“DIAMANTINO” (“DIAMANTINO”) Gabriel Abrantes, Daniel Schmidt (2018) PORTUGAL/BRASIL/FRANÇA

(ler em toda esta review com sotaque dos Açores a partir de agora). 🙂
Hoje quero falar-vos do Diamantino.

DIAMANTINO

A coisa que mais me surpreendeu neste filme foi como raio é que algo como [“DIAMANTINO“] me passou completamente ao lado !…
Não fosse ter visto este título em dvd à venda na FNAC com aquela capa histéricamente clássica, eu nunca teria sabido que isto sequer existia.
Até eu, que jurei nunca mais comprar um DVD pois só gasto dinheiro em Blurays não tive outra hipótese a não ser trazer o Diamantino para casa.
Por instinto e sem saber nada sobre ele.
Algo me dizia que isto ia ser muito especial.
E não estava enganado.

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Outra surpresa foi perceber o reconhecimento que isto tem estado a ter lá fora ao ponto de ter sido um sucesso em Cannes, o que para um filme Português, é obra.
Na verdade, parece que o mundo inteiro conhece este filme , excepto os Portugueses, a julgar pelas reviews no estrangeiro e pela fama de filme de culto que já tem em vários cantos do planeta.
E mete scifi tuga e tudo !

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Como falar sobre este filme sem lhes estragar o prazer da descoberta ?…
Há filmes tão prevísiveis no que toca àquilo que vamos ver a seguir que depois se tornam aborrecidos. Mas se [“DIAMANTINO“] tem uma força enorme a seu favor está no facto de que nunca fazemos ideia do que raio vai aparecer a seguir no ecran e quando aparece normalmente nem queremos acreditar no que estamos a ver.
Se conseguirem aguentar não ver o trailer ainda irão perceber melhor o que quero dizer; no entanto mesmo que o vejam, [“DIAMANTINO“] tem tanta cena estapafúrdia e genuínamente parva que ainda sobra bastante para descobrirem.

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[“DIAMANTINO“] segundo os seus criadores quando entrevistados no making of, não é sobre o Cristiano Ronaldo… embora eu ainda não perceba bem o que é que essa gente anda a fumar se espera que alguém acredite nisso depois de ver dois segundos desta aventura que mete tudo, desde futebolistas azeiteiros a sociedades secretas fascistas e cachorrinhos felpudos.

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Por falar em cachorrinhos felpudos, depois de verem [“DIAMANTINO“] , vai ser impossível vocês voltarem a ver um jogo de futebol com Cristiano Ronaldo sem pensarem em cachorrinhos felpudos e na sua relação com Diamantino.

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Diamantino é interpretado por Carloto Cotta, um actor que eu desconhecia por completo mas que por aqui parece ter sido totalmente possuído pelo espírito não só de Cristiano Ronaldo mas também por todos os futebolistas tugas azeiteiros que há memória.
Se [“DIAMANTINO“] tem momentos em que resulta plenamente como comédia hilariante muito se deve ao trabalho do actor nesta composição que (não) foi inspirada em alguem conhecido do mundo da bola.

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Diamantino não é apenas uma caricatura de Cristiano Ronaldo em modo azeiteiro levada a um extremo que toca por completo a realidade, mas acima de tudo é um personagem cativante, frágil e bastante humano também.
O que para um filme com uma história que podem encontrar em [“DIAMANTINO“] é obra !
O actor Carloto Cotta segura [“DIAMANTINO“] por completo mesmo naquelas alturas em que este título revela por demais as suas fraquezas enquanto filme. Diamantino é simplesmente brilhante, até mesmo quando o texto ( ou a realização ) não conseguem estar ao nível do trabalho do actor principal que parece ter nascido para interpretado este boneco que simplesmente (não) é uma das caricaturas mais geniais a Cristiano Ronaldo que poderão encontrar pela frente.

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É por causa dele que nós enquanto espectadores queremos mesmo gostar de [“DIAMANTINO“] enquanto filme. Comprei-o na esperança de que isto fosse tão bom quanto um dos meus filmes de culto tugas favoritos de todos os tempos ; “BALAS & BOLINHOS 2” mas infelizmente tenho que dizer que não chega lá.
Apesar do protagonista, dos personagens secundários ; ( as evil manas são o máximo também ), dos cachorrinhos felpudos e de conter um conjunto dos melhores gags dos últimos tempos a verdade é que o filme na minha opinião tem um par de fraquezas que impediu com que eu tivesse disfrutado por completo de tudo sem reparar em nada.

