“THE WAR OF THE WORLDS – BBC MINI-SERIES” (“THE WAR OF THE WORLDS”) Craig Viveiros (2019) INGLATERRA

Quando eu descobri que a BBC ia adaptar – A Guerra dos Mundos – num ambiente totalmente fiel ao do romance e situado precisamente na época em que a história original decorre, eu achei que [“THE WAR OF THE WORLDS“] não podia falhar. Finalmente uma versão fiel à Guerra dos Mundos de H.G.Wells !
Nope !…

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[“THE WAR OF THE WORLDS“] não é tão mau como muita gente acusa esta mini-série de o ser no IMDb, mas eu desta vez percebo a frustração das pessoas.
Toda a gente queria mesmo que isto tivesse sido fabuloso e fabulosamente fiel ao livro original, depois de tantas versões -modernizadas- desde a clássica versão 50s scifi norte americana até ao moderno War of the Worlds com Tom Cruise.
Bem, nem foi uma coisa nem outra.

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Em vez de aproveitarem os fabulosos valores de produção com que a série pode contar tudo em [“THE WAR OF THE WORLDS“] nesta versão BBC 2019 parece estar continuadamente a acertar ao lado do que deveria ter sido. O pior disto tudo é sentirmos constantemente que o potencial desta adaptação foi completamente desperdiçado por culpa de um script que à força de tentar criar realmente uma abordagem original acabou por dar um verdadeiro tiro no pé.

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O conceito não é mau. Parte de todas as ideias presentes no romance de Wells e tenta ir mais além. A ideia de mostrar o que aconteceu ao planeta Terra depois da guerra ter terminado é mesmo muito boa e até está bem executada visualmente e em termos de ambiente apocaliptico mas… como raio é que depois tudo falha ao redor ?…
O problema de [“THE WAR OF THE WORLDS“] …são vários.
Primeiro dispersa-se por demasiados mini-conceitos e sub-plots que não vão a lado nenhum. Tem personagens que lá estão apenas para servir quase de figurantes e para irem morrendo porque sim e todos os restantes parece que andam por esta história perdidos nas suas deambulações pessoais.

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Salvo raras excepções nunca sentimos grande empatia entre os protagonistas. E para um argumento que gira também à volta da relação do casal central, como raio é que é possível que este par não tenha a mínima química romântica no ecran ?! Quem é que fez este casting ?!
É que ter alguém como Eleanor Tomlinson no ecran e depois não conseguir tirar qualquer química romântica dela em relação ao seu par numa história é obra ! Algo que eu nunca pensei ser possível; especialmente depois de a ter visto na extraordinária série de época, POLDARK onde está fabulosa com Aidan Quinn; também precisamente porque todo o elenco funciona com a precisão de um relógio Suíço.

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No mínimo era o que se esperava também em  [“THE WAR OF THE WORLDS“] mas tal nunca acontece, mesmo quando o elenco conta com actores como Robert Carlyle  que desaparece também a meio da história para justificar um twist para lá de óbvio mais tarde também mas que depois não leva a lado nenhum pois o seu personagem não serve para muito.
É dificil descrever isto , porque [“THE WAR OF THE WORLDS“] é uma daquelas produções de que apetece gostar mesmo muito.

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Estamos sempre a tentar procurar encontrar qualquer coisa boa e por vezes o que tem de muito bom até consegue enganar os nossos sentidos. Mas dura pouco. Mal a história insiste em tentar focar-se nos personagens e no seu percurso pessoal, toda a estrutura narrativa perde o fôlego e levamos com cenas absolutamente redundantes que só frustram o espectador. Por vezes só apetece gritar para que a série se deixe de cenas que não servem para nada e nos mostrem algo digno da própria herança de H.G.Wells.

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Até o final, que dura longos minutos, sabe a pouco. Levamos com um monólogo que parece interminável mas que nunca se foca naquilo que nós enquanto espectadores queriamos mesmo saber sobre o destino do mundo em geral e dos personagens em particular.
O problema de [“THE WAR OF THE WORLDS“] é que nunca sabe se quer ser uma adaptação do romance original, uma série scifi de aventuras ou terror, um panfleto político e de crítica social ou um estudo pseudo intimista sobre relações humanas protagonizado por personagens que na verdade depois não têm grande coisa para fazer ou sequer grande empatia entre eles.
A mini-série tenta ser tudo ao mesmo tempo ou alternadamente e acaba por não conseguir ser nada pois não há um fio narrativo condutor coerente.

