“KING SOLOMON´S MINES” (“KING SOLOMON´S MINES” / “AS MINAS DE SALOMÃO”) J.Lee Thompson (1985) USA/ISRAEL

[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é bem capaz de ser o filme de aventuras mais divertido de todos os tempos.
Sim, mais divertido que qualquer Indiana Jones.

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É que Indiana Jones apesar de tudo ainda é um filme que se leva a sério, enquanto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] sabe que é mau e diverte-se tanto com isso que acaba por nos divertir a nós do princípio ao fim.

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[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] só existiu para que os infames produtores Isrealitas da Cannon ganhassem guito à pála do sucesso do cinema de Spielberg no auge da sua popularidade.
Como tal, tudo nesta aventura parece decalcado de um qualquer Indiana Jones que ficou pelo caminho e onde nem falta a presença de John Rhys Davies, aqui no papel de um vilão, quem sabe primo do bom amigo de Indiana Jones talvez numa parceria com o clássico Herbert Lom em modo nazi histérico numa parelha de vilões perfeita.

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INDIANA QUARTERMAIN

[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] mais de que um clone de Raiders of the Lost Ark parece um primo primo afastado de Indiana Jones, algo que lhe custou uma chuva de más reviews na altura mas que com o passar do tempo o colocou com todo o mérito entre os melhores e mais divertidos filmes de culto em que vocês poderão colocar os olhos.
[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é como um daqueles vinhos ignorados que ganham qualidades com o passar do anos pois o tempo tem sido muito favorável a esta aventura totalmente despretenciosa. De cada vez que o revemos, apetece não deixar passar muito tempo até voltarmos a ele, naquilo que já se tornou num dos melhores guitly-pleasures do cinema do género.

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Nos extras do Bluray, Richard Chamberlain diz que foi um prazer fazer este primeiro filme e que a boa onda percorria todos os dias de filmagens ( até mesmo quando ele ia sendo comido por um crocodilo durante um fim de semana nas margens daquilo que parecia um calmo e bonito lago em Africa, localizado perto do set ).
A verdade é que se nota plenamente que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é um filme feliz pois toda essa alegria passou para o ecrã sem a menor sombra de dúvida e portanto se vocês nunca viram isto porque é tão “mau” quanto parece no trailer, nem sabem o que perdem.

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Não só o Alan Quartermain do romance original foi uma das inspirações para Indiana Jones como a verdade é que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] também resulta tão bem porque está muito bem escrito e não parece.
Tem um ritmo diabólico com diálogos hilariantes que não dão descanso ao espectador desde os créditos iniciais até aos momentos finais; onde não de desperdiça uma palavra e cada frase parece afinada como um relógio Suíço, a um nível que só costumamos encontrar no melhor stand up comedy actual.

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ESTE FILME OFENDE-ME !

Os argumentistas pegaram no melhor do cinismo de Harrison Ford em Indiana Jones e entrando em modo que se foda, introduziram em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] um sentido de humor tão incrivel e sem regras que este filme é bem capaz de ser um dos últimos de uma Era em que o politicamente correcto ainda não minava toda e cada produção para as massas.
É que meus amigos, esta aventura tem gags racistas, machistas, históricos e antropológicos tão inacreditáveis que hoje em dia haveriam de haver um monte de florzinhas de estufa nos Eua ( certamente ) que haveriam de clamar por boicote ao filme nas redes sociais com toda a certeza. É que acho que esta aventura não deixa ninguém por insultar divertidamente.

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Felizmente que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] existe, pois esta é uma comédia de aventuras como nenhuma outra e jamais poderia ser produzida hoje em dia sem ser toda retalhada pela censura.
A forma como representa uma África profunda só é comparável àquilo que vimos por exemplo em Tintin no Congo no que toca a banda desenhada. Para os argumentistas desta aventura os nativos Africanos são todos pretos estúpidos, primitivos, canibais ou repulsivos como o raio e só os brancos representarão alguma coisa parecida com civilização.

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E o estereótipo colonialista cartoon é tal, que nem falta uma sequência em que os Sharon Stone e Richard Chamberlain são cozinhados vivos num enorme caldeirão localizado no meio de uma aldeia de canibais, numa das sequências mais engraçadas e WTF de sempre onde não faltam tomates e condimentos em geral de plástico a boiar na água para dar mais sabor à carne.

