“2010 – O ANO DO CONTACTO” ( “2010” / “2010 THE YEAR WE MAKE CONTACT” ) Peter Hyams (1984) EUA

E por falar em Stanley Kubrick
Como dizem alguns utilizadores no IMDb a propósito desta continuação para “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO“, deixem-se de merdas, [“2010”] é um grande filme de ficção científica por direito próprio.

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Também eu já estou farto de tanta reverência a Stanley Kubrick como se venera um qualquer Deus intocável cujo a obra incomparável só poderá ser adulada à distância e nunca questionada.
Como se o homem estivesse num pedestal de uma qualquer Igreja dedicada a um panteão de Deuses do cinema escolhidos por um bando de intelectuais de café tentando colar-se ao ass-kissing intelectualoide que a partir de determinado momento gravitou ao redor deste realizador; a um ponto tão rídiculo que hoje já ninguém sabe bem como realmente era o homem por detrás das câmeras.

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Segundo Arthur C.Clarke , Kubrik apesar da sua imagem pública algo esquizofrénica seria apenas um tipo que adorava cinema e tinha ideias muito concretas sobre como queria que os seus filmes fossem, o que o tornava incrivelmente exigente.
Infelizmente hoje em dia da forma que o homem foi divinizado parece que se fala mais sobre a sua reputação do que se comenta sobre os seus filmes.
Ao longo dos anos parece que falar sobre trabalho de Kubrick referindo qualquer outra coisa que não seja a sua suposta genialidade permanente será suficiente para que sejamos logo escorraçados para fora daqueles circulos de “Cinéfilos” que tudo sabem e onde rebanhos de especialistas qual sacerdotes do Culto Kubrick velam para que este cada vez se assemelhe mais a um Deus e menos a um realizador de cinema.

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BLASFÉMIA

Portanto, qual é o mal de existir um [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] ?!
E qual é o problema de que este exista num formato estéticamente diferente do filme original ?
Não segue a linha Kubrick ? A sério ?! Óptimo !
Seria absolutamente idiota que o realizador Peter Hyams tivesse tentado imitar o estilo do cinema de Kubrick;  especialmente porque o material que Hyams ( e Clarke ) adaptaram tinha já um tom muito diferente e nesse contexto o segundo romance de Arthur Clarke situado no seu universo do Monólito foi por isso muito bem adaptado ao grande ecran em [“2010”]; escrito por ambos os autores sem precisarem de imitar quem quer que fosse.

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Hyams trabalhou directamente com Clarke no argumento e por isso aquela malta que afirma que [“2010 : THE YEAR WE MAKE CONTACT”] é um produto menor dentro da ficção-científica porque não tem a genialidade dos criadores originais da  forma que deveria ter tido, então devem ser os mesmos que insistem em várias discussões online que “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” foi adaptado de um romance de Clarke quando na realidade o romance é que foi uma adaptação do seu argumento original !

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Contrariamente ao que muita gente ainda parece pensar, “
2001 Odisseia no Espaço” foi o único livro de Clarke que não existia antes de ter sido filmado pois foi exclusivamente criado como sendo um argumento original para cinema e não o oposto.
O segundo livro intitulado [“2010 – O Ano do Contacto”] no entanto, já foi primeiramente escrito como novela e só depois adaptado a argumento; por Clarke e Hyams, tal como Clarke tinha trabalhado com Kubrick anteriormente mas agora num processo criativo inverso.

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[“2010 : O ANO DO CONTACTO”] é um produto comercial que explica tudo muito bem explicadinho  e acaba com o mistério ao redor das interpretações subjectivas para “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” ?
Óptimo !
Especialmente porque essa ideia de que o filme de Kubrick seria uma espécie de experiência quase religiosa e propensa a interpretações chateava até o próprio realizador ( como podem ver nos documentários sobre o filme original ) pois este nunca pensou estar a filmar mais do que um título de ficção-científica muito sério e com uma história ( extremamente cuidada ) mas bastante simples e directa.
Uma história que nem sequer dá espaço para muitas interpretações se o espectador estiver atento ao que se passa no ecran. Precisamente como acontece com 
[“2010”] que hoje em dia será considerado um filme lento, pelas novas gerações que confundem cinema com videogames.

