“DIAMANTINO” (“DIAMANTINO”) Gabriel Abrantes, Daniel Schmidt (2018) PORTUGAL/BRASIL/FRANÇA

(ler em toda esta review com sotaque dos Açores a partir de agora). 🙂
Hoje quero falar-vos do Diamantino.

DIAMANTINO

A coisa que mais me surpreendeu neste filme foi como raio é que algo como [“DIAMANTINO“] me passou completamente ao lado !…
Não fosse ter visto este título em dvd à venda na FNAC com aquela capa histéricamente clássica, eu nunca teria sabido que isto sequer existia.
Até eu, que jurei nunca mais comprar um DVD pois só gasto dinheiro em Blurays não tive outra hipótese a não ser trazer o Diamantino para casa.
Por instinto e sem saber nada sobre ele.
Algo me dizia que isto ia ser muito especial.
E não estava enganado.

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Outra surpresa foi perceber o reconhecimento que isto tem estado a ter lá fora ao ponto de ter sido um sucesso em Cannes, o que para um filme Português, é obra.
Na verdade, parece que o mundo inteiro conhece este filme , excepto os Portugueses, a julgar pelas reviews no estrangeiro e pela fama de filme de culto que já tem em vários cantos do planeta.
E mete scifi tuga e tudo !

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Como falar sobre este filme sem lhes estragar o prazer da descoberta ?…
Há filmes tão prevísiveis no que toca àquilo que vamos ver a seguir que depois se tornam aborrecidos. Mas se [“DIAMANTINO“] tem uma força enorme a seu favor está no facto de que nunca fazemos ideia do que raio vai aparecer a seguir no ecran e quando aparece normalmente nem queremos acreditar no que estamos a ver.
Se conseguirem aguentar não ver o trailer ainda irão perceber melhor o que quero dizer; no entanto mesmo que o vejam, [“DIAMANTINO“] tem tanta cena estapafúrdia e genuínamente parva que ainda sobra bastante para descobrirem.

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[“DIAMANTINO“] segundo os seus criadores quando entrevistados no making of, não é sobre o Cristiano Ronaldo… embora eu ainda não perceba bem o que é que essa gente anda a fumar se espera que alguém acredite nisso depois de ver dois segundos desta aventura que mete tudo, desde futebolistas azeiteiros a sociedades secretas fascistas e cachorrinhos felpudos.

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Por falar em cachorrinhos felpudos, depois de verem [“DIAMANTINO“] , vai ser impossível vocês voltarem a ver um jogo de futebol com Cristiano Ronaldo sem pensarem em cachorrinhos felpudos e na sua relação com Diamantino.

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Diamantino é interpretado por Carloto Cotta, um actor que eu desconhecia por completo mas que por aqui parece ter sido totalmente possuído pelo espírito não só de Cristiano Ronaldo mas também por todos os futebolistas tugas azeiteiros que há memória.
Se [“DIAMANTINO“] tem momentos em que resulta plenamente como comédia hilariante muito se deve ao trabalho do actor nesta composição que (não) foi inspirada em alguem conhecido do mundo da bola.

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Diamantino não é apenas uma caricatura de Cristiano Ronaldo em modo azeiteiro levada a um extremo que toca por completo a realidade, mas acima de tudo é um personagem cativante, frágil e bastante humano também.
O que para um filme com uma história que podem encontrar em [“DIAMANTINO“] é obra !
O actor Carloto Cotta segura [“DIAMANTINO“] por completo mesmo naquelas alturas em que este título revela por demais as suas fraquezas enquanto filme. Diamantino é simplesmente brilhante, até mesmo quando o texto ( ou a realização ) não conseguem estar ao nível do trabalho do actor principal que parece ter nascido para interpretado este boneco que simplesmente (não) é uma das caricaturas mais geniais a Cristiano Ronaldo que poderão encontrar pela frente.

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É por causa dele que nós enquanto espectadores queremos mesmo gostar de [“DIAMANTINO“] enquanto filme. Comprei-o na esperança de que isto fosse tão bom quanto um dos meus filmes de culto tugas favoritos de todos os tempos ; “BALAS & BOLINHOS 2” mas infelizmente tenho que dizer que não chega lá.
Apesar do protagonista, dos personagens secundários ; ( as evil manas são o máximo também ), dos cachorrinhos felpudos e de conter um conjunto dos melhores gags dos últimos tempos a verdade é que o filme na minha opinião tem um par de fraquezas que impediu com que eu tivesse disfrutado por completo de tudo sem reparar em nada.