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Mas se pensam que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] só tem tiques racistas porque goza sem parar com os “pretos primitivos” desenganem-se meus amigos. O filme também não perdoa aos Alemães.
Reparando bem, são eles e a cultura alemã o alvo principal das piadas neste filme e não os nativos Africanos, ora não estivessemos a falar de uma produção Isrealista que se calhar por esta altura ainda teria uma conta ou duas a ajustar e não perdoa às críticas no que toca ao exército Alemão e às suas guerras.
Claro que os Àrabes não podiam ficar de fora e portanto ou são todos uns violentos animais e burros como a porta , ou então gananciosos e sem escrúpulos.

KING SOLOMON'S MINES, John Rhys-Davies, 1985, (c)Cannon Films KING SOLOMON´S MINES 09

Por outro lado, não desesperem, se gostam de piadas machistas em que as mulheres são tratadas como objectos sexuais ou louras burras, também irão ficar bem servidos com a lista de estereotipos no que toca à loura que grita como o raio e está sempre em perigo.
A verdade é que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] não deixa ninguém de fora no que toca a gags politicamente incorrectos e é por isso que actualmente ainda se torna mais divertido do que foi inicialmente.
Tudo resulta em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] no que toca a gags, pois são tão constantes e a um ritmo tal que não deixam o espectador descansar por um segundo.
Nem sequer para admirar as mágnificas paisagens naturais com que esta aventura pode contar.

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2 EM 1

É que tanto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] como a sua sequela ( filmada ao mesmo tempo num dos primeiros 2 em 1 em termos de produção ), foram rodados mesmo no meio de África, em locais reais com figurantes contratados por entre as povoações das aldeias e não há aqui um CGI para simular o que quer que seja.
Como narra Chamberlain no Bluray estes filmes de aventura são até hoje os únicos deste género genuínamente rodados nos locais onde supostamente a aventura deveria estar mesmo a decorrer; o que parece que na altura foi uma das ideias mais estúpidas dos manos Golan & Globus pois a rodagem apesar de divertida logisticamente foi um pesadelo, ( em Hollywood ninguém queria acreditar que estes gajos estavam mesmo todos em Africa perdidos no meio do mato a fazer um filme, parece ) ; mas se calhar é por isso que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] especialmente agora em bluray restaurado tem uma atmosfera tão épica, genuína e fabulosamente real.

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Foi também um dos primeiros filmes de Sharon Stone e segundo Richard Chamberlain, apesar dos dois se terem dado tão bem que gerou aquela química absolutamente fantástica entre ambos incendiando humorísticamente o ecran em todas as cenas que estão juntos, parece no entanto que a Stone deu alguns problemas à produção quando resolveu tentar implicar com a – outra miúda boa – que entrava na sequela porque segundo diz Chamberlain na entrevista, ela era demasido bonita e fazia alguma sombra à Stone em termos de atenção.
Situação que parece ter dado algum trabalho a controlar nos bastidores como recorda muito divertido Richard Chamberlain na fabulosa entrevista que está nos extras de edição Alemã em bluray e que recomendo vivamente.

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CINEMA DE AVENTURA TOTAL

No fim tudo contribuiu para que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] resultasse. Mesmo na altura em que saiu e apesar de ter sido trucidado pela crítica mais iluminada, a verdade é que o filme foi um sucesso, porque o boca-a-boca resultou e não só o público estava sedento por mais aventuras arqueológicas vintage como no fundo a prestação de Richard Chamberlain foi determinante para que as pessoas também não se tenham importado muito por esta aventura existir na sombra do cinema de Spielberg.

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Os personagens são carismáticos, divertidos ou inacreditáveis, as cenas de acção são o máximo até mesmo quando os efeitos green screen são do pior e de ver para crer e o realizador J.Lee Thompson atribuiu a toda esta caça ao tesouro um ritmo imparável e mesmo tentando emular o estilo Spielberg porque deveria estar no contrato certamente, consegue no entanto tornar o estilo do filme em algo pessoal e distinto.

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E para complementar em grande tudo isto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] conta com uma das bandas sonoras mais reconhecíveis e épicas em estilo John Williams que John Williams nunca compôs tendo o sempre excelente Jerry Goldsmith assinado aqui um trabalho mágnifico que anda sempre ali a roçar algo que já ouvimos antes mas nem por isso deixa de ser absolutamente perfeito para ilustrar todos os momentos que vemos no ecrã a todo o instante; sendo esta uma das grandes bandas sonoras dos anos 80 também sem a menor sombra de dúvida.

