“MAGELLAN” (“MAGELLAN”) Rob York (2017) USA/AUSTRALIA

Há filmes que até em pirataria são incrivelmente dificeis de encontrar e durante dois anos eu procurei por uma cópia de [“MAGELLAN“] sem nunca me deparar com mais nada a não ser rips dobrados em Russo. Felizmente que o filme foi editado no ano passado na Europa em Bluray , (como não podia deixar de ser, por uma editora Alemã)  e como sempre tive intenções de o comprar, finalmente consegui colocar os meus olhos, neste que era um dos filmes scifi de baixo orçamento que eu mais procurei nos últimos anos.

Magellan

O fascinio de um título como [“MAGELLAN“] para mim está no facto de não querer ser menos do que um “INTERSTELLAR“; mas feito com muito pouco dinheiro.
Baixo orçamento mas enorme ambição e como tal desde que eu tinha visto o trailer produzido para a sua campanha Kickstarter que eu tinha ficado com enorme curiosidade sobre este filme espacial.

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Mais uma vez, estamos na presença de outro daqueles títulos scifi que essencialmente são trucidados pelos utilizadores do IMDb pelas razões mais imbecis.
Eu sinceramente não percebo como é que há gente que não consegue simplesmente entender o que são as limitações do cinema de baixo orçamento. E os piores são aqueles “científicos” que cascam nos titulos scifi porque os gajos descobriram que uma órbita que aparece demonstrada no filme está mal calculada na realidade e por isso o filme não presta porque é estúpido e não é científico.
[“MAGELLAN“] não é estúpido, mas sim muito limitado.
[“MAGELLAN“] é na verdade extraordinário.

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INTERSTELLAR NO-BUDGET

A minha produtora de cinema independente favorita nos EUA é de longe a ARROWSTORM ENTERTAINMENT pois simbolizam para mim ( bem longe de Hollywood refundidos no estado do Utah ) aquilo que é o gostar de se fazer cinema sem pretenções e sem dinheiro também; mas com muita imaginação, engenho e determinação do qual [“MAGELLAN“] é também um óptimo exemplo dentro da Scifi.
A série de cinco filmes de Fantasia, “MYTHICA” ( 12345 ) , juntamente com as produções ( de teste (?) )  iniciais, “DAWN OF THE DRAGON SLAYER” , “THE CROWN AND THE DRAGON” ou “RISE OF THE SHADOW WARRIOR” que eles criaram “caseiramente” há alguns anos atrás tiveram um sucesso tão grande no circuito alternativo e de festivais Fantásticos/Scifi dentro do cinema independente que estes cineastas voluntários de-fim-de-semana a partir de certo momento se –“viram obrigados”– a criar uma empresa ( Arrowstorm ) para distribuir as suas produções para o mercado exterior ( e controlar os copyrights ) quando os pedidos ultrapassaram as fronteiras do estado do UTAH onde tudo se originou.
O catálogo da Arrowstorm é fascinante e felizmente que está quase todo editado em bluray ora em Inglaterra ora na Alemanha, país este que tem sempre as melhores edições de cinema low-budget fantasia/scifi.

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Com o surpreedente sucesso de mega produções de Hollywood como o fabuloso “INTERSTELLAR” de repente também isso parece ter vindo demonstrar que para lá dos filmes pipoca sem cérebro disfarçados de scifi afinal ainda havia algures um público sedento por ficção-científica cinematográfica madura à espera de ver o género renascer por entre as cinzas de tanto lixo pré-fabricado nas últimas duas décadas pelos grandes estúdios; ( tentando passar por ficção-científica ).
O que veio dar um novo fôlego a histórias como as de [“MAGELLAN“] e em última análise ter feito com que boa ficção-científica clássica tenha começado a reaparecer. Mais até mais na Europa com “ANIARA“, “COSMOS“, “CARGO“, “ARES“, “VIRTUAL REVOLUTION“, “THE BEYOND” etc do que nos EUA; sempre restringidos ao cinema braindead para consumo de massas estupidificadas mas nem por isso menos capazes de criar boas histórias scifi realmente atmosféricas como se demonstra cada vez mais pelo cinema independente norte americano.

