“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I & II” (“STAR TREK CONTINUES : O EPISÓDIO FINAL”) James Kerwin / Vic Mignogna (2017) EUA

Se alguma vez imaginaram como teria sido o último episódio da série Star Trek original se nos anos 60 esta não tivesse sido cancelada ao fim de três temporadas, então a minha recomendação para hoje que regresso a este blog passado quase um ano, é o “filme” certo para vocês.

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Se alguma vez imaginaram como acabaria a série quando Kirk e Spock completassem os tais cinco anos da sua missão tão continuadamente referidos na introdução de cada episódio e a Enterprise regressasse de vez à Terra, então não deverão de todo agora deixar de ver [“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] pois é absolutamente extraordinário em todos os sentidos.

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Na verdade, [“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] faz-nos ficar contentes por a série nos anos 60 nunca ter podido completar as cinco temporadas de exibição, pois se esta não tivesse sido cancelada décadas atrás não teríamos agora uma conclusão como esta.
[“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] não só consegue apresentar uma conclusão extraordinariamente bem pensada para as aventuras clássicas originais da Enterprise, como inclusivamente faz a ponte perfeita não apenas entre o primeiro filme para cinema produzido no final dos anos 70 mas também com Star Trek TNG exibida nos anos 80 e 90.

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O primeiro filme para cinema “STAR TREK THE MOTION PICTURE” ainda hoje detestado por tanta gente quanto adorado por quem veio a descobri-lo ao longo dos anos foi na altura considerado um produto TREK demasiado estranho; principalmente por se ter afastado por demais da estética e da atmosfera da série original, tanto no design dos sets para a Enterprise como principalmente no estilo dos uniformes e até na caracterização psicológica dos personagens clássicos; naquilo que muita gente considerou ser uma visão demasiado cinzenta quando comparada com o espírito da série dos 60s.

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Além disso “STAR TREK THE MOTION PICTURE” apresentava também os personagens com novas características, Kirk já não era o clássico capitão da Enterprise mas sim Almirante, Spock tinha-se tornado demasiado frio (até para ele) e McCoy mais parecia um extra saído de uma qualquer discoteca a meio dos anos 70 do que o popular médico da série original quando aparece pela primeira vez em cena.

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O primeiro filme para cinema surgiu quase do nada, com mudanças demasiado bruscas e nunca explicou o que tinha ocorrido entre a aventura decorrida na série que supostamente teria percorrido cinco anos e o que levou cada personagem a seguir o rumo com que foi depois introduzido em “STAR TREK THE MOTION PICTURE”.
Ora é aqui que entra “STAR TREK CONTINUES“, série web independente sem qualquer propósito lucrativo que se propôs desde o seu início, não só a recriar o estilo visual dos episódios clássicos da série dos anos 60 como principalmente teve o objectivo de tentar ligar a aventura televisiva original ao ambiente depois mais tarde apresentado no primeiro filme para cinema.

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Ora bem, se a ideia era a de preencher todos os buracos e responder a todas as questões que estiveram na imaginação do fãs durante décadas, o episódio duplo final de “STAR TREK CONTINUES“, entitulado “TO BOLDLY GO – PART I ” e “TO BOLDLY GO – PART II” não poderia ter sido mais perfeito, surpreendente e extraordinário.
Pessoalmente considero-o o melhor “filme” de STAR TREK , ou pelo menos a melhor história da saga que vi em muitos, muitos, MUITOS anos.
A ligação que esta equipa criativa de actores, técnicos ou simplesmente fãs voluntariamente e como hobby conseguiu produzir entre os episódios clássicos e primeiro filme para cinema é simplesmente notável.

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STAR TREK CONTINUES” é/foi uma produção independente amadora com pouco dinheiro,  financiada por Kickstarter e donativos privados de fãs ao longo de vários, produzido por profissionais e semi-profissionais do ramo cinematográfico , televisivo e não só.
Há muito para contar sobre as origens desta produção “amadora”, por isso se nunca ouviram falar disto e quiserem saber mais sobre ela recomendo que depois não deixem de ler o meu outro post sobre STAR TREK CONTINUES. A web-serie que agora com este episódio final conseguiu dar-nos aquele TREK que andava ausente à muito tempo em termos de imaginação, e emotividade.
O episódio acaba, a ligação com o filme está feita mas ficamos com imensa vontade de continuar a ver mais. Infelizmente a produção está encerrada pois já cumpriu o seu propósito. Não podia ter fechado melhor.