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Apesar dos bons efeitos especiais e do design de produção que por vezes tornam [“THE WAR OF THE WORLDS“] tão espectacular e interessante por segundos, a verdade é que quem partir para isto à espera de algo em concreto vai ficar tão desapontado como toda a gente frustrada que anda pelo IMDb a publicar comentários tão desorientados sobre o o que viu.
Isto é um scifi televisivo muito estranho.

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Na verdade não se pode dizer que seja mau, mas o problema é que não se percebe bem o que poderá ser.
O design dos Tripods está fantástico , as cenas de pânico na praia estão do melhor, o ambiente de suspanse e terror por vezes está mesmo bem conseguido, mas depois tudo o que tenta adicionar de novidade como por exemplo as cenas passadas depois da guerra, acaba por ser um enorme desperdício, até porque essa parte da aventura não vai a lado nenhum e torna-se ainda mais frustrante quando a série termina e ficamos com a sensação de que vimos uma espécie de episódio-piloto incompleto para qualquer coisa que nem sequer começou.

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CLASSIFICAÇÃO

Tinha tudo para ser uma das melhores versões do romance de H.G.WELLS.
Um design fantástico, uma protagonista carismática e com uma grande presença de ecran e um par de ideias originais muito boas à partida.
Infelizmente fica tudo pelo caminho por culpa de um argumento que pretende ser mais inteligente e interventivo politica e socialmente do que [“THE WAR OF THE WORLDS“] precisava de o ser.

Três Planetas Saturno

  

A favor: o ambiente steampunk e design de produção em geral, Eleanor Tomlinson e Robert Carlyle iluminam o ecran quando estão em cena, algumas ideias novas são boas, o design dos marcianos, o ambiente de terror e suspanse.

Contra: os personagens não têm química nenhuma, o par romântico não funciona de todo , o argumento pretende ser demasiado inteligente e não era necessário, a mini-serie parece um episódio piloto incompleto para qualquer coisa que não foi para a frente, o monólogo final parece ser interminável e nunca mencionar ou concluir nada sobre aquilo que queremos mesmo realmente ver, perde tempo com históricas e caracterizações que não levam a nada.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt8001226/

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“WORLD ON A WIRE” (World on a Wire ) Rainer Werner Fassbinder (1973) ALEMANHA

[“WORLD ON A WIRE“]  é um verdadeiro título esquecido.
Tal como muita gente pensa que George Lucas inventou a – Space Opera – quando criou STAR WARS, os media também passaram a ideia de que MATRIX foi um título bem mais original dentro da ficção-científica do que na verdade é, embora o contexto muito poucas vezes tenha sido referido em reviews ou textos mais cinéfilos.
Não por culpa dos irmão Washowsky, pois como poderão ver na enormidade de extras presentes nos filmes, MATRIX eles bem referenciam as bases da sua aventura. Mais do que uma ideia nova , MATRIX foi essencialmente uma modernização de alguns conceitos clássicos já presentes na obra de escritores como Philip K.Dick ; apenas agora meteu porrada estilizada à mistura e um sabor anime / cyberpunk.

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Precisamente na mesma altura em que MATRIX saiu, houve um filme muito semelhante em termos de conceito no que toca a realidades virtuais. Chamou-se “THE 13TH FLOOR” e passou despercebido tendo ido practicamente directo para video, isto apesar das muito boas reviews e recomendações que teve em muitos sitios. Na verdade “THE 13TH FLOOR” foi ofuscado por MATRIX mas apenas pelo óbvio efeito-pipoca, visto que o primeiro é essencialmente um título de baixo orçamento criado para o público da ficção-científica e o segundo é um comic-book mesmo prontinho para os nerds dos comics e Comicons se babarem.
No entanto curiosamente o facto de ambos os filmes terem essencialmente a mesma base ( e até certo ponto, quase a mesma história ) também não passou despercebido junto de alguma media mais especializada em ficção-científica ; (ou em ciência).

