“DRAGON NEST” (“Dragon Nest: Warriors’ Dawn”) Yuefeng Song (2014) China

Se espreitarem a minha review para [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] no IMDb, hão de notar que lhe atribuí a incrível classificação máxima de 10 estrelas.
Muita gente pensará que fiquei maluco, pois o que não faltam por aí são animações muito superiores tecnicamente ou no que quer que seja. Como raio me atrevi a dar uma nota tão alta a este filme no Imdb quando nem sequer aqui lhe irei atribuir a nota máxima ?
Bem, é tudo uma questão de contexto.
Passo a explicar.

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[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] quando comparado com o que de melhor se faz com muito dinheiro, se calhar não vale mesmo uma classificação tão alta.
A mim surpreendeu-me precisamente porque [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] não sendo uma produção de orçamento milionário atinge mesmo assim alguns patamares de qualidade ao longo de toda a narrativa; patamares esses, que se calhar nem precisaria de atingir se o objectivo fosse apenas o de criar um desenho animado para vender aos putos em dvd mais tarde.

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Não só este filme consegue ter momentos de grande adrenalina como consegue o impossível de contar uma história com personagens interessantes de acompanhar, sem se desviar um milímetro do típico cliché Dungeons & Dragons que já vimos mil vezes e que normalmente é logo garantia de que o resultado será um lixo.
Surpreendentemente não desta vez !
O que na minha opinião, torna [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] num excelente exemplo de como se calhar pode haver bons resultados até mesmo com uma história já vista mil vezes.

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Está tudo na execução; principalmente na realização e este caso é particularmente interessante, pois a ultima coisa que eu esperava quando comecei a ver isto é que uma animação de segunda linha com um argumento já mil vezes batido e ainda por cima baseado num videogame fosse alguma coisa de jeito. E muito menos fosse apelativo para adultos.

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MMORPG

Sim para quem não sabe, [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é baseado num popular mmorpg chinês chamado precisamente “Dragon Nest” e que eu próprio joguei algumas vezes online durante algum tempo. Não costumo ter tempo ou paciencia para videogames online (e detesto jogar em computador), mas este “Dragon Nest” cativou-me pelo aspecto gráfico, pois desde o início sempre criou um mundo de fantasia bastante baseado num estilo de desenho animado que me atrai particularmente enquanto ilustrador.

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Foi precisamente esse mesmo estilo visual a fazer lembrar um livro de contos ilustrados, que me fez ir espreitar o filme quando descobri que existia. Isso e o facto de ser uma produção de animação chinesa.
Apesar de também contar com capital americano, a execução é essencialmente made-in-china e logo isso deu a [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] um estilo diferente daquilo que estamos habituados a ver no típico cinema de animação ocidental ou saído de hollywood.

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Numa altura em que a maioria das produções de fantasia, particularmente em desenho animado segue sempre a mesma história já vista milhares de vezes, na verdade eu não esperava grande coisa quando comecei a ver o filme, mas logo desde os primeiros minutos houve algo que notei de especial nele.
O que me chamou a atenção foi precisamente o facto de [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] ser um filme de acção intensa e totalmente non-stop desde o inicio. Normalmente isto é logo sinónimo de grande seca e repetição constante, mas desta vez o que achei extraordinário logo desde os primeiros minutos é que a acção não estava lá apenas para impressionar mas serviu principalmente como veículo narrativo para contar a história. E isso é muito dificil de se fazer. Mais ainda é haver verdadeiro desenvolvimento de personagens enquanto as cenas de porrada mais caóticas acontecem no ecran.

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A STORYBOOK STORY

Resumindo, logo desde o início [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] surpreendentemente não me pareceu de todo um filme vazio, destinado apenas a entreter as crianças.
Havia aqui algo muito interessante para agarrar o adulto que gostasse de cinema e principalmente o adulto que se interessar por ilustração pois o conteúdo visual desta história é particularmente fascinante pelo seu estilo storybook ao longo de toda a aventura.

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É verdade que a história deste filme é tudo menos original, os personagens são todos sem excepção apenas o típico cliché do D&D ou dos jogos de MMORPG, mas surpreendentemente funcionam muito bem desta vez pois quem dirigiu isto sabe perfeitamente como tirar partido daquilo que parece banal a uma primeira visão.
É quase como se esta animação tivesse sido realizada por um bom director de actores que percebe que a magia não está apenas nos efeitos ou nas cenas de aventura mas principalmente nos personagens.
Surpreendentemente [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] contém personagens com grande carísma e era a última coisa que eu esperava.

