“ARES” (“ARES”) Jean-Patrick Benes (2016) FRANÇA

[“ARES“] é um dos melhores filmes independentes de ficção-científica Europeia que eu vi no ano passado e outro bom exemplo de um filme que, até final do ano eu nem fazia a mínima ideia de que existia.
O que só demonstra que pelo visto boa ficção científica Europeia é coisa que não falta, apesar de nem nós próprios na Europa ficamos a saber que é produzida; afinal isto é cinema Francês de baixo orçamento e não um blockbuster de Hollywood.
Depois ainda há quem critique a existência da pirataria online (?!). Não fosse a pirataria e eu nem teria depois comprado [“ARES“] em Bluray. E olhem que eu gostei tanto disto que comprei o filme sem legendas de espécie alguma. O que também ajudou a praticar o meu Francês. E sim, o filme é do caraças !

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Num futuro, (quer me parecer) muito próximo, a velha ordem mundial já era, o planeta está poluído até ao limite e com população a mais, o mundo está num caos económico, doenças por todo o lado e a França conta com mais de 15 milhões de pobres e/ou desempregados sem qualquer perspectiva de futuro.
Todos os desportos foram banidos, excepto um extremamente violento ( controlado pelo Estado ) que é transmitido a toda a nação e que serve como escape à população para que esta possa descarregar toda a sua frustração no visionamento desses combates e não contra um governo que nada faz para melhorar as suas vidas.

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Um Estado também totalmente dominado pelas farmacéuticas.
São elas que controlam os jogos de gladiadores na TV, o que na práctica significa que a segurança do país está nas suas mãos também manipulando tudo ao sabor dos seus jogos de poder. Essas mesmas empresas fazem agora milhões com o dopping que agora é legal num mundo onde os desportistas são usados como cobaias para testarem a melhor droga do mercado que irá tornar o representante de cada uma das facções no melhor lutador de França e gerar muitos milhões em patrocinios de qualquer uma das empresas corruptas que gravitam nos estratos milionários acima da população comum.
Bem vindos ao mundo de [“ARES“].

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O jogo está dividido entre lutadores “do Estado” normalmente representados por membros da polícia e representantes da população em combates por vezes até à morte, o que é do melhor que pode acontecer para aumentar as audiências televisivas.
[“ARES“] conta a história de um desses lutadores.

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Um representante da polícia que entre reprimir violentamente manisfestações nas ruas durante o dia e lutar nos combates durante a noite lá vai sobrevivendo numa Paris que mais parece um esgoto a céu aberto e não passa na verdade de um enorme bairro de lata.
Com duas filhas para manter seguras, entre os quais uma muito pequena, um dia o agente recebe de uma das mais importantes farmacéuticas uma oferta que não pode recusar e claro a partir daqui a história segue para algo que óbviamente não irei contar, até porque já falei demais.

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BLOODSPORT

Tenho que confessar que só comprei [“ARES“] porque o vi mesmo primeiro numa cópia pirata. Isto porque o trailer não me tinha convencido muito e é pena que não passe a melhor ideia do filme na minha opinião, pois muita gente ao vê-lo irá certamente pensar que [“ARES“] será uma espécie de filme de porrada do Van-Damme naquela onda 80s que inundava os clubes de video do antigamente.
Não é.

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Acreditem-me, [“ARES“] não é um “BLOODSPORT”. Parece, mas não é.
[“ARES“] tem muito mais a ver com “BLADE RUNNER” e até mesmo “BLADE RUNNER 2049” do que pode parecer à primeira vista.
Por ser cinema Francês tem também aquele sabor a banda desenhada de Enki Bilal e visualmente até por vezes remete para “IMMORTEL” realizado pelo autor de BD Europeu há anos atrás.
Mas [“ARES“] é também bem mais do que isso.

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Não apenas é um bom título de ficção-científica distópica numa onda “WHAT HAPPENED TO MONDAY” como também tem certas semelhanças com aquele outro filme no estilo -Blader Runner- que saiu há um par de anos também, ( curiosamente igualmente do cinema de baixo orçamento Francês ); o mesmo, muito, muito interessante “VIRTUAL REVOLUTION” que tem uma base semelhante embora mais virada para o mundo dos video-jogos MMORPG.
[“ARES“] é mais cru e talvez por isso mais realístico (?); [“ARES“] é também muito violento e não tem problemas em ser politicamente incorrecto quando o que mostra serve para construir aquele futuro que se calhar não está tão distante assim.

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[“ARES“] apesar de não parecer, é bem mais do que um filme de Van Damme em onda futurista, mas isso não quer dizer que as cenas de combate não vão agradar a quem só procura um filme de porrada também. São muito bem filmadas, bem coreografadas e nem sei como ninguém morreu a filmar isto. Toda a ilusão de extrema violência está muito bem apresentada e portanto isto não é um daqueles filmes fofinhos ou com aquelas montagens politicamente correctas em estilo video clip que se vê nos filmes de Hollywood para agradar à família inteira. Querem ver porrada “realística” com baldes de sangue e muitos narizes e ossos partidos , também a irão encontrar aqui.

