“THE WAR OF THE WORLDS – BBC MINI-SERIES” (“THE WAR OF THE WORLDS”) Craig Viveiros (2019) INGLATERRA

Quando eu descobri que a BBC ia adaptar – A Guerra dos Mundos – num ambiente totalmente fiel ao do romance e situado precisamente na época em que a história original decorre, eu achei que [“THE WAR OF THE WORLDS“] não podia falhar. Finalmente uma versão fiel à Guerra dos Mundos de H.G.Wells !
Nope !…

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[“THE WAR OF THE WORLDS“] não é tão mau como muita gente acusa esta mini-série de o ser no IMDb, mas eu desta vez percebo a frustração das pessoas.
Toda a gente queria mesmo que isto tivesse sido fabuloso e fabulosamente fiel ao livro original, depois de tantas versões -modernizadas- desde a clássica versão 50s scifi norte americana até ao moderno War of the Worlds com Tom Cruise.
Bem, nem foi uma coisa nem outra.

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Em vez de aproveitarem os fabulosos valores de produção com que a série pode contar tudo em [“THE WAR OF THE WORLDS“] nesta versão BBC 2019 parece estar continuadamente a acertar ao lado do que deveria ter sido. O pior disto tudo é sentirmos constantemente que o potencial desta adaptação foi completamente desperdiçado por culpa de um script que à força de tentar criar realmente uma abordagem original acabou por dar um verdadeiro tiro no pé.

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O conceito não é mau. Parte de todas as ideias presentes no romance de Wells e tenta ir mais além. A ideia de mostrar o que aconteceu ao planeta Terra depois da guerra ter terminado é mesmo muito boa e até está bem executada visualmente e em termos de ambiente apocaliptico mas… como raio é que depois tudo falha ao redor ?…
O problema de [“THE WAR OF THE WORLDS“] …são vários.
Primeiro dispersa-se por demasiados mini-conceitos e sub-plots que não vão a lado nenhum. Tem personagens que lá estão apenas para servir quase de figurantes e para irem morrendo porque sim e todos os restantes parece que andam por esta história perdidos nas suas deambulações pessoais.

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Salvo raras excepções nunca sentimos grande empatia entre os protagonistas. E para um argumento que gira também à volta da relação do casal central, como raio é que é possível que este par não tenha a mínima química romântica no ecran ?! Quem é que fez este casting ?!
É que ter alguém como Eleanor Tomlinson no ecran e depois não conseguir tirar qualquer química romântica dela em relação ao seu par numa história é obra ! Algo que eu nunca pensei ser possível; especialmente depois de a ter visto na extraordinária série de época, POLDARK onde está fabulosa com Aidan Quinn; também precisamente porque todo o elenco funciona com a precisão de um relógio Suíço.

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No mínimo era o que se esperava também em  [“THE WAR OF THE WORLDS“] mas tal nunca acontece, mesmo quando o elenco conta com actores como Robert Carlyle  que desaparece também a meio da história para justificar um twist para lá de óbvio mais tarde também mas que depois não leva a lado nenhum pois o seu personagem não serve para muito.
É dificil descrever isto , porque [“THE WAR OF THE WORLDS“] é uma daquelas produções de que apetece gostar mesmo muito.

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Estamos sempre a tentar procurar encontrar qualquer coisa boa e por vezes o que tem de muito bom até consegue enganar os nossos sentidos. Mas dura pouco. Mal a história insiste em tentar focar-se nos personagens e no seu percurso pessoal, toda a estrutura narrativa perde o fôlego e levamos com cenas absolutamente redundantes que só frustram o espectador. Por vezes só apetece gritar para que a série se deixe de cenas que não servem para nada e nos mostrem algo digno da própria herança de H.G.Wells.