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E isto porque tanto MATRIX como “THE 13TH FLOOR” vão beber directamente ao mesmo romance que já tinha sido antes adaptado para uma série de televisiva Alemã em 1973.
Na verdade “THE 13TH FLOOR” é uma nova adaptação da novela “World on a Wire” e portanto se vocês conhecem e gostam desse filme, não estranhem se agora espreitarem [“WORLD ON A WIRE“] e descobrirem que tem exactamente a mesma história.
MATRIX tem a mesma base, mas partiu noutra direcção mais Hollywood com todo o mérito, “THE 13TH FLOOR” é quase um remake de [“WORLD ON A WIRE“], um reboot enquanto adaptação do livro original.
Portanto meus amigos , esta ideia de realidade virtual já existia na ficção-científica décadas antes do pessoal sequer pensar que haveria um dia em que teriamos computadores em casa, o que não deixa de ser extraordinário.

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Até há bem pouco tempo [“WORLD ON A WIRE“] era considerado um daqueles títulos não só esquecidos, como também absolutamente perdidos para sempre ; (quase um rumor) e foi graças não só ao sucesso de Matrix em termos de cultura pop como também ao facto de “THE 13TH FLOOR” se ter tornado num filme de culto, que de repente alguém se lembrou de que o romance que lhe deu origem já tinha antes sido adaptado ao “cinema”.
E foi meio caminho andado, até que uns cinéfilos arqueólogos malucos, descobriram refundidos em arquivos da produtora Alemã original um monte de fragmentos e cópias manhosas da produção original [“WORLD ON A WIRE“] realizada para televisão em 1973 pelo clássico realizador Europeu, Rainer Werner Fassbinder.

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A partir daí a obra foi restaurada e relançada há pouco tempo, principalmente em BLURAY, tendo surpreendido meio mundo dentro da área da ficção-científica pois, tal como eu muita gente nem sabia que “THE 13TH FLOOR” tinha sido uma nova adaptação do mesmo romance “World on a Wire“, embora os extras de MATRIX já tivessem referenciado a influência da obra original.

MUNDOS PARALELOS

Se viram MATRIX ou THE 13TH FLOOR já sabem o que esperar aqui.
A história é sobre alguém que um dia começa a perceber que algo se passa na sua realidade quando muitas coisas ao seu redor começam a mudar e mais ninguem a não ser ele parece notar que algo de estranho está a acontecer. Primeiro é o seu amigo que desaparece e ninguém acreditar que ele alguma vez existiu mas logo os eventos anómalos se sucedem até a história seguir o mesmo rumo que já viram em THE 13TH FLOOR embora com bastantes variantes no percurso da narrativa pois [“WORLD ON A WIRE“] é uma adaptação mais fiel do romance original.

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[“WORLD ON A WIRE“] é tão fascinante quanto repulsivo.
A tal ponto que eu considerei sériamente não o comprar pois se há coisa que eu abomino por completo é aquela estética Europeia do início dos anos 70 ainda com resquícios de Swinging 60s em modo Austin Powers psicadélico e onde tudo é frio, axadrezado, plástico e de um intenso mau gosto em termos de cor, iluminação e textura.

SCIFI DA LUZ VERMELHA

Tudo em [“WORLD ON A WIRE“] me parece saído de um mau porno ultra chunga daqueles mesmo rançosos filmado no início dos anos 70. Os gajos parecem ou vestem-se todos como uma mistura entre chulos e Man in Black e as gajas parecem todas trailer trash em modo puta de esquina mas em versão chique.

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E a representação de toda a técnologia essencialmente reflecte o facto da coisa com o design mais avançado na época se calhar ser uma fotocopiadora da Rank Xerox.
Ou seja, se há periodo estético que eu abomino visualmente é aquele que decorreu entre o final dos anos 60 e meados de 1977 até que o aparecimento de STAR WARS e ALIEN vieram colocar ordem na casa em termos visuais e as pessoas nos filmes de ficção científica deixaram de se parecer ou com guias de shopping-center ou com modelos Fashion estilosos em modo alta costura para putas histéricas.

