“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE” – A versão original Alemã – Wolfgang Petersen (1984) ALEMANHA

Mas quem é que terá sido a besta…
Quem é que terá sido a besta que em Hollywood achou, que para se transformar [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] em “THE NEVERENDING STORY” seria mesmo necessário cortarem-se 6 minutos de filme (?!) …

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Depois dos produtores Alemães baterem a muitas portas nos EUA obtendo sempre a mesma rejeição , finalmente a Warner acedeu a lançar aquele filme esquisito produzido na Europa que metia bichos estranhos e mundos de contos de fadas.
Mas para isso acontecer, numa altura em que qualquer coisa que cheirasse a fantasia era garantia de desastre nas bilheteiras norte americanas, foi exigido que houvesse uma remoção de 6 minutos da montagem teatral europeia. Isto porque no seu original exibido nos cinema da Alemanha, [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] poderia ser um bocado secante para os americanos…parece que seis minutos a mais o tornariam chato ou algo assim…
E foi assim que o filme passou a ser distribuído mundialmente pela poderosa máquina de marketing de Hollywood tornando-se tão popular que até hoje muita gente ainda pensa que A HISTÓRIA INTERMINÁVEL será um filme americano.

6 MINUTOS !?

E perguntam vocês… Seis minutos ?!
O que raio 6 minutos podem fazer de melhor ou pior num filme como este ?!
Precisamente.
Durante anos eu ouvi falar sobre os seis minutos que só os Alemães viram e também eu nunca lhes dei muita importância, até porque como eu já detalhei na minha review para “THE NEVERENDING STORY“, este é um filme que marcou a minha vida e foi definitivamente responsável por eu hoje trabalhar com ilustração de fantasia também.
Como já referi mais em detalhe no meu texto sobre “THE NEVERENDING STORY“, é hoje sabido que o editor anónimo não creditado na “versão Hollywood” que todos nós conhecemos foi Steven Spielberg. Foi a ele que coube escolher o que remover da montagem original para tornar o filme mais ligeiro e dar-lhe um toque mais Disney como o distribuidor em Hollywood exigiu.

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E agora após eu ter finalmente visto a versão original do filme com mais 6 minutos (10 na verdade se adicionarmos os créditos diferentes também) só me pergunto se Spielberg fez o melhor possível ou se realmente, foi ele o primeiro nos EUA a dar início à total destruição do romance de Michael Ende no que toca à sua miseravel adaptação cinematográfica se tivermos em conta o que aconteceu nas sequelas produzidas por Hollywood após este começo particularmente bom de origem Alemã.
Isto porque, aquilo que as sequelas já produzidas com dinheiro e dominio americano  fizeram para destruir aquele que é para mim o melhor romance de fantasia de sempre continua a ser simplesmente inenarrável a todos os níveis possíveis e imaginários.

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No entanto, até eu que sempre pensei que “THE NEVERENDING STORY” ainda era a única parte que mantinha alguma dignidade e seria minimamente fiel ao espírito do romance original naquilo que tentou adaptar, agora… depois de finalmente ter conseguido colocar os olhos ( e principalmente os ouvidos ) em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] dúvido mesmo muito que volte a rever esta história de fantasia na sua versão “THE NEVERENDING STORY” que durante 36 anos foi tão importante para mim.

Meus amigos, [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”], na sua versão “longa” original, não só é um filme que parece completamente diferente mas acima de tudo restaura aquele toque especial que sempre me tinha parecido um bocado apagado quando comparado com o espírito do romance de Michael Ende.

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E estou a falar da atmosfera de [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] enquanto filme de fantasia.

IT´S THE WORLD OF HUMAN IMAGINATION…

Dei por mim a ver [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] como se nunca tivesse visto “THE NEVERENDING STORY” , principalmente porque parecia que tinha voltado à cadeira do banco de cinema aos 14 anos em 1984 e absorvi agora cada sequência como se a estivesse a ver pela primeira vez. O que para um filme que eu conheço de trás para a frente e principalmente sei todos os diálogos de cor é obra !
Ter voltado a ficar totalmente colado ao ecran sem saber o que iria ver a seguir num certo contexto foi uma verdadeira experiência que eu nunca tinha tido em todas estas décadas a ver cinema.

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E perguntam vocês …. Mas tudo isto por causa de 6 minutos repostos ?!…
Sim.
E não.
Contrariamente ao que foi divulgado desde que se soube que Spielberg tinha sido responsável pelos cortes para a versão “Disneyficada” que todos nós conhecemos, a verdade é que existe muito mais para nos surpreender em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] na sua versão original do que apenas os seis minutos perdidos.
Visualmente a montagem pode “apenas” ter reposto os 6 minutos originais mas… surpresa das surpresas… o som !…

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Meus amigos… o som !!!
Se alguma vez quiserem ver um grande exemplo sobre a importância do som ( efeitos e música ) e quiserem perceber o quanto podem afectar um filme sem nós nos apercebermos, é compararem [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] com “THE NEVERENDING STORY”.
Não há palavras para descrever o quanto “os dois filmes” são diferentes; especialmente no que toca à atmosfera final de cada uma das versões !

HÁ AQUI QUALQUER COISA ESTRANHA…

Logo nos primeiros segundos percebemos que algo está “errado” aqui nesta versão original…
O facto de [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] não contar com a música de Georgio Moroder e principalmente não abrir com a popular canção de Limahl logo no título ( encomendada por Spielberg para a versão “americana” mais tarde para aproveitar o surgimento da MTV na altura nos Eua ) cria logo uma sensação estranha no espectador.
De repente o genérico do nosso “THE NEVERENDING STORY” já não tem aquele ambiente a puxar para a fantasia-Disney e agora mais parece a abertura de um thriller sobrenatural para crescidos. Os créditos de [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] não ficariam destoados de uma sequela de O Exorcista. Ou num filme de terror dos anos 70 ao estilo “The Omen”. Acreditem-me.
Principalmente se vocês tal como eu conhecem bem toda a partitura da versão americana do filme com que a maioria de nós, que tem hoje a minha idade cresceu.