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E histórias que se calhar nem precisam de orçamentos milionários de Hollywood para resultar em pleno como [“MAGELLAN“] vem agora também muito bem demonstrar. Mesmo até quando em muitos momentos esta produção nos parece mesmo um filme caseiro;  especialmente ao notarmos que por exemplo, o cenário do interior da nave de cartão, madeira e esferovite poderá cair a qualquer momento se o actor tocar nas paredes, pois ( como se nota bem principalmente na cópia bluray ) tudo está claramente equilibrado por um fio com a ajuda de cola, fita cola, pregos, parafusos à vista, carpetes mal coladas por todo o lado e acabamentos de cenário tão pobrezinhos que por vezes é mesmo surpreendente como este filme foi para a frente com tão óbvias limitações de orçamento.

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E isso importa ?
NÃO !

EMPATIA

[“MAGELLAN“] pode ter muitos problemas de produção no que toca à credibilidade dos cenários e ambientes que procurou construir sem dinheiro nenhum e portanto meus amigos podem esquecer aquelas opiniões que atacam o filme – porque está mal feito e prontos ! – com base no óbvio.
É óbvio que [“MAGELLAN“] quer ser “INTERSTELLAR”, é óbvio que nunca conseguiria ser em termos técnicos mas o que consegue fazer é também merecedor de um enorme elogio. Quanto mais não fosse , porque à força de tentar parecer-se com “INTERSTELLAR” acaba no entanto por contar uma história absolutamente cativante do principio ao fim.
E não precisou mais do que um par de actores com uma química fantástica.

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O par protagonista de [“MAGELLAN“] é a alma do filme. Se estas duas pessoas não são um casal na vida real não sei onde foram buscar uma química romântica como esta. E digo isto no melhor dos sentidos. Tanto o personagem do astronauta como o da sua mulher nos parecem mesmo pessoas reais e se [“MAGELLAN“] faz alguma coisa muito bem está precisamente na forma como nos consegue fazer esquecer por vezes que estamos a ver um filme , tal é a empatia que os dois protagonistas conseguem criar com o espectador que torce até ao último segundo para que o seu destino seja feliz.

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Não só os dois actores são absolutamente convicentes mesmo quando passam practicamente toda a história separados ( ela fica na Terra, ele parte para o espaço ) , como também os próprios diálogos em [“MAGELLAN“] estão particularmente bem construídos. Nada fica por dizer e não se desperdiçam palavras ao acaso só para ir queimando tempo ou ir enchendo o filme para disfarçar as suas fraquezas de produção.
[“MAGELLAN“] não precisa sequer preocupar-se em disfarçar as suas fraquezas a partir do momento em que tem personagens centrais como estes dois.

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E nota alta para os secundários também. As vozes das A.I. a bordo da nave pois são o complemento perfeito para não só colar todas as pontas soltas em termos de exposição da história como ainda proporcionam alguns momentos de humor muito divertidos que humanizam ainda mais esta verdadeira aventura de exploração do espaço.
Na verdade o elenco em geral não está mal tendo em conta que alguns nem são actores profissionais e portanto esqueçam aquelas opiniões de utilizadores no IMDb que cascam em [“MAGELLAN“] também por isso.  Esse tipo de … “cinéfilos” … não se encontram claramente entre o tipo de público para o qual esta excelente história interestelar foi feita.
[“MAGELLAN“] pensado para quem cresceu com Arthur Clarke, Asimov, Robert Heinlein e todos os autores clássicos da ficção científica. Se não têm qualquer uma destas referências e apenas cresceram com a cultura popular “Comicon” dos últimos vinte anos, muito provavelmente este filme não é para vocês.

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ESPAÇO SEM FIM

Com boa produção da Arrowstorm que se preze, filmada no Utah, é óbvio que [“MAGELLAN“] irá provocar a tão costumeira sensação de – Deja Vu – a todos aqueles que tal como eu forem fãs deste grupo de film-makers amadores tornados profissionais por força das circunstâncias. É que toda esta aventura espacial foi precisamente filmada nos locais habituais onde todos os filmes da produtora são filmados. Ou seja , no “quintal” habitual, onde os mesmos locais já serviram anteriormente , para mundos de fantasia, dimensões paralelas, terra de zombies, etc…
O que nem por isso quer dizer que seja uma coisa má, especialmente quando nos mostram paisagens que nem sequer tinhamos noção de que existiam no estado do Utah.
Não é por falta de boas localizações que [“MAGELLAN“] possa ser atacado, embora neste caso até nem use muitos exteriores “imaginários”.