UM FILME FAMILIAR

A violência é excelente, a atmosfera repressiva é do melhor e até os efeitos e matte-paintings são impecáveis ( melhores do que aparentam no trailer ).
Visualmente o filme está muito bem produzido, desde o set-design até às panorâmicas do mundo exterior onde a Torre Eifel foi transformada no centro dos bairros da lata tudo em [“ARES“] resulta em pleno.

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Mas a grande força de [“ARES“] nem sequer está aí mas sim nos personagens. O conceito é óptimo, a história é muito boa mas o centro de tudo são os personagens.
Não quero revelar muito mas o que humaniza toda esta aventura sci-fi bem negra é o núcleo “familiar” que centraliza toda os motivos da acção.
O filme pode ser pequeno e não ter mais que 80 minutos mas não precisava de ser maior pois este é outro daqueles que nos parece muito mais longo pelos melhores motivos.

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[“ARES“] tem muita textura, muito detalhe, muita vida e cria uma excelente empatia com o espectador pois ficamos a gostar muito dos “herois” da história e ficamos agarrados ao seu destino e àquela “família” até ao último minuto.
E olhem que eu vi tudo isto em Francês sem legendas absolutamente nenhumas.
Agora também o meu Bluray de edição Alemã ( excelente som e imagem ) , não as tem.
Havia mais para contar, mas como habitualmente terão de procurar pelo filme pois este é outro daqueles títulos de ficção-científica made-in-Europe que valem mesmo a pena.
Mais um para juntarem a “ANIARA” , “CARGO“, etc.
Não percam.

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CLASSIFICAÇÃO

[“ARES“] é outra daquelas surpresas dentro da scifi mais recente que me apareceram pela frente nos últimos tempos. O facto de ser mais um título Europeu só demonstra que pelo menos por cá a ficção-cinentífica adulta está de boa saúde e recomenda-se.
E este recomenda-se mesmo muito.

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Só não ganha um Gold Award… porque por vezes parece demasiado concentrado com tanta coisa a precisar de acontecer para caber em 80 minutos. Mas tirando isso, é um excelente filme mesmo.

A favor: o ambiente do futuro distópico está do melhor, os personagens e interpretações são impecáveis, a história é muito interessante embora não muito complexa, é ultra violento nos combates, excelente set-design, bons efeitos, é mais um óptimo filme Europeu scifi.

Contra: este é o tipo de filme que se tivesse tido um orçamento à Hollywood se calhar poderia ter expandido bem melhor todo este universo. Embora neste caso isto nem seja negativo porque o que faz está mesmo fantástico.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt4216902/

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capinha_natural-city capinha_cargo capinha_LA ANTENA capinha_Virtual-Revolution.jpg capinh_IMMORTEL capinha_BladeRunner

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“EDEN LOG” (“EDEN LOG : ESCAPE FROM DARKNESS”) Franck Vestiel (2007) FRANÇA

Olha que surpresa [“EDEN LOG”] é mais um excelente título de ficção científica com uma classificação de merda no IMDb atribuída claro, pelos “utilizadores”. O que só demonstra que quem gosta de ficção científica nem se dará ao trabalho de comentar por lá e tentar elevar a reputação de um scifi tão bom quanto este tirando-o da obscuridade. Essencialmente no que toca à apreciação de bom cinema lá pelo IMDb está mais que visto que quem gosta mesmo de Cinema está em menor numero e não há volta a dar.

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Embora no caso de [“EDEN LOG”] há que admitir que ainda houve no IMDb algumas pessoas que postaram excelentes reviews sobre o filme; o que quer dizer que felizmente ainda há por aí quem compreenda realmente o género.
No entanto não há mesmo volta a dar quando se trata de discutir sobre ficção-científica com as audiências pipoca. Especialmente as que nasceram quando o cinema já estava completamente formatado para não passar de um enorme comics-gringo-cinematográfico sem originalidade e onde o fanatismo “fan-boy” inventado pelos departamentos de marketing de Hollywood e “Comicons” têm mais poder do que aquilo que antigamente seria o verdadeiro gosto individual de cada espectador.

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[“EDEN LOG”] pela sua ousadia gráfica é também um título condenado logo à partida. Mesmo tendo uma história que não destoaria do pior lixo com super-herois da DC o facto de não se parecer com o que é comercial impede que seja reconhecido pelas suas qualidades. Está tudo na forma como um título é filmado e [“EDEN LOG”] é realmente muito bom mesmo.
No entanto não podia estar mais longe do estereotipo que o comum dos modernos auto-proclamados “fans de ficção cientifica” que infestam os fóruns net fora consideram como cinema; isto porque não se enquadra de todo no estilo visual do hype do momento. Ainda por cima o filme “é em estrangeiro”; é Francês e não é em gringo. Há filmes em França ?!!