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Cada uma das suas personalidade cliché está muito bem integrada na narrativa central e cada desenvolvimento de personagem marca um ponto importante na história, serve como reviravolta ou apresenta uma revelação importante. Se isto não tivesse sido assim, um filme como este teria sido uma seca infantil descomunal, pois de certeza que teriam apresentado os poderes da cada personagem, apresentavam a missão e depois o resto seria uma sucessão de cenas de porrada estilo D&D intermináveis até ao confronto final com o vilão do costumo e pronto, the end.
Não em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”].

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A ACÇÃO CONTA A HISTÓRIA

Em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] as cenas de acção são a cola que une toda a estrutura da história. Não só funciona, como  vão evoluindo até se tornarem absolutamente extraordinárias pela adrenalina que conseguem transmitir, especialmente nas cenas de grande batalha. Todas as cenas de acção são diferentes, muito imaginativas em termos de coreografia e acima de tudo muito bem realizadas; tudo ajudado por uma montagem excelente que se calhar passa despercebida.

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Pode-se dizer que [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um verdadeiro filme de acção e muito cinema live-action deveria aprender aqui como se usam cenas de porrada pura e dura para fazer avançar uma história sem precisar de ser uma parvalheira sem qualquer conteúdo ao pior estilo Michael Bay por exemplo.
Tomara muito cinema de Hollywood saber usar a acção como esta quase anónima produção de médio orçamento chinesa o sabe fazer.
Nenhum fotograma se perde e tudo tem um propósito na narrativa da aventura mais estereotipada que vocês alguma vez poderão ver tão bem estruturada.

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Isto é um filme muito bem planeado meus amigos.
Pode parecer apenas mais outro filme para criancinhas mas [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é realmente um produto comercial muito bem realizado.
A última coisa que eu esperaria de um filme animado obscuro baseado num videogame que nem sequer é particularmente popular por estas bandas.
Foi um dos melhores filmes de acção que vi no ano passado e não estava nada à espera disto.
Na verdade já ando para recomendar esta aventura há muitos meses por aqui, mas queria voltar a ver o filme para ter a certeza que não tinha imaginado coisas.
Desde lá já o revi quatro vezes e continua a divertir-me plenamente com as suas qualidades. Sendo assim estava na altura de o recomendar por cá.

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Em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] todos os personagens criam uma empatia com o espectador e realmente nos importamos com eles em todas as cenas de batalha em que se envolvem pois nada nos garante que não morram a seguir e isso foi uma das coisas que mais gostei nesta produção animada. Ainda estou a tentar perceber como os criadores desta animação que mal tem 80 minutos conseguiram encontrar forma de dotar os bonecos com tanta vida. Especialmente quando em pelo menos 85% do filme temos cenas de acção e aventura carregadas de adrenalina e humor.
À primeira vista não haveria espaço para desenvolvimento de personagens no sentido mais tradicional, onde normalmente a acção pára para que aconteçam momentos de exposição e no entanto não é pelos personagens que este filme iria afundar. Quem filmou isto sabe como contar uma história.

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CINEMA ORIENTAL NO SEU MELHOR

[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é mais um bom exemplo de como o cinema oriental sabe criar personagens realmente humanos que criam verdadeira empatia com o espectador e contam com um carisma absolutamente natural até quando não passam de bonecos animados como é o caso. O cinema oriental mostra bem como se criam personagens com que nos importamos, até mesmo quando estes são um dragão que mal tem um par de linhas de diálogo para dizer.

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No seu todo, acho que [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um excelente filme de fantasia. Não tem um pingo de originalidade no que toca ao conceito ou a sua história, mas o que faz, faz mesmo muito bem e a sua originalidade está em conseguir fazer tudo resultar de uma forma que nos diverte e surpreende pela qualidade que foi aqui atingida mesmo quando tudo parece não passar de mais um daqueles desenhos animados destinados aos dvds de promoção no fundo das prateleiras em supermercados.
[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] devia ser um versadeiro case study de como se cria cinema de acção com alma independentemente de ser animação ou não.

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Os personagens são variados, os ambientes são perfeitos e apesar de não ter muita variedade ou mostrar um mundo muito grande, ainda conta com um par de boas paisagens de fantasia que ficam no olho e na memória pois em termos de design [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] soube ir buscar o melhor do estilo visual do jogo e expandir os melhores elementos o melhor que o seu orçamento o permitiu certamente.
No entanto em termos de geografia, sente-se alguma limitação, isto porque o seu mundo de fantasia parece muito bonito mas na maioria das vezes sentimos que estamos apenas a ver alguns vislumbres de um universo mais vasto que merecia ter sido mostrado e nunca nos é aberto como deveria ou merecia ter sido. Restrições de orçamento certamente.
De qualquer forma, eu adorei.
Só há uma coisa neste filme que eu detestei.
O final abrupto.