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E já agora, quem conhece bem o livro de Michael Ende subitamente dá por si a finalmente conseguir vislumbrar o tom assombrado das páginas do romance original bem representado logo no início do filme o que é absolutamente fascinante.
Isto porque se “THE NEVERENDING STORY” sempre pareceu algo “fofinho” imediatamente a partir do genérico, por causa disso também logo destoou do tom mais sério e sombrio do texto do escritor. No entanto basta vocês agora verem [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] para perceberem que de repente temos a noção de que Wolfgang Petersen afinal se calhar tinha acertado em cheio no tom sério e assombrado da sua adaptação ao contrário do que parece se virmos a remontagem de Spielberg.
O filme original tem uma atmosfera de suspense sombrio absolutamente fiel ao que se passa no livro.
Uma atmosfera que foi completamente eliminada “com sucesso” na remontagem para distribuição americana que todos nós conhecemos, não só pela ausência dos 6 minutos como acima de tudo pela forma como o som e a música foram misturados nas duas versões do filme.

MUITO MAIS QUE 6 MINUTOS

É que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] não parece apenas diferente por causa dos 6 minutos perdidos.
A versão original não tem apenas 6 minutos de diferença mas ao longo de toda a sua duração, conta pelo menos com uns 75 minutos “de novos pormenores” onde estão sempre a surgir coisas que subitamente nos parecem totalmente estranhas quando comparadas com aquilo a que estavamos habituados… a ouvir.

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Em termos de som pelo menos uns 85% da totalidade da duração da história em “DIE UNENDLICHE GESCHICHTE” contém um sem número de detalhes totalmente novos que vocês nunca… ouviram. (!)
Para lá dos 6 minutos extra, que … meus amigos, fazem toda a diferença por incrível que pareça, experenciar “de novo” esta fascinante aventura de fantasia quando somos constantemente enganados pelos nossos ouvidos é algo que faz com que pareça a todo o instante que estamos a ver um filme novo.

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Não só a música do compositor original Klaus Doldinger está colocada no meio de sequências a que não estamos habituados como [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”]” está carregado de diálogos novos ou totalmente alternativos quando comparados com o que estavamos habituados a ouvir em “THE NEVERENDING STORY” !
Isto muda logo por completo a atmosfera da história; faz com que a aventura pareça muito mais séria e sombria por vezes e acima de tudo mostra-nos um [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] que desta vez nos conta uma história mais complexa do que aquela aventura ligeira a que estavamos habituados. A inclusão de alguns pormenores mais sombrios e detalhados ( em diálogos com o Gmork por exemplo ) fazem com que esta HISTÓRIA INTERMINÁVEL de repente ainda nos pareça uma adaptação mais fiel da primeira parte do romance do que costumava parecer.

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É realmente fascinante e um bocado deprimente também, perceber agor aque toda a intenção original de Wolfgang Petersen em tentar ser realmente fiel ao tom do romance de Michael Ende foi apagada da montagem americana e só agora todos estes anos depois ao compararmos os dois filmes é que nos podemos aperceber da magnitude das diferenças. O poder da montagem é fascinante e este filme é um verdadeiro case-study.

A HISTÓRIA MAIS COMPLEXA

Não só algumas partes da história agora estão mais detalhadas ; como [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] está carregado de diálogos alternativos que nunca tinhamos ouvido antes.
Desde a clássica cena da clareira onde os viajantes se encontram no início da história em que ouvimos finalmente a verdadeira voz do homenzinho que cavalga o caracol veloz, até a um monte de pequenas mudanças nos diálogos com Morla, Falkor, Engivuk e Gmork, [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] é um nunca mais acabar de surpresas audio do princípio ao fim.

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Uma das sequências que eu sempre achei desnecessária na versão americana que conhecemos é o “clássico” diálogo entre Atreyu e o Rockbiter quando o jovem o encontra na cidade em ruínas sózinho : “They look like big strong hands… don´t they ?”
Bastou-me no entanto agora ouvir a verdadeira pista de som que tinha sido gravada para esta sequência e a cena ganhou imediatamente um contexto dramático totalmente correcto.
Subitamente esta pequena cena “inútil” tem toda a razão de ser para percebermos o desespero dos personagens sem nos tentarem atirar à cara momentos emocionais forçados como sempre me pareceu ser na versão remontada. Nesta versão original este até se tornou agora um dos melhores momentos pois faz a ponte perfeita para o acto final da história.

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Não fazia mesmo ideia de que os americanos tinham dobrado tantos actores e substituido ( simplificando ) tantos diálogos para remontar a versão comercial que tão bem conhecemos.
O que mais me surpreendeu nesta versão original foi conter tantos pequenos – inserts – audio que fazem a diferença a nível do tom emocional da história.
Estava à espera que os seis minutos adicionais incluissem algumas coisas novas mas em não estava nada à espera de encontrar tantas diferenças a nível de som !
E todas absolutamente fascinantes. Isto claro, se vocês pertencerem àquele grupo de pessoas que tal como eu conhece o filme “normal” de trás para a frente.
Estas pequena mudanças que encontramos agora na versão original trazem esta aventura para um tom mais adulto do que aquele a que estavamos habituados e o aproximam do romance original. Um livro que que nunca tentou ser politicamente correcto, ou menos triste ou assustador só porque seria à partida um livro para crianças; e é esse o pormenor mais importante que está reflectido em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”].

