“SPACE STATION 76” (“SPACE STATION 76”) Jack Plotnick (2014) EUA

[“SPACE STATION 76”] é definitivamente um dos filmes de ficção científica mais originais e estranhos dos últimos anos. Na verdade não me lembro da última vez que vi algo que se possa comparar a isto dentro do género.

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É também um filme que depende muito da nossa nostalgia por uma determinada época dentro da ficção científica televisiva. Se vocês eram aquelas crianças ou adolescentes que no fim dos anos 70 devoravam todos os episódios de “ESPAÇO 1999” e “BUCK ROGERS no SEC. XXV” por exemplo, então irão adorar o que [“SPACE STATION 76”] faz ao recriar a atmosfera das séries televisivas desses anos.

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Visualmente [“SPACE STATION 76”] é um triunfo de simplicidade na forma como recria muitos pormenores da ficção científica dos anos 70. Por vezes até nos esquecemos que não estamos a ver um episódio do “ESPAÇO 1999”, noutras não ficaríamos admirados se “Buck Rogers” entrasse por uma porta com o seu Robot Twikie.

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Desde a permanente banda sonora em estilo disco-sound até ao estilo visual dos efeitos especiais onde as naves parecem autênticas maquetas filmadas por volta de 1976 ( embora sejam na verdade CGIs ); tudo em [“SPACE STATION 76”] tem um autenticidade que os fará estar constantemente a reconhecer e a apontar para coisas que vêem no ecran.
E já agora , “Dave Bowman” de “2001” também entra nisto para dar o toque que faltava em termos de referências obrigatórias para a época; onde também poderão vislumbrar uma pitada de “SILENT RUNNING“, só para dar alguns exemplos por entre muitos outros filmes da altura que encontrarão por aqui nos sítios mais inesperados.

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Se [“SPACE STATION 76”] pretende ser uma comédia, o estilo visual retro totalmente conseguido é definitivamente o seu melhor gag.
Uma piada permanente que percorre o filme do início ao fim e onde por detrás dos personagens está sempre alguma coisa para nos fazer recuar no tempo embora tenhamos a sensação de que o que tínhamos visto antes se calhar não era bem aquilo afinal.
Esta ideia de criarem um filme moderno totalmente filmado, fotografado e realizado como se fosse um produto dos anos 70 deve ser um dos conceitos mais divertidos e bem conseguidos nos últimos anos dentro da comédia espacial.
Então porque raio é que [“SPACE STATION 76”] é tão deprimente ?!

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Se alguma vez tentaram saber algo sobre este filme pela internet, devem ter reparado que  [“SPACE STATION 76”] é principalmente conhecido como sendo também uma das comédias mais tristes que alguma vez devem ter sido feitas; o que á primeira vista pode parecer um contra-senso. Mas não é.
Quando vocês virem o filme irão ficar a perceber perfeitamente não só o que eu quero dizer agora mas também tudo o que muita gente comenta no IMDb sobre esse estranho detalhe que por um lado arruina (?) o filme mas por outro lhe dá tanta identidade.

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Em [“SPACE STATION 76”] não só não existem personagens felizes nesta história, como principalmente tudo o que se passa ao redor da única criancinha que habita aquela estação espacial parece ainda contribuir mais para aquela aura de perpetua infelicidade permanente que liga todas as pessoas que aparecem neste filme.
Pode-se inclusivamente dizer que a infelicidade e a solidão são o principal motor desta história de ficção científica particularmente desconcertante.

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O que não deixa de ser um ponto de partida muito estranho para uma comédia.
É que nem sequer se pode dizer que [“SPACE STATION 76”] seja uma comédia negra…isto porque apesar de conter várias piadas muito bem integradas dentro do seu contexto muito peculiar estas não serão propriamente o típico gag de humor negro que esperamos encontrar pela frente.
Chamar-lhe comédia dramática também não serve, pois se [“SPACE STATION 76”] parece não ter a intenção permanente de tentar fazer-nos rir, também todo o contexto que rodeia cada um dos personagens não é suficientemente dramático para que possamos olhar para esta história como um drama.

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Isto porque quando acontece alguma coisa em [“SPACE STATION 76”] as situações que envolvem os personagens parecem tão absurdas que não conseguimos de todo deixar de rir dos seus dramas pessoais.
Por isso a melhor classificação para [“SPACE STATION 76”] será mesmo a de uma comédia triste precisamente porque nos deixa deprimidos nas situações que supostamente serão a parte cómica da história mas depois quase que nos dá vontade de rir ( fazendo sentirmo-nos culpados por isso ) quando entra por aquilo que será o coração dramático da vida de cada um dos habitantes da estação espacial.

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Portanto não é só pela genial envolvencia visual que [“SPACE STATION 76”] consegue atrair o espectador mas também pela própria ambiguidade dos personagens e das situações dramaticamente hilariantes presentes nas vidas vazias e extremamente tristes dos personagens.
A verdade é que [“SPACE STATION 76”] contém personagens que ficam connosco depois do filme acabar e ainda estou a tentar perceber como raio é que os criadores destes filme conseguiram fazer isto.
Até porque na sua essência [“SPACE STATION 76”] parece ser um vazio absoluto.

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A existir por aqui uma história será assim uma espécie de soap-opera telenovelistica e mais nada. É como se durante 90 minutos fossemos espectadores de uma espécie de episódio piloto para uma novela televisiva filmada a meio dos anos 70 que nunca terá ido para o ar.
[“SPACE STATION 76”] de uma ponta a outra mostra-nos apenas relatos episódicos sobre a vida, o vazio, a tristeza e a solidão de cada personagem como se fosse um verdadeiro primeiro episódio de uma coisa qualquer e no primeiro capítulo precisasse de estar durante noventa minutos a introduzir cada um dos personagens. Depois quando a história parece ir arrancar para uma direcção qualquer, o filme acaba.
The end.

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Por outro lado esta coisa acaba e ficamos com vontade de continuar a acompanhar aqueles personagens, pois têm qualquer coisa de cativante. Já revi este filme há mais de dois dias ( tinha detestado quando o vi há um par de anos pela primeira vez )  mas agora este pessoal espacial não me tem saído da cabeça. Talvez porque agora pude rever o filme já sabendo ao que ia e pude prestar-lhe a merecida atenção.
[“SPACE STATION 76”] é um daqueles filmes que apetece rever para reencontrar aquelas pessoas de que gostamos, um pouco como aconteceu no excelente “SAFE HAVEN” que quando acaba também deixa saudades na forma como ficamos a simpatizar com os personagens da história que acabamos de ver.

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O problema aqui é que, [“SPACE STATION 76”] como eu já referi nem tem história !
É que para lá das intrigas todas centralizadas ao redor da solidão, isolamento e tristeza profunda de cada habitante daquela estação não se passa mais nada neste filme.
E até essa parte é básica como o raio. 
No entanto, sabe-se lá como, [“SPACE STATION 76”] consegue criar não apenas um ou dois personagens memoráveis mas um grupo inteiro de pessoas que são realmente cativantes.