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O período que nos deu aquelas maravilhosas obras como “ZARDOZ” outro dos meus ódios estéticos de estimação que simplesmente não consigo suportar, ou que nos deu o cinema psicadélico de Jodorowsky que simplesmente me faz querer partir o ecran a todo o instante. Salva-se o “SOLARIS” que está entre os meus filmes favoritos mas isto é porque a estética Russa muito particular conseguiu salvar a coisa e não deixar o visual do filme entrar no tipo de histerismos que [“WORLD ON A WIRE“] contém.
É um produto de uma época, é certo. Mas é uma época que eu estéticamente abomino e como tal só de pensar que ia ter que ver quase quatro horas de ficção-científica narrada através de todos aqueles códigos visuais eu estava um bocado hesitante em comprar isto apesar das reviews.

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Mas na verdade foram as reviews ultra positivas espalhadas por todo o lado que me fizeram arriscar e ainda bem. É verdade, esqueçam o visual merd… ehm… plástico e [“WORLD ON A WIRE“] é realmente fantástico.
Se conseguirem meter para trás das costas o look putéfia sofisticada das mulheres e o estilo frequentador casa-de-alterne dos homens , por detrás dessa aparência que inicialmente os poderá distraír está realmente um dos melhores filmes de ficção-científica obscuros dos últimos anos.
Até mesmo para quem conhece “THE 13TH FLOOR” , [“WORLD ON A WIRE“] irá parecer refrescante. Aliás, se conhecerem “THE 13TH FLOOR” e gostarem dessa versão moderna, então esta versão original é de visualização totalmente obrigatória pois uma das suas coisas mais viciantes e também a razão porque os dois discos da série vêem-se num instante sem darmos pelo tempo passar é porque realmente comparar as duas adaptações do romance é logo meio caminho andado para passarmos o tempo fascinados.

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Mesmo os efeitos retro neste caso, por muito “psicadélicos” que nos pareçam a verdade é que resultam plenamente pois estão particularmente bem equilibrados com tudo o resto que precisa acontecer na aventura.

ESCRITÓRIOS DE SEGURADORAS, BARES DE ALTERNE, CENTROS COMERCIAIS E CASAS DE P…

Curiosamente este parece ter sido na verdade o primeiro título a merecer a classificação de “No Set Cinema” que foi atribuída agora como sendo uma novidade ao filme “ANIARA“, visto que [“WORLD ON A WIRE“] foi todo também filmado em shopping-centers, bares, escritórios, restaurantes e diria eu … casas de putas reais com toda a certeza.

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[“WORLD ON A WIRE“] é por isso mais um título de ficção-científica na linha estética de “ANIARA“, isto no contexto de uma produção filmada em locais reais mas que pretende fazê-los passar por cenários futuristas muitas décadas no futuro.
Arrisco-me a dizer que [“WORLD ON A WIRE“] não funciona particularmente bem se compararmos com a maneira como resultou em “ANIARA” mas isto é talvez fruto do meu próprio preconceito.

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Quanto a Fassbinder que parece estar a levar ao orgasmo muita da criticalhada mais iluminada que olha para este titulo redescoberto agora como se fosse a Mona Lisa pintada por Deus himself , quero que se lixe o endeusamento do realizador.
[“WORLD ON A WIRE“] está excelente. Muito bem pensado, dirigido mesmo e acho que não precisamos ir mais longe.

ALPHAVILLE 2.0 ?

O “filme” tem uma óptima atmosfera ( apesar das minhas reservas estéticas para com isto ) e tem por aqui um certo sabor ao clássico “ALPHAVILLE” de Jean-Luc Godard. Talvez por isso haja por aqui também um toque de filme noir ao melhor estilo Blade Runner, precisamente porque ambos terão ido beber um pouco à mesma origem certamente.

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A história é excelente e suficientemente diferente de “THE 13TH FLOOR” para ser realmente cativante até ao fim e tudo em [“WORLD ON A WIRE“] como dizem as critícas por aí resulta em pleno. Principalmente como uma excelente proposta de ficção-científica.
Isto é tão bom que me arrisco a dizer que inclusivamente pessoal mais pipoqueiro que tenha curtido o Matrix , se gostar mesmo de sci-fi e quiser espreitar as origens daquilo que o franchising de Hollywood teve de melhor em termos de conceito se calhar irá gostar de espreitar [“WORLD ON A WIRE“].

