“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES” (“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES”) John Cameron Mitchel (2017) INGLATERRA/USA

[“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] é algo que me passou completemente ao lado mesmo tendo sido já produzido em 2017. Só há poucos meses atrás descobri que isto era um livro de banda desenhada baseado num conto de Neil Gaiman mas para mim foi uma verdadeira surpresa também esta história existir já enquanto filme.
Mais surpreendente ainda é [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] ser na verdade um título de ficção-científica.

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Completamente alucinado, é certo mas mesmo assim pelo meio de toda a loucura não deixa por isso de ser também uma excelente história que envolve punks e contacto com civilizações extraterrestres verdadeiramente alienígenas e completamente fora dos nossos padrões de percepção…
O que para um título como [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] , que há partida remetia apenas para uma comédia romântica adolescente é logo algo que coloca este filme num patamar de originalidade diferente.

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Pelo que me apercebi o filme ganha logo pontos sobre a banda desenhada original quando muda a acção para 1977 numa Inglaterra em plena revolução Punk Rock.
E como todos aqueles que conhecem o trabalho e o percurso do realizador John Cameron Mitchel bem sabem… não há ninguém melhor para recriar aqueles dias do que ele.
Cameron Mitchel já tinha realizado antes o grande filme de culto “HEADWIG” que embora passado durante a queda do Muro de Berlin é também considerado o melhor filme punk rock de sempre.  Só a banda sonora de “HEADWIG” ( e a prestação de Cameron Mitchel no papel principal ) valem o filme todo ; embora não seja um título particularmente aconselhado a conservadores visto que toda a filmografia do realizador assenta numa vertente gay e transsexual particularmente óbvia e politicamente incorrecta.

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Por este prisma [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] até é agora um filme bastante contido apesar de aqui ser melhor avisar desde já que este filme também não seja particularmente aconselhado a sensibilidades mais homofóbicas visto que todo aquele imaginário trans está sempre em pano de fundo ; não fosse isto um filme de John Cameron Mitchel.

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Mas é fabuloso. Os personagens são divertidos, a atmosfera Punk Rock atira uma energia constante para fora do ecran como só Cameron Mitchel a sabe filmar e para lá de toda a imaginação que envolve o conceito alienígena criado por Neil Gaiman [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] ainda tem tempo para ser realmente uma das mais cativantes histórias de amor adolescentes dos últimos tempos; mesmo pelo meio de toda a confusão e aventuras mirabolantes.

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A química romântica entre os par protagonista é do melhor e a jovem Elle Fanning não poderia ter sido a escolha mais certa pois acreditamos por completo nela enquanto extraterrestre tentando perceber como funciona a humanidade mesmo quando ela acredita que todo o planeta Terra não passará de um mundo totamente dominado pelo movimento Punk , inglés de 1977.
Imaginem o E.T. mas mais bonito perdido na Inglaterra urbana Punk e andarão lá perto do que poderão acompanhar em [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“].

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Aliás um dos grandes momentos de [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] como não podia deixar de ser são também os apontamentos musicais Punk Rock como por exemplo o dueto entre os dois protagonistas no clube Punk underground que não fica nada atrás do melhor que já tinhamos visto também em “HEADWIG” no que toca a banda sonora Punk Rock.

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Aliás , embora [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] não seja desta vez um filme músical no entanto estes momentos punk rock polvilham todo este universo colorido, completamente cativante que coloca Punks contra alienígenas e nos dá momentos WTF únicos, bastante divertidos e originais.
Onde já agora, podemos encontrar um monte de actores que não parecerão nada estranhos a quem acompanha a série DR Who por exemplo.

