“DIAMANTINO” (“DIAMANTINO”) Gabriel Abrantes, Daniel Schmidt (2018) PORTUGAL/BRASIL/FRANÇA

(ler em toda esta review com sotaque dos Açores a partir de agora). 🙂
Hoje quero falar-vos do Diamantino.

DIAMANTINO

A coisa que mais me surpreendeu neste filme foi como raio é que algo como [“DIAMANTINO“] me passou completamente ao lado !…
Não fosse ter visto este título em dvd à venda na FNAC com aquela capa histéricamente clássica, eu nunca teria sabido que isto sequer existia.
Até eu, que jurei nunca mais comprar um DVD pois só gasto dinheiro em Blurays não tive outra hipótese a não ser trazer o Diamantino para casa.
Por instinto e sem saber nada sobre ele.
Algo me dizia que isto ia ser muito especial.
E não estava enganado.

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Outra surpresa foi perceber o reconhecimento que isto tem estado a ter lá fora ao ponto de ter sido um sucesso em Cannes, o que para um filme Português, é obra.
Na verdade, parece que o mundo inteiro conhece este filme , excepto os Portugueses, a julgar pelas reviews no estrangeiro e pela fama de filme de culto que já tem em vários cantos do planeta.
E mete scifi tuga e tudo !

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Como falar sobre este filme sem lhes estragar o prazer da descoberta ?…
Há filmes tão prevísiveis no que toca àquilo que vamos ver a seguir que depois se tornam aborrecidos. Mas se [“DIAMANTINO“] tem uma força enorme a seu favor está no facto de que nunca fazemos ideia do que raio vai aparecer a seguir no ecran e quando aparece normalmente nem queremos acreditar no que estamos a ver.
Se conseguirem aguentar não ver o trailer ainda irão perceber melhor o que quero dizer; no entanto mesmo que o vejam, [“DIAMANTINO“] tem tanta cena estapafúrdia e genuínamente parva que ainda sobra bastante para descobrirem.

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[“DIAMANTINO“] segundo os seus criadores quando entrevistados no making of, não é sobre o Cristiano Ronaldo… embora eu ainda não perceba bem o que é que essa gente anda a fumar se espera que alguém acredite nisso depois de ver dois segundos desta aventura que mete tudo, desde futebolistas azeiteiros a sociedades secretas fascistas e cachorrinhos felpudos.

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Por falar em cachorrinhos felpudos, depois de verem [“DIAMANTINO“] , vai ser impossível vocês voltarem a ver um jogo de futebol com Cristiano Ronaldo sem pensarem em cachorrinhos felpudos e na sua relação com Diamantino.

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Diamantino é interpretado por Carloto Cotta, um actor que eu desconhecia por completo mas que por aqui parece ter sido totalmente possuído pelo espírito não só de Cristiano Ronaldo mas também por todos os futebolistas tugas azeiteiros que há memória.
Se [“DIAMANTINO“] tem momentos em que resulta plenamente como comédia hilariante muito se deve ao trabalho do actor nesta composição que (não) foi inspirada em alguem conhecido do mundo da bola.

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Diamantino não é apenas uma caricatura de Cristiano Ronaldo em modo azeiteiro levada a um extremo que toca por completo a realidade, mas acima de tudo é um personagem cativante, frágil e bastante humano também.
O que para um filme com uma história que podem encontrar em [“DIAMANTINO“] é obra !
O actor Carloto Cotta segura [“DIAMANTINO“] por completo mesmo naquelas alturas em que este título revela por demais as suas fraquezas enquanto filme. Diamantino é simplesmente brilhante, até mesmo quando o texto ( ou a realização ) não conseguem estar ao nível do trabalho do actor principal que parece ter nascido para interpretado este boneco que simplesmente (não) é uma das caricaturas mais geniais a Cristiano Ronaldo que poderão encontrar pela frente.

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É por causa dele que nós enquanto espectadores queremos mesmo gostar de [“DIAMANTINO“] enquanto filme. Comprei-o na esperança de que isto fosse tão bom quanto um dos meus filmes de culto tugas favoritos de todos os tempos ; “BALAS & BOLINHOS 2” mas infelizmente tenho que dizer que não chega lá.
Apesar do protagonista, dos personagens secundários ; ( as evil manas são o máximo também ), dos cachorrinhos felpudos e de conter um conjunto dos melhores gags dos últimos tempos a verdade é que o filme na minha opinião tem um par de fraquezas que impediu com que eu tivesse disfrutado por completo de tudo sem reparar em nada.

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Pelas reviews internacionais e elogios gerais a tudo, está claro que aquilo que na minha opinião é o ponto menos bom em [“DIAMANTINO“] não foi notado pela critica, nem podia ter sido na verdade.
O problema de [“DIAMANTINO“] são dois. O primeiro é a forma como por vezes os diálogos parecem forçados pois ninguém fala assim; ( claramente diálogos estruturados para um guião ) onde há alturas em que parece que o histerismo se sobrepõe à representação e à caricatura.
Aquela tão comentada – falta de naturalidade – de muitos actores Portugueses também aqui se nota por demais o que nos retira logo por completo do universo do filme em muitos momentos.