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Não esperem cenas de acção, mas se gostam de histórias scifi sobre mundos virtuais e querem assistir a uma que esteve realmente muito à frente do seu tempo não percam [“WORLD ON A WIRE“]. E isto vale para toda a gente.
No entanto como isto é realmente pura ficção-científica, se calhar [“WORLD ON A WIRE“] não será indicado para o público moderno mais generalista, pois muito provavelmente irão odiar tudo o que irão encontrar aqui.

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CLASSIFICAÇÃO

[“WORLD ON A WIRE“] é realmente aquele tesouro raro dentro da ficção-científica que muitas reviews apregoam. A tal ponto que parece gerar consenso entre pessoas que até normalmente só consomem mais produtos standartizados de Hollywood.
É realmente fascinante, hipnótico e em última análise divertido até, quanto mais não seja porque parece ter sido todo filmado numa casa de alterne para gente chique.

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Não leva o Gold Award porque eu por mais que tente não consigo ultrapassar aquela estética Europeia intelectual em estilo psicadélico do início dos 70s em que tudo se parece com uma loja de electrodomésticos de 1972.

A favor: a história, o ambiente scifi conseguido apenas através de cenários comuns, tem qualquer coisa de hipnótico.

Contra: já vi interiores de bares de putas com melhor bom gosto.

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TRAILER

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COMPRAR NA AMAZON UK
https://www.amazon.co.uk/World-Wire-Limited-Box-Blu-ray/dp/B07GK1Q2FN/ref=sr_1_1?crid=PIPL821H311K&dchild=1&keywords=world+on+a+wire+blu+ray&qid=1584650129&s=dvd&sprefix=world+on+a+wire%2Cdvd%2C222&sr=1-1

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IMDb

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https://www.imdb.com/title/tt0070904/?ref_=ttfc_fc_tt

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“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I & II” (“STAR TREK CONTINUES : O EPISÓDIO FINAL”) James Kerwin / Vic Mignogna (2017) EUA

Se alguma vez imaginaram como teria sido o último episódio da série Star Trek original se nos anos 60 esta não tivesse sido cancelada ao fim de três temporadas, então a minha recomendação para hoje que regresso a este blog passado quase um ano, é o “filme” certo para vocês.

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Se alguma vez imaginaram como acabaria a série quando Kirk e Spock completassem os tais cinco anos da sua missão tão continuadamente referidos na introdução de cada episódio e a Enterprise regressasse de vez à Terra, então não deverão de todo agora deixar de ver [“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] pois é absolutamente extraordinário em todos os sentidos.

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Na verdade, [“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] faz-nos ficar contentes por a série nos anos 60 nunca ter podido completar as cinco temporadas de exibição, pois se esta não tivesse sido cancelada décadas atrás não teríamos agora uma conclusão como esta.
[“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] não só consegue apresentar uma conclusão extraordinariamente bem pensada para as aventuras clássicas originais da Enterprise, como inclusivamente faz a ponte perfeita não apenas entre o primeiro filme para cinema produzido no final dos anos 70 mas também com Star Trek TNG exibida nos anos 80 e 90.

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O primeiro filme para cinema “STAR TREK THE MOTION PICTURE” ainda hoje detestado por tanta gente quanto adorado por quem veio a descobri-lo ao longo dos anos foi na altura considerado um produto TREK demasiado estranho; principalmente por se ter afastado por demais da estética e da atmosfera da série original, tanto no design dos sets para a Enterprise como principalmente no estilo dos uniformes e até na caracterização psicológica dos personagens clássicos; naquilo que muita gente considerou ser uma visão demasiado cinzenta quando comparada com o espírito da série dos 60s.

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Além disso “STAR TREK THE MOTION PICTURE” apresentava também os personagens com novas características, Kirk já não era o clássico capitão da Enterprise mas sim Almirante, Spock tinha-se tornado demasiado frio (até para ele) e McCoy mais parecia um extra saído de uma qualquer discoteca a meio dos anos 70 do que o popular médico da série original quando aparece pela primeira vez em cena.

