“THE UNINVITED” (“A CASA ASSOMBRADA” /”THE UNINVITED”) Lewis Allen (1944) EUA

Desconhecia por completo a existência de [“THE UNINVITED”].
Não me lembro de alguma vez o ter visto na televisão quando eu era pequeno e como tal ou passou-me ao lado quando em Portugal ainda se transmitiam filmes nas sessões de cinema à noite em vez de programas sobre bola, ou então não passou mesmo.
Pelo menos não na época em que a RTP era ainda o único canal por cá e lá pelo fim dos anos 70, inícios dos 80 eu nos meus oito, nove anos devorava tudo o que fosse cinema que passava na televisão não importava o quê.

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E este é um daqueles filmes que se eu tivesse visto em puto de certeza que nunca mais o teria esquecido pois haveria de me ter aterrorizado tanto quanto o clássico “The Haunting” de Robert Wise me arrepiou pela mesma altura numa das noites de cinema das quartas-feiras da RTP1, décadas atrás, a long time ago… na pré-história.

intro

Tal como “The Haunting”, o filme [“THE UNINVITED”] é também uma excelente história de fantasmas sobre uma casa assombrada por um espírito em agonia que ainda hoje resulta particularmente bem. Para um filme produzido em 1944 arrisco-me a dizer que terá sido particularmente inovador e até bastante à frente do seu tempo.
Apesar de ter sido baseado num romance, parece ter estabelecido de uma forma moderna alguns dos clichés que depois se tornaram obrigatórios e porventura não terá sido por acaso que posteriormente até o fabuloso ( e algo esquecido )  “THE LADY IN WHITE” partilha não só de uma atmosfera semelhante como inclusivamente cruza alguns elementos em termos de argumento.

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Estamos na presença de um filme particularmente estranho. Ao mesmo tempo que tem um clássica atmosfera ligeira própria do cinema mais mainstream dos anos 40 depois consegue alternar esse mesmo ambiente por vezes bastante luminoso e descontraído com cenas particularmente assombradas no melhor sentido do termo.
Extraordináriamente ainda hoje [“THE UNINVITED”] consegue um par de momentos particularmente creepy a provocar um ou dois calafrios no espectador e isto sem precisar de recorrer a efeitos especiais ou de pregar sustos com som ALTO como parece ser moda hoje em dia.

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As cenas nocturnas passadas na casa assombrada embora poucas conseguem sempre criar um ambiente assombrado e por vezes até mágico do melhor. Visualmente por vezes [“THE UNINVITED”] faz lembrar o melhor de Casablanca com aquele estilo visual expressionista tão característico do cinema-noir da altura mas que estamos mais habituados a associar aos filmes de detectives com mulheres fatais.

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Embora, por falar em mulher fatal, [“THE UNINVITED”] pelo que me apercebi é também ainda hoje um filme particularmente popular além fronteiras pela sua protagonista. Ou melhor pelo destino trágico da actriz que teve aqui nesta história sobrenatural uma das suas melhores prestações segundo muitos entendidos.
Gail Russel terá sido uma pessoa tão insegura que a única coisa que a fazia ter coragem de continuar a representar era a sua dependência do álcool que acabou por a matar ainda nos trinta anos de vida após uma década marcada por escândalo atrás de escândalo sempre ligados ao seu problema com a bebida.

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O que é verdadeiramente extraordinário de contemplar quando enquanto espectadores acompanhamos um filme como [“THE UNINVITED”] pois a sua prestação enquanto jovem ingénua mas determinada é um dos pontos altos do filme. Toda a história gira essencialmente à volta da protagonista e isto não teria sido o mesmo filme com outra actriz como refere muita gente, visto que Gail Russel é verdadeiramente hipnotizante o que ainda torna mais surpreendente o seu destino e personalidade na vida real.