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Até o final, que dura longos minutos, sabe a pouco. Levamos com um monólogo que parece interminável mas que nunca se foca naquilo que nós enquanto espectadores queriamos mesmo saber sobre o destino do mundo em geral e dos personagens em particular.
O problema de [“THE WAR OF THE WORLDS“] é que nunca sabe se quer ser uma adaptação do romance original, uma série scifi de aventuras ou terror, um panfleto político e de crítica social ou um estudo pseudo intimista sobre relações humanas protagonizado por personagens que na verdade depois não têm grande coisa para fazer ou sequer grande empatia entre eles.
A mini-série tenta ser tudo ao mesmo tempo ou alternadamente e acaba por não conseguir ser nada pois não há um fio narrativo condutor coerente.

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Apesar dos bons efeitos especiais e do design de produção que por vezes tornam [“THE WAR OF THE WORLDS“] tão espectacular e interessante por segundos, a verdade é que quem partir para isto à espera de algo em concreto vai ficar tão desapontado como toda a gente frustrada que anda pelo IMDb a publicar comentários tão desorientados sobre o o que viu.
Isto é um scifi televisivo muito estranho.

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Na verdade não se pode dizer que seja mau, mas o problema é que não se percebe bem o que poderá ser.
O design dos Tripods está fantástico , as cenas de pânico na praia estão do melhor, o ambiente de suspanse e terror por vezes está mesmo bem conseguido, mas depois tudo o que tenta adicionar de novidade como por exemplo as cenas passadas depois da guerra, acaba por ser um enorme desperdício, até porque essa parte da aventura não vai a lado nenhum e torna-se ainda mais frustrante quando a série termina e ficamos com a sensação de que vimos uma espécie de episódio-piloto incompleto para qualquer coisa que nem sequer começou.

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CLASSIFICAÇÃO

Tinha tudo para ser uma das melhores versões do romance de H.G.WELLS.
Um design fantástico, uma protagonista carismática e com uma grande presença de ecran e um par de ideias originais muito boas à partida.
Infelizmente fica tudo pelo caminho por culpa de um argumento que pretende ser mais inteligente e interventivo politica e socialmente do que [“THE WAR OF THE WORLDS“] precisava de o ser.

Três Planetas Saturno

  

A favor: o ambiente steampunk e design de produção em geral, Eleanor Tomlinson e Robert Carlyle iluminam o ecran quando estão em cena, algumas ideias novas são boas, o design dos marcianos, o ambiente de terror e suspanse.

Contra: os personagens não têm química nenhuma, o par romântico não funciona de todo , o argumento pretende ser demasiado inteligente e não era necessário, a mini-serie parece um episódio piloto incompleto para qualquer coisa que não foi para a frente, o monólogo final parece ser interminável e nunca mencionar ou concluir nada sobre aquilo que queremos mesmo realmente ver, perde tempo com históricas e caracterizações que não levam a nada.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt8001226/

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capinha_extraterrestrial capinha_4th-kind capinha_LIFEFORCE capinha_Day-of-the-TriffidsBBC

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“MAGELLAN” (“MAGELLAN”) Rob York (2017) USA/AUSTRALIA

Há filmes que até em pirataria são incrivelmente dificeis de encontrar e durante dois anos eu procurei por uma cópia de [“MAGELLAN“] sem nunca me deparar com mais nada a não ser rips dobrados em Russo. Felizmente que o filme foi editado no ano passado na Europa em Bluray , (como não podia deixar de ser, por uma editora Alemã)  e como sempre tive intenções de o comprar, finalmente consegui colocar os meus olhos, neste que era um dos filmes scifi de baixo orçamento que eu mais procurei nos últimos anos.

Magellan

O fascinio de um título como [“MAGELLAN“] para mim está no facto de não querer ser menos do que um “INTERSTELLAR“; mas feito com muito pouco dinheiro.
Baixo orçamento mas enorme ambição e como tal desde que eu tinha visto o trailer produzido para a sua campanha Kickstarter que eu tinha ficado com enorme curiosidade sobre este filme espacial.

