“KING SOLOMON´S MINES” (“KING SOLOMON´S MINES” / “AS MINAS DE SALOMÃO”) J.Lee Thompson (1985) USA/ISRAEL

[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é bem capaz de ser o filme de aventuras mais divertido de todos os tempos.
Sim, mais divertido que qualquer Indiana Jones.

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É que Indiana Jones apesar de tudo ainda é um filme que se leva a sério, enquanto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] sabe que é mau e diverte-se tanto com isso que acaba por nos divertir a nós do princípio ao fim.

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[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] só existiu para que os infames produtores Isrealitas da Cannon ganhassem guito à pála do sucesso do cinema de Spielberg no auge da sua popularidade.
Como tal, tudo nesta aventura parece decalcado de um qualquer Indiana Jones que ficou pelo caminho e onde nem falta a presença de John Rhys Davies, aqui no papel de um vilão, quem sabe primo do bom amigo de Indiana Jones talvez numa parceria com o clássico Herbert Lom em modo nazi histérico numa parelha de vilões perfeita.

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INDIANA QUARTERMAIN

[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] mais de que um clone de Raiders of the Lost Ark parece um primo primo afastado de Indiana Jones, algo que lhe custou uma chuva de más reviews na altura mas que com o passar do tempo o colocou com todo o mérito entre os melhores e mais divertidos filmes de culto em que vocês poderão colocar os olhos.
[“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é como um daqueles vinhos ignorados que ganham qualidades com o passar do anos pois o tempo tem sido muito favorável a esta aventura totalmente despretenciosa. De cada vez que o revemos, apetece não deixar passar muito tempo até voltarmos a ele, naquilo que já se tornou num dos melhores guitly-pleasures do cinema do género.

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Nos extras do Bluray, Richard Chamberlain diz que foi um prazer fazer este primeiro filme e que a boa onda percorria todos os dias de filmagens ( até mesmo quando ele ia sendo comido por um crocodilo durante um fim de semana nas margens daquilo que parecia um calmo e bonito lago em Africa, localizado perto do set ).
A verdade é que se nota plenamente que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é um filme feliz pois toda essa alegria passou para o ecrã sem a menor sombra de dúvida e portanto se vocês nunca viram isto porque é tão “mau” quanto parece no trailer, nem sabem o que perdem.

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Não só o Alan Quartermain do romance original foi uma das inspirações para Indiana Jones como a verdade é que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] também resulta tão bem porque está muito bem escrito e não parece.
Tem um ritmo diabólico com diálogos hilariantes que não dão descanso ao espectador desde os créditos iniciais até aos momentos finais; onde não de desperdiça uma palavra e cada frase parece afinada como um relógio Suíço, a um nível que só costumamos encontrar no melhor stand up comedy actual.

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ESTE FILME OFENDE-ME !

Os argumentistas pegaram no melhor do cinismo de Harrison Ford em Indiana Jones e entrando em modo que se foda, introduziram em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] um sentido de humor tão incrivel e sem regras que este filme é bem capaz de ser um dos últimos de uma Era em que o politicamente correcto ainda não minava toda e cada produção para as massas.
É que meus amigos, esta aventura tem gags racistas, machistas, históricos e antropológicos tão inacreditáveis que hoje em dia haveriam de haver um monte de florzinhas de estufa nos Eua ( certamente ) que haveriam de clamar por boicote ao filme nas redes sociais com toda a certeza. É que acho que esta aventura não deixa ninguém por insultar divertidamente.

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Felizmente que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] existe, pois esta é uma comédia de aventuras como nenhuma outra e jamais poderia ser produzida hoje em dia sem ser toda retalhada pela censura.
A forma como representa uma África profunda só é comparável àquilo que vimos por exemplo em Tintin no Congo no que toca a banda desenhada. Para os argumentistas desta aventura os nativos Africanos são todos pretos estúpidos, primitivos, canibais ou repulsivos como o raio e só os brancos representarão alguma coisa parecida com civilização.

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E o estereótipo colonialista cartoon é tal, que nem falta uma sequência em que os Sharon Stone e Richard Chamberlain são cozinhados vivos num enorme caldeirão localizado no meio de uma aldeia de canibais, numa das sequências mais engraçadas e WTF de sempre onde não faltam tomates e condimentos em geral de plástico a boiar na água para dar mais sabor à carne.