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A propósito de actores… se não sabem nada sobre [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“], continuem assim. Não vejam o trailer antes de verem o filme pois o trailer contém Spoilers por demais e irá arruinar-lhes o prazer da descoberta, até no que toca a caras conhecidas em papeis que não esperavamos nada encontrar…

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Para quem precisa de saber estas coisas, [“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] é a história de um trio de amigos Punks que durante as suas deambulações nocturnas entre punk rock, bebedeiras e miúdas deparam-se uma noite com uma casa habitada por um conjunto muito particular de … personalidades…

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[“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] visualmente também é um espectáculo, não só a recriação dos dias Punk Rock em Inglaterra está o máximo como depois toda a estética WTF que envolve as entidades alienígenas dá ao filme uma vida e uma originalidade visual que raramente se encontra em títulos com extraterrestres.
Por causa disso este filme tem também uma vertente psicadélica particularmente divertida e … espacial … que resulta plenamente.

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E o final do filme também é muito fixe.
Se gostam de títulos como o genial “THE ROCKY HORROR PICTURE SHOW” e/ou “HEADWIG” com aquele sabor punk rock sexualmente subversivo e quiserem ver como se pode misturar de forma perfeita com uma história sci-fi muito divertida e intensamente romântica, este é o vosso filme.
Alucinado, divertido, energético e com momentos bastante humanos onde até os personagens secundários são importantes para dar realismo a este universo que recomendo vivamente que não deixem de espreitar.
Irá tornar-se no próximo grande filme de culto com toda a certeza. Se é que já não é.
E como é melhor não dizer mais nada…

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CLASSIFICAÇÃO

[“HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES“] foi até agora a surpresa cinematográfica do ano para mim em 2020. Não fazia ideia de este filme já era de 2017 ou que esta história teria algo a ver com extraterrestres e apanhou-me totalmente desprevenido.
Quando eu estava preparado para ver uma boa história de amor teenager ( embora extravagante afinal estamos a falar de um filme de John Cameron Mitchel ) de repente cai-me em cima não só uma das comédias scifi mais tresloucadas e originais que me lembro de ver em muito tempo, como ainda por cima é também quase um filme de época pela forma como nos transporta por completo para uma Inglaterra de 1977 em pleno movimento PUNK com uma energia contagiante !
Porque já o vi há horas e horas e como o raio do filme não me sai da cabeça só posso atribuír-lhe a minha classificação máxima também.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

A primeira coisa que vou fazer quando passarmos este período de pandemia será comprar este título em bluray com toda a certeza.

A favor: o facto de terem colocado esta versão cinematográfica do comic original de Neil Gaiman situado em pleno movimento Punk numa Inglaterra de 1977, a originalidade da história e da forma como aborda o contacto extraterrestre, a atmosfera punk cheia de energia e contagiante, a química romântica dos protagonistas, todo o visual absolutamente alucinado e psicadélico que envolve todas as cenas com os alienígenas, as sequências punk rock musicais, todos os personagens, alguns gags, é politicamente incorrecto e não tem problema com a sexualidade ( não fosse isto um filme de Cameron Mitchel ) , o final da história, é um dos conceitos sci-fi mais criativos e intensos que vi em muito tempo.

Contra: Isto não é o filme teen fofinho de Hollywood de que muitos podem estar à espera, quem tiver problemas com as orientações sexuais de terceiros ou alguma homofobia latente é melhor passar ao lado também ( não é explicíto mas estamos a falar de um filme de John Cameron Mitchel e quem sabe o que isto quer dizer já sabe com o que pode contar em termos de referências gay e transexuais quanto baste ).

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

Atenção, se ainda não viram o filme EVITEM o trailer pois está cheio de *SPOILERS*!!!

 


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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt3859310/

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BD ORIGINAL

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“MAGELLAN” (“MAGELLAN”) Rob York (2017) USA/AUSTRALIA

Há filmes que até em pirataria são incrivelmente dificeis de encontrar e durante dois anos eu procurei por uma cópia de [“MAGELLAN“] sem nunca me deparar com mais nada a não ser rips dobrados em Russo. Felizmente que o filme foi editado no ano passado na Europa em Bluray , (como não podia deixar de ser, por uma editora Alemã)  e como sempre tive intenções de o comprar, finalmente consegui colocar os meus olhos, neste que era um dos filmes scifi de baixo orçamento que eu mais procurei nos últimos anos.