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Desde o capitão homossexual no armário com tendências suicidas porque sofre com saudades do namorado, passando pela nova oficial que nasceu a bordo de uma nave, nunca viu a Terra e não pode ter filhos; a loira bimba neurótica agarrada aos comprimidos, o mecânico romântico que cultiva marijuana e cujo o casamento está em crise, a Tiazorra hipocondríaca mais o seu marido tarado sexual que tem um caso com a loira bimba; até à miudinha que nunca teve amigos da sua idade para brincar e nem consegue ter um animal de estimação porque lhe morrem todos nas mãos, há por aqui em [“SPACE STATION 76”] qualquer coisa que faz com que toda esta gente crie uma enorme empatia com o espectador.

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Mesmo que racionalmente decidamos quando o filme acaba que detestamos esta coisa, o facto é que depois há por aqui algo de especial que faz com que nos apeteça até rever este título mais tarde. E se o fizerem, posso apostar que lhes irá acontecer o mesmo que me aconteceu agora a mim e irão começar a gostar muito de [“SPACE STATION 76”] sem saberem bem porquê…

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Talvez porque [“SPACE STATION 76”] tem alguns dos diálogos mais divertidos dos últimos tempos e não deixa de ser muito estranho que a maior parte do tempo não nos apercebamos logo disso; porque a maioria dos diálogos mais hilariantes estão situados dentro de contextos absolutamente tristes e deprimentes durante o tempo todo !
Há por aqui um filme absolutamente hilariante a querer despontar a cada linha de diálogo e (excelentes) interpretações inesperadas deste grupo de actores, mas depois quase que [“SPACE STATION 76”] nos faz sentir culpados porque se calhar por um breve segundo nos apeteceu rir à parva das desgraças emocionais e vidas vazias que este argumento nos apresenta.
Se calhar será esta a genialidade do seu humor.

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Isto porque como já alguém bem comentou também, [“SPACE STATION 76”] será mais uma espécie de filme-de-autor do que propriamente um produto mainstream.
Mesmo para lá do seu baixo orçamento, há por aqui qualquer coisa de verdadeiramente experimental; apesar do tom ligeiro no que toca à realização e se calhar será isso que tanto desconcerta o espectador quando este filme lhe cai em cima pela primeira vez pensando que vai ver um tipo de cinema e afinal depara-se com algo para o qual não há propriamente uma classificação que seja minimamente apropriada.
Porque [“SPACE STATION 76”] será até um título de ficção científica obrigatório para toda a gente que se queixa de já não haver cinema original.

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No entanto, avancem com cautela. O filme não tem absolutamente nada a ver com o tipo de humor que o trailer parece indicar que irá ser. Aliás, quase todas as melhores piadas estão no trailer. 
A apresentação deste filme engana por completo, pois se pensam que irão ver mais qualquer desenvolvimento do que aquilo que encontram no trailer, esqueçam.
A história de [“SPACE STATION 76”] não tem absolutamente mais nada.
E não é de todo a comédia que aparenta ser.
Embora como eu já referi, contenha um par de diálogos clássicos, personagens a condizer e onde toda a gente fuma como cavalos pois afinal estávamos nos 70s e essa coisa do tabaco fazer mal à saúde ainda não tinha sido inventada.

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As cenas com os robots que habitam a estação também são de antologia, principalmente pelo contraste entre o seu aspecto de brinquedo típico da altura e os tripulantes humanos. O robot psiquiatra é particularmente genial.
Há portanto algures por aqui um estranho equilíbrio entre um filme sem graça e uma sátira hilariante e  sendo assim recomendo que o espreitem pelo menos uma vez.
Ou duas…

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Isto porque estranhamente, fica-se a gostar muito mais de [“SPACE STATION 76”] numa segunda vez; talvez porque irão ficar tão desconcertados com este filme quando o tentarem ver à primeira, pensando ser uma coisa que não é. 
De qualquer forma, [“SPACE STATION 76”] é estranhamente hipnótico e recomenda-se.
Se viveram a ficção dos anos 70 então será um título obrigatório mesmo.

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CLASSIFICAÇÃO

Inicialmente estava a pensar atribuir-lhe apenas Três Planetas Saturno, mas a verdade é que [“SPACE STATION 76”] deve ser melhor do que eu pensava pois aqueles personagens não me saiem da cabeça e chego à conclusão de que gostaria de ter mais episódios desta “série” de ficção científica dos anos 70 para ver com este pessoal.

Quatro Planetas Saturno


   

Pela originalidade, por reproduzir tão bem um certo ambiente genuinamente 70s onde toda a gente parece vestir-se como num mau porno da época e pela forma como acerta em cheio no tipo de efeitos especiais. Mas acima de tudo porque ficamos a gostar muito de toda aquela gente estranha sabe-se lá como.

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A favor: o visual dos cenários, a estética dos efeitos especiais, o guarda roupa totalmente genuíno, a banda sonora disco, os personagens cativantes, muito diálogos são do melhor, a originalidade do conceito.

Contra: não se passa nada no filme além de intrigas de cordel em estilo telenovela do pior durante a história toda, acaba rápido demais como se a piada se tivesse esgotado e os criadores não soubessem o que mais fazer com o conceito depois de estabelecer tão bem todos os personagens, ainda não percebi se o filme tem graça ou não…mas quem é que se terá lembrado de fazer uma comédia tão triste quanto esta ?

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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COMPRAR DVD – REGIÃO 2 – EDIÇÃO UK

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt2369317

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“FIRE IN THE SKY” (“FIRE IN THE SKY : THE TRAVIS WALTON ABDUCTION”) Robert Lieberman (1993) EUA

Se a famosa “Autópsia de Roswell” tão bem retratada e desmontada no filme “ALIEN AUTOPSY” for o exemplo do caso mais … ehm…dúbio ligado à temática de ovniologia nos últimos anos, então a história do desaparecimento de Travis Walton em 1975, abduzido por algo que poderá não ser deste mundo é precisamente o melhor exemplo do oposto.
O filme [“FIRE IN THE SKY”] relata o que ocorreu décadas atrás a um grupo de lenhadores que se viram confrontados com algo inesperado ao fim do dia e que lhes mudou as vidas para sempre quando um deles, Travis desapareceu durante dias a fio após um incidente envolvendo a observação de um objecto voador não identificado.

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Estes temas normalmente estão mergulhados em tanta palha imbecil que se torna por vezes impossível discuti-los com a seriedade que merecem porque o que não faltam por aí são auto-proclamados cépticos, que na verdade não passam apenas de debunkers ; mas que atiram certezas absolutas para o ar como se conhecessem minimamente algo sobre os casos que atacam. Os tais que exigem investigações cientificamente credíveis ou sérias sobre tudo argumentando que não há nada para dizer sobre o tema porque este não passa apenas de fantasia para cinema.

