“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS” ( “VALERIAN AND THE CITY OF A THOUSAND PLANETS “ ) Luc Besson (2017) FRANÇA

Esta poderia ser a minha review mais curta de sempre.
[“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] num contexto de adaptação de uma obra original, é a melhor space-opera que vi até hoje no cinema. Nota máxima, rebenta a escala e correspondeu a todas as minhas expectativas enquanto fã da BD.
Saí do cinema cheio de adrenalina e com vontade de arranjar uma nave, um laser e desatar aos tiros.
Por isso agora apetece-me escrever mais…

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Se há uma coisa que me deprime na suposta ficção-científica moderna é o facto de hoje em dia tudo passar-se à volta de política, corporações espaciais , negócios intergalácticos situados em ambientes futuristas realisticos estilo “Alien” ou então as histórias não passarem de uma transcrição de aventuras que poderiam perfeitamente ter lugar num contexto terrestre contemporâneo qualquer, havendo apenas no ecran naves, bonecos extraterrestres e robots em vez de termos carros, mafiosos ou policias que separem um suposto conceito de FC do mais banal e repetido thriller contemporâneo.
Perdeu-se no cinema e na literatura quase por completo não só o sentido de maravilhoso, de exploração, de aventura mas principalmente o fascinio pelo desconhecido que havia na ficção-cientifica clássica que ainda resistiu até meio dos anos 80 mas se desintegrou quando começou a era da reciclagem em Hollywood que infesta as salas até hoje.
A imaginação na FC hoje em dia é inversamente proporcional às possibilidades técnicas dos efeitos e nesse contexto não há nada que mais me desiluda; “Avatar” é um bom exemplo do quanto um filme visualmente bonito pode ser um vazio absoluto sem um pingo de imaginação para lá do design de produção que nem sequer é diferente do que se pode encontrar num videogame Halo. Avatar pode ser bonito mas não tem um pingo de imaginação. Nem sequer o visual é diferente do que já existia em dezenas de videogames ou até mesmo nas animações de Myiazaki muito antes.

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A FC moderna está practicamente morta e enterrada há mais de uma década.
Quando a imaginação e o sentido de exploração do universo deram lugar a manipulações politicas e thrillers de acção high-tech (muito por culpa dos videogames também) se calhar isso é o perfeito espelho da nossa sociedade materialista e intensamente racional em que vivemos onde o homem parece achar-se novamente o centro de tudo e o pináculo da evolução científica, histórica e social não havendo lugar para especulações, teorias ou sonhos que não sejam imediatamente apelidadas de – teoria da conspiração.
O homem sente-se tão orgulhoso do que atingiu técnicamente com Ipads, Iphones e internet que a perspectiva actual já não contempla mais exploração; já sabemos como tudo funciona; nesta perspectiva materialista agora o que a humanidade tem que fazer é colonizar coisas, abrir negócios e criar indústrias… no espaço. Daí que a noss ficção científica actual reflita apenas isso. O espaço deixou de representar o mistério e passou a ser apenas um cenário para ensair dramas mundanos, metáforas politicas da treta e thrillers tecnologicos que de ficção científica só têm o design.
Seria inevitável que num paradigma assim a ficção científica tivesse por isso perdido toda a capacidade de fazer sonhar.

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Pelo visto não sou o único a pensar assim e é o próprio Besson que no livro sobre a Arte do filme , refere que também está farto da constante repetição de universos derrotistas escuros e em última análise sem qualquer imaginação e tinha como intenção mostrar que o universo poderia ser um sitio divertido e colorido.
Por isso Luc Besson aparecer agora com um filme como este lutando contra a corrente materialista e procurando dar-nos um produto imaginativo assim, ainda se torna em algo mais significativo; ( mesmo que use as mesmas armas / acção / CGIs para tentar acordar o público habituado a dietas de Transformers e super-herois reciclados ao longo da última década e meia onde tudo parece mais do mesmo).

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O que antigamente era sobre a descoberta de novos mundos e novas civilizações hoje é sobre politicos espaciais, coorporações, metáforas para relações humanas, CEEs e ONUs no espaço ou cinema de acção que poderia perfeitamente passar-se , por exemplo; na segunda guerra mundial que não se notaria qualquer diferença.
[“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] não tem nada a ver com isso e por isso é brilhante.
E sim, é “apenas” mais um blockbuster de cinema digital “igual a tantos outros” ; isto a um primeiro olhar da perspectiva do publico genérico, mas como disse o Besson, este filme é mesmo para os fãs o primeiro objectivo era mesmo homenagear o material de origem.
O verdadeiro conteúdo está para lá da pirotecnia habitual. Está nos detalhes e na alma da Bd que conseguiu captar por completo; coisa que o público genérico não irá atingir e por isso será sempre irrelevante quaisquer criticas menos positivas que não sejam da perspectiva de quem conhece e adora a banda desenhada.

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[“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] restaura a fé nas aventuras espaciais, recupera o género da Space Opera clássica de uma forma que nem os recentes Star Wars conseguiram fazer e é a melhor não-adaptação de um conceito “literário” desde “JOHN CARTER” ou “BLADE RUNNER”; isto no sentido em que não adaptando um livro específico acerta no entanto em cheio na alma do trabalho original. Inclusivamente até o melhora em muitos aspectos.
Luc Besson tem aqui um trabalho extraordinário principalmente a nível de argumento. [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] foi escrito pela pessoa certa; por alguém que se certificou até ao mínimo detalhe que respeitaria por completo a obra que licenciou.
É assim que se passa uma BD ao cinema meus amigos.

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UMA OBRA PRIMA DA SPACE OPERA

[“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] é sem sombra de dúvida a melhor space-opera que vi até hoje no cinema.
É também o filme independente mais caro de sempre. Uma espécie de série-B financiado por Besson e associados mas filmada com milhões de dólares à revelia de Hollywood.
Ainda por cima é cinema Europeu, Francês !
Sim meus amigos, isto não é um filme americano, pois há muita gente que ainda pensa que só de Hollywood podem sair bons efeitos especiais.

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Com um pedigree assim seria inevitável que a máquina americana estivesse preparada para não lhe dar grande recepção nos States como previsivelmente aconteceu sem supresa para ninguém.
Agora isso não se traduz num mau filme. Muito pelo contrário. Isto é a aventura espacial que eu sempre quis ver quando lia as bandas desenhadas e como tal nesse contexto é mesmo a melhor space-opera que vi até hoje.
Independentemente de ser uma adaptação de uma banda desenhada ou não, se pensarmos nele apenas como sendo uma extravagante aventura espacial clássica tudo aqui funciona como um relógio Suíço.
Digital mas de qualidade superior.

