“LOVE” (“LOVE : ANGELS & AIRWAVES) William Eubank (2011) EUA

O ano de 2017 não podia ter acabado melhor em termos de cinema independente de ficção-científica do que com [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] que me deixou completamente baralhado e impressionado ao mesmo tempo.
[“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] que também poderia ser conhecido na boa como [“WTF : THE MOVIE“].

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Um filme que tenho que admitir, comecei por detestar porque quando o tentei ver pela primeira vez há alguns anos nem consegui passar da primeira meia hora mas que tenho agora que admitir que foi realmente um daqueles filmes que me ficou na memória ao ponto de este Natal ter incluído o próprio Bluray disto na minha lista de compras pois queria dar-lhe uma segunda oportunidade para lá da cópia rasca em dvd-rip que eu tinha sacado há alguns anos.
E ainda bem que o fiz.

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LOVE

[“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] é um filme difícil. Na verdade nem sei bem se isto se poderá sequer considerar um filme mas mais uma verdadeira instalação artística video-musical que anda algures por entre uma obra-de-arte, um videoclip para uma banda alternativa (Angels & Airwaves) e uma história de ficção científica cosmológica e totalmente existencialista na linha de um 2001 Odisseia no Espaço.
[“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] consegue ser ao mesmo tempo incrivelmente pretencioso, absolutamente irritante, extremamente secante e vazio, incrivelmente intrigante, extraordinariamente hipnótico, visualmente fascinante e filosoficamente tocante até.

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Imaginem a cena final de “INTERSTELLAR” em que o heroi está preso entre dimensões. Agora estendam essa sequência enigmática por 90 minutos, coloquem-na ao som de uma banda rock alternativa num (bom) score que alterna algures entre o semi-grunge e a música new-age mais arsty e terão [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“].
Tudo isto integrando pelo meio um monte de clips que à partida parecem não ter absolutamente nada a ver com o filme e que se intrometem pelo meio da narrativa (?) a todo o instante deixando-nos ainda mais baralhados.

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[“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] é um daqueles tipos de filme que raramente me aparecem pela frente no sentido em que isto acabou e eu só me perguntei o que raio foi que eu tinha acabado de ver… (?!?!)… … … (?!?) … … … !!
Como não percebi a ponta de um corno do que tinha visto nos últimos minutos… Ou percebi… mas não tinha bem a certeza… Ou tinha a certeza ( até porque adivinhei logo “o mistério” da história desde o início ) mas precisava de perceber se eu tinha percebido… eis que me atirei para o IMDb, esperando encontrar [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] no máximo com uma classificação de 1 ou 2 valores. Para minha grande surpresa até nem está mal com uns confortáveis quase 6 valores actualmente o que não deixa de ser extraordinário, tendo em conta que afinal estamos a falar do IMDb…

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HATE

No entanto alguma vez tinha que acontecer e desta vez tenho que recomendar vivamente que espreitem a discussão que existe no IMDb ao redor deste filme na secção de reviews dos utilizadores ; ( mas esqueçam os imbecis “científicos” do costume que odeiam o filme só porque este “falha” num monte de coisas “científicas” ).
Pode parecer contraditório mas desta vez ( no resto ) tanto quem adorou o filme como quem o detestou em absoluto está carregado de razão o que por si só é logo motivo para que [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] seja uma experiência visual totalmente recomendável dentro do cinema de ficção científica pois este é mesmo um daqueles que irá dizer coisas totalmente diferentes a cada tipo de espectador.
Ou como referem muitas reviews que lhe atribuem 1 valor no IMDb , também poderá não dizer nada a ninguém pois [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] é realmente tão vazio como o acusam de ser.
Ou pode ser.
Ou se calhar não é…

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Quem odeia este filme ( de um ponto de vista cinéfilo ) tem toda a razão nos seus argumentos. Quem adora este filme tem toda a razão nos seus argumentos. Quem ficou a meio termo tem toda a razão nos seus argumentos, ( os “cinéfilos científicos” deviam era estar calados ).
Eu odiei e adorei; o que quer dizer que na verdade nem sei bem quais serão os meus argumentos para poder classificar isto. No momento em que escrevo estas linhas não faço ainda a mínima ideia de que classificação irei atribuir ao filme.
Só sei que já não lhe irei atribuir apenas os “dois planetas saturno (talvez mesmo um)” que tinha pensado inicialmente fazê-lo pois o facto de ter conseguido rever este título com a qualidade Bluray, mais uma vez tal como já tinha acontecido com outro filme aparentemente “artsty”EDEN LOG“, fez a diferença.
Além disso agora que também conheci o historial desta produção essencialmente caseira, para lá de tudo o que eu possa ter achado do resultado final uma coisa é certa, [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] conseguiu um feito notável no que toca a produzir os resultados visuais extraordinários que coloca no ecran essencialmente sem dinheiro nenhum.