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DRUNNA SEM SEXO

[“EDEN LOG”] tem um visual fantástico mas parece tão estranho e é tão único que a nossa primeira reacção é considerar isto como “um filme artístico” e atirá-lo imediatamente para o saco do cinema-de-autor mais artsy e elitista. O que é injusto.
O facto de também em muitos momentos se parecer com o cinema inicial de Darren Aranowsky também não ajuda a que [“EDEN LOG”] brilhe aos olhos do comum dos espectadores.
Talvez por ser cinema francês, mas a verdade é que [“EDEN LOG”] para além de não pertencer aquele tipo de cinema intelectualoide pretencioso do qual nem Aranowsky se escapa com os seus tiques “de artista“, é também um verdadeiro tributo visual ao melhor do que se fazia na Banda Desenhada Franco Belga no final dos anos 70, embora com uma estética modernizada claro está.

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[“EDEN LOG”] parece-se incrivelmente com o melhor de uma história desenhada por Druillet, por Bilal e principalmente com o trabalho de Serpiere. Isto porque [“EDEN LOG”] é quase uma história passada no universo de Druuna mas sem a vertente sexual; sendo ainda muito , muito mais dark e carregada de mistério embora temáticamente se toquem em muitos momentos. Metia-se por aqui pornografia pelo meio e teriamos tido uma versão bootleg do Druuna embora menos colorida como podem ver pelas imagens.

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BD FRANCO BELGA

[“EDEN LOG”] é um bocado prisioneiro do seu estilo visual. Todo este universo é graficamente tão forte que por ser tão único e tão intenso acaba por remeter o filme quase automaticamente para uma categoria de cinema-de-autor num sentido negativo que não merece, atirando o filme para aquele limbo cinematográfico onde muito pouca gente, que até gosta mesmo de scifi poderá inclusivamente ter vontade de o ir buscar.
É pena.

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[“EDEN LOG”] à primeira vista parece mesmo um filme –  “daqueles esquisitos como o raio” – , ou pior – “a armar-se em inteligente”. Na verdade até é bem simples.
Essa percepção errada também é um bocado culpa dos trailers que não lhe fazem justiça pois pelas apresentações fica-se com a ideia de que isto será um thriller de terror sobrenatural high tech algo intelectual e até intensamente surrealista num modo artístico qualquer, quando na verdade o que isto é , é mas é uma banda desenhada francesa da época dourada da BD franco belga colocada de forma espectacular no ecran. Com uma história e estrutura lineares muito mais simples do que possa parecer a um primeiro olhar.

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Ainda há uns meses eu critiquei “THE DARK LURKING” por não ter qualquer ambição, contentando-se em ser apenas uma cópia tanto do estilo visual de outros realizadores como do tipo de histórias que já existiam antes produzidas por Hollywood e portanto um desperdício de recursos quando estes poderiam ter sido usados para criar algo único independentemente de ser cinema de baixo orçamento ou não.
Ora [“EDEN LOG”] fez precisamente isso. Não imitou ninguém apesar do seu argumento que poderia ter facilmente caído na típica imitação de “Resident Evil” ou “Doom”.
Por ser original pagou por ser diferente. Como também não se parece de todo com um produto fabricado na linha de montagem de Hollywood só esse pormenor faz logo com que perca uns 90% dos tais supostos “apreciadores de ficção-científica” que infestam o mundo online onde Portugal também não escapa.

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Este filme que já é de 2007 por incrível que pareça, ao contrário do que “THE DARK LURKING” e muitos outros séries-B contemporâneos americanos costumam fazer; não se limitou a copiar “RESIDENT EVIL”, “ALIENS” ou “DOOM” mas graças a imensa imaginação visual e excelentes opções no estilo de realização conseguiu navegar precisamente pelo mesmo tipo de temáticas e “universos semelhantes” a todos esses três populares títulos.
No entanto, esta proposta scifi francesa tem realmente uma identidade muito própria ( com uma pitada de “STALKER” de Tarkovsky pelo meio ).
Mesmo quando o tipo de história até tem a mesma base de um simples “Resident Evil” e tudo !

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O que só demonstra o quanto do talento está na forma como se re-utiliza até mesmo conceitos que já foram filmados antes bastando para isso fazê-lo de forma única.
O estilo de filme não tem necessariamente que estar preso ao estilo de história ou ser um filme menor por causa disso e [“EDEN LOG”] é um excelente exemplo de como algo pode resultar mesmo a partir de um tipo de argumento que nas mãos de Hollywood teria sido apenas mais outro scifi de carnificina grunho.

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MUNDOS DE ENTULHO

[“EDEN LOG”] consegue até ser cinema de Comic-book por incrível que não pareça. Apenas é cinema de Comic-book no estilo Franco Belga de final dos 70s e é aqui que está o seu brilhantismo enquanto proposta scifi saída da Europa.
Estamos na presença de um verdadeiro título de Cinema-Banda-Desenhada.
No melhor dos sentidos.
Além disso eu nunca tinha visto um filme de tão baixo orçamento tão bem desenhado em termos conceptuais e construído com tão pouco.

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O que esta gente conseguiu criar com um monte de lixo e entulho no que toca a cenários é absolutamente genial. Desde os níveis mais fundos da estação de pesquisa onde a história se passa até às secções de topo onde a aventura resolverá o seu mistério na totalidade, tudo o que vemos no ecrã é absolutamente notável em termos criativos.
Neste aspecto talvez só a série “MYTHICA” se compare quando se tratou de construir ambientes recorrendo basicamente a lixo e a entulho jogado fora.

