“ANIARA” (“Aniara”) Pella Kågerman / Hugo Lilja (2018) Suécia / Dinamarca

[“ANIARA”] já entrou definitivamente para a lista dos meus filmes de ficção científica favoritos de todos os tempos e até Dezembro de 2019 eu nem sequer fazia ideia de que isto existia.

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Nem que existia um filme chamado [“ANIARA”], nem que existia um poema épico já com mais de cinquenta anos e que é uma espécie de clássico não só da literatura mundial , como muito em particular consta ser uma espécie de equivalente moderno dos nossos “Lusíadas” aqui em Portugal. 
Apenas este é um poema pertencente não apenas à literatura Nórdica mas também enquadrado dentro da mais moderna ( e clássica ) ficção cientifica.
Para minha grande surpresa uma história de sci-fi era também a última coisa que esperava encontrar referido como sendo de leitura obrigatória ou recomendada nos currículos dos liceus em países do norte da Europa; onde pelo visto toda a gente conhece esta história.

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Uma história que relata a odisseia de uma nave mundo perdida no espaço e onde ficamos a saber qual o destino da sua tripulação quando se torna claro para todos que devido a um acidente entre a Terra e Marte ninguém mais poderá regressar ao sistema solar pois a nova rota aponta-os como uma flecha em direcção ao espaço profundo de onde nunca mais poderão voltar.
À primeira vista , isto quase que parece o ponto de partida para algo como “Espaço 1999” , ( e podia ser ) mas na verdade [“ANIARA”] é muito mais.
E muito mais original até.

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Especialmente enquanto filme único dentro da ficção-científica moderna e não só.

SEXO 



Para começar é melhor avisar logo pessoal americano que [“ANIARA”] contém muito sexo. Explícito até, embora talvez não no sentido que imaginem…
Não esperem um porno ou um filme erótico pois a nudez tem um contexto muito particular para a história.
Apenas estou a referir isto logo de inicio porque [“ANIARA”] é mais um daqueles filmes com duas versões. 
Uma versão original Europeia e claro… a versão “Americana” onde foi removida toda a sexualidade explícita e a montagem deu à história um tom mais suave.

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Se procurarem na net, a maioria das reviews de cinéfilos comuns que entraram em estado de choque com a naturalidade com que [“ANIARA”] apresenta os momentos de sexualidade berrando online que o filme é uma aberração, são como não podia deixar de ser, dos EUA. O que não deixa de ser fascinante.
Portanto… amigo leitor. Se pretende procurar obter [“ANIARA”] online, cuidado com o que encontra, pois poderá muito bem não estar a ver a versão original do filme.
Aliás , se encontrar uma cópia dobrada em inglês, fuja !
E mesmo em Sueco há cópias “americanas” censuradas online, por isso cuidado.

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[“ANIARA”] foi um daqueles blurays que eu comprei completamente às escuras ( na minha já tradicional tradição natalícia de comprar filmes de ficção-científica (não americanos) sem saber absolutamente nada sobre eles ).
Descobri-o numa edição especial à venda na Amazon Uk em Dezembro de 2019 e pelos breves segundos de trailer percebi logo que isto era mesmo o meu tipo de história.
Se há tema que eu adoro na ficção-científica é o das naves-mundo perdidas no espaço, ( sendo a saga RAMA de Arthur Clarke a minha favorita dentro da literatura do género ) e como tal, mal li que [“ANIARA”] era uma história sobre uma arca perdida no espaço nem hesitei em comprar o Bluray, até porque o cinema de ficção-científica Europeu nos últimos anos tem-se revelado particularmente surpreendente, com títulos fantásticos como “CARGO” ou muito curiosos como “VIRTUAL REVOLUTION” por exemplo.

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[“ANIARA”] não me desapontou.
A história é mesmo o que eu esperava no bom sentido e toda a envolvência dramática à volta do destino dos personagens é simplesmente perfeita, talvez por parecer particularmente real. Para fãs de BDs europeias como Druuna, esta história da nave ANIARA bem que poderia ser a origem da saga e foi outra das coisas que me agradou nisto.
Mas o melhor mesmo é o filme em si no seu todo porque tem uma característica particularmente fascinante.
Algumas reviews referem-se a [“ANIARA”] como a primeira longa metragem de sci-fi – “No Sets”.
E o que isto quer dizer ?