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Kubrick 
teve foi azar do filme dele ter saído precisamente nos Swinging Sixties e logo a malta do LSD transformou aquilo que seria uma grande história de ficção-científica numa experiência alucinogenia cheias de interpretações estupidamente groovy que nunca teve o objectivo de conter.
Não admira que o filme tenha ganho as conotações mais estúpidas quando tanta gente o tentou “interpretar” inteligentemente. Largassem os cogumelos , pá…
Se “INTERSTELLAR” tivesse saído na mesma época aposto que hoje teria chegado até nós com o mesmo tipo de conotação interpretiva alucinogenia com que Kubrick teve o azar de ver o seu trabalho conotado na época.
 Ou então – a sorte– , pois foi precisamente a sua fama de trip psicadélica que levou os janados todos ao cinema e salvou na altura o filme de se tornar num fracasso comercial quando recebeu inicialmente reviews do pior.
Ao menos [“2010”] escapou a essa conotação e não foram precisos cogumelos para tornar o filme numa coisa diferente.

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O PROVERBIAL BOM FILME DE FICÇÃO CIENTIFICA

Ainda hoje fico parvo quando há gente que me diz que não se percebe bem o que acontece no fim de “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” mas no entanto até gosta de ficção científica de uma forma geral.
Mais evidente do que aquele final é impossível. A não ser que estivesse por ali um narrador a guiar os espectadores pela mão.
Aliás “2001” tem um final tão claro que Kubrik nem precisou de explicar por palavras o que estava a acontecer e se havia por ali alguma genialidade neste realizador era sem sombra de dúvida a capacidade de contar histórias sem precisar de diálogos quando estes fossem realmente supérfluos.

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Incialmente as cenas entre Dave Bowman e a entidade alienígena eram para ter sido inclusivamente filmadas com diálogos que chegaram a ser escritos, mas no final Kubrick decidiu-se por montar o filme da forma que o vemos, pois com aqueles visuais qualquer diálogo teria sido redundante.
A ter no entanto alguma falha está no facto de “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” ser um titulo de ficção científica para o público de ficção científica e não um filme pipoca para o público genérico; pois felizmente foi concebido numa era onde ainda não existiam quaisquer conceitos de blockbuster no sentido moderno.
E o mesmo vale para [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] que apanhou os últimos anos onde ainda o formato blockbuster gringo não tinha destruído a maior parte do cinema comercial norte americano e os filmes ainda tinham bastante Cinema para mostrar.

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Por outro lado também não será coincidência que as pessoas que me têm dito que “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” não se entende bem afirmem o mesmo sobre o final de “INTERSTELLAR”, que acham “ARRIVAL” confuso e até que o excelente e recente “PASSENGERS” será um daqueles filmes onde não se passa nada (!).
Há até quem já me tenha dito que inclusivamente “PANDORUM” (!) ( e “EVENT HORIZON ) (!) não prestam porque as histórias não se compreendem bem e nunca se percebe quem são os maus ou os bons naquilo tudo.

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Por outro lado, as interpretações para o filme de Kubrick sempre me divertiram imenso pois sempre achei inacreditável como tanta crítica iluminada atirou ao ar as interpretações mais hilariantes para a história de “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” ao longo dos anos.
Isto como se a história original fosse tão complicada que precisasse de ser interpretada !!

Kubrick e Clarke tinham toda a razão quando afirmavam que a história original era simples.
O filme pode ter um ritmo lento mas que raio, quem não entende o que se passa naquele filme só porque este não tem pressa de ir a lado nenhum então deve pertencer certamente aos Cahiers du Cinema no pior dos sentidos.
E normalmente são esses que depois também criticam a existência de [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] por ser simples demais, como se o seu intelecto precisasse de ser estimulado a todo o instante com obras primas Kubrikianas a pedirem interpretações.

