“THE BEYOND” (“THE BEYOND”) Hasraf Dulull (2017) Inglaterra

Mais um dia, mais um filme de ficção-científica extraordinário, daqueles com classificação miserável no IMDb.
[“THE BEYOND“] é fantástico.

Poster2

Curiosamente eu quando o vi pela primeira vez numa das inúmeras cópias pirata que circulam pela internet, também não lhe achei piada nenhuma. E sinceramente ainda hoje me estou a perguntar sobre o porquê daquela minha primeira reacção.
É que [“THE BEYOND“] é mesmo muito bom, muito bem feito, muito bem filmado , com uma atmosfera a puxar para o “INTERSTELLAR” em versão low budget e ainda por cima parte de vários conceitos que por si só podiam dar origem a vários filmes diferentes mas no entanto consegue levar a bom porto todas as ramificações para nos dar um daqueles finais em que ficamos com vontade de continuar a ver mais.

Poster

A sensação com que se fica é que [“THE BEYOND“] bem que poderia também ser desenvolvido para uma série de TV, pois têm aqui um excelente ponto de partida e daria uma excelente série de ficção-cientítica naqueles moldes mais sérios como “INTERSTELLAR” e “ARRIVAL“.
No entanto é mesmo verdade que eu detestei isto quando o vi pela primeira vez e quase que não consegui chegar ao fim.
Talvez porque na altura estava mesmo completamente farto deste estilo de cinema de baixo-orçamento – Found-Footage – e como tal entrei logo nisto como se estivesse a fazer um enorme frete , o que fez com que não tivesse prestado grande atenção ao que via.

THE BEYOND_01 THE BEYOND_08

Na verdade, não sei o que aconteceu e não faço mesmo a mais pequena ideia da razão porque detestei [“THE BEYOND“] inicialmente.
Pelas reviews que estão no IMDb e espalhadas em comentários pelo Youtube se calhar o que aconteceu com muita gente que só deu mesmo uma única oportunidade a isto terá sido o que me aconteceu a mim inicialmente também…
Vi-o agora em Bluray, pois incrivelmente , eu acabei por o comprar no Natal passado.
Tenho por tradição comprar um monte de cinema scifi independente e de baixo orçamento no Natal e [“THE BEYOND“] veio parar ao meu cesto de compras na amazon Alemã porque essencialmente estava em promoção na altura e nem custava 5€uros sequer.
Bendita promoção. Neste momento por acaso, o filme já se encontra esgotado em todas as amazon, excepto na amazon.com ( mas bloqueado à região A norte americana )… Pode ser que o reeditem por cá em breve.

THE BEYOND_19 THE BEYOND_22

BEYOND QUALQUER CÓPIA PIRATA

Da segunda fez que vi [“THE BEYOND“] , já em Bluray e não na minha antiga cópia pirata adorei. Não consegui descolar do filme do primeiro ao último minuto e quando acabou ainda fiquei com vontade de ver mais.
Só uma nota para aquele pessoal que acha que não vale a pena comprar os filmes de que gostamos em Bluray para guardar quando podemos sacar cópias de bluray-rip a 1080p…trust me, não é a mesma coisa e eu tive a prova. Ver [“THE BEYOND“] em Bluray dá-lhe uma vida completamente nova, pois digam o que disserem mas aquele bocadinho de definição extra que só se encontra num produto original faz toda a diferença. Especialmente num filme carregado de pormenores visuais que ganham vida nova quando apresentados no melhor da alta definição e não apenas num rip-pirata sacado na internet.

THE BEYOND_07 THE BEYOND_10

A qualidade de imagem é excelente, a própria fotografia do filme é mesmo muito boa e o som é do melhor. Vejam-no com headphones como eu o vi agora ; ( se calhar é esse o truque para começar a curtir este título , pois [“THE BEYOND“] é mesmo um daqueles filmes cujo a atmosfera scifi para ficar completa depende mesmo muito da combinação som/imagem e a parte do som foi também o que faltou em qualidade quando o vi na minha cópia sacada de um torrent antes.

THE BEYOND_12 THE BEYOND_13

[“THE BEYOND“] é pura ficção-científica. E mais uma vez, volto a dizer se calhar não será coincidência estarmos de novo na presença de mais outro título do cinema Europeu e não de mais outro blockbuster de Hollywood. Algo que parece ter contribuído também para muitos dos comentários do público no IMDb, pois se calhar muita gente esperava uma espécie de Transformers ou algo assim visto que [“THE BEYOND“] também envolve “robots” gigantes – “tripulados” – por seres humanos… mas não da maneira que muita gente se calhar estava à espera.