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Em “BALAS & BOLINHOS 2” por exemplo, ninguém duvida de que aqueles gajos existirão algures, tal a naturalidade dos diálogos e atitude chunga tuga absolutamente genuínos. [“DIAMANTINO“] sofre precisamente do contrário, há momentos em que a artificialidade da representação da parte de alguns personagens sobressai pela negativa e tudo parece demasiado forçado para ter graça. O que quebra a piada.
Isto, aliado também a uma montagem que não se percebe bem com demasiados tempos mortos onde por vezes os takes parecem estender-se por segundos a mais do que deveriam ter, faz com que [“DIAMANTINO“] na minha opinião perca algum folego quando deveria ter continuado em full-throttle desde o início até ao fim como acontece, lá está, com “BALAS & BOLINHOS 2”.

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O inicio de [“DIAMANTINO“] é absolutamente genial e hilariante, mas depois o filme chegado mais ou menos a meio parece que está mais interessado na sua mensagem politica ou social do que em manter o equílibrio narrativo e o sentido de humor alucinado. [“DIAMANTINO“] tenta por demais ser uma sátira demasiado séria com coisas para dizer quando se calhar teria dito muito mais sobre a nossa sociedade se se tivesse mantido totalmente estúpido como , mais uma vez, “BALAS & BOLINHOS 2” conseguiu manter-se sem ter perdido o toque de sátira social.
Isso falha neste filme agora.

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A partir do meio e quando entra a onda scifi, [“DIAMANTINO“] perde-se um bom bocado e para mim perdeu grande parte da piada, pois não há nada pior do que uma comédia que indica ao espectador onde deve rir especificamente e é isto que acontece em boa parte desta história quando o efeito hilariante do conceito passa após os primeiros minutos de surpresa.
É isto que certamente os críticos estrangeiros não apanham pois é preciso ser-se Português para reconhecer aquele tique – de falta de naturalidade – na nossa própria forma de falar em cinema quando comparada com a realidade.
Culpa do argumento, da direcção de actores ou do facto de [“DIAMANTINO“] ter sido realizado por duas pessoas diferentes, a verdade é que o resultado final sofre um bom bocado por causa de qualquer coisa que ainda não consegui identificar.

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Por outro lado… é bem verdade que isto tem momentos absolutamente hilariantes.
De repente quando menos esperamos lá nos cai uma alarvidade em cima que nem queremos acreditar que estamos a ver ou ouvir. Alguns diálogos são clássicos e toda a parte inicial do filme quando o Cristian… Diamantino deixa de conseguir jogar porque é muito bonzinho e ficou impressionado com os –“´fugiados”– é simplesmente brilhante.

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Merece com todo o mérito o estatuto de filme de culto, tem um protagonista absolutamente genial em todos os sentidos ( vocês até se esquecem de que não estão a ver os bastidores da vida do Cristiano Ronaldo ) , tem uma história suficientemente alucinada para ser genialmente estúpida e estupidamente genial ao mesmo tempo e são duas horas bem passadas que recomendo vivamente a toda a gente que quiser esquecer um pouco estes dias de quarentena que vivemos por causa do virus no mundo real lá fora.

Espera lá, agora eu também tive “ – uma ´fânia – ” !!!
E se [“DIAMANTINO“]  não for sobre Cristiano Ronaldo mesmo, mas sim sobre a sua estátua na Madeira ?…

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Além disso…
Pá, este filme tem cachorrinhos felpudos !!!
O que é que vocês querem mais ?!

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CLASSIFICAÇÃO

Não o acho tão genial quanto a crítica estrangeira parece achar que é, mas não há dúvida que [“DIAMANTINO“] é um dos grandes filmes de culto actuais de pleno direito seja em que parte do mundo for.
É uma lufada de ar fresco no cinema tuga que precisa de mais filmes parvos assim e ainda por cima tem um protagonista extraordinário + um par de personagens muito divertidos pelo meio também.
E depois disto vocês nunca mais irão conseguir olhar para o Cristiano Ronaldo da mesma maneira. E para cachorrinhos felpudos também…

Quatro Planetas Saturno

   

Poderia ter sido melhor não fosse, a mensagem politica que inclusivamente algumas reviews lá por fora também apontam estar a mais e metida um bocado a martelo. [“DIAMANTINO“] devia ter-se mantido bem mais simples na sua sátira ao mundo da bola e não parecer tão forçado em termos de temática in-your-face a partir do meio.
Embora não deixe de ser um excelente feel-good-movie.

Diamantino

A favor: o Cristia…o Diamantino e o actor por detrás do Diamantino, nunca sabemos o que pode acontecer no ecran a seguir, tem alguns diálogos e momentos absolutamente hilariantes, alguns gags visuais são geniais, representa como ninguém todo o azeite que há no mundo da bola, é um excelente feel-good-movie para tempos mais sombrios.