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UMA ESTAÇÃO ESPACIAL NO QUINTAL DOS PAIS

Agora que revi o filme, agora que já percebi que a minha percepção sobre ele até nem estava particularmente errada, há uma coisa que eu tenho que referir sobre [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“].
Não o vejam sem verem primeiro este pequeno documentário de making-of.
Se eu já estava a começar a olhar para este título de ficção-científica com outros olhos após ter visto o que vocês poderão encontrar abaixo [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] ganhou definitivamente um contexto novo e que todos vocês deverão começar por perceber antes de tentarem ver o filme.
Além disso um jovem realizador estreante que consegue construir no quintal dos pais possivelmente um dos melhores ( e mais realisticos (?) ) cenários de todos os tempos representando a Estação Espacial Internacional usando essencialmente rampas de parques de skate para mim é um génio criativo e vocês têm mesmo que ver isto antes de se arriscarem a tentar ver o filme.

Making A Low Budget Space Oddity from Angels And Airwaves on Vimeo.

Já o fizeram ?
Óptimo.
Agora se calhar já conseguirão entrar em [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] com a preparação psicológica necessária para aguentar toda a sua imagética surrealista (?), estilo art-house-pretencioso(?), história (?) secante (?) e atmosfera genuínamente scifi quanto baste apesar de ir beber a tudo o que foram “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO“, “SOLARIS“, “2010“, “INTERSTELLAR“, “MOON” de forma claramente evidente como muitos utilizadores que odiaram este título acusam o filme de ser.

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Agora percebo melhor a ausência de estrutura (?) neste filme… Como é referido no documentário acima as sequências de videoclips externos que inicialmente nem tinham sido filmados para isto realmente parecem ao mesmo tempo encaixar e não encaixar no que [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] tem para contar em termos de narrativa principal.
Talvez o único grande problema do filme nem seja mesmo o seu estilo art-house ao pior nível do cinema de autor pretencioso. Isto mais parece ter sido o resultado inevitável de um tipo de filme que não poderia ter saído diferente do que ter sido uma intenção inicial do realizador em armar-se em artista e portanto pela minha parte está desculpado.

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ISS CASTAWAY

Por outro lado, [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] tem duração excessiva. Esta história não tem argumento para mais de 20 minutos e é o facto de haver uma necessidade de a esticarem para um filme de 90 minutos que acabou por fazer com que o filme acabasse por ser arrastado para o limbo do pior cinema de autor armado em inteligente como acusam muitos utilizadores no IMDb com toda a razão a um primeiro ou único olhar.
Não havendo nada para filmar, não havendo nada para fazer acontecer na história a única solução foi mesmo a de atirar com toda a imagética possível à cara do espectador na esperança de que ninguém notasse que não há mesmo nada a acontecer nesta aventura para lá da premisa inicial e da revelação final nos últimos 20 minutos.

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Todo o meio do filme durante mais de 1 hora joga essencialmente com a ideia do protagonista estar a enlouquecer lentamente até porque novamente estamos em território “NÁUFRAGO ( CASTAWAY )”; apenas em vez disto se passar numa ilha deserta tem lugar na ISS em órbita quando um astronauta perde totalmente o contacto com a Terra e vê-se obrigado a viver sózinho a bordo durante seis anos, ( e sem Wilson nem nada ).
Temática esta que veio mesmo a calhar para encher o filme de sequências alucinatórias, pensamentos filosóficos visualmente traduzidos em imagens maradas, música new age em modo misterioso e tudo o mais que vocês certamente imaginam que irá aparecer neste título. Isto enquanto o filme se arrasta como uma tartaruga ( muito bela mas nem por isso deixa de ser uma tartaruga ) até ao segmento final.

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Segmento final que embora revelador, não deixa de continuar em registo permanente em total modo WTF mesmo até quando o filme simplesmente acaba e nos deixa na merda com cérebro totalmente queimado tentando juntar as peças do puzzle enquanto os créditos rolam.
Depois do choque passar e quando pensamos mais claramente sobre o que acabamos de ver realmente tudo se torna tão óbvio que é quase estúpido não termos absorvido logo todos os acontecimentos quando estavamos a ver o filme. Mas a culpa também é de [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] quando o seu final cosmológico alterna entre o belo, o profundo, o filosófico e uma estética abstracta e metafórica sacada a “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” se este tivesse sido filmado por Steven Soderbergh e não por Stanley Kubrik.
WFT é algo que o incauto espectador que se depara com este filme sem qualquer preparação irá gritar muitas vezes. Se estiver acordado passados 30 minutos depois do filme começar.