THE BEYOND_06 THE BEYOND_03

THE INTERSTELLAR ARRIVAL

Quando uma estranha anómalia no espaço é detectada, a ciência conclui que estaremos na presença de um primeiro contacto com uma civilização extra-terrestre, isto porque na mesma altura aparecem nos céus de todo o mundo uma verdadeira invasão de objectos que aparentam estar apenas ali; à espera. Quem são ? Porque vieram ?
Com isto entramos em território familiar já explorado em “ARRIVAL“. Se são o tipo de público que gostou desse excelente filme de ficção-científica então irão adorar [“THE BEYOND“].

THE BEYOND_09 THE BEYOND_14

Para que a humanidade consiga viajar através desse – worm hole – ou provável – stargate – e obter respostas àquilo que parece ser um convite, a única forma é se os primeiros voluntários se submeterem a um processo que mistura o corpo humano com tecnologia, sabendo de antemão que nunca mais poderão voltar a ser humanos mas que ao mesmo tempo se tornarão quase super-herois em termos do poder que poderão alcançar. É essa a única forma do ser humano conseguir sobreviver à viagem e como tal logo muitos voluntários começam a surgir com o propósito de se tornarem no primeiro ser humano a entrar em contacto com uma raça extra-terrestre. E aqui passamos à parte que se assemelha a “INTERSTELLAR” mas numa versão cyborg.
Portanto, se gostaram de ARRIVAL e acham que ficaria bem com uma pitada de “INTERSTELLAR” , não hesitem em espreitar este pequeno grande filme que conta com pouco mais de 80 minutos mas também parece muito maior no melhor dos sentidos.

THE BEYOND_21 THE BEYOND_17

THE NEWS

Como já referi, [“THE BEYOND“] não é um filme “normal”. Imaginem um documentário e é isto que irão ver neste filme pois não está filmado com uma narrativa clássica tradicional mas sim como se estivessemos mesmo a ver imagens recolhidas no local, clips de arquivo, etc. Talvez tenha sido por isto que não me cativou da primeira vez e tanta gente também ataque o filme online.
[“THE BEYOND“] é essencialmente um falso documentário e é assim que têm que partir para ele. Esqueçam todas as convenções de cinéfilia, deixem-se levar por este falso universo e garanto-vos que ficarão agarrados.

THE BEYOND_16 THE BEYOND_15

THE FINAL FRONTIER

[“THE BEYOND“] é sobre isto, a fronteira final. Não apenas no que toca ao que nos espera no universo mas também sobre aquilo em que a humanidade se precisa tornar para que um dia consiga mesmo viajar no espaço, isto porque o facto de vivermos e estarmos biológicamente adaptados apenas a este planeta é no fundo aquilo que impede que exploremos mais longe e torne tão dificil a humanidade abandonar o seu berço neste sistema solar.
O filme explora imensas questões, vocês vão ficando a gostar dos “personagens” e depois ainda que brevemente ainda evolui para um daqueles títulos de ficção científica que são ideais para todos aqueles que procuram histórias sobre exploração e primeiros contactos.

THE BEYOND_02 THE BEYOND_04

O design do filme é fantástico a todos os níveis, os sets ou localizções reais são perfeitas e os efeitos especiais são surpreendentemente bons e perfeitamente capazes de so fazer esquecer que estão a ver um filme independente Europeu Inglés e não um blockbuster Norte Americano.
Leva logo também pontos adicionais pelo seu final. Embora muito breve para grande pena minha ( pois queria mesmo saber mais sobre o que poderá acontecer a seguir ) , a verdade é que pelo menos no caso de [“THE BEYOND“] , o espectador pode ficar descansado. [“THE BEYOND“] não é outro daqueles títulos “found-footage” que leva o tempo todo a criar mistério com coisa nenhuma e depois chega ao fim e deixa-nos pendurados com fins inconclusivos.

THE BEYOND_05 THE BEYOND_11

[“THE BEYOND“] tem um óptimo final aberto. Responde a tudo o que constroi em termos de suspense e mistério ao longo da sua narrativa de falso documentário e só fica incompleto em termos de história porque como disse, isto seria na boa o início de uma série de televisão scifi com muito boas ideias e com muito para desenvolver a partir daqui. Não me admirava nada que um destes dias ainda aparecesse algo baseado neste filme.

——————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Dêem uma oportunidade a [“THE BEYOND“]. Se calhar… dêem uma segunda oportunidade até. Entrem nisto logo à espera de ver algo num estilo documentário e não esperem “um filme”. Se o fizerem e partirem para [“THE BEYOND“] apenas procurando por uma boa história de ficção-científica sobre exploração espacial e primeiro contacto com extraterrestres não tenho dúvidas de que irão gostar mesmo muito disto tal qual eu gosto deste filme agora. Aliás , este é um daqueles títulos que insiste em não me sair da cabeça. Se calhar porque há actualmente tão pouca ficção-científica saída de Hollywood digna desse nome que o facto desta estar cada vez mais a ser produzida independentemente na Europa ainda torna todos estes títulos mais fascinantes.
[“THE BEYOND“] é certamente um deles.

