“2010 – O ANO DO CONTACTO” ( “2010” / “2010 THE YEAR WE MAKE CONTACT” ) Peter Hyams (1984) EUA

E por falar em Stanley Kubrick
Como dizem alguns utilizadores no IMDb a propósito desta continuação para “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO“, deixem-se de merdas, [“2010”] é um grande filme de ficção científica por direito próprio.

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Também eu já estou farto de tanta reverência a Stanley Kubrick como se venera um qualquer Deus intocável cujo a obra incomparável só poderá ser adulada à distância e nunca questionada.
Como se o homem estivesse num pedestal de uma qualquer Igreja dedicada a um panteão de Deuses do cinema escolhidos por um bando de intelectuais de café tentando colar-se ao ass-kissing intelectualoide que a partir de determinado momento gravitou ao redor deste realizador; a um ponto tão rídiculo que hoje já ninguém sabe bem como realmente era o homem por detrás das câmeras.

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Segundo Arthur C.Clarke , Kubrik apesar da sua imagem pública algo esquizofrénica seria apenas um tipo que adorava cinema e tinha ideias muito concretas sobre como queria que os seus filmes fossem, o que o tornava incrivelmente exigente.
Infelizmente hoje em dia da forma que o homem foi divinizado parece que se fala mais sobre a sua reputação do que se comenta sobre os seus filmes.
Ao longo dos anos parece que falar sobre trabalho de Kubrick referindo qualquer outra coisa que não seja a sua suposta genialidade permanente será suficiente para que sejamos logo escorraçados para fora daqueles circulos de “Cinéfilos” que tudo sabem e onde rebanhos de especialistas qual sacerdotes do Culto Kubrick velam para que este cada vez se assemelhe mais a um Deus e menos a um realizador de cinema.

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BLASFÉMIA

Portanto, qual é o mal de existir um [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] ?!
E qual é o problema de que este exista num formato estéticamente diferente do filme original ?
Não segue a linha Kubrick ? A sério ?! Óptimo !
Seria absolutamente idiota que o realizador Peter Hyams tivesse tentado imitar o estilo do cinema de Kubrick;  especialmente porque o material que Hyams ( e Clarke ) adaptaram tinha já um tom muito diferente e nesse contexto o segundo romance de Arthur Clarke situado no seu universo do Monólito foi por isso muito bem adaptado ao grande ecran em [“2010”]; escrito por ambos os autores sem precisarem de imitar quem quer que fosse.

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Hyams trabalhou directamente com Clarke no argumento e por isso aquela malta que afirma que [“2010 : THE YEAR WE MAKE CONTACT”] é um produto menor dentro da ficção-científica porque não tem a genialidade dos criadores originais da  forma que deveria ter tido, então devem ser os mesmos que insistem em várias discussões online que “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” foi adaptado de um romance de Clarke quando na realidade o romance é que foi uma adaptação do seu argumento original !

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Contrariamente ao que muita gente ainda parece pensar, “
2001 Odisseia no Espaço” foi o único livro de Clarke que não existia antes de ter sido filmado pois foi exclusivamente criado como sendo um argumento original para cinema e não o oposto.
O segundo livro intitulado [“2010 – O Ano do Contacto”] no entanto, já foi primeiramente escrito como novela e só depois adaptado a argumento; por Clarke e Hyams, tal como Clarke tinha trabalhado com Kubrick anteriormente mas agora num processo criativo inverso.

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[“2010 : O ANO DO CONTACTO”] é um produto comercial que explica tudo muito bem explicadinho  e acaba com o mistério ao redor das interpretações subjectivas para “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” ?
Óptimo !
Especialmente porque essa ideia de que o filme de Kubrick seria uma espécie de experiência quase religiosa e propensa a interpretações chateava até o próprio realizador ( como podem ver nos documentários sobre o filme original ) pois este nunca pensou estar a filmar mais do que um título de ficção-científica muito sério e com uma história ( extremamente cuidada ) mas bastante simples e directa.
Uma história que nem sequer dá espaço para muitas interpretações se o espectador estiver atento ao que se passa no ecran. Precisamente como acontece com 
[“2010”] que hoje em dia será considerado um filme lento, pelas novas gerações que confundem cinema com videogames.

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Kubrick 
teve foi azar do filme dele ter saído precisamente nos Swinging Sixties e logo a malta do LSD transformou aquilo que seria uma grande história de ficção-científica numa experiência alucinogenia cheias de interpretações estupidamente groovy que nunca teve o objectivo de conter.
Não admira que o filme tenha ganho as conotações mais estúpidas quando tanta gente o tentou “interpretar” inteligentemente. Largassem os cogumelos , pá…
Se “INTERSTELLAR” tivesse saído na mesma época aposto que hoje teria chegado até nós com o mesmo tipo de conotação interpretiva alucinogenia com que Kubrick teve o azar de ver o seu trabalho conotado na época.
 Ou então – a sorte– , pois foi precisamente a sua fama de trip psicadélica que levou os janados todos ao cinema e salvou na altura o filme de se tornar num fracasso comercial quando recebeu inicialmente reviews do pior.
Ao menos [“2010”] escapou a essa conotação e não foram precisos cogumelos para tornar o filme numa coisa diferente.