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E estão agora a ler isto, escrito por alguém como eu que já não pode mais com Star Trek moderno. Achei piada aos filmes recentes, mas acho que o conceito está tornar-se demasiado repetitivo e a parecer-se cada vez, mais com um comic book de super herois americano do que com um objecto de ficção científica.
[“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] foi por isso para mim uma enorme surpresa, pois nem imaginava que ainda houvesse criatividade e magia para criar empatia com quem já não tem mais pachorra para as encarnações sucessivas da saga.

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[“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] é para mim não só uma obra prima do “cinema” independente “amador” moderno como fez-me voltar a mergulhar por completo naquele universo esquecendo por completo estar a ver apenas uma produção televisiva e não me lembro de ter tido uma sintonia tão grande com a série desde que era criança e via os episódios antigos; ou talvez desde também “STAR TREK V – THE FINAL FRONTIER” que eu pessoalmente considero o melhor TREK para cinema apesar da sua má fama.

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Sem querer estragar as surpresas, fica no entanto aqui o aviso, [“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] é TREK para quem conhece bem a série. Tanto os episódios originais, quanto o primeiro filme e até alguma coisa sobre TNG.
Portanto se nunca foram fãs da série dos anos 60, o primeiro filme não lhes diz nada ou nem gostam particularmente dele e nem fazem ideia do que quer dizer TNG então ignorem esta minha recomendação pois este post não é para vocês.
No entanto, se pelo contrário estão a par de todas as referências associadas aos primeiros anos de Star Trek quando ainda William Shatner , Leonard Nimoy e DeForest Keley eram a alma dos episódios então só mais um conselho…

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Antes de verem [“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] não deixem de ver os episódios 8 episódios anteriores desta web-serie pois introduzem um personagem ou dois novos que não apenas são excelentes e poderiam ter mesmo pertencido à serie antiga como também são determinantes para o impacto emocional da forma como esta série amadora faz a ligação com o primeiro filme para cinema e com TNG.

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Imprescindível também é reverem o episódio clássico “WHERE NO MAN HAS GONE BEFORE“, que na altura nos anos 60 foi o segundo episódio piloto filmado ainda apenas com Kirk e Spock e sem qualquer outros personagens conhecido que só viriam a entrar depois.

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Conhecerem bem o episódo inicial da série dos anos 60 “WHERE NO MAN HAS GONE BEFORE” é agora imprescindível para disfrutarem por completo do que [“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] tem agora para os surpreender e maravilhar com o que consegue fazer em termos de pontas soltas e referências que só quem sabe do que estou a falar irá captar, perceber e dar ainda mais valor ao que foi conseguido nesta web-serie moderna em total modo retro-scifi.

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Não posso terminar sem deixar de referir o trabalho dos novos actores que agora encarnam os velhos personagens.
Vic Mignogna , autor, produtor, carpinteiro, editor e mais um monte de coisas na série é o actor que protagoniza James T.Kirk e é simplesmente extraordinário. Não passará muito tempo sem que vocês se esqueçam por completo que não estão a ver Shatner no papel.
Vic Mignogna consegue nesta série o impossível, encarnar o Kirk original sem nunca precisar de fazer uma imitação forçada de Shatner e muito menos uma caricatura. O James Kirk de Vic Mignogna é simplesmente o Kirk que conhecemos e mais uma vez lhes digo que não passará muito tempo sem que vocês se esqueçam que não estão a ver o actor original neste papel.

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Surpreendentemente, o mesmo vale para o resto do elenco. Todos à sua maneira incorporam os personagens originais, fazendo-nos esquecer por completo que estamos a ver uma recriação moderna de uma série antiga. Até mesmo Spock, o que não deixa de ser notável. A série conta inclusivamente com Chris Doohan sobrinho do actor original James Doohan que interpretou Scotty e que aqui substitui o seu tio no mesmo papel com resultados perfeitos.

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E perfeito é o termo que melhor resume este episódio final de “STAR TREK CONTINUES“.
Só é mesmo pena ter acabado. Por outro lado não podia ter acabado melhor.

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CLASSIFICAÇÃO

[“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] fecha com chave de ouro esta produção independente e consegue muito para lá de todas as nossas expectativas concluir a série original ligando-a de forma fantástica com o primeiro filme para cinema STAR TREK THE MOTION PICTURE.
Não agradará a quem não conhecer em detalhe o universo clássico Trek mas para quem sempre imaginou o que poderá ter acontecido aos personagens entre a série e o primeiro filme este episódio final é absolutamente notável.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award



     

Se não gostam de Star Trek mas querem ver como é que se pode fazer cinema ou televisão de baixo orçamento financiado por campanhas de crowdfunding, então do que estão à espera ?