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É por isso que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] é de longe a versão mais próxima do romance de Michael Ende. Tem uma atmosfera de aventura mais séria, mais dramática, muito , muito assombrada por vezes ( sente-se bem o estilo de cinema europeu ) e contém inclusivamente algum “gore” inesperado no que toca à forma como mostra sangue a escorrer quando Gmork é morto ( algo óbviamente eliminado da versão americana ).
Torna-se quase impossível… Uma verdadeira tarefa … interminável, tentar agora detalhar as dezenas e dezenas de pormenores diferentes neste filme; modificados essencialmente pela reposição do som original em vez daqueles linhas “clássicas” nos diálogos ( americanos ) a que estavamos habituados.

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A forma como a música ( e a ausência dela ) cria agora um ambiente angustiante e assombrado nas sequências passadas no Pântano da Tristeza faz com que pareça estarmos a ver uma sequência mais modificada do que na realidade está.
Os pequenos novos inserts no monólogo de Atreyu quando Artax se afoga e os breves segundos a mais na montagem dessa sequência por exemplo, fazem agora com que essa parte em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] se aproxime verdadeiramente do ambiente dramático em tom sério presente no livro quando na versão americana eu até tinha ficado com a ideia de que teria havido por ali um overacting quando Atreyu berra para salvar o seu cavalo. Sensação errada que foi agora totalmente corrigida.
A versão alemã repõe não só o suspense original como de certa forma restaura a qualidade do trabalho de Noah Hataway que tinha sido algo trucidada pelos cortes da montagem americana.

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E por falar em qualidade de representação. Se a Princesa Criança já era fabulosa na versão americana, os pequenos inserts novos na parte em que ela está cada vez mais angustiada nos momentos de suspense finais vão arrepiá-los até à medula com a honestidade e sensibilidade daquele momento de representação. Outro bom exemplo onde cinco ou seis segundos fazem a diferença e elevam o trabalho dos actores.

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Como raio é que Spielberg cortou estes breves segundos na versão americana é algo que me ultrapassa… se calhar foi para não torturar muito emocionalmente os jovens espectadores americanos na altura que não aguentariam momentos emocionais tensos e excessivamente adultos… aposto.

6 MINUTOS INTERMINÁVEIS

E isto acontece em muitas outras cenas. Podemos estar a falar de 6 minutos de diferença mas não são seis minutos de cenas novas. São sim, 6 minutos de pequenos inserts , ás vezes com não mais que dois segundos mas que volto a dizer; fazem toda a diferença no que toca à representação e tom dramático do filme !

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Dividam estes 6 minutos por centenas de pequenos – inserts – que nos permitem finalmente ver um monte de sequências originais na sua forma completa e vocês acabarão de ver [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] com a verdadeira sensação de ter visto um filme compleamente novo.
Um filme que lhes irá até parecer ter muito mais cenas extra do que na realidade teve.

I NEVER KNEW IT WAS THAT BEAUTIFUL !…

O que não quer dizer que aqui e ali não tenha umas sequências que nunca tinhamos visto.
Por exemplo eu que fiquei tão marcado em criança com a cena da paisagem da Torre de Marfim, para mim só o facto de descobrir que agora nesta versão “longa” existem pelo menos mais uns dez segundos de panorâmicas ao redor do cenário épico fez logo com que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] se tornasse desde longe a minha nova versão favorita deste filme.

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Nota alta para a música em [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] também. Pode não conter os toques adicionais electrónicos que conhecemos introduzidos por Georgio Moroder mais tarde, mas a partitura original de Klaus Doldinger continua a ser totalmente mágica. Especialmente porque no original está a ser usada em locais que não estamos nada à espera para criar um tom emocional totalmente diferente.
Menos Disney e mais Lord of the Rings.
O tema original para a revelação da Ivory Tower que na versão americana tinha sido usado para outra coisa está simplesmente mágico nessa sequência mais longa agora na versão original do filme, por exemplo. Não fazia mesmo ideia de que esta música era o verdadeiro tema escrito para o Torre de Marfim !
E resulta pois a primeira revelação visual desta paisagem na versão original ganhou ainda um tom mais épico e encantado.

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Aliás a partir de agora, por muita falta que a música do Limahl me faça, ao início e no fim do filme não há dúvida nenhuma que o filme original a partir de agora é a versão que daqui para a frente irei sempre rever com toda a certeza.
Não há comparação.
A ausência da música de Moroder não faz qualquer diferença. Ou sequer falta.
[“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] pode continuar a não ser a versão perfeita da primeira metade do livro de Michael Ende, mas é de longe a que mais se aproxima do tom assombrado presente no romance; ( que, já agora se assemelha mais ao que podem encontrar no filme dos Nightwish “IMAGINAREUM” ( principalmente a atmosfera da parte final do romance) do que se parece com o que conhecemos da versão americana ).

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O que não quer dizer que [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] seja mais deprimente, ou parado , ou não mantenha aquele tom imaginário original.
[“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] contrariamente a “THE NEVERENDING STORY” apenas o consegue fazer sem precisar de apagar , tornar politicamente correcto, ou aligeirar simplificando para americano entender,  tudo aquilo que tenta adaptar fielmente do livro.

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CLASSIFICAÇÃO

Bem, o que dizer quando de repente um dos filmes que mais marcou a minha vida, súbitamente me aparece como sendo practicamente um filme novo ?!!

Não há dúvida, de agora em diante [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] é o filme que irei rever mais vezes, esperemos, pelos próximos 36 anos também.
É de longe a melhor versão, a mais complexa e a mais atmosférica se o contexto for o da adaptação mais fiel possível do livro.

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Quem não conhece bem a fundo a versão americana a que todos estamos habituados, muito certamente olhará para esta versão original e não irá perceber nada do que eu estou para aqui a dizer pois dúvido que note sequer alguma diferença.
Se não vêem o filme há muitos anos, se só o viram em crianças , se não conseguem suportar a ideia de ver A HISTÓRIA INTERMINÁVEL sem a canção The Neverending Story do Limahl então ignorem tudo isto e fiquem-se pela versão americana remontada pelo Spielberg.