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O PROVERBIAL BOM FILME DE FICÇÃO CIENTIFICA

Ainda hoje fico parvo quando há gente que me diz que não se percebe bem o que acontece no fim de “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” mas no entanto até gosta de ficção científica de uma forma geral.
Mais evidente do que aquele final é impossível. A não ser que estivesse por ali um narrador a guiar os espectadores pela mão.
Aliás “2001” tem um final tão claro que Kubrik nem precisou de explicar por palavras o que estava a acontecer e se havia por ali alguma genialidade neste realizador era sem sombra de dúvida a capacidade de contar histórias sem precisar de diálogos quando estes fossem realmente supérfluos.

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Incialmente as cenas entre Dave Bowman e a entidade alienígena eram para ter sido inclusivamente filmadas com diálogos que chegaram a ser escritos, mas no final Kubrick decidiu-se por montar o filme da forma que o vemos, pois com aqueles visuais qualquer diálogo teria sido redundante.
A ter no entanto alguma falha está no facto de “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” ser um titulo de ficção científica para o público de ficção científica e não um filme pipoca para o público genérico; pois felizmente foi concebido numa era onde ainda não existiam quaisquer conceitos de blockbuster no sentido moderno.
E o mesmo vale para [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] que apanhou os últimos anos onde ainda o formato blockbuster gringo não tinha destruído a maior parte do cinema comercial norte americano e os filmes ainda tinham bastante Cinema para mostrar.

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Por outro lado também não será coincidência que as pessoas que me têm dito que “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” não se entende bem afirmem o mesmo sobre o final de “INTERSTELLAR”, que acham “ARRIVAL” confuso e até que o excelente e recente “PASSENGERS” será um daqueles filmes onde não se passa nada (!).
Há até quem já me tenha dito que inclusivamente “PANDORUM” (!) ( e “EVENT HORIZON ) (!) não prestam porque as histórias não se compreendem bem e nunca se percebe quem são os maus ou os bons naquilo tudo.

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Por outro lado, as interpretações para o filme de Kubrick sempre me divertiram imenso pois sempre achei inacreditável como tanta crítica iluminada atirou ao ar as interpretações mais hilariantes para a história de “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” ao longo dos anos.
Isto como se a história original fosse tão complicada que precisasse de ser interpretada !!

Kubrick e Clarke tinham toda a razão quando afirmavam que a história original era simples.
O filme pode ter um ritmo lento mas que raio, quem não entende o que se passa naquele filme só porque este não tem pressa de ir a lado nenhum então deve pertencer certamente aos Cahiers du Cinema no pior dos sentidos.
E normalmente são esses que depois também criticam a existência de [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] por ser simples demais, como se o seu intelecto precisasse de ser estimulado a todo o instante com obras primas Kubrikianas a pedirem interpretações.

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A pilha de interpretações subjectivas e muitas até incrivelmente esotéricas ou religiosas para “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” saídas durante décadas das penas iluminadas de críticos conceituados só demonstra a total incapacidade desses “cinéfilos” para compreenderem aquilo que é essencialmente a história de ficção-científica mais séria de todos os tempos. O que fariam se esta tivesse sido realmente uma história complexa !!

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Kubrick conseguiu plenamente cumprir o seu objectivo de criar o tal proverbial bom filme de ficção cientifica que planeou com Arthur Clarke.
Apenas não esperavam era que a malta das trips de ácido, os comedores de cogumelos dos 60s e as penas iluminadas da maralha crítica e ensaísta literária dos 70s não tivessem percebido a ponta de um corno do que viram e como consequência disso transformassem “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” quase numa experiência religiosa. Essencialmente o mesmo que esta malta inteligente fez depois com o excelente “SOLARIS” de Tarkovsky; outra vítima da crítica especialista e que gosta muito de escrever ensaios sobre profundas motivações obscuras, metáforas herméticas e interpretações psicológicas que nunca existiram.

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Não deixa de ser divertido olhar para o que se tem esctito sobre o significado esotérico do filme de Kubrick ao longo de décadas sempre envolvido numa qualquer interpretação new age ou intelectualoide; quando mais hardcore sci-fi do que aquilo seria impossível alguém ter colocado no grande ecran; a não ser que tivesse adaptado “RENDEZ VOUZ WITH RAMA” também de Arthur Clarke ( que já tarda) !
Por isso ainda bem que [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] foi produzido.

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OS PONTOS NOS Is

Se foi preciso até Arthur Clarke escrever uma sequela para repor “os pontos nos Is” e ter que explicar aquelas cabecinhas pensadoras como “2001” tinha tido afinal uma história tão simples, óptimo !
Na verdade se virmos bem, [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] não é um filme simples quando comparado com “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” contrariamente ao que opiniam certos especialistas. Precisamente o contrário.
A história de “2010 – O Ano do Contacto”; romance e [“2010 : THE YEAR WE MAKE CONTACT”] o filme é até bem mais complexa do que a narrativa de “2001 Odisseia no Espaço” alguma vez foi. Tanto no argumento para Kubrick como na subsequente versão em romance que Clarke publicou DEPOIS que o filme saiu.