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Pelas reviews internacionais e elogios gerais a tudo, está claro que aquilo que na minha opinião é o ponto menos bom em [“DIAMANTINO“] não foi notado pela critica, nem podia ter sido na verdade.
O problema de [“DIAMANTINO“] são dois. O primeiro é a forma como por vezes os diálogos parecem forçados pois ninguém fala assim; ( claramente diálogos estruturados para um guião ) onde há alturas em que parece que o histerismo se sobrepõe à representação e à caricatura.
Aquela tão comentada – falta de naturalidade – de muitos actores Portugueses também aqui se nota por demais o que nos retira logo por completo do universo do filme em muitos momentos.

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Em “BALAS & BOLINHOS 2” por exemplo, ninguém duvida de que aqueles gajos existirão algures, tal a naturalidade dos diálogos e atitude chunga tuga absolutamente genuínos. [“DIAMANTINO“] sofre precisamente do contrário, há momentos em que a artificialidade da representação da parte de alguns personagens sobressai pela negativa e tudo parece demasiado forçado para ter graça. O que quebra a piada.
Isto, aliado também a uma montagem que não se percebe bem com demasiados tempos mortos onde por vezes os takes parecem estender-se por segundos a mais do que deveriam ter, faz com que [“DIAMANTINO“] na minha opinião perca algum folego quando deveria ter continuado em full-throttle desde o início até ao fim como acontece, lá está, com “BALAS & BOLINHOS 2”.

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O inicio de [“DIAMANTINO“] é absolutamente genial e hilariante, mas depois o filme chegado mais ou menos a meio parece que está mais interessado na sua mensagem politica ou social do que em manter o equílibrio narrativo e o sentido de humor alucinado. [“DIAMANTINO“] tenta por demais ser uma sátira demasiado séria com coisas para dizer quando se calhar teria dito muito mais sobre a nossa sociedade se se tivesse mantido totalmente estúpido como , mais uma vez, “BALAS & BOLINHOS 2” conseguiu manter-se sem ter perdido o toque de sátira social.
Isso falha neste filme agora.

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A partir do meio e quando entra a onda scifi, [“DIAMANTINO“] perde-se um bom bocado e para mim perdeu grande parte da piada, pois não há nada pior do que uma comédia que indica ao espectador onde deve rir especificamente e é isto que acontece em boa parte desta história quando o efeito hilariante do conceito passa após os primeiros minutos de surpresa.
É isto que certamente os críticos estrangeiros não apanham pois é preciso ser-se Português para reconhecer aquele tique – de falta de naturalidade – na nossa própria forma de falar em cinema quando comparada com a realidade.
Culpa do argumento, da direcção de actores ou do facto de [“DIAMANTINO“] ter sido realizado por duas pessoas diferentes, a verdade é que o resultado final sofre um bom bocado por causa de qualquer coisa que ainda não consegui identificar.

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Por outro lado… é bem verdade que isto tem momentos absolutamente hilariantes.
De repente quando menos esperamos lá nos cai uma alarvidade em cima que nem queremos acreditar que estamos a ver ou ouvir. Alguns diálogos são clássicos e toda a parte inicial do filme quando o Cristian… Diamantino deixa de conseguir jogar porque é muito bonzinho e ficou impressionado com os –“´fugiados”– é simplesmente brilhante.

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Merece com todo o mérito o estatuto de filme de culto, tem um protagonista absolutamente genial em todos os sentidos ( vocês até se esquecem de que não estão a ver os bastidores da vida do Cristiano Ronaldo ) , tem uma história suficientemente alucinada para ser genialmente estúpida e estupidamente genial ao mesmo tempo e são duas horas bem passadas que recomendo vivamente a toda a gente que quiser esquecer um pouco estes dias de quarentena que vivemos por causa do virus no mundo real lá fora.

Espera lá, agora eu também tive “ – uma ´fânia – ” !!!
E se [“DIAMANTINO“]  não for sobre Cristiano Ronaldo mesmo, mas sim sobre a sua estátua na Madeira ?…

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Além disso…
Pá, este filme tem cachorrinhos felpudos !!!
O que é que vocês querem mais ?!