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[“THE UNINVITED”] conta a típica história de um músico que ( juntamente com a sua irmã ) compra uma mansão quando procura um local calmo para compor longe da agitação da cidade. E claro, a casa está assombrada.
A neta do anterior proprietário tem uma ligação emocional profunda ao local o que por variadas razões irá provocar o desenlace de um mistério antigo por entre histórias de vingança e sobrenatural quanto baste que nos fazem ficar colados ao filme do princípio ao fim logo esquecendo inclusivamente que estamos a ver cinema já bastante antigo.

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A ter um defeito para mim este está apenas precisamente na forma como todo o mistério é resolvido. [“THE UNINVITED”] leva quase 100 minutos a criar ambiente e a atirar pistas ao espectador , com tempo para irmos absorvendo a história mas depois em três minutos finais ( quando pensamos que já não haverá tempo para nada ) resolve tudo num instante numa sequência essencialmente expositória onde se explica muito mas se mostra muito pouco;  ( ou nada ). O filme merecia ter tido pelo menos mais uns dez minutos extra pois embora o seu final no que toca à história seja conclusivo e satisfatório, deixa no entanto algo a desejar em termos de cinema que deveria mostrar mais em vez de se falar sobre o assunto.

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No entanto não há dúvida que [“THE UNINVITED”] continua ainda hoje a ser um excelente filme sobrenatural. Os momentos assombrados são do melhor e por vezes arrepiam ainda hoje, a história tem realmente uma atmosfera do outro mundo, a fotografia é do melhor e para rematar contêm ainda uma banda sonora fabulosa que inclusivamente parece ter sido nomeada para Óscar na altura e do qual saiu uma melodia mais tarde transformada em canção de sucesso por gente que foi de Frank Sinatra a Ella Fritzgerald e onde não falta por ali um toque a “As Time Goes By” que poderá não ter sido casual.

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É também um filme com bons efeitos especiais para a altura. [“THE UNINVITED”] apesar de ser essencialmente uma história que assusta e cria ambiente por sí própria na forma como está filmada lá para o final ainda tem tempo para um par de bons efeitos ópticos fantasmagóricos que resultam particularmente bem e nem sequer datam o filme técnicamente nem nada.
Resumindo, se gostam de cinema com boas histórias sobrenaturais sobre casas assombradas este é velhinho mas é um daqueles a não perder mesmo !

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[“THE UNINVITED”] é também mais um daqueles filmes que me teria passado completamente ao lado não fosse a pirataria. Agora por causa da pirataria até me apetece comprar o bluray e tudo… Bluray que só existe em região A , o que quer dizer que não o posso adquirir aqui na Europa. Conclusão… viva a pirataria, pois se é assim que querem então lá vou ter que me contentar apenas com a cópia que saquei agora num torrent já que a ganância do Sistema com o seu imbecil esquema de bloqueio de regiões não me permite ir comprar o filme onde ele está disponível.

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CLASSIFICAÇÃO

[“THE UNINVITED”] é por direito um clássico que julgo ser totalmente esquecido pelo menos aqui por Portugal. É uma excelente história de fantasmas com imenso ambiente, óptimos personagens, uma protagonista impecável, um fotografia por vezes extraordinária e uma banda sonora magnifica.
Se gostam de cinema sobrenatural e nunca viram isto, estão à espera do quê ?

Cinco Planetas Saturno

Só não leva um Gold Award porque a rapidez com que resolve ou explica todo o mistério nos três minutos finais é algo que deveria ter sido trabalhada de outra forma, porque até aí o filme teve uma óptima estrutura, bom tom enigmático e soube provocar um ou dois calafrios que resultam particularmente bem até no espectador moderno que veja este filme sózinho às escuras madrugada fora como deverá ser visto para melhor efeito.

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A favor: a história, os personagens, a protagonista, o ambiente assombrado, o ambiente luminoso , as cenas sobrenaturais, a realização e a forma como se usa os enquadramentos e o som para criar atmosfera, bons efeitos especiais, excelente banda sonora.