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Atacar esta space-opera perfeitamente orquestrada apenas porque o filme é inevitavelmente um produto ultra comercial (ou digital) é não ter noção da dificuldade que é adaptar uma BD como Valerian.
E são filmes como [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] que demonstram o quanto está vazio e esgotado o universo Star Wars onde por mais variações que apareçam a coisa nunca passa de histórias de guerra que poderiam ser passadas na nossa própria II Guerra Mundial ou em qualquer conflito contemporâneo; pois bastaria trocar-se o hardware e os uniformes e não haveria diferença.
Há mais conceitos imaginativos numa sequência de [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] onde nem se dá destaque sequer ao que se passa em background do que em toda a saga Jedi que não faz mais nada do que nos dar histórias de guerra onde de vez em quando se luta com sabres de luz e se entra por misticismos que ainda tornam todo o conceito mais redundante e repetitivo. Por outro lado é de repetição que as audiências modernas gostam para não terem que pensar muito e como tal quando aparece um filme como Valerian onde os detalhes imaginativos são às centenas quem espera o típico produto simplista norte americano poderá ficar um bocado desorientado.

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Pode pegar-se em qualquer uma das raças que aparecem em [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] ( que já existiam na BD ) e desenvolverem-se histórias únicas e mundos únicos onde tudo parece fresco e novo. Exemplo disso é o que Besson fez com o mundo dos “Pérolas” que na Bd tem apenas uma breve aparição ( em versão semi alternativa ) num par de vinhetas perdidas entre mil ao longo de 40 anos de histórias. A partir daí Besson construiu e desenvolveu um mundo inteiro que ainda não tínhamos visto em FC e o mesmo se repete constantemente ao longo de todo o filme; onde cada personagem que aparece pertence a um mundo e a uma cultura diferentes totalmente originais e onde se poderão desenvolver sequelas que nunca mais acabam para esta história inicial.

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Era bom que se pudesse dizer o mesmo do universo Star Wars onde tudo gira e girará sempre à volta da Força, do Império, dos sabres de Luz e de variações de uma qualquer realidade perfeitamente mundana decorada apenas com naves e criaturas alienígenas para encher o olho e que na verdade não servem para nada a não ser decoração, pois não têm qualquer background nas histórias .
Não em [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”], no sentido em que tudo o que aparece de extravagante já teve uma boa base imaginativa e diversificada nas aventuras que estão nas bandas desenhadas.
Pode não parecer ao público casual que desconhece a banda desenhada, mas não há no écran um único pormenor que não tenha significado para quem conhece bem as aventuras de Valerian.

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MADE IN FRANCE

Poderia perder agora tempo a contestar detalhadamente uma a uma, as inúmeras opiniões negativas que têm saído sobre este filme vindas dos EUA mas sinceramente para quê? Desde o fabuloso “JOHN CARTER” que ficou bem claro que o público que forma o box-office americano não tem hoje em dia qualquer referência para perceber o valor que há numa space-opera clássica e além disso como também ficou bem demonstrado em “JOHN CARTER” a própria definição de sucesso de bilheteira actual nos EUA também não faz qualquer sentido.
Isto porque contrariamente ao que seria de esperar pelo senso comum nos EUA define-se um sucesso pelo dinheiro que um filme faz no fim de semana de estreia e no contexto, não interessa o negócio que depois poderá continuar a arrecadar nas semanas que se seguem.

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Contrariamente ao mito urbano, “JOHN CARTER” fez uma pipa de massa não só nos EUA ( gradualmente muitas semanas depois da estreia ) mas principalmente por todo o mundo ( onde foi um sucesso especialmente na Europa ,Russia, Japão e China ); tendo inclusivamente sido o filme mais pré-encomendado de sempre na amazon americana quando do seu lançamento em bluray na altura.
Apenas não fez dinheiro absolutamente nenhum no fim de semana de estreia na América e logo foi considerado um flop, até porque convinha à Disney para efeitos fiscais que a versão oficial ditasse que o filme “JOHN CARTER” mantivesse como um fracasso absoluto como toda a gente que conhece bem a história do que se passou nos bastidores bem sabe.
[“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] no entanto, não foi feito para perder dinheiro mas isso não o livrou de uma conotação negativa semelhante nos EUA.

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Ainda por cima é um produto Europeu que limpa o chão com quase tudo o que Hollywood produziu do género nos últimos anos por isso se calhar para muita gente, comercialmente interessa mesmo que não se fale muito bem deste filme de Luc Besson pelas Américas … digo eu…
Até porque uma produção independente como esta não estará presa a resultados de bilheteira na América para ser um sucesso comercial.
Os nossos media é que ainda passam a ideia de que tudo se define nos estados unidos quando o próprio cinema de Besson nos últimos anos tem mostrado que em termos de retorno económico se calhar o conceito de sucesso não depende nada do que os media americanizados dizem sobre os seus filmes e impingem como sendo informação mas sim do verdadeiro lucro que eles geram.

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Há até por aí artigos que tentam perceber porque falhou no fim de semana de estreia americano e tudo ! É simples, [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] tem demasiada imaginação para o público americano; uma história mais complexa do que apenas maus contra bons e uma narrativa que só aparentemente parece linear mas que no entanto está totalmente de acordo com o tipo de estrutura que a própria BD original possui. [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] enquanto filme é uma cópia exacta da banda desenhada de Mezieres e Pierre Christin; apenas parece mais dinâmico porque o conteúdo visual imaginativo nestas historias sempre foi tão elevado ( e épico ) que basta passar o minimo pormenor estático de uma vinheta de BD para o grande écran e este irá parecer sempre tão épico e extravagante quanto inevitavelmente parecerá agora a muito crítico nos EUA que não sabe o que fazer com tanta imaginação.

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VALERIAN DAS MIL IDEIAS

Há quem diga que [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] tentou ser demasiadas coisas ao mesmo tempo e por isso falhou nos EUA que prefere coisas mais simples. Claro que prefere, mas [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] não falhou.
Não tem absolutamente nada de errado.
[“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] tem mesmo demasiadas coisas ao mesmo tempo porque se não as tivesse não seria Valerian a BD !
E funcionam !

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Não houve aqui qualquer perca de controlo no conteúdo por parte de Luc Besson !
Muito pelo contrário. Orquestrar um filme destes com tal nível de imaginação e fragmentação visual quase frame a frame em écran verde não deve ter sido fácil. [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] em 130 minutos mostra mais coisas variadas e situações imaginativas do que 12 horas de Senhor dos Anéis + 12 de The Hobbit colocaram no écran!
E resulta.
É esse emaranhado de ideias permanentemente entranhadas em pano de fundo nas historias de BD originais que fizeram Valerian a BD, ter a importância que tem na cultura da 9a Arte europeia.

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É essa complexidade de pormenores que distinguem aquilo que é BANDA DESENHADA do que são apenas COMICS norte americanos e como os americanos não gostam de Banda Desenhada ou nunca leram nenhuma, seria pedir demasiado que tivessem bases visuais para assimilar um filme como [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”],  que apesar de toda a acção não se limita a seguir uma linguagem comics simplificada ( a que pisca o olho em alguns momentos para tentar cativar publico gringo claro ) mas vai antes buscar o melhor das suas imaginativas cenas de acção em termos de montagem à estrutura da BD europeia.

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Outra coisa não seria de esperar tendo em conta que foi escrito por Besson no seu papel de fã da Bd e que diga-se de passagem mostrou com [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] que conhece o material de origem como ninguém.
Os comics gringos estão para as séries televisivas produzidas a metro tipo CSI como a Banda Desenhada europeia está para a literatura pensada e escrita com cuidado, muitas vezes por apenas um autor a trabalhar sózinho durante anos num único projecto.
Por isso um filme como [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] nunca poderia funcionar nas bilheteiras americanas.