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O fascinio de um título como [“MAGELLAN“] para mim está no facto de não querer ser menos do que um “INTERSTELLAR“; mas feito com muito pouco dinheiro.
Baixo orçamento mas enorme ambição e como tal desde que eu tinha visto o trailer produzido para a sua campanha Kickstarter que eu tinha ficado com enorme curiosidade sobre este filme espacial.

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Mais uma vez, estamos na presença de outro daqueles títulos scifi que essencialmente são trucidados pelos utilizadores do IMDb pelas razões mais imbecis.
Eu sinceramente não percebo como é que há gente que não consegue simplesmente entender o que são as limitações do cinema de baixo orçamento. E os piores são aqueles “científicos” que cascam nos titulos scifi porque os gajos descobriram que uma órbita que aparece demonstrada no filme está mal calculada na realidade e por isso o filme não presta porque é estúpido e não é científico.
[“MAGELLAN“] não é estúpido, mas sim muito limitado.
[“MAGELLAN“] é na verdade extraordinário.

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INTERSTELLAR NO-BUDGET

A minha produtora de cinema independente favorita nos EUA é de longe a ARROWSTORM ENTERTAINMENT pois simbolizam para mim ( bem longe de Hollywood refundidos no estado do Utah ) aquilo que é o gostar de se fazer cinema sem pretenções e sem dinheiro também; mas com muita imaginação, engenho e determinação do qual [“MAGELLAN“] é também um óptimo exemplo dentro da Scifi.
A série de cinco filmes de Fantasia, “MYTHICA” ( 12345 ) , juntamente com as produções ( de teste (?) )  iniciais, “DAWN OF THE DRAGON SLAYER” , “THE CROWN AND THE DRAGON” ou “RISE OF THE SHADOW WARRIOR” que eles criaram “caseiramente” há alguns anos atrás tiveram um sucesso tão grande no circuito alternativo e de festivais Fantásticos/Scifi dentro do cinema independente que estes cineastas voluntários de-fim-de-semana a partir de certo momento se –“viram obrigados”– a criar uma empresa ( Arrowstorm ) para distribuir as suas produções para o mercado exterior ( e controlar os copyrights ) quando os pedidos ultrapassaram as fronteiras do estado do UTAH onde tudo se originou.
O catálogo da Arrowstorm é fascinante e felizmente que está quase todo editado em bluray ora em Inglaterra ora na Alemanha, país este que tem sempre as melhores edições de cinema low-budget fantasia/scifi.

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Com o surpreedente sucesso de mega produções de Hollywood como o fabuloso “INTERSTELLAR” de repente também isso parece ter vindo demonstrar que para lá dos filmes pipoca sem cérebro disfarçados de scifi afinal ainda havia algures um público sedento por ficção-científica cinematográfica madura à espera de ver o género renascer por entre as cinzas de tanto lixo pré-fabricado nas últimas duas décadas pelos grandes estúdios; ( tentando passar por ficção-científica ).
O que veio dar um novo fôlego a histórias como as de [“MAGELLAN“] e em última análise ter feito com que boa ficção-científica clássica tenha começado a reaparecer. Mais até mais na Europa com “ANIARA“, “COSMOS“, “CARGO“, “ARES“, “VIRTUAL REVOLUTION“, “THE BEYOND” etc do que nos EUA; sempre restringidos ao cinema braindead para consumo de massas estupidificadas mas nem por isso menos capazes de criar boas histórias scifi realmente atmosféricas como se demonstra cada vez mais pelo cinema independente norte americano.

