“ARES” (“ARES”) Jean-Patrick Benes (2016) FRANÇA

[“ARES“] é um dos melhores filmes independentes de ficção-científica Europeia que eu vi no ano passado e outro bom exemplo de um filme que, até final do ano eu nem fazia a mínima ideia de que existia.
O que só demonstra que pelo visto boa ficção científica Europeia é coisa que não falta, apesar de nem nós próprios na Europa ficamos a saber que é produzida; afinal isto é cinema Francês de baixo orçamento e não um blockbuster de Hollywood.
Depois ainda há quem critique a existência da pirataria online (?!). Não fosse a pirataria e eu nem teria depois comprado [“ARES“] em Bluray. E olhem que eu gostei tanto disto que comprei o filme sem legendas de espécie alguma. O que também ajudou a praticar o meu Francês. E sim, o filme é do caraças !

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Num futuro, (quer me parecer) muito próximo, a velha ordem mundial já era, o planeta está poluído até ao limite e com população a mais, o mundo está num caos económico, doenças por todo o lado e a França conta com mais de 15 milhões de pobres e/ou desempregados sem qualquer perspectiva de futuro.
Todos os desportos foram banidos, excepto um extremamente violento ( controlado pelo Estado ) que é transmitido a toda a nação e que serve como escape à população para que esta possa descarregar toda a sua frustração no visionamento desses combates e não contra um governo que nada faz para melhorar as suas vidas.

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Um Estado também totalmente dominado pelas farmacéuticas.
São elas que controlam os jogos de gladiadores na TV, o que na práctica significa que a segurança do país está nas suas mãos também manipulando tudo ao sabor dos seus jogos de poder. Essas mesmas empresas fazem agora milhões com o dopping que agora é legal num mundo onde os desportistas são usados como cobaias para testarem a melhor droga do mercado que irá tornar o representante de cada uma das facções no melhor lutador de França e gerar muitos milhões em patrocinios de qualquer uma das empresas corruptas que gravitam nos estratos milionários acima da população comum.
Bem vindos ao mundo de [“ARES“].

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O jogo está dividido entre lutadores “do Estado” normalmente representados por membros da polícia e representantes da população em combates por vezes até à morte, o que é do melhor que pode acontecer para aumentar as audiências televisivas.
[“ARES“] conta a história de um desses lutadores.

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Um representante da polícia que entre reprimir violentamente manisfestações nas ruas durante o dia e lutar nos combates durante a noite lá vai sobrevivendo numa Paris que mais parece um esgoto a céu aberto e não passa na verdade de um enorme bairro de lata.
Com duas filhas para manter seguras, entre os quais uma muito pequena, um dia o agente recebe de uma das mais importantes farmacéuticas uma oferta que não pode recusar e claro a partir daqui a história segue para algo que óbviamente não irei contar, até porque já falei demais.

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BLOODSPORT

Tenho que confessar que só comprei [“ARES“] porque o vi mesmo primeiro numa cópia pirata. Isto porque o trailer não me tinha convencido muito e é pena que não passe a melhor ideia do filme na minha opinião, pois muita gente ao vê-lo irá certamente pensar que [“ARES“] será uma espécie de filme de porrada do Van-Damme naquela onda 80s que inundava os clubes de video do antigamente.
Não é.

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Acreditem-me, [“ARES“] não é um “BLOODSPORT”. Parece, mas não é.
[“ARES“] tem muito mais a ver com “BLADE RUNNER” e até mesmo “BLADE RUNNER 2049” do que pode parecer à primeira vista.
Por ser cinema Francês tem também aquele sabor a banda desenhada de Enki Bilal e visualmente até por vezes remete para “IMMORTEL” realizado pelo autor de BD Europeu há anos atrás.
Mas [“ARES“] é também bem mais do que isso.

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Não apenas é um bom título de ficção-científica distópica numa onda “WHAT HAPPENED TO MONDAY” como também tem certas semelhanças com aquele outro filme no estilo -Blader Runner- que saiu há um par de anos também, ( curiosamente igualmente do cinema de baixo orçamento Francês ); o mesmo, muito, muito interessante “VIRTUAL REVOLUTION” que tem uma base semelhante embora mais virada para o mundo dos video-jogos MMORPG.
[“ARES“] é mais cru e talvez por isso mais realístico (?); [“ARES“] é também muito violento e não tem problemas em ser politicamente incorrecto quando o que mostra serve para construir aquele futuro que se calhar não está tão distante assim.

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[“ARES“] apesar de não parecer, é bem mais do que um filme de Van Damme em onda futurista, mas isso não quer dizer que as cenas de combate não vão agradar a quem só procura um filme de porrada também. São muito bem filmadas, bem coreografadas e nem sei como ninguém morreu a filmar isto. Toda a ilusão de extrema violência está muito bem apresentada e portanto isto não é um daqueles filmes fofinhos ou com aquelas montagens politicamente correctas em estilo video clip que se vê nos filmes de Hollywood para agradar à família inteira. Querem ver porrada “realística” com baldes de sangue e muitos narizes e ossos partidos , também a irão encontrar aqui.

