com headphones como eu o vi agora ; ( se calhar é esse o truque para começar a curtir este título , pois [“THE BEYOND“] é mesmo um daqueles filmes cujo a atmosfera scifi para ficar completa depende mesmo muito da combinação som/imagem e a parte do som foi também o que faltou em qualidade quando o vi na minha cópia sacada de um torrent antes.

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[“THE BEYOND“] é pura ficção-científica. E mais uma vez, volto a dizer se calhar não será coincidência estarmos de novo na presença de mais outro título do cinema Europeu e não de mais outro blockbuster de Hollywood. Algo que parece ter contribuído também para muitos dos comentários do público no IMDb, pois se calhar muita gente esperava uma espécie de Transformers ou algo assim visto que [“THE BEYOND“] também envolve “robots” gigantes – “tripulados” – por seres humanos… mas não da maneira que muita gente se calhar estava à espera.

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THE INTERSTELLAR ARRIVAL

Quando uma estranha anómalia no espaço é detectada, a ciência conclui que estaremos na presença de um primeiro contacto com uma civilização extra-terrestre, isto porque na mesma altura aparecem nos céus de todo o mundo uma verdadeira invasão de objectos que aparentam estar apenas ali; à espera. Quem são ? Porque vieram ?
Com isto entramos em território familiar já explorado em “ARRIVAL“. Se são o tipo de público que gostou desse excelente filme de ficção-científica então irão adorar [“THE BEYOND“].

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Para que a humanidade consiga viajar através desse – worm hole – ou provável – stargate – e obter respostas àquilo que parece ser um convite, a única forma é se os primeiros voluntários se submeterem a um processo que mistura o corpo humano com tecnologia, sabendo de antemão que nunca mais poderão voltar a ser humanos mas que ao mesmo tempo se tornarão quase super-herois em termos do poder que poderão alcançar. É essa a única forma do ser humano conseguir sobreviver à viagem e como tal logo muitos voluntários começam a surgir com o propósito de se tornarem no primeiro ser humano a entrar em contacto com uma raça extra-terrestre. E aqui passamos à parte que se assemelha a “INTERSTELLAR” mas numa versão cyborg.
Portanto, se gostaram de ARRIVAL e acham que ficaria bem com uma pitada de “INTERSTELLAR” , não hesitem em espreitar este pequeno grande filme que conta com pouco mais de 80 minutos mas também parece muito maior no melhor dos sentidos.

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THE NEWS

Como já referi, [“THE BEYOND“] não é um filme “normal”. Imaginem um documentário e é isto que irão ver neste filme pois não está filmado com uma narrativa clássica tradicional mas sim como se estivessemos mesmo a ver imagens recolhidas no local, clips de arquivo, etc. Talvez tenha sido por isto que não me cativou da primeira vez e tanta gente também ataque o filme online.
[“THE BEYOND“] é essencialmente um falso documentário e é assim que têm que partir para ele. Esqueçam todas as convenções de cinéfilia, deixem-se levar por este falso universo e garanto-vos que ficarão agarrados.

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THE FINAL FRONTIER

[“THE BEYOND“] é sobre isto, a fronteira final. Não apenas no que toca ao que nos espera no universo mas também sobre aquilo em que a humanidade se precisa tornar para que um dia consiga mesmo viajar no espaço, isto porque o facto de vivermos e estarmos biológicamente adaptados apenas a este planeta é no fundo aquilo que impede que exploremos mais longe e torne tão dificil a humanidade abandonar o seu berço neste sistema solar.
O filme explora imensas questões, vocês vão ficando a gostar dos “personagens” e depois ainda que brevemente ainda evolui para um daqueles títulos de ficção científica que são ideais para todos aqueles que procuram histórias sobre exploração e primeiros contactos.

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O design do filme é fantástico a todos os níveis, os sets ou localizções reais são perfeitas e os efeitos especiais são surpreendentemente bons e perfeitamente capazes de so fazer esquecer que estão a ver um filme independente Europeu Inglés e não um blockbuster Norte Americano.
Leva logo também pontos adicionais pelo seu final. Embora muito breve para grande pena minha ( pois queria mesmo saber mais sobre o que poderá acontecer a seguir ) , a verdade é que pelo menos no caso de [“THE BEYOND“] , o espectador pode ficar descansado. [“THE BEYOND“] não é outro daqueles títulos “found-footage” que leva o tempo todo a criar mistério com coisa nenhuma e depois chega ao fim e deixa-nos pendurados com fins inconclusivos.