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Os tais “cinéfilos-especialistas científicos” apontam logo que os ambientes em [“MAGELLAN“] são rídiculos pois não se parecem mesmo nada com Titan; especialmente quando este é filmado no popular lago seco próximo de Salt Lake City já visto em tudo deste Lethal Weapon a videoclips da MTV; (entre outros). Ignorem.
Chega perfeitamente para os transportar para o universo espacial deste filme na boa.

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Surpreendentemente mesmo com o orçamento limitado que esta produção claramente teve ( foi resultado também de uma campanha Kickstarter como já referi antes ), a verdade é que [“MAGELLAN“] consegue mesmo um fantástico ambiente espacial sim senhor. Arrisco-me até a dizer que nem precisa ficar envergonhado numa comparação com “INTERSTELLAR” na forma como também nos consegue transportar para os confins do sistema solar sem qualquer problema.
[“MAGELLAN“] conta com algumas vistas épicas do nosso sistema solar e consegue criar muito bem aquela sensação de vastidão no universo. O filme está cheio de planos CGI (que apesar de baratinhos) , são absolutamente perfeitos para em muitos momentos conseguirem transportar o espectador para Saturno, Titan, Neptuno, e todas as localizações para onde a aventura nos leva.

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São efeitos limitados e muito pobrezinhos ? São sim senhor. Alguns são atrozes mesmo.
Outros funcionam na perfeição e dão-nos breves segundos de cortar a respiração por vezes pois nunca estamos há espera de encontrarmos pela frente algumas das paisagens espaciais que este filme sabe dosear muito bem para ir continuadamente criando um sentido de maravilhoso que muitas das vezes nem Hollywood consegue criar com orçamentos de milhões de dólares.
Em termos de efeitos [“MAGELLAN“] pode ser pobrezinho mas também aqui se nota o esforço que houve para dar ao espectador algo de grandioso com o que se podia arranjar e não me surpreende de todo se a maior fatia do dinheiro tivesse ido para os efeitos CGI.

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CELESTIAL

Nota alta para a banda sonora também.
Embora se há uma área onde [“MAGELLAN“] possa ser acusado de não querer ser mais do que uma cópia de “INTERSTELLAR” é no que toca à sua música.
Eu não me importo, adorei a banda sonora de “INTERSTELLAR” e curti e muito a banda sonora de [“MAGELLAN“] que consegue aproximar-se bastante do mesmo tipo de música “celestialmente espacial”. Na verdade quase ao ponto de roçar o plágio também… embora desta vez estejam perdoados. [“MAGELLAN“] tem mesmo o tipo de banda sonora que precisava de ter para resultar e é também a música que muito contribui para o abrir o filme para territórios verdadeiramente épicos e misteriosos.

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[“MAGELLAN“] a ter um defeito para mim , está no final. Não que ele seja mau; muito, muito pelo contrário. Na sua escala limitada do que pode mostrar é realmente inspirador e até fabuloso num certo contexto scifi que previligia as ideias em vez dos efeitos, mas peca por ter exactamente o mesmo final que todo este tipo de histórias que já apareceram antes em filmes semelhantes de produção independente. O fim é sempre o mesmo, embora neste caso eu tenha que concordar que é o final perfeito pois em termos de história [“MAGELLAN“] é aquele que melhor vai construindo as situações e o próprio mistério até que tudo culmine para que aconteça aquilo que tem que acontecer. Eu gostei e deixa-nos com muita vontade de saber o que vai acontecer a seguir pois eu espero sinceramente que a Arrowstorm quando “INTERSTELLAR 2” sair, também dê continuidade a [“MAGELLAN“]. Seria um perfeito candidato para uma sequela em estilo “RENDEZ-VOUZ-WITH-RAMA” se é que vocês me acompanham aqui nesta referência. 😉

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CLASSIFICAÇÃO

Se gostaram de INTERSTELLAR e gostariam de ver algo semelhante, se não tiverem preconceitos para com o cinema de muito baixo orçamento este [“MAGELLAN“] é uma excelente proposta; que também serve para quem gosta de coisas como ” 2001 Odisseia no Espaço” , “Arrival” e semelhantes títulos dentro da ficção-científica clássica.
A história deste astronauta que viaja pelo espaço tentando estabelecer contacto com a primeira entidade extra-terrestre que a humanidade localiza nos confins do sistema solar intriga-nos desde o início, o mistério agarra-nos, tem sentido de humor e os personagens centrais são absolutamente cativantes.