Contra: tenta passar uma mensagem demasiado séria de uma forma que não se equilibra com o resto da aventura, a montagem por vezes é errática demais o que cria momentos “aborrecidos” entre gags geniais por demais a meio do filme, muitos daqueles defeitos que se apontam ao cinema português em termos de – representação- ou falta de naturalidade estão muito presentes por aqui também e por demais evidentes o que retira por completo o espectador de dentro daquele mundo que tinha tudo para ser sempre hilariante.
Mas… só editaram isto em DVD ?!!! !!! !!!

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 


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TRAILER 2

 

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COMPRAR NA FNAC

https://www.fnac.pt/Diamantino-DVD-CARLOTO-COTTA-CLEO-TAVARES-DVD-Zona-2/a6860944

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt6522668/

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Se gostou deste, poderá gostar de:

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THE LAST DAYS ON MARS – Ruairi Robinson – (2013) – INGLATERRA/IRLANDA

Dizer que [“THE LAST DAYS ON MARS”] é um filme muito simpático pode parecer uma maneira estranha de definir essencialmente aquilo que é um filme de mortos-vivos.
Mas esta produção independente Inglesa/Irlandesa filmada na Jordânia e localizada em Marte, tem qualquer coisa de cativante.

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Se gostam de filmes de zombies, não se fartam do género e querem mais um, [“THE LAST DAYS ON MARS”] é uma excelente proposta com um ambiente diferente para um filme espacial.
Para mim [“THE LAST DAYS ON MARS”] é essencialmente o [REC] no espaço, passado em Marte em vez da praga de zombies ocorrer num edifício de apartamentos em Barcelona. E não é cinema Espanhol mas sim cinema Inglês independente.
Não será de longe tão assustador e claustrofóbico quanto [REC], mas tem alguns momentos em que anda lá perto.

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É melhor dizer desde já que não há nada de original neste filme.
Por isso se definem um bom filme pela… originalidade do conceito… se calhar já nem vão ao cinema.
Seria pela falta de originalidade que [“THE LAST DAYS ON MARS”] poderia ter descambado num produto desinteressante mas neste caso nem é algo com que terão de se preocupar para que possam desfrutar do que esta aventura no espaço propõe.
Sim, também este filme, tem notórias influências de ALIEN, pronto, está dito.
O que não tem ?!

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Não se preocupem com isso. [“THE LAST DAYS ON MARS”] vai beber a tudo e mais alguma coisa que vocês já viram mil vezes mas mistura cada ingrediente de uma forma totalmente eficaz.
Não há nada a mais nem a menos nesta história; que mais do que se inspirar em Alien é principalmente uma homenagem aos filmes marcianos da época de ouro da FC durante os  anos 50, onde havia sempre um foguetão que ia parar a Marte e depois os astronautas acabavam todos comidos por plantas carnívoras ou caranguejos gigantes.
Aqui acabam mastigados por zombies.

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No entanto [“THE LAST DAYS ON MARS”] é muito intenso e divertido.
Consegue ser tenso como o raio em alguns momentos e mesmo na sua falta de originalidade tem instantes em que cria realmente incertezas sobre o destino dos personagens.
Talvez porque a sua caracterização-tipo neste caso está bastante natural. Não é um daqueles filmes cheios de estrelas de Hollywood em pose mega-star e todos os personagens podiam ser pessoas reais.
Destaque para Liev Schreiber que carrega o filme no papel de um astronauta comum sem nada de especial e também para Olivia Williams que desde há um par de décadas parece andar somente a interpretar personagens antipáticos e aqui não é excepção. Olivia dá vida a mais outra gaja irritante mas que nem por isso tem características menos humanas quando as coisas aquecem.

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Até a actriz necessária para o inevitável momento de tensão romântica tem uma química excelente com o protagonísta o que torna toda acção bem mais lógica e natural, mesmo nos momentos em que o filme por vezes parece ir entrar por mais um cliché.
Todo o elenco está óptimo. Está cheio de caras conhecidas que já vimos algures mas não temos bem a certeza de onde as vimos antes e isso contribui bastante para mergulharmos na atmosfera realísta deste filme.

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Aliás… quando a NASA quiser falsificar uma ida a Marte um dia destes, pode contratar a equipa de produção desta aventura.
[“THE LAST DAYS ON MARS”] tem possivelmente o ambiente Marciano mais credível e próximo da realidade que já vi no cinema, no que toca a uma eventual presença humana no planeta num futuro que esperemos não demore muito…menos a parte dos zombies, claro está…

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Os ambientes tecnológicos deste filme são absolutamente fantásticos.
São high-tech mas não parecem cenários para cinema. Nada parece excessivamente uma peça de design para um set e tudo se assemelha apenas com aquilo que estamos habituados a ver nos documentários científicos sobre exploração espacial contemporânea.
Quem criou o set design deste filme está de parabéns pela contenção.