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CLASSIFICAÇÃO

Não o acho tão genial quanto a crítica estrangeira parece achar que é, mas não há dúvida que [“DIAMANTINO“] é um dos grandes filmes de culto actuais de pleno direito seja em que parte do mundo for.
É uma lufada de ar fresco no cinema tuga que precisa de mais filmes parvos assim e ainda por cima tem um protagonista extraordinário + um par de personagens muito divertidos pelo meio também.
E depois disto vocês nunca mais irão conseguir olhar para o Cristiano Ronaldo da mesma maneira. E para cachorrinhos felpudos também…

Quatro Planetas Saturno

   

Poderia ter sido melhor não fosse, a mensagem politica que inclusivamente algumas reviews lá por fora também apontam estar a mais e metida um bocado a martelo. [“DIAMANTINO“] devia ter-se mantido bem mais simples na sua sátira ao mundo da bola e não parecer tão forçado em termos de temática in-your-face a partir do meio.
Embora não deixe de ser um excelente feel-good-movie.

Diamantino

A favor: o Cristia…o Diamantino e o actor por detrás do Diamantino, nunca sabemos o que pode acontecer no ecran a seguir, tem alguns diálogos e momentos absolutamente hilariantes, alguns gags visuais são geniais, representa como ninguém todo o azeite que há no mundo da bola, é um excelente feel-good-movie para tempos mais sombrios.

Contra: tenta passar uma mensagem demasiado séria de uma forma que não se equilibra com o resto da aventura, a montagem por vezes é errática demais o que cria momentos “aborrecidos” entre gags geniais por demais a meio do filme, muitos daqueles defeitos que se apontam ao cinema português em termos de – representação- ou falta de naturalidade estão muito presentes por aqui também e por demais evidentes o que retira por completo o espectador de dentro daquele mundo que tinha tudo para ser sempre hilariante.
Mas… só editaram isto em DVD ?!!! !!! !!!

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 


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TRAILER 2

 

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COMPRAR NA FNAC

https://www.fnac.pt/Diamantino-DVD-CARLOTO-COTTA-CLEO-TAVARES-DVD-Zona-2/a6860944

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt6522668/

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“SOLIS” (“SOLIS”) Carl Strathie (2018) EUA

[“SOLIS“] é um daqueles títulos de ficção-científica que actualmente quase pertence a sub-sub-género dentro do cinema de baixo orçamento. Um filme espacial, com um ou dois sets pequenos, um personagem preso numa nave à deriva e uma sucessão de acontecimentos que o colocam a todo o instante perto da tragédia.
Neste caso uma explosão numa exploração mineira na cintura de asteroides projecta a sua cápsula rumo ao sol.

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[“SOLIS“] em conceito à primeira vista poderá parecer sempre uma boa ideia para quem quiser tentar criar um filme de ficção científica de baixo orçamento. Um cenário, um actor, alguns efeitos especiais de animação digital e tudo parece apontar para um bom resultado. O problema é que neste tipo de aventura solitária a própria estrutura da história acaba sempre por ser o calcanhar de Aquiles da narrativa, pois para lá dos típicos clichés de suspense dentro do género não há muito que os argumentistas possam fazer para manter o interesse durante muito tempo porque já sabemos que tudo irá correr sempre mal até ao segundo final. E não há muito que se pudesse inventar mais.

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Para lá de contar com um bom set-design apesar de simples e em matéria de efeitos especiais ser também particularmente bom; muito bom mesmo em certos momentos, a verdade é que este é um daqueles filmes em que passamos 90 minutos a ver um actor a falar sozinho sentado numa cadeira na maior parte do tempo.
Há uma interacção com a controladora de voo que se encontra numa outra nave que procura salva-lo mas mesmo isso não impede que o filme não deixe de ser uma imensa colecção de grandes planos do rosto do herói durante as suas varias fases de desespero.
Embora em termos de realização nota-se aqui que há a todo o instante uma boa tentativa para tornar a acção mais dinâmica do que na realidade pode ser e isso é um dos pontos positivos deste título que por vezes eleva o filme um ponto acima do que se costuma encontrar neste género de histórias.

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A camera está sempre em movimento, os efeitos de gravidade zero são bem executados, as cenas no espaço tem montes de atmosfera mas ficamos sempre com a sensação que [“SOLIS“] teria sido um daqueles filmes que resultaria mesmo muito bem como curta metragem. Se tivesse tido 1 hora a menos teria sido particularmente fascinante por tudo o que consegue fazer muito bem.
O problema é que aqui 90 minutos são demais pois para lá da previsibilidade incontornável do argumento nem a excelente, atmosférica e por vezes épica banda sonora ( a fazer lembrar o melhor de Interstellar ) conseguem impedir que o filme se arraste por demasiado tempo.