Cinco Planetas Saturno

   

Não ganha um Gold Award… porque apesar de tudo, cinemáticamente falando, isto é um documentário e não é  própriamente “um filme”. O – found footage – embora bem usado acaba por remeter este scifi para um nicho que o limita um bocado enquanto obra para cinema.

A favor: a história, o conceito, o mistério do que está para lá do portal, o design, o som, a fotografia, as interpretações, a realização, o final da história. Deixa-nos com vontade de saber mais.

Contra: o estilo found-footage limita-o bastante naquilo que poderia ter sido embora se compreenda que este tenha sido o formato certo até para se poupar algum dinheiro na produção certamente. Deixa-nos com vontade de saber mais.

—————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

—————————————————————————————————

IMDb
https://www.imdb.com/title/tt5723416/

—————————————————————————————————

Se gostou deste, poderá gostar de :

capinha_moontrap capinha_MOON 44.jpg capinha_solaris capinha_cargo capinha_CHILDHOODS-END.jpg capinha_2010.jpg

——————————————————————————————————

 

 

“MR. NOBODY : THE EXTENDED VERSION” (“MR. NOBODY : THE EXTENDED VERSION”) Jaco Van Dormael (2009) BELGICA / ALEMANHA / CANADA / FRANÇA / INGLATERRA / EUA

[“MR. NOBODY”] pertence àquela estranha categoria de filmes extraordinários que 99% do público odeia simplesmente porque está tão irritado por não ter percebido nada do que viu que a única opinião que podem ter sobre um título assim é de puro desprezo.
Como alguém diz numa review, [“MR. NOBODY”] é como um quadro de Picasso; absolutamente brilhante para quem está ligado à pintura e uma merda do pior para o restante público que se está pouco borrifando para o contexto “artístico” ( ou “elitista” ) da obra em questão.
Por isso este é um daqueles filmes que tem gerado tantos elogios quanto ataques; praticamente em igual número.

MR NOBODY_03

Especialmente quando ainda por cima visualmente filmes como [“MR. NOBODY”] conseguem ser uma obra prima e absolutamente únicos dentro de um certo contexto. 
Temáticamente é um filme incrivelmente arriscado e apesar de pelo trailer até ficarmos com a ideia de que isto será algo dentro do mainstream a verdade é que [“MR. NOBODY”] é tudo menos isso.
[“MR. NOBODY”] é um verdadeiro raro exemplo de como o – Cinema de Autor – ( mais profundo, denso e hermético ) pode na realidade ser apresentado às audiências mainstream sem que estas percebam que não estão a ver o tipo de filme que pensavam que iam ver; pelo menos até que temáticamente e estruturalmente as coisas se começam a complicar lá para o meio da história.

MR NOBODY_04

STRING THEORY

Isto porque aquilo que à partida parece vir a ser uma espécie de reboot para “BUTERFLY EFFECT” e um filme com momentos muito carismáticos e divertidos ao início logo começa a dar indícios daquilo que realmente é; uma história extremamente séria , densa e particularmente científica sobre a multiplicidade de mundos, String Theory e física quântica. Tudo embrulhado em várias histórias de amor com um sabor aparentemente mainstream que se intercalam com universos futuristas do melhor em termos conceptuais que poderão encontrar na ficção-científica cinematográfica.

MR NOBODY_57 MR NOBODY_88

[“MR. NOBODY”] é um filme muito complicado por debaixo da sua capa aparentemente simples e até incrivelmente luminosa.
Ao longo das suas quase três horas de duração ( relativas à excelente “EXTENDEND VERSION” ) por detrás das suas aparentemente simples histórias de amor; ( ou variante de uma única do ponto de vista do personagem central ), [“MR. NOBODY”] atira-nos com conceitos científicos particularmente complexos que serão totalmente enigmáticos e incompreensíveis para quem não se interessar seriamente e conhecer pelo menos um bom bocado sobre o que se passa no mundo científico actual ao redor da String Theory. Como tal, para o comum espectador que se apanhar desprevenido a tentar apreciar [“MR. NOBODY”] apenas pela suas qualidades enquanto produto de bom cinema “comercial” tentar perceber o que raio se passa nesta história logo se tornará verdadeiramente impossível.

MR NOBODY_16 MR NOBODY_84

Não que [“MR. NOBODY”] pelo meio não intercale uma montanha de pistas e explicações sobre o que estamos a ver, mas elas estão de tal forma bem integradas na narrativa central que mesmo sendo atiradas – in your face – ao espectador, pelo menos 99% das pessoas nem irão notar.
Isto porque 99% das pessoas aproveitarão esses momentos “de pausa” na história para tentarem perceber por si próprias o que raio se estará a passar neste argumento e subsequentemente não estarão de todo a dar a atenção às explicações que o personagem de Jared Leto apresenta directamente ao público em inúmeros momentos desta narrativa incrívelmente complexa.
Tão complexa como a própria ideia da existência de uma multiplicidade de mundos em pelo menos 11 dimensões matemáticamente demonstráveis que a própria física quântica hoje apresenta.