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Mas se pensam que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] só tem tiques racistas porque goza sem parar com os “pretos primitivos” desenganem-se meus amigos. O filme também não perdoa aos Alemães.
Reparando bem, são eles e a cultura alemã o alvo principal das piadas neste filme e não os nativos Africanos, ora não estivessemos a falar de uma produção Isrealista que se calhar por esta altura ainda teria uma conta ou duas a ajustar e não perdoa às críticas no que toca ao exército Alemão e às suas guerras.
Claro que os Àrabes não podiam ficar de fora e portanto ou são todos uns violentos animais e burros como a porta , ou então gananciosos e sem escrúpulos.

KING SOLOMON'S MINES, John Rhys-Davies, 1985, (c)Cannon Films KING SOLOMON´S MINES 09

Por outro lado, não desesperem, se gostam de piadas machistas em que as mulheres são tratadas como objectos sexuais ou louras burras, também irão ficar bem servidos com a lista de estereotipos no que toca à loura que grita como o raio e está sempre em perigo.
A verdade é que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] não deixa ninguém de fora no que toca a gags politicamente incorrectos e é por isso que actualmente ainda se torna mais divertido do que foi inicialmente.
Tudo resulta em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] no que toca a gags, pois são tão constantes e a um ritmo tal que não deixam o espectador descansar por um segundo.
Nem sequer para admirar as mágnificas paisagens naturais com que esta aventura pode contar.

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2 EM 1

É que tanto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] como a sua sequela ( filmada ao mesmo tempo num dos primeiros 2 em 1 em termos de produção ), foram rodados mesmo no meio de África, em locais reais com figurantes contratados por entre as povoações das aldeias e não há aqui um CGI para simular o que quer que seja.
Como narra Chamberlain no Bluray estes filmes de aventura são até hoje os únicos deste género genuínamente rodados nos locais onde supostamente a aventura deveria estar mesmo a decorrer; o que parece que na altura foi uma das ideias mais estúpidas dos manos Golan & Globus pois a rodagem apesar de divertida logisticamente foi um pesadelo, ( em Hollywood ninguém queria acreditar que estes gajos estavam mesmo todos em Africa perdidos no meio do mato a fazer um filme, parece ) ; mas se calhar é por isso que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] especialmente agora em bluray restaurado tem uma atmosfera tão épica, genuína e fabulosamente real.

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Foi também um dos primeiros filmes de Sharon Stone e segundo Richard Chamberlain, apesar dos dois se terem dado tão bem que gerou aquela química absolutamente fantástica entre ambos incendiando humorísticamente o ecran em todas as cenas que estão juntos, parece no entanto que a Stone deu alguns problemas à produção quando resolveu tentar implicar com a – outra miúda boa – que entrava na sequela porque segundo diz Chamberlain na entrevista, ela era demasido bonita e fazia alguma sombra à Stone em termos de atenção.
Situação que parece ter dado algum trabalho a controlar nos bastidores como recorda muito divertido Richard Chamberlain na fabulosa entrevista que está nos extras de edição Alemã em bluray e que recomendo vivamente.

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CINEMA DE AVENTURA TOTAL

No fim tudo contribuiu para que [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] resultasse. Mesmo na altura em que saiu e apesar de ter sido trucidado pela crítica mais iluminada, a verdade é que o filme foi um sucesso, porque o boca-a-boca resultou e não só o público estava sedento por mais aventuras arqueológicas vintage como no fundo a prestação de Richard Chamberlain foi determinante para que as pessoas também não se tenham importado muito por esta aventura existir na sombra do cinema de Spielberg.

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Os personagens são carismáticos, divertidos ou inacreditáveis, as cenas de acção são o máximo até mesmo quando os efeitos green screen são do pior e de ver para crer e o realizador J.Lee Thompson atribuiu a toda esta caça ao tesouro um ritmo imparável e mesmo tentando emular o estilo Spielberg porque deveria estar no contrato certamente, consegue no entanto tornar o estilo do filme em algo pessoal e distinto.