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A favor:
a forma como conclui a série dos anos 60 original e faz a ligação com o primeiro filme para cinema é simplesmente notável, tudo o resto, actores, história, design de produção, efeitos, estilo retro.

Contra: [“STAR TREK CONTINUES : To Boldly Go – I e II”] depende totalmente do vosso conhecimento da série clássica e dos pormenores encontrados também no filme STAR TREK THE MOTION PICTURE e não irá agradar ao público genérico que não tenha qualquer referência pormenorizada para disfrutar do incrivel detalhe presente nesta história que liga não apenas a serie ao primeiro filme como também referencia muita coisa que veio depois.

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NOTAS ADICIONAIS

STUDIO WALKTHROUGH

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TRAILER REEL

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Star Trek CONTINUES WEBSITE
http://www.startrekcontinues.com

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DOWNLOAD DE TODOS OS EPISODIOS
FORMATO DVD ou BLURAY com legendas (PT incluido) + Extras.

O site disponibiliza tudo isto grátis.
Vão buscar:

https://www.startrekcontinues.com/downloads.html

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IMDb – Star Trek CONTINUES
http://www.imdb.com/title/tt2732442

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Star Trek CONTINUES – TODOS OS VIDEOS NO YOUTUBE
https://www.youtube.com/user/StarTrekContinues

Star Trek CONTINUES – YOUTUBE BEHIND THE SCENES
https://www.youtube.com/playlist?list=PLhvh2eq-XLgoGeUYCTJFuX1a-Zdam89n-

STUDIO SET FULL TOUR

O FIM DE UMA AVENTURA

 

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NO MAN´S SKY – GALACTIC GEOGRAPHIC – As viagens de ALCAMINHANTUS pelo universo virtual de NMS : Um arquivo “Fotográfico” para uma inesperada ferramenta criativa.

Ando a jogar à séculos a um autêntico simulador de caminhadas virtuais chamado NO MAN´S SKY e este post serve agora para divulgar o meu novo site/arquivo que é essencialmente o repositório de todas as imagens que tenho captado nas “minhas viagens” pela galáxia.

UM UNIVERSO INTEIRO

Para quem não conhece trata-se de um jogo que simula um universo virtual na sua plenitude ( inspirado no estilo de ilustração clássico sci-fi dos anos 70 ), gerando planetas inteiros por onde podemos caminhar apenas sem fazer absolutamente mais nada. Para toda a gente que se queixa da violência nos videogames NMS é o antídoto perfeito pois é um titulo muito particular pelo facto de que nos permite fazer o que quisermos dentro do seu universo sem limites onde nem os próprios criadores do jogo fazem ideia de que mundos o seu próprio algoritmo gera de cada vez que alguém joga.

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Se quiserem jogar de forma tradicional têm missões disponíveis, podem andar aos tiros no espaço até. Mas o jogo permite que o joguemos de formas diversas e totalmente pacíficas também. Podemos jogá-lo como se fossemos um cientista e percorrer o universo apenas a descobrir e catalogar especies alienigenas, podemos jogá-lo como comerciante ao minerar materias primas e vendendo-as nas varias estações espaciais ou planetárias que o encontramos, podemos até ser um pirata e nem aterrar em qualquer planeta continuando apenas no espaço a atacar naves cargueiras e roubando-lhes a carga.
Resumindo é impossível descrever No Man´s Sky num parágrafo.

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Desde que o jogo foi lançado no verão de 2016 que não paro de o jogar. Na verdade foi a única razão pela qual comprei uma PS4 e não me arrependo. No Man´s Sky é de longe o jogo que mais tempo me prendeu até hoje e olhem que já joguei a muito ao longo dos meus 48 anos de vida. Eu joguei ao PONG quando este era o único jogo que havia nos cafés a meio dos anos 1970s como refiro na minha extensa No Man´s Sky review que poderão encontrar aqui em PT e aqui in English. 😉
Mas “jogar” não é a expressão certa …

Na verdade não estou a jogar, pois não faço nada do suposto gameplay que deveria ser feito para “completar” o jogo. Estou apenas a caminhar virtualmente pelos mundos e a usar a igualmente virtual câmera fotográfica para “fotografar” as paisagens que encontro tal como faço normalmente numa das minhas caminhadas reais.

