“Der Schatz im Silbersee” (“The Treasure of Silver Lake”) Harald Reinl (1962) ALEMANHA

Ok, eu sei que adoro teorias da conspiração mas algo me diz que [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] estará entre os filmes favoritos de Spielberg pois se não estiver há por aqui uma coincidência fascinante.
Sem querer estragar-lhes o final desta aventura, comparem o fim deste filme com “Indiana Jones and the Last Crusade” e depois falamos.

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E por falar em Indiana Jones uma das características fascinantes não só deste título que vou aconselhar agora como practicamente de todos os outros filmes baseados nas mentir…obras, de Karl May é terem um sabor verdadeiramente Raiders of the Lost Ark, até mesmo quando são Western puros.

RAIDERS OF THE LOST LAKE

[“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] é um filme fascinante em muitos sentidos e um deles é precisamente o de parecer um Western clássico mas na verdade desenrolar-se quase como um Indiana Jones em muitos aspectos na sua própria estrutura.

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Filmes como “O Tesouro de Sierra Madre” ( e o personagem de Boggart ) costumam ser muito citados como tendo sido parte da origem de Indiana Jones, mas meus amigos… se isso assim foi então [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] contribuiu adicionando o que faltava.
Deu-lhe o tipo de sensação de high-adventure que depois Spielberg tão bem modernizou mais tarde; proporcionado por um sentido épico, grandes localizações reais, um sentido de humor muito divertido com a introdução de alguns personagens comic-relief e uma banda sonora larger-than-life, que uma vez entranhada nunca mais nos larga tal como acontece com a música de John Williams.

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Estou para recomendar este filme e todos os outros baseados na obra do mentiros… escritor, Karl May há algum tempo, mas a verdade é que há tanto para dizer que tinha medo que este se tornasse noutro dos meus textos gigantes. Por se vocês acham que este post hoje é longo, nem queiram saber o que eu tinha para contar antes !
Felizmente que hoje encontrei um pequeno video de youtube onde ser resume muito bem logo metade do que eu tinha para dizer e por isso remeto detalhes adicionais para o que podem encontrar nas notas adicionais deste post.

WESTERN ALEMÃO

Há muito a ideia de que os Western Spaghetti foram os primeiros Western produzidos na Europa e na verdade não foi assim. Há quem diga que se não fossem os filmes – “de Karl May” – o próprio Western Spaghetti não teria tido a projecção que depois veio a ter, embora em estilo os dois géneros sejam particularmente diferentes.

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Filmes como [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] e tudo o resto baseado nos romances de Karl May, são luminosos, positivos, poéticos e absolutamente visualmente épicos enquanto que o Western Spaghetti sempre foi mais negro, desencantado, e minimalista até nos seus meios de produção; mas o segundo não teria certamente existido enquanto produto comercial não fora o sucesso dos filmes Karl May produzidos anos antes na Alemanha e filmados nas incriveis paisagens naturais da Croácia e Jugoslávia.

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O meu primeiro contacto com um par destes filmes foi há muitos anos atrás por volta de 1980/81 quando passaram no cinema da minha terra na sua versão dobrada em “americano” mas foram títulos que nunca me sairam da memória desde os meus 11 anos apesar do Western nunca ter sido o meu género de eleição pois a ficção-científica sempre foi a minha area desde que vi Espaço 1999 aos 7 anos.
Mas a verdade é que Wanitou e o seu amigo branco nunca me sairam da memória e durante décadas eu procurei rever estes títulos. Muito especialmente quando recentemente me apercebi de que isto era cinema Alemão o que foi uma verdadeira surpresa para mim, pois em criança nunca suspeitei.
Aliás, eu durante anos a fio quando era puto, pensava que um dos protagonistas teria sido William Shatner pois quando vi isto no cinema o heroi parecia-se por completo aos meu olhos com o capitão Kirk da série de TV Star Trek.

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Só recentemente é que Internet me permitiu descobrir mais sobre tudo isto e o que descobri é fascinante.

INDIOS E INDIAS

A razão porque todos nós desde crianças temos na imaginação aquela imagem “do indio” e “das indias” com aquelas roupinhas castanhas (com fitas) que encontramos sempre à venda em disfarces de Carnaval ( sem esquecer a típica pena no cabelo ) é totalmente culpa do sucesso não só dos livros de Karl May como também dos filmes dos anos 60 que os adaptaram a todos.

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Em [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] a coisa ainda nem é muito evidente pois como já disse o filme parece-se mais com uma aventura de Indiana Jones do que com um Western, mas se vocês virem os próximos títulos a seguir a este, irão ficar fascinados com toda aquela estética. Para desagrado dos verdadeiros nativos americanos que ainda hoje protestam e detestam toda a falsa imagem ( e design “indio” ) que temos metidos na nossa imaginação desde crianças por culpa do impacto cultural dos livros e filmes de Karl May.
É que Karl May inventou tudo aquilo em que nós hoje não conseguimos deixar de pensar sempre que pensamos em “indios e cowboys” e para sempre marcou aquele estereotipo de design na imaginação popular; muito em particular na europa; ( e já agora, na imaginação das crianças também ).
Tudo por culpa de Karl May. Um dos maiores mentirosos do mundo.