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Hoje é comum encontrarmos reviews modernas finalmente a dar o mérito que esta simples e carismática aventura merece ( bem mais divertida que Romancing the Stone da mesma altura por exemplo ) e onde muitos comparam Richard Chamberlain a Harrison Ford no mesmo tipo de papel; arriscando alguns até a dizer que preferem Alan Quartermain a Indiana Jones.
E só quem não viu ainda [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é que poderá não entender a razão.
Por isso, estão à espera do quê?

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CLASSIFICAÇÃO

Ia “só” ficar-me pelos Cinco Planetas Saturno, porque se [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] tiver um problema este estará no facto de ter tantos gags a todo o segundo que lá mais para o final da aventura o impacto começa a perder-se um bocado e toda a sequência final parece já não ter a mesma energia que o resto do filme, o que contrasta um bocado com o tom inicial.
No entanto…
É impossível não adorar esta aventura. Só pelo facto de ser um dos filmes mais felizes e positivos que vocês poderão encontrar pela frente vale mesmo a pena espreitarem e é o antídoto perfeito para estes dias de quarentena Covid-19 que todos vivemos no momento em que escrevo isto.
Richard Chamberlain é o primo do Indiana Jones perfeito numa prestação à prova de bala, Sharon Stone nunca esteve tão luminosa, os gags politicamente incorrectos são o máximo, as sequências de acção não dão descanso e aquela banda sonora mantém-nos de sorriso na alma durante quase duas horas. O que é que vocês querem mais ?

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

Como eu referi, a sequela para [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] foi filmada no mesmo período e o segundo filme veio a chamar-se “ALAIN QUARTERMAIN AND THE LOST CITY OF GOLD“.
Como refere Richard Chamberlain, se vocês acham que o primeiro filme era mau então esqueçam a segunda aventura.
Eu próprio agora não recomendo mesmo que vejam a sequela pois é uma verdadeira decepção. Toda a energia do primeiro desapareceu e se os actores parecem estar por ali em piloto automático e a fazer um frete é porque na sua maioria estavam visto que só entraram naquela coisa porque os espertos dos manos Globus os enredaram num contrato do qual não puderam escapar. Não só a sequela foi rodada com uma fração do orçamento do primeiro filme como tudo, desde o humor , à própria aventura parece verdadeiramente pobrezinho e claramente um donwgrade em relação ao filme inicial pois os manos Isrealitas queriam, segundo Chamberlain literalmente enganar o povo e não investir nada na continuação esperando que o facto de terem obrigado os actores a continuar bastasse.

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Podem espreitar o segundo filme por curiosidade mas preparem-se porque as aventuras de Alain Quartermain já não têm a mesma vida, piada ou energia que alcançaram em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] .

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0089421/

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Se gostou deste poderá gostar de:

capinha_flash-gordon capinha_spacehunter capinha_SKY PIRATES

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“THE LIGHT BETWEEN OCEANS” (“THE LIGHT BETWEEN OCEANS”/”A LUZ ENTRE OCEANOS”) Derek Cianfrance (2016) NOVA ZELÂNDIA/AUSTRALIA

Já por mais de uma vez apresentei por aqui filmes que apesar de serem interessantes não podemos verdadeiramente dizer que são especiais, mesmo apesar de nos apetecer gostar muito de alguns deles…
Desta vez, vou falar-lhes de um título que ando há tempos para recomendar mas ainda não o tinha feito porque me apetecia gostar muito menos dele; [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“].

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Não se trata de um filme sci-fi é verdade, mas de um drama romântico; daqueles que muito macho de barba rija que só lê romances com forças especiais, bombas e granadas ou títulos do Jornal da Bola costumam apelidar depreciativamente de  “histórias para gajas”.
E que história – “para gajas” – meus amigos !
Cá está outro título já de 2016 de que eu nunca tinha ouvido falar sequer até ao final do ano passado. Agora depois de o rever é também outro daqueles que simplesmente não entendo porque não ganhou uma carrada de Óscares.
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] é a adaptação de um romance com o mesmo título que eu também desconhecia por completo até ao ano passado, apesar de saber agora que foi um best-seller lá fora. Merecidamente, na minha opinião.

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A LUZ ENTRE OCEANOS” foi um livro que eu encontrei numa loja de artigos em segunda mão no ano passado; curiosamente um título editado em Portugal ( que podem ainda encontrar aqui na FNAC ).
Como eu não resisto a histórias passadas em farois, lá tive de comprar o romance só para espreitar mas nada me preparava para que “A LUZ ENTRE OCEANOS” acabasse por se tornar no meu livro favorito do ano passado.
Por entre as dezenas de títulos que li em 2019 nada teve maior impacto na minha imaginação do que este romance e por esta eu não esperava.
A partir do momento em que o livro acaba e eu volto atrás três e quatro vezes, para reler o último capítulo só porque não me apetece nada deixar aquele universo e aqueles personagens, está tudo selado no meu top-livro para esse determinado momento.