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Não só [“EDEN LOG”] tem uma imensa variedade de ambientes que vão ficando cada vez menos abstractos à medida que a história avança como tudo está incrivelmente bem fotografado.
Os jogos de luz e sombra aliados a uma quase completa falta de saturação da cor ( que é apenas muito bem usada em pontos chave ), tudo faz com que este filme transporte tão bem o espectador para o interior daquele mundo apocalíptico e claustrofóbico. Esquecemos por completo que estamos a ver um filme com um realizador por detrás pois este apaga-se por completo e digo isto no melhor dos sentidos.

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Há alturas em que parece que estamos junto com o protagonista descobrindo e explorando metro a metro tudo o que há de misterioso naquela base(?)/nave(?); sempre desejando saber mais e com imensa curiosidade sobre o que se irá passar a seguir.
Neste aspecto enigmático [“EDEN LOG”] irá agradar imenso a todos aqueles que tal como eu adoraram “PANDORUM“.
Pandorum é quase essencialmente aquilo que [“EDEN LOG”] teria sido se tivesse sido realizado num estilo comercial próximo do cinema de Hollywood destinado a agradar às audiências-tipo totalmente standard.

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DOOM A SÉRIO

Pelos trailers ficamos um bocado com a sensação de que [“EDEN LOG”] será uma espécie de thriller de acção scifi mas na verdade apesar de contar com imensas sequências totalmente saídas de um “DOOM”, de um “RESIDENT EVIL” ou até de um “SILENT HILL (jogo)” a verdade é que estas estão lá por uma razão e não apenas para meter estilo.
Até porque estão filmadas com uma violência crua que não pretende tornar o filme num lindo videoclip. Bem pelo contrário.
Tudo o que são cenas intensas neste filme é absolutamente visceral a um ponto que por vezes surpreende e chega até a incomodar. Inclusivamente a “famosa” cena da violação que ocorre a meio do filme e que é bastante mencionada em imensas reviews é particularmente intensa.

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No entanto como muita gente bem aponta, essa cena de violação apesar de inesperadamente brutal, no caso de [“EDEN LOG”] está totalmente dentro do contexto da história; sendo  mesmo necessária para compor melhor o personagem e permitir que este evolua. Ao mesmo tempo que também cimenta a relação com a protagonista por muito estranho ou doentio que possa parecer.
Tem uma lógica, está bem incluída, é impressionante mas percebe-se porque teve de ser representada assim, logo cinco estrelas aqui também.

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Além disso é nessa sequência que o próprio espectador tem verdadeira consciência de como a montagem deste filme é fantástica.
A realização, a fotografia, a montagem aliadas a uma banda sonora assombrada absolutamente perfeita e a uma história que não sendo nada do outro mundo ou particularmente original fazem no entanto com que [“EDEN LOG”] ganhe imensos pontos porque tudo neste filme resulta e nunca é demais nem de menos.
Para um filme à partida tão estranho este título scifi é realmente muito equilibrado em todos os sentidos.

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SCIFI ? OUÌ CEST MOI…

[“EDEN LOG”] não será exactamente um filme de terror apesar de o parecer visualmente ( nem sequer tem sustos-falsos fora de contexto só para “meter medo” ).
Também não é cinema de acção como poderão constatar por alguns comentários da malta do short-attention-span que parece ter-se sentido enganada pois consideram esta potente aventura scifi como um filme chato e aborrecido ;(?!); onde pelo visto não se passa nada (?!); quando a história até poderia ser essencialmente um remake de “Resident Evil” sem tirar nem pôr.
Não deixa de ser hilariante constatarmos, lendo este tipo de comentários que a malta das pipocas considera: – história=cenas que metem estilo –  e quando isso não acontece no tipo de montagem pop-popular então parece que para muito menino – “o filme não tem história” .

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Eu já tinha visto [“EDEN LOG”] há anos numa muito má cópia de um dvd-rip e na verdade não tinha ficado particularmente impressionado pois tinha-o visto mesmo com muito má resolução e este filme não pode ser visto em condições piratas-rascas de todo; (por isso não o façam fachavor).
Como apesar de tudo nunca esqueci o visual do filme agora que o encontrei por 4€ em Bluray resolvi arriscar e ainda bem que o fiz.
[“EDEN LOG”] é um daqueles filmes para qual o Bluray foi inventado; esta aventura scifi fica pura e simplesmente espectacular especialmente quando vista às escuras, noite dentro com o som em headphones no máximo para melhor efeito de sala de cinema.
Não percam.

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CLASSIFICAÇÃO

[“EDEN LOG”] é ficção-científica europeia francesa com um enorme sabor a BD clássica franco-belga. Para as novas gerações isto não será argumento mas para quem souber do que estou a falar e quiser ver uma aventura scifi num estilo Druillet misturado com uma pitada de Druuna e um toque de Bilal num ambiente apocalíptico muito bem imaginado, culminando num simples mas bastante satisfatório final então não hesite.
[“EDEN LOG”] parece um filme estranho ao início, mas entrem no seu mundo e já não conseguirão tirar os olhos do ecran até ao desenlace.
Vejam-no noite dentro, ás escuras e com o som a bombar nos headphones.