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E histórias que se calhar nem precisam de orçamentos milionários de Hollywood para resultar em pleno como [“MAGELLAN“] vem agora também muito bem demonstrar. Mesmo até quando em muitos momentos esta produção nos parece mesmo um filme caseiro;  especialmente ao notarmos que por exemplo, o cenário do interior da nave de cartão, madeira e esferovite poderá cair a qualquer momento se o actor tocar nas paredes, pois ( como se nota bem principalmente na cópia bluray ) tudo está claramente equilibrado por um fio com a ajuda de cola, fita cola, pregos, parafusos à vista, carpetes mal coladas por todo o lado e acabamentos de cenário tão pobrezinhos que por vezes é mesmo surpreendente como este filme foi para a frente com tão óbvias limitações de orçamento.

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E isso importa ?
NÃO !

EMPATIA

[“MAGELLAN“] pode ter muitos problemas de produção no que toca à credibilidade dos cenários e ambientes que procurou construir sem dinheiro nenhum e portanto meus amigos podem esquecer aquelas opiniões que atacam o filme – porque está mal feito e prontos ! – com base no óbvio.
É óbvio que [“MAGELLAN“] quer ser “INTERSTELLAR”, é óbvio que nunca conseguiria ser em termos técnicos mas o que consegue fazer é também merecedor de um enorme elogio. Quanto mais não fosse , porque à força de tentar parecer-se com “INTERSTELLAR” acaba no entanto por contar uma história absolutamente cativante do principio ao fim.
E não precisou mais do que um par de actores com uma química fantástica.

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O par protagonista de [“MAGELLAN“] é a alma do filme. Se estas duas pessoas não são um casal na vida real não sei onde foram buscar uma química romântica como esta. E digo isto no melhor dos sentidos. Tanto o personagem do astronauta como o da sua mulher nos parecem mesmo pessoas reais e se [“MAGELLAN“] faz alguma coisa muito bem está precisamente na forma como nos consegue fazer esquecer por vezes que estamos a ver um filme , tal é a empatia que os dois protagonistas conseguem criar com o espectador que torce até ao último segundo para que o seu destino seja feliz.

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Não só os dois actores são absolutamente convicentes mesmo quando passam practicamente toda a história separados ( ela fica na Terra, ele parte para o espaço ) , como também os próprios diálogos em [“MAGELLAN“] estão particularmente bem construídos. Nada fica por dizer e não se desperdiçam palavras ao acaso só para ir queimando tempo ou ir enchendo o filme para disfarçar as suas fraquezas de produção.
[“MAGELLAN“] não precisa sequer preocupar-se em disfarçar as suas fraquezas a partir do momento em que tem personagens centrais como estes dois.

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E nota alta para os secundários também. As vozes das A.I. a bordo da nave pois são o complemento perfeito para não só colar todas as pontas soltas em termos de exposição da história como ainda proporcionam alguns momentos de humor muito divertidos que humanizam ainda mais esta verdadeira aventura de exploração do espaço.
Na verdade o elenco em geral não está mal tendo em conta que alguns nem são actores profissionais e portanto esqueçam aquelas opiniões de utilizadores no IMDb que cascam em [“MAGELLAN“] também por isso.  Esse tipo de … “cinéfilos” … não se encontram claramente entre o tipo de público para o qual esta excelente história interestelar foi feita.
[“MAGELLAN“] pensado para quem cresceu com Arthur Clarke, Asimov, Robert Heinlein e todos os autores clássicos da ficção científica. Se não têm qualquer uma destas referências e apenas cresceram com a cultura popular “Comicon” dos últimos vinte anos, muito provavelmente este filme não é para vocês.

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ESPAÇO SEM FIM

Com boa produção da Arrowstorm que se preze, filmada no Utah, é óbvio que [“MAGELLAN“] irá provocar a tão costumeira sensação de – Deja Vu – a todos aqueles que tal como eu forem fãs deste grupo de film-makers amadores tornados profissionais por força das circunstâncias. É que toda esta aventura espacial foi precisamente filmada nos locais habituais onde todos os filmes da produtora são filmados. Ou seja , no “quintal” habitual, onde os mesmos locais já serviram anteriormente , para mundos de fantasia, dimensões paralelas, terra de zombies, etc…
O que nem por isso quer dizer que seja uma coisa má, especialmente quando nos mostram paisagens que nem sequer tinhamos noção de que existiam no estado do Utah.
Não é por falta de boas localizações que [“MAGELLAN“] possa ser atacado, embora neste caso até nem use muitos exteriores “imaginários”.