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A pilha de interpretações subjectivas e muitas até incrivelmente esotéricas ou religiosas para “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” saídas durante décadas das penas iluminadas de críticos conceituados só demonstra a total incapacidade desses “cinéfilos” para compreenderem aquilo que é essencialmente a história de ficção-científica mais séria de todos os tempos. O que fariam se esta tivesse sido realmente uma história complexa !!

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Kubrick conseguiu plenamente cumprir o seu objectivo de criar o tal proverbial bom filme de ficção cientifica que planeou com Arthur Clarke.
Apenas não esperavam era que a malta das trips de ácido, os comedores de cogumelos dos 60s e as penas iluminadas da maralha crítica e ensaísta literária dos 70s não tivessem percebido a ponta de um corno do que viram e como consequência disso transformassem “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” quase numa experiência religiosa. Essencialmente o mesmo que esta malta inteligente fez depois com o excelente “SOLARIS” de Tarkovsky; outra vítima da crítica especialista e que gosta muito de escrever ensaios sobre profundas motivações obscuras, metáforas herméticas e interpretações psicológicas que nunca existiram.

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Não deixa de ser divertido olhar para o que se tem esctito sobre o significado esotérico do filme de Kubrick ao longo de décadas sempre envolvido numa qualquer interpretação new age ou intelectualoide; quando mais hardcore sci-fi do que aquilo seria impossível alguém ter colocado no grande ecran; a não ser que tivesse adaptado “RENDEZ VOUZ WITH RAMA” também de Arthur Clarke ( que já tarda) !
Por isso ainda bem que [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] foi produzido.

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OS PONTOS NOS Is

Se foi preciso até Arthur Clarke escrever uma sequela para repor “os pontos nos Is” e ter que explicar aquelas cabecinhas pensadoras como “2001” tinha tido afinal uma história tão simples, óptimo !
Na verdade se virmos bem, [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] não é um filme simples quando comparado com “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” contrariamente ao que opiniam certos especialistas. Precisamente o contrário.
A história de “2010 – O Ano do Contacto”; romance e [“2010 : THE YEAR WE MAKE CONTACT”] o filme é até bem mais complexa do que a narrativa de “2001 Odisseia no Espaço” alguma vez foi. Tanto no argumento para Kubrick como na subsequente versão em romance que Clarke publicou DEPOIS que o filme saiu.

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[“2010 : O ANO DO CONTACTO”] apenas parece um filme mais simples porque “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” foi tão esmiuçado até à medula por interpretações imbecis; que quando Clarke colocou por palavras na boca dos personagens da segunda aventura toda a evidente explicação para o que se passou no primeiro filme, a sequela acabou por parecer mais simples e directa como alguns acusam o filme de ser.
Uma consequência de toda a palha esotérica que foi inventada ao longo dos anos para explicar o que sempre foi óbvio em “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” por quem não percebeu um chavo do que viu mas precisava urgentemente de parecer tão inteligente quanto o crítico do lado parecia quando estava apenas a fazer o mesmo escrevendo idiotice intelectualoide atrás de idiotice intelectualoide para se armar em Cinéfilo.

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Se [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] parece um filme directo foi essencialmente para que Arthur Clarke lhes explicasse o que tinha acontecido na primeira parte seus burros ensaístas ! Quem insiste em minimizar [“2010”] enquanto titulo de ficção científica, está na verdade mas é a passar um  atestado de burrice a si mesmo quando ataca o filme pela suposta simplicidade do mesmo em relação ao Santo-filme original !
E quem tiver dúvidas disto é só ir confirmar com as entrevistas de Clarke na altura, com o comentário do autor no romance e com o making of de 2010 na sua versão integral.

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Deve ter sido incrivelmente frustrante para Clarke e para Kubrick terem visto tanta interpretação idiota para aquilo que supostamente deveria ter sido apenas um grande filme de pura ficção cientifica.
Provavelmente não sabem, mas “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” era suposto ter uma narração inicial a explicar em detalhe que o filme tinha sido baseado no agora famoso “BROOKINGS REPORT” ( que iria ajudar a tornar depois toda a história mais directa ) mas Kubrick retirou-a do final cut à ultima da hora pois, como ele disse na entrevista à Playboy na altura, achou que assim o filme ficaria mais misterioso e alienígena e ligaria melhor com a simplicidade visual do acto final.