O MAIOR MENTIROSO DO OESTE

É que Karl May, inventou tudo.
Karl May está para os Indios e Cowboys como o “Lobsang Rampa” está para os relatos esotéricos “Tibetanos“. Tal como se descobriu anos atrás que o pseudo monge Tibetano afinal não tinha passado de um escriturário americano que publicou todas aquelas narrativas como se pertencessem realmente a um verdadeiro monge mas nunca tinha saído da sua casa em Nova York, também Karl May inventou a partir da Alemanha tudo sobre Indios e Cowboys.
Só no final da sua vida é que colocou os pés nos EUA e como turista apenas. Tudo ao contrário do que afirmou durante a sua vida, pois sempre apresentou os seus livros como relatos auto-biográficos das suas viagens pelo mundo.

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Karl May não só jurou a pés juntos que tudo o que escreveu nos seus romances eram relatos reais das suas aventuras até morrer, como inclusivamente era tido na Europa em finais do Sec.XIX como sendo um verdadeiro especialista sobre o Oeste Americano e em particular sobre a cultura dos nativos norte americanos.
A tal ponto que semanas antes de morrer ainda dava palestras nas faculdades de História Europeias da altura sobre o tema da cultura India e sobre as suas vivências enquanto “amigo e parceiro de aventuras de Winnetou“.
Por isso é que – “esta imagem” – que temos dos “indios e cowboys” ficou tão enraízada na cultura popular.

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Depois o facto dos filmes terem adaptado em detalhe tudo o que estava contido nos romances também não ajudou a esclarecer a verdade.
Mas quem é que precisa da verdade quando temos os romances de Karl May ?
É porque sem eles não existiriam os filmes e são todos absolutamente fascinantes.
E quando digo todos, digo, mais as de 15 longas metragens. Não só narrando as suas aventuras com Winnetou enquanto Old Shatterhand como também outras “suas” odisseias pelo mundo salvando tribos e repondo a justiça por onde passava.

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E isto é apenas a ponta do iceberg no que toca a Karl May enquanto um dos maiores mentirosos da literatura popular de sucesso.
Desde um historial de respeito como vigarista profissional onde dava os golpes mais hilariantes, até ter passado 8 anos de cana pelas burlas mais inacreditáveis, há tanto para contar que vocês precisam explorar o tema e a vida deste grande e fascinante mentiroso por vocês mesmo se quiserem saber mais. E podem começar pelo video que posto mais adiante.

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Eu avisei que este texto iria ser grande…
Voltando aos filmes e em particular a [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“], meus amigos, neste tempo de quarentena por causa do virus que devasta o nosso planeta se vocês quiserem passar duas horas com algo verdadeiramente divertido e relaxante, para nem dizer verdadeiramente épico e positivo , procurem este filme na Internet.

SILVERADO

Se procuram cinema de aventuras, que bem vistas as coisas estava até à frente do seu tempo, não percam [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] ; ( ignorem o trailer da versão americana ).
Eu nunca fui grande fã de Westerns mas em 1985 houve um que me fez começar a prestar mais atenção ao género quando eu tinha 15 anos e mesmo até hoje continua único. Falo de “SILVERADO” que já na época tinha sido considerado um título algo atípico precisamente por se parecer com um Western mas na verdade ter um espírito muito mais Indiana Jones na sua estrutura.
Ora olhando agora para trás, “SILVERADO” é tão diferente mas ao mesmo tempo tão familiar e não é por causa de Indiana Jones não senhor. É por causa dos Westerns de Karl May.
É que “SILVERADO” poderia ter sido na boa um romance de Karl May e muito provavelmente se tivesse sido filmado nos anos 60 também não haveria igualmente grande diferença na sua estrutura. Inclusivamente no tipo de herois, na forma como se cruzam, nas aventuras que vivem, etc.
Portanto se vocês adoram “SILVERADO” e curtem os “INDIANA JONES” mas nunca ouviram falar dos Westerns Alemães, nem dos livros de Karl May então não há melhor filme para começarem a mergulhar neste verdadeiro universo de pura fantasia do que [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“].

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O SENHOR DA CROÁCIA

E digo – Fantasia – porque só as próprias paisagens da Croácia e Jugoslávia que passam por ser os EUA nestes filmes são suficientes para fazer com que às vezes também nos pareça estarmos a ver um filme de fantasia como THE LORD OF THE RINGS.
Só que aqui o realizador nem sequer precisou de usar – matte paintings – para estender os cenários. Acreditem-me, vejam [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] no maior televisor que conseguirem e vão cair para o lado com os ambientes naturais em que toda esta aventura – “de fantasia” – decorre.
Apenas é um mundo de fantasia onde em vez de Hobbits e Elfs temos indios e cowboys.

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Aliás em termos de design todos estes filmes são absolutamente extraordinários na forma como constroem todo aquele mundo Western imaginário em pleno coração da Europa. Não só as cidades de Cowboys têm muita pinta, como todos os sets são genuínamente estereotipados no melhor dos sentidos. Desde a “clássica” aldeia dos Indios ( tal como a sempre imaginamos com os seus “típis” por culpa da cultura popular originada pelas mentiras de Karl May ) , até ao típico saloon onde toda a gente anda à porrada ou aos tiros, tudo em [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] é absolutamente “genuíno” enquanto Western puro.

TANTA GENTE !!!