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Não parece á primeira vista, devido á simplicidade do filme e daquilo que precisa de mostrar na história, mas os efeitos especiais em [“THE LAST DAYS ON MARS”] são tão bons como quaisquer uns saídos de um grande blockbuster de Hollywood, coisa que esta produção inglesa não é nem tenta ser pois tem a escala de um pequeno filme independente.
No entanto visualmente o filme está muito bem servido e surpreendentemente os melhores efeitos são aqueles que nós nem notamos que lá estiveram o tempo todo.
Quando vi o making of nem queria acreditar num pormenor… que vou deixar á vossa imaginação.
Vão por mim, os efeitos neste filme estão por todo o lado, mesmo quando não se evidenciam nem parecem existir na cena. Excelente trabalho.

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De resto o que se pode dizer desta produção independente ? As cenas de exterior foram filmadas algures num deserto da Jordânia e portanto o Marte que aparece aqui não é exactamente o mesmo tipo de Marte made in Hollywood que estamos habituados a ver ser filmado algures num canyon americano, o que muito contribui para o realismo desta história e a torna mais claustrofobica do que poderia ter sido; visto que muito do suspanse se passa em espaços abertos (até de dia). Se o espectador deixasse por momentos de acreditar que estes astronautas estavam isolados em Marte o filme poderia ter ido pelo cano abaixo, visto já tudo na sua premissa ser tão simples, mas tal nunca acontece, aquilo é Marte mesmo.
Pessoalmente gosto muito mais de todo o ambiente marciano em [“THE LAST DAYS ON MARS”] do que o que vi em The Martian de Riddley Scott por exemplo.

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A história é a do costume em termos de cinema zombie. Não esperem algo transcendental que irá mudar a vossa vida. Isto é um filme de porrada, com sangue e mortos que mordem pessoas. Não precisa ser mais nada para ser bom, pois a realização e a montagem são excelentes e toda esta produção é … simpáticamente sólida.
Nos últimos dias da missão a Marte um dos astronautas descobre uma forma de vida marciana numa caverna que quando entra em contacto com o ser humano os transforma em mortos-vivos sedentos e desejosos de sugarem a vida de tudo o que existe ao seu redor. Vocês já viram isto antes.

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Já o viram de forma diferente, já viram muito mais mal feito.
Assim como está, está óptimo.
Serve o filme perfeitamente e tudo culmina num final que se encaixa na ideia,  não menos previsível embora para mim seja realmente o melhor final subjectivo possível sem entrar pela estupidez do costume como o cinema americano costuma deixar os filmes em aberto. Aqui não há “surpresa” final. Tomem lá isto como originalidade !!

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[“THE LAST DAYS ON MARS”] termina de uma forma interessantemente simples e eu por mim ficava todo contente com uma sequela.

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CLASSIFICAÇÃO

Eu gostei. Devido ao meu interesse particular por um Marte misterioso, ainda tinha esperança que esta fosse a aventura arqueológica que eu continuo á espera depois da minha decepção com Mission to Mars de Brian de Palma, mas enquanto essa história sobre a Face on Mars não chega, este filme de zombies, [“THE LAST DAYS ON MARS”] cumpre perfeitamente.
Como já disse isto é o REC no espaço mas numa versão mais simples embora não menos eficaz e recomenda-se vivamente ao público que gosta de cinema de terror onde o medo está na atmosfera gerada e não nos SUSTOS repentinos.

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Como filmes de terror atmosférico onde o ambiente faz o medo não abundam, [“THE LAST DAYS ON MARS”] é uma opção a não perder por quem não esperar muito mais do que um simples filme de zombies.
É um pequeno grande representante do género zombie ao mesmo tempo que consegue manter-se dentro de um sólido e realístico ambiente de ficção-científica clássica de tom sério.

Quatro Planetas Saturno porque sim.

  

A favor: atmosfera de ficção-científica sólida, bom ambiente de medo, não depende de sustos repentinos para ser perturbante, excelente set-design, excelentes cenários naturais que simulam Marte de forma fantástica, bom elenco e personagens, óptima realização, fotografia a condizer, efeitos digitais que não se notam de todo onde o espectador nem imagina, efeitos especiais de óptima qualidade de forma genérica, a contenção da parte romântica faz com esta funcione na perfeição e nos faça torcer pelos personagens protagonistas, não tem um final com “surpresa” ao estilo do que costuma acontecer no típico filme “de terror” hollywoodesco.

Contra: Já viram um filme de zombies, já viram todos e este não inova em nada a não ser no facto de tudo se passar em Marte e ter um final contido mas muito atmosférico. Não é particularmente nojento e devia ter sido mais excessivamente violento para ser perfeito. Nota-se por ali alguma contenção nas vísceras e no sangue para manter o filme numa classificação etária mais abrangente.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1709143

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COMPRAR DVD REGIÃO 2 – EUROPA
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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

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“Mythica – A Quest for Heroes” (“Mythica – A Quest for Heroes”) Anne Black (2015) USA

Quando eu tento explicar a alguém que [“Mythica – A Quest for Heroes”] ( e toda a subsequente série ) entraram inesperadamente para a lista dos filmes da minha vida a par com coisas como Casablanca, Blade Runner, A História Interminável, 2001 Space Odyssey ou Cinema Paradiso, por exemplo; as pessoas pensam que eu estou a brincar.