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Pelas reviews internacionais e elogios gerais a tudo, está claro que aquilo que na minha opinião é o ponto menos bom em [“DIAMANTINO“] não foi notado pela critica, nem podia ter sido na verdade.
O problema de [“DIAMANTINO“] são dois. O primeiro é a forma como por vezes os diálogos parecem forçados pois ninguém fala assim; ( claramente diálogos estruturados para um guião ) onde há alturas em que parece que o histerismo se sobrepõe à representação e à caricatura.
Aquela tão comentada – falta de naturalidade – de muitos actores Portugueses também aqui se nota por demais o que nos retira logo por completo do universo do filme em muitos momentos.

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Em “BALAS & BOLINHOS 2” por exemplo, ninguém duvida de que aqueles gajos existirão algures, tal a naturalidade dos diálogos e atitude chunga tuga absolutamente genuínos. [“DIAMANTINO“] sofre precisamente do contrário, há momentos em que a artificialidade da representação da parte de alguns personagens sobressai pela negativa e tudo parece demasiado forçado para ter graça. O que quebra a piada.
Isto, aliado também a uma montagem que não se percebe bem com demasiados tempos mortos onde por vezes os takes parecem estender-se por segundos a mais do que deveriam ter, faz com que [“DIAMANTINO“] na minha opinião perca algum folego quando deveria ter continuado em full-throttle desde o início até ao fim como acontece, lá está, com “BALAS & BOLINHOS 2”.

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O inicio de [“DIAMANTINO“] é absolutamente genial e hilariante, mas depois o filme chegado mais ou menos a meio parece que está mais interessado na sua mensagem politica ou social do que em manter o equílibrio narrativo e o sentido de humor alucinado. [“DIAMANTINO“] tenta por demais ser uma sátira demasiado séria com coisas para dizer quando se calhar teria dito muito mais sobre a nossa sociedade se se tivesse mantido totalmente estúpido como , mais uma vez, “BALAS & BOLINHOS 2” conseguiu manter-se sem ter perdido o toque de sátira social.
Isso falha neste filme agora.

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A partir do meio e quando entra a onda scifi, [“DIAMANTINO“] perde-se um bom bocado e para mim perdeu grande parte da piada, pois não há nada pior do que uma comédia que indica ao espectador onde deve rir especificamente e é isto que acontece em boa parte desta história quando o efeito hilariante do conceito passa após os primeiros minutos de surpresa.
É isto que certamente os críticos estrangeiros não apanham pois é preciso ser-se Português para reconhecer aquele tique – de falta de naturalidade – na nossa própria forma de falar em cinema quando comparada com a realidade.
Culpa do argumento, da direcção de actores ou do facto de [“DIAMANTINO“] ter sido realizado por duas pessoas diferentes, a verdade é que o resultado final sofre um bom bocado por causa de qualquer coisa que ainda não consegui identificar.

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Por outro lado… é bem verdade que isto tem momentos absolutamente hilariantes.
De repente quando menos esperamos lá nos cai uma alarvidade em cima que nem queremos acreditar que estamos a ver ou ouvir. Alguns diálogos são clássicos e toda a parte inicial do filme quando o Cristian… Diamantino deixa de conseguir jogar porque é muito bonzinho e ficou impressionado com os –“´fugiados”– é simplesmente brilhante.

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Merece com todo o mérito o estatuto de filme de culto, tem um protagonista absolutamente genial em todos os sentidos ( vocês até se esquecem de que não estão a ver os bastidores da vida do Cristiano Ronaldo ) , tem uma história suficientemente alucinada para ser genialmente estúpida e estupidamente genial ao mesmo tempo e são duas horas bem passadas que recomendo vivamente a toda a gente que quiser esquecer um pouco estes dias de quarentena que vivemos por causa do virus no mundo real lá fora.

Espera lá, agora eu também tive “ – uma ´fânia – ” !!!
E se [“DIAMANTINO“]  não for sobre Cristiano Ronaldo mesmo, mas sim sobre a sua estátua na Madeira ?…

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Além disso…
Pá, este filme tem cachorrinhos felpudos !!!
O que é que vocês querem mais ?!