SCI-FI NO SETS

Isto quer dizer que [“ANIARA”] não foi filmado em estúdio ( salvo um pequeno cenário de uma cabine ) , mas sim em locais reais.
[“ANIARA”] foi filmado durante várias noites em locais tão diversos, como restaurantes fechados, centros comerciais fechados, hotéis, bares, associações recreativas, piscinas municipais e tudo o mais que poderão imaginar de banal pertencente à nossa própria realidade quotidiana.
Não…
Vocês não estão a perceber…

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Não houve qualquer esforço para criar um “design” espacial ou “futurista” à volta de tudo o que vêem filmado nesses locais reais. 
Todas as localizações reais que representam o interior da nave ANIARA são tão comuns e banais como qualquer interior de loja que vocês encontram num centro comercial perto de vós.
Se [“ANIARA”] tem cenas a bordo da nave espacial em corredores, esses corredores não são a Enterprise ou a Millenium Falcon e parecem-se mesmo com um banal corredor de hotel descaracterizado, como qualquer corredor daqueles que encontramos em todo o lado.
Não encontrarão em [“ANIARA”] qualquer estética mais “hollywoodiana” tentando criar o tipo de atmosfera sci-fi a que estão regularmente habituados no que toca à representação do interior da nave.
Nada dentro de Aniara se parece com uma nave toda cheia de pinta e design como podem encontrar em “PASSENGERS” por exemplo.
Em [“ANIARA”], o interior da nave ANIARA, parece-se mesmo com auditórios, corredores de hotel, casas de banho de shopping center, cozinhas, lavanderias, bares e restaurantes banais e tudo o mais que vocês possam imaginar de mundano.
E perguntam vocês …
Mas que raio ?!!…
Como pode isso resultar ? …

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Meus amigos… é incrível.
Não passaram vinte minutos de filme e vocês já nem se lembrarão que todas aquelas pessoas não estão mesmo no espaço.
Ainda estou para tentar perceber como estes realizadores conseguiram isto, mas ANIARA é mesmo uma nave absolutamente épica e particularmente única dentro do cinema de ficção-científica.
Ao contrário do que vocês possam pensar ( e do que eu temia ) , todas as localizações reais filmadas na Suécia e Noruega que passam por interiores da nave ANIARA, não só nos fazem esquecer por completo o contexto original dos locais no nosso mundo como dão uma identidade absolutamente “espacial” e verdadeiramente épica aos “cenários” sci-fi que toda a história precisa de mostrar.

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Para este efeito resultar tão bem , muito contribuiu o design dos efeitos CGI que mostram ANIARA do exterior quando o filme nos mostra a nave-mundo viajando pelo espaço profundo.
Quem fez o design exterior desta nave espacial , acertou em cheio na forma como conseguiram ligar a estética do “interior da nave” com aquilo que esta se parece quando vista do exterior.
Vejam o filme e perceberão o que quero dizer.
[“ANIARA”] em termos de criação de atmosfera é mesmo uma obra prima dentro daquilo que muitos já apelidam de “Cinema-Scifi-No-Set”.
E com todo o mérito.

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No fundo são estas as vantagens de se tentar produzir um épico sci-fi Europeu de baixo orçamento. A necessidade espevita a criatividade e o engenho.
Não há dúvida que [“ANIARA”] soube mesmo tirar partido da falta de dinheiro para criar ao mesmo tempo uma atmosfera espacial sci-fi épica que não precisa mesmo de efeitos especiais ou sets de Hollywood para nada.
Muito pelo contrário. A sua identidade fabulosa como filme de ficção-científica está precisamente nisso. 
[“ANIARA”] é verdadeiramente único por causa  desse aspecto ter resultado tão bem e uma verdadeira inspiração.

STARLOST



Mas [“ANIARA”] é muito mais do que um filme com uma atmosfera espacial fantástica , apimentado por algum sexo mais cru que não esperamos encontrar em produções mainstream.
Enquanto história apocalíptica é também fabuloso.
Eu ainda não li i poema original ( que podem ENCONTRAR AQUI ) e há quem diga que está muito mal adaptado pois resume demasiado todo o seu extenso conteúdo.
Mas… estamos a falar de um poema enorme mesmo; dai a minha comparação com Os Lusíadas há pouco.
Por isso incompleta nos seus detalhes ou não, quanto a mim esta história é verdadeiramente uma lufada de ar fresco no panorama da ficção-científica cinematográfica actual.