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OBRA PRIMA VISUAL

[“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] curiosamente tem sido um daqueles filmes que a crítica iluminada óbviamente adora. Mas não só. Por acaso o que me convenceu mesmo agora a comprar o Bluray foram um par de críticas normais que referiam como este título visualmente independentemente de tudo o resto era realmente extraordinário. E têm razão.
A haver um motivo para qualquer fã de ficção-científica adulta não deixar de ver este filme está realmente no que este realizador conseguiu colocar no ecran pois [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] tem momentos visuais absolutamente incríveis ao longo de toda a sua duração.

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As cenas na Guerra Cívil Americana são verdadeiros quadros e pinturas clássicas em movimento e com uma cinematografia de cortar a respiração, as sequências a bordo da ISS são do mais convincente que já vi; ( apesar da tal óbvia “falha” que toda os nerds no IMDb referem quando dizem que deveria haver falta de gravidade na estação ) e o final cosmológico da história também não fica atrás. Mais do que “COSMOS” de Carl Sagan no qual parece ter sido inspirado, o final também faz lembrar o melhor da mini-série “CHILDHOODS END” baseada no romance de A.C.Clarke.
[“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] está tão bem filmado que até as sequências de entrevistas a meio do filme são visualmente muito fortes.

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Para um primeiro filme de um jovem realizador não está nada mal. Muito menos para alguém que consegue construir uma estação espacial por 30.000 dólares no quintal dos pais e constroi um filme com um visual destes por pouco mais, financiado por uma banda rock totalmente independente do circuito mafioso e plástico de Hollywood.
Precisamos é de mais cinema original assim dentro da ficção-científica a ver se trazemos o género de volta para o público adulto. Mesmo que não seja para todos.

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CLASSIFICAÇÃO

E agora ?…
Estão por vossa conta.
Espreitem as opiniões no IMDb pois (quase) todas estão carregadas de razão e façam a vossa escolha. Se nunca ouviram falar de [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] eu não o veria antes de verem o documentário de making of.
Acho no entanto que este é o tipo de cinema scifi independente que todos os apreciadores de ficção-cientifica não deverão de deixar ver pelo menos uma vez; especialmente se gostarem de “2001” ou de “SOLARIS” ( original ) / “SOLARIS” (moderno)” embora inevitávelmente agora [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] possa parecer imediatamente um título muito mais pretencioso a um primeiro olhar; por outro lado tem qualquer coisa também de “THE WHISPERING STAR“… o que pode ser bom ou mau dependendo da vossa opinião sobre esse filme também…
Na forma como aborda o isolamento e a solidão no espaço também é semelhante a “ASTRONAUT – THE LAST PUSH” outro scifi totalmente independente e de muito baixo orçamento.
Visualmente não há dúvida que contém momentos extraordinários e o toque final em modo “INTERSTELLAR” também lhe fica muito bem.

Quatro Planetas Saturno

  

Apesar de ter sido um título pelo qual tive que literalmente me arrastar e conter-me por mais do que uma vez para não clicar em fast-forward a verdade é que depois do filme acabar não me saiu mais da cabeça. E agora depois de conhecer tudo o que está nos bastidores desta incrivelmente pequena produção, comparar o que foi gasto neste filme , a maneira como foi filmado com o resultado visual que aparece no ecran não à dúvida que temos que apreciar [“LOVE : ANGELS & AIRWAVES“] pelo que é.

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A favor: visualmente é fabuloso, cosmologicamente há por aqui uma mensagem realmente potente e significativa, os 20 minutos finais têm o seu quê de mistério e maravilhoso resultando bastante bem, o protagonista é excelente, a ideia da história.

Contra: não tem material para um filme de 90 minutos e nota-se porque por causa disso o filme de repente é obrigado a entrar por um estilo – artsy – de que não teria tido necessidade de enveredar se houvesse algo mais para acontecer na história do que o inicio e o final, muita gente não irá aguentar mais de 30 minutos a ver isto, quem fizer fast-forward perde por completo tudo o que o filme tem de bom para mostrar visualmente.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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COMPRAR O BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO UK
Sem legendas.

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https://www.amazon.co.uk/Love-Blu-ray-Gunner-Wright/dp/B009R29L66/ref=pd_rhf_pe_p_img_2?_encoding=UTF8&psc=1&refRID=PG3PA4RG18P0VQYTVTBA

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IMDb

LOVE-theatrical-poster1

http://www.imdb.com/title/tt1541874

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MAKING OF

https://vimeo.com/87905891

http://www.carstenburmeister.com/making-of-love.aspx

 

 

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Se gostou deste, poderá gostar de:

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