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Não leva um Gold Award porque nota-se a todo o instante que isto é um título muito limitado pelo seu orçamento e como tal ficamos sempre com um sabor a pouco quando estamos mesmo com vontade de ver muito e saber mais.

A favor: o par protagonista e a sua história, os dois actores centrais, os dois computadores A.I. são o complemento perfeito, o mistério alienígena é muito cativante, a forma como tenta com pouco dinheiro criar ambientes diversos no sistema solar é muito positiva, algumas vistas espaciais em breves animações CGI são fantásticas, óptima realização, tem um par de bons momentos de suspense, excelente banda sonora apesar de ser relativamente .. ehm… inspirada noutra que já ouvimos antes…

Contra: o final já foi feito muitas vezes antes neste tipo de filmes/histórias, alguns actores secundários e terciários são claramente amadores. Quem não percebe o esforço por detrás do cinema de baixo orçamento não vai perceber de todo onde está a graça.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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COMPRAR em BLURAY na AMAZON ALEMÃ

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https://www.amazon.de/dp/B07SL1MNCK/ref=sr_1_1?keywords=magellan+blu+ray&qid=1585417584&sr=8-1-spell

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“ARES” (“ARES”) Jean-Patrick Benes (2016) FRANÇA

[“ARES“] é um dos melhores filmes independentes de ficção-científica Europeia que eu vi no ano passado e outro bom exemplo de um filme que, até final do ano eu nem fazia a mínima ideia de que existia.
O que só demonstra que pelo visto boa ficção científica Europeia é coisa que não falta, apesar de nem nós próprios na Europa ficamos a saber que é produzida; afinal isto é cinema Francês de baixo orçamento e não um blockbuster de Hollywood.
Depois ainda há quem critique a existência da pirataria online (?!). Não fosse a pirataria e eu nem teria depois comprado [“ARES“] em Bluray. E olhem que eu gostei tanto disto que comprei o filme sem legendas de espécie alguma. O que também ajudou a praticar o meu Francês. E sim, o filme é do caraças !

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Num futuro, (quer me parecer) muito próximo, a velha ordem mundial já era, o planeta está poluído até ao limite e com população a mais, o mundo está num caos económico, doenças por todo o lado e a França conta com mais de 15 milhões de pobres e/ou desempregados sem qualquer perspectiva de futuro.
Todos os desportos foram banidos, excepto um extremamente violento ( controlado pelo Estado ) que é transmitido a toda a nação e que serve como escape à população para que esta possa descarregar toda a sua frustração no visionamento desses combates e não contra um governo que nada faz para melhorar as suas vidas.

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Um Estado também totalmente dominado pelas farmacéuticas.
São elas que controlam os jogos de gladiadores na TV, o que na práctica significa que a segurança do país está nas suas mãos também manipulando tudo ao sabor dos seus jogos de poder. Essas mesmas empresas fazem agora milhões com o dopping que agora é legal num mundo onde os desportistas são usados como cobaias para testarem a melhor droga do mercado que irá tornar o representante de cada uma das facções no melhor lutador de França e gerar muitos milhões em patrocinios de qualquer uma das empresas corruptas que gravitam nos estratos milionários acima da população comum.
Bem vindos ao mundo de [“ARES“].

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O jogo está dividido entre lutadores “do Estado” normalmente representados por membros da polícia e representantes da população em combates por vezes até à morte, o que é do melhor que pode acontecer para aumentar as audiências televisivas.
[“ARES“] conta a história de um desses lutadores.