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E porque eu queria reler esta história na sua lingua original,  foi indo à procura da edição em Inglês do livro na amazon que subitamente no final do ano passado eu descobri que “A LUZ ENTRE OCEANOS” não só, já era na verdade um filme, como ainda por cima já estava à venda em bluray e tudo !
O que quer dizer que dois dias depois eu era o feliz proprietário de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] na sua versão em alta definição.
E esqueci-me de comprar o livro em inglés…

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[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] foi uma decepção.
Talvez porque tinha acabado de ler o livro dias antes, a verdade é que a uma primeira visão não gostei nada da adaptação para cinema.
Achei que o filme era muito bom, mas as escolhas do tom narrativo, o estilo documentário de câmera ao ombro da realização e o facto de alguém ter pegado naquela atmosfera “quente” do romance original e o ter colocado num universo particularmente cru, realístico e frio fez com que eu tivesse acabado a primeira visão de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] com sentimentos contraditórios sobre o que tinha acabado de ver.

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A adaptação para cinema pareceu-me uma coisa à parte. Tinha a ver com o livro , mas depois deixam de fora pequenos detalhes que mesmo até agora eu não entendo porque não foram incluídos.
Isto porque no romance esses pequenos toques constroiem a alma da história em muitos momentos e no filme esses detalhes foram pura e simplesmente ignorados em função de um tom intensamente frio, desencantado e muito triste.
O filme parece querer que o espectador se sinta completamente míseravel durante duas horas e meia, dando-nos aqui e ali pequenos vislumbres de luminosidade, coisa que o romance original aborda de forma diferente. Talvez por serem meios diferentes também mas a verdade é que há escolhas no filme que não ligam bem com o tom do romance.

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Por outro lado, agora que revi o filme e reli o livro… se calhar o facto de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] ter uma abordagem mais desencantada foi uma boa escolha.
Tanto o filme como o romance acabam por ter o seu espaço e partilhar aqui e ali pontos em comum ao mesmo tempo que ambos deixam espaço para as duas interpretações.
Ou seja, este é um daqueles títulos cinematográficos em que podemos ver o filme e depois ler o livro pois uma coisa não anula a outra, muito pelo contrário… curiosamente um bocado como acontece com outro romance cinematográfico fabuloso, o filme japonês “BE WITH YOU” de que já falei aqui.
Ambos adaptam um romance original de forma particular mas ambos fazem com que valha mesmo a pena ler o livro depois de vermos os filmes.

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Na minha opinião, no caso de [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“], eu até recomendo que leiam primeiro o livro. Mesmo.
Ou se calhar não…
Uma coisa é certa, comecem por onde começarem a descobrir esta história, esta é uma daquelas a que vocês quererão voltar muitas vezes, só para acompanhar de novo as vidas destes personagens e assisterem aos momento finais da história… que no livro são bem melhores e mais detalhados, mas que por acaso no filme quase que acertam em cheio até no visual do ambiente em que tudo se passa no romance; e aposto que não foi por acaso também.

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Portanto…
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] mais do que uma simples história de amor romântica é também um drama sobre escolhas pessoais. É muito mais complexo do que a trailer dá a entender e de certa forma até menos comercial em termos de cinema do que as pessoas possam esperar; no sentido em que [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] não é uma daquelas história “românticas” plásticas enlatadas em estilo Hollywood e só por isso merece logo mais uns pontos adicionais.

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Se gostarem de boas histórias de amor que são muito mais do que isso, se quiserem uma que lhes irá colocar questões que irão debater com os amigos por algum tempo depois da história acabar e se quiserem ver um drama com interpretações absolutamente extraordinárias, então [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] é o filme que têm que ir ver mal acabem de ler o que estou a escrever.

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A química romântica entre Michael Fassbinder e Alicia Vikander é tão genuína que eles depois do filme se tornaram num casal na vida real e o filme ganhou com isso pois as suas prestações nesta história representam a 100% o conteúdo romântico do livro sem qualquer sombra de dúvida.
Rachel Weisz noutro papel feito à sua medida rouba todas as cenas em que entra. Não sei como esta rapariga consegue mas quando alguém precisa de sofrer genuínamente numa história ela é sempre a escolha perfeita. Aliás tanto ela como Alicia Vikander aqui complementam-se perfeitamente e nem consigo imaginar mais ninguém nestes dois papeis. Era darem o Óscar às miúdas e irem todos para casa.