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Como tal neste momento já tenho mais de 8000 imagens dos vários mundos que explorei e sendo assim resolvi criar um site/arquivo para guardar as melhores e que volto a referir poderão encontrar no meu novo enderenço :

https://nmsgalacticgeographic.wordpress.com/

FERRAMENTA CRIATIVA

Agora para aqueles que pensam que isto é de doidos o que vocês não sabem é que o NMS para lá de um jogo é essencialmente uma excelente ferramenta criativa para se planear ilustrações de paisagens e composições visuais. Não que sirva para copiar as imagens mas o facto de nos dar uma camera virtual permite-nos simular enquadramentos, testar condições de luz “natural”, testar várias paletas de cor e mais um monte de coisas que depois poderão ser transpostas em técnica para quando eu crio as minhas próprias ilustrações.

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Por isso tal como Casabalanca é o filme perfeito para quem quiser perceber como se usa o preto e branco em ilustração, Musica no Coração o filme ideal para perceber como o uso da cor importa na definição do ambiente de uma imagem e A Conquista do Oeste para aprender como se enquadra uma paisagem épica, agora o jogo No Man´s Sky é a ferramenta virtual que une quase os três filmes em termos de transposição de técnica.

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O que torna o Jogo numa excelente ferramenta até para principiantes nem que seja pela forma como pode inspirar um artista e espevitar a imaginação.

AUTO PROMOÇÃO

Além disso, também criei o site como forma de publicidade para o meu próprio trabalho de ilustração.
Muita gente pergunta-me como podemos começar a encontrar clientes para ilustração online. Ora bem, não é apenas criando sites directos sobre o nosso trabalho mas também criando sites sobre coisas que nos interessem que possam atrair o mesmo tipo de publico/cliente que depois poderá estar interessado no nosso trabalho.

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Neste momento o meu melhor meio de promoção não é mostrar os meus desenhos mas sim este meu site de critica de cinema https://universosesquecidos.wordpress.com/ pois atrai publico que muitas vezes até esta ligado a projectos de desenho, editoras, etc. Curiosamente apesar de estar em Português a grande maioria dos leitores por aqui estão nos EUA vá-se lá saber porquê. Talvez porque o Google translator ajude.
Portanto sendo assim espero igualmente que o meu novo site sobre o No Man´s Sky atraia potenciais clientes que depois cliquem no meu portfolio de ilustração porque gostaram da forma como fotografo os mundos virtuais que exploro.

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COMPRAR NO MAN´S SKY

Podem comprar No Man´s Sky para PS4 (PLAYSTATION 4) AQUI ou para a XBOX AQUI.

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“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” (“YOR : O CAÇADOR DO FUTURO” / “IL MONDO DI YOR”) Antonio Margheriti, aka: Anthony M. Dawson (1983) Italia / França / Turquia

[“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] foi um dos poucos títulos populares do princípio dos anos 80 que eu nunca cheguei a ver em criança. Nem o vi no cinema, nem sequer o apanhei em VHS quando a moda dos videoclubes surgiu em Portugal. Lembro-me de ver a cassete nas prateleiras com a sua capa icónica que me ficou na memória mas por qualquer motivo nunca cheguei a espreitar o filme. Como tal permaneceu durante décadas sendo um daqueles sobre o qual sempre tive imensa curiosidade, até pelo estatuto de culto que foi ganhando ao longo dos anos mas até há bem pouco tempo nunca tinha encontrado uma boa cópia.

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SPACE OPERA SPAGHETTI

Numa altura em que o cinema de baixo orçamento Italiano produzia clones sem fim de tudo o que era género popular com destaque para os Western Spaghetti, a partir do momento em que Star Wars surgiu no final dos 70s o panorama mudou ligeiramente e agora a ficção-científica era também um género particularmente apetecível a todos aqueles produtores que estivessem interessados em apanhar a popularidade das aventuras espaciais despoletada pelas aventuras de Skywalker.
E ninguém estava mais interessado em enriquecer de um dia para ou outro à custa de filmes com raios laser do que os Italianos.

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Por qualquer motivo, os Italianos pareciam no entanto achar que se conseguiria produzir space-opera semelhante a “A GUERRA DAS ESTRELAS” sem gastar dinheiro algum. Talvez habituados à facilidade com que rodavam filmes de Cowboys no Sul de Espanha sem precisar de pensar sequer em orçamentos dignos desse nome, certos produtores Italianos entre o final dos anos 70 e o início dos 80s atiraram-se a produzir clones de “STAR WARS” com tudo o que tinham à mão e [“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] foi um dos resultados.