UM FILME FAMILIAR

A violência é excelente, a atmosfera repressiva é do melhor e até os efeitos e matte-paintings são impecáveis ( melhores do que aparentam no trailer ).
Visualmente o filme está muito bem produzido, desde o set-design até às panorâmicas do mundo exterior onde a Torre Eifel foi transformada no centro dos bairros da lata tudo em [“ARES“] resulta em pleno.

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Mas a grande força de [“ARES“] nem sequer está aí mas sim nos personagens. O conceito é óptimo, a história é muito boa mas o centro de tudo são os personagens.
Não quero revelar muito mas o que humaniza toda esta aventura sci-fi bem negra é o núcleo “familiar” que centraliza toda os motivos da acção.
O filme pode ser pequeno e não ter mais que 80 minutos mas não precisava de ser maior pois este é outro daqueles que nos parece muito mais longo pelos melhores motivos.

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[“ARES“] tem muita textura, muito detalhe, muita vida e cria uma excelente empatia com o espectador pois ficamos a gostar muito dos “herois” da história e ficamos agarrados ao seu destino e àquela “família” até ao último minuto.
E olhem que eu vi tudo isto em Francês sem legendas absolutamente nenhumas.
Agora também o meu Bluray de edição Alemã ( excelente som e imagem ) , não as tem.
Havia mais para contar, mas como habitualmente terão de procurar pelo filme pois este é outro daqueles títulos de ficção-científica made-in-Europe que valem mesmo a pena.
Mais um para juntarem a “ANIARA” , “CARGO“, etc.
Não percam.

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CLASSIFICAÇÃO

[“ARES“] é outra daquelas surpresas dentro da scifi mais recente que me apareceram pela frente nos últimos tempos. O facto de ser mais um título Europeu só demonstra que pelo menos por cá a ficção-cinentífica adulta está de boa saúde e recomenda-se.
E este recomenda-se mesmo muito.

Cinco Planetas Saturno

   

Só não ganha um Gold Award… porque por vezes parece demasiado concentrado com tanta coisa a precisar de acontecer para caber em 80 minutos. Mas tirando isso, é um excelente filme mesmo.

A favor: o ambiente do futuro distópico está do melhor, os personagens e interpretações são impecáveis, a história é muito interessante embora não muito complexa, é ultra violento nos combates, excelente set-design, bons efeitos, é mais um óptimo filme Europeu scifi.

Contra: este é o tipo de filme que se tivesse tido um orçamento à Hollywood se calhar poderia ter expandido bem melhor todo este universo. Embora neste caso isto nem seja negativo porque o que faz está mesmo fantástico.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt4216902/

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“IMMORTEL” (“IMORTAL” / “IMMORTEL”) Enki Bilal (2004) França / Itália / Inglaterra

[“IMMORTEL“] durante anos foi aquele filme que me ficou na cabeça desde que o vi pela primeira vez mas que nunca percebi se gostei ou não. Sempre que o tentei rever deixou-me com uma impressão que nunca consegui definir até o ter visto novamente agora numa cópia Bluray ( genuínamente em disco / nada de bluray-rips ).

POSTER

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Meus amigos, são filmes como [“IMMORTEL“] que justificam a existência do formato Bluray e o facto de se poder ver um filme em alta resolução.
[“IMMORTEL“] em Bluray está a anos-luz de qualquer anterior cópia em DVD e nem vale a pena compará-lo com rips sacados de torrents na net sequer.
A quantidade de detalhe colocado nesta história que se consegue agora perceber quando vemos este filme em alta definição é simplesmente extraordinária quando comparada com a minha outra cópia em DVD que tinha comprado há anos.

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Tal como aconteceu com o recente bluray de “Blade Runner” ( o original ) rever [“IMMORTEL“] em 1080p depois de passar anos a vê-lo em DVD é como descobrir um filme novo em termos visuais ! De repente surgem aos nossos olhos coisas que nunca tínhamos reparado que existiam simplesmente porque a resolução de uma cópia DVD tinha colocado imensa coisa desfocada e retirado por completo a atenção do espectador de todo o enorme trabalho que houve para texturizar cada mundo de ficção-científica.
Caros leitores, se tal como eu sempre olharam para [“IMMORTEL“] assim um bocado de lado pois só o viram ( ou tentaram ver ) em DVD , recomendo vivamente que o revejam nas novas edições Bluray ( especialmente na edição Alemã ) e no maior televisor que conseguirem encontrar pois irão certamente surpreender-se com a diferença.

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FICÇÃO CIENTÍFICA WTF

Como filme, [“IMMORTEL“] é um bom exemplo daquele sub-género da ficção científica que merecia ser plenamente conhecido como – SCIFI-WTF !
Esta realização de Enki Bilal que os amantes de Banda Desenhada franco-belga reconhecerão de imediato como sendo o próprio autor da BD original é talvez por isso uma versão tão estranha quanto fascinante.
Visualmente é particularmente fiel aos livros e ao próprio estilo do desenhador, o que demonstra muito bem a vantagem de se ter o criador da obra original atrás da câmara quando se trata de respeitar a estética original de um universo ( desenhado ) muito particular.
Por isso mesmo [“IMMORTEL“] na sua versão para cinema é claramente uma BD de Enki Bilal e provavelmente uma das melhores adaptações de uma Banda Desenhada ao cinema; provavelmente até melhor que a quase perfeita adaptação de Luc Besson no extraordinário “VALERIAN” lançado em 2017.