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Mais uma vez, estamos na presença de outro daqueles títulos scifi que essencialmente são trucidados pelos utilizadores do IMDb pelas razões mais imbecis.
Eu sinceramente não percebo como é que há gente que não consegue simplesmente entender o que são as limitações do cinema de baixo orçamento. E os piores são aqueles “científicos” que cascam nos titulos scifi porque os gajos descobriram que uma órbita que aparece demonstrada no filme está mal calculada na realidade e por isso o filme não presta porque é estúpido e não é científico.
[“MAGELLAN“] não é estúpido, mas sim muito limitado.
[“MAGELLAN“] é na verdade extraordinário.

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INTERSTELLAR NO-BUDGET

A minha produtora de cinema independente favorita nos EUA é de longe a ARROWSTORM ENTERTAINMENT pois simbolizam para mim ( bem longe de Hollywood refundidos no estado do Utah ) aquilo que é o gostar de se fazer cinema sem pretenções e sem dinheiro também; mas com muita imaginação, engenho e determinação do qual [“MAGELLAN“] é também um óptimo exemplo dentro da Scifi.
A série de cinco filmes de Fantasia, “MYTHICA” ( 12345 ) , juntamente com as produções ( de teste (?) )  iniciais, “DAWN OF THE DRAGON SLAYER” , “THE CROWN AND THE DRAGON” ou “RISE OF THE SHADOW WARRIOR” que eles criaram “caseiramente” há alguns anos atrás tiveram um sucesso tão grande no circuito alternativo e de festivais Fantásticos/Scifi dentro do cinema independente que estes cineastas voluntários de-fim-de-semana a partir de certo momento se –“viram obrigados”– a criar uma empresa ( Arrowstorm ) para distribuir as suas produções para o mercado exterior ( e controlar os copyrights ) quando os pedidos ultrapassaram as fronteiras do estado do UTAH onde tudo se originou.
O catálogo da Arrowstorm é fascinante e felizmente que está quase todo editado em bluray ora em Inglaterra ora na Alemanha, país este que tem sempre as melhores edições de cinema low-budget fantasia/scifi.

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Com o surpreedente sucesso de mega produções de Hollywood como o fabuloso “INTERSTELLAR” de repente também isso parece ter vindo demonstrar que para lá dos filmes pipoca sem cérebro disfarçados de scifi afinal ainda havia algures um público sedento por ficção-científica cinematográfica madura à espera de ver o género renascer por entre as cinzas de tanto lixo pré-fabricado nas últimas duas décadas pelos grandes estúdios; ( tentando passar por ficção-científica ).
O que veio dar um novo fôlego a histórias como as de [“MAGELLAN“] e em última análise ter feito com que boa ficção-científica clássica tenha começado a reaparecer. Mais até mais na Europa com “ANIARA“, “COSMOS“, “CARGO“, “ARES“, “VIRTUAL REVOLUTION“, “THE BEYOND” etc do que nos EUA; sempre restringidos ao cinema braindead para consumo de massas estupidificadas mas nem por isso menos capazes de criar boas histórias scifi realmente atmosféricas como se demonstra cada vez mais pelo cinema independente norte americano.

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E histórias que se calhar nem precisam de orçamentos milionários de Hollywood para resultar em pleno como [“MAGELLAN“] vem agora também muito bem demonstrar. Mesmo até quando em muitos momentos esta produção nos parece mesmo um filme caseiro;  especialmente ao notarmos que por exemplo, o cenário do interior da nave de cartão, madeira e esferovite poderá cair a qualquer momento se o actor tocar nas paredes, pois ( como se nota bem principalmente na cópia bluray ) tudo está claramente equilibrado por um fio com a ajuda de cola, fita cola, pregos, parafusos à vista, carpetes mal coladas por todo o lado e acabamentos de cenário tão pobrezinhos que por vezes é mesmo surpreendente como este filme foi para a frente com tão óbvias limitações de orçamento.

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E isso importa ?
NÃO !