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É tão bom encontrar de repente um filme de sci-fi adulto.
Uma história que nos cativa pelo suspense; por nos deixar mesmo presos ao destino dos personagens sem nunca deixar de criar uma atmosfera espacial fantástica e acima de tudo consegue fazer isso sem precisar de montagem video-clip, sem precisar de cenas de acção com “one liners” a todo o instante e sem precisar de explosões épicas em CGI ou efeitos especiais plásticos a todo o instante.

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[“ANIARA”] tem uma história demasiado boa.
Tão boa que vocês irão esquecer que estão a ver o interior de uma nave recriado em centros comerciais e corredores de hotel.
Como habitualmente quem esperar que eu revele detalhes sobre a aventura neste blog, esqueçam.
Tem semelhanças com “STARLOST” , “PASSENGERS” e até “IKARIE XB-1 VOYAGE TO THE END OF THE UNIVERSE” em termos de conceito; embora na verdade, se possa dizer o mesmo inversamente a tudo o resto pois “ANIARA” enquanto poema sci-fi é por muitos considerada a primeira história sobre naves mundo perdidas no universo e que inspirou uma geração de escritores na altura em que saiu décadas atrás.

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Se não sabem nada sobre isto tal como eu não sabia, continuem assim.
Só precisam de saber que [“ANIARA”] é um filme espacial sobre uma nave que se perde no universo com centenas de passageiros comuns a bordo.
Em vez de chegarem a Marte vêem-se de repente numa viagem até aos confins do universo que durará toda a sua vida e é esse o ponto de partida para uma história que para mim só peca por ter um final demasiado rápido.

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[“ANIARA”] na minha opinião pedia mais detalhe no capítulo final.
Especialmente depois de passarmos “tantos anos” com os personagens principais.
Não que o fim seja mau. A imagem final é mesmo atmosférica mas eu gostei tanto de tudo o que estava a ver que na verdade esperava mais.
Pelo menos ver mais, pois o final salta demasiado rápido e abandona de certa forma os personagens centrais para se focar até em personagens terciários que anteriormente só tinham aparecido por menos de dois segundos no écran como se agora fossem eles os principais e não todos os outros anteriormente… ( por isso estejam muito atentos a toda a gente que vêem durante o filme ).

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Se gostaram de “PASSENGERS” que eu achei fabuloso há possibilidades de virem a gostar deste título Sueco de baixo orçamento. Agora preparem-se para um ambiente muito menos açucarado e bem mais cru e realístico ( daí o sexo “explicito também ).
O filme “PASSENGERS” é quase um bom exemplo do que seria [“ANIARA”] mas feito por Hollywood; isto para efeitos de comparação entre o que é um filme feito para as massas e um título produzido a apontar para quem gosta mesmo de ficção-científica sem preocupações de agradar à malta das pipocas ( a mesma que dá nota péssima a esta obra prima , apenas porque não tem nada a ver com o cinema de Hollywood bubble gum a que estão habituados ).
 Mais uma vez estamos na presença de um título que no IMDb recebe algumas classificações miseráveis de certos “cinéfilos”.

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O que quer dizer que só pode ser mesmo bom.
É bom voltar a encontrar um filme de ficção-científica mesmo feito para o público de ficção-científica e olhem que já não há muitos desses por aí.

FICÇÃO CIENTÍFICA


Resumindo, se gostam de histórias sobre naves-mundo, [“ANIARA”] é uma que não devem perder.
Bons personagens, interpretações fantásticas (protagonistas excelentes) , um clima apocalíptico bastante interessante à medida que a narrativa avança e uma atmosfera geral absolutamente fantástica que lhes dará aquilo que a melhor ficção-cientifica ainda é capaz de fazer bem longe de Hollywood quando o tema é tratado de forma clássica e para adultos sem preocupações de ofender os puritanos ou de agradarem aos adolescentes crescidos. Os tais em que o cinema pipoca Americano transformou as audiências mundiais nas últimas décadas a impingir produtos pré-formatados às pessoas.