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Infelizmente esse facto também lhe trouxe alguns problemas, pois Bilal é claramente um dos maiores autores de BD de todos os tempos, criador de um estilo único e universos distópicos tão repulsivos quanto fascinantes mas a julgar pelo resultado apresentado em [“IMMORTEL“] não será ainda a esta altura um bom realizador de cinema; pelo menos não num sentido mais comercial…porque… num outro sentido não há dúvida que “as falhas” deste filme o atiram de pleno direito para dentro de um certo tipo de cinema de autor europeu mais críptico, simbólico, abstracto e intimista daqueles que normalmente parecem provocar orgasmos à tal crítica iluminada que infesta muitas áreas e muitos Festivais de Cinema…

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TRILOGIA NIKOPOL

Por outro lado… adaptar ao cinema uma obra como a banda desenhada original intitulada “TRILOGIA NIKOPOL” nunca seria tarefa fácil. Por tudo. Pela sua temática, pela sua história fragmentada naquele estilo tão pessoal de Bilal, pela quantidade de efeitos especiais e design de produção que o filme necessitava para resultar fiel ao material de origem e por não ser de todo uma aventura no sentido mais fácil de ser vendida ao público.
Sendo assim… eu não conheço mais nenhum realizador que fosse capaz de colocar [“IMMORTEL“] no ecrã da forma que este acabou por ter sido filmado, isto porque só Bilal seria suficientemente doido para adaptar o universo Bilal ao cinema.
O que quer dizer que se [“IMMORTEL“] falha enquanto objecto de cinema cativante no sentido mais dinâmico e comercial é porque nunca poderia ter sido bem sucedido e ao mesmo tempo ficado tão fiel ao universo presente na banda desenhada.

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[“IMMORTEL“] não é bem cinema; é uma BD com vinhetas e fragmentos animados colados para tentar seguir a mesma lógica do trabalho desenhado. Se tivesse tentado aproximar-se mais de uma narrativa cinematográfica certamente perderia muito da sua identificação enquanto adaptação da banda desenhada. Assim como está é uma extraordinária adaptação dos livros originais mas a sua vertente mais cinematográfica perdeu-se um bocado pelo caminho.
O que quer dizer que é bem capaz de ser a adaptação mais fiel de sempre de uma BD ao grande ecrã e sendo assim como se pode bater tanto nas suas falhas ?…

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Se calhar porque [“IMMORTEL“] é um daqueles filmes que desejamos mesmo que tivesse sido inesquecível pelas melhores razões e tal nunca acontece. Visualmente é tão estranho quanto extraordinário e se a narrativa tivesse sido um bocadinho mais estruturada e a montagem menos errática poderiamos estar hoje na presença de um verdadeiro Blade Runner francês.
Até porque bem vistas as coisas, o visual-Blade-Runner ( bem mais sujo, urbano e deprimente ) já existia desde os anos 70 imaginado por Enki Bilal e sendo assim se existe um universo de BD com todo o direito de ser reconhecido como um bom “Blade Runner” europeu quando adaptado ao cinema sem problemas de acusação de plágio esse universo é o de Enki Bilal.

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HUMANOS GERADOS ARTIFICIALMENTE

[“IMMORTEL“] falha também por ser um filme tecnologicamente à frente do seu tempo. Luc Besson esperou quase duas décadas para filmar “VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS” até que a tecnologia dos efeitos especiais lhe permitissem honrar o material da banda desenhada original e se calhar Bilal deveria ter feito o mesmo porque em 2004 não havia mesmo hipótese de visualmente reproduzir “sem falhas” tudo o que está na banda desenhada.

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Por causa disso este filme navega visualmente em águas muito estranhas. Por um lado tem momentos digitais verdadeiramente extraordinários para a altura e que se aguentam sem problemas quando comparados com muito do que se faz hoje.
Por outro convivem lado a lado animações e matte-paintings digitais extraordinários com talvez o pior e mais amador que já se viu saído do CGI no cinema. Nem o facto de [“IMMORTEL“] ser um filme de 2004 pode desculpar tanta animação e 3D modelling tão inacreditávelmente mau que poderão ver nesta história. Simplesmente porque convive lado a lado dentro do próprio filme ( por vezes na mesma cena (!!) ) também com o melhor que se podia fazer na altura.

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Segundo os detalhados making of que estão na edição Alemã em Bluray a intenção de Bilal nunca terá sido sequer disfarçar o mau CGI nem sequer tentar melhorá-lo. E percebe-se porquê.
A verdade é que esta convivência entre excelente CGI e CGI absolutamente mau essencialmente no que toca aos personagens digitais foi propositada.
Mais do que uma necessidade devido à limitação da tecnologia, foi uma opção consciente e isso é fascinante.
E não é que até certo ponto a coisa resulta ?
Ao início estranhamos aquelas cenas em que humanos contracenam com bonecos digitais que mais parecem modelados, texturizados e animados por um qualquer amador que aprende agora a trabalhar com software 3D, mas… não é que passados minutos damos por nós a nem sequer nos importarmos com isso ?!…