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O curioso é que há quem acrescente ainda que o final da aventura não surpreende, que é esperado, que não tem surpresas, etc…por isso Valerian é uma aventura fraquinha nesse aspecto mesmo que até tenha alguma imaginação no decorrer da história.
A minha pergunta é … então mas porque esse critério nunca é usado quando se trata de elogiar filmes da Marvel ou da DC onde se recicla até à exaustão a mesma formula e onde o final tem que sempre apresentar o mesmo combate contra o mesmo vilão, com a mesma estrutura de acção, a mesma montagem, etc, etc, etc… (?)…
Tenho um amigo que acha que os filmes de aventura e fantasia Chineses não prestam porque os herois andam sempre pendurados por fios a voar pelos cenários. Argumenta ele que esses filmes não parecem reais. No entanto já acha o máximo qualquer filme de super-herois americano porque diz ele, têm mais credibilidade e parecem reais mesmo ! É este o tipo de dualidade quase cultural que continua a ser usado contra propostas cinematográficas originais como quando alguns argumentam agora contra o filme de Luc Besson e isto para mim só demonstra o poder do marketing norte americano que essencialmente domina os media de forma geral em termos de construção de opiniões.

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LAURELINE

[“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] é “THE FITH ELEMENT” levado ao extremo. Aliás “O QUINTO ELEMENTO” já era por si só “um Valerian” em espírito; apenas não tinha Valerian como protagonista e serviu de ensaio para Besson enquanto esperava que a tecnologia evoluísse de forma a que ele pudesse colocar Valerian no grande écran como ele bem refere em inúmeras entrevistas.
Mézieres o desenhador de Valerian desenhou inclusivamente muito do que aparece em “THE FITH ELEMENT” e é por isso que ele sempre teve um lugar especial junto dos fãs da BD que todos nós queriamos ver no grande ecran um dia.
[“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] é uma space-opera extraordinária que tem no entanto só uma falha…
Se calhar deveria ter-se chamado antes “LAURELINE”.

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Isto porque quando a parceira de Valerian aparece, rouba todas as cenas da aventura sem precisar de se esforçar. 
Este casting acertou em cheio na pessoa certa tanto para Valerian como principalmente para Laureline. E o melhor de tudo é que Besson não precisou de ir buscar vedetas de Hollywood para garantir bilheteira. Nem quero imaginar um Tom Cruise como Valerian… brrr !!!
Valerian está perfeito ( não entendo essa ideia de que anda por aí acrescentando este actor não é o certo ( será por não ser uma vedeta ?  ) ) mas Laureline rebenta todas as escalas em termos de casting.
Esta miúda nasceu para interpretar esta personagem e não podia estar mais perfeita em relação à banda desenhada do que ficou quando aparece no ecran.
Simplesmente extraordinário.

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[“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] por ser um produto moderno mudou um par de coisas em relação ao conceito original. Por exemplo agora a nave dos heróis fala e tem uma inteligência artificial destacada; coisa que não havia nas histórias. O filme também desenvolve uma história de amor divertida muito mais directa do que está sugestionado na BD ao longo dos anos entre os dois protagonistas mas não é algo que prejudique o filme, muito pelo contrário.

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JOHN CARTER / BLADE RUNNER DEJA-VU …
NO MELHOR DOS SENTIDOS.

Não adapta nenhum album clássico em particular mas contêm bocadinhos muito conhecidos de um monte deles.
Tal como “JOHN CARTER” e “BLADE RUNNER” sem adaptar bem nenhum dos livros originais acertaram em cheio no ambiente e na alma da obra que lhes deu inspiração, também esta space-opera francesa faz o mesmo sem adaptar qualquer uma das aventuras conhecidas especificas editadas.
Os fãs irão reconhecer um monte de sequências em [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] que já viram em diversas histórias ao longo da saga em BD. O bichinho transmudador , a alforreca, os divertidos negociadores de informações, a forma como Valerian se disfarça de extraterrestre; tudo aparece quando menos se espera e ver este filme torna-se a certa altura numa épica caça ao tesouro em termos de referências para quem conhece bem o material original.

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Aliás, este filme é tão detalhado e tão marcadamente VALERIAN que está carregado de pormenores nos cenários e em pano de fundo que só os fãs irão reconhecer.
O filme gira à volta da Cidade dos Mil Planetas que é na verdade uma versão alternativa de uma das melhores coisas da BD, o aglomerado de estruturas e estações espaciais conhecido na saga como “PONTO CENTRAL”. Aqui no filme chama-se “ALPHA” e apesar de centralizar a acção penso que ficou um bocadinho áquem do sentido épico que o lugar tem na BD.
O aspecto exterior do local na banda desenhada é muito mais imaginativo, épico e romântico enquanto que no filme não passa de um enorme amontoado de pequenas estações espaciais. Épico mas sem grande imaginação exterior quando comparado ao que “Ponto Central” é na banda desenhada.
Alpha stá demasiado “terrestre” em termos visuais talvez quando vista do espaço, embora no interior depois tenham acertado em cheio na reprodução de “Ponto Central”.

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A MELHOR ADAPTAÇÃO DE BD QUE JÁ VI

Quanto a mim este [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] entrou já para a lista de filmes da minha vida.
É a melhor adaptação de uma BD que alguma vez vi e enquanto fã, superou por completo todas as minhas expectativas.
Sempre acreditei que fosse bom, mas não esperava que fosse realmente tão bom.
Há por aí comentários na web de muita gente que comenta sem ter visto que o filme parece não ter correspondido as expectativas… não correspondeu às expectativas ?!!
Só se foi de quem não é fã da banda desenhada; ou das expectativas dos americanos e mesmo assim não sei do que estariam à espera ou do que o marketing de Hollywood lhes impingiu que o filme seria.

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Não é de todo o filme simples de invasão que o trailer dá a entender.
A história tem muitas camadas ( tal como na BD ) mas na verdade é demasiado complicada para o típico americano habituado à simplicidade moralista ou patriótica do comic gringo sem imaginação.
Os americanos nunca iriam gostar disto e o público genérico mais americanizado dos cinemas de shopping center amanhã também já nem se lembrará do filme.
No entanto, pelo que tenho lido em muita crítica europeia ( as únicas que me interessam ) a opinião parece ter sido exactamente a oposta; VALERIAN está finalmente no cinema e de uma forma que nunca nenhum fã e conhecedor da banda desenhada alguma vez poderia ter imaginado que um dia pudesse acontecer.
Mais que corresponder a expectativas, este filme rebenta a escala na minha opinião pois cumpre e de que maneira !

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Não só nos dá uma grande aventura espacial, como algo que podia perfeitamente ter sido um album de BD original escrito por Pierre Christin décadas atrás na boa.
O que quer dizer que dois dos filmes da minha vida já pertencem a Luc Besson; “THE BIG BLUE” que é definitivamente uma das minhas referências pessoais e agora [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] por ser tudo aquilo que eu sempre quis ver numa space-opera espacial e até hoje nunca tinha encontrado dentro deste género épico específico, talvez com excepção de “JOHN CARTER” e do primeiro “Star Wars” em 77.