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WTF ?!

Estava a divertir-me à brava com isto, esperando por um epílogo final realmente impactante que tivesse a ver com todo o tom do filme quando de repente…ACABOU !
[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] acaba de uma forma tão repentina que sinceramente pensei que isto seria o primeiro episódio de uma série televisiva qualquer.
Soube agora ao preparar-me para esta review, que já existe uma sequela, pois o filme parece ter sido um sucesso lá pela China. Óptimo !
Review da sequela para breve.

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Muito provavelmente se procurarem por este filme irão apenas a versão dobrada em Inglés quando o seu original é em Mandarim. Na verdade a versão inglesa não me chateou particularmente. É diferente da original, mas ambas têm os seus pontos altos e baixos e ambas funcionam melhor numas alturas do filme do que outras. Neste caso será portanto uma questão de escolha. Se encontrarem a versão chinesa original , óptimo; se virem apenas a versão dobrada em inglés também não será por aí que deixarão de apreciar este pequeno filme que provavelmente passou ao lado de muita gente.
Até porque lembrem-se , [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é uma produção chinesa e não é anime japonês.

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Embora contenha óbvias influências de vários sítios , o facto deste filme não ser nem japonês nem americano, faz com que tenha um estilo diferente daquele que estamos habituados a ver e quanto a mim isso é excelente.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um excelente filme de fantasia para quem procura cinema do género, independentemente de ser desenho animado ou não e independentemente de ter a história menos imaginativa de todos os tempos.
Consegue superar tudo isso para nos dar uma aventura de animação que não irá aborrecer os adultos de morte (se se interessarem por fantasia) e ao mesmo tempo irá agradar às crianças.

Cinco Planetas Saturno

  

Tudo o que faz, faz muito bem e não precisava de o ter feito para ser um produto comercial rentável. Dizem que a sequela já não tem a mesma magia… a ver vamos… 😉

A favor: usa a acção para criar desenvolvimento de personagens e fazer avançar a história, os personagens são excelentes e criam grande empatia com o espectador, a história parece básica como o raio mas contém bons momentos de humor (até para adultos) que a fazem destacar-se da comum banalidade que encontramos neste tipo de aventura para crianças.
Boa animação (num estilo diferente), adoro o estilo gráfico e a cor, bons cenários, aventura divertida e um filme muito boa onda em todos os aspectos.

Contra: acaba de repente, algumas pessoas no IMDb parecem não perceber que animação de qualidade não tem que ser sempre igual ao que a Pixar faz e não há mal nenhum por o estilo visual de um filme se parecer com o que existe no video game original. Se para vocês o bom cinema não pode passar sem uma história original esqueçam este pois não tem um pingo de originalidade no seu argumento. Sente-se que o mundo de fantasia poderia ter sido mais mostrado no ecrã e no entanto as paisagens grandiosas são sempre algo limitadas talvez devido à falta de orçamento para criar mais detalhes para este mundo.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt2911342

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Comprar em Bluray 2 em 1 na Alemanha numa edição com os dois filmes.
Legendas em Inglés.

https://www.amazon.de/gp/product/B077Y829QZ/ref=ox_sc_act_title_2?smid=A3JWKAKR8XB7XF&psc=1

Comprar em Bluray só este primeiro filme com legendas em Inglés.
https://www.amazon.de/Dragon-Nest-Chroniken-Altera-Blu-ray/dp/B0711YBYG2/ref=pd_bxgy_74_img_2/261-1780846-5221111?_encoding=UTF8&pd_rd_i=B0711YBYG2&pd_rd_r=144ca7aa-3947-11e9-bff0-f5df5dbf7aa4&pd_rd_w=Q1zSk&pd_rd_wg=uvIf2&pf_rd_p=1ee75a10-e7c2-423a-9362-8396fcd2b687&pf_rd_r=7E3D198765D1KVPGB1DV&psc=1&refRID=7E3D198765D1KVPGB1DV

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“DREAMCHILD” (“SONHOS DE CRIANÇA” / “DREAMCHILD”) Gavin Millar (1985) Inglaterra

[“DREAMCHILD“] será talvez um dos mais fascinantes filmes esquecidos dos anos 80 e uma das produções mais peculiares dentro de um certo sub-género de – Fantasia – que saíram naquela altura. Além de ser particularmente original é também um filme que jamais seria produzido nos mesmos moldes hoje em dia se pensarmos no politicamente correcto e no puritanismo americano que imperam actualmente na Era Trump em 2018 em todo o “mundo americanizado“.