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O pouco CGI que usa está algo datado mas também não é muito, a história é a habitual sobre alguém que acorda sem memória no nível mais fundo de um laboratório completamente devastado por onde circulam criaturas mutantes nada amigáveis e como tal não é por aqui se irão surpreender.
Em muitas alturas faz lembrar “THX-1138” de George Lucas como referem muitas reviews, mas numa versão totalmente apocaliptica e não apenas distópica.
Agora onde o filme brilha é na forma como trabalha este material que em outras mãos teria sido tão banal quanto “THE DARK LURKING” o foi.

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[“EDEN LOG”] é boa scifi adulta em qualquer parte do mundo.
Só não leva um Gold Award agora…nem sei bem porquê…talvez por ser algo previsível para todos aqueles que tal como eu já tenham lido muita FC em particular a FC literária dos anos 70 e eu gostei tanto do ambiente disto que esperava mesmo mais imaginação no desenvolvimento.
Por outro lado ainda irei rever em alta a classificação disto também um destes dias pois este filme é realmente poderoso, original na sua execução e muito bem filmado. E tudo isto com um orçamento minúsculo que nem dava para o catering de uma manhã numa produção de Hollywood.
Enquanto scifi europeia de baixo orçamento é tão bom quanto “CARGO“. Por isso não se esqueçam de espreitar esse também já agora.

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A favor: o ambiente, faz recordar o melhor da ficção cientifica francêsa em Banda Desenhada dos anos 70 ao estilo Druillet ou Bilal com montes influencias de Druuna também, a fotografia é fabulosa, é uma história simples mas com tonalidades adultas, ficção científica para quem gosta mesmo de ficção científica, todo o concept design deste filme é fabuloso e a forma como os cenários foram construídos a partir de entulho essencialmente é brilhante, transporta-nos mesmo para um outro universo, esquecemos por completo que há um realizador por detrás da câmera, claustrofóbico misterioso e perturbante por vezes, todo o conceito científico que nos transporta até um final que não sendo brilhante é mesmo muito bom e adequado.

Contra: mais uma vez a idiota classificação no IMDb, muita gente irá confundir isto com um filme “artístico” ao pior estilo cinema de autor pois o próprio estilo gráfico do filme ditou que o seu visual não pudesse ser propriamente comercial no sentido mais pipoqueiro e como tal a malta do design estilo videogame não irá curtir ou compreender o filme, a história como já a vimos várias vezes nem sequer é particularmente impressionante.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
Nenhum dos trailers para este filme são muito bons mas este ainda é o que se pode aproveitar e pelo menos dá uma ideia dos ambientes visuais.

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COMPRAR BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO FRANCESA
Atenção: O menu de navegação desta edição é do pior.
O filme começa automaticamente só com a versão francesa (não dá para alterar através do comando remoto em options sequer) e só descobrimos que existe uma versão inglesa  no disco quando o filme acaba; pois é então ( a seguir aos créditos finais ) que o bluray da finalmente acesso ao menu ( que deveria ter estado no início ) onde podemos escolher as versões que na verdade temos à disposição.
Pelo menos foi o que me aconteceu ao ver este filme na minha PS4.
A versão original francesa só tem legendas em Holandês mas a versão dobrada em inglês tem legendas em Francês.
De qualquer forma actualmente a edição Francesa é a única que vale a pena ter pois a edição Alemã só tem a dobragem Alemã mesmo.
E este filme vale mesmo a compra em Bluray. Especialmente se ainda estiver a 4€ na amazon francesa como eu a comprei (Dezembro 2017).

BLURAY

https://www.amazon.fr/Blu-ray-Vimala-Bajraktaraj-Abdelkader-Cornillac/dp/B00GY4I1R0/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1514559358&sr=8-2&keywords=eden+log

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IMDb


GIF

http://www.imdb.com/title/tt1087842

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“VIRTUAL REVOLUTION” / “2047 VIRTUAL REALITY” (“VIRTUAL REVOLUTION” / “2047 VIRTUAL REALITY” ) Guy-Roger Duvert (2016) FRANÇA

Se “SKY PIRATES” parece um filme perdido de Spielberg, se “THE DARK LURKING” pretende ser “Resident Evil” e “CREATURE” pensa que é “Alien” então [“VIRTUAL REVOLUTION”] gostaria de ter sido “BLADE RUNNER” e nem sequer tenta disfarçar esse facto.
[“VIRTUAL REVOLUTION”] é um “Blade Runner” Francês de muito baixo orçamento e não pede desculpa a ninguém por isso.
Quer, quer; na quer, na quer !

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E claro, o que seria de [“VIRTUAL REVOLUTION”] se não tivesse também uma classificação do pior no IMDb ?
Uma classificação da treta acompanhada como não podia deixar de ser das invevitáveis reviews negativas vindas daquele tipo de público, que por qualquer motivo parece sempre achar que o cinema de baixo orçamento tem de ser comparado com os blockbusters americanos de centenas de milhões de dólares. 
Mesmo que o filme seja Francês e tudo.
Só isso já é motivo para não perderem o filme pois o site está cheio de títulos desancados que são na realidade muito bons e mais uma vez este também não é excepção.