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A partir do momento em que mergulhamos naquele universo o mau CGI quase que desaparece da nossa percepção e aceitamos [“IMMORTEL“]  como ele é; ( especialmente quem conhecer bem o trabalho de Bd original de Enki Bilal ).
Segundo a produção a ideia seria mesmo a de colocar humanos com personagens CGI “mal modelados” e “mal animados” porque só assim o filme se conseguiria parecer verdadeiramente com uma BD no grande ecrã. Além, disso se a tecnologia ainda não permitia reproduzir humanos a ideia foi nem tentar fazê-lo bem para depois ficar a meio caminho. Metem-se logo humanos mal modelados e animados porque cinco minutos depois quem entrar no espírito estético do filme já nem nota.
Escolha estranha, arriscada… mas… e não é que resulta ?!
Também por isso este filme acaba por ficar na memória mesmo que ao primeiro visionamento nem tenhamos gostado muito dele.
Enquanto admirador de Bd franco belga e em particular de Bilal eu aceito perfeitamente o conceito estético de [“IMMORTEL“] mas não sei se o espectador comum irá engolir essa explicação, especialmente aqueles habituados à qualidade de animação que existe hoje em dia. De qualquer forma é um filme único dentro da ficção-científica por isso mesmo também.

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Aqueles “maus” personagens CGI fazem mesmo com que [“IMMORTEL“] não perca a textura exacta que está na banda desenhada. Em particular os alienígenas Deuses do Egipto que resultam muito bem em termos estéticos. Parece mesmo que estamos a ver o traço da mão de Bilal no filme como se este fosse mesmo uma BD animada.
O resto dos humanos são atrozes, os mafiosos e mulheres fatais são do pior e nem atingem por vezes a má qualidade de uma animação saída de uma intro de qualquer velho jogo da Playstation-One !
O facto de alguns personagens desses mesmo mal renderizados depois também acabarem por não servir para nada para o desenvolvimento dramático da história ( o detective da policia ) faz com que certas partes de [“IMMORTEL“] ainda pareçam mais inúteis e não se percebe bem porque lá estão.

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O ESTILO ENKI BILAL

Por todos estes factores [“IMMORTEL“] acaba na mesma por ser um título de ficção-científica fascinante. Mas volto a dizer… vejam-no APENAS EM BLURAY. Eu próprio nunca imaginei que fizesse tamanha diferença ver isto em 1080p ou em 480p.
Faz !
Em termos de história segue mais ou menos os livros originais. A adaptação dos personagens está fantástica, os actores são perfeitos para os papeis necessários e tudo é bastante coerente dentro do próprio universo da Bd.
O problema é mesmo [“IMMORTEL“] ser tão estranho precisamente porque adapta um universo Bilal.

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Um universo Bilal nunca poderia traduzir-se num filme de ficção-científica para as massas e como tal nunca será apreciado pelo espectador casual que não pede mais do que assistir com o blockbuster que estiver na moda essa semana.
[“IMMORTEL“] é o que é. Se por um lado resulta plenamente por outro é mesmo uma produção díficil de acompanhar.
Se pensavam que filmes como “LA CITÉE DES ENFANTS PERDUS / CITY OF THE LOST CHILDREN” de Jean Pierre Jeunet e Caro eram filmes esquisitos, nada os irá preparar para o filme de Bilal. É que ao pé disto até o aparentemente críptico “EDEN LOG” é um filme que se acompanha com prazer.
O esquecido mas sempre fascinante “FRANKLYN” também tem algo de Immortel, por isso se gostaram desse provavelmente irão conseguir suportar melhor agora este.

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Nem vou tentar resumir a história, mas isto mete Deuses do Egipto alienígenas que regressam à Terra na sua nave em forma de pirâmide ( bem antes de Stargate ) , mete um Deus egípcio  Hórus que irá ser castigado por um crime relacionado com manipulação genética humana séculos atrás e lhe é dado algumas horas para passear pela Terra antes de ter que cumprir a sua pena, mete um humano que estava em hibernação criogénica há séculos mas é acordado à força para servir de hospedeiro do espírito alienígena pois Hórus precisa de um corpo humano para se misturar com os terrestres, mete manipulação genética, “replicants”, um Central Park interdito pois está transformado numa zona alienígena onde as leis da física não são as normais, mete um assassinato, uma investigação policial, uma entidade cósmica misteriosa, um detective, uma cientista, uma mutante e mete tanta coisa que [“IMMORTEL“] precisaria de ter tido mais uma hora pelo menos para conseguir criar uma estrutura coerente.
Assim como está no entanto é um filme hipnótico e um objecto único dentro da ficção científica que se recomenda até certo ponto. Mas apenas em Bluray. Esqueçam todos os outros tipos de cópia.

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Não sei se é da história, da fragmentação dos acontecimentos, dos eventos e personagens que acabam por não servir para nada a não ser aparecer e queimar tempo de ecrã, dos horríveis humanos criados em CGI pré-histórico ou da atmosfera opressiva e algo deprimente tão característica do trabalho de Bilal; não sei se é do extraordinário design daquele mundo futurista em estilo retro-blade-runner-europeu, das fantásticas cenas passadas por entre prédios e carros flutuantes ou em estilo steampunk gótico, do set design perfeito que reproduz de forma exacta muitas das vinhetas da BD ou da atmosfera sci-fi-noir em geral, mas a verdade é que quer se goste ou não [“IMMORTEL“] é mesmo um título de ficção científica único que merece ser visto pelo menos uma vez.