Agora se conhecem bem o livro, se conhecem bem o filme que viram no cinema e acima de tudo se são daqueles que sabem de cor cada linha de diálogo e onde cada momento musical da fabulosa banda sonora entra, preparem-se para a experiência audio-visual mais desconcertante das vossas vidas.

Simplesmente fabuloso e como tal se dei a classificação máxima à versão mais popular que conhecemos, vou ter de voltar a rebentar a escala aqui e atribuir:

Cinco Planetas Saturno e DOIS Gold Award porque é impossível resistir a [“DIE UNENDLICHE GESCHICHTE”] depois ter passado tantas décadas absolutamente fascinado com uma “versão menor” remontada e mutilada em Hollywood.

     

A favor: 6 minutos de novas sequências divididos por mais de 70 em novos inserts que extendem muitas das cenas que conhecemos dando-lhes um contexto muito mais lógico, um par de novas cenas que dão um tom mais sério à história, os diálogos originais repostos são tantos que perdemos a conta, alguns diálogos acrescenta pormenores mais complexos à história do que aquilo a que estavamos habituados, tem pelo menos mais 10 segundos na sequência inicial da Torre de Marfim, o filme ganha um ambiente mais sério mas nem por isso menos divertido, algum sangue inesperado ou momentos creepy que poderiam pertencer a um filme sobrenatural, a maneira como a banda sonora é usada nesta versão original é fabulosa, a montagem já não parece fragmentada e o filme flui muito melhor do princípio ao fim.

Mantém a fotografia em tom sépia original ao contrário das remasterizações modernas da versão americana em Bluray onde tudo é puxado para tons verdes e azuis para parecer mais moderno. O ambiente sépia do filme original é fabuloso.
Ignorem as fotos puxadas para o azul ou de cor saturada que ilustram este texto agora pois pertencem à versão remasterizada da edição americana. A versão original tem um tom muito mais em estilo de pergaminho no que toca à cor e já não parece um videogame colorido a todo o instante.

Contra: O final “Disney” que sempre esteve incluído continua uma estupidez ( mas percebe-se que seria dificil de acabar o filme de outra forma por causa do que faltava adaptar do livro ainda. Isto porque o final do filme com a sequência da Princesa, no livro é na verdade o início da aventura principal de toda a história com Bastian como protagonista a partir dali ( ignorem a desgraça que fizeram com as sequelas do filme…pois essas destruiram por completo o que restava do romance original ).

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NOTAS ADICIONAIS

Apesar de ser uma produção Alemã os diálogos originais sempre foram em inglés embora o filme na sua versão original tenha passado dobrado em Alemão no país de origem.

TRAILER ALEMÃO

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O ELENCO ANTES e AGORA

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Existem neste momento duas edições com capa diferente desta versão do filme editadas na Alemanha.
O conteúdo é o mesmo, apenas muda a capa e a escolha é vossa.

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Contém um livro com muitos detalhes para quem entender Alemão e o pack vem com o bluray e o dvd incluídos.
Não tem muitos extras, por isso se quiserem saber tudo sobre como se fez o filme recomendo que comprem também o bluray dos 30 anos da versão americana que menciono por todo o lado.

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COMPRAR LIVRO EDIÇAO PT
Por qualquer motivo estúpido não só em Portugal como lá fora também nos últimos anos este romance tem sido lançado sem a inclusão das ilustrações originais e que são absolutamente fundamentais para criar aquela sensação de ligação do leitor com o que acontece no livro.
A Editorial Presença tinha no início dos anos 80 uma edição perfeita que apareceu de novo em 1988 e essa contém ainda os desenhos que introduzem cada capítulo que não se percebe de todo porque já não constam nas edições recentes.
A mesma editora lançou há pouco tempo uma nova edição do livro mas mais uma vez já não traz as ilustrações. Apenas tem o livro impresso a duas cores ( como é necessário para a história funcionar ) mas ignoraram por completo a importância dos desenhos. Não percebo porque não se limitaram a re-editar a edição excelente que já tinham…
De qualquer forma não deixem de ler o romance. MESMO.
http://www.fnac.pt/A-Historia-Interminavel-Michael-Ende/a57691

IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0088323

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

capinha_neverending1 capinha_neverending2

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“DRAGON NEST” (“Dragon Nest: Warriors’ Dawn”) Yuefeng Song (2014) China

Se espreitarem a minha review para [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] no IMDb, hão de notar que lhe atribuí a incrível classificação máxima de 10 estrelas.
Muita gente pensará que fiquei maluco, pois o que não faltam por aí são animações muito superiores tecnicamente ou no que quer que seja. Como raio me atrevi a dar uma nota tão alta a este filme no Imdb quando nem sequer aqui lhe irei atribuir a nota máxima ?
Bem, é tudo uma questão de contexto.
Passo a explicar.

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[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] quando comparado com o que de melhor se faz com muito dinheiro, se calhar não vale mesmo uma classificação tão alta.
A mim surpreendeu-me precisamente porque [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] não sendo uma produção de orçamento milionário atinge mesmo assim alguns patamares de qualidade ao longo de toda a narrativa; patamares esses, que se calhar nem precisaria de atingir se o objectivo fosse apenas o de criar um desenho animado para vender aos putos em dvd mais tarde.

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Não só este filme consegue ter momentos de grande adrenalina como consegue o impossível de contar uma história com personagens interessantes de acompanhar, sem se desviar um milímetro do típico cliché Dungeons & Dragons que já vimos mil vezes e que normalmente é logo garantia de que o resultado será um lixo.
Surpreendentemente não desta vez !
O que na minha opinião, torna [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] num excelente exemplo de como se calhar pode haver bons resultados até mesmo com uma história já vista mil vezes.