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E para complementar em grande tudo isto [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] conta com uma das bandas sonoras mais reconhecíveis e épicas em estilo John Williams que John Williams nunca compôs tendo o sempre excelente Jerry Goldsmith assinado aqui um trabalho mágnifico que anda sempre ali a roçar algo que já ouvimos antes mas nem por isso deixa de ser absolutamente perfeito para ilustrar todos os momentos que vemos no ecrã a todo o instante; sendo esta uma das grandes bandas sonoras dos anos 80 também sem a menor sombra de dúvida.

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Hoje é comum encontrarmos reviews modernas finalmente a dar o mérito que esta simples e carismática aventura merece ( bem mais divertida que Romancing the Stone da mesma altura por exemplo ) e onde muitos comparam Richard Chamberlain a Harrison Ford no mesmo tipo de papel; arriscando alguns até a dizer que preferem Alan Quartermain a Indiana Jones.
E só quem não viu ainda [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] é que poderá não entender a razão.
Por isso, estão à espera do quê?

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CLASSIFICAÇÃO

Ia “só” ficar-me pelos Cinco Planetas Saturno, porque se [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] tiver um problema este estará no facto de ter tantos gags a todo o segundo que lá mais para o final da aventura o impacto começa a perder-se um bocado e toda a sequência final parece já não ter a mesma energia que o resto do filme, o que contrasta um bocado com o tom inicial.
No entanto…
É impossível não adorar esta aventura. Só pelo facto de ser um dos filmes mais felizes e positivos que vocês poderão encontrar pela frente vale mesmo a pena espreitarem e é o antídoto perfeito para estes dias de quarentena Covid-19 que todos vivemos no momento em que escrevo isto.
Richard Chamberlain é o primo do Indiana Jones perfeito numa prestação à prova de bala, Sharon Stone nunca esteve tão luminosa, os gags politicamente incorrectos são o máximo, as sequências de acção não dão descanso e aquela banda sonora mantém-nos de sorriso na alma durante quase duas horas. O que é que vocês querem mais ?

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

Como eu referi, a sequela para [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] foi filmada no mesmo período e o segundo filme veio a chamar-se “ALAIN QUARTERMAIN AND THE LOST CITY OF GOLD“.
Como refere Richard Chamberlain, se vocês acham que o primeiro filme era mau então esqueçam a segunda aventura.
Eu próprio agora não recomendo mesmo que vejam a sequela pois é uma verdadeira decepção. Toda a energia do primeiro desapareceu e se os actores parecem estar por ali em piloto automático e a fazer um frete é porque na sua maioria estavam visto que só entraram naquela coisa porque os espertos dos manos Globus os enredaram num contrato do qual não puderam escapar. Não só a sequela foi rodada com uma fração do orçamento do primeiro filme como tudo, desde o humor , à própria aventura parece verdadeiramente pobrezinho e claramente um donwgrade em relação ao filme inicial pois os manos Isrealitas queriam, segundo Chamberlain literalmente enganar o povo e não investir nada na continuação esperando que o facto de terem obrigado os actores a continuar bastasse.

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Podem espreitar o segundo filme por curiosidade mas preparem-se porque as aventuras de Alain Quartermain já não têm a mesma vida, piada ou energia que alcançaram em [“KING SOLOMON´S MINES / AS MINAS DE SALOMÃO“] .

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0089421/

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“THE WAR OF THE WORLDS – BBC MINI-SERIES” (“THE WAR OF THE WORLDS”) Craig Viveiros (2019) INGLATERRA

Quando eu descobri que a BBC ia adaptar – A Guerra dos Mundos – num ambiente totalmente fiel ao do romance e situado precisamente na época em que a história original decorre, eu achei que [“THE WAR OF THE WORLDS“] não podia falhar. Finalmente uma versão fiel à Guerra dos Mundos de H.G.Wells !
Nope !…

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[“THE WAR OF THE WORLDS“] não é tão mau como muita gente acusa esta mini-série de o ser no IMDb, mas eu desta vez percebo a frustração das pessoas.
Toda a gente queria mesmo que isto tivesse sido fabuloso e fabulosamente fiel ao livro original, depois de tantas versões -modernizadas- desde a clássica versão 50s scifi norte americana até ao moderno War of the Worlds com Tom Cruise.
Bem, nem foi uma coisa nem outra.