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Mas não estou.
Contrariamente ao que acontece com a generalidade do público, entre o que se costuma designar por “filmes das nossas vidas” no meu caso constam não só muitos títulos daqueles que não são nem nunca foram minimamente conhecidos, como principalmente outros tantos a que muito espectador casual de “blockbuster da semana” torce logo o nariz e apelida de “filme mau”. Normalmente acusado de o ser, apenas porque – “os efeitos especiais não prestam / é mal feito” – e não pode ser comparado com o que está na moda nessa semana nos cinemas de centro comercial impingido aos obedientes comedores de pipocas.
[“Mythica – A Quest for Heroes”] de todos os filmes de baixo orçamento que me passaram pela frente nos últimos anos dentro do género -Fantasia- é com toda a certeza o melhor. Aliás, toda a série é uma verdadeira surpresa e só este primeiro filme na minha opinião mereceu todos os prémios que tem arrecadado nos festivais de cinema independentes.

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Tal como há quem pense que não pode haver bom cinema espectáculo fora de Hollywood e nem sonha que existem títulos absolutamente extraordinários no cinema oriental capazes de rivalizar até em estilo blockbuster com qualquer coisa que o marketing americano esteja a impingir na altura, também existe uma grande percentagem de espectadores ocidentais que não conseguem fazer a distinção entre cinema da máquina de encher chouriços de Hollywood e uma produção independente criada com alma mas sem guito absolutamente nenhum.
Esses nunca irão gostar ou compreender o que está por detrás de uma produção como [“Mythica – A Quest for Heroes”].

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Basta lermos uns quantos comentários de utilizadores no IMDB a criticarem negativamente alguns filmes de baixo orçamento (porque não se parecem com um filme da moda), para constatarmos que há quem ache que pode comparar em pé de igualdade um mega blockbuster de centenas de milhões de dólares com uma produção independente de orçamento miserável.
O IMDb está cheio de filmes extraordinários que não têm mais do que 2 ou 3 valores atribuidos pelos utilizadores apenas porque são produções independentes de muito baixo orçamento mas nem por isso deixam de ser comparadas técnicamente com o que mega filmes de Hollywood criados com centenas de milhões de dólares conseguem fazer.

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Muita gente equipara um bom filme a – bons efeitos especiais – (ou pior, a cenas de acção); o que significa automaticamente que para a maioria dessas pessoas um filme com efeitos fracos quer logo dizer que é – mau cinema.
Como se o cinema ou o talento narrativo de um realizador para contar histórias e criar personagens estivesse dependente da qualidade dos efeitos especiais ou da execução multi-milionária das cenas de acção que consiga produzir.
Por este prisma não é de admirar que coisas como “Transformers” continuem a encher salas e Hollywood não faça mais do que reciclar a fórmula que já fez dinheiro na época anterior sem que ninguém reclame.  E vai voltar à carga nas próximas semanas com “Power Rangers”, outra pastilha elástica que já vimos mil vezes carregada de porradaria digital vazia sem nada que o distinga e onde nem falta o trailer gringo onde se revela toda a “história” em modo videogame. Sucesso garantido entre os teens concerteza.
Felizmente para quem já está farto desta situação, o cinema independente americano tem estado a produzir boas alternativas para quem as consegue encontrar e Mythica é um bom exemplo de um título muito recomendável.
Isto para quem ainda não confunde o bom cinema com a eficácia dos efeitos digitais.

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Mas afinal [“Mythica – Quest for Heroes”] tem o quê de tão especial ?
Não é isto um filme baratucho, “mal feito” ?…
Bem, é muito mais baratucho do que vocês possam pensar sim senhor.
Mal feito, depende da vossa definição sobre o que será um filme – “bem feito”.
Quanto a mim, a série de filmes Mythica é do melhor que vi nos últimos anos em termos de cinema independente; daqueles muito simples e sem qualquer pretensão a não ser contar uma história divertida com eficácia.
Neste caso estamos a falar de cinema independente, de muito, muito baixo orçamento a roçar o nível amador mesmo.
Então … mas … mas …

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Calma.
Se lerem algumas reviews profissionais pela net, hão de notar um fenómeno algo raro mas desta vez comum a muitas opiniões escritas. Como alguém já bem disse num artigo online, há duas maneiras de olhar para [“Mythica – A Quest for Heroes”].
Se olharmos para este título comparando-o imediatamente com a típica grande produção feita com imenso dinheiro saída da máquina de Hollywood é óbvio que esta agora não pode competir em quase nada.
Os efeitos especiais são o que se pôde arranjar, as lutas parecem amadoras ( quando a boa montagem não as consegue disfarçar ) e toda a escala do filme parece não ter muito espaço para impressionar o típico comedor de pipocas de centro comercial.