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Na verdade mesmo na época em que foi produzido penso que [“DREAMCHILD“] só se escapou a maiores polémicas porque é essencialmente cinema inglês, com um toque muito europeu e como tal Hollywood pôde simplesmente descartar-se de responsabilidades morais ou moralistas, atirando-o para um circuito VHS quando este título necessitou de uma major norte americana para garantir a tal boa distribuição mundial que não ocorreu.
[“DREAMCHILD“] é ainda hoje mencionado como título polémico pois mesmo tantos anos depois continua a ser um filme muito difícil de classificar; essencialmente porque para mal ou para bem o que fica desta curiosa semi-versão de “ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS” é uma extraordinária humanização da pedofilia.
No melhor e mais poético dos sentidos se é que alguém consegue imaginar tal associação.

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[“DREAMCHILD“] sempre foi um título polémico porque o seu argumento alegadamente inventou um monte de coisas ao redor dos factos que pretende retratar como verídicos. Não apenas a suposta viagem da verdadeira “Alice” aos EUA nunca ocorreu naqueles moldes, como também o filme inclui personagens que nunca existiram ligados à velha senhora ( a sua empregada e o jovem jornalista por exemplo ).

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Agora o que deixou mesmo muita gente desconcertada foi o facto de [“DREAMCHILD“] ilustrar uma velha teoria que muitos críticos literários preferiam ver esquecida e que propõe que por detrás da origem do romance “ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS” terá estado uma obsessão do escritor Lewis Carrol na altura já próximo dos 50 anos por uma criança do seu círculo de amizade que inspirou o personagem do clássico livro de uma forma menos inocente do que a própria verdadeira Alice alguma vez se terá apercebido na altura em que viveu os acontecimentos.

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LOVE IS..

Ainda hoje existem argumentações dos dois lados. De um lado, o Sistema que prefere apresentar Lewis Carrol como um génio literário perfeitamente inocente; embora esteja estabelecido historicamente que Lewis Carrol tinha mesmo queda para apreciar crianças de uma forma tão peculiar que até na sua própria época foi suficientemente notada para constar registada como referência até aos nossos dias. O mundo literário prefere olhar para esse detalhe como apenas uma curiosidade sobre um escritor que nunca se casou apontando que este apenas tinha um enorme carinho por crianças porque ele próprio seria uma – alma infantil – visto ter conseguido criar na sua imaginação um mundo como Alice… o que pelo visto significa que toda a gente que escreva livros para crianças só o deve conseguir fazer se for pedófilo …

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Do outro lado estão aqueles que afirmam que os relatos sobre a sua obsessão muito particular apontam para algo mais do que apenas para um solteirão de meia idade que gostava muito de crianças sem qualquer contexto sexual.
Ora [“DREAMCHILD“] mais do que ser sobre a origem do romance “ALICE” é principalmente sobre a forma como Lewis Carrol completamente apaixonado pela verdadeira “Alice” de 12 anos recorreu à escrita para a colocar num mundo só seu muito próprio.
É aqui que o filme brilha ao ponto da própria polémica continuar acesa até os dias de hoje e em [“DREAMCHILD“] a culpa é toda de Ian Holm.

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O extraordinário equilíbrio precário em termos emocionais representado por Ian Holm na pele de Lewis Carrol é o que torna [“DREAMCHILD“] tão ambíguo, perturbante e tocante ao mesmo tempo; especialmente hoje.
É que o argumento sem querer ou talvez não, não se escapa de colocar a questão no ar de forma particularmente óbvia. Poderá aquilo que hoje em dia é considerado uma atitude pedófila imediatamente condenada ter na verdade uma legitimidade emocional e não ser apenas um desvio psicológico ou sexual definido pela nossa própria moral moderna ?
[“DREAMCHILD“] arrisca em terreno perigoso e consegue a proeza de deixar o espectador num meio termo particularmente desconfortável em termos de opinião. E para isso conta com um brilhante Ian Holm para nos baralhar por completo.

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Nas mãos de outro actor se calhar teria sido fácil dizer que o filme seria uma apologia da pedofilia porque não há dúvida que o argumento humaniza por completo a obsessão ( sexual ? ) reprimida (?) de Lewis Carol pela jovem Alice Hargreaves e Ian Holm joga com esse perigoso equilíbrio a todo o instante para deixar o espectador tão desconfortável quanto simpatético para com o sentimento genuíno daquele solteirão tímido e reservado que ( alegadamente ) só vivia verdadeiramente quando estava a sós na presença de crianças.