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Cresci com a BD desde o seu aparecimento nos anos 70, quando a comprei aos 7 anos em 1977; conheço de cor todos os albuns e esta obra foi inclusivamente a minha escola de ilustração no que toca ao uso de cor e aguarela tendo influenciado por demais a minha vida ao ponto de hoje eu trabalhar em ilustração; como tal de um ponto de vista puramente de fã dos livros originais, [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] o filme não poderia ter sido mais perfeito na minha opinião.

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CLASSIFICAÇÃO

É tudo o que eu sempre quis ver numa adaptação de Valerian ao cinema.

Quanto a mim não tem falhas, acerta em cheio no elenco (Dane DeHaan e Cara Delevingne) , tem um argumento extraordinário que respeita e melhora muito do que já era original na BD e é uma das aventuras espaciais mais divertidas e visualmente incríveis que alguma vez me passaram pela frente.

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Mesmo que não venha a haver uma sequela, este filme já resume de tal forma tantos dos melhores momentos de vários albuns que parece que conseguiu em menos de três horas percorrer 40 anos de histórias e adaptar tudo o que seria possível adaptar.
É na sua essência um produto fechado com possibilidade para sequela que será bem vinda mas não será de todo necessária, o que é óptimo.
Como tal e por ter superado mesmo muito as minhas expectativas que já eram altíssimas não posso deixar de rebentar mais uma vez a minha própria escala de classificação e tal como fiz com “CITY OF LIFE OF DEATH” (num contexto diferente) , agora [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] também irá levar:

Cinco Planetas Saturno e DOIS Gold Award

     

O Gold Award extra é para mim uma rara excepção neste blog e só o atribuo quando um título me surpreende emocionalmente a todos os níveis a um nível que não esperava de todo. [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] merece pois esse extra.

Como filme não será nenhuma obra prima do cinema e até será inferior a “THE BIG BLUE” de Besson; mas… como produto que adapta uma banda desenhada tão complexa e imaginativa quando é o material original [“VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS”] rebenta por completo a escala e por isso nesse contexto a minha classificação aqui não poderia deixar de ser outra.

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A favor: só aqueles dois actores poderiam encarnar estes personagens pois o casting é do outro mundo e não podia estar mais perfeito em termos de química de actores, respeita por completo a BD original, adapta fielmente e ainda melhora muitos aspectos do que já havia em banda desenhada, o concept design é outra obra prima, reproduz dezenas e dezenas de pormenores da BD em pano de fundo que só os fãs irão reconhecer, o conceito do shopping alienígena virtual é do melhor e mais imaginativo que já vi nos últimos tempos, a história de amor entre Valerian e Laureline é muito divertida, a história apesar de épica e muito movimentada equilibra muito bem certos momentos mais humanos e emocionais, surpreendente a Rhianna tem um personagem que resulta por completo e deriva da Bd original, visualmente é o filme com mais imaginação e o melhor concept design que já me passou pela frente, tem um enorme sentido de humor, quem gostou de O Quinto Elemento vai adorar isto.

Contra: o filme deveria ter-se chamado LAURELINE ?… 😉 Ó Besson, mas transformaste os “Shingouzs” em patos pá ?!! Wtf ?!!

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

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SITE OFICIAL

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http://valerianmovie.com/

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LEIAM AS BANDAS DESENHADAS ORIGINAIS ONLINE GRATIS
http://readcomicbooksonline.net/valerian-and-laureline

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COMPRAR O LIVRO DE CONCEPT ART – “THE ART OF THE FILM: VALERIAN AND THE CITY OF A THOUSAND PLANETS”

Para quem se interessar por ilustração, concept art ou apenas sobre o processo criativo nos bastidores do filme este é definitivamente o melhor livro sobre concept art que já comprei até agora. Superou inclusivamente o de Star Wars Episode VII que já era extraordinário.

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“THE ART OF THE FILM: VALERIAN AND THE CITY OF A THOUSAND PLANETS” contém centenas de ilustrações que merecem ser apreciadas, algumas são quase uma escola sobre como se pode usar o digital para imaginar mundos de fantasia e o livro está carregado de pormenores sobre coisas que se calhar nem notaram que estão inclusivamente no filme.

Luc Besson também aqui inovou. Contrariamente ao que acontece em Hollywood que contrata dezenas de artistas para que durante três meses atirem à parede tudo o que puder ser transformado em palha digital para encher o ecran no blockbuster seguinte, Besson para Valerian entrou em modo económico e contratou apenas cinco concept artists ! Todo o filme foi desenhado por cinco pessoas mas em vez de trabalharem em stress por três meses , Besson deu-lhes um ano inteiro para irem criando conceitos visuais para o filme baseados na obra original e no que quisessem acrescentar.
Surpreendentemente também pela primeira vez neste tipo de processo criativo , nenhum dos artistas esteve em contacto com o outro e todos trabalharam isoladamente nos seus respectivos países procurando imaginar o melhor visual possível. A única pessoa com que cada um contactou durante esse ano foi apenas com Besson directamente que tinha reuniões isoladas com cada um dos concept artists por Skype para decidir o que seria usado no filme.
Com isto não só Besson acabou por poupar muito dinheiro que normalmente se atira nesta fase de pre-produção como também teve um controlo directo muito pessoal com tudo o que ia sendo criado e o resultado nota-se no ecran.

Um dos artistas é foi Fheng Zu um dos meus concept artists favoritos (criador da FZD SCHOOLe que gere o melhor canal sobre o tema no youtube onde ensina toda a sua arte de borla para quem quiser aprender a ilustrar.
Como tal as melhores partes do livro para mim são precisamente os seus designs para as paisagens espaciais.
Espreitem só o conteúdo do livro:


Este video não faz justiça à qualidade que podem encontrar nesta edição em termos de definição de imagem.
Totalmente de compra obrigatória para quem se interessar sobre estas coisas e o livro perfeito para acompanhar este filme.

https://www.amazon.co.uk/gp/product/1785654004/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=1785654004&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21&linkId=d5e479f7abb4e0d7aab286fd3c14390e

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt2239822

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Se gostou deste, poderá gostar de :

humanities_end capinha_spacehunter capinha_starcrash capinha_battlestar-galactica capinha_Battle Beyond The Stars.jpg

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– ESPAÇO 1999 – Revista TV Junior nº2 – 1978 – Banda Desenhada Vintage

E para hoje outra das adaptações BD da série que mais me influenciou em pequeno e que foram publicadas nos anos 70 em Portugal, na altura em que “ESPAÇO 1999” era uma novidade a passar pela primeira vez no nosso país.
Martin Landau faleceu uma semana atrás e lembrei-me de que ainda tinha isto por aqui para postar.

BD VINTAGE -space 1999 2

Esta retirada de mais uma das muitas revistas de banda desenhada que ainda existiam em Portugal nessa altura antes dos comics americanos de formato super-herois se terem espalhado pelo mundo como um virus eliminando por completo a banda desenhada diversificada que era publicada no nosso país naquela época.

Naturalmente que em breve irei também recordar esta série aqui no blog.