EMPATIA

[“MAGELLAN“] pode ter muitos problemas de produção no que toca à credibilidade dos cenários e ambientes que procurou construir sem dinheiro nenhum e portanto meus amigos podem esquecer aquelas opiniões que atacam o filme – porque está mal feito e prontos ! – com base no óbvio.
É óbvio que [“MAGELLAN“] quer ser “INTERSTELLAR”, é óbvio que nunca conseguiria ser em termos técnicos mas o que consegue fazer é também merecedor de um enorme elogio. Quanto mais não fosse , porque à força de tentar parecer-se com “INTERSTELLAR” acaba no entanto por contar uma história absolutamente cativante do principio ao fim.
E não precisou mais do que um par de actores com uma química fantástica.

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O par protagonista de [“MAGELLAN“] é a alma do filme. Se estas duas pessoas não são um casal na vida real não sei onde foram buscar uma química romântica como esta. E digo isto no melhor dos sentidos. Tanto o personagem do astronauta como o da sua mulher nos parecem mesmo pessoas reais e se [“MAGELLAN“] faz alguma coisa muito bem está precisamente na forma como nos consegue fazer esquecer por vezes que estamos a ver um filme , tal é a empatia que os dois protagonistas conseguem criar com o espectador que torce até ao último segundo para que o seu destino seja feliz.

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Não só os dois actores são absolutamente convicentes mesmo quando passam practicamente toda a história separados ( ela fica na Terra, ele parte para o espaço ) , como também os próprios diálogos em [“MAGELLAN“] estão particularmente bem construídos. Nada fica por dizer e não se desperdiçam palavras ao acaso só para ir queimando tempo ou ir enchendo o filme para disfarçar as suas fraquezas de produção.
[“MAGELLAN“] não precisa sequer preocupar-se em disfarçar as suas fraquezas a partir do momento em que tem personagens centrais como estes dois.

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E nota alta para os secundários também. As vozes das A.I. a bordo da nave pois são o complemento perfeito para não só colar todas as pontas soltas em termos de exposição da história como ainda proporcionam alguns momentos de humor muito divertidos que humanizam ainda mais esta verdadeira aventura de exploração do espaço.
Na verdade o elenco em geral não está mal tendo em conta que alguns nem são actores profissionais e portanto esqueçam aquelas opiniões de utilizadores no IMDb que cascam em [“MAGELLAN“] também por isso.  Esse tipo de … “cinéfilos” … não se encontram claramente entre o tipo de público para o qual esta excelente história interestelar foi feita.
[“MAGELLAN“] pensado para quem cresceu com Arthur Clarke, Asimov, Robert Heinlein e todos os autores clássicos da ficção científica. Se não têm qualquer uma destas referências e apenas cresceram com a cultura popular “Comicon” dos últimos vinte anos, muito provavelmente este filme não é para vocês.

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ESPAÇO SEM FIM

Com boa produção da Arrowstorm que se preze, filmada no Utah, é óbvio que [“MAGELLAN“] irá provocar a tão costumeira sensação de – Deja Vu – a todos aqueles que tal como eu forem fãs deste grupo de film-makers amadores tornados profissionais por força das circunstâncias. É que toda esta aventura espacial foi precisamente filmada nos locais habituais onde todos os filmes da produtora são filmados. Ou seja , no “quintal” habitual, onde os mesmos locais já serviram anteriormente , para mundos de fantasia, dimensões paralelas, terra de zombies, etc…
O que nem por isso quer dizer que seja uma coisa má, especialmente quando nos mostram paisagens que nem sequer tinhamos noção de que existiam no estado do Utah.
Não é por falta de boas localizações que [“MAGELLAN“] possa ser atacado, embora neste caso até nem use muitos exteriores “imaginários”.

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Os tais “cinéfilos-especialistas científicos” apontam logo que os ambientes em [“MAGELLAN“] são rídiculos pois não se parecem mesmo nada com Titan; especialmente quando este é filmado no popular lago seco próximo de Salt Lake City já visto em tudo deste Lethal Weapon a videoclips da MTV; (entre outros). Ignorem.
Chega perfeitamente para os transportar para o universo espacial deste filme na boa.