Contra: o “confronto” do herói na escada com o fantasma no final é um bocado ridículo pelo contexto em questão, em três minutos finais explica-se o mistério todo de uma só vez para despachar porque o filme tem que acabar.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


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GAIL RUSSEL


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BANDA SONORA


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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt0037415

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“THE ASHRAM” (“THE ASHRAM”) Ben Rekhi (2018) EUA /INDIA

[“THE ASHRAM“] é um filme particularmente curioso. Hão de notar que a minha classificação para ele não será do outro mundo mas isto é apenas porque este é um daqueles títulos que na verdade é apenas um bom filme. Pura e simplesmente. Nem mais, nem menos.

POSTER

Não tem nada de particularmente mau, mas quando acaba não será um daqueles que nos deixa um impacto duradouro por este ou aquele motivo; embora, tenha uma atmosfera excelente, bons protagonistas e um final divertido ( pelos últimos segundos ) que nos deixa com vontade de espreitar uma sequela, se vier a existir porque na verdade não precisa dela.

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[“THE ASHRAM“] é bastante peculiar também pelo facto de nunca cair na tentação de se tornar apenas em mais um cartão postal sobre a Índia e os seus misticismos para turistas. Apesar de conter imagens por vezes extraordinárias e momentos de “enlightnment” inevitáveis também apresenta uma visão bastante normal do país.

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[“THE ASHRAM“] é situado numa Índia onde as pessoas não serão melhores seres humanos apenas porque o mundo ocidental passou os últimos anos a gerar fantasias na cabeça de alguns –“tios” e “tias”- ou pseudo-Hippie fricks que por causa do que o paleio pseudo-New-Age que se tornou bastante popular ( até por culpa de Hollywood ) viajam depois para lugares manhosos –“procurando conhecimento interior”.

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No entanto, [“THE ASHRAM“] está para o Hinduísmo/Budismo e semelhantes filosofias de vida como recentemente o filme “A CABANA” esteve para uma visão Evangélica norte americana de uma ideia ou crença religiosa. Isto porque supreendentemente ambos os filmes conseguem assentar sobre aquilo que são essencialmente ideias sem cairem no pior estereotipo que esperamos sempre encontrar pela frente ao nos depararmos com este tipo de histórias mais transcendentais. Já estou para falar sobre “A CABANA” por aqui há muito e o facto de [“THE ASHRAM“] me ter aparecido agora de surpresa foi um excelente mote de comparação.

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Os filmes tentam abordar a base filosófica de ambas as crenças espirituais e ambos, para grande surpresa minha conseguem contornar tudo aquilo que seriam as típicas armadilhas neste género de cinema. Teria sido muito fácil tanto “A CABANA” como [“THE ASHRAM“] terem caído na típica pregação ou fricalhada para tias gringas ( à la “Eat Pray and Love por exemplo ) mas tal não acontece e foi logo este um dos pontos que achei mais agradáveis nesta incursão oriental de algo que no ocidente tem o seu equivalente em “THE SHACK”. Mas de “A CABANA” falarei em breve; apenas deixo já aqui o toque a quem ainda não viu o filme ( ou leu o livro ) que para minha grande surpresa não é a treta evangélica gringa que esperava ter encontrado. Tal como [“THE ASHRAM“] também acaba por não ser apenas um desfilar de estereótipos “Indianos” mesmo quando precisa de recorrer a alguns inevitáveis clichés para contar a história a que se propõe.

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[“THE ASHRAM“] conta a história de um jovem que viaja para a India em busca da sua ex-namorada que desapareceu quando se juntou àquilo que parece ser essencialmente uma seita mística reclusa nas montanhas. Depois de várias atribulações onde o filme demonstra bem que a India não será propriamente o tal paraíso de gente constantemente Iluminada que se apregoa pelo Ocidente, o jovem Jamie alcança o tal -Ashram- onde é integrado na comunidade que venera um homem santo que habita na montanha vizinha mas onde nem tudo é o que parece.