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Ver [“ANIARA”] é como ler um bom romance clássico de sci-fi e isso é o melhor que se pode dizer deste filme, que até tem por ali uma boa pitada de “SOLARIS” e claro “2001 Odisseia no Espaço” como não podia deixar de ser. E já agora com um toque de “INTERSTELLAR” também.
Há tanto de tanta coisa por aqui nesta história que já começo a perceber porque ANIARA” enquanto obra literária é considerada a obra prima influente que eu desconhecia por completo.
Vejam.
É fabuloso e inesquecível se gostarem dele e conseguirem habituar-se ao estilo e ao ambiente visual.
Não esperem um filme de aventuras no espaço.
Esperem sci-fi Europeia da melhor e um bom exemplo do que é um filme esquecido.

Foi para divulgar cinema de Ficção-Científica assim que eu criei este blog.

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CLASSIFICAÇÃO

Mais um bom exemplo da boa ficção-científica que se faz actualmente de vez em quando na Europa e um bom exemplo de que para se criar um épico-scifi se calhar não são precisos orçamentos de Hollywood.
Basta imaginação, engenho, bons actores e uma história excelente para contar.
De resto já disse tudo acima e por isso:

Cinco Planetas Saturno e claro, um GOLD AWARD

     

A favor: o ambiente espacial fantástico sem cenários construídos cinematográficamente, os personagens e os actores em particular que são fantásticos, o curioso uso de pessoas com queimaduras graves reais para representar uma faixa da humanidade que sofreu na pele os efeitos do que aconteceu ao nosso mundo com as mudanças climáticas no futuro , a história, o design exterior da nave, é ficção científica para o público de ficção-científica adulto, os inserts de sexo criam uma tensão por vezes perturbante precisamente nos momentos certos para a história mudar de direcção apontando para o final quase perfeito.

Contra: ( a censura na montagem “americana” ) , o final é demasiado rápido e pedia mais exposição porque depois de acompanharmos aqueles personagens durante tanto tempo e a própria nave teria sido interessante saber mais detalhes sobre tudo aquilo que levou aos momentos finais da história… embora isto tivesse tornado o filme num épico com mais duas horas do que o orçamento disponível permitia certamente.
O final não é mau mas apenas ficamos com vontade de saber mais. O que se calhar é bom e só mostra o quanto esta história nos agarra.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER OFICIAL

TRAILER UK SIMPLIFICADO


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IMDb

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https://www.imdb.com/title/tt7589524/

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Se gostou deste, poderá gostar de :

capinha_solaris capinha_CHILDHOODS-END.jpg capinha_pandorum capinha_cargo capinha_SOLARIS-1972.jpg
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NO MAN´S SKY – GALACTIC GEOGRAPHIC – As viagens de ALCAMINHANTUS pelo universo virtual de NMS : Um arquivo “Fotográfico” para uma inesperada ferramenta criativa.

Ando a jogar à séculos a um autêntico simulador de caminhadas virtuais chamado NO MAN´S SKY e este post serve agora para divulgar o meu novo site/arquivo que é essencialmente o repositório de todas as imagens que tenho captado nas “minhas viagens” pela galáxia.

UM UNIVERSO INTEIRO

Para quem não conhece trata-se de um jogo que simula um universo virtual na sua plenitude ( inspirado no estilo de ilustração clássico sci-fi dos anos 70 ), gerando planetas inteiros por onde podemos caminhar apenas sem fazer absolutamente mais nada. Para toda a gente que se queixa da violência nos videogames NMS é o antídoto perfeito pois é um titulo muito particular pelo facto de que nos permite fazer o que quisermos dentro do seu universo sem limites onde nem os próprios criadores do jogo fazem ideia de que mundos o seu próprio algoritmo gera de cada vez que alguém joga.

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Se quiserem jogar de forma tradicional têm missões disponíveis, podem andar aos tiros no espaço até. Mas o jogo permite que o joguemos de formas diversas e totalmente pacíficas também. Podemos jogá-lo como se fossemos um cientista e percorrer o universo apenas a descobrir e catalogar especies alienigenas, podemos jogá-lo como comerciante ao minerar materias primas e vendendo-as nas varias estações espaciais ou planetárias que o encontramos, podemos até ser um pirata e nem aterrar em qualquer planeta continuando apenas no espaço a atacar naves cargueiras e roubando-lhes a carga.
Resumindo é impossível descrever No Man´s Sky num parágrafo.