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Um representante da polícia que entre reprimir violentamente manisfestações nas ruas durante o dia e lutar nos combates durante a noite lá vai sobrevivendo numa Paris que mais parece um esgoto a céu aberto e não passa na verdade de um enorme bairro de lata.
Com duas filhas para manter seguras, entre os quais uma muito pequena, um dia o agente recebe de uma das mais importantes farmacéuticas uma oferta que não pode recusar e claro a partir daqui a história segue para algo que óbviamente não irei contar, até porque já falei demais.

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BLOODSPORT

Tenho que confessar que só comprei [“ARES“] porque o vi mesmo primeiro numa cópia pirata. Isto porque o trailer não me tinha convencido muito e é pena que não passe a melhor ideia do filme na minha opinião, pois muita gente ao vê-lo irá certamente pensar que [“ARES“] será uma espécie de filme de porrada do Van-Damme naquela onda 80s que inundava os clubes de video do antigamente.
Não é.

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Acreditem-me, [“ARES“] não é um “BLOODSPORT”. Parece, mas não é.
[“ARES“] tem muito mais a ver com “BLADE RUNNER” e até mesmo “BLADE RUNNER 2049” do que pode parecer à primeira vista.
Por ser cinema Francês tem também aquele sabor a banda desenhada de Enki Bilal e visualmente até por vezes remete para “IMMORTEL” realizado pelo autor de BD Europeu há anos atrás.
Mas [“ARES“] é também bem mais do que isso.

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Não apenas é um bom título de ficção-científica distópica numa onda “WHAT HAPPENED TO MONDAY” como também tem certas semelhanças com aquele outro filme no estilo -Blader Runner- que saiu há um par de anos também, ( curiosamente igualmente do cinema de baixo orçamento Francês ); o mesmo, muito, muito interessante “VIRTUAL REVOLUTION” que tem uma base semelhante embora mais virada para o mundo dos video-jogos MMORPG.
[“ARES“] é mais cru e talvez por isso mais realístico (?); [“ARES“] é também muito violento e não tem problemas em ser politicamente incorrecto quando o que mostra serve para construir aquele futuro que se calhar não está tão distante assim.

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[“ARES“] apesar de não parecer, é bem mais do que um filme de Van Damme em onda futurista, mas isso não quer dizer que as cenas de combate não vão agradar a quem só procura um filme de porrada também. São muito bem filmadas, bem coreografadas e nem sei como ninguém morreu a filmar isto. Toda a ilusão de extrema violência está muito bem apresentada e portanto isto não é um daqueles filmes fofinhos ou com aquelas montagens politicamente correctas em estilo video clip que se vê nos filmes de Hollywood para agradar à família inteira. Querem ver porrada “realística” com baldes de sangue e muitos narizes e ossos partidos , também a irão encontrar aqui.

UM FILME FAMILIAR

A violência é excelente, a atmosfera repressiva é do melhor e até os efeitos e matte-paintings são impecáveis ( melhores do que aparentam no trailer ).
Visualmente o filme está muito bem produzido, desde o set-design até às panorâmicas do mundo exterior onde a Torre Eifel foi transformada no centro dos bairros da lata tudo em [“ARES“] resulta em pleno.

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Mas a grande força de [“ARES“] nem sequer está aí mas sim nos personagens. O conceito é óptimo, a história é muito boa mas o centro de tudo são os personagens.
Não quero revelar muito mas o que humaniza toda esta aventura sci-fi bem negra é o núcleo “familiar” que centraliza toda os motivos da acção.
O filme pode ser pequeno e não ter mais que 80 minutos mas não precisava de ser maior pois este é outro daqueles que nos parece muito mais longo pelos melhores motivos.

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[“ARES“] tem muita textura, muito detalhe, muita vida e cria uma excelente empatia com o espectador pois ficamos a gostar muito dos “herois” da história e ficamos agarrados ao seu destino e àquela “família” até ao último minuto.
E olhem que eu vi tudo isto em Francês sem legendas absolutamente nenhumas.
Agora também o meu Bluray de edição Alemã ( excelente som e imagem ) , não as tem.
Havia mais para contar, mas como habitualmente terão de procurar pelo filme pois este é outro daqueles títulos de ficção-científica made-in-Europe que valem mesmo a pena.
Mais um para juntarem a “ANIARA” , “CARGO“, etc.
Não percam.