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E quando vocês ( e eu ) já pensavam que [“THE ASHRAM“] iria entrar pelo típico thriller de mistério ou terror que teria sido se isto fosse mais uma daquelas produções de Hollywood para teenagers típicos, o filme revela-se apenas como sendo uma história sobre um mistério bastante simples, sobre uma comunidade e sobre aquilo que estará para lá daquilo que também podemos ver ou pressentir.
Para desilusão de muita gente no IMDb mais uma vez, [“THE ASHRAM“]  não é uma aventura , não é um filme sobrenatural de contornos perturbantes, não é sobre seitas religiosas malucas que fazem lavagens cerebrais a ocidentais incautos e não é de todo um thriller assustador.
Muito menos será um filme de terror.

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Mais uma vez a comparação com “A CABANA” é aqui necessária. [“THE ASHRAM“] quando toda a gente esperaria que fosse a tal coisa óbvia tendo em conta a temática inicialmente misteriosa da história, é na verdade uma aventura de Fantasia ( particularmente diferente ) muito mais mística no bom sentido e até bastante filosófica no melhor dos sentidos mais simples. Sendo tal vez esse pormenor, ao mesmo tempo o que tem de melhor mas também o seu calcanhar de Aquiles.
Isto porque ao enveredar por uma história bastante simples sobre as consequências das emoções humanas quando confrontadas com condições excepcionais em termos daquilo que poderá ser a nossa própria realidade, o filme acaba por não ter muito que contar nem muito que mostrar para lá do bom início misterioso e do bom final.

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[“THE ASHRAM“] pelo meio ainda se esforça um bocado para inserir algum conteúdo mais dramático. Por momentos parece que irá desviar-se para os caminhos do puro thriller sobre seitas perigosas mas logo regressa àquilo que é o verdadeiro coração do filme , os personagens e aquilo que os move para lá de todas as “iluminações” por muito que procurem alcançar um Nirvana qualquer num lugar específico quando a resposta no fundo poderá ser encontrada estejamos onde estivermos.

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Ao mesmo tempo carrega por ali alguma crítica bem apontada àquela malta ocidental que acha que só porque viaja para lugares místicos para “meditar” depois virá de lá toda “iluminada”. A personagem da “vilã” da história é um pormenor bastante bom que ao mesmo tempo aborda essencialmente esse lado da questão.

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A história de amor entre Jamie e Sophie que coloca tudo em movimento no que toca à narrativa central do filme é também aquilo que faz com que [“THE ASHRAM“] resulte muito bem e se torne inclusivamente num filme muito simpático.
A química entre o par protagonista é excelente e os seus destinos separados são bastante bem utilizados pelo argumento para colocar uma ou duas boas questões filosóficas que, tal como acontece em “A CABANA” nos deixará a pensar nos assuntos muito para lá de qualquer fácil e óbvia conotação religiosa por onde também [“THE ASHRAM“] nunca entra de forma assumidamente pregatória ou intrusiva.
[“THE ASHRAM“] no bom sentido pretende ser um filme universal em termos de ideias e a meu ver consegue-o plenamente.

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Visualmente tem momentos excelentes. O uso das paisagens naturais é do melhor, a atmosfera da história é muito boa, a vertente de Fantasia está bem conseguida e até as animações CGI se integram particularmente bem nos momentos mais “NEW AGE” que nem por isso se tornam plásticos, forçados ou rídiculos. Bons personagens, boas temáticas e uma narrativa que vai de um lado ao outro culminando num final sobrenaturalmente humorístico muito simpático e que é a pedra de toque para esta pequena boa produção Indiana com capital Americano e equipa Inglesa.

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Como já disse, para lá disto não será um título espectacular ou obrigatório, mas se os temas filosóficos ou espirituais lhes interessam e quiserem acompanhar uma aventura particularmente simples mas sem pretenções a palestra religiosa então [“THE ASHRAM“] é um bom título a espreitarem.
E mais uma vez esqueçam os comentários e a classificação no IMDb, porque com habitualmente também aqui se prova que os melhores filmes naquele site são sempre os que obtêm classificações e comentários miseráveis dos pipoqueiros sedentos por blockbusters.