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Desde que o jogo foi lançado no verão de 2016 que não paro de o jogar. Na verdade foi a única razão pela qual comprei uma PS4 e não me arrependo. No Man´s Sky é de longe o jogo que mais tempo me prendeu até hoje e olhem que já joguei a muito ao longo dos meus 48 anos de vida. Eu joguei ao PONG quando este era o único jogo que havia nos cafés a meio dos anos 1970s como refiro na minha extensa No Man´s Sky review que poderão encontrar aqui em PT e aqui in English. 😉
Mas “jogar” não é a expressão certa …

Na verdade não estou a jogar, pois não faço nada do suposto gameplay que deveria ser feito para “completar” o jogo. Estou apenas a caminhar virtualmente pelos mundos e a usar a igualmente virtual câmera fotográfica para “fotografar” as paisagens que encontro tal como faço normalmente numa das minhas caminhadas reais.

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Como tal neste momento já tenho mais de 8000 imagens dos vários mundos que explorei e sendo assim resolvi criar um site/arquivo para guardar as melhores e que volto a referir poderão encontrar no meu novo enderenço :

https://nmsgalacticgeographic.wordpress.com/

FERRAMENTA CRIATIVA

Agora para aqueles que pensam que isto é de doidos o que vocês não sabem é que o NMS para lá de um jogo é essencialmente uma excelente ferramenta criativa para se planear ilustrações de paisagens e composições visuais. Não que sirva para copiar as imagens mas o facto de nos dar uma camera virtual permite-nos simular enquadramentos, testar condições de luz “natural”, testar várias paletas de cor e mais um monte de coisas que depois poderão ser transpostas em técnica para quando eu crio as minhas próprias ilustrações.

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Por isso tal como Casabalanca é o filme perfeito para quem quiser perceber como se usa o preto e branco em ilustração, Musica no Coração o filme ideal para perceber como o uso da cor importa na definição do ambiente de uma imagem e A Conquista do Oeste para aprender como se enquadra uma paisagem épica, agora o jogo No Man´s Sky é a ferramenta virtual que une quase os três filmes em termos de transposição de técnica.

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O que torna o Jogo numa excelente ferramenta até para principiantes nem que seja pela forma como pode inspirar um artista e espevitar a imaginação.

AUTO PROMOÇÃO

Além disso, também criei o site como forma de publicidade para o meu próprio trabalho de ilustração.
Muita gente pergunta-me como podemos começar a encontrar clientes para ilustração online. Ora bem, não é apenas criando sites directos sobre o nosso trabalho mas também criando sites sobre coisas que nos interessem que possam atrair o mesmo tipo de publico/cliente que depois poderá estar interessado no nosso trabalho.

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Neste momento o meu melhor meio de promoção não é mostrar os meus desenhos mas sim este meu site de critica de cinema https://universosesquecidos.wordpress.com/ pois atrai publico que muitas vezes até esta ligado a projectos de desenho, editoras, etc. Curiosamente apesar de estar em Português a grande maioria dos leitores por aqui estão nos EUA vá-se lá saber porquê. Talvez porque o Google translator ajude.
Portanto sendo assim espero igualmente que o meu novo site sobre o No Man´s Sky atraia potenciais clientes que depois cliquem no meu portfolio de ilustração porque gostaram da forma como fotografo os mundos virtuais que exploro.

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COMPRAR NO MAN´S SKY

Podem comprar No Man´s Sky para PS4 (PLAYSTATION 4) AQUI ou para a XBOX AQUI.

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LIVRO em DESTAQUE : “DARK SPACE UNIVERSE” – Jasper T.Scott

NOTA: Esta nova secção serve para que eu recomende livros que considero indispensáveis ou simplesmente muito bons, imaginativos ou divertidos na área do Fantástico / Ficção-Científica / Fantasia / Sobrenatural ; porque isto do cinema é muito giro mas até agora não deve ter aparecido um filme que em termos de história se compare a um bom livro. Como há imenso por onde escolher vamos a isto.
NOTA 2: As imagens que ilustram o corpo deste artigo são essencialmente ilustrações pulp dos anos 50 para efeito decorativo.