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CLASSIFICAÇÃO

[“ARES“] é outra daquelas surpresas dentro da scifi mais recente que me apareceram pela frente nos últimos tempos. O facto de ser mais um título Europeu só demonstra que pelo menos por cá a ficção-cinentífica adulta está de boa saúde e recomenda-se.
E este recomenda-se mesmo muito.

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Só não ganha um Gold Award… porque por vezes parece demasiado concentrado com tanta coisa a precisar de acontecer para caber em 80 minutos. Mas tirando isso, é um excelente filme mesmo.

A favor: o ambiente do futuro distópico está do melhor, os personagens e interpretações são impecáveis, a história é muito interessante embora não muito complexa, é ultra violento nos combates, excelente set-design, bons efeitos, é mais um óptimo filme Europeu scifi.

Contra: este é o tipo de filme que se tivesse tido um orçamento à Hollywood se calhar poderia ter expandido bem melhor todo este universo. Embora neste caso isto nem seja negativo porque o que faz está mesmo fantástico.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt4216902/

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“WORLD ON A WIRE” (World on a Wire ) Rainer Werner Fassbinder (1973) ALEMANHA

[“WORLD ON A WIRE“]  é um verdadeiro título esquecido.
Tal como muita gente pensa que George Lucas inventou a – Space Opera – quando criou STAR WARS, os media também passaram a ideia de que MATRIX foi um título bem mais original dentro da ficção-científica do que na verdade é, embora o contexto muito poucas vezes tenha sido referido em reviews ou textos mais cinéfilos.
Não por culpa dos irmão Washowsky, pois como poderão ver na enormidade de extras presentes nos filmes, MATRIX eles bem referenciam as bases da sua aventura. Mais do que uma ideia nova , MATRIX foi essencialmente uma modernização de alguns conceitos clássicos já presentes na obra de escritores como Philip K.Dick ; apenas agora meteu porrada estilizada à mistura e um sabor anime / cyberpunk.

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Precisamente na mesma altura em que MATRIX saiu, houve um filme muito semelhante em termos de conceito no que toca a realidades virtuais. Chamou-se “THE 13TH FLOOR” e passou despercebido tendo ido practicamente directo para video, isto apesar das muito boas reviews e recomendações que teve em muitos sitios. Na verdade “THE 13TH FLOOR” foi ofuscado por MATRIX mas apenas pelo óbvio efeito-pipoca, visto que o primeiro é essencialmente um título de baixo orçamento criado para o público da ficção-científica e o segundo é um comic-book mesmo prontinho para os nerds dos comics e Comicons se babarem.
No entanto curiosamente o facto de ambos os filmes terem essencialmente a mesma base ( e até certo ponto, quase a mesma história ) também não passou despercebido junto de alguma media mais especializada em ficção-científica ; (ou em ciência).

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E isto porque tanto MATRIX como “THE 13TH FLOOR” vão beber directamente ao mesmo romance que já tinha sido antes adaptado para uma série de televisiva Alemã em 1973.
Na verdade “THE 13TH FLOOR” é uma nova adaptação da novela “World on a Wire” e portanto se vocês conhecem e gostam desse filme, não estranhem se agora espreitarem [“WORLD ON A WIRE“] e descobrirem que tem exactamente a mesma história.
MATRIX tem a mesma base, mas partiu noutra direcção mais Hollywood com todo o mérito, “THE 13TH FLOOR” é quase um remake de [“WORLD ON A WIRE“], um reboot enquanto adaptação do livro original.
Portanto meus amigos , esta ideia de realidade virtual já existia na ficção-científica décadas antes do pessoal sequer pensar que haveria um dia em que teriamos computadores em casa, o que não deixa de ser extraordinário.

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Até há bem pouco tempo [“WORLD ON A WIRE“] era considerado um daqueles títulos não só esquecidos, como também absolutamente perdidos para sempre ; (quase um rumor) e foi graças não só ao sucesso de Matrix em termos de cultura pop como também ao facto de “THE 13TH FLOOR” se ter tornado num filme de culto, que de repente alguém se lembrou de que o romance que lhe deu origem já tinha antes sido adaptado ao “cinema”.
E foi meio caminho andado, até que uns cinéfilos arqueólogos malucos, descobriram refundidos em arquivos da produtora Alemã original um monte de fragmentos e cópias manhosas da produção original [“WORLD ON A WIRE“] realizada para televisão em 1973 pelo clássico realizador Europeu, Rainer Werner Fassbinder.