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[“2010 : O ANO DO CONTACTO”] apenas parece um filme mais simples porque “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” foi tão esmiuçado até à medula por interpretações imbecis; que quando Clarke colocou por palavras na boca dos personagens da segunda aventura toda a evidente explicação para o que se passou no primeiro filme, a sequela acabou por parecer mais simples e directa como alguns acusam o filme de ser.
Uma consequência de toda a palha esotérica que foi inventada ao longo dos anos para explicar o que sempre foi óbvio em “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” por quem não percebeu um chavo do que viu mas precisava urgentemente de parecer tão inteligente quanto o crítico do lado parecia quando estava apenas a fazer o mesmo escrevendo idiotice intelectualoide atrás de idiotice intelectualoide para se armar em Cinéfilo.

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Se [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] parece um filme directo foi essencialmente para que Arthur Clarke lhes explicasse o que tinha acontecido na primeira parte seus burros ensaístas ! Quem insiste em minimizar [“2010”] enquanto titulo de ficção científica, está na verdade mas é a passar um  atestado de burrice a si mesmo quando ataca o filme pela suposta simplicidade do mesmo em relação ao Santo-filme original !
E quem tiver dúvidas disto é só ir confirmar com as entrevistas de Clarke na altura, com o comentário do autor no romance e com o making of de 2010 na sua versão integral.

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Deve ter sido incrivelmente frustrante para Clarke e para Kubrick terem visto tanta interpretação idiota para aquilo que supostamente deveria ter sido apenas um grande filme de pura ficção cientifica.
Provavelmente não sabem, mas “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” era suposto ter uma narração inicial a explicar em detalhe que o filme tinha sido baseado no agora famoso “BROOKINGS REPORT” ( que iria ajudar a tornar depois toda a história mais directa ) mas Kubrick retirou-a do final cut à ultima da hora pois, como ele disse na entrevista à Playboy na altura, achou que assim o filme ficaria mais misterioso e alienígena e ligaria melhor com a simplicidade visual do acto final.

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INDISTINGUÍVEL DA MAGIA

No fundo Clarke teve toda a razão quando disse um dia que:  – ” Uma tecnologia suficiententemente avançada é indistinguível da magia “.
2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” provou-o definitivamente e ninguém parece ter notado !
2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” mostrou uma tecnologia tão avançada no grande ecran que a malta não percebeu puto e a única forma que teve de tentar compreender o que viu foi atribuir-lhe um monte de explicações mágicas, religiosas, transcendentais e de pura new age hippie sopeira.
O monte de ensaios intelectualoides e criticas iluminadas tentando colar-se ao génio de Kubrick e os genéricos comentários de “cinéfilos” é a melhor demonstração de que Clarke tinha razão e um dos motivos porque este no seu texto do segundo romance refere que estava na altura certa de apresentar a explicação para a primeira “aventura” já que tanta gente parecia continuar com dúvidas precisamente por a crítica especializada ter inundado o mercado com interpretações erradas.

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[“2010 : O ANO DO CONTACTO”] não é por isso uma versão simplificada de “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO“.
[“2010 : O ANO DO CONTACTO”] é um filme semi-isolado ( que pode ser visto como uma única aventura no espaço );  com um estilo próprio bem sólido ( e muito bem fotografado ) dentro da melhor ficção-científica jamais colocada no grande ecran. Um título que não se limita apenas a explicar o que aconteceu na parte anterior da historia mas centra também a acção e o mistério ao redor das razões que levaram o próprio Hal a comportar-se como o fez no primeiro acto desta aventura de puro contacto com uma raça verdadeiramente alienígena.

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Precisamente em relação a esse tema, “2010” expande ainda todo o conceito ao redor de uma tecnologia avançada que é tão incompreensível para nós que parece magia e conclui a historia num registo épico que, desta vez por ser filmado de uma forma bastante directa evitou que [“2010”] começasse também a ser interpretado de forma imbecil pelos mesmos comedores de cogumelos que tinham complicado tudo em relação à primeira parte.
Por outro lado foi esse mesmo facto que depois lhe granjeou tanto desprezo por parte da crítica e de certos cinéfilos de café.


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Se o filme era suficientemente claro para que até aqueles gajos o conseguissem perceber, isso significava que naquelas cabecinhas [“2010”] só podia ser portanto um filme menor.
Por outro lado se até a critica iluminada o percebeu… … …
Os críticos ficaram mas foi um bocadinho chateados por não terem aqui em [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] palha extra para ensaios inteligentes e como tal, já que não podiam continuar a escrever inúmeros tratados interpretativos sobre o significado também desta segunda história, a única resposta só podia ser mesmo a de desprezo.
O que só demonstra o quanto [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] é realmente um grande filme.

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EXCELENTE ADAPTAÇÃO SEM COGUMELOS

Practicamente tudo neste título funciona e o argumento de Clarke e Hyams é mesmo muito bom pois capta perfeitamente toda a essência do segundo romance.
Embora na minha opinião tenha sido um erro deixarem de fora uma sequência passada na lua Europa que ocupa um dos melhores capítulos do livro e que aqui foi substituída por uma cena muito mais simples. Cena essa que deve ser o único ponto menos interessante do filme todo mas percebe-se que não havia orçamento para mais.

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Por outro lado, tirando isso o livro está muito bem adaptado e sim, [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] o filme tem exactamente o estilo certo de realização que este livro pedia. Deixem-se de merdas. [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] é um filme de ficção-cientifica tão bom quando “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” o foi e está para os anos 80 como o primeiro esteve para os anos 60, apenas o contexto politico  em que saiu foi diferente.
Além disso nos anos 80 já ninguém funcionava a ácido e as pessoas começavam a ir para o cinema comer pipocas em vez de cogumelos para rir.