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No entanto quando essas investigações aparecem depois são prontamente classificadas como inconsequentes; não apenas porque os tais cépticos não as vêem nos telejornais mas principalmente porque estas não podem existir na sua opinião e como tal o que quer que apareça nunca será válido aos seus olhos independentemente do resultado obtido. Afinal se estas coisas não existem não podem haver estudos e conclusões científicas sobre os mesmos. Mesmo que existam. Não podem existir.
Estes são os tais que naturalmente nunca se dão sequer ao trabalho de procurar informação aprofundada sobre os assuntos para lá das opiniões mainstream redutoras e por vezes absolutamente imbecis que andam por aí em sites de debunking antes de abrirem a boca emitindo certezas absolutas .

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O caso retratado por [“FIRE IN THE SKY”] para quem não conhece é simplesmente a ocorrência mais bem investigada da história das chamadas human/alien abductions; Travis Walton e amigos foram durante mais de três décadas já sujeitos a todos os tipos de testes, detectores de mentiras, análises científicas e tudo o mais que possam imaginar tendo passado em todas as tentativas para que o caso fosse desmistificado; ao contrário do que possam ler sobre o assunto nos sites de debunking. Inclusivamente chegaram mesmo a recusar subornos para desmentir toda a história.
Se existe um caso que qualquer pessoa poderá conhecer a fundo para lá da palha céptica , acusatóriamente falsa e plenamente desmontada que infesta a internet hoje em dia, é este. 
Como tal seria inevitável que uma história assim chegasse mais cedo ou mais tarde ao grande ecran.

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O problema é que quando estas temáticas são retratadas pelo cinema a coisa se agrava ainda mais pois é quase certo que Hollywood em particular fará tudo para exagerar o mais mínimo pormenor de qualquer história contribuindo assim apenas com mais palha e munição para que aqueles cépticos, que ainda não perceberam que são os casos reais que introduziram as ideias nos filmes e não o cinema que criou fantasias na cabeça das pessoas, continuem a atirar certezas racionais para o ar como se fossem demonstrações concretas absolutas da sua opinião pessoal.
Quando [“FIRE IN THE SKY”] entrou em produção parecia que finalmente viria aí uma lufada de ar fresco no panorama cinematográfico sobre ovnis pois este filme foi inicialmente publicitado como pretendendo ser uma representação fidedigna do relato dos intervenientes originais no caso.

QUASE BASEADO NUM CASO REAL

[“FIRE IN THE SKY”] conta a história de um grupo de trabalhadores florestais que em 1975 ao terminarem um dia de trabalho nas montanhas deparam-se ao regressar com um objecto voador não identificado.

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Quando um dos homens Travis Walton, resolve sair do carro para investigar mais de perto é apanhado por uma onda de choque que o deixa inconsciente embora os seus colegas tenham pensado que estaria morto.  Mal o viram ser elevado pelo ar e atirado contra o chão entraram em pânico arrancando montanha abaixo abandonando Travis à sua sorte.
Poucos minutos depois regressam ao local para resgatar o companheiro mas este já não se encontrava no local e portanto a única coisa que puderam fazer foi regressar a casa e dar Travis Walton como desaparecido; o que deu origem a um sem número de acusações de assassinato, pois nos dias que se seguiram nem Walton aparecia vivo nem qualquer corpo seria encontrado pelas equipas de busca.

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[“FIRE IN THE SKY”] é por isso o relato de tudo o que sucedeu àqueles homens que ficaram para trás, mas deveria ter sido também a reprodução fiel do que aconteceu a Travis Walton nos cinco dias em que esteve desaparecido quando ao regressar teve uma história por demais extraordinária para contar. Só que [“FIRE IN THE SKY”] é no entanto um filme ambíguo por vários motivos.

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Se por um lado faz um trabalho notável na forma como condensa perfeitamente tudo o que aconteceu na cidade a quando da notícia do desaparecimento de Walton, tornando-se quase num excelente documentário ficcionado por direito próprio; por outro no que toca à representação daquilo que terá ocorrido ao lenhador abduzido durante os cinco dias em que ele esteve desaparecido, [“FIRE IN THE SKY”] não podia ter feito pior.
O que Hollywood inventou neste filme para muita gente continua a ser absolutamente inaceitável, especialmente quando [“FIRE IN THE SKY”]  mantém o subtítulo: “baseado num caso real”.

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Isto porque nada do que o filme mostra com respeito à sequência em que Travis Walton acorda a bordo do objecto voador não identificado deparando-se pela frente com alguns dos seus tripulantes, tem qualquer coisa a ver com o verdadeiro relato que Walton fez quando regressou da sua inesperada aventura.
Portanto ficam desde já a saber que todas as sequências de terror absoluto que poderão encontrar neste filme quando a história mostra o que Travis Walton teve de enfrentar a bordo daquele veículo alienígena não tem absolutamente nada a ver com o que este relatou na realidade ao reaparecer cinco dias depois de ter sumido.

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DOCUMENTAL

[“FIRE IN THE SKY”] por outro lado é bastante elogiado pela forma como mostra o que aconteceu aos amigos de Walton que ao regressarem foram acusados de o ter assassinado e estiveram a um passo de ir parar à cadeia. 
É raro encontrarmos em Hollywood uma reprodução tão fiel quanto esta quando uma história nos é apresentada como estando baseada num caso real mas neste aspecto toda a envolvência dos acontecimentos passados na cidade; as acusações das famílias, os dias de buscas intensas, os interrogatórios policiais e principalmente a reprodução dos primeiros testes de polígrafo segundo os verdadeiros intervenientes pouco diferem do que realmente lhes aconteceu naqueles dias.

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Nesses segmentos o que foi alterado foram apenas alguns personagens, pois na realidade o caso Travis Walton teve a intervenção directa de tanta gente na época ( e tantas autoridades ) que seria quase impossível colocar todos o verdadeiros intervenientes no filme; por isso os argumentistas condensaram algumas pessoas num único personagem embora mantendo traços da personalidade dos originais. Temos assim um investigador federal interpretado por James Garner por exemplo, que na realidade é uma composição de dois ou três agentes que interrogaram exaustivamente os jovens lenhadores pois a pressão real até foi muito superior à que se vê representada no filme.

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[“FIRE IN THE SKY”] fez o mesmo com outros tantos personagens e condensou também um par de situações num único evento necessário para o contexto dramático da história, mas essencialmente deixou tudo perfeitamente intacto no que toca à representação daquilo que se terá passado do lado dos jovens que foram acusados tanto pela cidade como pelas autoridades de terem assassinado o colega naquela noite.
Inclusivamente as sequências envolvendo o detector de mentiras parece que estão particularmente fieis e muito bem representadas, não só a nível de recriação de ambiente como principalmente em relação à próprias perguntas e ao que foi dito e registado na altura pelos técnicos do FBI.