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O estilo Europeu só lhe fica bem, mas não esperem uma espécie de aventura divertida no estilo “O QUINTO ELEMENTO” de Besson apesar das semelhanças estéticas que poderão pensar ter se virem apenas os trailers. [“IMMORTEL“] é mesmo um Enki Bilal puro e quem sabe o que isto significa nem precisava de ter lido este texto enorme até aqui.

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CLASSIFICAÇÃO

Não tentem ver isto em qualquer formato a não ser em Bluray. Faz diferença na vossa apreciação final, MESMO.
De resto, se forem fãs da BD de Enki Bilal e nunca viram isto, vocês sabem que vão mesmo ter que o ver; é uma excelente adaptação do estilo que se gosta ou se odeia no trabalho de Bd do autor e como tal [“IMMORTEL“] é mesmo uma banda-desenhada filmada. Talvez seja mesmo esse o seu problema.

Quatro Planetas Saturno ( se o virem em Bluray apenas )

  

Se o virem numa cópia inferior muito possívelmente nem vale três planetas saturno sequer pois todos os detalhes que lhe dão muita textura não aparecem no ecrã; nem sequer em dvd.
Quem não souber quem é Enki Bilal e partir para isto de uma perspectiva comum enquanto espectador de cinema muito certamente não irá gostar nem irá conseguir suportar o horrível CGI dos personagens humanos e não só. [“IMMORTEL“] é claramente um filme para o público da ficção-científica e nunca conseguiria ser um título mainstream mesmo que o tentasse.

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A favor: a versão em Bluray deu-nos um novo filme com pormenores nunca vistos antes, visualmente é totalmente fiel à banda desenhada, o concept design original para o filme é excelente, tem montes de atmosfera genuinamente Bilal, as cenas urbanas com os prédios de Nova York são o máximo apesar de claramente tudo se passar por cima de matte-paintings digitais e não só, bons personagens humanos reais, apesar do mau CGI os Deuses do Egipto têm piada e resultam visualmente, é um título único dentro da sci-fi europeia.

Contra: Uma estrutura que funciona bem em BD nunca poderia resultar bem em cinema, o incrivelmente mau CGI pode afastar logo 99% do público, a montagem algo errática afasta o público que sobra, a história é demasiado obscura e simbólica para funcionar plenamente, não se percebe bem se isto quer ser um título mainstream ou está apenas contente em ser cinema de autor com pretenções mais comerciais, como aventura futurista não é particularmente divertida ou cativante.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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Sobre a Trilogia Nikopol por Bilal
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Nikopol_Trilogy

Comparem algumas destas imagens da BD original com o que foi reproduzido do filme e perceberão como isto foi realmente muito bem traduzido para cinema em termos visuais o que não é costume demonstrando no entanto a vantagem de atrás das cameras como realizador estar o próprio autor da banda desenhada, Enki Bilal.



Comprar a trilogia completa em BD na edição americana
https://www.amazon.com/Nikopol-Trilogy-Enki-Bilal/dp/0967240123

Também se encontra à venda em Portugal numa edição PT que custa aproximadamente 45€ em hardcover.

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COMPRAR BLURAY EDIÇÃO ALEMÃ “3D”

bluray

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FALSO 3D
NOTA: Ignorem o “3D” referido nas capas dos blurays desta editora, seja em que filme for.
Não é “3D” real. O que o bluray faz é ligar a conversão automática de qualquer televisor 3D quando o filme começa para o modo de simulação-3D que já está disponível no hardware e pode ser usada para qualquer outro título de qualquer maneira.
A simulação 3D dá alguma profundidade ao filme como habitualmente mas não é puro 3D e não esperem ver elementos a saltar para fora da TV ao contrário do que acontece com o 3D real.
É pura publicidade enganosa cobrarem mais por blurays supostamente em 3D nesta editora quando na verdade o que apenas fazem é ligar por vocês a simulação 3D do vosso televisor que de outra forma teriam de ser vocês a iniciar. Mais nada. Os filmes nem sequer estão gravados/remasterizados em 3D.

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0314063

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“EDEN LOG” (“EDEN LOG : ESCAPE FROM DARKNESS”) Franck Vestiel (2007) FRANÇA

Olha que surpresa [“EDEN LOG”] é mais um excelente título de ficção científica com uma classificação de merda no IMDb atribuída claro, pelos “utilizadores”. O que só demonstra que quem gosta de ficção científica nem se dará ao trabalho de comentar por lá e tentar elevar a reputação de um scifi tão bom quanto este tirando-o da obscuridade. Essencialmente no que toca à apreciação de bom cinema lá pelo IMDb está mais que visto que quem gosta mesmo de Cinema está em menor numero e não há volta a dar.