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CLASSIFICAÇÃO

[“THE ASHRAM“] vale a pena. Não irá deslumbrá-los mas é um bom filme que se recomenda vivamente a quem procurar algo pensado de forma séria sobre uma vertente filosófica mais espiritual e oriental.
Tem alguns momentos muito cativantes, o mistério tem a sua piada e os personagens cativa-nos. Além disso como história de amor sobrenatural também é bastante boa.

Três Planetas Saturno

Para já apenas, pois algo me diz que este filme será um daqueles sobre o qual ainda irei rever a classificação quando o voltar a ver um destes dias. Há por aqui qualquer coisa de único no panorama cinematográfico dentro deste tipo de cinema. [“THE ASHRAM“] não cai em exageros, conta uma boa história mágica, sobrenatural e mística quanto baste e deixa-nos com um espírito bastante ZEN no final, o que já não é nada mau de todo.

A favor: os personagens, a história de amor, o ambiente natural, a simplicidade da vertente sobrenatural, não cai em histerismos formuláticos, boa fotografia e boa utilização contida das animações CGI.

Contra: acaba por ser vítima da sua própria simplicidade pois perde algum fôlego a meio e não evita por vezes cair em repetição temática quando se calhar deveria ter tido algo mais para dar ao espectador entre o bom início e o bom final. Mais uma vez também alguns comentários no IMDb como não podia deixar de ser.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt5596104/

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“XIBALBA” (“XIBALBA” / “CURSE OF THE MAYANS”) Joaquin Rodriguez (2017) MEXICO

[“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] é o último saco de pancada que encontrei no IMDb onde mais uma vez se demonstra que quanto mais baixa é a classificação naquele site infestado de pipoqueiros norte americanos e “americanizados”, maiores são as probabilidades de nos depararmos com um filme que vale mesmo a pena ir a correr ver quanto antes.

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No entanto devo confessar que os primeiros minutos não auguravam nada de bom. Aliás aposto que muita gente que falta tão mal do filme lá pelo IMDb nem deve ter passado dos primeiros dez minutos sequer. São verdadeiramente atrozes por vezes.
Logo de início tudo aponta para que [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] não passe assim de uma espécie de filme caseiro filmado com uma câmera digital e uns amigos ao fim de semana, a narração inicial apesar de acompanhar algumas sequências curiosas envolvendo rituais Maias é no entanto particularmente má.
Depois quando eu já me preparava para clicar em stop, aparecem o título e os créditos do filme e meus amigos… Eu tinha que continuar a ver !!

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VER PARA CRER

Aquelas fonts e design do genérico que mais parece ter sido feito por um puto qualquer que começou agora a mexer em photoshop do que um trabalho profissional para ser levado a sério, fizeram-me ficar colado ao filme. Eu tinha que ver o que raio ia aparecer a seguir !
E o que veio a seguir começou gradualmente a surpreender-me…
Não que [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] depois daquela intro e genérico inclassificáveis tenha miraculosamente se tornado num título extraodinario mas a verdade é que até mesmo nos primeiros e muito estranhos minutos começou a haver por ali qualquer coisa de especial e surpreendentemente cativante.
Havia algo que não batia certo.

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[“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] ao início, parece mesmo uma estranha mistura entre um produto amador, quase um filme caseiro e algo que roça o telefilme de baixo orçamento. A história começa a desenrolar-se, os personagens começam a surgir e logo percebemos que há por ali bocados inseridos que não vão dar a lado nenhum. Por exemplo o playboy mafioso com pinta de gangster que encomenda o trabalho ao arqueólogo não serve absolutamente para nada a não ser para adicionar uma cena toda estilosa ao filme. Se calhar foi o gajo que meteu o dinheiro real nesta produção e por isso lhe deram um cameo. Tudo é possível.
Mas a verdade é que [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] à medida que avança pela sua primeira metade continua a introduzir personagens e situações que depois não têm qualquer desenvolvimento ou importância para o que se irá passar na segunda parte da aventura.