E por falar em porrada, para mim no meio disto tudo não há caracteristica mais divertida também nos Westerns Karl May do que o fascinante facto de eu nunca ter visto tanta gente à porrada num só filme. Acho que filmes Karl May como [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] devem estar no Guiness Book pelo maior número de figurantes aos tiros ou ao murro alguma vez colocados no grande écran ao mesmo tempo. Meus amigos há sequências com dezenas e dezenas… e dezenas (!!!) de figurantes aos tiros em tudo o que são sequências de porrada entre indios e cowboys.
É hilariante e fascinante. Lembrem-se que isto foi filmado com gente real em camera pois não havia cá CGI para duplicar exércitos ao monte.
Façam pausa no filme e comecem a contar. Nem vão acreditar. Ele são cowboys, indios, cavalos às dezenas. E a piada é que isto não é coisa isolada.

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Acho que não há Western Karl May que não tenha dezenas de gente ao murro e aos tiros.
E por falar em murros… irei falar disto nas sequelas de [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] mas se por acaso virem um muito, muito jovem actor que se parece por demais com Terence Hill numa diversidade de personagens terciários e secundários em várias das aventuras ( esse mesmo , dos filmes Bud Spencer anos mais tarde ), não é ilusão de óptica. Ele não entrou ainda nesta aventura inicial que em duração é a mais épica de todas, mas teve um sem número de papeis diferentes nas “sequelas” quando ainda não devia contar com mais de 20 anos de idade.
Já agora uma outra caracteristica dos western Karl May, está no facto de usar e voltar a usar os mesmos actores nas sequelas mas em papeis totalmente diferentes. Daí, Terence Hill nos baralhar por completo quando de repente o vemos em histórias diferentes interpretando outras pessoas. O mesmo acontece a grande parte do elenco de [“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] que depois foi novamente usado “nas sequelas”.

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Ah, nunca é demais ressalvar com nota alta também para a banda sonora, pois como já disse, esta é daquelas que define um filme e um univeso cinemático por completo. A forma como nos transporta para aquele mundo de fantasia é simplesmente incrível e mesmo quando se torna repetitiva por vezes, mal a música do tema principal começa a tocar ficamos logo imediatamente hipnotizados por completo. Lindíssima, poética e com um sentido de aventura clássicamente épico que só John Williams mais tarde viria a reproduzir.

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[“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] essencialmente é isto, um grande filme de aventuras alemão, falado em alemão com um par de actores americanos como “Herbert Loom” ( o excelente Nemo de “A Ilha Misteriosa ) e que aqui é o vilão de serviço.
Um “Western” que conta uma história de caça ao tesouro e templos perdidos que normalmente não costumamos associar aos filmes de cowboys.
Tem também a particularidade de ser um dos poucos western “clássicos” em que os Indios não são necessáriamente os vilões e até são apresentados como sendo povos sensatos vivendo em comunhão com a natureza e tribos nobres, algo que só me lembro de ver em DANÇAS COM LOBOS que, curiosamente tem imensas semelhanças com isto também na forma quase bucólica como tenta mostrar a vida dos povos nativos da planície Americana.

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Todos os filmes de Karl May foram restaurados para Bluray e a qualidade é absolutamente extraordinária na sua maioria.
E sendo assim…

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CLASSIFICAÇÃO

[“DER SCHATZ IM SILBERSEE / The Treasure of Silver Lake“] é o antídoto perfeito para dias mais sombrios.
Se tal como eu nem sequer gostam de Westerns, dêem uma oportunidade a isto e irão surpreender-se; não só com a modernidade da estrutura da aventura mas também com todo o ambiente natural cénico que é simplesmente épico e real.
E claro, só aquela música vale o filme.

Cinco Planetas Saturno e claro, um GOLD AWARD

     

A favor: Tudo ! As paisagens, a aventura, as cenas de porrada com mil gajos, o espirito Indiana Jones, o templo perdido, os indios fofinhos e bonzinhos, os cowboys, a banda sonora…faz lembrar cinema de Fantasia a todo o instante, etc.

Contra: foi tudo uma grande tanga de Karl May… mas e depois ?…

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TRAILER ORIGINAL ALEMÃO


TRAILER AMERICANO

 

COMPRAR EM BLURAY – EDIÇÃO ALEMÃ – AMAZON.DE

COMPRAR A MELHOR COLECÃO DE KARL MAY FILMS de todos os tempos.
Em breve irei fazer uma review detalhada sobre esta edição mas para já fiquem a saber que alguns filmes estão legendados em inglês, outros não. Alguns dos que não estão legendados em ingles podem ser vistos dobrados em americano ( com um som péssimo ) e uns poucos do fim da colecção nem estão legendados, nem estão dobrados e só os podemos ver em Alemão. Se vocês pensam que isto é algo que os impedirá de curtir os filmes se tal como eu não perceberem puto de Alemão, não se preocupem… é impossível não conseguir seguir ou divertirmo-nos com um filme de Karl May quando tudo nesta colecção está restaurado para bluray com uma qualidade espectacular em termos de imagem e som na pista original alemã.
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Darei mais detalhes em breve mas actualmente não há melhor sítio para comprar isto do que a caixa fantástica com 16 blurays que está à venda na Amazon Alemã.

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KARL MAY UM GRANDE MENTIROSO

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0056452/?ref_=fn_al_tt_1

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Se gostou deste, poderá gostar de:

capinha_Silverado

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“SUPERMEN OF MALEGAON” (“Supermen of Malegaon”) Faiza Ahmad Khan (2008) India, Singapura,Coreia do Sul, Japão

Isto agora é uma espécie de “EDIÇÃO ESPECIAL” para este blog. Desta vez não irei recomendar um filme, mas um documentário muito especial.