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Tivesse tudo isto compensado no final, [“SOLIS“] seria um daqueles títulos a recomendar vivamente. O problema é que mais uma vez e também aqui,  depois do filme se esforçar ao máximo para que o espectador crie uma empatia com o destino do astronauta naufragado a conclusão final sabe a pouco.
Não entendo este tipo de tique negativo de tanto cinema de baixo orçamento. Será que ninguém entende que um final aberto não significa que o filme se torne mais inteligente ou subjectivo ?

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Na verdade [“SOLIS“] nem sequer é particularmente terrível neste pormenor. Os minutos finais são bastante bons em termos de suspense e agarram mesmo o espectador à cadeira. Só é pena que todo o resto do filme não tenha conseguido criar a mesma emoção e que depois a imagem final sejam também tão extraordinariamente inconclusiva.
Mais uma vez estamos na presença de uma daquelas ideias que parecem óptimas no papel mas que depois quem precisa de concluir a história não sabe bem como a terminar.

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O realizador esforça-se e tira muito bom partido dos cenários, os efeitos digitais e os designs das naves espaciais têm muita pinta, o filme conta com algumas imagens visualmente extraordinárias e aquele toque a Interstellar ou 2001 Odisseia no Espaço também não lhe fica mal, mesmo quando a coisa parece começar a descambar forçadamente para o transcendental à medida que a história avança.

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O actor Steve Ogg na minha opinião tem aqui também uma excelente prestação.
Isto de carregar um filme sozinho não deve ser nada fácil e um filme com tanto cliché previsível ainda mais.

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Tendo em conta a dificuldade de manter o espectador interessado na sua odisseia quando na maioria das cenas está apenas sentado em desespero debitando monólogos na sua cadeira de comando Ogg tem por vezes momentos muito bons e ele acaba por ser a razão porque apesar de tudo o filme nos mantém interessados no seu destino até ao segundo final. Isto com um mau actor teria sido uma tragédia.

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CLASSIFICAÇÃO

Assim como está [“SOLIS“] não deixa de ser até um bom título, tecnicamente falando e se o sub-género naufrago no espaço lhes interessa este é um serie-B a espreitar juntamente com o muito interessante ( embora igualmente limitado pelas mesmas razões ) : “ASTRONAUT : THE LAST PUSH” que já recomendei algum tempo atrás por aqui também.
Enquanto cinema sci-fi de baixo orçamento, nada a apontar. É um bom título se tiverem paciência para este tipo de estrutura numa história que não tem muito para dar em termos de surpresas.

Três Planetas Saturno




  

Curiosamente o trailer deste filme consegue criar toda aquela tensão, suspense e emoção que falta depois a [“SOLIS“], o que demonstra o quanto este filme teria resultado bem melhor se tivesse sido apenas uma excelente curta metragem. Não que o trailer seja enganador mas consegue projectar uma atmosfera muito mais dinâmica do que aquilo que depois a história desta aventura apresenta ao longo de 90 minutos que parecem duas horas em certas alturas.

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A favor: a atmosfera de isolamento, os efeitos especiais, o set design, a prestação do actor principal, a excelente banda sonora, o ambiente Interstellar, visualmente contém algumas imagens realmente fantásticas, boa fotografia também. Embora o final seja um bocado frustrante nem sequer é dos piores e a sequência de suspense final é excelente.

Contra: 90 minutos poderá ser demasiado para uma história assim pois teria encaixado perfeitamente numa curta-metragem. Será um filme lento demais para quem esperar algo mais do que as próprias limitações do género obrigam que este filme seja; mais um Serie-B com um final que deixa o espectador algo insatisfeito apesar de tudo.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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IMDb

https://www.imdb.com/title/tt6134274/

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“EXPLORER/ARROWHEAD” (“ARROWHEAD” / “EXPLORER” / “ALIEN ARRIVAL”) Jesse O’Brien (2016) AUSTRALIA

Está visto que as minhas compras de Natal em bluray com filmes de baixo orçamento este ano foram boas… Se “THE GRACEFIELD INCIDENT” foi uma boa surpresa então [“EXPLORER/ARROWHEAD”] agora levantou bem alto a fasquia de comparação com tudo o resto pois foi sem dúvida nenhuma um dos melhores filmes de ficção-científica/fantasia independentes que me passaram pela frente neste ano de 2017.