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BLADE RUNNER, OUI… CES´T MOI…

Há uma coisa que nunca hei de entender. Se o próprio cinema comercial mainstream contém centenas de filmes com a mesma fórmula, as mesmas ideias, as mesmas estruturas, os mesmos personagens e as mesmas estéticas repetidas até à exaustão por Hollywood ela mesma, porque razão quando aparece um filme independente como [“VIRTUAL REVOLUTION”] este terá sempre que ser atacado pelos pipoqueiros de shopping-cinema por se colar visualmente a um género existente ?
Especialmente quando esse género precisa mesmo de ter aquele visual específico para ser considerado como tal. 
Filmar-se “um Blade Runner” sem se parecer com o Blade Runner, seria o mesmo que tentar filmar-se um Western Spaghetti sem cowboys com casacos de chuva compridos.

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E “Blade Runner” quase que nem se pode considerar propriamente um género; isto porque apesar de tudo ao longo dos anos houve muito pouca coisa que terá tentado reproduzi-lo fielmente. Como se ninguém admitisse copiar Blade Runner e toda a gente se tivesse inspirado… ás vezes até demais, nele.
É certo que não faltam cyberpunk movies por aí; ultimamente quase todos em estilo videogame, mas tirando o excelente Sul Coreano “NATURAL CITY”, “DARK CITY” e talvez um ou dois séries-B mais obscuros nos 80s não há muita produção que tentasse apenas imitar fielmente todos os clichés estéticos noir de Blade Runner ou a sua atmosfera retro específica sem entrar depois por técnologias cyberpunk modernizadas.

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É um pouco a maldição de Star Wars. Por causa do filme de Lucas parece que todos os estúdios têm ainda receio em produzir space-operas com medo de serem acusados de imitarem Star Wars; como se Star Wars fosse por si só um género e não apenas ele próprio apenas a adaptação moderna de um conceito criado literariamente nos anos 30 em termos de aventuras espaciais.
No entanto a atitude de Hollywood perante a space-opera é quase como se Star Wars tivesse inventado o género e é essa a percepção que passa para o público que apenas consome o que lhe mandam. Blade Runner é outro bom exemplo.
De vez em quando Hollywood lá tenta entrar pela space-opera disfarçada de super-heróis como acontece com “Guardians of the Galaxy” cozinhada para agradar á malta dos comics gringos.
Tirando o fabuloso “JOHN CARTER” uma das space-operas mais genuinas de sempre no cinema, que cometeu o terrível pecado de ser space-opera pura totalmente fiel ao material original de 100 anos atrás (ao ponto de depois ter sido acusado de imitar Star Wars como não podia deixar de ser) , não há muita coisa do género disponível a não ser através do cinema independente.

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PHILIP K. DICK

Por causa disso no que toca ao estilo Blade Runner, apesar do cinema moderno contar já com alguns universos cibernéticos ; alguns até se atrevem a ter uns prédios com uns neons e uns carros voadores na paisagem e tudo, “o género Blade Runner” nunca foi muito reproduzido; pelo menos não da forma descaradamente evidente com que [“VIRTUAL REVOLUTION”] o faz sem medos.
A ideia aqui para mim parece ser precisamente a certa. Já que este tipo de história é mesmo para ser passada num universo Blade Runner Europeu, porque não deixar de perder tempo a tentar disfarçar e assumir por completo todo o lado estético da coisa sem complexos ?…
[“VIRTUAL REVOLUTION”] é pois um Blade Runner sim senhor.
Por vezes a um nível visual que mais do que roçar o próprio plágio estético genérico reproduz inclusivamente muitos dos enquadramentos mais famosos com Harrison Ford no filme original de RIddley Scott.
Nem “NATURAL CITY” foi tão longe. 
[“VIRTUAL REVOLUTION”] tem uma lata tão grande que a partir de certa altura deixa até de ser insultuoso e talvez seja esta a sua grande mais valia enquanto filme.

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Quando nos passa o choque de estarmos a ver aquilo que inicialmente parece um plágio descarado de tudo em Blade Runner com tiques de Matrix, de repente damos por nós a admirar o esforço de quem criou isto. Com um orçamento modesto não há dúvida que conseguiram inserir esta história europeia num contexto genuinamente Philip K. Dick.
Isto porque [“VIRTUAL REVOLUTION”] apesar de não parecer, tenta no entanto ir mais além e em certas alturas até o consegue particularmente bem.
Para lá das aparências e por detrás do visual por vezes deslumbrante não se esquece de também ser ficção-científica no sentido mais clássico e colocar um par de questões e temas na mesa.
Ok, também imita o Matrix, o Dark City e um monte de outras coisas…
Mas imita bem ( nem a fotografia escapa ), tendo em conta as suas limitações de orçamento pois pelo meio de tanta coisa que já vimos antes por todo o lado [“VIRTUAL REVOLUTION”] para lá do título desastroso e chunga consegue apresentar-nos um filme low budget particularmente fascinante.