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Mais / BANDAs DESENHADAs VINTAGE ou simplesmente Esquecidas

Missão nas Estrelas
Mundos Gémeos -BD
Os Ladrões de Luas – BD
Sky Masters: Os Fantasmas do Éter – BD
Space Action – Prisioners of the incredible plants
A Porta do Espaço / O Império das Estrelas (A.C.)
Regresso ao Lar (A.C.)
Espaço 1999 – Revista TV Junior 1
The Black Hole / O Abismo Negro
2010 : O Ano do Contacto
Rumo ao Desconhecido – Tonkari 1 (A.C)
The Face on Mars
Capitão Condor – Os Demónios Chamejantes de Saturno
The Wizard of OZ
Strange Planets – Space Detective

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“VIRTUAL REVOLUTION” / “2047 VIRTUAL REALITY” (“VIRTUAL REVOLUTION” / “2047 VIRTUAL REALITY” ) Guy-Roger Duvert (2016) FRANÇA

Se “SKY PIRATES” parece um filme perdido de Spielberg, se “THE DARK LURKING” pretende ser “Resident Evil” e “CREATURE” pensa que é “Alien” então [“VIRTUAL REVOLUTION”] gostaria de ter sido “BLADE RUNNER” e nem sequer tenta disfarçar esse facto.
[“VIRTUAL REVOLUTION”] é um “Blade Runner” Francês de muito baixo orçamento e não pede desculpa a ninguém por isso.
Quer, quer; na quer, na quer !

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E claro, o que seria de [“VIRTUAL REVOLUTION”] se não tivesse também uma classificação do pior no IMDb ?
Uma classificação da treta acompanhada como não podia deixar de ser das invevitáveis reviews negativas vindas daquele tipo de público, que por qualquer motivo parece sempre achar que o cinema de baixo orçamento tem de ser comparado com os blockbusters americanos de centenas de milhões de dólares. 
Mesmo que o filme seja Francês e tudo.
Só isso já é motivo para não perderem o filme pois o site está cheio de títulos desancados que são na realidade muito bons e mais uma vez este também não é excepção.

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BLADE RUNNER, OUI… CES´T MOI…

Há uma coisa que nunca hei de entender. Se o próprio cinema comercial mainstream contém centenas de filmes com a mesma fórmula, as mesmas ideias, as mesmas estruturas, os mesmos personagens e as mesmas estéticas repetidas até à exaustão por Hollywood ela mesma, porque razão quando aparece um filme independente como [“VIRTUAL REVOLUTION”] este terá sempre que ser atacado pelos pipoqueiros de shopping-cinema por se colar visualmente a um género existente ?
Especialmente quando esse género precisa mesmo de ter aquele visual específico para ser considerado como tal. 
Filmar-se “um Blade Runner” sem se parecer com o Blade Runner, seria o mesmo que tentar filmar-se um Western Spaghetti sem cowboys com casacos de chuva compridos.

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E “Blade Runner” quase que nem se pode considerar propriamente um género; isto porque apesar de tudo ao longo dos anos houve muito pouca coisa que terá tentado reproduzi-lo fielmente. Como se ninguém admitisse copiar Blade Runner e toda a gente se tivesse inspirado… ás vezes até demais, nele.
É certo que não faltam cyberpunk movies por aí; ultimamente quase todos em estilo videogame, mas tirando o excelente Sul Coreano “NATURAL CITY”, “DARK CITY” e talvez um ou dois séries-B mais obscuros nos 80s não há muita produção que tentasse apenas imitar fielmente todos os clichés estéticos noir de Blade Runner ou a sua atmosfera retro específica sem entrar depois por técnologias cyberpunk modernizadas.

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É um pouco a maldição de Star Wars. Por causa do filme de Lucas parece que todos os estúdios têm ainda receio em produzir space-operas com medo de serem acusados de imitarem Star Wars; como se Star Wars fosse por si só um género e não apenas ele próprio apenas a adaptação moderna de um conceito criado literariamente nos anos 30 em termos de aventuras espaciais.
No entanto a atitude de Hollywood perante a space-opera é quase como se Star Wars tivesse inventado o género e é essa a percepção que passa para o público que apenas consome o que lhe mandam. Blade Runner é outro bom exemplo.
De vez em quando Hollywood lá tenta entrar pela space-opera disfarçada de super-heróis como acontece com “Guardians of the Galaxy” cozinhada para agradar á malta dos comics gringos.
Tirando o fabuloso “JOHN CARTER” uma das space-operas mais genuinas de sempre no cinema, que cometeu o terrível pecado de ser space-opera pura totalmente fiel ao material original de 100 anos atrás (ao ponto de depois ter sido acusado de imitar Star Wars como não podia deixar de ser) , não há muita coisa do género disponível a não ser através do cinema independente.

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PHILIP K. DICK

Por causa disso no que toca ao estilo Blade Runner, apesar do cinema moderno contar já com alguns universos cibernéticos ; alguns até se atrevem a ter uns prédios com uns neons e uns carros voadores na paisagem e tudo, “o género Blade Runner” nunca foi muito reproduzido; pelo menos não da forma descaradamente evidente com que [“VIRTUAL REVOLUTION”] o faz sem medos.
A ideia aqui para mim parece ser precisamente a certa. Já que este tipo de história é mesmo para ser passada num universo Blade Runner Europeu, porque não deixar de perder tempo a tentar disfarçar e assumir por completo todo o lado estético da coisa sem complexos ?…
[“VIRTUAL REVOLUTION”] é pois um Blade Runner sim senhor.
Por vezes a um nível visual que mais do que roçar o próprio plágio estético genérico reproduz inclusivamente muitos dos enquadramentos mais famosos com Harrison Ford no filme original de RIddley Scott.
Nem “NATURAL CITY” foi tão longe. 
[“VIRTUAL REVOLUTION”] tem uma lata tão grande que a partir de certa altura deixa até de ser insultuoso e talvez seja esta a sua grande mais valia enquanto filme.

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Quando nos passa o choque de estarmos a ver aquilo que inicialmente parece um plágio descarado de tudo em Blade Runner com tiques de Matrix, de repente damos por nós a admirar o esforço de quem criou isto. Com um orçamento modesto não há dúvida que conseguiram inserir esta história europeia num contexto genuinamente Philip K. Dick.
Isto porque [“VIRTUAL REVOLUTION”] apesar de não parecer, tenta no entanto ir mais além e em certas alturas até o consegue particularmente bem.
Para lá das aparências e por detrás do visual por vezes deslumbrante não se esquece de também ser ficção-científica no sentido mais clássico e colocar um par de questões e temas na mesa.
Ok, também imita o Matrix, o Dark City e um monte de outras coisas…
Mas imita bem ( nem a fotografia escapa ), tendo em conta as suas limitações de orçamento pois pelo meio de tanta coisa que já vimos antes por todo o lado [“VIRTUAL REVOLUTION”] para lá do título desastroso e chunga consegue apresentar-nos um filme low budget particularmente fascinante.