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Mas como alguém disse numa outra review, a partir do momento em que espreitamos os bastidores desta produção, percebendo o empenho e a alma que está por detrás de [“Mythica – A Quest for Heroes”] mesmo no seu amadorismo é quase impossível não sentir vontade de rever o filme se já o tivermos visto antes; e desta vez  olhar para ele de uma perspectiva diferente.
E este merece mesmo uma segunda oportunidade.

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[“Mythica – A Quest for Heroes”] arrecadou  96 mil dólares no Kickstarter em donativos e custou pouco mais do que isso para ser produzido.
Notem que eu dizer 96 mil dólares; não disse 96 milhões.
A equipa envolvida contou com um grupo de amigos que durante semanas intermináveis martelou cenários de madeira, construiu espadas medievais, reuniu mais gente e a coisa foi crescendo por amor ao que estavam a tentar produzir. Uma aventura à moda antiga no estilo Dungeons & Dragons.
Até Kevin Sorbo, habituado a estas andanças muito low budget entrou nisto praticamente em regime de voluntariado por ter gostado do espírito da coisa.

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[“Mythica – A Quest for Heroes”] pelo trailer pode parecer um mau plágio de baixo orçamento de qualquer filme de Peter Jackson, mas desenganem-se aqueles que pensam que será apenas uma espécie de Lord of the Rings dos pobres.
Se assim parece, isso deve-se ao facto de muitos dos “orcs” nesta produção terem um estilo visual semelhante, mas isso foi porque essa abordagem estética era a forma mais barata de produzir os inimigos necessários para filmar a aventura e em termos de argumento [“Mythica – A Quest for Heroes”] conta uma história totalmente diferente.
É certo que não é a história de fantasia mais original do mundo, mas se tentaram captar aquela atmosfera D&D fizeram-no melhor com 96 mil dólares agora do que Hollywood fez há década e meia atrás quando gastou milhões numa adaptação do “Dungeons & Dragons” original mas que nem de longe chegou aos calcanhares do que um “grupo de amadores” conseguiu agora sem dinheiro nenhum.

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[“Mythica – A Quest for Heroes”]  é a demonstração de que se calhar o dinheiro não compra a alma de um filme pois este tem um espírito de aventura absolutamente genuíno e nota-se que houve um enorme gosto por detrás desta produção.
Na verdade mais do que se parecer com um Lord of the Rings de baixo orçamento, [“Mythica – A Quest for Heroes”] faz mais lembrar um “WILLOW” sem dinheiro.
Tanto no ambiente geográfico como na forma como os personagens interagem mas principalmente no sentido de humor que carrega toda a aventura.
E não, não tem anões.
Espera… … …
Ah, mas tem miúdas com pinta.

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Giras e com carisma. Aliás, um dos grandes trunfos de [“Mythica – A Quest for Heroes”] está precisamente no elenco. Não sei de onde esta gente saiu, mas todos contribuem totalmente para nos fazer crer enquanto espectadores que o mundo de Mythica existe realmente.
A protagonista é perfeita; os personagens masculinos são excelentes também, com destaque para o ladrão, o guerreiro e o anão que gere o bar onde todos os mercenários se encontram.

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Tudo pessoal com grande carisma e muito boa presença de écran.
É certo que ninguém ganhará um Óscar de representação mas não precisam.
Isto é muito difícil de explicar sem estragar algumas das surpresas ou revelar as partes mais divertidas e inesperadas, por isso fico-me por aqui.
Vão por mim, não só o elenco faz um trabalho excelente como chegamos ao final da história com vontade de voltar a acompanhar novas aventuras com este grupo de heróis.

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[“Mythica – A Quest for Heroes”] ganhou já bastantes prémios em festivais de cinema independente e mereceu todos eles.
Merece acima de tudo pela realização.
É trabalho de uma realizadora nova que parece ter aparecido do nada, tal como praticamente toda a gente envolvida nisto mas conseguiu o milagre de sem dinheiro nenhum criar um mundo verdadeiramente consistente e “real”; fazendo-nos esquecer por completo que tudo foi filmado no estado do Utah num par de dias gelados de inverno.

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Nota-se o baixo orçamento e não só nos efeitos especiais. Se estiverem atentos vão reparar que não existem grandes movimentos de câmera. Não há panorâmicas épicas de helicóptero, não há steadicams espectaculares em acção e todos os enquadramentos mais complexos são geridos terra-a-terra.
Mas é aqui que o filme brilha pois o facto de não ter contado com dinheiro obrigou a que a equipa precisasse de encontrar soluções alternativas; por causa disso mesmo Mythica tem um estilo visual muito pessoal e assente num mundo real; o que poderá passar despercebido a muita gente.