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[“SUPERMEN OF MALEGAON“] é aquele documentário sobre cinema que até quem não gosta de cinema irá muito provavelmente adorar porque acima de tudo é verdadeiramente humano e acima de tudo inspirador.
[“SUPERMEN OF MALEGAON“] também poderia chamar-se “Como fazer tudo não tendo nada !” e se vocês só virem um documentário este ano, [“SUPERMEN OF MALEGAON“] é aquele que não podem perder.
Ainda por cima porque está disponível de borla na integra no Youtube e eu só descobri isto hoje.

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Neste tempo de pandemia em que vivemos com notícias negras a todo o instante, titulos como este pequeno filme [“SUPERMEN OF MALEGAON“] com pouco mais de uma hora são verdadeiramente uma lufada de ar fresco no ambiente que respiramos e algo que lhes transmitirá não só um sentido de maravilhoso mas também será capaz de inspirar muita gente que costuma ficar sentada no sofá porque acha que não tem meios técnicos ou logísticos para realizar um sonho criativo pessoal qualquer que mantém durante anos na gaveta, porque “não vale a pena…”

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[“SUPERMEN OF MALEGAON“] apresenta-nos os bastidores das filmagens de um filme indiano.
Mas não é um filme indiano normal de Bollywood; não estamos a falar de uma grande produção. Na verdade nem sequer estamos a falar de uma pequena produção.
Se alguma vez a expressão “baixo-orçamento” serviu para classificar um certo tipo de cinema ( que eu adoro ), também não será aqui que a designação se poderá aplicar.

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Isto porque o que este documentário … documenta… é o dia à dia de uma “equipa de filmagens” durante as semanas de produção de um filme. E filme mais caseiro é impossível de ter sido pensado neste contexto. Deixo os detalhes para vocês descobrirem no documentário e garanto-vos que irão ficar inspirados com o tudo que estas pessoas tentam criar a partir do nada.

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A India é conhecida por ter uma população que ama o cinema. Até nas aldeias mais pobres há sempre ajuntamentos para ver um filme num contexto moderno que ainda hoje remete para uma atmosfera – Cinema Paradiso – por completo. E vai daí, numa aldeia a 300 Km de Bombain um grupo de pessoas comuns começou a tentar fazer cinema com o que tinha à mão. Inicialmente para projectar em sessões para os amigos mas a coisa logo se tornou popular junto da população sedenta por mais filmes, o que os levou a tentar ir cada vez mais longe.

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E [“SUPERMEN OF MALEGAON“] documenta precisamente o quão longe eles tentaram ir com a produção em questão. Não se ficaram por tentar criar um típico drama ou musical nos moldes que conhecemos, mas mesmo sem qualquer experiência, verba ou equipamento para tal decidiram meter mãos à obra e tentar fazer precisamente um remake de “SUPERMAN” de Richard Donner mas num contexto muito próprio.

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À primeira vista, vocês poderão olhar para todas as imagens e terem vontade de rir do resultado, mas garanto-vos que ao terminarem de ver o documentário, ficarão sim com vontade de ir lá ajudar no próximo filme também.

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CLASSIFICAÇÃO

Na minha opinião [“SUPERMEN OF MALEGAON“] é num certo contexto, talvez o melhor documentário que alguma vez vi sobre Cinema.
Principalmente sobre o que a sua magia pode fazer para de certa forma mudar a vida até de quem não tem nada a não ser um sonho e só isto é uma boa razão para vocês espreitarem este pequeno grande filme fabuloso.

Cinco Planetas Saturno e claro, um GOLD AWARD

     

A favor: tudo.

Contra: nada.

Se gostaram de “THE DISASTER ARTIST” por exemplo, se também conhecem o livro que documenta toda a loucura por detrás de “THE ROOM” em [“SUPERMEN OF MALEGAON“] irão encontrar outro bom exemplo do que é criar um sonho porque tem que ser.

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DOCUMENTÁRIO COMPLETO (CC para legendagem no youtube)

 

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

Podem também ir buscá-lo aqui.
http://www.myduckisdead.org/2019/06/supermen-of-malegaon-2008-faiza-ahmad.html

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt1479380/

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Se gostou deste, poderá gostar de:

capinha_Hollywood Boulevard 2.jpg capinha_DISASTER-Artist

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Se gostou deste poderá gostar destes outros extraordinários documentários de making of sobre o que é a paixão de se realizar cinema de baixo orçamento só porque sim.

https://www.youtube.com/watch?v=hfI1dy569kI
https://www.youtube.com/watch?v=coqT1YVvAN8
https://www.youtube.com/watch?v=XDbI0wLTC0k
https://www.youtube.com/watch?v=XL_LdQrBTF4

https://www.youtube.com/watch?v=jappZwmyCa8
https://www.youtube.com/watch?v=CeLP1iewOtc
https://www.youtube.com/watch?v=aQBjmOMtUKU

https://www.youtube.com/watch?v=bZvtyqwHhoQ

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“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE” – A versão original Alemã – Wolfgang Petersen (1984) ALEMANHA

Mas quem é que terá sido a besta…
Quem é que terá sido a besta que em Hollywood achou, que para se transformar [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] em “THE NEVERENDING STORY” seria mesmo necessário cortarem-se 6 minutos de filme (?!) …