POSTER

[“EXPLORER/ARROWHEAD”] é já do ano passado mas eu desconhecia por completo a sua existência até ter espreitado um bocadinho do trailer que estava no site francês da amazon há um par de semanas atrás. Bastou ver uns dez segundo daquilo para perceber que estaria por ali algo de muito especial no que toca a cinema de baixo orçamento e como tal encomendei o bluray sem procurar saber mais nada sobre o filme esperando não me ter enganado.
Não me enganei.

INTRO

Exceptuando a extraordinária série de fantasia “amadora” MYHTICA e principalmente o seu quarto título “MYTHICA: THE IRON CROWN”, [“EXPLORER/ARROWHEAD”] foi definitivamente a surpresa do ano no que toca a produções obscuras dentro do género da ficção-científica; talvez a par com o divertido “ROGUE WARRIOR : ROBOT FIGHTER”. Embora [“EXPLORER/ARROWHEAD”] apesar de à primeira vista também aparentar ser um trhiller de acção high-tech, na verdade é mais um titulo de FC hardcore no sentido mais tradicional dentro da ficção científica e não tanto uma aventura juvenil.

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[“EXPLORER/ARROWHEAD”] embora pareça começar como cinema de acção logo entra por um caminho diferente que o aproxima de um estranho mas excelente cruzamento entre algo como “CASTAWAY” ( ( com Tom Hanks); onde nem falta um “Wilson” também ), “SOLARIS” pela abordagem mais metafísica do que acontece ao astronauta que se despenha numa misteriosa lua de um planeta, um enorme sabor aos scifi dos anos 50 pelo lado de exploração a fazer lembrar em algumas partes o clássico “ROBINSON CRUSOE ON MARS” e um toque mais moderno de thriller técnológico ao estilo “RIDDICK” não apenas pela forma como usa as paisagens para criar um ambiente semelhante como também pela abordagem à dinâmica entre o herói e os vilões.
E mais não posso dizer para não estragar.

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[“EXPLORER/ARROWHEAD”] foi realmente uma surpresa. Neste mundo dos filmes de baixo orçamento onde parece que 99% dos realizadores que consegue arranjar uma câmera tentam fazer apenas versões baratas de coisas populares em Hollywood foi muito bom ter encontrado agora um filme de ficção-científica que tenta acima de tudo ser mesmo um título de ficção cientifica único e não se cola directamente a nenhum franchising da moda.
[“EXPLORER/ARROWHEAD”] é sci-fi à moda antiga com roupagem moderna e é por isso que funciona tão bem. Se não entrarem por este filme à espera de mais um thriller de acção técnologico irão surpreender-se.

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[“EXPLORER/ARROWHEAD”] é como um velho episódio de “THE TWILIGHT ZONE” ou “THE OUTER LIMITS” mas em versão estendida. 
Consegue um pouco a proeza de apesar do seu magro orçamento manter um equilíbrio excelente entre um estilo moderno e o melhor daquilo que havia nas histórias da pulp-scifi clássica dos 50s em que um astronauta se estampava de foguetão num planeta desconhecido.
É porque ao contrário do que aconteceu por exemplo com “THE DARK LURKING” onde se nota que o realizador daquilo gostaria de ter sido James Cameron ou realizado “Resident Evil” e nos dá o que é essencialmente um enorme rip-off de filmes como “ALIENS”, “RESIDENT EVIL” e até “DOOM” sem procurar colocar mais nada no ecran do que apenas todos os clichés inerentes aos filmes que procurou imitar, aqui em [“EXPLORER/ARROWHEAD”] a direcção é exactamente a oposta.

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Sempre que [“EXPLORER/ARROWHEAD”] parece ir entrar por território demasiado familiar, muda repentinamente de direcção e por isso, precisamente como dizem muitas reviews, apesar de ao início nem parecer nada do outro mundo a verdade é que à medida que vai avançando o filme torna-se cada vez mais cativante. Não apenas pelo mistério verdadeiramente metafísico em que a aventura se baseia ( e por isso preparem-se para pensar pois o filme não leva ninguém pela mão atirando explicações sobre tudo ); como também pela forma como vamos ficando a gostar cada vez mais dos personagens.
A propósito, [“EXPLORER/ARROWHEAD”] tem um dos “robots” mais cativantes da scifi que vi nos últimos tempos; essencialmente o “Wilson” deste “Castaway” espacial.