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Embora no caso de [“EDEN LOG”] há que admitir que ainda houve no IMDb algumas pessoas que postaram excelentes reviews sobre o filme; o que quer dizer que felizmente ainda há por aí quem compreenda realmente o género.
No entanto não há mesmo volta a dar quando se trata de discutir sobre ficção-científica com as audiências pipoca. Especialmente as que nasceram quando o cinema já estava completamente formatado para não passar de um enorme comics-gringo-cinematográfico sem originalidade e onde o fanatismo “fan-boy” inventado pelos departamentos de marketing de Hollywood e “Comicons” têm mais poder do que aquilo que antigamente seria o verdadeiro gosto individual de cada espectador.

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[“EDEN LOG”] pela sua ousadia gráfica é também um título condenado logo à partida. Mesmo tendo uma história que não destoaria do pior lixo com super-herois da DC o facto de não se parecer com o que é comercial impede que seja reconhecido pelas suas qualidades. Está tudo na forma como um título é filmado e [“EDEN LOG”] é realmente muito bom mesmo.
No entanto não podia estar mais longe do estereotipo que o comum dos modernos auto-proclamados “fans de ficção cientifica” que infestam os fóruns net fora consideram como cinema; isto porque não se enquadra de todo no estilo visual do hype do momento. Ainda por cima o filme “é em estrangeiro”; é Francês e não é em gringo. Há filmes em França ?!!

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DRUNNA SEM SEXO

[“EDEN LOG”] tem um visual fantástico mas parece tão estranho e é tão único que a nossa primeira reacção é considerar isto como “um filme artístico” e atirá-lo imediatamente para o saco do cinema-de-autor mais artsy e elitista. O que é injusto.
O facto de também em muitos momentos se parecer com o cinema inicial de Darren Aranowsky também não ajuda a que [“EDEN LOG”] brilhe aos olhos do comum dos espectadores.
Talvez por ser cinema francês, mas a verdade é que [“EDEN LOG”] para além de não pertencer aquele tipo de cinema intelectualoide pretencioso do qual nem Aranowsky se escapa com os seus tiques “de artista“, é também um verdadeiro tributo visual ao melhor do que se fazia na Banda Desenhada Franco Belga no final dos anos 70, embora com uma estética modernizada claro está.

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[“EDEN LOG”] parece-se incrivelmente com o melhor de uma história desenhada por Druillet, por Bilal e principalmente com o trabalho de Serpiere. Isto porque [“EDEN LOG”] é quase uma história passada no universo de Druuna mas sem a vertente sexual; sendo ainda muito , muito mais dark e carregada de mistério embora temáticamente se toquem em muitos momentos. Metia-se por aqui pornografia pelo meio e teriamos tido uma versão bootleg do Druuna embora menos colorida como podem ver pelas imagens.

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BD FRANCO BELGA

[“EDEN LOG”] é um bocado prisioneiro do seu estilo visual. Todo este universo é graficamente tão forte que por ser tão único e tão intenso acaba por remeter o filme quase automaticamente para uma categoria de cinema-de-autor num sentido negativo que não merece, atirando o filme para aquele limbo cinematográfico onde muito pouca gente, que até gosta mesmo de scifi poderá inclusivamente ter vontade de o ir buscar.
É pena.

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[“EDEN LOG”] à primeira vista parece mesmo um filme –  “daqueles esquisitos como o raio” – , ou pior – “a armar-se em inteligente”. Na verdade até é bem simples.
Essa percepção errada também é um bocado culpa dos trailers que não lhe fazem justiça pois pelas apresentações fica-se com a ideia de que isto será um thriller de terror sobrenatural high tech algo intelectual e até intensamente surrealista num modo artístico qualquer, quando na verdade o que isto é , é mas é uma banda desenhada francesa da época dourada da BD franco belga colocada de forma espectacular no ecran. Com uma história e estrutura lineares muito mais simples do que possa parecer a um primeiro olhar.

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Ainda há uns meses eu critiquei “THE DARK LURKING” por não ter qualquer ambição, contentando-se em ser apenas uma cópia tanto do estilo visual de outros realizadores como do tipo de histórias que já existiam antes produzidas por Hollywood e portanto um desperdício de recursos quando estes poderiam ter sido usados para criar algo único independentemente de ser cinema de baixo orçamento ou não.
Ora [“EDEN LOG”] fez precisamente isso. Não imitou ninguém apesar do seu argumento que poderia ter facilmente caído na típica imitação de “Resident Evil” ou “Doom”.
Por ser original pagou por ser diferente. Como também não se parece de todo com um produto fabricado na linha de montagem de Hollywood só esse pormenor faz logo com que perca uns 90% dos tais supostos “apreciadores de ficção-científica” que infestam o mundo online onde Portugal também não escapa.

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Este filme que já é de 2007 por incrível que pareça, ao contrário do que “THE DARK LURKING” e muitos outros séries-B contemporâneos americanos costumam fazer; não se limitou a copiar “RESIDENT EVIL”, “ALIENS” ou “DOOM” mas graças a imensa imaginação visual e excelentes opções no estilo de realização conseguiu navegar precisamente pelo mesmo tipo de temáticas e “universos semelhantes” a todos esses três populares títulos.
No entanto, esta proposta scifi francesa tem realmente uma identidade muito própria ( com uma pitada de “STALKER” de Tarkovsky pelo meio ).
Mesmo quando o tipo de história até tem a mesma base de um simples “Resident Evil” e tudo !