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O primeiro filme para cinema surgiu quase do nada, com mudanças demasiado bruscas e nunca explicou o que tinha ocorrido entre a aventura decorrida na série que supostamente teria percorrido cinco anos e o que levou cada personagem a seguir o rumo com que foi depois introduzido em “STAR TREK THE MOTION PICTURE”.
Ora é aqui que entra “STAR TREK CONTINUES“, série web independente sem qualquer propósito lucrativo que se propôs desde o seu início, não só a recriar o estilo visual dos episódios clássicos da série dos anos 60 como principalmente teve o objectivo de tentar ligar a aventura televisiva original ao ambiente depois mais tarde apresentado no primeiro filme para cinema.

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Ora bem, se a ideia era a de preencher todos os buracos e responder a todas as questões que estiveram na imaginação do fãs durante décadas, o episódio duplo final de “STAR TREK CONTINUES“, entitulado “TO BOLDLY GO – PART I ” e “TO BOLDLY GO – PART II” não poderia ter sido mais perfeito, surpreendente e extraordinário.
Pessoalmente considero-o o melhor “filme” de STAR TREK , ou pelo menos a melhor história da saga que vi em muitos, muitos, MUITOS anos.
A ligação que esta equipa criativa de actores, técnicos ou simplesmente fãs voluntariamente e como hobby conseguiu produzir entre os episódios clássicos e primeiro filme para cinema é simplesmente notável.

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STAR TREK CONTINUES” é/foi uma produção independente amadora com pouco dinheiro,  financiada por Kickstarter e donativos privados de fãs ao longo de vários, produzido por profissionais e semi-profissionais do ramo cinematográfico , televisivo e não só.
Há muito para contar sobre as origens desta produção “amadora”, por isso se nunca ouviram falar disto e quiserem saber mais sobre ela recomendo que depois não deixem de ler o meu outro post sobre STAR TREK CONTINUES. A web-serie que agora com este episódio final conseguiu dar-nos aquele TREK que andava ausente à muito tempo em termos de imaginação, e emotividade.
O episódio acaba, a ligação com o filme está feita mas ficamos com imensa vontade de continuar a ver mais. Infelizmente a produção está encerrada pois já cumpriu o seu propósito. Não podia ter fechado melhor.

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E estão agora a ler isto, escrito por alguém como eu que já não pode mais com Star Trek moderno. Achei piada aos filmes recentes, mas acho que o conceito está tornar-se demasiado repetitivo e a parecer-se cada vez, mais com um comic book de super herois americano do que com um objecto de ficção científica.
[“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] foi por isso para mim uma enorme surpresa, pois nem imaginava que ainda houvesse criatividade e magia para criar empatia com quem já não tem mais pachorra para as encarnações sucessivas da saga.

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[“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] é para mim não só uma obra prima do “cinema” independente “amador” moderno como fez-me voltar a mergulhar por completo naquele universo esquecendo por completo estar a ver apenas uma produção televisiva e não me lembro de ter tido uma sintonia tão grande com a série desde que era criança e via os episódios antigos; ou talvez desde também “STAR TREK V – THE FINAL FRONTIER” que eu pessoalmente considero o melhor TREK para cinema apesar da sua má fama.

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Sem querer estragar as surpresas, fica no entanto aqui o aviso, [“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] é TREK para quem conhece bem a série. Tanto os episódios originais, quanto o primeiro filme e até alguma coisa sobre TNG.
Portanto se nunca foram fãs da série dos anos 60, o primeiro filme não lhes diz nada ou nem gostam particularmente dele e nem fazem ideia do que quer dizer TNG então ignorem esta minha recomendação pois este post não é para vocês.
No entanto, se pelo contrário estão a par de todas as referências associadas aos primeiros anos de Star Trek quando ainda William Shatner , Leonard Nimoy e DeForest Keley eram a alma dos episódios então só mais um conselho…

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Antes de verem [“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] não deixem de ver os episódios 8 episódios anteriores desta web-serie pois introduzem um personagem ou dois novos que não apenas são excelentes e poderiam ter mesmo pertencido à serie antiga como também são determinantes para o impacto emocional da forma como esta série amadora faz a ligação com o primeiro filme para cinema e com TNG.