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[“THE BEYOND“] tem um óptimo final aberto. Responde a tudo o que constroi em termos de suspense e mistério ao longo da sua narrativa de falso documentário e só fica incompleto em termos de história porque como disse, isto seria na boa o início de uma série de televisão scifi com muito boas ideias e com muito para desenvolver a partir daqui. Não me admirava nada que um destes dias ainda aparecesse algo baseado neste filme.

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CLASSIFICAÇÃO

Dêem uma oportunidade a [“THE BEYOND“]. Se calhar… dêem uma segunda oportunidade até. Entrem nisto logo à espera de ver algo num estilo documentário e não esperem “um filme”. Se o fizerem e partirem para [“THE BEYOND“] apenas procurando por uma boa história de ficção-científica sobre exploração espacial e primeiro contacto com extraterrestres não tenho dúvidas de que irão gostar mesmo muito disto tal qual eu gosto deste filme agora. Aliás , este é um daqueles títulos que insiste em não me sair da cabeça. Se calhar porque há actualmente tão pouca ficção-científica saída de Hollywood digna desse nome que o facto desta estar cada vez mais a ser produzida independentemente na Europa ainda torna todos estes títulos mais fascinantes.
[“THE BEYOND“] é certamente um deles.

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Não ganha um Gold Award… porque apesar de tudo, cinemáticamente falando, isto é um documentário e não é  própriamente “um filme”. O – found footage – embora bem usado acaba por remeter este scifi para um nicho que o limita um bocado enquanto obra para cinema.

A favor: a história, o conceito, o mistério do que está para lá do portal, o design, o som, a fotografia, as interpretações, a realização, o final da história. Deixa-nos com vontade de saber mais.

Contra: o estilo found-footage limita-o bastante naquilo que poderia ter sido embora se compreenda que este tenha sido o formato certo até para se poupar algum dinheiro na produção certamente. Deixa-nos com vontade de saber mais.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt5723416/

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“SOLIS” (“SOLIS”) Carl Strathie (2018) EUA

[“SOLIS“] é um daqueles títulos de ficção-científica que actualmente quase pertence a sub-sub-género dentro do cinema de baixo orçamento. Um filme espacial, com um ou dois sets pequenos, um personagem preso numa nave à deriva e uma sucessão de acontecimentos que o colocam a todo o instante perto da tragédia.
Neste caso uma explosão numa exploração mineira na cintura de asteroides projecta a sua cápsula rumo ao sol.

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[“SOLIS“] em conceito à primeira vista poderá parecer sempre uma boa ideia para quem quiser tentar criar um filme de ficção científica de baixo orçamento. Um cenário, um actor, alguns efeitos especiais de animação digital e tudo parece apontar para um bom resultado. O problema é que neste tipo de aventura solitária a própria estrutura da história acaba sempre por ser o calcanhar de Aquiles da narrativa, pois para lá dos típicos clichés de suspense dentro do género não há muito que os argumentistas possam fazer para manter o interesse durante muito tempo porque já sabemos que tudo irá correr sempre mal até ao segundo final. E não há muito que se pudesse inventar mais.

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Para lá de contar com um bom set-design apesar de simples e em matéria de efeitos especiais ser também particularmente bom; muito bom mesmo em certos momentos, a verdade é que este é um daqueles filmes em que passamos 90 minutos a ver um actor a falar sozinho sentado numa cadeira na maior parte do tempo.
Há uma interacção com a controladora de voo que se encontra numa outra nave que procura salva-lo mas mesmo isso não impede que o filme não deixe de ser uma imensa colecção de grandes planos do rosto do herói durante as suas varias fases de desespero.
Embora em termos de realização nota-se aqui que há a todo o instante uma boa tentativa para tornar a acção mais dinâmica do que na realidade pode ser e isso é um dos pontos positivos deste título que por vezes eleva o filme um ponto acima do que se costuma encontrar neste género de histórias.