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CLASSIFICAÇÃO

Não o acho tão genial quanto a crítica estrangeira parece achar que é, mas não há dúvida que [“DIAMANTINO“] é um dos grandes filmes de culto actuais de pleno direito seja em que parte do mundo for.
É uma lufada de ar fresco no cinema tuga que precisa de mais filmes parvos assim e ainda por cima tem um protagonista extraordinário + um par de personagens muito divertidos pelo meio também.
E depois disto vocês nunca mais irão conseguir olhar para o Cristiano Ronaldo da mesma maneira. E para cachorrinhos felpudos também…

Quatro Planetas Saturno

   

Poderia ter sido melhor não fosse, a mensagem politica que inclusivamente algumas reviews lá por fora também apontam estar a mais e metida um bocado a martelo. [“DIAMANTINO“] devia ter-se mantido bem mais simples na sua sátira ao mundo da bola e não parecer tão forçado em termos de temática in-your-face a partir do meio.
Embora não deixe de ser um excelente feel-good-movie.

Diamantino

A favor: o Cristia…o Diamantino e o actor por detrás do Diamantino, nunca sabemos o que pode acontecer no ecran a seguir, tem alguns diálogos e momentos absolutamente hilariantes, alguns gags visuais são geniais, representa como ninguém todo o azeite que há no mundo da bola, é um excelente feel-good-movie para tempos mais sombrios.

Contra: tenta passar uma mensagem demasiado séria de uma forma que não se equilibra com o resto da aventura, a montagem por vezes é errática demais o que cria momentos “aborrecidos” entre gags geniais por demais a meio do filme, muitos daqueles defeitos que se apontam ao cinema português em termos de – representação- ou falta de naturalidade estão muito presentes por aqui também e por demais evidentes o que retira por completo o espectador de dentro daquele mundo que tinha tudo para ser sempre hilariante.
Mas… só editaram isto em DVD ?!!! !!! !!!

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 


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TRAILER 2

 

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COMPRAR NA FNAC

https://www.fnac.pt/Diamantino-DVD-CARLOTO-COTTA-CLEO-TAVARES-DVD-Zona-2/a6860944

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt6522668/

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Se gostou deste, poderá gostar de:

Exceptuando “BALAS & BOLINHOS , 2 e 3” , ou “CAPITÃO FALCÃO” de que ainda não falei por aqui, acho que nada se compara a DIAMANTINO !!

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“KISS ME” (“KISS ME”) António da Cunha Telles ( 2004) PORTUGAL

Eu sei que este blog é essencialmente sobre universos alternativos, ficção-científica esquecida ou fantasia ignorada mas está na altura de dobrar mais uma vez as regras como de certa forma já aconteceu com “Skindeep, “Tears of the Black Tiger” , “In the mood for love” ou até mesmo “Safe Haven” e apresentar-lhes aqui mais uma proposta de contornos românticos em vários sentidos que vale mesmo a pena dar a conhecer.
De vez em quando Portugal atira cá para fora títulos absolutamente surpreendentes em termos de cinema comercial feito com muita alma; mas como seria inevitável, também nunca reparamos que eles existem.
[“KISS ME”] é talvez o melhor deles todos.
E ninguém notou.

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Muitas vezes também não queremos notar.
Especialmente hoje em dia, quando muito do audiovisual está dominado por “actores” e “actrizes” que mais se poderiam designar por – “Famosos” – e portanto qualquer coisa que esteja remotamente ligada a “nomes” das telenovelas ou programas matutinos para a terceira idade e sopeiras em idade casamenteira, pessoalmente nem tenho vontade de espreitar o produto sequer.
Aconteceu-me um pouco isto, já em 2004 quando 
[“KISS ME”] foi lançado no cinema aqui em Portugal mas desta vez a culpa foi mesmo do título que eu continuo a considerar péssimo se a ideia seria a de atrair público nacional.

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Nem sequer foi por se apresentar como titulo romântico que o ignorei na altura, até porque continua a ser dos meus géneros cinematográficos favoritos quando bem feitos e interpretados. Foi mais pelo mau marketing e cartaz piroso que não espelha de todo a verdadeira atmosfera desta história cinematográfica.
Foi pois com bastante surpresa que anos mais tarde verifiquei que [“KISS ME”] passou a integrar por completo também a lista das melhores love-stories que já vi independentemente da nacionalidade e é realmente pena que este filme não seja bem mais popular; até porque dentro do cinema Português sem pretensões é definitivamente um dos melhores títulos de sempre.

O MEU CINEMA PARADISO

Para que eu goste de um drama com contornos românticos, acima de tudo este tem que ter algo que me toque a nível emocional. Coisa que raramente acontece por exemplo com a maioria dos enlatados saídos de Hollywood; que muitas vezes ainda por cima surgem na forma de remakes atrozes de filmes românticos que na sua origem são fabulosos. Como por exemplo, o Sul Coreano “Il Mare ; um filme fabuloso completamente destruído pelos americanos quando o transformaram no plástico banal conhecido como “A Casa do Lago” com Sandra Bullock e Keanu Reaves há uns dez anos atrás.
Para que um filme romântico me interesse ás vezes precisa apenas de conter um pormenor na música, um detalhe especial, um bom twist ou até uma simples imagem num determinado momento que faça a diferença. Ou seja, um conjunto de pequenas coisas que tornem especial um argumento e o distingam da palha telenovelística com que o marketing normalmente Hollywoodesco nos bombardeia quase todas as semanas.