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Mal esta começa os nossos herois deparam-se com um bando de homens armados que cria uma das boas situações de suspense do filme mas que depois não serve para nada nem nunca mais será referenciada em toda a história e a ideia com que se fica é que a primeira metade de [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] será essencialmente para dar papeis aos amigos e familia ou então para que quem investiu no filme se torne estrela de cinema por um dia ou algo assim. Isto sou eu a inventar , mas é mesmo esta a sensação que passa em tudo o que acontece na história até que esta entre realmente pelo que interessa no que toca à aventura central.

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TOMB RAIDER MEXICANO

E o que [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] quer ser, é um TOMB RAIDER mexicano. Ignorem o trailer ( não o vejam até verem o filme ), mas se tiverem o azar de ver algum bocado irão pensar que [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] será um qualquer blockbuster de acção, suspense e terror ao estilo Hollywood.
Não é.

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É certo e óbvio que a ideia de quem produziu este filme seria que tal tivesse sido assim e o trailer esforça-se imenso por passar essa ideia de blockbuster americano quando na verdade torna-se desde logo claro que este título não pôde contar com um orçamento que lhe permitisse tais vôos embora se esforce por parece-lo ao máximo logo no trailer.
Talvez porque o trailer acaba por enganar o espectador mais americanizado haja tanto pipoqueiro de IMDb depois a cascar forte e feito nesta aventura porque o que ela lhe deu não foi o blockbuster de terror que o comum dos cinéfilos de shopping center esperava.

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[“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] tem pinta de TOMB RAIDER, tem um conceito excelente por detrás da sua história e uma “Lara Croft” do melhor; ( aliás esta “Lara Croft” deve ser a minha favorita até hoje de todas as versões espalhadas por todo o lado ). Mas [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] não é um thriller de acção verdadeiramente nos moldes de Hollywood o que terá enfurecido muita gente que se sentiu enganada.

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ANCIENT ALIENS IN MEXICO

O que [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] é acima de tudo é uma história de arqueologia ao melhor estilo clássico. Limitada pelo seu orçamento não houve dinheiro para grandes fogos de artíficio e por isso mesmo talvez uma das melhores coisas deste filme tenha sido o facto de ter um ambiente particularmente normal e bastante interessante por não se parecer com o habitual plástico formulático com que costumamos levar normalmente.

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[“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] conta a história de uma expedição arquelógica ao interior da selva em busca daquilo que o arqueólogo de serviço pensa ser uma verdadeira camara dos segredos, um Hall of Records que escapou à destruição a quando dos massacres pelos conquistadores Espanhois. O que encontra no entanto é algo particularmente inspirado não apenas em Ancient Aliens mas muito em particular nas próprias lendas e mitos locais que depois se interligam muito bem enquanto conceito.

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CAVE DIVING

[“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] é também um produto muito peculiar porque como é constantemente referido em várias reviews ( de quem percebeu que o filme é bem melhor do que aquilo que a classificação no IMDb parece apontar ) , uma das coisas mais inesperadas que contêm são sequências claustrofóbicas e fascinantes de cave-diving.
[“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] é um filme subaquático com excelentes momentos de mergulho em grutas e que a partir da segunda metade são o ponto alto da aventura. Com a vantagem de que são mergulhos reais, pois tal como aconteceu com o clássico “THE ABYSS” de James Cameron também este [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] foi mesmo rodado debaixo de água em grutas reais.
E só por isto o filme vale a pena.

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Já agora de referir que uma outra coisa bastante boa nesta produção acaba por ser os personagens que são também os grandes responsáveis por esta aventura resultar.
E no início nada fazia crer que tal iria acontecer. A partir de certa altura damos por nós a acompanhar agradavelmente a história só porque os personagens se tornam cada vez mais interessantes.
Desde o bandido de estrada que aparece para não servir para nada até ao arqueólogo ( cara particularmente conhecida… ) ou ao grupo de mergulhadores em geral toda a gente em [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] tem eu diria, excelentes desempenhos.
O filme por ser 100% Mexicano, é falado em Inglês e em Espanhol. Resulta muito bem e nunca parece forçado, tanto numa língua como noutra. Para minha surpresa o argumento está polvilhado aqui e ali por personagens que acabam por cativar e damos por nós a importar-nos com o seu destino quando as coisas começam a correr mal para os exploradores de cavernas subaquáticas…