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O filme “Conan the Barbarian” estava ainda a ser um sucesso por essas alturas ( numa época em que os filmes levavam anos em exibição viajando entre cinemas de província ) ; além disso em termos de sucesso literário era também a época em que romances como “O CLÃ DO URSO DAS CAVERNAS”  ( que mais tarde passou também a filme ) despontavam para o sucesso de público e como tal alguém em Itália pensou certamente que a melhor receita para enriquecer depressa com um filme que metesse naves e robots seria certamente se a história fosse uma mistura entre aventura pré-histórica ( com dinossauros, homens das cavernas e tudo ) com uma aventura futurista que metesse raios laser, “stormtroopers” e explosões quanto baste.

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E ainda se poupavam uns cobres se em mais de metade do filme os protagonistas só precisassem de estar vestidos com peles, se tudo fosse filmado em cenários naturais e se a parte futurista só surgisse lá mais para o final. Raios, a parte futurista até podia ser a surpresa da história e tudo !
O facto é que resultou.

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ANOTHER TIME, ANOTHER PLACE… IN THE AGE OF WONDER…

Lembrem-se que estamos a falar de uma época em que era praticamente impossível o cidadão comum se deparar com qualquer *spoiler*. A internet não existia, revistas de cinema eram limitadas, raramente abordavam o cinema de baixo orçamento chunga e além disso a única coisa que o espectador comum conseguia ver sobre cada filme antes de pagar para o ver dentro da sala ( sem pipocas pois era proíbido comer durante a projecção ), seria o cartaz principal exposto do lado de fora do cinema, com um par de –lobby cards– adicionais se estes sequer existissem.
Como estavamos também numa altura em que se pintavam inúmeras versões de posters para cada filme havia sempre a hipótese de nos depararmos com uma das versões em que os “discos voadores” não estavam presentes, até porque muitos desenhos eram feitos nos países onde o filme era distribuído.

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Trailers só seriam vistos também por quem andasse permanentemente a ir ao cinema todos os dias ( um filme diferente por dia em exibição ) e assim muito pouca coisa podia estragar as surpresas dos filmes nessa época.

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Como tal, uma das razões porque [“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] também resistiu ao tempo enquanto filme de culto foi porque na altura a história surpreendeu quem o viu pela primeira vez no cinema se o viu sem saber nada sobre o que ia encontrar pela frente.
Nada no início do filme indica que este seria mais do que apenas um estranho híbrido entre filme das cavernas no estilo exploitation clássico de um “ONE MILLION YEARS BC” ( mas sem Raquel Welch ) cruzado com o estilo de um “CONAN THE BARBARIAN” de John Milius mas com um protagonista mais lingrinhas em total modo de loiro-burro.

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O facto da última metade da história na época ter entrado por um estilo mais Star Wars foi algo inesperado que acabou por gerar uma boa publicidade de boca-em-boca. Na verdade até que a ideia para a época não foi nada má de todo. Apesar do objectivo ter sido apenas o de reduzir custos, no fundo acabou por potenciar a popularidade do filme o que certamente terá agradado aos investidores na altura.

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O CAÇADOR DA TURQUIA

[“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] é foi uma produção Italiana, com algum capital Francês e rodada na Turquia para tirar proveito do ambiente alienígena de algumas das suas formações geológicas naturais. Foi uma boa ideia, pois se o filme ainda hoje se distingue da típica chungaria “Madmaxiana” EUA sem imaginação produzida na época também pode agradecer ao facto do realizador ter conseguido criar realmente um mundo particularmente interessante e variado para: Yor, o loiro-burro do Futuro.

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Apesar de terem construído alguns dos piores pseudo-clones de Star Wars na altura, em certos títulos os Italianos souberam mesmo muito bem contornar a total ausência de recursos para conseguir dar às audiências da época aquilo que toda a gente pedia para ver no cinema e pura e simplesmente não existia; mais “STAR WARS” !
Ok, é certo que mesmo o filme de George Lucas tendo sido um Série-B e o cinema “semelhante” Italiano se esforçasse para conseguir passar inclusivamente do Série-Z, a verdade é que em Itália se produziram mesmo assim alguns dos melhores e mais memoráveis filmes de aventura espacial dessa altura. Filmes que na época conseguiram maravilhar suficientemente o público sedento por histórias com muitos raios lazer para terem gerado bastante dinheiro.