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SCI-FI SEM GUITO

Mais do que uma tentativa de plágio do que quer que seja, sente-se que há por detrás disto um sentido de homenagem e uma tentativa de tentar ir o mais longe possível sem ter verba para conseguir fazer tudo mas que se lixe. Um pouco no espírito do fabuloso “MYTHICA : A QUEST FOR HEROES” também.
Contrariamente a muito badalado sucesso Hollywoodesco que depois ninguém critica, não há uma ponta de cinismo em [“VIRTUAL REVOLUTION”]. É apenas um Blade Runner europeu, passado em Paris no futuro próximo e que responde um bocado à velha questão …. Então e como teria sido Blade Runner se este tivesse sido um filme de porrada filmado hoje em dia ?….

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Como se pode inserir porrada num filme noir-scifi ?…
Bem, mistura-se todo o conceito do mundo futuro com videogames de realidade virtual e pronto. 
[“VIRTUAL REVOLUTION”] passa-se num futuro em que 75% da população mundial abdicou da vida real e passa quase toda a sua existência ligada a máquinas de jogos MMORPG com temas para todos os gostos. 
As grandes corporações controlam todo o mercado destes universos virtuais e essencialmente substituíram os governos mundiais pois são estas empresas que criam e vendem mundos virtuais a uma população que não se interessa por mais nada a não ser jogar e como tal o que se passa aqui no lado real fora da internet é-lhes politicamente indiferente desde que os jogos continuem a existir online.

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Acontece que há no entanto por ali uns grupos terroristas. Empenhados a dar cabo de tudo o que são ambientes virtuais para tentar acordar a população de modo a fazer regressar os velhos tempos. Portanto não hesitam por isso em sabotar tanto as redes como os próprios jogadores a elas ligados o que inevitavelmente provoca um sem número de mortes na população vegetal consumidora que vive a sua vida através dos seus avatares virtuais.
Rick Deckard é por isso contratado pela Tyrell corporation para encontrar quem estará por detrás de tais actividades terroristas e eliminar os hackers responsáveis.
Eu disse Rick Deckard ?…
Bem, se não é Deckard é sem sombra de dúvida o seu irmão mais velho, ou um clone mais gasto pois não bastava já [“VIRTUAL REVOLUTION”] parecer-se por demais com Blade Runner como o próprio herói parece encarnar como um espírita possesso a alma de Harrison Ford.
Acreditem-me há momentos que neste filme em que nem irão acreditar nos vossos próprios olhos ou sentidos. Este tipo só pode ser um Replicant !

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I´VE SEEN THINGS YOU PEOPLE WOULDN´T BELIEVE…

É isto que torna [“VIRTUAL REVOLUTION”] tão interessante ao mesmo tempo. 
A “homenagem” a Blade Runner por vezes é tão boa que o realizador disto poderia ter sido há trinta anos e na maior descontração o realizador de segunda unidade no filme de Scott pois não se notaria diferença nos takes.
Se conseguirem passar para lá do desdém inevitável quando o filme lhes cai em cima e gostam de cinema de baixo orçamento há muito boas hipóteses de a seguir começarem a prestar atenção à virtudes deste pequeno título com muito descaramento.
Considerem isto um plágio se quiserem, um plágio de tudo e mais alguma coisa; mas é um bom plágio.
Assumido e por vezes fascinante no melhor dos sentidos.
Não será por acaso que [“VIRTUAL REVOLUTION”] tem ganho e sido nomeado para um monte de prémios em festivais de cinema fantástico ou independente. Para lá de toda a falta de ideias únicas que possa percorrer este título a verdade é que o resultado final desta estranha mistura de coisas conhecidas e populares não pode deixar de surpreender pela positiva.

VIRTUAL REVOLUTION_18 VIRTUAL REVOLUTION, 2016. © KOAN INC.

Na verdade apesar de muitas opiniões negativas pelo IMDb se focarem na ideia de plágio e de vazio de ideias não está aí a fraqueza de [“VIRTUAL REVOLUTION”].
Se este filme falha em várias coisas elas têm mais a ver com a sua própria estrutura ou falta de valores de produção do que com o facto de se parecer com isto ou aquilo.
Apesar dos momentos atmosféricos e de alguns momentos de porrada bem conseguidos, fala-se muito sobre coisas mas mostra-se pouco. Por outro lado, sendo isto uma das características mais comuns no cinema sem orçamento seria inevitável que [“VIRTUAL REVOLUTION”] também acabasse por sofrer do mesmo em muitas alturas.

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MMORPGs

Quanto a mim e como também alguém já referiu online, [“VIRTUAL REVOLUTION”] acaba por de certa forma dar um tiro no pé quando tenta ser mais do que apenas um Blader Runner Francês.
Isto é; a ideia do mundos virtuais é muito boa pois encaixa perfeitamente no universo Blade Runner só que depois o que o filme mostra nessas sequências é por demais pobre e limitado quando comparado com o que consegue colocar no écran quando é apenas um Blade Runner e as cenas se passam no mundo real do futuro.

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As cenas no mundo virtual estilo MMROPG Warcraft são muito pobres visualmente ( com excepção de um par de paisagens digitais muito bem conseguidas ) e as cenas de acção no mundo estilo Transformers com robots invasores inevitavelmente parecem saídas de um daqueles filmes de porrada dos 80s onde tudo era sempre filmado em ruínas de fábricas ou em garagens ( embora os CGI com os robots seja bastante bom nestes momentos ).
Se no entanto [“VIRTUAL REVOLUTION”] tivesse nessas sequências “virtuais” conseguido ter alcançado a qualidade visual de um “MYTHICA : A QUEST FOR HEROES” ou de um “KILL COMMAND” tudo teria encaixado perfeitamente na narrativa central do universo Blade Runner. Assim como está, de cada vez que a história se muda para um mundo virtual o que nós queremos é que aquilo acabe depressa e volte ao mundo futurista em tom noir pois é ali que o filme brilha.

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A forma como o próprio filme começa com uma sequência demasiado longa precisamente no mundo MMROPG entre vários personagens avatares corre o risco de passar imediatamente ao espectador que [“VIRTUAL REVOLUTION”] irá ser um filme bem pior do que é na realidade. Pessoalmente quando aquilo começou pensei mesmo que o filme ia ser um vazio. Resumindo, [“VIRTUAL REVOLUTION”] se não tinha meios para ser tão ambicioso em termos visuais deveria ter-se mantido no mundo Blade Runner Paris Noir.
Por um lado percebo a ideia de expandirem o conceito; a história tem potencial e até é interessante mesmo quando não é original mas não há que negar que o que deslumbra mesmo e torna [“VIRTUAL REVOLUTION”] tão especial é o facto de ter reproduzido o universo Blade Runner em Paris e tudo o resto acaba por não ser tão especial.

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PARIS 2047

[“VIRTUAL REVOLUTION”] é por tudo isto um filme estranho, irritante e fascinante tudo ao mesmo tempo. 
E lembram-se da “Diana” ? A réptil extraterrestre da série “V” dos anos 80 ?… Vão gostar de a rever neste filme.
Agora que o verdadeiro BLADE RUNNER II está quase a estrear, não perdem por espreitar [“VIRTUAL REVOLUTION”] para perceberem o que se pode fazer sem dinheiro nenhum dentro do género. 
Não é um filme obrigatório, mas é um título muito recomendável e se já viram por exemplo “NATURAL CITY” estando à procura de mais outro Blade Runner alternativo então este é um título a não perder pois é dos que melhor soube também reproduzir o estilo noir de que todos nós fãs do filme de Riddley Scott tanto gostamos.
Visualmente tem momentos muito bons, irá surpreender em certas alturas, o CGI não é nada mau e só lhe falta mesmo uma banda sonora de Vangelis.