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INDISTINGUÍVEL DA MAGIA

No fundo Clarke teve toda a razão quando disse um dia que:  – ” Uma tecnologia suficiententemente avançada é indistinguível da magia “.
2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” provou-o definitivamente e ninguém parece ter notado !
2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” mostrou uma tecnologia tão avançada no grande ecran que a malta não percebeu puto e a única forma que teve de tentar compreender o que viu foi atribuir-lhe um monte de explicações mágicas, religiosas, transcendentais e de pura new age hippie sopeira.
O monte de ensaios intelectualoides e criticas iluminadas tentando colar-se ao génio de Kubrick e os genéricos comentários de “cinéfilos” é a melhor demonstração de que Clarke tinha razão e um dos motivos porque este no seu texto do segundo romance refere que estava na altura certa de apresentar a explicação para a primeira “aventura” já que tanta gente parecia continuar com dúvidas precisamente por a crítica especializada ter inundado o mercado com interpretações erradas.

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[“2010 : O ANO DO CONTACTO”] não é por isso uma versão simplificada de “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO“.
[“2010 : O ANO DO CONTACTO”] é um filme semi-isolado ( que pode ser visto como uma única aventura no espaço );  com um estilo próprio bem sólido ( e muito bem fotografado ) dentro da melhor ficção-científica jamais colocada no grande ecran. Um título que não se limita apenas a explicar o que aconteceu na parte anterior da historia mas centra também a acção e o mistério ao redor das razões que levaram o próprio Hal a comportar-se como o fez no primeiro acto desta aventura de puro contacto com uma raça verdadeiramente alienígena.

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Precisamente em relação a esse tema, “2010” expande ainda todo o conceito ao redor de uma tecnologia avançada que é tão incompreensível para nós que parece magia e conclui a historia num registo épico que, desta vez por ser filmado de uma forma bastante directa evitou que [“2010”] começasse também a ser interpretado de forma imbecil pelos mesmos comedores de cogumelos que tinham complicado tudo em relação à primeira parte.
Por outro lado foi esse mesmo facto que depois lhe granjeou tanto desprezo por parte da crítica e de certos cinéfilos de café.


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Se o filme era suficientemente claro para que até aqueles gajos o conseguissem perceber, isso significava que naquelas cabecinhas [“2010”] só podia ser portanto um filme menor.
Por outro lado se até a critica iluminada o percebeu… … …
Os críticos ficaram mas foi um bocadinho chateados por não terem aqui em [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] palha extra para ensaios inteligentes e como tal, já que não podiam continuar a escrever inúmeros tratados interpretativos sobre o significado também desta segunda história, a única resposta só podia ser mesmo a de desprezo.
O que só demonstra o quanto [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] é realmente um grande filme.

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EXCELENTE ADAPTAÇÃO SEM COGUMELOS

Practicamente tudo neste título funciona e o argumento de Clarke e Hyams é mesmo muito bom pois capta perfeitamente toda a essência do segundo romance.
Embora na minha opinião tenha sido um erro deixarem de fora uma sequência passada na lua Europa que ocupa um dos melhores capítulos do livro e que aqui foi substituída por uma cena muito mais simples. Cena essa que deve ser o único ponto menos interessante do filme todo mas percebe-se que não havia orçamento para mais.

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Por outro lado, tirando isso o livro está muito bem adaptado e sim, [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] o filme tem exactamente o estilo certo de realização que este livro pedia. Deixem-se de merdas. [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] é um filme de ficção-cientifica tão bom quando “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” o foi e está para os anos 80 como o primeiro esteve para os anos 60, apenas o contexto politico  em que saiu foi diferente.
Além disso nos anos 80 já ninguém funcionava a ácido e as pessoas começavam a ir para o cinema comer pipocas em vez de cogumelos para rir.