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Depois dos produtores Alemães baterem a muitas portas nos EUA obtendo sempre a mesma rejeição , finalmente a Warner acedeu a lançar aquele filme esquisito produzido na Europa que metia bichos estranhos e mundos de contos de fadas.
Mas para isso acontecer, numa altura em que qualquer coisa que cheirasse a fantasia era garantia de desastre nas bilheteiras norte americanas, foi exigido que houvesse uma remoção de 6 minutos da montagem teatral europeia. Isto porque no seu original exibido nos cinema da Alemanha, [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] poderia ser um bocado secante para os americanos…parece que seis minutos a mais o tornariam chato ou algo assim…
E foi assim que o filme passou a ser distribuído mundialmente pela poderosa máquina de marketing de Hollywood tornando-se tão popular que até hoje muita gente ainda pensa que A HISTÓRIA INTERMINÁVEL será um filme americano.

6 MINUTOS !?

E perguntam vocês… Seis minutos ?!
O que raio 6 minutos podem fazer de melhor ou pior num filme como este ?!
Precisamente.
Durante anos eu ouvi falar sobre os seis minutos que só os Alemães viram e também eu nunca lhes dei muita importância, até porque como eu já detalhei na minha review para “THE NEVERENDING STORY“, este é um filme que marcou a minha vida e foi definitivamente responsável por eu hoje trabalhar com ilustração de fantasia também.
Como já referi mais em detalhe no meu texto sobre “THE NEVERENDING STORY“, é hoje sabido que o editor anónimo não creditado na “versão Hollywood” que todos nós conhecemos foi Steven Spielberg. Foi a ele que coube escolher o que remover da montagem original para tornar o filme mais ligeiro e dar-lhe um toque mais Disney como o distribuidor em Hollywood exigiu.

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E agora após eu ter finalmente visto a versão original do filme com mais 6 minutos (10 na verdade se adicionarmos os créditos diferentes também) só me pergunto se Spielberg fez o melhor possível ou se realmente, foi ele o primeiro nos EUA a dar início à total destruição do romance de Michael Ende no que toca à sua miseravel adaptação cinematográfica se tivermos em conta o que aconteceu nas sequelas produzidas por Hollywood após este começo particularmente bom de origem Alemã.
Isto porque, aquilo que as sequelas já produzidas com dinheiro e dominio americano  fizeram para destruir aquele que é para mim o melhor romance de fantasia de sempre continua a ser simplesmente inenarrável a todos os níveis possíveis e imaginários.

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No entanto, até eu que sempre pensei que “THE NEVERENDING STORY” ainda era a única parte que mantinha alguma dignidade e seria minimamente fiel ao espírito do romance original naquilo que tentou adaptar, agora… depois de finalmente ter conseguido colocar os olhos ( e principalmente os ouvidos ) em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] dúvido mesmo muito que volte a rever esta história de fantasia na sua versão “THE NEVERENDING STORY” que durante 36 anos foi tão importante para mim.

Meus amigos, [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”], na sua versão “longa” original, não só é um filme que parece completamente diferente mas acima de tudo restaura aquele toque especial que sempre me tinha parecido um bocado apagado quando comparado com o espírito do romance de Michael Ende.

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E estou a falar da atmosfera de [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] enquanto filme de fantasia.

IT´S THE WORLD OF HUMAN IMAGINATION…

Dei por mim a ver [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] como se nunca tivesse visto “THE NEVERENDING STORY” , principalmente porque parecia que tinha voltado à cadeira do banco de cinema aos 14 anos em 1984 e absorvi agora cada sequência como se a estivesse a ver pela primeira vez. O que para um filme que eu conheço de trás para a frente e principalmente sei todos os diálogos de cor é obra !
Ter voltado a ficar totalmente colado ao ecran sem saber o que iria ver a seguir num certo contexto foi uma verdadeira experiência que eu nunca tinha tido em todas estas décadas a ver cinema.

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E perguntam vocês …. Mas tudo isto por causa de 6 minutos repostos ?!…
Sim.
E não.
Contrariamente ao que foi divulgado desde que se soube que Spielberg tinha sido responsável pelos cortes para a versão “Disneyficada” que todos nós conhecemos, a verdade é que existe muito mais para nos surpreender em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] na sua versão original do que apenas os seis minutos perdidos.
Visualmente a montagem pode “apenas” ter reposto os 6 minutos originais mas… surpresa das surpresas… o som !…

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Meus amigos… o som !!!
Se alguma vez quiserem ver um grande exemplo sobre a importância do som ( efeitos e música ) e quiserem perceber o quanto podem afectar um filme sem nós nos apercebermos, é compararem [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] com “THE NEVERENDING STORY”.
Não há palavras para descrever o quanto “os dois filmes” são diferentes; especialmente no que toca à atmosfera final de cada uma das versões !

HÁ AQUI QUALQUER COISA ESTRANHA…

Logo nos primeiros segundos percebemos que algo está “errado” aqui nesta versão original…
O facto de [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] não contar com a música de Georgio Moroder e principalmente não abrir com a popular canção de Limahl logo no título ( encomendada por Spielberg para a versão “americana” mais tarde para aproveitar o surgimento da MTV na altura nos Eua ) cria logo uma sensação estranha no espectador.
De repente o genérico do nosso “THE NEVERENDING STORY” já não tem aquele ambiente a puxar para a fantasia-Disney e agora mais parece a abertura de um thriller sobrenatural para crescidos. Os créditos de [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] não ficariam destoados de uma sequela de O Exorcista. Ou num filme de terror dos anos 70 ao estilo “The Omen”. Acreditem-me.
Principalmente se vocês tal como eu conhecem bem toda a partitura da versão americana do filme com que a maioria de nós, que tem hoje a minha idade cresceu.