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O MONSTRO DA LAGOA NEGRA

A vertente de monster-movie é aquilo que estraga um bocado o conjunto. Atenua as pequenas mas excelentes revelações e descobertas arqueológicas que o filme mostra nos seus melhores momentos e acaba por simplificar por demais toda a parte final da história quando o filme tenta sem grande orçamento entrar pelo estilo Alien debaixo de água. Na verdade tem lógica pois está directamente ligado ao conceito de “Xibalba” que por acaso está mesmo muito bem adaptado para se inserir na temática misteriosa do filme mas pessoalmente preferia que a aventura tivesse continuado por uma linha mais misteriosa e menos espalhafatosa para o seu segmento final. Embora, volte a dizer, não seja mau de todo.

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Aliás, enquanto aventura espeológica com mergulhos em cavernas, [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] para mim é tudo o que “SANTORUM” há um par de anos atrás não conseguiu ser. Talvez porque curti a vertente Ancient Aliens desta história Mexicana agora mas a verdade é que [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] me divertiu quase do príncipio ao fim e não estava nada à espera disto. Especialmente tendo em conta a forma como começa.
Tal como aconteceu no espanhol “STANDED-NAUFRAGOS” a imagem do fim deixou-me com vontade de ver uma sequela e bem que podiam lançar mais um filminho que eu não me importava.

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ANCIENT ALIENS

Ter visto [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] sem procurar saber nada sobre o filme antes foi mais uma vez o melhor que fiz.
Só descobri agora que a imagem -“do twist”- está espalhada por todo o lado, sendo inclusivamente o poster do filme e só por isto agora esta review já revela até demais.
Na minha opinião esta imagem simbólica deveria ter mantido-se secreta e terem escolhido outra para representar a aventura.

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Afinal isto é uma história de arqueologia misteriosa e visto que o momento em que a nave aparece no filme é um dos pontos altos em termos de impacto visual acho uma parvoíce logo o maior spoiler de todos ser o próprio cartaz.
Ainda por cima, a nave espacial não serve absolutamente para nada na história e supostamente deveria ter sido o twist do filme à lá Twilight Zone.
Deveria ter sido usada para surpreender o espectador tal como me surpreendeu a mim porque tive a sorte de não saber nada sobre o filme antes de o ver.
Apesar de tudo [“XIBALBA-CURSE OF THE MAYANS“] é um excelente série B Mexicano que recomendo vivamente.

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CLASSIFICAÇÃO

Quem diria que um filme que começa de forma tão má e amadora vá a pouco e pouco ganhando imensa personalidade ?…
Não será o melhor filme de aventuras do mundo, não esperem um filme de acção e muito menos um filme de terror, mas enquanto proposta de ficção-científica de baixo orçamento made-in-Mexico olhem que isto não está nada mal não senhor…

Quatro Planetas Saturno

E acho que estou a ser injusto. O filme pode ter muitas falhas, mas a partir de certa altura cativou-me por completo e divertiu-me quase do princípio ao fim. No final fiquei mesmo com vontade de ver mais, o que tendo em conta que inicialmente eu pensava que não ia aguentar sequer cinco minutos de tanto amadorismo no ecran acabou por se revelar numa excelente surpresa dentro do cinema fantástico produzido com baixo orçamento fora dos EUA. Neste caso o México está de parabéns.

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A favor:
a Lara Croft é excelente, personagens com personalidade, é uma boa história arqueológica misteriosa, boa pequena revelação durante a exploração da caverna, as sequências de mergulho em grutas são do melhor.

Contra: o inicio faz com que o filme pareça ser atroz, a narrativa em voz off não resulta lá muito bem, o estilo monster movie do segmento final não é particularmente original. As reviews dos pipoqueiros dos blockbusters no IMDb.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

Esqueçam o trailer.Vejam-no só se já tiverem visto o filme ! Estão avisados, isto está cheio de ªSPOILERS* !!!

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IMDb
https://www.imdb.com/title/tt2783862

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