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Os tais “cinéfilos-especialistas científicos” apontam logo que os ambientes em [“MAGELLAN“] são rídiculos pois não se parecem mesmo nada com Titan; especialmente quando este é filmado no popular lago seco próximo de Salt Lake City já visto em tudo deste Lethal Weapon a videoclips da MTV; (entre outros). Ignorem.
Chega perfeitamente para os transportar para o universo espacial deste filme na boa.

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Surpreendentemente mesmo com o orçamento limitado que esta produção claramente teve ( foi resultado também de uma campanha Kickstarter como já referi antes ), a verdade é que [“MAGELLAN“] consegue mesmo um fantástico ambiente espacial sim senhor. Arrisco-me até a dizer que nem precisa ficar envergonhado numa comparação com “INTERSTELLAR” na forma como também nos consegue transportar para os confins do sistema solar sem qualquer problema.
[“MAGELLAN“] conta com algumas vistas épicas do nosso sistema solar e consegue criar muito bem aquela sensação de vastidão no universo. O filme está cheio de planos CGI (que apesar de baratinhos) , são absolutamente perfeitos para em muitos momentos conseguirem transportar o espectador para Saturno, Titan, Neptuno, e todas as localizações para onde a aventura nos leva.

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São efeitos limitados e muito pobrezinhos ? São sim senhor. Alguns são atrozes mesmo.
Outros funcionam na perfeição e dão-nos breves segundos de cortar a respiração por vezes pois nunca estamos há espera de encontrarmos pela frente algumas das paisagens espaciais que este filme sabe dosear muito bem para ir continuadamente criando um sentido de maravilhoso que muitas das vezes nem Hollywood consegue criar com orçamentos de milhões de dólares.
Em termos de efeitos [“MAGELLAN“] pode ser pobrezinho mas também aqui se nota o esforço que houve para dar ao espectador algo de grandioso com o que se podia arranjar e não me surpreende de todo se a maior fatia do dinheiro tivesse ido para os efeitos CGI.

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CELESTIAL

Nota alta para a banda sonora também.
Embora se há uma área onde [“MAGELLAN“] possa ser acusado de não querer ser mais do que uma cópia de “INTERSTELLAR” é no que toca à sua música.
Eu não me importo, adorei a banda sonora de “INTERSTELLAR” e curti e muito a banda sonora de [“MAGELLAN“] que consegue aproximar-se bastante do mesmo tipo de música “celestialmente espacial”. Na verdade quase ao ponto de roçar o plágio também… embora desta vez estejam perdoados. [“MAGELLAN“] tem mesmo o tipo de banda sonora que precisava de ter para resultar e é também a música que muito contribui para o abrir o filme para territórios verdadeiramente épicos e misteriosos.

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[“MAGELLAN“] a ter um defeito para mim , está no final. Não que ele seja mau; muito, muito pelo contrário. Na sua escala limitada do que pode mostrar é realmente inspirador e até fabuloso num certo contexto scifi que previligia as ideias em vez dos efeitos, mas peca por ter exactamente o mesmo final que todo este tipo de histórias que já apareceram antes em filmes semelhantes de produção independente. O fim é sempre o mesmo, embora neste caso eu tenha que concordar que é o final perfeito pois em termos de história [“MAGELLAN“] é aquele que melhor vai construindo as situações e o próprio mistério até que tudo culmine para que aconteça aquilo que tem que acontecer. Eu gostei e deixa-nos com muita vontade de saber o que vai acontecer a seguir pois eu espero sinceramente que a Arrowstorm quando “INTERSTELLAR 2” sair, também dê continuidade a [“MAGELLAN“]. Seria um perfeito candidato para uma sequela em estilo “RENDEZ-VOUZ-WITH-RAMA” se é que vocês me acompanham aqui nesta referência. 😉