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**DARK SPACE UNIVERSE** foi uma daquelas descobertas inesperadas que me aparecem pela frente se calhar uma vez em cada dez anos ou algo assim e uma verdadeira surpresa no que toca a literatura de ficção-científica dentro do género – space opera.
Jasper T.Scott só pode ser mesmo a reencarnação de E.E.Doc.Smith pois acho que até hoje nunca tinha encontrado um escritor capaz de criar um universo tão único e detalhado dentro deste género tão estereotipado pelo franchising Star Wars. Ainda por cima estamos a falar de um autor jovem; o que quebra o molde negativo que vinha a ser lugar comum na literatura espacial de aventura nos últimos tempos e onde tudo escrito por autores entre os vinte e trinta anos mais parece uma enorme colecção de lugares-comuns sacados de videogames ou comics de super heróis do que algo verdadeiramente ligado à tradição da space-opera.

Para minha grande supresa também, descobri agora que **DARK SPACE UNIVERSE** apesar de ser o livro 1 de uma trilogia ( que pode ser lido em separado ) é na verdade também já o sétimo livro passado neste universo em particular e agora lá vou ter que comprar todos os outros livros deste autor…

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Lucien é um Paragorn do Império Etherian com a missão de viajar pelo espaço conhecido espalhando a palavra de Etherus, “Deus” criador de toda a raça humana e governante supremo do império; sim, porque esta – Divindade – habita no mesmo mundo que toda a população que o adora. Acontece que por entre os elementos da Academia de Ciência circula uma petição que propõe que se organize uma expedição para lá do universo conhecido pois nem toda a gente é – um crente – na suposta divindade de Etherus e uma parte da população não acredita quando este afirma que para lá – do Seu – universo criado não existe nada a não ser o Mal e a escuridão misteriosa que está para lá do Seu poder divino.

Eis que uma nave mundo é enviada para longe do domínio de Etherus contendo a bordo mais de três milhões de “ateus” e Lucien que tem também a sua razão para estar a bordo. É que Lucien ele próprio começa a ter dúvidas sobre o caráacter divino de Etherus e vê naquela missão que irá durar mais de duzentos anos a hipótese de encontrar respostas para as suas questões. Será que o universo tem uma barreira ? Qual a sua forma ? Terá sido criado por – um Criador – ou fará parte de um ciclo interminável de criação natural sem necessitar de uma intervenção divina para existir ?… O que está para lá do universo ?

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**DARK SPACE UNIVERSE** é isto e muito mais. Apesar de ser uma space opera clássica num excelente cruzamento entre algo que remete para Rama de Arthur Clarke, Dune de Frank Herbert, Star Wars de Lucas e um toque muito especial às histórias de E.E.DOC.SMITH, muito em particular na forma como os personagens estão caracterizados e as aventuras se desenrolam.
Toda a história tem uma imensa escala verdadeiramente épica e em certas alturas parece haver por ali também um cheirinho ao melhor da vertente cosmológica de “BABYLON-5“, mas acima de tudo é uma história sobre exploração do desconhecido à moda antiga. Daquelas em que os heróis aterram num planeta e não sabem nada sobre ele ao melhor estilo “ESPAÇO 1999” também.

Os mundos são muito imaginativos, as tecnologias são particularmente criativas na forma como o romance liga a vertente científica com uma atmosfera religiosa e o livro é verdadeiramente um daqueles page turners que não se consegue parar de ler pois cada coisa que acontece a seguir é mais imaginativa que a anterior.
Se tiverem um Kindle recomendo vivamente.

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Aliás, **DARK SPACE UNIVERSE** e restante trabalho de Jasper T.Scott é também um excelente exemplo dos novos tempos. De uma coisa que a maioria dos portugueses nem sonham ser possível actualmente. Um escritor de sucesso que não precisou de editoras para nada e alcançou a fama editando as suas histórias através de plataformas como a amazon que permite a qualquer pessoa lançar o seu livro sem precisar de estar ligado a editoras. Com mais de 50.000 livros vendidos online no formato e-book só com um par dos seus títulos iniciais este escritor é bem o exemplo daquilo que muita imprensa e artigo depreciativo em Portugal afirma não ser possível; um escritor amador alcançar o sucesso comercial lançando-se inicialmente sem editora.

Por tudo isto e muito mais **DARK SPACE UNIVERSE** * recomenda-se vivamente.
Podem encontrá-lo para download aqui se tiverem um Kindle.
Este livro e toda a restante obra está também à venda na loja Kindle da amazon.com a preços reduzidos. Infelizmente devido à sua natureza inicialmente e-book encontrar esta space opera num formato de livro tradicional não é tarefa fácil pois é um título que já nem depende disso para ser um sucesso sequer.