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Em vez de aproveitarem os fabulosos valores de produção com que a série pode contar tudo em [“THE WAR OF THE WORLDS“] nesta versão BBC 2019 parece estar continuadamente a acertar ao lado do que deveria ter sido. O pior disto tudo é sentirmos constantemente que o potencial desta adaptação foi completamente desperdiçado por culpa de um script que à força de tentar criar realmente uma abordagem original acabou por dar um verdadeiro tiro no pé.

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O conceito não é mau. Parte de todas as ideias presentes no romance de Wells e tenta ir mais além. A ideia de mostrar o que aconteceu ao planeta Terra depois da guerra ter terminado é mesmo muito boa e até está bem executada visualmente e em termos de ambiente apocaliptico mas… como raio é que depois tudo falha ao redor ?…
O problema de [“THE WAR OF THE WORLDS“] …são vários.
Primeiro dispersa-se por demasiados mini-conceitos e sub-plots que não vão a lado nenhum. Tem personagens que lá estão apenas para servir quase de figurantes e para irem morrendo porque sim e todos os restantes parece que andam por esta história perdidos nas suas deambulações pessoais.

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Salvo raras excepções nunca sentimos grande empatia entre os protagonistas. E para um argumento que gira também à volta da relação do casal central, como raio é que é possível que este par não tenha a mínima química romântica no ecran ?! Quem é que fez este casting ?!
É que ter alguém como Eleanor Tomlinson no ecran e depois não conseguir tirar qualquer química romântica dela em relação ao seu par numa história é obra ! Algo que eu nunca pensei ser possível; especialmente depois de a ter visto na extraordinária série de época, POLDARK onde está fabulosa com Aidan Quinn; também precisamente porque todo o elenco funciona com a precisão de um relógio Suíço.

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No mínimo era o que se esperava também em  [“THE WAR OF THE WORLDS“] mas tal nunca acontece, mesmo quando o elenco conta com actores como Robert Carlyle  que desaparece também a meio da história para justificar um twist para lá de óbvio mais tarde também mas que depois não leva a lado nenhum pois o seu personagem não serve para muito.
É dificil descrever isto , porque [“THE WAR OF THE WORLDS“] é uma daquelas produções de que apetece gostar mesmo muito.

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Estamos sempre a tentar procurar encontrar qualquer coisa boa e por vezes o que tem de muito bom até consegue enganar os nossos sentidos. Mas dura pouco. Mal a história insiste em tentar focar-se nos personagens e no seu percurso pessoal, toda a estrutura narrativa perde o fôlego e levamos com cenas absolutamente redundantes que só frustram o espectador. Por vezes só apetece gritar para que a série se deixe de cenas que não servem para nada e nos mostrem algo digno da própria herança de H.G.Wells.

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Até o final, que dura longos minutos, sabe a pouco. Levamos com um monólogo que parece interminável mas que nunca se foca naquilo que nós enquanto espectadores queriamos mesmo saber sobre o destino do mundo em geral e dos personagens em particular.
O problema de [“THE WAR OF THE WORLDS“] é que nunca sabe se quer ser uma adaptação do romance original, uma série scifi de aventuras ou terror, um panfleto político e de crítica social ou um estudo pseudo intimista sobre relações humanas protagonizado por personagens que na verdade depois não têm grande coisa para fazer ou sequer grande empatia entre eles.
A mini-série tenta ser tudo ao mesmo tempo ou alternadamente e acaba por não conseguir ser nada pois não há um fio narrativo condutor coerente.

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Apesar dos bons efeitos especiais e do design de produção que por vezes tornam [“THE WAR OF THE WORLDS“] tão espectacular e interessante por segundos, a verdade é que quem partir para isto à espera de algo em concreto vai ficar tão desapontado como toda a gente frustrada que anda pelo IMDb a publicar comentários tão desorientados sobre o o que viu.
Isto é um scifi televisivo muito estranho.

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Na verdade não se pode dizer que seja mau, mas o problema é que não se percebe bem o que poderá ser.
O design dos Tripods está fantástico , as cenas de pânico na praia estão do melhor, o ambiente de suspanse e terror por vezes está mesmo bem conseguido, mas depois tudo o que tenta adicionar de novidade como por exemplo as cenas passadas depois da guerra, acaba por ser um enorme desperdício, até porque essa parte da aventura não vai a lado nenhum e torna-se ainda mais frustrante quando a série termina e ficamos com a sensação de que vimos uma espécie de episódio-piloto incompleto para qualquer coisa que nem sequer começou.