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CLASSIFICAÇÃO

Se gostaram de INTERSTELLAR e gostariam de ver algo semelhante, se não tiverem preconceitos para com o cinema de muito baixo orçamento este [“MAGELLAN“] é uma excelente proposta; que também serve para quem gosta de coisas como ” 2001 Odisseia no Espaço” , “Arrival” e semelhantes títulos dentro da ficção-científica clássica.
A história deste astronauta que viaja pelo espaço tentando estabelecer contacto com a primeira entidade extra-terrestre que a humanidade localiza nos confins do sistema solar intriga-nos desde o início, o mistério agarra-nos, tem sentido de humor e os personagens centrais são absolutamente cativantes.

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Não leva um Gold Award porque nota-se a todo o instante que isto é um título muito limitado pelo seu orçamento e como tal ficamos sempre com um sabor a pouco quando estamos mesmo com vontade de ver muito e saber mais.

A favor: o par protagonista e a sua história, os dois actores centrais, os dois computadores A.I. são o complemento perfeito, o mistério alienígena é muito cativante, a forma como tenta com pouco dinheiro criar ambientes diversos no sistema solar é muito positiva, algumas vistas espaciais em breves animações CGI são fantásticas, óptima realização, tem um par de bons momentos de suspense, excelente banda sonora apesar de ser relativamente .. ehm… inspirada noutra que já ouvimos antes…

Contra: o final já foi feito muitas vezes antes neste tipo de filmes/histórias, alguns actores secundários e terciários são claramente amadores. Quem não percebe o esforço por detrás do cinema de baixo orçamento não vai perceber de todo onde está a graça.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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“THE BEYOND” (“THE BEYOND”) Hasraf Dulull (2017) Inglaterra

Mais um dia, mais um filme de ficção-científica extraordinário, daqueles com classificação miserável no IMDb.
[“THE BEYOND“] é fantástico.

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Curiosamente eu quando o vi pela primeira vez numa das inúmeras cópias pirata que circulam pela internet, também não lhe achei piada nenhuma. E sinceramente ainda hoje me estou a perguntar sobre o porquê daquela minha primeira reacção.
É que [“THE BEYOND“] é mesmo muito bom, muito bem feito, muito bem filmado , com uma atmosfera a puxar para o “INTERSTELLAR” em versão low budget e ainda por cima parte de vários conceitos que por si só podiam dar origem a vários filmes diferentes mas no entanto consegue levar a bom porto todas as ramificações para nos dar um daqueles finais em que ficamos com vontade de continuar a ver mais.

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A sensação com que se fica é que [“THE BEYOND“] bem que poderia também ser desenvolvido para uma série de TV, pois têm aqui um excelente ponto de partida e daria uma excelente série de ficção-cientítica naqueles moldes mais sérios como “INTERSTELLAR” e “ARRIVAL“.
No entanto é mesmo verdade que eu detestei isto quando o vi pela primeira vez e quase que não consegui chegar ao fim.
Talvez porque na altura estava mesmo completamente farto deste estilo de cinema de baixo-orçamento – Found-Footage – e como tal entrei logo nisto como se estivesse a fazer um enorme frete , o que fez com que não tivesse prestado grande atenção ao que via.

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Na verdade, não sei o que aconteceu e não faço mesmo a mais pequena ideia da razão porque detestei [“THE BEYOND“] inicialmente.
Pelas reviews que estão no IMDb e espalhadas em comentários pelo Youtube se calhar o que aconteceu com muita gente que só deu mesmo uma única oportunidade a isto terá sido o que me aconteceu a mim inicialmente também…
Vi-o agora em Bluray, pois incrivelmente , eu acabei por o comprar no Natal passado.
Tenho por tradição comprar um monte de cinema scifi independente e de baixo orçamento no Natal e [“THE BEYOND“] veio parar ao meu cesto de compras na amazon Alemã porque essencialmente estava em promoção na altura e nem custava 5€uros sequer.
Bendita promoção. Neste momento por acaso, o filme já se encontra esgotado em todas as amazon, excepto na amazon.com ( mas bloqueado à região A norte americana )… Pode ser que o reeditem por cá em breve.