MR NOBODY_91 MR NOBODY_90

Para complicar as coisas, [“MR. NOBODY”] o filme, atira essas pistas e explicações mas não as dá de bandeja e como tal este não é o tipo de aventura de ficção-científica que a partir de determinado momento tem o típico personagem a explicar o que se passa em diálogos expositórios que só lá estão para sossegar as audiências.
Por isso [“MR. NOBODY”] é tão odiado por algum público que afirma absolutamente irritado que esta história não faz sentido nenhum nem tem qualquer final lógico.

MR NOBODY_92 MR NOBODY_39

COSMOS

Está tudo lá.
[“MR. NOBODY”] não se poupa em explicações na verdade, apenas não o faz de uma forma que é evidente; particularmente em relação ao final.
Isto porque apesar do que acontece no fim estar logo devidamente explicado minutos antes em mais um segmento em que Jared Leto expõe a temática científica que se seguirá , mais uma vez muito pouca gente irá prestar atenção.
Especialmente quando já se passaram duas horas e meia de coisas que à primeira vista parecerão totalmente inexplicáveis, ilógicas e sem qualquer sentido.
Por isso muita gente acusa [“MR. NOBODY”] de não passar apenas de mais um daqueles Filmes de Autor ultra pretensiosos que trocou uma história por “ARTE” conceptual cinematográfica.
Ora eu também já tive a minha conta desses… e posso garantir-lhes que [“MR. NOBODY”] não é um filme assim.

MR NOBODY_93 MR NOBODY_24

Se [“MR. NOBODY”] é uma história absolutamente incompreensível para 99% do público é apenas pela simples razão de que as audiências modernas estão habituadas a não precisarem de pensar durante as sessões de cinema; por muito “confuso” que um filme lhes pareça toda a gente espera sempre que no final “alguém” lhes explique afinal o que se passou e concluir a história, normalmente com uma cena de porrada a seguir.
Ora [“MR. NOBODY”] não usa esse “método” de explicação.
O que não quer dizer que toda a sua história não esteja bem detalhada ao longo do filme todo.
Mas o problema para o comum espectador está precisamente aí; logo desde o início este leva com – a explicação – daquilo que irá acontecer ao longo da história e até no final; muito antes de vermos acontecer o que quer que seja no filme pois essa é a estrutura deste argumento.

MR NOBODY_29 MR NOBODY_64

Como não podia deixar de ser nesta temática científica em particular, a forma como o tema do – TEMPO – é tratado tem bastantes semelhanças com “ARRIVAL”  recentemente odiado pelo mesmo tipo de público que não tem qualquer base ( ou intenção de se esforçar ) para entender a história de mais esta narrativa puramente scifi em modo adulto.
Em vez de explicar depois ( como toda a gente espera ) aquilo que vimos; [“MR. NOBODY”] explica antes das coisas acontecerem; ( o que inclusivamente tem a ver com a própria temática ao redor da vida do personagem “Mr.Nobody” ) e como tal está perfeitamente enquadrado no tipo de história que [“MR. NOBODY”] o filme tem para contar.

MR NOBODY_94 MR NOBODY_95

SCIFI ADULTA

[“MR. NOBODY”] é também por tudo isto, um daqueles filmes que se pode dizer que se enquadram verdadeiramente dentro da ficção-científica mais hardcore e séria; apenas não parece estar filmado como tal.
Na verdade ao longo das suas quase três horas percorre imensos registos e todos brilhantemente conseguidos, que sabe-se lá como se misturam numa narrativa central de forma perfeita.
Começa como sendo uma espécie de história passada num mundo “Blade Runner” moderníssimo, passa a comédia quase ao melhor estilo inglês com algumas características de Terry Gilliam, entra por alguns momentos Tim Burton até, passa a história de amor adolescente, passa a drama denso, muda para história de amor adulta, entra por tragédia, salta para ficção-científica ultra futurista, passa por viagens ao passado transportando-nos à pré-história, viaja até Marte, volta de novo a história de amor e termina em modo futurista quando todo o universo se prepara para fazer reboot.
Ou seja, se gostam de filmes-puzzle têm aqui muito com que se entreterem.

MR NOBODY_83 MR NOBODY_05

Nota alta também para a excelente banda sonora; não só a orquestral mas principalmente a forma como se usam as músicas dos anos 50 e em particular “Mr Sandman”; … send me a dream... para criar atmosfera e situar muita da acção em contexto. Na primeira metade do filme a utilização da música é quase uma personagem por si própria e isso cria ainda mais a sensação de que o filme até é mais ligeiro do que na realidade é.