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O CHOQUE…DAS ESTRELAS

O sucesso das space-operas Italianas, inclusivamente levou a que nos EUA , o mítico Roger Corman se atrevesse a distribuir “STARCRASH” através da sua produtora ( depois de ter dobrado a protagonista do filme ” em americano “ ) e fez com que ele próprio tivesse perdido a cabeça e investido 5 milhões de dólares para criar o seu próprio “Star Wars”; o genial e divertidamente clássico “BATTLE BEYOND THE STARS“.
[“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] é portanto um produto dessa época que já não volta mais, onde os poucos recursos davam origem a imaginação para compensar. Onde o cinema de baixo orçamento nem sequer era notado enquanto tal pelos espectadores e este ainda não era uma moda.
Quem ia ver um filme de ficção científica numa sala era mesmo porque gostava de ficção científica e tudo.

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[“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] estava por isso em boa companhia, “STARCRASH“, ( o meu favorito ) ainda não tinha saído das salas de cinema, “HUMANOID” continuava a plagiar o estilo George Lucas alternadamente e o cinema Italiano dava luta nas salas. Até aos Japoneses que com os seus “MESSAGE FROM SPACE” e “WAR IN SPACE” tentavam sacar algum aqui no ocidente.
Isto enquanto Corman apanhava o barco com “BATTLE BEYOND THE STARS” claro está.
Resumindo o espaço profundo com as suas space-operas baratas foi um universo divertido por aquela época, continuando hoje a ser uma curiosidade fascinante.
E como pude constatar há bem poucas semanas quando vi pela primeira vez este filme, [“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] não foi excepção, merecendo estar também entre os melhores dos piores clones de Star Wars com todo o mérito ainda hoje.

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A ideia da pré-história resulta mesmo bem, os terríveis efeitos especiais com dinossauros mecânicos permanecem supreendentemente cativantes ainda hoje, o mundo de Yor é bastante variado geograficamente e toda a aventura decorre em estilo road-movie pré-histórico a bom ritmo.
Os ambientes estão sempre a mudar, os personagens até têm a sua piada pela ingenuidade permanente que demonstram e há que convir que as moçoilas da idade-da-pedra futurista até são bem roliças.

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A PRÉ-HISTÓRIA DA BD

[“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] é uma adaptação ao cinema de uma banda desenhada Argentina, daquelas que existiam por todo o lado no final dos anos 70 em revistas como “MUNDO DE AVENTURAS” e que na sua maioria eram Italianas ou Sul Americanas muito antes do mundo desinspirado dos comics de super heróis modernos gringos produzidos em modo fast-food terem infestado o planeta e acabado com a imaginação na banda desenhada. Na verdade o filme é uma semi-adaptação, pois a parte de ficção científica em estilo “Star Wars” não existia na banda-desenhada original.

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No entano a parte de ficção-científica é divertida em [“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] e o seu conceito faz até lembrar a civilização futura que há poucos anos vimos no fabuloso “CLOUD ATLAS“.
A versão futurista em YOR foi construída recorrendo ao mesmo guarda roupa que já tinha sido utilizado em “HUMANOID” e portanto se conhecem bem as space-operas desta altura não estão a ter um dejà-vu quando repararem nos uniformes dos “robots”/soldados-dos-maus. São os mesmos.

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Se estivessemos a falar de um filme moderno hoje, alguém diria logo que tanto “HUMANOID” como [“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] se passariam no mesmo universo e tínhamos aqui um franchising.

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CLASSIFICAÇÃO

[“YOR : THE HUNTER FROM THE FUTURE” / “YOR : O CAÇADOR DO FUTURO“] dentro deste contexto mais antigo do início dos 80s é ainda hoje um produto divertido e uma aventura que se acompanha muito bem onde não falta um certo toque ao original “Planet of the Apes” também que lhe fica bastante bem.
E em última análise é tão bom ou tão mau dependendo do ponto de vista quando “FLASH GORDON” na mesma época o foi com um orçamento muito maior.
Neste contexto.

Três Planetas Saturno

  

O facto de eu não o ter visto em criança retira-lhe agora alguma da sua magia a nível pessoal mas mesmo assim é um daqueles filmes que se recomenda a quem curtir estas space-operas retro produzidas em Itália.

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A favor: a ingenuidade, tem mais imaginação do que aparenta à primeira vista, o ambiente chunga, as moçoilas roliças, o loiro-burro, a mistura de género, os maus efeitos especiais, tudo é mau e portanto tudo é bom; até a biblioteca de som é aquela que se ouve sempre nos produtos da altura.

Contra: A parte de ficção científica até acaba por ser a menos interessante.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0084935

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