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[“KISS ME”] enquanto surpreendente filme português teve tudo isso e mais alguma coisa; inclusivamente algumas falhas que o impedem no entanto de ter sido uma obra prima do cinema comercial nacional. Embora quanto a mim ande lá perto por muitos e variados motivos.
Vamos então resumi-los em dois pontos distintos desta vez para que fique claro aos indecisos de que pelo facto de ser cinema nacional, não tem que significar automaticamente que o filme não presta.
Resumindo, começando pelas coisas que adorei em [“KISS ME”] e pelas quais eu acho que este filme não merece ficar esquecido:

  • O ambiente a fazer lembrar o filme “Cinema Paradiso”, coisa que nunca julguei alguma vez vir a encontrar num filme Português.
    É como se [“KISS ME”]  fosse um filme do Tornatore mas ao mesmo tempo não o é pois tem um identidade própria bem portuguesa.
    Tem aquela aura certa a fazer recordar também “Malena” ( quem gostou desse vai adora este ); mas ao mesmo tempo não imita ninguém.
    Apenas tem a atmosfera perfeita para adaptar este argumento que por sua vez já é baseado num dos melhores livros do género que podem encontrar escritos em Português; ( neste momento com o título “Marilyn à beira-mar” quando inicialmente tinha sido publicado ligado directamente ao filme com o título “Kiss Me”; escrito por Vicente Alves do Ó).

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  • A recriação de Tavira nos anos 50.
    Passei todas as férias da minha infância em Tavira, toda a familia da parte do meu pai era de lá e viveram aqueles tempos retratados neste filme; como tal sei de cor as historias e os relatos que ouvi ao longo dos anos sobre como eram as pessoas da terra e o ambiente que se vivia precisamente lá pela época retratada no filme.
    Pelo menos quatro dos personagens poderiam ser da minha familia, o alfaiate, o contrabandista, a costureira, a tia (que inclusivamente tem o mesmo nome da minha tia de Tavira), etc.
    Por isso neste aspecto [“KISS ME”]  tocou-me particularmente pois colocou no ecran tudo aquilo que sempre visionei na minha imaginação ao longo dos anos através das historias locais que ouvi e nas fotos antigas que me passaram pela frente desse mesmo período.

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  • A maneira como a música mantém a coerência da atmosfera ao longo do filme, tanto nos lindíssimos temas originais como na escolha de temas de Jazz, Tangos e melodias orquestrais.
    Tudo soando fabulosamente num sistema 5.1 pois milagre dos milagres a edição DVD portuguesa deste filme tem um som absolutamente fantástico ao melhor nível de um bluray mesmo. E já é uma edição antiga.
    Ando há anos à procura desta banda sonora em CD; por isso se alguém souber onde a posso comprar digam-me qualquer coisa.

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[“KISS ME”]  tem mesmo o melhor som que me lembro de ouvir num filme português. Tanto na música como na reprodução dos diálogos e só aqui marcou também a diferença pois se sempre houve característica rasca no cinema tuga era o som de merda que sempre caracterizou os nossos filmes, para lá da fotografia do pior como era habitual. Neste caso não há problema pois o som do dvd é muito bom.
Bem melhor até que algumas pistas em DTS que já passaram pelo meu sistema apesar deste apenas conter a tradicional faixa em surround normal.

CINEMA CLÁSSICO

  • Outra coisa simplesmente perfeita é a forma como uma história original como esta foi contada usando a recriação de cenas de filmes clássicos e integrando-os na narrativa principal como se pertencessem mesmo ali.
    Achei fabuloso e só tenho pena de não ter visto ainda todos os filmes referenciados. 
Por exemplo a ligação a filmes como “NIÁGARA” com Marilyn Monroe é o coração emocional e visual de [“KISS ME”]  e não poderiam ter acertado mais em tudo.
    O que me leva à própria fotografia do filme…