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CLASSIFICAÇÃO

CAPA ( e grafismo ):
(
Só tenho a versão Kindle mas a capa que vem com a principal edição do livro é bastante atmosférica embora algo genérica em termos de imaginação e não reflecte o verdadeiro visual descrito no livro no que toca à nave dos heróis. Mas é uma óptima capa na mesma. )

ORIGINALIDADE: 
(
Quanto a mim Jasper T.Scott é o E.E.Doc.Smith dos tempos modernos e quem conhecer esta referências sabe que está tudo dito no que toca a space-opera imaginativa com grande aventura sem no entanto deixar de lado os grandes conceitos e as grandes ideias. Dentro da Space Opera **DARK SPACE UNIVERSE** consegue inovar mesmo quando não parece estar a fazê-lo e isso hoje em dia é um verdadeiro feito para um escritor deste tipo de aventuras espaciais. )

IMAGINAÇÃO:
(
Todo o conceito envolvendo a perspectiva religiosa dos personagens e da sociedade tecnológica em que vivem, todas as ideias de criar uma aventura a partir da ideia que questiona a real existência de um Deus sobrenatural, todas as descrições dos próprios processos científicos à volta da reencarnação, descrição da própria tecnologia, mundos alienígenas com muita atmosfera, tudo neste livro é particularmente surpreendente em termos de imaginação. )

NARRATIVA:   
( Logo de início sente-se que isto vai ser especial. É um daqueles livros que abre logo com imensa imaginação, sabe descrever um mundo com uma escala épica que ainda não tínhamos visto apresentado desta forma, sabe apresentar personagens e fazer com que o leitor os identifique logo de início e toda a narrativa segue a um ritmo excelente que alterna entre a aventura e os temas teológicos, filosóficos, religiosos, ou científicos sempre com imenso espírito de mistério e fascínio.)

RAV (“Read again value”):
( A escala épica dos ambientes e a própria atmosfera cosmológica cativante faz com que este seja um daqueles livros que apetecerá reler mais tarde sem qualquer sombra de dúvida só para reencontrar este universo e estes personagens. Em certos momentos há por aqui qualquer coisa de Rama de Clarke e isso dá-lhe um sabor ainda mais especial. )

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Mais recomendações literárias neste blog:

The Martian War - Gabriel Mesta Last_and_First_Men.jpg

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NOTA 3: Infelizmente bons livros dentro do género da ficção-científica / fantasia escasseiam actualmente em Portugal. Nunca deve ter havido tantas edições traduzidas nas livrarias mas essencialmente o género está morto e enterrado neste país pois o que cá se publica salvo raras excepções não passam de livros que o marketing estrangeiro definiu como o livro da moda.

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Aventuras adolescentes onde raparigas rebeldes em futuros distópicos se apaixonam por lindos líderes da resistência, plágios descarados sem um pingo de imaginação de clássicos da Fantasia que em Portugal não vêem a luz do dia desde que a velha colecção Argonauta se extinguiu ou vampiros lindos de morrer aos quilos são o que infesta actualmente as prateleiras daquilo que supostamente seria a secção de fantasia/ficção científica que antigamente comportava escritores como Heinlein, Ursula Le Guin, Anne McFfrey, Assimov, K.Dick, e todos os restantes que tornavam tão unica e variada cada opção à escolha; hoje tudo substituído pelo mais estereotipado conceito reciclado que estiver na berra ou pura prosa-videogame no estilo mais vazio possível.
Por essa razão muitos dos livros que irei continuar a recomendar por aqui estarão em inglês pois felizmente porque lá fora ainda se encontra uma boa variedade de opções para todos aqueles que conseguem evitar ler em Português. Além disso uma edição inglesa custa às vezes 75% menos do que o mesmo livro em Portugal quando este existe. Em Portugal dividem-se livros como “DUNE” ou “Game of Thrones” em dois volumes de vinte euros cada um ( sendo originalmente um único livro ) , quando o mesmo livro em Inglês na integra se compra actualmente por 8€ por exemplo.

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Se gostarem deste livro vão gostar destes filmes:

capinha_2010.jpg capinha_CLOUD ATLAS.jpg capinha_dune capinha_BABYLON 5.jpg capinha_FH_CHILDRENDUNE.jpg capinha_FHDUNE.jpg capinha_CHILDHOODS-END.jpg capinha_things-to-come

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