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[“DREAMCHILD“] tem por base a torrente de sentimentos que afligem Lewis Carrol quando este percebe que a mãe de Alice se prepara para apresentar a sua jovem filha à sociedade de forma a conseguir-lhe um bom casamento logo que passe à adolescência. Em parte porque era regra na sociedade abastada da altura mas também, rezam as crónicas porque a própria mãe de Alice se começou a aperceber que a dedicação de Lewis Carrol pela sua filha tinha motivos mais óbvios e como tal não podendo descartar o escritor do seu círculo social a ideia foi mesmo a de começar a pensar arranjar pretendentes para Alice o quanto antes. Esta é outra parte polémica do argumento pois parece que é um dos pontos em que este vai buscar um detalhe que supostamente foi real.
Mas todo este segmento é apenas uma das metades do filme.

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ALICE HARGREAVES 1932

A outra metade desta história passa-se em 1932 e gira à volta da primeira viagem de Alice aos EUA já com mais de oitenta anos de idade, para estar presente numa homenagem a Lewis Carrol.
Esta sequência em [“DREAMCHILD“] é o motor de toda a história do filme e apesar de segundo muita gente estar incorrectamente representada em termos históricos é no entanto aparentemente um aglomerado de várias outras situações reais posteriores condensadas num só momento, com uma pitada de imaginação pelo meio por parte dos argumentistas.

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E é também aqui que [“DREAMCHILD“] brilha mais uma vez. Se no passado temos um Ian Holm inesquecível como Lewis Carrol, nas sequências situadas sete décadas depois temos uma Coral Browne absolutamente extraordinária como a velha Alice. Eu desconhecia por completo esta actriz mas a sua prestação como Alice Hargreaves é outro dos grandes trunfos do filme, o que equilibra muito bem as cenas “contemporaneas” em 1932 com as cenas no passado Victoriano muitas décadas atrás. Uma daquelas interpretações que se houvesse justiça nos Óscares teria sido nomeada para melhor actriz sem qualquer sombra de dúvida.

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IT´S…
NOT THE MUPPET SHOW…

[“DREAMCHILD“] é também um estranho produto dentro do cinema de Fantasia porque o filme inclui uma boa quantidade de bocados de “ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS” recriados no ecrã pela magia das criaturas da Jim Henson Creature Shop que entre “THE DARK CRYSTAL” e “LABYRINTH” teve tempo para construir todo o necessário mundo de fantasia de Alice in Wonderland para este filme.
Todas as sequências passadas no mundo imaginário de Lewis Carrol ocorrem quando a velha Alice em 1932 está a dormir ou regressa mentalmente muitas décadas atrás na sua imaginação e fazem também a ligação entre o que se passa em 1932 e o que se passou ao redor da origem do livro de Carrol.

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Apesar de na altura do VHS os poucos clubes de video que tinham comprado esta cassete o terem colocado inevitavelmente na prateleira dos filmes para crianças por causa dos bonecos de Jim Henson terá havido muito menino não só totalmente baralhado com o filme como também particularmente assustado com as sequências imaginárias, isto porque [“DREAMCHILD“] constroi também visualmente uma extraordinária versão algo negra e perturbante do próprio universo de Lewis Carrol talvez para condizer com a própria ambiguidade sexual (?) ao redor da motivação para o romance ter existido em primeiro lugar. Ou seja [“DREAMCHILD“] não é um filme dos Marretas com toda a certeza e embora a jovem Amelia Shankley tenha sido uma pequena Alice excelente esta também tem por ali um lado menos inocente que distingue logo o filme do título comum para crianças que muita gente pensou ser na altura.

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LUCY & JACK

No entanto apesar de nos deixar por vezes particularmente desconcertados e com um verdadeiro sentimento de culpa por ficarmos a gostar tanto de Ian Holm quando o filme joga claramente com o seu desejo pela pequena Alice, [“DREAMCHILD“] não é um filme deprimente. Para isso o argumento incluiu e muito bem uma pequena história paralela entre a jovem empregada da velha Alice e um igualmente jovem jornalista que persegue a sua história quando percebe que a velha senhora está na origem do famoso romance.
Há quem ache que estes personagens são redundantes mas eu achei precisamente o contrário.