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Quando o vemos pela primeira vez sentimos que falta ali qualquer coisa mas não sabemos bem o quê. [“Mythica – A Quest for Heroes”] por ser um filme barato é diferente de um produto estereotipado de Hollywood e isso ao início apanha-nos de surpresa, mas depois contribui totalmente para que este mundo de fantasia tenha mais identidade do que se fosse construído com um orçamento de milhões de dólares que certamente o tornaria bastante plástico.
O mundo de Mythica é bastante real e isso dá à aventura uma atmosfera que a distingue imediatamente do que estamos habituados a ver.

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E esqueçam as críticas negativas aos efeitos. Isso não passa de um argumento infantil.
O cinema não é feito de efeitos mas sim de histórias bem contadas e [“Mythica – A Quest for Heroes”] é uma história não só bem contada como tem um ambiente de fantasia que acerta em cheio naquilo que é a essência do estilo D&D.
Aliás tomara muitas produções de milhões de dólares terem a atmosfera que está presente no mundo de Mythica.
Olhem, é mil vezes melhor que o último – reboot– do Conan, por exemplo.
E arrisco-me a dizer que me divertiu mais descobrir este título do que acompanhar os três filmes The Hobbit ( que nunca tenho vontade de rever ao contrário do que me acontece com Mythica ).
Recentemente também gostei do filme Warcraft mas também não fiquei com a mínima vontade de o voltar a ver e muito menos de o comprar.
Mythica acabei agora de comprar em Bluray, fica melhor a cada vez que o revejo.
Mal posso esperar para ter todos os capítulos na mão em boas edições legítimas pois até agora só consegui ver o terceiro e quarto ( que são fabulosos ) em cópias sacadas da net; ( acabei também agora de comprar o bluray do terceiro e só falta o quarto e quinto para completar a colecção ).

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[“Mythica – A Quest for Heroes”] tem muita alma.
Quer ser um filme de fantasia , quer criar um mundo para desenvolver aventuras e consegue-o muitas vezes indo muito para lá daquilo que o seu mísero orçamento lhe permitiria á partida.
Basta verem o making of para perceberem o empenho da equipa que se divertiu a construir tudo isto.
Mais vale um par de “menires” de cartão prensado colocados no meio de uma colina para criar uma atmosfera de mundo de fantasia, do que mil efeitos digitais sofisticados onde se percebe tanto que são animações como se nota nas criaturas simples que Mythica pôde pagar. A simplicidade compensa mas muita gente não entenderá isso.

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[“Mythica – A Quest for Heroes”] além dos actores ( e personagens cativantes ), tem vários trunfos técnicos que o elevam acima da maioria dos filmes de série-Z que inundam o mercado em produções lixo semelhantes mas verdadeiramente intragáveis.
Para começar a banda sonora é excelente.
Não fica no ouvido, mas durante todo o filme dá um sentido épico á aventura que de outra forma nunca teria estado presente.
Até os heróis a caminharem por uma montanha acima ao som daquelas melodias parece algo especial que faz com que nos apeteça ir caminhar também com eles por aquele  mundo. Tudo graças a uma música que entusiasma e dá imenso ambiente à história.

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Muitos críticos que tal como eu, também adoraram o filme, referem o guarda roupa como sendo um dos pontos altos desta produção.
Normalmente isto é o tipo de coisa que nem se menciona por aí além, mas desta vez estamos perante um caso especial.
É verdadeiramente unânime que se [“Mythica – A Quest for Heroes”] tem os personagens carismáticos que tem, muito também se deve a um guarda roupa fantástico que não parece nada ter sido criado apenas para servir um filme.
O resultado visual é tão bom que ficamos com a ideia de que houve um imenso planeamento de design para conseguir uma qualidade assim quando na verdade a inspiração do momento contribuiu muito mais para o resultado final do que se poderia pensar à primeira vista, o que torna este guarda roupa ainda mais especial.

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Como muita gente já referiu em várias reviews, parece que aquelas roupas fazem mesmo parte daquele mundo e o mais espectacular é que foram todas desenhadas de improviso, com dedo da própria realizadora que também serviu de “construtora” de guarda roupa à pressão com o que a produção ia encontrando durante o planeamento inicial do filme.
Não só estes personagens têm um estilo visual único que lhes dá uma identidade muito pessoal, como acima de tudo as roupas quase que fazem o trabalho de representação pelos actores no que toca á apresentação de cada personagem.

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Outro ponto alto são os cenários.
Muito poucos foram construídos, alguns não resultam particularmente bem ( a aldeia da heroína é algo rasca visualmente ), mas depois o filme tem momentos fantásticos em termos de cenografia de ultra baixo orçamento que compensam todas as falhas.
O laboratório do Mago no início tem montes de atmosfera, o design da cozinha da heroína é muito ambiental e até o bar onde se encontram todos os mercenários não ficaria envergonhado perante o set do – Prancig Poney – nos filmes do Lord of the Rings.
Tudo conseguido apenas com uma excelente decoração temática de locais reais algures algures pelo Utah adentro, aliada a uma excelente iluminação.
Aliás, a boa fotografia desta pequena produção é outro grande ponto positivo desta aventura.