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Está tudo na execução; principalmente na realização e este caso é particularmente interessante, pois a ultima coisa que eu esperava quando comecei a ver isto é que uma animação de segunda linha com um argumento já mil vezes batido e ainda por cima baseado num videogame fosse alguma coisa de jeito. E muito menos fosse apelativo para adultos.

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MMORPG

Sim para quem não sabe, [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é baseado num popular mmorpg chinês chamado precisamente “Dragon Nest” e que eu próprio joguei algumas vezes online durante algum tempo. Não costumo ter tempo ou paciencia para videogames online (e detesto jogar em computador), mas este “Dragon Nest” cativou-me pelo aspecto gráfico, pois desde o início sempre criou um mundo de fantasia bastante baseado num estilo de desenho animado que me atrai particularmente enquanto ilustrador.

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Foi precisamente esse mesmo estilo visual a fazer lembrar um livro de contos ilustrados, que me fez ir espreitar o filme quando descobri que existia. Isso e o facto de ser uma produção de animação chinesa.
Apesar de também contar com capital americano, a execução é essencialmente made-in-china e logo isso deu a [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] um estilo diferente daquilo que estamos habituados a ver no típico cinema de animação ocidental ou saído de hollywood.

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Numa altura em que a maioria das produções de fantasia, particularmente em desenho animado segue sempre a mesma história já vista milhares de vezes, na verdade eu não esperava grande coisa quando comecei a ver o filme, mas logo desde os primeiros minutos houve algo que notei de especial nele.
O que me chamou a atenção foi precisamente o facto de [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] ser um filme de acção intensa e totalmente non-stop desde o inicio. Normalmente isto é logo sinónimo de grande seca e repetição constante, mas desta vez o que achei extraordinário logo desde os primeiros minutos é que a acção não estava lá apenas para impressionar mas serviu principalmente como veículo narrativo para contar a história. E isso é muito dificil de se fazer. Mais ainda é haver verdadeiro desenvolvimento de personagens enquanto as cenas de porrada mais caóticas acontecem no ecran.

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A STORYBOOK STORY

Resumindo, logo desde o início [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] surpreendentemente não me pareceu de todo um filme vazio, destinado apenas a entreter as crianças.
Havia aqui algo muito interessante para agarrar o adulto que gostasse de cinema e principalmente o adulto que se interessar por ilustração pois o conteúdo visual desta história é particularmente fascinante pelo seu estilo storybook ao longo de toda a aventura.

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É verdade que a história deste filme é tudo menos original, os personagens são todos sem excepção apenas o típico cliché do D&D ou dos jogos de MMORPG, mas surpreendentemente funcionam muito bem desta vez pois quem dirigiu isto sabe perfeitamente como tirar partido daquilo que parece banal a uma primeira visão.
É quase como se esta animação tivesse sido realizada por um bom director de actores que percebe que a magia não está apenas nos efeitos ou nas cenas de aventura mas principalmente nos personagens.
Surpreendentemente [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] contém personagens com grande carísma e era a última coisa que eu esperava.

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Cada uma das suas personalidade cliché está muito bem integrada na narrativa central e cada desenvolvimento de personagem marca um ponto importante na história, serve como reviravolta ou apresenta uma revelação importante. Se isto não tivesse sido assim, um filme como este teria sido uma seca infantil descomunal, pois de certeza que teriam apresentado os poderes da cada personagem, apresentavam a missão e depois o resto seria uma sucessão de cenas de porrada estilo D&D intermináveis até ao confronto final com o vilão do costumo e pronto, the end.
Não em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”].

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A ACÇÃO CONTA A HISTÓRIA

Em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] as cenas de acção são a cola que une toda a estrutura da história. Não só funciona, como  vão evoluindo até se tornarem absolutamente extraordinárias pela adrenalina que conseguem transmitir, especialmente nas cenas de grande batalha. Todas as cenas de acção são diferentes, muito imaginativas em termos de coreografia e acima de tudo muito bem realizadas; tudo ajudado por uma montagem excelente que se calhar passa despercebida.

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Pode-se dizer que [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um verdadeiro filme de acção e muito cinema live-action deveria aprender aqui como se usam cenas de porrada pura e dura para fazer avançar uma história sem precisar de ser uma parvalheira sem qualquer conteúdo ao pior estilo Michael Bay por exemplo.
Tomara muito cinema de Hollywood saber usar a acção como esta quase anónima produção de médio orçamento chinesa o sabe fazer.
Nenhum fotograma se perde e tudo tem um propósito na narrativa da aventura mais estereotipada que vocês alguma vez poderão ver tão bem estruturada.

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Isto é um filme muito bem planeado meus amigos.
Pode parecer apenas mais outro filme para criancinhas mas [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é realmente um produto comercial muito bem realizado.
A última coisa que eu esperaria de um filme animado obscuro baseado num videogame que nem sequer é particularmente popular por estas bandas.
Foi um dos melhores filmes de acção que vi no ano passado e não estava nada à espera disto.
Na verdade já ando para recomendar esta aventura há muitos meses por aqui, mas queria voltar a ver o filme para ter a certeza que não tinha imaginado coisas.
Desde lá já o revi quatro vezes e continua a divertir-me plenamente com as suas qualidades. Sendo assim estava na altura de o recomendar por cá.

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Em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] todos os personagens criam uma empatia com o espectador e realmente nos importamos com eles em todas as cenas de batalha em que se envolvem pois nada nos garante que não morram a seguir e isso foi uma das coisas que mais gostei nesta produção animada. Ainda estou a tentar perceber como os criadores desta animação que mal tem 80 minutos conseguiram encontrar forma de dotar os bonecos com tanta vida. Especialmente quando em pelo menos 85% do filme temos cenas de acção e aventura carregadas de adrenalina e humor.
À primeira vista não haveria espaço para desenvolvimento de personagens no sentido mais tradicional, onde normalmente a acção pára para que aconteçam momentos de exposição e no entanto não é pelos personagens que este filme iria afundar. Quem filmou isto sabe como contar uma história.