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Surpreendentemente mesmo com o orçamento limitado que esta produção claramente teve ( foi resultado também de uma campanha Kickstarter como já referi antes ), a verdade é que [“MAGELLAN“] consegue mesmo um fantástico ambiente espacial sim senhor. Arrisco-me até a dizer que nem precisa ficar envergonhado numa comparação com “INTERSTELLAR” na forma como também nos consegue transportar para os confins do sistema solar sem qualquer problema.
[“MAGELLAN“] conta com algumas vistas épicas do nosso sistema solar e consegue criar muito bem aquela sensação de vastidão no universo. O filme está cheio de planos CGI (que apesar de baratinhos) , são absolutamente perfeitos para em muitos momentos conseguirem transportar o espectador para Saturno, Titan, Neptuno, e todas as localizações para onde a aventura nos leva.

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São efeitos limitados e muito pobrezinhos ? São sim senhor. Alguns são atrozes mesmo.
Outros funcionam na perfeição e dão-nos breves segundos de cortar a respiração por vezes pois nunca estamos há espera de encontrarmos pela frente algumas das paisagens espaciais que este filme sabe dosear muito bem para ir continuadamente criando um sentido de maravilhoso que muitas das vezes nem Hollywood consegue criar com orçamentos de milhões de dólares.
Em termos de efeitos [“MAGELLAN“] pode ser pobrezinho mas também aqui se nota o esforço que houve para dar ao espectador algo de grandioso com o que se podia arranjar e não me surpreende de todo se a maior fatia do dinheiro tivesse ido para os efeitos CGI.

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CELESTIAL

Nota alta para a banda sonora também.
Embora se há uma área onde [“MAGELLAN“] possa ser acusado de não querer ser mais do que uma cópia de “INTERSTELLAR” é no que toca à sua música.
Eu não me importo, adorei a banda sonora de “INTERSTELLAR” e curti e muito a banda sonora de [“MAGELLAN“] que consegue aproximar-se bastante do mesmo tipo de música “celestialmente espacial”. Na verdade quase ao ponto de roçar o plágio também… embora desta vez estejam perdoados. [“MAGELLAN“] tem mesmo o tipo de banda sonora que precisava de ter para resultar e é também a música que muito contribui para o abrir o filme para territórios verdadeiramente épicos e misteriosos.

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[“MAGELLAN“] a ter um defeito para mim , está no final. Não que ele seja mau; muito, muito pelo contrário. Na sua escala limitada do que pode mostrar é realmente inspirador e até fabuloso num certo contexto scifi que previligia as ideias em vez dos efeitos, mas peca por ter exactamente o mesmo final que todo este tipo de histórias que já apareceram antes em filmes semelhantes de produção independente. O fim é sempre o mesmo, embora neste caso eu tenha que concordar que é o final perfeito pois em termos de história [“MAGELLAN“] é aquele que melhor vai construindo as situações e o próprio mistério até que tudo culmine para que aconteça aquilo que tem que acontecer. Eu gostei e deixa-nos com muita vontade de saber o que vai acontecer a seguir pois eu espero sinceramente que a Arrowstorm quando “INTERSTELLAR 2” sair, também dê continuidade a [“MAGELLAN“]. Seria um perfeito candidato para uma sequela em estilo “RENDEZ-VOUZ-WITH-RAMA” se é que vocês me acompanham aqui nesta referência. 😉

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CLASSIFICAÇÃO

Se gostaram de INTERSTELLAR e gostariam de ver algo semelhante, se não tiverem preconceitos para com o cinema de muito baixo orçamento este [“MAGELLAN“] é uma excelente proposta; que também serve para quem gosta de coisas como ” 2001 Odisseia no Espaço” , “Arrival” e semelhantes títulos dentro da ficção-científica clássica.
A história deste astronauta que viaja pelo espaço tentando estabelecer contacto com a primeira entidade extra-terrestre que a humanidade localiza nos confins do sistema solar intriga-nos desde o início, o mistério agarra-nos, tem sentido de humor e os personagens centrais são absolutamente cativantes.

Cinco Planetas Saturno

    

Não leva um Gold Award porque nota-se a todo o instante que isto é um título muito limitado pelo seu orçamento e como tal ficamos sempre com um sabor a pouco quando estamos mesmo com vontade de ver muito e saber mais.