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BEYOND QUALQUER CÓPIA PIRATA

Da segunda fez que vi [“THE BEYOND“] , já em Bluray e não na minha antiga cópia pirata adorei. Não consegui descolar do filme do primeiro ao último minuto e quando acabou ainda fiquei com vontade de ver mais.
Só uma nota para aquele pessoal que acha que não vale a pena comprar os filmes de que gostamos em Bluray para guardar quando podemos sacar cópias de bluray-rip a 1080p…trust me, não é a mesma coisa e eu tive a prova. Ver [“THE BEYOND“] em Bluray dá-lhe uma vida completamente nova, pois digam o que disserem mas aquele bocadinho de definição extra que só se encontra num produto original faz toda a diferença. Especialmente num filme carregado de pormenores visuais que ganham vida nova quando apresentados no melhor da alta definição e não apenas num rip-pirata sacado na internet.

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A qualidade de imagem é excelente, a própria fotografia do filme é mesmo muito boa e o som é do melhor. Vejam-no com headphones como eu o vi agora ; ( se calhar é esse o truque para começar a curtir este título , pois [“THE BEYOND“] é mesmo um daqueles filmes cujo a atmosfera scifi para ficar completa depende mesmo muito da combinação som/imagem e a parte do som foi também o que faltou em qualidade quando o vi na minha cópia sacada de um torrent antes.

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[“THE BEYOND“] é pura ficção-científica. E mais uma vez, volto a dizer se calhar não será coincidência estarmos de novo na presença de mais outro título do cinema Europeu e não de mais outro blockbuster de Hollywood. Algo que parece ter contribuído também para muitos dos comentários do público no IMDb, pois se calhar muita gente esperava uma espécie de Transformers ou algo assim visto que [“THE BEYOND“] também envolve “robots” gigantes – “tripulados” – por seres humanos… mas não da maneira que muita gente se calhar estava à espera.

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THE INTERSTELLAR ARRIVAL

Quando uma estranha anómalia no espaço é detectada, a ciência conclui que estaremos na presença de um primeiro contacto com uma civilização extra-terrestre, isto porque na mesma altura aparecem nos céus de todo o mundo uma verdadeira invasão de objectos que aparentam estar apenas ali; à espera. Quem são ? Porque vieram ?
Com isto entramos em território familiar já explorado em “ARRIVAL“. Se são o tipo de público que gostou desse excelente filme de ficção-científica então irão adorar [“THE BEYOND“].

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Para que a humanidade consiga viajar através desse – worm hole – ou provável – stargate – e obter respostas àquilo que parece ser um convite, a única forma é se os primeiros voluntários se submeterem a um processo que mistura o corpo humano com tecnologia, sabendo de antemão que nunca mais poderão voltar a ser humanos mas que ao mesmo tempo se tornarão quase super-herois em termos do poder que poderão alcançar. É essa a única forma do ser humano conseguir sobreviver à viagem e como tal logo muitos voluntários começam a surgir com o propósito de se tornarem no primeiro ser humano a entrar em contacto com uma raça extra-terrestre. E aqui passamos à parte que se assemelha a “INTERSTELLAR” mas numa versão cyborg.
Portanto, se gostaram de ARRIVAL e acham que ficaria bem com uma pitada de “INTERSTELLAR” , não hesitem em espreitar este pequeno grande filme que conta com pouco mais de 80 minutos mas também parece muito maior no melhor dos sentidos.