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CINEMA ORIENTAL NO SEU MELHOR

[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é mais um bom exemplo de como o cinema oriental sabe criar personagens realmente humanos que criam verdadeira empatia com o espectador e contam com um carisma absolutamente natural até quando não passam de bonecos animados como é o caso. O cinema oriental mostra bem como se criam personagens com que nos importamos, até mesmo quando estes são um dragão que mal tem um par de linhas de diálogo para dizer.

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No seu todo, acho que [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um excelente filme de fantasia. Não tem um pingo de originalidade no que toca ao conceito ou a sua história, mas o que faz, faz mesmo muito bem e a sua originalidade está em conseguir fazer tudo resultar de uma forma que nos diverte e surpreende pela qualidade que foi aqui atingida mesmo quando tudo parece não passar de mais um daqueles desenhos animados destinados aos dvds de promoção no fundo das prateleiras em supermercados.
[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] devia ser um versadeiro case study de como se cria cinema de acção com alma independentemente de ser animação ou não.

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Os personagens são variados, os ambientes são perfeitos e apesar de não ter muita variedade ou mostrar um mundo muito grande, ainda conta com um par de boas paisagens de fantasia que ficam no olho e na memória pois em termos de design [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] soube ir buscar o melhor do estilo visual do jogo e expandir os melhores elementos o melhor que o seu orçamento o permitiu certamente.
No entanto em termos de geografia, sente-se alguma limitação, isto porque o seu mundo de fantasia parece muito bonito mas na maioria das vezes sentimos que estamos apenas a ver alguns vislumbres de um universo mais vasto que merecia ter sido mostrado e nunca nos é aberto como deveria ou merecia ter sido. Restrições de orçamento certamente.
De qualquer forma, eu adorei.
Só há uma coisa neste filme que eu detestei.
O final abrupto.

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WTF ?!

Estava a divertir-me à brava com isto, esperando por um epílogo final realmente impactante que tivesse a ver com todo o tom do filme quando de repente…ACABOU !
[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] acaba de uma forma tão repentina que sinceramente pensei que isto seria o primeiro episódio de uma série televisiva qualquer.
Soube agora ao preparar-me para esta review, que já existe uma sequela, pois o filme parece ter sido um sucesso lá pela China. Óptimo !
Review da sequela para breve.

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Muito provavelmente se procurarem por este filme irão apenas a versão dobrada em Inglés quando o seu original é em Mandarim. Na verdade a versão inglesa não me chateou particularmente. É diferente da original, mas ambas têm os seus pontos altos e baixos e ambas funcionam melhor numas alturas do filme do que outras. Neste caso será portanto uma questão de escolha. Se encontrarem a versão chinesa original , óptimo; se virem apenas a versão dobrada em inglés também não será por aí que deixarão de apreciar este pequeno filme que provavelmente passou ao lado de muita gente.
Até porque lembrem-se , [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é uma produção chinesa e não é anime japonês.

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Embora contenha óbvias influências de vários sítios , o facto deste filme não ser nem japonês nem americano, faz com que tenha um estilo diferente daquele que estamos habituados a ver e quanto a mim isso é excelente.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um excelente filme de fantasia para quem procura cinema do género, independentemente de ser desenho animado ou não e independentemente de ter a história menos imaginativa de todos os tempos.
Consegue superar tudo isso para nos dar uma aventura de animação que não irá aborrecer os adultos de morte (se se interessarem por fantasia) e ao mesmo tempo irá agradar às crianças.

Cinco Planetas Saturno

  

Tudo o que faz, faz muito bem e não precisava de o ter feito para ser um produto comercial rentável. Dizem que a sequela já não tem a mesma magia… a ver vamos… 😉

A favor: usa a acção para criar desenvolvimento de personagens e fazer avançar a história, os personagens são excelentes e criam grande empatia com o espectador, a história parece básica como o raio mas contém bons momentos de humor (até para adultos) que a fazem destacar-se da comum banalidade que encontramos neste tipo de aventura para crianças.
Boa animação (num estilo diferente), adoro o estilo gráfico e a cor, bons cenários, aventura divertida e um filme muito boa onda em todos os aspectos.

Contra: acaba de repente, algumas pessoas no IMDb parecem não perceber que animação de qualidade não tem que ser sempre igual ao que a Pixar faz e não há mal nenhum por o estilo visual de um filme se parecer com o que existe no video game original. Se para vocês o bom cinema não pode passar sem uma história original esqueçam este pois não tem um pingo de originalidade no seu argumento. Sente-se que o mundo de fantasia poderia ter sido mais mostrado no ecrã e no entanto as paisagens grandiosas são sempre algo limitadas talvez devido à falta de orçamento para criar mais detalhes para este mundo.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt2911342

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Comprar em Bluray 2 em 1 na Alemanha numa edição com os dois filmes.
Legendas em Inglés.

https://www.amazon.de/gp/product/B077Y829QZ/ref=ox_sc_act_title_2?smid=A3JWKAKR8XB7XF&psc=1

Comprar em Bluray só este primeiro filme com legendas em Inglés.
https://www.amazon.de/Dragon-Nest-Chroniken-Altera-Blu-ray/dp/B0711YBYG2/ref=pd_bxgy_74_img_2/261-1780846-5221111?_encoding=UTF8&pd_rd_i=B0711YBYG2&pd_rd_r=144ca7aa-3947-11e9-bff0-f5df5dbf7aa4&pd_rd_w=Q1zSk&pd_rd_wg=uvIf2&pf_rd_p=1ee75a10-e7c2-423a-9362-8396fcd2b687&pf_rd_r=7E3D198765D1KVPGB1DV&psc=1&refRID=7E3D198765D1KVPGB1DV