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SCI-FI SEM GUITO

Mais do que uma tentativa de plágio do que quer que seja, sente-se que há por detrás disto um sentido de homenagem e uma tentativa de tentar ir o mais longe possível sem ter verba para conseguir fazer tudo mas que se lixe. Um pouco no espírito do fabuloso “MYTHICA : A QUEST FOR HEROES” também.
Contrariamente a muito badalado sucesso Hollywoodesco que depois ninguém critica, não há uma ponta de cinismo em [“VIRTUAL REVOLUTION”]. É apenas um Blade Runner europeu, passado em Paris no futuro próximo e que responde um bocado à velha questão …. Então e como teria sido Blade Runner se este tivesse sido um filme de porrada filmado hoje em dia ?….

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Como se pode inserir porrada num filme noir-scifi ?…
Bem, mistura-se todo o conceito do mundo futuro com videogames de realidade virtual e pronto. 
[“VIRTUAL REVOLUTION”] passa-se num futuro em que 75% da população mundial abdicou da vida real e passa quase toda a sua existência ligada a máquinas de jogos MMORPG com temas para todos os gostos. 
As grandes corporações controlam todo o mercado destes universos virtuais e essencialmente substituíram os governos mundiais pois são estas empresas que criam e vendem mundos virtuais a uma população que não se interessa por mais nada a não ser jogar e como tal o que se passa aqui no lado real fora da internet é-lhes politicamente indiferente desde que os jogos continuem a existir online.

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Acontece que há no entanto por ali uns grupos terroristas. Empenhados a dar cabo de tudo o que são ambientes virtuais para tentar acordar a população de modo a fazer regressar os velhos tempos. Portanto não hesitam por isso em sabotar tanto as redes como os próprios jogadores a elas ligados o que inevitavelmente provoca um sem número de mortes na população vegetal consumidora que vive a sua vida através dos seus avatares virtuais.
Rick Deckard é por isso contratado pela Tyrell corporation para encontrar quem estará por detrás de tais actividades terroristas e eliminar os hackers responsáveis.
Eu disse Rick Deckard ?…
Bem, se não é Deckard é sem sombra de dúvida o seu irmão mais velho, ou um clone mais gasto pois não bastava já [“VIRTUAL REVOLUTION”] parecer-se por demais com Blade Runner como o próprio herói parece encarnar como um espírita possesso a alma de Harrison Ford.
Acreditem-me há momentos que neste filme em que nem irão acreditar nos vossos próprios olhos ou sentidos. Este tipo só pode ser um Replicant !

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I´VE SEEN THINGS YOU PEOPLE WOULDN´T BELIEVE…

É isto que torna [“VIRTUAL REVOLUTION”] tão interessante ao mesmo tempo. 
A “homenagem” a Blade Runner por vezes é tão boa que o realizador disto poderia ter sido há trinta anos e na maior descontração o realizador de segunda unidade no filme de Scott pois não se notaria diferença nos takes.
Se conseguirem passar para lá do desdém inevitável quando o filme lhes cai em cima e gostam de cinema de baixo orçamento há muito boas hipóteses de a seguir começarem a prestar atenção à virtudes deste pequeno título com muito descaramento.
Considerem isto um plágio se quiserem, um plágio de tudo e mais alguma coisa; mas é um bom plágio.
Assumido e por vezes fascinante no melhor dos sentidos.
Não será por acaso que [“VIRTUAL REVOLUTION”] tem ganho e sido nomeado para um monte de prémios em festivais de cinema fantástico ou independente. Para lá de toda a falta de ideias únicas que possa percorrer este título a verdade é que o resultado final desta estranha mistura de coisas conhecidas e populares não pode deixar de surpreender pela positiva.

VIRTUAL REVOLUTION_18 VIRTUAL REVOLUTION, 2016. © KOAN INC.

Na verdade apesar de muitas opiniões negativas pelo IMDb se focarem na ideia de plágio e de vazio de ideias não está aí a fraqueza de [“VIRTUAL REVOLUTION”].
Se este filme falha em várias coisas elas têm mais a ver com a sua própria estrutura ou falta de valores de produção do que com o facto de se parecer com isto ou aquilo.
Apesar dos momentos atmosféricos e de alguns momentos de porrada bem conseguidos, fala-se muito sobre coisas mas mostra-se pouco. Por outro lado, sendo isto uma das características mais comuns no cinema sem orçamento seria inevitável que [“VIRTUAL REVOLUTION”] também acabasse por sofrer do mesmo em muitas alturas.

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MMORPGs

Quanto a mim e como também alguém já referiu online, [“VIRTUAL REVOLUTION”] acaba por de certa forma dar um tiro no pé quando tenta ser mais do que apenas um Blader Runner Francês.
Isto é; a ideia do mundos virtuais é muito boa pois encaixa perfeitamente no universo Blade Runner só que depois o que o filme mostra nessas sequências é por demais pobre e limitado quando comparado com o que consegue colocar no écran quando é apenas um Blade Runner e as cenas se passam no mundo real do futuro.