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E já agora, quem conhece bem o livro de Michael Ende subitamente dá por si a finalmente conseguir vislumbrar o tom assombrado das páginas do romance original bem representado logo no início do filme o que é absolutamente fascinante.
Isto porque se “THE NEVERENDING STORY” sempre pareceu algo “fofinho” imediatamente a partir do genérico, por causa disso também logo destoou do tom mais sério e sombrio do texto do escritor. No entanto basta vocês agora verem [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] para perceberem que de repente temos a noção de que Wolfgang Petersen afinal se calhar tinha acertado em cheio no tom sério e assombrado da sua adaptação ao contrário do que parece se virmos a remontagem de Spielberg.
O filme original tem uma atmosfera de suspense sombrio absolutamente fiel ao que se passa no livro.
Uma atmosfera que foi completamente eliminada “com sucesso” na remontagem para distribuição americana que todos nós conhecemos, não só pela ausência dos 6 minutos como acima de tudo pela forma como o som e a música foram misturados nas duas versões do filme.

MUITO MAIS QUE 6 MINUTOS

É que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] não parece apenas diferente por causa dos 6 minutos perdidos.
A versão original não tem apenas 6 minutos de diferença mas ao longo de toda a sua duração, conta pelo menos com uns 75 minutos “de novos pormenores” onde estão sempre a surgir coisas que subitamente nos parecem totalmente estranhas quando comparadas com aquilo a que estavamos habituados… a ouvir.

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Em termos de som pelo menos uns 85% da totalidade da duração da história em “DIE UNENDLICHE GESCHICHTE” contém um sem número de detalhes totalmente novos que vocês nunca… ouviram. (!)
Para lá dos 6 minutos extra, que … meus amigos, fazem toda a diferença por incrível que pareça, experenciar “de novo” esta fascinante aventura de fantasia quando somos constantemente enganados pelos nossos ouvidos é algo que faz com que pareça a todo o instante que estamos a ver um filme novo.

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Não só a música do compositor original Klaus Doldinger está colocada no meio de sequências a que não estamos habituados como [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”]” está carregado de diálogos novos ou totalmente alternativos quando comparados com o que estavamos habituados a ouvir em “THE NEVERENDING STORY” !
Isto muda logo por completo a atmosfera da história; faz com que a aventura pareça muito mais séria e sombria por vezes e acima de tudo mostra-nos um [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] que desta vez nos conta uma história mais complexa do que aquela aventura ligeira a que estavamos habituados. A inclusão de alguns pormenores mais sombrios e detalhados ( em diálogos com o Gmork por exemplo ) fazem com que esta HISTÓRIA INTERMINÁVEL de repente ainda nos pareça uma adaptação mais fiel da primeira parte do romance do que costumava parecer.

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É realmente fascinante e um bocado deprimente também, perceber agor aque toda a intenção original de Wolfgang Petersen em tentar ser realmente fiel ao tom do romance de Michael Ende foi apagada da montagem americana e só agora todos estes anos depois ao compararmos os dois filmes é que nos podemos aperceber da magnitude das diferenças. O poder da montagem é fascinante e este filme é um verdadeiro case-study.

A HISTÓRIA MAIS COMPLEXA

Não só algumas partes da história agora estão mais detalhadas ; como [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] está carregado de diálogos alternativos que nunca tinhamos ouvido antes.
Desde a clássica cena da clareira onde os viajantes se encontram no início da história em que ouvimos finalmente a verdadeira voz do homenzinho que cavalga o caracol veloz, até a um monte de pequenas mudanças nos diálogos com Morla, Falkor, Engivuk e Gmork, [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] é um nunca mais acabar de surpresas audio do princípio ao fim.

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Uma das sequências que eu sempre achei desnecessária na versão americana que conhecemos é o “clássico” diálogo entre Atreyu e o Rockbiter quando o jovem o encontra na cidade em ruínas sózinho : “They look like big strong hands… don´t they ?”
Bastou-me no entanto agora ouvir a verdadeira pista de som que tinha sido gravada para esta sequência e a cena ganhou imediatamente um contexto dramático totalmente correcto.
Subitamente esta pequena cena “inútil” tem toda a razão de ser para percebermos o desespero dos personagens sem nos tentarem atirar à cara momentos emocionais forçados como sempre me pareceu ser na versão remontada. Nesta versão original este até se tornou agora um dos melhores momentos pois faz a ponte perfeita para o acto final da história.

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Não fazia mesmo ideia de que os americanos tinham dobrado tantos actores e substituido ( simplificando ) tantos diálogos para remontar a versão comercial que tão bem conhecemos.
O que mais me surpreendeu nesta versão original foi conter tantos pequenos – inserts – audio que fazem a diferença a nível do tom emocional da história.
Estava à espera que os seis minutos adicionais incluissem algumas coisas novas mas em não estava nada à espera de encontrar tantas diferenças a nível de som !
E todas absolutamente fascinantes. Isto claro, se vocês pertencerem àquele grupo de pessoas que tal como eu conhece o filme “normal” de trás para a frente.
Estas pequena mudanças que encontramos agora na versão original trazem esta aventura para um tom mais adulto do que aquele a que estavamos habituados e o aproximam do romance original. Um livro que que nunca tentou ser politicamente correcto, ou menos triste ou assustador só porque seria à partida um livro para crianças; e é esse o pormenor mais importante que está reflectido em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”].