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Se gostou deste filme vai gostar certamente de:

capinha_KIKI capinha_TOTORO capinha_conan.jpg capinha_5-cm-per-second

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“LA PIEL FRIA” (“COLD SKIN” /”LA PIEL FRIA”) Xavier Gens (2017) Espanha / França

Olha que surpresa… Mais cinema produzido e realizado em Espanha que envergonha todo o cinema tuga para a pseudo-intelectualhada deste nosso Portugal-à-beira-mar-naufragado;  pela eficácia, simplicidade e por não ter problemas em contar mais uma história de Fantasia daquelas que jamais seria produzida neste meu país ! Até porque não mete futebol nem nada e é sobre essa coisa para maricas, tipo pequena Sereia e merdas dessas…
Espanha volta a arrasar no campo do cinema-fantástico e também desta vez com este surpreendente [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] estamos perante mais um título europeu que não deve nada ao que de melhor se faz no género vindo de Holywood, tecnicamente falando.

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UM MUNDO À PARTE

[“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] é fabuloso e foi rodado aqui mesmo ao lado, coisa que parece quase mentira e digno de um verdadeiro argumento de Fantasia pois consegue mesmo transportar o espectador não só no tempo como também para um mundo totalmente isolado e à parte.
A diferença que uma linha de fronteira faz !
Espanha produz coisas assim enquanto nós aqui no país da bola, ainda criamos dissertações cinéfilas para festivais que ninguém quer ver sobre ilustríssimos vultos da cultura, poetas janados, invasõe…perdão “Descobrimentos“; ou então, no especto oposto continuamos a fazer cinema -Lisboeta- sobre putas/drogados e meninas-bem em aventuras pela Night Fashion ao melhor e emociante estilo “Secret Story / Casa dos Segredos”.
Resumindo, Espanha roda thrillers steampunk do melhor como este [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] enquanto nós em Portugal continuamos a babar-nos com glórias passadas em geral em vez de construirmos memórias futuras cinematograficamente onde o que importa é mesmo contar boas histórias.

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Coisa que os Espanhois a julgar por mais esta intensa história de aventura que poderão conhecer em [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] fazem cada vez melhor ao contrário aqui da tugalândia; terra dos programas sobre bola transmitidos em surround 5.1 ( cinco ao mesmo tempo durante horas a fio !!! ) que invadem os nossos canais de TV todas as noites contribuindo para – aumentar – o Q.I. da tugalhada em geral. A mesma que jamais irá contribuir com qualquer tipo de exigência para que o nosso  meio cinematográfico deixe de ser dominado pelo outro extremo do mesmo problema com “realizadores” que ainda hoje têm rédea solta para filmar merda quando temos um país à espera de que o utilizem como cenário para histórias Fantásticas.
Depois não admira que sejamos o país que produz “críticos de cinema” que reverenciam obras como o filme “Branca de Neve” ( essa “instalação artística” ) filmada sem imagem por “esse génio” César Monteiro ( “pintelho, pintelhinho” ) ) e produções semelhantes rodadas durante décadas neste Portugal sem qualquer futuro quando temos uma geografia a pedir ser utilizada para todo o tipo de histórias.
Um Portugal com cenários reais suficientes para se filmar um quilo de lendas medievais ao melhor estilo “LADYHAWKE” e que no entanto continua alheio a todo o seu potencial enquanto os Espanhois aqui ao lado fazem cada vez melhor cinema de todo o género usando a sua própria geografia, a começar pela Fantasia e Fantástico como mais uma vez se evidencia com este extraordinário [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“].

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HOLLYWOOD QUÊ ?…

Descobri [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] totalmente por acaso e já encomendei o bluray após ter visto a minha cópiazinha pirata ontem à noite. A internet é cada vez mais a melhor montra para descobrirmos cinema que nunca chegará a Portugal porque não tem produção de Hollywood e como tal ainda bem que a pirataria existe, pois este é o tipo de filme que quem gosta mesmo de cinema se gostar deste título quando o sacar da net, vai mesmo querer comprá-lo para o ter na colecção. Sai amanhã mesmo à venda na amazon Espanhola.

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Agora que Guillermo Del Toro acabou de ganhar o Óscar para melhor filme com o seu “THE SHAPE OF WATER” ainda há menos de 48 horas eis que me aparece pela frente [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] ; curiosamente mais uma história envolvendo uma raça anfíbia e que saiu para o cinema igualmente em 2017 sem ninguém notar.
[“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] tem um tom diferente pois é essencialmente um filme de aventuras com uma forte componente de crítica social que no entanto não o distrai de ser também um daqueles filmes muito divertidos onde o gore e os baldes de sangue abundam. Sim, isto não é Hollywood !
Aqui ainda se rebentam cabeças com tiros de caçadeira em primeiro plano.

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LOVECRAFT meets CARPENTER

[“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] é um dos thrillers de acção mais viscerais que vi nos últimos tempos. Daqueles que os americanos já não fazem porque têm medo de mostrar sangue não vá ofenderem os evangélicos todos que depois oferecem armas aos putos quando eles fazem doze anos.
Se alguma vez imaginaram como seria uma boa adaptação de um conto de LOVECRAFT ao grande ecrã têm aqui o filme dos vossos sonhos.
Tudo em [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] é extraordinário em termos visuais. Desde aquele ambiente totalmente steampunk onde não faltam sequências de mergulho com fatos ao melhor estilo “20.000 Léguas Submarinas” , ambientes e décors que recordam um pouco Jean Pierre Jeunet com o seu “CITY OF THE LOST CHILDREN” culminando num uso extraordinário das paisagens naturais na ilha de Lazarote em Espanha aqui transformada numa ilha perdida no meio do oceano Pacífico onde como se refere muito bem na história deste filme se demonstra que: – “Darwin estava errado !”