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[“EXPLORER/ARROWHEAD”] é também mais um bom exemplar da nova ficção-científica Australiana que parece estar a conseguir trazer o género de novo para junto do público mais crescido depois dos americanos em Hollywood terem passado as últimas duas décadas a tornar a sua pseudo-ficção-científica cada vez mais infantil de modo a não ofender o público gringo de várias idades e crenças.
[“EXPLORER/ARROWHEAD”] apesar do seu miserável orçamento quando comparado até com um série-B de Hollywood hoje em dia conseguiu dar-nos uma divertida história de scifi e além disso faz um excelente uso da vastidão das paisagens desérticas Australianas.

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Visualmente este filme tem momentos espectaculares criados de forma muito simples através apenas de bons matte-paintings que estendem os cenários filmados e de um bom design até mesmo quando é necessário não gastarem dinheiro em fatos espaciais complicados.
Tal como o cinema de Ridley Scott sempre ganhou muito do facto do realizador ter um background em design e ilustração também [“EXPLORER/ARROWHEAD”] foi filmado por um tipo com um passado semelhante, apesar de ser ainda bastante jovem.
Nota-se que este filme foi planeado por alguém com um excelente sentido visual e logo isso marca a diferença.

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Em muitos momentos [“EXPLORER/ARROWHEAD”] consegue até parecer um filme mais caro do que foi e isso é um dos factores que separa de muitos outros séries-B do estilo que se limitam a filmar cenas no deserto não tendo qualquer cuidado em dotar o que filmam de qualquer sentido de imaginação conceptual.
[“EXPLORER/ARROWHEAD”] tem montes de atmosfera, uma história que vai se tornando cada vez mais cativante e personagens que nos agarram e é por isso mais um título daqueles que se recomenda vivamente.

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CLASSIFICAÇÃO

Claro que [“EXPLORER/ARROWHEAD”] tem no IMDb mais uma classificação miserável atribuída pela malta do short-attention-span que claramente não percebeu puto desta história para quem gosta de ficção-científica e não se limita apenas a ser um fanboy de qualquer coisa que esteja na moda.
Visualmente é muito bom, tem personagens que vão crescendo em termos de carisma, uma boa história que não guia o espectador pela mão a cada segundo e de forma geral tendo em conta o baixo orçamento é um verdadeiro milagre ter saído tão bom.

Cinco Planetas Saturno

   

Não é cinema pipoca para público genérico que espera que todos os títulos sejam formatados para agradar principalmente às plateias menos exigentes; como felizmente ainda se pode constatar nos poucos comentários extremamente positivos que podem ver no iMDb demonstrando que ainda há gente online que gosta mesmo de ficção-científica e não apenas do hype da moda.
[“EXPLORER/ARROWHEAD”] é um bom título para quem já tem saudades de sci-fi (simples) mais tradicional. Só não leva um Gold Award pois a primeira metade do filme poderá afastar muito espectador que for particularmente impaciente embora eu tenha gostado muito do ritmo calmo da narrativa por isso se calhar futuramente ainda revejo em alta a minha classificação.

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A favor: a atmosfera visual da história, todo os matte-paintings e a forma como usa as paisagens naturais da Australia para nos dar um mundo verdadeiramente alienígena apesar de ser apenas um deserto, bons personagens que vão ficando cada vez mais cativantes à medida que a história avança, um dos robots mais fixes dos últimos tempos numa mistura entre Hal e outra coisa qualquer que resulta plenamente especialmente a partir do meio da história, alguns efeitos especiais são bastante bons em particular todas as cenas que envolvem modelos de naves reais e não apenas animação de CGI, logo ao início há um “cut” de transição excelente na forma como a história passa da plataforma de descolagem para o espaço, é sci-fi com toques clássicos, a vertente mais adulta e cerebral com um toque de “Solaris” só lhe fica bem, boas cenas de acção apesar de breves. Excelente título de baixo orçamento e mais um bom trabalho saído da Australia.

Contra: os efeitos prácticos com as criaturas não são muito bons pois não disfarçam nada bem que os actores estão a lutar contra bonecos, a baixa classificação que inevitavelmente tem no IMDb. A hilariante praga de moscas que invade os takes no final desta aventura e que ninguém conseguiu evitar durante as filmagens. Nunca viram um scifi com tanta mosca.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


TRAILER FRANCÊS


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COMPRAR BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO FRANCESA.
Apenas com legendas em francês mas tudo numa edição técnica excelente com um óptimo design e um curto mas muito muito bom making of.

BLURAY

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IMDb

http://www.imdb.com/title/tt3013160

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