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CLASSIFICAÇÃO

Tinha tudo para ser uma das melhores versões do romance de H.G.WELLS.
Um design fantástico, uma protagonista carismática e com uma grande presença de ecran e um par de ideias originais muito boas à partida.
Infelizmente fica tudo pelo caminho por culpa de um argumento que pretende ser mais inteligente e interventivo politica e socialmente do que [“THE WAR OF THE WORLDS“] precisava de o ser.

Três Planetas Saturno

  

A favor: o ambiente steampunk e design de produção em geral, Eleanor Tomlinson e Robert Carlyle iluminam o ecran quando estão em cena, algumas ideias novas são boas, o design dos marcianos, o ambiente de terror e suspanse.

Contra: os personagens não têm química nenhuma, o par romântico não funciona de todo , o argumento pretende ser demasiado inteligente e não era necessário, a mini-serie parece um episódio piloto incompleto para qualquer coisa que não foi para a frente, o monólogo final parece ser interminável e nunca mencionar ou concluir nada sobre aquilo que queremos mesmo realmente ver, perde tempo com históricas e caracterizações que não levam a nada.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt8001226/

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“WORLD ON A WIRE” (World on a Wire ) Rainer Werner Fassbinder (1973) ALEMANHA

[“WORLD ON A WIRE“]  é um verdadeiro título esquecido.
Tal como muita gente pensa que George Lucas inventou a – Space Opera – quando criou STAR WARS, os media também passaram a ideia de que MATRIX foi um título bem mais original dentro da ficção-científica do que na verdade é, embora o contexto muito poucas vezes tenha sido referido em reviews ou textos mais cinéfilos.
Não por culpa dos irmão Washowsky, pois como poderão ver na enormidade de extras presentes nos filmes, MATRIX eles bem referenciam as bases da sua aventura. Mais do que uma ideia nova , MATRIX foi essencialmente uma modernização de alguns conceitos clássicos já presentes na obra de escritores como Philip K.Dick ; apenas agora meteu porrada estilizada à mistura e um sabor anime / cyberpunk.

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Precisamente na mesma altura em que MATRIX saiu, houve um filme muito semelhante em termos de conceito no que toca a realidades virtuais. Chamou-se “THE 13TH FLOOR” e passou despercebido tendo ido practicamente directo para video, isto apesar das muito boas reviews e recomendações que teve em muitos sitios. Na verdade “THE 13TH FLOOR” foi ofuscado por MATRIX mas apenas pelo óbvio efeito-pipoca, visto que o primeiro é essencialmente um título de baixo orçamento criado para o público da ficção-científica e o segundo é um comic-book mesmo prontinho para os nerds dos comics e Comicons se babarem.
No entanto curiosamente o facto de ambos os filmes terem essencialmente a mesma base ( e até certo ponto, quase a mesma história ) também não passou despercebido junto de alguma media mais especializada em ficção-científica ; (ou em ciência).

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E isto porque tanto MATRIX como “THE 13TH FLOOR” vão beber directamente ao mesmo romance que já tinha sido antes adaptado para uma série de televisiva Alemã em 1973.
Na verdade “THE 13TH FLOOR” é uma nova adaptação da novela “World on a Wire” e portanto se vocês conhecem e gostam desse filme, não estranhem se agora espreitarem [“WORLD ON A WIRE“] e descobrirem que tem exactamente a mesma história.
MATRIX tem a mesma base, mas partiu noutra direcção mais Hollywood com todo o mérito, “THE 13TH FLOOR” é quase um remake de [“WORLD ON A WIRE“], um reboot enquanto adaptação do livro original.
Portanto meus amigos , esta ideia de realidade virtual já existia na ficção-científica décadas antes do pessoal sequer pensar que haveria um dia em que teriamos computadores em casa, o que não deixa de ser extraordinário.