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[“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] é também sobre Sereias. Mas num estilo puramente Lovecraft. Imaginem a Pequena Sereia mas com sexo e violência à mistura, misturem tudo com “ASSALTO À 13ª ESQUADRA” ( ou “GHOSTS OF MARS ) + uma pitada de “I AM LEGEND” ( no melhor sentido ) e um toque de “THIRTY DAYS OF NIGHT” ( com sereias em vez de vampiros ) tudo ambientado numa fria ilha perdida habitada por dois homens cada vez mais próximos da loucura, onde só existem uma cabana e um farol e têm a essência deste incrível filme rodado em Espanha que não pode continuar esquecido enquanto tanto lixo saído de Hollywood infesta os cinemas de Portugal.
Onde estão as Sics e as TVIs desta terra quando se trata de promover cinema independente assim ?

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TEXTURAS STEAMPUNK

Os personagens são excelentes, as sequências de acção são do melhor, baldes de sangue e bocados de carne a saltar por todo o lado, excelente e contido uso de CGI para aumentar a performance dos actores que fazem de “sereias”. Tudo em [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] está perfeitamente afinado para dar ao espectador duas excelentes horas de adrenalina intensa e mistério quanto baste. Pode não ser para todos, mas se gostam de ambientes steampunk ao melhor estilo Julio Verne, desta vez com uma história de acção de contornos Fantásticos pelo meio que poderia ter sido escrita por Lovecraft nos seus melhores momentos então esta é o filme que não devem perder de todo.

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Há tanto para escolher nesta história à primeira vista incrivelmente simples que é complicado até para mim referir um detalhe em particular. Talvez a parte que eu tenha gostado mais seja mesmo a subaquática pela atmosfera única que coloca no ecrã mas também gostei muito do ambiente de mistério que percorre todo o pano de fundo nesta aventura de uma forma tão simples e por vezes subliminar que não é de admirar alguns “cinéfilos” lá pelo IMDb mais uma vez se queixarem de que a história está mal contada. [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] apesar da sua dinâmica e constantes sequências de acção é uma história sobre pormenores e portanto na verdade não é um título para a geração – short attention span – de todo. Essa apenas irá curtir a porrada e mais nada. [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] tem muito, muito mais para dar.

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Quanto mais o espectador conhecer a História da ficção-científica, quanto mais referências literárias tiver dentro deste género específico e não só, mais irá gostar de [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] principalmente pelas suas camadas de textura; o que o torna também em outro daqueles filmes que são uma verdadeira caça ao tesouro em termos de referências, neste caso ligadas mais a um universo steampunk clássico, onde os nomes de Lovecraft e Edgar Alan Poe pairam a todo o instante, para lá da óbvias influências de John Carpenter e tudo o que são histórias sobre cercos , desde o Alamo a Zulu.

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A PEQUENA SEREIA

Nota alta também para um dos grandes trunfos de [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] , a qualidade das caracterizações, principalmente a da “pequena sereia” que é um espectáculo na forma como é ao mesmo tempo simples e incrivelmente complexa tanto no design como na forma como a sua evolução ao longo da história é trabalhada psicologicamente criando um excelente personagem que gera grande empatia com o espectador.
É a alma do filme apesar de ser aparentemente secundária; o que torna [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] também numa das melhores histórias sobre sereias que já me passaram pela frente.

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Pelo que sei este filme é uma adaptação de um romance Espanhol que dizem ser mais detalhado e complexo. Pela minha parte eu vou comprar o livro nem que só esteja em Castelhano mesmo, pois a seguir a um filme assim tenho mesmo que ler a história original.

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CLASSIFICAÇÃO

É um daqueles filmes muito simples que nem por isso deixam de ser menos extraordinários. Um verdadeiro tributo ao estilo de histórias que Lovecraft costumava escrever e um filme num estilo steampunk com um visual notável.
Personagens excelentes, óptima sereia, não é politicamente correcto, montes de violência gore e acção que não pede desculpa a ninguém e uma história de mistério mais complexa do que parece à primeira vista.
Fabuloso e uma das melhores surpresas que tive nos últimos tempos.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

Quem curte o estilo Guillermo Del Toro ou a estética Jean Pierre Jeunet pelos seus ambientes vintage-steampunk, não deve deixar passar este filme em branco e juntem o nome de Xavier Gens também à vossa lista de realizadores favoritos dentro do cinema Fantástico a partir de agora.
Alguém aqui em Portugal devia tomar notas. É assim que se faz ! Aprendam com nuestros hermanos a fazer cinema; cabrones !

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A favor: O estilo Lovecraft da história mesmo sendo particularmente simples, os personagens, os actores, as sereias e todo o conceito à volta das criaturas, o estilo steampunk, o concept design e design de produção, os efeitos de caracterização, os efeitos especiais, a utilização incrível das paisagens naturais de ilha de Lazarote mesmo aqui ao lado, o espírito de aventura e a atmosfera de isolamento, as cenas de acção, os pequenos detalhes espalhados pelo cenário que tornam a história mais complexa do que parece ao início, um dos melhores filmes com um estilo vintage totalmente retro que já vi, não é um filme de Hollywood e por isso não precisa preocupar-se em ser politicamente correcto e não tem problemas em ofender “as audiências”, as cenas gore com baldes de sangue quanto baste.

Contra: Muita gente irá compará-lo ( injustamente ) ao cinema de Guillermo del Toro especialmente agora que ele ganhou um Óscar num filme de temática semelhante, mas [“LA PIEL FRIA” / “COLD SKIN“] é desta vez uma proposta superior só pelo facto de não ser uma produção de Hollywood e como tal não precisa de ser politicamente correcto.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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CONFERENCIA DE APRESENTAÇÃO NO FESTIVAL STIGES 2017

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IMdb

intro

https://www.imdb.com/title/tt1034385

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