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É por isso que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] é de longe a versão mais próxima do romance de Michael Ende. Tem uma atmosfera de aventura mais séria, mais dramática, muito , muito assombrada por vezes ( sente-se bem o estilo de cinema europeu ) e contém inclusivamente algum “gore” inesperado no que toca à forma como mostra sangue a escorrer quando Gmork é morto ( algo óbviamente eliminado da versão americana ).
Torna-se quase impossível… Uma verdadeira tarefa … interminável, tentar agora detalhar as dezenas e dezenas de pormenores diferentes neste filme; modificados essencialmente pela reposição do som original em vez daqueles linhas “clássicas” nos diálogos ( americanos ) a que estavamos habituados.

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A forma como a música ( e a ausência dela ) cria agora um ambiente angustiante e assombrado nas sequências passadas no Pântano da Tristeza faz com que pareça estarmos a ver uma sequência mais modificada do que na realidade está.
Os pequenos novos inserts no monólogo de Atreyu quando Artax se afoga e os breves segundos a mais na montagem dessa sequência por exemplo, fazem agora com que essa parte em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] se aproxime verdadeiramente do ambiente dramático em tom sério presente no livro quando na versão americana eu até tinha ficado com a ideia de que teria havido por ali um overacting quando Atreyu berra para salvar o seu cavalo. Sensação errada que foi agora totalmente corrigida.
A versão alemã repõe não só o suspense original como de certa forma restaura a qualidade do trabalho de Noah Hataway que tinha sido algo trucidada pelos cortes da montagem americana.

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E por falar em qualidade de representação. Se a Princesa Criança já era fabulosa na versão americana, os pequenos inserts novos na parte em que ela está cada vez mais angustiada nos momentos de suspense finais vão arrepiá-los até à medula com a honestidade e sensibilidade daquele momento de representação. Outro bom exemplo onde cinco ou seis segundos fazem a diferença e elevam o trabalho dos actores.

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Como raio é que Spielberg cortou estes breves segundos na versão americana é algo que me ultrapassa… se calhar foi para não torturar muito emocionalmente os jovens espectadores americanos na altura que não aguentariam momentos emocionais tensos e excessivamente adultos… aposto.

6 MINUTOS INTERMINÁVEIS

E isto acontece em muitas outras cenas. Podemos estar a falar de 6 minutos de diferença mas não são seis minutos de cenas novas. São sim, 6 minutos de pequenos inserts , ás vezes com não mais que dois segundos mas que volto a dizer; fazem toda a diferença no que toca à representação e tom dramático do filme !

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Dividam estes 6 minutos por centenas de pequenos – inserts – que nos permitem finalmente ver um monte de sequências originais na sua forma completa e vocês acabarão de ver [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] com a verdadeira sensação de ter visto um filme compleamente novo.
Um filme que lhes irá até parecer ter muito mais cenas extra do que na realidade teve.

I NEVER KNEW IT WAS THAT BEAUTIFUL !…

O que não quer dizer que aqui e ali não tenha umas sequências que nunca tinhamos visto.
Por exemplo eu que fiquei tão marcado em criança com a cena da paisagem da Torre de Marfim, para mim só o facto de descobrir que agora nesta versão “longa” existem pelo menos mais uns dez segundos de panorâmicas ao redor do cenário épico fez logo com que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] se tornasse desde longe a minha nova versão favorita deste filme.

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Nota alta para a música em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] também. Pode não conter os toques adicionais electrónicos que conhecemos introduzidos por Georgio Moroder mais tarde, mas a partitura original de Klaus Doldinger continua a ser totalmente mágica. Especialmente porque no original está a ser usada em locais que não estamos nada à espera para criar um tom emocional totalmente diferente.
Menos Disney e mais Lord of the Rings.
O tema original para a revelação da Ivory Tower que na versão americana tinha sido usado para outra coisa está simplesmente mágico nessa sequência mais longa agora na versão original do filme, por exemplo. Não fazia mesmo ideia de que esta música era o verdadeiro tema escrito para o Torre de Marfim !
E resulta pois a primeira revelação visual desta paisagem na versão original ganhou ainda um tom mais épico e encantado.

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Aliás a partir de agora, por muita falta que a música do Limahl me faça, ao início e no fim do filme não há dúvida nenhuma que o filme original a partir de agora é a versão que daqui para a frente irei sempre rever com toda a certeza.
Não há comparação.
A ausência da música de Moroder não faz qualquer diferença. Ou sequer falta.
[“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] pode continuar a não ser a versão perfeita da primeira metade do livro de Michael Ende, mas é de longe a que mais se aproxima do tom assombrado presente no romance; ( que, já agora se assemelha mais ao que podem encontrar no filme dos Nightwish “IMAGINAREUM” ( principalmente a atmosfera da parte final do romance) do que se parece com o que conhecemos da versão americana ).