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  • A fotografia em estilo technicolor anos 50 acerta em cheio no que seria perfeito para [“KISS ME”]  em algumas cenas chave.
    O filme contém pelo menos uma mão cheia de imagens que poderiam ser quadros por direito próprio se tivessem sido apresentadas estáticas em qualquer mostra de fotografia. Neste aspecto também, Marisa Cruz não poderia ter sido melhor aproveitada pelo director de fotografia do que foi nesta história.
    Por exemplo a imagem da sua personagem deitada nua na palha molhada protegendo o filho com o calor do corpo é um dos grandes momentos visuais do filme.
    Surpreendeu-me também bastante pela positiva que apesar dos nús da Marisa neste filme, não a tenham explorado eroticamente daquela forma mais explicitamente sexual que muita gente se calhar pensava que ia ver.
    Pelo contrário; as suas cenas de nú são mais sensuais do que sexuais pois toda a sexualidade do filme está presente na personalidade do personagem e esta está tão bem vincada que o filme não precisa de mostrar mais para ser imediatamente erótico.

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  • A colagem á imagem da própria Marilyn Monroe está excelente.
    A ideia de “Laura” passear pelo filme usando cada um dos seus vestidos famosos resulta bem, cria desde logo subtis momentos de humor e é o aproveitamento dramático perfeito para uma história que consegue ser simples, poética e emotiva sem cair piroseira telenovelística o que fica sempre bem, especialmente neste Portugal à beira-mar-naufragado onde a pimbalhada parece ter invadido tudo.
    Embora não se livre de algumas falhas em termos de estrutura de uma forma geral, [“KISS ME”] é uma história muito bem aproveitada.

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  • Os cenários têm um design de produção fantástico. 
Durante duas horas transportam-me de volta á Tavira da minha infância quando a minha tia Marta no meio dos anos 70, ainda tinha todos aqueles móveis estilo 50´s que Laura tem na sua casa. 
Os cenários de estúdio ligam perfeitamente com os exteriores filmados em Tavira e esquecemo-nos por completo que não são localizações reais; talvez também porque [“KISS ME”]  conta com personagens que nos fazem esquecer os actores por detrás de cada composição.

ACTORES, NÃO “FAMOSOS”

  • Como tal, outro ponto extremamente positivo aqui são mesmo as interpretações.
    É bom constatar que em portugal também temos grandes actores para cinema que quando bem aproveitados e dirigidos podem competir com qualquer outro lá fora.
    O já falecido Nicolau Breyner, neste filme está contidamente incrivel na pele de um alfaiate de província particularmente humano e tocante; Rui Unas tem um personagem de quem se fica imediatamente a gostar e Clara Pinto Correia é aquela personagem ! 
Destaco também um actor que eu desconhecia, Manuel Wiborg que além de uma boa química com Marisa Cruz, faz funcionar bastante bem a vertente dramática.
 E falta ainda falar da personagem “Clarinda” interpretada por Susana Mendes (que eu também não conhecia) e que é simplesmente o complemento perfeito para a Laura de Marisa Cruz por ser de certa forma o seu oposto; o que faz sempre funcionar muito bem todas as cenas em que estas estão juntas pois há uma grande química entre as actrizes.

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Muito haveria ainda para dizer sobre os actores mas na verdade o casting deste filme é absolutamente perfeito e nem sempre se encontra algo assim no cinema Português.
Infelizmente só os figurantes estragam a coisa um bocado. Mesmo. Há uns do pior…
Quanto à Marisa Cruz, pois é uma boa actriz também o que na altura parece ter surpreendido bastante gente.
Se ficarem com a tentação de a comparar com aquelas “actrizes/divas/famosas” que costumam infestar o nosso panorama telenovelístico pimba actual, esqueçam. Marisa Cruz nem tem comparação.
Senti várias pequenas “falhas” suas ao longo do filme esporadicamente , mas de uma forma global tem um trabalho fantástico. E acima de tudo ela  éLaura” !
A meio do filme já nem nos lembramos que é a Marisa Cruz.

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Além disso a química entre ela e o Nicolau Breyner é total como se pode ver por exemplo nas cenas do baile ou em qualquer cena que envolva troca de diálogos entre os dois. E em termos de representação estão ambos ela-por-ela de uma forma perfeita o que não deixa de ser notável, pois protagonizar um filme ao lado de Nicolau Breyner deve ter sido um bocado intimidante pela responsabilidade inerente ao papel.
Penso que a Marisa tem um excelente potencial como actriz e só é pena ainda haver muita gente que pensará que por ela ser Modelo, boa e bonita isso significa que nunca poderá fazer um bom trabalho de representação.
O filme pode já ter mais de uma década, mas na minha opinião, a Marisa Cruz em [“KISS ME”]  limpa o chão com todas as supostas actrizes que apareceram depois armadas em famosas e ainda andam neste momento pelas novelas das nossas televisões infestando o nosso panorama televisivo dramático. Ou de forma dramática, diria…

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Marisa Cruz resultou plenamente neste filme. Além disso foi preciso ter lata (e coragem) para arriscar num papel tão emblemático, emulando logo a Marilyn Monroe onde inevitavelmente seria alvo de comparações depreciativas. Injustas quanto a mim pois a colagem é total enquanto personagem – Laura – fascinada pela deusa do cinema.