MR NOBODY_18 MR NOBODY_66

ATLAS DAS NUVENS

Se adoraram “CLOUD ATLAS” e mesmo aí já pensaram que a história era particularmente complexa então nada os irá preparar para o que irão encontrar em [“MR. NOBODY”].
[“MR. NOBODY”] é uma espécie de versão mais séria de “CLOUD ATLAS”; enquanto que o filme dos irmãos Washowski assentava essencialmente sobre o princípio da reencarnação e de que forma o nosso Karma é determinante para a nossa viagem através da existência, [“MR. NOBODY”] é isso multiplicado por vários universos e realidades paralelas; tanto no passado, no presente e no futuro ao mesmo tempo. 
Pensem nas histórias de “CLOUD ATLAS” mas acontecendo todas “ao mesmo tempo” em vários universos paralelos simultâneos que são gerados de cada vez que um personagem faz uma escolha. É este o nível de complexidade do argumento de [“MR. NOBODY”].
E como tal, não é para todos.

MR NOBODY_82 MR NOBODY_19

O que não quer dizer que no fundo até não seja mainstream. Apenas é um mainstream que num mundo ideal seria a norma onde a ficção-científica que saia para o cinema seria sempre baseada em conceitos realmente inteligentes e relevantes.
Não é mainstream no sentido em que as audiências hoje em dia foram transformadas por Hollywood num bando de carneiros obedientes. As mesmas ovelhas que precisam do seu divertimento simplificado e da sua “ficção-científica” com tudo muito bem explicadinho no final para dar tempo a que a malta vá morfando o milho sem se importar muito com o que está a ver; até chegar ao momento em que decidem baseada na explicação mais simples que Hollywood inventar para cada história se irão – gostar – ou não do filme que pagaram para ver.
Neste contexto, não admira portanto que manadas de espectadores tenham abandonado as salas de cinema a meio de [“MR. NOBODY”] ; pois parece que o filme não se percebe bem nem nada…

MR NOBODY_72 MR NOBODY_74

QUÊ ?!

Eu sou o primeiro a admitir que não estava nada à espera disto. Também a mim me custou a entrar na história e eu interesso-me por demais pelo tema da Sting Theory.
No entanto eu próprio quando vi [“MR. NOBODY”] pela primeira vez ( na versão curta teatral ) tive muita dificuldade em perceber, principalmente o que tinha visto no final. Neste aspecto a versão longa é melhor pois há mais tempo de exposição para os pequenos pormenores que depois tornarão o nosso raciocínio sobre este filme muito mais simples.
Porque como disse, [“MR. NOBODY”] apesar de ser incrivelmente complexo num contexto a que estamos habituados a ter o cinema de ficção-científica servido de bandeja, no fundo… no fundo até é bastante simples.
Apenas temos que prestar mesmo muita atenção desta vez.
É porque desta vez está lá tudo.

MR NOBODY_76 MR NOBODY_10

Não se deixem desmotivar por aquelas opiniões que acusam [“MR. NOBODY”] de não passar de um – Art House – armado em inteligente para intelectuais de café. Desta vez não é o caso.
[“MR. NOBODY”] é um filme inteligente sem dúvida nenhuma e de certa forma só isso já basta para que muita gente fique extremamente frustrada consigo mesma por não ter percebido nada do que viu.
A culpa não é do filme desta vez.
Querem ver um bom exemplo de uma merda incrivelmente nojenta dentro do pior estilo cinema de autor Art House ?… Espreitem isto —“VISAGE”— e depois comparem. “VISAGE” é cinema de autor elitista armado em inteligente. Tão bom quanto uma performance “conceptual” da Yoko Ono numa galeria de Nova York.
Comparar [“MR. NOBODY”] a coisas abjectas assim só porque é apenas uma boa história de ficção-científica contada de forma séria e adulta é absolutamente injusto da parte de quem acusa este filme de não passar de um mau exercicio dentro do chamado cinema de autor. Neste caso não tem nada a ver. Nem sequer visualmente.

MR NOBODY_73

WHO WANTS TO LIVE FOREVER ?

[“MR. NOBODY”] conta a historia não apenas do último velho que existe no planeta Terra como acima de tudo do ser humano mais velho, pois este conta já com 118 anos de idade.
Elevado ao estatuto de estrela mundial, “Mr.Nobody” é o centro de um novo reality-show halográfico que irá decidir através das votações dos espectadores se o senhor deverá deixado sozinho para morrer de causas naturais ou se a moderna tecnologia médica o irá rejuvenescer substituindo-lhe essencialmente todos os orgãos como é comum nesse tempo futuro onde já ninguém morre de causas naturais há décadas.