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Técnicamente o filme também apresenta alguns visuais que na altura foram um estrondo e por isso apesar do filme não ser própriamente cinema de acção e aventura teve no entanto uma boa carreira comercial em practicamente todo o mundo.
Os efeitos especiais são bastante bons para a altura e ainda hoje se aguentam perfeitamente tendo em conta que tudo ainda foi criado com base em modelos práticos e não com puro CGI ; embora o planeta Jupiter tenha sido uma das primeiras tentativas de animação de computador feita para o cinema também. Tendo resultado muito bem; ao ponto da própria Nasa quando conseguiu fotografar finalmente de verdade o próprio sistema Joviano quando lá chegou, ter feito notar a incrível semelhança entre a extrapolação imaginativa que se viu em [“2010”] e as imagens reais captadas pela Voyager.

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[“2010 : O ANO DO CONTACTO”] tem também um monte de cenários com muita pinta. Todo o ambiente tecnológico está fantástico em termos de interiores e tanto os sets para a nave Leonov como para a Discovery estão do melhor.
Já agora se acham o design da Leonov familiar, é porque a malta que fez “BABYLON 5” anos mais tarde gamou o visual dessa nave para criar a armada militar terrestre que aparece na série e que segundo o making of foi realmente uma homenagem Canadiana ao filme de Peter Hyams.

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REGRESSO À DISCOVERY

Por falar em cenários, os sets da Discovery tiveram de ser todos recriados a partir de imagens de “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” pois nesta altura todos os planos originais dos cenários tinham sido destruídos e essencialmente foi tudo reconstruído a olho para [“2010 : O ANO DO CONTACTO”].
Por acaso se [“2010”] tem outra falha, ela está no facto de que se nota que aqui e ali, o interior da Discovery é agora mais pequeno. O que foi verdade pois por razões de orçamento os cenários tiveram de ser reduzidos percentualmente em relação aos que tínhamos visto em “2001“.

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Por esse motivo [“2010”] tambem não mostra o famoso “centrifugador” onde Dave Bowman corre em “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” e que ficou famoso nessa sequência clássica.
Muita gente ficou decepcionada por [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] nos ter feito regressar a bordo da Discovery mas depois não nos mostrar o seu cenário mais emblemático. Também concordo.
Aquele cenário deveria ter feito parte desta sequela, pois em certas alturas parece que [“2010”] está incompleto quando se passa a bordo da Discovery.
A única vez que o set original aparece é na introdução onde se mostra uma foto de “2001” e em mais lado nenhum parece existir.

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MR. PRESIDENT

De resto, [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] para mim continua a ser um grande filme de ficção científica e definitivamente um dos melhores filmes do género nos anos 80.
O elenco é impecável e conta com um dos meus actores favoritos de todos os tempos Roy Scheider interpretando o Heywood Floyd que vemos no inicio do “2001” original a viajar até à Lua a caminho da sua reunião secreta sobre a descoberta alienígena.
Para além dele temos John Lightgow saído de “Footloose” nessa época e antes de se tornar popular como extraterreste em “Third Rock from the Sun” ou como vilão de vários filmes nos 80s por exemplo.
Hellen Mirren também compõe uma excelente oficial Russa e de forma geral o elenco funciona muito bem ( onde nem faltam actores Russos de verdade para dar ainda mais realismo às cenas passadas a bordo da Leonov ).
Keir Dullea regressa como Dave Bowman e como não podia deixar de ser Douglas Rain como Hal também aqui está.

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A única coisa que na minha opinião data e envelhece bastante [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] num certo sentido, é precisamente aquela ideia de que em 2010 os EUA e a Russia ainda estaria em plena Guerra Fria e toda a vertente política da história tem a sua base num conflito eminente entre os dois países.
Clarke pode ter previsto muita coisa nesta história mas não adivinhou a queda do Muro de Berlin. Por outro lado agora com o Trump na presidência se calhar o filme ainda vai acabar por se tornar profético um destes dias também a nível politico.

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Só por curiosidade os dois presidentes que aparecem no filme a determinado momento são Arthur Clarke como presidente Americano e Stanley Kubrick como presidente Russo; o que só demonstra o quanto Kubrick não se importou nada com esta sequela que Clarke desenvolveu para o filme original pois inclusivamente permitiu o uso da sua imagem para ser incluído no filme de Peter Hyams sem problema.