PICUÍNHICES…

Coisas de que “não gostei”:

  • Penso que em algumas partes do filme a evolução da personalidade de Laura é demasiado brusca e passa demasiado rápido por mudanças na sua evolução de menina ingénua até se tornar na Vamp simbolo sexual da cidade.
    A relação amorosa entre ela e o personagem do contrabandista é também demasiado súbita. Numa cena não se passa nada, na seguinte parece que já se relacionavam há muito tempo.
    A primeira cena erótica também tem segundos a mais. Parece um comentário estúpido, mas a verdade é que a achei repetitiva como o raio, pois tentaram prolongar aquilo que na verdade não pretendiam mostrar e acho que não resultou pois quebra um bocado o excelente ritmo que o filme tinha até ali em termos de edição.

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  • Tavira tinha dezenas de locais poéticos para serem mostrados e practicamente nada foi usado neste filme ! (?!?!)
    Não usaram o velho coreto, a fachada da praça antiga, o jardim central, entre muitas outras localizações que teriam dado ainda mais atmosfera á história. Provavelmente por falta de verba para filmar em exteriores. É pena.
    Mas ao menos, a ponte, a ilha,as “4 Águas” e o rio estão perfeitos, encaixando completamente na atmosfera vintage do filme.
    Gostaria apenas de ter visto mais em termos de localizações reais, pois Tavira tem um potencial cénico romântico incrivel e foi pena não o terem usado pois sente-se aqui uma verdadeira oportunidade desperdiçada, especialmente quando se deram ao trabalho de ir mesmo filmar para lá e depois praticamente não mostram nada do que a cidade tem para dar em potencial cinemático.

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  • Como já referi atrás, alguns figurantes são terriveis o que quebra um bocadinho a atmosfera perfeitamente credivel do que estamos a ver comprometendo a ilusão de realidade presente no filme em alguns momentos. E bastam segundos.

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  • Nalgumas cenas mais intensas a Marisa Cruz tem algumas limitações dramáticas. Quando ela vai pedir ajuda á mãe por exemplo, os apelos do personagem não me convenceram. Se calhar a culpa não foi dela, porque durante todo o filme enquanto actriz principal ela tem momentos verdadeiramente extraordinários e parece carregar sem esforço o argumento nas suas costas competindo sem problemas com actores como o Nicolau. Pode ter sido um deslize na direcção de actores ou algo assim. De qualquer forma não é grave, foi apenas algo que me chamou a atenção.

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  • Achei mais grave o final ser um bocadinho brusco, pois penso que [“KISS ME”] pedia uma conclusão mais emocionalmente trabalhada. 
Especialmente porque sabe criar emoção ao longo da história até aí.
    Parece que o realizador ou o argumentista precisavam de terminar o filme e decidiram inserir a martelo um final que nem sequer era necessário. Visto que o argumento até é practicamente todo diferente do livro original, não entendo porque o filme não acabou num dos momentos finais mantendo a mesma narração mas evitando a breve sequência contemporânea no avião que depois parece completamente deslocada.

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Se calhar fui eu que queria que o filme não acabasse, pois a verdade é que adorei este [“KISS ME”] .
Temos aqui um filme Português comercial verdadeiramente digno dessa qualificação no melhor dos sentidos.
O que me leva ao ponto seguinte…

VINTAGE FORA DO SEU TEMPO

  • [“KISS ME”] , não gosto do titulo.
    Acho que não resulta apesar de perceber a ligação.
    Acho-o demasiado forçado um titulo em inglés para um filme como este; até porque tenho a certeza afastou das salas muito público na altura em que o filme esteve em exibição e poderá continuar a afastar. Especialmente público de uma faixa etária mais avançada que não reparou certamente ou nunca reparará num filme com um titulo “em estrangeiro”. Conheço mesmo uma pessoa que não o foi ver porque com aquele título achava que o filme iria ser mais uma piroseira para explorar uma modelo conhecida e mais nada. Tal como aposto, muita gente pensou. Incluíndo eu.
    E a culpa foi do poster.