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A camera está sempre em movimento, os efeitos de gravidade zero são bem executados, as cenas no espaço tem montes de atmosfera mas ficamos sempre com a sensação que [“SOLIS“] teria sido um daqueles filmes que resultaria mesmo muito bem como curta metragem. Se tivesse tido 1 hora a menos teria sido particularmente fascinante por tudo o que consegue fazer muito bem.
O problema é que aqui 90 minutos são demais pois para lá da previsibilidade incontornável do argumento nem a excelente, atmosférica e por vezes épica banda sonora ( a fazer lembrar o melhor de Interstellar ) conseguem impedir que o filme se arraste por demasiado tempo.

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Tivesse tudo isto compensado no final, [“SOLIS“] seria um daqueles títulos a recomendar vivamente. O problema é que mais uma vez e também aqui,  depois do filme se esforçar ao máximo para que o espectador crie uma empatia com o destino do astronauta naufragado a conclusão final sabe a pouco.
Não entendo este tipo de tique negativo de tanto cinema de baixo orçamento. Será que ninguém entende que um final aberto não significa que o filme se torne mais inteligente ou subjectivo ?

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Na verdade [“SOLIS“] nem sequer é particularmente terrível neste pormenor. Os minutos finais são bastante bons em termos de suspense e agarram mesmo o espectador à cadeira. Só é pena que todo o resto do filme não tenha conseguido criar a mesma emoção e que depois a imagem final sejam também tão extraordinariamente inconclusiva.
Mais uma vez estamos na presença de uma daquelas ideias que parecem óptimas no papel mas que depois quem precisa de concluir a história não sabe bem como a terminar.

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O realizador esforça-se e tira muito bom partido dos cenários, os efeitos digitais e os designs das naves espaciais têm muita pinta, o filme conta com algumas imagens visualmente extraordinárias e aquele toque a Interstellar ou 2001 Odisseia no Espaço também não lhe fica mal, mesmo quando a coisa parece começar a descambar forçadamente para o transcendental à medida que a história avança.

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O actor Steve Ogg na minha opinião tem aqui também uma excelente prestação.
Isto de carregar um filme sozinho não deve ser nada fácil e um filme com tanto cliché previsível ainda mais.

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Tendo em conta a dificuldade de manter o espectador interessado na sua odisseia quando na maioria das cenas está apenas sentado em desespero debitando monólogos na sua cadeira de comando Ogg tem por vezes momentos muito bons e ele acaba por ser a razão porque apesar de tudo o filme nos mantém interessados no seu destino até ao segundo final. Isto com um mau actor teria sido uma tragédia.

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CLASSIFICAÇÃO

Assim como está [“SOLIS“] não deixa de ser até um bom título, tecnicamente falando e se o sub-género naufrago no espaço lhes interessa este é um serie-B a espreitar juntamente com o muito interessante ( embora igualmente limitado pelas mesmas razões ) : “ASTRONAUT : THE LAST PUSH” que já recomendei algum tempo atrás por aqui também.
Enquanto cinema sci-fi de baixo orçamento, nada a apontar. É um bom título se tiverem paciência para este tipo de estrutura numa história que não tem muito para dar em termos de surpresas.

Três Planetas Saturno




  

Curiosamente o trailer deste filme consegue criar toda aquela tensão, suspense e emoção que falta depois a [“SOLIS“], o que demonstra o quanto este filme teria resultado bem melhor se tivesse sido apenas uma excelente curta metragem. Não que o trailer seja enganador mas consegue projectar uma atmosfera muito mais dinâmica do que aquilo que depois a história desta aventura apresenta ao longo de 90 minutos que parecem duas horas em certas alturas.

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A favor: a atmosfera de isolamento, os efeitos especiais, o set design, a prestação do actor principal, a excelente banda sonora, o ambiente Interstellar, visualmente contém algumas imagens realmente fantásticas, boa fotografia também. Embora o final seja um bocado frustrante nem sequer é dos piores e a sequência de suspense final é excelente.

Contra: 90 minutos poderá ser demasiado para uma história assim pois teria encaixado perfeitamente numa curta-metragem. Será um filme lento demais para quem esperar algo mais do que as próprias limitações do género obrigam que este filme seja; mais um Serie-B com um final que deixa o espectador algo insatisfeito apesar de tudo.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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IMDb

https://www.imdb.com/title/tt6134274/

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