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Para começar são eles que aligeiram o argumento nas alturas em que o espectador precisa de respirar e parar para pensar e depois porque também as suas prestações são muito boas; em particular a jovem Nicola Cowper que foi péssima ( sabe-se lá porquê ) no muito decepcionante “LIONHEART” mas que aqui em [“DREAMCHILD“] está extraordinária como a reservada dama de companhia da velha Alice que se apaixona pelo repórter que as segue para todo o lado. É simples, é básico mas resulta e todos estas peças dão ao filme um sabor vintage particularmente fascinante ainda hoje. Especialmente para quem nunca ouviu falar de [“DREAMCHILD“].

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Estamos mais uma vez na presença de outro daqueles filmes que não envelheceram. Talvez por não ter sido um filme de Hollywood mas sim uma produção inglesa o próprio estilo de realização acabou por ser algo intemporal pois nem a estrutura do filme nem a própria montagem seguem as habituais convenções do cinema norte americano da altura e por isso mesmo não ficou datado, resultando ainda hoje mesmo muito bem.

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CLASSIFICAÇÃO

[“DREAMCHILD“] continua ainda hoje a ser um daqueles títulos tão únicos quanto desconhecidos do grande público e é um daqueles filmes de Fantasia apontados a um público adulto que importa conhecer quanto antes.
Só Ian Holm e Coral Browne valem o filme.

Cinco Planetas Saturno

Irá deixá-los a pensar no assunto muito depois dos créditos passarem.

A favor: Ian Holm, Coral Browne, todos os outros actores, a coragem de abordar o tema da pedófilia da forma que o faz deixando os espectadores desconcertados, a fotografia, o ambiente, as estranhas sequências de Fantasia.

Contra: apesar dos seus momentos mais ligeiros continua a ser um título algo estranho que poderá não agradar logo de imediato a uma primeira visão.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


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COMPRAR DVD – REGIÃO 2 – EDIÇÃO UK
Durante anos este foi um dos filmes mais raros e difíceis de serem encontrados. Em Portugal só apareceu em VHS e inclusivamente esteve em venda directa na altura mas logo desapareceu para sempre.
Ainda não existe em Bluray mas há uns anos apareceu uma edição em DVD de lançamento inglês que poderão encontrar na amazon UK.

dvd

https://www.amazon.co.uk/Dreamchild-Cult-Movie-Collection-DVD/dp/B00P10M3I6/ref=sr_1_fkmr0_1?ie=UTF8&qid=1522012399&sr=8-1-fkmr0&keywords=dreamchild+bluray

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0089052

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“LA PIEL FRIA” (“COLD SKIN” /”LA PIEL FRIA”) Xavier Gens (2017) Espanha / França

Olha que surpresa… Mais cinema produzido e realizado em Espanha que envergonha todo o cinema tuga para a pseudo-intelectualhada deste nosso Portugal-à-beira-mar-naufragado;  pela eficácia, simplicidade e por não ter problemas em contar mais uma história de Fantasia daquelas que jamais seria produzida neste meu país ! Até porque não mete futebol nem nada e é sobre essa coisa para maricas, tipo pequena Sereia e merdas dessas…
Espanha volta a arrasar no campo do cinema-fantástico e também desta vez com este surpreendente [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] estamos perante mais um título europeu que não deve nada ao que de melhor se faz no género vindo de Holywood, tecnicamente falando.

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UM MUNDO À PARTE

[“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] é fabuloso e foi rodado aqui mesmo ao lado, coisa que parece quase mentira e digno de um verdadeiro argumento de Fantasia pois consegue mesmo transportar o espectador não só no tempo como também para um mundo totalmente isolado e à parte.
A diferença que uma linha de fronteira faz !
Espanha produz coisas assim enquanto nós aqui no país da bola, ainda criamos dissertações cinéfilas para festivais que ninguém quer ver sobre ilustríssimos vultos da cultura, poetas janados, invasõe…perdão “Descobrimentos“; ou então, no especto oposto continuamos a fazer cinema -Lisboeta- sobre putas/drogados e meninas-bem em aventuras pela Night Fashion ao melhor e emociante estilo “Secret Story / Casa dos Segredos”.
Resumindo, Espanha roda thrillers steampunk do melhor como este [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] enquanto nós em Portugal continuamos a babar-nos com glórias passadas em geral em vez de construirmos memórias futuras cinematograficamente onde o que importa é mesmo contar boas histórias.