A favor: o par protagonista e a sua história, os dois actores centrais, os dois computadores A.I. são o complemento perfeito, o mistério alienígena é muito cativante, a forma como tenta com pouco dinheiro criar ambientes diversos no sistema solar é muito positiva, algumas vistas espaciais em breves animações CGI são fantásticas, óptima realização, tem um par de bons momentos de suspense, excelente banda sonora apesar de ser relativamente .. ehm… inspirada noutra que já ouvimos antes…

Contra: o final já foi feito muitas vezes antes neste tipo de filmes/histórias, alguns actores secundários e terciários são claramente amadores. Quem não percebe o esforço por detrás do cinema de baixo orçamento não vai perceber de todo onde está a graça.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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COMPRAR em BLURAY na AMAZON ALEMÃ

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https://www.amazon.de/dp/B07SL1MNCK/ref=sr_1_1?keywords=magellan+blu+ray&qid=1585417584&sr=8-1-spell

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“DIAMANTINO” (“DIAMANTINO”) Gabriel Abrantes, Daniel Schmidt (2018) PORTUGAL/BRASIL/FRANÇA

(ler em toda esta review com sotaque dos Açores a partir de agora). 🙂
Hoje quero falar-vos do Diamantino.

DIAMANTINO

A coisa que mais me surpreendeu neste filme foi como raio é que algo como [“DIAMANTINO“] me passou completamente ao lado !…
Não fosse ter visto este título em dvd à venda na FNAC com aquela capa histéricamente clássica, eu nunca teria sabido que isto sequer existia.
Até eu, que jurei nunca mais comprar um DVD pois só gasto dinheiro em Blurays não tive outra hipótese a não ser trazer o Diamantino para casa.
Por instinto e sem saber nada sobre ele.
Algo me dizia que isto ia ser muito especial.
E não estava enganado.

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Outra surpresa foi perceber o reconhecimento que isto tem estado a ter lá fora ao ponto de ter sido um sucesso em Cannes, o que para um filme Português, é obra.
Na verdade, parece que o mundo inteiro conhece este filme , excepto os Portugueses, a julgar pelas reviews no estrangeiro e pela fama de filme de culto que já tem em vários cantos do planeta.
E mete scifi tuga e tudo !

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Como falar sobre este filme sem lhes estragar o prazer da descoberta ?…
Há filmes tão prevísiveis no que toca àquilo que vamos ver a seguir que depois se tornam aborrecidos. Mas se [“DIAMANTINO“] tem uma força enorme a seu favor está no facto de que nunca fazemos ideia do que raio vai aparecer a seguir no ecran e quando aparece normalmente nem queremos acreditar no que estamos a ver.
Se conseguirem aguentar não ver o trailer ainda irão perceber melhor o que quero dizer; no entanto mesmo que o vejam, [“DIAMANTINO“] tem tanta cena estapafúrdia e genuínamente parva que ainda sobra bastante para descobrirem.

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[“DIAMANTINO“] segundo os seus criadores quando entrevistados no making of, não é sobre o Cristiano Ronaldo… embora eu ainda não perceba bem o que é que essa gente anda a fumar se espera que alguém acredite nisso depois de ver dois segundos desta aventura que mete tudo, desde futebolistas azeiteiros a sociedades secretas fascistas e cachorrinhos felpudos.

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Por falar em cachorrinhos felpudos, depois de verem [“DIAMANTINO“] , vai ser impossível vocês voltarem a ver um jogo de futebol com Cristiano Ronaldo sem pensarem em cachorrinhos felpudos e na sua relação com Diamantino.

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Diamantino é interpretado por Carloto Cotta, um actor que eu desconhecia por completo mas que por aqui parece ter sido totalmente possuído pelo espírito não só de Cristiano Ronaldo mas também por todos os futebolistas tugas azeiteiros que há memória.
Se [“DIAMANTINO“] tem momentos em que resulta plenamente como comédia hilariante muito se deve ao trabalho do actor nesta composição que (não) foi inspirada em alguem conhecido do mundo da bola.