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O que só demonstra o quanto do talento está na forma como se re-utiliza até mesmo conceitos que já foram filmados antes bastando para isso fazê-lo de forma única.
O estilo de filme não tem necessariamente que estar preso ao estilo de história ou ser um filme menor por causa disso e [“EDEN LOG”] é um excelente exemplo de como algo pode resultar mesmo a partir de um tipo de argumento que nas mãos de Hollywood teria sido apenas mais outro scifi de carnificina grunho.

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MUNDOS DE ENTULHO

[“EDEN LOG”] consegue até ser cinema de Comic-book por incrível que não pareça. Apenas é cinema de Comic-book no estilo Franco Belga de final dos 70s e é aqui que está o seu brilhantismo enquanto proposta scifi saída da Europa.
Estamos na presença de um verdadeiro título de Cinema-Banda-Desenhada.
No melhor dos sentidos.
Além disso eu nunca tinha visto um filme de tão baixo orçamento tão bem desenhado em termos conceptuais e construído com tão pouco.

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O que esta gente conseguiu criar com um monte de lixo e entulho no que toca a cenários é absolutamente genial. Desde os níveis mais fundos da estação de pesquisa onde a história se passa até às secções de topo onde a aventura resolverá o seu mistério na totalidade, tudo o que vemos no ecrã é absolutamente notável em termos criativos.
Neste aspecto talvez só a série “MYTHICA” se compare quando se tratou de construir ambientes recorrendo basicamente a lixo e a entulho jogado fora.

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Não só [“EDEN LOG”] tem uma imensa variedade de ambientes que vão ficando cada vez menos abstractos à medida que a história avança como tudo está incrivelmente bem fotografado.
Os jogos de luz e sombra aliados a uma quase completa falta de saturação da cor ( que é apenas muito bem usada em pontos chave ), tudo faz com que este filme transporte tão bem o espectador para o interior daquele mundo apocalíptico e claustrofóbico. Esquecemos por completo que estamos a ver um filme com um realizador por detrás pois este apaga-se por completo e digo isto no melhor dos sentidos.

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Há alturas em que parece que estamos junto com o protagonista descobrindo e explorando metro a metro tudo o que há de misterioso naquela base(?)/nave(?); sempre desejando saber mais e com imensa curiosidade sobre o que se irá passar a seguir.
Neste aspecto enigmático [“EDEN LOG”] irá agradar imenso a todos aqueles que tal como eu adoraram “PANDORUM“.
Pandorum é quase essencialmente aquilo que [“EDEN LOG”] teria sido se tivesse sido realizado num estilo comercial próximo do cinema de Hollywood destinado a agradar às audiências-tipo totalmente standard.

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DOOM A SÉRIO

Pelos trailers ficamos um bocado com a sensação de que [“EDEN LOG”] será uma espécie de thriller de acção scifi mas na verdade apesar de contar com imensas sequências totalmente saídas de um “DOOM”, de um “RESIDENT EVIL” ou até de um “SILENT HILL (jogo)” a verdade é que estas estão lá por uma razão e não apenas para meter estilo.
Até porque estão filmadas com uma violência crua que não pretende tornar o filme num lindo videoclip. Bem pelo contrário.
Tudo o que são cenas intensas neste filme é absolutamente visceral a um ponto que por vezes surpreende e chega até a incomodar. Inclusivamente a “famosa” cena da violação que ocorre a meio do filme e que é bastante mencionada em imensas reviews é particularmente intensa.

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No entanto como muita gente bem aponta, essa cena de violação apesar de inesperadamente brutal, no caso de [“EDEN LOG”] está totalmente dentro do contexto da história; sendo  mesmo necessária para compor melhor o personagem e permitir que este evolua. Ao mesmo tempo que também cimenta a relação com a protagonista por muito estranho ou doentio que possa parecer.
Tem uma lógica, está bem incluída, é impressionante mas percebe-se porque teve de ser representada assim, logo cinco estrelas aqui também.

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Além disso é nessa sequência que o próprio espectador tem verdadeira consciência de como a montagem deste filme é fantástica.
A realização, a fotografia, a montagem aliadas a uma banda sonora assombrada absolutamente perfeita e a uma história que não sendo nada do outro mundo ou particularmente original fazem no entanto com que [“EDEN LOG”] ganhe imensos pontos porque tudo neste filme resulta e nunca é demais nem de menos.
Para um filme à partida tão estranho este título scifi é realmente muito equilibrado em todos os sentidos.

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SCIFI ? OUÌ CEST MOI…

[“EDEN LOG”] não será exactamente um filme de terror apesar de o parecer visualmente ( nem sequer tem sustos-falsos fora de contexto só para “meter medo” ).
Também não é cinema de acção como poderão constatar por alguns comentários da malta do short-attention-span que parece ter-se sentido enganada pois consideram esta potente aventura scifi como um filme chato e aborrecido ;(?!); onde pelo visto não se passa nada (?!); quando a história até poderia ser essencialmente um remake de “Resident Evil” sem tirar nem pôr.
Não deixa de ser hilariante constatarmos, lendo este tipo de comentários que a malta das pipocas considera: – história=cenas que metem estilo –  e quando isso não acontece no tipo de montagem pop-popular então parece que para muito menino – “o filme não tem história” .