MR NOBODY_51 MR NOBODY_30

O problema é que ninguém sabe quem “Mr Nobody” é. A sua identidade é desconhecida pois estranhamente não consta de nenhum arquivo mundial sequer e o próprio devido à sua idade avançada não pode fornecer a resposta na totalidade.
Um dia, um jornalista introduz-se no quarto de hospital de “Mr Nobody” para o entrevistar e procurar saber mais sobre ele antes da votação final das audências visto que a medicina não conseguiu arrancar nada de concreto sobre o passado do ancião.

MR NOBODY_08 MR NOBODY_42

A THEORY OF MANY WORLDS

O que se segue em [“MR. NOBODY”] é pois uma sucessão de acontecimentos narrados pelo velhote ao jornalista que ainda fica mais baralhado. Isto porque o que “Mr.Nobody” narra não são factos sobre o seu passado, mas sim sobre uma sucessão de vidas passadas que parecem não encaixar em lado nenhum.
Qual das histórias narradas será a verdadeira história do passado de Mr.Nobody ?…
Será tudo uma fantasia provocada pela demência avançada do homem mais velho do mundo ?…

MR NOBODY_09 MR NOBODY_71

Essencialmente é este o ponto de partida simples para uma das histórias mais complexas sobre multi-universos paralelos que poderão ver em cinema.
Imaginem um “BUTERFLY EFFECT” mas num tom mais sério e dramático; para não dizer científico e estarão perto do que [“MR. NOBODY”].
Se gostaram de “BUTERFLY EFFECT” ( o primeiro, não as sequelas parvas ) então irão gostar de [“MR. NOBODY”].
Apesar deste ser bem mais elaborado o tom e a temática não deixa de ser semelhante e como tal irá agradar a toda a gente que gosta de bons conceitos à volta de tudo o que é actual relativamente à String Theory.

MR NOBODY_68 MR NOBODY_49

A LOVE STORY



A realização é fabulosa. É tão boa que nem há mais para dizer. Alguém que consegue organizar o caos temático que é este argumento e ainda por cima nos apresenta algumas das imagens mais bonitas que já apareceram na ficção-científica é alguém a ter muito em conta.
Pessoalmente nunca tinha ouvido falar deste Jaco Van Dormael mas consta que será um realizador Art-House com bastante relevância no meio cinematográfico independente.

MR NOBODY_63 MR NOBODY_12

As interpretações são outro dos pontos altos de [“MR. NOBODY”] a começar por Jared Leto que nasceu para este tipo de cinema e quanto a mim tem aqui a interpretação da sua carreira pelo menos do que vi até agora do seu trabalho.
Tivesse Jared Leto tido um personagem como este em “BLADE RUNNER 2049” e essa sequela teria sido ainda mais perfeita do que foi na minha opinião.
A interpretação de Leto como “NEMO” neste filme é o que o faz funcionar tão bem.

MR NOBODY_21 MR NOBODY_81

O resto do elenco é por demais excelente para mencionar toda a gente. Até o elenco infantil e juvenil é simplesemente incrível e não há cena que não seja absolutamente deslumbrante a muitos níveis.
E [“MR. NOBODY”] precisava mesmo de actores assim para funcionar. Isto porque para lá da sua vertente intensamente científica dentro da String Therory o filme conta uma série de histórias de amor absolutamente emocionais que nas mãos de um mau elenco teriam tornado tudo uma tragédia. Não aqui.

MR NOBODY_56 MR NOBODY_50

CALEIDOSCÓPIO 


[“MR. NOBODY”] é um filme tão cativante que não vale apenas pelo aspecto sci-fi como acima de tudo tem uma enorme alma por detrás no que toca á forma como caracteriza as relações entre os personagens. As histórias de amor são do melhor, o drama é a cola que junta tudo numa enorme narrativa coerente apesar de não o parecer à primeira vista e portanto se procuram um título profundamente humano alicerçado numa base de ficção-científica têm em [“MR. NOBODY”] uma escolha excelente, que embora díficil de digerir se partirem para isto desprevenidos é no entanto quase , quase tão bom quanto eu acho que “CLOUD ATLAS” o foi e continua a ser.

MR NOBODY_25

Visualmente para lá de tudo o que tem a ver com o tipo de cenografia e estética “normal”, como se essa já não fosse absolutamente notável ( vários directores de fotografia para os vários segmentos passados em cada mundo diferente ); [“MR. NOBODY”] conta ainda com um concept design de produção excelente na sua vertente puramente scifi.
O mundo terrestre futuro é um espanto pela luminosidade e detalhe que mostra, as cenas no espaço a bordo da nave colonizadora são visualmente um estrondo em termos conceptuais pelas ideias simples mas muito imaginativas que apresenta e as breves cenas em Marte têm montes de atmosfera num estilo que faz com que [“MR. NOBODY”] ainda tenha mais variedade para mostrar.
Já agora até em termos de caracterização a versão idosa de Leto está realmente muito bem conseguida.