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CLASSIFICAÇÃO

[“VIRTUAL REVOLUTION”] em termos de realização vai recordar-vos de muita coisa. Para lá do óbvio, tem um sabor bastante europeu onde não falta uma pitada de Jean Pierre Jeunet também nas influências estéticas com um cheirinho de Luc Besson aqui e ali.
O realizador Guy-Roger Duvert é considerado um novo valor dentro do cinema francês deste estilo e é bem capaz de ainda vir a surpreender, por isso se vocês procuram um bom série-B com mais alma do que parece este [“VIRTUAL REVOLUTION”] para lá do péssimo e piroso título é no entanto algo com substância e um bom esforço independente europeu para criar ficção-científica.

Quatro Planetas Saturno

Só não leva cinco porque as partes nos mundos virtuais embora sirvam para a história visualmente não são particularmente interessantes e cortam muito do ambiente que nos fascina no filme.
No entanto é realmente um título fascinante ao ponto de ser hipnótico e aguardo uma edição em bluray pois só existe em DVD por agora; ora se eu já quero comprar isto em Bluray, quer dizer que se calhar até gostei mais do filme do que penso ter gostado.

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A favor: o conceito virtual é um bom complemento para a atmosfera Blade Runner clássica, visualmente consegue ter alguns momentos surpreendentes, é um Blade Runner de baixo orçamento com alma, a história tem o seu quê de potencial, bom esforço do cinema europeu para se fazer bom cinema de FC.

Contra: Não tem um pingo de originalidade ou imaginação inovadora, já viram tudo isto antes mil e uma vezes, as sequências de acção ou aventura passadas no mundo virtual não são particularmente interessantes e quebram muito da atmosfera, alguns cenários reais são bastante desinspirados e destoam do que funciona no resto do filme, fala-se muito sobre acontecimentos em vez destes nos serem mostrados, devia ter mais cenas de exteriores na cidade futurista. Ehmmm… se 75% da população está fechada em casa ligada a mundos virtuais porque há tanta vida e tanto tráfego de carros voadores por toda a parte nos céus da cidade futurista de Paris ?… só estou a perguntar…

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
Sim, eu sei que o trailer é mau.
Ignorem o trailer. O filme é mais interessante do que parece.

 

COMPRAR DVD – REGIÃO 2 – EDIÇÃO UK

 

https://www.amazon.co.uk/gp/product/B06XDBXCDY/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B06XDBXCDY&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21&linkId=abf1543e50464775e44134523fbc7f49

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SITE OFICIAL
Vale a pena espreitarem. Está cheio de material, concept designs , making of , etc. Bom site.
https://www.virtualrevolutionmovie.com/

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt4054004

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“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN” (“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN” / “DOPPELGANGER“ ) Robert Parrish (1969) INGLATERRA

Os americanos que há dias no café de uma amiga minha ficaram muito indignados por não se servir no estabelecimento o típico “English Breakfast” devem ter visto certamente [“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] antes de se meterem no avião para Faro.

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Argumentaram ser inadmissível tal coisa acontecer num café Português visto que segundo eles tal como toda a gente sabe, sendo o Algarve uma COLÓNIA INGLESA porque não haveria de haver pequenos almoços ingleses servidos em todo o lado por lei até para manter a cultura britânica viva ?!
Bem… se estes poços de cultura gringos viram [“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] estão parcialmente desculpados…

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Porque sim, [“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] passa mesmo a ideia de que Portugal já no final dos anos 60 seria uma imensa colónia Britânica e como tal nada deve ter mudado nestas décadas todas com toda a certeza… o que bem vistas as coisas… enfim…

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Quando eu há uns anos atrás vi pela primeira vez [“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] fiquei bastante surpreendido quando apareceram no écran um par de sequências filmadas no Algarve típico dos cartões postais vintage de muitos anos atrás.
Tendo em conta que o filme foi rodado por cá por volta de 1969 não deixa de ser curioso.
Quando este começa, o espectador que for apanhado desprevenido pode estranhar a luminosidade dos exteriores, as paisagens estranhamente familiares com umas amendoeiras, umas figueiras ou descortinar à distância um mar e uma costa particularmente reconhecível…

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Não se espante.
Incialmente ainda pensei que [“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] teria sido filmado no sul de Espanha, mas depois logo percebemos que isto tinha sido mesmo filmado no Algarve sem a mínima sombra de dúvida.

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[“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] teve os seus exteriores filmados entre Albufeira e Loulé que protagonizaram as redondezas do moderno centro de exploração espacial europeu que segundo este filme produzido e escrito por Gerry Anderson iria no sec.XXI estar situado em Portugal, mais propriamente em Albufeira.
Embora não se note muito da identidade Portuguesa para lá das imagens em estilo cartão postal que percorrem esta aventura.
A coisa vai ao ponto de parecer que em Portugal já nem sequer habitam Portugueses; como se tivéssemos todos sido absorvidos culturalmente por um bando de Austin Powers em pose pindérica-psicadélica permanente e estilisticamente muito groovy.

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Aliás [“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] apesar de identificar claramente a acção como sendo passada em parte no sul de Portugal, parece ser no entanto num Portugal totalmente britânico.
Até a referência a Lisboa a meio do filme é feita como se a cidade se tratasse apenas de uma espécie de centro de gestão Britânico para o resto do país e como tal não deixa de ser fascinante apanhar-mos com um filme como este onde parece que no sec XXI teremos sido comprados ou invadidos pelos ingleses em definitivo que controlarão toda a costa Algarvia turisticamente…. Ficção-científica portanto… hem… … …
Onde é que eu ia ?… …
Ah !

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[“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] é um dos meus ódios cinematográficos de estimação há muito. E não é pela vertente colonizadora do argumento sequer. Essa é apenas anedótica e até algo xenófoba (?) ou insultuosamente paternalista…
[“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] quando começa estranhamente quase que parece um rascunho para “ESPAÇO 1999” que como muitos de vocês sabem foi criado e escrito por Gerry Anderson e Sylvia Anderson no início dos anos 70 logo a seguir a este filme.
Eu posso ser um fã enorme de “ESPAÇO 1999” mas quanto mais conheço o historial da série mais me convenço que todas as suas qualidades foram pura coincidência e não fruto de um qualquer rasgo de génio por parte dos seus criadores.

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Isto porque eu pertenço aquelas poucas pessoas que mais do que não admirar o trabalho de Gerry Anderson, na verdade não o suporta para lá do que alcançou técnicamente na altura.
Em termos narrativos, Gerry Anderson para mim está a par com Irwin Allen, outro produtor do final dos anos 60 com estilo semelhante e produtos vazios idênticos dentro da ficção-científica da época.
Pessoalmente nunca suportei as séries de marionetas de Anderson tão veneradas até hoje.