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O resto do elenco é fabuloso também, desde as crianças que são perfeitas, aos secundários onde se inclui um Bryan Brown que não via há muito, todos nesta produção Neo-Zelandeza/Australiana foram mesmo escolhidos a dedo pois os actores dão mesmo vida aos personagens do livro.
Alguns têm mais vida aqui do que no romance até.

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Visualmente apesar do estilo “found-footage” ou semi-documental por vezes nos parecer intrusivo ao início a verdade é que depois se torna tão orgânico que logo esquecemos que isto tem por detrás um realizador.
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] em termos de ambientes naturais é fabuloso, desde os momentos ao nascer do sol, ás praias remotas desoladas e ao próprio farol em si tudo nos transporta para o universo desta história; onde um casal isolado numa ilha encontra um bébé a bordo de um pequeno bote que dá à costa e decide ficar com a criança sem dizer nada a ninguém.

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Agora que revi o filme já sabendo com o que ia contar, consegui olhar para [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] com outros olhos. Tanto o filme como o romance são realmente grandes representações desta história, ambas funcionam dentro do seu contexto e ambas têm momentos melhores ou piores que se cruzam na nossa mente entre versões depois de lermos o livro.
Portanto, como eu gosto mesmo do livro, o meu primeiro instinto é dizer aqui que o filme é inferior… mas na verdade seria injusto. É um pouco diferente em alguns aspectos mas se calhar está aqui também a sua força.
Não vale a pena eu tentar arranjar desculpas…
[“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] é fabuloso.

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CLASSIFICAÇÃO

Na verdade acho que em termos de ambiente dramático assente numa história romântica particularmente dura mas com um final perfeito, melhor só mesmo o livro original que é simplesmente fabuloso e que na minha opinião deverão ler antes de verem [“THE LIGHT BETWEEN OCEANS“] nesta sua versão de cinema.
Por mais que eu tente não gostar tanto deste filme ( porque o livro é melhor ) é impossível não lhe atribuir também a minha classificação máxima porque são duas horas e meia que nos transportam para um outro mundo e nos fazem esquecer que estamos a ver um filme por completo.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

É fabuloso e com um elenco absolutamente extraordinário com prestações que ainda estou a tentar perceber porque não foram todas nomeadas para Óscares.
É um daqueles filmes a que se regressa só para depois arranjar desculpa para voltar a reler o livro e vice-versa e quer me parecer que daqui a muitos anos ainda estarei a fazê-lo pois esta já entrou para a lista das minhas histórias românticas dramáticas favoritas de todos os tempos, a par de coisas como Cinema Paradiso ou até do recente “SAFE HAVEN/UM REFÚGIO PARA A VIDA” bem mais comercial mas nem por isso menos atmosférico, intenso e divertido.

A favor: os protagonistas Michael Fassebender  e Alicia Vikander com uma química romântica tão boa que depois deste filme tornaram-se mesmo num casal na vida real, os secundários são escolhidos a dedo com destaque para Rachel Weisz que mais uma vez é absolutamente extraordinária em papeis que necessitam de genuínamente representar sofrimento, excelente realização, a ilha real a quatro horas da civilização onde o farol verdadeiro está localizado é perfeita para esta história, adapta o essencial do romance e o final embora menos emocionante quase que reproduz as páginas finais do livro… quase…

Contra: na minha opinião saltaram pequenos detalhes do livro que eu acho que deviam ter mesmo sido incluidos especialmente no inicio quando o casal se conhece e no epílogo final que no livro é daqueles que apetece reler três vezes seguidas e no filme não está tão bom ou emocional, o ambiente do livro é diferente e mais “caloroso” apesar de toda a carga dramática da história enquanto o filme é particularmente frio em muitos momentos.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt2547584/

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

Il Mare Be With You  capinha_SAFE HAVEN.jpg

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“MAGELLAN” (“MAGELLAN”) Rob York (2017) USA/AUSTRALIA

Há filmes que até em pirataria são incrivelmente dificeis de encontrar e durante dois anos eu procurei por uma cópia de [“MAGELLAN“] sem nunca me deparar com mais nada a não ser rips dobrados em Russo. Felizmente que o filme foi editado no ano passado na Europa em Bluray , (como não podia deixar de ser, por uma editora Alemã)  e como sempre tive intenções de o comprar, finalmente consegui colocar os meus olhos, neste que era um dos filmes scifi de baixo orçamento que eu mais procurei nos últimos anos.