MR NOBODY_80 MR NOBODY_20

Acreditem-me não será por falta de coisas para ver que se irão aborrecer nesta história.
Um grande filme de ficção científica independente que embora não seja para todos os tipos de público tem no entanto imensos atractivos para uma variada gama de espectadores. Quem gostar de ver ambientes scifi tem aqui com que se entreter, quem gostar de filmes puzzle idem e quem for para isto apenas pelas histórias de amor tem aqui uma das melhores dentro da ficção-científica; ( com imensas semelhanças a “5CM PER SECOND“, o que não podia ter sido melhor) .

MR NOBODY_41 MR NOBODY_54
É também um daqueles filmes que pedem múltiplas visualizações pois de cada vez que o revemos encontramos um detalhe novo que aos poucos e poucos tal como acontece com “CLOUD ATLAS” irá demonstrar que se calhar [“MR. NOBODY”] até nem é tão complicado assim.

——————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Depois de tudo o que já disse só posso mesmo recomendar [“MR. NOBODY”].
Embora com reservas. Se estão habituados aquela ficção-cientifica que vai de A a B e onde alguém explica no final o que se passou culminando tudo numa conclusão bastante evidente, esqueçam. Nem percam tempo pois [“MR. NOBODY”] não é para vocês.
Se no entanto gostam mesmo muito de ficção-científica, especialmente literária e sentem sempre falta de algo realmente para adultos no mercado cinematográfico actual então não hesitem pois [“MR. NOBODY”] é uma das melhores e mais desconhecidas propostas que andam por aí já há algum tempo produzidas com capital Europeu; para variar…
um argumento assim jamais teria luz verde em Hollywood.

Cinco Planetas Saturno

    

Só não leva um Gold Award porque se eu tiver inevitavelmente que o comparar com “CLOUD ATLAS”, Cloud Atlas para mim é superior ( para além de ser um dos meus filmes favoritos de todos os tempos também ).
No entanto [“MR. NOBODY”] é um “segundo lugar” extraordinário dentro deste tipo de histórias cosmológicas muito bem pensadas e que tirando talvez “INTERSTELLAR”, ultimamente não se encontram muitas vezes para frente escritas e pensadas para um público acima de tudo adulto. Especialmente para o público que gosta e perceba alguma coisa de String Theory e que goste MESMO de boa ficção-científica intensamente criativa e inovadora.

A favor: a história, Jared Leto, todo o elenco, a diversidade visual, a realização, as histórias de amor, todas as cenas no mundo futuro e passadas em Marte, o design e efeitos, a complexidade, é sci-fi adulta da boa, Cinema de Autor do melhor e nada pretensioso.

Contra: não será de todo um filme para o espectador típico que espera encontrar um scifi com tudo muito evidente. Há quem odeie o filme apenas porque se sente estúpido por não ter percebido nada dele. Não é o filme de autor intelectualoide e ilógico que muita gente acusa ser.

——————————————————————————————————

SOBRE O FINAL:

Podem ter a certeza que [“MR. NOBODY”] é mesmo um daqueles filmes para rever principalmente se quiserem mesmo assimilar o que se passa no fim pois à primeira visão poderão ficar um bocado a olhar para o écran.
Essencialmente [“MR. NOBODY”] é sobre “ENTROPIA” e se desconhecem o termo procurem-no; embora esteja bem definido no filme por Jared Leto antes do fim.
Tenham em atenção a explicação que o personagem apresenta antes do último acto da história e irão perceber muito mais claramente aquilo que ocorre nos minutos finais, pois tudo estará mais concluído do que aquilo que lhes irá parecer a uma primeira visão.
Recomendo que vejam então o filme e depois voltem aqui.

[“MR. NOBODY”] – A EXPLICAÇÃO DO FINAL :

Se já o viram e ficaram baralhados com tudo o que viram aqui fica aqui uma interpretação.
Faço minhas as palavras de alguém que também tinham mencionado algo semelhante algures pela net:

( sublinhem com o mouse os parágrafos a seguir para os lerem melhor. )

SPOILERS !!!
——————————————————————————————————
Ao longo da história… vamos acompanhando todas as consequências que cada escolha individual acarreta na forma como gera uma nova continuidade na linha temporal que foi gerada.

MR NOBODY_40 MR NOBODY_61

Devido ao facto de Nemo ( por antes de nascer não “ter tido a sua memória apagada” ) e portanto ter trazido para esta existência – o dom – de prever as consequências de cada decisão futura, este é incapaz de tomar uma decisão pessoal sem conhecer de antemão tudo o que cada uma delas irá provocar o que o coloca num eterno dilema de escolha pois tudo o que decidimos na vida acaba por ser uma opção entre o que há de bom e de mau. Tudo acontece inevitavelmente sempre em intermináveis variações independentemente de qual o caminho escolhido; apenas uns caminhos poderão ter coisas melhores que outros.