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Técnicamente o filme também apresenta alguns visuais que na altura foram um estrondo e por isso apesar do filme não ser própriamente cinema de acção e aventura teve no entanto uma boa carreira comercial em practicamente todo o mundo.
Os efeitos especiais são bastante bons para a altura e ainda hoje se aguentam perfeitamente tendo em conta que tudo ainda foi criado com base em modelos práticos e não com puro CGI ; embora o planeta Jupiter tenha sido uma das primeiras tentativas de animação de computador feita para o cinema também. Tendo resultado muito bem; ao ponto da própria Nasa quando conseguiu fotografar finalmente de verdade o próprio sistema Joviano quando lá chegou, ter feito notar a incrível semelhança entre a extrapolação imaginativa que se viu em [“2010”] e as imagens reais captadas pela Voyager.

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[“2010 : O ANO DO CONTACTO”] tem também um monte de cenários com muita pinta. Todo o ambiente tecnológico está fantástico em termos de interiores e tanto os sets para a nave Leonov como para a Discovery estão do melhor.
Já agora se acham o design da Leonov familiar, é porque a malta que fez “BABYLON 5” anos mais tarde gamou o visual dessa nave para criar a armada militar terrestre que aparece na série e que segundo o making of foi realmente uma homenagem Canadiana ao filme de Peter Hyams.

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REGRESSO À DISCOVERY

Por falar em cenários, os sets da Discovery tiveram de ser todos recriados a partir de imagens de “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” pois nesta altura todos os planos originais dos cenários tinham sido destruídos e essencialmente foi tudo reconstruído a olho para [“2010 : O ANO DO CONTACTO”].
Por acaso se [“2010”] tem outra falha, ela está no facto de que se nota que aqui e ali, o interior da Discovery é agora mais pequeno. O que foi verdade pois por razões de orçamento os cenários tiveram de ser reduzidos percentualmente em relação aos que tínhamos visto em “2001“.

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Por esse motivo [“2010”] tambem não mostra o famoso “centrifugador” onde Dave Bowman corre em “2001 ODISSEIA NO ESPAÇO” e que ficou famoso nessa sequência clássica.
Muita gente ficou decepcionada por [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] nos ter feito regressar a bordo da Discovery mas depois não nos mostrar o seu cenário mais emblemático. Também concordo.
Aquele cenário deveria ter feito parte desta sequela, pois em certas alturas parece que [“2010”] está incompleto quando se passa a bordo da Discovery.
A única vez que o set original aparece é na introdução onde se mostra uma foto de “2001” e em mais lado nenhum parece existir.

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MR. PRESIDENT

De resto, [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] para mim continua a ser um grande filme de ficção científica e definitivamente um dos melhores filmes do género nos anos 80.
O elenco é impecável e conta com um dos meus actores favoritos de todos os tempos Roy Scheider interpretando o Heywood Floyd que vemos no inicio do “2001” original a viajar até à Lua a caminho da sua reunião secreta sobre a descoberta alienígena.
Para além dele temos John Lightgow saído de “Footloose” nessa época e antes de se tornar popular como extraterreste em “Third Rock from the Sun” ou como vilão de vários filmes nos 80s por exemplo.
Hellen Mirren também compõe uma excelente oficial Russa e de forma geral o elenco funciona muito bem ( onde nem faltam actores Russos de verdade para dar ainda mais realismo às cenas passadas a bordo da Leonov ).
Keir Dullea regressa como Dave Bowman e como não podia deixar de ser Douglas Rain como Hal também aqui está.

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A única coisa que na minha opinião data e envelhece bastante [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] num certo sentido, é precisamente aquela ideia de que em 2010 os EUA e a Russia ainda estaria em plena Guerra Fria e toda a vertente política da história tem a sua base num conflito eminente entre os dois países.
Clarke pode ter previsto muita coisa nesta história mas não adivinhou a queda do Muro de Berlin. Por outro lado agora com o Trump na presidência se calhar o filme ainda vai acabar por se tornar profético um destes dias também a nível politico.

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Só por curiosidade os dois presidentes que aparecem no filme a determinado momento são Arthur Clarke como presidente Americano e Stanley Kubrick como presidente Russo; o que só demonstra o quanto Kubrick não se importou nada com esta sequela que Clarke desenvolveu para o filme original pois inclusivamente permitiu o uso da sua imagem para ser incluído no filme de Peter Hyams sem problema.

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FICÇÃO NADA CIENTÍFICA

Já agora em termos de curiosidade, [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] é também aquele filme que foi trucidado por alguma critica mais especializada mas dentro de uma vertente mais cientifica. Há um par de anos li um artigo sobre tecnologia que mencionou precisamente o facto da malta da ciência ter caído em cima de “2010” por apresentar um par de cenas que seriam absolutamente científicamente ridículas.
Estarmos em 201o no sistema de Jupiter com uma missão terrestre como aparece no filme era perfeitamente plausível, mas depois os criadores [“2010”] o filme, parece que estragaram tudo em termos de credibilidade quando colocaram Roy Scheider na praia com uma coisa que parecia um computador portátil em estilo laptop !!