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Eu já tinha visto [“EDEN LOG”] há anos numa muito má cópia de um dvd-rip e na verdade não tinha ficado particularmente impressionado pois tinha-o visto mesmo com muito má resolução e este filme não pode ser visto em condições piratas-rascas de todo; (por isso não o façam fachavor).
Como apesar de tudo nunca esqueci o visual do filme agora que o encontrei por 4€ em Bluray resolvi arriscar e ainda bem que o fiz.
[“EDEN LOG”] é um daqueles filmes para qual o Bluray foi inventado; esta aventura scifi fica pura e simplesmente espectacular especialmente quando vista às escuras, noite dentro com o som em headphones no máximo para melhor efeito de sala de cinema.
Não percam.

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CLASSIFICAÇÃO

[“EDEN LOG”] é ficção-científica europeia francesa com um enorme sabor a BD clássica franco-belga. Para as novas gerações isto não será argumento mas para quem souber do que estou a falar e quiser ver uma aventura scifi num estilo Druillet misturado com uma pitada de Druuna e um toque de Bilal num ambiente apocalíptico muito bem imaginado, culminando num simples mas bastante satisfatório final então não hesite.
[“EDEN LOG”] parece um filme estranho ao início, mas entrem no seu mundo e já não conseguirão tirar os olhos do ecran até ao desenlace.
Vejam-no noite dentro, ás escuras e com o som a bombar nos headphones.

Cinco Planetas Saturno

   

O pouco CGI que usa está algo datado mas também não é muito, a história é a habitual sobre alguém que acorda sem memória no nível mais fundo de um laboratório completamente devastado por onde circulam criaturas mutantes nada amigáveis e como tal não é por aqui se irão surpreender.
Em muitas alturas faz lembrar “THX-1138” de George Lucas como referem muitas reviews, mas numa versão totalmente apocaliptica e não apenas distópica.
Agora onde o filme brilha é na forma como trabalha este material que em outras mãos teria sido tão banal quanto “THE DARK LURKING” o foi.

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[“EDEN LOG”] é boa scifi adulta em qualquer parte do mundo.
Só não leva um Gold Award agora…nem sei bem porquê…talvez por ser algo previsível para todos aqueles que tal como eu já tenham lido muita FC em particular a FC literária dos anos 70 e eu gostei tanto do ambiente disto que esperava mesmo mais imaginação no desenvolvimento.
Por outro lado ainda irei rever em alta a classificação disto também um destes dias pois este filme é realmente poderoso, original na sua execução e muito bem filmado. E tudo isto com um orçamento minúsculo que nem dava para o catering de uma manhã numa produção de Hollywood.
Enquanto scifi europeia de baixo orçamento é tão bom quanto “CARGO“. Por isso não se esqueçam de espreitar esse também já agora.

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A favor: o ambiente, faz recordar o melhor da ficção cientifica francêsa em Banda Desenhada dos anos 70 ao estilo Druillet ou Bilal com montes influencias de Druuna também, a fotografia é fabulosa, é uma história simples mas com tonalidades adultas, ficção científica para quem gosta mesmo de ficção científica, todo o concept design deste filme é fabuloso e a forma como os cenários foram construídos a partir de entulho essencialmente é brilhante, transporta-nos mesmo para um outro universo, esquecemos por completo que há um realizador por detrás da câmera, claustrofóbico misterioso e perturbante por vezes, todo o conceito científico que nos transporta até um final que não sendo brilhante é mesmo muito bom e adequado.

Contra: mais uma vez a idiota classificação no IMDb, muita gente irá confundir isto com um filme “artístico” ao pior estilo cinema de autor pois o próprio estilo gráfico do filme ditou que o seu visual não pudesse ser propriamente comercial no sentido mais pipoqueiro e como tal a malta do design estilo videogame não irá curtir ou compreender o filme, a história como já a vimos várias vezes nem sequer é particularmente impressionante.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
Nenhum dos trailers para este filme são muito bons mas este ainda é o que se pode aproveitar e pelo menos dá uma ideia dos ambientes visuais.

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COMPRAR BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO FRANCESA
Atenção: O menu de navegação desta edição é do pior.
O filme começa automaticamente só com a versão francesa (não dá para alterar através do comando remoto em options sequer) e só descobrimos que existe uma versão inglesa  no disco quando o filme acaba; pois é então ( a seguir aos créditos finais ) que o bluray da finalmente acesso ao menu ( que deveria ter estado no início ) onde podemos escolher as versões que na verdade temos à disposição.
Pelo menos foi o que me aconteceu ao ver este filme na minha PS4.
A versão original francesa só tem legendas em Holandês mas a versão dobrada em inglês tem legendas em Francês.
De qualquer forma actualmente a edição Francesa é a única que vale a pena ter pois a edição Alemã só tem a dobragem Alemã mesmo.
E este filme vale mesmo a compra em Bluray. Especialmente se ainda estiver a 4€ na amazon francesa como eu a comprei (Dezembro 2017).

BLURAY

https://www.amazon.fr/Blu-ray-Vimala-Bajraktaraj-Abdelkader-Cornillac/dp/B00GY4I1R0/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1514559358&sr=8-2&keywords=eden+log

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IMDb


GIF

http://www.imdb.com/title/tt1087842

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