MR NOBODY_26 MR NOBODY_28

O filme mostra essencialmente todos os caminhos resultantes da decisão que Nemo tem que tomar aos 9 anos , quando deverá escolher na estação se quer ir embora com a mãe ou ficar com o seu pai. É por isso que Nemo já velho no futuro refere ao repórter que todos eles contêm personagens imaginários do seu ponto de vista de uma criança; embora a multiplicidade de mundos esteja activa a partir do momento em que estes são “imaginados” por alguém; mesmo fazendo parte dessa própria imaginação.

MR NOBODY_60 MR NOBODY_45



Muito disto em teoria está detalhado nas explicações e definições científicas que o Nemo jovem adulto vai apresentando ao público nas sequências passadas no estúdio de televisão.
Numa dessas explicações ao redor da Sting Theory , Nemo refere muitos detalhes sobre o BIG BANG e sobre o tipo de universo que este produz em teoria. Com o Big Bang todos nós vivemos num – Universo ENTRÓPICO – onde tudo parte de um caos em direcção a uma determinada ordem e a um determinado “ponto” até que tudo pára num único ponto temporal denso para lá da nossa imaginação e dá-se aquilo que para a física é teorizado como sendo – o BIG CRUNCH.

MR NOBODY_89 MR NOBODY_65

Com o Big Crunch o Tempo começará a correr na direcção inversa e tudo aquilo que foi desordem tornar-se-á em – Ordem. Todas as escolhas múltiplas, todas as ramificações geradas ao longo da existência “regular” do (Multi)Universo voltarão inversamente ao ponto de partida e a estarem unificadas numa única unidade ; (tempo, universo, “realidade” original, o que quiserem).

MR NOBODY_06 MR NOBODY_47

Quando no final de [“MR. NOBODY”] vemos Nemo a rir é porque ele se apercebeu de que não terá que fazer mais escolhas ou tomar mais decisões. Todas as possibilidades geradas por todas as potencialidades de cada escolha tomada ( ou por tomar ) voltarão inevitávelmente também – “ao tempo” – em que Nemo era criança quando corre atrás do comboio incapaz de tomar a decisão sobre com qual dos seus progenitores escolhe ficar.

MR NOBODY_13 MR NOBODY_70


Toda a sua vida a partir “desse momento” tinha sido consequência da impossibilidade de escolher um caminho ( porque viveu todos eles antes deste terem acontecido ) e como tal, agora que do seu ponto de vista também a sua existência está integrada no processo do BIG CRUNCH do seu ponto de vista ( não importa em que altura acabe por ter morrido ) , também tudo o que aconteceu deixa de ter importância pois todas as coisas boas e más de tudo o que compõem o (multi)-universo irão estar unificadas em algo que desafia a nossa própria compreensão mas que poderá muito bem ter a ver com o tipo de “realidade” exterior ao nosso Big Bang de onde Nemo saiu um dia para encarnar como ser humano ao ter escolhido os seus pais ( quando “o anjo (?) se terá “esquecido” (?) de lhe apagar a memória e a capacidade de observar a verdadeira natureza do tempo e do universo tal como ela é ).

The (Happy) End.

GRAPH

——————————————————————————————————
FIM DOS SPOILERS

E depois desta, digam lá se [“MR. NOBODY”] é ou não é uma boa história cosmológica ? Algo assim, é óbvio que não poderia deixar de gerar desprezo e raiva por parte do tradicional consumidor de pipoca que apenas queria ir ver uns socos e umas naves em CGI mas de repente apanha com uma história destas pela frente sem qualquer preparação psicológica; e nem sequer um Jornal – A Bola por perto para recuperar tentando ler os cabeçalhos em letras gordas nem nada, pá ! Vai um gajo ao cinema para isto porra !

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


——————————————————————————————————

COMPRAR BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO UK
(Versão normal com menos 10 minutos)

bluray

https://www.amazon.co.uk/gp/product/B005C4444C/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B005C4444C&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21&linkId=f466e4cd2e1a9b43deeb529b072c65f4

——————————————————————————————————

MR NOBODY_02

IMDb

http://www.imdb.com/title/tt0485947

——————————————————————————————————

Se gostou deste ou da temática string theory poderá gostar de:

capinha_5-cm-per-second capinha_Cyborg She.jpg capinha_COLLATRALBEAUTY.jpg Il Mare Be With You capinha_CHILDHOODS-END.jpg capinha_COHERENCE.jpg capinha_CLOUD ATLAS.jpg

——————————————————————————————————