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FICÇÃO NADA CIENTÍFICA

Já agora em termos de curiosidade, [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] é também aquele filme que foi trucidado por alguma critica mais especializada mas dentro de uma vertente mais cientifica. Há um par de anos li um artigo sobre tecnologia que mencionou precisamente o facto da malta da ciência ter caído em cima de “2010” por apresentar um par de cenas que seriam absolutamente científicamente ridículas.
Estarmos em 201o no sistema de Jupiter com uma missão terrestre como aparece no filme era perfeitamente plausível, mas depois os criadores [“2010”] o filme, parece que estragaram tudo em termos de credibilidade quando colocaram Roy Scheider na praia com uma coisa que parecia um computador portátil em estilo laptop !!

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[“2010”] foi apontado a dedo por uma cena que dura um par de segundos mas que muita gente na comunidade cientifica parece ter acusado de estragar por completo toda a aura cientificamente séria que estaria no resto do filme.
Roy Scheider na praia com um computador pequeno, portátil e ainda por cima a aceder a uma rede de dados qualquer sem estar ligado a absolutamente nada a partir da areia foi para muita malta cientifica a coisa mais improvável e ridícula mostrada em [“2010”]; (tal como aconteceu no mesmo ano com “WARGAMES” que foi muito criticado pelo rídiculo que era mostrar um puto com um computador no quarto ligado ao exterior por uma linha telefónica);  isto porque segundo alguns especialistas (como é referido no comentário audio em “Wargames”), nem dali a 50 anos haveria de haver tecnologia assim quanto mais uma rede global de informação que não fosse apenas limitada a uso militar se é que tal coisa poderia vir a existir tão cedo…. Impossível !
Americanos em Jupiter em 2010, sure !
Laptops e redes sem fios… bullshit !!

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Apesar disso, [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] é no entanto um daqueles raros filmes dos anos 80 que não ficaram particularmente datados enquanto cinema.
É tão bom quanto “OUTLAND” que Hyams tinha realizado um par de anos antes e continua a ser um dos grandes titulos de ficção cientifica da história do cinema quer os puristas da “Religião Kubrickiana do Reino de Deus” o queiram quer não.
Excelente.

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CLASSIFICAÇÃO

[“2010 : O ANO DO CONTACTO”] continua a ser um dos melhores títulos de ficção científica saídos dos anos 80s.
Como adaptação do segundo romance só falha em ter deixado de fora uma das melhores partes no inicio do livro por razões de orçamento porque seria mesmo uma sequência muito dispendiosa se tivesse sido filmada.

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Visualmente funciona ainda muito bem, os efeitos são na sua maioria sólidos e envelheceram fantasticamente bem.
De resto como ficção cientifica terá sido provavelmente o último bom título a ser produzido para o publico do género e não cozinhado para agradar necessariamente as massas de comedores de pipocas que ainda não eram nascidas.

Cinco Planetas Saturno




    

Só a parte politica do filme parece agora ser o encalhe desta história. Seria actual e pertinente na época mas hoje parece desinteressante como o raio, pois aquele contexto politico desapareceu um par de anos logo após o filme ter saído e como tal toda essa espinha dorsal dramática tornou-se verdadeiramente uma pedra no sapato desta história quando revemos o filme; pois nem como documento representativo de uma época funciona muito bem.

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O que inclusivamente faz “2010” perder algum gaz a meio da narrativa aos olhos modernos e é  mesmo só por isso não lhe atribuo um Gold Award também. Por isso e por não nos ter mostrado o cenário mais famoso do primeiro filme de novo a bordo da Discovery.

A favor: a história, o sentido de aventura, o ambiente, os efeitos, os actores, a fotografia, o ambiente alienígena, a banda sonora, o final.

Contra: aqui e ali um toque 80s mas não é grave, a parte politica tornou-se totalmente desinteressante com o passar dos anos.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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COMPRAR BLURAY 2001  – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO UK

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Micro MAKING OF

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IMDb

http://www.imdb.com/title/tt0086837

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