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[“2010”] foi apontado a dedo por uma cena que dura um par de segundos mas que muita gente na comunidade cientifica parece ter acusado de estragar por completo toda a aura cientificamente séria que estaria no resto do filme.
Roy Scheider na praia com um computador pequeno, portátil e ainda por cima a aceder a uma rede de dados qualquer sem estar ligado a absolutamente nada a partir da areia foi para muita malta cientifica a coisa mais improvável e ridícula mostrada em [“2010”]; (tal como aconteceu no mesmo ano com “WARGAMES” que foi muito criticado pelo rídiculo que era mostrar um puto com um computador no quarto ligado ao exterior por uma linha telefónica);  isto porque segundo alguns especialistas (como é referido no comentário audio em “Wargames”), nem dali a 50 anos haveria de haver tecnologia assim quanto mais uma rede global de informação que não fosse apenas limitada a uso militar se é que tal coisa poderia vir a existir tão cedo…. Impossível !
Americanos em Jupiter em 2010, sure !
Laptops e redes sem fios… bullshit !!

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Apesar disso, [“2010 : O ANO DO CONTACTO”] é no entanto um daqueles raros filmes dos anos 80 que não ficaram particularmente datados enquanto cinema.
É tão bom quanto “OUTLAND” que Hyams tinha realizado um par de anos antes e continua a ser um dos grandes titulos de ficção cientifica da história do cinema quer os puristas da “Religião Kubrickiana do Reino de Deus” o queiram quer não.
Excelente.

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CLASSIFICAÇÃO

[“2010 : O ANO DO CONTACTO”] continua a ser um dos melhores títulos de ficção científica saídos dos anos 80s.
Como adaptação do segundo romance só falha em ter deixado de fora uma das melhores partes no inicio do livro por razões de orçamento porque seria mesmo uma sequência muito dispendiosa se tivesse sido filmada.

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Visualmente funciona ainda muito bem, os efeitos são na sua maioria sólidos e envelheceram fantasticamente bem.
De resto como ficção cientifica terá sido provavelmente o último bom título a ser produzido para o publico do género e não cozinhado para agradar necessariamente as massas de comedores de pipocas que ainda não eram nascidas.

Cinco Planetas Saturno




    

Só a parte politica do filme parece agora ser o encalhe desta história. Seria actual e pertinente na época mas hoje parece desinteressante como o raio, pois aquele contexto politico desapareceu um par de anos logo após o filme ter saído e como tal toda essa espinha dorsal dramática tornou-se verdadeiramente uma pedra no sapato desta história quando revemos o filme; pois nem como documento representativo de uma época funciona muito bem.

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O que inclusivamente faz “2010” perder algum gaz a meio da narrativa aos olhos modernos e é  mesmo só por isso não lhe atribuo um Gold Award também. Por isso e por não nos ter mostrado o cenário mais famoso do primeiro filme de novo a bordo da Discovery.

A favor: a história, o sentido de aventura, o ambiente, os efeitos, os actores, a fotografia, o ambiente alienígena, a banda sonora, o final.

Contra: aqui e ali um toque 80s mas não é grave, a parte politica tornou-se totalmente desinteressante com o passar dos anos.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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COMPRAR BLURAY 2001  – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO UK

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Micro MAKING OF

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IMDb

http://www.imdb.com/title/tt0086837

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“OPERATION AVALANCHE” (“OPERATION AVALANCHE”) Matt Johnson (2016) EUA / CANADA

Das teorias da conspiração mais populares provavelmente não haverá nenhuma que eu mais adorasse ver demonstrada como tendo realmente acontecido do que esta ideia recorrente de que toda a missão da Apollo 11 teria sido falsificada pelos Americanos e Neil Armstrong não terá sido afinal o primeiro homem a pisar a Lua.
[“OPERATION AVALANCHE”] demonstra precisamente como tudo poderia ter sido não só possível, como seria muito mais simples de falsificar do que o que consta por aí em termos de teorias conspirativas sobre o assunto.

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[“OPERATION AVALANCHE”] tem uma das melhores respostas que eu já vi para o velho argumento de que tal coisa seria impossível de ter acontecido pois tudo teria de envolver milhares de pessoas que mais tarde ou mais cedo teriam de começar a falar.
Só isto vale o filme pois contém realmente uma excelente resposta á questão, o que o torna na minha opinião no melhor filme sobre conspirações que alguma vez me passou pela frente.

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Consegue em 95 minutos ser talvez até melhor que toda mitologia conspirativa da série X-Files na sua totalidade e não precisou de dez temporadas para nos apresentar uma excelente teoria da conspiração que nos faz realmente ficar a pensar no final do filme. Então e se…

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

Apesar de eu aceitar ( apenas porque sim ) que a Ida à Lua realmente ocorreu em 1969, tenho acompanhado ao longo dos anos a maioria das teorias sobre a falsificação da missão porque continua a ser algo fascinante. De todos os livros que li e de todos os documentários e entrevistas que já vi, ouvi e li sobre o tema durante pelo menos as últimas duas décadas o lixo conspirativo mal fundamentado e os argumentos completamente idiotas abundam e posso dizer que 99% do que me tem passado pela frente é completamente rídiculo e só demonstra o desconhecimento total que as pessoas têm às vezes até da forma como funciona uma simples máquina fotográfica.
Ainda hoje me pergunto como há gente que pode argumentar por exemplo com a ausência de estrelas nas fotos lunares serem provas de que estas foram falsificadas, quando tudo não passa apenas de uma questão de exposição em relação à abertura da lente da câmera por exemplo.