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Até há bem pouco tempo [“WORLD ON A WIRE“] era considerado um daqueles títulos não só esquecidos, como também absolutamente perdidos para sempre ; (quase um rumor) e foi graças não só ao sucesso de Matrix em termos de cultura pop como também ao facto de “THE 13TH FLOOR” se ter tornado num filme de culto, que de repente alguém se lembrou de que o romance que lhe deu origem já tinha antes sido adaptado ao “cinema”.
E foi meio caminho andado, até que uns cinéfilos arqueólogos malucos, descobriram refundidos em arquivos da produtora Alemã original um monte de fragmentos e cópias manhosas da produção original [“WORLD ON A WIRE“] realizada para televisão em 1973 pelo clássico realizador Europeu, Rainer Werner Fassbinder.

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A partir daí a obra foi restaurada e relançada há pouco tempo, principalmente em BLURAY, tendo surpreendido meio mundo dentro da área da ficção-científica pois, tal como eu muita gente nem sabia que “THE 13TH FLOOR” tinha sido uma nova adaptação do mesmo romance “World on a Wire“, embora os extras de MATRIX já tivessem referenciado a influência da obra original.

MUNDOS PARALELOS

Se viram MATRIX ou THE 13TH FLOOR já sabem o que esperar aqui.
A história é sobre alguém que um dia começa a perceber que algo se passa na sua realidade quando muitas coisas ao seu redor começam a mudar e mais ninguem a não ser ele parece notar que algo de estranho está a acontecer. Primeiro é o seu amigo que desaparece e ninguém acreditar que ele alguma vez existiu mas logo os eventos anómalos se sucedem até a história seguir o mesmo rumo que já viram em THE 13TH FLOOR embora com bastantes variantes no percurso da narrativa pois [“WORLD ON A WIRE“] é uma adaptação mais fiel do romance original.

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[“WORLD ON A WIRE“] é tão fascinante quanto repulsivo.
A tal ponto que eu considerei sériamente não o comprar pois se há coisa que eu abomino por completo é aquela estética Europeia do início dos anos 70 ainda com resquícios de Swinging 60s em modo Austin Powers psicadélico e onde tudo é frio, axadrezado, plástico e de um intenso mau gosto em termos de cor, iluminação e textura.

SCIFI DA LUZ VERMELHA

Tudo em [“WORLD ON A WIRE“] me parece saído de um mau porno ultra chunga daqueles mesmo rançosos filmado no início dos anos 70. Os gajos parecem ou vestem-se todos como uma mistura entre chulos e Man in Black e as gajas parecem todas trailer trash em modo puta de esquina mas em versão chique.

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E a representação de toda a técnologia essencialmente reflecte o facto da coisa com o design mais avançado na época se calhar ser uma fotocopiadora da Rank Xerox.
Ou seja, se há periodo estético que eu abomino visualmente é aquele que decorreu entre o final dos anos 60 e meados de 1977 até que o aparecimento de STAR WARS e ALIEN vieram colocar ordem na casa em termos visuais e as pessoas nos filmes de ficção científica deixaram de se parecer ou com guias de shopping-center ou com modelos Fashion estilosos em modo alta costura para putas histéricas.

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O período que nos deu aquelas maravilhosas obras como “ZARDOZ” outro dos meus ódios estéticos de estimação que simplesmente não consigo suportar, ou que nos deu o cinema psicadélico de Jodorowsky que simplesmente me faz querer partir o ecran a todo o instante. Salva-se o “SOLARIS” que está entre os meus filmes favoritos mas isto é porque a estética Russa muito particular conseguiu salvar a coisa e não deixar o visual do filme entrar no tipo de histerismos que [“WORLD ON A WIRE“] contém.
É um produto de uma época, é certo. Mas é uma época que eu estéticamente abomino e como tal só de pensar que ia ter que ver quase quatro horas de ficção-científica narrada através de todos aqueles códigos visuais eu estava um bocado hesitante em comprar isto apesar das reviews.

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Mas na verdade foram as reviews ultra positivas espalhadas por todo o lado que me fizeram arriscar e ainda bem. É verdade, esqueçam o visual merd… ehm… plástico e [“WORLD ON A WIRE“] é realmente fantástico.
Se conseguirem meter para trás das costas o look putéfia sofisticada das mulheres e o estilo frequentador casa-de-alterne dos homens , por detrás dessa aparência que inicialmente os poderá distraír está realmente um dos melhores filmes de ficção-científica obscuros dos últimos anos.
Até mesmo para quem conhece “THE 13TH FLOOR” , [“WORLD ON A WIRE“] irá parecer refrescante. Aliás, se conhecerem “THE 13TH FLOOR” e gostarem dessa versão moderna, então esta versão original é de visualização totalmente obrigatória pois uma das suas coisas mais viciantes e também a razão porque os dois discos da série vêem-se num instante sem darmos pelo tempo passar é porque realmente comparar as duas adaptações do romance é logo meio caminho andado para passarmos o tempo fascinados.