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O que não quer dizer que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] seja mais deprimente, ou parado , ou não mantenha aquele tom imaginário original.
[“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] contrariamente a “THE NEVERENDING STORY” apenas o consegue fazer sem precisar de apagar , tornar politicamente correcto, ou aligeirar simplificando para americano entender,  tudo aquilo que tenta adaptar fielmente do livro.

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CLASSIFICAÇÃO

Bem, o que dizer quando de repente um dos filmes que mais marcou a minha vida, súbitamente me aparece como sendo practicamente um filme novo ?!!

Não há dúvida, de agora em diante [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] é o filme que irei rever mais vezes, esperemos, pelos próximos 36 anos também.
É de longe a melhor versão, a mais complexa e a mais atmosférica se o contexto for o da adaptação mais fiel possível do livro.

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Quem não conhece bem a fundo a versão americana a que todos estamos habituados, muito certamente olhará para esta versão original e não irá perceber nada do que eu estou para aqui a dizer pois dúvido que note sequer alguma diferença.
Se não vêem o filme há muitos anos, se só o viram em crianças , se não conseguem suportar a ideia de ver A HISTÓRIA INTERMINÁVEL sem a canção The Neverending Story do Limahl então ignorem tudo isto e fiquem-se pela versão americana remontada pelo Spielberg.

Agora se conhecem bem o livro, se conhecem bem o filme que viram no cinema e acima de tudo se são daqueles que sabem de cor cada linha de diálogo e onde cada momento musical da fabulosa banda sonora entra, preparem-se para a experiência audio-visual mais desconcertante das vossas vidas.

Simplesmente fabuloso e como tal se dei a classificação máxima à versão mais popular que conhecemos, vou ter de voltar a rebentar a escala aqui e atribuir:

Cinco Planetas Saturno e DOIS Gold Award porque é impossível resistir a [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] depois ter passado tantas décadas absolutamente fascinado com uma “versão menor” remontada e mutilada em Hollywood.

     

A favor: 6 minutos de novas sequências divididos por mais de 70 em novos inserts que extendem muitas das cenas que conhecemos dando-lhes um contexto muito mais lógico, um par de novas cenas que dão um tom mais sério à história, os diálogos originais repostos são tantos que perdemos a conta, alguns diálogos acrescenta pormenores mais complexos à história do que aquilo a que estavamos habituados, tem pelo menos mais 10 segundos na sequência inicial da Torre de Marfim, o filme ganha um ambiente mais sério mas nem por isso menos divertido, algum sangue inesperado ou momentos creepy que poderiam pertencer a um filme sobrenatural, a maneira como a banda sonora é usada nesta versão original é fabulosa, a montagem já não parece fragmentada e o filme flui muito melhor do princípio ao fim.

Mantém a fotografia em tom sépia original ao contrário das remasterizações modernas da versão americana em Bluray onde tudo é puxado para tons verdes e azuis para parecer mais moderno. O ambiente sépia do filme original é fabuloso.
Ignorem as fotos puxadas para o azul ou de cor saturada que ilustram este texto agora pois pertencem à versão remasterizada da edição americana. A versão original tem um tom muito mais em estilo de pergaminho no que toca à cor e já não parece um videogame colorido a todo o instante.

Contra: O final “Disney” que sempre esteve incluído continua uma estupidez ( mas percebe-se que seria dificil de acabar o filme de outra forma por causa do que faltava adaptar do livro ainda. Isto porque o final do filme com a sequência da Princesa, no livro é na verdade o início da aventura principal de toda a história com Bastian como protagonista a partir dali ( ignorem a desgraça que fizeram com as sequelas do filme…pois essas destruiram por completo o que restava do romance original ).

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NOTAS ADICIONAIS

Apesar de ser uma produção Alemã os diálogos originais sempre foram em inglés embora o filme na sua versão original tenha passado dobrado em Alemão no país de origem.

TRAILER ALEMÃO

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O ELENCO ANTES e AGORA

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COMPRAR DVD – REGIÃO 2 – EDIÇÃO ALEMÃ na AMAZON.DE

Existem neste momento duas edições com capa diferente desta versão do filme editadas na Alemanha.
O conteúdo é o mesmo, apenas muda a capa e a escolha é vossa.

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Contém um livro com muitos detalhes para quem entender Alemão e o pack vem com o bluray e o dvd incluídos.
Não tem muitos extras, por isso se quiserem saber tudo sobre como se fez o filme recomendo que comprem também o bluray dos 30 anos da versão americana que menciono por todo o lado.

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COMPRAR LIVRO EDIÇAO PT
Por qualquer motivo estúpido não só em Portugal como lá fora também nos últimos anos este romance tem sido lançado sem a inclusão das ilustrações originais e que são absolutamente fundamentais para criar aquela sensação de ligação do leitor com o que acontece no livro.
A Editorial Presença tinha no início dos anos 80 uma edição perfeita que apareceu de novo em 1988 e essa contém ainda os desenhos que introduzem cada capítulo que não se percebe de todo porque já não constam nas edições recentes.
A mesma editora lançou há pouco tempo uma nova edição do livro mas mais uma vez já não traz as ilustrações. Apenas tem o livro impresso a duas cores ( como é necessário para a história funcionar ) mas ignoraram por completo a importância dos desenhos. Não percebo porque não se limitaram a re-editar a edição excelente que já tinham…
De qualquer forma não deixem de ler o romance. MESMO.
http://www.fnac.pt/A-Historia-Interminavel-Michael-Ende/a57691

IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0088323

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