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No entanto, se eu ainda me continuei a interessar pelo tema é porque existe um livro absolutamente fantástico sobre o assunto que aborda pormenores documentados que nenhum outro teórico da conspiração mais imbecil costuma referir. O livro chama-se “One Small Step” e contém definitivamente a melhor abordagem politica e científica ao tema que alguma vez vi por ser tão diferente e apresentar as suas conclusões baseadas em material reproduzido depois no próprio livro com fontes onde poderemos confirmar tudo o que lá está, etc.
One Small Step” apesar de parecer mais um livro sobre o mesmo, na verdade está até bastante do lado de quem destrói por completo todas as teorias mais populares e costuma desintegrar com bons argumentos todas as “provas” que ficaram populares junto da opinião pública.
One Small Step” concorda por completo em relação ao rídiculo que existe em praticamente todos os argumentos mais tradicionais dentro desta conspiração lunar e ainda ajuda a desmontar alguns com bastante detalhe nas suas 400 páginas.

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Agora, o que o livro tem de fascinante também é que num par de coisas acaba inclusivamente por “debunkar” o próprio “debunking” em relação a certos pormenores; pois pelo visto a verdade neste tema não estará do lado de quem afirma que tudo foi falsificado como também não estará do lado de quem está racionalmente convencido de que não foi.
A verdade estará algures no meio e é nisso que este livro se assenta muito bem.
Isto agora levar-nos-ia muito longe, mas pessoalmente estou convencido de que a Ida à Lua foi real sim senhor, mas também acho que como já foi bem demonstrado por alguns investigadores científicos bem alicerçados no próprio mainstream, que muitas das imagens famosas que conhecemos não foram tiradas na Lua mas são sim produto de um Plano-B que haveria por parte dos norte-americanos caso a missão falhasse e tecnicamente não se conseguisse produzir boas imagens durante a missão, usadas por serem muito mais espectaculares.

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E com isto voltamos ao mesmo; para muita gente a questão é sempre a mesma e o argumento é sempre repetido.
Seriam precisas milhares de pessoas para forjar qualquer coisa relacionada com uma missão destas e como tal nada de conspirativo alguma vez poderá estar ligado a este evento histórico.
Bem… também sempre estiveram ligadas milhares de pessoas aos projectos militares americanos e curiosamente nunca nada saiu cá para fora antes das inovações militares serem utilizadas oficialmente… e mais uma vez isto levar-nos-ia por outro caminho, pois volto a perguntar, afinal o que é umaTeoria da conspiração?…

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[“OPERATION AVALANCHE”] é um filme brilhante porque ignora por completo todos os argumentos idiotas que andam na maior parte das vezes a circular nos Media verbalizados por aqueles malucos fundamentalistas que acham mesmo que nada se passou e constrói toda a sua versão desta teoria da conspiração com pormenores de que raramente se fala; como por exemplo a necessidade absoluta de que os americanos precisavam mesmo de ter um homem na lua até ao final de 1969 sem qualquer margem para que isso não viesse a acontecer entre muitos outros detalhes políticos (e técnicos) fascinantes, esses sim verdadeiramente suspeitos e enigmáticos muito para lá da palha que se vê ridicularizada no mainstream.

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E este é apenas um pormenor. [“OPERATION AVALANCHE”] joga muito bem com todas as boas questões legítimas que ainda existem sobre o assunto e que curiosamente nunca foram até à data sequer respondidas oficialmente, sendo simplesmente ignoradas porque os Media estão sempre mais focados nos argumentos debiloides da falta de estrelas, das sombras cruzadas em falsa perspectiva, etc; coisa que sempre foi muito bem aproveitada pelas entidades oficiais para não comentarem o que realmente interessa.
[“OPERATION AVALANCHE”] ignora tudo isso e foca-se nos pormenores realmente enigmáticos que o público de forma geral não costuma ter conhecimento mas que são ainda hoje dúvidas legítimas sobre o assunto.
Neste aspecto não me admirava nada que os criadores de [“OPERATION AVALANCHE”] tivessem inclusivamente lido “One Small Step” pois , pessoalmente nunca encontrei nada que se comparasse com a argumentação encontrada na investigação do autor desse livro e que está reflectida em muitas partes do filme.

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Não vou agora detalhar, porque o grande prazer ( e para mim a grande surpresa ) foi descobrir muita coisa de que eu tinha conhecimento incluída de forma absolutamente extraordinária no argumento de [“OPERATION AVALANCHE”] ; onde às vezes chegam a colocar pequenos detalhes no écran que só quem acompanha o assunto com real interesse é que irá notar que lá estão; ( por exemplo a pequena menção às rochas “a”, “b” e “c”. Quem conhece o assunto, sabe bem porque esta cena foi incluída).

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É esta atenção ao detalhe que torna este filme absolutamente notável e obrigatório para quem tem  curiosidade sobre uma temática; que tem menos detalhes rídiculos do que muita gente possa pensar a uma primeira racionalização sobre a mesma.
Eu também já tinha deixado de perder tempo com o tema e achava que já não haveria mais nada de suspeito, até ter lido “One Small Step”.

“THE MOST ILLEGAL MOVIE EVER !”