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THE NEWS

Como já referi, [“THE BEYOND“] não é um filme “normal”. Imaginem um documentário e é isto que irão ver neste filme pois não está filmado com uma narrativa clássica tradicional mas sim como se estivessemos mesmo a ver imagens recolhidas no local, clips de arquivo, etc. Talvez tenha sido por isto que não me cativou da primeira vez e tanta gente também ataque o filme online.
[“THE BEYOND“] é essencialmente um falso documentário e é assim que têm que partir para ele. Esqueçam todas as convenções de cinéfilia, deixem-se levar por este falso universo e garanto-vos que ficarão agarrados.

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THE FINAL FRONTIER

[“THE BEYOND“] é sobre isto, a fronteira final. Não apenas no que toca ao que nos espera no universo mas também sobre aquilo em que a humanidade se precisa tornar para que um dia consiga mesmo viajar no espaço, isto porque o facto de vivermos e estarmos biológicamente adaptados apenas a este planeta é no fundo aquilo que impede que exploremos mais longe e torne tão dificil a humanidade abandonar o seu berço neste sistema solar.
O filme explora imensas questões, vocês vão ficando a gostar dos “personagens” e depois ainda que brevemente ainda evolui para um daqueles títulos de ficção científica que são ideais para todos aqueles que procuram histórias sobre exploração e primeiros contactos.

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O design do filme é fantástico a todos os níveis, os sets ou localizções reais são perfeitas e os efeitos especiais são surpreendentemente bons e perfeitamente capazes de so fazer esquecer que estão a ver um filme independente Europeu Inglés e não um blockbuster Norte Americano.
Leva logo também pontos adicionais pelo seu final. Embora muito breve para grande pena minha ( pois queria mesmo saber mais sobre o que poderá acontecer a seguir ) , a verdade é que pelo menos no caso de [“THE BEYOND“] , o espectador pode ficar descansado. [“THE BEYOND“] não é outro daqueles títulos “found-footage” que leva o tempo todo a criar mistério com coisa nenhuma e depois chega ao fim e deixa-nos pendurados com fins inconclusivos.

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[“THE BEYOND“] tem um óptimo final aberto. Responde a tudo o que constroi em termos de suspense e mistério ao longo da sua narrativa de falso documentário e só fica incompleto em termos de história porque como disse, isto seria na boa o início de uma série de televisão scifi com muito boas ideias e com muito para desenvolver a partir daqui. Não me admirava nada que um destes dias ainda aparecesse algo baseado neste filme.

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CLASSIFICAÇÃO

Dêem uma oportunidade a [“THE BEYOND“]. Se calhar… dêem uma segunda oportunidade até. Entrem nisto logo à espera de ver algo num estilo documentário e não esperem “um filme”. Se o fizerem e partirem para [“THE BEYOND“] apenas procurando por uma boa história de ficção-científica sobre exploração espacial e primeiro contacto com extraterrestres não tenho dúvidas de que irão gostar mesmo muito disto tal qual eu gosto deste filme agora. Aliás , este é um daqueles títulos que insiste em não me sair da cabeça. Se calhar porque há actualmente tão pouca ficção-científica saída de Hollywood digna desse nome que o facto desta estar cada vez mais a ser produzida independentemente na Europa ainda torna todos estes títulos mais fascinantes.
[“THE BEYOND“] é certamente um deles.

Cinco Planetas Saturno

   

Não ganha um Gold Award… porque apesar de tudo, cinemáticamente falando, isto é um documentário e não é  própriamente “um filme”. O – found footage – embora bem usado acaba por remeter este scifi para um nicho que o limita um bocado enquanto obra para cinema.

A favor: a história, o conceito, o mistério do que está para lá do portal, o design, o som, a fotografia, as interpretações, a realização, o final da história. Deixa-nos com vontade de saber mais.

Contra: o estilo found-footage limita-o bastante naquilo que poderia ter sido embora se compreenda que este tenha sido o formato certo até para se poupar algum dinheiro na produção certamente. Deixa-nos com vontade de saber mais.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt5723416/

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