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Um dos melhores momentos em termos de cenário, está por exemplo na breve cena de rua em que se vê o exterior de uma cidade medieval, com um castelo à distância.
Quando eu vi o filme pela primeira vez, nem me passou pela cabeça que aquilo não tivesse sido filmado de verdade algures lá pela Irlanda ou Escócia e fiquei bastante surpreendido quando nas cenas de bastidores percebi que tudo não passavam de algumas paredes de madeira pintadas com uns toques de CGI para estender o cenário. Bravo !
Por tudo isto [“Mythica – A Quest for Heroes”], junta-se a outros tantos outros séries-B ou Z independentes, muitas vezes desprezados mas que fazem parte da lista de filmes da minha vida;  Starcrash, They Live, Humanity´s End, etc.
Já o revi várias vezes e de cada vez encontro sempre nele detalhes que me tinham passado ao lado anteriormente.
E isto é só o início; os filmes 3 e 4 ainda são melhores, o que complica até aqui a classificação…
Mas vamos a isto.

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CLASSIFICAÇÃO

Então a coisa é simples, [“Mythica – A Quest for Heroes”] é uma aventura de fantasia que irá agradar e muito , principalmente a quem goste de cinema do género e perceba o espírito do cinema de baixo orçamento.

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Se são daqueles que ficam fascinados com um bom resultado cinematográfico quando este surge a partir de praticamente nada, então este filme é para vocês.
Se são fanáticos de D&D então duvido que encontrem melhor, pois isto nas suas imensas limitações captou na perfeição o espírito da coisa e recomenda-se vivamente.
Cinco planetas Saturno e um Gold Award sem qualquer hesitação.

     

A história está bem contada, a realização faz milagres e consegue transportar-nos verdadeiramente para um novo universo de fantasia que funciona, mesmo sem precisar de milhões de dólares.

A favor:
Mesmo sendo um filme de baixo orçamento vai muito para lá do que seria esperado, actores com muito carisma, excelente realização, bons personagens, alguns cenários são mesmo perfeitos, óptimo guarda roupa, boa banda sonora, alguns efeitos especiais das magias são bastante bons, diálogos divertidos, boa montagem, boa fotografia, sabe disfarçar algumas fraquezas nas cenas de acção limitadas, ficamos com vontade de ver mais quando acaba, faz lembrar “Willow” em muitos momentos.

Contra: Os efeitos especiais das criaturas são bastante limitados e não irá agradar a quem olhar para isto como se esperasse um blockbuster de porrada digital.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER

[“Mythica – A Quest for Heroes”] felizmente foi um sucesso – indie – merecido.
Não só tornou-se um filme de culto dentro dos festivais independentes e ganhou prémios, como as suas vendas online foram suficientes para financiar uma sequela, que por sua vez deu origem a uma companhia de cinema independente a Arrowstorm Entertainment que além da série Mythica, produziu mais um par de excelentes filmes low budget de fantasia dentro de universos medievais semelhantes e também um par deles realizados pela mesma Anne Black que tem feito um trabalho tão bom.

Exemplo de uma das partes mais interessantes do pequeno making of incluído nas edições bluray/dvd

Mythica encontra-se neste momento a procurar novo financiamento no Kickstarter para terminar a saga com um quinto filme e isto quer dizer que mais alguns meses e teremos toda a história completa.

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Portanto meus amigos, recomenda-se totalmente.
Eu saquei inicialmente para espreitar, mas gostei tanto que acabei de comprar uma edição alemã com os dois primeiros filmes em bluray por um preço excelente na amazon e recomendo vivamente.
A qualidade de imagem do bluray é fantástica mas a edição alemã não contem legendas nenhumas.
Felizmente tras a pista de audio americana original.
Mas por pouco mais de 15 euros para mim é a edição a escolher para quem tiver bluray, pois contém logo os dois primeiros filmes e muitos extras que valem a pena.

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COMPRAR EM BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO ALEMÃ
( sem legendas mas com pista de som em inglés e contêm logo também o segundo filme da saga, por isso vale mesmo a pena)

bluray
https://www.amazon.co.uk/gp/product/B015K0XRKO/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B015K0XRKO&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21

COMPRAR EM DVD – REGIÃO 2 – EDIÇÃO UK (legendas em inglés)
Nota: por qualquer motivo a capa deste primeiro capítulo incluí personagens que só aparecem na parte 2 , mas este dvd só tem mesmo o primeiro filme.

dvd-uk

https://www.amazon.co.uk/gp/product/B00TFGRYUO/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B00TFGRYUO&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21

Edição PT, esqueçam.

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Videoclip
https://www.youtube.com/watch?v=meYYFYjBlLU&list=PLeOypSxl76cT_RL0wWV-apCfQHUzo8Dn5

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3405714/?ref_=nv_sr_1

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Cinema independente low-budget de que irá gostar:

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