[“OPERATION AVALANCHE”] não é apenas um filme muito especial por abordar de forma inteligente a conspiração Apollo-11. Também não será pelo facto de ser mais um found-footage movie entre tantos que já existem por todo o lado e produzidos em todo o mundo.[“OPERATION AVALANCHE”]  é um filme muito especial porque foi essencialmente produzido de maneira completamente ilegal na forma não só como usou um monte de stock-footage sem ter licença para tal como acima de tudo os criadores deste filme tiveram a coragem e a lata de ir para dentro da própria Nasa filmar uma história conspirativa disfarçados de simples estudantes universitários que pretenderiam criar um trabalho sobre a Ida à Lua.

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Fizeram-se passar por documentaristas que pretendiam filmar nas instalações da Nasa e conseguiram introduzir-se lá dentro exactamente da forma que depois é mostrada no filme.
Aliás, tudo o que vemos no filme relativamente “à visita guiada” dentro da Nasa é real ! Apenas depois algumas imagens foram manipuladas digitalmente para se parecerem com autênticas filmagens antigas e por vezes adicionar um actor ou outro de modo a completar a ilusão.
Os criadores de [“OPERATION AVALANCHE”] são os próprios actores principais e quando os vemos a chegar à Nasa e um “dos personagens” diz, – “Esperemos que isto resulte…” – não estava a representar !
Foi mesmo aquele o primeiro momento em que eles se preparavam para enganar a malta toda lá dentro  !!

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Este método de “Guerrilla Filmaking”  implicou também que em todas as “cenas” que têm lugar dentro da Nasa e que envolvem entrevistas com funcionários reais nas instalações, estas não pudessem ter vários takes , pois tudo foi filmado directamente com as pessoas sem estas suspeitarem que a intenção por detrás das entrevistas não era a de fazer mais outro documentário mainstream a glorificar a Nasa, mas sim a criação do melhor e mais real filme conspirativo de todos os tempos.
Todas as entrevistas com empregados da Nasa que vocês podem ver no filme, são reais !! Eles apenas pensavam que o contexto era outro !

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Isto chegou ao ponto de inclusivamente nas entrevistas que encontramos no filme, aparecerem empregados da Nasa a admitir em câmera que se alguém quisesse falsificar cenários lunares na Terra existem no nosso planeta locais específicos onde isso poderia ser feito e ninguém daria pela diferença !
Coisa que ainda nos deixa mais perplexos até porque há alguns anos foi notícia breve que as rochas lunares oferecidas pelos Estados Unidos a vários países eram na verdade “falsas” e não passavam de rochas terrestres. isto foi inicialmente reportado pelo governo Holandês mas desde então a colecção tem aumentado ( sem grande barulho nos media curiosamente…)

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Informação esta que depois os próprios criadores do filme utilizaram na história quando inicialmente nem a tinham pensado incluir pois achavam que ninguém na Nasa iria alguma vez mencionar o assunto. Inclusivamente viajaram depois até esses locais para comprovar a informação e usá-los como pano de fundo para a sua própria versão da teoria conspirativa !!
Então, óbrigadinho ó NASA !

STANLEY KUBRIK

Quem conhece bem o tema da conspiração Apollo-11, sabe que um dos detalhes mais populares é a argumentação de que Stanley Kubrik por estar a obter resultados tão bons em termos de efeitos especiais durante as filmagens de “2001 A SPACE ODYSSEY” teria sido contratado pela CIA para “realizar” a “Ida à Lua”.
[“OPERATION AVALANCHE”] utiliza esse detalhe de uma forma extraordinária por dois motivos.

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Primeiro motivo: [“OPERATION AVALANCHE”]  não usa “Stanley Kubrik” da forma que todas as teorias da conspiração o ligam à falsificação da missão Apolo-11 e logo aqui mostra como os seus criadores foram inventivos.
Neste filme, Stanley Kubrik está ligado ao projecto secreto dos norte americanos mas de uma forma completamente diferente e que sem qualquer sombra de dúvida é o ponto alto de [“OPERATION AVALANCHE”] , não só por questões técnicas mas principalmente porque este argumento tem uma das melhores explicações que alguma vez encontrei para que o nome de Kubrik tenha acabado por ser ligado à ideia de que foi ele o génio por detrás das filmagens na falsificação da Ida à Lua. 
E mais não posso dizer.

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Segundo motivo: não parece mas [“OPERATION AVALANCHE”] é um filme carregado de efeitos especiais.
O mais incrível é que nem notamos que eles lá estão, pois todos foram usados não só para criar a ilusão de que as filmagens são realmente do final dos anos 60 como acima de tudo foram usados para recriar todas as sequências envolvendo Stanley Kubrik, tendo os criadores do filme acabado inclusivamente por inventar uma nova técnica de efeitos digitais para simular ambientes reais que já não existem.
O mais incrível é que esta nova técnica não custou milhões de dólares e só precisou de uns tipos com uns computadores e algum software de edição digital que já existe para ser descoberta.
A inovação está na forma como eles usaram os poucos meios à disposição para criar efeitos que nem os próprios criadores dos programas pensavam que seriam possíveis.