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ENCONTRO IMEDIATO

O problema é que [“FIRE IN THE SKY”] depois quando se trata de reproduzir o relato de Travis Walton sobre aquilo que se terá passado ao acordar a bordo na nave não identificada não tem absolutamente NADA a ver com o que o homem contou e continua a narrar há quarenta anos.
Tudo o que podem ver nas sequências passadas a bordo do OVNI neste filme foi pura e simplesmente inventado por Hollywood e não tem um pingo de fiabilidade quando comparado com o que foi descrito originalmente pelo verdadeiro protagonista da situação.

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A fantasia é tão grave e as alterações nessa parte da história foram tantas, que inclusivamente o realizador e o argumentista do filme a quando da estreia emitiram um comunicado à imprensa; dirigido também à comunidade de investigação ovniológica a desmarcar-se do resultado final.
Nele pediram imensa desculpa por não terem podido representar o que Travis Walton realmente descreveu; revelando que todas essas cenas novas foram imposições do próprio estúdio em Hollywood, não foram incluidas por vontade dos criadores do filme e muito menos foram aprovadas pelos intervenientes do caso real.

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Especialmente quando a intenção inicial do projecto, tinha sido a de tentar reproduzir o relato original da forma mais documental possível de modo a que o filme pudesse ser visto não como mais uma fantasia ovniológica mas como uma boa recriação do melhor caso do género alguma vez documentado.
Só que Hollywood tinha outras ideias.

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Hollywood viu em [“FIRE IN THE SKY”] a oportunidade criar um filme de terror ( até um franchising ) e como tal ordenou que o argumento fosse re-escrito para que todas as cenas a bordo da nave espacial passassem a ser o mais arrepiantes possível.  Inclusivamente todo o design dessas sequências foi então concebido para tornar a experiência do espectador em algo visceral, perturbante e impressionante.

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Por um lado, é inegável que [“FIRE IN THE SKY”] enquanto história de arrepiar a partir do momento em que Travis Walton acorda rodeado por aliens grey tem momentos verdadeiramente assustadores muito graças ao trabalho do realizador que deu o seu melhor para as sequências funcionarem; só que por outro… lá se foi a atmosfera de excelente reprodução fiel daquele que é simplesmente o caso de human abduction mais bem estudado e melhor fundamentado da história da ovniologia moderna.

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Na verdade se pensarmos no aspecto comercial da coisa, [“FIRE IN THE SKY”] vendeu certamente muitos mais bilhetes ao mostrar um par de aliens grey absolutamente assustadores habitando um estranho ovni semi-orgânico onde tudo parece podre, doentio, mal cheiroso e decadente a um nível próximo do inferno mostrado mais tarde também em “EVENT HORIZON” do que se o filme tivesse permanecido como sendo uma exacta reprodução quase documental do que realmente se terá passado com Walton a bordo da eventual nave alienígena; e que na realidade não poderia ter sido mais diferente.

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TRAVIS WALTON

Tão diferente que se tivesse sido mostrada no filme como terá realmente ocorrido Hollywood não teria tido qualquer hipótese de comercializar um thriller de terror com ambiente ovniológico; isto porque pura e simplesmente o que se passou com Travis Walton a bordo do sitio para onde terá sido levado não poderia ter sido mais oposto e até pacífico.
Embora o tenha assustado de morte pela própria desorientação em que se encontrou, Travis Walton não acordou prisioneiro, a bordo de um disco voador repulsivo cheio de cadáveres humanos putrefactos por todo o lado, não foi torturado amarrado a uma mesa e penetrado por instrumentos de tortura horríveis nem foi perseguido por aliens grey com aspecto decadente ou de atitude psicopata animalesca da forma que aparece no filme.

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O verdadeiro Travis Walton terá sim, acordado numa sala desprovida de muitos detalhes e quando vagueava pelo interior do veículo que parecia deserto após um breve encontro assustador de carácter mais alienígena, terá dado de caras com um par de seres de aspecto perfeitamente humano envergando inclusivamente uniformes que o retiraram da nave em questão, tendo sido esse o momento em que Walton percebeu que se encontrava a bordo de uma espécie de hangar onde estariam estacionados outros tipos de veículos semelhantes aquele onde ele foi abduzido.
Ao tentar compreender o que se passava foi-lhe colocado uma máscara de gás na cara e quando acordou estava na beira de uma estrada sem fazer a mínima ideia de que se tinham passado vários dias desde que tinha saído do carro nas montanhas para observar o objecto voador anómalo.

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Partindo do príncipio que este caso é real como indicam dezenas de anos de testes, estudos oficiais e documentação legítima sobre o evento, o que se terá passado aqui terá sido mais um salvamento do que um verdadeiro caso de abdução humana no estilo mais típico.
O facto de Walton ter sido deixado inanimado pelos seus amigos a quando do choque inicial ao colocar-se por debaixo do veículo quando este pairava sobre a clareira na floresta, terá sido o motivo porque foi recolhido pelos seus ocupantes que o terão inclusivamente tratado e quando Travis finalmente acordou sem fazer ideia de que se tinha passado tanto tempo, foi simplesmente retirado do local sem explicação e devolvido à comunidade.

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Ora como podem ver, isto não será propriamente material que entusiasmasse qualquer estúdio de Hollywood e portanto quando os executivos perceberam que os criadores do filme pretendiam realmente manter-se fieis ao caso, tentando criar um relato exacto do que se teria passado, ordenaram que a produção mudasse de rumo e passasse a incluir a sequência realmente inesquecivel a bordo do ovni pelo qual este filme ficou conhecido.

A INVASÃO DOS DENTISTAS ESPACIAIS

O que comercialmente não poderia ter resultado melhor, pois [“FIRE IN THE SKY”] não só é na verdade outro dos melhores thrillers ovniológicos que sairam de Hollywood talvez desde “Close Encounters” como acabou por ter bastante sucesso nas bilheteiras e entrado merecidamente para a lista de filmes de culto.
Até o excelente “ALIEN ABDUCTION” ter aparecido recentemente, a sequência de tortura relativa ao exame médico envolvendo uma boa quantidade de intrumentos alienígenas arrepiantes em [“FIRE IN THE SKY”] foi a cena mais assustadora do género e continua a ser bastante divertida nessa perspectiva.
Por um lado isto chateia-me como o raio terem “estragado” por completo o relato original de Travis Walton, mas por outro percebo que enquanto thriller de temática ovniológica [“FIRE IN THE SKY”]  resultou bastante bem pois apesar de tudo tornou-se memorável também precisamente por causa das originais e repulsivas cenas a bordo do ovni e onde Hollywood saiu-se com a ideia de transformar todas as cenas de tortura com Walton numa espécie de consulta dentária passada no inferno. Que resultaram muito bem, diga-se de passagem…

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Quem não ficou nada satisfeito com isto na altura foram Travis Walton e companheiros, pois o sucesso do filme  ainda lhes causou ainda mais problemas de credibilidade junto dos debunkers de sofá; pois muitos como naturalmente nem se deram ao trabalho de conhecer o caso antes de opinarem certezas racionais absolutas até pensaram que o que aparece no filme fez parte do relato real.
Ainda por cima Walton por contrato foi obrigado a participar nas campanhas promocionais do filme o que lhe causou alguns dissabores porque de repente se viu na obrigação de “validar” uma história que não teve absolutamente nada a ver com o que se encontrou na realidade.