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As cenas no mundo virtual estilo MMROPG Warcraft são muito pobres visualmente ( com excepção de um par de paisagens digitais muito bem conseguidas ) e as cenas de acção no mundo estilo Transformers com robots invasores inevitavelmente parecem saídas de um daqueles filmes de porrada dos 80s onde tudo era sempre filmado em ruínas de fábricas ou em garagens ( embora os CGI com os robots seja bastante bom nestes momentos ).
Se no entanto [“VIRTUAL REVOLUTION”] tivesse nessas sequências “virtuais” conseguido ter alcançado a qualidade visual de um “MYTHICA : A QUEST FOR HEROES” ou de um “KILL COMMAND” tudo teria encaixado perfeitamente na narrativa central do universo Blade Runner. Assim como está, de cada vez que a história se muda para um mundo virtual o que nós queremos é que aquilo acabe depressa e volte ao mundo futurista em tom noir pois é ali que o filme brilha.

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A forma como o próprio filme começa com uma sequência demasiado longa precisamente no mundo MMROPG entre vários personagens avatares corre o risco de passar imediatamente ao espectador que [“VIRTUAL REVOLUTION”] irá ser um filme bem pior do que é na realidade. Pessoalmente quando aquilo começou pensei mesmo que o filme ia ser um vazio. Resumindo, [“VIRTUAL REVOLUTION”] se não tinha meios para ser tão ambicioso em termos visuais deveria ter-se mantido no mundo Blade Runner Paris Noir.
Por um lado percebo a ideia de expandirem o conceito; a história tem potencial e até é interessante mesmo quando não é original mas não há que negar que o que deslumbra mesmo e torna [“VIRTUAL REVOLUTION”] tão especial é o facto de ter reproduzido o universo Blade Runner em Paris e tudo o resto acaba por não ser tão especial.

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PARIS 2047

[“VIRTUAL REVOLUTION”] é por tudo isto um filme estranho, irritante e fascinante tudo ao mesmo tempo. 
E lembram-se da “Diana” ? A réptil extraterrestre da série “V” dos anos 80 ?… Vão gostar de a rever neste filme.
Agora que o verdadeiro BLADE RUNNER II está quase a estrear, não perdem por espreitar [“VIRTUAL REVOLUTION”] para perceberem o que se pode fazer sem dinheiro nenhum dentro do género. 
Não é um filme obrigatório, mas é um título muito recomendável e se já viram por exemplo “NATURAL CITY” estando à procura de mais outro Blade Runner alternativo então este é um título a não perder pois é dos que melhor soube também reproduzir o estilo noir de que todos nós fãs do filme de Riddley Scott tanto gostamos.
Visualmente tem momentos muito bons, irá surpreender em certas alturas, o CGI não é nada mau e só lhe falta mesmo uma banda sonora de Vangelis.

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CLASSIFICAÇÃO

[“VIRTUAL REVOLUTION”] em termos de realização vai recordar-vos de muita coisa. Para lá do óbvio, tem um sabor bastante europeu onde não falta uma pitada de Jean Pierre Jeunet também nas influências estéticas com um cheirinho de Luc Besson aqui e ali.
O realizador Guy-Roger Duvert é considerado um novo valor dentro do cinema francês deste estilo e é bem capaz de ainda vir a surpreender, por isso se vocês procuram um bom série-B com mais alma do que parece este [“VIRTUAL REVOLUTION”] para lá do péssimo e piroso título é no entanto algo com substância e um bom esforço independente europeu para criar ficção-científica.

Quatro Planetas Saturno

Só não leva cinco porque as partes nos mundos virtuais embora sirvam para a história visualmente não são particularmente interessantes e cortam muito do ambiente que nos fascina no filme.
No entanto é realmente um título fascinante ao ponto de ser hipnótico e aguardo uma edição em bluray pois só existe em DVD por agora; ora se eu já quero comprar isto em Bluray, quer dizer que se calhar até gostei mais do filme do que penso ter gostado.

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A favor: o conceito virtual é um bom complemento para a atmosfera Blade Runner clássica, visualmente consegue ter alguns momentos surpreendentes, é um Blade Runner de baixo orçamento com alma, a história tem o seu quê de potencial, bom esforço do cinema europeu para se fazer bom cinema de FC.

Contra: Não tem um pingo de originalidade ou imaginação inovadora, já viram tudo isto antes mil e uma vezes, as sequências de acção ou aventura passadas no mundo virtual não são particularmente interessantes e quebram muito da atmosfera, alguns cenários reais são bastante desinspirados e destoam do que funciona no resto do filme, fala-se muito sobre acontecimentos em vez destes nos serem mostrados, devia ter mais cenas de exteriores na cidade futurista. Ehmmm… se 75% da população está fechada em casa ligada a mundos virtuais porque há tanta vida e tanto tráfego de carros voadores por toda a parte nos céus da cidade futurista de Paris ?… só estou a perguntar…

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
Sim, eu sei que o trailer é mau.
Ignorem o trailer. O filme é mais interessante do que parece.

 

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SITE OFICIAL
Vale a pena espreitarem. Está cheio de material, concept designs , making of , etc. Bom site.
https://www.virtualrevolutionmovie.com/

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VIRTUAL REVOLUTION_01

IMDb
http://www.imdb.com/title/tt4054004

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