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[“OPERATION AVALANCHE”] custou pouco mais de 500.000 dólares a filmar com mais umas centenas de pós-produção que foram arrecadados pelos criadores através de empréstimos bancários ( usando o estatuto de estudantes universitários ) e portanto é na sua essência mais um produto série-B.
No entanto apesar de ser filmado no estilo found-footage, deve ter sido o primeiro filme do género que conseguiu elevar o género a um patamar diferente.
O mais frustrante é que se calhar o espectador, se não souber como isto foi filmado nem irá dar o devido valor a tudo o que existe de inovador neste título pois no ecran tudo parece tão real e principalmente tão simples e directo quando não foi de modo algum.
Até a recriação do ambiente do final dos anos 60 é absolutamente extraordinário o que ainda torna esta produção mais notável em termos de design e concretização pois nem por um segundo nos passa pela cabeça que estas imagens não serão mesmo filmagens legítimas captadas naquela época.

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Em termos de história, [“OPERATION AVALANCHE”] é uma excelente proposta.
Se conhecerem a fundo a polémica sobre a Apollo-11 irão tirar muito mais partido deste filme do que se apenas tiverem ouvido falar superficialmente dele nos Media quando este é ridicularizado pelos “nossos especialistas” mainstream que tudo sabem.
Mesmo assim, para quem não está por dentro do tema como seria preferível, [“OPERATION AVALANCHE”] continua a ser um excelente found-footage , com óptimas interpretações, uma autitencidade absolutamente notável de deixar muita mega produção roída de inveja e um clima de paranóia e espionagem extraordinariamente bem conseguido onde nem falta uma perseguição de automóvel impecável que eu nem sei como conseguiram filmar isto ás escondidas das autoridades.

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Em termos legais [“OPERATION AVALANCHE”] segundo o que li, evitou qualquer processo porque os criadores tiveram a inteligência de o lançar pela primeira vez no SUNDANCE FILM FESTIVAL do ano passado e a partir do momento em que está associado ao evento aparentemente existem um monte de pormenores legais que impedem que os criadores do projecto possam ser levados a tribunal por terem construído tudo de forma ilegal, mentido à Nasa para usar as instalações de forma indevida, etc.
Óptimo, pois tendo em conta que estamos a falar da Nasa ( Never A Straight Answer ) também já estava mais que na altura de alguém lhes dar o troco em termos de “inverdades” e manipulações…coisa que nos levaria agora até novo tópico mas sobre o qual poderão saber mais no meu site sobre enigmas marcianos.
No que toca a [“OPERATION AVALANCHE”] este filme foi outra grande surpresa deste início de ano e outro que irei juntar à colecção.

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CLASSIFICAÇÃO

Mesmo que já estejam fartos de found-footage movies este é mais outro que não deve ser ignorado. Arrojado, inventivo, inteligente, politicamente incorrecto; extremamente bem feito e interpretado a todos os níveis.
Pode não parecer porque tudo no ecran é tão natural mas as qualidades técnicas e criativas por detrás disto são absolutamente de louvar pois [“OPERATION AVALANCHE”] é um filme extraordinário.

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Por causa disso mesmo , pela primeira vez acho que vou quebrar a minha regra de não atribuir uma classificação máxima a um titulo de found-footage (parecem-se todos iguais); mas desta vez tem mesmo que ser por todos os motivos e mais alguns.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award


     

Como alguém disse numa review, em  [“OPERATION AVALANCHE”] só falta mesmo o típico aviso: “Based on true events” no início do filme.
Depois de verem isto, se não ficarem a pensar pelo menos no assunto então estiveram a ver o filme errado. [“OPERATION AVALANCHE”] contém definitivamente uma das melhores versões da teoria sobre a falsificação da Ida à Lua que poderão encontrar seja onde for.

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Deveriam ter referido também nos créditos finais que durante toda a sua vida Neil Armstrong nunca teve qualquer recordação da sua viagem exposta na sua casa; nem sequer uma fotografia da lua ou da sua presença no local; raramente falava sobre o assunto e contam-se pelos dedos as breves entrevistas (todas com script préviamente aprovado) que deu sobre o tema ao longo dos anos. Isto para não falar do enigmático discurso de há alguns anos atrás em que referiu que se as gerações actuais pudessem “descascar as várias camadas protectoras da verdade iriam encontrar por baixo maravilhas nunca imaginadas” ; o que ainda veio aguçar todas as possíveis explicações ao redor do enigma e fomentar ainda mais teorias.

A favor: técnicamente é incrível pois está carregado de efeitos especiais e nem notamos que existem, contém uma das melhores teorias sobre o tema que já vi e responde muito bem à velha questão de quantas pessoas seriam precisas afinal para falsificar uma coisa como esta, tem interpretações excelentes e uma fotografia fantástica, apesar de não se notar nada elevou o estilo found-footage a um novo patamar artístico e de qualidade técnica, enganaram a Nasa com uma pinta fantástica e bem feita !

Contra: o estilo found-footage acaba por parecer sempre todo igual independentemente deste exemplo técnicamente ser absolutamente extraordinário…

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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ENTREVISTAS

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http://nerdrepository.com/sundance-2016-operation-avalanche-director-matt-johnson-unique-creative-process/

https://www.wired.com/2016/02/operation-avalanche-fair-use/

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MAKING OF dos efeitos especiais.

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COMPRAR DVD -REGIÃO 2 – EDIÇÃO UK

dvd
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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt3776826/

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Livro “One Small Step”


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