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Coisa que os Espanhois a julgar por mais esta intensa história de aventura que poderão conhecer em [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] fazem cada vez melhor ao contrário aqui da tugalândia; terra dos programas sobre bola transmitidos em surround 5.1 ( cinco ao mesmo tempo durante horas a fio !!! ) que invadem os nossos canais de TV todas as noites contribuindo para – aumentar – o Q.I. da tugalhada em geral. A mesma que jamais irá contribuir com qualquer tipo de exigência para que o nosso  meio cinematográfico deixe de ser dominado pelo outro extremo do mesmo problema com “realizadores” que ainda hoje têm rédea solta para filmar merda quando temos um país à espera de que o utilizem como cenário para histórias Fantásticas.
Depois não admira que sejamos o país que produz “críticos de cinema” que reverenciam obras como o filme “Branca de Neve” ( essa “instalação artística” ) filmada sem imagem por “esse génio” César Monteiro ( “pintelho, pintelhinho” ) ) e produções semelhantes rodadas durante décadas neste Portugal sem qualquer futuro quando temos uma geografia a pedir ser utilizada para todo o tipo de histórias.
Um Portugal com cenários reais suficientes para se filmar um quilo de lendas medievais ao melhor estilo “LADYHAWKE” e que no entanto continua alheio a todo o seu potencial enquanto os Espanhois aqui ao lado fazem cada vez melhor cinema de todo o género usando a sua própria geografia, a começar pela Fantasia e Fantástico como mais uma vez se evidencia com este extraordinário [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“].

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HOLLYWOOD QUÊ ?…

Descobri [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] totalmente por acaso e já encomendei o bluray após ter visto a minha cópiazinha pirata ontem à noite. A internet é cada vez mais a melhor montra para descobrirmos cinema que nunca chegará a Portugal porque não tem produção de Hollywood e como tal ainda bem que a pirataria existe, pois este é o tipo de filme que quem gosta mesmo de cinema se gostar deste título quando o sacar da net, vai mesmo querer comprá-lo para o ter na colecção. Sai amanhã mesmo à venda na amazon Espanhola.

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Agora que Guillermo Del Toro acabou de ganhar o Óscar para melhor filme com o seu “THE SHAPE OF WATER” ainda há menos de 48 horas eis que me aparece pela frente [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] ; curiosamente mais uma história envolvendo uma raça anfíbia e que saiu para o cinema igualmente em 2017 sem ninguém notar.
[“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] tem um tom diferente pois é essencialmente um filme de aventuras com uma forte componente de crítica social que no entanto não o distrai de ser também um daqueles filmes muito divertidos onde o gore e os baldes de sangue abundam. Sim, isto não é Hollywood !
Aqui ainda se rebentam cabeças com tiros de caçadeira em primeiro plano.

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LOVECRAFT meets CARPENTER

[“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] é um dos thrillers de acção mais viscerais que vi nos últimos tempos. Daqueles que os americanos já não fazem porque têm medo de mostrar sangue não vá ofenderem os evangélicos todos que depois oferecem armas aos putos quando eles fazem doze anos.
Se alguma vez imaginaram como seria uma boa adaptação de um conto de LOVECRAFT ao grande ecrã têm aqui o filme dos vossos sonhos.
Tudo em [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] é extraordinário em termos visuais. Desde aquele ambiente totalmente steampunk onde não faltam sequências de mergulho com fatos ao melhor estilo “20.000 Léguas Submarinas” , ambientes e décors que recordam um pouco Jean Pierre Jeunet com o seu “CITY OF THE LOST CHILDREN” culminando num uso extraordinário das paisagens naturais na ilha de Lazarote em Espanha aqui transformada numa ilha perdida no meio do oceano Pacífico onde como se refere muito bem na história deste filme se demonstra que: – “Darwin estava errado !”

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[“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] é também sobre Sereias. Mas num estilo puramente Lovecraft. Imaginem a Pequena Sereia mas com sexo e violência à mistura, misturem tudo com “ASSALTO À 13ª ESQUADRA” ( ou “GHOSTS OF MARS ) + uma pitada de “I AM LEGEND” ( no melhor sentido ) e um toque de “THIRTY DAYS OF NIGHT” ( com sereias em vez de vampiros ) tudo ambientado numa fria ilha perdida habitada por dois homens cada vez mais próximos da loucura, onde só existem uma cabana e um farol e têm a essência deste incrível filme rodado em Espanha que não pode continuar esquecido enquanto tanto lixo saído de Hollywood infesta os cinemas de Portugal.
Onde estão as Sics e as TVIs desta terra quando se trata de promover cinema independente assim ?

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TEXTURAS STEAMPUNK

Os personagens são excelentes, as sequências de acção são do melhor, baldes de sangue e bocados de carne a saltar por todo o lado, excelente e contido uso de CGI para aumentar a performance dos actores que fazem de “sereias”. Tudo em [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] está perfeitamente afinado para dar ao espectador duas excelentes horas de adrenalina intensa e mistério quanto baste. Pode não ser para todos, mas se gostam de ambientes steampunk ao melhor estilo Julio Verne, desta vez com uma história de acção de contornos Fantásticos pelo meio que poderia ter sido escrita por Lovecraft nos seus melhores momentos então esta é o filme que não devem perder de todo.