Magellan

O fascinio de um título como [“MAGELLAN“] para mim está no facto de não querer ser menos do que um “INTERSTELLAR“; mas feito com muito pouco dinheiro.
Baixo orçamento mas enorme ambição e como tal desde que eu tinha visto o trailer produzido para a sua campanha Kickstarter que eu tinha ficado com enorme curiosidade sobre este filme espacial.

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Mais uma vez, estamos na presença de outro daqueles títulos scifi que essencialmente são trucidados pelos utilizadores do IMDb pelas razões mais imbecis.
Eu sinceramente não percebo como é que há gente que não consegue simplesmente entender o que são as limitações do cinema de baixo orçamento. E os piores são aqueles “científicos” que cascam nos titulos scifi porque os gajos descobriram que uma órbita que aparece demonstrada no filme está mal calculada na realidade e por isso o filme não presta porque é estúpido e não é científico.
[“MAGELLAN“] não é estúpido, mas sim muito limitado.
[“MAGELLAN“] é na verdade extraordinário.

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INTERSTELLAR NO-BUDGET

A minha produtora de cinema independente favorita nos EUA é de longe a ARROWSTORM ENTERTAINMENT pois simbolizam para mim ( bem longe de Hollywood refundidos no estado do Utah ) aquilo que é o gostar de se fazer cinema sem pretenções e sem dinheiro também; mas com muita imaginação, engenho e determinação do qual [“MAGELLAN“] é também um óptimo exemplo dentro da Scifi.
A série de cinco filmes de Fantasia, “MYTHICA” ( 12345 ) , juntamente com as produções ( de teste (?) )  iniciais, “DAWN OF THE DRAGON SLAYER” , “THE CROWN AND THE DRAGON” ou “RISE OF THE SHADOW WARRIOR” que eles criaram “caseiramente” há alguns anos atrás tiveram um sucesso tão grande no circuito alternativo e de festivais Fantásticos/Scifi dentro do cinema independente que estes cineastas voluntários de-fim-de-semana a partir de certo momento se –“viram obrigados”– a criar uma empresa ( Arrowstorm ) para distribuir as suas produções para o mercado exterior ( e controlar os copyrights ) quando os pedidos ultrapassaram as fronteiras do estado do UTAH onde tudo se originou.
O catálogo da Arrowstorm é fascinante e felizmente que está quase todo editado em bluray ora em Inglaterra ora na Alemanha, país este que tem sempre as melhores edições de cinema low-budget fantasia/scifi.

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Com o surpreedente sucesso de mega produções de Hollywood como o fabuloso “INTERSTELLAR” de repente também isso parece ter vindo demonstrar que para lá dos filmes pipoca sem cérebro disfarçados de scifi afinal ainda havia algures um público sedento por ficção-científica cinematográfica madura à espera de ver o género renascer por entre as cinzas de tanto lixo pré-fabricado nas últimas duas décadas pelos grandes estúdios; ( tentando passar por ficção-científica ).
O que veio dar um novo fôlego a histórias como as de [“MAGELLAN“] e em última análise ter feito com que boa ficção-científica clássica tenha começado a reaparecer. Mais até mais na Europa com “ANIARA“, “COSMOS“, “CARGO“, “ARES“, “VIRTUAL REVOLUTION“, “THE BEYOND” etc do que nos EUA; sempre restringidos ao cinema braindead para consumo de massas estupidificadas mas nem por isso menos capazes de criar boas histórias scifi realmente atmosféricas como se demonstra cada vez mais pelo cinema independente norte americano.

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E histórias que se calhar nem precisam de orçamentos milionários de Hollywood para resultar em pleno como [“MAGELLAN“] vem agora também muito bem demonstrar. Mesmo até quando em muitos momentos esta produção nos parece mesmo um filme caseiro;  especialmente ao notarmos que por exemplo, o cenário do interior da nave de cartão, madeira e esferovite poderá cair a qualquer momento se o actor tocar nas paredes, pois ( como se nota bem principalmente na cópia bluray ) tudo está claramente equilibrado por um fio com a ajuda de cola, fita cola, pregos, parafusos à vista, carpetes mal coladas por todo o lado e acabamentos de cenário tão pobrezinhos que por vezes é mesmo surpreendente como este filme foi para a frente com tão óbvias limitações de orçamento.

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E isso importa ?
NÃO !