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UM FOGO NO CÉU

Na verdade do nosso ponto de vista enquanto espectadores que conhecemos muito bem o caso original,  é tudo uma questão de pensarmos se gostariamos que [“FIRE IN THE SKY”] tivesse sido a excelente reprodução do caso real que parecia e prometia ser, ou se preferimos a versão de terror ovniológico em que foi transformado.
Torna-se difícil escolher…
É que para complicar as coisas, mesmo essas sequências estão realmente muito bem executadas dentro do seu contexto de tortura odontológica e é verdade que a história ganha uma nova energia que equilibra muito bem depois todas as cenas passadas na cidade.
Por outro lado, enquanto interessado por este caso e conhecendo-o profundamente como eu o conheço na verdade gostaria que existisse por aí algures uma versão alternativa em que tudo o que Travis Walton conta tivesse sido reproduzido tão fielmente como [“FIRE IN THE SKY”] reproduz tudo o que aconteceu aos seus amigos quando foram quase parar à cadeia por alegadamente o terem morto naquela noite.

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No entanto [“FIRE IN THE SKY”] continua depois destes anos todos a ser um bom filme de ficção-científica. Apesar de já contar com quase 25 anos em cima este é outro título que não envelheceu de todo e a par com “EVENT HORIZON” em termos de cinema-de-terror envolvendo temáticas espaciais é outro dos grandes filmes dos anos 90 dentro do género sem sombra de dúvida ( e se calhar um dos mais esquecidos aqui em Portugal ).
Não só a história é muito boa, a parte real do caso está mesmo bem retratada como depois conta ainda com um elenco excelente onde se destacam James Garner no papel do ameaçador mas simpatético investigador federal e Robert “Terminator2” Patrick como “Mike Rogers”, o grande amigo de Travis Walton.

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E já agora prestem atenção pois poderão encontrar por ali também, Henry “ET” Thomas agora mais crescido desde os tempos com o clássico de Spielberg mas aqui num papel secundário sólido.
Todo o elenco é tão bom quanto depois é a direcção de actores, a realização, os efeitos e tudo o mais que envolve [“FIRE IN THE SKY”] e como tal apesar de tudo é mais um filme que ser recomenda vivamente.
E já agora, NÃO DEIXEM DE OUVIR a entrevista fabulosa com os verdadeiros protagonistas do caso, onde se compara cena a cena aquilo que o filme mostra com o que terá ocorrido na realidade.

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CLASSIFICAÇÃO

[“FIRE IN THE SKY”] apesar de num certo contexto falhar por completo naquilo que seria uma das coisas mais importantes na adaptação para cinema deste caso e que seria precisamente o de reproduzir o que se terá passado de verdade com Travis Walton, não deixa de ser um título muito competente, com muito carisma, cheio de personagens excelentes, muito bem realizado e que irá agradar certamente a todos aqueles que adoram cinema sobre objectos voadores não identificados.

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Só não leva um Gold Award porque a intromissão de Hollywood no argumento original dentro de um certo contexto mais factual é absolutamente indesculpável.

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A favor: a reprodução quase exacta do que se passou na comunidade ao redor dos homens acusados de assassinarem Travis Walton quando este esteve desaparecido, o elenco e os personagens, a atmosfera geral da história, apesar de tudo as cenas nojentas dentro do ovni são de antologia e percebe-se porque se tornaram clássicas no cinema do género.

Contra: tudo o que o filme relata como se tendo passado com Travis Walton quando acorda a bordo da nave alienígena não tem absolutamente NADA a ver com o relato que este apresentou ás autoridades quando regressou. Toda esta sequência foi inventada por Hollywood quando resolveu transformar [“FIRE IN THE SKY”] num título de terror em vez de respeitar o compromisso original deste ser apenas um bom relato documental do que realmente se teria passado.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER 1

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TRAILER 2

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O filme ainda não existe em Bluray na região B e a sua edição dvd está cada vez mais rara e cara.

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ENTREVISTA A NÃO PERDEREM COM OS PROTAGONISTAS REAIS DO CASO
Onde se compara o filme com o relato dos protagonistas e se discute todas as provas ao redor do acontecimento, etc.

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TRAVIS WALTON comenta tudo o que está errado com o filme e detalha a experiência.


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STANTON FRIEDMAN
Para quem ainda acha que não existem provas científicas sobre nada (porque não aparecem no telejornal) ou para quem pensa que não existem cientistas de verdade ligados a estas temáticas.

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IMDb

http://www.imdb.com/title/tt0106912

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“O ENIGMA DO HORIZONTE” (“EVENT HORIZON”) Paul W.S. Anderson (INGLATERRA / EUA ) 1997

Aconteceu a [“EVENT HORIZON”] precisamente o mesmo que depois se passou em relação a dois outros extraordinários filmes de ficção-científica;  “SKY CAPTAIN & THE WORLD OF TOMORROW” e “JOHN CARTER”.
Nem as audiências nem a crítica tiveram a memória cinéfila necessária para apreciar este filme pela quantidade de referências fantásticas que contêm e como tal [“EVENT HORIZON”] apesar de não ter sido propriamente trucidado acabou por ser desprezado ou posto de lado porque ninguém sabia bem o que pensar sobre esta aventura espacial.

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O filme surgiu numa altura em que o cinema pipoca estava a começar a entrar na sua pior fase comercial que culminou na banalização braindead em que este se encontra actualmente e como tal já começava a não existir espaço para filmes verdadeiramente únicos; no sentido em que não serviriam para gerar sequelas our franchisings.
[EVENT HORIZON] propunha uma aventura espacial isolada, um filme assente no mistério e na exploração do desconhecido nos melhores moldes de um romance de ficção científica para adultos ( com um elenco adulto ) quando o mercado de Hollywood já se preparava para começar a produzir e comercializar essencialmente comics para adolescentes em estética video game.

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[“EVENT HORIZON”] apareceu a remar contra a maré numa altura em que a corrente estava a mudar para pior e como resultado disso nem o próprio estúdio americano que bancou este projecto inglês soube muito bem como o publicitar nem as novas audiências estavam preparadas para voltar atrás no tempo e apreciar um filme de ficção científica pelas ideias que apresentou.
Ainda por cima o que Paul W. Anderson lhes entregou não foi de todo a aventura no espaço que o estudio pensava ter encomendado; isto porque apesar de [“EVENT HORIZON”] parecer um produto moderno já assente na quantidade de efeitos especiais que o mercado do milho começava a exigir, por debaixo da pirotécnia continuou essencialmente a ser cinema de terror realizado à moda antiga.