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Mesmo os efeitos retro neste caso, por muito “psicadélicos” que nos pareçam a verdade é que resultam plenamente pois estão particularmente bem equilibrados com tudo o resto que precisa acontecer na aventura.

ESCRITÓRIOS DE SEGURADORAS, BARES DE ALTERNE, CENTROS COMERCIAIS E CASAS DE P…

Curiosamente este parece ter sido na verdade o primeiro título a merecer a classificação de “No Set Cinema” que foi atribuída agora como sendo uma novidade ao filme “ANIARA“, visto que [“WORLD ON A WIRE“] foi todo também filmado em shopping-centers, bares, escritórios, restaurantes e diria eu … casas de putas reais com toda a certeza.

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[“WORLD ON A WIRE“] é por isso mais um título de ficção-científica na linha estética de “ANIARA“, isto no contexto de uma produção filmada em locais reais mas que pretende fazê-los passar por cenários futuristas muitas décadas no futuro.
Arrisco-me a dizer que [“WORLD ON A WIRE“] não funciona particularmente bem se compararmos com a maneira como resultou em “ANIARA” mas isto é talvez fruto do meu próprio preconceito.

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Quanto a Fassbinder que parece estar a levar ao orgasmo muita da criticalhada mais iluminada que olha para este titulo redescoberto agora como se fosse a Mona Lisa pintada por Deus himself , quero que se lixe o endeusamento do realizador.
[“WORLD ON A WIRE“] está excelente. Muito bem pensado, dirigido mesmo e acho que não precisamos ir mais longe.

ALPHAVILLE 2.0 ?

O “filme” tem uma óptima atmosfera ( apesar das minhas reservas estéticas para com isto ) e tem por aqui um certo sabor ao clássico “ALPHAVILLE” de Jean-Luc Godard. Talvez por isso haja por aqui também um toque de filme noir ao melhor estilo Blade Runner, precisamente porque ambos terão ido beber um pouco à mesma origem certamente.

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A história é excelente e suficientemente diferente de “THE 13TH FLOOR” para ser realmente cativante até ao fim e tudo em [“WORLD ON A WIRE“] como dizem as critícas por aí resulta em pleno. Principalmente como uma excelente proposta de ficção-científica.
Isto é tão bom que me arrisco a dizer que inclusivamente pessoal mais pipoqueiro que tenha curtido o Matrix , se gostar mesmo de sci-fi e quiser espreitar as origens daquilo que o franchising de Hollywood teve de melhor em termos de conceito se calhar irá gostar de espreitar [“WORLD ON A WIRE“].

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Não esperem cenas de acção, mas se gostam de histórias scifi sobre mundos virtuais e querem assistir a uma que esteve realmente muito à frente do seu tempo não percam [“WORLD ON A WIRE“]. E isto vale para toda a gente.
No entanto como isto é realmente pura ficção-científica, se calhar [“WORLD ON A WIRE“] não será indicado para o público moderno mais generalista, pois muito provavelmente irão odiar tudo o que irão encontrar aqui.

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CLASSIFICAÇÃO

[“WORLD ON A WIRE“] é realmente aquele tesouro raro dentro da ficção-científica que muitas reviews apregoam. A tal ponto que parece gerar consenso entre pessoas que até normalmente só consomem mais produtos standartizados de Hollywood.
É realmente fascinante, hipnótico e em última análise divertido até, quanto mais não seja porque parece ter sido todo filmado numa casa de alterne para gente chique.

Cinco Planetas Saturno

    

Não leva o Gold Award porque eu por mais que tente não consigo ultrapassar aquela estética Europeia intelectual em estilo psicadélico do início dos 70s em que tudo se parece com uma loja de electrodomésticos de 1972.

A favor: a história, o ambiente scifi conseguido apenas através de cenários comuns, tem qualquer coisa de hipnótico.

Contra: já vi interiores de bares de putas com melhor bom gosto.

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TRAILER

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