EMPATIA

[“MAGELLAN“] pode ter muitos problemas de produção no que toca à credibilidade dos cenários e ambientes que procurou construir sem dinheiro nenhum e portanto meus amigos podem esquecer aquelas opiniões que atacam o filme – porque está mal feito e prontos ! – com base no óbvio.
É óbvio que [“MAGELLAN“] quer ser “INTERSTELLAR”, é óbvio que nunca conseguiria ser em termos técnicos mas o que consegue fazer é também merecedor de um enorme elogio. Quanto mais não fosse , porque à força de tentar parecer-se com “INTERSTELLAR” acaba no entanto por contar uma história absolutamente cativante do principio ao fim.
E não precisou mais do que um par de actores com uma química fantástica.

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O par protagonista de [“MAGELLAN“] é a alma do filme. Se estas duas pessoas não são um casal na vida real não sei onde foram buscar uma química romântica como esta. E digo isto no melhor dos sentidos. Tanto o personagem do astronauta como o da sua mulher nos parecem mesmo pessoas reais e se [“MAGELLAN“] faz alguma coisa muito bem está precisamente na forma como nos consegue fazer esquecer por vezes que estamos a ver um filme , tal é a empatia que os dois protagonistas conseguem criar com o espectador que torce até ao último segundo para que o seu destino seja feliz.

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Não só os dois actores são absolutamente convicentes mesmo quando passam practicamente toda a história separados ( ela fica na Terra, ele parte para o espaço ) , como também os próprios diálogos em [“MAGELLAN“] estão particularmente bem construídos. Nada fica por dizer e não se desperdiçam palavras ao acaso só para ir queimando tempo ou ir enchendo o filme para disfarçar as suas fraquezas de produção.
[“MAGELLAN“] não precisa sequer preocupar-se em disfarçar as suas fraquezas a partir do momento em que tem personagens centrais como estes dois.

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E nota alta para os secundários também. As vozes das A.I. a bordo da nave pois são o complemento perfeito para não só colar todas as pontas soltas em termos de exposição da história como ainda proporcionam alguns momentos de humor muito divertidos que humanizam ainda mais esta verdadeira aventura de exploração do espaço.
Na verdade o elenco em geral não está mal tendo em conta que alguns nem são actores profissionais e portanto esqueçam aquelas opiniões de utilizadores no IMDb que cascam em [“MAGELLAN“] também por isso.  Esse tipo de … “cinéfilos” … não se encontram claramente entre o tipo de público para o qual esta excelente história interestelar foi feita.
[“MAGELLAN“] pensado para quem cresceu com Arthur Clarke, Asimov, Robert Heinlein e todos os autores clássicos da ficção científica. Se não têm qualquer uma destas referências e apenas cresceram com a cultura popular “Comicon” dos últimos vinte anos, muito provavelmente este filme não é para vocês.

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ESPAÇO SEM FIM

Com boa produção da Arrowstorm que se preze, filmada no Utah, é óbvio que [“MAGELLAN“] irá provocar a tão costumeira sensação de – Deja Vu – a todos aqueles que tal como eu forem fãs deste grupo de film-makers amadores tornados profissionais por força das circunstâncias. É que toda esta aventura espacial foi precisamente filmada nos locais habituais onde todos os filmes da produtora são filmados. Ou seja , no “quintal” habitual, onde os mesmos locais já serviram anteriormente , para mundos de fantasia, dimensões paralelas, terra de zombies, etc…
O que nem por isso quer dizer que seja uma coisa má, especialmente quando nos mostram paisagens que nem sequer tinhamos noção de que existiam no estado do Utah.
Não é por falta de boas localizações que [“MAGELLAN“] possa ser atacado, embora neste caso até nem use muitos exteriores “imaginários”.

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Os tais “cinéfilos-especialistas científicos” apontam logo que os ambientes em [“MAGELLAN“] são rídiculos pois não se parecem mesmo nada com Titan; especialmente quando este é filmado no popular lago seco próximo de Salt Lake City já visto em tudo deste Lethal Weapon a videoclips da MTV; (entre outros). Ignorem.
Chega perfeitamente para os transportar para o universo espacial deste filme na boa.

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Surpreendentemente mesmo com o orçamento limitado que esta produção claramente teve ( foi resultado também de uma campanha Kickstarter como já referi antes ), a verdade é que [“MAGELLAN“] consegue mesmo um fantástico ambiente espacial sim senhor. Arrisco-me até a dizer que nem precisa ficar envergonhado numa comparação com “INTERSTELLAR” na forma como também nos consegue transportar para os confins do sistema solar sem qualquer problema.
[“MAGELLAN“] conta com algumas vistas épicas do nosso sistema solar e consegue criar muito bem aquela sensação de vastidão no universo. O filme está cheio de planos CGI (que apesar de baratinhos) , são absolutamente perfeitos para em muitos momentos conseguirem transportar o espectador para Saturno, Titan, Neptuno, e todas as localizações para onde a aventura nos leva.