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Diamantino não é apenas uma caricatura de Cristiano Ronaldo em modo azeiteiro levada a um extremo que toca por completo a realidade, mas acima de tudo é um personagem cativante, frágil e bastante humano também.
O que para um filme com uma história que podem encontrar em [“DIAMANTINO“] é obra !
O actor Carloto Cotta segura [“DIAMANTINO“] por completo mesmo naquelas alturas em que este título revela por demais as suas fraquezas enquanto filme. Diamantino é simplesmente brilhante, até mesmo quando o texto ( ou a realização ) não conseguem estar ao nível do trabalho do actor principal que parece ter nascido para interpretado este boneco que simplesmente (não) é uma das caricaturas mais geniais a Cristiano Ronaldo que poderão encontrar pela frente.

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É por causa dele que nós enquanto espectadores queremos mesmo gostar de [“DIAMANTINO“] enquanto filme. Comprei-o na esperança de que isto fosse tão bom quanto um dos meus filmes de culto tugas favoritos de todos os tempos ; “BALAS & BOLINHOS 2” mas infelizmente tenho que dizer que não chega lá.
Apesar do protagonista, dos personagens secundários ; ( as evil manas são o máximo também ), dos cachorrinhos felpudos e de conter um conjunto dos melhores gags dos últimos tempos a verdade é que o filme na minha opinião tem um par de fraquezas que impediu com que eu tivesse disfrutado por completo de tudo sem reparar em nada.

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Pelas reviews internacionais e elogios gerais a tudo, está claro que aquilo que na minha opinião é o ponto menos bom em [“DIAMANTINO“] não foi notado pela critica, nem podia ter sido na verdade.
O problema de [“DIAMANTINO“] são dois. O primeiro é a forma como por vezes os diálogos parecem forçados pois ninguém fala assim; ( claramente diálogos estruturados para um guião ) onde há alturas em que parece que o histerismo se sobrepõe à representação e à caricatura.
Aquela tão comentada – falta de naturalidade – de muitos actores Portugueses também aqui se nota por demais o que nos retira logo por completo do universo do filme em muitos momentos.

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Em “BALAS & BOLINHOS 2” por exemplo, ninguém duvida de que aqueles gajos existirão algures, tal a naturalidade dos diálogos e atitude chunga tuga absolutamente genuínos. [“DIAMANTINO“] sofre precisamente do contrário, há momentos em que a artificialidade da representação da parte de alguns personagens sobressai pela negativa e tudo parece demasiado forçado para ter graça. O que quebra a piada.
Isto, aliado também a uma montagem que não se percebe bem com demasiados tempos mortos onde por vezes os takes parecem estender-se por segundos a mais do que deveriam ter, faz com que [“DIAMANTINO“] na minha opinião perca algum folego quando deveria ter continuado em full-throttle desde o início até ao fim como acontece, lá está, com “BALAS & BOLINHOS 2”.

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O inicio de [“DIAMANTINO“] é absolutamente genial e hilariante, mas depois o filme chegado mais ou menos a meio parece que está mais interessado na sua mensagem politica ou social do que em manter o equílibrio narrativo e o sentido de humor alucinado. [“DIAMANTINO“] tenta por demais ser uma sátira demasiado séria com coisas para dizer quando se calhar teria dito muito mais sobre a nossa sociedade se se tivesse mantido totalmente estúpido como , mais uma vez, “BALAS & BOLINHOS 2” conseguiu manter-se sem ter perdido o toque de sátira social.
Isso falha neste filme agora.

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A partir do meio e quando entra a onda scifi, [“DIAMANTINO“] perde-se um bom bocado e para mim perdeu grande parte da piada, pois não há nada pior do que uma comédia que indica ao espectador onde deve rir especificamente e é isto que acontece em boa parte desta história quando o efeito hilariante do conceito passa após os primeiros minutos de surpresa.
É isto que certamente os críticos estrangeiros não apanham pois é preciso ser-se Português para reconhecer aquele tique – de falta de naturalidade – na nossa própria forma de falar em cinema quando comparada com a realidade.
Culpa do argumento, da direcção de actores ou do facto de [“DIAMANTINO“] ter sido realizado por duas pessoas diferentes, a verdade é que o resultado final sofre um bom bocado por causa de qualquer coisa que ainda não consegui identificar.