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Há tanto para escolher nesta história à primeira vista incrivelmente simples que é complicado até para mim referir um detalhe em particular. Talvez a parte que eu tenha gostado mais seja mesmo a subaquática pela atmosfera única que coloca no ecrã mas também gostei muito do ambiente de mistério que percorre todo o pano de fundo nesta aventura de uma forma tão simples e por vezes subliminar que não é de admirar alguns “cinéfilos” lá pelo IMDb mais uma vez se queixarem de que a história está mal contada. [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] apesar da sua dinâmica e constantes sequências de acção é uma história sobre pormenores e portanto na verdade não é um título para a geração – short attention span – de todo. Essa apenas irá curtir a porrada e mais nada. [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] tem muito, muito mais para dar.

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Quanto mais o espectador conhecer a História da ficção-científica, quanto mais referências literárias tiver dentro deste género específico e não só, mais irá gostar de [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] principalmente pelas suas camadas de textura; o que o torna também em outro daqueles filmes que são uma verdadeira caça ao tesouro em termos de referências, neste caso ligadas mais a um universo steampunk clássico, onde os nomes de Lovecraft e Edgar Alan Poe pairam a todo o instante, para lá da óbvias influências de John Carpenter e tudo o que são histórias sobre cercos , desde o Alamo a Zulu.

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A PEQUENA SEREIA

Nota alta também para um dos grandes trunfos de [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] , a qualidade das caracterizações, principalmente a da “pequena sereia” que é um espectáculo na forma como é ao mesmo tempo simples e incrivelmente complexa tanto no design como na forma como a sua evolução ao longo da história é trabalhada psicologicamente criando um excelente personagem que gera grande empatia com o espectador.
É a alma do filme apesar de ser aparentemente secundária; o que torna [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] também numa das melhores histórias sobre sereias que já me passaram pela frente.

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Pelo que sei este filme é uma adaptação de um romance Espanhol que dizem ser mais detalhado e complexo. Pela minha parte eu vou comprar o livro nem que só esteja em Castelhano mesmo, pois a seguir a um filme assim tenho mesmo que ler a história original.

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CLASSIFICAÇÃO

É um daqueles filmes muito simples que nem por isso deixam de ser menos extraordinários. Um verdadeiro tributo ao estilo de histórias que Lovecraft costumava escrever e um filme num estilo steampunk com um visual notável.
Personagens excelentes, óptima sereia, não é politicamente correcto, montes de violência gore e acção que não pede desculpa a ninguém e uma história de mistério mais complexa do que parece à primeira vista.
Fabuloso e uma das melhores surpresas que tive nos últimos tempos.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

Quem curte o estilo Guillermo Del Toro ou a estética Jean Pierre Jeunet pelos seus ambientes vintage-steampunk, não deve deixar passar este filme em branco e juntem o nome de Xavier Gens também à vossa lista de realizadores favoritos dentro do cinema Fantástico a partir de agora.
Alguém aqui em Portugal devia tomar notas. É assim que se faz ! Aprendam com nuestros hermanos a fazer cinema; cabrones !

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A favor: O estilo Lovecraft da história mesmo sendo particularmente simples, os personagens, os actores, as sereias e todo o conceito à volta das criaturas, o estilo steampunk, o concept design e design de produção, os efeitos de caracterização, os efeitos especiais, a utilização incrível das paisagens naturais de ilha de Lazarote mesmo aqui ao lado, o espírito de aventura e a atmosfera de isolamento, as cenas de acção, os pequenos detalhes espalhados pelo cenário que tornam a história mais complexa do que parece ao início, um dos melhores filmes com um estilo vintage totalmente retro que já vi, não é um filme de Hollywood e por isso não precisa preocupar-se em ser politicamente correcto e não tem problemas em ofender “as audiências”, as cenas gore com baldes de sangue quanto baste.

Contra: Muita gente irá compará-lo ( injustamente ) ao cinema de Guillermo del Toro especialmente agora que ele ganhou um Óscar num filme de temática semelhante, mas [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] é desta vez uma proposta superior só pelo facto de não ser uma produção de Hollywood e como tal não precisa de ser politicamente correcto.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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CONFERENCIA DE APRESENTAÇÃO NO FESTIVAL STIGES 2017

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IMdb

intro

https://www.imdb.com/title/tt1034385

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