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Pessoalmente não morro de amores pelo cartaz  que criaram para este filme. Acho-o mesmo um péssimo trabalho pois acima de tudo deveria ter reproduzido a atmosfera do filme e no entanto parece mais uma daquelas produções de moda modernas que certas Tias costumam fazer para aparecer nas revistas.
Tudo é demasiado plástico e com pinta de fotografia mais própria para passagem de modelos do que propriamente para representar a atmosfera totalmente diferente que se encontra depois no filme e que é bem mais clássica.
Penso que em termos de marketing o cartaz como está foi um erro pois não era de todo aquele o tom visualmente que um poster para um filme como este pedia.
Uma história com uma atmosfera tão – vintage – como [“KISS ME”] , não podia ter um poster tão moderno assim e com um look tão amador.
Na altura lembro-me que olhei para o cartaz no cinema e pensei logo que não me apanhavam num filme com uma estética assim.

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Se só vi [“KISS ME”] muito mais tarde em dvd ( nem me lembro bem como ) a culpa esteve precisamente no cartaz e em todo o estilo do marketing que me passou pela frente na altura. Infelizmente não vi trailer na época, pois provavelmente teria despertado muito mais a minha curiosidade para ver o filme logo quando estreou.
O que é pena pois este é um bom produto nacional em termos de propostas de cinema que não fica diminuído perante o melhor do género que costumamos consumir impingido por Hollywood. Aliás, é melhor do que muito do que sai dos estados unidos ainda hoje e curiosamente é um filme que não ficou minimamente datado mesmo neste momento em 2017. Poderia ter sido filmado ontem e não se notaria diferença em termos de qualidade.

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Concluíndo…
Infelizmente [“KISS ME”] é um daqueles que se não for mesmo divulgado irá ficar esquecido por muito tempo.
Especialmente porque muita gente até nunca o irá ver por puro preconceito, tanto para com o cinema português como para com a Marisa Cruz, o que é de certa forma compreensível tendo em conta o panorama tuga em termos de famosos-pimba que hoje infestam Portugal, mas é pena pois perderão um filme muito bonito.
Um [“KISS ME”] poético, cheio de memórias cinematográficas e personagens inesqueciveis; grandes interpretações, atmosfera perfeita, banda sonora a condizer e (surpreendam-se) uma fotografia fantástica com um som onde se percebe mesmo o que as pessoas dizem e tudo !

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Não entendo o porquê dos nossos críticos (daqueles “a sério”), na altura terem batido tanto no filme. Das que li curiosamente todas davam a entender que o filme seria mau porque agradaria demasiado ao público menos exigente e não era um verdadeiro produto “Iluminado” no estilo daquelas produções “artísticas” inenarráveis ao pior estilo Paulo Branco. Como tal, mais do que trucidado foi desprezado e desvalorizado pela crítica profissional tuga que não viu nisto qualquer mérito “intelectual”. O costume…
Se calhar foi porque [“KISS ME”] era mesmo um pequeno grande filme de que o público genérico poderia mesmo gostar e muito intelectualzinho da treta não estaria interessado em que de repente os subsidios para cinema passassem a ser atribuídos a produções como esta em vez de alimentarem filmes sobre pintelhos em banheiras.

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Ou então foi como eu na altura… só olharam para o cartaz atroz e nem viram o filme.
Por tudo e mais alguma coisa, [“KISS ME”]  é um daqueles filmes que não merece ficar no esquecimento.

“KISS ME ” – O LIVRO ou
“MARILYN À BEIRA MAR” – VICENTE ALVES DO Ó

E já agora…
Se gostarem do filme, recomendo vivamente o livro com o mesmo nome (Kiss Me” – Vicente Alves do Ó; actualmente editado também como “Marilyn à beira mar”), porque curiosamente é quase uma história diferente.
Pelo menos uns 80% da história presente no romance original não aparecem no filme, além de conter também inúmeras pequenas diferenças no que toca a ambientes e personagens (por exemplo os personagens do Nicolau e do Unas essenciais para o filme, no livro quase nem existem).
É no entanto um excelente complemento para quem gostou do filme, pois a atmosfera está lá.