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[“EVENT HORIZON”] é aquele tipo de filme que ganha imenso com a cultura pop que o espectador possa ter sobre toda o histórial do próprio género; é um conto de ficção científica adulto para um público de cinema de terror que conhece o que gosta de ver e dá valor ao seu historial.
Por causa disso, por ser essencialmente ainda aquele tipo de cinema pensado para um certo nicho temático, [“EVENT HORIZON”] viu-se da perspectiva do estúdio que o bancou, numa espécie de limbo comercial.

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Como refere o realizador, isto porque também [“EVENT HORIZON”] nunca se preocupou muito em agradar às massas genéricas de espectadores de multiplex e por isso á semelhança de ” SKY CAPTAIN & THE WORLD OF TOMORROW” também [“EVENT HORIZON”] acabou por não se encaixar comercialmente em lado nenhum.
[“EVENT HORIZON”] enquanto conceito é uma homenagem não só a tudo o que de bom foi criado dentro do cinema de terror pelo menos trinta anos para trás, como principalmente pretende ser um filme sobre casas assombradas; se calhar até uma história como não se via desde “THE CHANGELING”.
Apenas é passado no espaço.
Numa nave fantasma.

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THE HAUNTING

Uma nave assombrada mergulhada numa permanente neblina; que não só foi uma homenagem àquele tipo de atmosfera clássica para histórias de casas de fantasmas como principalmente é uma referência directa a um dos melhores filmes de todos os tempos dentro do género;  “THE HAUNTING” realizado por Robert Wise em 1963 que essencialmente definiu e modernizou todos os clichés deste tipo de horror que conhecemos actualmente, sendo inclusivamente ainda hoje uma das melhores histórias de fantasmas de todos os tempos.
E das mais assustadoras também.

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[“EVENT HORIZON”] foi muito comparado pelas novas gerações de críticos a “HELLRAISER” apenas porque o filme de Clive Barker tinha aparecido anos antes tendo inovado graficamente o cinema de terror gore e tornado-se bastante popular em termos de estética de horror, mas como diz Paul Anderson no making of e no comentário audio, o que [“EVENT HORIZON”] pretende ser na sua essência é realmente um “THE HAUNTING” moderno e quem conhece o filme original irá reconhecer a pilha de referências ao filme de Robert Wise que aparecem nesta versão espacial ao longo do filme inteiro; do ínicio ao fim.

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Não só [“EVENT HORIZON”] sabe criar um clima de terror inicial não pelo que nos mostra mas por aquilo que nos faz imaginar que irá mostrar, como também reproduz literalmente alguns dos enquadramentos ( e a própria montagem ) de “THE HAUNTING” que tinham sido inovados por Robert Wise em 1963.
Até muitos dos sustos iniciais que [“EVENT HORIZON”] nos prega são encenados sem qualquer som ALTO ao contrário do que se tornou habitual em Hollywood junto do cinema moderno de pseudo-terror para teens.

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Paul Anderson encenou-os criando um clima de medo prévio baseado no enigma que centraliza a história e que depois culmina numa montagem inesperadamente simples fazendo-nos saltar da cadeira na mesma sem precisar de muletas artificiais para ser arrepiantemente eficaz.
Anderson não insere qualquer música “assustadora” nessas alturas e como tal não avisa as audiências de que algo muito creepy estará para acontecer; ao contrário do cliché moderno onde a música avisa logo que vem aí o susto com som ALTO do costume para as teenagers  darem gritinhos nas salas de cinema de centro comercial.
Aqui o medo permanece quando o susto termina e é também por isso que este filme é tão bom.

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Como se isso não bastasse, nem sequer falta em [“EVENT HORIZON”] a famosa sequência em que a entidade que assombra a casa bate assustadoramente na porta de forma sucessiva como a pretender entrar à força no quarto onde os protagonistas se encontram aterrorizados e que tão eficaz foi  no clássico de casa assombrada de Robert Wise.
[“EVENT HORIZON”] vai inclusivamente ao ponto de utilizar o mesmo som usado tantos anos atrás em “THE HAUNTING”; referência que terá passado ao lado de muita gente mas que no entanto contribui para a enorme camada de texturas que este filme apresenta para quem conhece o género.

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THE BLACK HOLE

A segunda grande inspiração para [“EVENT HORIZON”] também parece ter passado despercebida na altura mas foi desde o início aquilo que logo me atraiu para este filme mal tinha começado.
[“EVENT HORIZON”] é essencialmente um remake não assumido de “THE BLACK HOLE”.
Durante anos eu sempre tive essa impressão mas na verdade não passava apenas isso, até que recentemente no comentário audio de Paul Anderson apareceu a confirmação.
O facto de [“EVENT HORIZON”] fazer lembrar “THE BLACK HOLE” não é uma coincidência e como ele diz para todos os efeitos este filme (não) é um remake do filme da Disney.

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Até porque para efeitos de copyright não pode ser classificado como tal; mas como refere o realizador, esta história foi essencialmente uma reacção à decepção que também ele próprio sentiu em puto no cinema, quando “THE BLACK HOLE” começou daquela forma fabulosamente misteriosa prometendo um filme de casa assombrada no espaço mas depois se transformou num plágio de “20.000 LÉGUAS SUBMARINAS” tentando cruzar-se com “STAR WARS” à força, de forma infantil.

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[“EVENT HORIZON”] é por isso aquele “THE BLACK HOLE” que todos nós gostaríamos de ter visto desde o primeiro minuto, quando o filme da Disney em 1979 surgiu no grande ecran ao som daquela banda sonora assombrosamente assustadora e desconfortável, mas  depois se tornou essencialmente numa aventura para crianças passada no espaço em tom de ficção cientifica ingénua.
Uma aventura para a família ao pior estilo da época mas mais apropriada para um público nos anos 50 do que para aparecer num produto que a Disney tentava na altura cozinhar para competir com “STAR WARS”.

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Não só [“EVENT HORIZON”] começa da mesma maneira, como continua o aspecto misterioso da história onde “THE BLACK HOLE” parou.
Científicamente, assenta essencialmente numa modernização de tudo o que se pensa saber sobre os buracos negros e a física que estará na sua base.
Como tal em termos de história procura o mesmo tom que por vezes se vislumbrou “no  The Black Hole original” mas que rapidamente foi substituído pelos piores clichés Disney.
[“EVENT HORIZON”] foi precisamente na direcção oposta.