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Por outro lado… é bem verdade que isto tem momentos absolutamente hilariantes.
De repente quando menos esperamos lá nos cai uma alarvidade em cima que nem queremos acreditar que estamos a ver ou ouvir. Alguns diálogos são clássicos e toda a parte inicial do filme quando o Cristian… Diamantino deixa de conseguir jogar porque é muito bonzinho e ficou impressionado com os –“´fugiados”– é simplesmente brilhante.

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Merece com todo o mérito o estatuto de filme de culto, tem um protagonista absolutamente genial em todos os sentidos ( vocês até se esquecem de que não estão a ver os bastidores da vida do Cristiano Ronaldo ) , tem uma história suficientemente alucinada para ser genialmente estúpida e estupidamente genial ao mesmo tempo e são duas horas bem passadas que recomendo vivamente a toda a gente que quiser esquecer um pouco estes dias de quarentena que vivemos por causa do virus no mundo real lá fora.

Espera lá, agora eu também tive “ – uma ´fânia – ” !!!
E se [“DIAMANTINO“]  não for sobre Cristiano Ronaldo mesmo, mas sim sobre a sua estátua na Madeira ?…

Diamantino-forReal

Além disso…
Pá, este filme tem cachorrinhos felpudos !!!
O que é que vocês querem mais ?!

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CLASSIFICAÇÃO

Não o acho tão genial quanto a crítica estrangeira parece achar que é, mas não há dúvida que [“DIAMANTINO“] é um dos grandes filmes de culto actuais de pleno direito seja em que parte do mundo for.
É uma lufada de ar fresco no cinema tuga que precisa de mais filmes parvos assim e ainda por cima tem um protagonista extraordinário + um par de personagens muito divertidos pelo meio também.
E depois disto vocês nunca mais irão conseguir olhar para o Cristiano Ronaldo da mesma maneira. E para cachorrinhos felpudos também…

Quatro Planetas Saturno

   

Poderia ter sido melhor não fosse, a mensagem politica que inclusivamente algumas reviews lá por fora também apontam estar a mais e metida um bocado a martelo. [“DIAMANTINO“] devia ter-se mantido bem mais simples na sua sátira ao mundo da bola e não parecer tão forçado em termos de temática in-your-face a partir do meio.
Embora não deixe de ser um excelente feel-good-movie.

Diamantino

A favor: o Cristia…o Diamantino e o actor por detrás do Diamantino, nunca sabemos o que pode acontecer no ecran a seguir, tem alguns diálogos e momentos absolutamente hilariantes, alguns gags visuais são geniais, representa como ninguém todo o azeite que há no mundo da bola, é um excelente feel-good-movie para tempos mais sombrios.

Contra: tenta passar uma mensagem demasiado séria de uma forma que não se equilibra com o resto da aventura, a montagem por vezes é errática demais o que cria momentos “aborrecidos” entre gags geniais por demais a meio do filme, muitos daqueles defeitos que se apontam ao cinema português em termos de – representação- ou falta de naturalidade estão muito presentes por aqui também e por demais evidentes o que retira por completo o espectador de dentro daquele mundo que tinha tudo para ser sempre hilariante.
Mas… só editaram isto em DVD ?!!! !!! !!!

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 


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TRAILER 2

 

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COMPRAR NA FNAC

https://www.fnac.pt/Diamantino-DVD-CARLOTO-COTTA-CLEO-TAVARES-DVD-Zona-2/a6860944

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt6522668/

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Exceptuando “BALAS & BOLINHOS , 2 e 3” , ou “CAPITÃO FALCÃO” de que ainda não falei por aqui, acho que nada se compara a DIAMANTINO !!

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