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A série UFO está também no meu top das piores e mais insuportáveis séries de pseudo-ficção cientifica de todos os tempos para mim; aquele look Austin Powers é simplesmente intragável para mim (até por ser contemporâneo da altura em termos estéticos reais) mas isto sou eu que odeio por completo tudo o que envolve a cultura pop do final dos anos 60, particularmente a Inglesa e os seus incrivelmente ridículos e artísticos swinging 60s.
Quase que me custa a crer que estes autores conseguiram depois criar algo tão extraordinário como “ESPAÇO 1999” quando tudo até então tinha sido absolutamente groovy baby no mais pindérico e abjecto dos sentidos.

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[“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] começa bem por ter uma pitada da atmosfera que mais tarde encontraríamos em “ESPAÇO 1999”, mas infelizmente isso dura pouco. A banda sonora parece ser a mesma e as melodias poderiam pertencer á season 1 das aventuras de Koenig que não se notaria diferença, no entanto mal passa dos créditos a piroseira e o kitsh dominam a um nível que depois ser irá tornar cada vez mais insuportável.
[“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] abre como se fosse uma má imitação de um 007 sem Sean Connery como não podia deixar de ser e durante alguns largos minutos não se percebe se isto irá ser um pindérico mas muito groovy filme de má espionagem ou um cartaz de promoção turística para se vender vivendas de férias Algarvias a ingleses.

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[“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] arrasta-se por demais.
Começa como uma idiotice de espionagem que mete corrupção entre as mais altas esferas que dirigem o centro espacial europeu situado em Albufeira, depois introduz a vertente de ficção científica um bocado a martelo e pelo meio de inúmeros e aborrecidos diálogos espositórios entre personagens que não interessam para nada lá ficamos a saber que os cientistas europeus descobriram que existe um planeta do lado oposto do sol na nossa própria órbita que nunca tinha sido identificado até então. Naturalmente claro está, lá temos depois que conhecer o par de heróis canastrões ( mas muito groovy e patilhas sexy ) que se voluntaria para viajar até esse novo mundo e ver o que por lá haverá.

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Premissa interessante, a fazer lembrar o melhor da BD Clássica “MUNDOS GEMEOS” que já aqui postei, mas infelizmente não esperem o mesmo nível de imaginação, atmosfera ou qualidade no desenvolvimento deste conceito em [“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”].
Enquanto não se viaja até ao outro lado do sol, lá temos que levar com os inevitáveis dramas românticos entre personagens sem qualquer interesse e que desta vez trazem agarrados também imensos problemas conjugais sobre os quais não podíamos nos estar mais a borrifar.
Mais umas cenas com os treinos de astronautas onde se aproveita para mostrar um pouco do Algarve tradicional por breves segundos e passamos à descolagem.

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Provavelmente nesta altura não será já novidade para ninguém qual o mistério do filme e muito menos será uma grande surpresa aquilo que os astronautas irão encontrar pela frente quando aterram finalmente no novo mundo mas de qualquer forma vou deixar o enigma no ar, para quem ainda quiser espreitar [“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”].

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O problema do filme é que apesar da sua premissa ser interessante, é por demais um produto do final dos swinging 60s com tudo o que de pindérico isso acarreta para a ficção-científica em termos temáticos. Muita viagem psicadélica, muita metáfora sobre quem somos, muito drama romântico de pacotilha mas tudo muito mal embrulhado num argumento que parece por demais fragmentado durante o filme todo nunca se percebendo be que raio de filme [“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] quer ser.

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Tem alguns momentos fantásticos e realmente brilhantes. A banda sonora por vezes tem aquela atmosfera de “ESPAÇO 1999” que só lhe fica bem, a ideia para esta aventura poderia ter feito parte de um episódio das aventuras da Base Alpha, teria tudo a ganhar num formato curto de 50 minutos e a fotografia é particularmente feliz especialmente quando fotografa os breves exteriores em Loulé e Albufeira que dão imensa vida a este filme quando aparecem no écran.

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Outra coisa excelente até mesmo para a época é o trabalho com as miniaturas que pode ser encontrado neste filme. [“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] não estará ao nível de um 2001 ODISSEIA NO ESPAÇO do mesmo ano lançado por Stanley Kubrik mas está muitos furos acima do que se costumava ver em produtos mais ou menos rascas da altura; por exemplo tecnicamente é superior ao muito mais divertido “MOON ZERO TWO” ou “BARBARELA” outras aventuras da mesma altura que no entanto nem conseguem chegar aos calcanhares do que visualmente [“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] consegue colocar no écran.

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Talvez até por isso o filme até hoje ainda seja um daqueles filmes de culto bastante reverenciados por muita gente; especialmente e muito naturalmente pela geração que o viu no cinema em criança, porque sim; as cenas no espaço em [“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] conseguem ser por vezes divertidas, fascinantes e muito bem conseguidas.

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Se virem no IMDb , este título tem imensas apreciações positivas e uma boa classificação apesar de na minha opinião conter demasiadas coisas verdadeiramente intragáveis e insuportáveis para o meu gosto pessoal.

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E eu adoro cinema de FC clássico; apenas esta época do final dos anos 60 com a sua estética Austin Powers me irrite por demais; especialmente quando como é o caso mais uma vez lá temos que levar não só com o psicadelismo “artístico” mas pricipalmente com um argumento mal estruturado, com muita coisa dispersa , personagens vazios e que culmina num final choque que de certa forma não era necessário e está algo descontextualizado de tudo o resto como se pertencesse mais a um filme de Ken Russel um par de anos mais tarde do que ao tipo de aventura de FC que [“JOURNEY TO THE FAR SIDE OF THE SUN”] pretendeu ser (?)…

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CLASSIFICAÇÃO

Por mais que tente, este é um daqueles que só consigo suportar quando me esqueço dele e dou-lhe novamente outra oportunidade de me cativar. Logo me arrependo de ter perdido outra vez mais duas horas a ver isto sabe-se lá porquê. Se calhar até gosto disto e não sei…
Ou devo ser masoquista.
Não é que o filme seja atroz, apenas é um enorme emaranhado de boas ideias que parecem pertencer a um monte de filmes diferentes todas coladas num argumento que nunca poderia ter ido a lado nenhum com material assim.

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Não deixa no entanto de ser um titulo interessante dentro do cinema clássico de FC; apenas é um produto demasiado fragmentado em que todos os fragmentos perderam a força que poderiam ter tido se o filme tivesse sido melhor estruturado. O facto de ser um típico produto inglés dos swinging 60s com tudo aquilo que de mais piroso havia na altura também não ajuda.
Embora, se não conhecem o filme mas interessam-se pela história da ficção científica é até mesmo um título obrigatório no género. Infelizmente as suas limitadas qualidades não são suficientes para superar tudo o que na minha opinião tem de insuportável.

A favor: os efeitos especiais, o trabalho de miniaturas, as cenas no espaço, as paisagens Algarvias totalmente perdidas no tempo hoje em dia. O bluray tem uma imagem fantástica.

Contra: muitas ideias diferentes coladas numa única história que nunca resulta num todo, personagens sem interesse, estrutura errática, a estética groovy swinging 60s, todas as cenas passadas no mundo paralelo mais parecem uma desculpa para não precisar de se esticar no orçamento do filme do que servem realmente a história, não tem imaginação, o final não tem grande sentido também.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

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IMDb

http://www.imdb.com/title/tt0064519

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