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A partir daí a obra foi restaurada e relançada há pouco tempo, principalmente em BLURAY, tendo surpreendido meio mundo dentro da área da ficção-científica pois, tal como eu muita gente nem sabia que “THE 13TH FLOOR” tinha sido uma nova adaptação do mesmo romance “World on a Wire“, embora os extras de MATRIX já tivessem referenciado a influência da obra original.

MUNDOS PARALELOS

Se viram MATRIX ou THE 13TH FLOOR já sabem o que esperar aqui.
A história é sobre alguém que um dia começa a perceber que algo se passa na sua realidade quando muitas coisas ao seu redor começam a mudar e mais ninguem a não ser ele parece notar que algo de estranho está a acontecer. Primeiro é o seu amigo que desaparece e ninguém acreditar que ele alguma vez existiu mas logo os eventos anómalos se sucedem até a história seguir o mesmo rumo que já viram em THE 13TH FLOOR embora com bastantes variantes no percurso da narrativa pois [“WORLD ON A WIRE“] é uma adaptação mais fiel do romance original.

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[“WORLD ON A WIRE“] é tão fascinante quanto repulsivo.
A tal ponto que eu considerei sériamente não o comprar pois se há coisa que eu abomino por completo é aquela estética Europeia do início dos anos 70 ainda com resquícios de Swinging 60s em modo Austin Powers psicadélico e onde tudo é frio, axadrezado, plástico e de um intenso mau gosto em termos de cor, iluminação e textura.

SCIFI DA LUZ VERMELHA

Tudo em [“WORLD ON A WIRE“] me parece saído de um mau porno ultra chunga daqueles mesmo rançosos filmado no início dos anos 70. Os gajos parecem ou vestem-se todos como uma mistura entre chulos e Man in Black e as gajas parecem todas trailer trash em modo puta de esquina mas em versão chique.

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E a representação de toda a técnologia essencialmente reflecte o facto da coisa com o design mais avançado na época se calhar ser uma fotocopiadora da Rank Xerox.
Ou seja, se há periodo estético que eu abomino visualmente é aquele que decorreu entre o final dos anos 60 e meados de 1977 até que o aparecimento de STAR WARS e ALIEN vieram colocar ordem na casa em termos visuais e as pessoas nos filmes de ficção científica deixaram de se parecer ou com guias de shopping-center ou com modelos Fashion estilosos em modo alta costura para putas histéricas.

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O período que nos deu aquelas maravilhosas obras como “ZARDOZ” outro dos meus ódios estéticos de estimação que simplesmente não consigo suportar, ou que nos deu o cinema psicadélico de Jodorowsky que simplesmente me faz querer partir o ecran a todo o instante. Salva-se o “SOLARIS” que está entre os meus filmes favoritos mas isto é porque a estética Russa muito particular conseguiu salvar a coisa e não deixar o visual do filme entrar no tipo de histerismos que [“WORLD ON A WIRE“] contém.
É um produto de uma época, é certo. Mas é uma época que eu estéticamente abomino e como tal só de pensar que ia ter que ver quase quatro horas de ficção-científica narrada através de todos aqueles códigos visuais eu estava um bocado hesitante em comprar isto apesar das reviews.

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Mas na verdade foram as reviews ultra positivas espalhadas por todo o lado que me fizeram arriscar e ainda bem. É verdade, esqueçam o visual merd… ehm… plástico e [“WORLD ON A WIRE“] é realmente fantástico.
Se conseguirem meter para trás das costas o look putéfia sofisticada das mulheres e o estilo frequentador casa-de-alterne dos homens , por detrás dessa aparência que inicialmente os poderá distraír está realmente um dos melhores filmes de ficção-científica obscuros dos últimos anos.
Até mesmo para quem conhece “THE 13TH FLOOR” , [“WORLD ON A WIRE“] irá parecer refrescante. Aliás, se conhecerem “THE 13TH FLOOR” e gostarem dessa versão moderna, então esta versão original é de visualização totalmente obrigatória pois uma das suas coisas mais viciantes e também a razão porque os dois discos da série vêem-se num instante sem darmos pelo tempo passar é porque realmente comparar as duas adaptações do romance é logo meio caminho andado para passarmos o tempo fascinados.