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LIBERATE TUTAME EX INFERIS

Segundo Anderson uma das razões porque [“EVENT HORIZON”] também foi um bocado deixado à sua sorte pelo próprio estúdio que o bancou, teve a ver com o facto de que este afinal era um filme que não só metia medo (e portanto estaria limitado comercialmente ao público adulto), mas que ainda por cima mesmo dentro desse nicho de público iria sofrer nova divisão; especialmente no mercado americano mais sensível.
Isto porque para lá de ser um filme de terror clássico [“EVENT HORIZON”] ao mesmo tempo apresentou-se como um filme de terror gore; uma espécie de “EVIL DEAD” no espaço com uma estética algo “HELLRAISER” e que ainda por cima esticou esse tipo de horror visceral a limites que os próprios executivos do estúdio nem queriam acreditar !

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Actualmente com a quantidade de filmes gore sobre tortura e violência gratuita que anda por todo o lado se calhar [“EVENT HORIZON”] até parece inocente mas na altura nunca se tinha visto nada assim.
Nunca se tinha visto e nós não vimos !

Porque o que nós os espectadores vimos foi essencialmente a versão censurada e muito, muito atenuada do que Paul W Anderson filmou.
Durante estas duas décadas houve inúmeros rumores sobre o verdadeiro cut do filme. Imensas lendas urbanas referiam a existência de uma montagem inicial que envolvia um bom número de cenas de tortura absolutamente repulsivas que tinham enojado tanto quem as viu em Hollywood que Anderson teria sido obrigado a cortar tudo aquilo da versão para as salas.

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Coisa que se confirma na edição especial que já existe em Dvd.
[“EVENT HORIZON”] na sua montagem comercial que conhecemos, contém inúmeros fragmentos de todas as cenas de tortura passadas no inferno que foram realmente filmadas mas estes aparecem tão rapidamente no ecran como sendo visões relâmpago que a menos que se faça pausa no dvd Frame a Frame nunca iremos perceber bem a extensão dos horrores que a equipa de produção encenou para essas sequências e que acabaram por ficar de fora, ou encurtadas ao extremo para a versão que hoje conhecemos.
Estéticamente e conceptualmente foram baseadas na pintura clássica de Hieronymus Bosh quando o pintor tentou representar precisamente o Inferno com cada uma das suas torturas, no seu quadro famoso.
As imagens que se seguem, são exemplos do pouco que se conhece daquilo que estaria no filme se pudéssemos ter visto a sequência do Inferno intacta.
E segundo consta, o que ainda está guardado é muito mais extremo.

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Algumas das imagens acima apenas aparecem no filme por décimos de segundo como frames estáticos e pouco mais.
Pessoalmente penso que [“EVENT HORIZON”] funciona bem na mesma da forma como está pois não precisa dessas cenas para continuar a ter um ambiente realmente assustador; mas por outro lado percebo o ponto de vista dos criadores do filme quando dizem que o próprio conceito religioso desta aventura no espaço pedia que as cenas passadas no Inferno tivessem sido realmente incluídas de forma mais explícita.
Até para dar ainda mais impacto quando a história passa de ser um conto de casa assombrada no espaço para um crescente de terror físico visceral mal a nave espacial assume o papel de porta inter-dimensional para aquilo que nós interpretamos religiosamente como sendo o nosso Inferno.

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Portanto se [“EVENT HORIZON”] já funciona bem como cinema sobrenatural no primeiro acto, se calhar também teria a ganhar se na segunda metade pudesse ter enveredado pelo conceito original. Nunca o saberemos, a não ser que Paul W Anderson um dia destes consiga restaurar as sequências num Directors Cut que muita gente pede à vários anos; até porque consta que há por ali muito horror visceral demasiado nojento para ser mostrado guardado num cofre da produtora.

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GAME OVER MAN !

Assim como está [“EVENT HORIZON”] continua no entanto a ser um espectáculo.
Não só o filme está extremamente bem realizado no que toca à forma como usa as inúmeras referências que muitas vezes são apenas uma breve homenagem estética que passará despercebida num segundo se não estiverem atentos, como ainda por cima tem um dos melhores grupos de personagens reunidos para este tipo de história desde “ALIEN” ou “ALIENS“.

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Aliás, inicialmente desprezado por se assemelhar demasiado ao tipo de universo que vimos no filme de Ridley Scott, [“EVENT HORIZON”] actualmente já tem sido mencionado de forma extremamente positiva pela maneira como conseguiu também construir os seus personagens sem que estes parecessem cópias do que quer que seja.

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E depois é um filme sem um herói definido. Coisa que muito baralhou o estúdio em Hollywood e que resultou num falhanço total junto das audiências de teste americanas ( esse conceito horroroso gringo ) que na altura detestaram [“EVENT HORIZON”] porque não se percebia quem era o mau ou o bom.
Ora este pormenor é precisamente outra das melhores coisas nesta história de terror.
A forma como pega nos personagens e os inverte ao ponto de a partir de certa altura já não termos bem a certeza de quem morre o quem ficará vivo é algo muito bem conseguido; o que para um filme que parecia totalmente formulático à partida e teria sido 100% assim por vontade do estúdio, afinal não estará mal de todo não senhor…

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Por causa disto, [“EVENT HORIZON”] é actualmente considerado por muita gente como sendo um título tão bom quanto o primeiro “ALIEN”; não só pela realização, como pela dinâmica entre personagens, pela forma como nos consegue transportar para um universo semelhante com uma atmosfera totalmente credível e onde nem sequer foi preciso recorrer a monstros espaciais no estilo “Alien” com baba viscosa para que a aventura funcionasse plenamente.

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[“EVENT HORIZON”] não faz muito daquilo que esperamos ( mesmo quando parece fazê-lo ) e por causa disso é que tem ganho cada vez mais reputação ao longo destes anos todos como sendo uma das propostas mais sólidas e únicas dentro da ficção científica. Precisamente porque aquilo que o fez fracassar na altura em termos de bilheteira foi aquilo que lhe deu depois imensa popularidade e o tornou no grande filme de culto que é hoje em dia e que apesar de já contar com 20 anos em cima não envelheceu um segundo.
E quem acha que o filme não é assustador é porque nunca o viu sozinho ás escuras com headphones e som no máximo. Ou então não o viu no cinema num ecran realmente gigante. E este filme é outro daqueles que só deveria mesmo ser experienciado numa sala escura monumentalmente clássica para melhor efeito pois é verdadeiramente um filme de Cinema.

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THE HOUSE THAT DRIPPED BLOOD

Para a fama de filme que mete medo, também muito tem ajudado o facto de que finalmente [“EVENT HORIZON”] começa a ser apreciado precisamente pela forma como utiliza e homenageia as sua referências.
O facto de se ter continuado a falar sobre este título durante estes anos todos, muito em parte graças também à lenda urbana a propósito das eventuais cenas repulsivas que foram censuradas, acabou por fazer com que aos poucos e poucos [“EVENT HORIZON”] começasse também a ser visto como uma espécie de caça ao tesouro cinéfila e muita gente ficou depois inclusivamente com vontade de ver ou rever “os originais” precisamente porque conseguiu recordá-los em certos momentos nesta “versão moderna” que é essencialmente um best-of muito bem executado do melhor que houve no cinema de terror.