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São efeitos limitados e muito pobrezinhos ? São sim senhor. Alguns são atrozes mesmo.
Outros funcionam na perfeição e dão-nos breves segundos de cortar a respiração por vezes pois nunca estamos há espera de encontrarmos pela frente algumas das paisagens espaciais que este filme sabe dosear muito bem para ir continuadamente criando um sentido de maravilhoso que muitas das vezes nem Hollywood consegue criar com orçamentos de milhões de dólares.
Em termos de efeitos [“MAGELLAN“] pode ser pobrezinho mas também aqui se nota o esforço que houve para dar ao espectador algo de grandioso com o que se podia arranjar e não me surpreende de todo se a maior fatia do dinheiro tivesse ido para os efeitos CGI.

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CELESTIAL

Nota alta para a banda sonora também.
Embora se há uma área onde [“MAGELLAN“] possa ser acusado de não querer ser mais do que uma cópia de “INTERSTELLAR” é no que toca à sua música.
Eu não me importo, adorei a banda sonora de “INTERSTELLAR” e curti e muito a banda sonora de [“MAGELLAN“] que consegue aproximar-se bastante do mesmo tipo de música “celestialmente espacial”. Na verdade quase ao ponto de roçar o plágio também… embora desta vez estejam perdoados. [“MAGELLAN“] tem mesmo o tipo de banda sonora que precisava de ter para resultar e é também a música que muito contribui para o abrir o filme para territórios verdadeiramente épicos e misteriosos.

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[“MAGELLAN“] a ter um defeito para mim , está no final. Não que ele seja mau; muito, muito pelo contrário. Na sua escala limitada do que pode mostrar é realmente inspirador e até fabuloso num certo contexto scifi que previligia as ideias em vez dos efeitos, mas peca por ter exactamente o mesmo final que todo este tipo de histórias que já apareceram antes em filmes semelhantes de produção independente. O fim é sempre o mesmo, embora neste caso eu tenha que concordar que é o final perfeito pois em termos de história [“MAGELLAN“] é aquele que melhor vai construindo as situações e o próprio mistério até que tudo culmine para que aconteça aquilo que tem que acontecer. Eu gostei e deixa-nos com muita vontade de saber o que vai acontecer a seguir pois eu espero sinceramente que a Arrowstorm quando “INTERSTELLAR 2” sair, também dê continuidade a [“MAGELLAN“]. Seria um perfeito candidato para uma sequela em estilo “RENDEZ-VOUZ-WITH-RAMA” se é que vocês me acompanham aqui nesta referência. 😉

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CLASSIFICAÇÃO

Se gostaram de INTERSTELLAR e gostariam de ver algo semelhante, se não tiverem preconceitos para com o cinema de muito baixo orçamento este [“MAGELLAN“] é uma excelente proposta; que também serve para quem gosta de coisas como ” 2001 Odisseia no Espaço” , “Arrival” e semelhantes títulos dentro da ficção-científica clássica.
A história deste astronauta que viaja pelo espaço tentando estabelecer contacto com a primeira entidade extra-terrestre que a humanidade localiza nos confins do sistema solar intriga-nos desde o início, o mistério agarra-nos, tem sentido de humor e os personagens centrais são absolutamente cativantes.

Cinco Planetas Saturno

    

Não leva um Gold Award porque nota-se a todo o instante que isto é um título muito limitado pelo seu orçamento e como tal ficamos sempre com um sabor a pouco quando estamos mesmo com vontade de ver muito e saber mais.

A favor: o par protagonista e a sua história, os dois actores centrais, os dois computadores A.I. são o complemento perfeito, o mistério alienígena é muito cativante, a forma como tenta com pouco dinheiro criar ambientes diversos no sistema solar é muito positiva, algumas vistas espaciais em breves animações CGI são fantásticas, óptima realização, tem um par de bons momentos de suspense, excelente banda sonora apesar de ser relativamente .. ehm… inspirada noutra que já ouvimos antes…

Contra: o final já foi feito muitas vezes antes neste tipo de filmes/histórias, alguns actores secundários e terciários são claramente amadores. Quem não percebe o esforço por detrás do cinema de baixo orçamento não vai perceber de todo onde está a graça.

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NOTAS ADICIONAIS

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