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Mesmo os efeitos retro neste caso, por muito “psicadélicos” que nos pareçam a verdade é que resultam plenamente pois estão particularmente bem equilibrados com tudo o resto que precisa acontecer na aventura.

ESCRITÓRIOS DE SEGURADORAS, BARES DE ALTERNE, CENTROS COMERCIAIS E CASAS DE P…

Curiosamente este parece ter sido na verdade o primeiro título a merecer a classificação de “No Set Cinema” que foi atribuída agora como sendo uma novidade ao filme “ANIARA“, visto que [“WORLD ON A WIRE“] foi todo também filmado em shopping-centers, bares, escritórios, restaurantes e diria eu … casas de putas reais com toda a certeza.

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[“WORLD ON A WIRE“] é por isso mais um título de ficção-científica na linha estética de “ANIARA“, isto no contexto de uma produção filmada em locais reais mas que pretende fazê-los passar por cenários futuristas muitas décadas no futuro.
Arrisco-me a dizer que [“WORLD ON A WIRE“] não funciona particularmente bem se compararmos com a maneira como resultou em “ANIARA” mas isto é talvez fruto do meu próprio preconceito.

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Quanto a Fassbinder que parece estar a levar ao orgasmo muita da criticalhada mais iluminada que olha para este titulo redescoberto agora como se fosse a Mona Lisa pintada por Deus himself , quero que se lixe o endeusamento do realizador.
[“WORLD ON A WIRE“] está excelente. Muito bem pensado, dirigido mesmo e acho que não precisamos ir mais longe.

ALPHAVILLE 2.0 ?

O “filme” tem uma óptima atmosfera ( apesar das minhas reservas estéticas para com isto ) e tem por aqui um certo sabor ao clássico “ALPHAVILLE” de Jean-Luc Godard. Talvez por isso haja por aqui também um toque de filme noir ao melhor estilo Blade Runner, precisamente porque ambos terão ido beber um pouco à mesma origem certamente.

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A história é excelente e suficientemente diferente de “THE 13TH FLOOR” para ser realmente cativante até ao fim e tudo em [“WORLD ON A WIRE“] como dizem as critícas por aí resulta em pleno. Principalmente como uma excelente proposta de ficção-científica.
Isto é tão bom que me arrisco a dizer que inclusivamente pessoal mais pipoqueiro que tenha curtido o Matrix , se gostar mesmo de sci-fi e quiser espreitar as origens daquilo que o franchising de Hollywood teve de melhor em termos de conceito se calhar irá gostar de espreitar [“WORLD ON A WIRE“].

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Não esperem cenas de acção, mas se gostam de histórias scifi sobre mundos virtuais e querem assistir a uma que esteve realmente muito à frente do seu tempo não percam [“WORLD ON A WIRE“]. E isto vale para toda a gente.
No entanto como isto é realmente pura ficção-científica, se calhar [“WORLD ON A WIRE“] não será indicado para o público moderno mais generalista, pois muito provavelmente irão odiar tudo o que irão encontrar aqui.

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CLASSIFICAÇÃO

[“WORLD ON A WIRE“] é realmente aquele tesouro raro dentro da ficção-científica que muitas reviews apregoam. A tal ponto que parece gerar consenso entre pessoas que até normalmente só consomem mais produtos standartizados de Hollywood.
É realmente fascinante, hipnótico e em última análise divertido até, quanto mais não seja porque parece ter sido todo filmado numa casa de alterne para gente chique.

Cinco Planetas Saturno

    

Não leva o Gold Award porque eu por mais que tente não consigo ultrapassar aquela estética Europeia intelectual em estilo psicadélico do início dos 70s em que tudo se parece com uma loja de electrodomésticos de 1972.

A favor: a história, o ambiente scifi conseguido apenas através de cenários comuns, tem qualquer coisa de hipnótico.

Contra: já vi interiores de bares de putas com melhor bom gosto.

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TRAILER

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IMDb

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https://www.imdb.com/title/tt0070904/?ref_=ttfc_fc_tt

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