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Como já referi, as homenagens a filmes de terror antigos são por demais para puderem ser todas agora aqui mencionadas e por isso estão por vossa conta; mas certamente irão reparar na referência ao “THE SHINNING” de Kubrick como não podia deixar de ser.
No entanto talvez não reparem nos detalhes relacionados com “A CASA QUE DERRAMAVA SANGUE”; ou “THE LADY IN BLACK” por exemplo, mas eles estão lá; juntamente com um monte de outros filmes ( e livros ) conhecidos ( ou não ) dentro do género sobrenatural e como tal têm a partir de agora mais um motivo para continuar a rever [“EVENT HORIZON”] com um bloco de notas na mão, pois haverá sempre qualquer coisa em que nunca tinham reparado antes com toda a certeza.

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NOTRE DAME

A ter alguma coisa menos boa, quanto a mim está no facto do design do interior da “EVENT HORIZON” não ter grande lógica. Nunca ninguém enviaria uma expedição espacial obrigando as pessoas a viver numa nave com um ambiente gótico daqueles.
Visualmente o interior da nave é fabuloso mas aquela estética de câmera de tortura não faz qualquer sentido.

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Por outro lado, outra das grandes mais valias em [“EVENT HORIZON”] é precisamente o seu design.
Over the top em muitas alturas é certo mas simplesmente único e completamente memorável.
Não só os interiores da “LEWIS & CLARKE” são um espectáculo na forma como tudo está incrivelmente detalhado e parece totalmente real, como para além do interior da “EVENT HORIZON” o seu exterior também é extraordinariamente bem conceptualizado.

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Continuando na temática “THE BLACK HOLE” a nave EVENT HORIZON também segue precisamente o mesmo tipo de conceito estético na forma como nos apresenta uma nave que quase poderá ser uma espécie de templo. Neste caso uma catedral.
Notre Dame.

E sim, a “EVENT HORIZON” não só foi baseada na catedral de Notre Dame como conta inclusivamente com bocados de imagens da mesma, que foram inseridos em inúmeras partes dos seus detalhes e que fazem com que aqui também o filme se torne em mais um daqueles em que vocês precisam sempre de estar com o botão de pausa preparado. A qualquer momento poderá aparecer um vitral que já viram algures, uma coluna, um pórtico ou qualquer coisa que lhes parecerá familiar; porque é.

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WELL FUCK LAYMAN´S TERMS.
DO YOU SPEAK ENGLISH ?

Outra coisa que [“EVENT HORIZON”] faz muito bem é integrar o humor nas situações mais inesperadas sem parecer minimamente forçado. Para isso conta com um par de personagens característicos que dão imensa vida ao filme e practicamente roubam todas as cenas em que aparecem; o que para um filme de terror tão pesado quanto [“EVENT HORIZON”] é não só surpreendente como é um pormenor muito bem-vindo e que equilibra de forma fantástica a divisão entre os vários tons arrepiantes da história central.

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Porque Paul Anderson teve liberdade para escolher a equipa com que trabalhou, [“EVENT HORIZON”] tem um elenco internacional e não se limita a ser essencialmente um desfile de actores americanos.
Por isso para lá de Laurence Fishburne e de Kathleen Quinlan ou Richard T. Jones americanos,  temos aqui o Neo-Zelandês Sam Neil num papel feito à sua medida, uma Inglesa Joely Richardson que não podia estar mais perfeita, um Jason Isaacs numa espécie de Dr McCoy em modo hipertenso, um Sean Pertwee character actor do melhor noutro personagem carismático e Jack Noseworthy como o mais jovem membro da tripulação. Cada um com o seu momento para brilhar, numa história onde não existem personagens principais.

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Se [“EVENT HORIZON”] funciona tão bem é principalmente porque além do argumento ser realmente muito bom na forma como reproduz o melhor do género, depois conta com um grupo de actores que não poderiam ter encarnado melhor aqueles personagens.
Todo o conjunto aliado a um par de boas sequências de acção, fantasmas quanto baste e momentos nojentos que conseguem escapar aqui e ali contribuem para que passados 20 anos este continue para mim a ser um dos melhores filmes de FC de sempre e a par com “THE 5TH ELEMENT”; “CONTACT”; “DARK CITY” ou “12 MONKEYS” outro dos melhores filmes dos anos 90 nessa área.

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CLASSIFICAÇÃO

Continua a ser um grande filme de terror mesmo vinte anos depois de ter estreado.
Tão bom quanto o melhor do género dentro do cinema clássico; aqui apenas com uma roupagem moderna e plenamente bem conseguida. Tem inclusivamente um certo sabor a “2010 : THE YEAR WE MAKE CONTACT” mas em versão de terror, o que só lhe dá ainda um sabor mais especial.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award

     

É no entanto um daqueles filmes que pedem para ser vistos quando estivermos sozinhos para funcionar como deve de ser. De noite e ás escuras.
Ver isto com os amiguinhos nunca terá o mesmo efeito.

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A favor: o visual, a atmosfera, os actores, os personagens, as cenas assustadoras, os efeitos especiais

Contra: o design gótico da Event Horizon embora seja fabuloso não tem grande lógica.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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COMPRAR BLURAY – REGIÃO B (2) – EDIÇÃO UK

bluray
https://www.amazon.co.uk/gp/product/B001S3GDP4/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B001S3GDP4&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

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THE MAKING OF

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IMDb


http://www.imdb.com/title/tt0119081

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extra01

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– ESPAÇO 1999 – Revista TV Junior nº1 – 1978 – Banda Desenhada Vintage

E para hoje uma das adaptações BD da série que mais me influenciou em pequeno e que foram publicadas nos anos 70 em Portugal, na altura em que “ESPAÇO 1999” era uma novidade a passar pela primeira vez no nosso país.

BD VINTAGE -space 1999 1

Esta retirada directamente do primeiro número de uma das muitas revistas de banda desenhada que ainda existiam em Portugal nessa altura antes dos comics americanos de formato super-herois se terem espalhado pelo mundo como um virus eliminando por completo a banda desenhada diversificada que era publicada no nosso país naquela época.


Naturalmente que em breve irei também recordar esta série aqui no blog.

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Mais / BANDAs DESENHADAs VINTAGE ou simplesmente Esquecidas

Missão nas Estrelas
Mundos Gémeos -BD
Os Ladrões de Luas – BD
Sky Masters: Os Fantasmas do Éter – BD
Space Action – Prisioners of the incredible plants
A Porta do Espaço / O Império das Estrelas (A.C.)
Regresso ao Lar (A.C.)

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Se gostaram desta BD poderão gostar destes filmes:

capinha_first-men-in-the-moon  capinha_greenslime capinha_PLANET OF THE VAMPIRES.jpg capinha_spacehunter  capinha_starcrash capinha_Battle Beyond The Stars.jpg capinha_battlestar-galactica

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