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O livro aborda muito mais em detalhe as cenas passadas no Alentejo de que só encontramos breves fragmentos no início do filme, e contém um final diferente muito mais elaborado, entre muitas outras coisas.
Resumindo, recomendo vivamente tanto o livro como o filme.
E passemos ao que interessa…

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CLASSIFICAÇÃO

Sinceramente acho que o filme é um espectáculo e merece com todo o mérito ser mencionado aqui neste meu blog, pois é outro daqueles filmes verdadeiramente esquecidos.
Pode não ser FC ou Fantasia, mas de certa forma até soube criar um universo verdadeiramente único que nos transporta ao passado como se fosse uma verdadeira máquina do tempo. E nesse aspecto não tem falhas absolutamente nenhumas, pois mostra-nos uma Tavira genuína dos anos 50 com sabor a cinema de Tornatore.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

Poderá ser uma espécie de obra-prima falhada por alguns pequenos motivos, não será fantasia ou FC mas é um filme extraordinário dentro do cinema sem pretensões a treta intelectualoide e isso chega a ser coisa rara em Portugal.
Conta uma história, conta-a bem e chega !
[“KISS ME”]  é um daqueles títulos especialmente dedicado áquelas pessoas que ( tal como eu ) passam a vida a queixar-se de que o cinema tuga nunca produz nada de jeito.
Vejam este filme e mudem de opinião nem que seja temporariamente; pois pelo menos uma vez Portugal produziu um daqueles filmes que deveria ter continuado a sair do nosso cinema e não se percebe bem porque não acontece mais vezes, especialmente quando para filmes às escuras ou sobre o crescimento da relva em tempo real parece haver sempre guito para “artístas da instalação” que se armam em realizadores.
E já agora o filme deveria ter-se chamado “Marilyn à beira-mar” logo desde o início.
“Kiss Me” continua a soar a piroso como o raio.

A favor: a atmosfera, os actores, a história, a fotografia, a banda sonora, o trailer, a atenção aos detalhes cénicos, o espírito Tornatore/Cinema Paradiso que o percorre em muitas alturas, a química entre a Marisa Cruz e o Nicolau Breyner, a prestação da Marisa Cruz, a estética technicolor, as referências aos clássicos do cinema na forma como a história é contada suportada por muitos momentos que só quem gosta mesmo de cinema é que irá reconhecer.

Contra:  o título “Kiss Me”, alguns figurantes são do pior, o final demasiado abrupto e pouco satisfatório quando tudo até ao momento era verdadeiramente emocionante e emocional, o cartaz do filme é péssimo, a edição dvd está em formato letterbox apenas, não existe uma edição disto em bluray ainda e não percebo porquê, de forma geral não se fazem mais filmes portugueses assim.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

COMPRAR DVD – REGIÃO 2 – EDIÇÃO PORTUGUESA

kiss-me_02
Recomendo a compra apesar do Dvd estar editado no maldito (velho) formato 4:3 letterbox.
Infelizmente ainda não existe em Bluray mas a FNAC neste preciso momento ( 27-01-2017 ) parece ainda ter uma cópia e portanto meus amigos é ir comprar isto quanto antes, até porque duvido que o encontrem em pirataria sequer.
Este [“KISS ME”] é verdadeiramente um daqueles títulos esquecidos.

http://www.fnac.pt/Kiss-Me-Marisa-Cruz-DVD-Zona-2/a175906#

O dvd contém bons menus animados com grande atmosfera, extras a condizer com um bom making of e algumas cenas apagadas comentadas, etc.
Só é pena não existir um comentário audio completo durante o filme todo, pois o realizador faz um trabalho excelente a comentar as cenas apagadas nos extras e é mesmo uma grande falha deste dvd não trazer tambem um comentário integral; (tomem nota para uma edição bluray meus senhores).
Por isso meus amigos das editoras, se lançarem uma edição especial deste filme, desta vez já em 16:9 a sério, em BLURAY e com um comentário audio do realizador e de preferência outro com os actores possíveis e principalmente com Vicente Alves do Ó ( argumentista e escritor do livro original) , já terão aqui um comprador.
Filme 5 estrelas a pedir uma edição a sério quanto antes pois já tarda.

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COMPRAR O LIVRO ORIGINAL – “MARILYN À BEIRA MAR” de Vicente Alves do Ó

livro

Também o encontram na Fnac ou pelo que tenho visto em qualquer Bertrand ou livrarias em geral. 
Recomendo vivamente pois é um dos melhores romances neste estilo que li criados em Portugal nos últimos anos. 
Podem ler o livro antes do filme pois não o irá estragar, ou também o poderão ler depois pois é um excelente complemento. Cinco estrelas também; e esta edição tem uma capa bem melhor do que a primeira que eu comprei inicialmente.

http://www.fnac.pt/Marilyn-a-Beira-Mar-Vicente-Alves-do-O/a611439#

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IMDb

http://www.imdb.com/title/tt0438893/

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