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Imprescindível também é reverem o episódio clássico “WHERE NO MAN HAS GONE BEFORE“, que na altura nos anos 60 foi o segundo episódio piloto filmado ainda apenas com Kirk e Spock e sem qualquer outros personagens conhecido que só viriam a entrar depois.

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Conhecerem bem o episódo inicial da série dos anos 60 “WHERE NO MAN HAS GONE BEFORE” é agora imprescindível para disfrutarem por completo do que [“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] tem agora para os surpreender e maravilhar com o que consegue fazer em termos de pontas soltas e referências que só quem sabe do que estou a falar irá captar, perceber e dar ainda mais valor ao que foi conseguido nesta web-serie moderna em total modo retro-scifi.

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Não posso terminar sem deixar de referir o trabalho dos novos actores que agora encarnam os velhos personagens.
Vic Mignogna , autor, produtor, carpinteiro, editor e mais um monte de coisas na série é o actor que protagoniza James T.Kirk e é simplesmente extraordinário. Não passará muito tempo sem que vocês se esqueçam por completo que não estão a ver Shatner no papel.
Vic Mignogna consegue nesta série o impossível, encarnar o Kirk original sem nunca precisar de fazer uma imitação forçada de Shatner e muito menos uma caricatura. O James Kirk de Vic Mignogna é simplesmente o Kirk que conhecemos e mais uma vez lhes digo que não passará muito tempo sem que vocês se esqueçam que não estão a ver o actor original neste papel.

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Surpreendentemente, o mesmo vale para o resto do elenco. Todos à sua maneira incorporam os personagens originais, fazendo-nos esquecer por completo que estamos a ver uma recriação moderna de uma série antiga. Até mesmo Spock, o que não deixa de ser notável. A série conta inclusivamente com Chris Doohan sobrinho do actor original James Doohan que interpretou Scotty e que aqui substitui o seu tio no mesmo papel com resultados perfeitos.

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E perfeito é o termo que melhor resume este episódio final de “STAR TREK CONTINUES“.
Só é mesmo pena ter acabado. Por outro lado não podia ter acabado melhor.

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CLASSIFICAÇÃO

[“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] fecha com chave de ouro esta produção independente e consegue muito para lá de todas as nossas expectativas concluir a série original ligando-a de forma fantástica com o primeiro filme para cinema STAR TREK THE MOTION PICTURE.
Não agradará a quem não conhecer em detalhe o universo clássico Trek mas para quem sempre imaginou o que poderá ter acontecido aos personagens entre a série e o primeiro filme este episódio final é absolutamente notável.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award



     

Se não gostam de Star Trek mas querem ver como é que se pode fazer cinema ou televisão de baixo orçamento financiado por campanhas de crowdfunding, então do que estão à espera ?

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A favor:
a forma como conclui a série dos anos 60 original e faz a ligação com o primeiro filme para cinema é simplesmente notável, tudo o resto, actores, história, design de produção, efeitos, estilo retro.

Contra: [“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] depende totalmente do vosso conhecimento da série clássica e dos pormenores encontrados também no filme STAR TREK THE MOTION PICTURE e não irá agradar ao público genérico que não tenha qualquer referência pormenorizada para disfrutar do incrivel detalhe presente nesta história que liga não apenas a serie ao primeiro filme como também referencia muita coisa que veio depois.

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NOTAS ADICIONAIS

STUDIO WALKTHROUGH

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TRAILER REEL

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Star Trek CONTINUES WEBSITE
http://www.startrekcontinues.com

intro
DOWNLOAD DE TODOS OS EPISODIOS
FORMATO DVD ou BLURAY com legendas (PT incluido) + Extras.

O site disponibiliza tudo isto grátis.
Vão buscar:

https://www.startrekcontinues.com/downloads.html

star-trek-continues-download
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IMDb – Star Trek CONTINUES
http://www.imdb.com/title/tt2732442

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Star Trek CONTINUES – TODOS OS VIDEOS NO YOUTUBE
https://www.youtube.com/user/StarTrekContinues

Star Trek CONTINUES – YOUTUBE BEHIND THE SCENES
https://www.youtube.com/playlist?list=PLhvh2eq-XLgoGeUYCTJFuX1a-Zdam89n-

STUDIO SET FULL TOUR

O FIM DE UMA AVENTURA

 

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